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[Contextos Profissionais

Metodologias e Métodos da Animação]

Instituto Politécnico de Setúbal

Escola Superior de Educação

Licenciatura em Animação e Intervenção


Sociocultural
UC: Contextos Profissionais e Metodologias e Métodos da
Animação

Docentes: Carla Cibele e Luísa Carvalho

Nelson Matias

Khapaz - Associação
Cultural de Jovens Afro-
descendentes

Ana Isabel Lopes

Carlos Miguel Filipe

Ricardo Carvalho

Ricardo Matos

Setúbal, Junho de 09 1º Ano


[Contextos Profissionais

Metodologias e Métodos da Animação]

INSTITUTO POLITÉCNICO DE SETÚBAL


ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO

Khapaz

[Associação Cultural de jovens Afro-


descendentes]

Ana Isabel Lopes


Carlos Miguel Filipe
Ricardo Carvalho
Ricardo Matos

Licenciatura em Animação e Intervenção Sociocultural

Docentes: Carla Cibele e Luísa Carvalho


Nelson Matias

Setúbal. Junho de 09
[Contextos Profissionais

Metodologias e Métodos da Animação]

Introdução
No âmbito da unidade curricular de Contextos Profissionais e em
conjunto com Metodologias e Métodos da Animação como trabalho de
avaliação final foi proposta a elaboração de um trabalho de campo,
que consistiu em observar uma associação/entidade e um evento no
seu contexto.

Optámos por escolher um contexto profissional que é sem dúvida um


desafio para nós, futuros animadores. Um contexto em torno de
crianças e jovens, mas também das suas famílias. Falamos de um
contexto de crianças e jovens fragilizados, com todos os problemas
que advém da sua estrutura histórica, educacional e social.Como nos
dizia Corsino Fortes, técnico do Projecto Rualidades na Associação
Khapaz o sistema gera sempre pessoas que ficam de fora. Trabalhar
neste contexto é um desafio.

A Khapaz – Associação Cultural de Jovens Afro-descendentes –


assume-se como uma estrutura de apoio a toda a população da
Arrentela e uma referência para todos as crianças e jovens que aqui
encontram a rede que tantas vezes os impossibilita de cair, tornando-
os menos uns, em vez de mais uns. Como, aliás sublinhou Corsino
Fortes.

Com a realização deste trabalho pretendemos: Compreender quais as


características do público-alvo desta associação, que recebe crianças
e jovens com as mais variadas especificidades psicológicas, sociais e
educacionais. Dentro do contexto “Arrentela”, cada um possui o seu
próprio contexto familiar, histórico e social. Pelo que dentro desta
semelhança há uma grande diversidade. Observar os métodos
utilizados para promover a integração destas crianças e jovens, bem
como das suas famílias foi outros dos objectivos que pretendemos
alcançar com este trabalho.

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O trabalho é composto por uma apresentação sumária da história da


associação, as motivações a que os levaram os jovens a fundar a
associação, a opinião dos técnicos sobre como é trabalhar neste
contexto da Associação Khapaz, os projectos e actividades existentes,
entre outras informações relevantes.

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Associação Khapaz
Tudo começou na rua, com os jovens da Arrentela
que se reuniam à noite para falar sobre hiphop,
política, e história. Liam e discutiam cópias de livros
sobre a repressão, a resistência e a luta pela
independência dos países Africanos, sobre o
colonialismo, sobre o racismo que trama o povo africano nesta terra:
conversa e mais conversas todas a noites! Trouxe a vontade de fazer
muito mais!

Nascida na Margem Sul do Tejo, a Associação Khapaz é o fruto do


entusiasmo de jovens afro-descendentes. O que os unia à partida era
o amor pela música - seja a ligada às suas raízes africanas, seja as
modernas abordagens do Hip Hop - o que serviu de força para o
desenvolvimento da Associação.

Criou-se algumas estruturas como a sala de ensaio e a Afroteka e


realizou-se várias actividades dentro da sua própria perspectiva de
consciencialização sobre as suas raízes e realidade sociais e culturais:
workshops de hip-hop, debates sobre a globalização e o racismo, o
Dia de África, festas, exposições, desporto, danças, idas à praia,
filmes, acampamentos internacionais, a visita de Robert King dos
Panteras Negras dos EUA, etc.

Actualmente a Khapaz é um centro comunitário, mas também pólo


dinamizador da cultura local actuando sobre formação, aquisição de
novas competências, desenvolvimento pessoal direccionada aos
jovens afro-descendentes - a participação cívica e a integração social
advêm naturalmente das actividades propostas por esta Associação.

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Porquê o nome Khapaz?

Estamos a falar de jovens que estavam aqui no bairro, não tinham


nada para fazer e que a uma certa altura acham que deviam criar
algo e sentiram-se capazes de fazer. Há claramente um jogo entre
duas palavras, por um lado paz e por outro capaz. Conjuga o ser-se
capaz com a paz que tantas vezes falta nestes bairros menos
privilegiados. O “h” denuncia o que impulsionou muitos dos jovens
que criaram a associação, o hip-hop. Não é então de admirar, que os
grandes nomes do hip-hop, a nível nacional, tenham saído desta
associação, que é uma referência para outros jovens e outros bairros.

É em torno do nome Khapaz, que se tem desenvolvidas as actividades


e projectos da associação. Khapazes de Ser, Saber e Fazer.

A Associação tem por objectivos a promoção e valorização cultural e a


inserção social dos jovens afro-descendentes, através de:

a) Diagnóstico de problemas e necessidades existentes na


comunidade e procura de soluções;
b) Desenvolvimento da cooperação e solidariedade entre os seus
associados, realizando iniciativas relativas à juventude,
nomeadamente na área da intervenção cultural e social;
c) Promoção da participação cívica/cidadania dos jovens afro-
descendentes;
d) Criação de um Centro Cultural de África e Diáspora que
disponibilize recursos humanos, materiais e institucionais
necessários à consecução dos seus objectivos;
e) Dinamização de acções socioculturais, desportivas e ludico-
didáticas;
f) Desenvolvimento de capacidades cognitivas, organizativas,
participativas e relacionais na comunidade;

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g) Desenvolvimento de parcerias com instituições no sentido da


optimização das actividades e objectivos;
h) Sensibilização da população no sentido da promoção da saúde,
da educação, participação política, do bem-estar dos indivíduos
e da preservação do meio ambiente;
i) Promoção da formação e inserção socioprofissional.
j) Criação de um sistema de comunicação entre associações
congéneres, com vista ao desenvolvimento de acções
conjuntas, assim como para a promoção de intercâmbios;
k) Edição e difusão de materiais culturais e educativos relativos a
temáticas relacionadas com África e a Diáspora.

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O Animador e a Associação Khapaz

O animador sociocultural, tanto o com formação específica e aquele


com o dom natural de trabalhar para as pessoas sempre foi uma
presença constante na associação Khapaz. Dinamizar as actividades,
consciencializar as crianças e jovens, bem como toda a comunidade
da Arrentela, dar apoio social e escolar, intervir junto dos que mais
necessitam, é o papel destes animadores, que podemos encontrar no
espaço esta associação, bem como nas ruas da Arrentela, conscientes
ou não, da sua condição de Animador.

Corsino Fortes, Animador Sociocultural, um dos técnicos do projecto


Rualidades, elaborado pela associação e financiado pelo Programa
Escolhas coopera nas actividades da Associação Khapaz e é
responsável pelo Apoio Escolar do Projecto Rualidades. Corsino Fortes
considera-se como tendo uma veia para associações deste género,
onde sente que independentemente de estar a trabalhar num local
onde várias instituições realizam um trabalho já definido, existem
sempre pessoas que ficam de fora. Toda a estrutura social vai sempre
gerar pessoas que estão de fora. E essas pessoas precisam também
de ser “paradas”. Também o contexto histórico, educacional e familiar
promove essa exclusão.

Tendo já trabalhado com vários públicos, Corsino Fortes considera que


essas mesmas pessoas possuem indicadores do que é a nossa
sociedade, pessoas fragilizadas a todos os níveis, o que demonstra
que não estamos a trabalhar para todos, mas apenas para os mais
capacitados, os melhores trabalhados e o desafio é realizar um
trabalho para todos.

O estar ligado ao Apoio Escolar há muitos anos, sem dúvida


possibilitou a Corsino a posse de uma opinião crítica e fundamentada
e ao mesmo tempo esperançosa do sistema de ensino português.

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Trabalhar no contexto em que se insere a Associação Khapaz é um


desafio constante. Referimo-nos a jovens do 9º ano que nada
aprenderam e olhamos para eles e não têm nenhum problema
cognitivo que os impossibilite dessa aprendizagem. Estamos então
perante um crime, um crime social. Um crime duma escola, ou todo
um contexto que não o ensinou como deve ser e vai deixando que ele
passe sem se importarem. Passado 10 anos esse jovem não terá
forças para se “levantar” e irá aceitar um qualquer emprego que
talvez não o vá dar o sustento que ele queria e/ou necessita. Esta é a
questão que revolta Corsino Fortes, e por isso temos de fazer algo
que se adapte a toda a gente apesar das suas especificidades. E
nessa perspectiva que é importante o conhecimento, o saber, fazer
com que o jovem aprenda as coisas, porque o grande insucesso
escolar (no seu ponto de vista) advém do jovem não estar a aprender,
pois se ele estivesse a aprender acompanharia as aulas e seria mais
um em vez de menos um. Não fazemos uma escola para o sucesso,
mas sim para o insucesso.

Hoje a escola é para todos, mas nem sempre se ensina, nem sempre
se preocupa com todos.

Procurar a integração, procurar essa parte que faça o outro dar esse passo
para a integração, inserir a pessoa na resolução dos problemas é algo que
está a acontecer actualmente na associação.

Todos nós pagamos a factura da raiz do menos bom, mas quem paga mais
são sempre os mais desfavorecidos e neste contexto de bairros sociais
podem ter a certeza que os mais desfavorecidos estão lá.

Ana Fernandes, bacharel em Animação Sociocultural pelo Instituto


Piaget, é coordenadora, e também técnica do Projecto Rualidades.
Ana desde que iniciou a sua actividade como animadora, tem vindo a
trabalhar neste contexto dos bairros, com crianças e jovens
descendentes de imigrantes principalmente, e em escolas com uma
forte presença desta população.

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Para Ana exercer a sua profissão na associação Khapaz é, em primeiro


lugar muito especial, pois aquando da sua constituição esta
constituiu-se por jovens afro-descendentes, e nesse espaço havia
uma série de preocupações com os jovens descendentes de
imigrantes, o que motivou na altura os jovens da Arrentela a formar a
associação.

Surgiu a oportunidade e identificou-se imenso com a associação.


Considera que é gratificante trabalhar numa associação que resultou
da iniciativa dos jovens do bairro que se uniram, pois acharam que
juntos teriam outra força e sobretudo porque foram jovens que
quiseram responder às necessidades, aos seus próprios problemas,
motivações, e outras dificuldades que afectavam o bairro.

O papel de Ana Fernandes é coordenar o projecto Rualidades, bem


como executar com a cooperação dos restantes técnicos as
actividades que o projecto engloba.

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O Projecto Rualidades – áreas de actividade


O projecto gira em torno de quatro grandes vertentes.

1. Inserção escolar - medidas que promovam o sucesso escolar,


actividades na escola;

É das poucas áreas que sentimos que realmente podemos fazer uma
diferença na vida dos jovens, para que amanha não sejam mais uns
no desemprego é preciso reforçar aqui o apoio escolar. Os técnicos
deparam-se com muitas dificuldades. Alguns dos jovens não possuem
quaisquer bases escolares, vêm mal preparados, há muitos jovens
que vêm de Cabo Verde e ainda não dominam a língua portuguesa.
Outros desde o 5º ano que são “aprisionados” aos currículos
alternativos sem que ninguém dê uma explicação, uma palavra, aos
próprios e nem às famílias para onde os estão a “levar”. Cedo começa
o ciclo do facilitismo, dos percursos escolares alternativos que os
rotulam e não os irão beneficiar na sua inserção, nem em nada.

Ainda dentro desta área de Inserção Escolar existe o Khapazes de


Transformar, que é um programa de desenvolvimento de
competências que realizam nas escolas. Intervêm com algumas
turmas, em que se propõe algumas sessões, cada uma com os seus
objectivos e através da dinâmica de grupos leva-se os alunos a
reflectir sob uma determinada temática.

2. Empregabilidade - trabalhar com jovens a nível de percursos


profissionais, sobretudo para jovens que já não frequentam a
escola;

3. Ocupação dos tempos livres através das artes plásticas,


capoeira, etc;

Khapazes de Sair - esta actividade, de ocupação de tempos livres é


muito importante, principalmente neste contexto em que os jovens
apresentam fraca mobilidade. Apesar de estarem próximos de Lisboa,
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existe na Arrentela, o que acaba por ser comum em vários bairros um


grande isolamento social, por vários motivos e factores. Há jovens
que pouco saem do bairro. Lisboa é já ali mas cada viagem custa
cerca de 5 euros e para quem esta em situação de desemprego acaba
por ser uma condicionante para não sair do bairro e por isso o
Khapazes de sair é importante porque reúne um grupo de jovens
com os mesmos interesses e leva-os a algum lado, tentando sempre
utilizar os transportes públicos para criar por um lado certas
competências sociais, e por outro combater a fraca mobilidade.

4. Centro de Inclusão Digital NET - através das TIC promove-se o


conhecimento e a inserção.

2005 Foi o ano de inclusão digital para vários jovens da Arrentela.


Muitos dos jovens fizeram do Centro de Inclusão Digital um ponto de
aprendizagem e convívio mútuo.

Os utilizadores mais assíduos criaram um funcionamento próprio


para as actividades: Sala de informática e CID. Fizeram em conjunto
algumas regras das quais se destacavam “no CID não se diz
palavrões “, “a má utilização do equipamento dá lugar a uma
punição, que é a ausência de 10 a 15 minutos da actividade”

Os Jovens criaram os meios, o que levou a um ambiente consistente


onde as principais preocupações do monitor passaram pela
valorização do jovem, relacionando textos sobre as questões de
identidade, globalização, direitos de igualdade, entre outros.

No segundo semestre de 2005, a primeira etapa estava ganha: vários


dos jovens frequentadores do CID adquiriram competências na área
da informática que futuramente iriam dar resposta às suas
necessidades pessoais e profissionais.

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Objectivos Gerais do Projecto

Melhorar o desempenho escolar das crianças e jovens, através da


articulação com as instituições locais e da dinamização de várias
actividades de carácter lúdico-pedagógico.

Promover um conjunto de actividades vocacionadas para a promoção


da participação cívica e política, que motivem os jovens e lhes
imprimam autonomia e responsabilidade para trabalhar em torno de
questões do seu maior interesse, a nível cultural, social e económico.

Promover a inserção social dos destinatários, seja por intermédio de


acompanhamento e encaminhamento na situação pessoal, seja por
intermédio da dinamização de actividades diversas e pela
disponibilização de um conjunto de recursos variados.

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Rualidades… Para a Arrentela


Rua, local de passagem, de encontros, de ocupação dos tempos
livres, local comum a todos… rualidades, um projecto de intervenção
que pretende ir ao encontro dos membros da comunidade da
freguesia da Arrentela, perceber os seus problemas, observá-los de
perto, no contexto “rua”. Implementado nos bairros Quinta da Boa
Hora e Quinta do Cabral, este projecto desenvolve diversas
actividades de cariz social, desportivo e educativo. “Com o
Rualidades, abrem-se novas perspectivas, os jovens descobrem
novos mundos, promove-se a democratização da cultura” ressalta
Karina Ismael, ex-coordenadora do projecto, a quem se sucedeu Tânia
Mestre.

A comunidade abrangida caracteriza-se por ser uma população


maioritariamente imigrante e de descendentes de imigrantes,
sobretudo, de origem africana. Nestes bairros, observa-se uma certa
heterogeneidade social, comprovada pela coabitação de pessoas de
diferentes classes sociais. Deparamo-nos ainda com problemáticas
como a delinquência juvenil, a falta de mobilidade, o abandono
escolar, o desemprego, as baixas habilitações literárias, e situações
de desestruturação familiar.

É neste contexto que se desenvolve o Rualidades, projecto de


continuidade do Programa Escolhas 2ª Geração, anterior Konversu. Os
seus principais objectivos passam pelo apoio às instituições locais
para a melhoria do desempenho escolar das crianças e jovens, o
fomento da participação cívica e política, e a inserção social dos
destinatários, através do acompanhamento e encaminhamento para
a escola, a formação, o emprego e as instituições sociais.
“Pretendemos criar uma dinâmica de treino de competências e
aptidões. Pretendemos que os jovens se tornem mais autónomos e
participativos, que descubram uma série de novas perspectivas e
que, essencialmente descubram um sentido para a vida, imprimam
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conteúdo às suas atitudes e escolhas, e deixem de andar à deriva”


destaca a ex-coordenadora.

Actividades que começam na rua…


Mais de 200 crianças e jovens estão envolvidos nas acções do
Rualidades, de entre as quais se destacam as várias formações em
Informática, no Centro de Inclusão Digital – CID, o acompanhamento
familiar e social, o apoio escolar, e as oficinas temáticas em diversas
áreas, como desporto, ambiente, ciência e saber, sociedade,
mobilidade, entre outros. A nível artístico, há actividades ligadas à
música (computação digital, sala de ensaio, atelier de instrumentos
musicais), às artes plásticas (atelier de artes plásticas, atelier de
desenho livre), dança, design gráfico e expressão dramática. Também
no Espaço Lúdico-Artístico, os jovens podem jogar, criar, brincar,
inventar, promovendo assim a sua expressão artística e competências
de comunicação.

O “Trabalho de Rua” é uma área prioritária do trabalho desenvolvido


pelo Rualidades, tendo em conta as mudanças sociais e existenciais
constantes. Esta vertente gera uma maior proximidade à comunidade
e uma mais profunda compreensão da realidade em causa. Outro
aspecto inovador prende-se ao “Productive Learning”, um novo
método pedagógico de aprendizagem no jovem e em áreas do seu
interesse, numa lógica de aquisição de saberes socialmente úteis.

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Dia de Àfrika
No dia 24 de Maio, Domingo realizou-se na Arrentela, promovida pela
Associação Khapaz a comemoração do dia de África que se celebra a
25 de Maio. No âmbito das actividades Sociedade Khapaz onde se
debatem temas relacionados com a sociedade, e da Afroteka, que é
uma biblioteca disponibilizada na Associação Khapaz que dispõe de
livros acerca da guerra colonial, questões ligadas à afro-
descendencia, partidos de libertação, entre outros. O evento foi
pensado para que toda a
comunidade participasse,
tanto as crianças como as
pessoas mais adultas, pois
seria um dia de recordar o seu
continente, partilhar histórias
e recordações. O evento
contou com um workshop de
Oril, que é um jogo tradicional
de Cabo Verde que foi levado
pelos povos da Costa da
Guiné. Alia raciocínio,
estratégia e reflexão, com
desafio e competição de uma
forma lúdica. É composto por
12 casas, 2 depósitos e 48 sementes. O evento decorreu no jardim
localizado em frente à Associação, pois é um espaço que toda a
comunidade conhece. Este workshop teve grande adesão, pois foi
uma forma de transferir o conhecimento deste jogo tradicional
africano para todos os jovens nascidos em Portugal que não
conheciam o jogo nem as suas regras.

Foi um dia que apelou, sobretudo à “africanidade”, a música, os jogos

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tradicionais, o conto, – tão característico da cultura africana – a


criatividade e o convívio entre crianças, jovens e adultos. Convívio
esse que promove uma melhor relação entre a comunidade e as
diferentes faixas etárias. Neste dia apelou-se também ao
conhecimento de questões relacionadas com o continente africano
através de um quizz contendo 20 perguntas, elaborado pela
Associação Khapaz e distribuído às crianças que andaram pelo bairro
a fazer o teste às pessoas que encontravam, convidando-as
posteriormente a juntarem-se ao convívio, onde as crianças podiam
pintar um cartaz alusivo ao dia, ver um teatro de fantoches ou
simplesmente ouvir contos tradicionais africanos.

Testa os teus conhecimentos


Áfrika Quiz
Uma iniciatiava para assinalar o Dia de África
Assinale com X todas as respostas correctas! Boa Sorte

1. Dos seguintes países quais fazem parte do continente africano?


( ) Angola ( ) Líbia ( ) Quênia ( ) Suazilândia ( ) Eritréia ( ) Libéria ( ) México ( )
Mongólia
2. Das seguintes línguas, quais são línguas nativas do continente
africano?
( ) Árabe ( ) Swahili ( ) Português ( ) Kiganda ( ) Francês ( ) Tonga ( ) Inglês ( )
Unbunto ( ) Kinbundo ( ) Wolof ( ) Lingala
3. Como se chama o estreito que separa o Continente Africano da
continente Europeu?

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( ) Estreito África – Europa ( ) Canal do Suez ( ) Faixa de Gaza ( ) Estreito de Gibraltar


( ) Canal da Mancha
4. Qual o nome do maior deserto do Mundo, situado em África?
( ) Deserto da Etiópia ( ) Deserto da Mongólia ( ) Deserto do Saara ( ) Deserto
Vermelho

5. Quantos países têm o continente africano? ( ) 67 ( ) 54 ( ) 42 ( ) 83


6. Em que dia se comemora o Dia de África? ( ) 25 de Maio ( ) 25 de Dezembro
( ) 3 de Outubro ( ) Hoje
7. O rio mais longo do mundo situa-se em África. Diz o seu nome. ( ) Rio
Amazônia ( ) Rio Tejo ( ) Rio Danúbio ( ) Rio Kinshasa ( ) Rio Nilo ( ) Rio Riba Pedra
8. Nelson Mandela (depois de 28 anos preso por ter lutado contra o
discriminação racial), foi prémio Nobel da Paz, em 1993 e um ano depois
tornou-se presidente de que país africano? ( ) Birmânia ( ) Nova Zelândia
( )África do Sul
9. Qual foi o primeiro país Africano a tornar-se Independente, em 1957? ( )
Zimbabué ( ) Gana ( ) Cabo Verde ( ) Guiné – Bissau ( ) Brasil
10. Em 1916 nasceu o rei da Etiópia que seria pioneiro da cultura rastafari
e um grande resistente da cultura italiana. Qual o seu nome: ( ) Haille
Selassie ( ) Zumbi dos Palmares ( ) Shaka Zulu ( ) Bob Marley
11. Quem foi a maior resistente ao domínio português, em Angola? ( )
N’zinga ( ) Nehanda ( ) Binta ( ) Graça Machel
12. Dos seguintes escritores assinala todos os que são escritores
africanos: ( ) Pepetela ( ) Germano de Almeida ( ) Mia Couto ( ) Samir Amin ( ) Gil
Vicente ( ) José Saramago ( ) Jorge Amado
13. Dos seguintes lutadores, assinala todos aqueles que lutaram pela
independência dos seus países, colonizados por Portugal ? ( ) Amilcar Cabral
( ) Agostinho Neto ( ) Samora Machel ( ) Olden Roberto ( ) General Spínola ( ) E.
Zapata
14. Em que país de África decorre o maior Festival de Cinema/Teatro
Africano? ( ) Angola ( )Burkina Faso ( ) São Tomé e Príncipe ( ) Moçambique ( )
Guiné Equatorial
15. Que nome se deu ao esqueleto da mulher mais antiga do mundo,
encontrado em África, na Etiópia. ( ) Lucy ( )Aminata ( ) Esqueletópia ( ) Assata
Shakur
16. Quais destes animais têm origem africana? ( ) Leão ( ) Tigre ( ) Elefante ( )

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Pantera Negra ( ) Gibóia ( ) Urso Polar ( ) Girafa


17. Gastronomia: identifique pratos típicos africanos. ( ) Catchupa ( ) Calulu (
) Muamba ( ) Xérem ( ) Picanha ( ) Feijoada à Transmontana
18. O meridiano do Equador passa por um destes países africanos. Qual?
( ) Cabo Verde ( ) Guiné – Conácri ( ) São Tomé e Príncipe ( ) Zâmbia ( ) Tunísia
19. Identifica dos seguintes ritmos, quais são ritmos musicais Africanos. ( )
Merengue ( ) Puíta ( ) Morna ( ) Kuduro ( ) Funaná ( ) Rabita ( ) Kisomba ( ) Semba ( )
Mazurca ( ) Zouk ( ) Passada ( ) Tango ( ) Valsa ( ) Samba

20.Das seguintes capitais, identifique quais capitais de países Africanos. (


) Kinshasa ( ) Sofia ( ) Abidjan ( ) Addis-Abeba ( ) Cidade do Cabo ( ) Maputo ( )
Astana ( ) Luanda ( ) Bamako ( ) Ouagadougu ( ) Dakar ( ) Cidade da Praia ( ) Nairobi
( ) Khartoum

Conclusão

Com a realização deste trabalho, em que estivemos a observar um

contexto profissional, percebemos que trabalhar com pessoas, sejam

elas de qualquer faixa etária, estrutura social, é sempre um desafio. O

animador tem de se adaptar constantemente às situações que vão

acontecendo no dia-a-dia. O animador, sempre, mas principalmente nestes

contextos mais desfavorecidos deve trabalhar perspectivando o seu futuro,

a sua saída, ou seja, nós trabalhamos com as pessoas no sentido de

cada vez mais irmos ficando à sombra, até ao momento que já não

precisam de nós e façam as coisas por elas próprias.

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Metodologias e Métodos da Animação]

Bibliografia

Internet

http://www.programaescolhas.pt/

http://www.projectorualidades.blogspot.com/

Revista

Publicação Periódica Trimestral • Distribuição Gratuita • Nº 7 |


Novembro 2007 Página 44

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Anexos

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Índice

Instituto Politécnico de Setúbal......................................................................1

Escola Superior de Educação ........................................................................1

Licenciatura em Animação e Intervenção Sociocultural .............................1

UC: Contextos Profissionais e Metodologias e Métodos da Animação ........1

Khapaz - Associação Cultural de Jovens Afro-descendentes...........................1

Khapaz...........................................................................................................2

[Associação Cultural de jovens Afro-descendentes].......................................2

Introdução................................................................................. .....................1

Associação Khapaz.........................................................................................2

O Animador e a Associação Khapaz...............................................................5

O Projecto Rualidades – áreas de actividade .................................................8

Objectivos Gerais do Projecto.......................................................................11

Rualidades… Para a Arrentela......................................................................12

Actividades que começam na rua….............................................................13

Dia de Àfrika.................................................................................... ...........15

Conclusão........................................................................................... ..........18

Internet.................................................................................................19

Revista...................................................................................................19

Anexos..................................................................................................... .....20

Índice......................................................................................... .................21

Estatutos da Associação Khapaz

Plano detalhado de Actividades (semestral)

Organigrama

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