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www.africamonitor.net Ano VIII – Fundado 14.Mar.2005 Nº 742 o 21.Março.2013 Editor: Xavier de Figueiredo Breves

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Ano VIII – Fundado 14.Mar.2005

742 o 21.Março.2013 Editor: Xavier de Figueiredo

Breves

» O abandono por parte da Sonangol do projecto com vista à criação de um banco de desenvolvimento luso-angolano, em parceria com a CGD (Caixa Geral de Depósitos), foi determinado por uma “nova estratégia” de investimentos da companhia – que no essencial restringe as suas iniciativas directas em sectores não petrolíferos. A decisão da Sonangol foi igualmente facilitada pela sua conjugação temporal com dificuldades de capital da CGD para pôr em marcha o projecto – delineado em 2009 (AM 361) e no qual seriam investidos USD 400 milhões. A “nova estratégia” da Sonangol foi formalmente adoptada pela actual administração, mas sob recomendação das próprias autoridades, aparentemente pressionadas por problemas de liquidez.

Angola com risco político “médio elevado”

Pesquisa

Angola é identificada como país de risco político “médio elevado” num ranking da Aon, empresa de gestão de risco e correctora de seguros, dedicado aos chamados emergentes. Entre os elementos de risco que a Aon associa à realidade de Angola avulta “a incerteza dos assuntos relacionados com a sucessão presidencial”. Outros factores: acentuada dependência da economia em relação ao petróleo e supremacia plena desta em relação aos outros sectores, considerados “marginais”; incipiência das infraestruturas, apenas parcialmente melhoradas por fortes investimentos chineses; problemas legais e regulatórios (lacunas e insuficiências); alto nível de controlo da economia por parte da elite política; falta de mão de obra qualificada; corrupção, nepotismo e burocracia – factores descritos como perturbadores do ambiente de negócios e de acesso a capital; coesão social débil, devido a divisões étnicas e tribais e a uma atitude negligente em relação ao interior do país, com a riqueza concentrada em Luanda. A Guiné-Bissau é, entre os países de língua portuguesa, aquele ao qual a Aon associa mais pronunciado risco político – em especial devido à sucessão de golpes e à pobreza extrema que atinge 80% da população. A relação entre a chamada “questão da sucessão presidencial” e a imprevisibilidade política associada a Angola é comumente partilhada em análises e avaliações (AM 563/629) de origem diversa. Persistem dúvidas (AM 741) acerca do pensamento interior de José Eduardo dos Santos (JES) em relação à sua substituição – uma realidade considerada “nociva” tendo em conta características do regime, entre as quais o centralismo na pessoa de JES e o culto da sua personalidade.

Angola

Falta de mercado norte-americano prejudica LNG

Pesquisa e análise

1 . Os atrasos registados na entrada em funcionamento da unidade de processamento de

gás, Angola LNG, Soyo, são essencialmente devidos a razões de mercado, não previstas à data de lançamento do projecto. As razões usualmente apresentadas, técnicas ou de

concepção do projecto, são inexistentes e/ou de importância menor.

Na

decisão de construir a fábrica e no seu dimensionamento foi determinante a previsão

de

que a sua produção teria como principal mercado os EUA – então deficitário em gás.

O

início da produção em larga escala de gás de xisto nos EUA, permitiu, porém, atingir

um estado de autosuficiência, com tendência para geração de excedentes.

As

mudanças que nos últimos 3 anos alteraram substancialmente os termos do mercado

de

gás dos EUA retiraram “racionalidade” aos contratos celebrados com a Angola LNG

para o fornecimento de gás. A produção do gás de xisto atingiu grandeza próxima dos 2.000.000 bpd, com tendência para aumentar e permitir a sua exportação.

O gás de xisto apresenta em relação ao gás associado ao petróleo, do tipo que a Angola

LNG vai processar (não é gás natural), vantagens consideradas apreciáveis, nomeadamente em termos de preço, riscos de produção e mesmo em matéria de qualidade (níveis mais elevados de combustão).

A extracção de gás do xisto (gás considerado não convencional), é tecnicamente

possível desde há cerca de 20 anos. Mas só recentemente, com o emprego adaptado e aperfeiçoado de uma técnica, “fracking”, desde há ca de 10 anos já utilizada na indústria extractiva do petróleo, a produção se massificou.

2 . A fábrica de gás liquefeito do Soyo, descrita como uma das mais modernas do

mundo, deveria ter entrado em funcionamento em Mar.2012, mas tal não só não aconteceu nessa altura como em datas posteriores. As razões dos adiamentos, nunca claramente expostas, deixaram sempre intuir que eram devidas a problemas técnicos.

A convicção generalizada de que a razão dos adiamentos decorria de problemas

técnicos, era influenciada pelo carácter evasivo das informações oficiais sobre o assunto, mas também por rumores/especulações sobre a ocorrência de problemas técnicos na montagem e fase de testes.

A unidade do Soyo foi concebida e montada pela Bechtel, uma companhia norte-

americana com firmados créditos internacionais. Projectou, construiu e montou em todo o mundo várias fábricas de processamento de gás – não havendo notícia de problemas

de

vulto em nenhuma.

O

consórcio constituído para o lançamento do projecto da Angola LNG é liderado pela

Chevron, com 36,4%. Agrega a Sonangol, 22,8%, Total, BP e ENI, cada uma com

13,6%.

3. Conforme pontos de vista abalizados há condições favoráveis para a Angola LNG encontrar novos compradores para a sua produção de gás liquefeito. O impasse no

arranque da fábrica, atribuído a problemas técnicos, traduz, antes, um “compasso de espera” destinado a encontrar novos compradores e negociar contratos.

O gás a produzir no Soyo é exportado em estado líquido – o que implica a existência nos mercados de destino de capacidade tecnológica para a sua conversão em gás utilizável para diferentes fins – industriais e domésticos. Os EUA dispõem dessas capacidades.

FIM

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