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Embargos ou impugnação como meio de inconformismo à execução?

Por Christine Keler de Lima Mendes

O embargo à execução é uma ação de conhecimento, incidente no processo de execução, em que o executado tinha a
oportunidade de apresentar ao juiz as defesas que tiver contra a execução.

Note-se que antes da Lei 11.323/05, não havia distinção entre a propositura de embargos em execução fundada em título
judicial ou extrajudicial.

Com a edição da Lei 11.232/05 que reformou o processo de execução até então adotado, não mais se fala em ação executiva
autônoma para a execução de título executivo judicial, e sim de cumprimento de sentença que se dá no bojo da ação de
conhecimento de natureza condenatória, nos moldes do Art. 475, I ss do CPC.

Diante da desnecessidade de propositura de ação executiva autônoma para concretizar o que foi decidido na sentença
condenatória, por óbvio, não há que se falar em embargos à ação de execução.

No entanto, o inconformismo do devedor quanto à legitimidade e legalidade da fase executiva não deixou de ser amparada
pela Lei 11.232/05, podendo o mesmo se valer da impugnação prevista no Art. 475-L do CPC.

No entanto, mesmo com as inovações na execução fundada em título executivo judicial trazidas pela Lei 11.232/05 que entrou
em vigor em 22 de junho de 2006, a execução amparada em título extrajudicial permanece regulada pelo Livro II do Código de
Processo Civil, o que implica dizer que ainda subsiste no ordenamento jurídico a ação de execução autônoma e, por
conseguinte, os Embargos à execução.

Por esse motivo, convêm traçarmos as principais diferenças entre os embargos á execução e impugnação.

Em primeiro lugar, esclareça-se que com a edição da Lei 11.232/05, os embargos à execução estão restritos as ações
executivas fundadas em título executivo extrajudicial.

Desse modo a redação prevista no Art. 736 do CPC "O devedor poderá opor-se à execução por meio de embargos, que serão
autuados em apenso aos autos do processo principal" ficou prejudicada, visto que não há mais processo principal e processo
executório para a declaração e satisfação de obrigação, respectivamente.

Tanto a declaração e condenação do devedor em ação cognitiva quanto o cumprimento da condenação dar-se-ão em único
processo, separado por fases em que a atividade cognitiva é predominante e fase executiva em que a atividade executiva
prepondera. Prejudicado também os embargos à execução nesse ponto.

Os embargos são ação de conhecimento, a disposição do executado que visa resistir à execução de títulos extrajudiciais, sob
argumentos previstos em lei.

Destaca-se que como se trata de ação de conhecimento, a cognição é exauriente, admitindo-se a produção de provas.

Frise-se que não são os embargos mero incidente do processo de execução, mas ação autônoma, de caráter incidente. Logo,
os atos processuais realizados não se tem caráter executório.

Daí a afirmativa de que a ação de embargos não se confunde com a ação executória, a primeira visa elidir a execução forçada
após a penhora, enquanto que na segunda busca-se a satisfação da obrigação estabelecida.

Salienta-se que o recebimento dos embargos implicará a suspensão da execução, essa suspensão é legal, ou seja, decorre de
lei, não cabendo ao juiz versar de sua conveniência.O juiz se restringe a dirimir se a suspensão da execução ocorrerá de
forma parcial ou total, mas não sobre sua ocorrência

Nada impede que os embargo versem parte do título extrajudicial. Se os embargos forem parciais, a execução prosseguirá
quanto à parte não embargada.

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Recebidos os embargos, o juiz mandará intimar o credor para impugna-los no prazo de dez dias. Note-se que não se verifica
os efeitos da revelia nos embargos de devedor, pois a execução embargada esta presumidamente fundada em título executivo
extrajudicial dotado dos requisitos de certeza, liquidez e exigibilidade.

A natureza da sentença de mérito dos embargos dependerá do que foi objeto da ação, podendo ser desconstitutiva negativa
quando desfizer o título executivo extrajudicial, bem como de natureza declaratória, quando, por exemplo, declara a
ilegitimidade do exeqüente ou executado.

Explanadas algumas considerações acerca dos embargos à execução de título extrajudicial, passaremos a delinear alguns
aspectos da impugnação ao cumprimento de sentença prevista na Lei 11.232/05.

De inicio, cabe esclarecer sobre a natureza da impugnação ao cumprimento de sentença. Com amparo na melhor doutrina
Paulo Henrique dos Santos Lucon(1) alerta para fato de que a impugnação pode ser considerada como defesa ou como ação,
na primeira, a ausência de impugnação (defesa) impede que haja apreciação em ação cognitiva autônoma acerca do debito.

Em sendo considerada como ação, não se fala em preclusão para a exame do debito em questão. Logo, em não havendo
impugnação, é possível a apreciação da legitimidade e legalidade do título judicial em ação cognitiva autônoma.

Lembre-se que perfeitamente possível aplicação do art. 585, § 1º do CPC à impugnação, senão vejamos:

Art. 585, § 1º - A propositura de qualquer ação relativa ao débito constante do título executivo não inibe o credor de promover-
lhe a execução.

Outro ponto que merece destaque, distanciando-se a impugnação dos embargos à execução, diz respeito ao efeito
suspensivo.

Ao contrario dos embargos, com o recebimento da impugnação, a suspensão não é de pleno direito do impugnante, visto que
sua conveniência caberá à analise do juiz.

Logo, o efeito suspensão pode ocorrer ou não, desde que proferida em decisão judicial motivada. Em todo caso, como se trata
de decisão judicial interlocutória, o recurso cabível é agravo de instrumento, conforme entendimento do Art. 475 M § 3 º do
CPC "A decisão da impugnação é recorrível mediante agravo de instrumento, salvo quando importar extinção da execução,
caso em que caberá apelação".

Em não se deferindo efeito suspensivo à impugnação, não resta qualquer óbice a execução, prosseguindo o executado com a
impugnação em autos apartados.

Note-se que as mudanças autorizadas pela Lei 11.232/05 - em especial quanto à execução fundada em título judicial em que
se prima pela celeridade processual e satisfação da obrigação de forma eficaz para o credor - a possibilidade de
prosseguimento da execução pendente impugnação do executado, ganha grande relevo para o combate a morosidade do
judiciário, bem como da concretização do acesso a justiça.

Salienta-se que apesar da possibilidade ou não de se conferir efeito suspensivo à impugnação, o Art. 475 M do CPC,
introduzido pela Lei 11.232/05, corroborando o que foi dito acima, estabeleceu como regra a não produção e efeito suspensivo
na impugnação, prevendo como exceção a suspensão da execução. Senão vejamos

Art. 475 M- A impugnação não terá efeito suspensivo, podendo o juiz atribuir-lhe tal efeito desde que relevantes seus
fundamentos e o prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil
ou incerta reparação.

Não obstante a decisão do juiz que conferir efeito suspensivo à impugnação é lícito ao exeqüente requerer o prosseguimento
da execução, oferecendo e prestando caução suficiente e idônea, arbitrada pelo juiz e prestada nos próprios autos (art.475 M,
§ 1º).

De outro lado, em caso da decisão de impugnação acarretar extinção da execução e assim a fase final do processo de
conhecimento, o recurso cabível é apelação, amparado no Art. 513 do CPC "Da sentença caberá apelação quando extinguir o
processo com ou sem resolução de mérito"

Por fim cabe alertar para o fato de que a impugnação, conforme Art. 475 - L do CPC, somente poderá versar sobre: I - falta ou
nulidade da citação, se o processo correu à revelia; II - inexigibilidade do título; III - penhora incorreta ou avaliação errônea; IV -
ilegitimidade das partes; V - excesso de execução; VI - qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como
pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença.
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Notas:

1 - LUCON, Paulo Henrique dos Santos. Nova Execução de Títulos Judiciais e sua Impugnação. Material da 9ª aula da
Disciplina Cumprimento das decisões e processo de execução, ministrada no Curso de Especialização Telepresencial e Virtual
em Direito Processual Civil - UNISUL-IBDP-REDE LFG.