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CINEMATECA PORTUGUESA MUSEU DO CINEMA ELOGIO DE JEAN-LUC GODARD JACQUES RANCIÈRE CURTAS VIAGENS AO PAÍS DO

ELOGIO DE JEAN-LUC GODARD

PORTUGUESA MUSEU DO CINEMA ELOGIO DE JEAN-LUC GODARD JACQUES RANCIÈRE CURTAS VIAGENS AO PAÍS DO POVO

JACQUES RANCIÈRE CURTAS VIAGENS AO PAÍS DO POVO

GODARD JACQUES RANCIÈRE CURTAS VIAGENS AO PAÍS DO POVO THE ART OF DYING CLÁSSICOS ÀS MATINÉS

THE ART OF DYING

RANCIÈRE CURTAS VIAGENS AO PAÍS DO POVO THE ART OF DYING CLÁSSICOS ÀS MATINÉS OS CICLOS

CLÁSSICOS ÀS MATINÉS

OS CICLOS

DO POVO THE ART OF DYING CLÁSSICOS ÀS MATINÉS OS CICLOS HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA NE

HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA

ÀS MATINÉS OS CICLOS HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA NE CHANGE RIEN INÉDITOS CINEMATECA JÚNIOR | Programação

NE CHANGE RIEN

OS CICLOS HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA NE CHANGE RIEN INÉDITOS CINEMATECA JÚNIOR | Programação | MARÇO/2011

INÉDITOS

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MARÇO/2011

INÉDITOS CINEMATECA JÚNIOR | Programação | MARÇO/2011 O QUE QUERO VER CINEMA PORTUGUÊS: PRIMEIRAS OBRAS,

O QUE QUERO VER

JÚNIOR | Programação | MARÇO/2011 O QUE QUERO VER CINEMA PORTUGUÊS: PRIMEIRAS OBRAS, PRIMEIRAS VEZES ABRIR

CINEMA PORTUGUÊS:

PRIMEIRAS OBRAS, PRIMEIRAS VEZES

| MARÇO/2011 O QUE QUERO VER CINEMA PORTUGUÊS: PRIMEIRAS OBRAS, PRIMEIRAS VEZES ABRIR OS COFRES ANTE-ESTREIAS

ABRIR OS COFRES

| MARÇO/2011 O QUE QUERO VER CINEMA PORTUGUÊS: PRIMEIRAS OBRAS, PRIMEIRAS VEZES ABRIR OS COFRES ANTE-ESTREIAS

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ELOGIO DE JEAN-LUC GODARD

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MARÇO/2011

O que é feito de Godard? Podia ser – ou é – a pergunta subjacente a este Ciclo. Não no seu sentido mais imediato porque, embora ele já não “apareça” tanto como “apareceu” noutras épocas em que possuía um apelo mediático de pedir meças a uma “pop star”, e já não faça filmes ao ritmo com que no passado os fez, quem quer saber “o que é feito de Godard” também sabe como há-de fazer para o saber. Mas noutro sentido: o que é que, nos nossos tão dispersos e acelerados dias, se faz de Godard e se faz com Godard? Há poucas décadas atrás era claro que o mundo precisava do cinema e que o cinema precisava de Godard. Hoje, quando deixou de ser evidente que o cinema seja uma necessidade para o mundo, o passo para o silogismo é mais problemático – como se viu, muito recentemente, na forma violenta como o seu último filme (FILM SOCIALISME), foi enxotado pela imprensa generalista internacional e praticamente apenas defendido pelos nichos da “crítica especializada”. A linguagem da “cultura de massas”, sufocante e agressiva, não tem absolutamente nada a ver com o cinema que Godard pratica e representa. Pior (ou consoante a perspectiva, melhor), é exactamente dessa incompatibilidade que os filmes de Godard falam. Agora e há muitos anos. Também por isto, a estreia em Portugal de FILM SOCIALISME (que veremos, na Cinemateca, em Abril) era uma oportunidade irresistível para voltarmos, com alguma profundidade e extensão, ao cinema de Godard. A Cinemateca já lhe dedicou duas retrospectivas, a primeira em 1985, e a segunda catorze anos depois, numa espécie de actualização (1985-99) – para além se tratar de uma presença regular, se não mesmo mensal, na nossa programação. Agora, a propósito de FILM SOCIALISME, não nos concentrámos em nenhum período especial da obra de Godard, antes resolvemos propor uma viagem, variada no tempo e nas épocas, por momentos capitais dessa obra, juntando títulos lendários e muito vistos (À BOUT DE SOUFFLE ou PIERROT LE FOU) a outros de muito mais intermitente visibilidade como alguns filmes dos anos 70 (LE GAI SAVOIR ou COMMENT ÇA VA, que na Cinemateca não são vistos desde o Ciclo de 1985) e décadas posteriores (ALLEMAGNE NEUF ZÉRO ou trabalhos em vídeo como LES ENFANTS JOUENT À LA RUSSIE, que por aqui não passam desde o Ciclo de 1999). Abrimos, da melhor maneira, com um “bónus” que nos foi proposto pela distribuidora portuguesa de FILM SOCIALISME, a Midas Filmes: a ante-estreia de DEUX DE LA VAGUE, documentário sobre Godard e Truffaut realizado por Emmanuel Laurent e escrito por Antoine de Baecque. A seguir, mergulhamos nas ondas de uma obra que se confunde, como provavelmente mais nenhuma, com o cinema e com o mundo dos últimos cinquenta anos – como Godard disse, “une seule histoire”.

Sex. [04] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

PROGRAMA A ANUNCIAR

Sex. [04] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

DEUX DE LA VAGUE Os Dois da (Nova) Vaga de Emmanuel Laurent com Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jean-Pierre Léaud, Isild Le Besco França, 2009 - 91 min / legendado em português Documentário assente em imagens de arquivo que narra a mítica amizade entre JeanLuc Godard e François Truffaut, e a sua posterior separação. Realizado no ano em que a Nouvelle Vague celebrou os seus cinquenta anos, contados a partir da exibição de LES 400 COUPS no Festival de Cannes em 1959, este filme de Emmanuel Laurent traça o retrato de um movimento que mudou a forma de fazer cinema e revelou ao mundo dois dos maiores cineastas de todos os tempos. DEUX DE LA VAGUE é exibido em sessão de ante-estreia, organizada em colaboração com a Midas Filmes.

Qua. [09] 19:30 | Sala Luís de Pina

APRÈS LA RÉCONCILIATION Depois da Reconciliação de Anne-Marie Miéville com Claude Perron, Anne-Marie Miéville, Jacques Spiesser, Jean-Luc Godard, Xavier Marchand França, Suíça, 2000 - 74 min / legendado em português Companheira e colaboradora regular de Jean-Luc Godard desde o início da década de 70, Anne-Marie Miéville assina esta longa-metragem que tem muito de godardiano, uma vez que conta com Godard como um dos seus protagonistas, não escapando a uma forte componente biográfica. Conferindo um papel de relevo ao discurso, em APRÈS LA RÉCONCILIATION a austeridade das formas acentua a força das palavras proferidas por duas mulheres e dois homens que discutem sobre a felicidade, o amor e o conhecimento. Sem esquecer o humor, Miéville toca aqui algumas das questões essenciais da existência humana e é uma ocasião para vermos Jean-Luc Godard a deixar-se dirigir. Primeira exibição na Cinemateca.

Qua. [09] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

À BOUT DE SOUFFLE

O Acossado

de Jean-Luc Godard com Jean Paul Belmondo, Jean Seberg, Daniel Boulanger França, 1960 - 90 min / legendado em português

Ao lado de LES 400 COUPS, este é o grande “filme-símbolo” da Nouvelle Vague e um dos filmes que abre as portas do cinema moderno. Foi o primeiro sinal de que, como escreveu Serge Daney, este novo cinema não só não se contentava em sacudir o “antigo”, como ameaçava, literalmente, destruí-lo. À BOUT DE SOUFFLE é um dos filmes que melhor ilustra as consequências práticas e teóricas dos postulados da Nouvelle Vague, fazendo “explodir” o cinema para depois o reinventar.

A primeira longa-metragem de Godard resultava, por si mesma, num dos momentos mais decisivos da história do cinema, com Belmondo recriando também um

mito clássico, o de Bogart. À BOUT DE SOUFFLE está também programado no contexto do Ciclo “The Art of Dying”.

Qui. [10] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

LES CARABINIERS Os Carabineiros de Jean-Luc Godard com Marino Mase, Albert Juross, Geneviève Golée, Catherine Ribeiro França, Itália, 1963 - 80 min / legendado em português LES CARABINIERS, filme com argumento de Jean Gruault e de Rossellini a partir de uma peça homónima de Benjamino Joppolo é, segundo as palavras de Godard,

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também ele “uma fábula, um apólogo em que o realismo apenas serve para vir em auxílio do imaginário” e um filme “sujo e estúpido”, porque o seu tema é sujo e

estúpido: a guerra. Numa região não identificada (qualquer lado ou lado nenhum) dois camponeses brutais são mobilizados, dedicando-se à morte e à pilhagem, e

o saque será uma colecção de bilhetes-postais. Uma alegoria genial, a começar pelos nomes das personagens – Ulisses e Miguel Ângelo, Vénus e Cleópatra –, onde

as conquistas da guerra coincidem com as do cinema: as imagens. Atente-se à famosa cena em que Miguel Ângelo se dirige para a mulher que observa no ecrã.

Sex. [11] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

ALPHAVILLE

Alphaville

de Jean-Luc Godard com Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamiroff França, 1966 - 98 min / legendado em português Um dos filmes mais “fáceis” de Godard, que é ao mesmo tempo uma homenagem ao filme “negro”, uma obra de ficção científica e de ficção política. O agente secreto Lemmy Caution (que era o protagonista de uma série do cinema francês) vai à cidade de Alphaville, onde todos os sentimentos foram abolidos e onde ninguém é capaz de perceber poesia, tentar convencer um cientista a regressar aos “planetas exteriores”. Esta parábola sobre a sociedade futura foi inteiramente filmada em cenários naturais, em Paris e nos seus arredores.

Seg. [14] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

MASCULIN FÉMININ Masculino Feminino de Jean-Luc Godard com Jean-Pierre Léaud, Chantal Goya, Marlène Jobert, Michel Debort França, Suécia, 1966 - 110 min / legendado em português

«Este filme poderia ser chamado Os Filhos de Marx e da Coca-Cola”. Eis a mais famosa citação de MASCULIN FÉMININ que corresponde a um intertítulo que divide os seus capítulos. MASCULIN FÉMININ aborda a relação sentimental de Paul (Léaud), um jovem marxista, e Madeleine (Goya), cantora da “geração Coca-Cola”. Baseando-se em dois contos de Guy de Maupassant, Godard cria um importante retrato de uma juventude dividida e de uma sociedade que enfrenta a mudança.

A dimensão subversiva do filme, que fez com que fosse proibido em França a menores de 18 anos, estende-se, obviamente, à sua forma.

Ter. [15] 19:30 | Sala Luís de Pina

PIERROT LE FOU Pedro, o Louco de Jean-Luc Godard com Jean-Paul Belmondo, Anna Karina, Samuel Fuller França, 1965 - 109 min / legendado em português Emblema dos anos 60, emblema do cinema moderno, no sentido histórico do termo, PIERROT LE FOU adquiriu há muito tempo o estatuto de clássico. O mais famoso filme de Godard, de “uma beleza sublime” no dizer de Louis Aragon, continua a entusiasmar as novas gerações que o descobrem pela primeira vez. Um homem e uma mulher, Pierrot e Marianne, deixam subitamente Paris e saem pelas estradas de França, “vivendo perigosamente até ao fim”. Amam-se e matam(- se), mas principalmente recusam a civilização tal como o pequeno-burguês a concebe, vivendo o instante e o dia-a-dia. A fotografia a cores de Raoul Coutard é um verdadeiro compêndio de muitas tendências estéticas dos anos 60 como o é o som recriado por Antoine Bonfanti. PIERROT LE FOU está também programado no contexto do Ciclo “The Art of Dying”.

Qua. [16] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

WEEK-END

Fim-de-Semana

de Jean-Luc Godard com Jean Yanne, Mireille Darc, Jean-Pierre Léaud França, Itália, 1967 - 102 min / legendado em português Segundo Godard, um filme «perdido no cosmos» e «encontrado no ferro velho». Em forma de antecipação, WEEK-END é a mais radical parábola sobre a civilização

de hoje. Reflexo do mal estar do seu tempo, o filme de Godard anunciava o Maio de 68. Um casal em férias, caos e drama ao longo da estrada (com um fabuloso

e célebre plano-sequência de um travelling de dez minutos) e estranhos encontros com a história e a ficção (Saint-Just, Alice, Lautréamont, etc.).

Qui. [17] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Seg. [21] 19:30 | Sala Luís de Pina

LE GAI SAVOIR de Jean-Luc Godard com Jean-Pierre Léaud, Juliet Berto França, 1968 - 95 min / legendado em inglês Émile tenta forçar as portas da Universidade guardadas pelo exército, Patricia, por seu lado, distribui gravadores de bolso numa fábrica, para que os operários possam registar todas as incongruências do discurso do patronato. Num estúdio de cinema, Émile e Patricia comentam as imagens e sons da “luta de classes”, conferindo-lhes novos sentidos, e assim procurando “fazer voltar contra o inimigo a arma com que ele ataca: a linguagem”. Um importante ensaio sobre o poder das palavras e a sua relação com as imagens.

Sex. [18] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Qua. [23] 22:00 | Sala Luís de Pina

ONE PLUS ONE de Jean-Luc Godard com The Rolling Stones (Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Charlie Watts, Bill Wyman, Nicky Hopkins), Anne Wiazemsky, Ian Quarrier

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França, 1968 - 100 min / legendado electronicamente em português Os Rolling Stones ensaiam Sympathy for the Devil. Em montagem paralela acompanhamos acções dos Black Panthers, discursos militantes e manifestações de contra-cultura. Ensaios de música e revoluções falhadas. O filme é composto por dez planos-sequência, cinco dos quais dedicados aos ensaios dos Stones.

Seg. [21] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Ter. [22] 19:30 | Sala Luís de Pina

ONE P.M. de D.A. Pennebaker, Jean-Luc Godard com Rip Torn, The Jefferson Airplane, Eldrige Cleaver, Tom Hayden França, 1972 - 90 min / legendado electronicamente em português No final da década de 60, acreditando que a revolução chegaria em breve aos EUA, Godard viajou até Nova Iorque para fazer um filme com Pennebaker e Leacock. Durante vários meses interrogaram juntos inúmeras personalidades como Tom Hayden e Eldridge Cleaver com a ideia de refilmar posteriormente o texto das suas entrevistas com actores. Godard abandonou esse projecto que tinha como título ONE A.M. (ONE AMERICAN MOVIE), mas Pennebaker realizará este outro filme que parte do mesmo material de base, e que designará por ONE P.M. (ONE PARALLEL MOVIE), ou como Godard lhe chamou, “One Pennebaker Movie”. Primeira exibição na Cinemateca.

Ter. [22] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

NUMÉRO DEUX de Jean-Luc Godard com Sandrine Battistella, Pierre Oudry, Alexandre Rignault, Rachel Stefanol França, 1975 - 90 min / legendado em português NUMÉRO DEUX aborda as relações de poder estabelecidas no seio de uma família no interior de um moderno apartamento. Assentando na justaposição e sobreposição de imagens que apelam a uma pluralidade de leituras, o filme é uma experiência única na obra de Godard, antecipando os seus trabalhos futuros em vídeo.

Qua. [23] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Qui. [24] 22:00 | Sala Luís de Pina

ICI ET AILLEURS de Jean-Luc Godard, Anne Marie-Miéville com Jean-Pierre Bamberger França, 1976 - 53 min / legendado electronicamente em português Rushes de um filme inacabado sobre a resistência palestiniana, rodado quatro anos antes sob a égide do grupo Dziga Vertov, são mostradas a um casal que, diante do televisor, recorda a sua experiência passada durante os anos de militância. Uma obra raramente exibida, que toca uma questão sensível e que aborda o modo como se organizam aqui (“ici”) imagens que foram registadas algures (“ailleurs”). Filme sobre um conflito, é antes de mais uma reflexão sobre a própria televisão.

Qui. [24] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Seg. [28] 19:30 | Sala Luís de Pina

COMMENT ÇA VA? de Jean-Luc Godard, Anne-Marie Miéville com Michel Marot, Anne-Marie Miéville França, 1975 - 78 min / legendado electronicamente em português Em COMMENT ÇA VA? Godard e Miéville prossegue a sua reflexão sobre os media, tão característica deste período da sua obra, centrando-se na imprensa escrita. Ao proceder à sua análise do que é a informação e de como renová-la, entre os vários acontecimentos comentados no filme do ponto de vista do seu tratamento noticioso, encontramos uma manifestação no Portugal revolucionário de 1974. Constatação final de COMMENT ÇA VA?: “vai mal, ou vai demasiado depressa.”

Sex. [25] 19:30 | Sala Luís de Pina

MEETING WOODY ALLEN / JLG MEETS WOODY ALLEN de Jean-Luc Godard França, 1986 - 26 min / legendado electronicamente em português

SOFT AND HARD (A SOFT CONVERSATION BETWEEN TWO FRIENDS ON A HARD SUBJECT) de Jean-Luc Godard, Anne-Marie Miéville Grã-Bretanha, 1986 - 52 min / legendado electronicamente em português MEETING WOODY ALLEN é o registo de uma conversa entre Godard e o cineasta de MANHATTAN, realizada quando Godard queria convidar Allen para um papel em KING LEAR e encarava essa entrevista como uma oportunidade de se “conhecerem melhor”. Debatem-se as respectivas obras, fala-se de cinema e de televisão, num filme que Godard, por entre intertítulos e efeitos visuais, nunca deixa transformar-se num mero campo/contracampo. SOFT AND HARD é também um diálogo – entre Godard e a sua companheira Anne-Marie Miéville – onde aos temas do cinema e da televisão se acrescentam os da criação artística e das relações amorosas.

Sex. [25] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Ter. [29] 22:00 | Sala Luís de Pina

SOIGNE TA DROITE Atenção à Direita de Jean-Luc Godard com Jean-Luc Godard, François Périer, Jane Birkin França, Suíça, 1987 - 81 min / legendado em português É um filme contruído em caleidoscópio, como se a sua matéria fosse um caos em permanente procura da sua própria organização – talvez pois isso o seu

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“leitmotiv” seja a busca “de um lugar na Terra como no Céu”. Godard, cada vez mais consciente da sua solidão e cada vez mais resignado com ela, materializa-a em SOIGNE TA DROITE e torna-a tema: também para ele se trata de encontrar o seu lugar e o seu papel, seja ele o de Idiota ou de Príncipe.

Seg. [28] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

NOUVELLE VAGUE Nouvelle Vague de Jean-Luc Godard com Alain Delon, Domiziana Giordano França,1990 - 89 min / legendado em português NOUVELLE VAGUE é uma das obras-primas absolutas de Jean-Luc Godard, magistral teia de corpos e formas, cores e sons, textos e vozes. Alain Delon é filmado como nunca ninguém o filmou numa história de eterno retorno: de palavras, de seres, de sentimentos. “História eterna da história que se repete. A história das mulheres apaixonadas e dos homens solitários (…) A história do indivíduo condenado a ser múltiplo” (Jean-Luc Douin).

Ter. [29] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Qui. [31] 19:30 | Sala Luís de Pina

ALLEMAGNE NEUF ZÉRO de Jean-Luc Godard com Eddie Constantine, Hans Zischler, Claudia Michaelsen França, Alemanha, 1991 - 62 min / legendado electronicamente em português ALLEMAGNE NEUF ZÉRO vai buscar Eddie Constantine (e a sua personagem Lemmy Caution) a ALPHAVILLE para uma nova missão na Alemanha pós-queda do muro de Berlim. Ponto alto da obra de Godard, trata-se de uma belíssima e amargurada reflexão sobre a Europa, sobre o cinema, e sobre o passado de ambas as coisas. “Godard adopta uma nova estratégia, criando uma montagem visual de espantosa complexidade, usando o seu próprio material e uma antologia de excertos do cinema clássico, e justapondo uma banda sonora igualmente densa…” (Wheeler Winston Dixon).

Qua. [30] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

JLG/JLG de Jean-Luc Godard com Jean-Luc Godard, Geneviève Pasquier, Denis Jadot França, 1994 - 62 min / legendado em português Em JLG/JLG, “Auto-retrato em Dezembro”, Godard encena a sua própria solidão, a partir do local escolhido para o seu exílio voluntário: a sua casa na Suíça. Trata-se de um trabalho de uma beleza assombrosa, feito de uma tristeza pontualmente cortada por assomos luminosos e marcada por uma inquietante lucidez. Produção da Gaumont.

Qua. [30] 22:00 | Sala Luís de Pina

PUISSANCE DE LA PAROLE de Jean-Luc Godard com Jean Bouise, Lydia Andrei, Jean-Michel Iribarren França, 1988 - 25 min / legendado electronicamente em português

LES ENFANTS JOUENT À LA RUSSIE / THE CHILDREN PLAY RUSSIAN de Jean-Luc Godard com Laszlo Szabo, Bernard Eisenschitz, Jean-Luc Godard França, Estados Unidos, 1993 - 63 min / legendado electronicamente em português Um dos vídeos mais famosos de Godard, PUISSANCE DE LA PAROLE resultou de uma encomenda da France Télécom. A partir de um texto de Poe sobre o poder

das palavras, Godard aborda a perpétua reverberação das nossas palavras no Universo, no que é também uma maneira de abordar a questão das relações entre o Humano e o Divino – tema a que Godard voltaria. LES ENFANTS JOUENT À LA RUSSIE é uma homenagem de Godard ao país de Eisenstein e Barnet, de Dostoievski

e Tolstoi. Entre a elegia e a ironia ácida, o filme é, outra vez, um olhar melancólico sobre “um país de cinema” e um requiem pelo seu desaparecimento.

Qui. [31] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

ÉLOGE DE L’AMOUR

O Elogio do Amor

de Jean-Luc Godard com Bruno Putzulu, Cecile Camp, Jean Davy, Françoise Verny França, 2001 - 97 min / legendado em português Sempre igual a si mesmo, sempre diferente, cada filme de Jean Luc-Godard é uma pedrada no charco de uma produção globalizada e cada vez mais “uniforme”. ÉLOGE DE L’AMOUR está construído em duas partes cronologicamente invertidas. Enquanto a primeira “conta” as tentativas de um realizador para levar a cabo um projecto de filme sobre o “amor”, a segunda, num tom distinto, mostra-nos o seu encanto, três anos antes, com a mulher-intérprete do filme. ÉLOGE DE L’AMOUR foi também programado no início do mês no contexto do Ciclo “Jacques Rancière – Curtas Viagens ao País do Povo”. Começámos o mês a “elogiar o amor”, acabamos o mês a “elogiar o amor”.

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MARÇO/2011

JACQUES RANCIÈRE – CURTAS VIAGENS AO PAÍS DO POVO

EM COLABORAÇÃO COM O COLÓQUIO INTERNACIONAL “JACQUES RANCIÈRE – ENTRE NÓS E AS PALAVRAS: A FILOSOFIA CONTRA O CONSENSO” Resultando de uma colaboração entre a Cinemateca e o Colóquio Internacional “Jacques Rancière – Entre Nós e as Palavras: a Filosofia Contra o Consenso”, que decorrerá na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa entre 15 e 16 de Março, o Ciclo “Jacques Rancière - Curtas Viagens ao País do Povo” organiza-se em torno das representações do povo no cinema, tema sobre o qual Rancière particularmente reflectiu, e reúne um conjunto de filmes e cineastas que têm, ou tiveram, um lugar importante nessa reflexão como ÉLOGE DE L’AMOUR, de Godard, L’ANGLAISE ET LE DUC, de Rohmer, ROSETTA, dos irmãos Dardenne, ou JUVENTUDE EM MARCHA, de Pedro Costa. Não obstante o filósofo ser autor de alguns dos mais estimulantes artigos sobre cinema, escritos nas duas últimas décadas, há que referir que esta é apenas uma vertente de um pensamento manifestamente heteróclito, que articula campos tão diferentes como a estética, a história e a política, conjugando-os em torno de uma problemática comum: a da transformação das formas de visibilidade que estruturam o mundo. É na afirmação de uma necessidade de religação das palavras e das imagens que se exprime grande parte da originalidade do pensamento político de Rancière na sua relação com o cinema, pensamento que se encontra disperso por inúmeros artigos publicados em revistas como a Trafic ou os Cahiers du Cinéma, ou em livros como Le Destin des images, Le Spectateur émancipé ou La Fable cinématographique. Como já referia Rancière neste livro editado em 2001 que recolhe um conjunto de textos soltos publicados nos anos que o antecedem: “a política é semelhante à arte num ponto essencial. Também ela consiste em romper a grande metáfora que faz deslizar as palavras e as imagens umas sobre as outras para produzir a evidência sensível de uma ordem do mundo. Também ela consiste em construir mensagens inéditas de palavras e de acções, em dar a ver palavras transportadas por corpos em movimento para fazer ouvir o que eles dizem e produzir uma outra articulação do visível e do dizível.” Jacques Rancière estará presente na Cinemateca no dia 15 para animar uma conversa e apresentar THE GRAPES OF WRATH, filme por si escolhido para o encerramento do programa que começa logo no primeiro dia de Março, e sobre o qual escreveu o brilhante texto: “Les pieds du héros”.

Ter. [01] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

ÉLOGE DE L’AMOUR

O Elogio do Amor de Jean-Luc Godard

com Bruno Putzulu, Cecile Camp, Jean Davy, Françoise Verny França, 2001 - 97 min / legendado em português Sempre igual a si mesmo, sempre diferente, cada filme de Jean Luc-Godard é uma pedrada no charco de uma produção globalizada e cada vez mais “uniforme”. ÉLOGE DE L’AMOUR está construído em duas partes cronologicamente invertidas. Enquanto a primeira “conta” as tentativas de um realizador para levar a cabo um projecto de filme sobre o “amor”, a segunda, num tom distinto, mostra-nos o seu encanto, três anos antes, com a mulher-intérprete do filme. ÉLOGE DE L’AMOUR volta a ser apresentado no final do mês no contexto do Ciclo “Elogio de Jean-Luc Godard”.

Qua. [02] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

FRANCESCO GIULLARE DI DIO

O Santo dos Pobrezinhos de Roberto Rossellini

com Aldo Fabrizi, Arabella Lemaître, Frei Nazario Gerardi, Padre Roberto Sorrentino, Frade Nazareno, Peparuolo e os frades do convento de Maiori e Baronissi Itália, 1950 - 75 min / legendado em português

Episódios da vida de S. Francisco de Assis, numa das mais austeras obras de Roberto Rossellini, que aplica à época da acção as “técnicas” neo-realistas de ROMA, CITTÀ APERTA e PAISÀ. Totalmente filmado em exteriores e só com dois actores profissionais, é uma lição de humildade na forma e no tema, a propósito do patrono dos simples e dos humildes – “é o estilo que também é franciscano” (Rudolf Thome). Dividido em onze episódios, é um filme de uma limpidez despojada

e essencial, que tanto parece antecipar algumas coisas da futura fase “televisiva” de Rossellini como abrir um caminho por onde enveredarão, anos mais tarde, certas obras de Straub e Huillet.

Qui. [03] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

LA NUIT DU CARREFOUR de Jean Renoir com Pierre Renoir, Georges Térof, Winna Winfried França, 1932 - 75 min / legendado em português Personagens de Dostoievski no cenário de Une Ténebreuse Affaire de Balzac, como disse Jean-Luc Godard. Este filme assinala a primeira aparição no cinema da personagem criada por Simenon, o inspector Maigret, interpretada pelo irmão do realizador, Pierre Renoir. Um filme estranho e elíptico, que em nada se aparenta

a um filme policial “normal”, feito no início do período mais fértil e mais variado da obra de Renoir, que filma a noite e o nevoeiro como nunca tinha sido feito.

Qui. [03] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

JUVENTUDE EM MARCHA de Pedro Costa com Alberto Barros “Lento”, Antonio Semedo “Nhurro”, Ventura, Vanda Duarte Portugal, França, Suíça, 2006 - 155 min / legendado em português

Pedro Costa voltou à comunidade do Bairro das Fontaínhas, depois de OSSOS e NO QUARTO DA VANDA: “Em JUVENTUDE EM MARCHA, o bairro está já destruído

e segue um dos seus residentes, Ventura. É um filme sobre um homem que carrega um passado, um homem com fantasmas. O filme também lida com a relação filial (…). É uma história de fidelidade ao nascimento de um bairro, e Ventura contribui muito para esta história de fidelidade ”.

Sex. [04] 22:00 | Sala Luís de Pina

Qua. [09] 22:00 | Sala Luís de Pina

ROSETTA Rosetta de Luc e Jean-Pierre Dardenne com Emile Dequenne, Frabrizio Ringione, Anne Yernaux Bélgica, França, 1999 - 95 min / legendado em português Um dos filmes que esteve na origem do “escândalo” do palmarés de Cannes 99, quando o júri presidido por David Cronenberg o escolheu para vencedor da Palma de Ouro. Independentemente das discussões sobre a justiça desse prémio, ROSETTA é um bom exemplo do atípico cinema “social” praticado pelos irmãos Dardenne. Há uma “fúria” quase psicopata na personagem de Rosetta (que a câmara persegue como perseguiria um animal selvagem), e isso é suficiente para gerar uma incomodidade que nunca deixa que o filme amoleça ou se transforme na exposição de uma tese.

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MARÇO/2011

Qua. [09] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

MOUCHETTE Amor e Morte de Robert Bresson com Nadine Nortier, Jean-Claude Guilbert, Marie Cardinal França, 1967- 78 min / legendado em português Depois de JOURNAL D’UN CURÉ DE CAMPAGNE, MOUCHETTE marca um novo encontro entre Robert Bresson e Georges Bernanos: Nouvelle Histoire de Mouchette

é o ponto de partida do argumento à volta da personagem de Mouchette. Um filme desesperado e belíssimo. O filme está também programado no contexto do Ciclo “The Art of Dying”.

Qui. [10] 22:00 | Sala Luís de Pina

L’ANGLAISE ET LE DUC

A Inglesa e o Duque

de Eric Rohmer com Jean-Claude Dreyfus, Lucy Russell, Alain Libolt, Charlotte Véry França, 2001 - 129 min / legendado em português Em mais um meandro inesperado na sua obra, Rohmer aborda, à sua maneira, o “filme histórico”. Na verdade, nos seus trabalhos para a televisão nos anos 60, realizou muitas obras pedagógicas, das quais há certos resíduos neste filme. Situado durante a Revolução Francesa, o filme gira em torno da amizade entre uma inglesa instalada em Paris e o Duque de Orléans, que tenta manobrar no meio da tempestade política e entrou para a história com o cognome de “Philippe Égalité”, por ter votado a morte do seu primo, o rei Luís XVI. Ao invés de reconstituir cenários de época, Rohmer filma em interiores e utiliza, para os exteriores, trucagens em computador que ecoam as técnicas dos primórdios do cinema.

Sex. [11] 19:30 | Sala Luís de Pina

MY CHILDHOOD de Bill Douglas com Stephen Archibald, Hughie Restorick, Jean Taylor Smith, Bernard McKenna Grã-Bretanha, 1972 - 45 min / legendado electronicamente em português

MY AIN’ FOLK de Bill Douglas

com Stephen Archibald, Hughie Restorick, Jean Taylor Smith, Bernard McKenna Grã-Bretanha, 1973 - 55 min / legendado electronicamente em português

O escocês Bill Douglas (1934-91) realizou nos anos 70 uma obra breve e de grande qualidade artística. A preto e branco, num estilo sóbrio e intenso, em que

alguns viram ecos de Bresson, MY CHILDHOOD (Leão de Prata no Festival de Veneza) e MY AIN’ FOLK formam as duas primeiras partes do que viria a ser uma trilogia autobiográfica sobre a sua infância e adolescência. Douglas fez questão de usar os mesmos actores para retraçar a sua infância num meio proletário, na GrãBretanha dos anos 40. São dois filmes austeros do ponto de vista formal, mas também de grande força emocional, na sua evocação sem sentimentalismos de uma infância num mundo hostil. Um importante realizador a (re)descobrir.

Seg. [14] 22:00 | Sala Luís de Pina

DALLE NUBE ALLA RESISTENZA “Das Nuvens à Resistência” de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet com Olimpia Carlisi, Guido Lombardi, Gino Felice Itália, 1979 - 104 min / legendado em português Baseado em dois textos de Cesare Pavese (Dialoghi com Leucò e La Luna e i Falò), este filme vai “da nuvem, ou seja da invenção dos deuses pelos homens, até à resistência quase imediata”. Um dos filmes preferidos de Straub-Huillet e um dos mais belos entre aqueles que fizeram na “casa da língua italiana”. Ao mesmo tempo metáfora e reflexão, inclusive sobre a forma cinematográfica, uma rigorosa obra-prima.

Ter. [15] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

ENCONTRO COM JACQUES RANCIÈRE Jacques Rancière virá à Cinemateca animar uma sessão de conversa, onde os filmes vistos ao longo do Ciclo que lhe dedicámos serão por certo um tema importante. O filósofo ficará connosco para a sessão das 21h00, quando introduzirá a projecção de THE GRAPES OF WRATH, de Ford.

Ter. [15] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE GRAPES OF WRATH As Vinhas da Ira de John Ford com Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Charles Grapewin, Ward Bond Estados Unidos, 1940 - 129 min / legendado em português Um dos retratos mais duros do cinema americano sobre a terrível situação de muitos agricultores americanos durante a Grande Depressão. THE GRAPES OF WRATH adapta o romance homónimo de John Steinbeck sobre o périplo dos agricultores do Oklahoma arruinados por uma desastrosa seca na década de 30 e expulsos das suas terras pelos bancos, rumo à “terra prometida” da Califórnia. No papel principal, Henry Fonda tem uma das maiores criações da sua carreira. Um filme duro, com um tom inegavelmente “de esquerda” (“We are the people”), que mostra que John Ford, embora conservador, tinha as suas contradições. Foi o segundo Oscar de Ford como melhor realizador e o filme em que Jane Darwell conquistou o Oscar de melhor actriz secundária.

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MARÇO/2011

THE ART OF DYING

Foi um crítico americano quem falou da “art of dying”, da “arte de morrer”, evocando Margaret Sullavan e a profunda beleza das várias cenas em que, especialmente nos melodramas de Frank Borzage (como THREE COMRADES), as suas personagens morreram no ecran. O cinema não inventou esta “arte de morrer”, esta atribuição de uma nobreza, de uma beleza ou, no limite, apenas de um significado, ao momento (ao acto) da morte física – está na tragédia clássica, está na religião, está em séculos de pintura e de literatura. Mas pelas suas características e necessidades próprias reformulou-a e, se assim se pode dizer, popularizou-a:

quase não há filme em que não se veja alguém a morrer ou em que não se dê pela morte de alguém. Não se trata, neste Ciclo, de interrogar as “representações” da morte, nem de saber se a morte é um “irrepresentável” ou, pelo contrário, algo que só se torna suportável quando é ficção e representação. Mas antes, pegando justamente na ficção e na representação, procurar alguns exemplos supremos do modo como o cinema explorou, aperfeiçoou, exacerbou, esta “arte de morrer”, no limite confundindo-a (e este, no fundo, é o ponto) com a “arte da mise en scène”. Da imperatriz de Mizoguchi ao caçador de Cimino, do último dos homens de Murnau ao Pierrot de Godard. E, obviamente, a Sullavan.

Ter. [01] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Qua. [02] 22:00 | Sala Luís de Pina

YOKIHI “A Imperatriz Yang Kwei Fei” de Kenji Mizoguchi com Machiko Kyo, Masayuki Mori, So Yamamura Japão, 1955 - 91 min / legendado em português YOKIHI, adaptação de uma história chinesa situada no século IX, é um dos mais célebres títulos de Mizoguchi e o seu primeiro filme a cores. E essas cores são fabulosas, num filme em que Machiko Kyo dá corpo a um genial retrato feminino, sobre um shakespeariano fundo de lutas de poder e intrigas políticas. Um assombro.

Qua. [02] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Qui. [03] 19:30 | Sala Luís de Pina

THREE COMRADES Três Camaradas de Frank Borzage com Margaret Sullavan, Robert Taylor, Franchot Tone, Robert Young, Guy Kibbee Estados Unidos, 1938 - 98 min / legendado em português Um dos mas luminosos melodramas de Frank Borzage, co-escrito por F. Scott Fitzgerald, com base num romance de Erich Maria Remarque, ambientado na Alemanha pré-nazi. Três jovens soldados, amigos de longa data, partilham o amor pela mesma mulher, que está a morrer de tuberculose e que com a sua força os ajuda a transcender o drama. Interpretações fulgurantes, e uma Margaret Sullavan mais radiosa do que nunca.

Qui. [03] 22:00 | Sala Luís de Pina

LETTER FROM AN UNKNOWN WOMAN Carta de uma Desconhecida de Max Ophuls com Joan Fontaine, Louis Jourdan, Mady Christians Estados Unidos, 1948 - 90 min / legendado em português Um dos filmes mais belos e mais amados de Ophuls, baseado num conto de Stefan Zweig. A história do amor que uma mulher sentiu durante toda a vida por um homem, que só se dá conta disto na véspera de morrer. Situado, como LIEBELEI, na Viena do Imperador Francisco José, este talvez seja o filme em que a mise-en- scène de Ophuls mais atinge a perfeição, com um equilíbrio absoluto entre a elegância formal e a emoção. Excepcional desempenho de Joan Fontaine.

Sex. [04] 19:30 | Sala Luís de Pina

DET SJUNDE INSEGLET

O Sétimo Selo de Ingmar Bergman

com Max von Sydow, Bengt Ekerot, Bibi Andersson, Gunnar Björnstrand, Nils Poppe Suécia, 1959 - 90 min / legendado em português Um dos filmes mais célebres de Bergman, que lhe trouxe o definitivo reconhecimento internacional. Bergman aborda de modo alegórico temas que retomou de modo mais directo em outros filmes: a morte, o sentido das coisas. No século XIV, durante uma epidemia de peste, um cavaleiro joga xadrez com a morte. O homem quer saber, já não quer acreditar sem ter dúvidas. Mas a morte não sabe o que há para além da morte, pois ela é apenas a morte. As imagens a preto e branco são das mais belas de toda a obra de Bergman.

Qua. [09] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

MOUCHETTE Amor e Morte de Robert Bresson com Nadine Nortier, Jean-Claude Guilbert, Marie Cardinal França, 1967- 78 min / legendado em português Ver entrada no Ciclo “Jacques Rancière – Curtas Viagens ao País do Povo”.

Qua. [09] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

À BOUT DE SOUFFLE

O Acossado de Jean-Luc Godard

com Jean Paul Belmondo, Jean Seberg, Daniel Boulanger

França, 1960 - 90 min / legendado em português

O filme está também programado no contexto do Ciclo “Elogio de Jean-Luc Godard”. Ver entrada respectiva.

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MARÇO/2011

Qui. [10] 19:30 | Sala Luís de Pina

Sex. [11] 22:00 | Sala Luís de Pina

DER LETZTE MANN

O Último dos Homens

de F. W. Murnau

com Emil Jannings, Maly Delschaft, Emilie Kurtz, Max Hiller, Georg John Alemanha, 1924 - 75 min / mudo, sem intertítulos

A obra-prima do Kammerspiel, a corrente “realista” do cinema mudo alemão, cujo principal teórico foi o argumentista Carl Mayer. Um brilhante exercício de

cinema (o planosequência inicial que ficou famoso; ausência de intertítulos) que é também uma crítica ao culto do uniforme. Sem ele, o porteiro de um grande hotel (a criação maior de Emil Jannings) fica reduzido a ser o “último dos homens”. Um happy-end foi acrescentado pelos produtores ao sombrio final.

Sex. [11] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

ONLY ANGELS HAVE WINGS Paraíso Infernal de Howard Hawks com Cary Grant, Jean Arthur, Richard Barthelmess, Thomas Mitchell, Rita Hayworth Estados Unidos, 1939 - 117 min / legendado electronicamente em português Howard Hawks realizou obras-primas em quase todos os géneros do cinema de Hollywood (musicais, comédias, westerns, filmes “negros”) e também em filmes de aviação, de que ONLY ANGELS HAVE WINGS é exemplo. Protagonista do filme, Cary Grant, explicava assim o segredo da sua atracção: “I play myself”. Em ONLY ANGELS HAVE WINGS, ele é o homem que nunca tem lume e atira sempre uma moeda (sem coroa) ao ar perante uma dúvida. A quintessência do cinema de Howard Hawks: um filme de aviadores, de sacrifício por amor e de heróis suicidários. Um dos mais belos filmes do mundo.

Seg. [14] 19:30 | Sala Luís de Pina

ANGEL FACE Vidas Inquietas de Otto Preminger com Robert Mitchum, Jean Simmons, Herbert Marshall Estados Unidos, 1953 - 90 min / legendado electronicamente em português “O único pesadelo lírico do cinema”, segundo as palavras de Ian Cameron, mostra Jean Simmons como uma jovem da alta burguesia que é um “anjo da morte” e acaba por se destruir a si própria. Sombrio melodrama com conotações psicanalíticas, ANGEL FACE é também uma variação sobre o tema da mulher maléfica, tão presente no cinema americano deste período. Mitchum é o seu amante, um homem que ela arrasta para o crime e que é incapaz de dominar a situação.

Seg. [14] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

DISHONORED

Fatalidade

de Josef von Sternberg com Marlene Dietrich, Victor McLaglen, Lew Cody, Warner Oland, Gustav von Seyffertitz Estados Unidos, 1931 - 91 min / legendado em português No “duelo” que as duas divas dos anos 30, Marlene e Greta Garbo, travaram por imposição dos estúdios (Paramount e MGM, respectivamente), DISHONORED é uma resposta a MATA HARI, interpretada pela segunda. E é imensamente superior, não só pela qualidade da encenação de Sternberg, naquele que talvez seja o seu filme mais venenoso e fetichista, como pela imagem transmitida por Marlene, de um erotismo inultrapassável, na figura de uma espia (Agente X27) que se deixa matar por amor durante a primeira grande guerra. A cena do fuzilamento é uma das mais provocantes do cinema americano antes do código da censura.

Ter. [15] 19:30 | Sala Luís de Pina

PIERROT LE FOU Pedro, o Louco de Jean-Luc Godard

com Jean-Paul Belmondo, Anna Karina, Samuel Fuller França, 1965 - 109 min / legendado em português

O filme está também programado no contexto do Ciclo “Elogio de Jean-Luc Godard”. Ver entrada respectiva.

Ter. [15] 22:00 | Sala Luís de Pina

FRANCISCA de Manoel de Oliveira com Teresa Meneses, Diogo Dória, Manuela de Freitas, Mário Barroso, João Guedes Portugal, 1981 - 167 min FRANCISCA é o filme da última heroína da “tetralogia dos amores frustrados” (interpretada por Teresa Meneses). Oliveira filma a partir do romance Fanny Owen

de Agustina Bessa-Luís, escrito com base em factos verídicos (Porto, século XIX, círculo intelectual e boémio de que fazia parte Camilo Castelo Branco). FRANCISCA

é um filme de espelhos e reflexos. Uma das obras máximas de Oliveira.

Qua. [16] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE GHOST AND MRS. MUIR

O Fantasma Apaixonado

de Joseph L. Mankiewicz com Gene Tierney, Rex Harrison, George Sanders, Anna Lee, Natalie Wood Estados Unidos, 1947 - 104 min / legendado em português

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MARÇO/2011

Há quem o considere o mais belo filme do mundo. THE GHOST AND MRS. MUIR conta a mais estranha história de amor, a que une uma jovem ao fantasma de um capitão da marinha, antigo proprietário da mansão que ela foi habitar. Amor a que será fiel durante toda a vida terrena e que se prolongará pela eternidade. Um par de eleição, Tierney e Harrison, num filme em estado de graça.

Qui. [17] 22:00 | Sala Luís de Pina

GHOST DOG: THE WAY OF THE SAMURAI Ghost Dog: O Método do Samurai de Jim Jarmusch com Forest Whitaker, Henry Silva, Isaach de Bankolé Estados Unidos, 1999 - 116 min / legendado em português Num certo sentido, na obra de Jarmusch, GHOST DOG está para o “filme de gangsters” como DEAD MAN para o western. História urbana e melancólica, não isenta

de um humor sibilino, sobre um “hit man” ao serviço de uma associação mafiosa, que tem uma particular devoção pelos códigos de honra dos antigos samurais.

É um dos melhores filmes de Jarmusch, rigoroso e expressivo no seu balanço entre heranças culturais clássicas (não apenas cinematográficas) e ambientes e referências contemporâneas. Forest Whitaker compõe um sublime protagonista.

Sex. [18] 19:30 | Sala Luís de Pina

SANDS OF IWO JIMA

O Inferno de Iwo Jima

de Allan Dwan com JOHN WAYNE, John Agar, Adele Mara, Forrest Tucker Estados Unidos, 1949 - 100 min / legendado em português

Um dos melhores filmes de guerra da história do cinema. Allan Dwan deu ao seu filme um tom documental que deixa uma sensação de real em quem o vê. Todas

as cenas foram reconstituídas mas muitas delas parecem ser tiradas de documentários. Os actores passaram por severos treinos à semelhança dos verdadeiros

“marines” que formam a enorme massa de figurantes. John Wayne, no tradicional papel do sargento duro, mas que vela pelos seus soldados, recebeu aqui a primeira nomeação para o oscar.

Sex. [18] 22:00 | Sala Luís de Pina

Seg. [21] 22:00 | Sala Luís de Pina

LE NOUVEAU TESTAMENT de Sacha Guitry com Sacha Guitry, Jacqueline Delubac, Christian Gérard, Betty Daussmond, Pauline Carton França, 1936 – 96 min / legendado electronicamente em português Foi o primeiro dos cinco filmes realizados por Sacha Guitry em 1936, baseado na sua peça homónima levada à cena em Paris no ano anterior e com o mesmo elenco daquela. O “novo testamento” do título não é bíblico, antes refere um acto cometido pelo protagonista da história, interpretado pelo próprio Guitry. A comédia ao melhor estilo de Guitry, com uma intriga recheada de mal entendidos e reviravoltas, diálogos velozes e tiradas de inspiração totalmente incorrecta. Por exemplo: “Une femme qui s’en va avec son amant n’abandonne pas son mari, elle le débarrasse d’une femme infidèle” O filme teve uma única exibição na Cinemateca, em 1994, por altura da retrospectiva “Sacha Guitry: A Necessária Revisão.”

Seg. [21] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

JOHN CARPENTER’S CIGARETTE BURNS de John Carpenter com Norman Reedus, Udo Kier, Gary Hetherington Estados Unidos, 2005 - 59 minutos / legendado electronicamente em português Episódio 8º da primeira temporada da série de televisão Masters of Horror. CIGARETTE BURNS é a história de um “descobridor de filmes”, contratado por um coleccionador (sensacional Udo Kier) para encontrar o filme que lhe falta na colecção: um “snuff movie” chamado La Fin Absolue du Monde, que provocou o caos quando foi exibido nos anos 70, e logo a seguir presumivelmente destruído. Nunca ninguém filmou assim a “pulsão cinéfila”.

Ter. [22] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

HIGH SIERRA

O Último Refúgio

de Raoul Walsh

com Humphrey Bogard, Ida Lupino, Arthur Kennedy, Joan Leslie, Cornel Wilde Estados Unidos, 1941 - 95 min / legendado em português

O filme que fez de Bogart uma vedeta. HIGH SIERRA adapta uma popular novela de W.R. Burnett e é a história de um gangster envelhecido, “Mad Dog” Earle, que

vai realizar um último assalto, acabando alvo de uma gigantesca perseguição na montanha. Walsh refez o filme como western em COLORADO TERRITORY. Um dos grandes papéis de Humphrey Bogart, que no ano anterior se tornara tardiamente vedeta (aos 41 anos), com THE MALTESE FALCON.

Ter. [22] 22:00 | Sala Luís de Pina

TIM BURTON’S CORPSE BRIDE De Tim Burton: A Noiva Cadáver de Tim Burton, Mike Johnson com Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Emily Watson, Albert Finney, Richard E. Grant, Christopher Lee (vozes) Estados Unidos, 2005 - 76 min / legendado em português Neste filme, ao arrepio do ar do tempo, Tim Burton voltou à animação “stop motion”, ou seja, por volume, artesanalmente fabricada imagem a imagem com bonecos

a três dimensões, com que se estreou em VINCENT, a sua primeira curta-metragem. O universo é fantástico, romântico e gótico. A história, de convívio permanente entre o mundo dos vivos e dos mortos, de termos invertidos: o mundo dos vivos é taciturno e o mundo dos mortos garrido, animado ao ritmo do jazz.

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MARÇO/2011

Qua. [23] 19:30 | Sala Luís de Pina

KING KONG King Kong de Merian C. Cooper, Ernest B. Schoedsack com Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot Estados Unidos, 1933 - 100 min / legendado em português Uma versão delirante de A Bela e o Monstro. Um filme que marca uma data na história do cinema, em parte por causa dos extraordinários efeitos especiais de

Willis O’Brien: numa ilha dos mares do Sul, uma equipa de cinema descobre um mundo pré-histórico e captura o lendário gorila gigante King Kong. A paixão da fera pela bela Fay Wray será o seu fim na famosa sequência do Empire State Building. KING KONG foi objecto de algumas paródias e dois remakes, em 1976 e em

2005.

Qua. [23] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE WINGS OF EAGLES

A Águia Voa ao Sol

de John Ford com John Wayne, Maureen O’Hara, Dan Dailey, WARD BOND, Ken Curtis, Estados Unidos, 1957 - 110 min / legendado em português Fabulosa homenagem à Marinha dos Estados Unidos, assinada pelo Almirante John Ford, que aqui retrata a vida de Frank “Spig” Wead que foi seu argumentista (AIR MAIL, THEY WERE EXPENDABLE) e onde WARD BOND interpreta a figura de um realizador de cinema, que é o próprio Ford. Wayne e O’Hara (o par favorito de Ford) num dos seus grandes momentos de cinema.

Sex. [25] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Seg. [28] 22:00 | Sala Luís de Pina

VERTIGO

A Mulher Que Viveu Duas Vezes

de Alfred Hitchcock com James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore Estados Unidos, 1958 - 128 min / legendado em português Duas mulheres que são uma só e um homem que numa procura recriar a imagem que tem da “outra”. Diz-se que Hitchcock só filmou histórias de amor. Se dúvidas houvesse, VERTIGO dissipava-as. É só a paixão (que chega à necrofilia) que motiva o protagonista desta obra-prima de Hitch. O crime, a intriga policial, aqui, não são mais do que o clássico “macguffin”, de tal modo que o espectador se esquece que o crime fica sem castigo. O saber de Hitchcock iludiu todas as censuras. Algumas das mais inebriantes cenas de VERTIGO passam-se dentro de um museu, com Kim Novak inebriada face ao quadro que a obceca fazendo de James Stewart um espectador inebriantemente obcecado por ela.

Sex. [25] 22:00 | Sala Luís de Pina

Ter. [29] 19:30 | Sala Luís de Pina

LA VIE D’UN HONNÊTE HOMME de Sacha Guitry com Michel Simon, Marguerite Pierry, Lana Marconi, Laurence Badie, Louis de Funès França, 1953 - 93 min / legendado electronicamente em português Um dos filmes mais cínicos de Sacha Guitry, que dizia em LA POISON que o crime compensa e diz, com LA VIE D’UN HONNÊTE HOMME, que a honestidade pode ser um mal e incriminar uma pessoa, como se depreende do “jogo” que conta no filme. Jogo entre dois irmãos gémeos, um, senhor de alto estatuto social, burguês estabelecido, e o outro um vagabundo, que trocam de vida e posição. Michel Simon fez esse duplo papel.

Seg. [28] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

MOONFLEET

O Tesouro de Barba Ruiva

de Fritz Lang

com Stewart Granger, Jon Whiteley, Joan Greenwood, George Sanders, Viveca Lindfors Estados Unidos, 1955 - 87 min / legendado em português

O universo de Stevenson, entre Treasure Island e Kidnapped, não teve melhor versão no cinema do que nesta obra-prima de Fritz Lang, que adapta o livro de

outro escritor, J. Meade Falkner. A estranha história de um garoto, órfão, que se liga de amizade com um contrabandista. Juntos, partem à descoberta do fabuloso diamante do Barba-Ruiva, escondido na cisterna de uma fortaleza

Qua. [30] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

Qui. [31] 22:00 | Sala Luís de Pina

THE DEER HUNTER

O Caçador

de Michael Cimino com Robert De Niro, Christopher Walken, John Savage, John Cazale, Meryl Streep, George Dzundza Estados Unidos, 1978 - 183 min / legendado em francês

Dos aceiros da Pensilvânia às selvas do Vietname, da bucólica paisagem onde os amigos caçam veados, à febril e mórbida atmosfera de Saigão em plena derrocada

e retirada do exército americano, Michael Cimino leva-nos por uma viagem “ao fim do inferno”, como muito bem diz o título francês, e que é também uma reflexão sobre a América de hoje.

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MARÇO/2011

Qui. [31] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

GRAN TORINO Gran Torino de Clint Eastwood com Clint Eastwood, Geraldine Hughes, Cory Hardrict, John Carroll Lynch, Doua Moua Estados Unidos, 2008 - 116 min / legendado em português

GRAN TORINO é um Clint Eastwood com Clint Eastwood e foi anunciado como o último em que este ocupa duplamente o lugar de realizador-actor. Clint volta aqui

a protagonizar um filme seu, compondo uma impressionante e assombrada personagem. A história coloca-o na pele de velho reformado e rabugento, proprietário de um Ford Gran Torino de estimação, e oferece-lhe uma oportunidade de redenção e passagem de testemunho quando o seu caminho se cruza com o de um jovem vizinho e a família dele. É o filme de uma das mais estarrecedoras mortes no cinema.

CLÁSSICOS ÀS MATINÉS

O programa de clássicos deste mês é composto por um conjunto de filmes bastante heteróclitos que cruzam os vários géneros: um filme negro de Anthony Mann

(RAW DEAL), um melodrama de Frank Borzage (MOONRISE), uma das grandes comédias de Cukor (ADAM’S RIB), um Hitchcock britânico (RICH AND STRANGE), entre muitos outros. Em estreia absoluta nestas salas, exibimos ANNIE GET YOUR GUN, de George Sidney, com Betty Hutton como “rainha do circo”, e damos a ver vários títulos que há muito não são vistos por aqui: THE PRODUCERS, comédia hilariante de Mel Brooks que retrata os meandros do mundo do teatro; THE STORY OF LOUIS PASTEUR, “biopic” do cientista realizado por William Dieterle em plena década de 30; BORN TO BE BAD, a longa-metragem de Nicholas Ray com

a muito jovem Joan Fontaine num raro papel de “má da fita”; e THE BAT, que conta com a magnífica interpretação de Vincent Price, numa das suas “assustadoras” prestações cinematográficas.

Ter. [01] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE ANGRY HILLS As Colinas da Ira de Robert Aldrich com Robert Mitchum, Elisabeth Müller, Stanley Baker, Gia Scala Grã-Bretanha, 1959 - 104 min / legendado em português Adaptado de um romance de Leon Uris, THE ANGRY HILLS tem por pano de fundo a resistência dos ocupantes nazis na Grécia durante a II Guerra Mundial. Mitchum é um soldado americano que, acidentalmente, se torna conhecedor de uma lista secreta de colaboradores nazis, pelo que se torna alvo de uma caçada, tanto por parte destes como da Resistência.

Qua. [02] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

RICH AND STRANGE de Alfred Hitchcock com Henry Kendall, Joan Barry, Betty Ammann, Percy Marmont Grã-Bretanha, 1931 - 82 min / legendado electronicamente em português “É a história de um jovem casal que ganhou uma grande soma de dinheiro e que resolve fazer uma viagem à volta do mundo. (…) Gosto muito deste filme e merecia ter tido êxito” (Hitchcock). Talvez um dos mais interessantes filmes ingleses de Hitch pelas ideias visuais que contém.

Qui. [03] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

LA TRAVERSÉE DE PARIS Ao Longo de Paris de Claude Autant-Lara com Jean Gabin, Bourvil, Louis de Funès, Jeannette Batti França, Itália, 1956 - 80 min / legendado em português Em 1943, com Paris ocupada pelos alemães, dois homens atravessam a cidade clandestinamente, transportando carne de porco destinada ao mercado negro. Por detrás deste filme estão ajustes de contas de pessoas que tiveram atitudes bem pouco rebeldes durante a Ocupação, como o realizador Autant-Lara e o autor do conto que serviu de ponto de partida para o filme, Marcel Aymé. O contraste entre os estilos muito diferentes dos três actores principais é um dos pontos de interesse do filme. Autant-Lara fez tirar em película a cor o negativo a preto e branco, para conseguir o efeito que queria.

Sex. [04] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

RAW DEAL Destino em Segunda Mão de Anthony Mann com Dennis O’Keefe, Claire Trevor, Marsha Hunt, John Ireland, Raymond Burr Estados Unidos, 1948 - 78 min / legendado electronicamente em português Com a ajuda da amante, um homem foge da prisão onde se encontrava falsamente acusado pelos sócios, disposto a vingar-se. Rapta uma assistente social para lhe servir de refém, mas acaba por se apaixonar por ela. Ao lado de T-MEN, é o trabalho mais importante de Mann deste período, um fabuloso filme “negro”, magnificamente fotografado por John Alton.

Qua. [09] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

ADAM’S RIB

A Costela de Adão

de George Cukor com Spencer Tracy, Katharine Hepburn, Judy Holliday, Tom Ewell

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MARÇO/2011

Estados Unidos, 1949 - 101 min / legendado em português Segundo filme do trio Cukor-Tracy-Hepburn, é uma das mais famosas comédias do realizador. O argumento de Garson Kanin e Ruth Gordon tem por tema uma verdadeira “guerra de sexos” em que se envolvem dois casais. Tracy e Hepburn vão enfrentar-se na barra do tribunal à volta do julgamento de uma mulher acusada de ter baleado o marido, que surpreendera com outra.

Qui. [10] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

BORN TO BE BAD

A Deusa do Mal

de Nicholas Ray com Joan Fontaine, Robert Ryan, Zachary Scott, Mel Ferrer Estados Unidos, 1950 - 89 min / legendado em português Em BORN TO BE BAD Nicholas Ray subverte todas as expectativas no que respeita a Joan Fontaine, que abandona aqui a sua habitual faceta de boa rapariga. Fontaine é Christabel, jovem que engana tudo e todos com as suas doces maneiras, decidida a triunfar num mundo moralmente desprezível. Ray revela toda a sua mestria na utilização dos espaços interiores para a caracterização das personagens que os habitam, para o que contribui a notável fotografia a de Nicholas Musuraca.

Sex. [11] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

TILL GLADJE Rumo à Felicidade de Ingmar Bergman com Maj-Britt Nilsson, Stig Olin, Victor Sjöström Suécia, 1949 - 97 min / legendado em português Ingmar Bergman dirigiu pela primeira vez o seu mestre Victor Sjöström num papel à sua medida: o de um maestro que dirige com mão de ferro uma orquestra. Stig Olin é o músico que, durante um concerto, recorda a sua relação com uma mulher morta num acidente.

Seg. [14] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

ANNIE GET YOUR GUN

A Rainha do Circo

de George Sidney com Betty Hutton, Howard Keel, Louis Calhern, Edward Arnold, Keenan Wynn Estados Unidos, 1950 - 107 min / legendado electronicamente em português Musical levemente baseado numa história verídica, ANNIE GET YOUR GUN surgiu envolto em inúmeros problemas de produção. George Sidney é o terceiro realizador que trabalha no projecto (depois de Busby Berkeley e Charles Walters) e Betty Hutton sucede a Judy Garland no papel de Annie Oakley, a grande “atiradora” que desafia o seu companheiro e rival. Primeira exibição na Cinemateca.

Ter. [15] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

ELENA ET LES HOMMES Helena e os Homens de Jean Renoir com Ingrid Bergman, Jean Marais, Mel Ferrer França, Itália, 1956 - 92 min / legendado em português Um puro “divertimento”, em que Renoir, segundo as suas próprias palavras, se divertiu “como um rei”, sem preocupações de lógica e deixando-se arrastar pelo improviso, estilo perfeito para esta comédia ligeira, tão séria como o prazer, sobre a viúva de um príncipe polaco que se julga destinada a servir de musa a homens célebres. Um deles será um general, arrastado para uma aventura política na França da “Belle Époque”. Já houve quem dissesse que era o mais mozartiano filme de sempre.

Qua. [16] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

MOONRISE Consciência em Paz de Frank Borzage com Dane Clark, Gail Russell, Ethel Barrymore Estados Unidos, 1948 - 86 min / legendado em português MOONRISE foi um dos últimos filmes de Borzage, mestre insuperável do melodrama. Em MOONRISE encontram-se todos os temas que acompanham a obra de Borzage, em especial o do amor e do sacrifício que redime todas as faltas. O filho de um enforcado por um crime de morte sofre na pele a marginalização dos vizinhos, acabando por repetir a situação do pai.

Qui. [17] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE FLAME AND THE FLESH

de Richard Brooks com Lana Turner, Pier Angeli, Carlos Thompson, Bonar Colleano Estados Unidos, 1954 - 104 min / legendado em português

O filme menos conhecido de Richard Brooks que não teve direito a estreia em Portugal. Será talvez o mais fraco dos seus trabalhos, mas ver Lana Turner num

típico (e estereotipado) papel de “devoradora de homens”, seduzindo, sob o céu de Nápoles, o jovem compositor Bonar Colleano e o cantor Carlos Thompson, justificará o seu visionamento.

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MARÇO/2011

Sex. [18] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE PRODUCERS

O Falhado Amoroso

de Mel Brooks

com Zero Mostel, Gene Wilder, Dick Shawn, Kenneth Mars, Estelle Winwood Estados Unidos, 1967 - 89 min / legendado em português

A primeira longa-metragem de Mel Brooks é frequentemente apontada como o seu melhor filme. Comédia satírica, centra-se na peculiar aspiração de uma dupla

formada por um produtor teatral (Zero Mostel) e por um contabilista (Gene Wilder) que procuram levar à cena a pior peça de sempre, de modo a garantir que esta seja um autêntico flop. A peça, Springtime for Hitler, corresponde aos momentos mais hilariantes de THE PRODUCERS. Oscar para melhor argumento.

Seg. [21] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

OUR DAILY BREAD

O Pão Nosso de Cada Dia

de King Vidor com Karen Morley, Tom Keene, Barbara Pepper, John Qualen Estados Unidos, 1934 - 73 min / legendado em português

É um dos mais impressivos retratos dos tempos da Depressão nos Estados Unidos e conta a história de um casal de citadinos atingidos pela crise, que regressa ao campo, formando uma comunidade agrícola com outros na mesma situação. Um dos grandes momentos do cinema: a construção da conduta de água para a plantação.

Ter. [22] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE STORY OF LOUIS PASTEUR

A Vida de Pasteur

de William Dieterle com Paul Muni, Josephine Hutchinson, Anita Louise, Donald Woods Estados Unidos, 1936 - 84 min / legendado electronicamente em português

Biografia do grande cientista Louis Pasteur, que retrata as suas dificuldades em convencer as autoridades francesas a aceitarem as descobertas revolucionárias, que regem até os dias de hoje o comportamento da classe médica. Paul Muni recebeu o Oscar de melhor actor. THE STORY OF LOUIS PASTEUR há muito que não

é visto na Cinemateca.

Qua. [23] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

YANKEE DOODLE DANDY Canção Triunfal de Michael Curtiz com James Cagney, Joan Leslie, Walter Huston, Richard Whorf Estados Unidos, 1942 - 123 min / legendado em português Típico projecto de estúdio (a Warner Bros), YANKEE DOODLE DANDY é simultaneamente um dos melhores filmes de Curtiz e um dos melhores filmes de James Cagney, que também ganhou o Oscar de melhor actor com esta obra. “Biopic” de George M. Cohan, “the greatest american light entertainer of the early 20th

century”, ou, por outras palavras, o homem que dominou a Broadway no início do século XX e de quem o filme guarda sobretudo o espírito da obra. Oscar para

o som de Nathan Levinson.

Qui. [24] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE WHITE CLIFFS OF DOVER As Rochas Brancas de Dover de Clarence Brown com Irene Dunne, Alan Marshal, Roddy McDowall, Frank Morgan, Van Johnson Estados Unidos, 1944 - 126 min / legendado em português Melodrama excepcional com o cunho da MGM, THE WHITE CLIFFS OF DOVER é um dos filmes de Clarence Brown injustamente caídos em esquecimento. Irene Dunne é uma jovem americana que se apaixona por um inglês (Alan Marshall) que morre pouco depois em combate. Um tributo aos soldados americanos e ingleses que participaram na Segunda Guerra Mundial.

Sex. [25] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

LA KERMESSE HÉROIQUE

A Quermesse Heróica

de Jacques Feyder com Françoise Rosay, Jean Murat, André Alerme, Micheline Cheirel, Louis Jouvet França, 1935 – 121 min / legendado electronicamente em português Talvez seja o melhor filme de Jacques Feyder. Filme sobre a ocupação espanhola na Flandres, magnificamente reconstituída pelos prodigiosos cenários de Lazare Meerson, Alexandre Trauner e Georges Wakhevitch. LA KERMESSE HÉROIQUE encena os jogos políticos que então se travavam numa aldeia flamenga com a chegada dos espanhóis e reflecte os que tinham por palco a Sociedade das Nações nos anos 30.

Seg. [28] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE BAT

O Homem Morcego

de Crane Wilbur com Vincent Price, Agnes Moorehead, Gavin Gordon, John Sutton Estados Unidos, 1959 – 75 min / legendado em português

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MARÇO/2011

O último filme de um cineasta que ficará para sempre conotado com o mistério e o terror. THE BAT é um dos trabalhos mais conhecidos de Crane Wilbur, entre

os seus vários clássicos género, e centra-se nas estranhas actividades de uma casa de campo assombrada por um violento criminoso conhecido como “The Bat”.

Como dizia a promoção da época: “When it flies someone Dies!”

Ter. [29] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE COMMANDOS STRIKE AT DAWN Os Comandos Atacam ao Ananhecer de John Farrow com Paul Muni, Anna Lee, Lilian Gish, Cedric Hardwicke Estados Unidos, 1942 – 95 min / legendado em português Foi, segundo diz a história, o primeiro filme a mostrar os comandos britânicos que têm como alvo de acção um campo de aviação alemão construído nas proximidades de uma aldeia na costa da Noruega, em colaboração com a Resistência deste país. Quase em estilo “documental” e numa linguagem sóbria, este filme de John Farrow foi um dos mais eficazes no campo da propaganda de guerra.

Qua. [30] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

L’APE REGINA

O Leito Conjugal

de Marco Ferreri com Ugo Tognazzi, Marina Vlady, Linda Sini Itália, 1963 - 86 min / legendado em português Depois de iniciar a sua carreira em Espanha, Marco Ferreri regressou a Itália, onde logo se integrou na indústria cinematográfica. L’APE REGINA, por um lado, renova a comédia italiana, que, no começo dos anos 60, começava a usar formas estereotipadas; por outro, é um exemplo do gosto do realizador pelas fábulas grotescas, que seriam levadas ao extremo na década seguinte. Esta fábula sobre a “guerra dos sexos”, em que a mulher sai vitoriosa, mostra-nos um quarentão que se casa com uma mulher mais jovem, mas que é incapaz de acompanhar o apetite sexual dela e acaba relegado para um canto da casa, como um objecto. Marina Vlady recebeu o prémio de interpretação no Festival de Cannes.

Qui. [31] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

SWEET CHARITY Sweet Charity – A Rapariga que Queria Ser Amada de Bob Fosse com Shirley McLane, John McMartin, Chita Rivera, Paula Kelly

Estados Unidos, 1969 – min / legendado electronicamente em português

O musical de Bob Fosse, o seu primeiro filme como realizador e o título anterior ao muito célebre CABARET, tem Shirley McLane no papel protagonista e é a

adaptação ao cinema de uma peça que já encenara e coreografara na Broadway. Alguns dos números musicais contam-se entre os mais célebres dos dirigidos pelo realizador-coreógrafo-actor, como Big Spender e Rich Man’s Frug. Na Cinemateca passou uma única vez, em 1986, no “Ciclo de Cinema Musical”.

HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA

Em Março, alternaremos como de costume no nosso passeio pela História do Cinema filmes célebres, menos célebres e raros, de diversas origens, realizados entre

os primórdios do cinema e 1975. Do período clássico de Hollywood, o celebérrimo A CONDESSA DESCALÇA e duas obras muito menos vistas, MY FAVOURITE WIFE

(Garson Kanin) e SUMMER HOLIDAY (Mamoulian). Também apresentamos uma obra de um cineasta americano que se exilara na Europa por motivos políticos:

CELUI QUI DOIT MOURIR, de Jules Dassin. Do cinema europeu, grandes clássicos modernos de Antonioni, Truffaut e Bertolucci, além de um filme raramente visto de Marco Ferreri. Do cinema mudo, que nunca falta nestes Sábados, quatro obras americanas, de Ernst Lubitsch, Tod Browning, Victor Sjöström e Monta Bell. Propomos ainda o magnífico “À BEIRA DO MAR AZUL”, de Boris Barnett e várias raridades: três musicais alemães do início do cinema sonoro, anteriores à chegada dos nazis ao poder (Billy Wilder foi co-argumentista de um destes filmes); um documentário sobre Henri Langlois, a mais importante figura do mundo das cinematecas; e um dos grandes clássicos de Bollywood, BOBBY, de Raj Kapoor, que triunfou em Lisboa há trinta e cinco anos e que desde então se tornara invisível.

Sáb. [05] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

THE BAREFOOT CONTESSA

A Condessa Descalça

de Joseph L. Mankiewicz

com Humphrey Bogart, Ava Gardner, Edmond O’Brien, Rossano Brazzi Estados Unidos, 1954 - 128 min / legendado em português

O

cinema é o tema de THE BAREFOOT CONTESSA e poucas vezes a Sétima Arte soube servi-lo (e servir-se) tão bem. Mankiewicz escalpeliza de forma impiedosa

o

mundo dos mitos e da sua exploração através da criação de um deles, Maria Vargas (a “condessa descalça”, belíssima Ava Gardner) e do seu percurso auto-

destrutivo em busca de um pouco de felicidade real. THE BAREFOOT CONTESSA traz-nos também o diálogo entre dois mitos criados pelo cinema, Ava e Bogart, numa história à volta da ascensão e queda de outros mitos.

Sáb. [05] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

EIN BLONDER TRAUM Um Sonho Dourado de Paul Martin com Lily Harvey, Willy Fritsch, Willly Forst Alemanha, 1932 - 98 min / legendado electronicamente em português Billy Wilder foi co-argumentista deste filme distribuído apenas quatro meses antes da chegada dos nazis ao poder. Protagonizado por três das maiores vedetas

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MARÇO/2011

do cinema germânico do período, especialistas em comédias e filmes musicais, EIN BLONDER TRAUM conta-nos a história de dois homens que se interessam pela mesma mulher, sobre um fundo que mistura a frivolidade e a angústia quanto ao dinheiro. O resultado é uma brilhante comédia sofisticada, com surpreendentes números musicais, que vem lembrar-nos o quanto o cinema americano deve aos técnicos e argumentistas germânicos (Lubitsch e Billy Wilder, para só citarmos dois). Em Portugal, foi distribuída à época a versão francesa do filme, UN RÊVE BLOND.

Sáb. [05] 19:30 | Sala Luís de Pina

THE STUDENT PRINCE IN OLD HEIDELBERG

O Príncipe Estudante

de Ernst Lubitsch com Ramon Novarro, Norma Shearer, Jean Hersholt Estados Unidos, 1927 - 123 min / mudo com intertítulos em inglês traduzidos em português Uma das obras-primas do período mudo de Ernst Lubitsch, inspirada na famosa opereta de Sigmund Romberg, sobre os dias de estudante na Universidade de

Heidelberg de um príncipe da Europa Central, e o seu amor por uma jovem estalajadeira a que, por dever, renuncia. À alegria esfuziante da primeira parte segue-

se a melancolia da segunda, num contraponto genial encenado com mão de mestre.

Sáb. [05] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

L’AMOUR FOU de Jacques Rivette com Bulle Ogier, Jean-Pierre Kalfon, Josée Destoop

França, 1967 - 250 min / legendado electronicamente em português

O teatro e a vida num dos mais extraordinários filmes de Rivette. A encenação e os ensaios da Andrómaca de Racine vão a par com a crise que se instala entre o

encenador e a mulher, uma das intérpretes da peça, que passa por violentos confrontos e uma tentativa de suicídio. Uma experiência radical de Rivette, usando os 16mm e os 35mm para os dois “mundos” que filma e liga de forma perfeita.

Sáb. [05] 22:00 | Sala Luís de Pina

LANGLOIS de Eila Hershon, Roberto Guerra com Henri Langlois, Lilian Gish, Ingrid Bergman, Simone Signoret, Viva Estados Unidos, 1970 - 52 min / legendado electronicamente em português Um retrato do mítico fundador da Cinemateca Francesa (e grande amigo da Cinemateca Portuguesa desde os tempos do seu fundador, Félix Ribeiro), que foi talvez o inventor do ofício de programador de filmes e sem dúvida a personalidade mais influente do mundo das cinematecas, amada por uns, odiada por outros. Através dos testemunhos de Langlois e de diversas personalidades e com alguns excertos de filmes, é reconstituída a aventura da Cinemateca Francesa (inseparável de Langlois) entre a sua fundação, em 1936, e a data da realização do filme.

Sáb. [12] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

CELUI QUI DOIT MOURIR de Jules Dassin com Jean Servais, Melina Mercouri, Grégoire Aslanian França, 1956 - 120 min / legendado electronicamente em português Um filme injustamente esquecido, realizado por Jules Dassin em França e baseado no célebre romance O Cristo Crucificado, de Nikos Kazantzakis. A acção tem lugar durante os anos 20, quando a Grécia estava ocupada pela Turquia, numa aldeia em que todos os anos é encenada a Paixão de Cristo. Quando um grupo de camponeses esfomeados e expulsos das suas terras pela guerra chega à aldeia em busca de ajuda, são rejeitados. Uma parábola política magnificamente transposta para o cinema.

Sáb. [12] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

DIE PRIVAT SEKRETÄRIN

O Senhor Director

de Wilhelm Thiele com Renate Müller, Hermann Thimig, Felix Bressart Alemanha, 1931 - 100 min / legendado electronicamente em português Um exemplo do cinema musical europeu do início do cinema sonoro, baseado numa opereta húngara. Trata-se da história de uma jovem que chega à capital e vai trabalhar numa grande firma. Quando o filme foi estreado em Portugal, a revista Cinéfilo foi de opinião que “o público encontrará neste novo trabalho tudo quanto necessita para se divertir à farta”. A protagonista, Renate Müller, que tem o papel principal na versão original de VIKTOR UND VIKTORIA (1935), morreria em 1937, em circunstâncias estranhas, o que fez com que alguns especulassem que teria sido eliminada pelo regime nazi.

Sáb. [12] 19:30 | Sala Luís de Pina

THE UNKNOWN

O Homem sem Braços

de Tod Browning com Lon Chaney, Joan Crawford, Norman Kerry Estados Unidos, 1927 - 60 min / mudo, intertítulos em inglês traduzidos em português Um dos mais bizarros filmes do “príncipe do bizarro” que foi Tod Browning, THE UNKNOWN é ambientado num circo, como a mais célebre obra-prima do realizador, FREAKS. A história é a mais perversa que se possa imaginar: um homem que finge não ter braços, para fazer o seu número no circo, descobre que a vedeta do circo tem medo dos braços masculinos. O homem amputa deliberadamente os seus braços, mas entretanto ela vence a fobia e casa-se com outro. O amputado buscará vingança.

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MARÇO/2011

Sáb. [12] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

BOBBY

Bobby

de Raj Kapoor com Rishi Kapoor, Dimple Kapadia, Pran, Prem nath Índia, 1973 - 168 min / legendado electronicamente em português Raj Kapoor (1924-88) é um dos grandes nomes do cinema de Bollywood, inicialmente como actor, com uma personagem inspirado em Charlot e mais tarde

como realizador. BOBBY, um dos maiores êxitos do cinema de Bombaim (triunfou em Lisboa em 1976, no Éden) retoma o tema do êxito de LOVE STORY, sobre os obstáculos para o amor entre um rapaz rico e uma rapariga pobre que se amam perdidamente. Mas, como sempre no cinema de Bollywood, a trama narrativa

é entremeada com cenas de todo o tipo (cómicas, dramáticas…), neste caso, sobretudo musicais. O resultado é um autêntico delírio, sobretudo nos números musicais.

Sáb. [12] 22:00 | Sala Luís de Pina

DILLINGER È MORTO Dillinger Morreu de Marco Ferreri com Michel Piccoli, Anita Pallenberg, Gino Lavagetto, Carla Petrillo, Annie Girardot Itália, França, 1968 - 90 min / legendado em português Um dos filmes menos vistos de Marco Ferreri. Um homem com uma máscara de gás, pronto a respirar o irrespirável, a personagem de Michel Piccoli, dirige-se para casa, onde se confronta com a vontade de encenar o seu próprio suicídio. É acometido por um último instinto de sobrevivência e foge. Mas é a fuga possível?

Sáb. [19] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

MY FAVORITE WIFE

A Minha Mulher Favorita

de Garson Kanin com Cary Grant, Irene Dunne, Randolph Scott, Gail Patrick, Ann Shoemaker Estados Unidos, 1940 - 88 min / legendado em português Possivelmente o melhor filme realizado por Garson Kanin (e o seu maior êxito comercial neste campo). O argumento parte de uma história de Leo McCarey, e reúne o par que fizera o sucesso de THE AWFUL TRUTH, Cary Grant e Irene Dunne. Obra percorrida por um corrosivo humor sobre a instituição do casamento e que tem como ponto de partida o regresso de uma mulher considerada morta e o seu encontro com o marido que, entretanto, voltara a casar.

Sáb. [19] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

DIE DREI VON TANKSTELLE “Os Três da Estação de Serviço” de Wilhelm Thiele com Lillian Harvey, Willy Fritsch, Oskar Karlweis, Heinz Rühmann, os Comedian Harmonists Alemanha, 1930 - 100 min / legendado electronicamente em português No início do cinema sonoro, o cinema musical alemão era o mais importante, a seguir ao de Hollywood, e este filme é um excelente exemplo. Três amigos em

dificuldades financeiras, vendem o carro que possuem e abrem uma estação de serviço. Depois, apaixonam-se todos por uma das suas clientes, filha de um cônsul estrangeiro… As canções fora escritas por Werner Heyman, que em Hollywood viria a escrever a música de NINOTCHKA e BLUEBEARD’S EIGHT WIFE, de Lubitsch.

E o filme também conta com a presença dos Comedian Harmonists, um dos mais célebres grupos musicais alemães dos anos 20 e 30. Distribuído em Portugal à época na versão francesa, LE CHEMIN DU PARADIS.

Sáb. [19] 19:30 | Sala Luís de Pina

HE WHO GETS SLAPPED

O Palhaço

de Victor Sjöström com Lon Chaney, Norma Shearer, John Gilbert

Estados Unidos, 1924 - 78 min / mudo, intertítulos em inglês traduzidos em português

O segundo filme americano de Victor Sjöström é a primeira grande produção da MGM, que adaptou uma peça russa situada no meio do circo, que fora um

grande sucesso na Broadway. A história tem algumas semelhanças com a de DER BLAUE ENGEL, com o tema da decadência de um professor que se transforma em palhaço por causa de uma mulher.

Sáb. [19] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

L’ECLISSE

O Eclipse

de Michelangelo Antonioni

com Monica Vitti, Alain Delon, Lilla Brognone, Francisco Rabal, Louis Seigner Itália, França, 1962 - 125 min / legendado electronicamente em português

O filme que encerra uma trilogia, depois de L’AVVENTURA e LA NOTTE. Talvez o filme mais ostensivamente moderno de Antonioni, em todos os sentidos do termo.

Monica Vitti é uma mulher que, após romper com o amante, se encontra só e desamparada, procurando refazer a vida com um corretor da Bolsa, obcecado pelo jogo do dinheiro, o que a leva de novo à solidão. A sequência passada na Bolsa de Milão e as últimas imagens, quase abstractas, estão entre os momentos mais célebres da obra de Antonioni.

Sáb. [19] 22:00 | Sala Luís de Pina

DIE TAUSEND AUGEN DES DR. MABUSE

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MARÇO/2011

O Diabólico Dr. Mabuse

de Fritz Lang com Dawn Addams, Peter Van Eyck, Gert Froebe, Wolfgang Preiss Alemanha, 1960 - 103 min / legendado em português No seu regresso à Alemanha depois da guerra, Lang escolheu refazer dois clássicos do mudo a que deixara o seu nome ligado. DIE TAUSEND AUGEN DES DR. MABUSE tornou-se no seu último filme e revela-se tão premonitório da sociedade futura como o Mabuse anterior o fora do nazismo. Nesta última aventura, um descendente do génio do crime utiliza a electrónica e a televisão para espiar os menores gestos dos ricos clientes de um hotel de luxo.

Sáb. [26] 15:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

SUMMER HOLIDAY Os Alegres Namorados de Rouben Mamoulian com Mickey Rooney, Gloria DeHaven, Walter Huston, Agnes Moorehead Estados Unidos, 1947 - 92 min / legendado em português

Um dos melhores exemplos de “americana” (a imagem nostálgica do passado nos EUA) que é uma versão musical da peça de Eugene O’Neill, Ah, Wilderness! Um dos menos conhecidos filmes do grande realizador que é Rouben Mamoulian, sobre os problemas de adolescência de um jovem na passagem do século XIX para

o XX. Cópia restaurada em esplendoroso tecnicolor.

Sáb. [26] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

IL CONFORMISTA

O Conformista

de Bernardo Bertolucci com Jean-Louis Trintignant, Dominique Sanda, Stefania Sandrelli, Pierre Clémenti Itália, 1970 - 112 min / legendado electronicamente em português Esta adaptação do romance epónimo de Alberto Moravia é, para muitos, a obra-prima de Bertolucci. Na Itália fascista, um homem, acomodado ao regime, no típico conformismo das «pessoas vulgares», acaba por ser contratado para assassinar um ex-professor seu, dissidente do regime e instalado em Paris. Um filme de excepcional riqueza visual, feito por um cineasta que ainda não completara trinta anos.

Sáb. [26] 19:30 | Sala Luís de Pina

UPSTAGE Desilusões do Palco de Monta Bell com Norma Shearer, Oscar Shaw, Tenen Holtz, Gwen Lee Estados Unidos, 1926 - 75 min / mudo com intertitulos em inglês traduzidos em português Norma Shearer no papel de uma jovem da província com ambições a actriz faz par com um actor de vaudeville. A dupla é um sucesso graças ao trabalho deste, mas a jovem, convencida de que o sucesso é seu, em breve o troca por outro mais ambicioso, com resultados diferentes.

Sáb. [26] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

BAISERS VOLÉS Beijos Roubados de François Truffaut com Jean- Pierre Léaud, Claude Jade, Delphine Seyrig, Michael Lonsdale França, 1968 - 90 min / legendado electronicamente em português Depois de OS QUATROCENTOS GOLPES, Truffaut teve o desejo de filmar a continuação das aventuras do protagonista do filme, Antoine Doinel, mas não quis explorar um filão. BEIJOS ROUBADOS, a terceira aventura da personagem, é talvez o filme mais “Nouvelle Vague” de Truffaut, o mais lúdico e aberto, em que Doinel é expulso da tropa e tem diversos pequenos empregos, antes de encontrar uma jovem, com quem acaba por se fixar. É neste filme que Antoine Doinel deixa de ser uma extensão do realizador, para adquirir vida própria. E como tantos filmes da Nouvelle Vague, este é um grande filme sobre Paris.

Sáb. [22] 22:00 | Sala Luís de Pina

U SAMOGO SINEVO MORIA “À Beira do Mar Azul” de Boris Barnet com Elena Kuzmina, Lev Sverdlin, Nicolai Kriuchkov URSS, 1933 - 71 min / legendado em português Este filme é, como a generalidade da obra deste cineasta russo, aparentemente “leve”, de um lirismo magistral, filmado do modo mais livre e menos convencional:

dois jovens pescadores de um kholkoze apaixonam-se pela mesma rapariga, tornando-se rivais até um desconcertante final. Uma sequência inesquecível: a “ressurreição” da protagonista. Pouco visto à época, fora da URSS, À BEIRA DO MAR AZUL é hoje unanimemente considerado uma das obras máximas do cinema russo, ou do cinema tout court.

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NE CHANGE RIEN

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MARÇO/2011

Por ocasião do lançamento da edição portuguesa do DVD da mais recente longa-metragem de Pedro Costa pela Midas Filmes, voltamos a NE CHANGE RIEN, numa sessão que marca esse momento e conta com a presença do realizador.

Sex. [18] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

NE CHANGE RIEN de Pedro Costa com Jeanne Balibar, Rodolphe Burger Portugal, 2009 - 97 min / legendado em português “Ne Change Rien, pour que tout soit different”. A frase é de Jean-Luc Godard, que com ela abre as HISTOIRE(S) DU CINÉMA. Pedro Costa foi buscar-lhe o princípio para título do seu filme com Jeanne Balibar, intérprete de um tema também assim chamado. Actriz e cantora, Balibar é filmada em trabalho, em ensaios (Peine Perdue, Ton Diable), sessões de gravação (Ne Change Rien), concertos rock (Torture, Johnny Guitar), aulas de canto lírico, em palco (La Périchole). Num magistral preto e branco, é um filme chiaroescuro e um filme de câmara. Com canções.

INÉDITOS

Em Janeiro deste ano, Miguel Gomes escolheu mostrar HISTORIAS EXTRAORDINARIAS, de Mariano Llinás, numa das sessões da carta branca que lhe foi proposta para integrar o programa. Por imprevistos de última hora que atrasaram a chegada da cópia a Lisboa não foi possível exibir o filme, que agora mostramos, na rubrica regular de “Inéditos”. É o primeiro filme do jovem realizador argentino exibido em Portugal.

Ter. [01] 19:30 | Sala Luís de Pina

HISTORIAS EXTRAORDINARIAS de Mariano Llinás com Héctor Díaz, Klaus Díaz, Eduardo Iaccono, Walter Jakob, Mariano Llinás Argentina, 2008 - 245 min / legendado electronicamente em português

É um filme em 18 capítulos, três histórias principais entre diversas outras secundárias, que o vão fazendo variar entre o road movie e o thriller ou o filme romântico

e de guerra, e uma narração em off permanente, nem sempre síncrona com a banda de imagem. “O filme revela a procura do seu realizador, transporta a marca amadora, mas finalmente muito profissional, característica de Llinás, assim como uma espécie de estranha melancolia sobre o absurdo do seu empreendimento. (…) Respira liberdade” (Quintín, Cinemascope).

O QUE QUERO VER

Este mês, entre os filmes sugeridos pelos nossos espectadores, poderemos ver ou rever dois grandes clássicos de Hollywood, REBECCA, de Alfred Hitchcock, e THE BIG SKY, de Howard Hawks, e dois filmes dos anos 70, muito diferentes entre si: um road movie britânico, RADIO ON, de Chris Petit, e um poderoso thriller filipino, JAGUAR, de Lino Brocka.

Qua. [02] 19:30 | Sala Luís de Pina

REBECCA Rebeca de Alfred Hitchcock com Laurence Olivier, Joan Fontaine, Judith Anderson, George Sanders Estados Unidos, 1940 - 130 min / legendado em português REBECCA marca a chegada triunfal de Alfred Hitchcock a Hollywood, já consagrado e com cerca de quinze anos de carreira na Grã-Bretanha. Hitchcock declarou, por sinal, a Truffaut, que achava o filme “demasiado britânico”, pois tanto a autora do romance (Daphne du Maurier) como o actor principal (Olivier) eram britânicos. Romance e filme têm finais bastante diferentes. Trata-se de umas das obras maiores de Hitchcock, a história de uma mulher frágil que se casa com um homem de uma condição social muito mais elevada e vai viver numa mansão, sobre a qual pairam a sombra sinistra da governanta e a lembrança de Rebecca, a primeira mulher do marido.

Qua. [16] 22:00 | Sala Luís de Pina

JAGUAR de Lino Brocka com Philip Salvador, Amy Austria, Menggie Cobarrubias Filipinas, 1979 - 100 min / legendado electronicamente em português Embora esteja um tanto esquecido, o filipino Lino Brocka (1940-91) foi uma das grandes descobertas da crítica europeia na passagem dos anos 70 para os anos 80. Trabalhando num sistema industrial (JAGUAR é o 23º dos 65 filmes que realizou), Lino Brocka costuma situar os seus dramas em contextos muito precisos. O título

do filme faz alusão à palavra usada nas Filipinas para designar os guardas de segurança e o protagonista deste thriller é um jovem dos bairros de lata de Manila que

é guarda-costas de um “filho de família”. Nesta obra que tem “o ritmo rápido de um grande filme popular”, com elementos de acção, eróticos e melodramáticos, Lino Brocka mistura “a ingenuidade e a subtileza e dá um novo frescor à percepção do espectador” (Jacques Fieschi). Primeira exibição na Cinemateca.

Qui. [24] 19:30 | Sala Luís de Pina

THE BIG SKY Céu Aberto de Howard Hawks com Kirk Douglas, Dewey Martin, Elizabeth Threatt

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Estados Unidos, 1952 – 122 min / legendado em português

| Programação |

MARÇO/2011

Adaptado do romance de A.B. Guthrie, THE BIG SKY desenvolve os temas habituais dos filmes de aventuras de Hawks: a camaradagem e a amizade viril a que se junta também a aprendizagem da nova geração. Uma expedição de caçadores de peles sobe o Missouri em busca de terras virgens na primeira metade do século

XIX e traz uma jovem índia, que fora raptada por outra tribo, de volta ao seu pai, enfrentando inúmeros perigos. Filmado em cenários naturais no Wyoming, o

filme tem uma forte carga erótica e é um dos pontos altos da obra de um dos mestres do período clássico.

Qua. [30] 19:30 | Sala Luís de Pina

RADIO ON de Chris Petit com David Beam, Liza Kreuzer, Sandy Radcliff, Sting Grã-Bretanha, 1979 - 101 min / legendado electronicamente em português Filmado a preto e branco e realizado num estilo relativamente minimalista, este belíssimo road movie aborda o tema da errância de modo comparável aos filmes

realizados nos anos 70 por Wim Wenders, que foi produtor associado. Um disc-jockey que procura descobrir a causa da morte do seu irmão, percorre a Inglaterra

de Londres a Bristol. No seu percurso, cruza-se com várias pessoas e apresenta alguns ídolos do rock, como Sting (que tem um brevíssimo papel) e as vozes de

David Bowie e Lene Lovitch, entre outros. Trata-se do primeiro filme de Chris Petit, que até então fora crítico e faria uma abundante carreira como realizador para

o cinema e a televisão. Na Cinemateca, não passa desde 1995.

CINEMA PORTUGUÊS: PRIMEIRAS OBRAS, PRIMEIRAS VEZES

Manuel Mozos teve, no cinema português, um arranque acidentado. Referimos os acidentes de percurso no seu começo na realização, porque Mozos tem também um importante e extenso currículo como técnico, sobretudo como montador (foi em montagem que se especializou na Escola Superior de Teatro e

Cinema, que concluiu em finais dos anos 80). A sua primeira obra, o filme de estreia, é de 1990: UM PASSO, OUTRO PASSO E DEPOIS… (Grande Prémio do Festival de Belfort 1990), realizado no contexto da série da RTP Corações Periféricos, uma média metragem de ficção com Canto e Castro como protagonista no papel de

um contínuo de liceu, e que é hoje um título impossível de ver nas suas condições originais: filmado em película 16mm, tanto as cópias como os negativos originais

do filme desapareceram sendo hoje apenas acessível em cópias vídeo de deficiente qualidade de transcrição. Depois de o ter mostrado em ante-estreia em 1990,

a Cinemateca exibiu-o nessas condições no quadro de um Ciclo organizado em 2004 (“Os Malditos do Cinema Português”) a título excepcional e com o acordo de

Mozos, para dar a ver a maldição da invisibilidade recaída sobre o filme. Para esta sessão evocativa dos seus primeiros passos como realizador optou-se por dar a

ver a sua primeira longa-metragem, XAVIER, que foi durante largos anos um título em suspenso. Concebido logo a seguir a UM PASSO, OUTRO PASSO E DEPOIS…

contemporâneo de O SANGUE ou A IDADE MAIOR, obras de estreia de Pedro Costa e Teresa Villaverde, XAVIER foi rodado em 1991 mas apenas concluído em 2003

e efectivamente estreado depois da segunda longa de Mozos, QUANDO TROVEJA… (1999). É nele que nos fixamos para evocar as “primeiras vezes” de Manuel Mozos cujo começo na realização foi, portanto, marcado pelo azar das circunstâncias.

Qui. [17] 19:30 | Sala Luís de Pina

XAVIER de Manuel Mozos com Pedro Hestnes, Isabel Ruth, Cristina Carvalhal, Isabel de Castro Portugal, 1992-2003 - 100 min Uma das melhores primeiras-obras portuguesas dos anos 90, que, por vicissitudes várias, só pôde ser concluída e estreada mais de dez anos depois da rodagem (a ante- -estreia teve lugar na Cinemateca a 10 de Outubro de 2003, 11 anos depois da rodagem do filme). Numa Lisboa que, directa ou indirectamente, dialoga com a de OS VERDES ANOS (de Paulo Rocha), XAVIER é um belíssimo filme sobre uma juventude de identidade dividida entre os mundos urbano e rural, vista com profunda doçura.

ABRIR OS COFRES

No contexto da missão de conservação da sua importante colecção de títulos documentais de produção portuguesa, a Cinemateca tem vindo a desenvolver um

importante trabalho de preservação e restauro que, nos últimos anos, tem contado com a colaboração e o inestimável apoio de outras entidades e instituições. A EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA, PECUÁRIA E INDUSTRIAL DE ESTREMOZ NO ANO DE 1927, de Artur Costa de Macedo, está entre esses casos e é hoje um título restaurado graças a um protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Estremoz. A preservação e restauro da obra foram feitos no laboratório da Cinemateca a partir de uma cópia em suporte de nitrato de celulose, depositada para conservação pelo município de Estremoz em 1997. Mostramos agora o filme, em cópia nova, resultante desse trabalho.

Qua. [16] 19:30 | Sala Luís de Pina

A EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA, PECUÁRIA E INDUSTRIAL DE ESTREMOZ NO ANO DE 1927 de Artur Costa de Macedo Portugal, 1927 – 70 min / mudo

Produzido por Artur Costa de Macedo, que também assina a realização e a fotografia, com o patrocínio da Câmara Municipal de Estremoz, A EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA, PECUÁRIA E INDUSTRIAL DE ESTREMOZ NO ANO DE 1927 foi provavelmente distribuído pela Companhia Cinematográfica de Portugal. O filme regista a exposição

e o cortejo do trabalho realizados nessa data, evocando a história da localidade.

CINEMATECA PORTUGUESA

MUSEU DO CINEMA

| Programação |

MARÇO/2011

ANTE-ESTREIAS

Em quatro sessões, a rubrica de “ante-estreias” de filmes portugueses dá a ver em Março produções O Sabor do Filtro (PAI NATAL, de José Oliveira) e Summer Fun (LOST WEST / O OESTE PERDIDO, de Mário Fernandes); Take It Easy (NENHUM NOME, de Gonçalo Waddignton e BREU, de Jerónimo Rocha, dois títulos de 2010 apresentados em sessão que prossegue com os anteriores RÉS-DO-CHÃO e HOMENZINHO, respectivamente de Pedro Cruz e Tiago Guedes, Jorge Coelho, Rita Barbosa); quatro títulos que resultam do trabalho de um colectivo formado por Possidónio Cachapa, Miguel Valverde, Gonçalo Robalo e Rita Figueiredo (ENGINE, de Miguel Ildefonso, UM HOMEM À VARANDA, de Gonçalo Robalo de 2010/11, em sessão complementada com dois títulos de 2008, JÚLIO, também de Gonçalo Robalo e O ADEUS À BRISA, de Possidónio Cachapa); e Kintop (48, de Susana Sousa Dias).

Qui. [10] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

PAI NATAL de José Oliveira com José Oliveira, Sabrina Marques, Daniel Pereira, Tiago Ribeiro, Manuel Mozos Portugal, 2010 – 20 min

LOST WEST / OESTE PERDIDO de Mário Fernandes com Rui Pelejão, Paulo Fernandes, Marta Lambelho, Carlos Silva, Adriano Figueiredo, Miguel Carneiro Portugal, 2006-2010 – 175 min / legendada em português

São dois títulos de estreia em primeiras exibições públicas absolutas: PAI NATAL, de José Oliveira, segue a história de um jovem cinéfilo que, vindo de Braga, chega

a Lisboa “onde arranjou um emprego fugaz e particular” e que o filme capta, diz ainda a sinopse, “entre as salas escuras, uma rapariga e os amigos, o retrato de um tempo e de um rapaz como muitos, Meio perdido, meio desinteressado.” LOST WEST, “western no budget” onde Mário Fernandes “juntou uma quadrilha selvagem amadora e partiu à aventura do oeste”, faz jus ao título e apresenta-se como a história de um pistoleiro frio e implacável chamado Kit Carson que regressa a El Cabelero, “um padieiro de mineiros, agricultores e homens sem escrúpulos” onde “encontra uma região marcada pelo peso de vários passados e dominada por Beralt Tin, o líder de uma matilha de sádicos assassinos, que impõe o seu império predador do alto de uma pirâmide de escombros.”

Qui. [17] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

ENGINE de Miguel Ildefonso Portugal, 2010 – 6 min

JÚLIO de Gonçalo Robalo Portugal, 2008 – 5 min

UM HOMEM À VARANDA de Gonçalo Robalo Portugal, 2010 – 8 min

O ADEUS À BRISA de Possidónio Cachapa Portugal, 2008 – 50 min

A

sessão reúne quatro obras de curta-metragem produzidas entre 2008 e 2011: ENGINE põe em equação os elementos humano, natural e maquinal: “O homem

e

a máquina. O homem e a natureza. Quando tudo se funde, algo emerge. Um som estranho do futuro anuncia um novo mundo.” UM HOMEM À VARANDA

centra-se na personagem de um homem no cenário do cimo da varanda de sua casa, voltado para o prédio em frente habitado por uma mulher que olha para

a rua com ansiedade: “Aquele comportamento desperta no homem uma memória, e vai fazê-lo reviver um tempo sonoro passado num tempo de imagem

presente. A catarse, 35 anos depois.” Incursão anterior de Gonçalo Robalo na realização, JÚLIO segue uma história comum: “Um homem gosta de uma mulher.

A mulher ignora a existência desse homem. O homem faz qualquer coisa. A mulher vê o homem.” O ADEUS À BRISA, documentário sobre o escritor Urbano

Tavares Rodrigues apresentado pela primeira vez no DocLisboa 2009, é a obra de estreia na realização de Possidónio Cachapa e centra-se na figura do escritor que testemunha na primeira pessoa sobre um passado “que se confunde com o da História do seu país (…) Sentado na sua sala, Urbano Tavares Rodrigues mantém-se

o escritor, o resistente, o que acredita no melhor do Homem.” ENGINE e UM HOMEM À VARANDA foram mostrados no 11º Festival de Cinema Luso-Brasileiro de

Santa Maria da Feira em Dezembro de 2010, tendo este último a sua primeira exibição pública um mês antes, na Irlanda, no 55º Cork Film Festival. Os filmes do programa estão integrados no trabalho de um colectivo formado por Possidónio Cachapa, Miguel Valverde, Gonçalo Robalo e Rita Figueiredo.

Qui. [24] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

NENHUM NOME de Gonçalo Waddington com Carla Maciel, João Pedro Vaz Portugal, 2010 – 17 min

BREU de Jerónimo Rocha com Tiago Xavier Portugal, 2010 – 14 min

RÉS-DO-CHÃO

CINEMATECA PORTUGUESA

MUSEU DO CINEMA

de Pedro Cruz com Francisco Nascimento, Sara Graça Portugal, 2005 – 19 min

HOMENZINHO de Tiago Guedes, Jorge Coelho, Rita Barbosa com António Durães, Rodrigo Santos, João Maya Portugal, 2007 – 6 min

| Programação |

MARÇO/2011

A pretexto da programação em “ante-estreia” de NENHUM NOME e BREU, esta sessão integra dois outros títulos anteriores produzidos pela Take It Easy, RÉS-

DO-CHÃO e HOMENZINHO. NENHUM NOME, apresentado no IndieLisboa 2010, onde venceu o prémio SIGNIS, conta a história do surgimento de uma relação:

“Depois de um grave acidente de automóvel em que a mulher, grávida de seis meses, morre, X, de 35 anos, é internado numa unidade de cuidados intensivos.

K, uma enfermeira de 30 anos, acompanha a reabilitação de X. K também está grávida de seis meses. O detalhe torna mais forte a sua aparentemente impessoal

relação.” A sinopse de BREU, que tem circulado numa série de festivais, descreve-o como “um conto sobre um rapaz com medo do escuro. Um dia, quando brinca nos telhados de uma fábrica abandonada, deixa cair um valioso pertence por uma nesga entre as telhas. Entrar na fábrica significa enfrentar a sua fobia e, lá dentro, o olhar atento de um bicho aguarda-o”. RÉS-DO-CHÃO acompanha uma personagem em confronto com o seu passado e um intenso imaginário sexual. HOMENZINHO decorre no tempo que dura uma viagem de metro entre as estações portuenses da Casa da Música e do Bolhão seguindo a conversa sobre um filme em preparação, entre um rapaz e um homem que não se conhecem.

Ter. [29] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro

48

de Susana Sousa Dias Portugal, 2009 – 93 min Prosseguindo o trabalho que tem vindo a desenvolver, designadamente em NATUREZA MORTA-VISAGES D’UNE DICTATURE, Susana Sousa Dias centrou-se em 48 num núcleo de fotografias de cadastro de prisioneiros políticos da ditadura portuguesa, procurando “mostrar os mecanismos através dos quais um sistema autoritário se tentou perpetuar, durante 48 anos”, questionando “O que pode uma fotografia de um rosto revelar sobre um sistema político? O que pode uma imagem tirada há mais de 35 anos dizer sobre a nossa actualidade?” O filme fixa os rostos cadastrados em fotografias dos arquivos da PIDE e as vozes que testemunham experiências terríveis de sofrimento e tortura. Grande Prémio do Festival Internacional Cinéma du Réel 2010, Prémio FIPRESCI do Festival Internacional do Documentário e Cinema de Animação de Leipzig, 48 vai agora estrear comercialmente em Portugal com distribuição da Alambique.

CINEMATECA JÚNIOR

É mês de Carnaval ninguém leva a mal. Era com esta cantilena que os jovens antigamente faziam as mais disparatadas “partidas” aos adultos, geralmente aos pais

e professores, os que mais sofriam. Por altura do Entrudo propomos celebrar a data convidando o nosso público, miúdos e graúdos, a aparecerem mascarados de cowboys, índios, rainhas de copas, marinheiros, monstros, seguindo a par e passo a programação de Março. Como sempre temos dois filmes de animação para os mais pequenos: no dia 5, o clássico ALICE NO PAÍS DAS FADAS, produzido por Walt Disney para seguir a viagem alucinante ao Mundo das Maravilhas da jovem Alice depois de esta cair num buraco. A 19 chega a dupla de bonecos de plasticina mais conhecida da pequenada, Wallace & Gromit; desta vez os nossos heróis dão asas à imaginação e inventam uma fórmula que faz com que os coelhos não comam os vegetais das hortas… só que o feitiço vira-se contra o feiticeiro e eis que aparece o monstro “SuperCoelhoHomem”. Os mais crescidos podem ver um western no dia 12: ESPORAS DE AÇO, de Anthony Mann, onde a imensa paisagem americana parece encolher com os conflitos

e

interesses dos seus cinco personagens nada heróicos. O mês acaba, dia 26, com o nosso conhecido Buster Keaton no filme MARINHEIRO DE ÁGUA DOCE, onde

o

mar e os barcos dão origem às maiores trapalhadas do protagonista. Esta sessão vai ser acompanhada ao piano.

Neste mesmo dia 26, às 11h30, a Cinemateca Júnior propõe um atelier matinal dedicado à “Mímica e o Cinema Mudo”, com concepção e orientação de Rui Mourão, onde todos os participantes (dos 4 aos 7 anos) podem visionar uma curta-metragem muda de Charles Chaplin, conhecer um pouco da história do cinema da época do mudo, aprender a ler imagens e a expressar acções e emoções através da mímica, inventando e interpretando as suas próprias histórias. O atelier requer marcação prévia até dia 22 de Março para o e-mail cinemateca.júnior@cinemateca.pt. De segunda a sexta-feira, a Cinemateca Júnior dedica-se a sessões de cinema e ateliers para escolas. O convite mantém-se: venha visitar-nos ao Palácio Foz. Veja os filmes e aproveite para visitar a exposição permanente de materiais que antecederam o cinema. Pode ver, tocar e brincar, e apreender a magia do pré-cinema.

Sáb. [05] 15:00 | Salão Foz

ALICE IN WONDERLAND Alice no País das Fadas de Clyde Geronimi, Hamilton Luske, Wilfred Jackson Estados Unidos, 1951 - 74 min / dobrado em português do Brasil Numa tarde de sol, Alice segue um coelho branco que desaparece furtivamente numa toca ali perto. Alice vai atrás dele e cai no buraco – entra na folia, no mundo do País das Maravilhas! Canções memoráveis comparecem na viagem de Alice, que culmina num encontro com a doidivanas Rainha de Copas – e o seu exército de cartas de jogar. ALICE NO PAÍS DAS FADAS, conforme o título em português, em animação.

Sáb. [12] 15:00 | Salão Foz

THE NAKED SPUR Esporas de Aço de Anthony Mann com James Stewart, Robert Ryan, Janet Leigh, Ralph Meeker, Millard Mitchell Estados Unidos, 1952 - 90 min / legendado em português Um dos filmes que mais “ensombreceu” a imagem de James Stewart, aqui um herói que não age por pureza, mas por interesse. É o mais conhecido dos cinco westerns que o actor fez com Anthony Mann, aquele em que a acção é mais concentrada, com um grupo de cinco personagens, o que aumenta a imensidão do espaço que os cerca.

CINEMATECA PORTUGUESA

MUSEU DO CINEMA

| Programação |

MARÇO/2011

Sáb. [19] 15:00 | Salão Foz

WALLACE AND GROMIT: THE CURSE OF THE WERE RABBIT Wallace & Gromit: a Maldição do Coelhomem de Steve Box, Nick Park Grã-Bretanha, 2005 - 85 min / dobrado em português A nossa dupla favorita do cinema de animação moderno, o fleumático e apreciador de queijo, Wallace, e o seu cão filosófico e sempre metido em sarilhos, Gromit. Os dois são agora responsáveis por uma empresa de desinfestação chamada para dar cabo do que anda a destruir as plantações de vegetais em vésperas de um concurso de qualidade. Muitas paródias ao cinema, incluindo o clássico Frankenstein.

Sáb. [26] 15:00 | Salão Foz

STEAMBOAT BILL JR. Marinheiro de Água Doce de Buster Keaton, Charles Reisner com Buster Keaton, Tom McGuire, Ernest Torrence Estados Unidos, 1928 - 60 min /mudo, legendado em português Como todos os grandes actores do cinema burlesco, Buster Keaton está sempre às voltas com os objectos, desta vez um barco que desce um grande rio americano. STEAMBOAT BILL JR. é a história de um marinheiro desajeitado que tenta ajudar o pai e acaba por se apaixonar pela filha do comandante de um barco rival. Depois de muitas confusões, tudo acaba com uma autêntica batalha naval. Destaque ainda para a fabulosa sequência do furacão, verdadeiro “tour de force” que é um dos pontos altos do cinema de Keaton.

para o Mês que vem Abril

8 1/2 FESTA DO CINEMA ITALIANO: COMÉDIA À ITALIANA | CLÁSSICOS ÀS MATINÉS | HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA | CINEMA PORTUGUÊS: PRIMEIRAS OBRAS, PRIMEIRAS VEZES | O QUE QUERO VER | ABRIR OS COFRES | ANTE-ESTREIAS | CINEMATECA JÚNIOR

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EXPOSIÇÕES CINEMA EM PORTUGAL: OS PRIMEIROS ANOS

Local: Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, até 29 de Maio

ISTAMBUL-LISBOA ROTEIROS DA MELANCOLIA

Espaço 39 Degraus, até ao final de Março

DA MELANCOLIA Espaço 39 Degraus, até ao final de Março • Programa sujeito a alterações •

• Programa sujeito a alterações • Preço dos bilhetes: 2,5 Euros •

• Horário da bilheteira: De Segunda a Sábado, 14:30 - 15:30 e 18:00 - 22:00 • Não há lugares marcados •

• Os bilhetes para as sessões só serão vendidos no dia em que as mesmas se realizam •

• Informação diária sobre a programação: Tel. 21 359 62 66 • Classificação Geral dos Espectáculos: Maiores de 12 anos •

• Biblioteca, de Segunda a Sexta, 14:00 - 19:30 •

• Sala 6 X 2, Sala dos Carvalhos e Sala dos Cupidos, de Segunda a Sexta, 13:30 - 21:30, Sábado das 14h30 - 21h30 - entrada gratuita •

• Livraria Babel CINEMATECA, de Segunda a Sexta, 13:00 - 22:00, Sábado das 14h30 - 22h00 •

• Espaço dos 39 Degraus: Restaurante/Bar de Segunda a Sexta, das 12:30 às 23:30, Sábado das 14h30 - 23h30 •

• Rua Barata Salgueiro, 39 | Lisboa • www.cinemateca.pt •

CINEMATECA JÚNIOR

• Programa sujeito a alterações.Bilhetes à venda no próprio dia (11h00/15h00): Adultos - 2,50 euros / Júnior (até 16 anos) - 1,00 euros•

• Ateliers Família: Adultos - 5,00 euros/ Júnior (até 16 anos) - 2,50 euros•

• Palácio Foz - Pç. dos Restauradores, Lisboa | Tel. 21 346 21 57 / 21 347 61 29 | cinemateca.junior@cinemateca.pt •

• Transportes: Metropolitano-Restauradores (Linha Azul) Autocarros: 2/9/36/44/45/90/711/732/746/759 •