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Pé na bunda É batata: ninguém gosta de levar um fora. Ser dispensado, seja lá
Pé na bunda
É batata: ninguém gosta de levar um fora. Ser dispensado, seja lá por que motivo, não é experiência
das mais agradáveis. O mesmo vale para quem dá um pé na bunda – não é fácil dizer “acabou” para
alguém sem ferir os sentimentos da pessoa. Para quem dá ou recebe o fora, não há diferenças entre
guris e gurias: todos sofrem do mesmo jeito nesses assuntos do coração. Terminar um relacionamento
é difícil mesmo quando se trata de um rolo. O Patrola encontrou uma turma disposta a compartilhar
histórias de foras. Tem a Taís, de Garibaldi, que levou bolo no dia do aniversário, e a Fabiane, que
largou o namorado de seis meses para tentar a sorte com outro cara. O Bruno foi dispensado antes
mesmo de ficar com a menina que queria, mas o Dante foi mais cruel: deu cartão vermelho pra
guria que estava louca para namorar com ele.
camila.saccomori@zerohora.com.br
camila saccomori/zh
Não seja néscio
“Fevereiro na pra-
ia, noite agradável, calça-
dão, música. Conheci uma
menina e começamos a ficar. No en-
tanto, eu não sabia no que ela estava pensando,
mas na minha cabeça as coisas estavam claras: não era nada
sério. E isso foi o oposto do que aconteceu. Depois de um tem-
po eu já estava ficando assustado? Será que eu estou namorando
e não sei? Acabei chamando ela para ‘discutir uma relação’. Du-
rante a conversa notei que ela pensava em romance ao pôr-do-sol,
e eu, curtição no litoral. Tentei explicar de forma que não pareces-
se superficial, mas acho não fui bem-sucedido, porque ela ficou
bastante triste. Descobri que dar um fora em alguém era mais difícil
do que eu pensava. Estava quase pedindo desculpas por ter nascido.
Ela chorou, eu não. Pensei que seria bom chorar, pra não parecer in-
sensível, mas não iria conseguir forçar, então fiz cara de triste, mas
na real estava confuso. Ela foi embora, e eu voltei pra casa, ator-
doado, frustrado, sem companhia pro resto do verão.”
Dante Fagherazzi, 19 anos, de Porto Alegre
“Eu tinha um namorado de 20 anos com quem fiquei por
seis meses. Quando saí do colégio, entrei na faculdade e
comecei a trabalhar, no início do ano. Como antes eu só ficava
em casa, o meu namorado começou a ficar com medo e ciúme
das minhas companhias novas. Eu dizia que não tinha nada a
ver, mas um dia conheci outro cara na universidade. Eu não
queria ficar com os dois, queria fazer tudo certinho: para
conhecer um, eu teria que largar o outro. Fiquei no dilema.
Então meus pais me botaram contra a parede: ou um ou outro.
Eu já estava chateada porque meu namorado era acomodado
demais, eu queria mais ambição dele. Um dia ele foi almoçar
na minha casa e eu terminei tudo antes mesmo dele sentar à
mesa. Ele ficou puto da cara, saiu cantando pneu. Eu chorei
um monte naquele dia. Quando faríamos sete meses de
namoro, ele me deu presentes. Ficou ligando um tempão até
que desistiu. Fiquei chateada com a situação. Não dei o fora
por maldade, achei que seria correto não ficar enrolando
ele. Nunca o traí. O outro carinha? No fim, nem deu certo.”
Fabiane Silveira, 17 anos (Canoas)
D iversões eletrônicas, Internet, telefones com jogos
e câmera fotográfica, videogames que mais se pa-
recem com filmes – tudo isso é muito bom, mas
nada se compara com o velho prazer da leitura.
Sentar em um lugar confortável e aconchegante,
com um bom livro à mão (e, se não for pedir muito, uma
chuvinha de leve lá fora), não tem dinheiro que pague. Len-
do, viajamos por lugares jamais imaginados, descobrimos
coisas que nunca pensamos existir e por algum tempo má-
gico esquecemos da atribulada vida lá fora.
Meu gosto pela leitura começou desde piá. Lembro per-
feitamente de duas pessoas que foram essenciais. Uma foi
minha mãe, que ama ler e escrever – minhas redações do
colégio ela guarda até hoje em uma caixi-
nha e vez em quando me mostra o que eu
escrevia. Gosta tanto de livros que faz resu-
mos do que leu, tem vários cadernos completos de biogra-
fias resumidas. Outro foi um mestre que tive no primeiro
grau. O professor José Balduino Butzge incentivava muito
a leitura em suas aulas, quanto mais você lia, mais pontos
ganhava, e como a maioria da gurizada andava sempre com
a corda no pescoço, se obrigava a ler para faturar uns ponti-
nhos. Assim ele fez com que a turma toda pegasse gosto
pela leitura.
Nunca esqueço de uma frase dele: “Quem não lê fica
néscio”. Perguntávamos: “Professor, o que é néscio?”. Ele
respondia que estava no dicionário. Realmente um grande
mestre esse cara. Estou falando tanto de leitura porque está
acontecendo a Feira do Livro de Porto Alegre, que comple-
ta nesta edição meio século. É muito especial caminhar pe-
la Praça da Alfândega e ver crianças encantadas, jovens e
adultos dividindo o mesmo espaço com ícones da nossa li-
teratura. Circulando, podemos até bater um papo com Luis
Fernando Verissimo, Moacyr Scliar, Lya Luft.
Aproveitando a época, quero dar duas dicas de livros.
Um deles é Getúlio, de Juremir Machado da Silva, o outro,
Anverso e Reverso de um Crime, do meu amigo e conterrâ-
neo Rafael Lovato. Um abração e não deixem de curtir a
Feira.
ico.thomaz@rbstv.com.br
“Nossa! Muito obrigada pelo
o que vocês fizeram comigo e
com os vencedores da promo-
ção. Camarote, ficar entre o
palco e a grade na maior tran-
qüilidade e depois ir lá no cama-
V ocê tem até hoje
para decidir a sorte
Patrola
levou
rim ver o Chorão. Foi além do
que a promoção prometia! Tu foi muitooo legal, Ca-
mila! Valeu mesmo!”
Thayane Mikhailenko, 14 anos
(Porto Alegre)
de sua banda favorita na
promoção do Patrola com
a Vivo. Basta baixar no
seu celular o tom musical
do Charlie Brown Jr., do
Armandinho ou do Papas
da Língua. O artista que
tiver mais músicas
baixadas vira tema de
uma reportagem no
próximo caderno. Para
participar, basta seguir os
passos descritos nos
quadros ao lado.
Tive, tive, detetive
adriana franciosi/zh
ronaldo bernardi/zh
ronaldo bernardi/zh
tive, detetive adriana franciosi/zh ronaldo bernardi/zh Thayane ganhou uma camiseta e um mouse pad da Atlântida
Thayane ganhou uma camiseta e um mouse pad da Atlântida na promoção sobre a idade
Thayane ganhou uma camiseta e um mouse pad
da Atlântida na promoção sobre a idade certa do
Mr. Pi. Ela foi ao show do Charlie Brown Jr. na sex-
ta passada, no aniver-
sário de seis anos do
Pijama Show, assim
como Leopoldo An-
drade, 23 (os dois na
foto, com Éverton
Cunha). Os outros
vencedores foram
Maurício Garcez, de
São Leopoldo, Bár-
bara Elias Winter, de
Torres, e Fabi de
Moura, de Canoas.
reprodução/zh valdir friolin/zh Do relatório de Ico Thomaz: Fui conversar e mostrar as técnicas usadas
reprodução/zh
valdir friolin/zh
Do relatório de Ico Thomaz:
Fui conversar e mostrar as técnicas usadas pelos detetives
particulares. Gostei tanto que resolvi investigar um dia na vida da minha
colega Mauren. Sem ela perceber, vigiamos tudo, batemos fotos, fomos
almoçar, fomos no cabeleireiro e até levamos o cachorrinho dela
na pet shop. A Mauren ficou surpresa com as provas que
apresentamos para ela. Cuidado: você pode estar sendo vigiado.
(imagens no arquivo Patrola/ Amanhã/ RBS TV/ 13h45min)
Vizinhança invadida
P ela janela do apartamento de um amigo, observava
uma casa sendo destruída. A mansão, datada dos
anos 1950, vai dar lugar a um prédio gigante no
bairro Petrópolis. As marteladas repetitivas doíam
dentro de mim. A casa esfacelada fez parte da mi-

mauren.motta@rbstv.com.br

nha vida durante 20 anos. Cresci na mesma rua. Naquele momento, só pensava em como é difícil se desligar do pas- sado. Lembrava dos antigos vizinhos, amigos de rua e das nossas histórias. As recordações da família Rodrigues, que ainda eram tão presentes, pareciam estar indo embora com o desabar das paredes. Já o Ricardo, meu amigo, não con- seguia pensar em nada. Só tinha ouvidos para a barulheira que invadia a janela e arrombava os seus dias desde que a

obra tinha começado. O bom disso tudo é que a história daquela casa não vai se apagar assim tão fácil. Ela só vai dar passagem para milha- res de novas histórias empilhadas. Várias famílias vão mu- dar para aquela rua e escrever outras linhas sobre o mesmo lugar. As novas gerações que vão crescer por lá como eu te- rão um olhar totalmente novo sobre a velha rua. Muitos de- les poderão até freqüentar o mesmo clube, escola ou pada- ria. A diferença será o tempo. Entendo nostalgia, mas não entendo egoísmo e ganância. O crescer das cidades é fato. O que não pede faltar é orga- nização e planejamento. Sugiro que a cada prédio construí- do, uma benfeitoria seja executada nos bairros. Que tal ado-

do, uma benfeitoria seja executada nos bairros. Que tal ado- tar praças, canteiros ou promover re-

tar praças, canteiros ou promover re- formas nas casas tombadas que já ha- bitam o lugar? Acho que esta pode ser uma idéia simpática para as construtoras botarem em prática. Hoje moro num bairro que também co- meça a ser tomado por grandes prédios. Sinto a falta de pra- ças cuidadas e ruas mais seguras. Aproveitando a oportuni- dade: desculpe pela invasão! Quanto aos vizinhos de dife- rentes lugares, se pudesse dizer uma palavra, seria respeito. Muitos Ricardos ainda vão conhecer e conviver com outras famílias Rodrigues. No entanto, a liberdade de cada um de- les ainda vai terminar quando começar a do outro. Beijolas construtivas.

terminar quando começar a do outro. Beijolas construtivas. almir dupont/agência rbs “Meu fora mais recente foi
terminar quando começar a do outro. Beijolas construtivas. almir dupont/agência rbs “Meu fora mais recente foi
almir dupont/agência rbs “Meu fora mais recente foi em maio. No dia do meu aniversário,
almir dupont/agência rbs
“Meu fora mais recente foi
em maio. No dia do meu aniversário,
meu namorado há oito meses não
apareceu lá em casa. Pensei: no
mínimo vai me fazer uma surpresa,
o danadinho. No fim do dia resolvi
ligar e ver se ele tinha morrido pra
não me dar parabéns, e aí ele larga
a pérola: ‘Acho que a gente precisa
conversar’. Não quis ouvir mais
nada! Desliguei o telefone e tratei
de parar de chorar e fazer festa.
Claro que no fim da noite
lembrei dele, mas os amigos
trataram de afastar esse pensamento
de mim. Depois até nos falamos
mais uma ou duas vezes por telefone,
mas nunca nos encontramos pra
terminar olho no olho. Acho que ele está ainda no
meu pensamento justamente por isso. Odeio coisas
deixadas pela metade, sem ponto final.”
Taís Pizzato Pinheiro, 20 anos (Garibaldi)

“Fui em uma danceteria com um bando de amigos que acabaram casando na festa. Eu estava lá sozinho, não tinha nada para fazer e resolvi ficar com uma guria. Ela era mais velha, estava em uma rodinha de amigas. Quando eu cheguei nela, foi um horror. Ela olhou para as gurias e começou a rir na minha cara. Eu fiquei tão nervoso que virei as costas e saí meio perdido. Eu tinha uns 14 anos e lembro disso até hoje. Nessa idade, a gente é meio afobado, não quer nem saber de se comunicar antes com a guria, vai atropelando tudo. O que eu aprendi com esse fora é que dá mais certo quando tu sabe se tem chances com alguém antes mesmo da história acontecer. Tem que ficar olhando, cuidando antes, descobrir quando o terreno está bom. Todo fora é diferente, mas todos doem. E quando acontece, parece que estamos pagando mico, tem a impressão de que todo mundo está sabendo o que rolou.” Bruno Hoffmeister, 18 anos (Porto Alegre)

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