Erros do dia e respectiva correcção – Nº 12

01.09.2013

Transcrições do livro de Lauro Portugal «Gente famosa continua a dar PONTAPÉS NA GRAMÁTICA», 2006, Roma Editora.
Com prévia autorização do autor.

Jornalismo – Imprensa

páginas 53 e 54.

A azáfama numa Redacção de jornal diário deve ser trinta vezes pior que a num quarto de noiva em véspera de casamento, e desculpabilizará alguns atropelos à linguagem. Mas, tratando-se de crónicas, artigos de opinião ou textos em periódicos ou revistas, que à partida contarão com um maior espaço de tempo para elaboração, não pode haver água para deitar na fervura, que o mesmo é dizer, não pode haver condescendências. Neste campo de pontapés na gramática vicejam autênticos alfobres de candidatos a "bota de ouro". Refiro mais uma vez Pulido Valente, cáustico, na Notícias Magazine: "A maior parte dos cronistas são ignorantes", Subentende-se que também no "relvado" da bola-gramática (mesmo aliviando de alguma carga o último termo da frase). Nada de que a gente se não tivesse apercebido. São tantas e tão diversificadas as transgressões às regras gramaticais, que o seu registo completaria uma obra de vários volumes. Neste capítulo se incluem relatores de jogos e repórteres desportivos, porque muitos deles portadores da carteira de jornalista. O despertar da natural curiosidade do cidadão para a novidade do dia-a-dia atribui a este "clube" importância crescente na sociedade hodierna, requerendo, portanto, profissionais credenciados para um "jogo" sem recurso a "biqueiradas", ou seja, para uma utilização perfeita do idioma português. Lamentavelmente, as infracções desta categoria de "jogadores" acontecem não só em "partidas normais", como também em "jogos de alta competição", isto é, as suas faltas não desvalorizam apenas um texto normal, mas também, não raramente, o seu título, por vezes em primeiras páginas, o que lhes confere uma visibilidade maior, proporcionando ao "espectador"/leitor um "jogo" eivado de imperfeições, que se traduz num espectáculo decepcionante. Não raras vezes se atribuem culpas ao processador de texto. Ora sabido é que hoje todos os colaboradores na imprensa utilizam o suporte de disquete, CD, mini disc, ou mesmo o correio electrónico, não havendo, portanto, terceiros intervenientes entre a criação e a publicação.

Mas, mesmo que se registassem excepções, sempre a revisão da escrita se imporia (no mínimo, pelos próprios autores). A relevância da imprensa justifica-a plenamente. 24horas – 03/08/03, Secção Especial/art. Pai...: "... depois de preferir ir brincar com os cavalos do que sentar-se à mesa de honra ... " (Correcto: "... depois de preferir ir brincar com os cavalos a sentar-se à mesa de honra... ". A sintaxe do verbo preferir exige o emprego da preposição a em vez da expressão do que.)

Actual – 25:09/04, Secção Livros/art. O terrorismo...: "... sobre o

fenómeno do terrorismo islamista e suas causas e origens ... " ("Remate enviesado". O seguidor do islamismo é islamita.)

ldem – 06/11/04, Secção Estreias/art. Kiss Me: "Kiss Me é um daqueles filmes que tem obviamente uma boa ideia." (Mas não é de se lhe tirar o "chapéu" (acento circunflexo) - à forma verbal do verbo ter,
que deve assumir o plural, porque antecedida de "um dos que": "... é um daqueles filmes que têm obviamente uma boa ideia. '')

Colunista – Correio da Manhã, 13/08/03, Secção Correio.. ./art. A Ceia ...
: "... transportar várias bandejas com o que eu suposera serem margaritas ... " (Há coisas que não entendo, como este "remate". É falta que até o “fiscal de linha" - entenda-se "corrector automático" - há-de ter assinalado, pois sabe que o pretérito mais-que-perfeito do verbo pôr é pusera, da mesma forma se conjugando os seus derivados. Assim, não suponho, tenho a certeza de que este jogador, dada a sua "estaleca'' em campo, deveria ter escrito: "... várias bandejas com o que eu supusera serem margaritas... "

Colunista/economista – Diário de Noticias, 01/11/03, Secção Opinião,
artigo Portugal...: "... assiste à fuga para o Brasil de uma sua autarca atempadamente avisada da eminente prisão preventiva ... " (Esta senhora cheia de "estaleca" no campo onde se move tão à vontade dá uma escorregadela eminente, isto é, bem grande, notada, quando o sentido que pretendia atribuir ao adjectivo era "que

estava prestes a acontecer". Sujeita-se a iminente repreensão. Correcto: "... atempadamente avisada da iminente prisão preventiva... ")

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