Você está na página 1de 8

5S

Introdução
O 5s surgiu no Japão em meados do século XX e consiste basicamente no
empenho das pessoas em organizar o local de trabalho por meio de manutenção apenas
do necessário, da limpeza, da padronização e da disciplina na realização do trabalho, com
o mínimo de supervisão possível.
Muitas vezes o 5S é visto como uma grande faxina (Housekeeping) pelo fato das
pessoas não conseguirem perceber sua abrangência. Limitando o programa a esta esfera
física, perde-se grande parte do que de bom este tem para oferecer: a mudança de
valores. Na verdade, em sua essência, esse método explora três dimensões básicas: a
dimensão física (layout), a dimensão intelectual (realização das tarefas) e a dimensão
social (relacionamentos e ações do dia-a-dia).
Estas três dimensões se inter-relacionam e dependem uma da outra. No momento
em que uma das dimensões é alterada ou melhorada, sentimos reflexos nas outras duas.
É notório que modificar o espaço físico, buscando gerar um ambiente agradável e
eficiente de trabalho através do descarte de coisas desnecessárias, alterações de layouts,
ou mesmo alterar os processos (aspecto intelectual), é mais rápido e menos complexo
que prover mudanças de valores, crenças e hábitos dos indivíduos. Como em todo
processo de mudança organizacional, o 5S exige transformações profundas e de base e,
para que isso ocorra, é necessário que todos estejam engajados e tenham vontade de
mudar, principalmente a alta gerência que deve disseminar os novos hábitos top-down.
Então a alta gerência deve fortalecer os pontos que farão com que as pessoas
engajem no processo, como por exemplo: enfatizar os aspectos individuais para
fortalecimento do grupo; dar segurança a todos (ninguém perde, todos ganham); mostrar
que nada é inatingível e tudo pode ser melhorado; despertar o senso de utilidade em
todos (todos são importantes); entre outros valores.
Foi com este pensamento que os japoneses desenvolveram o “Programa 5S”, que
pode ser, até mesmo, considerado por alguns um estilo de vida.
Os 5S são derivados de palavras japonesas, iniciadas pela letra “s” e que
exprimem princípios fundamentais da organização. Inicialmente integravam o método 9
‘esses’: SEIRI, SEITON, SEISO, SEIKETSU e SHITSUKE, SETSUYAKO, SEKININ,
SHITSUKOKU e SHUKAN.
Os cinco primeiros “s” são definidos conforme definição abaixo:

1. SEIRI – Senso de utilização, arrumação, organização, seleção;


2. SEITON – Senso de ordenação, sistematização, classificação;
3. SEISO – Senso de limpeza, zelo;
4. SEIKETSU – Senso de asseio, higiene, saúde, integridade; e,
5. SHITSUKE – Senso de autodisciplina, educação, compromisso.

Com relação aos outros 4S, pode-se dizer que: SETSUYAKO é a necessidade de
economia, e exige a aplicação dos 5S. SEKININ é sentir-se responsáveis uns pelos
outros, e é isto que faz com que agimos disciplinadamente, com ordem e limpeza. E é o
SHUKAN (repetir bons hábitos) que buscamos quando modelamos nossos hábitos. E só a
persistência (SHITSUKOKU) pode transformar valores.
Como o objetivo do trabalho é mostrar a importância do 5S como uma alavanca
nos Programas de Qualidade, comentaremos um pouco mais sobre cada um dos 5S.
Definindo os 5S
1. SEIRI
O ‘senso de utilização’ consiste em deixar na área de trabalho somente o que é
extremamente necessário. Significa usar recursos disponíveis, com bom senso e
equilíbrio, identificando materiais, equipamentos, ferramentas, informações e dados
necessários e desnecessários, descartando ou dando a devida destinação àquilo
considerado desnecessário ao exercício dasatividades.
Deve-se eliminar não só os desperdícios de coisas materiais, como também as
tarefas desnecessárias, analisando o trabalho, e evitando assim esforços desnecessários.
Porém, o senso de utilização pressupõe que além de identificar excessos e/ou
desperdícios, estejamos também preocupados em identificar “o porquê do excesso” de
modo que medidas preventivas, não reacionárias, sejam adotadas para que os acúmulos
destes excessos não ocorram novamente.
Na terminologia da Qualidade, esta ação é chamada de “bloqueio das causas”. Na
tentativa de classificar o que é necessário, o esquema proposto por Hiroyuki Hirano.

No entanto, o hábito de guardar é um instinto natural das pessoas e encontramos


muitas barreiras quando desejamos descartar algo. Todavia, se quisermos ter sucesso
neste senso devemos transpor estas barreiras, pois o ponto chave deste é saber
identificar o necessário e dispor do desnecessário. Para implementar o senso de
utilização deve-se realizar algumas ações, dentre elas estão:

• Analisar tudo que está no local de trabalho;


• Separar o que é necessário do que não é;
• Verificar a utilidade de cada coisa e manter o estritamente necessário;
• Adequar os estoques às necessidades;
• Criar o hábito de compartilhar os materiais de trabalho com os demais;
• Promover o “Dia da Limpeza ou Descarte”, quando todos devem selecionar os
itens desnecessários a execução de suas tarefas e dar um destino adequado a
eles.
Ao implantar este senso alguns benefícios serão notados, como por exemplo, a
liberação de espaço físico, a diminuição de acidentes, a diminuição de custos de
manutenção, a reutilização de recursos, a melhoria do ambiente de trabalho, entre outros.
Mas, para que esse esforço perdure e não continuemos vivendo com o desnecessário,
devemos adotar alguns hábitos, como: adquirir somente o que precisar, fornecer apenas
se os outros precisarem. Uma frase pode expressar o significado do SEIRI: A
organização gera eficiência.

2. SEITON

Com a implementação do primeiro senso (de utilização) apenas o essencial para


execução dastarefas permanecerá no ambiente de trabalho. O próximo passo a ser dado
é desenvolver um arranjo físico sistemático para organizar de maneira mais funcional o
local de trabalho, isto é, dispor os recursos eficiente e eficazmente de modo a facilitar o
fluxo de pessoas, materiais e informação e gerar um sistema de controle visual.

O ‘senso de ordenação’ pode ser definido como “um otimizador da área de


trabalho”, pois
consiste em definir critérios e locais apropriados para estocagem, depósitos de
ferramentas e materiais, armazenamento e fluxo de informações, ou seja, “fazer com que
as coisas necessárias sejam utilizadas com rapidez e segurança, a qualquer momento”.

Este senso exige que as pessoas tenham hábitos do tipo: se ligar, desligue; se
desarrumar, arrume; se usar, deixe como estava antes; se precisar, deixe fácil de acessar.
Todavia, arrumar somente não é suficiente. Uma metodologia deve ser adotada para
assegurar a eficiência da sistematização (ordem).

Para implementar o senso de ordenação, sistematização e classificação alguns


procedimentos
devem ser tomados, dentre eles:

• Reorganizar a área de trabalho;


• Classificar os objetos (padronizando por nomes) e guarda-los segundo esta
classificação;
• Utilizar cores fortes e etiquetas para identificação;
• Utilizar quadros de aviso como fonte de informação;
• Praticar o sistema FIFO, first in first out (ou PEPS, primeiro a entrar primeiro a
sair);
• Elaborar mapa de riscos.

A sistematização do ambiente de trabalho propicia o gerenciamento eficaz, através da


otimização dos insumos, força de trabalho e meios de produção. Com isso, os benefícios
gerados são inúmeros, pois em ambiente ordenado, o trabalho é mais objetivo, aumenta-
se a produtividade, reduz-se custos, acidentes de trabalho, economiza-se tempo, entre
outros benefícios. Este segundo senso busca, então, o ótimo do sistema.

3. SEISO

Como o próprio nome diz, este senso consiste em manter limpo o ambiente de trabalho
(paredes, armários, gavetas, piso etc). “Poeira, lama, lixo, apares e outros nos locais de
trabalho, podem não somente influenciar negativamente na saúde e integridade dos
executantes como também causar danos, defeitos e falhas em equipamentos. O resultado disto
são quebras inesperadas de equipamentos, ferramentas não disponíveis, deterioração de peças
e materiais etc.” (LAPA, 1998). A filosofia principal neste senso não consiste no ato de
limpar, mas no ato de não sujar.
Em um sentido mais amplo estende-se também este senso para a informação, que deve ser
armazenada corretamente e atualizada freqüentemente para garantir que dados inúteis e
dispersos não afetem as tomadas de decisões. A limpeza deve ser feita de forma sistemática e
encarada como inspeção. Pois, assim, possibilitará a detecção de falhas nos equipamentos. O
senso de limpeza busca também identificar as causas da sujeira ou do mau funcionamento dos
equipamentos e eliminá-las (bloqueio das causas). A limpeza sistemática pode ser realizada
seguindo três passos, como proposto por Takashi Osada, e descritos
abaixo:

1. Nível Macro – limpar todas as áreas e lidar com as causas gerais da sujeira;
2. Nível Individual – Limpar as áreas e equipamentos específicos;
3. Nível Micro – Limpar partes dos equipamentos e ferramentas específicas.

O senso de limpeza e zelo requer comportamentos, como: se sujar, limpe; crie formas de
não sujar; entre outros. E para implementar este senso algumas medidas devem ser tomadas,
dentre elas:

• Educar para não sujar;


• Todos devem se comprometer com a limpeza de cada um;
• Descobrir e eliminar as causas da sujeira;
• Limpeza e clareza na comunicação;
• Ter em mente que não sujar é mais importante que limpar.

A implantação deste senso eliminará todo tipo de poluição sonora (ruídos e gritos), visual
(bagunça e sujeira) e ambiental (intrigas, fofocas e discussões) trazendo benefícios para
empresa, como por exemplo, a melhoria do ambiente de trabalho; a capacidade de detectar
falhas de equipamentos; a redução da taxa de deterioração dos equipamentos (maior vida útil),
e, portanto uma maior economia; o aumento da auto-estima no trabalho, etc. O conceito
transmitido neste terceiro senso é que limpar deve ser uma tarefa presente na rotina do
trabalho, mas o não sujar deve ser um hábito.

4. SEIKETSU

O quarto senso denominado senso de higiene, saúde e integridade, é alcançado


com a prática dos sensos anteriores. Consiste basicamente em garantir ambiente não
agressivo e livre de agentes poluentes, manter boas condições sanitárias nas áreas
comuns (banheiros, cozinha, restaurantes etc.), zelar pela higiene pessoal, gerar e
disponibilizar informações e comunicados de forma clara e, no sentido mais amplo do
senso, ter ética no trabalho e manter relações interpessoais saudáveis, tanto dentro
quanto fora da empresa. Porém, este senso é de vital importância para assegurar a
manutenção dos 3S iniciais, pois a melhoria da qualidade de vida no trabalho estimula a
adesão e comprometimento de todos (com a nova filosofia de trabalho).
Para implementação deste senso alguns procedimentos devem ser adotados,
dentre eles:

• Ter implementado os três primeiros sensos


• Valorizar a aparência pessoal e da empresa;
• Evitar todas as formas de poluição;
• Manter condições para colocar em prática o controle visual;
• Cuidar da saúde dos colaboradores (alimentação, exercícios físicos, exames
periódicos, equipamentos de segurança – EPI, etc.).
Com a aplicação deste senso e a manutenção dos demais supracitados a empresa
poderá obter como resultado a melhoria da qualidade de vida no trabalho, a melhoria do
relacionamento interpessoal, a diminuição do absenteísmo, a melhoria de produtividade,
etc. Como visto este senso busca condições favoráveis à integridade tanto física quanto
mental dos trabalhadores. Hábitos como não fazer o que é prejudicial; não
estabelecer condições mínimas de asseio, definem o que é o SEIKETSU.

5. SHITSUKE

O senso de autodisciplina, educação e compromisso, como definido por LAPA


(1998) procura corrigir o comportamento inadequado das pessoas e consiste em uma
nova fase, onde todos deverão moldar seus hábitos. Todos na organização devem seguir
e comprometer-se com as normas, os padrões e os procedimentos formais e informais e
introduzindo os conceitos de kaisen na vida pessoal (hábitos), profissional (aquisição de
conhecimentos) e na empresa como um todo. Segundo Habu et al (1992), “quando a
disciplina (SHITSUKE) se consolida, pode se dizer que o 5S como um todo também se
consolida”. A consolidação deste senso determina que a mudança de valores está
disseminada e enraizada em toda organização.
Este senso é mais difícil de ser implementado, pois envolve mudança de
comportamento. E como é intrínseco ao ser humano a resistência a mudanças, quer seja
por medo, comodismo ou interesse, torna-se abstruso mudar a cultura da organização,
que é composta por relações técnicas (hábitos relativos à realização das tarefas) e
relações sociais (hábitos relativos aos relacionamentos interpessoais). “A cultura marca os
limites dentro dos quais a tecnologia pode ser aplicada para se atingir os objetivos
desejados” (TRIST,1971). Então, o limiar da eficiência organizacional está em, conseguir
ou não, moldar a cultura organizacional de acordo com os objetivos da empresa. No caso
da gestão pela qualidade, a cultura organizacional (e de todos que nela estão) deve estar
voltada para satisfação do cliente. Desta forma as barreiras técnicas e não-técnicas
devem ser trabalhadas de forma gradual, incremental e contínua, para que todos
indivíduos da organização percebam os benefícios da prática dos bons hábitos. Para
praticar este senso algumas ações devem ser tomadas, dentre elas:

• Não acobertar erros;


• Tomar providências mediantes aos erros;
• Elaborar normas objetivas e claras;
• Compartilhar visão e valores;
• Melhorar a comunicação em geral;
• Educar, não treinar;
• Ser rigoroso com horários;
• Criticar de forma construtiva e recebe-las sem tomar como algo pessoal.

Os benefícios que este senso traz para empresa são inúmeros, como por exemplo
melhoria do relacionamento interpessoal, aprimoramento pessoal e empresarial,
predisposição ao desenvolvimento de trabalho em grupo devido ao aumento da
responsabilidade e estimulo a criatividade, melhoria da qualidade devido ao cumprimento
das normas e padrões, desenvolvimento de um cenário favorável a administração
participativa, o conceito kaisen (melhoria contínua) se torna intróito à vida pessoal,
profissional e empresarial, facilitando a introdução de “Políticas da Qualidade” na
empresa. etc. O sucesso de qualquer empresa é fruto do trabalho em grupo.
Este é o senso de maior acuidade no 5S, não que os demais não tenham
importância, mas por ser aquele que trabalha a dimensão social (hábitos, valores,
comportamentos e crenças), aquele que faz com que os indivíduos “aprendam a
aprender”.
Metodologia de Implantação
A metodologia de implantação do programa 5S pode ser modificada para situações
diferentes. O tamanho da empresa e o grau de cumplicidade dos funcionários para com o
seu trabalho são variáveis consideráveis para a implantação dos 5S. No presente trabalho
apresentar-se-á algumas etapas utilizadas para a aplicação do 5S.

• Palestras de divulgação
São usadas para difundir as idéias e os conceitos dos 5S. Abrangem desde a
implantação até a avaliação e subseqüente manutenção. Devem ser realizadas,
preferencialmente, por funcionários com alguma experiência em 5S.

• Formação da comissão geral


Esta comissão é responsável pelo planejamento, treinamento, implantação e
avaliação das atividades dos 5S.

• Dia da grande Limpeza (DGL)


É uma etapa extremamente importante do programa, devendo ter grande
participação dos funcionários da empresa. Limpar paredes, chão, cantos, vidros, ou seja,
a sala toda, usando vassoura, água, sabão, pano, etc. Retirar toda a sujeira de todos os
locais onde ela pudesse estar acumulada para depois manter o ambiente limpo, este deve
ser o objetivo desta etapa.

• 5S
Esta etapa é a aplicação dos 5S propriamente dita. Cada S deve ser aplicado
seguindo um cronograma elaborado pela comissão geral. Sendo que, aconselha-se a
participação de um número máximo de pessoas.

• Avaliação
A proposta do programa é que seja realizada uma avaliação ao final de cada
etapa. Para que ao final do quinto S obtenha-se os 5S aplicados e consolidados.

• Manutenção
O programa 5S não é um programa com início, meio e fim, mas sim permanente.
Portanto, torna-se necessário realizar avaliações periódicas, desenvolver novas
atividades de promoção, aplicar os conceitos aprendidos buscando melhorar sempre e
lembrar que o 5S necessita de persistência e dedicação.
Conclusão
O 5S tem sido utilizado cada vez mais utilizado em todo mundo, principalmente no
Japão, onde tem sido aplicado até mesmo no ambiente familiar. O 5S é uma ferramenta
simples, baixo custo e apresenta resultados a curto prazo, sendo aplicável em qualquer
setor industrial e até mesmo fora das fronteiras produtivas, como: escolas, repartições
públicas etc. Porém, é importante ressaltar que antes de aplicar qualquer técnica bem
sucedida em outras organizações, ou mesmo países, deve-se adaptá-la a nova
conjuntura que será implementada.
O maior ganho que o 5S proporciona é a mudança de comportamento das
pessoas e do ambiente da empresa. Economia, organização, limpeza, higiene e disciplina
tornam-se palavras comuns e praticadas por todos. Estes fatores são fundamentais para
elevar e garantir a produtividade. Além disso, implantar o 5S é uma boa maneira de
melhorar o seu Gerenciamento da Rotina e ter resultados cada vez melhores. Sem falar
no ganho social da empresa (que tem seu valor cada vez mais reconhecido no mundo
capitalista), com a prática da coleta seletiva.
Assim sendo, o 5S constitui uma boa maneira de testar se a organização esta
pronta ou não para iniciar projetos mais complexos, como por exemplo, a Gestão da
Qualidade Total. Pois, é uma abordagem sistêmica que envolve todos da organização,
orientando melhores valores, estabelecendo melhores hábitos e criando transparência no
ambiente de trabalho, em suma, estruturando a organização.
Entretanto, o 5S só retorna resultados efetivos para organização se for
implementado integralmente e compreendido dentro do contexto Kaisen (melhoria
contínua). Destarte, o 5S pode-se tornar o pilar dos processos de mudança
organizacional.
Trabalho
de Qualidade

5S

Rafael Arslan Nissan n° RA – 999159-0 Turma: EM7S01