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Comércio Internacional

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Sumário

Capítulo 1 — Políticas Comerciais, 11

1. Histórico das Políticas Comerciais, 11

1.1 Apresentação, 11

1.2 Síntese, 11

2. Teoria Mercantilista e Teoria das Vantagens Absolutas, 13

2.1 Apresentação, 13

2.2 Síntese, 13

3. Teoria das Vantagens Comparativas e Teorema Hecksher-Ohlin, 14

3.1 Apresentação, 14

3.2 Síntese, 14

4. Teorema Hecksher-Ohlin-Samuelson e Teorema Stolper-Samuelson, 16

4.1 Apresentação, 16

4.2 Síntese, 16

5. Protecionismo e Liberalismo, 18

5.1 Apresentação, 18

5.2 Síntese, 18

6. Teoria da Substituição de Importações, 19

6.1 Apresentação, 19

6.2 Síntese, 19

7. Proteção à Indústria Nascente e Deslealdade Comercial, 21

7.1 Apresentação, 21

7.2 Síntese, 21

8. Outras Justificativas para a Adoção de Práticas Protecionistas, 23

8.1 Apresentação, 23

8.2 Síntese, 23

9. Benefícios do Livre Comércio, 26

9.1 Apresentação, 26

9.2 Síntese, 26

10. Barreiras Tarifárias e as Barreiras não Tarifárias, 27

10.1 Apresentação, 27

10.2 Síntese, 27

Capítulo 2 — Organização Mundial do Comércio, 29

1. A Criação do GATT e as Sucessivas Rodadas de Negociação, 29

1.1 Apresentação, 29

1.2 Síntese, 29

2. Objetivos e Funções da OMC, 31

2.1 Apresentação, 31

2.2 Síntese, 31

3. Estrutura Institucional da OMC, 32

3.1 Apresentação, 32

3.2 Síntese, 33

4. O GATT e a Cláusula da Nação mais Favorecida, 35

4.1 Apresentação, 35

4.2 Síntese, 35

4.3 Art. I do GATT: Cláusula da Nação mais Favorecida, 35

5. Princípio do Tratamento Nacional, 36

5.1 Apresentação, 36

5.2 Síntese, 37

6. Os Artigos II, VI e VII do GATT, 38

6.1 Apresentação, 38

6.2 Síntese, 38

7. Os Artigos XI, XII, XVI, XVIII, XIX, XX e XXI do GATT, 40

7.1 Apresentação, 40

7.2 Síntese, 40

8. Acordos Regionais, 44

8.1 Apresentação, 44

8.2 Síntese, 44

9. O SGP e o SGPC, 46

9.1 Apresentação, 46

9.2 Síntese, 46

10. Aspectos Gerais sobre o Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços

(GATS), 47

10.1 Apresentação, 47

10.2 Síntese, 48

11. Principais Dispositivos do GATS, 49

11.1 Apresentação, 49

11.2 Síntese, 49

12. Regras de Origem da OMC, 51

12.1 Apresentação, 51

12.2 Síntese, 51

13. Sistema de Solução de Controvérsias da OMC, 53

13.1 Apresentação, 53

13.2 Síntese, 53

14. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento

(UNCTA) e a Organização Mundial de Aduanas (OMA), 55

14.1 Apresentação, 55

14.2 Síntese, 55

Capítulo 3 — Integração Regional, 57

1. A Teoria da Integração, 57

1.1 Apresentação, 57

1.2 Síntese, 57

2. Efeitos da Integração Regional, 59

2.1 Apresentação, 59

2.2 Síntese, 59

3. União Europeia, 60

3.1 Apresentação, 60

3.2 Síntese, 60

4. Integração Regional nas Américas, 61

4.1 Apresentação, 61

4.2 Síntese, 61

5. Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), 63

5.1 Apresentação, 63

5.2 Síntese, 63

6. Comunidade Andina de Nações (CAN), 64

6.1 Apresentação, 64

6.2 Síntese, 64

7. MERCOSUL: Origens e Objetivos, 65

7.1 Apresentação, 65

7.2 Síntese, 66

8. A Estrutura Institucional do MERCOSUL, 67

8.1 Apresentação, 67

8.2 Síntese, 67

9. O Atual Estágio de Integração do MERCOSUL, 69

9.1 Apresentação, 69

9.2 Síntese, 69

10. As Exceções à Tarifa Externa Comum do MERCOSUL, 70

10.1 Apresentação, 70

10.2 Síntese, 71

11. Regime de Origem do MERCOSUL, 72

11.1 Apresentação, 72

11.2 Síntese, 72

12. Sistema de Solução de Controvérsias do MERCOSUL, 73

12.1 Apresentação, 73

12.2 Síntese, 73

Capítulo 4 — Práticas Desleais de Comércio e Defesa Comercial, 75

1. Diferença entre Práticas Desleais de Comércio e Medidas de Defesa Comercial, 75

1.1 Apresentação, 75

1.2 Síntese, 76

2. Dumping, Valor Normal e Preço de Exportação, 77

2.1 Apresentação, 77

2.2 Síntese, 77

3. Forma de Apuração da Margem de Dumping, 78

3.1 Apresentação, 78

3.2 Síntese, 78

4. Medidas Antidumping Provisórias, Revisão das Medidas Antidumping e Legislação Anticircunventiom, 80

4.1 Apresentação, 80

4.2 Síntese, 80

5. Subsídios e Medidas Compensatórias, 81

5.1 Apresentação, 81

5.2 Síntese, 81

6. Medidas de Salvaguarda, 83

6.1 Apresentação, 83

6.2 Síntese, 83

Capítulo 5 — Práticas Desleais de Comércio e Defesa Comercial, 85

1. Visão Geral do Comércio Exterior Brasileiro, 85

1.1 Apresentação, 85

1.2 Síntese, 85

2. Principais Competências da CAMEX, 87

2.1 Apresentação, 87

2.2 Síntese, 87

3. Principais Competências da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), 89

3.1 Apresentação, 89

3.2 Síntese, 90

4. Principais Funções da SRFB, do BACEN e do MRE, 92

4.1 Apresentação, 92

4.2 Síntese, 92

Capítulo 6 — Controle Administrativo, 97

1. O SISCOMEX e o Conceito de Controle Administrativo, 97

1.1 Apresentação, 97

1.2 Síntese, 97

2. Controle Administrativo nas Importações, 99

2.1 Apresentação, 99

2.2 Síntese, 99

3. Hipóteses de Licenciamento não Automático, 101

3.1 Apresentação, 101

3.2 Síntese, 102

4. Controle Administrativo nas Exportações, 104

4.1 Apresentação, 104

4.2 Síntese, 104

Capítulo 7 — Sistema Harmonizado e Classificação Fiscal de Mercadorias, 106

1. O Conceito de Nomenclatura e Aspectos Gerais do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, 106

1.1 Apresentação, 106

1.2 Síntese, 107

2. Regras Gerais de Interpretação nº 01 e nº 02, 108

2.1 Apresentação, 108

2.2 Síntese, 108

3. Regras Gerais de Interpretação nº 03, nº 04, nº 05 e nº 06, 109

3.1 Apresentação, 109

3.2 Síntese, 109

4. Nomenclatura Comum do MERCOSUL, 111

4.1 Apresentação, 111

4.2 Síntese, 111

Capítulo 8 — Contratos Internacionais e INCOTERMS, 114

1. Conceitos Gerais sobre Contratos de Compra e Venda Internacionais e Garantias Aplicáveis a esse Tipo de Contrato, 114

1.1 Apresentação, 114

1.2 Síntese, 115

2. Principais Disposições da Convenção de Viena sobre o Contrato de

Compra e Venda Internacional, 117

2.1 Apresentação, 117

2.2 Síntese, 117

3. Aspectos Gerais sobre os INCOTERMS, 119

3.1 Apresentação, 119

3.2 Síntese, 119

4. INCOTERMS definidos na versão INCOTERMS-2010, 121

4.1 Apresentação, 121

4.2 Síntese, 121

Capítulo 9 — Pagamentos Internacionais / Seguro de Crédito à Exportação, 124

1. Pagamento Antecipado, Remessa sem Saque e Cobrança Documentária, 124

1.1 Apresentação, 124

1.2 Síntese, 125

2. Carta de Crédito, 126

2.1 Apresentação, 126

2.2 Síntese, 126

3. Seguro de Crédito à Exportação, 128

3.1 Apresentação, 128

3.2 Síntese, 128

Capítulo 10 — Valoração Aduaneira, 130

1. Origens e Princípios do Acordo de Valoração Aduaneira, 130

1.1 Apresentação, 130

1.2 Síntese, 130

2. Método de Valoração Aduaneira: Método por Valor de Transação, 132

2.1 Apresentação, 132

2.2 Síntese, 132

3. Ajustes de Valoração Aduaneira, 134

3.1 Apresentação, 134

3.2 Síntese, 134

4. Hipóteses de não Aplicação do 1º Método, 137

4.1 Apresentação, 137

4.2 Síntese, 137

5. 2º e o 3º Métodos de Valoração Aduaneira, 139

5.1 Apresentação, 139

5.2 Síntese, 140

6. 4º, 5º e 6º Métodos de Valoração Aduaneira, 141

6.1 Apresentação, 141

6.2 Síntese, 142

7. Valoração Aduaneira no MERCOSUL, 145

7.1 Apresentação, 145

7.2 Síntese, 145

Capítulo 11 — Regimes Aduaneiros Especiais, 149

1. Aspectos Gerais sobre os Regimes Aduaneiros Especiais, 149

1.1 Apresentação, 149

1.2 Síntese, 149

2. Regime Aduaneiro Especial de Trânsito Aduaneiro, 153

2.1 Apresentação, 153

2.2 Síntese, 153

3. Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária, 154

3.1 Apresentação, 154

3.2 Síntese, 155

4. Regime Aduaneiro Especial de Drawback, 156

4.1 Apresentação, 156

4.2 Síntese, 156

5. Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro na Importação, 158

5.1 Apresentação, 158

5.2 Síntese, 158

6. Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro na Exportação, 160

6.1 Apresentação, 160

6.2 Síntese, 160

7. Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF), 162

7.1 Apresentação, 162

7.2 Síntese, 162

8. Regimes Aduaneiros Especiais de Exportação Temporária e Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo, 163

8.1 Apresentação, 163

8.2 Síntese, 163

9. Regime Aduaneiro Especial de Loja Franca, 165

9.1 Apresentação, 165

9.2 Síntese, 165

10. Regimes Aduaneiros Especiais de Depósito Especial e o Depósito Afiançado, 166

10.1 Apresentação, 166

10.2 Síntese, 166

11. Regimes Aduaneiros Especiais de Depósito Franco e de Depósito Alfandegado Certificado, 167

11.1 Apresentação, 167

11.2 Síntese, 168

12. Zona Franca de Manaus, 169

12.1 Apresentação, 169

12.2 Síntese, 169

Gabarito, 171

Capítulo 1 Políticas Comerciais

Capítulo 1

Políticas Comerciais

1. Histórico das Políticas Comerciais

1.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será apresentado um Histórico das Políticas Comerciais, desde o Mercantilismo até os dias atuais.

1.2 Síntese

» O protecionismo consiste, como o próprio nome já diz, no estabelecimento de medidas de proteção à indústria nacional.

» Na Idade Moderna, os países utilizavam um modelo econômico denominado “mercantilismo”, que possuía como característica essencial o protecionismo.

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12

Segundo os mercantilistas, quanto mais ouro e prata um país possuísse em seu território, melhor seria.

» No final do século XVIII, surgem teorias liberalistas, que são um contraponto do protecionismo. Com a Primeira Guerra Mundial e, em seguida, com a crise da Bolsa de Nova York, as práticas protecionistas se tornam exacerbadas. »“Política de Empobrecimento do Vizinho”: baseada em “desvalorizações cam- biais competitivas”.

» Conferência de Bretton Woods (1944): visava instaurar uma nova ordem para regular as relações econômicas internacionais, impedindo o recrudescimento do protecionismo.

» Com as sucessivas Rodadas de Negociação, o protecionismo deixa de ser emi- nentemente tarifário e passa a ser não tarifário.

» Criação da OMC (1994).

» Cenário Atual: crise financeira internacional (2008) e “guerra cambial” geram recrudescimento do protecionismo.

Exercício

1. (AFRF / 2003) Sobre o protecionismo, em suas expressões contemporâneas,

é correto afirmar que:

a. tem aumentado em razão da proliferação de acordos de alcance regional que mitigam o impulso liberalizante da normativa multilateral.

b. possui expressão eminentemente tarifária desde que os membros da OMC acordaram a tarificação das barreiras não tarifárias.

c. assume feições preponderantemente não tarifárias, associando-se, entre outros, a procedimentos administrativos e à adoção de padrões e de controles relativos às características sanitárias e técnicas dos bens tran- sacionados.

d. vem diminuindo progressivamente à medida que as tarifas também são reduzidas a patamares historicamente menores.

e. associa-se a estratégias defensivas dos países em desenvolvimento frente às pressões liberalizantes.

Comentário: Com as sucessivas Rodadas de Negociação ocorridas desde

a assinatura do GATT 47, o protecionismo tornou-se eminentemente não tarifário.

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2. Teoria Mercantilista e Teoria das Vantagens Absolutas

2.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordadas a Teoria Mercantilista e a Teoria das Vantagens Absolutas.

2.2 Síntese

»

Mercantilismo: a riqueza de um país é determinada pela quantidade de ouro

e

prata que este possui em seu território.

»

Críticas ao Mercantilismo David Hume

»

A

Teoria das Vantagens Absolutas foi criada por Adam Smith e está descrita

em “A Riqueza das Nações”, publicado em 1776.

»

Segundo a Teoria das Vantagens Absolutas, cada país deverá se especializar na produção de bens em que seja mais eficiente. Isso possibilita redução de custos e aumento do bem-estar.

Exercícios

2. (AFTN / 1998) Indique a opção que não está relacionada com a prática do mercantilismo.

a.

O princípio segundo o qual o Estado deve incrementar o bem-estar nacional.

b.

O conjunto de concepções que incluía o protecionismo, a atuação ativa do Estado e a busca de acumulação de metais preciosos, que foram apli- cados em toda a Europa homogeneamente no século XVII.

c.

O comércio exterior deve ser estimulado, pois um saldo positivo na ba- lança fornece um estoque de metais preciosos.

d.

A

riqueza da economia depende do aumento da população e do volume

de metais preciosos do país.

e.

Uma forte autoridade central é essencial para a expansão dos mercados e

a proteção dos interesses comerciais.

Comentário: O mercantilismo não foi aplicado de forma homogênea em toda a Europa.

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3. (AFRF / 2000) A Teoria das Vantagens Absolutas afirma em quais condições determinado produto ou serviço poderia ser oferecido com:

a. preços de custo inferiores aos do concorrente.

b. preços de aquisição inferiores aos do concorrente.

c. preços final CIF inferior aos do concorrente.

d. custo de oportunidade maior que o do concorrente.

e. menor eficiência que o concorrente.

Comentários: O país é mais eficiente na produção de bens que tenham menor custo de produção.

3. Teoria das Vantagens Comparativas e Teorema Hecksher-Ohlin

3.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordadas a Teoria das Vantagens Comparativas e o Teorema Hecksher-Ohlin.

3.2 Síntese

3.2.1 Teoria das Vantagens Comparativas

» A Teoria das Vantagens Comparativas foi criada por David Ricardo.

» Essa teoria explica que o comércio internacional é possível mesmo quando um país é mais eficiente na produção de todas as mercadorias.

» Segundo essa teoria, cada país deverá se especializar na produção de bens em que seja relativamente mais eficiente.

» Conceito de Custo de Oportunidade: é o quanto se perde na produção de uma mercadoria ao se produzir uma unidade de outra. Custo de Oportunidade de A em termos de B é o quanto se deixa de produzir de A para produzir B.

» Segundo Haberler, cada país se especializa na produção de bens em que possua vantagem relativa, importando os bens que possuam maior custo de oportunidade.

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3.2.2 Teorema Hecksher-Ohlin

15

» O Teorema Hecksher-Ohlin explica o porquê um país se especializa na pro- dução de um bem.

» Segundo esse teorema, um país se especializa na produção de bens que são intensivos no fator de produção abundante em seu território. Logo, se um país tem abundância do fator de produção “terra”, ele irá se especializar na produção de bens intensivos em “terra” (bens agrícolas).

» O Teorema Hecksher-Ohlin fundamenta a Teoria das Vantagens Comparati- vas, explicando por que ocorre o comércio internacional.

Exercício

4. (AFRF-2002.2) Segundo a teoria clássica do comércio internacional, na concepção de David Ricardo, o comércio entre dois países é mutuamente benéfico quando:

a.

cada país especializa-se na produção de bens nos quais possa empregar

a

menor quantidade de trabalho possível, independentemente das con-

dições de produção e do preço dos mesmos bens no outro país, o que permitirá a ambos auferir maiores lucros com a exportação do que com a venda daqueles bens nos respectivos mercados internos.

b.

intercambiam-se bens em cuja produção sejam empregadas as mesmas quantidades de trabalho, o que lhes permite auferir ganhos em virtude de diferenças, entre esses mesmos países, na dotação dos demais fatores de produção.

c.

ambos países produzem os bens necessários para o abastecimento de seus respectivos mercados, obtendo lucros adicionais com a exportação dos excedentes gerados.

d.

cada país especializa-se na produção daqueles bens em que possua vanta- gem relativa, importando do outro aqueles bens para os quais o custo de oportunidade de produção interna seja relativamente maior.

e.

a

capacidade relativa de produção entre ambos os países for semelhante,

que os leva a procurar obter vantagens absolutas e assim obter ganhos com o comércio mediante a exportação dos excedentes de produção.

o

Comentários: Os países devem se especializar na produção de bens em que possuam menor custo de oportunidade, importando bens que possuam maior custo de oportunidade.

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4. Teorema Hecksher-Ohlin-Samuelson e Teorema Stolper-Samuelson

4.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão apresentados o Teorema Hecksher-Ohlin- Samuelson e o Teorema Stolper-Samuelson. Além disso, serão apresentadas novas teorias do comércio internacional.

4.2 Síntese

4.2.1 Teorema Hecksher-Ohlin-Samuelson

»

O

Teorema Hecksher-Ohlin-Samuelson também é conhecido como Teorema

da Equalização dos Custos dos Recursos.

»

Segundo esse teorema, a liberalização do comércio internacional aumenta

a

remuneração do fator de produção abundante em um país, reduzindo a

remuneração do fator de produção escasso.

»

Exemplo: Um país A é intensivo em trabalho, enquanto um país B é intensivo em capital. O livre comércio entre eles aumenta a demanda por mão de obra no país A, uma vez que há necessidade de produzir mais bens intensivos em

trabalho (os quais serão exportados para B). Por outro lado, nesse mesmo país

A não haverá demanda por capital, já que os bens intensivos em capital são

fornecidos pelo país B. Conclusão: o aumento da demanda por mão de obra promove o aumento dos salários; a redução de demanda por capital causa diminuição dos juros.

4.2.2 Teorema Stolper-Samuelson

»

O

Teorema Stolper-Samuelson explica o efeito da imposição de uma alíquota

sobre a importação de um determinado bem.

»

Segundo esse teorema, a imposição de alíquota sobre a importação de um bem tem como efeito o aumento da remuneração do fator de produção inten- sivo no bem protegido.

»

Exemplo: um país A impõe uma alíquota sobre a importação de têxteis (inten- sivo em trabalho). Como consequência disso, a indústria nacional fornecerá

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maior quantidade de têxteis ao mercado interno. Com isso, aumenta a de- manda por mão de obra para produzir esses bens, o que ocasiona a elevação dos salários.

4.2.3 Novas Teorias do Comércio Internacional

» Modelo de Linder: os diferentes gostos dos consumidores explicam a existên- cia do comércio internacional. Quanto mais semelhantes forem as demandas entre os países, maior será o volume de comércio entre eles. A consequência

é que o volume de comércio é maior entre países cuja economia é mais pare-

cida do que entre países com rendimento per capita distintos.

» Modelo de Vernon: essa é a teoria do ciclo de vida do produto, que explica como ocorre a internacionalização da produção. Os bens mais sofisticados (intensivos em capital) surgem nos países desenvolvidos e à medida que se tornam padronizados (intensivos em trabalho) sua produção é transferida para países em desenvolvimento.

» Economias de Escala: teoria criada por Paul Krugman, segundo a qual é pos- sível o comércio intraindústria em razão de economias de escala. Isso porque

a especialização gera economias de escala.

» Teoria da Concorrência monopolística: também criada por Krugman, associa os gostos dos consumidores aos ganhos de escala. No modelo de concorrência monopolística, cada produtor tem o monopólio de seu produto, o que ocorre

em razão da diferenciação.

Exercícios

5. (ACE / 2002) A abertura do mercado ocasiona o aumento do preço rela- tivo do fator trabalho em uma economia em que este fator seja abundante e reduz o seu preço na economia em que o fator capital seja relativamente abundante.

Comentários:

Exatamente

o

que

dispõe

o

Teorema

Hecksher-Ohlin-

Samuelson.

6. (AFRF / 2000 / adaptada) De acordo com Raymond Vernon, à medida que os produtos fossem ficando padronizados poderiam ser produzidos em outros locais, inclusive países em desenvolvimento.

Comentários: Exatamente o que dispõe a teoria do ciclo de vida do produto.

Comércio Internacional

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7. (Questão Inédita) A imposição de tarifas sobre a importação de um determi- nado bem implica no aumento da remuneração do fator de produção inten- sivo nesse bem.

Comentários: Exatamente o que dispõe o Teorema Stolper Samuelson.

5. Protecionismo e Liberalismo

5.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a diferença entre o protecionismo e o liberalismo.

5.2 Síntese

» Liberalismo: o comércio internacional é o motor do desenvolvimento econô- mico.

» O protecionismo consiste, como o próprio nome já diz, no estabelecimento de medidas de proteção à indústria nacional.

» Neomercantilismo: política comercial protecionista

» Ações Governamentais: equilíbrio entre liberalização comercial e proteção à indústria nacional.

» Justificativas protecionistas: 1) Proteção à indústria nascente; 2) Promoção da Segurança Nacional; 3) Deslealdade Comercial; 4) Estímulo à Substituição de Importações; 5) Déficit em Balanço de Pagamentos; 6) Desemprego Ele- vado; 7) Redução do diferencial de Salários

» Formas de Protecionismo: barreiras tarifárias e barreiras não tarifárias.

Exercício

8. (AFRF / 2000) Julgue as opções abaixo e assinale a correta:

a. O livre cambismo é uma doutrina de comércio estabelecida através de tarifas protecionistas, a subvenção de créditos, a adoção de câmbios diferenciados.

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b. O livre cambismo rege que a livre troca de produtos no campo inter- nacional, os quais seriam vendidos a preços mínimos, num regime de mercado, se aproximaria ao da livre concorrência perfeita.

c. O livre cambismo é uma doutrina pela qual o governo não prevê a remo- ção dos obstáculos legais em relação ao comércio e aos preços.

d. O livre cambismo só beneficia os países em desenvolvimento, que apre- sentam uma pauta de exportações onde a maioria dos produtos possui demanda inelástica.

e. O livre cambismo defende a adoção de tarifas em situação de defesa comercial.

Comentários: Em um regime de concorrência perfeita, há grande número de vendedores e de compradores, o que se assemelha a um mercado interna- cional em que predomina a liberdade das trocas comerciais.

6. Teoria da Substituição de Importações

6.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a Teoria da Substituição de Importações, que é uma das justificativas protecionistas existentes. Também serão comentados os diferentes modelos de industrialização.

6.2 Síntese

» A Teoria da Substituição de Importações foi criada pelo argentino Raúl Prébisch, no âmbito da CEPAL. (Pensamento econômico estruturalista);

» Segundo Prébisch, os países em desenvolvimento tinham uma grande des- vantagem no comércio internacional, se comparados aos países desenvolvidos. Isso porque os países em desenvolvimento se especializavam na produção de bens primários, enquanto os países desenvolvidos se especializavam na produ- ção de bens industrializados.

» Essa especialização levava ao fenômeno da “deterioração dos termos de troca”, resultado da diferença na elasticidade-renda da demanda de produtos primá- rios e produtos industrializados.

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» Baseado nessas ideias, afirmava-se que os países deveriam se industrializar a qualquer custo e, assim, necessitavam proteger a indústria nacional.

» Política comercial estratégica: produção e exportação de bens de alto valor agregado.

» Industrialização por Substituição de Importações: modelo adotado na Amé- rica Latina, como decorrência do pensamento estruturalista da CEPAL.

» Industrialização Voltada para Exportações: modelo adotado pelos Tigres Asiáticos. O modelo de industrialização voltada para exportações permite:

1) atingir maiores mercados, gerando ganhos de escala; 2) incremento tec- nológico (incentivo a gastos com P&D); 3) maior exposição à concorrência.

» No modelo de industrialização voltada para exportações, pode-se verificar que a conquista do mercado externo não é tarefa fácil. Além disso, um problema grave é a suscetibilidade a crises internacionais, já que não existe um mercado interno forte.

Exercício

9. (AFRFB / 2009) A participação no comércio internacional é importante na dimensão das estratégias de desenvolvimento econômico dos países, sendo perseguida a partir de ênfases diferenciadas quanto ao grau de exposição dos mercados domésticos à competição internacional. Com base nessa assertiva e considerando as diferentes orientações que podem assumir as políticas co- merciais, assinale a opção correta.

a.

As políticas comerciais inspiradas pelo neo-mercantilismo privilegiam a obtenção de superávits comerciais notadamente pela via da diversifica- ção dos mercados de exportação para produtos de maior valor agregado.

b.

Países que adotam políticas comerciais de orientação liberal são contrá-

rios aos esquemas preferenciais, como o Sistema Geral de Preferências, e aos acordos regionais e sub-regionais de integração comercial celebrados no marco da Organização Mundial do Comércio por conterem, tais es- quemas e acordos, componentes protecionistas.

c.

A

política de substituição de importações valeu-se preponderantemente

de instrumentos de incentivos à produção e às exportações, tendo o pro-

tecionismo tarifário importância secundária em sua implementação.

d.

A

ênfase ao estímulo à produção e à competitividade de bens de alto valor

agregado e de maior potencial de irradiação econômica e tecnológica

a serem destinados fundamentalmente para os mercados de exportação caracteriza as políticas comerciais estratégicas.

Comércio Internacional

21

e. As economias orientadas para as exportações, como as dos países do Sudeste Asiático, praticam políticas comerciais liberais em que são combatidos os incentivos e quaisquer formas de proteção setorial, privi- legiando antes a criação de um ambiente econômico favorável à plena competição comercial.

Comentários: As políticas comerciais estratégicas são aquelas que estimulam a produção e a competitividade de bens de alto valor agregado.

7. Proteção à Indústria Nascente e Deslealdade Comercial

7.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordadas duas outras justificativas protecionistas: a Proteção à Indústria Nascente e a Deslealdade Comercial.

7.2 Síntese

7.2.1 Proteção à Indústria Nascente

» Essa justificativa protecionista se baseia no pensamento do alemão Friedrich List, que classificou os países em: selvagem, pastoril, agrícola, agrícola-manu- fatureiro e agrícola-manufatureiro-comercial.

» Também está amparada pela normativa da OMC, mais especificamente pelo art. XVIII do GATT:

ARTIGO XVIII AJUDA DO ESTADO EM FAVOR DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 1. As Partes Contratantes reconhecem que a realização dos objetivos do presente Acordo será facilitada pelo desenvolvimento progressivo de suas economias, em particular nos casos das Partes Contratantes cuja economia não assegura à população senão um baixo nível de vida e que está nos pri- meiros estágios de seu desenvolvimento.

Comércio Internacional

22

2. As Partes Contratantes reconhecem, além disso, que pode ser necessário para as Partes Contratantes previstas no parágrafo primeiro, com o objetivo de executar seus programas e suas políticas de desenvolvimento econômi- co orientados para a elevação do nível geral de vida de suas populações, tomar medidas de proteção ou outras medidas que afetem as importações e que tais medidas são justificadas na medida em que elas facilitem a ob- tenção dos objetivos deste Acordo. Elas estimam, em consequência, que estas Partes Contratantes deveriam usufruir facilidades adicionais que as possibilitem: (conservar na estrutura de suas tarifas aduaneiras suficiente flexibilidade para que elas possam fornecer a proteção tarifária necessária à criação de um ramo de produção determinado, e (instituir restrições quan- titativas destinadas a proteger o equilíbrio de suas balanças de pagamento de uma maneira que leve plenamente em conta o nível elevado e permanente da procura de importação suscetível de ser criada pela realização de seus programas de desenvolvimento econômico.

7.2.2 Deslealdade Comercial

» A deslealdade comercial está também amparada pela normativa da OMC.

» Diante da existência de prática desleal de comércio que cause dano à indús- tria nacional, é possível a aplicação de medidas de defesa comercial: direitos antidumping e medidas compensatórias.

Exercício

10.(AFTN / 1996) O livre cambismo é uma doutrina de comércio que parte do pressuposto de que a natureza desigual dos países e regiões torna a especialização uma necessidade, sendo o comércio o meio pelo qual todos os participantes obtêm vantagens dessa especialização. Cada país deveria

especializar-se na produção de bens onde consegue maior eficiência, tro- cando o excedente por outros bens que outros países produzem com mais eficiência. O principal argumento contra o livre cambismo, desde o século XIX (A. Hamilton e F. List), se concentra na ideia de que:

a. O livre cambismo é incapaz de promover a justiça social.

b. No livre cambismo, somente se beneficiam do comércio os países que apresentam uma pauta de exportações onde a maioria dos produtos possui demanda inelástica. Quando isso não ocorre, a concorrência é predatória.

Comércio Internacional

23

c. O livre cambismo é bom para os países de economia madura, mas os pa- íses com indústrias nascentes necessitam de alguma forma de proteção.

d. O livre cambismo atende apenas aos interesses dos grandes exportadores, que usam a liberdade econômica para estabelecer monopólios e cartéis.

e. Na verdade, não existe livre cambismo na prática. Todos os países são protecionistas em razão da intervenção do Estado.

Comentários: O principal argumento protecionista é a necessidade de prote- ção à indústria nacional em seus primeiros estágios de desenvolvimento.

8. Outras Justificativas para a Adoção de Práticas Protecionistas

8.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordadas outras justificativas para a adoção de práticas protecionistas.

8.2 Síntese

8.2.1 Segurança Nacional

» Essa é uma justificativa protecionista amparada na normativa da OMC, mais especificamente no art. XXI do GATT:

ARTIGO XXI EXCEÇÕES RELATIVAS À SEGURANÇA

Nenhuma disposição do presente Acordo será interpretada:

(a) como impondo a uma Parte Contratante a obrigação de fornecer infor-

mações cuja divulgação seja, a seu critério, contrária aos interesses essen-

ciais de sua segurança;

(b) ou como impedindo uma Parte Contratante de tomar todas as medidas

que achar necessárias à proteção dos interesses essenciais de sua segurança:

(i) relacionando-se às matérias desintegráveis ou às matérias primas que ser-

vem à sua fabricação;

Comércio Internacional

24

(ii) relacionando-se ao tráfico de armas, munições e material de guerra e a

todo o comércio de outros artigos e materiais destinados direta ou indireta- mente a assegurar o aprovisionamento das forças armadas;

(iii)

aplicadas em tempo de guerra ou em caso de grave tensão internacional;

(c)

ou como impedindo uma Parte Contratante de tomar medidas destina-

das ao cumprimento de suas obrigações em virtude da Carta das Nações Unidas, a fim de manter a paz e a segurança internacionais.

8.2.2 Surto de Importações

» De acordo com o art. XIX do GATT, se, em decorrência da evolução im- prevista das circunstâncias e por efeito das obrigações assumidas, houver um surto de importações que cause ou ameace causar dano grave à indústria na- cional, é possível a adoção de medidas de salvaguardas.

8.2.3 Déficit no Balanço de Pagamentos

» A ocorrência de déficits no Balanço de Pagamentos é apregoada como uma justificativa para a adoção de práticas protecionistas.

» Também está justificada pela normativa da OMC, mais especificamente pelo art. XII do GATT:

ARTIGO XII RESTRIÇÕES DESTINADAS A PROTEGER O EQUILÍBRIO DA BALANÇA DE PAGAMENTOS 1. Não obstante as disposições do parágrafo primeiro do artigo XI, toda Parte Contratante, a fim de salvaguardar sua posição financeira exterior e o equilí- brio de sua balança de pagamentos, pode restringir o volume ou o valor das mercadorias cuja importação ela autoriza, sob reserva das disposições dos parágrafos seguintes do presente artigo.

8.2.4 Desemprego

» Segundo os protecionistas, a abertura ao mercado internacional causa prejuí- zos à indústria nacional e, consequentemente, desemprego.

» Essa visão é, todavia, bastante controversa.

Comércio Internacional

8.2.5 Diferencial de Salários

25

» Em um país que se caracteriza por uma economia dualista, em que o setor industrial convive com a agricultura de subsistência, a adoção de políticas pro- tecionistas permite o deslocamento de trabalhadores para a indústria. Como os salários pagos pela indústria são maiores do que a renda auferida pelo tra- balhador no campo, isso resultaria em ganho de bem-estar.

Exercício

11.(AFRF / 2002.2) Com relação às práticas protecionistas, tal como observadas nas últimas cinco décadas, é correto afirmar que:

a. assumiram expressão preponderantemente não tarifária à medida que, por força de compromissos multilaterais, de acordos regionais e de inicia- tivas unilaterais, reduziram-se as barreiras tarifárias.

b. voltaram a assumir expressão preponderantemente tarifária em razão de compromisso assumido no âmbito do Acordo Geral de Comércio e Tarifas (GATT) de tarificar barreiras não tarifárias, com vistas à progres- siva redução e eliminação futura das mesmas.

c. encontram amparo na normativa da Organização Mundial do Comér- cio (OMC), quando justificadas pela necessidade de corrigir falhas de mercado, proteger indústrias nascentes, responder a práticas desleais de comércio e corrigir desequilíbrios comerciais.

d. recrudesceram particularmente entre os países da Organização de Coo- peração e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na segunda metade dos anos noventa, em razão da desaceleração das taxas de crescimento de suas economias.

e. deslocaram-se do campo estritamente comercial para vincularem-se a outras áreas temáticas como meio ambiente, direitos humanos e inves- timentos.

Comentários: Com o passar do tempo e as sucessivas Rodadas de Negociação, o protecionismo se tornou eminentemente não tarifário.

Comércio Internacional

26

9. Benefícios do Livre Comércio

9.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordados os benefícios do livre comércio

9.2 Síntese

» O livre comércio gera: 1) aumento da oferta de produtos; 2) barateamento dos produtos (contém a inflação); 3) aumento da satisfação pessoal dos consu- midores; 4) incremento tecnológico; 5) aumenta a remuneração do fator de produção abundante (Teorema Hecksher-Ohlin-Samuelson).

» A doutrina liberalista advoga que o livre comércio gera a alocação ótima dos fatores de produção.

» Na atualidade, as exportações são fundamentais para o equilíbrio no Balanço de Pagamentos de um país e, ainda, para o Produto Interno Bruto (PIdestes. Assim, “exportar é o que importa” e, portanto, há grande incentivo dos gover- nos à exportação.

Exercício

12.(AFRF / 2002.2) A literatura econômica afirma, com base em argumentos

teóricos e empíricos, que o comércio internacional confere importantes estímulos ao crescimento econômico. Entre os fatores que explicam o efeito positivo do comércio sobre o crescimento destacam-se:

a.

a

crescente importância dos setores exportadores na formação do Pro-

duto Interno dos países; as pressões em favor da estabilidade cambial e monetária que provêm do comércio; e o aumento da demanda agregada sobre a renda.

b.

a

melhor eficiência alocativa propiciada pelas trocas internacionais; a

substituição de importações; e a consequente geração de superávits co- merciais.

c.

a

crescente importância das exportações para o Produto Interno dos paí-

ses; a importância das importações para o aumento da competitividade; e

o melhor aproveitamento de economias de escala.

Comércio Internacional

27

d. os efeitos sobre o emprego e sobre a renda decorrentes do aumento da demanda agregada; e o estímulo à obtenção de saldos comerciais positivos.

e. a ampliação de mercados; os deslocamentos produtivos; e o equilíbrio das taxas de juros e dos preços que o comércio induz.

Comentários: O livre comércio estimula a competitividade da indústria nacional e, ainda, gera economias de escala, em razão da ampliação do mercado consumidor. Destaque-se, ainda, a enorme importância das expor- tações para o PIB.

10. Barreiras Tarifárias e as Barreiras não Tarifárias

10.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordadas as barreiras tarifárias e as barreiras não tarifárias e, ainda, os efeitos da imposição de barreiras comerciais.

10.2 Síntese

10.2.1 Barreiras Tarifárias

» É um nome autoexplicativo. Barreiras tarifárias são os entraves impostos ao comércio internacional na forma de tarifas, isto é, de direitos aduaneiros.

» Com as sucessivas Rodadas de Negociação, as tarifas foram sendo progressi- vamente reduzidas.

10.2.2 Barreiras não Tarifárias

» O protecionismo é, atualmente, eminentemente não tarifário, já que as barrei- ras tarifárias foram progressivamente reduzidas.

» Barreiras não tarifárias são todos os entraves impostos ao comércio interna- cional que não sob a forma de direitos alfandegários: 1) Medidas sanitárias e fitossanitárias; 2) Barreiras Técnicas ao Comércio; 3) Licenças de Importação; 4) Restrições Cambiais; 5) Práticas Arbitrárias de Valoração Aduaneira; 6) Me- didas de defesa comercial; 7) Exame de similaridade; 8) AVREs; 9)Restrições Quantitativas.

Comércio Internacional

28

10.2.3 Efeitos da Imposição de Tarifas, Cotas e Subsídios

» Na prática, os efeitos da adoção de práticas protecionistas, assim como o re- sultado da abertura comercial, dependem de uma série de condicionantes macroeconômicas.

» Imposição de Tarifas: 1) redução da oferta; 2) aumento dos preços dos pro- dutos (inflação); 3) redução da satisfação dos consumidores; 4) desestímulo à inovação tecnológica; 5) aumento da remuneração do fator de produção intensivo no bem protegido.

» Imposição de Cotas: o efeito é semelhante ao da imposição de tarifas. Entre- tanto, as restrições quantitativas são mais restritivas ao comércio internacional.

» Imposição de Subsídios: são a forma menos danosa de protecionismo, em- bora não sejam incentivados pela OMC, em razão da falta de transparência. Existem subsídios à exportação e à produção e subsídios à produção e comer- cialização interna.

Exercício

13.(AFRF / 2000) Durante crise de encomendas à produção interna de deter- minado produto do país A, ameaçada pelo aumento desproporcional das im- portações similares dos países B e C, que subsidiam fortemente a produção

e a exportação desse produto, as autoridades econômicas do país A, a fim de obterem uma redução imediata da quantidade do produto importado – bem conhecendo a preferência de seus consumidores pela oferta estrangeira e a inferior qualidade da mercadoria doméstica – deverão adotar como medida mais eficaz a seus propósitos:

a. o contingenciamento dos produtos importados, fixando quotas ao pro- duto para os países exportadores;

b. a criação de subsídios à produção e à comercialização do produto manu- faturado no país;

c. o aumento da tarifa aduaneira nas posições referentes a esse produto, a fim de encarecer os importados, para benefício da indústria nacional;

d. o aumento dos impostos de exportação, a fim de desestimular as exporta- ções do produto doméstico para mercados tradicionais;

e. o estímulo à preferência pelo produto nacional, mediante a promoção de sorteios de prêmios para seus consumidores.

Comentário: As restrições quantitativas (cotas) são a forma de protecionismo que causam maiores distorções ao comércio internacional.

Capítulo 2 Organização Mundial do Comércio

Capítulo 2

Organização Mundial do Comércio

1. A Criação do GATT e as Sucessivas Rodadas de Negociação

1.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a criação do GATT e as sucessivas Rodadas de Negociação.

1.2 Síntese

» Conferência de Bretton Woods (1944): tinha como objetivo estabelecer uma nova ordem para regular as relações econômicas internacionais; proposta de

Comércio Internacional

30

criação de três organizações internacionais: FMI, BIRD e OIC. Dentre essas três organizações, a OIC foi a única que não foi criada.

» 1947: Países celebram o GATT-47 (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio).

O

GATT-47 regulou o comércio internacional até a criação da OMC.

» GATT prega que a liberalização do comércio internacional deve ocorrer de

O

forma progressiva, através de sucessivas Rodadas de Negociação.

» As Rodadas de Negociação ocorridas até a presente data foram: Rodada Genebra (1947); Rodada Annecy (1949); Rodada Torquay (1950-1951); Rodada Genebra (1955-1956); Rodada Dillon (1960-1961); Rodada Kennedy (1964-1967); Rodada Tóquio (1973-1979); Rodada Uruguai (1994); Rodada de Seattle (1999); Rodada Doha (início em 2001 e ainda em curso).

Exercício

14.(AFRF / 2002.1) Nas últimas décadas, por meio de sucessivas rodadas de negociação conduzidas no âmbito do Acordo Geral de Tarifas e Comércio, em especial a partir das duas últimas a Rodada Tóquio e a Rodada Uruguai

-, as barreiras tarifárias foram gradualmente reduzidas. Nesse período, produ- ziram-se normas, regras e acordos específicos que hoje conformam o sistema multilateral de comércio. Sobre o alcance das disciplinas comerciais ora vigentes no âmbito da OMC é correto afirmar que:

a. estão contempladas apenas questões tarifárias, o tratamento das barreiras não tarifárias e as práticas desleais de comércio.

b. além da liberalização do comércio de bens e de serviços, os compromissos firmados no âmbito da OMC incorporam temas relativos aos vínculos entre comércio, investimentos e propriedade intelectual.

c. restringem-se, tais disciplinas, às práticas desleais de comércio e à resolu-

ção de disputas comerciais.

d. a normativa multilateral não se aplica ao comércio de produtos agrícolas.

e. estão contemplados, além dos temas comerciais, compromissos estritos sobre desenvolvimento sustentável.

Comentários: A normativa do sistema multilateral de comércio contem- pla questões sobre o comércio de bens, serviços e direitos de propriedade intelectual.

Comércio Internacional

31

2. Objetivos e Funções da OMC

2.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordados os objetivos e as funções da OMC.

2.2 Síntese

» Conferência de Bretton Woods (1944): tinha como objetivo estabelecer uma nova ordem para regular as relações econômicas internacionais; proposta de criação de três organizações internacionais: FMI, BIRD e OIC. Dentre essas três organizações, a OIC foi a única que não foi criada.

» 1947: Países celebram o GATT-47 (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio).

O

GATT-47 regulou o comércio internacional até a criação da OMC.

» OMC foi criada em 1994, como resultado da Rodada Uruguai, pelo Acordo

A

de Marrakesh, tendo os seguintes objetivos: (1) Elevar os padrões de vida;

(2) Assegurar o pleno emprego; (3) Garantir um considerável e constante cres- cimento do volume da renda real e demanda efetiva; (4) Expandir a produção

e o comércio de mercadorias e de serviços através do equilíbrio entre desen- volvimento sustentável e preservação do meio ambiente.

» funções da OMC estão definidas no art. 3º do Acordo de Marrakesh e são

As

as

seguintes: (1) Administrar os acordos internacionais entre seus membros;

(2) Servir como um fórum para as negociações internacionais de comércio; (3) Solucionar controvérsias comerciais entre seus membros; (4) Proceder

à revisão das políticas comerciais dos países-membros; (5) Alcançar maior

coerência global na formulação de políticas econômicas em escala global, in- cluindo cooperação como o FMI e o Banco Mundial.

Comércio Internacional

32

Exercício

15.(AFRF / 2002.1) Sobre a Organização Mundial de Comércio, é correto afir- mar que:

a. sua criação se deu com a extinção do Acordo Geral de Comércio e Tari- fas (GATT) ao final da Rodada Uruguai em 1994.

b. entre suas principais funções, está a administração de acordos comerciais firmados por seus membros, a resolução de disputas comerciais e a super- visão das políticas comerciais nacionais.

c. tem como objetivo principal operacionalizar a implantação de um sis- tema de preferências comerciais de alcance global.

d. promove a liberalização do comércio internacional por meio de acordos regionais entre os países membros.

e. presta assistência aos governos nacionais na aplicação de barreiras não tarifárias.

Comentários: As funções da OMC estão definidas no art. 3º do Acordo de Marrakesh e são justamente essas.

3. Estrutura Institucional da OMC

3.1

Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a estrutura institucional da OMC e o processo decisório no âmbito dessa organização internacional.

3.2

Síntese

3.2.2 Estrutura Institucional da OMC

33

Conferência Ministerial Conselho Geral Comitês de: Conselho para Conselho » Comércio e Desenvolvimento o
Conferência
Ministerial
Conselho Geral
Comitês de:
Conselho para
Conselho
» Comércio e
Desenvolvimento
o Comércio de
Mercadorias
Conselho para
o Comércio de
Serviços
para TRIPS
» Comércio e Meio
Ambiente
Comitês de:
» Acordos Regionais
de Comércio
» Acesso a Mercados
» Agricultura
» Restrições por
Balança de
Pagamentos
» Medidas Sanitárias
e Fitossanitárias
» Barreiras Técnicas
» Assuntos
Orçamentários,
Financeiros e
Administrativos
ao Comércio
» Subsídios e Medidas
Compensatórias
» Práticas
Antidumping
» Valoração
Aduaneira
» Regras de Origem
» Licenças de
Importação
» Medidas de
Investimento
Relacionadas ao
Comércio
» Salvaguardas
» Acordo Constitutivo da OMC: 1) Anexo 1A: Acordos Multilaterais sobre o
Comércio de Bens; 2) Anexo 1B: Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços
(GATS); 3) Anexo 1C: Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade
Comércio Internacional

Comércio Internacional

34

Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS); 4) Anexo 2: Entendimento relativo às Normas e Procedimentos sobre Solução de Controvérsias; 5) Anexo 3: Mecanismo Exame de Políticas Comerciais; 6) Anexo 4: Acordos Plurila- terais. » Processo decisório na OMC: A regra geral é que a tomada de decisões na OMC seja efetuada por meio do consenso.

Exercícios

16.(AFRF / 2002.2) O sistema multilateral de comércio, conformado pela Organização Mundial de Comércio (OMC), está amparado em um con- junto de acordos em que se definem normas e compromissos dos países quanto à progressiva liberalização do comércio internacional. Sobre tais acordos, é correto afirmar-se que:

a. abrangem o comércio de bens e de serviços e compromissos relacionados a investimentos.

b. abrangem o comércio de bens e de serviços e compromissos em matéria de propriedade intelectual.

c. são conhecidos como Acordos Plurilaterais, por envolver a totalidade dos membros da OMC e abrangem o comércio de bens e de serviços.

d. embora conhecidos como Acordos Plurilaterais, não são necessariamente firmados por todos os membros da OMC.

e. são conhecidos como Acordos Plurilaterais e abrangem o comércio de bens, serviços e compromissos em matéria de propriedade intelectual.

Comentários: Os três principais assuntos tratados no âmbito da OMC são comércio de bens, comércio de serviços e direitos de propriedade intelectual.

17.(AFRF / 2003 / adaptada) No presente, os membros da Organização Mundial de Comércio (OMtotalizam 153, o que, ademais da extensão de sua agenda comercial, torna muito complexas as rodadas de negociação multilaterais conduzidas em seu âmbito. Em tais rodadas, as decisões são tomadas por:

a. maioria simples

b. maioria qualificada

c. consenso

d. single undertaking

e. voto de liderança

Comentários: Como regra geral, o processo decisório adotado na OMC é o consenso.

Comércio Internacional

4. O GATT e a Cláusula da Nação mais Favorecida

4.1 Apresentação

35

Nesta Unidade de Estudo, será dado início ao estudo do GATT e será comentado sobre a cláusula da nação mais favorecida.

4.2 Síntese

» O GATT-47 ainda está em pleno vigor. Na verdade, o GATT-94 é o GATT-47 somado de instrumentos legais diversos que a ele foram incorporados antes da criação da OMC e, ainda, de diversos entendimentos interpretativos sobre seus dispositivos.

» O GATT-47 foi criado com o objetivo de estabelecer uma medida para com- bater cada forma de protecionismo imposta pelos países. Assim, ele trata tanto de barreiras tarifárias quanto de barreiras não tarifárias.

4.3 Art. I do GATT: Cláusula da Nação mais Favorecida

Qualquer vantagem, favor, imunidade ou privilégio concedido por uma Parte Contratante em relação a um produto originário de ou destinado a qualquer outro país, será imediata e incondicionalmente estendido ao pro- dutor similar, originário do território de cada uma das outras Partes Contra- tantes ou ao mesmo destinado.

Exercício

18.(AFRF / 2005) A adoção da cláusula da nação mais favorecida pelo modelo do Acordo Geral de Tarifas e Comércios (GATT) teve como indicativo e desdobramento a pressuposição da igualdade econômica de todos os partici- pantes do GATT, bem como, no plano fático:

Comércio Internacional

36

a.

luta contra práticas protecionistas, a exemplo da abolição de acordos bilaterais de preferência.

a

b.

a

manutenção de barreiras alfandegárias decorrentes de acordos pactu-

ados entre blocos econômicos, a exemplo do trânsito comercial entre membros do MERCOSUL e da União Europeia, criando-se vias comer-

ciais preferenciais frequentadas e protagonizadas por atores globais que transcendem o conceito de Estado-Nação.

c.

liberação da prática de imposição de restrições quantitativas às impor- tações, por parte dos estados signatários que, no entanto, podem manter políticas de restrições qualitativas.

a

d.

a

liberalização do comércio internacional, mediante a vedação de

quaisquer restrições diretas e indiretas, fulminando-se a tributação na exportação, proibida pelas regras do GATT, que especificamente vedam

a

incidência de quaisquer exações nos bens e serviços exportados, de

acordo com tabela anualmente revista, e que complementa as regras do Acordo.

e.

o

descontrole do comércio internacional, mediante a aceitação de barrei-

ras tarifárias, permitindo-se a tributação interna, medida extrafiscal que redunda na exportação de tributos, instrumento de incentivo às indústrias internas e de manutenção de níveis ótimos de emprego, evidenciando-se as preocupações da Organização Mundial do Comércio em relação a mercados produtores e consumidores internos.

Comentários: Os acordos bilaterais de preferência são uma prática que viola a cláusula da nação mais favorecida.

5. Princípio do Tratamento Nacional

5.1

Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordado o princípio do tratamento nacional.

Comércio Internacional

5.2

Síntese

37

5.2.1 Art. III do GATT: Princípio do Tratamento Nacional:

1. As Partes Contratantes reconhecem que os impostos e outros tributos

internos, assim como leis, regulamentos e exigências relacionadas com a venda, oferta para venda, compra, transporte, distribuição ou utilização de produtos no mercado interno e as regulamentações sobre medidas quantita- tivas internas que exijam a mistura, a transformação ou utilização de produ- tos, em quantidade e proporções especificadas, não devem ser aplicados a produtos importados ou nacionais, de modo a proteger a produção nacional.

2. Os produtos do território de qualquer Parte Contratante, importados por

outra Parte Contratante, não estão sujeitos, direta ou indiretamente, a im- postos ou outros tributos internos de qualquer espécie superiores aos que incidem, direta ou indiretamente, sobre produtos nacionais. Além disso, nenhuma Parte Contratante aplicará de outro modo, impostos ou outros encargos internos a produtos importados ou nacionais, contrariamente aos princípios estabelecidos no parágrafo 1.

4. Os produtos de território de uma Parte Contratante que entrem no terri-

tório de outra Parte Contratante não usufruirão tratamento menos favorá- vel que o concedido a produtos similares de origem nacional, no que diz respeito às leis, regulamento e exigências relacionadas com a venda, oferta para venda, compra, transporte, distribuição e utilização no mercado inter- no. Os dispositivos deste parágrafo não impedirão a aplicação de tarifas de transporte internas diferenciais, desde que se baseiem exclusivamente na operação econômica dos meios de transporte e não na nacionalidade do produto. (Grifo nosso)

Comércio Internacional

38

Exercício

19.(AFRF / 2005) O estado X, principal importador mundial de brocas helicoi- dais, adquire o produto de vários países, entre eles os estados Y e Z. Alegando questões de ordem interna, o estado X, num dado momento, decide majorar o imposto de importação das brocas helicoidais provenientes de Y, e mantém inalterado o tributo para as brocas helicoidais oriundas de Z. Considerando que os países X, Y e Z fazem parte da Organização Mundial do Comércio, com base em que princípio da Organização o estado Y poderia reclamar a invalidade dessa prática?

a. Princípio da transparência.

b. Princípio do tratamento nacional.

c. Respeito ao compromisso tarifário.

d. Cláusula da nação mais favorecida.

e. Princípio da vedação do desvio de comércio.

Comentários: Pela cláusula da nação mais favorecida, é vedada a discrimina- ção entre países no comércio internacional.

6. Os Artigos II, VI e VII do GATT

6.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordados os art. II, VI e VII do GATT.

6.2 Síntese

6.2.1 Art. II do GATT: Lista de Concessões

Cada Parte Contratante concederá às outras Partes Contratantes, em maté- ria comercial, tratamento não menos favorável do que o previsto na parte apropriada da lista correspondente, anexa ao presente Acordo.

Comércio Internacional

39

6.2.2 Art. VI do GATT: Direitos Antidumping e Direitos Compensatórios

1. As Partes Contratantes reconhecem que o “dumping” que introduz pro-

dutos de um país no comércio de outro país por valor abaixo do normal é condenado se causa ou ameaça causar prejuízo material a uma indústria es- tabelecida no território de uma Parte Contratante ou retarda sensivelmente

o

estabelecimento de uma indústria nacional.

3.

Nenhum direito compensatório será cobrado de qualquer produto pro-

veniente do território de uma Parte Contratante importado por outra Parte Contratante, que exceda a importância estimada do prêmio ou subsídio que, segundo se sabe, foi concedido direta ou indiretamente à manufatura, pro- dução ou exportação desse produto no país de origem ou de exportação, inclusive qualquer subsídio especial para o transporte de um produto deter- minado. A expressão “direito compensatório” significa um direito especial cobrado com o fim de neutralizar qualquer prêmio ou subvenção conce- didos, direta ou indiretamente à manufatura, produção ou exportação de qualquer mercadoria.

6.2.3 Art. VII do GATT: Valoração Aduaneira

O valor para fins alfandegários das mercadorias importadas deverá ser estabelecido sobre o valor real da mercadoria importada à qual se aplica

o direito ou de uma mercadoria similar, e não sobre o valor do produto de origem nacional ou sobre valores arbitrários ou fictícios.

Exercício

20.(Questão

Inédita)

As

listas

de

concessões

tarifárias

consolidadas

no

GATT/1994 estabelecem um limite máximo da alíquota do imposto de im- portação a ser cobrada. Essa consolidação de tarifas abrange todas as posições tarifárias previstas no Sistema Harmonizado.

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40

Comentários: De fato, as listas de concessões tarifárias consolidadas no GATT/1994 representam o limite máximo de alíquota do II a ser cobrado. No entanto, elas não abrangem, necessariamente, todas as posições tarifárias.

7. Os Artigos XI, XII, XVI, XVIII, XIX, XX e XXI do GATT

7.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordados os art. XI, XII, XVI, XVIII, XIX, XX e XXI do GATT.

7.2 Síntese

7.2.1 Art. XI do GATT: Eliminação Geral das Restrições Quantitativas

Nenhuma Parte Contratante imporá nem manterá – além dos direitos adu- aneiros, impostos e outras taxas – proibições nem restrições à importação de um produto do território de outra parte contratante ou à exportação ou à venda para exportação de um produto destinado ao território de outra parte contratante que sejam aplicadas mediante contingentes, licenças de impor- tação ou de exportação ou por meio de outras medidas.

7.2.2 Art. XII do GATT: Restrições para proteger o Balanço de Pagamentos

1. Não obstante as disposições do parágrafo primeiro do artigo XI, toda Parte Contratante, a fim de salvaguardar sua posição financeira exterior e o equilí- brio de sua balança de pagamentos, pode restringir o volume ou o valor das mercadorias cuja importação ela autoriza, sob reserva das disposições dos parágrafos seguintes do presente artigo.

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41

2. (As restrições à importação instituídas, mantidas ou reforçadas por uma

Parte Contratante em virtude do presente artigo, não ultrapassarão o que for necessário:

(i) Para opor-se à ameaça iminente de uma baixa importante de suas reser- vas monetárias ou para por fim a esta baixa; (ii) Ou para aumentar suas reservas monetárias segundo uma taxa de cresci- mento razoável, no caso em que elas sejam muito baixas.

7.2.3 Art. XVI do GATT: Subsídios

Se uma Parte Contratante concede ou mantém um subsídio, incluída qual- quer forma de proteção das rendas ou sustentação dos preços que tenha direta ou indiretamente por efeito elevar as exportações de um produto qualquer do território da referida Parte Contratante ou de reduzir as im- portações do mesmo no seu território, dará conhecimento, por escrito, às Partes Contratantes, não somente da importância e da natureza desse subsí- dio, como dos resultados que possam ser esperados sobre as quantidades dos produtos em questão por ele importados ou exportados e as circunstâncias que tornam o subsídio necessário.

7.2.4 Art. XVIII do GATT: Ajuda em favor do Desenvolvimento Econômico

1. As Partes Contratantes reconhecem que a realização dos objetivos do

presente Acordo será facilitada pelo desenvolvimento progressivo de suas economias, em particular nos casos das Partes Contratantes cuja economia não assegura à população senão um baixo nível de vida e que está nos pri- meiros estágios de seu desenvolvimento.

2. As Partes Contratantes reconhecem, além disso, que pode ser necessário

para as Partes Contratantes previstas no parágrafo primeiro, com o objetivo de executar seus programas e suas políticas de desenvolvimento econômico orientados para a elevação do nível geral de vida de suas populações, tomar medidas de proteção ou outras medidas que afetem as importações e que tais medidas são justificadas na medida em que elas facilitem a obtenção dos objetivos deste Acordo. Elas estimam, em consequência, que estas Partes Contratantes deveriam usufruir facilidades adicionais que as possibilitem:

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(a) conservar na estrutura de suas tarifas aduaneiras suficiente flexibilidade

para que elas possam fornecer a proteção tarifária necessária à criação de um ramo de produção determinado, e

(b) instituir restrições quantitativas destinadas a proteger o equilíbrio de suas

balanças de pagamento de uma maneira que leve plenamente em conta o nível elevado e permanente da procura de importação suscetível de ser criada pela realização de seus programas de desenvolvimento econômico.

7.2.5 Art. XIX do GATT: Medidas de Salvaguarda

Se, como consequência da evolução imprevista das circunstâncias e por efeito das obrigações assumidas, incluídas as concessões tarifárias, contraí- das por uma parte contratante em virtude do presente Acordo, as importa- ções de um produto no território desta parte contratante tenham aumenta- do em tal quantidade que causam ou ameaçam causar um dano grave aos produtores nacionais de produtos similares ou diretamente concorrentes no território, a parte contratante poderá, na medida e no tempo necessário para prevenir ou reparar esse dano, suspender total ou parcialmente a obrigação contraída com respeito a tal produto, ou retirar ou modificar a concessão.

7.2.6 Art. XX do GATT– Exceções Gerais

Desde que essas medidas não sejam aplicadas de forma a constituir quer

um meio de discriminação arbitrária, ou injustificada, entre os países onde existem as mesmas condições, quer uma restrição disfarçada ao comércio internacional, disposição alguma do presente capítulo será interpretada como impedindo a adoção ou aplicação, por qualquer Parte Contratante, das medidas:

(a)

necessárias à proteção da moralidade pública;

(b)

necessárias à proteção da saúde e da vida das pessoas e dos animais e à

preservação dos vegetais;

(c) que se relacionem à exportação e a importação do ouro e da prata;

(d) necessárias a assegurar a aplicação das leis e regulamentos que não sejam incompatíveis com as disposições do presente acordo, tais como, por exemplo, as leis e regulamentos que dizem respeito à aplicação de medi- das alfandegárias, à manutenção em vigor dos monopólios administrados na conformidade do § 4º do art. II e do art. XVII à proteção das patentes,

Comércio Internacional

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marcas de fábrica e direitos de autoria e de reprodução, e a medidas próprias a impedir as práticas de natureza a induzir em erro;

(e)

relativas aos artigos fabricados nas prisões:

(f)

impostas para a proteção de tesouros nacionais de valor artístico, históri-

co ou arqueológico;

(g) relativas à conservação dos recursos naturais esgotáveis, se tais medidas

forem aplicadas conjuntamente com restrições à produção ou ao consumo nacionais; (h) tomadas em execução de compromisso contraído em virtude de um Acordo intergovernamental sobre um produto de base, em conformidade com os critérios submetidos às Partes Contratantes e não desaprovados por

elas e que é ele próprio submetido às Partes Contratantes e não é desapro- vado por elas.

(i) que impliquem em restrições à exportação de matérias-primas produzi-

das no interior do país e necessárias para assegurar a uma indústria nacional de transformação as quantidades essenciais das referidas matérias-primas durante os períodos nos quais o preço nacional seja mantido abaixo do pre- ço mundial, em execução de um plano governamental de estabilização; sob reserva de que essas restrições não tenham por efeito reforçar a exportação ou a proteção concedida à referida indústria nacional e não sejam contrárias às disposições do presente Acordo relativas à não discriminação.

(j) essenciais à aquisição ou a distribuição de produtos dos quais se faz sen-

tir uma penúria geral ou local; todavia, as referidas medidas deverão ser compatíveis com o princípio segundo o qual todas as Partes Contratantes têm direito a uma parte equitativa do abastecimento internacional desses produtos e as medidas que são incompatíveis com as outras disposições do presente Acordo serão suprimidas desde que as circunstâncias que as moti- varam tenham deixado de existir. As Partes Contratantes examinarão, em 30 de junho de 1960, no máximo, se é necessário manter a disposição da presente alínea. (Grifo nosso)

7.2.7 Art. XXI do GATT: Exceções Relativas à Segurança Nacional

Nenhuma disposição do presente Acordo será interpretada:

b) como impedindo uma parte contratante de adotar todas as medidas que achar necessárias para a proteção dos interesses essenciais de sua segurança, relativas:

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i) aos materiais fissionáveis ou a aqueles que sirvam para sua fabricação; ii) ao comércio de armas, munições e material de guerra e ao comércio de outros bens destinados direta ou indiretamente a assegurar o abastecimento das Forças Armadas; iii) às aplicadas em tempos de guerra ou em caso de grave tensão.

Exercício

21.(AFRF / 2000) Não constitui princípio e prática da Organização Mundial do Comércio (OMC):

a. Eliminação das restrições quantitativas.

b. Nação mais favorecida.

c. Proibição de utilização de tarifas.

d. Transparência.

e. Tratamento Nacional.

Comentários: A OMC prega a tarificação das barreiras comerciais, já que estas são mais transparentes.

8. Acordos Regionais

8.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordados os acordos regionais à luz da normativa da OMC.

8.2 Síntese

8.2.1 Art. XXIV do GATT: Uniões Aduaneiras e Áreas de Livre Comércio

4. As partes contratantes reconhecem a conveniência de aumentar a liber- dade de comércio, desenvolvendo, mediante acordos livremente pactuados,

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uma integração maior das economias dos países que participem de tais acor- dos. Reconhecem também que o estabelecimento de uma união aduaneira ou de uma zona de livre comércio deve ter por objetivo facilitar o comér- cio entre os territórios constitutivos e não erigir obstáculos ao comércio de outras partes contratantes com estes territórios.

Exercício

22.(AFTN / 1996) Um dos princípios fundamentais do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio da Organização Mundial do Comércio (GATT/OMé o da não discriminação. De que maneira este princípio se harmoniza com a constituição de sistemas regionais de integração, que partem do princípio

do tratamento diferenciado entre os países que integram e os que não fazem parte desses sistemas de integração?

a. O princípio da não discriminação do GATT refere-se basicamente a pro- dutos, de acordo com a cláusula da nação mais favorecida, e não a países, como é o caso dos arranjos de integração regional.

b. O GATT possui muitas cláusulas de escape, que permitem que os países optem por regras regionais ou gerais.

c. Em todo arranjo regional, os países participantes se obrigam a oferecer concessões compensatórias.

d. Não há contradição entre uma coisa e outra, pois todos os países, por serem soberanos no plano internacional, possuem igual direito de cons- tituir sistemas regionais, competindo a cada país tomar a iniciativa de fazê-lo.

e. O objetivo maior do GATT/OMC é o fomento à expansão do comércio internacional. Assim sendo, uma organização que seja criada com o ob- jetivo de reduzir e, no limite, eliminar as tarifas entre os participantes do sistema regional de integração, ampliando o volume de comércio entre os países, será aceita e mesmo estimulada pelo GATT/OMC.

Comentários: O objetivo da OMC é liberalizar o comércio internacional em nível mundial. No entanto, se não é possível fazê-lo em nível multilateral, que pelo menos o comércio seja liberalizado a nível regional. Assim, os acor- dos regionais de comércio não são incompatíveis com a normativa da OMC.

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9. O SGP e o SGPC

9.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordados os sistemas de preferências comerciais – o SGP e o SGPC.

9.2 Síntese

» O SGP e o SPGC são sistemas de preferências comerciais, amparados pela Cláusula de Habilitação (regra definida na Rodada Tóquio). Ambos decorrem da percepção de que os países em desenvolvimento possuem desvantagem no comércio internacional relativamente aos países desenvolvidos.

» O SGP (Sistema Geral de Preferências) permite que países desenvolvidos concedam preferências comerciais aos países em desenvolvimento, sem necessitar estendê-las a terceiros países (exceção à Cláusula NMF) e sem exi- gência de reciprocidade.

» O SGPC (Sistema Global de Preferências Comerciais) permite que os países em desenvolvimento outorguem mutuamente preferências tarifárias sem ne- cessitar estendê-las a terceiros países.

» Para que uma exportação possa fazer jus aos benefícios do SGP, ela deverá atender os seguintes requisitos:

1. constar das listas positivas de mercadorias com direito ao SGP ou não estar expressamente mencionado em listas negativas divulgadas periodi- camente pelos outorgantes;

2. ser originário do país beneficiário exportador, o que será comprovado através da apresentação de um documento intitulado Certificado de Ori- gem Formulário A. A emissão do Certificado de Origem Formulário A está a cargo das dependências do BB autorizadas pela SECEX. No Brasil, a administração do SGP compete ao DEINT (Departamento de Nego- ciações Internacionais);

3. ser transportado diretamente do país beneficiário para o outorgante do SGP.

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» O SGPC originou-se no âmbito do Grupo dos 77 (grupo de países em desen- volvimento). Para que uma exportação possa auferir dos benefícios do SGPC, ela deverá estar amparada pelo Certificado de Origem SGPC.

Exercício

23.(TRF / 2005) Assinale a opção incorreta:

a. Entre os países que participam do Sistema Global de Preferências Comerciais (SGPC) estão, por exemplo, o Brasil, Argentina, a Colômbia e o México.

b. Com base no Sistema Geral de Preferências, o Brasil concede vantagens na importação de alguns produtos originários de países em desenvolvi- mento, ao reduzir o imposto de importação incidente sobre eles.

c. Em regra, a prova documental necessária para que o produto se beneficie do tratamento tributário preferencial do Sistema Geral de Preferências (SGP) é o Formulário A.

d. Para que um exportador brasileiro se beneficie do tratamento preferen- cial do Sistema Global de Preferências Comerciais (SGPC), é necessário que obtenha um Certificado de Origem do SGPC, emitido pelas Federa- ções de Indústrias credenciadas para tanto.

e. Ao mesmo tempo em que certas importações feitas pelo Brasil podem se beneficiar do SGPC, certas exportações brasileiras também se benefi- ciam do mesmo regime.

Comentários: O Brasil não é um outorgante do SGP, mas tão somente bene- ficiário. Os outorgantes do SGP são países desenvolvidos.

10. Aspectos Gerais sobre o Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (GATS)

10.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordados aspectos gerais sobre o Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (GATS).

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10.2 Síntese

» O GATS se aplica a todas as medidas que afetem a prestação de serviços, ex- ceto aqueles prestados no exercício da autoridade governamental e aos direitos de tráfego aéreo.

» Características dos Serviços: 1) Intangibilidade; 2) Produção muitas vezes simultânea ao consumo; 3) Não podem ser armazenados; 4) Grande heteroge- neidade (diversificação); 5) Dificuldade de se mensurar o fluxo internacional de serviços; 6) Comércio de Serviços é mais complexo do que o comércio de mercadorias (diferentes modos de prestação).

» Modos de Prestação de Serviços (Art. I do GATS)

2. Para os propósitos deste Acordo, o comércio de serviços é definido como a prestação de um serviço:

a) Do território de um Membro ao território de qualquer outro Membro;

(Modo 1)

b) No território de um Membro aos consumidores de serviços de qualquer

outro Membro; (Modo 2)

c) Pelo prestador de serviços de um Membro, por intermédio da presença

comercial, no território de qualquer outro Membro; (Modo 3)

d) Pelo prestador de serviços de um Membro, por intermédio da presença

de pessoas naturais de um Membro no território de qualquer outro Mem- bro. (Modo 4)

Exercícios

24.(Questão Inédita) O comércio internacional de serviços tem uma definição mais ampla do que o comércio de mercadorias, o qual se limita ao comércio transfronteiriço.

Comentários: O comércio de mercadorias consiste na circulação transfron- teiriça de bens, enquanto o comércio de serviços se manifesta em quatro diferentes modos de prestação.

25.(Questão Inédita) Pelo Modo 2, considera-se comércio de serviço a prestação de serviços através da presença comercial de um prestador de serviços de um membro no território de outro membro.

Comentários: O Modo 2 é o “consumo no exterior”; a “presença comercial” é o Modo 3.

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11. Principais Dispositivos do GATS

11.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordados os principais dispositivos do GATS.

11.2 Síntese

» O GATS estabelece obrigações condicionais e incondicionais. São exemplos de obrigações incondicionais a cláusula da nação mais favorecida e a obser- vância do princípio da transparência; são obrigações condicionais o princípio do tratamento nacional e o acesso a mercados.

11.2.1 Art. II do GATS: Cláusula da Nação mais Favorecida

1. Com respeito a qualquer medida coberta por este Acordo, cada Membro

deve conceder imediatamente e incondicionalmente aos serviços e presta- dores de serviços de qualquer outro Membro, tratamento não menos favo- rável do que aquele concedido a serviços e prestadores de serviços similares

de qualquer outro país.

2. Um Membro poderá manter uma medida incompatível com o parágrafo

1 desde que a mesma esteja listada e satisfaça às condições do Anexo II sobre

Isenções ao Artigo II.

3. As disposições deste Acordo não devem ser interpretadas de forma a impe-

dir que qualquer Membro conceda vantagens a países adjacentes destinadas a facilitar o intercâmbio de serviços produzidos e consumidos localmente em zonas de fronteira contígua.

11.2.2 Art. III do GATS: Transparência

1. Cada Membro deve publicar prontamente e, salvo em circunstâncias

emergenciais, pelo menos até a data de entrada em vigor, todas as medidas relevantes de aplicação geral pertinentes ao presente Acordo ou que afetem

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50

sua operação. Acordos internacionais dos quais um Membro seja parte re- lativos ao comércio de serviços ou que afetem tal comércio também devem ser publicados.

11.2.3 Art. XVI: Acesso a Mercados

1. No que diz respeito ao acesso aos mercados segundo os modos de pres-

tação identificados no Art. I, cada membro outorgará aos prestadores de serviços e aos serviços dos demais membros um tratamento não menos fa- vorável que o previsto sob os termos, limitações e condições acordadas e especificadas em sua lista.

11.2.4 Art. XVII do GATS: Princípio do Tratamento Nacional

1. Nos setores inscritos em sua lista, e salvo condições e qualificações ali

indicadas, cada Membro outorgará aos serviços e prestadores de serviços de qualquer outro Membro, com respeito a todas as medidas que afetem a pres- tação de serviços, um tratamento não menos favorável do que aquele que dispensa a seus próprios serviços similares e prestadores de serviços similares.

Exercícios

26.(Questão Inédita) Um membro da OMC poderá manter, no que tange o co- mércio de serviços, uma medida inconsistente com a cláusula da nação mais favorecida, desde que esta esteja prevista em uma lista de isenções anexada ao GATS.

Comentários: Um membro da OMC poderá adotar medidas incompatíveis com a Cláusula NMF, desde que elas estejam listadas em uma lista de isen- ções anexada ao GATS.

27. (Questão Inédita) Pelo princípio do tratamento nacional, um membro da OMC irá conceder a qualquer serviço e a qualquer prestador de serviço de um Membro, relativamente a todas as medidas que afetem a prestação de

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serviços, um tratamento não menos favorável do que o que concede aos ser- viços e prestadores de serviços nacionais comparáveis.

Comentários: O tratamento nacional não será concedido por um membro a todos os serviços e prestadores de serviços de outro membro da OMC. Esse tratamento somente ocorrerá em relação aos serviços e prestadores de servi- ços em que houverem sido assumidos compromissos específicos.

12. Regras de Origem da OMC

12.1 Apresentação

Nessa Unidade de Estudo, será abordado o Acordo sobre Regras de Origem da OMC.

12.2 Síntese

» O Acordo sobre Regras de Origem é um acordo multilateral sobre o comércio de bens e que, portanto, está no Anexo 1A do Acordo de Marrakesh.

» Segundo o referido acordo, as regras de origem podem ser definidas como as leis, regulamentos e determinações administrativas de aplicação geral utiliza- das por qualquer Membro na determinação do país de origem de mercadorias.

» As regras de origem podem ser divididas em preferenciais e não preferenciais. O Acordo sobre Regras de Origem se aplica às regras de origem não preferenciais.

Objetivos do Acordo sobre Regras de Origem:

1) As regras de origem devem ser claras e previsíveis. 2) As regras de origem não devem criar obstáculos desnecessários ao comér- cio internacional. 3) As regras de origem devem ser transparentes. 4) Harmonização das regras de origem não preferenciais. As regras de origem devem ser baseadas numa regra positiva. As regras de origem que definem o que não confere origem (regra negativserão permi- tidas para fins de esclarecimento de uma regra positiva ou em casos indi- viduais em que não seja necessária uma determinação positiva de origem. (Decreto nº 1355/1994).

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Critérios para aplicação de regras de origem:

1) Salto Tarifário; 2) Percentagem ad valorem; 3) Operação de Fabricação.

Exercício

28.(ATRFB / 2009) O Acordo sobre Regras de Origem compôs o pacote de acor- dos fechados no marco da Rodada Uruguai e integra, consequentemente, o marco normativo da Organização Mundial do Comércio. Sobre o mesmo, é correto afirmar que:

a. o Acordo estabelece os princípios e as condições segundo as quais as normas de origem possam ser legitimamente empregadas como instru- mentos para a consecução de objetivos comerciais e estabelece como objetivo tornar uniformes os critérios empregados pelos países individu- almente para a determinação da nacionalidade de um bem importado.

b. o Acordo, visando a efetiva implementação dos compromissos e obri- gações nele previstos, estabeleceu um prazo de três anos para que os países membros harmonizem entre si as regras de origem que aplicam, instaurando, para coordenar essa tarefa, o Comitê de Regras de Origem, vinculado diretamente ao Conselho para o Comércio de Bens.

c. o Acordo abrange primordialmente as regras de origem empregadas em instrumentos preferenciais, como acordos de livre comércio e o Sis- tema Geral de Preferências Comerciais, não alcançando instrumentos comerciais não preferenciais como salvaguardas, direitos antidumping e acordos de compras governamentais.

d. a supervisão da aplicação do Acordo pelos países parte é feita direta- mente pelo Conselho de Comércio de Bens da Organização Mundial do Comércio, no que é assistido por um Comitê Técnico constituído especificamente para tal fim.

e. são objetivos essenciais do Acordo harmonizar as regras de origem e criar condições para que sua aplicação seja feita de forma imparcial, trans- parente e previsível e para que as mesmas não representem obstáculos desnecessários ao comércio.

Comentários: O Acordo sobre Regras de Origem estabelece que as regras de origem devem ser transparentes, previsíveis e não podem se constituir em obstáculos desnecessários ao comércio internacional. O objetivo disso é evitar que as regras de origem se convertam em barreiras não tarifárias.

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13. Sistema de Solução de Controvérsias da OMC

13.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordado o Sistema de Solução de Controvérsias da OMC.

13.2 Síntese

» O GATT-47 definiu normas para a proteção de concessões e vantagens recebi- das pelas Partes Contratantes. Todavia, esse mecanismo não tinha efetividade, já que era muito flexível.

» Com a criação da OMC, foi estabelecido um sistema de solução de controvér- sias, dotado de maior efetividade. A existência de um mecanismo de solução de litígios comerciais aumenta o valor das obrigações assumidas por cada Membro da OMC.

» Uma controvérsia comercial pode ser resolvida por meio de negociações que conduzam a uma solução mutuamente aceita ou, ainda, por meio da adjudi- cação (quando uma terceira parte resolve a controvérsia).

» Fases da solução de controvérsias: (1) Negociações diretas; (2) Estabele- cimento do “painel” (grupo especial); (3) Emissão do Relatório Final do “painel”; (4) Exame pelo Órgão de Apelação; (5) Emissão do Relatório do Órgão de Apelação; (6) Adoção do Relatório pelo Órgão de Solução de Con- trovérsias (OSC).

» O relatório final do “grupo especial”, quando emitido, terá três destinações possíveis: (1) Adoção pelo OSC; (2) Recurso ao Órgão de Apelação; (3) Não adoção do relatório final pelo OSC.

» Após a adoção do relatório do Órgão de Apelação pelo OSC, é realizada uma reunião em 30 dias, na qual o Membro “perdedor” informa ao OSC sobre suas intenções de implementar as recomendações efetuadas. Caso não seja possível a implementação imediata, o OSC concede um período razoável de tempo para isso.

» Caso as recomendações não sejam cumpridas, as partes poderão entrar em acordo quanto a compensações comerciais a serem concedidas. No entanto, caso isso não seja possível, o membro “vencedor” poderá ser autorizado a suspender concessões comerciais (retaliações). Tais retaliações devem ser, na

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ordem de preferência: i) no mesmo setor; ii) em outros setores do mesmo Acordo; iii) em outros acordos (retaliação cruzada). » É admissível a participação no procedimento de solução de controvérsias de terceiros países e, ainda, do “amicus curiae”.

Exercício

29.(ATRFB / 2009) Um dos mais significativos avanços advindos da criação da Organização Mundial de Comércio está relacionado ao mecanismo de solu- ção de controvérsias comerciais. Sobre o mesmo é correto afirmar que:

a.

o

sistema de solução de controvérsias é acionado por comum acordo

entre as partes litigantes que somente podem fazê-lo após terem tentado chegar a acordo por negociações diretas.

b.

qualquer das partes tem direito a apelar das conclusões do Relatório

Final emitido pelo Painel constituído para analisar a controvérsia, sendo

a

decisão do Órgão de Apelação irrecorrível e sua implementação obri-

gatória para a parte que tenha perdido a causa.

c.

o

processo se inicia com a consulta, pelo Órgão de Solução de Contro-

vérsias, a especialistas sobre a questão que dá origem ao litígio comercial, os quais, na fase seguinte, ouvem as alegações das partes e elaboram um

parecer, que é encaminhado ao Painel, que o acata ou não e comunicam

o

resultado às partes litigantes.

d.

o atual Órgão de Solução de Controvérsias é originado do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) de 1947, tendo sido ampliado e aperfeiçoado durante a Rodada Uruguai e incorporado, finalmente, à Organização Mundial do Comércio a partir de 1995.

e.

à

diferença do procedimento de solução de controvérsias existente no

marco do GATT, o atual mecanismo é mais flexível quanto aos prazos limites a serem observados em cada etapa, sendo que o parecer final de um painel prescinde de ter a aprovação de todos os membros para ser aplicado, facilitando assim sua efetiva aplicação.

Comentários: A decisão do Órgão de Apelação (tribunal permanenté obriga- tória e irrecorrível).

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14. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTA) e a Organização Mundial de Aduanas (OMA)

14.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTA) e a Organização Mundial de Aduanas (OMA).

14.2 Síntese

14.2.1 Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)

»

A

UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development) é uma

organização internacional criada a partir das teorias de Raúl Prébisch, que combateu duramente a ideia de que cada país deveria se especializar na pro- dução dos bens intensivos no fator de produção abundante em seu território.

»

Segundo Prébisch, se os países em desenvolvimento se especializassem somente na produção de produtos primários, enquanto os países desenvol- vidos se especializassem em produtos capital intensivos, isso levaria a uma crescente e contínua deterioração dos termos de troca em suas relações comerciais. A UNCTAD nascia, dessa forma, com o objetivo de buscar o pro- gresso dos países em desenvolvimento.

»

Mas como a UNCTAD queria trazer esse progresso aos países em desenvolvi- mento? Através do comércio. Meus amigos, quando vocês virem uma questão tratando do tema comércio e desenvolvimento, ela estará, via de regra, se referindo à UNCTAD. Como forma de promover o desenvolvimento econô- mico através do comércio, foram criados, no âmbito da UNCTAD o SGP e

o SGPC.

14.2.2 Organização Mundial de Aduanas (OMA)

»

A OMA é uma organização internacional criada com o objetivo de tratar de

assuntos relacionados às questões aduaneiras: harmonização e simplificação

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do funcionamento das aduanas, facilitação de comércio, comércio de bens falsificados. Cabe ainda à OMA a administração do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) e supervisão dos aspectos téc- nicos do Acordo de Valoração Aduaneira e do Acordo sobre Regras de Origem. » A simplificação de trâmites aduaneiros é um tema discutido no âmbito da facilitação de comércio. A facilitação de comércio visa à simplificação, har- monização, padronização e modernização de procedimentos de comércio. O seu objetivo principal é reduzir barreiras e custos de transação relativos ao comércio internacional. É um tema que tem recebido grande atenção no contexto da Rodada Doha da OMC.

Exercício

30.(AFRF / 2002.2) Sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), é correto afirmar que:

a. é uma conferência convocada a cada quatro anos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, assistida por todos os seus membros, para discutir questões relacionadas ao comércio e aos investimentos sob a perspectiva dos interesses dos países em desenvolvimento.

b. é um fórum constituído pelos países da Organização Econômica de Cooperação e Desenvolvimento (OECno âmbito da Assembleia Geral das Nações Unidas para coordenar políticas relacionadas ao comércio com os países em desenvolvimento.

c. é um organismo intergovernamental vinculado à Assembleia Geral das Nações Unidas voltada para o tratamento de questões relacionadas à pro- moção do desenvolvimento econômico e seus vínculos com o comércio, as finanças e os investimentos internacionais.

d. é uma conferência de caráter permanente integrada pelos países mem- bros da Organização das Nações Unidas com o propósito de discutir questões comerciais e os entraves ao desenvolvimento dos países de menor desenvolvimento relativo.

e. é um fórum permanente de consulta e de negociações comerciais, cons- tituído por países em desenvolvimento no contexto da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Comentários: A UNCTAD é uma conferência de caráter permanente vin- culada à ONU, cujo objetivo central é buscar o progresso dos países em desenvolvimento, buscando a inserção equitativa destes na economia internacional.

Capítulo 3 Integração Regional

Capítulo 3

Integração Regional

1. A Teoria da Integração

1.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a teoria da integração, dando destaque aos diferentes estágios de integração regional.

1.2 Síntese

» Após a Segunda Guerra Mundial, começam a surgir diversos processos de integração regional, inicialmente no continente europeu. O objetivo dos países, ao envolver-se em processos de integração, era adquirir maior

Comércio Internacional

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influência no cenário internacional e, ainda, alcançar desenvolvimento eco- nômico conjunto.

» Há diferentes níveis de integração regional, quais sejam: i) área de livre comércio; ii) união aduaneira; iii) mercado comum; iv) união econômica; e v) integração econômica total. Existem, ainda, as zonas de preferências tarifárias, que não são consideradas, pela teoria da integração, um estágio de integração, mas acordos preferenciais.

» Zonas de Preferências Tarifárias: acordos comerciais em que os países outor- gam entre si margens de preferência.

» Área de livre comércio: livre circulação de mercadorias e serviços no interior do bloco.

» União Aduaneira: livre circulação de mercadorias e serviços no interior do bloco e estabelecimento de uma política comercial comum em relação a terceiros países.

» Mercado Comum: além das características da união aduaneira, no interior de um mercado comum há livre circulação dos fatores de produção.

» União Econômica: além das características do mercado comum, na união econômica ocorre harmonização das políticas econômicas (política cambial, fiscal e monetária).

» Integração Econômica Total: unificação das políticas econômicas.

Exercício

31.(AFRF / 2003) Uma união aduaneira pressupõe:

a. a livre movimentação de bens, capital e mão de obra e a adoção de uma tarifa externa comum entre dois ou mais países.

b. a uniformização, por dois ou mais países, do tratamento aduaneiro a ser dispensado às importações de terceiros países, mesmo sem a adoção de um regime de livre comércio internamente.

c. a existência de uma área de preferências tarifárias entre um grupo de países e a harmonização das disciplinas comerciais aplicáveis ao comér- cio mútuo.

d. a liberalização do comércio entre os países que a integram e a adoção de uma tarifa comum a ser aplicada às importações provenientes de tercei- ros países.

e. a completa liberalização dos fluxos de comércio entre um grupo de países e a coordenação de políticas macroeconômicas.

Comentários: A união aduaneira pressupõe a livre circulação de bens, servi- ços e fatores de produção.

Comércio Internacional

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2. Efeitos da Integração Regional

2.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordados os efeitos da integração regional.

2.2 Síntese

»

A

integração regional possui efeitos dinâmicos e efeitos estáticos. Os efeitos

dinâmicos são idênticos aos do livre comércio; os efeitos estáticos são a criação

e

o desvio de comércio.

»

Segundo Paul Krugman, é possível que um país esteja em situação melhor fora de um processo de integração. Essa ideia referenda a tese de Jacob Viner, para quem nem toda integração é benéfica, mas somente aquela em que a criação de comércio superar o desvio de comércio.

»

A

criação de comércio ocorre quando, após o estabelecimento de um bloco

regional, um bem que antes era adquirido no mercado doméstico passa a ser

adquirido de um produtor de terceiro país no interior do bloco. Por sua vez,

o desvio de comércio ocorre quando, após estabelecido o bloco regional, um

bem que era adquirido de um país externo ao bloco passa a ser adquirido de um produtor no interior do bloco.

Exercício

32. (AFRF / 2002.2) Segundo as teorias de integração econômica, a liberalização do comércio entre um número restrito de países produz efeitos comerciais e econômicos que permitem avaliar o desempenho, desde o ponto de vista da eficiência econômica, dos acordos regionais. A esse respeito, é correto afirmar que a integração regional é economicamente benéfica se:

a. preponderar o desvio de comércio e os efeitos estáticos.

b. os efeitos estáticos suplantarem os efeitos dinâmicos.

c. ocorrerem efeitos dinâmicos, independentemente dos efeitos sobre o comércio.

d. prevalecer a criação sobre o desvio de comércio e ocorrerem efeitos dinâmicos.

e. houver criação de comércio somente.

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Comentários: A integração regional é benéfica quando a criação de comér- cio preponderar sobre o desvio de comércio.

3. União Europeia

3.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a União Europeia.

3.2 Síntese

» Origem da integração no continente europeu: em 1948, com a criação do BENELUX.

» 1952: Criação da CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço) – BENELUX + Alemanha, Itália e França; 1957: Criação do MCE (Mercado Comum Europeu); 1992: Tratado de Maastricht.

» O Tratado de Maastricht foi celebrado em 1992 por 12 países; atualmente, fazem parte da UE 27 países, sendo que Macedônia, Croácia e Turquia estão em processo de adesão.

» O processo de adesão à UE consiste em adequar-se às exigências políticas, eco- nômicas e de aplicação da legislação comunitária (Critérios de Copenhague).

» A UE é o bloco regional que se encontra no estágio mais avançado de integra- ção e podemos afirmar que se constitui uma união econômica e monetária.

» Estrutura Institucional da UE:

1. Conselho Europeu;

2. Conselho da União Europeia;

3. Parlamento Europeu;

4. Comissão Europeia ou Comissão das Comunidades;

5. Tribunal de Justiça;

6. Tribunal de Contas Europeu;

7. Banco Central Europeu;

8. Banco Europeu de Investimento.

» Tratado de Lisboa: celebrado em 2007; entrou em vigor em 2009, após ratifi- cação por todos os integrantes da União Europeia.

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Exercício

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33.(ACE / 1997) Dentro de um processo de integração regional, é fundamental a existência de instituições para assegurar um mínimo de organização ao processo. No caso da União Europeia, não é diferente. A União Europeia utiliza todos os mecanismos abaixo, exceto:

a. Parlamento Europeu

b. Tribunal de Justiça

c. Reunião de Ministros Europeus

d. Comissão das Comunidades

e. Conselho Europeu

Comentários: Não existe um órgão chamado Reunião de Ministros Europeus na União Europeia.

4. Integração Regional nas Américas

4.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a integração regional nas Américas, dando ênfase à ALALC/ALADI.

4.2 Síntese

» As ideias estruturalistas da CEPAL motivaram o processo de integração regional nas Américas, dando origem, em 1960, à ALALC (Associação Latino-Americana de Livre Comércio).

» Segundo Prébisch, os países da América Latina deveriam industrializar-se a qualquer custo e, para isso, era necessário que adotassem políticas de substi- tuição de importações. Todavia, eles não deveriam se isolar completamente do comércio integração, mas sim buscar a integração na própria América Latina. Assim, surge a ALALC, cujo objetivo era constituir uma área de livre comércio entre todos os seus integrantes.

» A ALALC não deu muito certo e, em 1980, é criada a ALADI (Associação Latino-Americana de Integração) através do Tratado de Montevidéu.

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» O objetivo da ALADI é estabelecer um mercado comum entre seus inte- grantes. No âmbito da ALADI, são admitidos acordos de alcance regional e acordos de alcance parcial. São exemplos de acordos de alcance parcial cele- brados no âmbito da ALADI, o MERCOSUL e a Comunidade Andina.

Exercício

34.(ATRFB / 2009) Sobre a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), é incorreto afirmar que:

a. por ter como membros países das três Américas, a ALADI constitui, no presente, o mais importante e ativo fórum de negociações comerciais regionais.

b. por não se pautar pela aplicação estrita da Cláusula da Nação Mais Fa- vorecida, a ALADI oferece marco jurídico para acordos de integração bilaterais bem como para iniciativas de integração econômica de caráter sub-regional, como o Mercado Comum do Sul e a Comunidade Andina de Nações.

c. os principais instrumentos para a integração concebidos no marco da Associação são os Acordos de Complementação Econômica, os Acordos de Alcance Parcial e a Preferência Tarifária Regional.

d. criada em 1980 em substituição à Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), a ALADI incorporou princípios e instrumentos para a integração econômica mais flexíveis que sua antecessora, aban- donando a abordagem eminentemente multilateralista que marcou o processo de integração regional desde o início dos anos sessenta.

e. em razão dos princípios da gradualidade e flexibilidade, os acordos cele- brados no marco da ALADI não necessariamente devem estipular prazos para a consecução dos objetivos a que se reportam.

Comentários: A ALADI é, atualmente, o mais importante e ativo fórum de discussões comerciais nas negociações comerciais na América Latina, sendo constituída por 12 integrantes, com representantes de países das três Américas.

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5. Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA)

5.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordado o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA).

5.2 Síntese

» O NAFTA (North American Free Trade Agreement) é uma área de livre comér-

cio estabelecida entre E.U.A, México e Canadá, tendo os seguintes objetivos:

i)

eliminar barreiras ao comércio e facilitar movimentos fronteiriços de bens

e

serviços entre os territórios das partes; ii) promover uma competição justa

na área de livre comércio; iii) crescer substancialmente as oportunidades de

investimento nesses territórios; iv) prover adequada e efetiva proteção e imple- mentação dos direitos de propriedade intelectual no território de cada parte;

v)

criar procedimentos efetivos para a implementação e aplicação do acordo,

e

de sua administração conjunta e solução de disputas; vi) estabelecer uma

estrutura para que cooperações futuras trilaterais, regionais e multilaterais se

expandam e ampliem os benefícios desse acordo.

» Com o objetivo de aumentar as oportunidades de investimento no âmbito do

NAFTA, não há restrições de remessas de capital entre os integrantes do bloco, permitindo que empresas americanas possam comprar empresas mexicanas.

» O NAFTA estabelece uma área de livre comércio, com o objetivo de que bens

e serviços circulem livremente. A livre circulação de pessoas não é objetivo do acordo.

» Há exceções ao livre comércio no NAFTA, tais como os automóveis e as cláu- sulas de salvaguarda.

Exercício

35. (AFRF / 2003) O Tratado de Livre Comércio da América do Norte, conhe- cido por NAFTA, foi firmado pelos Estados Unidos, Canadá e México em

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1992, representando o primeiro grande acordo preferencial de que tomavam parte os Estados Unidos. Sobre o mesmo, é correto afirmar que:

a. prevê a criação de um mercado comum entre seus membros a fim de fazer frente ao projeto de integração da Comunidade Econômica Europeia.

b. foi precedido de acordo bilateral entre os Estados Unidos e o Canadá, o qual apresentou o primeiro grande acordo preferencial de que tomavam parte os Estados Unidos.

c. compreende a totalidade dos bens e serviços comercializados pelos três países, além de disciplinas complementares relacionadas ao meio am- biente e a direitos trabalhistas.

d. prevê prazo de doze anos para a total liberalização do comércio de bens entre Estados Unidos e Canadá e de quinze para a total abertura do mer- cado mexicano às exportações desses dois países.

e. representa um acordo totalmente conforme a normativa da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Comentário: O NAFTA foi precedido por um acordo bilateral celebrado entre EUA e Canadá. O México somente aderiu ao acordo em 1992.

6. Comunidade Andina de Nações (CAN)

6.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a Comunidade Andina de Nações (CAN).

6.2 Síntese

» Bloco econômico formado por Bolívia, Equador, Colômbia e Peru, consti- tuindo uma união aduaneira imperfeita.

» A Comunidade Andina é um acordo de alcance parcial celebrado no âmbito da ALADI.

» A CAN tem como objetivo constituir um mercado comum. Todavia, isso ainda não é possível, já que, para tanto, é necessário que todos os países adotem a

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Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco. Além disso, faz-se mister estabelecer

a livre circulação dos fatores de produção intrabloco.

» O Chile é um membro associado da Comunidade Andina de Nações (CAN).

» A Venezuela fazia parte da CAN até o ano de 2006, quando se retirou do bloco

alegando que os tratados de livre comércio assinados pela Colômbia, Equador

e Peru com os EUA comprometiam os objetivos regionais.

» Parlamento Andino: possui caráter supranacional.

» Arcabouço institucional da Comunidade Andina é mais avançado do que o do MERCOSUL.

Exercício

36. (AFRF / 2003 / adaptada) A Comunidade Andina (CAN) foi criada no âmbito da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC),

estando, no presente, integrada por Bolívia, Chile, Equador, Peru, Colômbia

e Venezuela.

Comentários: A CAN é um acordo de alcance parcial celebrado no âmbito da ALADI. Não fazem parte da Comunidade Andina o Chile e a Venezuela.

37. (AFRF / 2003 / adaptada) A Comunidade Andina (CAN) conforma uma união aduaneira, uma vez que teve sua tarifa externa comum implementada em todos os países-membros a partir de 1995.

Comentários: A CAN é considerada uma união aduaneira imperfeita, já que

o Peru não aplica a TEC.

7. MERCOSUL: Origens e Objetivos

7.1

Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será iniciado o estudo do MERCOSUL, abordando suas origens e objetivos.

Comércio Internacional

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7.2

Síntese

» 1986: Programa de Integração e Cooperação Econômica (PICE) – Sarney e Alfonsin.

» 1988: Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento – liberalização do comércio de bens e serviços entre Brasil e Argentina no prazo de 10 anos.

» 1991: Tratado de Assunção: assinado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai até 31 de dezembro de 1994.

Objetivos do Tratado de Assunção:

Artigo 1º Os Estados Partes decidem constituir um Mercado Comum, que deverá estar estabelecido a 31 de dezembro de 1994, e que se denominará “Mercado Comum do Sul” (MERCOSUL). Este Mercado Comum implica:

»

A

livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países,

através, entre outros, da eliminação dos direitos alfandegários e restrições não tarifárias à circulação de mercado de qualquer outra medida de efeito equivalente;

»

O estabelecimento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma po- lítica comercial comum em relação a terceiros Estados ou agrupamentos de Estados e a coordenação de posições em foros econômico-comerciais regionais e internacionais;

»

A

coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre os Estados

Partes de comércio exterior, agrícola, industrial, fiscal, monetária, cam- bial e de capitais, de serviços, alfandegária, de transportes e comunicações

e

outras que se acordem —, a fim de assegurar condições adequadas de

concorrência entre os Estados Partes; e

»

O compromisso dos Estados Partes de harmonizar suas legislações, nas áreas pertinentes, para lograr o fortalecimento do processo de integração.

Exercício

38.(TRF / 2005) O Tratado de Assunção, acordo constitutivo do MERCOSUL, define, em seu artigo 1o, os objetivos do bloco. Entre esses objetivos, não se inclui:

a. A coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre os Esta- dos Partes – como as de comércio exterior, fiscal, monetária, cambial e

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alfandegária, entre outras –, a fim de assegurar condições adequadas de concorrência entre os Estados Partes.

b. O compromisso de os Estados Partes harmonizarem suas legislações nas áreas pertinentes.

c. A definição de uma moeda comum, uma vez constituído o mercado comum e harmonizadas as políticas monetária, fiscal e cambial.

d. A livre-circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os Estados Partes do bloco.

e. A adoção de uma política comercial comum em relação a terceiros Esta- dos ou agrupamentos de Estados.

Comentários: A definição de uma moeda comum não é objetivo do MERCOSUL. Os membros desse bloco regional também não pretendem harmonizar políticas econômicas.

8. A Estrutura Institucional do MERCOSUL

8.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordada a estrutura institucional do MERCOSUL.

8.2 Síntese

» Embora o MERCOSUL tenha como objetivo formar um mercado comum, até hoje logrou estabelecer unicamente uma união aduaneira imperfeita. No MERCOSUL, ainda existem exceções ao livre comércio intrabloco e exce- ções à tarifa externa comum.

» Protocolo de Ouro Preto: i) estabeleceu a estrutura institucional do MERCOSUL; ii) conferiu personalidade jurídica de direito internacio- nal ao MERCOSUL; iii) órgãos com capacidade decisória (Conselho do Mercado Comum; Grupo Mercado Comum e Comissão de Comércio do MERCOSUL).

» As decisões no âmbito do MERCOSUL são tomadas por consenso.

» Estrutura Institucional do MERCOSUL:

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1. Conselho do Mercado Comum: condução política do processo de inte- gração.

2. Grupo Mercado Comum: órgão executivo, responsável por dar cumpri- mento às decisões adotadas pelo Conselho do Mercado Comum.

3. Comissão de Comércio do MERCOSUL: fiscalizar o cumprimento das políticas comerciais pelos países-membros.

4. Parlamento do MERCOSUL: órgão de caráter intergovernamental, opina sobre as normas elaborando pareceres.

5. Foro Consultivo Econômico-Social: órgão representativo dos setores eco- nômicos e sociais.

6. Secretaria do MERCOSUL: órgão de apoio operacional.

Exercício

39.(ACE / 2002) Entre as etapas mais relevantes do processo de criação do Mercado Comum do Sul – MERCOSUL, está a assinatura do Protocolo Adicional ao Tratado de Assunção sobre a Estrutura Institucional do MERCOSUL, conhecido como o Protocolo de Ouro Preto, firmado aos 17 de dezembro de 1994. A seu respeito é correto afirmar que:

a. deu origem ao Conselho do Mercado Comum e ao Grupo do Mercado Comum, principais instâncias institucionais do MERCOSUL.

b. ao levar adiante a decisão de constituir uma união aduaneira, aprofun- dou o processo de integração do MERCOSUL, obrigando os governos dos Estados Partes a coordenar suas políticas macroeconômicas pertinen- tes à gestão do déficit fiscal e da busca de estabilidade de preços.

c. instituiu a Comissão de Comércio do MERCOSUL e a Secretaria Administrativa do MERCOSUL, e conferiu ao Conselho do Mercado Comum a faculdade de criar órgãos auxiliares, nos termos do mesmo Protocolo, considerados necessários à consecução dos objetivos do pro- cesso de integração.

d. ao instituir a representação proporcional ao número de habitantes na Comissão Parlamentar Conjunta, atendeu parcialmente aos reclamos de que haveria um “déficit democrático” no MERCOSUL, criando as condições para que tal comissão evolua no sentido de se tornar um parla- mento regional, a exemplo do que hoje é o Parlamento Europeu.

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e. ao instituir alguns órgãos e especificar as funções de outros, avançou no desenho institucional do MERCOSUL, reduzindo sua dimensão inter- governamental e favorecendo a integração das economias, em particular ao prover um eficaz mecanismo de solução de controvérsias comerciais.

Comentários: O Protocolo de Ouro Preto, ao definir a estrutura institucional do MERCOSUL, instituiu a Comissão de Comércio do MERCOSUL e a Secretaria Administrativa do MERCOSUL, hoje denominada tão somente Secretaria do MERCOSUL. De acordo com o art.1º, parágrafo único do Protocolo de Ouro Preto, poderão ser criados novos órgãos que sejam necessários à consecução do processo de integração, sendo essa função atri- buível ao Conselho do Mercado Comum.

9. O Atual Estágio de Integração do MERCOSUL

9.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordado o atual estágio de integração do MERCOSUL, as imperfeições da união aduaneira e as necessidades de aprofundamento institucional.

9.2 Síntese

» Embora o MERCOSUL tenha como objetivo formar um mercado comum, até hoje logrou estabelecer unicamente uma união aduaneira imperfeita. No MERCOSUL, ainda existem exceções ao livre comércio intrabloco e exce- ções à tarifa externa comum.

» Exceções ao livre comércio intrabloco: i) automóveis e açúcar; ii) aplicação de medidas de defesa comercial; iii) Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC); iv) comércio de serviços.

Comércio Internacional

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» Processo de Incorporação de normas do MERCOSUL: necessidade de inter- nalização das normas pelos 4 (quatro) Estados-membros.

» Os órgãos do MERCOSUL possuem caráter intergovernamental.

» Parlamento do MERCOSUL: não cria leis regionais.

Exercício

40.(AFRF / 2002.2) A partir de dezembro de 1994, o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) instituiu uma área de livre comércio e uma união aduaneira que ainda carecem de aperfeiçoamento. São medidas necessárias para tal fim:

a. eliminar barreiras não tarifárias ainda existentes, promover a liberalização dos fluxos de capital e de serviços e coordenar políticas macroeconômicas.

b. aplicar integralmente o Programa de Liberalização Comercial, esta- belecer regras de origem e incorporar produtos mantidos em listas de exceções à Tarifa Externa Comum.

c. aperfeiçoar o sistema de salvaguardas intraMERCOSUL, implementar um regime de compras governamentais e introduzir mecanismo de sal- vaguardas comerciais.

d. liberalizar o comércio de serviços, coordenar políticas macroeconômicas e estabelecer a livre circulação de capital e mão de obra.

e. eliminar barreiras não tarifárias ainda existentes, promover a liberali- zação do comércio de serviços e a incorporar à tarifa externa comum produtos mantidos à margem da mesma.

Comentários: Para alcançar o estágio de mercado comum, o MERCOSUL precisa eliminar barreiras não tarifárias ainda existentes, promover a libe- ralização do comércio de serviços e a incorporar à tarifa externa comum produtos mantidos à margem da mesma.

10. As Exceções à Tarifa Externa Comum do MERCOSUL

10.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, serão abordadas as Exceções à Tarifa Externa Comum do MERCOSUL.

Comércio Internacional

10.2 Síntese

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» As exceções à TEC são as seguintes: i) Lista de Exceções à TEC; ii) Lista de Convergência de BIT: iii) Ex-Tarifários; iv) Exceções à TEC por razões de desabastecimento.

» Lista de Exceções à TEC Decisão CMC nº 58/2010: Os países podem alte- rar 20% dos códigos a cada semestre. Brasil e Argentina poderão manter 100 códigos na Lista de Exceções à TEC até 31/12/2015; Uruguai até 225 códigos até 31/12/2017; Paraguai poderá manter até 649 códigos até 31/12/2019. Ao compor suas Listas Nacionais, os países deverão valorizar a oferta exportável existente no MERCOSUL.

» Bens com problema de Desabastecimento – Resolução GMC nº 69/2000:

i) redução, por até 12 meses, da alíquota do I.I para evitar o desabastecimento interno; ii) aplicadas sob a forma de cotas tarifárias; iii) 20 produtos por país (pode ser excedido em situações de calamidade ou risco à saúde pública).

» Ex-tarifáriosDecisão CMC nº 57/2010: entrada em vigor em 1º de janeiro de 2013, para Brasil e Argentina, e em 1º de janeiro de 2015, para Para- guai e Uruguai, do Regime Comum de Bens de Capital não produzidos no MERCOSUL. Até 31/12/2012, os Estados Partes poderão manter, em cará- ter excepcional e transitório, os regimes nacionais de importação de bens de capital atualmente vigentes.

» Lista de Exceções para Bens de Informática e Telecomunicações Decisão CMC nº 57/2010: Previsão de entrada em vigor de um Regime Comum de BIT em 1º de janeiro de 2016.

1. Argentina e Brasil poderão aplicar, até 31 de dezembro de 2015, alíquota distinta da Tarifa Externa Comum, inclusive 0%, para os bens de infor- mática e telecomunicações, bem como os sistemas integrados que os contenham.

2. O Uruguai poderá aplicar, até 31 de dezembro de 2018, uma alíquota de 0% às importações de bens de informática e telecomunicações de extra- zona, no caso de produtos que constem em listas apresentadas no âmbito da Comissão de Comércio do MERCOSUL, e de 2% no caso dos demais bens de informática e telecomunicações.

3. O Paraguai poderá aplicar, até 31 de dezembro de 2019, uma alíquota de 0% às importações de bens de informática e telecomunicações de extra- zona, no caso de produtos que constem em listas apresentadas no âmbito da Comissão de Comércio do MERCOSUL, e de 2% no caso dos demais bens de informática e telecomunicações.

Comércio Internacional

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Exercícios

41.(AFRF / 2005) Segundo as regras atualmente vigentes, o Brasil pode modifi- car, a cada seis meses, até 40% (quarenta por cento) dos produtos de sua lista de exceção à Tarifa Externa Comum.

Comentários: Os membros do MERCOSUL podem modificar, a cada seis meses, até 20% dos produtos de sua Lista de Exceções à TEC.

42.(AFRF / 2005) Atualmente, o Brasil pode manter até 100 (cem) itens da Nomenclatura Comum do MERCOSUL como lista de exceção à Tarifa Externa Comum.

Comentários: Exatamente conforme Decisão CMC nº 58/10.

11. Regime de Origem do MERCOSUL

11.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordado o Regime de Origem do MERCOSUL.

11.2 Síntese

» Existem requisitos específicos e requisitos genéricos.

» Os requisitos genéricos são: i) salto tarifário; ii) 60% de valor agregado regio- nal; iii) produção integral no bloco.

» Os requisitos específicos, quando existirem, prevalecem sobre os genéricos.

» Tratamento preferencial para o Paraguai quanto à origem: 40% de valor agre- gado regional.

» Multiplicidade de cobrança da TEC: o processo de aperfeiçoamento da união aduaneira exige a eliminação da multiplicidade de cobrança da TEC.

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Exercício

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43.(AFRF / 2002-2) Conforme as regras de origem aplicáveis aos EstadosPartes do MERCOSUL, adotando exclusivamente o critério do salto tarifário, serão considerados originários do MERCOSUL os produtos em cuja elaboração foram utilizados materiais não originários de seus países membros, quando resultantes de um processo de transformação substancial realizado em seu território, que lhes confira uma nova individualidade caracterizada pelo fato de estarem classificados na Nomenclatura Comum do MERCOSUL:

a. na mesma posição do material cuja função seja preponderante.

b. em posição diferente à dos mencionados materiais.

c. em subposição diferente à dos mencionados materiais.

d. em item diferente ao dos mencionados materiais.

e. no mesmo capítulo, porém, em subposição igual e item diferente.

Comentários: Considera-se que ocorre transformação substancial quando há o salto tarifário, isto é, quando é modificada a posição tarifária (quatro primeiros dígitos da NCM).

12. Sistema de Solução de Controvérsias do MERCOSUL

12.1 Apresentação

Nesta Unidade de Estudo, será abordado o Sistema de Solução de Controvérsias do MERCOSUL.

12.2 Síntese

» Protocolo de Olivos: estabeleceu o sistema de solução de controvérsias no MERCOSUL, substituindo o Protocolo de Brasília.

» Fases da solução de controvérsias do MERCOSUL: i) negociações diretas; ii) intervenção do GMC; iii) apreciação pelo tribunal “ad hoc”; iv) apreciação pelo Tribunal Permanente de Revisão.

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» O TPR pode atuar como primeira ou segunda instância. Ele também possui função consultiva.

» Os laudos arbitrais são adotados por maioria.

» De acordo com o Protocolo de Olivos, a parte demandante poderá escolher o fórum ao qual submeterá a controvérsia.

Exercícios

44.(AFRF / 2005) O sistema de solução de controvérsias do MERCOSUL, de- finido pelo Protocolo de Olivos, estabelece um Tribunal Permanente de Revisão para o julgamento de recursos contra decisões dos Tribunais Arbitrais Ad Hoc – o que não existia no Protocolo de Brasília, antecessor do de Olivos.

Comentários: O TPR foi criado pelo Protocolo de Olivos, atuando na apre- ciação de controvérsias em caráter recursal ou, ainda, em 1ª instância.

45. (TRF / 2005) É possível que dois países que façam parte do MERCOSUL levem um litígio à apreciação do sistema de solução de controvérsias da OMC ao invés de apresentá-lo ao mecanismo do MERCOSUL.

Comentários: De acordo com o Protocolo de Olivos, a parte demandante poderá escolher o fórum ao qual submeterá a controvérsia

46.(TRF / 2005) É possível que uma decisão do Tribunal Permanente de Revisão do MERCOSUL seja tomada mesmo não havendo consenso entre seus membros.

Comentários: O laudo arbitral é adotado por maioria.

Este material é uma parte do livro que o aluno regularmente matriculado recebe a cada disciplina do curso que realiza e serve para que se tenha um demonstrativo do que é disponibilizado. O sumário, por sua vez, dará uma ideia do conteúdo ministrado.