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Gestão Participativa: dividindo poder e responsabilidade para multiplicar resultados

Frederico Sotero*

A gestão participativa é o maior ativo que um governo pode dispor, uma vez que é muito mais

difícil governar sem a mobilização, engajamento e participação dos cidadãos, tendo em vista

que a maioria dos problemas administrados pelo município não decorrem, principalmente no Brasil, de forças da natureza como furacões, terremotos, asteróides ou chuvas de granizo. A grande maioria dos problemas é conseqüência de comportamentos individualistas das

pessoas:

Lixo e entulho (pessoas gerando excessivamente lixo e espalhando-o por toda cidade);

Lotes sem muro e mato (pessoas especulando com terra urbana);

Trânsito (pessoas estacionando e trafegando em local proibido);

Dengue (pessoas criando mosquito);

Mortalidade infantil (pessoas que não cuidam das crianças);

Alcoolismo (pessoas abusando no consumo de bebida)

Drogadição (pessoas abusando no consumo de entorpecentes)

Obesidade (pessoas que não equilibram o consumo e gasto calórico)

Violência (pessoas usando a força para equacionar interesses antagônicos)

Acidentes de transito (pessoas imperitas e desatentas causando perdas materiais e levando pessoas para os hospitais)

Indigência e pobreza por opção (pessoas que não querem trabalhar por conseguirem sobreviver de doações)

Analfabetismo, repetência e evasão escolar (pessoas que não ensinam e que não aprendem)

Sonegação (pessoas que não assumem suas responsabilidades)

Corrupção (pessoas que corrompem para transgredir normas e regras)

Deslizamento de encostas (pessoas habitando áreas impróprias)

Enchentes (pessoas habitando áreas impróprias)

Não podemos deixar de reconhecer que, muitas vezes, estes e tantos outros problemas

decorrem da falta de planejamento e gestão por parte do próprio município, que não ordena e disciplina a vida em sociedade, o que acaba por favorecer e motivar comportamentos nocivos

à vida coletiva, o que geralmente decorre, também, da falta de educação e desinformação da

população. Em sentido oposto, a gestão participativa pode mobilizar e motivar os cidadãos a agirem de forma cooperativa adotando comportamentos baseados em cultura coletivista, o que resolveria a grande maioria dos problemas administrados pelas prefeituras. Portanto, a diferença entre administrar problemas e governar com resultados efetivos decorre da capacidade de combinar três dimensões, (1) a técnica, baseada no planejamento e gestão das políticas públicas; (2) a educativa, estruturada pela formação das pessoas para vida coletiva ou cidadania; e (3) a participativa, que depende necessariamente da capacidade de estruturar o município para gestão participativa.

A estruturação do município para a gestão participativa pode acontecer em diferentes graus

de intensidade que vão de modelos mais superficiais, como as práticas de orçamento

participativo, até modelo baseados em profundas transformações institucionais como preconiza a “Gestão Participativa em Rede” (SOTERO, FREDERICO. Gestão participativa em rede-GRP: descentralização e participação na gestão municipal. Brasília, DF, 2002. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/12633925/Gestao-Participativa-Em-Rede e SOTERO, FREDERICO. Revolucionando a Administração Municipal: Gestão Participativa em Rede. DF, 2004. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/12634085/Revolucionando-a- Administracao-Municipal).

A gestão participativa não é uma visão idealista que pressupõe o altruísmo das pessoas, muito pelo contrário, está baseada na percepção que as pessoas podem enxergar benefícios em sua participação na gestão dos interesses coletivos. Para tal, a participação deve implicar, necessariamente, em melhorias para a vida das pessoas, o que depende da efetiva participação dos cidadãos para que as decisões sejam realmente orientadas para o interesse

coletivo em detrimento de interesses privados e corporativos, ou seja, dividir poder e responsabilidade para multiplicar resultados. A decisão de fazer gestão participativa é do prefeito, mas o benefício é coletivo.

* Frederico Sotero é consultor em planejamento estratégico e gestão pública, cursou relações

Internacionais (PUCMinas), administração (UFLA) e desenvolvimento local (International Training Center ILO-ONU), ocupou diversos cargos na administração municipal e estadual, atualmente realiza consultoria em gestão participativa através da empresa PARTICIPATIVA.NET (www.participativa.net), além de presidir o Instituto Gravatá (www.institutogravata.org.br).

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