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A INCLUSÃO DO ALUNO COM DEFICIENCIA NA

ESCOLA

Transtorno de Déficit de Atenção – TODA-H

Flavio Aurélio da Silva Brim


Professora: Luciana Monteiro do Nascimento
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Pedagogia – Educação Especial
12/Junho/2009

RESUMO

Nesse estudo estaremos conversando sobre aquela criança que é lenta para copiar as tarefas do
quadro escolar, lenta para fazer os deveres de casa, parece ter grandes dificuldades de
concentração, nunca prestar atenção em nada, quase sempre desorganizada e “no mundo da lua”.
Falaremos também sobre aquela criança que nunca para quieta, está sempre mexendo com as
mãos e pés, não consegue ficar assentada um instante, sempre falando com as demais crianças sem
nunca demonstrar interesse em saber o que elas tem a dizer.

Palavras-Chave: Déficit de Atenção, Hiperatividade, TDAH

INTRODUÇÃO

O transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno


neurobiológico, de causas genéticas, que aparecem na infância e freqüentemente acompanha o
indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e
impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção).
Sampaio nos lembra quem foram os primeiros autores a falarem sobre o tema TDAH:
Um dos primeiros autores a escrever sobre o assunto foi Dupré, no período da Primeira
Guerra Mundial, que acreditava tratar-se de uma lesão cerebral mínima. Mais tarde, em
1962, num simpósio de Oxford, foi oficializado a expressão Disfunção Cerebral Mínima.
Em 1966, um grupo de estudos concluiu que esta disfunção pode originar-se de variações
genéticas, irregularidades bioquímicas, sofrimento perinatal, moléstias ou traumas
sofridos durante os anos críticos para a maturação do sistema nervoso central. ()

Sampaio nos lembra também das dificuldades que os pais têm em admitir essa dificuldade
em seus filhos retardando ao máximo o tratamento, gerando assim problemas ainda maiores.
Muitos pais demoram muito de procurar ajuda ou não aceitam um diagnóstico de
hiperativo, por achar que é coisa da idade, que toda criança é agitada mesmo, que isso irá
passar. Porém quando o problema demora a ser diagnosticado, o hiperativo, a partir da
sua puberdade, pode procurar as drogas, o álcool, praticar agressões sexuais, a fim de
tentar superar suas dificuldades em adaptar-se à vida social, e em alguns casos podem
cometer até o suicídio. ()
ORIGEM

A origem deste distúrbio é uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal. Está provado
que, ao contrário do que deveria acontecer, a atividade do córtex pré-frontal nas pessoas afetadas
pelo DDA diminui à medida que elas tentam concentrar-se. Revelam dificuldades de concentração
por períodos de tempo prolongados e em assuntos longos, comuns e rotineiros. No entanto, por
vezes, conseguem manterem-se atentos a coisas esteticamente atraentes, altamente estimulantes,
interessantes ou assustadoras.
Numa sala de aula é possível encontrarmos crianças com diferentes características. Por
exemplo: Enquanto temos um menino que pode estar agitando a todos em sua volta com suas hiper
agitação, poderemos por outro lado ver uma menina super distraída em seus pensamentos. Ambas
crianças podem estar apresentando características DDA. A segunda apenas absorta em seus
pensamentos (que estão hiper ativos) e a segunda absorta em suas hiper atividades.

IMPULSIVAS

A falta de controle dos impulsos leva-os a meterem-se freqüentemente em problemas e a sua


impulsividade pode causar comportamentos problemáticos. Esta atitude tem como objetivo, na
opinião de alguns especialistas, a estimulação do córtex pré-frontal. Comportamentos de
hiperatividade, desassossego ou até o simples ato de cantarolar são formas de auto-estimulação.

HIPERATIVAS

As crianças que também sofrem do “hiper-ativismo” não conseguem parar de se mexer. São
extremamente agitadas. Não conseguem ficar sentadas por muito tempo. Estão sempre pulando e
correndo excessivamente. Estão constantemente inquietas. Durante suas diversões costumam ser
barulhentas. Falam muito e depressa, apresentando muitas vezes distúrbios na fala. Possuem grande
dificuldade em esperar a sua vez em diversas situações. Por conta disso, nas conversas, geralmente
não conseguem ouvir as pessoas, quase sempre interrompendo a conversação. Por causa da sua
mente agitada, estão sempre se intrometendo nas conversas e jogos das outras crianças.
Normalmente, os professores são levados a observar muito mais as crianças hiperativas em
detrimento daquelas que estão submersas em seus pensamentos. Em minha opinião, ambas são
hiperativas. As que sofrem apenas do “Déficit de Atenção”, experimentam sua hiperatividade dentro
em seus pensamentos e as que sofrem de “Hiperatividade” como o próprio nome já diz, não se
concentram por causa do seu extremo ativismo exterior, ou motoro. Mas, resumindo, ambas são
ativas e por conta disso, ambas possuem enorme dificuldade de concentração.
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A ABDA (Associação Brasileira de Déficit de Atenção) defende que
"Quando elas se dedicam a fazer algo estimulante ou do seu interesse, conseguem
permanecer bem mais tranqüilas. Isso ocorre porque o centro de prazer no cérebro é
ativado e consegue dar um "reforço" no centro da atenção que é ligado a ele, passando a
funcionar em níveis normais. O fato de uma criança conseguir ficar concentrada em
alguma atividade não exclui o diagnostico de TDA/H".

FALTA DE CONCENTRAÇÃO

No caso das crianças, por exemplo, poderá ser-lhes possível concentrarem-se num
determinado jogo de vídeo, mas não o conseguirem na sala de aula ou a fazer os trabalhos de casa.
Estas pessoas demonstram ter uma necessidade muito intensa de excitação porque só assim são
acionadas as funções do seu córtex pré-frontal.
As crianças que sofrem de DDA não conseguem se concentrar nas tarefas, que geralmente
são interrompidas por outros pensamentos que lhes chamam a atenção. Não conseguem prestar
atenção no que lhe é dito por estarem pensando em diversas outras coisas naquele momento. Não
conseguem seguir regras, porque se distraem enquanto estão no exercício das mesmas. Não
conseguem se organizar exatamente pela falta de capacidade de concentrarem-se na disciplina e em
obedecer às regras. Estão sempre perdendo coisas importantes devido à sua constante distração.
Distraem-se facilmente com coisas que não tem nada a ver com o que estão fazendo naquele
momento. Acabam esquecendo-se constantemente dos seus compromissos e tarefas. As crianças
DDA possuem grande dificuldade em lembrar-se de recados e até mesmo de coisas simples.
Não podemos nos esquecer de que as crianças com DDA possuem dificuldade de
organização e de concentração. Por conta disso as tarefas escolares sempre são prejudicadas. Muitos
pais não sabendo desse fato não sabem como agir. Pais e professores poderão juntos descobrir
recursos para ajudar na concentração da criança durante o exercício de suas tarefas. É preciso
lembrar que esses sinais de desatenção e lapsos de memória não significam necessariamente
irresponsabilidade ou imaturidade.
A instabilidade de atenção da criança á levará a resultados instáveis: em alguns momentos
serão excelentes e em outros não conseguirão acompanhar o ritmo da sala.
Pelo fato de não se concentrarem num só lugar, tenderão a ter dificuldades até mesmo em
construir e alimentar suas amizades.

DISCIPLINANDO DE FORMA POSITIVA

Crianças DDA sofrem muito. Os professores o chamam de indisciplinados, as mães o


chamam de mal educados e seus colegas muitas vezes o rejeitam.

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É importante que os pais e professores procurem conhecer mais sobre o assunto. Precisam
saber reconhecer a diferença entre a desobediência e a inabilidade. A criança precisa ser punida
quando desobedecer, mas não quando falhar por distração. Nesse caso precisará ser ajudada.
Precisamos compreender que as crianças afetadas por este distúrbio a punição não surtirá
qualquer efeito. Elas devem sim ser estimuladas pelo reforço positivo (elogio) já que a pressão
originará resultados indesejáveis.
Outra maneira de ajudar essa criança educando-a de forma positiva. Temos muito mais
facilidade em corrigir mostrando o erro sem dar sugestões do como fazer corretamente. Uma boa
maneira é orientar de forma positiva ensinando de forma prática o que você espera que aquela
criança faça. É necessário exercer uma educação positiva elogiando a criança quando agir
corretamente. A criança precisa saber que o educador reconhece seus acertos. Assim ela não
desenvolverá uma idéia errada de que tudo que faz está errado.
Mas caso a criança DDA precise ser punida que seja feito logo em seguida para que a
mesma associe a punição ao erro cometido. Caso contrário a criança não mais se lembrará do
motivo da punição e seu efeito deixará de ser corretivo.
Silva nos alerta sobre a punição:
Quando for necessário o castigo, pela evidente desobediência, também seja coerente e
constante: se disser que irá castigá-lo, realmente o faça. Dizer e não fazer será
interpretado pela criança como sinal de que nada acontecerá. E faça realmente o que
disser que faria. Por exemplo: Se disse que o castigo duraria uma semana, então deverá
durar uma semana. ()

Da mesma forma será importante que a criança seja elogiada imediatamente aos seus acertos
para que os mesmos não apenas criem uma motivação para novos acertos, como também reforcem a
atitude correta da criança. Se a criança for festejada diante dos seus acertos, ficará motivada em
repeti-los. Procure valorizar mais os momentos de acerto do que necessariamente os momentos de
erros.
Alguns educadores aconselham que antes de chegarmos ao ponto de repreendermos a
criança pelos seus erros, devemos caminhar junto com a criança durante o exercício das atividades
para que saibam como devem ser feitas. Esse processo deve ser repetido diversas vezes até que a
criança saiba como fazê-lo. Paralelamente a criança deve ser motivada com elogios todas as vezes
que acertar. Infelizmente muitas vezes pulamos essa etapa diretamente para fazermos repreensões
negativas que acabam muitas vezes enfatizando ainda mais o lado negativo.

DICAS PARA OS PROFESSORES

A professora Luciana Monteiro do Nascimento () relaciona diversas sugestões para os


professores de crianças com “hiperatividade” e “déficit de atenção” enquanto dando aula:

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• Conheça seus limites como professor e não tenha medo de pedir ajuda.
• Grupos pequenos diminuirão o leque de distração, facilitando a concentração.
• As tarefas precisam ser curtas para diminuir a distração e assim chegarem ao término das
mesmas.
• Quanto mais motivadas, menos irão se distrair.
• O elogio, jogos e desafios ajudam muito manter uma criança motivada.
• Faça com que a criança se sinta envolvida nas coisas.
• Faça com que suas aulas tenham novidades para sempre serem aulas empolgantes.
• Uma rotina equilibrada com motivação contribuirá muito na concentração da criança.
• Todo comando dado ao grupo deve ser repetido individualmente.
• O comando deve ser simples e com palavras fáceis.
• Procure dividir as grandes tarefas em tarefas menores. Isso facilitará a concentração da
criança.
• Use resumo, ensine resumido, ensine sem profundidade.
• Avise o que você vai falar antes de falar.
• Lembre que crianças hiperativas aprendem melhor visualmente do que pela voz.
• Leve a criança repetir o comando que você deu.
• Procure falar olhando diretamente nos olhos da criança. Isso pode prender sua atenção.
• Quanto mais útil uma criança se sentir, mais concentrada ela permanecerá.
• No caso do aluno hiperativo, procure aproveitar sua criatividade.
• Se as regras da escola permitir, proporcione uma “válvula de escape” para que a criança
hiperativa faça uma breve saída da sala de aula para atender a solicitação sua.
• Construa regras de convivência que sejam breves e claras deixando-as fixadas na parede.
• O uso de materiais calmante (argila, areia, água, lama, pintura a dedo, música calma)
contribuirá para aperfeiçoar a concentração.
• Exercícios de relaxamento serão benéficos para acalmarem as crianças.
• Uma sala organizada contribui para a concentração.
• A organização dos alunos em forma de U facilitará bastante na concentração dos mesmos.
• Evitar manter crianças hiperativas próximas uma das outras.
• Procure trazer a criança hiperativa mais próxima de você.
• É importante que as crianças visualizem no quadro quais serão as atividades do dia. Isso
facilitará sua concentração.
• Lembre-se de que crianças hiperativas necessitam de algo para fazê-las lembrar das coisas.
Elas necessitam de previsões, de repetições, de diretrizes, de limites e de organização.
• Lembre-se de que essas crianças precisam encontrar prazer na sala de aula.
• Cores que não sejam muito fortes na sala de aula contribuirão na concentração da criança.
• Um dos melhores remédios para crianças e adultos hiperativos é o exercício. Nesse caso
procure estimular bastantes exercícios para os alunos.

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CONCLUINDO

As crianças que sofrem do distúrbio TDA-A se não forem entendidas e auxiliadas a


compreenderem e superarem seus conflitos ainda quando crianças tenderão a não se acharem
compreendidas pela sociedade buscando respostas muitas vezes na fuga.
Acharão que os pais, amigos, professores e a sociedade em geral não os aceitam. Sentir-se-
ão excluídos o que poderá gerar um indivíduo totalmente disfuncional, gerando outra família
disfuncional.
Tanto os pais quanto os professores, por desconhecerem esse distúrbio, acabam se frustrando
ao não conseguirem educar seus filhos e/ou alunos. Por não compreender essa situação acabam
estigmatizando a criança e muitas vezes punindo-as ou punindo-se sem necessidade.
Caberá aos pais, médicos, professores e educadores não apenas compreender esse distúrbio
como principalmente ajudar a própria criança compreende-lo e superá-lo.
Sabemos que o desafio será grande e altamente desgastante. Mas afinal de contas, não foi
para isso que fomos chamados?

Obras Citadas
Nascimento, L. M. (2007). Condutas Típicas. In: L. M. Nascimento, Caderno de Estudos - Educação
Especial (pp. 78 - 80). Indaial: Centro Universitário Leonardo da Vinci - ASSELVI.

Sampaio, S. (2009). Cantinho. Acesso em 10 de 06 de 2009, disponível em Pedago Brasil:


http://www.pedagobrasil.com.br/cantinho/simaiasampaio8.htm

Silva, A. B. (2003). Mentes Inquietas. São Paulo: Editora Gente.