Você está na página 1de 3

ÉTICA GREGA E ÉTICA CRISTÃ: DIFERENÇAS

ÉTICA GREGA Religiões nacionais e políticas = a divindade se relacionava com a comunidade social politicamente organizada. Consciência do bem (Sócrates) Vontade guiada pela razão (Aristóteles) - Somos dotados de uma vontade que é uma faculdade racional, capaz de dominar e controlar a desmesura passional de nossos apetites e desejos. - Há uma força interior (a vontade consciente) que nos torna morais. ÉTICA CRISTÃ Religião de indivíduos que não se define pelo pertencimento a uma nação ou Estado, mas pela crença em um único Deus; O Deus cristão relaciona-se diretamente com os indivíduos que nele crêem; Dever – o individuo é incapaz em si mesmo e por si mesmo de realizar o bem e as virtudes - Somos dotados de vontade livre cujo primeiro impulso dirige-se para o mal e para o pecado, isto é, para a transgressão das leis divinas. - Somos seres fracos, pecadores, divididos entre o bem (obediência a Deus) e o mal (submissão à tentação demoníaca). - A própria vontade está pervertida pelo pecado e precisamos do auxílio divino para nos tornarmos morais. É O DEVER QUE GUIA A VONTADE LIVRE! A virtude é definida pela relação com Deus Conhecimento do bem Prudência ou sabedoria prática ↓ Educação moral: embate entre razão e as paixões A virtude é definida pela relação com a polis e com ou outros Fé e a Caridade: são virtudes primeiras condições de todas as outras e privadas e são privadas - relações do indivíduo com Deus e com os outros, a partir da intimidade e da interioridade de cada um; Condição de possibilidade da ética cristã – atos de dever

RELIGIÃO

CONCEITOS

SUJEITO ÉTICO MORAL

VIRTUDES

Condição moral de uma conduta: reconhecer a vontade e a lei de Deus, cumprindo-as obrigatoriamente, isto é, por atos de dever.
Localiza a conduta ética nas ações e nas atitudes visíveis do agente moral, ainda que tivessem como pressuposto algo que se realizava no interior do agente, em sua vontade racional ou consciente. Considera-se como submetido ao julgamento ético tudo quanto, invisível aos olhos humanos, é visível ao espírito de Deus, portanto, tudo quanto acontece em nosso interior. O dever não se refere apenas às ações visíveis, mas também às intenções invisíveis, que passam a ser julgadas eticamente.

TIPO DE AÇÃO (OBJETO DA ÉTICA)

jamais se submetendo a poderes externos à consciência. o domínio de nossa vontade e de nossa consciência por um poder estranho a nós? ROUSSEAU E KANT: OUTROS MODOS DE PROBLEMATIZAÇÃO As respostas de Rousseau e Kant. conduta indiferente à moral: quando agimos em situações que não são definidas pelo bem e pelo mal. embora diferentes. razão. submetendo-se apenas ao bem. . coração) as normas da conduta virtuosa.IDÉIA DO DEVER Distinção de três tipos fundamentais de conduta 1. desfazendo a impressão de que ele nos seria imposto de fora por uma vontade estranha à nossa. 2. A solução de ambos consiste em colocar o dever em nosso interior . 3. procuram resolver a mesma dificuldade: explicar por que o dever e a liberdade da consciência moral são inseparáveis e compatíveis. Dever e liberdade?  Se o sujeito moral é aquele que encontra em sua consciência (vontade. conduta moral ou ética: realiza-se de acordo com as normas e as regras impostas pelo dever. conduta imoral ou antiética: realiza-se contrariando as normas e as regras fixadas pelo dever. PROBLEMAS ÉTICOS MODERNOS 1. a idéia de dever não introduziria a heteronomia. como falar em comportamento ético por dever?  Se a ética exige um sujeito autônomo. isto é. e nas quais não se impõem as normas e as regras do dever.

toda e qualquer ação moral. que colocam suas vidas a serviço de um tempo novo. santos. um sistema de objetos que opera segundo leis necessárias de causa e efeito. Cultura (social) e dever (individual)? Hegel (Séc XIX) Vontade individual subjetiva + Vontade objetiva . Os criadores éticos são indivíduos excepcionais – heróis. I. . A imposição que a razão prática faz a si mesma daquilo que ela própria criou é o dever. instaurando uma ética nova. respeitada quase automaticamente por nós) + Moral aberta: criação de novos valores e de novas condutas que rompem a moral fechada.Obedecendo ao dever (à lei divina (SEC XVIII) inscrita em nosso coração). aos nossos sentimentos e às nossas emoções e não à nossa razão. 2. vontade muito mais poderosa. Dever = acordo pleno entre nossa vontade subjetiva individual e a totalidade ética ou moralidade . inaugurado por eles. A razão prática é a liberdade como O dever é uma forma que deve valer para instauração de normas e fins éticos. os fins e as leis de nossa ação moral e por isso somos autônomos.Dois tipos de razão/ dois tipos de ação (por causalidade. KANT (SEC XVIII) O dever não é um catálogo de virtudes nem uma lista de “faça isto” e “não faça aquilo”. tem também o O dever é um imperativo categórico. mas cria sua própria realidade. dever são inatos. são “a voz da Natureza” portanto. pois esta é responsável pela sociedade egoísta e perversa. ROUSSEAU e o “dedo de Deus” em nossos corações. interiorizando-as. damos a nós mesmos os valores. independentes de nossa intervenção. .inscrita nas instituições ou na Cultura. profetas. exterior.O dever simplesmente nos força a A consciência moral e o sentimento do recordar nossa natureza originária e. (Natureza humana boa) . que contrariam a moral fechada vigente. por finalidade e liberdade) A razão teórica tem como matéria ou conteúdo a realidade exterior a nós. habitual. pôr-se de acordo com as regras morais de nossa Sociedade. artistas -. Se a razão prática tem o poder para criar normas e fins morais. J. A razão prática não contempla uma causalidade externa necessária. estamos “Moral do coração” obedecendo a nós mesmos. poder para impô-los a si mesma. Ser ético e livre será.PRESSUPOSTOS IDÉIA DE DEVER . graças a ações exemplares. só em aparência é imposição J. na qual se exerce. Obedecê-lo é obedecer a si mesmo ! Por dever. portanto. Henri Bergson (Séc XX) Moral fechada: acordo entre os valores e os costumes de uma sociedade e os sentimentos e as ações dos indivíduos que nela vivem (repetitiva.