Você está na página 1de 31

Licenciatura em Enfermagem - ESEC

Hormonas

Bioquímica e Biofísica

AC Santos - 2008/09
Sinalização celular
A essência da multicelularidade é interacção coordenada de vários tipos de
células que constituem o organismo.

As células comunicam entre si através de sinais químicos.

Podem distinguir-se 3 tipos de sinalização química:


• autócrina – a cél sinaliza-se através de um composto químico que sintetiza e
responde-lhe. Pode ocorrer somente no citoplasma ou interagindo com
receptores de superfície da própria célula.

• parácrina – sinais químicos que difundem para a zona e interagem com


receptores nas cél vizinhas, ex:
• libertação de citocinas que causam resposta inflamatória na zona;
• libertação de neurotransmissores nas sinapses nervosas.

• endócrina – os compostos químicos são segregados para a corrente


sanguínea e transportados pelo sangue e fluidos biológicos até às cél onde
actuam.
Tipos de hormonas
Há 2 classes principais de hormonas:
 proteínas, peptídeos e aminoácidos modificados
 esteróides

Proteínas, peptídeos e aminoácidos modificados

Estas moléculas (grandes) hidrofílicas ligam-se a receptores na superfície de


células alvo, isto é, células que respondem à presença da hormona.

Os receptores são proteínas transmembranares. A ligação da hormona ao


seu receptor inicia a sequência de sinais intracelulares que podem alterar o
comportamento celular (tal como a abertura o fecho de canais membranares)
ou estimular (ou reprimir) a expressão de genes nucleares por activação
(desactivação) de promotores ou “activadores” de genes.
Sequência:
• A hormona liga-se ao site na porção extracelular do
receptor.
o Os receptores são proteínas transmembranares
que passam através da membrana plasmática 7 x,
com a sua porção N-terminal exposta no exterior
da célula e a porção C-terminal projectada para o
citoplasma.
* A ligação da hormona ao receptor
activa a proteína G associada com o C-terminal citoplasmático.
Isto inicia a produção de 1 "segundo mensageiro". O 2º mensageiro mais comum é o
AMP cíclico, (cAMP) produzido pela adenilil ciclase a partir do ATP e inositol 1,4,5-
trisfosfato (IP3)
* O 2º mensageiro, por seu lado, inicia 1 série de acontecimentos intracelulares tais
como:
• fosforilação e activação de enzimas;
• libertção de Ca2+ para o citosol a partir de armazéns no RE.

* No caso do cAMP, estas alterações enzimáticas activam o factor de transcrição


CREB (cAMP response element binding protein)
* A ligação ao elemento de resposta
5' TGACGTCA 3'
nos promotores de genes que respondem à hormona, CREB activado, inicia a transcrição
do gene.
* A célula começa a produzir as proteínas em resposta ao sinal hormonal que recebeu à
sua superfície.
Hormonas esteróides

São moléculas hidrofóbicas que difundem livremente para dentro das células.
No entanto, as suas células alvo contêm proteínas citoplasmáticas e/ou
nucleares que actuam como receptores da hormona.
A hormona liga-se ao receptor e o complexo liga-se aos elementos de
resposta da hormona – porções de DNA dentro dos promotores de genes que
respondem à hormona. O complexo hormona/receptor actua como factor de
transcrição ligando os genes alvo "on" (ou "off").
Regulação hormonal
Os níveis de hormonas circulantes no sangue são estreitamente controlados por
3 mecanismos homeóstaticos:

1. Quando 1 hormona estimula a produção de uma 2ª, a 2ª suprime a produção


da 1ª.
Ex: a hormona folículo estimulante (FSH) estimula a libertação de estrogéneos
pelo folículo do ovário. 1 alto nível de estrogéneo, por seu lado, suprime a
continuação da produção de FSH.

2. Pares de hormonas antagonistas.


Ex: Insulina – o seu aumento causa a diminuição do nível de glucose no
sangue. Glucagon causa a subida de glicose no sangue.

3. Secreção de hormona é aumentada (ou diminuída) pela mesma substância


cujo nível é diminuído (ou aumentado) pela hormona.
Ex: aumento de Ca2+ no sangue suprime a produção da hormona paratiróide
(PTH). Um baixo nível de Ca2+ estimula a sua produção.
Transporte hormonal

Embora algumas hormonas circulem simplesmente


dissolvidas no sangue, a maioria é transportada
ligada a proteínas plasmáticas. Por exemplo, todas
as hormonas esteróides, que são altamente
hidrofóbicas, são transportadas deste modo.
Estrutura e Função das hormonas
A integração das funções orgânicas no homem e outros organismos superiores é
efectuada pelos sistemas nervoso, imunitário e endócrino.

O sistema endócrino é composto por um conjunto de tecidos que segregam os


seus produtos = hormonas endócrinas, para a corrente sanguínea, a partir de
onde se disseminam para todo o organismo, regulando a função de tecidos
distantes e mantendo a homeostase.

De um modo separado mas através de um sistema correlacionado os tecidos


exócrinos segregam os seus produtos para os ductos e depois para o exterior do
organismo ou para o tracto intestinal.

As hormonas endócrinas são consideradas classicamente como derivados


aminoácidos, peptídeos ou esteróis e com acção em locais distantes do seu
tecido de origem. No entanto, uma definição mais recente começou a tomar forma
uma vez que se descobriu que algumas substâncias segregadas actuam à
distância (endócrinas clássicas), perto das células que as segregam (parácrinas),
ou directamente na células que a segrega (autócrinas). Insulin-like growth factor-I
(IGF-I), comporta-se como endócrina, parácrina e autócrina.
Estrutura e Função das hormonas
As hormonas estão normalmente presentes no plasma e tecido intersticial em
concentrações entre 10-7M a 10-10M. Devido a estas concentrações fisiológicas
extremamente baixas, receptores proteicos muito sensíveis evoluíram em
tecidos alvo para detectar a pressença de sinais muito pequenos. Além disso,
mecanismos de feedback sistémico foram desenvolvidos para regular a
produção de hormonas endócrinas.

Quando uma hormona endócrina é segregada liga-se ao seu transportador


plasmático e o complexo é levado para tecidos à distância. Existem
transportadores plasmáticos para todas as classes de hormonas endócrinas,
que inibem a sua destruição por proteases plasmáticas.

Os transportadores para hormonas esteróides permitem que estas susbtâncias


altamente hidrofóbicas estejam presentes no plasma em concentrações várias
centenas de vezes superiores à sua solubilidade em meio aquoso.
Transportadores para hormonas derivadas de pequenos aa inibem a sua
filtração através do glomérulo renal, prolongando o seu tempo de circulação.
Estrutura e Função das hormonas
Tecidos que respondem a substâncias endócrinas têm 2 propriedades em
comum:
- têm um receptor com alta afinidade para a hormona
- o receptor está acoplado a um processo que regula o metabolismo das células
alvo.

Receptores para a maioria das hormonas derivadas de aa e pequenos


peptídeos localizam-se na membrana plasmática. Activação destes receptores
pelas hormonas (1º mensageiro) leva à produção intracelular de um 2º
mensageiro, tal como o cAMP, que é responsável pelo início da resposta
biológica. As hormonas esteróides e tiróideias são hidrofóbicas e difundem a
partir das suas proteínas transportadoras para o plasma, através da membrana
plasmática para receptores intracelulares. O complexo resultante liga-se aos
elementos de resposta do DNA nuclear, regulando a produção de mRNA para
proteínas específicas.
Receptores para hormonas peptídicas

Com excepção do receptor da hormona tiroideia, os receptores para hormonas


derivadas de aa e peptídeos estão na membrana plasmática.

A estrutura dos receptores varia: alguns receptores consistem numa cadeia


polipeptídica com um domínio de cada lado da membrana ligada por um
domínio membranar; outros receptores são compostos por uma só cadeia que
passa tipo serpentina através da membrana, ficando com muitos domínios
intra, trans e extracelulares; outros ainda são compostos por múltiplos
polipeptídeos.
Receptores para hormonas peptídicas

Após a ligação da hormona, o sinal é transduzido para o interior da célula,


onde 2º mensageiros e proteínas fosforiladas geram as respostas metabólicas.
Os 2º mensageiros principais são: cAMP, Ca2+, inositol trifosfate (IP3) e
diaciglicerol (DAG).
As proteínas são fosforiladas na serina e treonina pela proteína cinase
dependente do cAMP (PKA) e pela proteína cinase activada pelo DAG (PKC).
O sinal de ligação da hormona da maioria dos receptores de membrana é
transduzido para o interior das células por ligação a complexos receptor-ligando
membranares, proteínas de ligação GDP/GTP, conhecidos por proteínas G (ex:
glucagon).
Quando as proteínas G se ligam a receptores, o GTP troca com o GDP ligado
à subunidade da proteína G. O complexo proteína G-GTP liga-se à adenilato
ciclase, activando a enzima. Esta activação leva à produção citoplasmática de
cAMP e à activação da PKA, seguida pela fosforilação reguladora de numerosas
enzimas.
Receptores para hormonas peptídicas
Uma 2ª classe de hormonas peptídicas induz a trnsdução de dois 2º mensageiros, DAG e
IP3 (ex: estimulação α-adrenérgica pela adrenalina).
Hormonas peptídicas

Muitas hormonas derivadas de aa e peptídeos são sintetizadas pelo tecido


neural, com impacto final em todo o sistema.

Células da hipófise anterior, com receptores específicos para libertadores de


hormonas, funcionam geralmente através de um mecanismo ligado a Ca2+, IP3,
PKC que estimula a exocitose de vesículas pré-existentes. As hormonas
hipofisárias são transportadas pela circulação sistémica até aos tecidos alvo,
onde geram actividade biológica específica.
Hormonas principais
Onde se
Hormona Função
produz
Aldosterona Glândulas Regula o equilíbrio do sal e da água por meio da sua retenção e
supra-renais da excreção de potássio.
Hormona antidiurética (vasopressina) Hipófise Faz com que os rins retenham água e, juntamente com a
aldosterona, controla a pressão arterial.
Corticosteróide Glândulas Tem efeitos em todo o organismo; exerce especialmente uma
supra-renais acção anti-inflamatória, mantém a concentração de açúcar no
sangue, a pressão arterial e a força muscular; colabora no
equilíbrio de sais e água.
Corticotropina Hipófise Controla a produção e secreção de hormonas do córtex supra-
renal.
Eritropoietina Rins Estimula a produção de glóbulos vermelhos.
Estrogénios Ovários Controla o desenvolvimento das características do sexo feminino
e do sistema reprodutor.
Glucagina Pâncreas Eleva a concentração de açúcar no sangue.
Hormona do crescimento Hipófise Controla o crescimento e o desenvolvimento; promove a
produção de proteínas.
Insulina Pâncreas Diminui a quantidade de açúcar no sangue; influi no metabolismo
da glicose, proteínas e gorduras em todo o corpo.
Hormonas principais
Onde se
Hormona Função
produz
Hormona luteinizante e hormona Hipófise Controlam as funções reprodutoras, como a produção de
foliculoestimulante esperma e sémen, o amadurecimento do óvulo e os ciclos
menstruais; controlam as características sexuais masculinas e
femininas (como a distribuição do cabelo, a formação dos
músculos, a textura e a espessura da pele, a voz e inclusive os
traços da personalidade).
Oxitocina Hipófise Contrai os músculos do útero e dos canais das glândulas
mamárias.
Hormona paratiróidea Glândulas Controla a formação óssea e a eliminação de cálcio e de fósforo.
paratiróides
Progesterona Ovários Prepara o revestimento do útero para a implantação do óvulo
fertilizado e as glândulas mamárias para segregar leite.
Prolactina Hipófise Inicia e mantém a produção de leite nas glândulas mamárias.

Renina e angiotensina Rins Controla a pressão arterial.

Hormona tiróidea Glândula tiróide Regula o crescimento, o amadurecimento e a velocidade


metabólica.
Hormona estimulante da tiróide Hipófise Estimula a produção e a secreção da hormona tiróidea.
Hormona do crescimento

A secreção de hormonas hipotalâmicas, hipofisárias e para tecidos alvo é regulada


por uma série de loops de feedback e feedforward (ex: funcionamento da
hormonas do crescimento - GH). A substância estimuladora de libertação de GH
(GRH) e a substância inibidora = somatostatinas (SS) controlam a secreção da
GH. GH liberta-se induzindo os tecidos alvo a produzir insulin-like growth factor-1,
IGF-1. A principal fonte sistémica de IGF-1 é o fígado, que é o principal regulador
do crescimento tecidular.

Existem várias deficiências genéticas ligadas à GH. Os anões não conseguem


sintetizar GH e respondem à terapia com esta hormona. Os pigmeus têm uma
deficiência no post-receptor. A produção de altas quantidades de GH antes do
fecho dos ossos longos leva ao gigantismo e quando há excesso de GH após o
fecho das epífises ósseas há acromegália.
Prolactina (PRL)

Prolactina é produzida na hipófise através de control negativo pela hormona


inibidora da prolactina (PIH), isto é a dopamina. Diminuição da produção pela
hipófise de dopamina ou lesão do pedúnculo da glândula leva à secreção de PRL.
A PRL inicia e mantém a lactação nos mamíferos mas normalmente só em tecido
mamário activado por estrogéneos.
Lactogéneo Humano Placentar (hPL)

Lactogéneo placentar humano (hPL) é produzido pela placenta no final


da gestação. No seu máximo é segregado em cerca de 1 g/dia, a maior
taxa de segregação de todas as hormonas humanas conhecidas.
Gonadotropinas

As gonadotropinas (LH, FSH e CG) ligam-se às células nos ovários e testículos


e stimulando a produção das hormonas sexuais estrogéneo, testosterona (T), e
dihidrotestosterona (DHT). No sexo masculino, a hormona luteinizante (LH) liga-
se às células de Leydig para induzir a secreção de T, enquanto a hormona
folículo estimulante (FSH) se liga às células de Sertoli e induz a secreção de T
e DHT. No sexo feminino, LH induz as células tecais a segregar estradiol e a
FSH estimula a síntese de estrogéneo pelas células granulosas.

A gonadotropina coriónica humana (hCG) é uma hormona placentar e a sua


produção aumenta bastante após implantação. O seu aparecimento na urina e
no plasma é um dos 2º sinais de gravidez e serve de base à maioria dos testes
de gravidez.
Hormona antidiurética

A hormona antidiurética (ADH) é segregada quando o


organismo tem pouca água. Faz com que os rins conservem
a água, concentrando e reduzindo o volume da urina.
Esta hormona também é chamada vasopressina, pois
aumenta a pressão sanguínea ao induzir uma
vasoconstrição moderada sobre as arteríolas do corpo.
A vasopressina é segregada pela neurohipófise (porção
posterior da hipófise), mas é produzida por células nervosas
do hipotálamo que estendem os seus axónios até a
neurohipófise.
O consumo de bebidas alcoólicas suprime a produção do
ADH, aumentando a diurese.
Sistema Renina-Angiotensina
O sistema renina-angiotensina ou sistema renina-angiotensina-aldosterona
é um conjunto de peptídeos, enzimas e receptores principalmente envolvidos no
controle do volume de líquido extracelular e na pressão arterial.
O sistema renina-angiotensina-aldosterona (S-RAA) é descrito como um eixo
endócrino no qual cada componente de uma cascata é produzido por diferentes
órgãos. È um exemplo de interacção de vários sistemas orgânicos envolvidos na
manutenção a estabilidade hemodinâmica.
O organismo humano tem dois tipos diferentes de sistemas renina-angiotensina-
aldosterona:
* o circulante, descrito há já bastante tempo,
* o local, descrito mais recentemente, que parece desempenhar um papel crucial
na manutenção da homeostase circulatória.

No S-RAA circulante, o angiotensinogénio é produzido pelo fígado, que requer


glicorticóides do córtex adrenal e estrógeno das gónadas. A renina é liberada
pelos rins, enquanto que a enzima de conversão de angiotensina I em
angiotensina II (ECA) se encontra no endotélio vascular de vários órgãos.
Sistema Renina-Angiotensina
Uma vez activada a cascata, surgem a angiotensina I e a angiotensina II, que
circulam pelo sangue activando as suas estruturas-alvo:
- vasos sanguíneos (sobretudo arteríolas e veias sistémicas), rins, coração,
adrenais e o sistema nervoso simpático.

A lógica fundamental que preside ao funcionamento do sistema é responder a


uma instabilidade hemodinâmica e evitar a redução da perfusão tecidual
sistémica. O sistema actua de modo a reverter a tendência para hipotensão
arterial através da indução de vasoconstrição arteriolar periférica e aumento na
volemia por meio de retenção renal de sódio (através da aldosterona) e água
(através da liberação de ADH-vasopressina).

Assim, o sistema renina-angiotensina-aldosterona soma-se ao sistema simpático


e à ADH, constituindo o trio de sistemas neuro-hormonais de compensação
cardiovascular.
Hormonas tiroideias

A glândula tiróide é composta por dois lobos e localiza-se no pescoço (em frente à traqueia) e
produz hormonas, principalmente tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), que regulam a taxa do
metabolismo e afectam o aumento e a taxa funcional de muitos outros sistemas do organismo.
O iodo é um componente essencial tanto da T3 como da T4.
A tiróide também produz a hormona calcitonina, que possui um papel muito importante na
homeostase do cálcio. O hipertiroidismo (tiróide muito activa) e hipotiroidismo (tiróide pouco
activa) são os problemas mais comuns da glândula tiróide.
A principal função da glândula tiróide é a produção e armazenamento de hormonas tiroideias,
T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina). A produção destas hormonas é feita após estimulação das
células pela hormona da hipófise TSH no receptor membranar do TSH, existente em cada
célula folicular. As células intersticiais, células C, produzem calcitonina, uma hormona que leva
à diminuição da concentração de cálcio no sangue (estimulando a formação óssea).

A tiróide é a única glândula endócrina que armazena o seu produto de excreção. As células
foliculares sintetizam, a partir de aminoácidos e Iodo (este é convertido a partir do íão iodeto
presente no sangue que armazenam activamente até grandes concentrações graças a um
transportador membranar específico), a proteína de alto peso molecular tiroglobulina que
segreaam para o interior dos foliculos sob a forma de solução aquosa viscosa, o colóide.
Hormonas tiroideias
De acordo com as necessidades (e níveis de TSH), as células foliculares captam
por pinocitose líquido colóide. A tiroglobulina aí presente é digerida nos lisossomas
e transformada em T3 e T4 que são libertadas no exterior do folículo para a
corrente sanguínea.

A actividade das células foliculares depende dos níveis sanguíneos de TSH


(hormona hipofisária tirotrófica). A TSH determina a taxa de secreção de T3 e T4 e
estimula o crescimento e divisão das células foliculares. Esta é segregada na
glândula pituitária ou hipófise. A secreção de TSH depende de muitos factores, um
dos quais é o feedback negativo pelas hormonas tiroideias (grandes quantidades
de T3 ou T4 são detectadas pela hipófise a a secreção de TSH é diminuída e vice-
versa).
As hormonas tiroideias T3 e T4 (a T3 é mais potente e grande parte da T4 é
convertida em T3 nos tecidos periféricos) estimulam o metabolismo celular (são
hormonas anabólicas) através de estimulação das mitocôndrias. Efeitos sistémicos
importantes são maior força de contracção cardíaca, maior atenção e ansiedade e
outros devido maior velocidade do metabolismo dos tecidos. A sua carência
traduz-se em déficit mental e outros distúrbios.
Oxitocina

A ocitocina ou oxitocina é uma hormona produzida pelo hipotálamo e


armazenado na hipófise posterior (neuro-hipófise) e tem a função de promover
as contracções uterinas durante o parto e a ejecção do leite durante a
amamentação.

Também é uma hormona ligada ao que as pessoas sentem por exemplo, ao


abraçar alguém que se conhece de longa data. De acordo com um estudo da
Universidade de Zurique, se se colhesse oxitocina por ex do nariz de pessoas
prestes a começar uma discussão diminuía a produção de cortisol, uma
hormona produzida em resposta ao stress da discussão.
A activação dos córtices insular e cingular anterior e do núcleo paraventricular
foi observada como precursora da produção de oxitocina no hipotálamo com
consequente liberação pela hipófise posterior. Essa hormona é responsável
pela sensação de prazer quando a mãe tem o seu bébé, mas também quando
o pai segura o filho nos braços. Vários especialistas designam-a hormona do
amor. Assim como a prolactina, a concentração de oxitocina aumenta 400%
depois do orgasmo.
Somatostatina

A somatostatina é classificada como uma hormona inibitória, cujas principais


acções são:
•Inibir a secreção da hormona do crescimento (GH)
•Inibir a secreção da hormona estimulante da tiróide (TSH)
•Diminuir a secreção dos hormonas gastrointestinais
Gastrina
Colecistoquinina (CCK)
Secretina
Motilina
Peptídeo vasoactivo intestinal (VIP)
Polipeptídeo inibitório gástrico (GIP)
Enteroglucagon (GIP)
•Diminuir a liberação das hormonas pancreáticos
•Inibir a secreção de insulina
•Inibir a secreção de glucagon
•Diminuir a acção secretora exócrina do pâncreas
Somatostatina

A somatostatina é uma hormona proteica produzida pelas células delta do


pâncreas, nas Ilhotas de Langerhans. Intervém indirectamente na regulação da
glicemia e inibe a secreção da insulina e glucagon. A secreção da somatostatina
é regulada pelos altos níveis de glicose, aminoácidos e de glucagon. O seu
déficit ou seu excesso provocam indirectamente transtornos no metabolismo dos
carbohidratos.
Insulina

Insulina é a hormona responsável pela redução da glicemia (taxa de glicose no sangue), ao


promover a entrada de glicose nas células. Ela também é essencial no consumo de
carbohidratos, na síntese de proteínas e no armazenamento de lípidos (gorduras).
É produzida nas ilhotas de Langerhans, células do pâncreas endócrino. Actua numa grande
parte das células do organismo, como as células presentes em músculos e no tecido adiposo,
apesar de não agir em células particulares como as células nervosas.

Quando a produção de insulina é deficiente, a glicose acumula-se no sangue e na urina,


diabetes mellitus. Para pacientes com esta patologia, a insulina é fornecida através de
injecções ou bombas de insulina. Recentemente foi aprovado o uso de insulina inalada.
Porém, ainda há controvérsias acerca do uso do produto comercializado pela Pfizer.

A insulina é um polipeptídeo de estrutura química conhecida e pode ser sintetizada a partir de


diversos animais. Mais recentemente, surgiram os medicamentos análogos de insulina, que
não são propriamente a insulina em si, mas moléculas de insulina modificadas em laboratório.
O controle na produção de insulina pelo corpo é um exemplo de sistema de feedback.
Glucagon

O Glucagon é uma hormona polipeptídica produzida nas células alfa das


ilhotas de Langerhans do pâncreas e também em células dispersas no tracto
gastrointestinal. São conhecidas inúmeras formas de glucagon, tsendo a forma
biologicamente activa 29 aminoácidos.

É uma hormona muito importante no metabolismo dos carbohidratos. A sua


acção mais conhecida é aumentar a glicemia (nível de glicose no sangue),
contrapondo-se aos efeitos da insulina. O glucagon age na conversão do ATP
(trifosfato de adenosina) a AMP-cíclico, composto importante na iniciação da
glicogenólise, com imediata produção e libertação de glicose pelo fígado.

A palavra glucagon deriva de gluco, glucose (glicose) e agon, agonista, ou


agonista para a glicose.