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FUNDAÇÃO VISCONDE DE CAIRU FACULDADE DE CIENCIAS CONTÁBEIS CEPPEV – CENTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA VISCONDE DE CAIRU CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE – CRC CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE - CFC ESPECIALIZAÇÃO EM CONTROLADORIA

CONTRIBUIÇÃO DO SETOR TERCIÁRIO PARA A ECONOMIA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

MIZAEL BISPO DA SILVA

VITÓRIA DA CONQUISTA - BA OUTUBRO DE 2005

FUNDAÇÃO VISCONDE DE CAIRU FACULDADE DE CIENCIAS CONTÁBEIS CEPPEV – CENTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA VISCONDE DE CAIRU CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE – CRC CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE - CFC ESPECIALIZAÇÃO EM CONTROLADORIA

CONTRIBUIÇÃO DO SETOR TERCIÁRIO PARA A ECONOMIA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

MIZAEL BISPO DA SILVA

VITÓRIA DA CONQUISTA - BA OUTUBRO DE 2005

352.942

SILVA, Mizael Bispo da

S596p

Contribuição

do

Setor Terciário Para Em

Vitória da Conquista./Mizael Bispo da Silva. -

Vitória da Conquista, 2005.

75p.

Monografia (Especialização) Visconde de Cairu.

Fundação

1 - Setor Terciário – Vitória da Conquista. 2- Economia Regional – Vitória da Conquista.3- Setor Terciária – análise. I A. II – T.

CONTRIBUIÇÃO DO SETOR TERCIÁRIO PARA A ECONOMIA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

MIZAEL BISPO DA SILVA

PARTICIPAÇÃO DO SETOR TERCIÁRIO LOCAL NA ECONOMIA DE VITÓRIA DA CONQUISTA

Monografia apresentada ao curso de Especialização em Controladoria da Fundação Visconde de Cairu, Salvador-Bahia, como parte dos requisitos para obtenção do título de Especialista em Controladoria.

Orientadora:

Profa. Dra. Ana Elizabeth Santos Alves

VITÓRIA DA CONQUISTA -BA OUTUBRO DE 2005

CONTRIBUIÇÃO DO SETOR TERCIÁRIO PARA A ECONOMIA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Aprovado em

/

/

BANCA EXAMINADORA

Examinador

Examinador

Examinador

RESUMO

O censo de 1985 do IBGE, na região Sudoeste revelou quase 5.000 estabelecimentos do setor terciário, de todos os tamanhos, vale dizer 11% do número total dos estabelecimentos baianos de comércio. O Sudoeste ainda empregava, no período, aproximadamente 9% dos comerciários da Bahia. Esses números, proporcionais à participação da região na população estadual, confirmavam em certa medida o papel tradicional de centros comerciais importantes como Vitória da Conquista. Com tudo isso, uma análise mais aprofundada revela que em Vitória da Conquista houve uma considerável expansão e diversificação do setor terciário na década de 1990. Visto que, enquanto o censo econômico de 1985 registrava a presença de pouco menos de 5.000 estabelecimentos comerciais no conjunto do Sudoeste, um levantamento realizado em 1992 pelo SEBRAE revelou a presença de 4.812 estabelecimentos comerciais e de serviços apenas em Vitória da Conquista. Além disso, é visível a multiplicação de atividades (oficinas, clínicas, escolas, faculdades, farmácias, padarias, delicatessens, lojas de conveniência, minimercados, construção de um shopping na Zona Sul da Cidade etc.). Dessa forma, o setor terciário se destaca na composição do PIB municipal e é, portanto, o setor da economia que vincula Vitória da Conquista a cidades de outras regiões do Estado da Bahia com seu raio de abrangência chegando até ao Norte de Minas Gerais.

PALAVRAS CHAVE – Setor Terciário, Economia Regional, Análise do Setor Terciário.

SUMMARY

The census of 1985 of IBGE, in the Southwest area almost revealed 5.000 establishments of the tertiary section, of all the sizes, it is worth to say 11% of the total number of the establishments from Bahia of trade. The Southwest still used, in the period, approximately 9% of the commercial employees of Bahia. Those numbers, proportional to the participation of the area in the state population, they confirmed in certain measure the traditional paper of important commercial centers like Vitória da Conquista. With all this, an analysis more deepened she reveals that in Vitória da Conquista there were a considerable expansion and diversification of the tertiary section in the decade of 1990. Because, while the economical census of 1985 registered the presence of little less than 5.000 commercial establishments in the group of the Southwest, a rising accomplished in 1992 by SEBRAE he revealed the presence of 4.812 commercial establishments and of services just in Vitória da Conquista. Besides, it is visible the multiplication of activities (workshops, clinics, schools, universities, drugstores, bakeries, delicatessens, convenience stores, construction of a shopping in the South Zone of the City etc.). In that way, the tertiary section stands out in the composition of municipal and it is, therefore, the section of the economy that links Vitória da Conquista to cities of other areas of the State of Bahia with your inclusion ray arriving to the North of Minas Gerais.

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - Municípios e grau de urbanização: Bahia, 2000 33 TABELA 2 – População 1970 - 1980 - 1991 – 2000 40 TABELA 3 – Relação de pessoas ocupadas por empresa em Vitória da Conquista 43 TABELA 4 – Mão de obra empregada em Vitória da Conquista 44 TABELA 5 – Empresas por faixas de ocupados, 1999 44 TABELA 6 - Pessoal ocupado assalariado e remunerações pagas, 1999 45

TABELA 7 - Consumidores de energia elétrica por setor da economia em Vitória da

Conquista 2000 e 2001

TABELA 8 - Consumo de energia elétrica (mwH) por setor da economia em Vitória da

Conquista 2000 e 2001

TABELA 9 - Consumo de energia elétrica (mwH) por setor da economia em Camaçari-Ba e

Barreira-Ba ano 2001

TABELA 10 - Variação do rendimento médio real mensal das pessoas responsáveis pelos domicílios, segundo os municípios: Bahia, 1991-2000 48 TABELA 11 – PIB Per capto 1996. Brasil. Bahia. Vit. Da Conquista, 1996 49 TABELA 12 – PIB por Setor da economia 1970 a 1996 - Deflacionado pelo Deflator

49

TABELA 13 - Produto Interno Bruto Municipal 1970 a 1996 - Deflacionado pelo Deflator

Implicito do PIB Nacional ano 2000

45

45

46

Implicito do PIB Nacional ano 2000 61 TABELA 14 - PIB do Setor Terciário 1970 a 1996 - Deflacionado pelo Deflator Implicito do

PIB Nacional ano 2000

TABELA 15 - PIB do Setor Primário 1970 a 1996 - Deflacionado pelo Deflator Implicito do

PIB Nacional ano 2000

TABELA 16 - PIB do Setor Secundário 1970 a 1996 - Deflacionado pelo Deflator Implicito

do PIB Nacional ano 2000

TABELA 17 - PIB por Setor da economia 1970 a 1996 - Deflacionado pelo Deflator Implicito

67

do PIB Nacional ano 2000

62

66

66

LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 – Produção Municipal de Café – (1996) 39 QUADRO 2 - Valor do rendimento nominal médio mensal, valor do rendimento nominal

mediano mensal das pessoas com rendimento, responsáveis pelos domicílios particulares permanentes, segundo municípios selecionados: Bahia, 2000 47 QUADRO 3 - Valor do rendimento nominal médio mensal, valor do rendimento nominal mediano mensal das pessoas com rendimento, responsáveis pelos domicílios, segundo os

municípios: Bahia, 2000

QUADRO 4 - Quantidade de empresas, de acordo com as faixas de ocupados, 1999 61 QUADRO 5 -Pessoal total ocupado em empresa locais, segundo as faixas de ocupados,

62

QUADRO 6 - Pessoal ocupado e assalariado em unidades locais, 1999 63 QUADRO 7 – Quantidade de empresas por bairro 63

QUADRO 8 – Estrutura setorial das atividades em Vitória da Conquista- Total de unidades

cadastradas

QUADRO 9 - PIB por Setor da economia 1970 a 1996 - Deflacionado pelo Deflator Implicito

do PIB Nacional ano 2000

QUADRO 10 – Estimativa do PIB municipal ano 2000 67 QUADRO 11 - Pessoas ocupadas e numero de estabelecimento do setor Terciário no

municipio de vitória da conquista ano 2001 68 QUADRO 12 – Total de alvarás liberados pela Prefeitura Municipal, por atividade, no

período 1995/2002

48

1999

64

66

72

LISTA DE ABREVIATURAS

BACEN – Banco Central do Brasil FMI – Fundo Monetário Internacional GATT – Acordo Geral de Tarifas e Comércio IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica JETRO – Organização de Comercio Exterior do Japão OCDE – Organização Para Cooperação e Desenvolvimento Econômico ONU – Organização das Nações Unidas OMC – Organização Mundial do Comércio SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEI – Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia UNIDO – Organização das Nações Unidas Para o Desenvolvimento Industrial UNCTAD – Conferência das Nações Unidas Para Comércio e Desenvolvimento

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

.14

1.1

Tema da pesquisa 15

1.2

Justificativa

15

1.3

Problema

15

1.4

Objetivos

15

1.4.1

Objetivo geral

16

1.4.2

Objetivo específico

16

1.5

Método e técnica de pesquisa 16

1.6

Organização do trabalho 18

2

REFLEXÕES SOBRE A ECONOMIA DO SETOR TERCIÁRIO 19

2.1

Definindo o setor terciário 19

2.2

Principais teorias sobre a economia do terciário 23

2.2.1

O Mercantilismo e a Economia do Terciário 24

2.2.2

Os Fisiocratas e a Economia do Terciário 25

2.2.3

Os Economistas Clássicos e a Economia do Terciário - Adam Smith 26

2.2.4

Os Economistas Clássicos e a Economia do Terciário - David Ricardo 27

2.2.5

As Atuais Abordagens Sobre a Economia do Terciário 28

3

O MUNICÍPIO DE VITÓRIA DA CONQUISTA 33

3.1

Aspectos gerais de Vitória da Conquista 33

3.2

As primeiras atividades econômicas 33

3.3

A cidade e o comércio no começo do Século XX 36

3.4

A expansão da cidade a partir do surgimento de novas estradas 37

3.5

A década do café

38

4

O SETOR TERCIÁRIO EM VITÓRIA DA CONQUISTA 40

4.1

Fatores determinantes para o desenvolvimento do setor terciário 40

4.2

Composição do setor terciário do município 41

4.3

A renda local e o setor terciário

46

4.4

A nova tendência do setor terciário local 50

5

CONCLUSÃO 53

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

56

Anexos

60

1

INTRODUÇÃO

Segundo Christaller, citado por Corrêa (1989), em sua Teoria das Localidades Centrais, os núcleos de povoamento, ou seja, grandes, médias e pequenas cidades e até pequenos núcleos rurais, são considerados como localidades centrais. Todas dotadas de atividades de distribuição de bens e serviços para uma população que não é da mesma localidade em relação à qual a localidade central tem uma posição central. Para ele a centralidade de um núcleo refere-se ao seu grau de importância a partir de suas funções centrais como comércio, serviços, indústrias etc. Quanto mais funções houver, maior a sua região de influência, maior a população atendida pela localidade central, e maior a sua centralidade. Por exemplo, Vitória da Conquista, nesta acepção, é um centro regional, devido o grande potencial econômico do setor terciário local, pois este, possibilita o fornecimento de bens e serviços, a exemplo da venda de caminhões, carros, microcomputadores, educação, consultorias e outras especialidades médicas etc. Diversas outras cidades da região Sudoeste e norte de Minas Gerais são centros locais, sendo que a atuação de Vitória da Conquista engloba todos esses centros, visto que, muitos bens e serviços demandados nessas cidades só são ofertados neste município. Polarizando uma área com mais de 200Km de circunferência atingindo uma população de mais de 2 milhões de habitantes na região sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista é o município que possui maior infra-estrutura comercial e de serviços na região.Contribui com uma variedade de serviços, como também uma intensa atividade comercial tanto atacadista quanto varejista. Destacam-se as empresas de alimentos e bebidas, café, cereais, insumos agropecuários, gado bovino, como também, empresas de Vestuário (lojas e butiques), calçados, móveis, colchões, insumos agropecuários, materiais de construção, aparelhos eletro- eletrônicos, armarinhos, alimentos e outros (armazéns e supermercados), carne (açougues), bebidas, brinquedos, papelaria, ferragens e ferramentas, livrarias, bancas de revistas, materiais esportivos, artigos de caça e pesca, loterias, veículos, peças e acessórios, postos de gasolina, grandes eventos musicais, farmácias, entre outras atividades. Na agricultura, somente o município de Vitória da Conquista contribuiu na década de 1990 com mais de 20 mil empregos diretos na cafeicultura, com uma produção média de mais de 500.000 sacas ao ano, o que representou 10% do PIB municipal em 1996 que foi da ordem de R$ 760.000.000,00.

1.1

Tema da pesquisa

Nosso objeto de estudo é o setor terciário, cujo tema é a CONTRIBUIÇÃO DO SETOR TERCIÁRIO PARA A ECONOMIA EM VITÓRIA DA CONQUISTA. O período principal considerado para a pesquisa compreende, à partir da década de 1990, todavia, não deixamos de considerar partes e períodos importantes que pudessem auxiliar na compreensão da dinâmica atual do setor terciário. Fatores que contribuíram para explicar o Setor Terciário local e a capacidade de desempenho do crescimento econômico da cidade motivado pelo setor comercial.

1.2 Justificativa

O estudo do setor terciário no município de Vitória da Conquista se justifica pela sua dimensão e pela falta de pesquisa especifica sobre os setores da economia local, e principalmente, sobre a contribuição de cada setor para o crescimento economico do municipio, portanto existe uma lacuna que pretendemos começar a preencher à partir de estudos que possam clarear um pouco mais como se processa a economia regional. Este é apenas um passo pequeno, junto com outros estudos que estão sendo produzidos no momento pelos estudantes de graduação e pós graduação dos diversos cursos oferecidos atualmente na cidade que, com certeza, resultarão em um melhor arcabouço para compreendermos a dinâmica da economia regional.

1.3 Problema

Sendo a área de serviços, a monocultura cafeeira e o comércio os elementos mais importantes na formação da economia local, a problemática imposta para que fosse desvendada foi: Qual a contribuição do setor terciário para o crescimento econômico do município de Vitória da Conquista, visto que até o momento não existem estudos comparativos que dimensionem os setores econômicos de forma a verificar a contribuição de cada setor da economia separadamente?

1.4 Objetivos

1.4.1

Objetivo Geral

Analisar em que dimensão o setor terciário contribuiu para o desempenho econômico da cidade, em termos de crescimento econômico e a sua dimensão em relação a outros setores também importantes para a economia local.

1.4.2 Objetivo Específico

Descrever as principais atividades componentes do setor terciário;

Dimensionar os setores primário, secundário e terciário da economia local;

Comparar o setor terciário com o setor primário e o setor secundário.

1.5 Método e Técnica Utilizada

O maior obstáculo enfrentado foi quanto à coleta de dados sobre o objeto de estudo pois muitas fontes cadastrais estão desatualizadas ou incompletas. Procurou-se coletar o maior número de informações possíveis, principalmente através das pesquisas já realizadas por alguns órgãos públicos e instituições públicas e privadas. Com os dados levantados foram elaborados diversas tabelas e quadros para que o objetivo fosse atingido, ou seja, melhor conhecer o setor terciário local. Para explicar a contribuição do setor de serviços, partimos das seguintes premissas:

Que o crescimento do setor terciário é decorrente, em um primeiro momento, da construção de rodovias, que fizeram com que a cidade passasse a ser uma porta de entrada e de saída para o litoral e o sertão através das BA 262 e BA 114, como também da BR 116. A BR 116 foi a principal rodovia que contribuiu de forma decisiva para a interligação da cidade com outras regiões do país. Foi o primeiro elemento dinâmico do crescimento da cidade e expansão da economia;

Que o café foi outro fator decisivo para o crescimento do setor terciário, uma vez que, quando o café passou a ser implantado trouxe para a região muitos pessoas em busca de trabalho na lavoura cafeeira, como também cafeicultores desejos em lucrar compraram muitas terras. O município tornou-se um polo atrativo regional passando a desenvolver um forte comercio que abastece grande parte das regiões oeste, sul e sudoeste da Bahia, chegando até o norte de Minas Gerias.

Para que pudéssemos atingir o nosso objetivo utilizamos a seguinte metodologia e procedimentos:

Procuraremos conhecer o Setor terciário local, utilizando como base as principais variáveis : as Guias de Informação Anual do ICMS; a arrecadação de ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza); o fluxo de pessoas que compram no comércio através de consultas ao SPC e o Sitema CHEQUE – CHEQUE; A quantidade de empresas cadastradas no Cadastro nacional de Atividades Econômicas – CNAE e no Cadastro Municipal de Atividades Econômicas – CAE; População existente no município e na região Sudoeste etc.

Verificamos a potencialidade de consumo do município através dos seguintes elementos: dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNAD e Censo IBGE, pelo PIB municipal calculado até 1996 pelo IPEA e estimado até 2000 no decorrer da pesquisa, Atlas do Mercado Brasileiro da Gazeta Mercantil, pessoal ocupado no comércio através de levantamento do SEBRAE e da Sec. De Finanças da Prefeitura Municipal.

Verificamos o porte e a categoria das empresas de acordo com o Cadastro de Atividades Econômicas da Prefeitura municipal.

Verificamos o total de estabelecimentos do setor terciário em relação ao total de estabelecimentos dos outros setores da economia. Como meio de investigação utilizamos os seguintes procedimentos:

Pesquisa em livros e documentos

Cadastro Técnico Municipal com dados referente a todas as empresas que possuiem alvará de funcionamento por ativiade empresarial.

Internet para buscar dados comerciais e econômicos sobre a Cidade e a região nos sites do Banco Central, Caixa Econômica Federal, IPEA, IBGE, SEI etc.

Fontes de Informações:

Prefeitura Municipal : Coletamos o total de empresas comerciais por atividades à partir do Cadastro Mobiliário e Cadastro Imobiliário; a quantidade de alvarás emitidos para novas empresas em cada ano; a quantidade de imóveis comerciais e

residenciais; a quantidade de pessoal ocupado em cada comercio;o número de imóveis transacionados no município.

Biblioteca Municipal, Biblioteca da UESB e Bibliotecas Particulares : Verificamos livros, jornais, monografias, teses que apresentem dados econômicos e históricos sobre o comércio local.

Jornais e revistas: Pesquisamos matérias e publicações sobre o comércio em jornais como Gazeta Mercantil, diário do Sudoeste, jornal A Tarde e jornais locais, fora de circulação, como Tribuna do Café, FIFÓ e a revista Conexão.

Conversamos com moradores para obter informações sobre o objeto em estudo.

1.6 Organização do Trabalho

A monografia esta dividida em três capítulos principais, sendo que, no primeiro, buscou-se caracterizar o setor terciário, também foi elaborada uma rápida reflexão buscando demonstrar alguns pressupostos da economia que contribuíram para compreensão desse setor. No segundo capítulo, seguiu-se a análise da evolução das atividades econômicas surgidas no município até os anos noventa, com o objetivo de extrair cada vez mais elementos necessários para a compreensão do tema. No terceiro capítulo foi trabalhado o setor terciário na década de 1990. Essa análise mais recente do setor terciário é a parte principal da monografia. Procurou-se nesta parte aprofundar no tema afim de que alcançássemos os objetivos definidos. Diversas tabelas são utilizadas para auxiliar a reflexão, inclusive nos anexos estão relacionadas tabelas e quatros que, embora, não citados expressamente no texto, são complementos importantes que podem ser utilizadas para auxiliar na compreensão das argumentações, visto que, estas, são bastante objetivas e possibilitam um maior aprofundamento sobre o tema.

2

REFLEXÕES SOBRE A ECONOMIA DO SETOR TERCIÁRIO

“Um serviço é qualquer coisa transacionada no mercado que não pode cair em seus pés” (TÉBOUL, 1999:8).

2.1 Definindo o Setor Terciário

As atividades econômicas, basicamente, são realizadas em três setores, de acordo com a sua natureza, a saber, primário, secundário e terciário. O setor primário reúne as atividades agropecuárias e extrativas. O setor secundário engloba a produção de bens físicos por meio da transformação de matérias-primas, realizada pelo trabalho humano com o auxílio de máquinas e ferramentas. Este setor inclui a produção fabril, a construção civil e a geração de energia. O setor terciário abrange todos os serviços em geral: o comércio, serviço de armazenagem, transportes, sistema bancário, saúde, educação, telecomunicações, fornecimento de energia elétrica, serviço de água e esgoto e administração pública (SANDRONI, 1999). Com a reestruturação produtiva imposta pelas recentes mudanças na economia mundial, ocorre uma maior interação entre os setores produtivos e, pode-se dizer, uma interpolação entre eles. A introdução de novas tecnologias nas indústrias, a evolução da Internet e das telecomunicações multiplicam as atividades ligadas ao Setor Terciário dificultando cada vez mais sua conceituação. Na literatura não existe ainda consolidado uma teoria para a economia dos serviços, embora, diversos autores tenham buscado construir uma base teórica mais homogênea para esse setor da economia. Ainda não houve o aprofundamento necessário para que se pudesse ter uma definição mais clara acerca da composição do setor terciário. Fisher em 1930 foi o primeiro autor a propor uma classificação das atividades econômicas em primárias, secundárias e terciárias, identificando-as para cada caso concreto. Para Fisher, o setor terciário caracteriza-se, sobretudo, pelo fato de produzir e ofertar bens intangíveis. A partir de então os serviços começaram a fazer parte da análise econômica, primeiramente sob a denominação genérica de “Terciário” (BELL, 1997). Clark em 1940 reafirma as idéias de Fisher quanto à divisão da produção econômica em três grandes setores. Além disso, ele introduz a expressão “Serviços” em substituição à classificação “Terciário”. Isto porque a considerava muito mais adequada para expressar a grande variedade de atividades aí incluídas (BELL, 1997).

A definição do setor serviços esbarra em dificuldades de mensuração e na falta de

base estatística para o processamento de análises quantitativas. Sobre os setores primário e

secundário, diferentemente, existe um debate teórico vasto e uma base de dados sólida. Os serviços adquiriram relevância como sendo uma atividade de apoio à produção manufatureira e agrícola. Sua importância crucial reside na geração de emprego, trabalho e renda, bem como nas transações econômicas gerais. Seu crescente peso está nas transações comerciais internacionais e no fato de as empresas dos setores financeiros e de comunicações terem se constituído num dos espaços privilegiados da economia de serviços. Outro espaço onde o setor Serviços é relevante é o da microeletrônica, da Internet e das telecomunicações. A heterogeneidade dos serviços e, conseqüentemente, as especificidades de suas questões têm sido potencializadas por um processo de transformação introduzido pelo novo paradigma econômico-tecnológico, no centro do qual está a revolução microeletrônica que introduziu novos produtos e gerou um processo de reestruturação industrial caracterizado por avanços significativos de produtividade e pela globalização das atividades econômicas.

O fluxo internacional de serviços assumiu uma dimensão significativa nos últimos

anos. A preocupação com outras atividades econômicas, além do comércio de mercadorias, objeto de regulamentação do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), colocou os

serviços na ordem do dia das negociações. Assim, a classificação dos serviços tornou-se o ponto central de muitas discussões nos órgãos de regulamentação.

A grande maioria dos serviços, diferentemente da atividade industrial, não podem ser

estocados, ou seja, os serviços são prestados e demandados quase que ao mesmo tempo em que são produzidos, a exemplo dos serviços de transporte, comunicação, diversões, restaurantes, etc. Com a importância dos serviços para as economias mais modernas, e os fluxos cada vez mais crescentes no mundo globalizado, o desenvolvimento de uma classificação mais homogênea para o mercado internacional tornou-se urgente, em substituição às classificações

alternativas existentes. Segundo Berger e Offe os serviços classificam-se em três categorias (ROGEERO,

1997):

a) Serviços comerciais: São prestados por empresas autônomas que se encarregam de gerá-los e vendê-los comercialmente, e estão submetidos às decisões do consumidor quanto ao tipo, momento e local da prestação do serviço;

b) Serviços internos à organização: Consistem nas atividades realizadas no

interior das empresas produtivas, voltadas ao preenchimento de funções necessárias ao

acompanhamento do processo de produção;

c) Serviços públicos e estatais: Consistem nas atividades realizadas pelo setor

público e dependem de decisões políticas que abrangem premissas da economia de mercado, por um lado, e necessidades de utilização, por outro, quanto à sua alocação e valor de uso. Alguns autores constataram que os serviços são classificados por exclusão, ou seja, toda a atividade que não pode ser agrupada no setor manufatureiro ou na construção civil, na agropecuária ou na mineração em geral, é classificada no setor de serviços.

A Classificação de Ronald Shelp também sugere que o comércio internacional de serviços seja classificado em três grupos( MELO, 1998):

a) serviços maisrelacionados a investimentos diretos;

b) serviços relacionados exclusivamente ao comércio; e

c) serviços relacionados tanto ao comércio quanto ao investimento direto. Por outro lado, Gary Sampson e Richard Snape, propõem uma classificação

dos serviços em quatro grupos (MELO, 1998):

a) serviços em quenem os produtores nem os consumidores precisam se

locomover — como aqueles que podem estar embutidos em bens — a exemplo de programas

de software em disquetes;

b) serviços em que osconsumidores se locomovem para o mercado produtor, a

exemplo do turismo;

c) serviços em que os produtores se locomovem para o mercado consumidor, ou

seja, serviços fornecidos através de investimento direto e de movimentos temporários de mão- de-obra, especializada ou não; e

d) serviços em que produtores e consumidores se locomovem, como por exemplo,

turistas que se hospedam em hotéis pertencentes a corporações. Observando a principal fonte de dados sobre comércio internacional de serviços, isto

é, as estatísticas de balanço de pagamentos publicadas pelo FMI (2003), não existe

identificação explícita do que se constitui o comércio de serviços em nível de conta corrente, sugerindo apenas, a divisão das rubricas em “mercadorias” e “não-mercadorias”, e classificadas na seguinte ordem:

1 – Embarques;

1.1 – Fretes;

1.2 - Seguros e outros serviços distributivos;

2

- Outros transportes;

2.1 - Serviços de passageiros;

2.2 - Serviços portuários etc.;

3 – Viagens;

4 - Rendas de investimentos;

4.1 - Rendas de investimentos diretos;

4.2 - Rendas de outros investimentos;

5 - Serviços oficiais;

6 - Outros bens, serviços e rendas privadas;

6.1 - Renda do trabalho;

6.2 - Renda de propriedade;

6.3 - Outros serviços;

7 - Transferências unilaterais.

A classificação dos serviços utilizada em outras economias é, muitas vezes, diferente

da utilizada pelo Banco Central do Brasil

2003).

Em geral, os dados referentes às transações internacionais de serviços são classificados em dois grandes grupos:

a) serviços de fatores, que se referem à remuneração de fatores de produção:

renda de investimentos, renda de propriedade e remuneração do trabalho; e

b) serviços de não-fatores, que englobam embarques, outros transportes, viagens,

serviços oficiais e outros serviços.

A partir dos anos 1980, assistiu-se a uma efervescência de classificações sobre o

setor Serviços. A OCDE e alguns organismos vinculados a esta organização estimularam pesquisas e estudos sobre classificação ou tipologias das atividades de serviços. Browning e Singelman propuseram uma divisão dos serviços em quatro grupos, identificados segundo a orientação da demanda (MELO, 1980):

na consolidação das contas nacionais (BACEN,

a)

Serviços Produtivos: utilizados pelas empresas durante o processo produtivo,

atividades

intermediárias

por

natureza

(seguro,

serviços bancários, serviços jurídicos,

propaganda e publicidade, comunicação, corretagem);

b) Serviços Distributivos: após completado o processo produtivo são as atividades

de distribuição dos bens (transporte, comércio, armazenagem);

c) Serviços Sociais: atividades prestadas à coletividade (educação, saúde, lazer,

administração pública);

d)

Serviços Pessoais: atividades prestadas aos indivíduos (hotelaria, restaurantes,

bares, cabeleireiros, domésticos). Percebe-se, dessa forma, que uma das principais razões para o quase esquecimento do setor Serviços na agenda de pesquisadores repousa em questões metodológicas no que diz

respeito a definição e classificação satisfatória dessa atividade e na conseqüente dificuldade em mensurá-la.

O desenvolvimento industrial do pós-guerra relegou os estudos sobre as atividades de

serviços a segundo plano. Só a partir de meados dos anos 1970, quando ficou provada a importância dos serviços nas economias industriais e o seu potencial de crescimento,

começaram a surgir estudos e classificações sobre o setor (HORTA,1998).

A classificação de serviços mais utilizada atualmente é a formulada por Browning e

Singelmann. Na prática, o que se observa, particularmente a partir da denominada Revolução Tecnológica, é que as fronteiras entre as atividades de serviços e as dos demais setores estão desaparecendo, pois algumas empresas manufatureiras também produzem e ou ofertam serviços (MELO, 1998). Outro exemplo está no agronegócio. Sua estrutura, além das instituições que o coordena, é composta de uma cadeia produtiva que se estende da produção primária à comercialização de serviços. Dessa forma, pode-se concluir que “não existe um setor de Serviços”, mas sim uma série de atividades que aumentaram em diversidade ou especialização com a evolução da sociedade (HORTA, 1998). Os problemas de definição e classificação que prejudicaram no passado o estudo sobre serviços, sem dúvida persistirão. Porém, o que deve ser enfatizado quanto às novas características ligadas ao setor Serviços, trazidas pela revolução da microeletrônica, é que as novas tecnologias tendem a afetar tal setor de maneira inteiramente diversa da ocorrida anteriormente.

2.2 Principais Teorias Sobre a economia do Terciário

O setor terciário sempre esteve presente na teoria econômica, mesmo que não fosse o setor de serviços o principal elemento da reflexão teórica. Para os fisiocratas, a agricultura é o setor fundamental de qualquer economia. Para os mercantilistas, o principal setor econômico de um país é o comércio. Por último, para os

teóricos ligados à teoria da produção, a manufatura e a indústria é que desempenham papel decisivo na formação da riqueza de uma nação. Em todos os casos, a economia de serviços sempre esteve presente, mesmo que de forma subsidiária.

2.2.1 O Mercantilismo e a Economia do Terciário

Os descobrimentos marítimos do século XVI ampliaram a economia européia e, como conseqüência, conduziu os governantes a adotarem a política econômica mercantilista, que consiste no fortalecimento do Estado nacional por meio da posse de metais preciosos, do controle governamental da economia e da expansão comercial. Tais idéias foram sistematizadas e proporcionaram muitos debates posteriores (ROSTOW, 1975). Segundo o mercantilismo, a economia local tinha que se transformar em nacional e para isso o lucro individual deveria desaparecer em proveito do fortalecimento do poder nacional, sendo que todos os outros interesses deveriam ser relegados a segundo plano. O comércio (Setor Terciário) e a indústria (Setor Secundário) manufatureira são mais importantes para a economia de um país que a agricultura (Setor Primário). O poder do Estado dependia diretamente de suas reservas monetárias. Dessa forma, um dos objetivos básicos daquela política econômica era acumular o maior estoque de moeda. Caso uma nação não dispusesse de minas, deveria buscar o ouro necessário em suas colônias ou adquiri-lo por meio do comércio internacional no sentido de obter saldo favorável na sua balança comercial (ROSTOW, 1975). Quanto ao setor produtivo, os recursos utilizados deveriam ser de origem nacional, em especial o fator trabalho. Todo país que pretendesse ser forte precisava possuir uma população grande, pois, com isso, teria muitos trabalhadores e mercado consumidor. As colônias deveriam fornecer metais preciosos e matérias-primas para as manufaturas nacionais e, em contrapartida, consumir os produtos manufaturados da metrópole. Não podiam realizar atividades manufatureiras, pois o comércio era monopólio da metrópole. Entre as ações do mercantilismo europeu verificava-se: o desaparecimento das alfândegas interiores, a supressão ou redução dos entraves à produção forçados pelas corporações de ofício, a criação de uma fiscalização centralizada, o emprego de sistemas de contabilidade e acompanhamento das contas de receitas e despesas do Estado (ROSTOW,

1975).

Mesmo com todas as críticas ao mercantilismo, independentemente das diversas análises econômicas às quais fora submetido, foi o instrumento econômico prático que assegurou a possibilidade, e as condições econômicas e financeiras necessárias para garantir a acumulação e expansão do capitalismo industrial posterior e, basicamente, também, o início da economia de serviços de forma mais organizada.

2.2.2 Os Fisiocratas e a Economia do Terciário

Para os fisiocratas, o comércio possuía uma função secundária na economia, pois a produção existia primeiro para o consumo de subsistência e somente depois para o comércio. Estes possuíam uma concepção natural do excedente: as trocas só seriam realizadas pelos homens que possuíssem produtos “supérfluos” ou que excedia a subsistência. O excesso de produção agrícola sobre as necessidades imediatas é que permitiria o desenvolvimento do comércio, a existência de artesãos e a organização governamental (QUESNAY, 1996). O papel principal na economia era dado à produção agrícola (Setor Primário). Em última análise, as necessidades da população eram satisfeitas com produtos agrícolas, apropriando-se deles em proporção variada, conforme sua participação na produção e nas relações de propriedade. Para os Fisiocratas, o excedente é sempre excesso de produção sobre os custos diretos

e indiretos de subsistência. Apenas o trabalho agrícola é produtivo, no sentido de ser capaz de

gerar excedente sobre os custos. O trabalho não-agrícola, como o setor secundário e terciário,

é considerado estéril, pois o valor do produto manufaturado, a custo de matérias-primas mais

custo de remuneração do trabalho, seu preço final, corresponderá, necessariamente, ao que foi consumido no processo. Em suma, o valor de produtos não-agrícolas equivale meramente às “despesas em encargos” ( QUESNAY, 1996). Os fisiocratas defendiam a liberdade comercial e a organização do sistema tributário, o livre comércio sustentaria os preços e a organização do sistema tributário permitiria tributos

adequados que não deprimissem a renda dos produtores e, em conseqüência, sua capacidade de efetuar adiantamentos. O objetivo do movimento fisiocrata foi o livre comércio em oposição ao pensamento mercantilista. Defendiam que o preço de mercado tinha que ser livre, ou seja, determinado pela concorrência. Os fisiocratas dividiam a sociedade em três classes sociais distintas: os proprietários de terra (que incluí o soberano, os donos das terras e os cobradores dos dízimos), a Classe

produtiva (constituída pelos arrendatários de terra), e a Classe estéril (formada pelos cidadãos ocupados em outros serviços e trabalhos que não eram os da agricultura).

A Classe dos proprietários de terra subsiste do rendimento ou produto líquido que lhe

é pago anualmente pela classe produtiva, depois que esta classe retira antecipadamente da

produção que ela faz renascer cada ano as riquezas necessárias para manter as suas riquezas de exploração.

A Classe produtiva, segundo os fisiocratas, é a classe que faz renascer pelo cultivo da

terra, as riquezas anuais da nação, que realiza os adiantamentos das empresas dos trabalhos da agricultura e que pagam anualmente os rendimentos dos proprietários da terra. Encerram-se

na dependência desta classe todos os trabalhos e todas as despesas feitas até a venda das produções em primeira mão, é por esta venda que se conhece o valor da produção anual das riquezas da nação (QUESNAY, 1996).

A Classe estéril para os fisiocratas é assim denominada porque não produz excedente e

suas despesas são pagas pela classe produtiva e pela classe dos proprietários, que retira, por sua vez, os seus rendimentos da classe produtiva. Esta classe sobrevive dos gastos das duas classes anteriores.

2.2.3 Os Economistas Clássicos e a Economia do Terciário - Adam Smith

Smith, como os fisiocratas, e diferente dos mercantilistas, defendia uma atitude liberal contra o intervencionismo nas relações de mercado, pois ele acreditava que o intervencionismo prejudicava bastante as relações comerciais. Ele entendia que o mercado se auto regulava. A riqueza das nações cresceria somente se os homens, através de seus governos, não inibissem este crescimento concedendo privilégios especiais que iriam impedir

o sistema competitivo de exercer seus efeitos benéficos. Com esse pensamento, Smith elaborou a chamada "Teoria da Mão Invisível". Ele dizia que quando o investidor aplica o seu capital para que ele renda o máximo possível, este não leva em conta o interesse geral da sociedade, mas sim o seu próprio interesse. Ao promover o interesse pessoal, o indivíduo acaba por ajudar no interesse coletivo. Dizia, que não é pela benevolência do padeiro ou do açougueiro que nós temos o jantar, mas é pelo egoísmo deles, pois e quando os homens agem segundo seus próprios interesses é que todos se ajudam mutuamente. Neste caminho ele é conduzido e guiado por uma espécie de Mão Invisível (NAPOLEONI, 2000).

Ele considerava que devido a essa mão invisível, reguladora do mercado, não havia necessidade de intervenção do Estado para fixar o preço. A Inflação seria corrigida por um equilíbrio entre Oferta e Procura, equilíbrio esse que seria atingido e conduzido pela Mão Invisível. O comércio implicava para ele liberdade de circulação. Considerava o comércio como

o principal elemento que deu origem à divisão do trabalho. Sem a disposição dos homens

para o comércio e para a troca, cada um se veria obrigado a satisfazer por si mesmo todas as necessidades e comodidades da vida. Todos teriam que realizar a mesma tarefa e não se teria produzido esta grande diferença de ocupações que é a única que pode engendrar a grande diferença de talentos. E, assim como é essa propensão para a troca que engendra a diversidade de talentos entre os homens, é também essa propensão que faz útil tal diversidade (NAPOLEONI, 2000). Acreditava que a propensão para a troca dá origem à divisão do trabalho, o crescimento desta divisão estará sempre limitado pela expansão da capacidade de trocar ,ou seja, pela expansão do mercado. Que, se o mercado é muito pequeno, ninguém se animará a dedicar-se inteiramente a uma única ocupação, frente ao temor de não poder trocar aquela parte da sua produção que excede às suas necessidades pelo excedente da produção de outro que desejaria adquirir. E que, todo homem vive da troca e se converte em uma espécie de comerciante e a própria sociedade é realmente uma sociedade mercantil (NAPOLEONI,

2000).

Para os Mercantilistas, a riqueza era formada pelo comércio e para os Fisiocratas pela agricultura. Já Adam Smith admitia entre outros elementos o papel fundamental do Trabalho no processo de formação da riqueza. O ponto de partida da teoria do valor trabalho de Smith foi estabelecido da seguinte forma: O trabalho era o primeiro preço, o dinheiro da compra inicial que era pago por todas as coisas. Assim, Smith afirmou que o pré-requisito para qualquer mercadoria ter valor era que ela fosse produto do trabalho humano.

2.2.4 Os Economistas Clássicos e a Economia do Terciário - David Ricardo

Para David Ricardo, também economista clássico, o Comércio tem pouca importância para o Crescimento Econômico, sem, contudo deixar de ser necessário. O crescimento

econômico depende da acumulação de capital, logo, depende da sua taxa de crescimento, isto

é do Lucro. Ricardo defende que enquanto existir evolução da taxa de lucro, o crescimento

estará assegurado. Para Ricardo a existência de uma taxa de lucro elevada, implicaria um

maior crescimento econômico. Esse maior crescimento econômico levaria a existência de uma poupança mais abundante, que permitiria a sua canalização para o Investimento, sendo que o desenvolvimento econômico é assegurado pelo aumento do emprego e também pela melhoria das técnicas de produção (NAPOLEONI, 2000). Para ele a importância do comércio decorre das vantagens comparativas, pois permite que com a maior exportação o país possa importar mais e mais barato. Por isso, o Comércio é muito importante, sem, contudo, representar um papel muito relevante para o Crescimento Econômico. A teoria das Vantagens Comparativas de Ricardo esclarece que cada região possui determinadas vantagens naturais ou não na produção de algumas mercadorias em relação a outra região ou país. A vantagem que tem um país na produção de uma determinada mercadoria em menores custos proporcionará menores preços favorecendo o consumidor que, devido a liberdade de mercado e concorrência, poderá comprar produtos de melhor qualidade a preços mais baixos, mesmo em uma região onde não haja produção daquele tipo de produto.

2.2.5 As Atuais Abordagens Sobre a Economia do Terciário

As teorias mais recentes sobre o serviço, principalmente as neo-schumpeterianas, explicam o crescimento dessa atividade a partir da desindustrialização ou da transição para uma economia da informação (KON, 2000). De acordo com estas teorias, as indústrias de serviços pertencem ao estágio mais avançado de desenvolvimento de uma economia, tendo como antecedentes (KON, 2000):

Estágios anteriores de soberania da agricultura e da manufatura;

Substituição das ocupações dos trabalhadores manuais pelos de escritório e burocráticos;

Tendência à maior qualificação e promoção da força de trabalho como recurso chave;

Disponibilidade e maior acesso à informação como o principal fator de produção em vez da matéria-prima ou do trabalho. A "economia da informação” é descrita como uma fase recente do desenvolvimento econômico, em que a produção de bens e serviços de informação dominam a criação de riquezas e de empregos, e os computadores e as telecomunicações fornecem potencial tecnológico para a inovação de produtos e processos. "Por trás da expansão do setor de

serviços, diretamente em termos de emprego, e indiretamente em termos de seus efeitos sobre o produto, está o desenvolvimento da economia da informação" (KON, 2000).

As atividades de serviços, em suas formas mais sofisticadas, como serviços industriais,

de profissionais liberais, financeiros e de formas superiores de entretenimento foram concentradas em grandes áreas metropolitanas e cidades de porte médio (KON, 2000). Uma das funções das atividades de serviços nas economias nacionais, além de sua localização urbana, é o fato de que elas têm sido reconhecidas como facilitadoras ou reforçadoras do impacto sobre os pólos de crescimento, ou seja, sobre as atividades que lideraram tanto de forma quantitativa quanto qualitativa a determinação dos padrões de expansão a nível nacional. A capacidade dos serviços de desempenhar função semelhante no processo de desenvolvimento depende da espécie de atividades dos pólos, de seu tamanho, força e de sua dominância local, regional, nacional ou internacional ( KON, 2000). As tecnologias da informação e das comunicações têm conduzido à industrialização

dos serviços, à inovação organizacional e a novas formas de comercialização dos serviços, no que se refere aos relacionamentos entre produtor e consumidor, como por exemplo, nas atividades bancárias, de venda e turísticas via telefone ( KON, 2000). Estas abordagens partem do princípio de que, mesmo quando as atividades terciárias se caracterizam por uma produção imaterial, são consideradas produtivas, desde que qualquer atividade que exige uma recompensa monetária é considerada produtiva por definição (KON, 1992). Dessa forma, agregam valor ao produto da economia, ao gerarem seja a remuneração do trabalho apenas, seja esta remuneração acrescida de um excedente operacional ou lucro.

A evolução do setor Terciário de uma economia está relacionada por um lado, a

fatores intrínsecos ao desenvolvimento destas atividades, particularmente no que se refere à demanda por serviços da economia, e que teriam como resposta o reinvestimento, no próprio setor, do excedente operacional gerado, e por outro lado, também ao comportamento de fatores exógenos, como (KON, 2000)

a) Volume e velocidade de liberação da mão-de-obra das atividades rurais da

região e de outras regiões, que se dirigem às áreas urbanas;

b) Nível de habilitação da mão-de-obra rural que se dirige à zona urbana;

c) A evolução quantitativa e qualitativa das atividades do setor Secundário, que

requerem a ampliação e a modernização de serviços complementares;

d) Capacidade do setor Secundário do país de absorver esta mão-de-obra rural

liberada;

e) Geração de um excedente operacional de outros setores econômicos que deve

ser realocado para as atividades de serviços;

f) Existência de uma infra-estrutura econômica concentrada em uma região, que

oferece economias externas para a localização de novas atividades econômicas. Estes fatores exógenos encontram respaldo na capacidade do setor Terciário de uma

economia absorver a mão-de-obra oriunda de outros setores, tanto a não-qualificada quanto a de maior qualificação, e na possibilidade do setor expandir as atividades informais em períodos de menor atividade econômica ou de recessão (KON, 2003).

É discutido na literatura econômica o papel das atividades secundárias enquanto

indutoras do desenvolvimento, para as quais se dirigiriam inicialmente o capital e a mão-de- obra oriundos do meio rural; a dinâmica de transformações na estrutura produtiva assim iniciada se difundiria posteriormente para o setor Terciário da economia, induzido pelo desenvolvimento. Este fenômeno foi amplamente comprovado nos países mais avançados, mas alguns teóricos defendem a idéia de que em economias em desenvolvimento o imigrante rural dirige-se primeiramente ao setor terciário, para atividades que não exigem alta capacitação, no sentido de adquirir o preparo adequado para assumir atividades que requisitam maior habilitação, deslocando-se posteriormente para o setor Secundário (KON,

2003).

A teoria dos estágios de desenvolvimento econômico, que salienta o papel indutor de

desenvolvimento econômico exercido pelo setor Terciário, faz parte de um grupo de teorias que são classificadas como fundamentadas nos fatores de produção. Salienta que o progresso tecnológico teve impactos crescentes no processo de desenvolvimento que envolve uma mudança de ênfase da formação de capital fixo nas plantas das manufaturas e na infra- estrutura, para formação de capital fixo em empresas de serviços (KON, 2003). Outra teoria baseada nos fatores de produção é o princípio das vantagens comparativas, que explica os padrões de comércio exterior de bens e mostra como as diferenças entre os países no que se refere ao capital fixo e infra-estrutura bem como nos recursos humanos, como na qualificação e educação, são responsáveis pelas variações nos padrões do comércio exterior de serviços. Finalmente, duas outras teorias que procuram explicar as causas da expansão do setor serviços baseadas nos fatores de demanda, são encontradas na literatura. Uma é o nível de urbanização, e a segunda é o comércio internacional ou o crescimento voltado para a exportação (KON, 2000).

O importante a destacar é que, com a expansão do setor de serviços e a difusão de novas tecnologias, o mercado cada vez mais globalizado passou a exigir cada vez mais elevados níveis de qualificação dos trabalhadores. Inclusive, a própria competitividade das empresas no plano nacional e internacional depende da capacidade da força de trabalho utilizar essas novas tecnologias. Os trabalhadores a partir do Fordismo, passaram a ser especializados na produção com máquinas específicas que buscavam sempre a repetição. O trabalhador passou a ser altamente especializado em tarefas simples e repetitivas. Todavia, a partir da reestruturação produtiva engendrada pela globalização, à medida em que novas tecnologias passaram a fazer parte do processo de produção, o trabalho, por sua vez, tornou-se mais complexo, passando a exigir dos trabalhadores melhor qualificação profissional, sob pena de ficarem fora do mercado. Passando a fazer parte do mundo do trabalho qualidades como: autonomia, visão de conjunto, motivação, comunicação etc., antes, somente exigidas para uns poucos dentro da empresa. Nas teorias mais antigas de desenvolvimento regional a localização dos investimentos dependia da localização da matéria prima e de boas malhas rodoviárias. Hoje depende mais do que tudo de estarem instaladas em regiões com oferta de bons profissionais, de bons centros de pesquisa, elevado número de pesquisadores com alta qualificação e capacidade de geração de novos conhecimentos. Esses fatores são essenciais a uma economia que se pretenda qualificar-se como moderna. Isto, na prática, corresponde a dizer que, na vizinhança de um segmento industrial e agropecuário moderno, há necessidade da existência de um ambiente de pesquisa e de desenvolvimento competente e articulado, integrando institutos de pesquisas e universidades com empresas e empreendimentos produtivos os mais variados. Os Serviços estão transformando as economias dos paises da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico”. Foi a conclusão principal chegada por participantes em um Foro organizado pela OCDE em setembro de 1999. O Foro foi organizado pelo Comitê de Indústria com o objetivo de identificar e explicar as diferenças existentes em desempenho e crescimento econômico entre os países ligados à OCDE. Reuniram-se nesse foro funcionários dos governos, pesquisadores e entidades ligadas ao setor terciário para discutir o Potencial da Economia de Serviços (OCDE, 2003). O Foro identificou que a evolução da economia de serviço foi baseada, particularmente, em áreas de conhecimento. Em alguns países analisados a economia de serviços chega a 70% da economia total. Os serviços assumiram um papel preponderante nessas economias. Verificou-se também que os dois setores, secundário e terciário, nesses

países, são cada vez mais interdependentes. Há uma relação dinâmica crescente entre serviços e produtos, a exemplo da produção de software e computadores (OCDE, 2003). O Desenvolvimento da Internet e do comércio eletrônico está difundindo conhecimento e fortalecendo a presença internacional e a competitividade de empresas pequenas e médias nesses países. Dessa forma, o setor de serviços torna-se cada vez mais importante para uma economia que pretenda se desenvolver. A produção de bens finais requer indústrias modernas e flexíveis, muitas das quais demandantes de pessoal altamente qualificado e, simultaneamente, sujeitas a intensa competição com produtos de origem externa. Mas também requer uma economia de serviços dinâmica e com profissionais habilitados que corresponda às demandas fomentadas pela produção.

3

O MUNICÍPIO DE VITÓRIA DA CONQUISTA

3.1 Aspectos gerais de Vitória da Conquista

Vitória da Conquista localiza-se no Sudoeste da Bahia, à 509 Km de Salvador, capital

do Estado. Tem uma área de 3.743 Km 2 , distribuída em 12 distritos: Iguá, Inhobim, José

Gonçalves, Pradoso, Bate-pé, Veredinha, Cercadinho, Cabeceira da Jibóia, Dantelândia, São

Sebastião, São João da Vitória e o Distrito Sede. Limita-se com os município de Anagé, Belo

Campo, Encruzilhada, Planalto, Barra do Choça, Cândido Sales, Itambé e Ribeirão do Largo.

O município apresenta dois tipos de relevos predominantes, o planalto, até 1054

metros de altitude, e as chamadas depressões sertanejas a 600 metros nas partes mais baixas.

A zona urbana esta entre 900 e 1000 metros de altitude, no planalto. Possui temperatura média

anual em torno de 18º C. ,neblinas intermitentes no inverno e chuvas de trovoadas no verão.

Polariza uma área com mais de 200 Km de circunferência que atinge uma população

de mais de 2 milhões de habitantes na região sudoeste da Bahia. Vitória da Conquista é a

Cidade que possui maior infra-estrutura comercial e de serviços na região, é a terceira cidade

com maior população na Bahia, participa com aproximadamente 2 % da população total do

Estado.

A primeira cidade com maior número de habitantes é a capital do Estado, Salvador,

com uma população em torno de 2.443.107 habitantes. A segunda cidade mais habitada é

Feira de Santana com aproximadamente 480.949 habitantes. Logo a seguir encontra-se Vitória

da Conquista com 262.494 habitantes registrada pelo IBGE no censo do ano 2000. Mais de

65% dos municípios do Estado possuem menos que 100 mil habitantes.

O IBGE detectou que a maioria da população baiana concentra-se na zona urbana.

Salvador possui o maior grau de concentração urbana, cerca 99,96% de sua população.

Vitória da Conquista possui 85,92 % da sua população habitando em área urbana.

TABELA 1 Municípios com populações superiores a 260 mil habitantes e grau de urbanização: Bahia, 2000.

Participação no

Grau de

Município

População

Estado (%)

urbanização

 

2.443.107

Salvador Feira de Santana

480.949

18,68

99,96

3,68

89,77

Vitória da Conquista

262.494

2,01

85,92

Total

3.186.550

24,37

88,97

Fonte: IBGE, 2002.

Em 1950, a população do município era de aproximadamente 20 mil habitantes,

grande parte residia na Zona Rural. Em 2000 o número total de habitantes elevou o município

para o terceiro mais populoso do Estado, como podemos constatar na Tabela 1.

3.2 As primeiras atividades econômicas

Os primeiros colonizadores empreenderam diversas batalhas para conquistar a região.

O português João da Silva Guimarães esteve pela primeira vez no planalto de Conquista por

volta de 1730, encarregado pelo Rei D. João V de combater os indígenas e abrir uma estrada

ligando o litoral ao Estado de Goiás. Não obtendo êxito, retornou novamente em 1752 e foi

pela segunda vez derrotado. Somente em 1782 a região foi definitivamente tomada dos

indígenas com a morte de muitos deles. A partir de então, o planalto começou a ser repovoado

pelos novos colonizadores.

A atividade econômica principal, de imediato, foi a criação de gado bovino, com

algumas fazendas sendo formadas, como também, o algodão, em partes da caatinga começou

a ser cultivado. No começo do século XIX formou-se um pequeno arraial, rodeado por

algumas fazendas de gado. O acesso à região era bastante difícil. A pequena localidade passou

a ser um entreposto, parada obrigatória, para as tropas que conduziam boiadas vindas do Vale

do Rio São Francisco para Salvador.

A economia, a partir de então, começou a se desenvolver com a venda de gado, com o

cultivo de algodão e aluguel de pastos. Um pequeno comércio começou a ser formado devido

a constante presença de viajantes e tropeiros que passavam pela região.

“[

lhes

proporcionam outros meios de vida; as boiadas que vêm do Rio São Francisco passam também por essa localidade; algumas vezes vêem-se chegar numa mesma semana para mais de mil bois que se destina a capital. O gado comumente emagrece durante o longo trajeto que tem que percorrer, motivo pelo qual deixam-no descansar aí durante algum tempo, e mandam-no refazer nos pastos mais próximos” ( NEUWIED, CITADO POR VIANA, 1987) .

subsistência dos habitantes, a venda do algodão e a passagem das boiadas [

independentemente dos recursos que a cultura dos campos fornece para a

]

]

As residências, em sua grande maioria de taipa ou de barro batido, foram durante muito tempo abrigos de vaqueiros, tropeiros, artífices e pequenos negociantes-viajantes que passavam pela localidade.

O arraial servia como entreposto comercial e como ponto de encontro das pessoas que

moravam nas fazendas circunvizinhas, com o objetivo de vender e comprar produtos vindos de Portugal e de Salvador ou mesmo de algumas regiões mais prósperas como Ilhéus. Devido à sua localização e à passagem de tropas, surgiram os primeiros caminhos interligando o Arraial da Conquista ao vale do São Francisco, Salvador e ao Sul da Bahia. Isso possibilitou a abertura das primeiras estradas, ainda de forma bastante precária,

utilizando-se de trilhas indígenas e picadas abertas na passagem do gado.

A zona urbana surge em torno de um córrego nascido na encosta da Serra do Peri-Peri

que vai constituir-se uma das nascentes do córrego verruga, que por sua vez deságua no rio Pardo.As casas mais antigas seguem o contorno desse riacho que durante muito tempo foi utilizado para uso doméstico e para os animais. Em 1817 o arraial possuía, aproximadamente, 60 habitantes, inclusive escravos, com exceção dos que habitavam as fazendas. Estavam edificadas 40 casas e uma igreja em construção. Muitas casas eram utilizadas como arranchamento apenas temporariamente por tropeiros (VIANA, 1987). Em 1841, começaram a surgir as primeiras preocupações com o futuro crescimento da localidade. O então intendente, nomeou uma comissão para delimitar os lugares próprios para ruas, travessas e becos que fossem surgindo. O relatório apresentado pela comissão citava, além das ruas já existente, a criação de três becos, uma rua direita e quatro travessas (VIANA,

1987).

A rua principal, conhecida como rua Grande, começava na Igreja Matriz, passando

pelo espaço onde está instalado atualmente a Praça Tancredo Neves, Praça Barão do Rio Branco, até a atual primeira igreja Batista. Em 1888 a vila foi descrita da seguinte forma:

“[

peri. As casas são térreas e a maior parte de telhas.A praça é quadrilonga e de

ladeira; ficando no centro a matriz [

da feira; e conquanto figure no movimento comercial a compra e venda do café; fumo, açúcar, farinha, etc. Tudo isso não tem desenvolvimento pela falta de meios de exportação” ( AGUIAR CITADO POR VIANA, 1987).

O comércio é pequeno e também o mercado

A Vila está edificada em terrenos acidentados ao pé da serra denominada Peri-

]

]

O que impedia o desenvolvimento, segundo o Coronel Durval Vieira de Aguiar, era a

falta de estradas que ligassem a vila a outras regiões. Todavia, já era possível verificar a

presença de um pequeno comércio principalmente de café, fumo, açúcar e farinha. Em 1893 começaram a surgir os primeiros sobrados:

“A cidade edificada em terreno acidentado é formada de casas térreas e envidraçadas em sua maioria e de poucos sobrados, caiados a tabatinga ou a cal, formando onze

duas escolas públicas, além de seis particulares” (VIANA,

ruas e duas praças [

]

1987).

Embora incipiente, a cidade começava a ostentar maior atividade econômica, principalmente na Rua Grande, onde as casas trabalhadas e decoradas contendo na frente data da construção do prédio com as iniciais do proprietário, começaram a ter assoalho como piso, forro de madeira e janelas com venezianas, frutos do pequeno comércio.

3.3 A Cidade e o Comércio no Começo do Século XX

No começo do século XX, a zona urbana já era um pouco maior. Todavia, persistia ainda o mesmo arranjo espacial em torno da Rua Grande, centro econômico da pequena cidade. Para ela, dirigiam-se várias pessoas da região com o objetivo de trocar e vender mercadorias na feira, pequenos comerciantes, boiadeiros, trabalhadores das fazendas

próximas, fazendeiros entre outros. Vendia-se feijão, banana, farinha, açúcar, arroz, café, fumo em rolo, requeijão, carne, entre outros produtos regionais. Nesse período, as atividades mais importantes da região ainda eram a pecuária e a produção de algodão, mas já começava a se forma o setor terciário local consorciado com uma pequena produção artesanal, principalmente ao longo da rua grande, nas proximidades da feira. Começaram a surgir pequenas oficinas de artesãos que produziam por encomenda, sapatos, selas, arreios, chapéus, entre outros assessórios de couro utilizados na época.

A partir de 1920, o crescimento da cidade tornou-se um pouco mais evidente devido à

valorização do couro no mercado internacional, como também uma maior ligação a outras regiões. Na década de quarenta, com a Segunda Guerra Mundial, cresceu demasiadamente as exportações do Brasil. A cidade já polarizava uma certa área devido à venda de carne, couro e algodão. Foi favorecida economicamente com o conflito através da exportação desses e

outros produtos locais. Tudo isso se refletiu no setor terciário local, que começou a se especializar no fornecimento de produtos e serviços para toda a região Sudoeste e Sul da Bahia.

“Correndo aquela praça de cima a baixo via-se uma simples arborização

e ao longo no alto magestosos

aquela época

era o centro comercial da cidade, funcionando ali o mercado municipal e a feira livre

em toda sua extensão [

a alfaitaria de Chico Assis e o

estabelecimento do velho Chico Piloto, que se estendia ao beco que tinha o seu

nome, [

]mais adiante, já

na praça da piedade, hoje Praça Nove de Novembro, o grande estabelecimento do Sr

Cesarinho Brito, que com as suas numerosas portas ocupava todo o quarteirão até a

voltando da Rua do

Espinheiro à praça da Piedade , chegamos a casa da esquina do outro lado,

residência do Maj. Alfredo Prates, com duas portas onde funcionava a agência do

Correio [

Rua Monsenhor Olimpio, a casa comercial de Marcolino Amabeiro e mais adiante o

açougue de Antonio de Honório e a casa de Dona Fulo da Panela, cujo marido, o Sr. Alfredo Trindade era negociante de portas abertas, no mais existiam naquela Rua Alguns botequins de cachaça e bananas. Chamava-se Rua do Cemitério porque ao

vindo a ser

destruído em 1955 [

Coronel Pompilho Nunes” (NOGUEIRA, 1988).

colocando exatamente naquele lugar o nome de Praça

longo da mesma uns cem metros era o cemitério da cidade [

temos na antiga praça da piedade com a antiga Rua do Cemitério, hoje

esquina da Rua do Espinheiro, atual Rua Francisco Santos [

comerciais, destacando-se entre elas, a loja de Rodrigo Santos, [

hoje Alameda Ramiro Santos, naquela época com algumas casas

encontramos a casa de Josias Leite [

pinheiros [

representada por três frondosos genipapeiros [

]

]

]

todas essas arvores serviam de pontos de bate papo [

]

]

Prosseguindo na descrição do centro comercial,

]

]

]

]

]

Nesse período, a economia local tinha uma forte influência da economia do Sul da Bahia. Devido à rica produção de cacau da região Sul do Estado, outras regiões mais próximas começaram a suprí-la de gêneros alimentícios como farinha, carne, requeijão, feijão fumo entre outros produtos. Vitória da Conquista, com os seus produtos, também se beneficiou muito nesse período hegemônico do cacau.

3.4 A expansão da cidade a partir do surgimento de novas estradas

Embora a feira trouxesse pessoas de várias partes do planalto, e de outras regiões, a cidade ainda estava isolada devido à falta de estradas. Os viajantes que vinham à localidade, chegavam por velhos caminhos ou picadas sinuosas. A cidade começou a se destacar como um pólo regional sobretudo quando a estrada de Ilhéus a Lapa foi construída, ligando Conquista ao sertão e ao litoral, facilitando o transporte de produtos e o trânsito de pessoas em busca de serviços. A Construção da Rodovia Rio-Bahia iniciada em 1936 no governo do Presidente Getulio Vargas foi terminada sem asfalto no governo do presidente Dutra, começando a ser asfaltada no governo de Juscelino Kubitschek e terminando completamente no Governo de

João Goulart em 1963, essa rodovia foi fundamental para o fortalecimento da economia local (VIANA, 1987).

A partir de 1940 começou uma nova dinâmica econômica no município. O comércio

se expandiu e a população urbana começou a crescer devido às ligações rodoviárias com outros centros, influenciando diretamente no crescimento da cidade. Até 1940 existia apenas uma malha urbana central. De 1944 até 1955 a expansão começou a se desenvolver em direção à rodovia BR 116 e também à BA 262, que liga Conquista ao vale do São Francisco, induzindo o crescimento da malha urbana para aquela direção. Outro prolongamento do tecido urbano ocorreu em direção ao Leste.

3.5 A Década do Café

A partir de 1970, o café foi introduzido em Vitória da Conquista e na vizinha cidade,

Barra do Choça. A implantação da cultura cafeeira foi financiada pelo Governo Federal à partir do Plano de Renovação e Revigoramento de Cafezais , cujo objetivo foi a disseminação de novos cafezais em outras regiões do país para evitar a quebra de safra provocada pelas geadas ocorrida no Sul do Brasil (UESB, 1996). O programa, além de buscar uma nova regionalização do café no país, buscava também o revigoramento do café com o objetivo de obter maior competitividade no mercado

externo. Em 1975, ocorreram geadas no Paraná, que comprometeram toda a lavoura cafeeira no Sul do País. Dessa vez, a quebra da safra na região Sul favoreceu o café produzido em Vitória da Conquista e Barra do Choça pois o preço do café no mercado internacional chegou em 1977 próximo de US$ 500,00 a saca, fomentando com isso, a produção local. Como existiam recursos para investir em máquinas e terras na região, vieram muitas pessoas de outras regiões para investirem na lavoura cafeeira. Dessa forma o café começou a proporcionar o crescimento da região, vindo a surgir diversos empreendimentos no município por conta do café.

A lavoura cafeeira em Vitória da Conquista, inicialmente, proporcionou uma redução

no tamanho da propriedade agrária, uma vez que grandes fazendas da região foram compradas em pequenos lotes de 30 a 40 hectares por pequenos produtores e profissionais liberais que se aventuraram na lavoura cafeeira. A partir do final da década de 1980, esse processo já começa a se inverter pois os produtores que conseguiram manter-se na lavoura passaram a comprar as terras dos que estavam endividados.

O preço do café possui uma história de variados ciclos econômicos. Em Vitória da

Conquista, o café foi a principal atividade econômica da região até meados da década de

1980.

Em 1985 o café foi cotado a 400 dólares a saca. A partir de 1987 até 1992 o café

começou a declinar mais ainda o seu preço. Muitos investimentos nessa área ficaram sem

conclusão. Já em 1993 muitas lavouras foram abandonados pois o preço do café já não era

mais interessante para os produtores devido o longo tempo de baixa na cotação. Em 1995

começou uma pequena reação no preço do café, mas já não havia mais financiamento para a

modernização da lavoura. Em 2001 ocorreu o pior preço do café dos últimos 50 anos, a saca

chegou a 20 dólares. Em 2002 muitas lavouras foram erradicadas.

A partir do final de 2002, o preço do café começou a melhorar. Aqueles que não

planejaram durante a alta e a baixa, que não fizeram poupança e que não quiseram ou tiveram

a capacidade de trabalhar com o ciclo econômico do café, abandonaram a lavoura.

O café foi muito importante para o crescimento econômico do município, se refletindo

no crescimento do comércio local e no setor de serviços. Produziu efeitos mais expressivos na

dinâmica econômica da cidade até o final da década de 80, com a queda nos preços

internacionais e a falta de modernização da produção, a economia local passou a ser

sustentada praticamente pelo comércio varejista e o setor de serviços.

Em 1996, mesmo com todos os problemas pelo qual passava a lavoura cafeeira, a

região possuía uma produção anual de café de aproximadamente 10.353 toneladas em uma

área de 6.902 hectares (SEBRAE, 1998).

QUADRO

01

PRODUÇÃO AGRÍCOLA MUNICIPAL – (1996)

Rendimento PRODUTO Produção (t) Área (há) (kg/há)
Rendimento
PRODUTO
Produção (t)
Área (há)
(kg/há)

CAFÉ

10.353

6.902

800

Fonte: IBGE, 2002; SEI, 2000.

O café foi responsável, no período de 1970 a 1995, por aproximadamente 20 mil

empregos diretos, gerando uma produção média, ao longo desse espaço de tempo, de 500.000

sacas por ano, o que corresponderia a um incremento de, aproximadamente, R$ 75.000.000,00

(setenta e cinco milhões de reais) no período (SEBRAE, 1998). Dessa forma o café foi

fundamental para a criação de uma poupança local, que anteriormente não existia.

4

O SETOR TERCIÁRIO EM VITÓRIA DA CONQUISTA

4.1 Fatores Determinantes Para o Desenvolvimento do Setor Terciário

Vitória da Conquista na década de 1990 apresentou um crescimento demográfico urbano bastante acentuado, e praticamente estabilizando a população rural. Nesse período, a população urbana elevou-se de 188.158 habitantes em 1991 para 225. 545 habitantes em 2000, uma taxa de urbanização de 85,92%. A zona rural, praticamente, manteve a mesma população, de 36.738 habitantes em 1991 para 36.949 habitantes em 2000. Assim, o crescimento urbano a partir de 1990 foi proveniente de pessoas vindas de outras regiões e não, propriamente dito, da zona rural de Vitória da Conquista. No auge da lavoura cafeeira, na década de 1970, a população rural tinha uma tendência de crescimento, com a crise do café. Em meados da década de 1980, a população rural passou a cair. O fundamental é que na década de 1990 a zona rural parou de perder população, revertendo a tendência dos anos 1980, conforme é possível constatar na Tabela 2.

TABELA 2 CRESCIMENTO POPULACIONAL EM VITÓRIA DA CONQUISTA 1970 - 1980 - 1991 – 2000

ANO

POPULAÇÃO RESIDENTE

TAXA DE

 

TOTAL

URBANA

RURAL

URBANIZAÇÃO

1970

125.573

84.346

41.227

67,2%

1980

170.624

127.454

43.170

74,7%

1991

224.896

188.158

36.738

83,7%

2000

262.494

225.545

36.949

85,92%

FONTE: IBGE, 2002

Em 2000 o número total de habitantes elevou-se para 262.494 habitantes,o terceiro município mais populoso do Estado da Bahia. A maioria da população reside na Zona Urbana. Muitos fatores foram fundamentais para que houvesse esse crescimento:

a) O fato de Vitória da Conquista ser um importante entroncamento rodoviário, a exemplo da BR 116, da rodovia 262, que liga Conquista ao Oeste e ao Centro-Oeste da Bahia e da rodovia 114 em direção ao litoral. b) Um outro fator foi a inserção da monocultura cafeeira no início da década de 1970. Esses fatores conjugados foram fundamentais para o crescimento da cidade e do setor terciário local. Observando as fases de crescimento da economia local constata-se que até praticamente a década de 1940, a base econômica de Vitória da Conquista estava voltada

unicamente para a pecuária extensiva e um pequeno comércio. O primeiro núcleo urbano da cidade foi formado em torno de uma fazenda onde os tropeiros que passavam do vale do São Francisco, Norte de Minas e outras regiões arranchavam, alimentavam o gado e posteriormente seguiam viagem.

A partir dos anos 1940 a estrutura econômica e social da cidade entrou em um novo

estágio, com o comércio começando a ocupar um lugar de destaque na economia local, sendo o primeiro posto de gasolina justamente inaugurado em 1940. Nessa fase, o principal ponto de comércio era a Rua Grande que começava na igreja matriz, passando pela atual praça Tancredo Neves, Praça Barão do Rio Branco, até abaixo do prédio de Paulino Fonseca,

onde Funciona atualmente o Banco do Brasil. Formava-se nesse local uma grande feira que se estendia por outros pontos comercias na praça Nove de Novembro e no Beco da Tesoura, atual alameda Ramiro Santos. Na década de 1970, a lavoura cafeeira foi responsável pela dinâmica da economia

regional, o que se refletiu no crescimento e diversificação do comércio e das atividades de prestação de serviços. Com o café, muitos investimentos vieram para o município, solidificando a condição de pólo regional.

Já na década de 1990, o crescimento do setor comercial e dos serviços, tornou-se mais

dinâmico devido a poupança gerada pelos empreendimentos que surgiram a partir da implantação da lavoura cafeeira. Com o fim da hegemonia do café, novas atividades começaram a se desenvolver, já voltadas para o setor terciário.

4.2 Composição do Setor Terciário no município

A partir da década de 1990 a cidade passou por um maior incremento na atividade

comercial e de serviços. O município tornou-se um importante pólo regional, servindo a vários municípios da Região, não só com relação ao comercio varejista e atacadista, também

em relação ao oferecimento de diversos tipos de prestação de serviços, tais como: na área médica, na área de consultoria, educação, serviços mecânicos, entre outros.

A cidade, que na década de 1970 e 1980 foi mantida, principalmente, pela lavoura

cafeeira passou a sobreviver mais ainda das atividades comerciais, tanto atacadistas quanto varejistas, possuindo, ainda, uma enorme variedade de serviços de profissionais liberais e escritórios especializados. Em 1998 o município possuía 6.958 unidades empresariais, das quais, 616 eram do setor industrial, 2.842 empresas do setor comercial, e 3.500 unidades do setor de serviços.

Portanto, constata-se uma predominância absoluta do setor terciário na economia do município, ou seja 6.342 empreendimentos do setor terciário e 616 do setor secundário da economia (SEBRAE, 1998). Nesse período, 62,2% das empresas possuíam menos que cinco anos de constituídas, sendo que 18,3% possuíam entre 06 e 10 anos, e 19,2% existiam há mais de 10 anos. A grande maioria das empresas locais surgiu na década de 1990 e, desse total, em 1998, 33,5% possuíam até um ano de existência (SEBRAE, 1998). As empresas constituídas a partir da década de 1990 passaram por um processo de grande mobilidade no espaço urbano. Verificou-se que o tempo de existência do negócio no mesmo local é bastante curto para muitas empresas, 46,4% possuem dois anos ou menos no mesmo local, 19,8% estão no local a um período de três a cinco anos, 18,6% têm seis a dez anos de atividade no local e somente 14,0% estão estabelecidos no mesmo local há mais de dez anos (SEBRAE, 1998). As atividades que possuem maior mobilidade são as de prestação de serviços, principalmente de consertos em geral, assessoria e consultorias, representação, consórcios, pequenas atividade do comércio varejista e especialmente aquelas cujo imóvel não é propriedade da empresa. Em 1998 constatou-se, também, um grau de informalidade muito grande dentre as atividades, ou seja, 39,8% de todas as atividades eram informais, estando assim compostos, quanto ao grau de formalidade e informalidade, os setores da economia (SEBRAE, 1998):

No setor industrial, em um total de 85,4% de industrias pesquisadas, 49,5% não estavam formalizadas e somente 35,9% possuíam registro, sendo que 19,8% com Firma Individual e 15,8% com natureza sociedade limitada.

No setor comercial, em um total de 85,5% empresas pesquisadas, 28,1% dos

estabelecimentos não eram legalizados e 57,4% possuíam registro, sendo que 31,4% possuem registro como firma individual e 21,0% como sociedade limitada.

Já no setor de serviços, em um total de 78,9% de empresas pesquisadas, 47,7%

das empresas estavam no setor informal, principalmente relacionada a pequenas atividades, na sua maioria, borracharias, bares, lanchonetes, oficinas de conserto em geral, oficinas para autos e salões de beleza. Dentre as empresas legalizadas, 22,2%, eram firmas individuais e 9,0% possuíam sociedade limitada. Outro dado importante revelado pela pesquisa, foi quanto à experiência na atividade (SEBRAE, 1998):

No setor industrial constatou-se que 55,1% dos industriais estavam a mais de cinco anos nos ramos em que atuam, sendo que 33,3% destes possuíam tempo de experiência inferior ou igual a dois anos.

No comércio, 30,8% eram empreendedores com até dois anos de experiência e

33,5% tinham experiência de mais de dez anos.

Na prestação de serviços, encontrava-se o maior número de empresários com

pouca experiência empresarial, ou seja 33% com até um ano de experiência na atividade e 30,5% com mais de dez anos de experiência. Esses dados reforçam ainda mais a idéia de que a partir de 1990 o município começou a fortalecer-se, ainda mais, como pólo regional, de serviços, devido ao surgimento de novas atividades, especialmente relacionadas ao setor terciário da economia.

Nas atividades pesquisadas, constatou-se que existiam aproximadamente 25.084 pessoas ocupadas, com predominância de pequenos empreendimentos de natureza familiar, visto que 88,3% destas possuíam menos de 5 pessoas ocupadas (SEBRAE, 1998). Na tabela 3 pode-se analisar melhor a relação total de pessoas ocupadas por empresa e por setor da economia. Constata-se que havia em 1998 uma média de 3,6 pessoas ocupadas por empresa, sendo que, o setor industrial apresentava a maior média entre os setores, com 5,4 pessoas ocupadas por empresa, e no setor de serviços,a mais baixa média, com apenas 3,0 pessoas ocupadas por empresa.

TABELA

3

RELAÇÃO DE PESSOAS OCUPADAS POR EMPRESA EM

VITÓRIA DA CONQUISTA (1998)

POSIÇÃO

SETORES DE ATIVIDADE

GLOBAL

 

INDÚSTRIA

COMÉRCIO

SERVIÇOS

Total de pessoas ocupadas

3.328

11.155

10.601

25.084

Número de empresas

616

2.842

3.486

6.944

Pess. Ocupadas P/ Empresa

5,4

3,9

3,0

3,6

FONTE: SEBRAE/BA - Pesquisa Direta, 1998.

A maior parte das pessoas que trabalhavam nessas empresas eram da própria família pois, 99,5% das empresas cadastradas possuíam algum parente na atividade. Por outro lado, mesmo as empresas sendo ocupadas especificamente por familiares, em 99,7% delas, havia pelo menos um empregado não pertencente à família. Dessa forma, com exceção dos familiares empregados, 84,5% dos estabelecimentos empregavam até dois funcionários não pertencentes à família (SEBRAE, 1998).

TABELA 4 MÃO-DE-OBRA EMPREGADA EM VITÓRIA DA CONQUISTA (1998)

FAIXA DE OCUPAÇÃO

 

S E T O R E S

D E

A T I V I D A D E

GLOBAL

 

INDÚSTRIA

COMÉRCIO

SERVIÇOS

Até 02 03 a 05 06 a 10 11 a 19 Mais de 20

72,5%

82,5%

88,7%

84,5%

13,3%

9,5%

6,6%

8,4%

9,1%

4,4%

2,5%

3,9%

2,8%

6,7%

0,9%

1,5%

2,3%

1,7%

1,2%

1,5%

% de Empresas que empregam mão- de-obra

99,8%

99,7%

99,7%

99,7%

FONTE: SEBRAE/BA - Pesquisa Direta,1998.

Na indústria, 99,8% das empresas empregavam pelo menos um funcionário, sendo que destas 72,5% utilizavam até dois funcionários. No setor de serviços, 99,7% das empresas possuíam empregados, destas, 88,7% empregavam até dois funcionários. Também, no comércio, 99,7% das empresas possuíam empregados, sendo que 82,5% destas até dois funcionários e somente 1,7% possuíam acima de vinte empregados.

TABELA 5

Quantidade de empresas, de acordo com as faixas de ocupados, 1999 Número de empresas locais

Setores

1 a 4

5 a 9

10 a 19

20 a 29

30 a 49

50 a 99

100 ou mais

Total

Primário

50

5

49

38

0

2

0

144

Secundário

462

91

43

10

9

11

2

628

Terciário

3646

453

183

46

39

25

15

4407

Total

4158

549

275

94

48

38

17

5179

Fonte:Elaborado pelo autor a partir de dados do IBGE, 2002.

Já pelo levantamento do IBGE, o município em 1999, possuía 5.179 atividades cadastradas, sendo que 4.407 unidades faziam parte do setor terciário, 628 unidades do setor secundário, e 144 estabelecimentos cadastrados no setor primário. O terciário representava nesse período, a maioria das atividades localizadas no município, aproximadamente 85% do total dos estabelecimentos produtivos. Como é possível verificar na tabela 6, o setor primário representava 17,06% dos salários e outras remunerações pagas aos trabalhadores do campo e possuia 15,25% do pessoal ocupado. O setor secundário participava com 13,19 % dos salários e das remunerações e 11,47% do pessoal ocupado assalariado, enquanto que o setor terciário participava com a maior remuneração e salários pagos de todos os setores, ou seja, 69,75% das remunerações e salários e 73,28% do pessoal ocupado assalariado.

TABELA 6

Pessoal ocupado assalariado (Poa.) e salários e outras remunerações pagos segundosetores da economia, 1999

Setores

Total R$

%

Total Poa

%

Primário

25.809.492

17,06

4223

15,25

Secundário

19.949.140

13,19

3176

11,47

Terciário

105.496.218

69,75

20288

73,28

Total

151.254.850

100,00

27687

100,00

Fonte: Elaborado pelo autor a partir de dados do IBGE, 2002.

A participação do Setor terciário também é bastante relevante, em relação aos outros setores, quanto ao consumo de energia elétrica no município. Em 2000 verificava-se no município a existência de 8.743 consumidores de energia elétrica. Desse total, 70,32% eram estabelecimentos relacionados ao setor terciário, um total de 6.743 empresas. Enquanto que os setores primário e secundário participavam, somente com 22,88% e 6,81% dos Consumidores, respectivamente (SEI, 2003). Em 2001 houve um crescimento no total de consumidores de energia elétrica basicamente nos três setores da economia, para 10.155 consumidores, mas manteve-se ainda, a hegemonia do setor terciário, conforme as Tabelas 07 e 08.

TABELA 7

Consumidores de energia elétrica por setor da economia em Vitória da Conquista 2000 e 2001

 

Ano 2000

Ano 2001

Setor

Consumidores

%

Consumidores

%

Primário

2.000

22,88

2.389

23,53

Secundário

595

6,81

741

7,30

Terciário

6.148

70,32

7.025

69,18

Total

8.743

100,00

10.155

100,00

Fonte: Elaborado a partir de dados da SEI, 2003

TABELA 8

Consumo de energia elétrica (mwH) por setor da economia em Vitória da Conquista 2000 e 2001

 

Ano 2000

Ano 2001

Setor

Consumo

%

Consumo

%

Primário

9.414

10,00

9.641

10,70

Secundário

14.707

15,62

16.874

18,72

Terciário

70.023

74,38

63.608

70,58

Total

94.144

100,00

90.123

100,00

Fonte: Elaborado a partir de dados da SEI, 2003.

O consumo de energia em muitos casos demonstra claramente qual é o tipo de economia predominante em dada região, sendo um bom indicador da dinâmica econômica local. Ao comparar-se o consumo de energia por setor da economia em Vitória da Conquista com o consumo de energia em outros municípios da Bahia, que possuem suas economias voltadas para outros setores, é possível perceber melhor essa realidade. Constata-se na Tabela 9, que em Camaçarí, município baiano localizado na região metropolitana de salvador, que o setor secundário é o maior consumidor de energia entre os demais setores, por sua vez o setor mais dinâmico da economia desse município é justamente o setor industrial. Já em Barreira, município do oeste baiano, o setor que mais consome energia é o setor primário, que na realidade é o mais dinâmico do município.

TABELA 9 Consumo de energia elétrica (mwH) por setor da economia em Camaçari-Ba e Barreira- Ba ano 2001

 

Camaçari

Barreiras

Setor

Consumo

%

Consumo

%

Primário

1.259

0,24

101.265

48,88

Secundário

460.831

89,27

69.368

33,49

Terciário

54.156

10,49

36.528

17,63

Total

516.246

100,00

207.161

100,00

Fonte: Elaborado a partir de dados da SEI, 2003

Em Vitória da Conquista o maior consumo de energia esta no setor terciário, portanto, levando-se também em consideração o fator energia para definir a dinâmica econômica de uma dada região, além do PIB e da Renda entre outros fatores, podemos considerar o setor mais dinâmico da economia de Vitória da Conquista como sendo o terciário. O Município possuí uma variedade de serviços na área da saúde como hospitais novos laboratórios e clínicas especializadas, serviços de tomografia computadorizada, mamografia, ultra-sonografia entre outras especialidades, serviço educacional de nível superior, e diversos serviços mecânicos e de máquinas pesadas que atende toda a região, como também uma intensa atividade comercial tanto atacadista quanto varejista. No Comércio atacadista destacam-se as empresas de alimentos e bebidas, café, cereais, insumos agropecuários, gado bovino, madeira e no Comércio varejista a empresas de Vestuário (lojas e butiques), calçados, móveis, colchões, insumos agropecuários, materiais de construção, antenas, aparelhos eletro- eletrônicos, armarinhos, alimentos e outros (armazéns e supermercados), carne (açougues), bebidas, brinquedos, papelaria, ferragens e ferramentas, livrarias, bancas de revista, materiais

esportivos, artigos de caça e pesca, loterias, veículos, peças e acessórios, postos de gasolina, discos e fitas de música, farmácias.

4.4 A renda local e o setor terciário

Embora a economia tenha agregado novos investimentos, principalmente a partir do terciário, a média do rendimento mensal das pessoas com rendimentos em Vitória da Conquista ainda é muito baixa, aproximadamente R$ 533,13 por cada pessoa responsável por domicílios. Na Bahia, o município encontra-se na décima primeira colocação, todavia, não muito distante dos primeiros colocados. Estes não chegam a mil reais de rendimento médio mensal. O município de Lauro de Freitas é o que possui maior rendimento médio mensal, R$ 977,50. Logo a seguir encontra-se Salvador com R$ 893,89, Barreiras com R$ 777,34 e, assim sucessivamente, conforme podemos verificar no Quatro 2.

QUADRO 2 Valor do rendimento nominal médio mensal, valor do rendimento nominal mediano mensal das pessoas com rendimento, responsáveis pelos domicílios particulares permanentes, segundo municípios selecionados: Bahia, 2000

 

Valor do rendimento (R$)

Classificação segundo o rendimento nominal médio mensal

Municípios

Rendimento nominal médio mensal

Rendimento nominal mediano mensal

Os 15 municípios com maior nível de rendimento

 

Lauro de Freitas

977,50

300

1

Salvador

893,89

380

2

Barreiras

777,34

300

3

Itabuna

589,30

250

4

Mucuri

565,73

200

5

Feira de Santana

561,86

280

6

Porto Seguro

556,21

300

7

Eunápolis

555,67

240

8

Teixeira de Freitas

544,08

250

9

Paulo Afonso

539,11

250

10

Vitória da Conquista

533,13

200

11

Alagoinhas

520,37

250

12

Madre de Deus

517,29

300

13

Dias d'Ávila

495,69

300

14

Ilhéus

486,62

196

15

Fonte: IBGE, 2002.

No Quadro 2, ao se observar o rendimento nominal mediano 1 mensal dos quinze principais municípios da Bahia percebe-se que esse rendimento é maior, R$ 380,00, em Salvador e apenas R$ 196,00 em Ilhéus. Vitória da Conquista possuí rendimento mediano de R$ 200,00. Um rendimento mediano tão baixo assim, possibilita inferir o grau de pobreza em que estão inseridos esses municípios. Além de possuírem um grau muito elevado de pobreza ainda existe uma forte concentração na renda, até mesmo nos municípios mais industrializados. Atualmente são 56.936 pessoas responsáveis por domicílios em Vitória da Conquista. A média de rendimento mensal já foi bem pior, R$ 384,26 em 1991. No ano 2000, o rendimento médio mensal das pessoas responsáveis por domicílios passou para R$ 533,13.Uma variação de 38,7 %.

QUADRO 3 Valor do rendimento nominal médio mensal, valor do rendimento nominal mediano mensal das pessoas com rendimento, responsáveis pelos domicílios, segundo os municípios: Bahia, 2000

 

Pessoas com rendimento responsáveis pelos domicílios particulares permanentes

Valor do rendimento (R$)

Município

Rendimento nominal

Rendimento nominal

médio mensal

mediano mensal

Vitória da Conquista

56.936

533,13

200,00

Fonte: IBGE, 2002.

O rendimento médio dos responsáveis por domicílios na Bahia, como um todo, também é muito baixa. Em 1991 representava R$ 318,00, em 2000 passou para R$ 460,00, um aumento de 44,7 %. Constata-se que, embora baixo, o rendimento médio no município ainda é maior que a média Baiana.

TABELA 10 Variação do rendimento médio real mensal das pessoas responsáveis pelos domicílios, segundo os municípios: Bahia, 1991-2000

Município

Variação

(%)

1991/2000

Valor do rendimento médio (em R$)

1991

2000

Vitória da Conquista Bahia

384,26

318,0

533,13

460,0

38,7

44,7

Fonte: IBGE, 2002.

1 A mediana é o valor em uma seqüência de dados que não é afetada por observações abruptas, ou seja, no calculo da mediana são eliminados as discrepâncias que possam “mascarar” a realidade.

Vitória da Conquista possuía, em 1970, um PIB de aproximadamente 224 milhões de

reais. Em 1996 o PIB foi da ordem de 551 milhões, o que representava uma renda total

municipal ainda muito baixa, comparando-se com outros municípios do mesmo porte

localizados na região Sul e Sudeste do Brasil.

A renda per capita municipal em 1996 era de R$ 2.278,20, pouco maior que a renda

per capita do Estado da Bahia (R$ 2.253,61). Todavia, muito inferior à renda per capita

nacional, que no período foi R$ 4.958,85.

TABELA 11 PIB Per capitã 1996

Região

Valor R$

Vitória da Conquista

2.278,20

Bahia

2.253,61

Brasil

4.958,85

Fonte: IPEA, 2003

Considerando os cinco municípios com maior população na Bahia: Salvador, Feira de

Santana, Vitória da Conquista, Itabuna e Ilhéus, a renda total de Vitória da Conquista seria a

terceira do Estado da Bahia. Todavia, outros municípios com maior capacidade industrial,

principalmente na região metropolitana de Salvador possuem renda mais elevada, como é

possível verificar no Quadro 10 em anexo, onde consta todos os municípios e seus

respectivos PIBs.

Em Vitória da Conquista, a participação do setor terciário na constituição do PIB é

predominante. Em 1970, o setor terciário representava 78,79% do PIB municipal. O setor

secundário, 12,90 %, e o setor primário, apenas 8,31% do total da renda municipal.

TABELA 12 PIB por Setor da economia 1970 a 1996 - Deflacionado pelo Deflator Implícito do PIB Nacional, ano 2000

 

em %

Vitória da Conquista

1970

1975

1980

1985

1996

Setor Terciário

78,79

69,46

70,45

61,04

64,20

Setor Secundário

12,90

17,62

17,36

20,31

29,60

Setor Primário

8,31

12,92

12,19

18,65

6,20

Total

100,00

100,00

100,00

100,00

100,00

Fonte: IPEA, 2003

A partir de 1975, quando a lavoura cafeeira foi implantada, o PIB agrícola sofreu um

maior incremento, chegando a uma participação de 18,65% na renda total do município em

1985. E novamente começou a cair, chegando em 1996, com apenas 6,2% de participação na formação da renda local.

O incremento do setor primário no período 1975 a 1985 induziu o crescimento dos

demais setores da economia a partir do momento em que propiciou o surgimento de novos investimentos direta e indiretamente ligados ao setor agrícola. Dessa forma, mesmo com a queda de participação do setor primário no PIB local, os outros setores continuaram em plena elevação pois já havia poupança regional constituída no setor primário, mas repassada para os demais setores através do efeito multiplicador da economia, permitindo, assim, que o setor secundário e terciário praticamente passassem a ser independentes do setor primário a partir da década de 1990.

4.3 A nova tendência do setor terciário local

A difusão de novas tecnologias exige cada vez mais elevados níveis de qualificação

dos trabalhadores. Inclusive a própria competitividade das empresas no plano nacional e internacional depende da capacidade da força de trabalho utilizar essas novas tecnologias. Os trabalhadores a partir do Fordismo, passaram a ser especializados na produção com máquinas específicas que buscavam sempre a repetição. O trabalhador passou a ser altamente especializado em tarefas simples e repetitivas. Todavia, a partir da reestruturação produtiva engendrado pela globalização, na medida em que novas tecnologias, como a micro eletrônica, passaram a fazer parte do processo de produção, o trabalho, por sua vez, tornou-se mais complexo passando a exigir dos trabalhadores melhor qualificação profissional sob pena de ficarem fora do mercado de trabalho. Passaram a fazer parte do mundo do trabalho qualidades como: autonomia, visão de conjunto, motivação, comunicação etc., antes, somente exigidas para uns poucos dentro da empresa. Isto, na prática, corresponde a dizer que, na vizinhança de um segmento industrial globalizado, há necessidade da existência de um ambiente de pesquisa e de desenvolvimento competente e articulado, integrando institutos de pesquisas e universidades com empresas e empreendimentos produtivos os mais variados.

Dessa forma, a educação tornou-se cada vez mais importante para uma economia que pretenda se desenvolver. A produção de bens finais requer indústrias modernas e flexíveis, muitas das quais demandantes de pessoal altamente qualificado e, simultaneamente, sujeitas a intensa competição com produtos de origem externa. Mas também requer uma economia de serviços dinâmica e com profissionais habilitados que corresponda às demandas fomentadas pela produção. As desigualdades sociais, a exemplo da concentração da renda muito significativa no Brasil, podem ser combatidas com a educação. O país apresenta desigualdades regionais tão absurdas que produzem em um mesmo território a Somália e a Bélgica, ou seja, cidades muito mais empobrecidas. Recentemente o IPEA publicou um estudo que coloca o Brasil como o penúltimo colocado em distribuição de renda entre 130 países pesquisados, só não esta pior que Serra Leoa. Por outro lado é possível citar, em algumas regiões do país, cidades de porte médio como, São Carlos, Campinas e Ribeirão Preto no Estado de São Paulo, Juiz de Fora e Viçosa, em Minas Gerais, que buscam o desenvolvimento não somente com base na indústria, mas também com a renda gerada pela oferta de serviços de educação. O caso especificamente de São Carlos é um bom exemplo. A concentração de doutores por habitantes é uma das maiores da América Latina. A tecnologia atualmente é o principal veiculo de desenvolvimento do município.

O processo de desenvolvimento ocorrido nessas cidades é fruto, basicamente do

investimento no ensino superior e no conhecimento. A educação superior fomentou a

economia de serviços que criaram condições para o surgimento de novos empreendimentos. Os investimentos que mais crescem no mundo, estão na área da economia de serviços, são atividades que dependem de alta tecnologia e de uma gama muito grande de conhecimento regional aplicado.

O ensino superior na região sudoeste da Bahia esteve sempre dependente da

Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, que desde quando foi criada, na década

de 1980, busca se fortalecer para que possa exercer uma maior influencia no fomento do desenvolvimento regional.

“O corpo docente da UESB é formado, atualmente, por 643 professores, sendo 544 efetivos, 82 substitutos e 17 visitantes. No campus de Vitória da Conquista, há 338 professores, sendo 279 efetivos, 52 substitutos e 7 visitantes. Dos professores efetivos, 11 são graduados, 224 especialistas, 253 mestres e 56 doutores. A UESB. A UESB tem investido bastante, nos últimos anos, na qualificação do seu corpo docente. Atualmente, são 37 mestrandos e 73 doutorandos.

O corpo discente é formado, principalmente, por alunos oriundos de toda a região

Sudoeste e do Norte de Minas Gerais. Atualmente, estão matriculados na UESB 5.746 alunos nos diversos cursos de graduação, 686 nos cursos de especialização e 74 nos cursos de mestrado. No campus de Vitória da Conquista estavam matriculados, no ano de 2002, 3.451 alunos, dos quais estima-se que 32% são oriundos de outros municípios. Nos seus 22 anos de existência (1980 – 2002), a UESB habilitou mais de 4.000 profissionais.

O número de candidatos inscritos no vestibular cresceu 868% nos últimos dez anos,

passando de 1.942 candidatos em 1990 para 18.796 em 2002. A relação candidato/vaga cresceu no mesmo período de 4,74 para 13,14. Isto mostra, por um lado, uma maior aceitação da universidade na comunidade regional e, por outro, um enorme mercado potencial para o crescimento tanto da UESB quanto de instituições privadas de ensino superior. Atualmente, a UESB oferece, por ano, 1.430 vagas, preenchidas através de vestibular. No campus de Vitória da Conquista são oitocentas vagas.” (LOPES, 2003:150)

Atualmente, chama-se atenção para um novo movimento em direção à ampliação do ensino superior, com faculdades privadas, que começa a tomar impulso. Fazem parte desse novo conjunto, mais três instituições, a Faculdade de Tecnologia e Ciências - FTC, o Instituto de Ensino Superior Juvêncio Terra e a Faculdade Independente do Nordeste - FAINOR. Na esfera Federal está previsto a descentralização do ensino superior para o interior da Bahia, com a implantação de um Campus da Universidade Federal da Bahia – UFBA e Implantação de Novos Cursos, como o de Engenharia Elétrica, no Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia – CEFET, unidade de Vitória da Conquista. O investimento educacional pode mudar a realidade verificada em uma dada região. O ensino superior pode criar novos horizontes e qualificar melhor os empresários locais dando a eles melhores condições de gerenciamento, melhorando a qualificação dos empregados e abrindo caminho para novos empreendimentos. De acordo com o Censo empresarial realizado no Município, pelo SEBRAE, em 1998, foi verificado que 38,3 % da classe empresarial tem formação educacional mínima, sendo 26% com 1º grau incompleto, 9,4% com 1º grau completo e 2,9% com 2 º grau incompleto. Todavia, 29,3% não responderam o questionário. Se eliminarmos estes da apuração, teremos mais de 55% dos empresários locais com um grau de escolaridade mínima. O fato é que do total geral de empresários apenas 6,7% possuem o 3º grau completo e 6% ainda são analfabetos. Devido a pouca formação o SEBRAE comprovou que os micro e pequenos empresários, em grande maioria, iniciam o seu negócio com pouca ou nenhuma experiência gerencial, o que leva muitos deles a não utilizarem registro ou controle contábil, incorrendo, desta forma, na improvisação administrativa, o que é prejudicial para os resultados operacionais das empresas, levando até, em muitos casos, à mortalidade precoce do negócio. É no setor comercial que se encontra o maior percentual de empresários que utilizam algum

registro ou controle. Todavia 40,6 % não utilizam controle nenhum. Na prestação de serviços, 59,5 % não utilizam controle ou registro

A expansão e a implantação de instituições de ensino superior em Vitória da

Conquista não só representará a melhoria da economia local e regional a longo prazo, mas também a curtíssimo prazo introduz novos recursos com a movimentação do setor hoteleiro, aluguéis, restaurantes, entre outros, além de induzir outros tipos de investimentos. Como

também evita a saída de recursos com a ida de alunos para outras regiões em busca de cursos que as instituições locais não oferecem.

Só para se ter uma idéia, em pesquisa realizada por Passos (1995), verificou-se que

existiam de 1500 a 2000 jovens conquistenses de classe média estudando em outras cidades como Belo Horizonte, Alfenas, Viçosa e Salvador. Partindo de uma estimativa de custo, na

época, para famílias da ordem de 400 reais/ mês por cada jovem, ao ano a saída de recursos seria da ordem de 7,2 milhões que deixavam a economia local.

O autor constatou que a causa disso era o fato de que o sistema de educação

universitária de Vitória da Conquista ainda exercia fraca atração sobre a juventude de outras

regiões devido ao número reduzido de cursos oferecidos. Em Vitória da Conquista, apenas 15 % dos vestibulandos eram oriundos de outros municípios de 1991 a 1993, sendo que a maioria da região sudoeste. Com a implantação de novos cursos nas instituições públicas, o crescimento e solidificação das instituições privadas, o município e a região só fazem ganhar, não só em mais recursos e investimentos, mas também em melhoria da qualidade de vida.

O ensino superior possibilita, antes de tudo, a criação de poupança na região através da

atração de capital de fora e manutenção da renda gerada no município devido os serviços

demandados pelos alunos que chegam de outras regiões e por aqueles que deixam de ir para outras instituições, inclusive em outros Estados.

À medida que mais pessoas acessem o ensino superior, novas tecnologias vão sendo

criadas, melhora a qualificação dos trabalhadores e dos empreendedores, criando condições

para que ocorra, não apenas crescimento econômico, mas também o desenvolvimento local e regional.

5

CONCLUSÃO

Como é possível concluir, o comércio se fortificou em função da localização geográfica, a partir da abertura da BR 116 e das rodovias estaduais BA 415 e BA 262. O café na década de 1970, foi responsável pelo grande dinamismo da economia regional, o que se

refletiu no crescimento e diversificação do comércio e das atividades de prestação de serviços. O café produziu efeitos até o final da década de 1980. Com a queda nos preços internacionais

e a falta de modernização da produção, a economia local passou a ser sustentada praticamente pelo comércio varejista e o setor de serviços. O comércio foi afetado no início de 1990 pela crise do café devido ao baixo preço do

produto e a seca que abalou a produção e a partir de 1994 até 1996, pelo impacto negativo da recessão que seguiu a partir do Plano Real e da queda relativa dos preços agropecuários com

a chamada "âncora verde" do plano. Com tudo isso uma análise mais aprofundada revela que em Vitória da Conquista

houve uma considerável expansão e diversificação da atividade comercial na década de 1990. Visto que enquanto o censo econômico de 1985 registrava a presença de pouco menos de 5.000 estabelecimentos comerciais no conjunto do Sudoeste, um levantamento realizado em

1992 pelo SEBRAE revelou a presença de 4.812 estabelecimentos comerciais apenas em

Vitória da Conquista (UESB, 1996). Com o café, muitos investimentos vieram para a cidade, solidificando a condição de

pólo regional do município. O crescimento do setor comercial e dos serviços na década de

1990 se alimentou exclusivamente dessa condição e da localização geográfica do município.

Sobretudo, percebe-se que no contexto geral o setor terciário é o mais dinâmico da economia local, com grande potencialidade de crescimento devido a muitos empreendimentos novos sendo implantados, como o shopping Conquista Sul Polarizando uma área com mais de 200 Km de circunferência atingindo uma população de mais de 2 milhões de habitantes na região Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista é a Cidade que possui maior infra-estrutura comercial e de serviços na região. Na agricultura, somente o município de Vitória da Conquista, contribuiu na década de 90 com mais de 20 mil empregos diretos na cafeicultura, com uma produção média de mais de 500.000 sacas ao ano, que representou 10% do PIB municipal em 1996. Dessa forma sendo a área de serviços, a monocultura cafeeira e o comércio os elementos mais importantes na formação da economia local, constata-se que o setor terciário é atualmente o setor econômico mais dinâmico da economia em Vitória da Conquista.

É visível a multiplicação de microempresas do setor terciário em Vitória da Conquista (farmácias, padarias, delicatessens, lojas de conveniências, minimercados, clínicas especializadas, faculdades particulares, etc.). Dessa forma, a hipótese estabelecida esta confirmada, de fato, o setor terciário, a partir da década de 1990, passou a ser o pólo que mais contribuiu na composição do PIB municipal e, portanto, o setor mais importante da economia em Vitória da Conquista e o elo que vincula a cidade a outras regiões do Estado da Bahia, chegando a sua influência, até o Norte de Minas Gerais.

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