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CURSO ONLINE PREPARATÓRIO PARA OAB 1ª FASE IX EXAME DE ORDEM UNIFICADO Processo Penal Prof.
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IX EXAME DE ORDEM UNIFICADO
Processo Penal
Prof. Ana Cristina Mendonça

EXECUÇÃO DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE

1. NATUREZA JURÍDICA DA EXECUÇÃO PENAL

A execução penal é atividade complexa, que se desenvolve nos planos judiciais e administrativos. Essa

atividade é desenvolvida pelos poderes judiciário e executivo e os diretores dos estabelecimentos penais.

O

marco inicial da fase executória é a sentença penal condenatória, surgindo assim, o título executivo.

- sistema progressivo - Início - guia de recolhimento (art. 105) - Juízo universal
- sistema progressivo
- Início
- guia de recolhimento (art. 105)
- Juízo universal

SISTEMA ADOTADO PELA LEI N. 7.210/84

2.

Lei de Execução Penal (lei nº 7.210/84) regulamenta o cumprimento das penas privativas de liberdade e

medidas de segurança, bem como os critérios administrativos a elas relacionados. O Brasil adotou o

A

sistema progressivo, que consiste na passagem por regimes de cumprimento de pena em ordem

decrescente de severidade, desde que presentes os requisitos legais (art. 33, § 2º, do CP).

Referido sistema tem por objetivo a ressocialização do condenado, ampliando sua expectativa de

liberdade ao tempo que lhe atribui maior dose de responsabilidade.

3. COMPETÊNCIA DO JUIZ DAS EXECUÇÕES CRIMINAIS

A competência para a execução penal é do juízo estadual da Vara de Execuções Penais do local em que

se situa o estabelecimento penitenciário onde o condenado cumpre a pena, mesmo que a condenação

tenha ocorrido pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral. Contudo, o acompanhamento da execução,

quando da transferência de presos para presídio federal de segurança máxima, caberá ao Juízo Federal

competente da localidade em que se situar referido estabelecimento (Súmula 192 do STJ).

Inicia-se a competência do juiz das execuções com o trânsito em julgado da condenação (art. 669 do

CPP). Frise-se, no entanto, a admissibilidade da execução provisória da sentença transitada em julgado

(art. 669 do CPP). Frise-se, no entanto, a admissibilidade da execução provisória da sentença transitada em
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para o MP, sendo também competente o juiz das execuções. Por outras palavras, estando pendente de

apreciação recurso exclusivo da defesa, torna-se viável a execução imediata da sentença condenatória.

O início do processo de execução, entretanto, ocorrerá com a autuação da guia de recolhimento (art. 105),

que somente pode ser extraída com o transito em julgado da decisão.

4. GUIA DE RECOLHIMENTO

o transito em julgado da decisão. 4. GUIA DE RECOLHIMENTO Documento que orientará a execução da

Documento que orientará a execução da pena privativa de liberdade, sem a guia expedida pela autoridade

judiciária. O conteúdo da guia de recolhimento está disciplinado no art. 106 da LEP. Ela conterá: o nome

do condenado; sua qualificação civil e o número do registro geral no órgão oficial de identificação; o inteiro

teor da denúncia e da sentença condenatória, bem como da certidão do trânsito em julgado; a informação

dos antecedentes e o grau de instrução; a data do término da pena; outras peças do processo reputadas

indispensáveis ao adequado tratamento penitenciário.

A

início e ao término de cumprimento da pena. Segundo determina o art. 76 do CP, no concurso de

guia de recolhimento será alterada, quando necessário pelo juiz da execução, especialmente quanto ao

infrações, executar-se-á primeiramente a pena mais grave. O CPP, no art. 681, complementa a orientação

dispondo que será executada primeiro a de reclusão, depois a de detenção e, por último, a de prisão

simples.

5. FIXAÇÃO DO REGIME INICIAL PARA O CUMPRIMENTO DA PENA

Resumo: Compete ao juiz prolator da sentença, não podendo o juiz da execução alterar o regime

inicialmente fixado, salvo em casos de soma ou unificação de penas.

Compete ao juiz do processo de conhecimento, na sentença, a fixação do regime inicial para o

cumprimento da pena privativa de liberdade. Se a sentença for omissa a respeito, ela poderá ser suprida

pelo juiz que a prolatou, por força de embargos declaratórios ou de ofício, enquanto não transitar em

julgado. O tribunal, no exame de recurso, poderá determinar que o juiz de primeiro grau complete sua

função jurisdicional indicando o regime adequado, suficiente para a reprovação e prevenção do crime (art.

59 do CP). Se o condenado tiver outras condenações, a tarefa de preenchimento da lacuna verificada na

sentença poderá ser atribuída ao juiz das execuções. A ele competirá, ainda, a fixação do regime inicial

quando houver várias condenações impostas em processos distintos (diversas guias de recolhimento).

do regime inicial quando houver várias condenações impostas em processos distintos (diversas guias de recolhimento).
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6.

REGIMES DE CUMPRIMENTO DE PENA

São os previstos no art. 33 do CP: fechado (estabelecimento de segurança máxima ou média); semi-

aberto (colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar); regime aberto (casa do albergado ou

estabelecimento adequado).

7. REQUISITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS PARA PROGRESSÃO DE REGIME Requisito Objetivo: Cumprimento de 1/6 da
7. REQUISITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS PARA PROGRESSÃO DE REGIME
Requisito Objetivo: Cumprimento de 1/6 da pena que foi imposta na condenação (art. 112 da LEP).
OBS 1: Essa fração não pode ser alterada pelo juiz do processo de conhecimento.
OBS 2: após a primeira progressão o calculo é realizado sobre o saldo da pena a cumprir. Pena cumprida
é
pena extinta.
Requisito Subjetivo: O condenado deve possuir condições de adaptação ao novo regime de
cumprimento de pena. Trata-se de avaliação de mérito, incluindo-se seu comportamento no cárcere,
respeito aos demais presos e funcionários do presídio, inexistência de infrações disciplinares,
comportamento frente ao trabalho, etc
A
progressão depende de parecer da Comissão
Técnica de Classificação (CTC) e do exame criminológico, quando necessário (art. 112, § único da LEP),
sendo ainda imprescindível a manifestação do MP (art. 67 da LEP).
OBS 3: o exame criminológico é obrigatório quando o condenado se encontre no regime fechado (art. 8.º
da LEP), e facultativo quando estiver no regime semi-aberto. Poderá o juiz das execuções, entretanto,
determiná-lo aos condenados que estejam cumprindo pena no regime semi-aberto. É imprescindível,
finalmente, a prévia manifestação do MP (art. 67 da LEP).

O exame criminológico e os pareceres da CTC e do MP não vinculam o juiz. A progressão para o regime

aberto (prisão albergue) exige o trabalho extramuros, ou seja, que o condenado tenha imediata

possibilidade de trabalho ou continuidade do mesmo (art. 114 da LEP).

8. CONDIÇÕES/ REQUISITOS EXIGIDOS NA PROGRESSÃO PARA O REGIME ABERTO (ART. 115

DA LEP)

do mesmo (art. 114 da LEP). 8. CONDIÇÕES/ REQUISITOS EXIGIDOS NA PROGRESSÃO PARA O REGIME ABERTO
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Art. 115. O Juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto, sem

prejuízo das seguintes condições gerais e obrigatórias:

I - permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga;

II - sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados;

III - não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial;

ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial; IV - comparecer a Juízo, para informar e

IV - comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for determinado.

O juiz da VEP pode estabelecer condições especiais.

OBS 4: Maiores de 70 (setenta) anos, gravemente enfermos, condenada gestante ou com filho menor ou

deficiente poderão ser dispensados do trabalho.

OBS 5: O condenado estrangeiro, que não pode trabalhar no Brasil, ou cuja expulsão aguarda o

cumprimento da pena, não pode ser posto em regime aberto.

OBS 6: É vedada a progressão por saltos (art. 112 da LEP), significa dizer, por exemplo, quem está no

regime fechado não pode saltar para o aberto sem ter passado pelo semi-aberto. Contudo, a

jurisprudência vem entendendo que isso pode ocorrer quando houver inexistência de vaga no regime

intermediário. A posição é controversa.

OBS 7: Doutrina e jurisprudência vem entendo possível a substituição do regime aberto pela prisão

domiciliar, quando não houver estabelecimento adequado (casa de albergado) ou vaga insuficiente. Tal

posicionamento não é, entretanto, contrário ao que dispõe o (art. 117 da LEP).

Art. 117. Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência

particular quando se tratar de:

I - condenado maior de 70 (setenta) anos;

II - condenado acometido de doença grave;

III - condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental;

anos; II - condenado acometido de doença grave; III - condenada com filho menor ou deficiente
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IV

- condenada gestante.

9. ATOS SOB A COMPETÊNCIA DO JUIZ DA EXECUÇÃO

Art. 66. Compete ao Juiz da execução: I - aplicar aos casos julgados lei posterior
Art. 66. Compete ao Juiz da execução:
I - aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado;
II
- declarar extinta a punibilidade;
III
- decidir sobre:
a)
soma ou unificação de penas;
b)
progressão ou regressão nos regimes;
c)
detração e remição da pena;
d)
suspensão condicional da pena;
IV
- autorizar saídas temporárias;
V
- determinar:
a)
a forma de cumprimento da pena restritiva de direitos e fiscalizar sua execução;
b)
a conversão da pena restritiva de direitos e de multa em privativa de liberdade;
c)
a conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos;
d) a aplicação da medida de segurança, bem como a substituição da pena por medida de
segurança;
e)
livramento condicional;
f)
incidentes da execução.
e)
a revogação da medida de segurança;
f)
a desinternação e o restabelecimento da situação anterior;

g)

o cumprimento de pena ou medida de segurança em outra comarca;

h)

a remoção do condenado na hipótese prevista no § 1º, do artigo 86, desta Lei.

i) (VETADO);

VI

- zelar pelo correto cumprimento da pena e da medida de segurança;

no § 1º, do artigo 86, desta Lei. i) ( VETADO ); VI - zelar pelo
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VII - inspecionar, mensalmente, os estabelecimentos penais, tomando providências para o

adequado funcionamento e promovendo, quando for o caso, a apuração de responsabilidade;

VIII - interditar, no todo ou em parte, estabelecimento penal que estiver funcionando em

condições inadequadas ou com infringência aos dispositivos desta Lei;

IX - compor e instalar o Conselho da Comunidade.

X – emitir anualmente atestado de pena a cumprir. (Incluído pela Lei nº 10.713, de 2003)

de pena a cumprir. (Incluído pela Lei nº 10.713, de 2003) Detração penal No direito brasileiro

Detração penal

No direito brasileiro está proibido o excesso de apenação. Por tal motivo o réu, uma vez condenado tem o

direito de computar como tempo de pena cumprido o período em que ficou preso durante o processo.

A

conhecimento.

detração é tarefa exclusiva do juiz da execução penal, não podendo ser feita pelo juiz do processo de

Detração na pena privativa de liberdade

A

detraído da condenação imposta. Não é possível o aproveitamento de prisão provisória referentes a outros

processos.

guia de execução ou carta de sentença apresenta o período total de prisão processual a ser abatido ou

Detração na pena restritiva de direitos

Quando o réu é condenado a uma pena restritiva de direitos em substituição a uma pena privativa de

liberdade (art. 44 do CP) fará igualmente jus a detração do tempo de prisão já sofrido. Da mesma forma,

caso venha o mesmo, durante o cumprimento da restritiva de direitos, a descumprir a uma das obrigações

impostas, o tempo da cumprido de restritiva será abatido da privativa de liberdade fixada na sentença (§ 4º

do art. 44 do CP).

Detração na medida de segurança

O abatimento do tempo se faz no prazo mínimo fixado na sentença, que segundo o § 1.º do art. 97 do CP,

deverá ser de 01 (um) a 03 (três) anos.

no prazo mínimo fixado na sentença, que segundo o § 1.º do art. 97 do CP,
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Detração na multa

De acordo com posição majoritária, impossível a detração.

Soma e unificação das Penas

Ocorre a soma das penas quando se trata de concurso material de crimes. Em regra, é realizada pelo

próprio juiz sentenciante, no momento da condenação. Contudo, quando ocorrem várias condenações

condenação. Contudo, quando ocorrem várias condenações autônomas de um mesmo réu, em processos distintos, o juiz

autônomas de um mesmo réu, em processos distintos, o juiz da execução se incumbirá do somatório

através da extração de uma guia única de sentença.

Ocorre unificação das penas em duas situações distintas. A primeira decorre do disposto no art. 82 do

CPP:

Art. 82 – Se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos diferentes, a

autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram perante outros

juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a unidade dos processos só se

dará, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação das penas.

E para impedir o cumprimento de pena privativa de liberdade além dos 30 anos (art. 75 do CP), ou seja, se

a soma das penas ultrapassar 30 anos, serão unificadas nesse montante.

Obs. 8: Predomina o entendimento de que os diversos institutos previstos na LEP devem ser calculados

sobre a soma total das condenações impostas e não sobre o total unificado.

Para a soma e unificação das penas, deve ser observada a superveniência de nova condenação.

Remição

Cuida-se de abatimento da pena privativa de liberdade em função do trabalho do preso, na proporção de

três dias de trabalho para um dia de pena.

O benefício só é admissível àqueles que estão cumprindo pena no regime fechado ou semi-aberto (art.

126 da LEP). Não se estende àqueles que estão no regime aberto porque o trabalho, nesse regime, é

condição para o ingresso e permanência.

àqueles que estão no regime aberto porque o trabalho, nesse regime, é condição para o ingresso
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Aplica-se o instituto às penas privativas de liberdade. Não pode haver remição, por exemplo, na pena

restritiva de direitos consistente na prestação de serviços à comunidade, pois nesse caso a pena é

cumprida por meio do trabalho.

Não tem direito à remição, também, o condenado que está em período de prova no livramento condicional

e aquele que está submetido à medida de segurança.

e aquele que está submetido à medida de segurança. Obs. 9: O preso provisório faz jus

Obs. 9: O preso provisório faz jus à remição. Tendo direito à detração, não seria justo privar-lhe da

remição, desde que tenha efetivamente trabalhado durante o período de custódia cautelar. Sabemos que o

preso provisório não tem o dever de trabalhar, mas, se o fizer, deve receber a contraprestação consistente

na remuneração e no aproveitamento dos dias para efeito de remição.

Obs. 10: O benefício da remição exige o efetivo trabalho, de modo que, de acordo com posição

majoritária, a inércia do Poder Público não gera a aplicação do instituto automaticamente.

Quando efetivada a remição, o novo total, ou seja, aquele obtido por meio da remição é o que servirá de

base para a aplicação dos institutos da LEP, tais como a progressão dos regimes, o livramento

condicional, o indulto, o benefício da saída temporária, entre outros.

Obs. 11: A remição pelo estudo não está prevista na lei, mas esta ideia vem sendo incentivada pelos

órgãos de administração penitenciária. A proposta seria de 18 horas de estudo por um dia de pena

cumprida. Entretanto, há resistência à concessão da remição pelo estudo, em virtude da ausência de

previsão legal.

Perda do tempo remido:

Segundo dispõe o art. 127 da LEP, o condenado que for punido por falta grave perderá o direito ao tempo

remido, começando o novo período a partir da data da infração disciplinar.

A questão é controvertida, pois muitos defendem que a remição é um direito público subjetivo do

condenado, do qual não pode ser ele privado após a imutabilidade da decisão que lhe concedeu a

remição. O STF entende que não se trata de direito adquirido, afirmando que a inexistência de punição por

falta grave é condição para a manutenção do benefício.

REGRESSÃO NOS REGIMES DE CUMPRIMENTO DE PENA

A disciplina da regressão encontra-se no art. 118 da LEP. O cumprimento da pena privativa de liberdade

ficará sujeita a forma regressiva, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o

condenado:

ficará sujeita a forma regressiva, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o
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a)

praticar fato definido como crime doloso ou falta grave;

b) sofrer condenação cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne incabível o regime; no

cumprimento da pena em regime aberto, além das hipóteses anteriores, frustrar os fins da execução, ou

não pagar, podendo, a multa cumulativamente imposta.

Obs. 12: A regressão “por saltos”, ao contrário do que ocorre com a progressão, é permitida pela LEP,

do que ocorre com a progressão, é permitida pela LEP, porquanto o art. 118, caput ,

porquanto o art. 118, caput, dispõe que o juiz poderá transferir o condenado para qualquer dos regimes

mais rigorosos.

As causas de regressão estão disciplinadas no § 1.º do art. 118. Nesses casos, a decisão deverá ser

precedida de prévia oitiva do condenado (art. 118, § 2.º), sob pena de nulidade absoluta decorrente de

violação do princípio do contraditório e da ampla defesa, presentes no processo de execução.

Requisitos para a Regressão

a)

delito doloso.

b)

prática de crime definido como crime doloso. Não há exigência de condenação, basta o cometimento de

prática de falta grave, do mesmo modo é prescindível a efetiva punição disciplinar.

Obs. 13: Porém, nos termos do § 2.º do art. 118, nas hipóteses supracitadas (inc. I), o condenado deve

ser previamente ouvido pelo juiz. Essa providência não é meramente formal. Se for necessário, o juiz das

execuções deverá lançar mão do procedimento judicial previsto nos arts. 194 e ss. da LEP.

Obs. 14: A regressão é facultativa no caso de prática de crime culposo ou de contravenção.

No inc. II do art. 118 está disposto que a nova condenação, somada ao restante da pena, poderá tornar

incompatível o regime em que se encontra o condenado.

Regressão no regime aberto

Descumprir as condições impostas pelo juiz da sentença ou das execuções constitui falta grave, que

ensejará a regressão. De outro lado, a conduta incompatível com a responsabilidade esperada do

condenado no regime aberto também poderá acarretar a regressão nos regimes.

com a responsabilidade esperada do condenado no regime aberto também poderá acarretar a regressão nos regimes.
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LEMBRETES:

1. Anistia, graça e indulto. Anistia é a declaração pelo poder público de que determinados fatos se

tornam impuníveis por razão de utilidade social. Graça é o perdão estatal concedido pelo presidente da

república, por decreto a determinado condenado. Indulto é a clemência estatal, concedida pelo

presidente da república, por decreto, a um numero determinado de condenados. Resumindo anistia é

política, graça é individual e o indulto é coletivo.

é política, graça é individual e o indulto é coletivo. 2. em que se situa o

2.

em que se situa o estabelecimento penitenciário onde o condenado cumpre a pena, mesmo que a

A competência para a execução penal é do juízo estadual da Vara de Execuções Penais do local

condenação tenha ocorrido pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral. Contudo, o acompanhamento da

execução, quando da transferência de presos para presídio federal de segurança máxima, caberá ao

Juízo Federal competente da localidade em que se situar referido estabelecimento (Súmula 192 do

STJ).

3. Livramento condicional é a antecipação da liberdade e não progressão de regime, e será

concedido pelo juiz ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 anos, desde que

cumpridos 1/3 da pena (condenado primário) ou ½ (reincidente em crime doloso). No caso de crimes

hediondos e equiparados o prazo será de 2/3, se o condenado não for reincidente específico.

4.

contudo, é possível a aplicação, ao preso provisório, dos benefícios da execução. O cumprimento da

Como regra a execução penal tem inicio após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória,

pena deve ser concretizado de forma progressiva, passando-se do regime mais severo (fechado) aos

mais brandos (semi-aberto e aberto), não sendo possível ultrapassar os níveis intermediários. A

progressão de regime é devida, relativamente ao critério objetivo, quando cumpridos ao menos 1/6

da pena, independentemente se primário ou reincidente, e em caso de condenação por crimes

hediondos e equiparados, a progressão dar-se-á após o cumprimento inicial de 2/5 da pena

(condenados primários) ou de 3/5 (reincidentes).

5.

direitos não poderão exceder a trinta dias, ressalvada a hipótese do regime disciplinar diferenciado

Durante a execução da pena privativa de liberdade, o isolamento, a suspensão e a restrição de

(art. 58 da LEP). Já o regime disciplinar diferenciado terá duração máxima de trezentos e sessenta

dias, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie, até o limite de um

sexto da pena aplicada, garantidos o recolhimento em cela individual, visitas semanais de duas

pessoas, sem contar as crianças, com duração de duas horas e saída da cela por 2 horas diárias para

banho de sol (art. 52 da LEP).

contar as crianças, com duração de duas horas e saída da cela por 2 horas diárias