Tiago Malta tiagomaltapsi@gmail.com http://tiago­malta.blogspot.com.

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Por que tratar o Óleo de cozinha?
Por  falta  de  informação,  grande  parte da população  ainda descarta  o óleo  usado na  pia,  no  lixo  comum  ou  mesmo  diretamente  nos  rios.  Quando  descartado  na   pia,  por causa de  sua  viscosidade cria uma crosta  que retém resíduos que além de  entupir o ralo, atrai  animais  nocivos  para a  nossa  saúde como ratos, barata  e  até  lacrarias.  Em  alguns casos  o  encanamento  pode  ficar  tão  acumulado  de  resíduos  de  tal  forma  que  a  única solução  é  a  troca  de  toda  tubulação gerando um custo  a  mais e que  poderia ser evitado com o descarte correto. Grande  parte  do  óleo  (que  não  ficou  retido  na  tubulação)  desce  pela  rede  de esgotos  e  alcança  rios e mares, ao  entrar  em  contato  com  os mananciais hídricos o óleo cria uma fina camada em cima da água (por ser menos denso) que impede a penetração dos  raios  solares,  dificultando  a  troca de gases  entre a água  e  a  atmosfera, reduzindo  o oxigênio e  prejudicando  a  vida  aquática.  Um litro de óleo pode poluir mais de 20 mil litros de  água.  Porém,  o  risco  maior  está  nos  resíduos   que  aderem  como  uma  cola  à  rede coletora, provocando entupimento e refluxo de esgoto. No  solo  (quintal,  lixões,  terrenos  baldio,  dentre  outros)  o  óleo  contribui  para  a impermeabilização  podendo causar processos de enchente e alagamento. Pode também destruir  a  vegetação  e tornar o solo infértil. Quando entra em processo de  decomposição, o óleo  também  pode eliminar gás  metano que  além  do mau cheiro agrava  o efeito estufa e propicia a chuva ácida. Para  evitar  que  o   óleo  de  cozinha  usado  seja  lançado  na   rede  de  esgoto, basta após  o  seu  uso  (esperar um  pouco para que  esfrie) colocá­lo em  uma  garrafa (pode ser Pet), lembrando  que  não precisa  que  seja  filtrado  ou  que seja misturado a qualquer outra substância. Em seguida é só encaminhar para o devido tratamento. Como Funciona o Processo Filtragem­  A  transformação  do  óleo  de  cozinha  em   energia  renovável  começa  pela filtragem, que retira o resíduo sólido, pode ser um filtro de papel de cinco micra Nota1: O resto de alimento pode ser usado no processo de com postagem. Decantação:  Esse  processo  serve  para  retirar  toda  a água  que está  misturada, pois  o óleo  sendo mais leve  fira  na  parte  mais  alta  do recipiente  enquanto a água se acumulara no  fundo,  deixando  o  efluente  em  repouso.  Antes  da  decantação  pode  ser  feita  uma adição de água a mais e colocado num misturador para lavar o óleo.

Tiago Malta tiagomaltapsi@gmail.com http://tiago­malta.blogspot.com.br

Nota  2:  A  água  usada  para  "lavar"  o  óleo  também  sai  cheia  de  lodo.  Em  vez  de  ser mandada  para  o  esgoto,  ela  é  tratada  e  reutilizada  no processo.  E o lodo  retirado  pode ser  utilizado  para  a  produção de  adubo utilizado por agricultores  da  região no  cultivo de alimentos orgânicos. "Tem 5% de fósforo e 65% de proteína. Dependendo  do  como  óleo  esteja   saturado,  ele  passará  por  uma  purificação  química (processo de floculação) que retirará os últimos resíduos. Nota 3: Já nesta etapa o óleo limpo pode ser utilizado em rolos compressores usados na manutenção  asfáltica  ou  para  desmolde  de  fôrmas  utilizadas  em  madeireiras.  Essa  é uma  forma  de uso direto, mas o óleo ainda pode ser utilizado de outras formas, por causa de sua cadeia de desdobramento Processo  de  Transesterificação:  Esse  óleo  "limpo" é colocado em  um  reator  de inox, onde  é  feito  a  reação  com  álcool  (etanol   ou  metanol)  e  uma  substância  catalisadora. (potassa  cáustica  ou  metilato  de  sódio).  Esta  reação  ocorre  em  mais  ou menos duas  a três horas. Depois  da  Reação  concluída  o  produto  é  colocado  em  um  tanque  para  descanso (decantação),  nesse  período  de  repouso  ocorre  à separação  das  fases  biodiesel (éster metílico  de  ácido  graxo)  menos  denso  e  a  glicerina  (junta  águas  e  outras   impurezas), onde  pode  ser  extraído  por  drenagem.  Concluído  a  etapa  de  remoção  da  glicerina  o biodiesel  deverá  ser  submetido  a  um  processo  de  lavagem,  que consiste  na  adição  de água destilada morna, com agitação constante O  biodiesel retirado vai  para  outro tanque de agitação  onde é  adicionada terra filtrante e clarificante,  em  seguida  ele  é  passa  por  um  filtro  prensa  para retirada da terra e  outras impurezas, terminando assim o processo. NOTA  4:  A  glicerina se tratada quimicamente, pode  ser  usado  também para fabricação de plásticos,  tintas,  borrachas e até cosméticos. Estudos também indicam que a glicerina pode ser transformada em Biogás através de biodigestores. (Tiago Malta, 30 agosto de 2013)
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