Diferença De Linguagem, Língua E Fala Qual a diferença entre linguagem, língua e fala?

O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilita nossos modos específicos de pensamento, conhecimento e interação com os semelhantes. É a capacidade específica à espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). A língua é, então, entendida como forma de realização da linguagem; como sistema linguístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicação. Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma comunidade (por exemplo: língua portuguesa, língua inglesa), no interior de uma mesma língua são importantes às variações. Dentro de uma mesma língua temos, então, diversas modalidades: língua familiar; língua técnica, língua erudita, língua popular, língua própria a certas classes sociais, a certos subgrupos, em que se enquadram os diferentes tipos de gíria. Entre as variações geográficas temos os dialetos (como as variações específicas das diversas regiões do Brasil: nordeste, sul etc). Alguns lingüistas (conferir Silva, 2001)[1][1] preferem usar o termo dialeto para designar as variantes ou variações, de uma forma geral. Como vimos, a língua é um sistema de símbolos pelo qual a linguagem se realiza. Mas a linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simbólicos (sinais marítimos, Morse) e torna-se, assim, objeto da semiologia ou semiótica, que deve estudar ―a vida dos signos no seio da vida social‖. Vemos, portanto, que o termo linguagem tem uma conotação bem mais abrangente do que língua. A fala, por sua vez, é um fenômeno físico e concreto que pode

ser analisado seja diretamente, com ajuda dos órgãos sensoriais, seja graças a métodos e instrumentos análogos aos utilizados pelas ciências físicas. Em nós ouvintes, a fala é, com efeito, um fenômeno fonético; a articulação da voz dá origem a um segmento fonético audível imediatamente a título de pura sensação. Esse fenômeno implica o aparelho fonador e a produção dos sons da fala. Qual a importância da aquisição e desenvolvimento da linguagem para a aprendizagem? De acordo com teorias linguísticas, todo ser humano é dotado da faculdade da linguagem. Entretanto, para esta capacidade se realizar é necessário à interação do indivíduo com outros seres humanos que dominem uma língua específica. Como vimos acima, a capacidade da linguagem se concretiza no exercício da língua, na interlocução com outros. A apreensão do conhecimento (qualquer que seja a sua modalidade) é mediada pela linguagem. Isto é, o conhecimento é passado para nós através da linguagem (fala, escrita, imagens, sinais etc). Ao apropriarmos deste conhecimento, nós o reelaboramos, apoiando-nos em nosso conhecimento prévio, em nossas experiências anteriores. Nesse processo é fundamental o papel da linguagem: ela ajuda a organizar o conhecimento, a estruturar o pensamento. O nosso contato com o conhecimento é mediado pela linguagem (mediação semiótica) e pelo outro (mediação pedagógica). Sendo a língua instrumento necessária ao exercício da linguagem, a interação verbal, a interlocução com o outro é essencial tanto para a constituição e desenvolvimento desta (linguagem) quanto para a aquisição de novos conhecimentos. A melhor forma de desenvolvermos a linguagem é interagindo com outros, pois a comunicação é a finalidade primeira da linguagem. Na interlocução, enriquecemos o nosso léxico, aprimoramos a

nossa capacidade de compreensão ao procurarmos entender o outro, e somos obrigados a organizar constantemente nosso pensamento a fim de sermos compreendidos. Ao mesmo tempo, entramos em contato com novos conceitos e temos a oportunidade de explicitar nossas dúvidas. Uma vez que a linguagem se realiza através de uma língua (qualquer que seja sua natureza: fala, língua de sinais), o domínio desta é essencial para a aprendizagem de uma forma geral. Pesquisas muito sérias (conferir Fijalkow, 1989)[2][2] mostraram que os alunos que mais fracassaram na escola foram aqueles que, por um motivo ou outro, tiveram pouca oportunidade de interagir verbalmente com seus pares e professores.

LINGUAGEM E EDUCAÇÃO Parece imensamente oportuno, pois, que se reforce o empenho pela pesquisa linguística de diferentes fenômenos, nomeadamente quando tais fenômenos recobrem o domínio amplo e significativo do texto, do discurso e de suas múltiplas incursões. Essa pretensão está visivelmente presente no livro Linguagem e Educação: fios que se entrecruzam na escola. O próprio título já aponta para a interdependência entre os domínios da linguagem e da educação, de forma a constituir um tecido feito de linhas que se cruzam, que se perpassam mutuamente. Na verdade, a proposta central do livro é pôr em destaque que não se pode pensar educação sem linguagem e que explorar a linguagem representa uma forma de desenvolver nas pessoas suas capacidades para compreenderem melhor o mundo e, assim, atuarem socialmente de forma ampla, crítica, participativa e adequada às situações concretas da interação

social. Por isso, o livro está organizado para considerar, em primeiro lugar, a relação entre "Práticas Discursivas e Ensino"; em segundo, entre "Literatura e Ensino" e, por fim, entre "Prática Pedagógica e Legislação Educacional", cumprindo, assim, de forma tão significativa, áreas ou perspectivas que transcendem em muito as estreitas visões da prescrição linguística. Dra. Irandé Antunes (UFPE/UECE). Sumário: Primeira parte Práticas discursivas e ensino. A intertextualidade intersuportes: estratégia de quebra de expectativas na leitura e na escritura de gêneros. A produção escrita na escola: o computador como ferramenta pedagógica. Leitura e (hiper)texto: "novas" práticas contemporâneas? A leitura de hipertextos: charge. A notícia no jornal escolar: o que sabem os alunos acerca dos gêneros que produzem? O conceito de pergunta nas teorias e abordagens linguísticas: uma visão panorâmica. Segunda parte - Literatura e ensino. Pirlimpsiquice: jogo de vozes em palco dialógico. O perfume da Fulô do Mato assuense: o romantismo na obra de Renato Caldas. Os filhos da carochinha: contando e recontando histórias . Terceira parte Práticas pedagógicas e legislação educacional. Ensino de leitura e escrita: a escola primária potiguar em 1920. A prática e a teoria: uma transversalidade possível no trabalho docente. Estratégias de indagação em aulas de Matemática. Estudantes no Ensino Médio e a sua relação com as aulas de Português. A Educação Infantil na LDB: pressupostos antropológicos, éticos e sociológicos RESUMO O presente artigo argumenta sobre a possibilidade da existência de uma linguagem crítica na educação. Em contrapartida à educação para o senso comum, do tipo bancária e padronizadora praticada pela indústria cultural e educacional capitalista, que usa ―uma linguagem simplificada para ser usada pelas massas‖ (Tognolli), com ―invariantes fixos, clichês prontos, tradução

estereotipada de tudo‖ (Adorno), pensamos que é possível dialogar como ―intersubjetividades não-violentas‖, o que envolve reconhecer a diferença, a diferença total (Gur-Ze'ev), visando despertar a consciência do ―quanto os homens são enganados de modo permanente‖ (Adorno). Isso requer o uso de uma linguagem crítica de modo poético (Bakhtin) e dialógicoamoroso (Freire), pois, se a linguagem crítica for violenta, estará sendo utilizada a mesma lógica da dominação, não promovendo, portanto, a emancipação. INTRODUÇÃO Apesar de toda ilustração e de toda informação que se difunde (e até mesmo com sua ajuda) a semiformação passou a ser a forma dominante da consciência atual, o que exige uma teoria que seja abrangente (ADORNO, 1996, p. 388). O presente artigo argumenta sobre a possibilidade da existência de uma linguagem crítica na educação. Em contrapartida à educação para o senso comum, do tipo bancário e padronizadora praticada pela indústria cultural e educacional capitalista, que usa ―uma linguagem simplificada para ser usada pelas massas" (TOGNOLLI, 2001), com ―invariantes fixos, clichês prontos, tradução estereotipada de tudo‖ (ADORNO, apud PUCCI, 1995), pensamos que é possível dialogar como ―intersubjetividades não-violentas‖, o que envolve reconhecer a diferença, a diferença total (GUR-ZE'EV, 2001), visando despertar a consciência do ―quanto os homens são enganados de modo permanente‖ (ADORNO, 1995). Isso requer o uso de uma linguagem crítica de modo poético (BAKHTIN, 1998) e amoroso-dialógico (FREIRE, 2001), pois, se a linguagem crítica for violenta, estará sendo utilizada a mesma lógica da dominação, não promovendo, portanto, a emancipação. Tendo por meta desenvolver uma contra-hegemonia à linguagem

palavras e silêncio) dependem da relação entre sujeitos e são construídos na interpretação dos enunciados. Significa transformar e redimensionar o espaço da recepção como espaço de interação e transformação e modificar os papéis de emissores e receptores. que coloca o emissor como propositor de mensagens fechadas e o receptor passivo diante delas. isso significa superar visões de um modelo redutor. inclusive no ciberespaço. da democracia e da nãoviolência. na qual o conhecimento é considerado como mercadoria e os estudantes são sujeitos passivos. marcado pela unidirecionalidade. julgamos que a linguagem crítica na educação deve fazer mediações poéticas e dialógicas nos círculos de cultura.autoritária e sedutora da educação bancária e padronizadora. reduzindo-se a clientes nessa fase da globalização do capital. O sentido e a significação dos signos (amplamente entendido como sons. para uma . passando a estar inserido num movimento dialógico na comunicação em torno do significado. criando uma força contrária à tendência hegemônica dominante. Para desenvolver esse argumento serão explicitadas as concepções de linguagem para Bakhtin e Freire. seu significado nas perspectivas dos Estudos Culturais e da Teoria Crítica para que se possa. estabelecer as inferências a partir da premissa geral da emancipação humana. enfim. Segundo Lima (2001). gestos. pressupostos que orientam a presente proposição. emissor e receptor. Nessa perspectiva. o centro da interlocução deixa de estar polarizado entre o eu e o tu. A linguagem em Mikhail Bakhtin e Paulo Freire Mikhail Bakhtin (1986) e Paulo Freire (2001) concebem a linguagem como essencialmente dialógica. imagens. Suas idéias sobre o homem e a vida são marcadas pelo princípio de que a interação entre os sujeitos é o princípio fundador tanto da linguagem como da consciência.

estão sempre se confrontando. percebe-se que o diálogo restringe-se a um plano inferior de detalhamento ou esclarecimento de discursos prontos. constroem-se e desconstroem-se. impedindo que os demais venham à tona. já que emissor e receptor passam a fazer parte de um processo de relações interligadas por fios dialógicos. Para ele ensinar exige criticidade e respeito à . Freire (1987) critica o monologismo da comunicação. é entender emissão e recepção como espaços recursivos. No campo educacional. oriundos de um único emissor. dinâmicos e dialógicos. através de um mesmo sistema de signos lingüísticos‖ (FREIRE. Na perspectiva de Freire. 67). impositivo e monológico. mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou construção. Em última análise. as partes são dicotomizadas em emissor (propositor da mensagem) e receptor (receptáculo acrítico do primeiro). quando afirma que ensinar não é transferir conhecimento. Para Bakhtin. para que o diálogo realmente aconteça é condição que os sujeitos tenham um campo de significados em comum. fazem-se e desfazem-se. isto é. p. os sujeitos interlocutores se expressam. e a língua passa a ser um instrumento de reprodução do sistema de dominação vigente. ―Em relação dialógico-comunicativa.dinâmica relacional co-autores/criadores. tradicionalmente a comunicação tem apresentado um caráter linear. monologia é a qualidade dos discursos autoritários em que um único sentido sobressai. Na prática. significa reconhecer que o interagir é mais do que simplesmente enviar e responder mensagens. como já vimos. 2001. Ademais. em jogos simultâneos. Assumir essa ótica na educação gera desafios. Tais relações são sempre relações em processo.

―na medida em que não é transferência de saber. 1993. 2001. 48). extensão e invasão cultural. No livro Pedagogia do Oprimido. criando o mundo da cultura. 67). Em vista disso. O capitalismo faz uma educação do tipo ―bancária‖. 69). SHOR. desafiado pela natureza. p. a transforma com seu trabalho. Para Freire (2001).autonomia do ser do educando. advindo daí a necessidade de sua superação. mais precisamente. da linguagem. compreender o pensamento fora de sua dupla função: cognoscitiva e comunicativa. p. a educação é concebida como um ato político e de comunicação – e não de extensão –. a mudança também se dá a partir do campo da consciência e. Freire coloca que: ―Existir. o homem é um ser de relações. No livro Medo e Ousadia (1993). serão feitos comunicados. Caso contrário. na perspectiva freireana. de mudança. que representa ―a inconciliação educador-educandos‖. Comunicação é educação. e não uma verdadeira comunicação. é diálogo. Na visão de Freire. p. Freire e Shor afirmam que a mudança social seria ―o estabelecimento de uma relação diferente com o conhecimento e com a sociedade‖ (FREIRE. E ao criar o mundo do trabalho e da cultura ele se percebe historicamente imerso na contradição opressores-oprimidos. a educação está inserida na sociedade e não descolada e reduzida a uma função capitalista de mero treinamento/ajustamento para o trabalho. 2001. a educação serviria para auxiliar o processo de transformação. pois a comunicação ―implica uma reciprocidade que não pode ser corrompida‖ (FREIRE. Sob essa ótica. . É impossível. Assim. que. mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados‖ (FREIRE.

1987.humanamente. necessidades. em lugar de implicarem sua aceitação dócil e passiva‖. Para que haja uma comunicação real e não alienadora entre educador e educando é necessário que se estabeleçam. reconhecer a existência daquilo que Vieira Pinto (apud FREIRE. e. mas direito de todos. desejos. decodificando-o criticamente. Dizer a palavra – que é também trabalho. Descobrir os temas geradores implica reconhecerem-se como homens que são. p. é práxis. seres inacabados. é modificá-lo. esperanças e temores do povo. problematizando-o. redescobre-se como sujeito instaurador do mundo e de sua experiência. e esse processo investigativo implica uma metodologia que não pode contradizer a dialogicidade da educação libertadora. aqueles conteúdos (temas geradores) que serão trabalhados. ao mesmo tempo produtos e produtores da história e. de comum acordo. p. no mesmo movimento da consciência. ocorre quando o homem. é pronunciar o mundo. conseqüentemente. 1987. . distanciando-se de seu mundo vivido. O mundo pronunciado. é transformação do mundo – não é privilégio de alguns. a exigir deles um novo pronunciar‖ (FREIRE. por sua vez. 90) ―chama de 'atos limites' – aqueles que se dirigem à superação e à negação do dado. fim último da educação. se volta problematizado aos sujeitos pronunciantes. a conscientização não significa dissertar sobre conteúdos e doar aqueles saberes que nada têm a ver com os anseios. Contudo. 78). por outro lado. para Freire. que. crítico e reflexivo que se dá o processo de conscientização e de humanização. É por meio de um autêntico diálogo amoroso.

ou apreendê-la de um ponto de vista específico‖ (BAKHTIN. Ele pode distorcer essa realidade. ao invés de simplesmente devolvê-lo como dissertação aos homens de quem o recebeu. ser-lhe fiel. 32). a palavra é concebida como signo e. do material tecnológico e dos bens de consumo. Por sua vez. resta perguntar: de onde vem o ideológico ou o signo? Para Bakhtin (BAKHTIN. Freire considera essencial que o educador dialógico. um signo ―(. p. Em vista disso. Para ele. como os signos mediam a relação do homem com sua realidade – como material semiótico de sua consciência –. ao lado dos fenômenos naturais. A partir dessa premissa. 36): ―a consciência individual não é o arquiteto dessa superestrutura ideológica. e está presente em todos os atos de compreensão e de interpretação.. 1986. 32). deve ser percebida como originária da relação social. mesmo em situações ditas revolucionárias. p. toda atividade mental do sujeito pode ser expressa .) não existe apenas como parte de uma realidade. mas apenas um inquilino do edifício social dos signos ideológicos‖.Nessa perspectiva.. Bakhtin (1986) aprofundou os estudos sobre a relação entre infra-estrutura e superestrutura por meio da linguagem e da consciência Para ele. Dessa maneira. o universo dos signos‖ (BAKHTIN. contribua para problematizar esse universo temático recolhido na investigação. 1986. ―existe um universo particular. ele também reflete e refrata uma outra. critica o elitismo das lideranças sobre as massas oprimidas. pois não é revolução o que na prática se configura como dominação. atuando como membro de equipe interdisciplinar. No entender de Bakhtin. como uma sombra. como tal. uma liderança que não seja dialógica está mantendo o ―dominador‖ dentro de si mesma. p. 1986.

Já nos monofônicos. representando uma síntese que respeita as diferenças. absoluta e incontestável. nos possibilita compreender a impossibilidade de uma formação individual sem alteridade. Quanto aos discursos autoritários. exteriorizando-se por meio de palavras. Embora para Bakhtin ―todo discurso ou texto seja dialógico. nas quais seu significado se realiza – nas e pelas interações entre sujeitos. ou outro meio. 36). como se fossem uma única voz. dissimuladas. mas numa situação histórica concreta. entre o que é dado e o que é criado. os discursos se constituem como monofônicos ou polifônicos. decorrente do discurso interior. em que se interpenetram a enunciação. escondem-se os diálogos e o discurso se faz discurso da verdade única. essas falas ou vozes são ocultadas. entre o mundo e a mente. Já os discursos poéticos seriam aqueles em que não são encontrados vestígios de autoritarismo e coerção social. A LINGUAGEM NA PERSPECTIVA CRÍTICA . ocorre entre interlocutores. mascaradas. autoritários e poéticos. mímica. as condições de comunicação e as estruturas sociais. nestes ―abafam-se as vozes‖. Essa tentativa de compreender as relações entre linguagem e sociedade. numa evidência da presença do outro na delimitação do mundo interior. num complexo diálogo entre a existência e a linguagem. um único discurso. nem todo texto mostra as várias vozes do discurso‖ (BARROS apud FARACO et al. 2001. A linguagem não é falada no vazio. Assim. entre o mundo da experiência em ação e a representação do mundo no discurso.. Nos textos polifônicos. ou respectivamente. p. O discurso não é individual. os diálogos entre os discursos são vistos ou se deixam ver.sob a forma de signos.

conforme julgamento de Darrell Moen (1998) e Stuart Hall (2003). sua força intelectual dominante. HALL. o ―consenso espontâneo‖ da população (GRAMSCI. Mas para ele. Gramsci avançou na teoria da ideologia acrescentando à filosofia marxista o conceito de hegemonia. como a mídia e a educação. esse ―senso comum‖ deve ser combatido em todas as frentes. A hegemonia expressa o consentimento das classes subalternas à dominação burguesa. entendida como ―falsa consciência‖. Nesse sentido. 1991. E a ideologia. assim como para Freire e Gur-Ze‘ev. fazendo com que os dominados vejam como ―natural‖ essa opressão. inclusive na mídia. 2003). Esse ―consenso‖ nasce do prestígio que a burguesia tem na sociedade e do aparato de coerção estatal que assegura legalmente a disciplina dos que ―consentem‖. . que distorce e falsifica a realidade. Para Gramsci.A partir da perspectiva dos estudos culturais de Antônio Gramsci. apresentando-se como a outra face do poder: a do domínio das consciências e da linguagem pela reprodução da ideologia. na sociedade capitalista a educação tem uma função política claramente definida: formar os intelectuais de diversos níveis cujas funções na sociedade civil são as de organizar a hegemonia. como algo imaterial. de que a classe que é a força material dominante na sociedade é. a partir da concepção de ideologia desenvolvida por Marx (1986). permeia e direciona todas as esferas da sociedade. a política após a Revolução Industrial é marcada por conflitos de classe que se expressam objetivamente por meio da exclusão/opressão e subjetivamente por meio da ideologia. ao mesmo tempo.

Assim. onde para Adorno e Horkheimer (1994). Eis aí o triunfo da publicidade na indústria cultural. segundo a qual. arte. Os intelectuais que a escola produz são classificados como intelectuais orgânicos ou de mais alto nível: criadores das várias ciências. a técnica está inserida na lógica da racionalidade instrumental enquanto dominação da indústria cultural. com o objetivo de contribuir com o processo de criação de uma outra hegemonia diversa da hegemonia dominante. o cinema e o rádio deixam de veicular arte e educação tornando-se um negócio. Assim. pela qual se identificam às mercadorias culturais .. Para eles.. filosofia. onde os meios estão acima dos fins.).. Não passam de um negócio a ser utilizado como ideologia destinada a legitimar a sociedade capitalista. a escola na perspectiva transformadora teria o papel de formar os intelectuais que organizarão/formarão uma nova cultura. Para Gramsci. técnicas como o cinema e o rádio mantêm coeso o todo. técnica. a qual tem a tarefa de formar os intelectuais que manterão. reproduzirão e aperfeiçoarão o sistema de opressão sob o capitalismo. pois para ele é na ―arena da consciência‖ que as elites utilizam os seus intelectuais orgânicos para manter a dominação.Esse ―consentimento espontâneo‖ que as pessoas têm acerca da existência de um sistema coercitivo na sociedade é transmitido/reforçado pela escola. e os de nível mais baixo: administradores e divulgadores da riqueza intelectual existente. etc. é difícil escapar dessa racionalidade instrumental. As mais íntimas reações das pessoas estão tão completamente reificadas para elas próprias que a idéia de algo peculiar a elas só perdura na mais extrema abstração (. reificando as consciências das pessoas. Análise similar é encontrada na perspectiva da Teoria Crítica. a mimese compulsiva dos consumidores.

a relação assimétrica entre ator e objeto que. decifram muito bem (ADORNO. tendem a criar um sistema distópico (FEENBERG. Isso me leva a enfatizar a natureza essencialmente hierárquica da ação técnica. geralmente concordam que a emergência do poderio tecnocrático no Leste e no Oeste eclipsou a luta de classes. corresponde à sua definição‖ (ADORNO. 4). como conseqüência. Para Adorno. E essa semiformação. a indústria cultural – sinônimo de mídia – gera a semicultura e. os clichês prontos. 2004. há a produção de uma semiformação. HORKHEIMER. os invariantes fixos. ao gerar uma administração tecnocrática.que eles. por outro lado a exclusão do novo. o qual. 1994. p. onde ―os conteúdos objetivos. a disseminação de bens padronizados para a satisfação de necessidades iguais. p. p. Críticos radicais da tecnologia. cria um sistema distópico. 1996. em nível de linguagem. de Mumford e Marcuse até os de hoje. é obtida mediante: A seqüência automatizada de operações padronizadas. 395). a tradução estereotipada de tudo. à tendência a uniformização. geram. Também argumento que o tema central da política atual é a prevalência da administração tecnocrática e a ameaça que joga sobre a ação humana. 156). quando alcançam grandes espaços das relações humanas. de certo modo. . se permitem uma distribuição mais acessível e universal de bens culturais. Feenberg (2004) argumenta sobre a natureza essencialmente hierárquica da técnica que. ao mesmo tempo. coisificados e com caráter de mercadoria da formação cultural perduram à custa de seu conteúdo de verdade e de suas relações vivas com o sujeito vivo. do diferente.

antes de tudo. apud PUCCI. Sua hipótese é que os computadores podem absorver palavras-chave e incentivar a cultura do superficialismo. os newspeaks. 2001. Para ele. Tognolli argumenta que já temos as palavras simplificadas. chavão de linguagem. Em nível do sujeito. 85). CONSIDERAÇÕES FINAIS Para Feenberg (2004) e Kellner (2004). 177). que exaltam ao extremo os benefícios da supervia informacional. algo próximo à linguagem da nova Oceania. p. ―uma linguagem simplificada para ser usada pelas massas‖ (TOGNOLLI. 1995. onde se supõe que os indivíduos consigam dados e entretenimento a seu dispor. do romance 1984 de George Orwell (1977). gerarão indivíduos que falarão e pensarão por clichês – ou falarão e pensarão significantes sem significados‖ (TOGNOLLI. eles argumentam que sua realidade enquanto integrante das mais . O que antes era pensamento cede lugar ao não-pensamento. E esse processo de palavras-chave e clichês pode ser apenas uma parte disso: temos uma linguagem simplificada para as pessoas consumirem. Contudo. Apoiado nos argumentos de Eugene Provenzo. clichê.do criativo‖(ADORNO. p. o que pode tornar a cultura de massa ainda mais superficial. à automação. é. insiram-se em novas comunidades virtuais e até mesmo criem novas identidades. 2001. as tecnologias da mídia e do computador estão criando profundas mudanças sociais. p. Tognolli (2001) teoriza que sociedades que se relacionem ―só por palavras fixas e códigos de acesso em vez da mediação e dos acontecimentos sociais. 27). programação.

quando alerta aos professores que comecem a . a qual pode reforçar as relações capitalistas de produção e hegemonia. assim como o diálogo não é. p. uma vez que o conjunto das informações analógicas (audiovisuais e outras) deve ser substituído em breve pelo digital. 1999. apesar de o ciberespaço ser uma máquina de prazer pós-moderna que visa à reprodução da dominação capitalista em sua fase globalizada e auto-controlada. a reflexão. E explicita o papel emancipador. para ele. Essa possibilidade faz com que os sujeitos ressuscitem o que é esquecido ou desconstruído na Rede: o Eros. essas tecnologias também contêm potencial para democratizar. Gur-Ze'ev (2000) analisa que. Para Adorno (1995). que se dará em breve. essa generalização da amnésia que constituirá a realização definitiva da indústria do esquecimento. Mas. com a codificação do computador tomando o lugar das linguagens das ―palavras das coisas‖(VIRILIO. hoje. mais do que uma utopia. desbarbarizar é a tarefa mais urgente da educação. do ―processamento automatizável do conhecimento‖. a transcendência e a ética em um diálogo historicamente situado. Neste sentido.avançadas forças de produção cria uma nova sociedade capitalista global. ainda há a possibilidade do imprevisível e do incontrolável. ético da educação. em oposição à massificação e à violência da indústria cultural. consideramos pertinente o alerta de Virilio já em 1999: Mas isso ainda não é nada comparado à inauguração. 119-120). portanto. raça e gênero. transformando a comunicação em espetáculo. ao mesmo tempo. e. humanizar e transformar as desigualdades existentes no domínio de classe. dado que o sujeito. Contudo. a realização do Espírito crítico não está garantida.

da carência. portanto. 1986. Na perspectiva dos Estudos Culturais. entendida como a ―passagem do momento puramente econômico (ou egoísta-passional) ao momento ético-político. A partir da crítica de Marx. e a linguagem nasce. p. p. é desde o início um produto social. da necessidade de intercâmbio com os outros homens Onde existe uma relação.despertar em seus alunos a consciência de que os homens são enganados de modo permanente. a linguagem é tão antiga quanto a consciência – a linguagem é a consciência real. a elaboração superior da estrutura em superestrutura na consciência dos homens‖ (GRAMSCI. 1991. isto é. E como se faz isso? Retomemos a Marx quando na sua terceira tese sobre Feurbach postula que: ―A coincidência da modificação das circunstâncias com a atividade humana ou alteração de si próprio só pode ser apreendida e compreendida racionalmente como práxis revolucionária‖ (MARX.. 43). entendemos que tanto a linguagem como a consciência são expressões da relação do homem com o mundo. (. portanto. Como corolário. p. audições e assistências conjuntas. que existe para os outros homens e. músicas e filmes comerciais (e ainda acrescentaria softwares.12). 1986. com eles utilizando revistas. etc. 53).). e continuará sendo enquanto existirem homens (MARX. Para Marx. sites. Para isso ele sugere atividades que envolvam leituras.. mostrando-se-lhes as falsidades dos discursos ali presentes. tem-se que: ―a consciência da necessidade de estabelecer . como a consciência. existe para mim mesmo.) A consciência. ela existe para mim. temos que para Gramsci a superação da hegemonia (ou falsa consciência) ocorre pela catarsis. tanto em nível social quanto natural. hipertextos. prática. rádios.

o ―trabalho é a objetivação da vida genérica do homem: ao não se reproduzir somente intelectualmente. p. ele se duplica de modo real e percebe a sua própria imagem num mundo por ele criado‖ (MARX. p. inversamente. 2001. 1971. Assim: ―A consciência que o homem tem da própria espécie altera-se por meio da alienação. e conseqüentemente da história. determina a sua consciência‖ (MARX. p. a sua objetividade real como ser genérico e transforma em desvantagem a sua vantagem sobre o animal. 117). como na consciência. é roubada do homem ―a sua vida genérica. dessa forma. Assim. 2001. 1986. p. mas cada vez mais refinada com o passar dos tempos. salientando.relações com os indivíduos que o circundam é o começo da consciência de que o homem vive em sociedade‖ (MARX. Marx afirma que ―não é a consciência dos homens que determina seu ser. Marx conclui que o trabalho alienado transforma a . de modo que a vida genérica se transforma para ele em meio‖ (MARX. p. E a partir do momento em que o homem estabelece a consciência. dado que sua concepção do homem. quando o produto do trabalho é apropriado por outro homem e torna-se alienado. mas ativamente. o seu corpo inorgânico‖ (MARX. primitiva num primeiro momento. Contudo. 44). ele estabelece a divisão do trabalho material e espiritual. então lhe é arrebatada a natureza. a primazia do material sobre o imaterial. 29). 2001. A partir disso. aquele que tem necessidades tanto materiais como imateriais e que trabalha para satisfazê-las. é o homem concreto. 117). No entanto. é o seu ser social que. 117) (grifos do autor).

da sua vida genérica. Quando o homem se contrapõe a si mesmo. quando o temos em posse imediata. em meio da sua existência individual. ou seja. 120). para que seja possível libertar os sentimentos físicos e morais dominados pela posse. caso isso não aconteça..). . entra do mesmo modo em oposição com outros homens (MARX. é a alienação do homem em relação ao outro homem. sobretudo. do trabalho alienado. assim como a característica externa.. a propriedade privada decorre. o bebemos. 2001. p. do homem alienado. o usamos.. sua concepção da essência do homem tem por pressuposto a crítica da propriedade privada. 142). se estaria utilizando a mesma lógica do opressor. 2001.vida genérica do homem. a qual tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos. Uma implicação imediata da alienação do homem a respeito do produto do trabalho. portanto. É por isso que o lugar de todos os sentimentos físicos e morais foi ocupado pela simples alienação de todos esses sentimentos pelo sentimento de posse. 117) (grifos do autor). ou melhor. que essa linguagem crítica não seja violenta. quando. Diante disso. A essência humana devia cair nessa miséria absoluta para fazer nascer de si própria sua riqueza interior (MARX. quando o comemos. a sua vida intelectual a sua vida humana (. pensamos que a luta pela desalienação da consciência através de uma linguagem crítica requer. p. Nesse sentido. 2001. quando ele existe para nós como capital. Para Marx. e também a característica enquanto sua propriedade genérica espiritual. numa palavra. p. nele vivemos. da vida alienada. pois. o consumimos. em ser estranho.. ―da análise do conceito de trabalho alienado. Aliena do homem o próprio corpo. do homem estranho a si mesmo‖ (MARX.

A linguagem verbal é a matéria do pensamento e o veiculo da comunicação social. que. Não há sociedade sem comunicação. portanto. Tudo o que se produz como linguagem ocorre em sociedade e constitui uma realidade material que se relaciona com o que lhe é exterior. Caso contrário. continuaremos a ter o que bem analisa Adorno (1996. o qual. Linguagem. Como realidade material a linguagem é relativamente autônoma. lingüística É notável a semelhança nas explicações em epigrafe sobre a origem do mundo: embora formuladas em épocas remotas. associam a palavra ao poder mágico de criar. p. corresponde à sua definição‖. busquem superar a dominação que existe nas relações de classe (Marx). língua. Retraçaremos a história dessa busca para entender como o objeto de estudo foi aos poucos se delineando e assumindo as configurações que hoje nos estudo lingüísticos. em uma educação que se queira crítica. por meio do diálogo amoroso (Freire). coisificados e com caráter de mercadoria da formação cultural. . de certo modo. 395): ―No clima da semiformação. O fascínio que a linguagem sempre exerceu sobre o homem vem desse poder que permite trocar experiências. perduram à custa de seu conteúdo de verdade e de suas relações vivas com o sujeito vivo. desenvolver uma práxis educativa na qual a linguagem seja a expressão das múltiplas vozes (Bakhtin). os conteúdos objetivos. A complexidade do fenômeno lingüístico vem há muito desafiando a compreensão dos estudiosos.Torna-se imprescindível.

tentando proceder a uma analise precisa da estrutura linguística. Os gregos preocuparam-se em definiras relações entre o conceito e a palavra que o designa. Aristóteles desenvolveu estudos noutra direção. O conhecimento de um numero maior de línguas vai provocar o interesse pelas línguas vivas. para que os textos sagrados não sofressem modificações.1. Varrão dedicou-se a gramática. a Grammaire generale ET raisonnee de Port Royal. Em 1660. A publicação de Franz Bopp sobre o sistema de conjugação do sânscrito é considerada o marco do surgimento da Linguística Histórica. os modistas consideraram que a estrutura gramatical das línguas é uma e universal. Mais tarde os gramáticos hindus dedicaram-se a descrever minuciosamente sua língua. esforçando-se por defini-la como ciência e como arte. Foram razões religiosas que levaram os hindus a estudar sua língua. Na Idade Média. O estudo vai evidenciar o fato de que as línguas se transformam com o tempo. A religiosidade ativada pela Reforma provoca a tradução dos livros sagrados em numerosas línguas. A descoberta de semelhanças entre essas línguas e . Uma breve historia do estudo da linguagem O interesse pela linguagem é muito antigo. O pensamento linguístico contemporâneo preconizava a analise dos fatos observados. de Lancelot e Arnaud demonstra que a linguagem se funda na razão. ou Gramática de Port Royal.

ao mesmo tempo. Apresentadas duas propostas. 2. O desenvolvimento dos estudos linguísticos levou muitos estudiosos a proporem definições da linguagem. O grande progresso na investigação do desenvolvimento histórico das línguas foi acompanhado por uma descoberta fundamental que veio a alterar o próprio objeto de analise dos estudos sobre a linguagem. A Linguística não era autônoma. a linguagem. que possui um único termo – language – para os dois conceitos – língua e linguagem. que pressupõem uma teoria geral da linguagem e da analise linguística. Saussure considerou a linguagem “heteróclita e multifacetada”. Tal constatação fica mais patente se pensarmos em traduzi-la para o inglês. O método cientifico supões que a observação dos fatos seja anterior ao estabelecimento de uma hipótese e que os fato observados sejam examinados sistematicamente mediante experimentação e uma teoria adequada. O que é a linguagem? As línguas naturais são manifestações de algo mais geral. A Linguística moderna considera a prioridade do estudo da língua falada como um de seus princípios fundamentais. Os estudiosos compreenderam melhor do que seus predecessores que as mudanças observadas nos textos escritos correspondentes aos diversos períodos que levaram. é. a de Saussure e a de Chomsky. física. submetia-se as exigências de outros estudos.grande parte das línguas europeias vai evidenciar que existe entre elas uma relação de parentesco. pois abrange vários domínios. .

transmitida geneticamente e própria da espécie humana. pois não se sabe como inferir sua unidade”. cada sentença só pode ser representada como uma sequência finita desses sons (ou letras). Chomsky acredita que tais propriedades são tão abstratas. isto é. reconhecer o que se diz e o que não se diz naquela língua. Assim sendo. mesmo que as sentenças distintas da língua sejam em numero infinito. complexas e especificas que não poderiam ser aprendidas a partir do nada por uma criança em fase de aquisição da linguagem. se for escrita). e quais não são. existem propriedades universais da linguagem. o norte-americano Noam Chomsky trouxe para os estudos linguísticos uma nova onda de transformação “Doravante considerarei uma linguagem como um conjunto (finito ou infinito) de sentenças. isto é. Cabe aos linguista que descreve qualquer uma das línguas naturais determinar quais desses sequências finitas de elementos são sentenças. pertence ao domínio individual e social. a linguagem é uma capacidade inata e especifica da espécie. Em meados do século XX. A analise das línguas naturais deve permitir determinar as propriedade estruturais que distinguem a língua natural de outras linguagens. portanto. segundo Chomsky e os que . Toda língua natural possui um numero finito de sons (e um numero finito de sinais gráficos que os representam. “não se deixa classificar em nenhuma categoria de fatos humanos. cada uma finita em comprimento e construída a partir de um conjunto finito de elementos”. Para Chomsky.fisiológica e psíquica. Essas propriedades já devem ser acionadas durante o processo de aquisição da linguagem.

. o funcionamento dos mecanismos psicológicos e fisiológicos envolvidos na produção dos enunciados. de um lado. O desempenho pressupõe a competência. a competência – conhecimento linguístico interaliado – aproxima a linguística da Psicologia Cognitiva ou da biologia. de outro. A tarefa do linguista é descrever a competência. ou o que é linguístico do que não é – Chomsky distingue competência Linguística é a porção do conhecimento do sistema linguístico do falante que lhe permite produzir o conjunto de sentenças de sua língua. O desempenho corresponde ao comportamento linguístico. Assim como Saussure – que separa língua de fala. ao passo que a competência não pressupõe desempenho. Existe linguagem animal? . pressupostos sobre as atitudes do interlocutor etc.compartilham de suas ideias. Esses pesquisadores dedicam-se a busca de tais propriedades. crenças. atitudes emocionais do falante em relação ao que diz. que é puramente linguística subjacente ao desempenho. é um conjunto de regras que o falante construiu em sua mente pela aplicação de sua capacidade inata para a aquisição da linguagem aos dados linguísticos que ouviu durante a infância. na tentativa de construir uma teoria geral da linguagem fundamentada nesse princípios. que resulta não somente da competência linguística do falante. mas também de fatores não linguísticos de ordem variada. e. Essa teoria é conhecida como gerativismo. A língua – sistema linguístico socializado – de Saussure aproxima a linguística da sociologia ou da Psicologia Social. é um conjunto de sentenças de sua língua. como: convenções sociais. 3.

segue em linha reta e faz uma volta completa a esquerda.Um estudo clássico sobre o sistema de comunicação usado pelas abelhas. a menos de cem metro. A direção a ser seguida é dada pela direção da linha reta em relação à posição do sol. a abelha executa uma dança circular. ou em forma de oito. realiza uma dança em forma de oito. A mensagem transmitida pela dança em forma de oito é muito precisa. Se o alimento está próximo. e assim sucessivamente. se está distante. em que a abelha contrai o abdome. Quanto maior a distancia. publicado em 1959 por Karl Von Frisch. revela que a abelha-obreira. as abelhas descobrem o local onde se encontra a fonte do alimento. ao encontrar uma fonte de alimento. Os dois tipos de dança apresentam-se como verdadeiras mensagens que anunciam a descoberta para a colméia: ao perceber o odor da obreira ou absorvendo o néctar que ela deglute as abelhas se da conta da natureza do alimento. que permite avaliar pelo confronto a singularidade da linguagem . Os estudos do zoólogo alemão fazem uma importante revelação sobre o funcionamento de uma “linguagem” animal. traçando círculos horizontais da direita para a esquerda e vice versa. ao observar a dança. a abelha percorre nove ou dez vezes em 15 segundos a linha reta que faz parte da dança. regressa a colméia e transmite a informação às companheiras por meio de dois tipos de dança: circular. menos giros faz a abelha (para 500 metros faz seis giros em 15 segundo). porque indica a distancia em metros: para a distancia de cem metros. de novo corre em linha reta e faz um giro para a direita.

e b) Produzir uma mensagem simbolizando – representando de maneira convencional – esses dados por diversos comportamentos somáticos. condição essencial para a linguagem. sem intervenção de um “Aparelho vocal”. o que significa que não há dialogo. Essa constatações evidenciam que esse sistema de comunicação cumpre as condições necessárias a existência de uma linguagem: há simbolismo.humana. c) A comunicação se refere a um dado objetivo. capacidade de formular e interpretar um “signo” (qualquer elemento que represente algo de forma convencional). no sentido em que o termo é empregado quando se trata de linguagem humana. b) A mensagem da abelha não provoca uma resposta. Embora seja bem preciso o sistema de comunicação das abelhas – ou de qualquer outro animal cuja forma e comunicação já tenha sido analisada – ele não constitui uma linguagem. esse sistema é valido no interior de uma comunidade e todos os seus membros são aptos a empregá-lo e compreende-lo da mesma forma. Assim como a linguagem humana. fruto da . há memória da experiência e aptidão para analisá-la. As abelhas são capazes de: a) Compreender uma mensagem com muitos dados e de reter na memória informações sobre a posição e a distancia. conforma assinala Benveniste (1976). mas apenas uma conduta. como se pretende demonstrar a seguir. as diferença entre o sistema de comunicação das abelhas e a linguagem humana são consideráveis: a) A mensagem de traduz pela dança exclusivamente. No entanto. ou seja.

o (desinência numero-pessoal). a menor unidade. pois permite produzir uma infinidade de mensagens novas a partir de um numero limitado de elementos sonoros distintivos. Em síntese. A linguagem humana caracteriza-se por oferecer um substituto à experiência. os segmentos sonoros. água. a única variação possível refere-se a distancia e a direção.experiência. é um código de sinais. relação a uma só situação. A abelha não constrói uma mensagem a partir de outra mensagem. apto a ser transmitido infinitamente no tempo e no espaço. pode-se chegar a elementos menores ainda. e e) A mensagem das abelhas não se deixa analisar. ainda. a comunicação das abelhas não é uma linguagem. decompor em elementos menores. que é fundamental na linguagem humana. denominados morfemas. Num enunciado lingüístico como “quero água” é possível identificar três elementos portadores de significado: quer –(radical verbal) + . como se pode observar na substituição de (À) por (é) em água égua. para o fato de que essa forma de comunicação tenha sido observada entre insetos que vivem em sociedade e é a sociedade a . Benveniste chama a atenção. É esse ultimo aspecto a característica mais marcante que opõe à comunicação das abelhas a linguagem humana. transmissão unilateral e enunciado indecomponível. denominados fonemas. No enunciado “quero água”. o conteúdo da linguagem humana é limitado. permitem distinguir significado. Essa é a propriedade da articulação. d) O conteúdo da mensagem é único – o alimento. Prosseguindo a decomposição. mensagem invariável. como se pode observar pelas suas características: conteúdo fixo.

mesmo que sob formas diversas. as propriedades de flexibilidade a adaptabilidade. mímica. Os estudos lingüísticos não se confundem com o aprendizado . O que é a Linguística? Como o termo linguagem pode ter um uso não especializado bastante extenso. uma parte dessa ciência geral. como também possibilitam falar do presente. que são a forma de comunicação mais altamente desenvolvida e de maior uso. podendo referir-se desde a linguagem dos animais até outras linguagens – musica. mas só a linguagem verbal é capaz de traduzir com maior eficiência qualquer um desses sistemas semióticos. um gesto podem expressar. Uma pintura. entre outras. um mesmo conteúdo básico. as línguas naturais. 4. etc. No entanto. As línguas naturais situam-se numa posição de destaque entre os sistemas signicos porque possuem. perguntas. ordens. é de se notar que todas as linguagens (verbais e nãoverbais) compartilham uma característica importante – são sistemas de signos usados para a comunicação. Esse aspecto comum tornou possível conceber-se uma ciência que estuda todo e qualquer sistema de signos. afirmações. que permitem expressar conteúdos bastante diversificados: emoções. passado e futuro. dança pintura. estuda a principal modalidade dos sistemas. A Linguística é. uma dança. – convém enfatizar que a Linguística detém somente na investigação cientifica da linguagem verbal humana. sentimentos. Saussure a denominou Semiologia. Peirce a chamou de Semiótica.condição para a linguagem. portanto.

estético ou critico. O lingüista procura descobrir como a linguagem funciona por meio do estudo de línguas especificas. Recife. considerando a língua um objeto de estudo que deve ser examinado empiricamente. em segunda instancia. ao comparar sua expressão verbal a dos falantes de outras regiões. A Lingüística não se compara ao estudo tradicional da gramática. As diferenças de pronuncia. A prioridade atribuída pelo lingüista ao estudo da língua falada explica-se pela necessidade de corrigir os procedimento de analise da gramática tradicional.de muitas línguas: o lingüista deve estar apto a falar “sobre” uma ou mais línguas. gramaticais é lexicais que estão sendo usados. a fala das comunidade e. como modelo único para qualquer forma de expressão escrita ou falada. ao observar a língua em uso o lingüista procura descrever e explicar os fatos: os padrões sonoros. que se preocupava quase exclusivamente com a língua literária. muitas vezes o fazem considerar “horrível” o sotaque de algumas dessas regiões. conhecer seus princípios de funcionamento. etc. por exemplo. Belo Horizonte. suas semelhanças e diferenças. Esses julgamentos não são levados em conta pelo lingüista. como Rio de Janeiro. a metodologia de analise Lingüística focaliza. de vocabulário e de sintaxe observadas por um habitante de São Paulo. dentro de seus próprios termos. como a Física. cuja função é estudar toda e qualquer expressão Lingüística como um fato merecedor de descrição e explicação dentro de um quadro cientifico adequado. m a escrita. sem avalias aquele uso em termos de um outro padrão: moral. O prestigio e a . Salvador. “esquisito” seu vocabulário e “errada” sua sintaxe. a Biologia. principalmente.

são obstáculos para os principiantes nos estudos da Lingüística. seleção e analise dos dados lingüísticos obedecem aos princípios de uma teoria Lingüística expressamente formulada para esse fim. de . muitas vezes. organização. São duas tarefas interdependente. como no caso de línguas indígenas. É comum ouvir dizer de uma criança ainda não alfabetizada. aqui. que uma descrição Lingüística tenha outros objetivos. É possível. que tem dificuldade em perceber a aceitar a possibilidade de considerar a língua falada independentemente de sua representação gráfica. por exemplo. No século XIX os lingüistas preocuparam-se com o estudo das transformações por que passavam as línguas. entretanto. africanas ou outras que ainda não circulem no meio escrito. que pronuncie mola por mora. Os resultados obtidos são correlacionados as informações disponíveis sobre outras línguas com o objetivo de elaborar uma teoria geral da linguagem. Os critérios de coleta. dois campos de estudos: a Lingüística geral e a descritiva. quando na realidade ela ETA substituindo um som por outro. a Lingüística descritiva fornece os dados que confirmam ou refutam as teoria formuladas pela Lingüística geral. na tentativa. Distinguem. que “ela troca letra”. alem de oferecer elementos para analise da Lingüística geral. A Lingüística geral oferece os conceitos e modelos que fundamentarão a analise das línguas.autoridade da língua escrita em nossa sociedade. o trabalho de descrição de uma língua pode estar preocupado em produzir uma gramática ou um dicionário. não pode haver Lingüística geral ou teórica sem a base empírica da lingüística descritiva. com o objetivo de dotá-la de instrumento para sua difusão na forma escrita.

Muitos lingüistas tomam a separação sincronialdiacronica como um rigoroso principio metodológico: ou se investiga um estado de língua ou se investiga a historia da língua. Saussure reconhecia a importância e a complementaridade das duas abordagens: a sincrônica e a diacrônica. no inicio do século XX. introduziu um novo ponto de vista no estudo das línguas. é necessário comparar diferentes estados de língua pré Linguagem. Saussure.explicar as mudanças Lingüísticas. Em sincronia os fatos lingüísticos são observados quanto ao seu funcionamento. por exemplo. pela relações que estabelecem com os fatos que o precederam ou sucederam. num determinado momento. o ponto de vista sincrônico. então. Lingüística viamente caracterizados como tais e observar as mudanças que ocorreram na expressão sonora e no uso. pronome pessoal. Para explicar. os estudos diacrônicos são feitos com base na analise de sucessivos estados de língua. dois ramos da Lingüística: a sincrônica e a histórica. A Lingüística era histórica ou diacrônica. Em diacronia os fatos são analisado quanto as suas transformações. como o pronome de tratamento Vossa Mercê se transformou até assumir a forma atual Você. que constituiriam o sistema lingüístico. língua. num ponto do tempo. Temos. A descrição Lingüística observaria “a relação entre coisas coexistentes”. Embora defendessem a perspectiva sincrônica no estudo das línguas. O estudo sincrônico sempre precede o diacrônico. segundo o qual as línguas eram analisadas sob a forma que se encontravam num determinado momento histórico. . A descrição sincrônica analisa as relações existentes entre os fatos lingüísticos num estado de língua.

que trabalha no âmbito da relação entre língua e cultura. 5. ao fundamentar sua analise na língua escrita. feita pelo gramático hindu Pane – em que pese seu propósito de assegurar a conservação literal dos textos sagrados culta (blasha) precisava ser estabilizada para defender-se da “invasão” dos falares populares (pracritos). que se detém no exame da interação entre língua e sociedade. o estudo do fenômeno lingüístico na interface com outras disciplinas criou varias áreas interdisciplinares: a etnolinguistica. normativo em relação à língua. a sociolingüística. preocupada mais com a construção de modelos teórico do que com a descrição de estados de língua. a psicolingüística.Modernamente. Com muitas áreas de estudo se interessam pela linguagem. Ao não reconhecer a diferença entre língua escrita e língua falada passou a considerar a expressão escrita como modelo de correção para toda e qualquer forma de expressão Lingüística. A esse respeito é significativo lembrar que a primeira descrição Lingüística de que se tem noticia. A gramática tradicional assumiu desde sua origem um ponto de vista prescritivo. difundiu falsos conceitos sobre a natureza da linguagem. a Lingüística sincrônica vem sendo denominada Lingüística teórica. Gramática: o ponto de vista normativo-descritivo A gramática tradicional. a dos sânscrito. que estuda o comportamento do individuo como participante do processo de aquisição da linguagem e da aprendizagem de uma segunda língua. portanto num .

em detrimento de um conhecimento mais amplo da diversidade e variedade dos usos lingüísticos. falar certo continua sendo valorizado. como as do árabe. Outras gramáticas antigas. é uma das marcas distintivas das classes sociais dominantes. as sociedades contemporâneas expressar-se segundo a norma. Linguística: o ponto de vista descritivo-explicativo . é esse uso o único que vai ser estudado e definido pela escola. A tarefa do gramático se desdobra em dizer o que é a língua. dizer como deve ser a língua. Na maioria dos casos. assume uma só forma: a do uso considerado correto da língua. Por outro lado. 6. as demais cariedade são consideradas inferiores e incorretas.momento em que uma determinada variedade Lingüística deveria ser valorizada e difundida. grego e latim. também eram prescritivas e pedagógicas. Na verdade. de intrinsecamente heterogêneo. descrevê-la. almejavam descrever a língua cuidadosamente. ela fornece argumentos para se acreditar que existe uma única maneira correta de se usar a língua. a conjunção do descritivo e do normativo efetuada pela gramática tradicional opera uma redução do objeto de analise que. Visto que a norma da correção é prescrita por uma fonte de autoridade. e ao privilegiar alguns usos. Essa tradição normativa serve de modelo ainda hoje. porque a correção da linguagem está associada às classes altas e instruídas. principalmente nos países onde há a preocupação em desenvolver e fortalecer uma língua padrão. mas também prescreviam o uso correto.

como nos exemplos a seguir: 1) “Fui no Ibirapuera. observando para a escolha uma diferença sutil de sentido: a introduz numerosas circunstancias como movimento ou extensão. o uso mais freqüente prefere a preposição em. direção para um lugar com a idéia acessória de demora ou destino.” 3) “Quero ir a Bahia”. três possibilidades de uso: duas variantes . que deve ser evitado. Mesmo se observarmos alguns fatos do português contemporâneo verificaremos que as formas consideradas “erradas” são freqüentes. mesmo na fala das pessoas cultas. estudando em profundidade as transformações da linguagem. No entanto. mostrou que as mudanças Lingüísticas freqüentemente tem sua origem na fala popular: muitas vezes o errado de uma época passa a ser consagrado como a forma correta da época seguinte. com verbos de movimento.” Nesses casos. 4) “Nunca fui ao Maracanã.” 2) “Ela foi na feira. A Lingüística histórica. cujo emprego é considerado pelos gramáticos normativistas solecismo de regência. o verbo “ir de movimento” deve ser empregado apenas com as preposições “a” e “para”. Observamos.A pesquisa Lingüística desenvolvida no século XIX levou a separar cada vez mais o conhecimento científico da língua da determinação de sua norma. segundo a tradição gramatical. ocorrendo de forma bastante variável em alguns casos. então. para indica movimento.” 5) “vá já para casa.

Com o objetivo de descrever a língua. nem aceita a possibilidade de escolha. em textos arcaicos e em textos do século XIX. A abordagem descritiva assumida pela Lingüística entende que as variedades não padrão do português. A visão prescritiva da linguagem não admite mais de uma forma correta. os exemplos acima são sentenças gramaticais dentro da variedade (dialeto) coloquial. por exemplo. O termo “gramatical” é usado aqui com um valor descritivo: a gramática de uma língua ou de um dialeto é a descrição das regularidades que sustentam a sua estrutura. A descrição dos fatos assim organizados não tem . Convém destacar que essa forma estigmatizada já tinha ocorrido no passado. caracterizam-se por um conjunto de regras gramaticais que simplesmente diferem daquelas do português padrão. a Lingüística desenvolveu uma metodologia que visa analisar as frases efetivamente realizadas reunidas num corpus representativo (conjunto de dados organizados com uma finalidade de investigação). O corpus não constituído apenas pelas frases “corretas” (como a gramática normativa). A Lingüística. que uma forma seja mais adequada para um uso do que para outro. também inclui as expressões “erradas”. descreve seu objeto como ele é não especula nem faz afirmações sobre como a língua deveria ser. portanto.aceitas pelo padrão culto e uma terceira variante rejeitada por esse mesmo padrão. como seria o caso de uma expressão mais apropriada à língua escrita do que á falada. Assim sendo. desde que apreçam na fala dos locutores nativos da língua sob analise. ao uso coloquial do que a uma situação formal de comunicação. como qualquer ciência.

é necessária uma teoria explicativa que preceda os dado e que possa explicar não só as frases realizadas. Para esse autor e seus seguidores. propõe que a analise Lingüística prenda-se menos aos dados e preocupa-se mais com a teoria. livre de preconceitos sociais ou culturais associados a uma visão leiga da linguagem. e dos norte-americanos Bloomfield e Harris conformavam-se á teoria descritivista. um fenômeno só é explicado quando se pode deduzi-lo de leis gerias. Dessa postura teórico-metodologica diante da língua decorre o caráter cientifico da Lingüística. isto é. a partir do final dos anos 1950. pretende tão somente depreender a estrutura das frases. Chomsky. A Lingüística é empírica porque examina a língua de forma independente. As analises Lingüística efetuadas. que se fundamenta em dois princípios: o empirismo e a objetividade. na se confunde com a gramática normativa porque não dita regras. até os anos 1950. É a competência do falante que vai . Para Chomsky não basta apenas observar e classificar os dados. apenas explica as frases realizadas e potencialmente realizáveis na língua proposta.nenhum intenção normativa ou histórica. como é conhecida. dos fonemas e as regras que permitem a combinação destes. que julgava a descrição dos fatos suficiente para explicá-los. A teoria da gramática. pelo seguidores de Saussure. na Europa. Denomina de gramática essa teoria. todas as frases que pertencem á língua. dos morfemas. trata de todas as frases gramaticais. A intuição do falante é o único critério da gramaticalidade ou agramaticalidade da frase – conceitos que não se confundem com a gramática normativa. mas também as que potencialmente seriam produzidas pelo falante.

organizar os elementos lingüísticos que constituem uma sentença. que não separa o sistema lingüístico das funções que seus elementos preenchem. que constituem a gramática universal (GU). A gramática funcional leva em consideração o uso das expressões Lingüísticas na interação verbal. Reflete o comportamento do locutor que. Outra proposta de explicação do fato lingüístico é apresentada pela gramática funcional. Estão relacionados á Escola Lingüística de Praga os mais representativos desenvolvimentos da teoria funcionalista. conferindo-lhes gramaticalmente. A gramática é gerativa. fundado em 1926. Uma seqüência de palavras é agramatical quando não respeita as regras gramaticais do sistema lingüístico. porque de um numero limitado de regras permite gerar um numero infinito de sentenças. A Escola de Praga teve origem no Circulo Lingüístico de Praga. os participantes e o contexto discursivo. inclui na analise da estrutura gramatical toda a situação comunicativa: a propósito do evento da fala. como: Problema este muito seu difícil é. fundamentada nos princípios do funcionalismo. a partir de uma experiência finita e acidental da língua. No que se refere à estrutura gramatical das . Os gerativistas estão preocupados em depender na analise das línguas propriedades comuns universais da linguagem. pode produzir e compreender um numero infinito de frases novas. As propriedades formais das línguas e a natureza das regras exigidas para descrevê-las são consideradas mais importante do que a investigação das relações entre a linguagem e o muno. do conhecimento internalizado de que dispõe o falante.

antes de tudo. em termos de propriedades formais do sistema lingüístico. e pelo que é apresentado como novo ouvinte. mas contribuem para compreender melhor o complexo fenômeno linguagem. Considerandose as sentenças: 1) José saiu ontem à noite e 2) Ontem à noite José saiu Pode-se afirmar que (1) e (2) são versões diferentes da mesma sentença. que não se excluem. Os diversos desdobramentos que o funcionalismo apresenta na atualidade concordam com o fato de que a língua é. usado para estabelecer relações comunicativas entre os usuários. Dentro da perspectiva funcional da sentença considera que a estrutura dos enunciados é determinada pelo uso e pelo contexto comunicativo em que ocorrem. que não se esgota no estudo das características internas à língua. pelo que já é aceito ou dado como informação conhecida. mas pode-se dizer que a ordem das palavras é determinada pela situação de comunicação em que os enunciados são proferidos e. aproximam-se do ponto de vista do sociolinguista ao incluir o comportamento lingüístico na noção mais ampla de interação social. mas se abre para .línguas. Nesse aspecto. verdadeiramente informativo. instrumento de interação social. correspondem a diferentes abordagens da língua. os lingüistas da Escola de Praga detiveram-se na definição da perspectiva funcional da sentença. em particular. As possibilidades explicativas expostas não são as únicas. portanto.

regras gramaticais. Gramática 1 A.Tipos de Predicado 7 A. metalinguística.introdução 4 Pronomes 5 Sintaxe .Métrica C.Coordenadas 9 Regência Nominal 10 Pontuação 11 Vozes do Verbo 12 Diversos: sinônimos. parônimos. antônimos. conativa.Regras de Escrita 3 Morfologia .Complemento Nominal D. a historia..Aposto F.Ritmo 2 A.Orações Subordinadas B.Funções da Linguagem B.outras abordagens que considerem o contexto.Vocativo 8 A.introdução 6 A. a sociedade. fática e poética..Adjunto Adnominal E. está carregado com os próprios sentimentos do .são seis: emotiva. 13 Figuras de linguagem 14 Verbos 15 Concordância Verbal PARTE 1 A-) FUNÇÕES DA LINGUAGEM .Complementos Verbais (Objeto Direto e Indireto)BAdjunto Adverbial C. 1) Função emotiva (ou expressiva): Quando um emissor é posto em destaque. referencial.Tipos de Sujeito B.Fonemas B.Morfemas C.Regras de Acentuação D.

está falando dos signos lingüísticos usando os próprios. Ocorre em textos literários.: "A língua é um sistema de signos que exprimem idéias. geralmente tem ponto de exclamação.br. "Eu nunca estive tão bem quanto estou agora!". 5) Função Fática: Ocorre quando o canal é posto em destaque. 3) Função referencial: Ocorre quando o referente é o posto de destaque "os professores entrarão em greve. Os melhores exemplos são os livros de gramática e os dicionários. É comum o uso de verbos no imperativo ou verbos e pronomes na 2ª ou 3ª pessoa."." .vestibularlegal.: textos jornalísticos e científicos. cabe ao receptor identificar na mensagem recebida a sua função predominante.. verbos e pronomes na 1ª pessoa.emissor.. Ex. . As primeiras palavras de quem atende o telefone "Alô! Pronto!) os cumprimentos diários (Tudo bem? Boa tarde. pois sua finalidade é traduzir a realidade.".. "Você quer passar no vestibular? Entre no Site WWW.Sentido literal (verdadeiro) da palavra. Se organiza no sentido de convencer o receptor por meio de estímulo. Denotação . outro exemplo é um poema que reflete a criação poética. poesias e versos. e por conseguinte. 2) Função conativa (ou apelativa): ocorre quando o receptor é posto em destaque. Ex..: anúncios e publicidade. a intenção do emissor.com.tem objetividade. ex. Ex. Quase sempre há mais de uma função no texto.) 6) Função poética: ocorre quando a própria mensagem é posta em evidência. 4) Função metalingüística: ocorre quando o código é posto em destaque.

com dez. processo segundo o qual o verso é dividido em sílabas poéticas. Recriação da realidade a partir de fatos concretos. Os mais conhecidos são redondilhas.da fala ou canto .preocupação fundamental é veicular. Divisão gramatical: Man/das/te/ a/ som/bra/ de/ um/ bei/jo = 10 sílabas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Divisão poética: Man/das/te a/ som/bra/ de um/ bei/jo 1234567 na terceira e sexta sílaba as vogais átonas agruparam-se (elisão) e a última sílaba. trissílabo (três). As vogais são agrupadas numa única sílaba. informações sobre a realidade. de modo objetivo.) MÉTRICA .sentido figurado. . Linguagem literária . a literária é conotativa. A linguagem referencial é denotativa.a divisão silábica poética obedece a princípios diferentes da divisão silábica gramatical. B. Decassílabo. etc. dissílabo (duas).Conotação . foi desprezada.trata de modo pessoal. com doze. Monossílabo (uma sílaba). Por ter base na oralidade . e a contagem das sílabas deve ser feita até a última tônica. Linguagem referencial . a menor com cinco sílabas e a maior com sete. Escansão. figurado e artístico uma realidade concreta ou fictícia. depreende-se a métrica de um verso. alexandrino. por ser átona.é a medida dos versos.

Tu choraste em presença da morte? Na presença de estranhos choraste? (Gonçalves Dias) Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! (Casimiro de Abreu) Rima . assonância e parassonância: Aliteração . as vezes no interior dos versos (rima interna). só mais recentemente surgiu o verso livre.. Em poesia.qualquer alternância regular de elementos numa dada seqüência temporal. vozes veladas Vagam nos velhos vórtices velozes . Aliteração.é a repetição de sons consonantais idênticos ou aproximados.O verso cuja métrica se repete é chamado verso regular. normalmente no início das palavras: Vozes veladas. Volúpia dos violões. C-) RITMO . veludosas vozes. AABB. que não obedece a uma regularidade métrica.recurso musical baseado na semelhança sonora das palavras no final dos versos.. A acentuação de uma sílaba é determinada pela seqüência melódica a que ela pertence. ABAB. o conceito poético de sílaba acentuada nem sempre coincide com o conceito gramatical de sílaba tônica. o ritmo se dá pela alternância de sílabas acentuadas e não acentuadas.

é a aproximação de palavras de um texto pela sua semelhança na forma ou no som. enxame. PARTE 2 A-) FONEMAS .são as unidades sonoras de que uma palavra é constituída ao ser pronunciada. (Cruz e Souza). Assonância ./a/.Uma mesma letra pode representar um só fonema ou uma combinação de fonemas (máximo. Assim. vassoura. os fonemas da palavra pato são /p/. o ar sai dos pulmões. vivas. Um mesmo fonema pode ser representado por uma só letra ou por uma combinação de duas letras. vulcanizadas. exceto) Dífono . passa pela traquéia. que podem ser . êxodo. Na escrita a menor unidade da palavra é a letra. na fala é o fonema. (ascensorista. a função do fonema é constituir palavras. desça. Dígrafo .c. Na produção da fala.Quando uma combinação de duas letras representa um único fonema. Aí encontra as cordas vocais. /t/. até chegar à laringe. sinto. tradicionalmente simbolizada entre barras inclinadas (//).é a repetição de um mesmo som vocálico: Ó Formas alvas. Formas claras (Cruz e Souza) Parassonância . caça (s.ç). cinto. Um mesmo fonema pode ser representado na escrita por letras diferentes: sair. Tal semelhança pode envolver toda a palavra ou parte dela.Dos ventos. como exemplifica a expressão horrendo Henrique. brancas. /u/ * considera-se a pronúncia predominante entre os falantes de português no Brasil. vãs. táxi).

Quando a corrente de ar. Pai . Amor . sç. dos lábios e do maxilar inferior. quando encontra livre passagem. Pai = /pay/ Separam-se os dígrafos rr.pronunciada sempre com maior intensidade do que as outras vogais . são produzidos os fonemas consonantais. são produzidos os fonemas vocálicos. Excluída a vogal tônica. boi /boy/ louco /lowku/ Ditongo . . A vogal tônica da palavra .É o encontro de uma vogal e uma semivogal. sílaba átona é "va.fonema vocálico tônico é /a/ e a sílaba tônica é "pá". água = /agwa/ Quando for vogal + semivogal é ditongo decrescente. a corrente de ar alcança a faringe até chegar à boca. que modificam a forma da boca. xc e os encontros consonantais sç e cc: car-ro / nas-cer / ex-ce-to./Y/ e /W/.vibradas ou não. sílaba átona é "a". as restantes são átonas. A seguir. sc. ss. a fim de que o som que está sendo produzido seja diferenciado em fonemas. Vatapá .pay (a = vogal e y = semivogal) Quando for semivogal + vogal é ditongo crescente. onde se realizam os movimentos articulatórios da língua. ao passar pelo aparelho fonador encontra obstáculo parcial ou total.é a responsável pela formação da sílaba tônica.fonema vocálico tônico é /o/ e a sílaba tônica é "mor". Fonemas semivocálicos . ta".

. a) Afixos . modificando seu sentido básico. Quando colocados antes do radical. -e 2ª e -i 3ª. pobr-es.Morfemas relacionados ao universo da língua . Em verbos. que é segmentado em unidades menores que são os versos. . quando depois de sufixos. . relaciona-se com o universo da realidade.Um primeiro nível de segmentação de um poema é a estrofe.são morfemas que se agregam ao radical. . indica a conjugação a que estes pertencem: a.Morfena da realidade é chamado de radical. Indispensável b) Vogal temática . vogal temática.-o . Fit a ndo . Elemento mórfico ou morfema é a menor unidade portadora de significado de uma palavra.A menor unidade de uma palavra. informando respectivamente gênero e número. desinências.faz e m . Completa ou altera o sentido do radical. -a. As palavras que se formam com o mesmo radical são chamadas cognatas ou da mesma família etimológica.B-) MORFEMAS . capaz de portar um sentido é o MORFEMA.morfema relacionado ao universo da realidade e os morfemas relacionados ao universo da língua. "os" morfemas -o e -s. informa o significado básico da palavra: pov-O. que indica a 1ª conjugação.sent i r As vogais temáticas dos nomes determinam a formação de substantivos e adjetivos. são chamados de prefixos. -e. que é dividido em palavras. designando ser humano. A palavra meninos: 3 morfemas menin-.São Afixo.é a vogal que sucede o radical de verbos e nomes.

avó. e palavras terminadas em consoantes. Nos nomes informam gênero e número: menin o s Nos verbos informam modo. ou seja.e. urubu. o. mulher. c) Tema é o radical somado a vogal temática: fit a ndo rad. normas para o uso correto da linguagem.tupi. como alvará. É conhecida também com Prescritiva porque dita as regras. Além .i.: são atemáticas as palavras oxítonas terminadas em a. como feliz. + vog. flor. a língua culta.ajunt a mento peix e espant o Obs. número e pessoa: apregoa va s va = imperfeito do indicativo s = 2ª pessoa do singular Tipos de Gramáticas Quando alguém fala em Gramática geralmente se refere à Gramática Normativa e não sabe ou esquece que há outros tipos.tem = tema d) Desinências são morfemas que se colocam após o radical. Privilegia a língua escrita em detrimento da oral e não admite a existência de outra variante que não seja a língua padrão. cancomblé. A Gramática Descritiva é aquela utilizada pelos estudiosos e tem o objetivo de descrever e registrar determinada variedade dialetal em um determinado tempo(análise sincrônica da língua). e trazem a forma adequada de falar e escrever. que recuperam sua vogal temática no plural: felizes. u. A Gramática Normativa é aquela que encontramos nas escolas e em cursinhos.

de analisar qualquer variedade existente, também privilegia a língua oral. A Gramática Internalizada é a competência linguística do falante de determinada língua. Essa Gramática seria a responsável pelo conjunto de regras que o indivíduo domina e que permite que ele use a língua de forma satisfatória em sua comunidade. A Gramática Contrastiva é aquela utilizada no ensino de línguas, descreve duas línguas ao mesmo tempo que evidencia os padrões de uma língua na outra. Por isso, também é conhecida como Gramática Transferencial. Quando utilizada no ensino da língua materna, mostra os padrões parecidos entre as variedades dialetais. A Gramática Geral ou Universal é aquela em que há uma comparação do maior número de línguas com a intenção de detectar os fatos linguísticos que podem ser realizados e condições em que podem ocorrer. A Gramática Histórica é aquela cujo objetivo é o estudo de uma determinada língua, desde o seu surgimento até os nossos dias. História O interesse pela linguagem data da antiguidade clássica. Tal interesse se apresenta, na Grécia, no interior da filosofia, que se viu levada a estudar a estrutura do enunciado para poder tratar do juízo. Isto levou Platão a estabelecer a primeira classificação das palavras de que se tem conhecimento. Para ele as palavras podem ser nomes e verbos. Depois dele Aristóteles considerou uma outra classificação das palavras: nomes, verbos

e partículas. Se aqui temos a primeira divisão da cadeia de sinais linguísticos pelo reconhecimento de uma diferença de categoria entre palavras, estamos diante de uma posição que toma como interesse a relação da linguagem com o conhecimento. A divisão entre nomes e verbos procura descrever a estrutura do juízo, que deve falar de como é o mundo. Ao lado dos estudos filosóficos, também na Grécia, desenvolveram-se os estudos retóricos e gramaticais. A Gramática pode ser considerada como elemento de uma das primeiras revoluções tecnológicas da história do Homem. A gramática constitui-se na história como uma instrumentação das línguas que, enquanto arte (no sentido latino) ou técnica (no sentido grego), considera a gramática “um manual com regras de bom uso da língua”, isto é, trata-se de um compêndio com normas para falar e escrever corretamente . Conceito O termo "Gramática" é usado em acepções distintas, referindo-se quer ao manual onde as regras de regulação e uso da língua estão explicitadas, quer ao saber que os falantes têm interiorizado acerca da sua língua materna. Costuma-se classificar a Gramática em partes "autónomas, porém harmónicas entre si", afim de facilitar o seu estudo. Uma classificação mais antiga (não significa incorreta...) estipula as -seguintes partes: • Fonética;

• Morfologia; • Sintaxe; e • Tópicos especiais (elementos de etimologia, versificação, história etc.). Uma classificação mais atual, comporta: • Comunicação e expressão; • Fonética; • Morfologia; • Sintaxe; • • • • Etimologia; Semântica; Literatura; Lógica.

Os 3 principais tipos de gramática são: Gramática normativa/tradicional Chama-se gramática normativa a gramática que busca ditar, ou prescrever, as regras gramaticais de uma língua, posicionando as suas prescrições como a única "forma correta" de realização da língua, categorizando as outras formas possíveis como "erradas". A gramática hoje denominada tradicional propõe-se a sistematizar as regras de uma língua e, por meio delas, ensinar essa língua aos falantes que já a dominam.Uma das falhas apontadas para a gramática tradicional é a sistematização dos fatos lingüísticos dissociados do uso concreto da língua. Ao ignorá-lo, outros aspectos também passam a ser desconsiderados:

1) As diferenças entre as modalidades oral e escrita; 2) A influência do contexto em condicionar o uso das variedades dialetais; 3) A interferência do ‘tempo’ no processo evolutivo da língua. Gramática descritiva Uma gramática descritiva é, em primeiro lugar, a DESCRIÇÃO de uma LÍNGUA da forma como ela é encontrada em amostras da fala e da escrita (em CORPUS do material e/ou extraídas dos FALANTES NATIVOS). Na tradição mais antiga, a abordagem“descritiva” se opunha à abordagem PRESCRITIVA de alguns gramáticos, que tentavam estabelecer REGRAS para o uso social ou ESTILISTICAMENTE correto da língua (Crystal, 2000:129). Gramática internalizada “O conjunto das regras que o falante de fato aprendeu e das quais lança mão ao falar” (Travaglia,2001:28). Segundo suas próprias palavras, a gramática pode ser definida como um “conhecimento implícito sobre o que constitui a língua materna e como ela funciona” (apud Johnson & Johnson, 1998).Perini, por exemplo, além de considerar a gramática um conhecimento internalizado da língua, utiliza o termo para designar uma área de conhecimento,bem como para se referir ao conjunto de regras. É o tipo de conhecimento que o falente tem em si desde quando aprende a falar , podendo ser definido como um

conhecimento implícito , que se aprende de acordo com o meio em que se vive. A aquisição da linguagem pela criança é inconsciente, ela faz uma verificação de hipóteses, do que ouve e as falhas são apagadas e as hipóteses corretas são arquivadas em sua mente.A partir da gramática internalizada na criança ela esta apta para falar e construir frases. História, domínio e variedade da língua portuguesa. Para contar a história da língua portuguesa devemos nos deslocar até o continente europeu e voltar no tempo a oito séculos antes de Cristo. Nessa época, algumas tribos que viviam no território que hoje correspondem à Itália se uniram, formando uma cidade chamada Roma. Esse foi o ponto de partida para a criação de um dos maiores impérios da história: o Império Romano. Os romanos, grandes guerreiros e conquistadores, foram pouco a pouco aumentando os seus domínios a partir de disputas militares por territórios; suas conquistas avançaram cada vez mais e chegaram à sua extensão máxima no segundo século depois de Cristo, quando o Império Romano ocupava a maior parte da Europa, além do território na África e na Ásia. Durante a expansão do império, os guerreiros romanos chegaram à ponta ocidental da Europa, região que chamam de ―Hispânia‖ e que hoje é a península Ibérica, onde ficam Portugal e Espanha. Quando conquistavam um território, os romanos implementavam nele o seu modo de viver e também a sua língua, o latim, para facilitar a administração e a comunicação por todo o império; o domínio romano, portanto, trazia algumas alterações

Depois do desenvolvimento máximo. implantaram nela o seu modo de viver e sua língua. graças aos avanços sobre o conhecimento sobre navegação. O próximo momento histórico importante para explicar a chegada da língua portuguesa ao Brasil. o francês.na economia. principalmente na África e na América. na cultura etc. no desenvolvimento das cidades. os portugueses fizeram várias expedições. podemos compreender a amplitude do domínio atual da . pois todas se desenvolveram do latim: são línguas neolatinas. o italiano e o romeno. como os romanos. econômicas. é o século XVI. formaram-se aos poucos nações com governos independentes e línguas próprias. no quinto século depois de Cristo. Cada um dos territórios conquistados pelos romanos passou a ter um desenvolvimento mais individual depois da queda do império. na política. Nessa época. como o português. o império se desintegrou. assim como a outras partes do mundo. populacionais. que foram agravando até que. Muitas dessas línguas (principalmente as europeias) são da mesma família. A partir dessa individualização. que vinha se formando desde o fim do Império Romano. descobrindo novas terras. Portugal foi um desses territórios que se desenvolveram e unificaram. Surgiram crises políticas. o Império Romano entrou em declínio. também terminou o seu estabelecimento nessa época (os textos mais antigos em português são do final do século XII). Vendo a extensão dos domínios coloniais de Portugal nessa época. formando uma nação. Suas fronteiras terminaram de ser instauradas em 1252 e a língua portuguesa. Fundaram colônias nesses lugares e. o espanhol. na integração do território.

Se observarmos apenas o vocabulário do português do Brasil. bodega. épula ou cibo (uso antigo). excelso. com influências da língua dos colonizadores (como fez Goa. também dependendo da situação. ou mantiveram suas línguas anteriores. superno (uso formal e figurado). luculento ou fabuloso (usos formais). soquete ou grude (usos informais e depreciativos). bonzão. paparoca. salgueiro ou rango (usos informais). dependendo da situação. bacana (usos informais). percebemos que há várias maneiras de dizer a mesma coisa. podemos usar soberbo. da região do país etc. supimpa (uso informal e jocoso).nossa língua pelo mundo: a partir do século XIX as colônias portuguesas foram conquistando a independência. Nem é preciso comparar países diferentes para perceber que a língua não é uniforme. manjuba (uso informal da Bahia e de São Paulo). não quer dizer unidade absoluta: é só compararmos o jeito de falar de um português com o de um brasileiro para percebermos que cada um dos dois usa uma variedade diferente da língua. gravanço. estado da Índia). ou comida. gororoba. papá (uso infantil). mistela. legal. genial.. mixórdia (uso depreciativo). A grande difusão da língua portuguesa que hoje é falada oficialmente em três continentes. boia. de-comer (uso popular). pão (uso figurado). das intenções do falante. usadas em diferentes situações. Para o que regularmente qualificamos como ótimo ou excelente. irado . Ficando independentes. Para o que chamamos regularmente de alimento. ou com diferentes intenções. maneiro. xepa (uso informal entre militares). ou adotaram o português como língua oficial (como fez o Brasil). pode-se usar manjar (uso formal e elogioso). por diferentes tipos de pessoas.

referente às mudanças fonéticas. que garante a sua unidade —. trabalho. o seu contato com outras línguas. ocupação ou serviço podem ser afã. canseira ou suor (usos figurados). particularmente à língua portuguesa. quefazer. batalha. rojão. na unidade geral da língua portuguesa do Brasil. labuta. Alcançar o conhecimento abrangente da língua portuguesa é indispensável para dominá-la verdadeiramente. semânticas e léxicas. a partir desses. Muitos outros exemplos poderiam ser dados. bico. batente. biscate. O conceito de história aplicado às línguas. esfrega. pois é a referência geral. A variedade da língua faz parte da riqueza da nossa cultura.: Mônica Orsini.(gírias). Da mesma forma. mantena (uso de Goiás e Tocantins). que se refere à sua expansão territorial. lida. sem dúvida. a situação. Origem. a identidade ou mesmo a intenção de quem fala. você já deve ter constatado que. mas também essas diferentes opções de uso. tem dois sentidos: a história externa. marmo (uso do Nordeste do Brasil e de Minas Gerais). trampo (uso informal de São Paulo). Para que essa herança cultural não fique de fora dos nossos estudos de português. trabulança ou viração (usos informais). há espaço para uma série de variações que podem acontecer de acordo com o lugar. galho. gregueu. ou mister (usos formais). devemos buscar conhecer não só a forma oficial da língua — que. deve ser valorizada e preservada. labor. mas. sintáticas. à repercussão que sobre ela tem os sucessos sociais e a história interna da língua em diacronia. . andança. mórficas. Formação e Domínios Atuais Da Língua Portuguesa Profª.

Os Romanos levaram sua língua aos povos por eles colonizados O português é uma língua neolatina. uma vez que já se encontram completamente inseridos na língua. ORIGEM. ). a imigração intensa.C foi a levada para a Península Ibérica. na península Itálica. o domínio árabe na península e a luta da reconquista cristã ( a partir do século VIII ).C. o contato com dos portugueses com os índios. do grupo itálico da grande família do indo-europeu. FORMAÇÃO E DOMÍNIOS ATUAIS DA LÍNGUA PORTUGUESA 1 – A origem da língua portuguesa A língua portuguesa é inicialmente. área situada no continente europeu onde se encontra atualmente Portugal e Espanha. a formação do reino de Portugal ( século XVIII ). etc. O português. por esse motivo há uma inter-relação entre o seu histórico e a história da península. nasceu da evolução do latim vulgar. a língua portuguesa guarda características de sua estória externa. O latim foi um simples dialeto falado pelos povos situados à margem do Rio Tibre. no Brasil. a invasão dos bárbaros germanos e a constituição de impérios bárbaros. a conquista romana da Península Ibérica ( consolidada no Século I a. um prolongamento do latim levado pelos romanos à Península Ibérica. ou românica. pelo poeta brasileiro Olavo Bilac ( pois foi a última língua originada do latim ). a importação de populações negras. local denominado Lácio. Atualmente. denominada a última ―flor do Lácio‖.A história externa da língua portuguesa compreende. Em 197 a. que são utilizadas sem nos darmos conta da origem de muitos signos lingüísticos. por exemplo. por . como o visigótico ( Século V – Século VII ).

C. o Império Romano atingiu seu apogeu. 1.A expansão romana na Península Ibérica Para impedir o crescimento de Cartago que visava subjugar toda a Península Ibérica.1 .legionários romanos. No campo cultural.. Os celtas eram um povo guerreiro e turbulento. com a anexação da Dácia ( atual Romênia ). ficassem mais acentuado. o latim. Com o passar dos séculos. esses dois povos mesclaram-se e conseqüentemente. deram origem aos povos celtíberos. gregos e os cartagineses introduziram colônias comerciais em vários locais da Península Ibérica e fizeram com que o envolvimento entre esses povos. na Ibéria. no século III a. No século I d.C. gregos e os cartagineses. cidade de domínio grego. o máximo de sua expansão . por volta de 197 a. impondo aos povos vencidos a sua língua. no século VI a.. os celtíberos pediram desesperadamente a ajuda dos romanos. Realizada a vitória sobre Cartago. o oposto dos íberos. pretendessem apoderar-se dela totalmente. Antes de acontecer a invasão romana na Península Ibérica. Com isso.C. Os íberos tinham características de uma população pacífica e agrícola e sofreram uma invasão dos celtas. Roma foi introduzindo com a sua conquista. lá originavam e habitavam povos dos quais não há um total conhecimento sobre tudo o que dizia respeito a eles. Os fenícios. povos gananciosos. temos os mais importantes que são os íberos. fenícios.C. Como os cartagineses. Dentre esses povos. Roma concretizava todo o seu domínio político-militar e principalmente cultural sobre toda a Península. que deu origem à 2ª Guerra Púnica. Os cartagineses apresentavam sérias ameaças que poderiam acabar de vez com os planos de Roma em dominar o mundo mediterrâneo. os romanos invadiram-na. quando houve o cerco de Sagunto. celtas.C. por ocasião do século I a.

Origem do latim literário e o latim vulgar Durante o período da invasão romana.C. das colônias helênicas do Sul da Itália. contudo aconteceram modificações e influências de vários dialetos e idiomas. Ele próprio era um grego de Tarento. embora um tanto imprópria.2. a alta perfeição da prosa de Cícero e César. O idioma. que formavam a Magna Grécia. até atingir no século I a.C. Os romanos levavam para as regiões conquistadas os seus hábitos. O latim vulgar tornou-se o idioma predominante na Península Ibérica. procurou diretamente em Homero e nos trágicos gregos os modelos para suas experiências de tradução de adaptação literárias. língua praticada por uma elite. A denominação latim vulgar.. e a versão corrente.. mas também aprendiam. tornou-se termo técnico da lingüística. Aprenderam muito com os gregos. as suas instituições. 1. trazido pelos legionários . Com a influência do grego. outras gentes e outras civilizações ensinavam. sob a benéfica influência grega. sob o domínio de Trajano. os romanos. o latim vulgar ( sermo vulgaris ). os padrões de sua cultura. desde as épocas antigas. o primeiro que tentou elevar à altura de língua poética aquele rude idioma de agricultores e pastores. dada no século III a. A hegemonia romana durou até o século V d. Aperfeiçoamento da língua latina que já se iniciado com Tito Andrônico. que era então o latim.geográfica. foram apurando o latim progressivamente. ao mesmo tempo que expandiram os seus domínios. ou da poesia de Virgílio e Horácio. por exemplo.C. Em contato com outras terras. a língua usada no colóquio diário pelos mais variados grupos sociais da Itália e das províncias. acentuou-se a separação entre o latim literário ( sermo ltiterarius ). através dos etruscos e. principalmente.

As tribos mais diversas logo assimilaram os seus costumes e instituições. inclusive os povos da Península Ibérica. adotaram a língua latina como língua própria. O latim vulgar tendo sido adotado por povos tão diversos. O latim difundiu o padrão literário no seu ensino. . Neste tempo. as regiões do Norte. como diz Estrabão. pois seus habitantes conservavam intactos os rudes costumes transmitidos de geração a geração há muitos séculos anteriormente. na Hispânia. incorporando variações próprias dos dialetos utilizadas anteriormente nos locais e na formação de neologismos. não pode conservar a sua relativa unidade. na Récia e na Dácia. É dizer romanizaram-se. das Astúrias e da Cantábria. 1. geógrafo grego: ―Os turdetanos especialmente os que habitavam as margens do Bétis. foi lentamente superando as línguas dos povos prélatinos. haviam adotado os costumes romanos. Não só na Itália. dos outros povos vencidos souberam ser os mestres imitados. ia tornando-se autônoma.A romanização da Península Ibérica Se os romanos se tornaram discípulos atentos dos gregos. em terras da Galiza. em uma área tão vasta. já precária como de toda língua que serve como meio de comunicação a vastas e variadas comunidades de analfabetos. mas também na Gália.romanos. Mas no campo ou nas vilas e aldeias a língua. .3. nos centros urbanos mais importantes e desta forma conseguia retardar até certo ponto os efeitos das forças de diferenciação. e até já nem se lembravam da própria língua‖ até já nem se lembram da própria língua‖ e acrescentava: ―não falta muito para que todos se convertam em romanos‖. sem nenhum controle normativo. ainda não se fazia sentir a presença de Roma.

no século III a. os romanos usaram as seguintes estratégias: abriram escolas. quase nada conservaram os idiomas hispânicos. de procedência germânica. bem como em todas as áreas dominadas pelos romanos. tais como – arra ( bocarra ). -orro ( beatorro ). templos e organizaram o comércio. embora os contatos políticos continuassem entre suas diversas partes. as regiões habitadas pelos outros povos da época.C. etc . dentre outras táticas. Os romanos entraram na Península Ibérica no século III a.. Das línguas dos povos que já existiam na península ibérica. braga (s). era de vocabulário reduzido. ao fim de longas e cruentas lutas. por ocasião da 2ª Guerra Púnica.. através de pesquisas. para implantar o latim e torná-lo uma língua utilizável por todos os povos da península. com relativa segurança. em 19 a. interligadas por uma certa comunidade de civilização. a Barbaria. tojo. um período de aculturação e de intercâmbio e contraste do latim. lavradores e soldados ). balsa. quando Augusto venceu a resistência dos altivos povos das Astúrias e da Cantábria. barro. em 409 da nossa era. gordo. que o latim vulgar. utilizado somente pelas baixas camadas sociais ( comerciantes. Houve o que se entende por Romania. funcionários administrativos. mas só conseguiram dominá-la por completo. No périodo em que foi dado o fim da invasão dos Romanos na Península Ibérica. carrasco. Na Península Ibérica.C. lousa. lança. a origem pré-romana apenas a uns quantos sufixos. manteiga tamuge.. dominaram a península. viajantes. Foi constatado. -asco ( penhasco ) e –ego ( borrego ) – e algumas palavras de significação concreta: arroio. com as línguas bárbaras.C.Podemos dizer que a unidade lingüística do Império não mais existia. Podemos atribuir. data da invasão romana. os povos bárbaros. lama. veiga. construíram estradas. a partir do século III da nossa era.

4. em 586.C. desde 425 de nossa era. já não havia mais a unidade lingüística do império romano.C. em 429 d. pelos povos bárbaros Germanos ( alanos. legítimo continuador do latim vulgar. com ele ruía não apenas o império romanovisigótico. Os alanos desapareceram rapidamente. A partir daí. com a invasão da Península Ibérica pelos povos bárbaros mencionados conservouse as palavras godas que se conservaram em português. divididas em 4 grupos ( excluindo nomes próprios de pessoas e de lugares ): no 1° grupo. e os suevos estabeleceram-se na Galécia e na Lusitânia. E três fatos concorreram para que isto acontecesse: A abolição da lei que proibia o casamento de godos com hispanos. sudoeste da Gália.1. O influxo dos bárbaros Germânicos. suevos e vândalos ) que entre as principais características. o domínio Visigótico. depois de haverem fixado-se na Bética. a mais famosa era o vandalismo e apresentaram uma cultura inferior à dos peninsulares. mas no século VI d. transportaram-se para a África. a conversão. que não mais distinguia os direitos das comunidades goda ehispana. por uma certa comunidade de civilização. não penetrou a ponto de atingir a base da língua. Estavam sediados na Aquitânia. o último rei godo. quando Rodrigo. embora continuasse existindo os contatos políticos entre as suas diversas partes. Os visigodos logo se fundiram com a população românica.O domínio visigótico Quando a Península Ibérica foi invadida novamente. foram absorvidos pelos visigodos. estes eram mais os mais civilizados dos povos germânicos e já mantinham antigos contatos com os romanos.. palavras que já pertenciam ao latim vulgar ou . promulgado por Recesvindo me 654. ato de Leovegildo. Assim. que tinha como religião o Cristianismo e como língua o hispano-românico. em 711. Do período denominado. não pôde deter a invasão árabe. desta vez. os vândalos. de Recaredo ao Cristianismo e o código.

finalmente no 4º grupo. aspa. com isso o romance ( conhecido como latim vulgar ). elmo. 1. Nas Astúrias. Com exceção da região das Astúrias. de onde surgiram as línguas românicas ou novilatinas. no 2º grupo. sítio. porém o romance ainda era usado pelos derrotados. malada ( arcáico ). norte e nordeste da Récia. espora. ganso. Espanha. rapar. triscar e. ufanar-se. espeto. o latim espalhou-se pela Itália. onde inconformados visigodos se refugiaram e planejaram a reconquista. aleive. O romance era falado pelo povo e passou a se desenvolver independemente em cada região. Porém não duvida-se que desta convivência árabe. mofo. agasalhar. guarecer. enguiçar. no 3º grupo. luva. taco. as palavras comuns a todas as regiões ocupadas primitivamente pelos Godos. pelo leste da região de Dácia. roupa. o latim vulgar sofreu muitas modificações pela ação do substrato lingüístico ( língua de um povo vencido sobre a qual se superpõe a língua do vencedor ) originando dos bárbaros. ou à península e a Itália. estaca. tascar. íngreme. O latim disseminou. aia. o latim foi ainda mais alterado. causando línguas diversas. ou seja. albergue. formou-se um dialeto chamado de galaico- . os árabes se apoderaram da Península Ibérica. estala. brotar. Córsega e Sardenha. as palavras privativas dos idiomas íberos-germânicos. dialetouse. aio. pela Gália.medieval. espia. a língua guarda até hoje várias palavras. trégua. Com a queda do Império Romano. guarda. roca. palavras peculiares à península e à França. fato. logo. bramar.4. guerra.O domínio árabe Depois da dissociação da monarquia dos visigodos. escanção. mofino. garbo. O árabe tornou-se o idioma oficial. Desta forma. logo após terem vencidos os visigodos. arrear. bando.

português. acelga e arro. por exemplo. açucena. arroba. Algumas povoações automaticamente receberam influência na linguagem e nos costumes são os chamados moçárabes. 2007 ). adufe. algarada. benjoim. arrebatar. de origem grega: alambique. arrabil. algibebe. algodão. alcácer. tambor. alecrim. alporão ( in CUNHA & LINDLEY. pois não havia diferença no falar da Galaza e da região chamada de Condado Portugalense. armazém. quintal. alaúde. álcool. no século VIII. A separação entre o galego e o português se iniciou com a independência de Portugal. palavras tais como acicate. zaga. Em alguns casos os árabes foram os intermediários de palavras que haviam tomado a outras línguas. ronda. alijava. álcali e etc. São. artigo definido árabe e alguns exemplos de palavras com este prefixo são: alcachofra. cifra. berinjela. atalaia. Do próprio latim há uma série de palavras introduzidas de forma arabizada: abricó. alcaparra. alfaiate. aduana. E ainda. os dialetos do norte interagiram com os dialetos moçárabes do sul. alquimia. açafrão. alface. jasmim e laranja. alfafa. algoritmo. califa. Os árabes nos deixaram pouquíssimas influências relacionadas à Língua Portuguesa e um grande exemplo a ser citado seria o léxico: cerca de mil vocábulos de origem árabe existem no léxico português. zênite. açúcar. emir. álgebra. albornoz. de origem sânscrita: alcanfor e xadrez. almocreve. almotacel. alferes. escarlate. alfange.O português primitivo ( período evolutivo da língua ) À medida em que o cristãos avançaram para o sul. almude. de origem persa: azul. adail. alfageme. começando o processo de diferenciação do português em relação ao galegoportuguês. 1. adarga. provocada pelos Árabes. alfazema. alfândega. nadir e etc. almoxarife. ameia. em 1185 e se consolidou com . anafil.5. alcaide. Muitos vocábulos são caracterizados pelos prefixos ‗Al‘. quilate. Da invasão ocorreu da Península Ibérica.

África e América. O português arcaico originou-se a partir do século XII em que foi criado o primeiro texto totalmente redigido em português: ―Cantiga da Ribeirinha‖. Entre os séculos XIV e XVI. Com a expansão do território mais para o sul. e chá. em 1385. Nessa região temos o dialeto galeziano que era uma língua estabelecida na região onde Portugal foi fundado e conseqüentemente depois de algum tempo. aumenta o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega. com a construção do império português de ultramar. Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Com o Renascimento. no século V. o rei Afonso Henriques. proclamando-se o 1º rei de Portugal. ―Cantiga de Ribeirinha‖. poesia escrita por Paio Soares. a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia. corrompendo-o É com a presença árabe. no século VIII. em 1140. de origem chinesa).a expulsão dos mouros em 1249. Moçambique. sofrendo influências locais (presentes na língua atual em termos como jangada. além da derrota dos castelhanos. Brasil. Foi através dessa língua é que temos a criação do primeiro documento da nossa literatura. cuja magnífica cultura contribuiu à decadência reduzindo o latim a alguns vernáculos. de origem malaia. O Português é falado nos cinco continentes e se mostra instrumento de alta eficiência da criação estética em poesia e prosa. passou a ser conhecido como galaico-português. Cabo Verde. Angola. Falado em Portugal. A decadência do latim se deu com as invasões bárbaras. tornando o português mais complexo e maleável. que tentaram anexar o país. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do . faz a sua independência em relação a Espanha. no qual identificações do português arcáico se dava através de poesias trovadorescas que estão juntas em ―cancioneiros‖.

As variedades crioulas são a adição dos contatos lingüísticos português e indígena. do globo terrestre.O português da África. ela não é suficiente para impedir a unidade superior da Língua Portuguesa. 2. A língua portuguesa conserva harmonia entre as suas diversas variedades. os dialetos portugueses setentrionais e os dialetos portugueses centro meridionais. em 1516. 2 – DOMÍNIOS ATUAIS DA LÍNGUA PORTUGUESA Atualmente. por mais que sua expansão na Europa tenha sido modificada e em outros continentes e territórios excluindo o caso das línguas criolas. Desde a expansão portuguesa.Os dialetos do português europeu: Na faixa ocidental da Península Ibérica ocupada pelo galegoportuguês apresenta-se um conjunto de dialetos que. de acordo com certas características diferenciais de tipo fonético.1. podem ser classificados em três grandes grupos: os dialetos galegos. Ásia e Oceania: Há dois tipos de variedades no que tange à assunção da língua portuguesa na África. a língua portuguesa é falada em área vastíssima e descontínua. mormente a partir do séculos XV e XVI.2. Ásia e Oceania: as crioulas e as nãocrioulas. internamente diferenciada em variedades que divergem de maneira mais ou menos acentuada quanto à pronuncia. à gramática e ao vocabulário. os protocrioulos serviram de base . O português é uma língua viva. Embora seja inevitável a existência de tais diferenciações.Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. 2.

e que se relacionam com as três noções anteriormente citadas. mercadores e pessoas simples nas costas da Arábia. Japão.para a comunicação entre navegadores. Cabo Verde é embasado na variedade européia. Moçambique. publicado inicialmente em Portugal e Posteriormente no Brasil. apresentaremos as noções de dicionário.unidade e diversidade linguística . África Ocidental e África Oriental. restrito e persuasivo de linguagem. São Tomé e Príncipe. de Francisco Júlio Caldas Aulete. pois. UNIDADE E DIVERSIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA: ENTRE O MESMO E O DIFERENTE O presente trabalho tem por objetivo apresentar algumas considerações sobre o nosso objeto de estudo da dissertação. Observa-se que o português de Angola. de linha pechetiana. Guiné-Bissau. originando o crioulo. a partir delas. de prefácio e de língua. Apela pelo modelo imposto da língua dominante para formar o ―pidgin‖ ( um modelo simples. que mais tarde se expandiria pelas novas gerações. Pérsia. Nosso trabalho inscreve-se na perspectiva teórico-metodológica da Análise de Discurso. Ao inscrevermo-nos na perspectiva teórica da . Desenvolvemos nosso trabalho sobre essas duas noções basilares. Índia. em articulação com a História das Ideias Linguísticas. China. Malásia. Nessa esteira. o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa (DCA) . tal como ambas vêm se desenvolvendo no Brasil. é possível entender a possibilidade de o diferente ser constitutivo do mesmo. de modo que possamos explicitar algumas considerações a partir de duas noções muito caras ao nosso estudo . pouco modificado portanto. Os crioulos são línguas criadas pela necessidade de comunicação entre sujeitos poliglotas.

p. não se pode tomar o lugar como algo estanque. O primeiro princípio. de retomadas. Bolsista Cap es. Assim. pensamos o domínio dicionarístico –lugar de retomadas. 132).. deslocamentos. Endereço eletrônico: daiasiveris@gmail. p. 132). as fronteiras atravessam as regularizações e o acontecimento irrompe nos domínios a cada nova circulação. os lugares na ordem da essência. Para tentar explicitá-lo. p. cujas fronteiras não são delimitadas. há o lugar no mundo‖ (Ibid. recorremos aos estudos de Scherer (2008) que aponta três princípios para pensar sobre a noção de lugar.. Essa regularização é entendida como um espaço de estabilidade. deslocamentos e rupturas. Ibid. Segundo Scherer (2008). segundo a autora supracitada. A partir disso. O segundo princípio proposto pela autora é pensar o lugar como domínios e fronteiras. 2002). delimitado por bordas que fixam as fronteiras e os domínios do conhecimento. mas ele deve ser tomado como um espaço móvel. e depois. ainda conforme a autora. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Santa Maria.como um conjunto de .Análise de Discurso na relação com a História das Ideias Linguísticas. mas fluidas. toma por base os pressupostos teóricos de Lacan a partir dos quais se entende o lugar como estrutura simbólica em que ―há lugar. abordar domínios e fronteiras é entender que as repetições têm certa regularidade. há lugares: os lugares topológicos. No terceiro princípio. o lugar seria ―fundante de domínio e de fronteira entre o histórico e o simbólico pela língua‖ (cf.com A partir disso. o lugar é tomado como ―um jogo de força que procura manter uma certa regularização em um certo domínio‖ (Ibid. Assim. o lugar em que nos inscrevemos e em que situamos o nosso trabalho é o de entremeio (Orlandi. cabe ressaltar que lugar é esse de onde falamos. 132). conforme a autora. rupturas . pois..

seja ele a gramática. p. que são ai nda hoje os pilares de nosso saber metalingüístico: a gramática e o dicionário. seja o dicionário. ―por gramatização deve-se entender o processo que conduz a descrever e a instrumentar uma língua na base de duas tecnologias. Destacamos. que a gramatização es tá relacionada ―a uma transferência de tecnologia de uma língua para outras línguas‖ (Ibid. tomando por base a tradição greco-latina. conforme a autora. não corresponde a uma transferência independente dacultura de cada povo. Assim. bem como através da . representa a relação dos falantes com a sua língua. Contudo. pois se deve levar em conta a situação dos sujeitos.técnicas (Auroux. ele é entendido como o lugar da completude. os dicionários são textos produzidos em certas condições e seu processo de produção está vinculado ao imaginário que temos da língua a ser dicionarizada. conforme afirma Orlandi (2002a).‖ (Ibid .. o dicionário é tomado como o espaço que contém todas as palavras de uma língua. muitas vezes. Essa completude. 1992) que tem por objetivo a gramatização e a instrumentação de uma língua.normatizada.. atribuindo a esta uma realidade histórica e social e garantindo sua unidade imaginária. O instrumento linguístico. consideramos o dicionário com o um instrumento linguístico resultante do processode gramatização que constitui a segunda revolução tecnológica nas ciências da linguagem (Id. pode se dar por meio de exemplos de autores consagrados. 74). Orlandi (2002a) afirma ainda que. Segundo a autora. A partir do que nos apont a o autor supramencionado. O processo de gramatização das línguas do qual fala o autor refere-se à produção de dicionários e gramáticas das línguas existentes. 65). Além de entendermos o dicionário como um instrumento linguístico e um objeto histórico. ainda.).). também o compreendemos como um discurso (Ibid. p.

daí pod ermos falar de retomadas. esses são dois mome ntos na constituição da nacionalidade de um território.remissão de um verbete a outros verbetes. a rela ção que se instaura. fixada em regras e normas. a imagem de que eles são completos. 2009). em geral. Esses processos de estabelecimento e fixação se con solidam para acelerar a construção de uma identidade nacional una e indivisa (Silva. A língua imaginária é e ntendida como a língua sistema. a língua das gramáticas e dos dicionários. pode ser observado que o dicionário não se constitui apenas como um objeto normativo. Esse func ionamento é garantido pela noção de língua imaginária (Orlandi. é de estabelecer e fixar uma língua. a língua que dá unidade à linguagem. a língua gramatical . embasados nos est udos realizados por Nunes (2006) sobre dicionários. E ntretanto. . deslocamentos e rupturas a part ir do trabalho que vimos desenvolvendo. É isso que assegura o funcionamento dos instrumentos linguísticos. Quando se fala de instrumentos linguísticos. ou seja. deslocamentos e rupturas. as marcas da língua outra (que não a 2 Pode-se afirmar que o domínio dicionarístico é um lugar de retomadas. 1996). que compo rtam todas as palavras que uma língua pode conter. Esses dois momentos não podem excluir a história e a memória dos sujeitos e de suas língua s. a língua sistematizada. Mais adiante.

ao registrar as formas. também apresentam saberes outros. 2002). ist o é. interessa ao Estado uma homogeneização pedagogicamente instituída para que se possa ensinar e aprender a língua nacional. O sujeito tem o imaginár io de que o dicionário é o espaço em que se pode reuni r e conter todos os sentidos possíveis de uma língua. os uso s e os sentidos‖ (p. o diferente. saberes que são da ordem do local.. muitas vezes. Assim como Petri (Ibid. 110). apagando-se as diversidades‖ (p. uma ilusão necessária ao sujeito para que este possa se constituir enquanto tal na relação com a sua língua.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL V SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DO DISCURSO O acontecimento do discurso: filiações e rupturas Porto Alegre. e. No entanto. esse instrumento linguístico é tomado. p. como um objeto normativo. esse é apenas um efeito de comp letude (Orlandi. Silva (2003) ressalta também que o dicionário é um objeto de representaçã o da nacionalidade. Porém. a língua é uma ―questão naci onal. por isso. 22). na medida em que ―legitima uma língua nacional. do regional e do nacional. um espaço . estejam elas se mostrando ou se escondendo por um silenciamento/ocultação de sentidos. esses mesmos dicionários que buscam a normatização. Conforme Petri (2010). Na medida em que se tem o ―efeito da completude da representação da língua‖ (Ibid. 103) no dicionário. de 20 a 23 de setembro de 2011 portuguesa) também aparecem no dicionário.) afirma que a língua é uma questão nacional.

imutável. sem faltas. conforme afirma Oliveira (2006). diz respeito também à formação dos Estad os nacionais. ele caracteriza-se por ser um objeto normativo que divide o real da língua para compor sua unidade que . pois. A partir dessa citação. Quando o dicionário é abordado como o lugar dos saberes instituídos. p. de língua nacional. o que faz com que a história da lexico grafia no Brasil compreenda obras da lexicografia lusitana. sem equívocos. entendemos que o dicionário . de uma nação. Referente à língua portuguesa do Brasil. . sustentado pela acumulação e pela repetição‖ (Nunes. e com que nas obras brasilei ras o dizer sobre a língua seja determinado pela relação com Portugal (OLIVEIRA. 20 06. É a partir da tentativa de conter os sentidos da/na língua que se visa à unidade de um p ovo. Lí ngua esta dividida pelo fato da colonização. p. 18). grande parte das obras brasileiras tem seu dizer na/sobre a lín gua determinado pela relação com Portugal – e. enquanto instrumento linguístico e normativo. constituind o imaginariamente o mesmo. é o lugar do saber instituído. arriscamos dizer que essa unidade é busc ada na relação com a língua portuguesa de Portugal.sem falhas. um lugar de certezas sobre a língua. o ―espaço im aginário da certitude. é a unidade de língua de Estado. através do processo de colonização/descolonização linguística. a mesma língua. já dados. pron tos. 11). 2006. acrescen taríamos. no caso da língua portuguesa. sem espaço para o sentido outro.

de 20 a 23 de setembro de 2011 gramáticas são objetos de conhecimentos determinado s sócio-historicamente‖ (p. na linha teórica a qual nos f iliamos. inscrevendo-se no horizonte dos dizeres historicamente constituídos‖ (p. sujeito e sentido se constitue m . como sendo também determinados por elas. ao tratar o dicionário como discurso. um lug ar em que se dá a relação língua-sujeito-história. um objeto histórico e simbólico que possib ilita compreender o funcionamento da ideologia no modo co mo os sujeitos produtores da linguagem se relacionam com a língua. destacamos o que afirma Garcia (2007).Entretanto. afirma que esse tem uma história. Nunes (2006). A partir do que a autora explicita nessa passagem. ou seja. O dicionário é o espaço de circulação de sentidos outros. ainda em relaç ão à definição de dicionário na perspectiva da História das Ideias Linguísticas. 1). 18). ―ele constrói e atualiza uma memória. Além disso. antes de tudo. o funcionamento do dicionário não se dá somente como um objeto de normatização. reproduz e desloca sentidos. sendo não só determinantes dessas relações. que ―os dicionários e as UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL V SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DO DISCURSO O acontecimento do discurso: filiações e rupturas Porto Alegre. entendemos que os dicionários são instrumentos linguísticos que se relacionam com a sociedade e a história. Na Análise de Discurso. Ele é.

Nunes (2006a) ressalta que o dicionário. pois cada sujeito estabelec e diferentes relações com sua língua. o diferente. e também a gramá tica. O dicionário se configura como u m objeto simbólico exterior ao sujeito. de um l ado. Este autor aponta que a gramática não é uma simples descrição da linguage . o autor aponta que o dicionário conside rado como um instrumento linguístico é uma ―alteridade para o sujeito falante. p. no dicionário. na história do saber lingüístico e. são vistos como ―unidades textuais. a língua portuguesa de Portugal. de outro. a língua po rtuguesa do Brasil.simultaneamente.‖ (p. logo. entende-se que o dicionário é analisado como te ndo um lugar na história do conhecimento linguístico. logo. o qual faz pa rte da relação que este sujeito mantém com sua líng ua. e a unidade. 8). enquanto indício de discursividades. Além disso. Ou se ja. educação e divulgação de dicionários‖ (Nu nes. 2006. Ao aliar a perspectiva teórica da História das Idei as Linguísticas à da Análise de Discurso. Isso remete ao que afirma Auroux (1992) sobre a gra mática e o dicionário. 43). os sentidos t ambém são tomados na relação indissociável com os sujeitos. b em como se constitui como o lugar de observação dos modos de produção de sentidos. nos quais intervêm f iliações teóricas e a memória discursiva. Isso conduz a examinar o estatuto desta unidade. alteridade que se torna uma injunção no processo de identificação nacional. temos a diversidade. o mesmo.

a partir da citação. transformando-o. de 20 a 23 de setembro de 2011 . isto é. que o autor mencionado desenvolve o conceito de gra matização. p. não domino certamente a gr ande quantidade de palavras que figuram nos grandes dicionários monolíngües (Ibid. a lexicografia tem início com listas temáticas de UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL V SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DO DISCURSO O acontecimento do discurso: filiações e rupturas Porto Alegre. os dicionários monolíngues.m natural. a da gramatização. Com esse processo de gra matização das línguas. caso do nosso trabalho. Conforme já afirmamos anteriormente. que a produção de instrumentos linguísticos altera as práticas linguísticas dos sujeitos. começam as mudanças quanto aos estudos lexicográficos. modificando também a rel ação desses com sua língua. 69). é preciso concebê-la também como um instrumento linguístico : do mesmo modo que um martelo prolonga o gesto da mão. constituem o que Auroux (1992) denomina de segunda revolução tecnológica nos estudos da linguagem. Isto é ainda mais verdadeiro acerca dos di cionários: qualquer que seja minha competência lingüística.. Segundo o autor. então . Entende-se. É a partir disso. uma gramática prolon ga a fala natural e dá acesso a um corpo de regras e de formas que não figuram junto n a competência de um mesmo locutor.

é herdeiro inconteste desse trab alho lexical. para o ensino e aprendizagem do latim como segunda língua. surgem os glossários mono. qu e existem desde os gregos. . surgem as listas de palavras antigas e difíceis. Após. mas corresponde a uma outra finalidade prática que é a mesma da gramatiza ção das línguas nacionais: a normatização dos idiomas (Ibid. bi ou n-língu es (Ibid. emerge mais claramente para os brasileiros como uma alteridade que eles incorporam ou distinguem conforme o caso‖ (p. em sua maioria. ligam-se entre si. Nunes (2001) afirma que ―a língua nacional portugue sa. p. Ao encontro disso. 73). Isso se dá es pecialmente em relação às primeiras edições ainda publicadas em Portugal. desenvolvida por Orlandi (1994). pelo viés das definições. uma vez consolidada. 80). Os dicionários monolíngues. os sujeitos falantes da língua po rtuguesa do Brasil podem não se identificar com ess a língua portuguesa que eles encontram nos dicionário s e que.. cujas entradas. esses glossários são instrumentos usados. as quais constituem os mais antigos in strumentos pedagógicos da humanidade. Dando sequência a essas produções. aparecem mais tarde.vocabulário. inicialmente. temos a noção de heterogeneidade linguística.). ou seja. Auroux (1992) pontua que O dicionário monolíngüe de uso dos nacionais. A autora apresenta essa noção mostrando que no Brasil e em Portugal fala-se a mesma língua. tal como os conhecemos hoje. representa a relação que o sujeito português tem com sua língua.

Explicitemos nosso ponto de vista.. a o heterogêneo. ao mutável‖ (Ibid. um ‗outro‘.. 1 ). ao variado. mas não é. apontam para duas noções que tornam possível entender os instrumentos linguístic os como objetos normativos e também como espaço de funcionamento do sentido outro. no entanto. p. Quando fazem ―referência ao diverso. A língua portuguesa – o mesmo – parece ser a mesma em Portugal e no Brasil. Essas noções são designadas pelas autoras como ―mesmo‖ e ―diferente‖.. quando se referem a o que é da ―ordem do homogêneo‖ (Ibid. utilizam o termo ―diferente‖ e. p. Petri e Surdi (2010). ao realizarem um estudo sobre a gramática. p.mas de forma diferente. por que há ―um outro‖ – a variedade brasileira no português de Portugal. empregam o termo ―mesmo‖. 31). um diferente histórico qu e o constitui ainda que na aparência do ‗mesmo‘‖ (Ibi d. Ao buscarmos nessas autor as as noções de mesmo e de diferente . observamos que o DCA não difere muito em relação à gramática analisada p or elas. ela considera a he terogeneidade linguística no sentido de que ―joga e m nossa língua um fundo falso em que o ‗mesmo‘ abriga . Ou seja. 2). Qualquer que seja o instrumento lin .

guístico – gramática ou dicionário – em nosso entendimento, constitui-se enquanto objeto normativ o, centrado na busca pela unidade da língua. Assim, ―a gramática [e o dicionário] é (são) resultado de um projeto de unicidade/unidade da língua, mas ela não é imune às características próprias da língua que c omporta o mesmo e o diferente‖ (Ibid., p. 11). Part imos do princípio de que no instrumento linguístico DCA também se estabelece a relação entre o mesmo eo diferente , uma vez que se observa, nas edições brasileiras, uma língua veiculada que segue os moldes UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL V SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DO DISCURSO O acontecimento do discurso: filiações e rupturas Porto Alegre, de 20 a 23 de setembro de 2011 da língua portuguesa de Portugal, mas também uma lí ngua que é atualizada em território brasileiro e, p or isso, submetida a padrões brasileiros. Quando se desenvolve um trabalho de análise do domí nio dicionarístico, sob a perspectiva discursiva, leva-se em conta a historicidade e os s entidos que perpassam a constituição das discursividades. Desse modo, estabelecemos como rec orte de análise em nossa dissertação o domínio dicionarístico prefácio

, pois é a partir dele que se pode analisar as cond ições de produção, as quais nos possibilitam relacionar as noções de unidade e dive rsidade linguística às noções de mesmo e diferente. Na perspectiva discursivista em articulação com a H istória das Ideias Linguísticas, entendemos que o prefácio seja um texto de apresentação; um texto qu e antecede o principal. É o lugar em que é possível observar as condições de produção do discurso, o su jeito que produz o texto em sua totalidade, as concepções teóricas que permeiam a obra e também a imagem dos sujeitos leitores desse instrumento linguístico. Segundo Nunes (2006, p. 33), ―sem esses textos intr odutórios, o dicionário perde grande parte de sua historicização‖. Sendo assim, o prefácio consti tui-se como o lugar em que se pode conhecer a história, o momento de produção, o sujeito que o pr oduz, o público leitor da obra. No caso específico de nosso trabalho, os prefácios das diferentes edições do dicionário vão atualizando sentidos, sejam eles sobre a língua, sejam sobre os sujeitos produtores. Conforme afirma Petri (2009), o prefácio tem um fun cionamento muito próprio, ou seja, ele antecede o texto ou a obra que vem na sequência. Al ém disso, a autora pontua que ―nele está contido o que pode e o que não pode ser dito, bem como nele s e revelam marcas da posição-sujeito que produz a obra como um todo‖ (p. 330). Entendemos, com isso, que a atualização do DCA, no Brasil, esteja relacionada à aprendizagem

de uma língua vinculada a interesses práticos, pois o DCA se configura como um método de colonização; busca descrever e instrumentar uma língua portugues a tomando-se os moldes da língua de Portugal; visa incluir brasileirismos e gravuras que remetem ao Brasil para que sentidos sejam atualizados. Além disso, a publicação/atualização do DCA explicita que os interesses da circulação desse ins trumento linguístico estejam centrados na organização e regulação da língua portuguesa no/do Brasil, tendo como pressuposto a possibilidade de expandir uma língua a diferentes territórios a partir de teorias que os instrumentos linguísticos veiculam e que, nesse cas o, estão mais direcionadas aos interesses portugueses do que aos dos brasileiros. A LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL Eduardo Guimarães

A língua portuguesa formou-se como língua específica, na Europa, pela diferenciação que o latim sofreu na Península Ibérica durante o processo de contatos entre povos e línguas que se deram a partir da chegada dos romanos no século II a.C., por ocasião da segunda Guerra Púnica, no ano de 218 a.C(1). Na Península Ibérica o latim entrou em contato com línguas já ali existentes. Depois houve o contato do latim já transformado com

as línguas germânicas, no período de presença desses povos na península (de 409 a 711 d.C). Em seguida, com a invasão mulçumana (árabes e berberes), esse latim modificado e já em processo de divisão entra em contato com o árabe. Na primeira fase do processo de reconquista da Península Ibérica pelos cristãos, que tinham resistido no norte, os romances (latim modificado por anos de contato com outros povos e línguas) tomaram uma feição específica no oeste da península, formando o galego-português e em seguida o português. Formou-se paralelamente o Condado Portugalense e, a partir dele, um novo país, Portugal. Toma-se como data de independência do condado do reino de Castela e Leão a batalha de São Mamede em 1128. Essa nova língua, depois de um longo período de mudanças correspondente a todo o final da chamada Idade Média, é transportada para o Brasil, assim como para outros continentes, no momento das grandes navegações do final do século XV e do século XVI. PORTUGUÊS: LÍNGUA OFICIAL E NACIONAL DO BRASIL Com o início efetivo da colonização portuguesa em 1532, a língua portuguesa começa a ser transportada para o Brasil. Aqui ela entra em relação, num novo espaço-tempo, com povos que falavam outras línguas, as línguas indígenas, e acaba por tornar-se, nessa nova geografia, a língua oficial e nacional do Brasil. Podemos estabelecer para esta história quatro períodos distintos, se consideramos como elemento definidor o modo de relação da língua portuguesa com as demais línguas praticadas no Brasil (2) deste 1532 (3). O primeiro momento começa com o início da colonização e vai até a saída dos holandeses do Brasil, em 1654. Nesse período o português convive, no território que é hoje o Brasil, com as línguas indígenas, com as línguas gerais e com o holandês, esta

última a língua de um país europeu e também colonizador. As línguas gerais eram línguas tupi faladas pela maioria da população. Eram as línguas do contato entre índios de diferentes tribos, entre índios e portugueses e seus descendentes, assim como entre portugueses e seus descendentes. A língua geral era assim uma língua franca. O português, como língua oficial do Estado português, era a língua empregada em documentos oficiais e praticada por aqueles que estavam ligados à administração da colônia. O segundo período começa com a saída dos holandeses do Brasil e vai até a chegada da família real portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808. A saída dos holandeses muda o quadro de relações entre línguas no Brasil na medida em que o português não tem mais a concorrência de uma outra língua de Estado (o holandês). A relação passa a ser, fundamentalmente, entre o português, as línguas indígenas, especialmente as línguas gerais, e as línguas africanas dos escravos. Esse período caracteriza-se por ser aquele em que Portugal, dando andamento mais específico ao processo de colonização, toma também medidas diretas e indiretas que levam ao declínio das línguas gerais. A população do Brasil, que era predominantemente de índios, passa a receber um número crescente de portugueses assim como de negros que vinham para o Brasil como escravos. Para se ter uma ideia, no século XVI foram trazidos para o Brasil 100 mil negros. Este número salta para 600 mil no século XVII e 1,3 milhão no século XVIII. O espaço de línguas do Brasil passa a incluir também a relação das línguas africanas dos escravos e o português. Com o maior número de portugueses cresce também o número de falantes específicos do português. E isto tem uma outra característica: os portugueses que vêm para o Brasil não vêm da mesma região de Portugal. Desse modo, passam a conviver no

A vinda da família real terá dois efeitos importantes. conviviam como dialetos de regiões diferentes. pois é nesse ano que se formula a questão da língua nacional do Brasil no parlamento brasileiro. O segundo é a transformação do Rio de Janeiro em capital do Império que traz novos aspectos para as relações sociais em território brasileiro. os índios não poderiam mais usar nenhuma outra língua que não a portuguesa. que proibia o uso da língua geral na colônia. como consequência da guerra com a França. Chegaram ao Rio de Janeiro em torno de 15 mil portugueses. O primeiro deles é um aumento. em Portugal. O terceiro momento do português no Brasil começa com a vinda da família real em 1808. e termina com a independência. e isto inclui também a questão da língua.Brasil. Poderíamos utilizar. por iniciativa do Marquês de Pombal. Logo de início Dom João VI criou a imprensa no Brasil e fundou a Biblioteca Nacional. divisões do português que. Nesse período. 1826. há dois fatos de extrema importância. mudando o quadro da vida cultural brasileira. e dando à língua portuguesa aqui um . Uma dessas ações mais conhecidas é o estabelecimento do Diretório dos Índios (1757). num mesmo espaço e tempo. Essa ação. ainda. junto com o aumento da população portuguesa no Brasil. O primeiro deles é a ação direta do império português que age para impedir o uso da língua geral nas escolas. da população portuguesa no Brasil. O português que já era a língua oficial do Estado passa a ser a língua mais falada no Brasil. como data final desse período. em curto espaço de tempo. Assim. Esta ação é uma atitude direta de política de línguas de Portugal para tornar o português a língua mais falada do Brasil. terá um efeito específico que ajuda a levar ao declínio definitivo da língua geral no país (4). ministro de Dom José I.

. a imprensa. Temos aí constituída a sobreposição da língua oficial e da língua nacional. trabalham o "sentimento" do português como língua nacional do Brasil (7). o português. Pela história de suas relações com outro espaço de línguas. língua geral. Essas questões tomam espaços importantes tanto na literatura quanto na constituição de um conhecimento brasileiro sobre o português no Brasil. se modificou de modo específico e os gramáticos e lexicógrafos brasileiros do final do século XIX. junto com nossos escritores. enquanto língua do rei e da corte. a questão da língua portuguesa no Brasil. Esses fatos produzem um certo efeito de unidade do português para o Brasil. É também dessa época o processo pelo qual os brasileiros tiveram legitimadas suas gramáticas para o ensino de português e seus dicionários (6). ao funcionar em novas condições e nelas se relacionar com línguas indígenas. Nesse ano o deputado José Clemente propôs que os diplomas dos médicos no Brasil fossem redigidos em "linguagem brasileira". Em 1827 houve um grande número de discussões sobre o fato de que os professores deveriam ensinar a ler e a escrever utilizando a gramática da língua nacional. Dessa maneira cria-se historicamente no Brasil o sentido de apropriação do português enquanto uma língua que tem as marcas de sua relação com as condições brasileiras. que já era língua oficial do Estado. É dessa época a literatura de José de Alencar (5) que tem debates importantes com escritores portugueses que não aceitavam o modo como ele escrevia.instrumento direto de circulação. Ou seja. O quarto período começa em 1826. se põe agora como uma forma de transformá-la de língua do colonizador em língua da nação brasileira. línguas africanas.

em torno da língua oficial e nacional. inglês. Esse processo de imigração terá um momento muito particular na passagem do século XIX para o XX (1880-1930). japonês. por exemplo. Essa diferença não é simplesmente uma diferença empírica do tipo: as línguas indígenas e seus falantes já existiam no Brasil quando da chegada dos portugueses e as línguas de imigração vieram depois.Esse quarto período. A partir desse momento entraram no Brasil. de algum modo. As línguas indígenas e africanas entram na relação como línguas de povos considerados primitivos a serem ou civilizados (no caso dos índios) ou escravizados (no caso dos negros). A diferença é de modo de relação. o início das relações entre o português e as línguas de imigrantes. coreano. Essas línguas são línguas legitimadas no conjunto . com a vinda de alemães para Ilhéus (1818) e Nova Friburgo (1820). falantes de alemão. holandês. No caso da imigração. Deste modo o espaço de enunciação do Brasil passa a ter. línguas nacionais ou oficiais nos países de origem dos imigrantes. trará uma outra novidade. Começa em 1818/1820 o processo de imigração para o Brasil. E as línguas que vêm com os imigrantes eram. não há lugar para essas línguas e seus falantes. duas relações significativamente distintas: de um lado as línguas indígenas (e num certo sentido as línguas africanas dos descendentes de escravos) e de outro as línguas de imigração. no qual o português já se definira como língua oficial e nacional do Brasil. as línguas e seus falantes entram no Brasil por uma ação de governo que procurava cooperação para desenvolver o país. italiano. Ou seja.

As línguas dos imigrantes eram línguas de povos considerados civilizados. em oposição às línguas indígenas e africanas. o português é significado como a língua materna de todos os brasileiros. por exemplo. da mesma maneira que o português. como no Rio de Janeiro. elas convivem num mesmo espaço. em virtude das condições novas em que a língua passou a funcionar. o povoamento do Brasil se fez com a vinda de portugueses de todas regiões de Portugal. o português é uma língua de uso em todo o território brasileiro. enquanto língua nacional. O português do Brasil vai. ou indígenas ou de imigrantes. Ela se deu durante todo o período de colonização entrando em relação constante com outras línguas. Por outro lado. se levamos em conta a língua escrita. terá características também específicas. em geral. na extensão do território brasileiro. com o tempo. Há que se considerar que. CARACTERÍSTICAS DO PORTUGUÊS DO BRASIL A vinda da língua portuguesa para o Brasil não se deu. com um grande conjunto de outras línguas (de um lado as línguas indígenas e de outro as línguas de imigrantes). Enquanto língua oficial e língua nacional do Brasil. no português de Portugal. sua vinda para o Brasil traz para esse novo espaço as diversas variedades do português de Portugal. em muitos casos. sendo também a língua dos atos oficiais. como vimos. em um só momento. apresentar um conjunto de características não encontráveis. em diversas outras regiões do mundo. diferentemente das línguas indígenas e africanas. . mesmo que um bom número de brasileiros tenham como língua materna outras línguas. Estas variedades se instalarão em lugares diferentes do Brasil mas. da lei. Desse modo. Por outro lado. a língua da escola e que convive.global das relações de línguas.

assim como o de outras regiões do mundo. Na língua oral o processo de incorporação de características específicas se faz de modo mais rápido. a grande especificidade do português do Brasil. neste texto. o das características morfológicas e sintáticas.vamos encontrar uma maior proximidade entre o português do Brasil. para a questão das diferenças na língua. e o artigo "Língua brasileira" de Eni Orlandi. Nas características gramaticais podemos distinguir dois conjuntos de características: o das características fonéticofonológicas. já que a língua escrita está mais sujeita à normatização da língua efetivada através das gramáticas normativas. 1970) a vogal na posição tônica (da sílaba com acento de . Meu objetivo não é. tal como nos mostrou Câmara (1953. é seu sistema de vogais. com o português de Portugal. CARACTERÍSTICAS FONÉTICO-FONOLÓGICAS Neste nível. sobre os aspectos discursivos envolvidos nessa questão). vou apresentar um conjunto destas características encontráveis no português do Brasil. se comparado ao de Portugal. discutir essas diferenças internas. Vou me limitar a apresentar aqui o que chamarei de diferenças gramaticais e lexicais (de vocabulário). Para observar esse aspecto é necessário distinguir. tanto regionais quanto sociais e históricas (tal como mostram o artigo "Variedades do português no mundo e no Brasil" de Emílio Pagotto. A seguir. mas mostrar como o português do Brasil apresenta um conjunto importante de características específicas. considerando o que Pagotto nos mostra no seu texto. Evidentemente que a caracterização do português do Brasil envolve a consideração efetiva das diversas divisões a que a língua portuguesa está sujeita no Brasil. dicionários e outros instrumentos reguladores da língua.

/ë/ é pronunciado fechado. e /u/.intensidade). que as vogais /é/. com timbre mais fechado. /ä/. e as vogais /ó/. de modo geral. /i/ (viga). a) Na posição tônica. se distingue /falämos/. c) Na posição pretônica. /u/. /u/ são posteriores. a vogal na posição átona final (como o /a/ de fuga). Assim diferentemente do Brasil. /u/ (urubu). Note-se que a vogal /a/ é pronunciada. pronunciado [barbãti]). na língua falada. com a diferença de que o /ê/ passa a /ë/. /ë/ e /u/. uma primeira característica geral do português do Brasil é que ele. /i/ (barbante. e a vogal na posição pretônica (como o /a/ de até). /ä/. em geral. de /falamos/ passado perfeito (9). /i/. /ó/. b) Na posição átona final. /ô/. CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS E SINTÁTICAS No nível sintático. com a língua em repouso embaixo. enquanto que em Portugal mantêm-se as 8 vogais da posição tônica. /i/. numa pronúncia mais central: /a/. 5 vogais. /ê/ (medo). o português do Brasil apresenta 7 vogais: /a/ (entrada). pronunciado [meninu] e mesmo [mininu]). /ô/. com timbre aberto. embaixo na boca. /ó/ (avó). pronunciadas com um movimento da língua para trás. Em Portugal são também três vogais. /ô/. O /u/ tem as mesmas características fonéticas do /u/ brasileiro. /ê/. /u/ (menino. Assim é que. /ä/ é pronunciado com a língua mais alta. /a/. Este /ä/ é pronunciado com uma certa elevação da língua. mas numa posição mais posterior do que o /ê/ do Brasil. há no português do Brasil. há também um /ä/. no português do Brasil. /ë/. diferentemente do /a/ aberto pronunciado com língua em repouso. no que toca ao funcionamento dos . /é/ (deve). que não é aberto como o /a/. Em Portugal (8). na boca. /ê/. presente do indicativo. /ô/ (avô). /i/ são anteriores. elas são pronunciadas com um movimento da língua para frente. /é/. além dessas vogais. há três vogais /a/ (casa).

Esta posição se desenvolve a partir de uma formulação de Pontes (1987) que mostrou como muitas construções do português no Brasil precisam ser entendidas como construções com tópico. No Brasil é também comum construções como está escrevendo. Tem-se. No caso do SN (sintagma nominal). em geral ele combina pelo menos dois elementos. onde menino é o nome e o é o determinante . Isto resulta em um outro modo de colocá-los na frase. assim como uma diferença de tonicidade nesses pronomes. se. levam a um outro ritmo da frase. que em Portugal são com a preposição a. lhe. Para apresentar a formulação de Galves usaremos as abreviações SN e V que significam sintagma nominal e verbo. a.pronomes átonos (me. comumente no Brasil. não sendo encontrável em Portugal. com estar a + infinitivo. a principal característica sintática do português do Brasil. o sintagma é constituído pelo menos por um nome e tem geralmente pelo menos um determinante para este nome. Isto faz com que toda a colocação de pronomes átonos no Brasil seja bastante diferente da de Portugal. etc) tem uma colocação mais proclítica. por exemplo. onde se encontram expressões como está a escrever. chegou ao Brasil. Um sintagma é um elemento lingüístico de nível inferior ao da frase e que possui na sua forma elementos lingüísticos de nível sintático ainda mais baixo. chegou no Brasil. diferentemente do português de Portugal e das demais línguas latinas (10). te. tão comum no Brasil. não comum em Portugal. Segundo Galves (2002). apontadas antes. João se levantou. com estar + gerúndio. tal como já nos mostrou Ali (1908). quando em Portugal se tem está à janela. está na janela. é que ele é uma língua de tópico. É também comum no Brasil expressões com a preposição em. o. como em o menino. Este tipo de diferença tem muito a ver com o fato de que as diferenças fonético-fonológicas.

a)uso do pronome ele como objeto Em Portugal esta é uma construção inexistente. O colchete separa o que se apresenta como o que se diz do primeiro SN. Nesta segunda frase. Deste modo a seqüência sujeito+predicado (ele fez o trabalho) aparece no conjunto como dizendo algo de João. depois tem-se como sujeito o pronome ele. ele fez o trabalho. Neste caso. referido pela palavra João. A tese de Galves é que a estrutura sintática do português é do tipo da segunda frase que aqui usamos como exemplo: João. na primeira frase. esse rapaz aí que eu encontrei ele no trem. não aparece. esse rapaz. é a que usualmente conhecemos. a frase do português do Brasil tem como estrutura SN [SN V (SN). que têm como estrutura da frase SN [V (SN). eu conheci ele no trem. Na primeira. que retoma João (anaforiza João) do qual se predica fez o trabalho. Diferentemente. Na segunda frase.Dito isto. normalmente. diferentemente de Portugal onde esta construção. aquilo sobre o que se vai dizer algo é diretamente o sujeito da frase. ele fez o trabalho. tal como os que seguem. aquilo sobre o que se vai dizer algo. João refere alguém. com a palavra João refere-se a alguém (João) e predica-se dele algo. Nestas frases ele é complemento da frase. João que faz a referência a uma pessoa é também o sujeito da frase. Segundo a autora é esta característica que explica um conjunto importante de aspectos próprios do português brasileiro. fez o trabalho. para Galves. João é o tópico. consideremos duas frases: João fez o trabalho e João. Para entender essa diferença. . para o que aqui nos interessa. É comum no Brasil frases como Encontrei ele ontem. diferentemente do português de Portugal e as línguas latinas em geral. A noção de verbo.e o menino é o SN.

conforme mostrou Tarallo (1996). é mais bonito. Para Galves esta diferença diz respeito a que no português do Brasil o ele aparece preferencialmente ao sujeito nulo (que na escola conhecemos como sujeito oculto).. Em Portugal a construção encontrável seria É uma pessoa que . de quem eu gosto. onde aparece preferencialmente o sujeito nulo e em que o ele aparece quando é necessário marcar a concordância. enquanto em Portugal o que se encontra é somente algo como eu tinha uma empregada que respondia ao telefone e dizia. enquanto em Portugal só se encontram frases como o André de quem eu gosto. é mais bonito. Este aspecto está ligado ao crescimento no português do Brasil de um outro funcionamento da relativa que se chama de relativa cortadora.b)ele como sujeito O funcionamento do ele como sujeito é diferente em Portugal e no Brasil. diferentemente do português de Portugal. já que a terminação verbal é a mesma entre a primeira e a terceira pessoa. que eu gosto dele. ela não fica esquentando a cabeça. c)ele como objeto de preposição No Brasil é comum frases como o André. por exemplo.. e é predominante quando a retomada está em sintagma preposicional. Este aspecto está diretamente relacionado com o funcionamento das relativas no português brasileiro. onde o mais comum é o de construções como O André. Tal funcionamento no Brasil se caracteriza por ter uma predominância de relativas com este pronome que retoma um nome da principal (chamado pronome lembrete. como em É uma pessoa que essas besteiras que a gente fica se preocupando. ou para estabelecer um contraste. No Brasil temos. o ele (dele) do primeiro exemplo acima)... eu tinha uma empregada que ela respondia ao telefone e dizia. Este funcionamento predominante no Brasil é oposto ao predominante em Portugal..

Interessante para a lingüista é que. Galves também considera uma outra característica muito interessante do português do Brasil: O funcionamento do pronome se. aparece consistentemente a forma se para indeterminar. Esta camisa lava-se facilmente. Esta camisa lava facilmente. não usa mais saia. É impossível se achar lugar aqui. em frases com infinitivo. uma língua de tópico. por exemplo) era o menos comum.não fica esquentando a cabeça com estas besteiras que nos preocupam. portanto. enquanto em Portugal haveria somente É impossível achar lugar aqui. Tem-se no Brasil É impossível se achar lugar aqui. Ao lado desses aspectos. O que é interessante nessa análise de Galves é que ela não só registra a existência de construções diferentes. enquanto em Portugal só há frases como Não se usa mais saia. em oposição a Portugal onde este se não aparece da mesma maneira. Maria fez a lista dos convidados mas esqueceu de incluir ela. ter a estrutura SN [SN V (SN). No português do Brasil hoje há a predominância das construções relativas com pronome lembrete e relativas cortadoras. no Brasil. em uma ou outra situação. em contrapartida. que poderiam ser atribuídas a uma mera diferença de uso de uma ou outra pessoa. como mostra que essa diferença nas frases diz respeito a uma especificidade na estrutura mesma da sintaxe do português do Brasil. Para a autora. No Brasil há frases como Nos nossos dias. Joana não se matriculou ainda. diferentemente do português europeu. no português brasileiro o se pode não aparecer em frases com tempo (o verbo nas formas finitas). Joana não matriculou ainda.Ligada a essa diferença na . Maria fez a lista dos convidados mas esqueceu de se incluir. As análises de Tarallo (idem) mostram que essa diferença entre o funcionamento do português do Brasil e de Portugal já está instalada claramente em 1880 e se aprofunda a partir de então. Ser. Assim hoje é predominante o que no início do século XIX (1825.

Em cada caso o modo de referir à empregada é um. Em outras palavras. muitas palavras tomaram outros sentidos ou foram incorporadas ao português a partir das línguas indígenas e africanas. num acontecimento enunciativo específico. o fato de o português ter uma estrutura de tópico para suas frases diz respeito ao modo como no Brasil se faz referência às coisas. Enfim. Galves nos mostra que o português do Brasil tem uma estrutura e funcionamento diversos do português de Portugal e das outras línguas latinas... diferentemente de. Observe que se tomamos a frase do português do Brasil Eu tinha uma empregada que ela respondia ao telefone e dizia. Galves nos mostra como ela está ligada a um aspecto semântico fundamental.estrutura sintática da frase. desfazendo o caráter anafórico do que (relativo). E esta não deixa de ser uma questão a ser estudada no quadro do multilingüismo brasileiro. outros diriam semântico-pragmático.. CARACTERÍSTICAS DO LÉXICO Desde o início do século XIX. Podemos observar palavras que têm um sentido em Portugal e outro no Brasil. na qual o que mantém seu caráter anafórico. do português no Brasil. vemos que o ela retoma diretamente empregada. Eu tinha uma empregada que atendia o telefone e dizia. com o Marquês de Pedra Branca. a partir de exemplos retirados de Teyssier (1997) PORTUGAL BRASIL . com as quais o português esteve e está em relação. Essas diferenças dizem respeito ao fato de que. o modo como o português do Brasil faz referência às coisas sobre às quais se fala. ou seja. diz respeito a como. no Brasil. Ou seja... refere-se a algo. se usa o estudo do léxico para mostrar diferenças entre o português do Brasil e o português de Portugal (11). esta característica de estrutura da frase está diretamente articulada a um modo de funcionamento semântico-enunciativo. por exemplo.

Tijuca. mingau. em geral. São. Bueno (1946. Grandes listas de palavras dessas línguas que se incorporaram ao português podem ser encontradas em diversos livros de lingüística histórica do português como Silva Neto (1950).comboio autocarro eléctrico hospedeira caneta de tinta permanente corta-papeles fato metro trem ônibus bonde aeromoça caneta-tinteiro pátula terno metrô Por outro lado. mocambo. e mesmo outros de aspecto mais geral. cupim. palavras relativas à designação da flora. piranha. carnaúba. curió. da fauna. em geral. os exemplos são também tirados de Teyssier (idem). acarajé. buriti. caatinga. mandacaru. orixá. da cozinha de influência africana. São. urubu. assim como de origem africana. curumim. samba. guri. abacaxi. moleque. assim como de lugares. caju. do universo das plantações de cana. molambo. do universo de vida dos escravos. há no Brasil um conjunto importante de palavras de origem indígena. maxixe. de alimentos. abará. sucuri. etc. palavras que designam elementos do candomblé. senzala. vatapá. bangüê. capivara. cafuné. comumente o tupi. mas a melhor forma de tratar disso é observar o modo como o português se divide em falares regionais específicos ou registros distintos de acordo com . Exemplos de palavras de origem indígena: capim. Exemplos de palavras de origem africana: caçula. 1950) e Coutinho (1936). moqueca. CONSIDERAÇÕES FINAIS Várias outras características podem ser atribuídas ao português do Brasil.

Por outro lado. Aponta a historia. como o formal ou o coloquial. cultura. DIVERSIDADE HISTORICA. cultural e linguística nas mais diversas localidades. fica claro que o estudo do português do Brasil indica para a necessidade de se aprofundarem pesquisas históricas que dêem mais relevo à questão das relações do português num espaço multilíngüe muito particular.situações particulares do funcionamento da língua. a língua. a diversidade em diferentes grupos humanos. o ser humano como agente e produtor de sua história. leva à constatação de muitas identidades culturais que tomam parte na constituição da diversidade histórica. etc. a religião e os padrões culturais incentivando assim a conscientização crítica acerca da diversidade histórica. linguística e cultural. O documento em questão aborda tais temas sob os seguintes títulos: diversidade histórica. e as muitas linguagens como fator de identidade de grupos. o íntimo e o público. . e assim por diante. ocupado por seres humanos de diferentes origens culturais. A formação histórica da sociedade bem como a diversidade Cultural na formação do Brasil. LINGUISTICA E CULTURAL BRASILEIRA DIVERSIDADE BRASILEIRA INTRODUÇÃO O reconhecimento do caráter multicultural de grande parte das sociedades. as relações com o tempo e com o espaço. e diversidade Cultural. diversidade linguística. relações culturais em diferentes regiões.

DIVERSIDADE HISTORICA A imigração e a integração de várias culturas e povos é parte importante da história de uma nação. . desde sua formação. Segundo Durkheim. É uma ilusão acreditar podemos educar nossos filhos como queremos". África. Este pensamento se confirma no Brasil um país com grande e rica diversidade histórica. de acordo com o ambiente externo. a vinda do homem para América. podendo este mudar seus hábitos no decorrer do tempo.. dentre esses fatores.. os fatos históricos tem grande influencia na formação do individuo. Os indígenas constituem a população nativa do país. e os negros africanos foram trazidos para o trabalho escravo. Émile Durkheim (1858-1917) Sentencia no seu livro Educação e Sociologia. . o branco e o negro. ―maneiras de agir. tanto na parte pré-histórica.] são dotados de um que poder imperativo e coercitivo"(Durkheim 1973: 2). a chegada do europeu na América.. Esse contexto proporcionou a miscigenação dos habitantes do Brasil. quanto nas grandes navegações. e etc. Há vários. composta essencialmente por três principais grupos étnicos: o indígena. fatores que durante os séculos foram acontecendo e miscigenando a sociedade.. Ásia. de pensar e de sentir que apresentam a propriedade marcante de existir fora das consciências individuais [. os portugueses foram os povos colonizadores da nação.

br/portalv2/sites/fiec[pic][pic] Em geral. as pessoas deslocam-se entre países ou estados à procura de trabalho e melhores condições de vida. o Brasil viveu um período de crescimento econômico e demográfico. Foto: Acervo Arquivo Histórico de Caxias do Sul http://www. muito rústico. Com o prosseguimento da miscigenação. Espanha.fiec.caracterizados como mulato (branco + negro).org. e Alemanha).(imagem 2). e para estar apto ao trabalho o individuo deve obter a formação necessária para concorrer ás vagas de emprego disponíveis. proíbese o trabalho infantil. os elementos de mercado da economia brasileira basearam-se na produção de grãos para exportação. No passado o trabalho era braçal. Desde então. Portugal. A economia do Brasil foi fortemente dependente do trabalho escravo até o final do século(XIX). originaram-se os inúmeros tipos que hoje compõem a nossa população. Segundo o forum economico mundial. Vemos na ilustração imigrantes praticando a agricultura no passado(imagem1). não requeria formação. As estatísticas mostram que 4. cafuzo (índio + negro). e o trabalho infantil era considerado normal. em comparação com o trabalho em industrias na atualidade. acompanhado da imigração europeia (principalmente Itália. Da colonizaçao portuguesa do Brasil(1500-1822) até o final dos anos 1930. em contrapartida na atualidade. sabendo-se que na maioria das vezes os empregadores optam pelo candidato mais preparado. bem como as . ganhando oito posições entre outros países. o Brasil foi o país que mais aumentou sua competitividade em 2009.5 milhões de pessoas emigraram para o país entre 1882 e 1934. Importantes passos dados desde a decada de 90 para a sustentabilidade fiscal. caboclo ou mameluco (branco + índio).

pela ação decisiva que recebe dos fatores culturais (escola . É muito comum que. A língua é indispensável na formação da sociedade. DIVERSIDADE LINGUISTICA A língua de um povo constitui-se como um dos seus bens mais preciosos. Inclusive na educação temos discussões sobre como ensinar a linguagem culta sem ferir a cultura linguística do individuo.medidas tomadas para liberar e abrir a economia. É pela língua que se dão as relações de poder e dominação. quando pessoas que possuem modos de falar distintos se encontram.a diversidade da linguagem é notada e apresenta diferenças regionais. assim como é pela língua que o sujeito constrói seu lugar na sociedade.. também é através dela que é excluído. proporcionando um melhor ambiente para o desenvolvimento do setor privado. as comunidades linguísticas são responsáveis pelos regionalismos: ― As variedades geográficas conduzem a uma oposição fundamental: linguagem comum e linguagem rural. locais e culturais. as discórdias. Conforme Preti (1982).‖(PRETI.. meios de comunicação de massa e literatura.aumentando vagas no mercado de trabalho. . impulsionaram significativamente os fundamentos do país em matéria de competitividade.e melhorando assim a vida dos brasileiros.) . apesar de suas variações devido ao grupo social. A variação linguística é um assunto muito importante. É na língua que se apresentam refletidas as representações e construções de uma sociedade. . as transmissões culturais. os consensos. surjam discussões sobre quem fala certo e quem fala errado.

classificadas. de fato. ao mesmo tempo em que são submetidos ao sistema da língua. sem a linguagem. Neste contexto temos diferentes faces de uma mesma língua devido á fatos relacionados ao fato histórico. Todos os diferentes falares são tidos como certos.e situações mais formais. Há mais. não teríamos ideias gerais. aprendemos todo um sistema de ideias organizadas. de um real abismo linguístico entre os falantes das variedades não padrão do português brasileiro e os falantes da variedade culta. permitindo a compreensão e a sua aplicação.19). a . em nosso país. mas nem todos são aceitos socialmente. no entanto. Aprendendo uma língua. literatura. e. organização. Para Bagno (1999). impondo assim.a língua é 'imposta' aos indivíduos pela coerção. a língua culta é usada em linguagem escrita. ‖A escola geralmente não reconhece a verdadeira diversidade do português falado no Brasil. No dia a dia usamos com mais frequência a linguagem. segundo o ponto de vista da comunicação. os indivíduos. têm consciência dele e podem fazer escolhas quanto ao estilo linguístico a adotar. sua linguística como se ela fosse. que dá aos conceitos suficiente consistência. nos tornamos herdeiros de todo o trabalho de longos séculos. comum e popular (coloquial).1982 pág. porque é a palavra que as fixa. Segundo durkheim. cultural e regional. com isso. as graves diferenças de ―status‖ social que explicam a existência. a linguagem é um dos mais Importantes. não é a grande extensão territorial do país que gera as diferenças regionais e sim. necessário a essa. de todos os aspectos da vida social.

O individuo recebe cultura como parte de uma herança social e. independentemente de sua idade. Caso isso não ocorra. [pic] http://clickeaprenda. ela poderá não ser compreendida.língua comum a todos 160 milhões de brasileiros. no entanto quando falar com uma pessoa adulta terá que adequar. O autor critica a imposição da linguagem.(tida como correta) na escola. possui uma variação característica. Imagine uma pessoa adulta falando com uma criança: ela terá que adequar sua linguagem à compreensão infantil.uol. de sua situação socioeconômica.se a compreensão do adulto. 1999: 15). por sua vez. pelo fato do Brasil ser formado pela mistura de muitas raças. (BAGNO. Portanto. DIVERSIDADE CULTURAL Podemos definir cultura como sendo tudo aquilo que é socialmente aprendido e partilhado pelos membros de uma sociedade. . em cada parte do país. porém este português. bem como facilitar o ensino da norma culta na sala de aula. de grau de escolarização. reconhecer a imensa diversidade linguística do país. no Brasil a língua oficial é o português. cabe à escola e demais instituições voltadas para a educação. podendo melhorar o ensino. desmistificar o português no Brasil e assim.php?idP agina=26902 A ilustração mostra a variação de linguagem em um mesmo falante. de sua origem geográfica.com. o que dificulta o aprendizado.br/portal/mostrarConteudo. pode introduzir mudanças que serão transmitidas as gerações futuras.

através dos meios de comunicação.Apesar do processo de globalização. fabricada pelas elites brancas.vm?id= . . O Brasil. no artesanato. são elementos que integram a cultura de um povo brasileiro. portugueses. danças. para Marx. alemães. de garantir a união entre setores brancos divergentes e garantir mão de obra barata. vista pelas elites como modo fundamental. credo religioso. na culinária. os imigrantes italianos.[pic] http://www2. é a construção de uma ideologia insidiosa. de modo a evitar o espírito de revolta dos negros que tantas vezes já havia se mostrado no período colonial. Em seguida. entre outros. As representações culturais de cada região estão nas festas populares.bomjesus. espanhóis.br/ensinoreligioso/noticias_exibir. a população indígena e os colonizadores europeus foram os primeiros responsáveis pela disseminação cultural no Brasil. na maneira de se vestir entre outros.A especificidade do caso brasileiro. a da "democracia racial". A cultura é um desses aspectos: várias comunidades continuam mantendo seus costumes e tradições. Os escravos africanos . criar uma sociedade homogênea – aspectos locais continuam fortemente presentes. por apresentar uma grande dimensão territorial. contribuíram para essa diversidade cultural. o racismo tornado legal contra os negros é explicado pela necessidade. . Aspectos como a culinária. possui uma vasta diversidade cultural. religião. Tanta diversidade poderia gerar conforme o pensamento de Marx guerras sangrentas e infinitas porque para Marx a questão racial ao tema da formação nacional (nation building) nos casos clássicos de grandes nações constituídas por brancos e negros. já unidas entre si. que tenta.

quarenta anos atrás. cultural.. os avanços tecnológicos. sendo que a realidade existente hoje em nossa sociedade é muito diferente de trinta. da mídia e da informática. um fato extremamente importante que todo individuo deve conhecer .br A titulo de ilustracao temos na imagem povos de diversas culturas em festas típicas á sua regiao pode-se noitar a diversidade de suas vestes. que propiciam um intercâmbio entre culturas e línguas distintas. a educação torna-se extremamente importante para o desenvolvimento de uma conscientização crítica acerca da diversidade histórica. e linguística existente em nosso pais. podemos compreender . étnica. O conhecimento da diversidade e a perspectiva de aceitação visa o desenvolvimento dos valores de tolerância das relações entre grupos culturalmente diversos. exige uma sensibilização para a diversidade de valores culturais e linguísticos cada vez mais presentes no cotidiano dos indivíduos. Nesse caso. Conclusão CONSIDERAÇÕES FINAIS A aceitação da diversidade histórica. Grande parte de nossa identidade esta ligada a miscigenação racial e da integração cultural.com. Não podemos pensar em nossa sociedade sem considerar as relações culturais que a construíram e que a modificam. danças.20370090. linguística e cultural tem sido imprescindível.quando havia pouca informação e conhecimento enquanto hoje a informação esta presente onde estivermos e o conhecimento se multiplicou grandemente. pois através do conhecimento. musicas e etc.

A variação de uma língua é a forma pela qual ela difere de outras formas da linguagem sistemática e coerentemente. o vocabulário especializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões etnoletos. socioletos.essas mudanças e levarmos em consideração os aspectos diversificados de diferentes povos que povoam o Brasil. variações faladas por comunidades socialmente definidas linguagem padrão ou norma padrão. Alguns escritores de sociolinguística usam o termo leto. isto é. tais como o tempo. variações faladas por comunidades geograficamente definidas. Esta pode variar de acordo com alguns fatores. e um deles é a língua. padronizada em função da comunicação pública e da educação idioletos. Uma nação apresenta diversos traços de identificação. uma variação particular a uma certa pessoa registros (ou diátipos). idioma é um termo intermediário na distinção dialeto-linguagem e é usado para se referir ao sistema comunicativo estudado (que poderia ser chamado tanto de um dialeto ou uma linguagem) quando sua condição em relação a esta distinção é irrelevante (sendo. o nível cultural e a situação em que um indivíduo se manifesta verbalmente" Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa ou estilo de linguagem. um sinônimo para linguagem num sentido mais geral). aparentemente um processo de criação de palavras para termos específicos. isto é. portanto. são exemplos dessas variações: dialetos. o espaço. isto é. para um grupo étnico .cada um com identidade própria e representando riquíssima diversidade sociocultural. isto é.

As mudanças podem ser de grafia ou . período em que as duas variantes convivem. portanto. idioletos e socioletos podem ser distingüidos não apenas por seu vocabulários. e finalmente consagra-se pelo uso na modalidade escrita. estilo. Muitos registros são simplesmente um conjunto especializado de termos (veja jargão). Um outro exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes socioletos variam em seu grau de adaptação à fonologia básica da linguagem. Certos registros profissionais. o sotaque de palavras tonais nas línguas escandinavas tem forma diferente em muitos dialetos. um idioleto adotado por uma casa. mas também por diferenças na gramática. Coloquialismos e expressões idiomáticas geralmente são limitadas como variações do léxico. Por exemplo. na fonologia e na versificação. O processo de mudança é gradual: uma variante inicialmente utilizada por um grupo restrito de falantes passa a ser adotada por indivíduos socioeconomicamente mais expressivo. jornalistas ou advogados ingleses frequentemente usam modos gramaticais. É uma questão de definição se gíria e calão podem ser considerados como incluídos no conceito de variação ou de estilo. como o modo subjuntivo. "Espécies de Variação ¨ Variação Histórica Acontece ao longo de um determinado período de tempo. pode ser identificada ao se comparar dois estados de uma língua. mostram uma variação na gramática da linguagem padrão. Por exemplo. como o chamado legalês. Variações como dialetos. que não são mais usados com frequência por outros falantes.ecoletos. e de. porém com o tempo a nova variante torna-se normal na fala. A forma antiga permanece ainda entre as gerações mais velhas.

quando há um mínimo de reflexão do indivíduo sobre as normas lingüísticas. Não se deve confundir o estilo formal e . e o formal. o grau de educação. Variação Social Agrupa alguns fatores de diversidade: o nível sócio-econômico. e há a possibilidade de alguém oriundo de um grupo menos favorecido atingir o padrão de maior prestígio. determinado pelo meio social onde vive um indivíduo.de significado. é possível identificar dois limites extremos de estilo: o informal. Dentro de uma comunidade mais ampla. o uso de certas variantes pode indicar qual o nível sócio-econômico de uma pessoa. nem sempre coincidindo com as fronteiras geográficas. em que o grau de reflexão é máximo. vocabulário e estrutura sintática entre regiões. As diferenças lingüísticas entre as regiões são graduais. utilizado em conversações que não são do dia-a-dia e cujo conteúdo é mais elaborado e complexo. o tipo de assunto tratado e quem são os receptores. Variação Geográfica Trata das diferentes formas de pronúncia. Sem levar em conta as graduações intermediárias. que acabam por definir os padrões lingüísticos utilizados na região de sua influência. como poderia acontecer na variação regional. utilizado nas conversações imediatas do cotidiano. A variação social não compromete a compreensão entre indivíduos. a idade e o sexo. o grau de intimidade. profissional. política e economia. Variação Estilística Considera um mesmo indivíduo em diferentes circunstâncias de comunicação: se está em um ambiente familiar. formam-se comunidades linguísticas menores em torno de centros polarizadores da cultura.

preserva variantes antigas. tudo o que foge a ela representa erro‖. ocupam as classes sociais dominantes e. Porém. . por ser menos influenciado pelas mudanças da sociedade. O conhecimento do padrão de prestígio pode ser fator de mobilidade social para um indivíduo pertencente a uma classe menos favorecida. muitos professores costumam repetir essa frase. acreditam que o falar daqueles sem instrução formal e com pouca escolarização é ―feio‖. pois os dois estilos ocorrem em ambas as formas de comunicação. Dentro do ambiente escolar. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E PRECONCEITO ―A norma padrão constitui o português correto. Infelizmente. As diferentes modalidades de variação lingüística não existem isoladamente. 'preconceito lingüístico é a atitude que consiste em discriminar uma pessoa devido ao seu modo de falar'. ―preconceito lingüístico‖ é somente uma denominação ―bonita‖ para um profundo preconceito ―social‖: não é a maneira de falar que sofre preconceito. mas modalidades de prestígio ou desprestígio que correspondem ao meio e ao falante. e carimbam o diferente sob o rótulo do ‖erro‖. Como já dito. mas a identidade social e individual do falante. considerando-se a migração entre regiões do país. é necessário que eles compreendam que não existe português certo ou errado. esse preconceito é exercido por aqueles que tiveram acesso à educação de qualidade. à ―norma padrão de prestígio‖." De acordo com Marcos Bagno. sob o pretexto de defender a língua portuguesa. havendo um inter-relacionamento entre elas: uma variante geográfica pode ser vista como uma variante social. Observa-se que o meio rural.informal com língua escrita e falada.

e sua existência prende-se aos grupos que a instituíram. Isso atrapalha a desmistificação do ―certo e errado‖ e acaba propagando o preconceito. a mídia reproduz um discurso extremamente conservador. Mas a língua escrita é mais conservadora que a falada. terceiro. colunas de jornal e outros meios de multimídia estão cheios de ―absurdos‖ teóricos e ―distorções‖. Programas de rádio e televisão. é necessário que haja uma democratização da sociedade. social ou qualquer outro. reconhecendo e respeitando suas diferenças. Em suma. Divulgam ―bobagens‖ sobre a língua e discriminam os estudiosos da linguagem. sites da internet. alguns educadores e até os responsáveis pelas políticas oficiais de ensino já assumiram posturas muito mais democráticas e avançadas em relação ao que se entende por língua e por ensino de língua. que dê oportunidades ―iguais‖ à todos. para se acabar com o preconceito. pois são feitos por pessoas sem formação científica sobre o assunto." . Primeiro. que se aprende sobre ele. E mais: a palavra ―preconceito‖ significa um ―pré‖ conceito daquilo que ainda não se conhece a fundo. a língua é um fenômeno social. o que se deve adquirir é ―respeito‖. segundo. e não ―discriminação‖. antiquado e preconceituoso sobre a linguagem‖. A partir do momento em que se estuda determinado assunto. os cientistas da linguagem. Infelizmente. há um português culto falado e um escrito. a norma ancora a língua no contemporâneo. seja ele racial. Enquanto os estudiosos. ela é hoje o pior propagador deste preconceito. Bagno afirma que ―A mídia poderia ser um elemento precioso no combate ao preconceito lingüístico.O bom português é o das épocas de ouro da literatura‖.

de origem românica. passagem pela Índia. número insuficiente oara garantir sua preservação. 100 indivíduos. por serem línguas faladas por comunidades indígenas formadas por. Entre as línguas brasileiras que não correm risco de extinção imediataestão: Creole : 25 mil pessoas. na província de Lusitânia. Casos de anambé e creie (interiordo Pará). China e Japão. desenvolvida apartir do século III a. monde (Rondônia) e carahawiana e tora (norte doAmazonas). caripuná. existem 192 línguas viva sem território brasileiro.VARIEDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL Document Transcript    4. como aricapu (região do rioGuaporé. O levantamento foi feito pelo Summer Institute ofLinguistics. uma ONG como sede nos Estados Unidos. Amapá Cangangue: 18 mil pessoas. convívio intenso com africanos. • 91 correm alto risco de extinção. que hoje corresponde a uma parte dos atuais territórios de Portugal e Espanha. 4 De onde veio a Língua Portuguesa? O português é uma língua latina. o oro win (fronteira Brasil/Bolívia) e o juma (interior daAmazônia).C. aruá. As 192 línguas que restaram: • 42 são consideradas praticamente extintas. sete estados . em Rondônia).nos últimos 200 anos. sem contar inúmeros imigrantes recebidos pelos países de língua portuguesa – com destaque para o Brasil. cuja manifestação pode se facilmente vista no vocabulário. no máximo. Foram viagens às Américas. o contato com os outros povos gerou uma serie de influências. Ao longo de formação e vida dessa língua. o idioma oficial do país. Quantas línguas ainda existem no Brasil? Incluindo o português. interação com antigos povos e invasores da Península Ibérica.

destacando. 5. atividadesculturais. professor Serafim da Silva neto escreveu no livro Introdução ao Estudo da Língua Portuguesa no Brasil a respeito de um dialeto intitulado: ―canua cheia de cucos de pupa a prua‖. mas ainda geraram inúmeraspeculiaridades regionais da língua.povos nativos e imigrantes.   (incluindo São Paulo eParaná) Caiwá: 15 mil pessoas. espanhóis e franceses). especialmente as influências vindas do português falado em determinadas áreas de Portugal durante a colonização. centro-oeste Paranaense Sotaque Ao longo dos cinco séculos que se seguiram á descoberta do Brasil.pronúnciacaracterística de um país ou região etc. de escravos vindos de várias regiões do continente africano. paulistas e cariocas. Isso explica as diferenças nos falaremnordestinos. interior do Mato Grosso do Sul Ticuna: 12 mil pessoas. gaúchos. políticas e sociais. – e termos que não apenas diferencia oportuguês brasileiro do de Portugal. de invasores estrangeiros (holandeses. nortistas. costumes. animais. com termos regionalistas. de imigrantes europeus. E tem muito a ver também. de ingleses que implantaram as ferrovias. que seria na língua cultacanoa cheia de cocos de popa a proa. mineiros. foram aos poucos moldando sotaques. assim como geografia. norte da Amazonas Guarani: 5 mil pessoas. Esse filólogo se referiu a esse dialetoque falam amazonenses e paraenses . americanos e asiáticos. Mato Grosso do sul Terena: 15 mil pessoas. com as adaptações e corruptela de palavras usadas para designar objetos. O filólogo. por influência da língua indígena predominante na região. 5 O linguajar Norte da Região Uma série de razões é levantada para justificar as características específicas do modo de falar do povo do norte. fenômenos atmosférico.

Chulipa = Dormente para trilhos de trem veio de ―sleaper‖.se diz pupa. só que não é na tônica.  com esse nome.influencia de nordestino‖. da madeira. que ligava o estado do Pará com a cidade de Bragança. paulistas. ―Há outro dialeto muito difuso.quando lá no Rio se diz „culégio‟ (no lugar de colégio). paranaenses. Entãoem vez de canoa. Muitcho = Muito em castelhano. que era otermo usado pelos ingleses que construíram as primeiras ferrovias no Brasil. explica o professor Orlando CassiqueSobrinho Alves. nessa área onde a migração foi forte nos últimos anospor causa das riquezas do Pará. mineiros. Esse dialeto da zona bragantina é também um dialeto tradicional doPará. 6. conclui Alves. se diz canua. por causa da invasão espanhola. a vogal média „o‟ passa a ser uma vogal alta „u‟. ‖O da zona bragantina. por ser um dialeto cujamarca essencial é a modificação da pronuncia da vogal „o‟ tônica em „u‟. gaúchos noSul do Pará‖. historicamente representativo e é falado por pessoas que ajudaram aconstruir o estado. do ouro. em vez de coco. em vez de popa. porque seconstitui no sul do Pará. que era uma antiga estrada deferro velho. do departamento de língua e literatura Vernácula da UFPA(Universidade federal do Pará). próxima doNordeste. Beiju = Biscoito de massa .Existem em outros dialetos brasileiros. Ele tem muita influência de cearenses e maranhenses. Por exemplo. Eleresulta da influência de baianos. Ele lembra que esse fenômeno é classificado tecnicamente comoalteamento: Quer dizer. em vez de proa. se diz cuco. Tapioca = Termo indígena para goma de mandioca. 6 O dialeto do Norte Jerimum = Abóbora na língua tupi. Macaxeira = Mandioca = Maniva = termos indígenas. de fazendas etc. se diz prua. amorfo neste momento. O professor da UFPA lembra ainda que haja dois outros dialetosespecíficos no Pará.

foram Pernambuco e Bahia. as duas primeirasvertentes da língua pode-se dizer. Teiú = Nome indígena para lagarto. Mão-de-mucurra-assada = Sovina Goiás = da mesma raça. igual Grajaú = Pássaro que come Variedades do português no Nordeste Brasileiro Foi no Nordeste do país que. O início da colonização portuguesa se deu justamente entre os estados de Pernambuco e Bahia. Igará = Canoa pequena dos índios. enquanto outras partes do país só vieram a receber a influência lusitana bem mais adiante. das prostitutas. Tracajá = Palavra tupi para designar quelônios conhecidos genericamente por tartaruga.Salvador se tornou a capital do Brasil.de mandioca na língua indígena.   O que veio para o Brasil foi o português dos colonos. Piroga = Canoa indígena escavada em tronco. A Bahia e o Pernambuco tiveram uma história . Papudinho = pessoa alcoólatra. dos degredados. primeiramente.Mas era dividido por uma barreira natural. Tacacá = Mingau líquido de mandioca. Tucupi = Suco temperado e apimentado da mandioca na linguagemindígena. jesuítas que foram para o Sul e que na maioriaeram espanhóis" lembra a Nelly Carvalho. Igarapé = Braço de rio na língua indígena. nome caribenho. Havia um porto em Recife. Xibé = prato feito de farinha de mandioca com farinha. outro em Salvador. Caititu = Nome indígena para javali. porque ficavammais perto do Velho Continente. a língua portuguesa se fixou em nosso território. professora do Departamento deLetras da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). queeram chamadas raparigas. A modalidade de português falada nessa região foi se arcaizandodurante a evolução do país. "Em Portugal o português avançou. "Quando nós fomos colonizados pelos portugueses. que era o Rio São Francisco.

Sacolé.torcer o pé. Bruguelo – Bebê. por exemplo) ou entre regiões doBrasil (região sul. região norte. Tanto que o movimento literárioBarroco foi na Bahia e Pernambuco.Muito magro. 8. Desmentir . Aperrear Encher o saco. Brenha . Desmilinguido . Avexado . chupe-chupe. região centro-oeste. gelinho. Farda . perturbar. palavras com sentidosque variam de uma região para outra). eles se superpõem. Gaia . 8 Cagado e cuspido . a Bahia ePernambuco foram os dois maiores centros. as diferenças mais comuns são as queencontramos no plano fonético (pronúncia.Morrer. sendo mais perceptível na pronúncia e no vocabulário.Local longe de difícil acesso Cabreiro – Desconfiado. Portugal. Entojo – Enjôo.Muito parecido. É importante observar que o processo de variação ocorre em todos os níveis de funcionamento da linguagem.  diferenciada do resto doBrasil. onde as pessoasregionais falam palavras com significado muito diferente como. onde se fala a mesma língua.Chifre. Exemplos clarosdesta variação são as diferenças encontradas entre os diversos países delíngua portuguesa (Brasil. Angola. Nesse tipo de variação. Durante os dois primeiros séculos de colonização. . entonação) e no plano lexical (usode palavras distintas para designar o mesmo referente. incluem-se as diferenças lingüísticas observadas entrepessoas de regiões distintas. É comum nas regiões do Brasil nos deparar com os mais variados ediferentes dialetos e principalmente no Nordeste brasileiro. Bater a caçuleta .Com pressa. Esse fenômeno da variação se torna mais complexo porque os níveis não se apresentam de maneira estanque.Uniforme escolar. Din-din .Engravidou alguém. sem força. região sudeste e a regiãonordeste). Fez mal . Nesta dimensão. por exemplo:Apetrechada-Dotada de beleza física.

falar eagir. brasileiros. VisseCerto/OK. Mangar – Ridicularizar. Na prática. pessoa querida.Amor. mas criavam seu próprio isolamento cultural. o Dialeto Crioulo Rio-Grandense Historicamente. Na tentativa de não se identificarem nem com os portugueses(dominadores) e. Do convívio entre osimigrantes espanhóis e portugueses com os índios surgiram muitas misturasraciais originando o que se chamou de ―raça gaúcha‖ (cafuzos de índios je-tupi-guarani com iberoeuropeus) e o surgimento involuntário de uma culturacompleta que era compartilhada pelos povos. Gaúcho. mas esqueciam-se todos que os donos legítimos da terra eram osíndios. da indumentária e quase toda a . do chimarrão. posteriormente. Pelejar . Xodó .Tentar várias vezes. que pouco se diferenciava das características típicas dos ―gauchos‖ (lê-se„gáutxos‟ em espanhol) dos pampas cisplatino e platino. pampa argentino e pampa uruguaio. paixão. nunca houve divisão de fato dos territórios do pampa rio-grandense. nem com os espanhóis 9. Zambeta De pernas tortas.. o Rio Grande do Sul. proporcionando umaintegração – nem sempre pacífica – entre os três povos. estado ao extremo sul do Brasil. os rio-grandenses criaram um modo particular de vestir. Em conflito constante com os ―castelhanos‖ (argentinos e uruguaios deascendência castelhana) e com os portugueses (então colonizadores doBrasil). Numa áreapertencente à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas. Essas são alguns sotaques e palavras muitas vezes são cheias deefeitos e ate mesmo maliciosos que é uma característica do Nordestebrasileiro.sempre foi uma região de conflitos e de culturas diversas. alguns portuguesesfincaram o pé em partes da localidade no intuito de tomar as terras dosespanhóis. 9(invasores). Os hábitos dochurrasco. os gaúchos continuavam ignorando os limites políticos entre osterritórios..

tradiçãopermaneceram muito semelhantes após todo o período de ebulição, mas alíngua foi diferenciando-se. A formação do dialeto se dá, basicamente, por: 1. vocábulos hispano-luso-indígenas 2. aumentativos e diminutivos hispânicos 3. escrita lusitana 4. pronúncia baseada no português, mas lida como no espanhol 5. falta de uma gramática oficial, mantendo o dialeto constantemente mutante e flexível 6. A pronúncia do ―o‖ e do ―e‖ são feitas como no Espanhol quando se alterariam para ―u‖ e ―i‖ no Português. 7. O diminutivo ―inho‖ quase sempre e substituído por ―ito‖, mas há casos onde sobrevive. Recorde-se que não há regra oficial para a fala campeira e que a maioria das pessoas sequer sabem que não falam Português nem Espanhol. 8. O pronome ―lhe‖, quase sempre é pronunciado ―le‖. 9. Há uma grande dificuldade entre os nativos para saberem quando pronunciar ―b‖ ou ―v‖, pois flutuam entre a gramática portuguesa e espanhola. 10. As palavras que têm dupla escrita de ―x‖ ou ―ch‖, têm no ―ch‖ sua escrita castelhana e ―x‖ lusitana (galega). Algumas expressões típicas da gauchada: Abichornado – acovardado, apequenado. Afeitar – espanhol – fazer a barba Alcaide – provavelmente espanhol, pois tem significado muito oposto do homônimo português, oriundo do árabe – cavalo velho, ruim inútil; serve para pessoas também. Andar a/pelo cabresto – português – o mesmo termo que designa a condução do animal, indica que alguém está sendo conduzido por outro. Bagual – crioulo – cavalo que não foi castrado; homem. Barbaridade – português – barbarismo. Tanto adjetiva como pode ser uma interjeição de espanto. Bate-coxa – português – baile, dança. Bombacha – espanhol platino – peça (calça) que caracteriza a indumentária gaúcha. Tem origem turca e foi introduzida na América pelos comerciantes ingleses, de presença marcante no

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pampa platino. Capilé – francês – refresco de verão, feita com um pouco de vinho tinto, água e muito açúcar. 10. 10 Cevador – português – pessoa que prepara o chimarrão eo distribui entre os que estão tomando. Charque – espanhol platino – carne de gado, salgada emmantas. Chucro (xucro) – quíchua – animal arisco, nunca domado;pessoa de mesmo temperamento ou sem empirismo, inexperiente. Cusco – espanhol platino, provavelmente já emprestado doquíchua – cachorro pequeno e de raça ordinária (ou sem); guaipeca. Engasga-gato – português – ensopado feito com pedaçosde charque da manta da barrigueira. Garupa – francês - A parte superior do corpo dascavalgaduras que se estende do lombo aos quartos traseiros; tambémusado para definir a mesma área no corpo humano. Gaúcho – origem desconhecida – termo, inicialmente,utilizado de forma pejorativa para descrever a cruza ibero-indígena, hojeé o gentílico de quem nasce no estado do Rio Grande do Sul. Gauderiar – espanhol platino – vagabundear, andarerrante, sem ocupação séria; haragano. Gaudério – espanhol platino – vagabundo, desocupado,nômade. Atualmente, é uma referência estadual ao povo da campanha,simplesmente, como gaúcho. Guaiaca – quíchua – invenção gauchesca que se usasobre o ―cinturão europeu‖. Significa bolsa em sua língua original. Guaipeca – tupi – cachorro pequeno e de raça ordinária(ou sem). Guri – tupi – criança, menino; serviçais que faziam trabalholeve nas estâncias. Japiraca – tupi – mulher de temperamento irascível,insuportável. Jururu – tupi – triste, cabisbaixo, pensativo. Mate – quíchua – bebida preparada em um porongo, comerva-mate e água quente; chimarrão. Morocha – espanhol platino – moça morena, mestiça,mulata; rapariga de campanha. Nativismo – português – amor pelo chão onde se nasce esua tradição. Orelhano (aurelhano) – espanhol

platino – animal semmarca nem sinal; também serve para pessoas. Pampa – quíchua – vastas planícies do Rio Grande do Sul,Uruguai e Argentina, coberta de excelentes pastagens que servem paracriação de gado. Em quíchua, ―pampa‖ significa ―planície‖. Paisano – português/espanhol – patrício, amigo,camarada; camponês e não-militares. Pêlo duro – espanhol – crioulo, genuinamente rio-grandense; também significa pessoa ou animal sem estirpe. Poncho – origem incerta, araucano ou espanhol – espéciede capa de pano de lã de forma retangular, ovalada ou redonda, comuma abertura no centro, para a passagem da cabeça. Puchero (putchero) – espanhol – sopão com muitovegetal e carne de peito, sem tutano e sem pirão. 11. 11 Querência – espanhol – o lugar onde se vive. Derivado de ―querer‖, caracteriza o amor que o gaúcho tem pela sua terra. Tapejara – tupi – vaqueano, guia ou prático dos caminhos; gaúcho perito, conhecedor da região. Tchê – provavelmente espanhol – termo vocativo pelo qual se tratam os gaúchos. É o mesmo ―che‖ („txê‟) do espanhol, que se consagrou com Ernesto Guevara, o ―Che‖. Topete – português/espanhol – audácia, arrogância, atrevimento; saliência da erva-mate que fica fora d‟água na cuia de chimarrão. Tropeiro – português/espanhol – condutor de tropas, de gado. Dialeto Centro - Oeste Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Essesquatro estados compõem a região Centro-Oeste do Brasil, que, assim como asoutras, possui características linguísticas próprias.Na colonização Centro-Oeste, as rotas bandeirantes estiveram muitopresentes, tanto no Mato Grosso quanto em Goiás e, de alguma forma, alinguagem que eles levaram influenciou a fala local.O goiano fala com os traços muito puxados no

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―r‖ que é normalmente chamadode ―r‖ caipira, ou linguisticamente falando, o ―r‖ retroflexo. Como o goiano falacom esse ―r‖ puxado, supôe-se que isso possa ter vindo ao longo da históriaum influência da linguagem utilizada pelos bandeirantes que viviam na regiãodo Estado de São Paulo. Esses bandeirantes tinham o português marcado poresses traços, já que eram das áreas mais interioranas do Brasil, principalmenteas que a gente chamaria de fala caipira.N época da colonização, os bandeirantes que penetraram pelo norte do Estadodo Mato Grosso e levaram a suposta língua geral paulista, que era de baseindígena (tupi). O contato do português colonizador com as línguas indígenaslocais resultou no dialeto cuiabano.Algumas características muito fortes nessa fala regionalizada específica doMato Grosso é que os mato-grossenses não falam chuva e peixe, com essesom de ―che‖ que nós temos, fala-se ―tchuva‖ e ―petche‖. Também não se falacaju e laranja, com esse som de ―gê‖, fala-se ―cadju‖ e ―larandja‖.Todo esse som ―che‖ transformado em ―tchê‖ e todo esse som ―che‖transformado em ―djê‖ existiam em uma das línguas indígenas que aindasobrevivem no Brasil e tem algumas aldeias próximas à Cuianá. que é a línguaBororó. Existe essa hipótese, que esses fonemas possam ter vindo deinfluência da indígena local, pois em outras regiões do Brasil a gente nãoencontra esse som facilmente. É uma coisa típica do dialeto mato-grossense. A Gramática Normativa, a Linguística, a Norma Padrão, a Norma Culta, as Variações linguísticas e o Preconceito Linguístico RODRIGUES, G. A..

Observamos que há uma grande confusão em assuntos linguísticos até mesmo por pessoas da área da linguagem. A fim de trazer solução, este texto visa esclarecer equívocos de forma sucinta e objetiva sobre o que são gramática, linguística, norma padrão, norma culta, variações linguísticas e preconceito linguístico. Além disso, o texto tem por fim ser compreensível a todas as pessoas.

O que é gramática normativa? A gramática normativa surgiu na Grécia antiga quando os primeiros estudiosos da língua sentiram a necessidade de estabelecer uma regra para a língua escrita, dessa forma, eles observaram os melhores escritores, oradores e as variedades de maior prestígio da época e analisaram o que era mais frequente em seus discursos. A gramática normativa é uma convenção e determina um modelo a ser seguido para escrever e falar bem; tudo que estiver fora desse padrão preestabelecido por ela é erro. É essa língua prescrita pela gramática que é ensinada nas escolas. Uma abordagem unicamente normativa pode levar a conclusões equivocadas sobre a língua. Gramática normativa não é língua!

também. Tudo que estiver fora desse padrão. nem mesmo professores de . Ela explica. é o ideal de língua a ser seguido. O que é norma padrão? A norma padrão é a língua prescritiva pela gramática normativa. Cabe ao linguista estudar toda e qualquer expressão linguística. Todavia. a linguística não classifica a língua em certo ou errado. É com essa norma padrão que se deve escrever e se comunicar em situações muito formais. é erro. por exemplo. Diferente da gramática (que não é uma ciência). as variações de pronúncias entre regiões onde se fala tal idioma. Pode explicar.O que é linguística? A linguística moderna surgiu no início do século XX com o linguista suíço Ferdinand de Saussure. é uma língua artificial que ninguém fala. A linguística é uma ciência que ocupa-se principalmente em investigar a linguagem oral humana. porque ocorre uma variação diferente da prescrita pela gramática. mas procura descrever e explicar fatos de forma lógica e científica. segundo a gramática normativa.

A norma culta é a variedade de maior prestígio da língua. A língua portuguesa que se fala em São Paulo não é a mesma língua portuguesa que se fala no Rio de Janeiro. pelas pessoas escolarizadas. O que é norma culta? Embora muitos veem a norma culta e norma padrão como sinônimas. As variações linguísticas não descritas pela gramática normativa são consideradas erradas e por isso são . Todas as línguas variam. O que são variações linguísticas? As variações (ou variantes) linguísticas são todas as diferenças que ocorrem em um mesmo idioma. por mais correto que falem. Nesta última. há diferenças. como muitos pensam que é. o que ocorre é uma maior aproximação dessa variedade. admite-se. utilizado na escrita. variações como Eu vi ela. sem exceção.português. falada pelas classes dominantes. sem traumas. todo certinho. A língua não é um bloco fechado. utilizado na língua oral falada em conversas informais do dia a dia. Na norma culta coexistem o padrão formal. ela varia e muito. e o padrão coloquial.

O português falado pelos nossos avós não é o mesmo que falamos hoje. Os gramáticos demoram demais para aceitar como correta uma variante que apareceu faz tempo na língua falada. não evolui. Uma visão unicamente normativista pode levar ao preconceito linguístico. é de uma classe econômica mais baixa. racial. . O falante de uma variedade de menor prestígio. não se deteriora. o que era errado ontem é o certo de hoje. que teve pouco ou nenhum estudo por isso fala de um modo diferente. religioso e tantos outros. repetindo um discurso equivocado veiculado pelos gramáticos. geralmente. Geralmente. simplesmente muda.menosprezadas. Assim é a língua. O que é preconceito linguístico? Preconceito linguístico é menosprezar variantes que não são descritas pela gramática normativa. Todas as variações linguísticas seguem uma lógica. como o preconceito social. o preconceito linguístico revela outras formas de preconceito. além disso. não empobrece. o errado de hoje provavelmente será o certo de amanhã. Muitas pessoas desconhecem este tipo de preconceito e o fazem sem saber. e não errado.

Língua e Poder: A Língua como instrumento ou estratégia política nos Países de Língua Portuguesa Tamara Grisolia Fernandes . Nesse contexto. de 1990.br Graduada em geografia pela UFF 1[1] RESUMO O presente trabalho apresenta uma discussão direcionada pela geografia política a respeito da questão lingüística e seus conflitos nos países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).com. são aferidas questões a respeito do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa. levando em conta a repercussão que o mesmo causou perante a elite intelectual de Brasil e Portugal. assim como os demais. Ao .tamaragrisolia@yahoo.Nosso esforço é alertar para que este tipo preconceito se extinga.

Key-words: Portuguese language. 1.fim da discussão. In the end of the discussion. power. Introdução . bringing to light the effect that it caused on the intelligence of Brazil and Portugal. os questionamentos levantados na conclusão são colocados. poder ABSTRACT This paper presents a discussion based on political geography. Palavras-chave: Língua portuguesa. In this context. placed in the member countries of the ―Community of Portuguese Language Countries‖ (CPLP). questions are surveyed about the Portuguese Language Orthographic Agreement of 1990. politic geography. geografia política. the questions raised in the conclusion are placed so as to represent a non-point agreement about the mentioned issues. de modo a representar uma conclusão não pontual. about the language issue and its conflicts.

linguagem. Estado. introdutório. Cabo Verde. No trabalho são realizados apanhados com características importantes do país estudado. O enfoque dado para se tratar das relações de língua e poder será dado aos países que fazem parte da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa): Angola. Moçambique. Este trabalho será dividido em três eixos. nação e poder. mais especificamente. O primeiro. na adoção de uma língua oficial. O segundo discursará a respeito dos países constituintes da CPLP e seus conflitos lingüísticos internos. São Tomé e Príncipe e Timor Leste. conceito este também explicado ao longo do trabalho. bem como. .O trabalho aqui realizado visa expor conceitos relacionados à língua. pretende-se demonstrar as formas de poder presentes na língua. Com isso. contará com as já propostas definições de conceitos relacionados ao tema ―língua e poder‖. Já o terceiro será a respeito do acordo ortográfico e sua repercussão nos países de língua portuguesa. Guiné-Bissau. de modo a relacionar tais conceitos no campo da geografia política. Brasil. se existir o detalhamento de seus conflitos lingüísticos internos. Portugal.

será colocada a definição de . conclusões a esse respeito serão realizadas através de questionamentos. Para uma melhor compreensão de seu conceito. Seria o acordo ortográfico mais uma forma de exercício de poder? Seria ele apenas uma tentativa de unidade entre povos de mesma língua? Até que ponto esses dois questionamentos podem ser separados? É importante colocar que o objetivo do trabalho não é resolver tais questões. sendo apenas uma espécie de documentação de algumas teorias e colocação. diversas definições. a pretensão do estudo não é de alcançar novas resoluções a esse respeito. ao longo de seu desenvolvimento de questões importantes. portanto. é só colocá-las. da sociologia e da lingüística. A Língua e Suas Definições A língua é um organismo vivo que compreende diversos estudos e. De forma que. obviamente.Como este último eixo apresenta-se como uma proposta mais à parte dos demais. contando com a opinião de teóricos da geografia. 2.

Por outro lado. um sistema de combinações possíveis presentes na mente humana. um sistema de valores. um importante lingüista do início do século XX. um conceito concreto. A esta segunda afirmação. De maneira que este conjunto de signos a que Saussure se refere tem duas expressões nas concepções de gramática atuais. e assim. E é a partir disso que é colocada a diferença de língua e fala (Langue x Parole). É também uma instituição social. sílabas. É. é quando escolhemos dentre as possibilidades de combinação de sons (fones). portanto. Já a fala é a concretização desse sistema. está ligada uma visão mais sociológica e corrobora a versão mais política dada ao entendimento da língua. É.Ferdinand Saussure. um conceito abstrato. em seu livro Cours de Linguistique Générale. a primeira afirmação condiz com a explicação linguística e social (não sociológica) da mesma. cujas pesquisas revolucionaram o campo da lingüística no mundo. A língua é um sistema de signos compartilhados. Segundo Saussure. falamos. a língua é um conjunto de signos que serve de meio de compreensão entre os membros de uma mesma comunidade lingüística. portanto. .

por outro lado. que rege o ―bem escrever‖. Não deve ser. é um organismo vivo. portanto. A língua falada. Língua Oficial .É importante ressaltar que ao longo deste trabalho será utilizado tanto um conceito quanto o outro. Ou seja. Assim como serão tratados com diferença os termos língua escrita e língua falada. ser passível de julgamentos de certo ou errado. Por isso. apenas deve-se estudar os seus desdobramentos. infere-se que o Acordo ortográfico pode até atuar com mudanças significativas na língua escrita. e pode apresentar inúmeras variações. mas não conseguirá romper ou impedir o processo dinâmico de evolução da língua falada. a língua escrita está sujeita à norma padrão. dentro mesmo de um sistema lingüístico comum. Estes termos representam conceitos totalmente diferentes. pois esta não respeita naturalmente interferências desse tipo. a uma gramática normativa. 2. de acordo com sua evolução. respeitando suas respectivas diferenças. a língua falada não é estática e deve ser estudada de acordo com suas variações naturais.1.

um dos principais é o fato de que falamos uma língua tomada como elemento de nossa identidade.A língua oficial é aquela usada em todas as ações oficiais. através da utilização de uma língua oficial. ou seja nas suas relações com as instituições do Estado. por exemplo. A determinação de uma língua como oficial implica em várias observações políticas. É. para que o mesmo país tenha soberania perante os demais. E. Esta língua em questão não deixa de ser parte do que caracteriza a identidade de um povo e de sua nação. Tal afirmação se encontra no artigo 13 da atual Constituição Brasileira: "A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil". a língua que todos os habitantes de um país precisam saber. no Brasil. muitas vezes relacionada com a nacionalidade brasileira. dessa forma. Sua existência é garantida por lei e. pois é um importante traço de unidade. e entre eles. só a Constituição de 1988 passou a determinar a língua Portuguesa como a língua oficial do Brasil. A identidade brasileira. desde a revolução industrial está . Uma delas é a tentativa de unificação de um território etnicamente e culturalmente desmembrado. a soberania. por exemplo. é constituída por um conjunto de elementos.

pois a língua é cultura e identidade de um povo. a determinação de uma língua oficial abafa a voz política de quem não a fala ou escreve. Além das óbvias habilidades de controle da população e centralização política.2. por exemplo. Mas não é só a voz que se perde.portanto. Há também perdas de traços culturais muito importantes. Ela . perde a voz nas suas reivindicações políticas.Língua Nacional A língua nacional é a língua que representa uma unidade das características identitárias de um determinado território.totalmente ligada à formação da nação. A criação da língua oficial força uma substituição de culturas. nos quais a maioria da população não fala a língua oficial ou a tem apenas como segunda língua e. 2. Este ponto é bem observado nos países da África. Outra habilidade (ainda que oculta) da língua oficial é a de exclusão e marginalização. fato este que será melhor explicado adiante. pois é através dela que se travam quaisquer relações com as instituições do Estado.

outra língua. Normalmente. só conta com uma língua oficial. Há línguas nacionais que coincidem com as línguas oficiais. pois ao redor do mundo todo tal comportamento é recorrente. sendo estes escritos em tal língua espontaneamente. ou do catalão na Catalunha. portanto. sem que ela fosse determinada por qualquer órgão ou sob qualquer circunstância. diferente da oficial. aquela que ele aprendeu quando aprendeu a falar. ou seja. necessariamente. Esta mesma língua.reflete. porém. a língua Nacional é a língua materna do indivíduo. ou só falam. uma determinada herança étnico-cultural. do galego na Galiza. Em outras palavras. e é a representação de uma consciência nacional. Também vemos o mesmo com grande parte das línguas não . Uma nação pode ter diversas línguas nacionais. e esse é o caso do português em Portugal. enquanto a língua oficial não é a materna. pode representar a língua de expressão literária autônoma do país. Vários exemplos podem confirmar isso. como é o caso. por exemplo. a língua na qual estão os registros literários de uma cultura. em alguns casos. Mas há casos em que tal não acontece. uma vez que existem comunidades dentro do Estado que também falam. a língua nacional é aquela compartilhada por um grupo populacional que compartilha de elementos sobretudo étnicos comuns.

defendendo. Nestes dois países. Em Moçambique. os falantes das línguas nacionais representam um número tão grande. como veremos nas próximas páginas. as línguas nacionais vêm sendo objeto de proteção internacional. a sua preservação é uma forma de evitar tendências hegemônicas da maioria ou de discriminação daquelas minorias. por exemplo. Atualmente. as línguas Nacionais têm seu espaço na constituição. uma vez que. na maioria das vezes. que seria praticamente impossível ignorar a força dessas línguas politicamente e não garantir a proteção das mesmas via algum documento de garantia de direitos.oficiais no espaço político-geográfico em que se expandiu a Lusofonia. é importante utilizar um contraponto. Também a Constituição de Timor-Leste estabelece que "o tétum e as outras línguas nacionais são valorizadas e desenvolvidas pelo Estado". sendo normalmente faladas por minorias étnicas ou culturais (minorias nacionais). que é o caso que será mostrado no trabalho em questão. a resistência das Línguas Nacionais como . Pensadores da literatura e da lingüística permeiam esse debate. Como foi utilizado o exemplo da garantia de uma língua oficial pela constituição. que afirma: "o Estado valoriza as línguas nacionais e promove o seu desenvolvimento".

3. a utilização da língua nacional corresponde a um direito fundamental das pessoas que integram uma comunidade nacional. É. Nação e Nacionalismo Nação. formando. língua e consciência nacional. falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes. No fundo. por outro lado. geralmente do mesmo grupo étnico. Para Ernst Gellner (1983). assim. seja ela qual for. cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos. segundo a definição presente em Ellery Mourão (retirada de Anderson. um povo. quando os estados nação se tornam a forma de organização político cultural que substitui o império. a fase industrial. religião. uma ideologia. seria o processo histórico pelo qual as nações modernas têm-se estabelecido como unidades políticas independentes. Ideologia esta . portanto. tradições. 1989) é a reunião de pessoas.manutenção de traços identitários. O Nacionalismo. o nacionalismo é a ideologia fundamental da terceira fase da história da humanidade.

constituído por meio de simbologias. entre outros. que tinha uma forte política Nacionalista. Isso sem perder de vista . mais do que a unidade é o sentimento de pertencimento.―que justifica a nação-Estado‖ (Gerth e Mills. a identidade de governo. as tradições históricas. O Estado brasileiro. que privilegia o sentimento de pertença a uma nação. os símbolos e a língua. o desejo de compartilhar e ser daquele grupo. Um elemento muito importante que constitui o nacionalismo. Dicionário de Ciências Sociais. as línguas estrangeiras foram interditadas e o ensino da língua portuguesa se tornou intenso nos locais de maior concentração de população imigrante. Já a referência à identidade nacional consiste numa abordagem como a tratada por Anderson (1989). os sistemas de valores. se esforçou para podar as línguas dos imigrantes estrangeiros. principalmente a partir do Estado-Novo (1937-1945). por exemplo. sistemas de valores. MEC). que as nações procuram administrar em função da manutenção da coesão social e da unidade política. E entre os fatores que produzem consciência de grupo no nacionalismo encontram-se a literatura. é a vontade de querer unir-se. crenças e ideologias criadas para dar unidade à identidade coletiva. Durante essa época.

dependendo da situação vivida pelos indivíduos. Língua e Linguagem na Nação A língua é um dos principais aspectos do Estado-Nação. Nesse sentido. como o fascismo. ao território. embora todos esses referenciais sejam construtores de identidade nacional (Hall. com a propaganda e os meios de comunicação em massa. à religião ou à raça. 4. 2003).que toda afirmação de identidade nacional é situada histórica e estrategicamente. pois além de se configurar por si só uma unidade. também o conceito de nação. Foi através da língua que os maiores e mais radicais Estados Nacionais. além de produzir marginalizações e cortes de voz política. considerando-o não restrito exclusivamente à língua. o nacional-socialismo e o nazismo. mantiveram sua unidade. ela também é instrumento de controle de massas. . pretende aqui ser pensado de forma múltipla e plural. marcado historicamente por idéias sintetizadoras.

como desempenho de toda a linguagem. Para Roland Barthes. ela é simplesmente fascista. No Português. pois o fascismo não é impedir de dizer. isso é notado com as construções. a língua é local de submissão do indivíduo. do teatro. temos a linguagem do jornal. ou. em cada nação. além de homem e mulher ( homo e ánthropos. nesse caso. Mas a língua utilizada para se estabelecer a comunicação é apenas uma em cada comunidade. Sendo assim. "A língua. somos obrigados a usála para nos comunicar e. expresso pelo masculino. ela é local de inscrição do poder. viver. por exemplo do genérico. portanto.É importante observar que a língua utilizada é uma só. Por exemplo. é obrigar a dizer". não é reacionária. mulier e guiné). portanto. existiam palavras para designar o ser humano do sexo feminino e o ser humano do sexo masculino. enquanto em Latim e Grego. Como a língua é uma representação do mundo. só podemos nos expressar através dela e. se utiliza a palavra homem para designar o ser humano em geral. da televisão. . estamos presos a essa representação da realidade. independente do gênero. do cinema. nem progressista. mas as linguagens variam. por exemplo. Ainda.

na Europa está Portugal e na Ásia localiza-se o Timor Leste. Guiné Bissau. já representa um valor estratégico muito grande. no que diz respeito a geopolítica. E são esforços nesse sentido que serão observados ao longo das próximas explicações. São Tomé e Príncipe e Timor Leste. acerca do enquadramento geográfico dos países membros da CPLP. portanto. Moçambique. Na América do Sul. Moçambique e São Tomé e Príncipe.1. 5.5. Estes países são: Angola. seria de se esperar por parte dos chefes de Estados. Angola . encontra-se o Brasil. por si só. GuinéBissau. Os Países Membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e Suas Especificidades É importante refletir. O espalhamento desses países por esses continentes. pelas quais serão mostrados cada país membro e seus conflitos lingüísticos internos. e estão espalhado por quatro continentes. a partir da observação do mapa acima. Brasil. Cabo Verde. na África estão localizados Angola. A manutenção da língua Portuguesa. Cabo Verde.

de hábitos e valores portugueses.Em Angola. considerados "civilizados". se fixaram no interior do país. A adoção do Português como língua oficial foi. falado por 30% da população. há que ter em conta também a presença de um elevado número de colonos portugueses. Por outro lado. entre os quais se encontrava o domínio da língua portuguesa. O principal foi a implantação. bem como dos sucessivos contingentes militares portugueses que. kikongo. pelos angolanos. pelo regime colonial português. durante o longo período da Guerra Colonial. como se pôde observar. Essa política teve vigência durante o governo de Salazar. E embora as línguas nacionais ainda sejam as línguas maternas da maioria da população. Angola também conta com 37 línguas indígenas e 50 dialetos. o português é já a primeira língua de 30% da . kimbundu e o umbundu. através de um processo impositivo. As Línguas Nacionais são côkwe (pronuncia-se tChocué). devido a diversos motivos. a Língua Oficial é o Português. de uma política assimiladora que visava a adoção. espalhados por todo o território. Neste país houve intensa disseminação do Português.

com a aproximação de um EstadoNação. Assim.2.mas exxiste uma língua Nacional de forte expressão. 5. A língua Portuguesa teve grande dificuldade de adoção passiva nesse país. único país da África na CPLP com tamanha aderência ao Português. pois a população não se identifica com ela. O Crioulo Caboverdiano é de expressãotão grande em Cabo Verde. entre os continetes da América e da África. Uma reunião de documentos presente no artigo de Juliana Braz mostra os . que é o Crioulo Caboverdiano. Cabo Verde Cabo Verde é um arquipélago composto por 10 ilhas. por isso. característica muito peculiar de angola. como mostra Juliana Braz em seu artigo. e tem valor de identidade tão latente. a soberania seria reconhecida. As ilhas que compõe esse arquipélago eram inicialmente desabitadas. que há um projeto para a oficialização da língua. de posição geográfica altamente estratégica e preciosa. não existiam línguas nativas.população. por esta justamente no meio do oceano atlantico. A língua oficial de Cabo Verde é o Português.

5. Fula.Com Guiné Bissau não foi diferente. apagando as etnias preexistentes. A Língua Oficial (o português) éfalado por menos de 10% da população.3 Guiné Bissau Como já foi dito. crioulo. Suas principais Línguas Nacionais são o Crioulo Guineense. . Guiné Bissau teve sua independência conquistada em 1974. impor unidade linguistica. Papél. 90% da população é marginalizada quando da participação política oficial. na guerra colonial. Pelo contrário sua identidade é problemática (guineense. Mandiga. ou parte de uma etnia específica?).esforços de membros da população para oficializar o crioulo. Este país conta com diversos conflitos étnicos e sua população não compartilha de um única identidade. lutando ao lado de Cabo Verde. que é uma língua falada no cotidiano por quase todos os caboverdianos e de cuja os mesmos se ressentem muito por não utilizá-la para expressar sua voz política. OU seja. Balanta. a forma de organização ocidental é impor fronteiras. Manjaco.

XiMaconde e kiMwani. eLomwe. ciYao.4. Guiné Bissau conta com uma pequena. 5. como para todos os africanos. a língua oficial éo português. eKoti.um dado muito releante é o de que apenas 6% da população fala tal língua. ciNyanja.A forma de organização adotada pós independência. XiChope. foi a forma de organização ocidental predominante: a nação-estado. BiTonga. forte produção literária em crioulo. mas ela o é desde a independência de Moçambique em 1975. não só para esse país. Moçambique Em Moçambique. As principais Línguas Nacionais deMoçambique são XiTsonga. eMacua. o artigo 9 da Constituição de Moçambique diz que "O Estado valoriza as línguas nacionais como património cultural e educacional e . eChuwabo. porém. Apesar dessa adoção. ciNyungwe. Porém. XiShona. XiSena. Apesar dessa tentativa de unificação lingüística em torno do Português. que consegue transmitir costumes e sentimentos identitários. É importante observar que apenas em 2004 a língua oficial entra na constituição.

5. São Tomé e Príncipe eram duas ilhas inicialmente desabitas. que sofreram povoação portuguesa e de escravos vindos de várias partes da África. quando a população conta com apenas 6% de falantes da língua oficial num Estado que. O forro (ou são-tomense) é um crioulo de origem portuguesa. ainda conta com mais 41 línguas Nacionais. seria inimaginável o Estado desconsiderar as demais línguas. naufragou perto da ilha um barco de escravos angolanos. além das línguas Nacionais já citadas. 5. Este grupo fala o angolar. São Tomé e Príncipe Em São Tomé fala-se o forro. o tonga e o monco (línguas nacionais). Assim como Cabo verde.promove o seu desenvolvimento e utilização crescente como línguas veiculares da nossa identidade". que se originou da antiga língua falada pela população mestiça e livre das cidades. No século XVI. muitos dos quais conseguiram nadar até a ilha e formar um grupo étnico a parte. além do português (língua oficial). um outro crioulo de base portuguesa . Como já dito anteriormente. o angolar.

É falado pela comunidade descendente dos "serviçais". pela classe média e pelos donos de propriedades. Outra língua muito falada em Príncipe (e também em São Tomé) é o crioulo cabo-verdiano. Timor Leste . Era a língua falada pela população culta. um outro crioulo de base portuguesa e com possíveis acréscimos de outras línguas indo-européias. trabalhadores trazidos sob contrato de outros países africanos. principalmente Angola. é o português falado pela população em geral. muitas vezes aprendido durante os estudos feitos em Portugal. trazido pelos milhares de cabo-verdianos que emigraram para o país no século XX para trabalharem na agricultura. 5. A ilha do Príncipe fala principalmente o monco (ou principense). O português corrente de São Tomé e Príncipe guarda muitos traços do português arcaico na pronúncia. enquanto que a classe política e a alta sociedade utilizam o português europeu padrão. O tonga é um crioulo com base no português e em outras línguas africanas. Atualmente.6. Moçambique e Cabo-Verde.mas com mais termos de origem bantu. no léxico e até na construção sintática.

o Português é a língua oficial do Timor Leste. quémaque e tocodede. o Timor Leste ainda conta com as Línguas Nacionais: ataurense. Esse país é tão linguisticamente complexo e diverso que existem até línguas de trabalho e uma legislação própria que rege esse sistema. O Tétum é uma língua austronésia. são colocadas frequentes críticas a respeito da manutenção do Português como língua . Como já foi dito. mas esse país tem uma especificidade. baiqueno.O caso do Timor Leste é um pouco diferente dos outros países africanos. habo. fataluco. búnaque. mambai. é alvo de diversos debates a respeito da manutenção da língua portuguesa como a Língua Oficial da Nação. devido à distância geográfica dos demais países de língua portuguesa. Além destas. com muitas palavras derivadas do português e do malaio. galóli. ele tem mais uma língua oficial: o tétum. Timor Leste é um país localizado na Ásia e. idalaca. macalero. Devido a essa complexidade.e as línguas de trabalho: Inglês e Indonésio. becais. É a língua de maior expressão no Timor Leste. lovaia. macassai. cauaimina. como a maioria das línguas nacionais.

Uma delas é acerca da distância geográfica dos demais países de língua portuguesa. São colocados questionamentos a respeito da não consideração dessa língua como a língua oficial. Afirma-se que não não tem sentido insistir no estabelecimento de língua cuja população vizinha não tem conhecimento e nenhum traço de similaridade. o português é símbolo da unidade do país e símbolo da resistência quando da ocupação Indonésia. Ele representa um valor de unidade em tempos difíceis para a população e isso é um aspecto importante para a justificativa de sua manutenção como língua oficial. e a melhor saída para o problema de conflito lingüístico. Brasil e Portugal – Casos à Parte .oficial. o que a mairia dos estudiosos do assunto acredita ser o desejo da população como um todo. optam pela adoção do Inglês ou do Indonésio. que é uma língua nacional e é falada pela maioria da população.7. A outra crítica refere-se à existência do Tétum. 5. Os pensadores que fazem essa crítica. Por outro lado.

para que assim. Acredita-se que tal expressividade do Português reflete-se até no fato de uma das portas de entrada da China em África ocorrer por via do Fórum Macau. sustentado pela partilha da mesma língua. Acordo Ortográfico O português é hoje falado no mundo por mais de 200 milhões de pessoas. O acordo ortográfico apresenta. 6. Cada vez mais é considerado importante e de grande relevância. como uma das línguas oficiais das Nações Unidas. um passo para tirar a força dos obstáculos que travavam uma maior expansão linguística.Portugal tem sua língua materna coincidindo com a língua oficial. além de todas as possibilidades mais adiante comentadas. o Português possa ser assumido plenamente como quinta língua com mais falantes no mundo. . e a prazo. portanto não apresenta problemas de conflitos linguísticos nesse sentido. Para Portugal e Brasil serão analisados os conflitos no Âmbito do Acordo da Língua Portuguesa. fato esse expressado pela sua adoção como língua de trabalho em diversas organizações internacionais.

. GuinéBissau.)” (Acordo Ortográfico. pela Academia das Ciências de Lisboa. com a adesão da delegação de observadores da Galiza. Moçambique e São Tomé e Príncipe. através de mudanças na gramática de norma padrão.. constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestigio internacional (. Tal acordo toma medidas de forma a unificar as escritas de língua portuguesa. Academia Brasileira de Letras e delegações de Angola..O Acordo Ortográfico foi aprovado e assinado em 1990. mas só veio a entrar em rigor nos dias de hoje. Cabo Verde. O texto Inicial do Acordo é assim apresentado: “Considerando que o projecto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa aprovado em Lisboa. tornando-se a sua escrita obrigatoriamente oficial a partir deste ano. 1990). em 12 de Outubro de 1990. de maneira que é impossível modificar através de imposições a fala de cada indivíduo.

À princípio é importante ressaltar a marginalização dos países africanos e do país asiático de língua portuguesa quando da discussão do acordo ortográfico. como bem explicitado em seu texto inicial. o caso foi diferente. O acordo teve grande repercussão na comunidade acadêmica. . principalmente pelos estudiosos de lingüística e literatura.O acordo é. Para Brasil e Portugal. além de sociólogos. o que nos remete a uma clara estratégia política de prestígio dos países e defesa de soberania. que o acordo ortográfico se configura como uma alternativa bem à parte de sua realidade. Conclusão Com esse trabalho. um passo para a defesa da unidade da língua portuguesa. Foi visto que eles já sofrem com tantas questões lingüísticas. . Não é surpreendente que os países Africanos e o Timor Leste não tenham repercutido muito a respeito do acordo. portanto. Isso se dá visivelmente pelo fato de tais países enfrentarem problemas lingüísticos de ordem muito mais grave. foi possível chegar a algumas conclusões parciais e depois. a conclusões a respeito de todo o estudo aqui apresentado.

Portugal. Quanto ao acordo ortográfico. A centralização do Português como língua oficial representa a tentativa desses países de se encaixarem num modelo de organização política que não é o seu. organizar e articular os saberes.Estes. gerar pensamento crítico. profissionais e lideranças intelectuais. já introduzidos anteriormente: Seria o acordo ortográfico mais uma forma de controle do Estado e exercício de poder? Seria ele apenas uma tentativa de unidade entre povos de mesma língua ou uma estratégia política de unificação? Até que ponto esses dois questionamentos podem ser separados? Universidade. porém. O desempenho dessas nobres e decisivas funções. o que fica é o levantamento de alguns questionamentos. tiveram que se unificar e proteger por trás da oficialização de um idioma para que a sua soberania fosse reconhecida internacionalmente. depois de conquistada a sua independência perante seu antigo colonizador. conhecimento e opinião A universidade existe para produzir conhecimento. porém é o vigente no ocidente. não é algo que se . formar cidadãos.

pode ser responsabilizada pelo estado de exasperação. justamente por isso.incidem sobre sua imagem e seu desempenho. sua estrutura administrativa. seus dirigentes. cada sociedade e cada Estado têm a universidade que podem ter. Ela não é perfeita nem inquestionável. Do mesmo modo que as demais instituições. Não se trata de dependência ou limitação. a universidade brasileira tem se debatido intensamente numa crise que não parece ter data para terminar e que. ser mais ou menos admirada e respeitada. operar com alguma liberdade em relação às circunstâncias histórico-sociais que lhe estão na base. As próprias circunstâncias internas da instituição seu corpo docente.resolva no plano abstrato. dentre outras coisas. Nos últimos anos. por mais que a instituição universitária. Pode funcionar bem ou mal. por sua própria natureza. estatutos e tradições . Em certa medida. Não está acima da sociedade nem desconectada dela. . mas de determinação. insatisfação. cumprir com maior ou menor efetividade suas atribuições. cada época. a universidade está sempre historicamente determinada. tenha luz própria e possa.

A crise se instalou no cotidiano da instituição universitária e está revirando seus fundamentos organizacionais. ao modo como se passou a viver a vida. nos hábitos e comportamentos intelectuais. à globalização capitalista. seus valores . na medida mesma em que se mostra essencialmente como desafio e põe por terra hábitos e procedimentos pouco funcionais ou referidos rigidamente a padrões anteriores de vida intelectual. Associa-se à reestruturação produtiva em curso. nos modelos seguidos para organizar atividades técnicas.“desconstrução” e experimentalismo que se instalou nos circuitos acadêmicos. administrativas e educacionais. fatores e processos estes que estão modificando profundamente as sociedades contemporâneas. educação e gestão. pedagógicos. mas que também se abre para novos horizontes e possibilidades. no modo de trabalhar e conceber o trabalho. culturais. Trata-se de uma crise que tumultua e desorganiza. Confunde-se com uma mudança paradigmática nas formas de explicação do mundo. à informacionalização.

será que a universidade continua sendo capaz de desempenhar suas históricas atribuições? Que conhecimento ela está gerando hoje? Como as opiniões geradas em seu interior entram em circulação. ao mesmo tempo em que cortejam perigosamente o mercado. cujos primórdios remontam à Idade Média. repercute os procedimentos que têm sido adotados pelos governos no campo da reforma do Estado.e suas instituições. que seguem um sentido perigosamente hostil à comunidade política e à vida pública. sobretudo) continuam a ser essenciais na vida nacional. algo que rouba protagonismo da própria instituição universitária e a expõe a uma saraivada de críticas recorrentes. a universidade se consolidou como um agregado de . que função cumprem? Qual sua efetiva contribuição para o país? São muitas as interrogações. Neste quadro. Além disso. As universidades (as públicas. mas não temos como fugir ao reconhecimento de que há algo estranho nesse contexto. Edificada no decorrer de uma longa evolução histórica.

jovens sobretudo. Trata-se de uma instituição eminentemente social. Seus movimentos como instituição seguem as demandas e expectativas da sociedade. Sustentada pelos princípios da autonomia do saber. a universidade recebe uma “delegação” da sociedade. formar outras pessoas.pessoas possuidoras de certas qualidades e unidas pela “missão” de produzir e transmitir conhecimento. à política e à economia. à cultura. como cidadãos. na medida mesma em que se reporta o tempo todo à sociedade e ao Estado. ainda que não se submetam passivamente a elas. dando a ela uma existência dinâmica e socialmente referenciada. Tudo o que é humano lhe interessa e diz respeito. da liberdade de expressão e da reflexão desinteressada. tudo o que há de mais típico nas épocas históricas e nas estruturas sociais reverbera em seu interior. De certa maneira. acumular e disseminar pensamento crítico. que transfere a ela determinadas responsabilidades e incumbências. profissionais e lideranças intelectuais. cuja razão de ser é publicamente reconhecida e legitimada. que só obedece a .

cuidar de si própria. funciona tanto melhor quanto mais republicana (pública e laica) e democrática for. educacional e política. No primeiro caso. e quanto mais republicano e democrático for o Estado com o qual se relaciona. como sujeito simultaneamente ativo e reativo. Além do mais. contribuir para a construção da autoconsciência social. no segundo. a universidade é uma instituição que se põe. Absorve demandas e expectativas sociais variadas. muitas incumbências e algumas restrições.si própria. mas ao mesmo tempo age para propor pautas e agendas. alargar fronteiras culturais e submeter à crítica a realidade. diante do mundo. recebe uma atribuição ética. ao mesmo tempo em que tem de se viabilizar como organização. Exatamente por isto. a universidade é uma decisiva referência do Estado (comunidade política) e vincula-se ao Estado (aparato administrativo e de governo). as estruturas sociais e as relações de dominação. Precisa ser livre. às quais precisa responder. administrando corretamente os recursos de que dispõe ou que recebe do poder . laica e autônoma para respirar e cumprir seu papel. ou seja.

comuns a todas as organizações complexas. Similarmente às demais organizações. todas as características. num momento de transição e arrumação. seguir diretrizes gerais de educação e acompanhar orientações governamentais. no qual as partes se unem com dificuldade. concebem-se a si mesmas com bastante imprecisão e vivem à procura de uma nova e melhor inserção social. que seguramente não a inviabiliza. mas que a desafia abertamente. Tanto quanto as demais organizações. Inevitável. ela está hoje em ebulição. obriga-se a obedecer a determinados parâmetros legais. que a universidade reflita em si.público. Universidade e conhecimento Como instituição que se dedica à produção . bem como a reproduzir determinadas exigências técnicas e operacionais. com uma dose adicional de dramaticidade. a universidade flutua em um estado de sofrimento. portanto. Com isto. vantagens e adversidades da época histórica e das sociedades concretas em que está inserida.

e transmissão de conhecimento. com o qual as pessoas melhoram sua posição relativa diante do mercado de trabalho. A maior adesão social a uma ou outra daquelas visões certamente não é sem importância. promove e emancipa. a universidade não tem como deixar de ser afetada pelo modo como as épocas históricas e as sociedades entendem o conhecimento. a ideia de conhecimento oscila conforme os movimentos da história. as forças e correntes que prevalecem nos diversos momentos de sua história . as estruturas sociais. as disputas de hegemonia e dominação. Por estar sempre socialmente referenciada. Ambas as visões evidentemente coexistem. a correlação de forças. ou um recurso para que as pessoas se adaptem melhor ao mundo? O conhecimento pode ser pensado como um fim em si mesmo. mas as sociedades . por exemplo.quer dizer. ou como um instrumento de desenvolvimento profissional e ajuste.têm suas “preferências” e fazem “escolhas”. voltado para o crescimento intelectual e moral das pessoas. . É ele um valor em si. que liberta. as relações de dominação.

na universidade. A produção se torna mais importante do que a transmissão. por uma racionalidade “irracional”. relações entre alunos e professores. o quanto se faz fica mais relevante do que o como se faz e o porquê se faz. Instala-se um quadro sustentado pelo cálculo. Com isto. pesquisas. o acúmulo de informações ganha destaque diante da reflexão. os resultados passam a ser mensurados com obsessão e segundo critérios estranhos à própria lógica do conhecimento. o conhecimento também se tornou um bem de mercado: pode e deve ser “comprado” para que seja possível. O conhecimento virou uma mercadoria e passou a integrar o mesmo circuito de produção e circulação de mercadorias. existe para produzir e transmitir conhecimento sofre uma drástica alteração: aulas.Hoje. uma melhor adaptação ao mundo. pelo custobenefício. tudo aquilo que. não para promover efetivos intercâmbios intelectuais. em ritmo de globalização capitalista e informacionalização. pouco compatível com a . os relacionamentos são formatados para gerar respostas no curto prazo. teses e monografias. adquirem novos sentidos e significados. às pessoas.

em nome da aquisição de “certezas”. e se converte numa operação de curto prazo destinada a instrumentalizar pessoas para uma melhor inserção no mercado de trabalho ou para um mais adequado aproveitamento das “oportunidades”. vazia de aventura. da necessidade de dominar tecnicamente determinados temas ou situações. a . Fazer ciência. de diálogo com a história. a reflexão sistemática. de articulação e totalização dos saberes. A formação e a ciência perdem contato com a dúvida. o modo como ela se concebe e o lugar que nela tem a ideia de ciência e formação. Formar deixa de ser um processo de preparação para a vida. o aumento da carga letiva. muitas vezes se reduz a uma prática instrumental. a curiosidade. o questionamento. No fundo. pragmática. com a fragmentação dos currículos. do privilegiamento de carreiras e salários. há mais capacitação que formação. risco e fantasia.razão crítica que alimenta a ciência. O estreitamento das relações entre universidade e mercado afeta a finalidade mesma da universidade. hoje. mudam as bases do ensino e da pesquisa. Em decorrência.

vagas. carga horária docente. uma certa “irresponsabilidade” docente. a valorização unilateral do pesquisador em detrimento do professor. Com isto. A idéia mesma de autonomia sofre uma redução. . É igualmente afetado o instituto da autonomia universitária. seja em termos acadêmicos (com a “imposição” de escolhas curriculares e preferências teóricas por parte do “mercado de trabalho”). matérias. seja em termos gerenciais. seja em termos orçamentários e financeiros. uma específica estabilidade que se vincula à dedicação integral ao ensino e à pesquisa. teses defendidas) sobre a qualidade. o privilegiamento da quantidade (disciplinas. horas-aula. informações. artigos publicados. também é afetada a ideia mesma de liberdade acadêmica. com seus requisitos: uma rede de proteções e garantias para o exercício da crítica.aceleração dos ciclos de estudo. como se a liberdade para gerir recursos financeiros esgotasse o tema da autonomia ou fosse o aspecto mais importante dele. chegando a ser simplificada e banalizada. Tende-se sempre a maximizar o aspecto financeiro da questão.

a de interpelar a comunidade e contribuir para a formação de uma opinião democrática -. Torna-se um técnico. É fácil perceber como tudo isto entra em atrito com a missão histórica da universidade e trava a reprodução de suas atribuições básicas: gerar reflexão crítica. mas não para cumprir uma função pública . Arma-se um conflito de tempos. Com a prevalência do conhecimento- . pois se torna autocentrado e auto-referenciado. Passa a se estruturar a partir de uma nova idéia de tempo. o intelectual.A organização universitária é obrigada a se reformular como um todo. lógicas. valores. Busca o máximo de projeção na cena pública. criar condições para a formação e o enriquecimento intelectual de seus integrantes. produzir conhecimento. muda de função. O próprio protagonista central da experiência universitária. mas sim para vender a imagem da sua especialidade. Fica recoberto por uma nova auréola de inacessibilidade e “superioridade”. pela busca obstinada de eficácia administrativa. por índices de produtividade. da sua “corporação”. racionalidade gerencial e controle do gasto.

ociosidade demais. “filosofia” demais. engolida por sua incapacidade crônica de se adaptar aos novos contextos.mercadoria e da informação sobre o conhecimento profundo e o pensamento crítico. É criticada por todos os lados e parece estar sendo abandonada pela sociedade. onde haveria funcionários demais. que. instigada por uma visão instrumental da formação superior (que deveria apenas preparar os jovens para o mercado). diluindo-se na vala comum das opiniões em geral. Chega-se mesmo a pensar que a época do ensino superior público já teria passado. A universidade pública encontra-se na berlinda. tende a olhar sempre com maior desconfiança para a universidade pública. Sua opinião perde força e valor. Ao longo dos anos 1990. aumentar a produtividade e a eficiência e formar profissionais com o perfil requerido. a universidade regride como instituição dedicada ao saber desinteressado e à interferência ativa nos destinos da sociedade. tornou-se rotineira a acusação governamental (proveniente quase sempre da chamada área econômica) de que o ensino superior .

eleito em 2002. no limite. Deu-se um descolamento. O caminho ficou aberto. Neste ponto. a universidade pública também precisaria se viabilizar no mercado. para a privatização declarada ou dissimulada da universidade pública. impossibilitando um melhor atendimento aos demais estágios educacionais. Entrouse no novo século com um governo de esquerda. A universidade pública continua a ser condenada por servir apenas a uma pequena porcentagem de “ricos”. assim. mas a rotina permaneceu intocada. no discurso governamental. É preciso desmontar este sistema e este . como se esta já não mais integrasse o núcleo estratégico de reprodução da comunidade política e devesse ser reduzida à condição de uma organização como outra qualquer. Tanto quanto as demais organizações. para a redução dos investimentos estatais no ensino superior e. a educação superior deixa de ser um direito do cidadão e se converte em um “bem” a ser adquirido.público consome uma exagerada parcela do orçamento da educação. um desencontro entre o Estado e a universidade.

que é. mas seguramente está muito longe de estar em agonia. Além de fazer a defesa intransigente da sua natureza pública. Para sair da crise A universidade pública. portanto. laica e republicana. Devemos. parecida com um supermercado ou uma fábrica. suas relações com o mercado. ela resiste . é preciso fazer a crítica da universidade realmente existente. em boa medida. a resultante tanto das políticas governamentais quanto do modo como seus integrantes assimilam os processos que estão a desafiar a instituição universitária. decididamente. laica e republicana. demarcando com clareza seu lugar no Estado e. encontra-se em estado de sofrimento. de ensino e pesquisa. Não dá mais para continuar falando de universidade em termos contábeis ou a partir de preconceitos e visões impressionistas. complicar o argumento.modo de pensar. Por mais que seja insidiosa e contundente a campanha que contra ela fazem alguns setores governamentais e certos formadores de opinião. Não faz sentido abordá-la como se fosse uma organização qualquer.

A universidade precisa. digamos assim. interpelá-la e reinventar a si própria como práxis e instituição. materiais em si mesmos explosivos.em muito boas condições. concentrar energias em sua própria realidade.mexem acima de tudo com ideias. Para recuperar a centralidade como instituição social dedicada à formação e ao conhecimento. professores. funcionários . portanto. olhar nos olhos da crise. criativos e reflexivos. em maior ou menor grau. Fazer sua autocrítica. nem deixa de se ressentir das fortes mudanças que ocorrem no meio ambiente em que vive. Mas é evidente que não passa imune por esta campanha. a universidade precisa rever algumas de . A universidade tem reservas poderosas. Seus “recursos humanos” . qualificada como opinião e preparada para projetar futuros. no seu modus vivendi e operandi.estudantes. continua cumprindo um papel de destaque e se mantém como o principal centro de reflexão da sociedade brasileira. É um espaço categoricamente dialógico e pode. por isso mesmo. como de resto acontece em todos os países.

Significa também. rebelar-se contra a tirania da produtividade. dos prazos curtos definidos por agências que são externas a ela. dos critérios quantitativos. sua sistemática didático-pedagógica e seus planos de estudo. recuperando (ou conquistando) o poder de decidir o fundamental. precisa valorizar com radicalidade a sua autonomia. por extensão. gerir recursos e tomar decisões. dar novo sentido e significado à ideia de formação e conhecimento. seu modo de funcionamento. antes de tudo. ainda que estejam sob controle da “comunidade acadêmica”. quer dizer. Precisa se reorganizar. não tanto no plano administrativo-financeiro mas sobretudo no plano propriamente acadêmico. Autonomia está associada evidentemente a liberdade de fazer opções. ter coragem para se passar a limpo e se renovar. mas se identifica também com capacidade de traduzir as condições externas (gerais) em princípios de . revendo seus currículos.suas práticas atuais e muitos dos procedimentos que tipificam seu cotidiano. (1) Antes de tudo. Isto significa.

Uma universidade é autônoma não quando se descola do Estado ou da sociedade. mas quando incorpora a si . desprendimento e responsabilidade. Não faz sentido enfatizar a pesquisa como porta de entrada no mundo da captação de recursos.como questões suas . expectativas e pressões do Estado e da sociedade. Ensino e pesquisa são atividades fundamentais e devem integrar.as demandas. Não há porque privilegiar unilateralmente a pesquisa. como se ela pudesse frutificar fechada em si mesma e fora das salas de aula. (2) É indispensável. até porque isto violenta a própria natureza da investigação científica. ao contrário. sabendo respondêlas com independência. . sem ser tolhida por elas mas. nem de fechamento.organização e atuação. Uma instituição universitária que banaliza o ensino não progride como espaço de formação. que ensino e pesquisa sejam postos em relação de equivalência e complementaridade efetiva. Não se trata nem de auto-suficiência. mas de uma radical e específica forma de se abrir para o exterior. valendo-se delas para se afirmar como instituição. também.

entre professores da graduação e professores da pósgraduação -. não são apenas prova de elitismo vulgar.ou. Permanece . qual seja. uma demonstração de cegueira e alienação. torná-la protagonista da própria dinâmica universitária. a universidade precisa dialogar de modo inteligente com a sociedade. São um contra-senso. elabore e desenvolva sua autoconsciência. conheça-se melhor e construa uma imagem de si. isto é. Deve “ir onde o povo está”.em igualdade de condições e mediante articulações de reciprocidade e troca contínua. buscar a sociedade. pôr-se em contato ativo e regular com ela. ou entre professores que pesquisam e professores que ensinam . Separações entre escolas de pesquisa e escolas de ensino. (3) Até porque é daí que vem sua maior fonte de legitimação. a de colaborar dedicadamente para que a sociedade se explique a si mesma. Romper com toda e qualquer tentação paternalista. Continua intocável a missão a que se arvorou a universidade. a estrutura e a cultura de todas as instituições acadêmicas. como se faz corriqueiramente hoje. não apenas das “melhores”.

sobretudo.estratégica a sua contribuição para que se organizem as agendas nacionais. para assim compartilhar experiências e. . Antes de tudo. Democratizar não pode significar apenas ter acesso facilitado. promover o constante encontro do conjunto da sociedade com o que a humanidade produz de grandioso e relevante nos mais diversos campos da ciência e da arte. articulando-se de modo ativo com os demais níveis de ensino. (4) Em quarto lugar. a universidade terá de levar mais a sério o desafio da sua democratização: ir além do refrão “mais vagas” e “mais participação”. Do mesmo modo. inserindo-se com soberania e dignidade no mundo. tais procedimentos não revitalizam a gestão propriamente dita. comunidades) vivam de modo justo e civilizado. por mais que isto seja relevante e indispensável para a dinamização dos ambientes universitários. a universidade está chamada a interpelar todo o universo da educação. para que se defina o que precisa ser feito para que as pessoas (grupos. representação paritária e eleições diretas para os cargos de direção.

acesso a conhecimentos e interação acadêmica. em termos de democratização do conhecimento. também. podendo-se até mesmo dizer que a concentração de energias na dimensão mais simbólica e aparencial da democracia produz maior lentidão e menor rigor nos próprios processos decisórios. equilibrando . respeitar a especificidade e a finalidade da instituição. quer dizer. baseada numa igualação categórica das oportunidades. que se esvaziam de critérios de mérito (acadêmico. (5) Será preciso encontrar um eixo para assimilar a massificação. Democratizar precisa significar. inclusive) e se congestionam de pressões e postulações eminentemente corporativas.nem melhoram necessariamente a qualidade das decisões. A democratização só fará sentido se souber rever seus próprios passos. e se traduzir em termos substantivos. criação das condições institucionais e comportamentais (didático-pedagógicas) necessárias para uma formação de massas igualitária. de modo a propiciar a todos (e não apenas aos “mais capacitados”) as mesmas condições de progressão intelectual.

Agora. tanto o número de estudantes quanto o de professores e servidores administrativos. Perdeu a condição de abrigo da “cultura superior”. forçando-a a operar em outra escala de tempo e a partir de novos procedimentos organizacionais e didáticopedagógicos. e com isso a se simplificar.quantidade e qualidade. sendo levada a ter de disputar espaço com a sociedade e a cultura de massas. a universidade ainda não conseguiu se ajustar inteiramente a isso. assim. Mas não terá sucesso nesta operação e se . na medida em que tiveram de responder a novas demandas e exigências. diversificar sua oferta. Respondeu a isto com a sua própria expansão. a abrir-se para universos mais instrumentais e aplicados. sobretudo) não tem como deixar de continuar crescendo para absorver as massas de jovens que batem às suas portas. Forçada a se converter em fenômeno de massa. Cresceram. “deselitizando” parcialmente a universidade. oferecer mais aulas e serviços de extensão. O ensino e a produção de conhecimentos viram-se então alterados. a universidade (a pública. Terá de abrir mais vagas e mais cursos.

aqueles que a distinguem como instituição. a universidade terá de encarar seriamente o desafio de rever alguns de seus fundamentos propriamente acadêmicos. deverá estar a . projetando-se como personagens que reúnem especialização e capacidade de direção. conhecimento especializado e visão éticopolítica (Gramsci). creio ser possível dizer que a universidade superará sua crise tanto mais depressa quanto mais depressa assumir a condição de “usina” estratégica de formação de lideranças intelectuais. Se optar por privilegiar este enfoque. Os que são por ela formados não podem ser meros “especialistas”. ciência e cultura. detentores de um saber concentrado em um ou outro ponto especifico. se postergar a qualidade para um ponto futuro não determinado. (6) Por fim. para resumir todos estes pontos. científicos e filosóficos. se optar por se mexer sem cessar apenas para não ficar parada.descaracterizará se abrir mão de princípios consolidados. idéia e práxis. Na base deste movimento. ou seja. da universitas. Precisam ter a vocação do universal.

em crise ou não. a universidade se reencontrará com seu sentido originário e poderá deslanchar como instituição dedicada à produção e difusão de conhecimentos. não respirar seu próprio ar. E. Pela via da democracia. a assimilação de um padrão superior de gestão e o estabelecimento de um diálogo inteligente com a sociedade. inventando-se permanentemente como instituição. terá como construir um pacto que solidarize os interesses. e é agora. A universidade é um patrimônio da humanidade. por fim. nem olhar apenas para seus interesses. nesse momento concreto por que passam as sociedades. ela existe. Pela via da reposição do mérito. terá como se conhecer melhor e encontrar incentivos para não se congelar em si mesma. Atacada ou não.prevalência do mérito acadêmico. mas também a proposição consistente de um pacto democrático de convivência. dialogando de modo inteligente com a sociedade. . aprenderá a dar conta das rotinas sem se deixar rotinizar. respeite as individualidades e incentive a participação de todos. Renovando a gestão.

O Observatório da Vida Estudantil (OVE) atua em duas IFES do Estado da Bahia – a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). estudantes e pessoal técnicoadministrativo. utilizando-se de metodologia e técnicas de coleta e análise flexíveis no âmbito da pesquisa qualitativa. O OVE se propõe acompanhar os diferentes modos de vivenciar a experiência de ser um estudante da educação superior. guiado pelos significados que eles constroem acerca de suas próprias experiências e por uma postura implicada com o contexto em que as pesquisas se desenvolvem: o ambiente acadêmico. entretanto.que precisa mostrar seu valor. aqueles que constroem o cotidiano acadêmico. lazer. a universidade carece de um maior entendimento dos itinerários e dilemas enfrentados por diferentes grupos de jovens e adultos que nela convivem ou que dela dependem. não são objeto de estudo sistemático que utilize metodologias sensíveis para expressar aspectos de sua cultura e subjetividade que se desenvolvem no interior da vida universitária. significa compreender que os estudantes não constituem um grupo homogêneo e que a diversidade de novos aspectos que afetam a vida estudantil não se limita aos modos por eles adotados para adaptar-se e dar curso à sua vida acadêmica. gestores. alimentação. A universidade brasileira não tem o hábito de dar visibilidade a seus atores. Adotar esta perspectiva. Docentes. Seu objetivo é descrever desafios encontrados e aprendizados realizados por esses jovens em seus processos formativos. ela abrange igualmente hábitos e mudanças relativos à saúde. . às práticas culturais e sexuais e suas relações com a família e a comunidade. Para melhor desempenhar suas funções e solidificar laços com a sociedade.

A universidade. ampliando seu raio de ação para a UFRB. agregando pesquisadores. em conseqüência da aproximação de pesquisadores desta nova universidade. impedida de dar atenção a projetos que não fossem voltados estritamente para a formação acadêmica. a questões emergentes relativas a esse segmento. historicamente. A experiência francesa do observatoire de la vie étudiante A iniciativa de acompanhar a inserção de jovens em sua nova vida. a partir do momento em que ingressam na educação . Aspectos da formação integral da juventude foram negligenciados e hoje pouco se sabe do cotidiano vivido por seus estudantes. em 2007. Por outro lado. O Observatório da Vida Estudantil surge como linha do grupo de pesquisa . exatamente num momento de expansão e interiorização da educação superior no Estado da Bahia. foi agravada pela situação de penúria material a que foi submetida essa instituição. por longo tempo.Eleger a relação juventude-universidade como tema de pesquisa é enfrentar um conjunto extremamente diverso de fenômenos complexos. Esteve fechada. estudantes de pós-graduação. Nos dois anos seguintes. habituou-se a ver nos estudantes apenas usuários de serviços educacionais. a convivência universitária. constitui-se como grupo de pesquisa independente. pulverizada desde os anos da ditadura militar. de iniciação científica e de extensão em torno da idéia de explorar diferentes aspectos da vida de estudantes universitários.Aproximações: a perspectiva ethno em Psicologia do Desenvolvimento do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFBA. falhando em enxergar-se como o espaço-tempo de desenvolvimento onde se dá uma das transições mais importantes da vida de um indivíduo: a passagem para a vida adulta e as tarefas que daí decorrem.

os observatórios franceses dispõem de um conselho composto de . auxiliá-los em suas decisões. não é uma novidade. já em 2006. considerado como verdadeira explosão da população de jovens que ingressavam no ensino superior nessa época. disseminada em todo o país. se dá a partir do extraordinário crescimento do número de estudantes franceses. pesquisa nacional sobre as condições de vida dos estudantes. Já em 1989. ao menos do ponto de vista do acesso. propõe-se. a cada três anos. igualmente.000 estudantes universitários num país com uma população total de cerca de 63 milhões de pessoas. Seus resultados ocasionam aprofundamentos temáticos e regionais a depender da prioridade dos resultados encontrados. Ao mesmo tempo. através de observatórios locais e regionais. realiza. cria o Observatoire de La Vie Étudiante que tem como missão fornecer informação. A criação dessa estrutura nacional. a França conseguiu democratizar seu sistema de ensino. acerca das condições de vida dos estudantes e sua relação com o desenvolvimento de seus estudos.250. que opera em permanente relação com todas as instâncias que produzem ou recolhem informações e conhecimentos sobre a vida estudantil. contando. o ensino superior francês conheceu uma multiplicação de possibilidades de formação e ampliou sua dispersão geográfica. O Observatório Nacional. do ponto de vista de sua estrutura. o então Ministro da Educação da França. detalhada e objetiva possível. sem esquecer de alimentar a reflexão política e social acerca desse importante segmento da população jovem. o mais completa. Efetivamente. Como projeto institucional amplo. Institucionalizados. com cerca de 2. Esses fatores levaram a mudanças importantes com diversificação cada vez maior das condições de vida e de estudo dessa população.superior.

Irlanda. envolveram mais de vinte países europeus. serão divulgadas brevemente. Os temas privilegiados por esses levantamentos são: características sóciodemográficas.organizações representativas dos estudantes. não dispõe de volume satisfatório de estudos que fundamentem políticas para o suporte a esse público. dessa vez. Tanto o conselho quanto o comitê científico são apoiados no trabalho de uma equipe operacional que assegura o funcionamento cotidiano do observatório. Inglaterra. Holanda. custo dos estudos e internacionalização. O Brasil. . orientados para dar consistência aos discursos que apontam para a necessidade incontornável de dotar nosso país de modos de vida acadêmica mais ampla e fértil. acesso ao ensino superior. Itália. Noruega e Portugal. Possui ainda conselho científico composto por pesquisadores escolhidos nas universidades e centros de pesquisa com a função de desenhar. que ainda se debate com enormes dificuldades relacionadas à democratização do ensino universitário. auxílios governamentais. Áustria. Social and Economic Conditions of Student Life in Europe. Espanha. com diversos países que realizam pesquisas do mesmo tipo: Alemanha. desde 1994. orientar e controlar a qualidade dos estudos realizados pelo observatório. As pesquisas realizadas entre 2005 e 2007 que. o observatório colabora. locais de moradia. Finlândia. No quadro do projeto Euro Student. Bélgica. Os últimos resultados foram disponibilizados em 2005. de personalidades e técnicos ligados ao ensino superior e representantes comunitários. Letônia. no documento Eurostudent Report. que tem como finalidade comparar as condições européias acerca das condições de vida dos estudantes. sucesso nos estudos.

mas. culturais e sociais que sua presença provoca no cotidiano . necessita de apoio para prosseguir e concluir com sucesso o curso de escolha . várias universidades . A universidade pública não podia continuar ignorando os milhões de brasileiros pobres que reivindicavam passagem para o que é um direito de todos: a educação superior.É importante sublinhar que a idéia do OVE resulta de longa interlocução com pesquisadores da Universidade de Paris VIII e fundamenta-se na compreensão da universidade como ambiente de formação. desenvolvendo e aprimorando políticas que ofereçam melhores condições de permanência a esse novo segmento de estudantes que. uma população específica: os estudantes ingressos na universidade através das políticas de ações afirmativas. o OVE privilegiou. Aberto à discussão de diferentes temas que envolvam qualquer segmento de estudantes da educação superior. espaço de desenvolvimento e transição para vida adulta. Entretanto. inicialmente. implantaram sistemas de cotas. uma discussão tem sido recorrente no ambiente acadêmico: a chegada às universidades públicas brasileiras de setores sociais antes excluídos. igualmente. dentre elas a Universidade Federal da Bahia. O significativo aumento do número desses estudantes e as novas e saudáveis questões pedagógicas. Mas isso não vai se dar facilmente: o debate meritocracia x justiça social continua se dando em diferentes setores da vida brasileira em torno da propriedade ou dos formatos das políticas de ações afirmativas. O OVE e as políticas de ações afirmativas Nos últimos 10 anos. desde o seu ingresso.

para compreender o que impacta suas vidas num período que compreende sua transição para a etapa adulta da vida. superando a mera inclusão quantitativa. o que reforça a relevância do acompanhamento das populações de jovens que nela ingressam especialmente aqueles de origem popular. a continuidade dos trabalhos de pesquisa do OVE prevê sua abertura para temas e segmentos da população universitária não privilegiados nessa . portanto. entretanto. mais que nunca é necessário acompanhar as populações de jovens que nela ingressam. Uma preocupação do OVE. sublinhar que. trouxeram para o Observatório a demanda de se aproximar de suas realidades e dilemas. inicial e prioritariamente voltado para essa população específica de estudantes. especialmente aqueles de origem popular. parte do direito à cidadania plena. Os resultados desses trabalhos têm ainda a intenção.acadêmico. que fortalece a relevância da realização de estudos com esse segmento estudantil. especialmente com os setores historicamente dela excluídos. Importante lembrar que a universidade brasileira está convocada a empreender uma grande reforma em sua concepção e articulação com o conjunto da sociedade. de auxiliar os gestores a desenhar políticas adequadas que ofereçam a esses estudantes suporte e canais de comunicação ao longo de sua trajetória acadêmica sistematizando informações úteis para o aprimoramento das políticas de assistência estudantil. via divulgação científica e debates qualificados. No momento em que a universidade brasileira ensaia os passos de uma profunda mudança. Vale. é avaliar a qualidade da sua efetiva integração a todos os aspectos relevantes da vida acadêmica. Avançar nessas discussões constitui importante passo em direção à democratização do bem público universitário e.

O Observatório da Vida Estudantil e suas ações atuais O Observatório da Vida Estudantil. No centro das atenções atuais do OVE encontra-se o projeto Aproximando a Educação Básica da Educação Superior: uma proposta de pesquisa-ação-formação. atualmente. Sabemos que não apenas os estudantes pobres enfrentam dificuldades para se manter na universidade. bem como os dilemas enfrentados ao longo da aprendizagem das regras que regem o trabalho intelectual requerido para prosseguir no curso escolhido. agregando pesquisadores. temas como a inserção política. a própria escolha do curso a seguir é objeto de insegurança para muitos estudantes que não ingressam pelas políticas de ações afirmativas. os modos de acesso à cultura e o pertencimento a grupos identitários baseados em cor da pele. contemplada como projeto de inovação educacional pela FAPESB. trabalha em várias frentes de pesquisa.fase inicial. bolsistas de Iniciação Científica e de Extensão e. Além disso. compartilhando com pesquisadores da UFRB a idéia de considerar a vida e a cultura de estudantes universitários como objeto de estudo. atualmente. são temas contemporâneos e que podem a vir tornar-se foco de novos estudos. gênero ou preferência sexual. bolsistas de Iniciação Científica Jr. mais recentemente. O grupo congrega. . estudantes de pós-graduação. cerca de vinte e cinco participantes que atuam ativamente em seus diferentes projetos. em 2009 e que representa um primeiro movimento interinstitucional do OVE. Resultados de pesquisas anteriores do OVE em escolas públicas de Salvador haviam apontado a fragilidade da educação básica em promover nos alunos o interesse em continuar seus estudos.

voltado para fixação de recursos humanos e consolidação de novos campi e universidades. A investigação realiza-se. 01 em São Félix e 01 Santo Antônio de Jesus e reúne em torno dela. em quatro escolas de porte médio e grande em três cidades: 02 em Salvador. É dessa forma que surge. Esse objetivo materializa a missão da universidade de responsabilidade social e implicação com o desenvolvimento da educação no Estado da Bahia. dentro do Observatório. tanto para o grupo de pesquisa quanto para as escolas envolvidas. Seu objetivo central é promover vinculação duradoura entre universidades e escolas de ensino médio para estimular alunos. que propõe estreitar os vínculos entre a universidade e as escolas de ensino médio. professores. 03 projetos de doutorado. gestores e famílias. formula o projeto aprovado pela FAPESB e obtém. a linha de pesquisa ―Da Educação Básica ao Ensino Superior‖. Na perspectiva do Observatório são desenvolvidos ainda 02 projetos de mestrado. 05 planos de trabalho de Iniciação Científica. a adotar a idéia da educação superior como projeto de continuidade de estudos. experimentalmente. professores bolsistas de cada uma das escolas que realizam tarefas compartilhadas com a equipe do OVE. na forma de consumo e capital. obteve financiamento e bolsistas por um período três anos. assim. Outra frente importante foi aberta na Universidade Federal do Recôncavo.ingressando em um curso superior. Esse projeto. 04 de Extensão e 16 planos de . por um projeto de pesquisa inspirado nas ações desenvolvidas pelo OVE e contemplado por edital do Ministério da Ciência e Tecnologia e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. recursos para o seu pleno funcionamento.

propõe novos arranjos curriculares e volta-se para a interiorização da educação superior em nosso Estado. Além disso. Nele. que amplia a oferta de cursos e de vagas. político e afetivo de estudantes universitários. nesse mesmo ano. Os temas dos projetos passeiam pela realidade da vida dos estudantes residentes. em cujo cenário manteve-se solitária por cerca de 60 anos. Essa espécie de canteiro gigante de obras e idéias é uma mina de novas questões para a pesquisa nesse campo. a tradução brasileira do livro do Professor Alain Coulon – Le Métier d‘Etudiant: l‘entrée dans la vie universitarie – pela EDUFBA. em 2008 . utiliza a capacidade ociosa de sua infra-estrutura com turmas em cursos noturnos. se constituíram como poderosos catalisadores para os estudos sobre vida e cultura universitária que iniciávamos. então. propiciando a bolsistas e pesquisadores uma profusão de novas idéias. o OVE não teria ampliado e avançado na qualidade de sua produção se.Iniciação Científica Jr. priorizamos a aproximação . condições dos usuários das estruturas de assistência. impacto de programas que visam a permanência de estudantes de origem popular. o curso A atualidade do Interacionismo Simbólico e da Etnometodologia ministrado por ele. e as visitas que fez ao nosso grupo de pesquisa. atribuir às propostas que nasceram na UFBA o crédito pela inovação e o sonho. Importante lembrar que. É a partir dessa itinerância acadêmica que a idéia da realização do I Colóquio Internacional do Observatório da Vida Estudantil UFBA/UFRB se consolidou. não vivêssemos um momento muito especial na Universidade Federal da Bahia. percurso acadêmico daqueles que ingressam em cursos de alto prestígio e aspectos do desenvolvimento social. É preciso. nesses anos. relações de tempo e espaço que envolvem estudantes que chegam do interior. à UFBA e à UFRB.

com os renomados pesquisadores estrangeiros convidados. conhecer e explorar novos temas. Cada país tem a sua própria cultura. no espaço desse Colóquio. a construção cooperativa de uma agenda bilateral e interinstitucional de pesquisas e intercâmbios que promovam a consistência e o desenvolvimento desse campo de estudos nas instituições de origem dos trabalhos foco de sua atenção. Genericamente a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento. como também por fazer parte de uma sociedade como membro dela que é. No caso da cultura . e vem do latim colere. A cultura brasileira é marcada pela boa disposição e alegria. no caso do samba. após tantos anos pós-abolição. que também faz parte da cultura brasileira. que reúne um público restrito e focado em estudos sobre vida e cultura universitárias. metodologias e caminhos para cooperação e pesquisa nesse campo. que é influenciada por vários fatores. deveu-se à importância da escuta e do debate de caráter tanto teórico quanto epistemológico necessário a um campo que apenas inicia sua produção científica em nosso país. A escolha do formato colóquio. visando com isso. esse Colóquio propõe. a arte. os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo homem não somente em família. a moral. Além disso. Significado de Cultura Cultura significa cultivar. como resultado. as crenças.de pesquisadores de outras instituições brasileiras. e isso se reflete também na música. Escolhemos Cachoeira para sediar essa iniciativa como uma espécie de homenagem e saudação aos cantos ainda esquecidos da Bahia. Essas novas experiências devem interagir. a lei.

que reflete uma característica do povo português: o saudosismo. uma determinada variante da herança social. aprendidos de geração em geração através da vida em sociedade. símbolos e práticas sociais. pois com o passar do tempo ela é influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano.portuguesa. Já em biologia a cultura é uma criação especial de organismos para fins determinados. onde vai se transformando perdendo e incorporando outros aspetos procurando assim melhorar a vivência das novas gerações. A principal característica da cultura é o mecanismo adaptativo que é a capacidade. Seria a herança social da humanidade ou ainda de forma específica. mais até que possivelmente uma evolução biológica. que os indivíduos tem de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos. e ainda hoje é conservado desta forma quando é referida a cultura do soja. o fado é o patrimônio musical mais famoso. Cultura também é definida em ciências sociais como um conjunto de ideias. etc. A cultura é também um mecanismo cumulativo porque as modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte. A cultura é um conceito que está sempre em desenvolvimento. Cultura na língua latina. É uma atitude de interpretação pessoal e . entre os romanos tinha o sentido de agricultura. comportamentos.que se referia ao cultivo da terra para a produção. a cultura do arroz. Cultura na Filosofia Cultura em filosofia é explicada como o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou o comportamento natural.

música. na ocupação do seu tempo. é indispensável. sendo que esse povo tem parte ativa nessa criação. destinada a posições suscetíveis de valor íntimo. na manutenção e defesa das suas formas de relação humana e conceitos médios. homenagem e sacrifício. A cultura como antropologia procura alcançar ou representar o saber experiente de uma comunidade apreendido através da organização do seu espaço. como síntese ou atitude interior. cultura envolve sempre uma exigência global e uma justificação satisfatória. Cultura Popular A cultura popular é algo criado por um determinado povo. Podemos dizer que há cultura quando essa interpretação pessoal e global se liga a um esforço de informação no sentido de aprofundar a posição adotada de modo a poder intervir em debates. sobretudo para o próprio. Obtém esses resultados no cotidiano tanto fortuito como regular. arte. Essa dimensão pessoal da cultura. Os Impactos da Globalização .coerente da realidade. A cultura popular é influenciada pelas crenças do povo em questão e é formada graças ao contato entre indivíduos de certas regiões. Cultura na Antropologia Cultura na antropologia é compreendida como a totalidade dos padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Pode ser literatura. tudo concebido à sua medida. Além dessa condição pessoal. chegando àquilo a que podemos chamar a sua alma cultural no sentido das normas de condutas ideais estéticas e formas de apresentação. como ainda nas suas expressões de festa. argumentação e aperfeiçoamento. etc.

Para todos. da nossa infelicidade. para outros é a causa.Autoria: Jóile Bagetti Resumo Este artigo apresenta alguns aspectos relacionados à Globalização. Esta é a nova bandeira. uma encantação mágica. Estamos diante de uma nova versão de guerra. Globalização é o destino irremediável do mundo. Para alguns Globalização é o que devemos fazer se quisermos ser felizes. de que o modo de produção capitalista está lançando mão. Á esta ordem não importam equívocos. a nova racionalidade. E isso porque o núcleo essencial deste paradigma está protegido e nutrido pelos mesmos objetivos . é também um processo que nos afeta. Uma guerra em busca de maior efetividade. maior lucro e menor custo. uma senha capaz de abrir as portas de todos os mistérios presentes e futuros.1999 a “Globalização” está na ordem do dia. sofrimentos e misérias. porém. segundo Bauman. a todos na mesma medida e da mesma maneira. um processo irreversível. uma palavra da moda que se transforma rapidamente em um lema. Esta é a guerra do sistema Global.

As forças de mudança são as variáveis ambientais. Essa ordem e essa racionalidade só tem um objetivo: a eficácia e a efetividade econômicas. quando a tecnologia de informática se associava a tecnologia de telecomunicações e com a queda das barreiras comerciais. ou seja. Tudo acontece ao mesmo tempo. 1. . Existe uma interligação acelerada dos mercados internacionais. Introdução O mundo começou a ficar globalizado no início dos anos 80. é o que chamamos de Terceira Revolução Tecnológica. não diferenciando os setores econômicos em que a empresa está envolvida.econômicos e financeiros que nutrem e coordenam todo o sistema transnacional. pode escapar à regra. em qualquer país de economia desenvolvida ou em desenvolvimento. processamento. tais como. difusão e transmissão de informações. como um vírus que se auto-alimenta. sem importar-se com as conseqüências. Nenhuma atividade econômica. possibilitando movimentar grandes quantias de valores em segundos. As forças das mudanças atuam nas empresas de forma única e em bloco.

. o barateamento e a confiabilidade caracterizam a globalização do ponto de vista tecnológico. outros perdem. Não considerar as forças de mudança. A mão-de-obra menos qualificada é descartada. A Velocidade da informação pelo mundo é a característica atual da globalização. Enquanto estas atuam em cada setor da economia de maneira distinta. tecnologia. de prestação de serviços. tendências socioculturais. Exigem-se menores custos de produção e maior tecnologia. concorrência.economia. A globalização é um fenômeno com ramificações industriais. clima político e legal. A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. as forças de mudanças estão atuando e influenciando diretamente as variáveis ambientais sem distinção de setores da economia. é como desenvolver um planejamento estratégico empresarial sem elaborar cenários ou fazer um planejamento de marketing sem considerar o planejamento estratégico da empresa como um todo. outros ganham menos. Uns ganham muito. comerciais ou financeiras. A rapidez. graças à queda do custo da comunicação e as novas tecnologias de troca de dados. demografia. no mundo competitivo da economia.

as empresas multinacionais . inteligência artificial. E lembra que “o comércio entre nações é velho como o mundo. os transportes intercontinentais rápidos existem a vários decênios. em escala planetária”. ele define globalização como sendo “ a mundialização é bem mais que uma fase suplementar no processo de internacionalização do capital industrial em curso desde faz mais de um século”. difusão e transmissão de informações. O jornal francês “Le Monde” discorda. Segundo alguns. Usando o termo “mundialização”. a União Européia e o Nafta). Referencial Teórico Globalização Existem diversas definições. a explicação mais didática está no teorema do economista Eduardo Gianetti da Fonseca: “ O fenômeno da globalização resulta da conjunção de três forças poderosas: 1) a terceira revolução tecnológica (tecnologia ligada à busca. engenharia genética). variando do ponto de vista de cada um. 3) a crescente interligação e interdependência dos mercados físicos e financeiros. processamento.2. 2) a formação de áreas de livre comércio e blocos econômicos integrados (como o Mercosul.

de informação e de expansão das empresas multinacionais em mercados antes fechados. assim como a televisão. investimento e mão-de-obra não são superiores aos séculos passado. O especialista Anthony McGrew lista três tendências nos analistas da globalização: 1) os hiperglobalizantes – os que acham que a globalização define uma nova época na história da humanidade.prosperam já faz meio século. 2) os céticos – os que entendem que os fluxos atuais de comércio. O fim do comunismo permite globalizar o capitalismo. com todas as implicações decorrentes: aumento no fluxo de comércio. 3) os transformalistas – admitem que os processos contemporâneos de globalização não têm precedentes. O que “Le Monde” chama de “novidade” é “a desaparição do único grande sistema que concorria com o capitalismo. a informática”. o comunismo soviético”. Ela está definitivamente na moda e designa muitas coisas ao mesmo . Não há uma definição que seja aceita por todos. Têm uma visão intermediária. Apontam um novo padrão de inclusão e exclusão social na economia globalizada. os satélites. os movimentos de capitais não são uma invenção dos anos 90.

As fusões e aquisições. define uma nova era da história humana.quando países tecnologicamente avançados investem em economias mais frágeis.os homens de negócio precisam ter a . Esse novo mundo global passa a exigir dos gerentes muito mais agilidade e cultura em termos globais.Pelo contrario.apesar de o fosso entre ricos e pobres não ter diminuído. Em decorrência do avanço das telecomunicações.tempo.da troca de informação e de ideologias.no entanto.fazem com que as empresas passem da condição de multinacionais para a de globais.Além de entender de taxas de câmbio.faz parte de nossa realidade.da difusão da língua inglesa e do desmoronamento do bloco soviético.alarga-se o abismo econômico entre os que têm e os que não têm.Não há como negá-la.Tanto é que os conselhos de administração das grandes empresas estão ficando cada vez mais parecidas com assembléias da ONU: representantes internacionais estão cada vez mais presentes nos negócios.sobretudo no setor de serviços como energia e telecomunicação. A globalização.do intercâmbio dos negócios por meio de viagens.o mudo foi-se integrando e tornando-se cada vez menor.

pois.Quantos são capazes de representar adequadamente os interesses da empresa para uma platéia global.Que sistemas de incentivo podem estimular os funcionários a motivar-se pelo mando e compartilhar as idéias em nível mundial.Que percentual poderia ficar à vontade em um jantar com clientes importantes de outros países.Quantos são sensíveis à cultura e peculiaridade de cada mercado.os gerentes precisam dispor não apenas de habilidades interpessoais. Ao contrario do que muitos possam imaginar.Precisam compreender o movimento tecnológico transfonteira. Uma empresa que procura criar capacidade organizacional global precisa.Quantos de seus gerentes possuem essas competências globais.capacidade de elaborar e checar estratégias globais.indagar em que medida seus recursos humanos estão preparados para atender a esse desafio.Como a empresa pode criar uma mentalidade que respeite as condições locais e ao mesmo tempo promova o pensamento global.possui sagacidade política em países diferentes e estar cientes das questões do comércio global e motivação subjacentes a clientes de todo o planeta.mas também interculturais.Com a globalização.a globalização não .

A hegemonia dos bancos. Globalização e o Mercado Financeiro O mercado financeiro internacional tem poder.de acordo com Keegan e Green (1999). ao mesmo tempo em que mudou a face do mercado financeiro.A marca registrada de uma empresa global. fazendo com que capitais percorram o mundo expressivamente.de que as organizações serão cada vez mais solicitadas a capacitar seus membros para que possam desenvolver a contento essas tarefas. adquirido pelos fatores da desregulamentação dos anos 80 e o avanço tecnológico nas comunicações.uma tarefa heróica.é a capacidade de formular e implementar estratégias globais que alavanquem o conhecimento mundial.Essa é.portanto.que exige visão global e sensibilidade para as necessidades locais.produz “receitas globais” que podem ser prescritas às organizações interessadas em se inserir nessa nova ordem.pois. como geradores de empréstimos. Subiu o mercado de títulos. acabou.Não há dúvida.respondam plenamente às necessidades locais e façam uso do talento e energia de cada membro da organização. Acabaram-se os controles sobre movimentação de capital. emitidos por instituições .

qualquer choque sobre o mercado tende a se propagar sem paradas. Abrem o dia na Ásia. Uma inconsistência macroeconômica poderia se arrastar por muitos anos e .financeiras e empresas. muitas instituições financeiras operam 24 horas por dia. A globalização dos mercados financeiros torna esses movimentos rápidos. começam a operar na Europa quando já é janta na Ásia e abrem os negócios na América quando os Europeus estão terminando de jantar. que tiveram um crescimento vertiginoso. especialmente por meio de fundos de pensão e fundos de investimento. Outro componente que torna o mercado financeiro internacional assustador é o volume do dinheiro movimentado por negociações derivadas de alguma outra. O avanço das comunicações e a liberdade de fluxos de capitais uniram os mercados. Esta montanha de papéis e diversos investidores são capazes de reagir. a boas e más notícias. como os títulos comprados por diversos investidores ao redor do mundo. Negocia-se no mercado futuro uma operação financeira de compra e venda que tem como referência a variação do preço de um ativo. Hoje. violentos e mortais. Por esta razão. em questão de segundos.

e os satélites já fazem parte do cenário de vários países e empresas diminuindo a distância entre as culturas do Ocidente e Oriente. Globalização de Mercados A criatividade e a inovação retroalimentam-se através do sistema de informação e informática. pelos povos do oeste e vice-versa. Um princípio continua válido: para países que mantêm políticas econômicas consistentes. O risco da globalização financeira existe e a multiplicação do volume de papéis financeiros em relação à produção real pode acabar. em tempo real. Existe uma lógica no movimento de capitais.provocar uma lenta desvalorização na economia de um país em questão de semanas. A informática. O que é consumido por populações do leste pode ser também desejado. Os investimentos em telecomunicações (espaço e tempo) estão crescendo em todo o mundo. a uma velocidade imensurável (recurso tempo). tornando o processo de aprendizado ágil. têm dinamizado e . com programas de 1ª geração de CAD/CAM e computadores de alta resolução para criação de designs e decisões para projetos de engenharia. a globalização financeira pode ser mais uma oportunidade do que um risco.

em vez de pesquisar as necessidades atuais. vale o preço que o cliente ou consumidor quer pagar. maturidade e declínio. Em sua grande maioria. Oferecer um produto cujos atributos. antes que o concorrente o faça com um produto melhor e com maior valor agregado (recurso não-matéria serviço). o bom profissional executivo de marketing deve visualizar suas ações estratégicas de modo diferente da forma pela qual o fazia no passado. Obter o retorno do capital investido no produto ou serviço o mais rápido possível. distribuindo-o amplamente nos países com potencial de compra (recurso tempo). os produtos. antecipando as necessidades das pessoas (recursos espaço e não-matéria serviço). hoje já podem nascer obsoletos ou com ciclos de vida muito curtos. concentrando-se em: Minimizar o risco da rápida obsolescência dos produtos (recurso tempo). cujos ciclos de vida antes atingiam as quatro fases: introdução. Portanto. .contribuído significativamente para a inovativa e rápida tecnologia de fabricação de produtos auxiliada por robôs autoprogramáveis. de acordo com as necessidade. crescimento. Tirar proveito das vantagens que o processo de comunicação via satélite oferece.

.Investir continuamente em P&D ou formar alianças. (FILHO.Planejar a melhoria contínua do produto/serviço ou sua obsolescência . programando sua obsolescência e canibalização. .Concentrar-se na melhoria e no aperfeiçoamento contínuos da tecnologia dos processos organizacionais.2000. Dessa forma. . . Ou. pg 12 a 14).a globalização de mercados demanda as seguintes ações nas estratégias da organização: . cooperações e fusões internacionais.Enfatizar o padrão de qualidade dos produtos de classe internacional. Tecnologia na Globalização O mundo passou por uma integração comercial importante. . lançar sempre o melhor produto no mercado (recurso não-matéria serviço).Enfatizar o processo de desenvolvimento de produtos com base na identificação do core competence.Diminuir o ciclo de vida dos produtos. então. Usar continuamente o benchmark mudial. Lançar continuamente novos produtos. a fim de agregar maior competitividade entre empresas aliadas nos esforços de globalização dos mercados.

Três fatores vão derrubar ainda mais os custos de telecomunicação: 1) avanços técnicos que reduzem o custo da infra-estrutura. É essa conjunção que torna possível um mundo globalizado nos moldes de hoje. Fusões de empresas da área da informática. começa a se esboçar uma convergência entre a infra-estrutura de comunicação e a indústria da mídia.mas não podia trocar informações na velocidade e na quantidade de hoje. Oceania e Europa a taxa supera 25 para 100 habitantes. A indústria da telecomunicação vive uma explosão sem precedentes. e a Internet pode barateá-la ainda mais. Avanço tecnológico andou lado a lado com o fortalecimento do mercado financeiro. telefonia e comunicação mudam o mercado da informação. O preço da chamada telefônica caiu 90% entre os anos 70 e hoje. A comunicação global ainda não foi democratizada: A África tem menos de uma linha para cada 100 habitantes enquanto na América do Norte. Paralelamente. 2) o excesso de capacidade de transmissão internacional – que acaba transbordando para ligações de longa . à medida que ambas se digitalizam. somada ao barateamento e à popularidade da informática.

difusão de rádio e TV e transmissão de dados passem a circular indiferentemente por fibras óticas e satélites. Embora as empresas não tenham chegado a achar um caminho para a convergência. Até pouco tempo havia uma distinção clara entre redes de telefonia. computadores. Propagação Mundial da Tecnologia da Infomação e Informática A propagação da tecnologia da informação tem um papel importante na tomada de decisões das empresas e nas mudanças organizacionais. fax modem. de dados e de broadcast (TV e rádio). Apontam para uma comunicação mais ubíqua. tecnologia celular. do ponto de vista tecnológico os avanços nunca foram tão rápidos. os executivos não precisam mais se deslocar da matriz para outras unidades da empresa . rápida e barata. A tendência é que telecomunicações. Com o auxílio de satélites artificiais.distância nacionais. a infra-estrutura se aproxima dela. A queda dos monopólios de comunicação e a revisão dos acordos tarifários internacionais devem reduzir as altíssimas margens de lucro das empresas telefônicas. Apesar das barreiras políticas e econômicas à integração das comunicações. 3) desregulamentação e erosão das margens de lucro. equipamentos multimídia e outros. internet.

transformações e expectativas de compra imprevisíveis. comunicação dentre muitos outros. entretenimento. conveniência. educação e em informações sobre produtos ou serviços produzidos por empresas de vários países. telas e teclas. E mais. ter também uma idéia do nível de transformação que vêm sofrendo os setores mundiais de logística. Cada produto é melhor do que o outro. Podemos. provocando mudanças. e isso dificulta cada vez mais o julgamento e a análise de seus valores por parte do consumidor. lazer. com uma quantidade adequada e variada de atributos de serviços (recurso não-matéria). as necessidades atuais do indivíduo são rapidamente influenciadas pelas necessidades futuras. portanto. Bastam vídeos. pois se traduz em um verdadeiro bombardeio de influência e persuasão sobre os consumidores no momento da decisão de compra. elas estabelecem . Em um curto tempo. e o processo de tomada de decisão é estabelecido em tempo real (recurso tempo e espaço). As constantes mudanças de atributo dos produtos levam as pessoas a valorizá-los de forma muito racional do que emocional. Imaginemos toda essa tecnologia transformada em facilidades.(recurso tempo).

Observar continuamente a rapidez das mudanças socioculturais do consumidor/cliente. na verdade. principalmente seus valores. e a forma como pensam e agem. a existência de um enorme potencial para a agregação contínua de benefícios intangíveis a um produto ou serviço. Redescobrir o cliente dentro do conceito valor atributo/preço. seu estilo de vida. É possível perceber. pois. os profissionais. para a empresa sobreviver e ser competitiva tem de “agregar valor continuamente aos seus . Dessa forma. e isso. deverão concentrar grande parte de seus esforços nas seguintes premissas: Ter consciência de que as necessidades atuais serão superadas pelas expectativas das necessidades futuras. tendo em vista a quantidade de informações e o grau de conhecimento desse consumidor sobre produtos e serviços de várias procedências e culturas. cujo objetivo é melhorar a competitividade de suas empresas. Investigar continuamente as mudanças de atributo dos produtos ou serviços junto ao cliente. a fim de conhecer com precisão o que ele deseja em relação ao produto/serviço e que preço está disposto a pagar. portanto.comparações entre os valores dos atributos e benefícios e o que o dinheiro pode comprar. está englobado no recurso não-matéria.

oferecer sempre mais. fornecedores e clientes mudam totalmente o conceito de administração. estendendo-o para toda a cadeia de valor em que a empresa está envolvida. com o objetivo de maximizar o marketing mix da empresa. ou seja. A rede de computadores entre empresa. sem que isso implique aumento de preço para o cliente ou consumidor. A eficiência competitiva dependerá da rapidez com que a empresa e sua administração assimilarem essas .produtos”. Dinamizar o conhecimento individual dos clientes por meio de inúmeros softwares criativos e inovadores formando um banco de dados do cliente. Não que a gerência deva administrar de forma diferente por estar vivendo um novo tempo. bem como o processo de integração interno das áreas da empresa. Dinamizar as decisões de sua equipe de trabalho. A decisão em tempo real. A questão é que a própria tecnologia digital. os computadores e seus programas impõem a mudanças da organização. por meio de redes entre computadores formada por um super-rodovia da informação digital. oferece às empresas e seus departamentos eficiência e agilidade significativas na tomada de decisões em toda a cadeia de valor.

A pior burocracia. Fluxo de informações em todo o processo administrativo da organização utilizando-se um único sistema operacional de informação. Todos na empresa precisam ter acesso a um único sistema para dinamizar a tomada de decisões e conhecer simultaneamente o que cada equipe executa. Tendo em vista as inúmeras transformações organizacionais e administrativas possibilitadas pela tecnologia digital de redes de computadores. ajustado às necessidades de cada país. com riqueza de detalhes tecnológicos e conhecimento da matriz durante sua execução. na Europa ou no Japão pode ser imediato executada no Brasil. ou seja. internet. vários sistemas dentro de um sistema e cada departamento satisfazendo a necessidade do outro departamento. ou empresa burocrática. é aquela que utiliza um sistema de informação para cada departamento. podemos formular uma série de premissas que certamente tornarão as empresas mais competitivas: Decisões em tempo real: uma decisão tomada hoje nos Estados Unidos. Cliente e fornecedores interligados e integrados na cadeia de valor da empresa por .mudanças. Caso da detecção de uma oportunidade até a concepção do produto/serviço e seu lançamento no mercado. intranet.

o auge do processo de internacionalização do mundo capitalista. Processos organizacionais diretamente ligados ao cliente/consumidor para a sobrevivência da empresa e sua eficiência para competir. a qualquer fase da historia. pg 15 a 19) A produção da Globalização A globalização é. Redução do ciclo dos processos organizacionais e dos custos administrativos em decorrência da agilidade nas decisões proporcionada pelos programas de software. Ou seja. Para entendê-la. procedimentos administrativos que não agregam valor ao cliente/consumidor deverão ser reavaliados ou mesmo descartados pela empresa. Em outras palavras. o uso da gestão do conhecimento em base contínua. sobrepondo-se aos controles e limites estabelecidos pelas empresas. como.Dai muitas . Há uma tendência de separar uma coisa da outra. Criatividade e inovação constantes como base para a sobrevivência da empresa. de resto. 2000.meio de programas computadorizados oferecidos por empresas especializadas nestes tipos de programas. (FILHO. de certa forma. há dois elementos fundamentais a levar em conta: o estado das técnicas e o e o estado da política.

. É isso que fez a historia. Um mercado global utilizando esse .As técnicas são oferecidas como um sistema e realizadas combinadamente através do trabalho e das formas de escolha dos momentos e dos lugares de seu uso. que passaram a exercer um papel de elo entre as demais. a cognoscibilidade do planeta e a existência de um motor único na historia. responsável pelo essencial dos processos políticos atualmente eficazes. No fim do século XX e graças aos avanços da ciência. unindo-as e assegurando ao novo sistema técnico uma presença planetária.Na realidade. Só que a globalização não é apenas a existência desse novo sistema de técnicas. a convergência dos momentos.interpretações da historias a partir das técnicas. E. nunca houve na historia humana separação entre as duas coisas. por outro lado interpretações da historia da política. Os fatores que contribuem para explicar a arquitetura da globalização atual são: a unicidade da técnica. produziuse um sistema de técnicas presidido pela técnicas da informação . representado pela mais-valia globalizada. Ela é também o resultado das ações que asseguram a emergência de um mercado dito global. .

na história do homem. o ancinho. aparece uma técnica isolada. que constituem. acrescentemos que é também um progresso sem fim das técnicas. o único que nos permite ter a esperança de utilizar o sistema técnico contemporâneo a partir de outras formas de ação. uma família de técnicas. Kant dizia que a historia é um progresso sem fim. Isso poderia ser diferente se seu uso político fosse outro. a enxada. As técnicas se dão como famílias. por meio da cibernética. Esse é o debate central. uma nova etapa histórica se torna possível. o que é representativo do sistema de técnicas atual é a chegada da técnica da informação. num dado momento. verdadeiros sistemas.sistema de técnicas avançadas resulta nessa globalização perversa. da eletrônica. da informática. cada sistema técnico representa uma época. Em nossa época.Nunca.Ela vai permitir duas grandes coisas: a primeira é . Essas famílias de técnicas transportam uma história. Um exemplo banal pode ser dado com a foice. A cada evolução técnica. A unidade técnica O desenvolvimento da historia vai de para com o desenvolvimento das técnicas. o que se instala são grupos de técnicas.

em todos os lugares. mais atrasadas. as outras não desaparecem. aliás . um ator de menor importância no período atual. acelerando o processo histórico. assegurando a simultaneidade das ações e. a convergência dos momentos. contamina a forma de existência das outras técnicas. por conseguinte. tem uma influência marcante sobre o resto . Ao surgir uma nova família de técnicas. que antes não era possível. torna-se. mas o novo conjunto de instrumentos passa a ser usado pelos novos atores hegemônicos. Continuam existindo. enquanto os não hegemônicos continuam utilizando conjuntos menos atuais e menos poderosos. permitindo. A técnica da informação assegura esse comercio. As técnicas características do nosso tempo. presentes que sejam em um só ponto do território.Isso.que as diversas técnicas existentes passam a se comunicar entre elas. Na história da humanidade é a primeira vez que tal conjunto de técnicas envolve o planeta como um todo e faz sentir. Quando um determinado ator não tem as condições para mobilizar as técnicas consideradas mais avançadas. por isso mesmo. ela tem um papel determinante sobre o uso do tempo. Por outro lado. instantaneamente sua presença.

a estrada de ferro instalada em regiões selecionadas. conjunta ou separadamente. escolhidas estrategicamente. o que é bem diferente das situações anteriores. mas não tinha uma influencia direta determinante sobre o resto do território. seria também impossível a atual unicidade do tempo. isto é. Por exemplo. da política das empresas e da política dos estados. As técnicas apenas se realiza. A técnica da informação alcança a totalidade de cada país. principal responsável pela imposição a todo o globo de uma mais-valia mundial. porque todos os outros lugares são avaliados e devem se referir áqueles dotados das técnicas hegemônicas. direta ou indiretamente. Há uma relação de acusa e efeito entre o progresso técnico atual e as demais condições de implantação do atual período histórico. alcançava uma parte do país. que surge a possibilidade de existir uma finança universal.do país. com a intermediação da política.O principio de seletividade se dá também como princípio de hierarquia. da qual o computador é uma peça central.Cada lugar tem acesso ao acontecer dosa outros. o acontecer local sendo percebido como um elo do acontecer . É a partir da unicidade das técnicas. tornando-se historia. Sem ela.

Há uma junção dos momentos como resposta àquilo que. convergem. do ponto de vista histórico. A convergência dos momentos A unicidade do tempo não é apenas o resultado de que. que são. sem a mais-valia globalizada e sem essa unicidade do tempo. mas que podemos usar esses relógios múltiplos de maneira uniforme.mundial. chama-se de tempo real e. a unicidade da técnica não teria eficácia. Os homens não são igualmente atores . Por outro lado. a percepção do tempo real não só quer dizer que a hora dos relógios é a mesma. Com essa grande mudança na história. também. o que estamos chamando de unicidade do tempo e convergência dos momentos. do ponto de vista da física. os donos da velocidade e os autores do discurso ideológico. ao mesmo tempo. seja onde for. os momentos vividos.Se a hora é a mesma. de ter conhecimento do que é o acontecer do outro.Essa é a grande novidade. será chamado de interdependia e solidariedade do acontecer.Tomada como fenômeno físico. tornamo-nos capazes. a hora do relógio é a mesma. nos mais diversos lugares. A história é comandada pelo grandes atores desse tempo real.

do dinheiro. Esse sistema de forças pode levar a pensar que o mundo se encaminha para algo como uma homogeneização. Tudo isso é realidade. à mundialização da mais-valia. do crédito. isto é. ou pelo menos. isto é. de outro. uma sustentando e arrastando a outra. . O motor único se tornou possível porque nos encontramos em um novo patamar da internacionalização. privilégios de uso. uma vocação a um padrão único. instalado sobre um planeta informado e permitindo ações igualmente globais. do consumo. ele é excludente e asseguram exclusividade. de um lado . o que seria devido. mas também é sobretudo tendência. O motor único Este período dispõe de uma sistema unificado de técnicas. Fisicamente. da dívida. com uma verdadeira mundialização do produto. contém e é contido por outro. Mas efetivamente. á mundialização da técnica. impõe outro. potencialmente. ele existe para todos.desse tempo real. impondo-se mutuamente é também um fato novo. Um elemento da internacionalização atrai outro. da informação. socialmente. Esse conjunto de mundializações.

Esse período técnico – científico da historia permite ao homem não apenas utilizar o que encontra na natureza: novos materiais são criados nos laboratórios como um produto da inteligência do homem. A cognoscibilidade do planeta O período histórico atual vai permitir o que nenhum outro período ofereceu ao homem. aos progressos da ciência e da técnica (melhor ainda. e deve-se. exatamente.porque em nenhum lugar. Isto nunca existiu antes. a possibilidade de conhecer o planeta extensiva e aprofundadamente. naturais ou artificiais e condições . Com a globalização e por meio da empiricização da universalidade que ela possibilitou. estamos mais perto de construir uma filosofia das técnicas e das ações correlatas. em nenhum país houve completa internacionalização. que seja também uma forma de conhecimento concreto do mundo tomado como um todo e das particularidades dos lugares. e precedem a produção dos objetos. isto é. O que há em toda parte é uma vocação às mais diversas combinações de vetores e formas de mundialização. aos progressos da técnica devidos aos progressos da ciência). que incluem condições físicas.

chega-se à união econômica. cada país estabelece regras próprias. O mercado comum vai além. Quando padronizam-se as políticas econômicas dos membros rumo a uma moeda única. na criação de novas restrições? Há o temor de que países como o Brasil. e não só de mercadorias. Não é qualquer lugar que interessa a tal ou qual firma. Com parceiros fora do bloco. Globalização e os Blocos Comerciais A área de livre comércio é um acordo que permite a adoção progressiva de tarifas alfandegárias comuns entre os paísesmembros. antes fechados economicamente voltem a reestruturar barreiras em torno de seus grupos locais de comércio. A formação de Blocos Comerciais Regionais traz uma dúvida: trata-se de um estágio necessário para um mundo sem barreiras econômicas ou. A cognoscibilidade do planeta constitui um dado essencial à operação das empresas e à produção do sistema histórico atual. forma-se uma união aduaneira. resultará.políticas. no futuro. na busca da mais-valia desejada valorizam diferentemente as localizações. As empresas. pelo contrário. Outro . Se os membros decidem adotar uma política única com quem não integra o grupo. bens e capitais. liberaliza o trânsito de pessoas.

de forma que haja um grande bloco. o risco é o de que cada . como o Mercosul: grandes especialistas em comércio internacional e até as entidades que supervisionam não têm certeza se os blocos são apenas etapas necessárias e positivas na direção de um mundo sem barreiras ou se minifortalezas que. Na falta de um projeto global. do tamanho do planeta. Esse conflito entre globalização e regionalismo é latente. Idêntico problema cerca os acordos comerciais regionais. discriminando os que não têm a sorte de estar no clube local. este dilema. impedirão a queda de todas as fronteiras. A globalização produziu. como a China e Rússia. em matéria de comércio internacional.risco é deixar países politicamente importantes fora dos Blocos. os países estão. no limite. Ao liberalizar o comércio só com seus vizinhos. A resolução do impasse estaria na capacidade de esses blocos estarem aos demais países as vantagens que existem apenas para os seus membros. A questão e saber se os “clubes locais” caminham para integrar-se a outros clubes. por definição. ou se tendem a fechar-se em três ou quatro grandes conglomerados em guerra comercial uns com os outros.

É uma rubrica que cobre desde telecomunicações a transporte marítimo. Introduziu na agenda mundial as chamadas áreas novas do comércio. até agora. marginalizaria países gigantescos. que. em especial o vastíssimo campo de serviços. além do risco de uma guerra comercial. A “Rodada Uruguai” (marco no processo de globalização) começou em 1986 em Montividéu. No Brasil também há uma surda guerra de argumentos entre os pró-Alca e os pró-União Européia. A “Rodada Uruguai” foi além da negociação sobre derrubada de barreiras para exportar mercadorias. entraram em sistema algum. Seu impacto mais visível e até certo ponto quantificável surge da redução das tarifas alfandegárias para importações. A “Rodada Uruguai” não fechou acordo algum na área de .superbloco se feche para os demais. É sintomático que a União Européia e os EUA estejam empenhando em uma surda guerra para ver qual dos dois consegue fechar antes o acordo com o bloco sul-americano. o que. arrastou-se por quase oito anos e terminou com o mais abrangente pacote de redução das barreiras ao comércio planetário. passa por serviços financeiros e atinge até compras governamentais. como China e Rússia.

mas estabeleceu uma agenda de negociações que vai até o ano 2000. Por trás dos países ricos. e as exportações das multis. A “Rodada Uruguai” introduziu modestas aberturas . Já foram assinados acordos para abrir o mercado de telecomunicações. há um número relativamente pequeno de empresas transnacionais que determinam a agenda. O comércio entre filiais e matrizes de multinacionais representa aproximadamente 1/3 do comércio mundial. ante a estagnação da indústria e a mecanização da agricultura. até o ano 2000. que se torna crescentemente irrelevante. Motivo óbvio: tanto EUA como a União Européia subsidiam seus produtores agrícolas e recusam-se a abrir mercados para a competição com produtos do mundo subdesenvolvido ou em desenvolvimento. o que prevê derrubar. todas as barreiras para importação de equipamentos/serviços de tecnologia de informação (ou informática). as companhias que não são subsidiárias. O impacto da liberalização no setor de serviços tende a superar o da derrubada das barreiras para mercadorias. mas jogou as negociações definitivas para o ano 2000. Trata-se do setor mais dinâmico da economia mundial e do único que ainda gera empregos. delas .serviços.

Sob os efeitos da globalização. Essa concentração de poder econômico pode limitar a concorrência. ano em que o Muro de Berlim ruiu. Não abriu lugar à mesa de negociações para os consumidores. Fruto de uma época ideologicamente confusa (a crença de um sistema único e infalível. a quebra do Banco Barings e. vieram a crise do México. agora o crash das bolsas. que emergiu após a queda do Muro de Berlim) a situação mostra-se instável para os Estados emergentes. No Brasil . Globalização e os Estados Na balança de poder do mundo. Em 1995 quando tudo se caminhava para a consolidação da onda liberal.cobrem outro terço. que tanto podem ser as vítimas como os beneficiários da globalização. o capitalismo começou a investir contra si próprio. reduzindo os ganhos para os consumidores e economias nacionais. um vírus inoculado na Bolsa de Hong Kong espalhou-se pelo mundo em outubro/97. O triunfo de 1989. o Estado muitas vezes se enfraquece diante do sistema financeiro globalizado. o capitalismo. parecia tão certo que chegou-se a prever o fim da história.

É natural que esse mundo transformado pela internacionalização. A crise começou em Hong Kong e invadiu o lar de cada brasileiro. com as maravilhas inventadas nessa época.dobrou-se as taxas de juros – recurso para tentar atrair os capitais especulativos que batiam em retirada – causando alta dos crediários. . Cultura Global A globalização cultural é tomada como ideologia fundamental de um plano de instrução de formação que tomará conta do planeta. robótica. Internet e modernos meios de transporte. Evidente que o interesse que move a gangorra das bolsas não é o social. que resultará na configuração de um mundo integrado e organizado no modelo de um gigantesco Estado-Nação. O clima de euforia flui como no século 19. comunicações por satélite. aflora a enpolgação da comunidade integrada. mas o da especulação. Alguns países estão sob o risco porque não seguem à risca as regras do sistema liberal – encontram-se com a moeda supervalorizada. Não se pode transformar o mundo sem ver o desenvolvimento da informática. deficts em suas balanças e despesas públicas maiores do que as receitas. Essa visão é polemica internacionalmente.

conhecimentos. regionalistas ou vindas de sociedades excluídas. Formam se em diversas áreas e colocam em conflito idéias em que as vítimas periféricas têm apenas duas alternativas: deixar-se subjugar ou erguer forças para evitar sua incorporação à modernidade ocidental. em que os indivíduos dos quatros cantos do planeta podem se reconhecer. As “Terceiras Culturas” são um conjunto de práticas. Não há dúvida de que o mundo e cada vez mais percebido como um lugar. Globalização e Marketing .Uma das características importantes do que se entende hoje por cultura global é justamente a maior visibilidade de manifestações étnicas. não há dúvida que as culturas nacionais geram uma cultura global. Talvez as nações ocidentais jamais tenham-se visto na contingência de conviver com a diversidade cultural no interior de suas fronteiras. Se encontra em curso uma nova etapa da internacionalização. convenções e estilos de vida que desenvolvem de modo a se tornar cada vez mais independentes dos EstadosNação. não há dúvida de que essa cultura global surge da intensificação dos contatos entre povos e civilizações vinculados à expansão econômica e técnica.

ficou praticamente liberada a . Uma característica essencial da empresa global atualmente seria a facilidade para identificar locais onde existam as condições mais atraentes para suas operações. enquanto para uma multinacional o mercado seria o planeta inteiro. Somada à crescente desregulamentação não só dos mercados financeiros.Uma empresa globalizada seria aquela que opera seguindo uma lógica operacional mundial. Com os serviços de informação. o mercado seria uma determinada região do mundo. mas também em outras áreas. o aumento nas taxas de juros de um país (que atende a encarecer os custos de produção e a favorecer as aplicações financeiras) chega ao conhecimento dos investidores e empresários de forma imediata. Fica mais fácil tomar conhecimento sobre as condições de trabalho em um determinado país e compará-las com a situação em outras partes do mundo. Uma empresa transnacional. cujo objetivo seja maximizar benefícios e minimizar custos não importando onde esteja a base de produção e que obedeça uma estratégia de marketing única para todos os países onde vende seu produto. inclusive no que se refere à legislação trabalhista.

trabalho e bens entre os países. A prioridade passou a ser de envestir em marcas. Muitas vezes é o mesmo consumidor. no papel de trabalhador. por causa da marca. O crescimento do número dessas companhias e dos negócios por elas realizados é apontado como uma das razões para a expansão do comércio internacional. No circuito das chamadas empresas transnacionais. O processo de expansão das empresas multinacionais também provoca polêmica por causa das condições de trabalho nas fábricas desses grupos instaladas em países que não se destacam pelo respeito aos direitos dos trabalhadores. Muitas vezes. Qualquer tendência de elevação dos custos de elevação dos custos de produção em um determinado país pode levar a empresas a trocá-lo por outro onde seja mais barata a fabricação. a empresa global compra uma campanha local apenas para ganhar uma fatia do mercado.movimentação de capital. que sofre com a política da empresa transnacionais de fechar uma determinada fábrica ou de promover demissões. alegando a necessidade de reduzir seus custos para aumentar a . o investimento em fábrica deixou de ser privilegiado.

desde as barreiras alfandegárias punitivas às exportações dos países subdesenvolvidos às leis de proteção de patente que dificultam o acesso das nações pobres a novas tecnológicas. e os pobres.3% do comércio mundial. a globalização impôs perdas comerciais. São várias as causa.produtividade. Para o conjunto de países em desenvolvimento. Globalização e os Países Ricos e Pobres Ano a ano o fosso que separa os incluídos dos excluídos vem aumentando: os ricos ficam cada vez mais ricos. Isso atribuí-se ao fato das nações emergentes estarem avançando na educação de . mais pobres. O comércio mundial cresceu 12 vezes no pós-guerra. Com 10% da população do planeta. Em 34 anos a participação dos excluídos na economia global diminuiu em 1. O fantasma que ronda a economia globalizada dos países mais ricos é o desemprego. os países mais pobres detêm apenas 0. Mas foi também o vilão que mais acentuou as desigualdades entre os países ricos e pobres no processo de globalização. O impacto da revolução tecnológica nas comunicações e na economia ocasiona a perda de empregos no Primeiro Mundo que é a contra partida da criação de postos de trabalho nos países em desenvolvimento.2%.

mudanças nas regras do comércio mundial em benefício dos países pobres e uma associação de empresas internacionais para fomentar a redução da pobreza. Os excluídos da Globalização O sistema global apresenta sérios riscos. que formem blocos econômicos regionais para aumentarem o comércio. Recomendam. E é por essa razão que já há quem prefira chamar a globalização de era da englobação. vai aumentar a importância das multinacionais. ainda. É uma tendência em alta. Com as constantes fusões de gigantes empresariais. facilitando o fluxo financeiro e melhorando os meios de transporte. que vem assolando tantos países ricos como os chamados . manisfestando-se através de crescente exclusão social. invistam na educação da população mais pobre e fomentem as pequenas empresas. Existem propostas que sugerem que os governos adotem critérios mais seletivos na hora de abrir as fronteiras à competição internacional. em detrimento dos Estados.seus habitantes e terem o custo de produção menores. Destaca-se uma proposta de um mecanismo para controle e vigilância com mais agilidade da liquidez internacional. São diversas armadilhas que estão vitimando milhares de pessoas em todo o mundo.

várias crianças estão morrendo de subnutrição.. muitos outros lideres ou imperadores foram tomados pelo ímpeto de estender suaas conquistas. Depois de Alexandre Magno. “polis” grega. Átila. impérios como o Britânico e o Romano. portanto. ao afirmar que os homenssao iguais.Já no século IV a. ou ainda. torna-se um “HomemCosmopolita”.no entanto.ressaltava. As armadilhas da Globalização A globalização é uma idéia antiga no pensamento humano. Assim.C. . Em nome da dita ordem.que roma era o centro do mundo. inclusive.países da periferia. como os encabeçados pelos Estados Unidos ou pela antiga união soviética. Napoleão e Hitler. são citados como classicos exemplos. Alexandre Magno formulou a tese de “Homem Mundial”: projeto de um homem maior que o homem da cidade. e conseqüentemente dominar o mundo. a través de suas conquistas. Essa idéia. Dante Alighieri.Posteriormente a disputa ocorreu entre sistemas politicos. ao estrapolar os limites desta “polis” . estava imbricada na crença de que havia um coração total da humanidade. já são milhões os desempregados e inúmeras pessoas vivem marginalizadas.

A sociedade global cria um novo tipo de exclusão social. Ademais. a globalização é codificada por um idioma ( o inglês). por nossas autoridades policiais. E esta exclusão constitui-se. facilita a concorrencia dos países mais desenvolvidos navenda de produtos. Produzida diacronicamente com o homem. croianças sem escolas. culturas e legislações. Homens famintos.Através de um discurso sedutor. como a grande aramadilha da Globalização da economia. costumes e. mas não contemplando todos pelos seus benefícios. que agregammaiot tecnologia e transforma negócios. a qual opera não só em nível internacional. mulheres prostituídas. irremediavelmente fadiadas à marginalizaçãoe que diariamente são assassinadas na ruas. Uma multidão encontra-se lamentavelmente excluída. tem seus próprios dirigentes ( o Grupo dos Sete e as grandes corporações transnacionais). é lógico). atrvés da dependência de países como . essa ocidentalização do mundo tem se constituído na palavaras so sociólogoOtávio Lanni em “uma espécie de holocausto” em bebfício do lucro ( dos países e empresas que detém o controle do processo. A idéia da “Aldeia Global” é antiga e genial. no nosso entender.

quando milhares de pessoas da região encontram-se em situação de miséria absoluta. Raimond Aron-que. mais voltado às interações e organizações multinacionais. doenças desemprego e de outros tipos de violência. religiões. Encontram-se não só presente em todos os cantos do planeta como. insere-se em nossa vida intelectual e social. Mais especificamente.os da América Latina em relação aos países ricos. modificando culturas. decisivamente. passa a configurar e a fazer presente uma nova ordem internacional. impondo alterações na vida dos individuos e sociedades. substitui o complexo paradigma das relações Internacionais pelo mais recente modelo de relações transnacionais-idealizado pelo sociólogo franc~es da escola do Realismo Político. a Globalização é um fenômeno que desafia os limites da realidade e do imaginário do nosso velho mundo. envolvendo tanto a política dos Estados Nacionais e organismos internacionais . mas também em nível interno. etnias. o termo Globalização foi utilizado para expressar as novas tendências surgidas na economia internacional a partri doa nos 70. destinadas à sobrevivência em meio à fome. A príncipio e de modo simplista. Assim .

Yuguslávia ou o que fazer para deter ações terrorisas. Hoje. que os istema global encerra. através de suas instituições oficiais e corporações trannacionais. ou seja. ser necessária a utilização de armas. A eficiência rege como princípio transformador de um processo . já podemos afirmar. No campo político nota-se o mais alto grau de autoritarismo sem. um verdadeiro jogo de interesses economicamente articulados. multinacionais e outros tantos atores internacionais. como momento definitivo na história. onde a possibilidade de abundância e de satisfação de desejosé a base da felicidade. concebido como coroação do processo evolutivo da natureza. passando pela Chechênia . etc.como as estratégias de lucros articuladas pelas empresas multinacionais. ora de natureza conflitiva. significa a realização de uam sociedade homogênea pela unidade em um mercadoglobal. Com uma gigantesca concentração de poder. O capitalismo. o Grupo dos Sete (G7) domina e decide os destinos do mundo e com um raio de atuação extremamente ampliado resolve quanto custa o dólar. contudo. ora de interação entre os estados. estabelece as coordenadas necessárias à invasão do Kwait.

Ao mesmo tempo em que é levada ao mundo “encantado” do consumo como caminho do bem-estar social. Este capitalismo significa a destruição da cultura e identidade de cada país. a população excluída se vê envolta. tendem a parecer-se cada vez mais. Assim. a aniquilação lenta das especificidades de cada região. a desvalorização de si mesmo. aumentando o abismo entre pobres e ricos. Assim. Os excluídos são sacrificados em função do “progresso da nação globalizada” A promessa do meracdo é apenas um mecanismo ideológico e “inconsciente” de gerar bem-estar social de todos. sem poder dimensionar-se entre o vaivém da pós-modernidade. É ainda. também é desqualificada pela tirania que exercem os princípios da eficiência e da concorrência. cada vez mais acentua-se a interdependência econômica em relação aos países desenvolvidos. No âmbito interno . O egoísmo . através de uma cultura consumista como critério de inclusão e de unificação. ignorada pelas instâncias de poder nacional e internacionalque decidem sobre os destinos do mundo. Implica a exclusão dos países pobrese uam integração dos mais poderosos em níevl mundial.modernizante. todos os países modernos.

A política do Estado de Bem-Estar se estruturava em torno do indivíduo e seus direitos sociais. o desemprego e a mortalidade infantil são sacrificios necessários para alcançar o tão sonhado progresso. salários e consumos. Antes estava em jogo o espaçõ político da igualdade. A luta é para não estar fora dos benefícios da modernidade. Agora se estrutura em torno do usuário que demanda uma qualidade de vida da sociedade de consumo. a fome . correndo paralelamente ao avanço estonteante das riquezas e denvolvimento tecnológico . o caminho. trabalho e dos serviços. Pois. agora o da diferenciação econômica. O problema então concentra-se em o que fazer com a grande parte da população excluída pela própria tendência natural do sistema. Há um dramático processo de desintegração social registrado. na veraddee. transformando-se na atitude ética da indiferença e resignação ante o sofrimento de milhões de pessoas. há um grande abismo entre os que participam destes benefícios e os que estão condenados à miséria. Para esta concepção do modo de produção capitalista. Antes “o melhorar a qualidade de vida” se definia em mais serviços.perverso do meracdo é.

representa mais uma extensão de mercados para as grandes multinacionais. ao impor planos de ajustes sacrifica não só os empregos. Desemprego e Precarização Se. a globalização aparece como intensificadora da economia mundial e dos modelos de integração regional. o que. Também a necessidade de especialização da mão-de-obra constitui um importante elemento propiciador da queda no . Desta forma. por outro. e o desmantelamento do tecido produtivo de nossos países. constitui-se no mais drástico problema a ser enfrentado por nossas sociedades.de poucos países. percebe-se o surgimento de duas grandes transformações próprias das economias globalizadas e que estão atingindo o mundo do trabalho: o desemprego e a precarização das relações de trabalho. na verdade. mas grande parte dos direitos laborais históricos. O desemprego como um dos principais tipos de exclusão social que assola o mundo globalizado. por um lado. Está em todos os lados e seu alvo predileto é a população de mão-de-obra não especializada. um fenômeno que se encontra presente tanto nos chamados países ricos como nos países da periferia. frutos de séculos de lutas dos trabalhadores.

desde que elas não afetem os seus próprios empregos. freqüentemente .número de empregos. conseqüente desestruturação e aumento da violência. feminilização da mão-de-obra. Assim. ao paaso em que as relações de emprego se tornam mais precárias”. nota-se a quebra de sindicatos e a situação de insegurança e de temor dos trabalhadores que ainda subsistem em empregos formais. Assim. não oferecem resistência à precarização de postos de trabalho em suas empresas. está significando o aumento da desocupação e da disparidade na distribuição de renda. entra em cena o conhecido desemprego “estrutural”. necessidade de “pluriemprego” e do trabalho de todos os membros da família. O avanço das corporações transnacionais e seus imperativos de aumento da produtividadee maximização de lucros ensejados com o advento da revolução da microeletrônica e telemática. . os quais. próprio da globalização e do neoliberalismo. que está gernado maior marginalidade. Uma das seqüelas desta falta de emprego está na mudança de hábitos e pautas culturais. perda de auto-estima e.

Movimentação de derivativos. Considerações Finais A crise que abala as Bolsas é a mais recente manifestação de um processo em que o poder dos governos. é um drama nacional dos países . 3. o papel das empresas. Uns ganham muitos. o destino dos empregados e as culturas nacionais são transformados pela integração econômica e tecnológica. Na prática exige menores custos de produção e maior tecnologia. reagindo a boas e más notícias. A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme.Tanto o desemprego como a precarização devem ser duramente combatidos. O problema não é só individual. Com o avanço das comunicações e a liberdade de fluxos de capitais. outros ganham menos. Reconquistar o cumprimento da legislação é o primeiro passo para barrar e depois reverter o processo de precarização das relações de trabalho. hoje têm razões suficientes para transformar todo planeta em questão de segundos. muitas instituições financeiras operam 24 horas por dia. outros perdem. contratos que surgiram com o objetivo para aumentar a segurança de outros investimentos. há dez anos eram insignificantes.

produtos. faz-se necessário pensarem uma inovação tecnológica que promova o respeito a um meio ambiente saudável. que perdem com a desvalorização e atraso tecnológico. Portanto. é inegável a necessidade do uso da inovação tecnológica como meio gerador de mudanças. NEOLIBERALISMO E MEIO AMBIENTE . quais os fatores que podem ter gerado tal degradação? A resenha aqui apresentada tem o intuito de apontar alguns destes fatores. nascerem e dependerem do processo de globalização. haja vista ser um direito de todos. em meio a esse desenvolvimento há um impacto fortíssimo visto através da degradação do meio ambiente. Avanço Tecnológico TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE Eliane Abel de Oliveira 1 No mundo contemporâneo. como também algumas possíveis soluções para o problema. verificamos quanto elas têm mudado as sociedades. as indústrias e as empresas do setor de serviços. Ao analisarmos essas forças. emprego e desemprego e a própria permanência das empresas no mercado. afetando departamentos e funções. Mas afinal. processos administrativos.mais pobres. Essas forças impulsionam as empresas a serem competitivas. Contudo. GLOBALIZAÇÃO. posturas.

como a que vivemos atualmente. com isso um estímulo ao superconsumo que é visto como a única saída para crises econômicas. a maioria dos trabalhadores tem perdido a qualidade de vida além de colaborar para o aumento da concentração de riquezas entre os mais ricos em detrimento de uma população desfavorecida economicamente e. sem uma participação ou controle importante dos atores governamentais” (Leis. maior será o padrão de vida(econômico e cultural) dos indivíduos e maiores serão os benefícios para todas as partes participantes” (Leis. partindo do pressuposto de que “quanto maior for a liberdade do mercado para operar. ideias. essa minoria rica. fatores ambientais e pessoas através das fronteiras nacionais. ainda não há mostras de que essa realidade realmente ocorra. Contudo. inclusive. contudo esta visão acaba por esquecer-se dos custos sociais e ambientais que tal atitude oferece. gerando uma interdependência e. Neste sentido o neoliberalismo se coloca como fiador do progresso mundial estimulando o crescimento econômico e consolidando a democracia. a poluição. o mercado e. o comércio.Há um discurso da nova ordem mundial onde tudo é global: o desenvolvimento. o governo. 1Graduada em Pedagogia pela UFPR e mestranda em Tecnologia pela UTFPR . 2002: 23). é responsável pelo consumo excessivo que impulsiona o desequilíbrio ambiental.Com o advento da globalização. 2002: 18). informações. “Os fenômenos de transnacionalização supõem um movimento de bens. o meio ambiente.

além damonocultura e grandes impactos ambientais. AVANÇOS TECNOLÓGICOS DA AGRICULTURA. os avanços tecnológicos na agricultura também colaboram para este cenário. pois o Brasil é um país tropical comnecessidades específicas.Contudo. . construídos em morros e encostas.O neoliberalismo provoca um avanço no desenvolvimento econômico e este por sua vez traz para o meio ambiente consequências como o efeito estufa. o êxodo rural. os governo sacabam por ficar impotentes para impedir os efeitos danosos do mercado sobre a natureza e a sociedade. pois em um cenário de livre comércio. criando assim um sistema que favorece aqueles que mais poluem. as empresas e paísesque internalizam os custos ambientais em seus produtos acabam em desvantagem. é impossível se pensar em uma consciência ambiental comuma realidade sócio-econômica desfavorável. chegando inclusive afacilitar tal degradação. levandomilhares de pessoas para os grandes centros urbanos. Isso estimula para um avanço tecnológico que visa a maximização dos lucros em detrimento aos danos ecológicos. Este fatorcontribuiu para o aumento exponencial dos aglomerados urbanos. A modernização da agricultura não levou em consideração fatores essenciais como: a utilização de tecnologias desenvolvidas para países de clima temperado o que causa umenorme impacto ambiental.A modernização da agricultura também provocou. desmatamento e aumento da desertificação entre outros. degradando osrecursos naturais como matas e rios para sua instalação. MISÉRIA E MEIOAMBIENTE No Brasil.Com um mercado cada vez mais transnacionalizado.estes por sua vez.

Atualmentenecessitaríamos ter disponíveis 2. Por isso em 1992 foi realizada Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente eDesenvolvimento. Deste evento surgiram documentoscomo a carta da terra. tambémforam desenvolvidos e pensados para a realidade de países de climatemperado. Estes por sua vez. Também com a preocupação em diminuir os impactos ambientais. a agenda 21 entre outros. Este consiste em mensurar a superfície total de terranecessária para sustentar as atividades humanas. a Eco 92 que reuniu representantes de todo oplaneta que assinaram pactos e legitimaram acordos internacionaisem benefício do meio ambiente. 1994: 123).Outro impacto ambiental causado pela modernização da agriculturafoi o aumento no uso de agrotóxicos. Este fator provocou e ainda provoca desequilíbriosbiológicos que ocasionam o aumento de praga nas lavouras.3 hectares por habitante para umdesenvolvimento sustentável. nosso déficit está em 20% dacapacidade biológica do planeta.acadêmicos canadenses elaboraram um conceito chamado pegadaecológica. POSSÍVEIS SOLUÇÕES PARA A QUESTÃO AMBIENTAL A preocupação com o meio ambiente e o futuro do planeta é umatemática que inquieta a muitos. Basicamente o papel deste conceitoé alertar para a importância .pois diante dessequadro “é utópico supor. ou seja. ou esperar a formação de uma consciênciaecológica sobre os escombros da miséria imperante no TerceiroMundo” (Aguiar.

um desenvolvimento que supra as atuaisdemandas sem comprometer as respostas das demandas dasgerações futuras. pois assim haveráuma diminuição no êxodo rural e por conseguinte no inchaçopopulacional dos centros urbanos.Por isso a necessidade de se pensar em um desenvolvimentosustentável. desta formapoderemos “reduzir o consumo de energia e recursos.Um outro fator que também deve ser levado em consideração napreservação ambiental é a criação de uma política agrária ehabitacional que atendam as demandas existentes. diminuir apoluição. As soluções para diminuirmos nossa pegadaecológica podem ser encontradas em uma Educação e Inovação Tecnológica norteadas pela conservação ambiental. isto é. pois à medidaque estes incorporam tais valores.de revermos nossas atitudes em relaçãoao meio ambiente. a resposta para um futuro sustentável está noreconhecimento do mundo vivido e de que “em nossa inteiradiversidade somos unidade”. a revisãodas grades curriculares e dos conteúdos de ensino a fim de induzir osestudantes a uma visão crítica de seu papel na sociedade comofuturo profissional atuante no mercado de trabalho. aumentar a produtividade com distribuição equitativa derendas e evitar desperdício de capital” (Casagrande. em sua vida profissional. 2 Novas Relações de Trabalho no mercado Globalizado .procurarão desenvolver projetos que diminuam os impactosambientais negativos.Concluindo. s/d).Para isso faz-se necessário a capacitação de professores.

muitas vezes com total desrespeito ao direito legislado. gerando novas formas de contratação. Ou seja. a contratação de prestadores de serviços individuais transformados em pessoas jurídicas e a terceirização de serviços. Daí surge à flexibilização do direito do trabalho. tendo em vista que o mercado consumidor tornou-se mais exigente em busca de alta qualidade e preços baixos. . contribuições e encargos trabalhistas. política e econômica. que passou a ser utilizada desenfreadamente. deixando a sua regulamentação para a negociação entre empregados e empregadores. razão pela qual. em que empresas optam por entregar a terceiros. muitas vezes a terceirização é objeto de fraude que o empregado aceita por falta de opção ou por uma proposta de salário nominal maior. que tem como reflexo a exploração do trabalhador. Para Euclides Alcides ROCHA. é o desvirtuamento da terceirização. que precarizam as relações de trabalho e abandonam sua função social. a execução de determinadas tarefas ou fases do processo produtivo".O mercado globalizado tem gerado grandes mudanças de ordem social. a TERCEIRIZAÇÃO representa "um processo de evolução dos meios de produção. afetando diretamente as relações de emprego. os patrões e empregados se valendo de aberturas oferecidas pela legislação não específica do trabalho para empreender outras formas de arregimentação de mão de obra: a formação de sociedades simples. disseminando a prática do mero fornecimento de mão-de-obra. de forma irretocável pelo referido autor. necessário em estágios do desenvolvimento econômico. O grande problema descrito. O contrato de trabalho guiado pelas regras da CLT — Consolidação das Leis do Trabalho gera uma grande carga de tributos.

com a obediência às ordens de um determinado sócio. mas pró-labore. Nesse caso o profissional tem autonomia no trabalho. podem caracterizar fraude. entretanto. Além disso. Na Sociedade Simples o objetivo social é a prestação de serviços.Quando o empregado terceirizado se submeter à subordinação (jurídica ou econômica). onde existe pessoalidade dos sócios. que não recebem salários. eis que a caracterização da subordinação jurídica. um compromisso com os interesses da sociedade.Uma alternativa mais moderna e que oferece maiores possibilidades ao trabalhador é a colocação do FUNCIONÁRIO NO QUADRO DE SÓCIOS DA EMPRESA. A Justiça trabalhista costuma entender que quando o individuo tem uma comissão na empresa em torno de 50% e faz o seu horário de trabalho. podendo ser processada criminalmente. na terceirização a prestação do serviço deve se caracterizar necessariamente como atividade meio e não atividade fim da empresa. se o suposto sócio for assalariado e tinha atividades controladas. sendo que estes últimos participam dos lucros. O limiar entre o que é legal e a fraude também é muito estreito. não terá vínculo empregatício reconhecido. em vez de empregados. a empresa tem sócios. formada por sócios de capital e sócios de trabalho. Em algumas situações a idéia do empregador é realmente a de fraudar a legislação. o vínculo trabalhista será reconhecido e fica configurada a fraude na terceirização. a empresa qualificou o empregado como sócio para burlar a legislação trabalhista praticando fraude. mas não dos riscos da empresa. e a impossibilidade de interferir dentro da empresa. e deve ter o ―ânimo‖ societário. ou seja. exclusividade e jornada determinada. .

explora o máximo possível dos trabalhadores para retirar o máximo de lucro e os trabalhadores acabam pagando a conta. com personalidade jurídica e contabilidade próprias. Desta forma. desde que não exercendo a mesma atividade. Novas relações de trabalho .Ademais o STF definiu que uma pessoa pode ter mais de um contrato com a empresa. Portanto. gerando a ―fraude na relação de emprego‖ que é justamente a utilização de artifícios ou contratos vários que tentam mascarar uma relação empregatícia existente na vida real. o seu trabalho do empregado é configurado como ―prestação de serviço‖ entre empresas e não relação de patrão e empregado. a fim de evitar as coações econômicas. para contornar impostos. Muito usada também. que certamente levaria várias pessoas a aceitarem abrir mão dos direitos sociais em troca de empregos. diante a essas novas questões e condições de trabalho. um de empregado e um de sócio ao mesmo tempo. ou seja. A empresa recebe a remuneração pelo trabalho e arca com impostos e contribuições. pois se este objetiva impedir a aplicação da legislação trabalhista é ‗nulo de pleno direito‘. Os patrões. não basta à previsão de um contrato para afastar o vínculo empregatício. que costumam ficar bem abaixo da soma dos encargos e contribuições trabalhistas. Porém. assim na demonstrada Fraude Trabalhista. é a CONTRATAÇÃO DO TRABALHADOR COMO PESSOA JURÍDICA. sem direitos trabalhistas e sem amparo legal. que passa a ser a titular do contrato de prestação de serviços à empresa contratante. o empregado cria uma empresa. cabe a Justiça do Trabalho abraçar o desafio de decidir à luz da CLT sem deixar de lado a complexidade e realidade social que se apresenta.

estando entre as maiores do Brasil neste segmento. criador da Catho. Com a vinda da internet sem fio. Isso pois o mercado está cada vez mais competitivo. hoje. afirmando que esta é responsável por acelerar as mudanças no mundo do trabalho e influencia de forma vital a procura de um novo emprego. agência de empregos online. mantendo um site pessoal para que todos possam analisar as qualificações do profissional. no máximo. exigindo novas qualificações. em muitas tarefas. podendo realizar suas tarefas em qualquer lugar que tenha tal serviço de internet. 7 meses. "Todas as grandes empresas hoje estão prontas para receberem currículos pela Web". não só está mais difícil de conseguir um emprego como também de se manter nele. Ele afirma que o profissional da atualidade deve estar em constante aperfeiçoamento e ligado à internet e redes sociais. Assim. O tempo médio que um profissional liberal especializado ficava desempregado era de.Trata-se de uma matéria realizada com Thomas Case. A autora da matéria delineia o impacto da tecnologia no trabalho. Este não mais necessita. afirma Renata. tem que ter uma presença na Web e ser coerente com seu perfil profissional". ganhou-se uma nova maneira de ver o trabalho. Para o fundador da empresa. houve uma revolução no mundo do trabalho e os profissionais mais antigos que não se adequam às novas tecnologias são . que o profissional esteja no espaço físico da empresa. entretanto. Segundo Case "O profissional não pode se esconder. este tempo passa dos 11 meses.

muito incentivado e bem visto atualmente. entre outras especializações. estando no conforto de sua residência. têm vagas aos milhares e em diversos setores. Com o surgimento da internet a sociedade sofreu uma grande revolução. as relações humanas se modificaram através da mobilidade dos aparelhos digitais e a facilidade em se obtê-los. Segundo a matéria. dominar amplamente as funções da rede de internet. Outro importante ponto a ser frisado é o de que em meio à mobilidade caótica que enfrentamos no Brasil. explica Case. Desta maneira. esta modalidade de trabalho se mostra como uma boa alternativa. o teletrabalho surge como uma rota de fuga em que um profissional consegue monitorar diversos afazeres ao mesmo tempo. entretanto a falta de mão de obra especializada faz com que o mercado fique atravancado. as empresas estão gradativamente eliminando os seus espaços físicos e buscando profissionais que dominem as formas de tecnologia para que trabalhem em casa. sabendo como manuseá-la. O profissional que se insere no mercado de trabalho atual deve. . surgindo o teletrabalho. a relação de trabalho também foi modificada. o tempo nas empresas durará menos cada vez mais". tudo está mais “próximo”.dispensados e trocados por funcionários mais jovens que sabem realizar as tarefas com o auxílio da tecnologia. mas devido às mudanças. Com esta nova etapa "não vai haver um fim do emprego. o chamado teletrabalho. Sites de busca de emprego como o citado acima. como todas as demais áreas da vida humana. Assim.

algumas críticas ao teletrabalho e a maneira com que as empresas vêm se comportando diante destas novas tecnologias devem ser feitas. caso a empresa precise de um serviço seu. lugar de construção da identidade da "consciência de classe" e da unidade dos trabalhadores. no “conforto do seu lar”. Leis trabalhistas são flexibilizadas. era o eixo e o centro da produção capitalista industrial de mercadorias. porém. agora ele trabalha vinte e quatro horas. a empresa do século XIX. deve estar a serviço da empresa a qualquer hora do dia. nos primórdios da revolução industrial. Um profissional que trabalha em casa. esta nova empresa. "lugar" de trabalho no século XXI. Esta fábrica. Antes se o sujeito trabalhava oito horas por dia dentro do espaço físico da empresa. troca-se os empregados periodicamente. este deve ser feito de imediato não importando o horário. . porém tendo de cumprir metas rigorosas. A empresa. Novas relações do trabalho e a empresa A fábrica. assim.Entretanto. Por trás de todo este avanço tecnológico e “possibilidades” dadas ao trabalhador está o interesse econômico. transfere os gastos quem tem com o seu espaço físico para o profissional. ou seja. as relações/direitos trabalhistas e as novas tecnologias devem ser vistas sob o mesmo prisma e com muito cuidado para que o abismo da desigualdade social não cresça ainda mais. pois tudo será feito através da rede. que antes trabalhavam a vida toda em uma única empresa. agora pulam de “galho em galho” para poderem se sustentar. sem horários definidos. Funcionários. Neste sentido.

na perspectiva da teoria social. tanto para o trabalhador. sua fonte de poder. a natureza das relações que nele se desenvolviam tendem a mudar"(CASTELLS. 406-452). sua referência espacial territorial. o que queremos destacar no foco desta abordagem. Sublinhamos aqui também a importância . no "balanço social". ou seja. como eventualmente para a empresa privada com Ética social e para a sociedade. que tem relação com a empresa neste quadro de mudanças. Nesta plano. não é o "lugar onde se realiza o trabalho". É valorizado. Este "lugar". já não é similar à empresa capitalista clássica. Se o espaço físico. representação e identidade de trabalhador frente a sua referência: o capital e a empresa. comparativamente. pois é nele onde se expressa uma relação social e a conseqüente gestação da identidade e consciência. é que o trabalho associado também pode constituir-se. ainda que não essencialmente sua natureza no marco atual de produção. Essa mudança de lugar tirou a base de socialização do trabalho. o "lugar" onde se realiza o trabalho. distribuição e acumulação.muda radicalmente seu perfil. p. é o da "geografia do trabalho". diversidade e peculiaridades. em um fator positivo frente ao trabalho clássico subordinado. 2000. mas o "lugar onde se organiza o trabalhador" para chegar ao mercado de trabalho. no caso do trabalho associado. Assim. territorial muda. nossa tese é de que o "lugar" estratégico. mercado. Tal questão tem a ver também com a organização. Um dos aspectos acima mencionados. como vimos em relação ao trabalho temporário. Este espaço já foi muito valorizado.

O lugar se torna uma comunidade com autoestima. auto identificação. 164 e 176). debilitando a identidade e coesão social. na empresa e no trabalho. uma ligação social a partir da consciência da mútua dependência e o reconhecimento dos limites.. a elaborar comunicação com mais fundamento e . é significativo o resgate do local na política. um regime que não oferece aos seres humanos motivos para ligarem uns para os outros não pode preservar sua legitimidade por muito tempo. Se o local clássico na empresa perde seu significado pela reestruturação e flexibilidade. p. como ela serve mais a interesses cívicos que apenas ao livro-caixa de lucros e perdas.. Este destino partilhado gera laços de confiança a partir justamente da crise e do fracasso. Outro elemento que conforma o "pano de fundo" da viabilidade do trabalho associado como forma de inserção de qualidade superior é o entendimento de que a crise e o conflito obrigam a busca de respostas.do tema da autonomia e o da administração do tempo. "O esforço para controlar de fora o funcionamento do novo capitalismo precisa ter um raciocínio diferente: deve perguntar o valor da empresa para a comunidade. 2001. o desafio do capital global e a consolidação do trabalho local. As idéias de que padrões externos podem gerar mudanças internas valorizam o papel da comunidade local no estilo de empresas e desenvolvimento(SENNET. Algumas idéias-força sobre a empresa e suas relações com a comunidade reforçam o entendimento da importância sobre o papel do local.

à pessoa e não ao emprego. as quais justamente definem que o novo espaço de estabilidade no trabalho não é mais no local de trabalho.Os "modelos de empresas" voláteis no atual contexto econômico e a adequação para uma relação de trabalho de novo tipo. .A "flexibilidade organizativa" do trabalho associado em cooperativas permite ao trabalho organizado situar-se no mercado dinâmico. É este um dos temas que evidencia a prática e experiência das cooperativas de trabalho. Avaliar a natureza do contrato de trabalho que legitima uma relação entre capital e trabalho no "mercado de trabalho" consolidando a subordinação.negociar caminhos de resultados coletivos. como uma resposta do trabalho e do local à pressão da economia global. ou seja. um "modelo contratual de trabalho associado" c. mas o local onde as pessoas se organizam para relacionar-se com o novo mercado de trabalho. Nas relações entre o trabalho e a empresa privada deverão merecer a atenção específica outros eixos. d. b. ou seja. e não aos vínculos empregatícios. tais como: a.As novas formas de trabalho exigem que as proteções estejam atreladas às pessoas.A questão do contrato como base da sociedade. negociando o ganha-ganha.

Mas. justificou. em uma época de crise do capitalismo. foi também a social-democracia que. universalização da educação. Sua referência é a social democracia européia que. ampliação do sistema de proteção social. teve de ceder à pressão dos trabalhadores organizados. A partir daí se tornam pragmáticos e reformistas e apostam na possibilidade de dividir o poder político com os capitalistas.Globalização e os movimentos sociais resultado econômico e social mundial não podia ser mais desastroso. I – Introdução É importante deixar claro que estamos aqui discutindo do ponto de vista da militância que está preocupada em entender a sociedade a partir do olhar do povo explorado e oprimido. criação do seguro-desemprego. entre outros. com algumas poucas exceções. 100 mil pessoas morrem de fome por dia. Defenderam práticas de tortura e limitaram as liberdades democráticas na . dos que nunca tiveram vez e nem voz. Esta observação é importante em uma época como a atual. mais de 15% da classe trabalhadora estão desempregadas. que obtiveram grandes avanços sociais: voto censitário como direito universal. apoiou e facilitou a carnificina de milhões de pessoas pelo mundo todo. metade da população do Planeta passa fome. Organizaram ou defenderam guerras na Indochina. Em 2006. Indonésia e Argélia. Malásia. quando boa parte da militância da esquerda histórica não acredita ser mais possível uma sociedade sem classes. redução da jornada de trabalho.

Apoiaram as diversas ditaduras na América Latina. ampliando as bases internacionais do capitalismo. O mercado não é mais o espaço de compra e venda. transformando-os a sua imagem e semelhança. com as novas . O que tem de novo na globalização? O ponto de partida é a internacionalização da economia com o crescimento do comércio e do investimento internacional mais rápido do que o da produção conjunta dos países. com a crise do capitalismo a partir dos anos 70. é necessário garantir a mobilidade do capital financeiro especulativo e o enfraquecimento dos estados nacionais com a perda de sua soberania. apoiaram e organizaram as políticas de austeridade monetárias e fiscais que tiveram como conseqüência o desmantelamento do Estado social. onde o mercado passa a ser visto como o local privilegiado para se realizar a coerência social das múltiplas ações individuais. Para isto. Protegeram o regime da apartheid na África do Sul. E. buscando homogeneizar os espaços. Indonésia. mas onde vai se realizar o equilíbrio das ações sociais. Novo conceito necessário nesta discussão: neoliberalismo. Dois são os protagonistas relevantes no jogo de poder da economia mundial: as empresas multinacionais e alguns estados. desde o período das colônias passando pelo imperialismo. Sabemos que o Modo de Produção Capitalista sempre buscou a estratégia de integrar a produção e o consumo.Índia. E. Egito. II .Globalização neoliberal. Algo totalmente novo? O que é a globalização? Globalização expressa a idéia do mercado mundial. que ajudaram a construir. até a época atual. Iraque e Singapura.

buscando a retirada do poder regulatório do Estado Nacional. ao menor poder regulatório por parte das sociedades nacionais . Este projeto teve seu inicio em 1971. onde o espaço-tempo global é instantâneo. educação. água. . com quem. 4 – Liberalização financeira. através da qual o Estado deve limitar seus gastos à arrecadação. com maior peso nos impostos indiretos e menor progressividade nos impostos diretos. Os seres humanos têm o seu valor rebaixado no mercado e os que não tem valor são excluídos. em todos os paises as legislações. para quem. Em outras palavras. em Davos na Suíça. saúde e infraestrutura. eliminando o déficit publico. no México. Daí. 2 – Focalização dos gastos públicos em educação.poder que necessariamente tinha que reconhecer as demandas de uma pluralidade de grupos sociais corresponde maior poder regulatório por parte do grande capital. mesmo bens como saúde. 3 – Reforma tributária que amplie a base sobre a qual incide a carga tributária. que decide o que produzir. energia e conhecimento são transformados em mercadorias. com a cessação de restrições que impeçam instituições financeiras internacionais de atuar em igualdade com as nacionais e o afastamento do Estado do setor. em grandes linhas: 1 – Disciplina fiscal. com que tecnologia. vejam o caso das empresas maquiadoras. e foi assumido posteriormente pelo Banco Mundial. a partir dos princípios já desenvolvidos por Hayek e Friedman em resposta as políticas keynesianas pós a II Guerra Mundial. Propunha. a necessidade de igualar. Como exemplo. Aprofunda o capitalismo e. A globalização neoliberal ergueu o mercado como um novo deus. tornou-se incompatível qualquer controle social sobre suas decisões. As mulheres são as mais intensamente atingidas.tecnologias.

visando a impulsionar a globalização da economia.Valorização da propriedade intelectual. Estas idéias vão ser inicialmente aplicadas no Chile de Pinochet e. 8 – Privatização. c) Retomada do crescimento pela adequada alocação dos recursos produtivos. naquele momento. redução do setor público-estatal ao mínimo. 7 – Eliminação de restrições ao capital externo. a partir dos anos 80. mas obviamente de forma muito mais direta para os países periféricos e especialmente para os da América Latina que. com venda de empresas estatais. em um encontro coordenado pelo vice-presidente do Banco Mundial. com redução da legislação de controle do processo econômico e das relações trabalhistas. vão servir de orientação para o mundo. Estas orientações são organizadas em 3 etapas para sua implantação: a) Estabilização: com prioridade de conseguir um superávit fiscal e uma ampliação das reservas internacionais. permitindo investimento direto estrangeiro. eram os países mais endividados da zona de hegemonia norte-americana.5 – Taxa de cambio competitiva. 10. b) Reformas estruturais: abertura. John Williamson. com redução de alíquotas de importação e estímulos à exportação. 6 – Liberalização do comércio exterior. privatização. Aliás. No mundo desenvolvido a intensidade de aplicação destes . 9 – Desregulacão. A idéia aqui contida é que o mercado dará conta desta retomada via exportação. Em 1989 em Washington. o Consenso de Washington diz respeito à visão norte-americana sobre a condução da política econômica no mundo inteiro. passa a ser uma determinação para os paises da América Latina. desregulamentação.

dar conta da continuidade do processo de acumulação. Malásia. e de outro.preceitos irá ser bem menor. O Estado não precisa crescer. a fragilizacao do Estado foi tão intensa que até para se fazer as políticas compensatórias haviam dificuldades. É também aqui que se integram centenas de militantes dos movimentos sociais que através das ongs passam a assumir parte das políticas públicas. de um lado. o estímulo à constituição de ONGs e OSCIPs que. buscando maior eficiência. Portanto. dentre outros que são exatamente os paises que atualmente puxam o crescimento. focalizar os maiores problemas e fazer políticas especificas. reúnem-se novamente no Consenso de Washington II para uma avaliação e concluem que o objetivo da acumulação de capital estava sendo ameaçado pela intensa exclusão social. E um aperfeiçoamento do neoliberalismo: mantém o modelo que exclui e desenvolve políticas públicas para amenizar a exclusão. e o Bolsa Família – amenizar a pobreza extrema e a enorme concentração de renda. juntamente com o Estado. o Estado tem de ser forte para. Além disto. tinham que amenizar as contradições se não quisessem ver a falência do modelo (a lógica de dar os anéis para não perder os dedos). Japão. China. ser eficiente nas políticas sociais. Na África. mas deve buscar parcerias que possam fazer as políticas sociais localizadas e compensatórias com mais eficiência. III – Resultados da Globalização . buscariam atuar onde os problemas são maiores. Neste sentido. Nesta nova situação. como Índia. ao mesmo tempo que mantém a população dependente ―eternamente‖ de programas de políticas compensatórias. outros paises não o seguem. É nesta lógica que está o PROUNI – amenizar as contradições dos jovens. Isto é. Em 1998.

mais de 15% da classe trabalhadora está desempregada. Dow. que exploram a produção e venda de agrotóxicos. atualmente. Dupont. Em paises ricos como Franca. das quais 80% estão na China. sendo que o degelo dos últimos 17 anos é equivalente aos mil anos anteriores. BASF. Na área de biotecnologia. Os efeitos vão muito além do plano econômico e social. Amplia-se o aquecimento global. O mundo tornou-se propriedade particular de meia dúzia de empresas. Sumitomo. considerada a maior empresa do mundo. As dez maiores empresas farmacêuticas e de produtos veterinários respondem por 59% do mercado mundial. juntas. O planeta está se esvaindo. Syngenta. A concentração de renda se amplia. Monsanto. é de 74 para 1 e não pára de crescer. A floresta amazônica está sendo destruída especialmente pelo estimulo a política agromineroexportadora. Se no final da Segunda Guerra Mundial a relação entre o Norte e o Sul era de 30 para 1. Na produção de sementes.O resultado econômico e social mundial não poderia ser mais desastroso. Koor. No ramo de supermercado. metade da população do planeta passa fome. o Wal-Mart. 100 mil pessoas morrem de fome por dia. A distância entre os países ricos e pobres cresceu assustadoramente. Em 2006. por exemplo. concentram 84% das vendas globais. tem seis mil fábricas produzindo para ela. Nufarm e Arista. O patrimônio das mil pessoas mais ricas do mundo em 2007 seria suficiente para pagar a divida externa dos paises empobrecidos. a concentração da produção é ainda maior: as dez maiores empresas são donas de 73% das vendas realizadas em todo o mundo. Nos EUA. . A Bayer. a Monsanto controla 90% das sementes transgênicas do globo. os gerentes das grandes corporações ganham em media 15 mil euros por dia ou 430 vezes o salário médio dos trabalhadores. 15% da população é pobre ou miserável.

desregulação. fragilização do Estado. abertura indiscriminada das economias nacionais. fraturado por séculos de colonização. Dois terços desse contingente são de mexicanos. para 26 milhões. atingindo quase 300 mil por ano. em 2006. um significativo aumento do número de migrantes.7 % da população no continente). o NAFTA. desestruturação do mercado de trabalho e emigrações acentuadas caracterizam o cenário latinoamericano desde os anos 90. Privatizações. nos primeiros cinco anos do terceiro milênio. sendo 79 milhões de indigentes (14. o número de latino-americanos cruzando a fronteira hoje é duas vezes maior que há dez anos. Guatemala. De acordo com os dados do Centro Latino-Americano e Caribenho de Demografia (CELADE). passando de 21 milhões. em 2000.Esgotam-se as fontes de energia renováveis.5% da população na região). El Salvador. as remessas recebidas de . inserção subordinada na economia internacional. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). em 2005. Na América Latina. a globalização neoliberal ganhou corações e mentes da população. Segundo o Instituto de Política de Imigração dos EUA. houve na América Latina e no Caribe. ataques aos direitos dos trabalhadores. por ditaduras e pela desigualdade social. com resultados devastadores: o continente. Um dos indicadores perversos da deterioração social foi à intensificação da migração. sendo assim levado ao fundo do poço. Vejam o que aconteceu com a Argentina a partir de suas privatizações extremadas e no México com o acordo de livre comércio. torna-se o laboratório ideal. os latino-americanos que viviam em situação de pobreza chegavam a 205 milhões (38. Em alguns países como Equador. República Dominicana e o México.

em maior ou menor grau. no México. passou-se a uma defesa do Estado e dos seus instrumentos como um agente importante na indução do crescimento econômico A Venezuela. com exceção de Chávez. por muito pouco (ou por fraude). E. transformam os paises subdesenvolvidos em meros exportadores de commodities. IV – Nem tudo está perdido A reação à crescente fratura social do continente não tardou e mudanças políticas na América Latina começam a ocorrer. não foi eleito Manuel López Obrador. A abertura ao capital internacional e a abertura comercial.Lula. a Bolívia e o Equador foram os países que mais aprofundaram esse processo. Não é gratuito que os três países alteraram ou vêm alterando a sua .parentes do exterior representam parcela significativa do dinheiro em circulação e influenciam o PIB do país. O novo mapa político do continente demonstra uma inflexão na tendência até então hegemônica de orientação dos princípios originais do modelo neoliberal. Os resultados eleitorais mais recentes. isto e. A mudança mais significativa foi à revisão do papel do Estado nas economias nacionais. apontam a eleição de vários presidentes . Néstor Kirchner. Tabaré Vázquez. Michele Bachelett . Em todos os países. Evo Morales e Rafael Correa. perpetuando a condição de dependência frente ao mundo. Críticas mais profundas estão por trás das vitórias de Hugo Chávez.que se elegeram criticando o neoliberalismo originário. Morales e Correa. os outros vão seguir o consenso de Washington II. não tocam nos princípios gerais e amenizam as contradições através de políticas sociais compensatórias. mas.

novos valores.Os novos atores sociais O movimento operário. há uma retomada do papel do Estado para fazer as políticas sociais compensatórias (caso da Bolsa Família no Brasil e do bônus social na Argentina). em outros casos. Transformam valores necessários como o de melhorar ou salvar uma vida humana no presente. constitui-se como o principal movimento social e como principal articulação contra a ofensiva do agronegócio. atrelados ao poder e. dentre outras coisas. já que não mais acreditam em transformação. afirma o presente e aposta em pequenas melhorias. em alguns casos. com serviços médicos. fazem do pragmatismo humanitário neoliberal uma opção ideológica. O movimento camponês é outro ator social relevante nas lutas latino-americanas. Também é retomada a luta por . jurídicos. odontológicos. V . O movimento quilombola passa a assumir uma importância nas lutas sociais. tem seus sindicatos fragilizados e. O principal deles é o movimento indígena. Nos outros paises. não mais pensando em mudanças mais profundas. com as profundas alterações no mundo do trabalho com o advento do neoliberalismo. Particularmente no caso brasileiro. como princípio motor de suas ações futuras. Esta ―esquerda pragmática‖. transformados em agências de emprego e de auxilio aos seus filiados.Constituição para mudanças que visam uma maior distribuição de renda. empréstimos consignados. Assim. em novas formas de vida. Trocaram os projetos ideológicos de outrora pela administração do sistema na medida em que aceitam os fatos do dia-a-dia como medida do seu agir e pensar. A Argentina e o Chile iniciaram ainda uma revisão na privatização do seu sistema previdenciário. Mas novos atores sociais se impõem neste processo.

ficando de costas para questões hoje prementes e mesmo indispensáveis. contra a ocupação do Iraque. O que é decisivo é a economia. entre o cerradinho e a soja. da Reserva Raposa Serra do Sol. mas não decisiva. desigual e pouco tolerante. denunciando e questionando uma sociedade que é autoritária. como é o caso das questões ambientais.moradia. cada vez mais transnacional e concentrador de . O movimento das mulheres. tem perspectivas que vão muito além dos empreendimentos do grande capital. Estão entre aqueles movimentos que se colocam à frente de seu tempo histórico. da transposição do São Francisco. ele fica com a soja". como dizia Keynes. ―a longo prazo todos estaremos mortos‖. interpelando. O ambiente e uma questão importante. nao tenham dúvida de que isto vai ser feito. vão para além da esfera econômica e atuam promovendo rupturas nos arquétipos estruturados na sociedade. dos trangênicos. Portanto. nas palavras de seu assessor Gilberto Carvalho. pela sua própria natureza. Daí porque pessoas como o Lula ―tem a cabeça do peão do ABC". e por isso importa o lucro aqui e agora. se cortar a floresta amazônica para vender a madeira e colocar gado for lucrativo e ajudar no crescimento do PIB. das usinas hidrelétricas. e mesmo pela paz ao organizar um processo como o Fórum Social Mundial. rompendo com preconceitos profundamente arraigados. Reproduz assim a lógica histórica do capitalismo. Já os movimentos sociais que fazem a luta em torno dos temas do etanol. o ambiental e o homossexual. Seu assessor reconhece quando diz que ―ele acha importante a preservação mas. O núcleo da preocupação do presidente "é com emprego e salário‖. enquanto movimentos antiglobalização puxam lutas históricas contra o livre comercio.

do . com os sem-terra. despertando o seu medo de perder ganhos. os usineiros são os grandes heróis da atualidade. com os índios. São eles que impelem. E a militância histórica da esquerda que está no governo se limita a discutir as casas decimais da meta inflacionária. significa um entrave ao desenvolvimento. interpelam e provocam rupturas nas estruturas conservadoras da sociedade. Pretendem assim atrair os setores de classe média. Estamos na lógica oposta à do Governo Lula que já manifestou que se preocupar com os pobres. que dado o caráter perturbador dos novos movimentos sociais. Mais ainda: é o movimento social que alerta para o caráter da crise civilizacional em que estamos metidos ao chamar a atenção para o fato de que o planeta Terra não suporta a pressão a que está submetido. na relação harmônica com o meio ambiente e não em sua destruição. Não surpreende portanto. no sentido de que mexe com as estruturas conservadoras e concentradoras de renda. A criminalização dos movimentos sociais normalmente vem seguida de ações violentas por parte das forças da direita. de quem pretende construir uma sociedade pautada na solidariedade e não na competitividade. com os quilombolas. levam a uma reação dos setores conservadores quem buscam criminalizar os movimentos.renda. Além disto. Os que defendem a intocabilidade do Estado de Direito são os primeiros que o violam. com os atingidos por barragem. para ele. VI – Conclusão Estamos aqui dialogando sobre o prisma de quem pretende uma mudança desta lógica do modelo neoliberal. é incontestável o papel civilizatório dos movimentos sociais. Para nós.

deveria ser orientado por duas idéias básicas: 1) deslocar o eixo da lógica da acumulação do lucro pelo lucro para a lógica do bem estar social. Como diz Fiori. a América do Sul. a globalização em um mundo confuso e confusamente percebido. Portanto. Ou ainda o crescimento ridículo que tem acontecido. grupo onde o Brasil se situa. Necessário reconquistar os corações e as mentes dos povos do mundo para um novo projeto de cunho esquerdista.4% .9%. o mundo como ele pode ser: uma outra globalização‖. sequer buscam comparar a situação atual do Brasil com o restante do mundo.7%. o real e o possível. no livro "Por Uma Outra Globalização".4% e o mundo. "O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula. Dentro desta mesma lógica. comparando-o com o período anterior. . O nosso projeto é o do terceiro enfoque do Milton Santos.5% e os emergentes. entre 2003 e 2006 o Brasil cresceu 3. Devemos apostar na construção de um projeto político que. recuperando a confiança na esquerda. 4. Trabalhando com os anos de Lula. é o socialismo macroeconômico. E ficam alardeando que ―nunca antes no Brasil se cresceu tanto. e 2) incentivar a cooperação e solidariedade entre os povos. deve ser considerada a partir de três enfoques: o mistificado. cresceram 6. nunca antes etc. o Brasil está ficando para trás. o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade.‖.7% sendo que a América Latina cresceu 4. e o terceiro. O mundo cresceu 5. os indicadores não seriam tão favoráveis: o Brasil em 2006 cresceu 3.isto sem falar no Chile.superávit e das taxas de juros. No entendimento de Milton Santos. nunca antes teve tanta distribuição de renda.7%. pois aí. Argentina ou Venezuela. 5.

Este é o nosso desafio. .

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