AULA 06

BENS PÚBLICOS – AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO

Como vimos, a administração dos bens públicos repousa na obediência aos preceitos constitucionais e aos princípios que norteiam a Administração, assim, em sentido amplo, administrar o patrimônio público também significa gerir de forma correta a aquisição e a alienação de tais bens. A alienação que é a transferência de propriedade, de forma gratuita ou remunerada, pode ocorrer pela venda, permuta, doação, dação em pagamento, investidura, legitimação de posse ou concessão de domínio, motivo pelo qual estudaremos uma a uma. Porém, antes devemos ressaltar que as negociações envolvendo bens públicos somente poderão ocorrer se e somente se o bem não for de uso comum do povo ou de uso especial, pois como já estudado em aulas anteriores, aqueles são para o uso de todos, de forma indiscriminada ou individualizada e estes são os que a Administração põe à disposição do povo para a execução do serviço público, do que concluímos que somente podem ser negociados os bens dominiais. E para que o bem que não é dominical passe a receber tal classificação é necessário que ele seja desafetado do uso ou da utilidade pública, se tornando obsoleto ou inservível.

VENDA: contrato pelo qual uma das partes (vendedor) transfere a propriedade de um bem a outra (comprador), mediante pagamento de preço certo em dinheiro. (art. 481, CC). Todo contrato de venda, mesmo que envolva patrimônio público é regido pelo Direito Privado, pois não existe VENDA

ADMINISTRATIVA. Assim a Administração, nestes casos, figura em condições de igualdade com o particular. Isso não significa que o interesse público se

desde que estejam desafetados. Exige-se aqui lei autorizatória. Para que haja o procedimento de compra (aquisição) ou de venda (alienação). seguindo as regras dos art. a formalidade de desafetação do bem. CC. transfere seu patrimônio. já os Estados e Municípios podem ter suas regras. para a Administração contratar em compra e venda. em regra a Lei nº 8. Cabe lembrar também que a Administração sempre se preserva. de processo licitatório. pode haver disputa licitatória. sob pena de nulidade do negócio firmado. prévia avaliação do bem e caso seja doação com encargos. A Administração pode fazer doação de seus bens móveis ou imóveis. quanto à natureza ou situação do bem. como já dito.equipara ao particular. DOAÇÃO: contrato pelo qual o doador. há regras rígidas a serem seguidas. desta forma. porém sempre em consonância com a lei mencionada. obedecendo-se. tudo vai depender do valor do bem. ou parte dele a outro (donatário). valerá para as demais modalidades de alienação e de aquisição. sempre visando o interesse maior do povo. Também é um contrato civil. OBS: 1) em casos de imóveis a licitação é sempre exigida. avaliação do bem por peritos. a fim de indicar o melhor donatário. Para bens móveis e semoventes. além da geração de encargos (responsabilidades) para o particular que está negociando com o Estado. a título de evitar prejuízos ao erário. 2) O que já fora mencionado quanto às exigências formais em vendas. 538 e 539. por sua liberalidade.666/93. é sempre necessária a existência de lei autorizatória. para a Administração Federal. e se preciso for. . é somente a condição da Administração no ato da contratação de compra e venda.

porém deve existir lei autorizatória e prévia avaliação dos bens a serem permutados. mas depende da aceitação do credor. Mais uma vez vale lembrar que o bem deve estar desafetado. A coisa a ser dada em pagamento pode ser de qualquer natureza.Cumpre esclarecer que encargos aqui. Aqui também não se exige procedimento licitatório. objetivando a solvência de uma obrigação (dívida) anterior. pois o negócio é para pagamento de pessoa certa (o credor). não diz respeito a pagamento de qualquer espécie. Logicamente não há a necessidade de procedimento licitatório. . A Administração pode também se utilizar dessa modalidade de aquisição/alienação. A Administração pode se utilizar dessa modalidade. devendo estar constante da lei que autorizou o ato. caso o donatário não cumpra a obrigação imposta. A Permuta pode ser feita com bens que tenham o mesmo valor. ou então podendo haver o pagamento da diferença em dinheiro. entre os respectivos proprietários. DAÇÃO EM PAGAMENTO: é a entrega de um bem. evitando-se lesão ao erário. mas depende de lei autorizatória e de avaliação prévia do bem. o bem poderá ser revertido ao patrimônio do ente público doador. podendo ser constada cláusula de reversão. que não seja dinheiro. mas sim obrigações do que o donatário deverá fazer no uso do bem doado. Mas é sempre bom estar em alerta para que haja a comprovação do interesse público. Essa modalidade é muito utilizada para o favorecimento de construções que servirão de melhoria para o serviço público. PERMUTA: contrato pelo qual é feita a troca de um bem por outro bem.

é possível o procedimento de aquisição/alienação para o aproveitamento delas. se da Administração ao particular. a qual precedida de lei autorizatória. quando não há transferência de propriedade. será por esta modalidade.A Permuta pode ocorrer entre entes públicos ou entre a Administração e particular. mediante o pagamento o justo valor. deve haver o devido registro em Cartório Imobiliário. caso o particular não queira investir ao patrimônio público a área inaproveitável. e de prévia avaliação das glebas. sendo que neste caso também haverá o pagamento do justo valor. mas incorporadas à área lindeira. sendo feita a transmissão da propriedade a título gratuito ou oneroso. sendo regularizada somente por lei se procedida entre entes públicos. voltam à sua condição de aproveitamento. mas deve haver lei autorizatória (interesse público) e prévia avaliação da área a ser investida. só se dispensa o procedimento de disputa licitatória. Aqui é feita a alienação do imóvel e não somente a concessão de uso ou de direito real de uso. se como resultante de uma obra pública ou então de uma particular. CONCESSÃO DE DOMÍNIO: é forma de alienação de terras públicas. como pode a Administração proceder a desapropriação. um terreno urbano ou gleba de terra rural se torna inaproveitável por sua nova condição ou situação (contornos). Essa modalidade pode ocorrer tanto para a incorporação de áreas públicas a particulares e vice-versa. mas caso haja negociação de tais áreas. ou seja. pois são inaproveitáveis se ficarem isoladas. . Logicamente. Não é obrigatório que se faça a investidura. INVESTIDURA: é a incorporação de uma área isoladamente inaproveitável à uma área lindeira. Tanto o particular pode compelir o Estado a proceder a investidura de área pública ao seu patrimônio.

além do ressarcimento do dano. resta apenas o comentário de Hely Lopes Meirelles. precedido de licitação. O desatendimento das exigências legais na aquisição de bens para o patrimônio público poderá dar causa a invalidação do contrato. I e III). continuando sem uso. e legislação estadual e municipal pertinentes). desde que ocupada por longo tempo por particular. para melhor compreensão.320/64. 1º. como para construção de edificação para seu uso. 1º e 4º). art. esta se sobrepõe às anteriores. este será substituído pela legitimação. Melhor explicando: se o imóvel veio para o patrimônio público em razão de abandono do dono anterior e não houve nenhuma anotação dessa condição. art. se houver lesão aos cofres públicos. AQUISIÇÃO: a Administração necessita. Deve haver o devido registro em nome do legitimado.” . Para a realização dessas aquisições. móvel. Esse instituto visa à perfeita adequação do fim social do imóvel. –lei 201/67. como já vimos as modalidades. 70. quando for o caso (Lei 4. tanto para cultivo. 60). 315.320/64. art. procede-se a legitimação da posse (que é na verdade uma transferência de domínio). e posteriormente. 36ª edição. Dec. etc. em sua obra “Direito Administrativo Brasileiro”. cumprindo preceito constitucional. no caso de Prefeito Municipal. e a responsabilização do infrator pro emprego irregular de verbas ou rendas públicas (CP. para o bom atendimento e para a correta prestação de seus serviços de adquirir bens de qualquer natureza. pág. art. outro particular se apossou do mesmo e agora para a regularização.LEGITIMAÇÃO DE POSSE: modo excepcional de transferência de domínio (propriedade) de terra devoluta ou área pública sem utilização. imóvel. até mesmo por ação popular (lei 4.717/65. 576: “Toda aquisição de bens pela Administração deverá constar de processo regular no qual se especifiquem as coisas a serem adquiridas e sua destinação. art. a forma e as condições de aquisição e as dotações próprias para a despesa a ser feita com prévio empenho (Lei Federal 4. Caso haja registro anterior. nos termos do contrato aquisitivo.

assim havendo processo que defina dívida da Fazenda Pública. pois tais bens estão ligados direta ou indiretamente ao benefício da coletividade. 100.REGIME JURÍDICO DOS BENS PÚBLICOS: Pela destinação dos bens públicos e também em face de sua afetação ao uso comum do povo ou ao uso especial em benefício da coletividade. ao falarmos de bens afetados. O credor do Estado tem a garantia por requisição de pagamento. quer seja pelo uso comum. há regras próprias para o Estado cumprir execução judicial. pois o interesse público é superior ao particular. Essa condição nos leva a três características de inalienabilidade dos bens públicos afetados. que se não cumpridas poderá gerar intervenção no ente federativo devedor. fazendo constar esses valores em sua previsão orçamentária (lei orçamentária). Como expresso no art. a fim de cumprir e buscar a liquidação das dívidas. quer seja como instrumento para a prestação do serviço público. sendo: Imprescritibilidade: a propriedade do Estado sobre os bens afetados é imprescritível. enquanto são mantidos na condição de afetados. sendo essa condição de aceitação universal. porém nunca por penhora de seus bens. Impenhorabilidade: os bens públicos são impenhoráveis. estando afastados do comércio jurídico de direito privado. portanto. os bens públicos são regidos por regime jurídico próprio. visto que os bens do Estado são para direta ou indiretamente servir ao povo. falamos de bens dos quais o Estado não pode dispor em qualquer hipótese. como já explicado. bem como não pode ser reclamado por possíveis credores. . da CF/88 e no CPC. Esse posicionamento se justifica pela condição do interesse coletivo. o Estado deverá prover recurso para o pagamento de tais obrigações.

Para os bens desafetados e para as rendas públicas. porém não poderá recair em bens. anticrese e hipoteca são formas de oneração dos bens. gerando ao credor direitos reais de garantia sobre coisa alheia. desta forma não sendo possível a oneração. Resta a possibilidade de sequestro de valores. . assim. pois é menos drástica. resta a proibição constitucional. fica a Administração de ofertar seus bens como garantia de dívidas. pois esta acompanha o bem. principalmente se afetados ao serviço ou utilidade públicos.Não Oneração: penhor. visto que os bens públicos são alvo do interesse público.

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