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I

Páscoa

A Páscoa simboliza a capacidade que o ser humano possui de renascer e de renovar-se a cada ciclo do
tempo. Esta capacidade esta associada à condição de libertar-se de tudo o que é velho e abrir-se para o
novo. Na simbologia cósmica, significa o renascimento da Terra em sua força de fertilidade (primavera)
após um período de morte (inverno). Os eventos sazonais referem-se ao hemisfério Norte e é adaptado
ao hemisfério Sul.
Conforme a história, a Páscoa existe em muitas tradições e culturas e data de bem antes da era cristã. A
Páscoa, nas antigas culturas e para os povos que ainda seguem esta tradição, simboliza o rito da
fertilidade da Terra, o redespertar da vida e da natureza. Esta energia ou força que surge nesta época foi
personalizada na figura de uma mulher, a Deusa, uma vez que as antigas religiões eram essencialmente
matriarcais.
Estas Deusas, símbolos da energia de renascimento e fertilidade, diferenciam-se conforme a cultura de
cada povo. Temos assim, Astart (Fenícia), Kali (hindu), Hathor (egípcia), Afrodite e Perséfone
(gregas), Ashtoreth (judaico-cristã). Todas estas divindades estão relacionadas à lua nova e a nova
vida, assim como a vida após a morte e a morte após a vida no eterno ciclo de morrer para renascer. A
alegoria ao renascimento refere-se a esta vida num processo pessoal para cada ser e estende-se
metaforicamente para o processo de morte e renascimento em outras esferas de evolução (outros
mundos).

A Páscoa nos rituais Celtas - Ostara Sabbat do Equinócio de Primavera:


Na cultura Celta, os rituais sazonais são denominados de Sabbats. A Páscoa é o Sabbat de Ostara. Oster
é a Deusa da Fertilidade também denominada de Eostre. Em algumas tradições celtas, as deidades
da fertilidade reverenciadas nesse dia são a Deusa das Plantas e o Senhor das Matas. Como ocorreu
com a maioria dos antigos festivais pagãos, o equinócio da primavera foi também cristianizado e
adaptado pela igreja tornando-se o que conhecemos por Páscoa.
Ostara é o festival em homenagem à Deusa Oster, Senhora da Fertilidade, cujo símbolo é o coelho. Foi
desse antigo festival que teve origem a Páscoa.
Nesse dia sagrado, os antigos acendiam fogueiras ao nascer do sol, tocavam sinos e decoravam ovos
cozidos. Este antigo costume pagão associado à Deusa da fertilidade ainda é praticado por todos os
adeptos desta cultura. Por isso os ovos, símbolos de fertilidade e da reprodução, eram usados nos antigos
ritos da fertilidade. Pintados com vários símbolos mágicos eram lançados ao fogo como oferenda à
Deusa.

Em certas partes do mundo pintavam-se os ovos com cores do equinócio da primavera, como de amarelo
ou dourado (cores solares sagradas), utilizando-se para honrar ao Deus Sol.

Nos países de origem Celta, nesta época do ano, a Deusa Oster ou Eostre é lembrada e honrada com
festivais que incluem flores, cores vivas, ovos e lebres. As flores e as cores vivas representam a
primavera; os ovos representam a possibilidade de uma nova vida; os rituais são feitos em homenagem à
Mãe Natureza, que mais uma vez fertilizará seus campos e nutrirá os homens que vivem sobre o seu
leito; e a lebre branca é o animal sagrado dedicado à Lua, que simboliza a fertilidade e a Deusa.

Romanos - Os antigos romanos promoviam corridas pascoalinas em circuitos ovais e dando ovos de
presente. Dois tradicionais torneios pascoalinos eram a busca e a rolagem dos ovos de Páscoa. A busca
era feita pelas crianças na manhã da Páscoa, nas dependências da casa e mesmo fora das residências,
com as crianças mais velhas ajudando as mais novas. Havia prêmios especiais em doces para quem
encontrasse mais ovos. Numa celebração comunitária da Páscoa, outros ovos eram escondidos em
lugares públicos, para serem encontrados pelas crianças. Já a rolagem dos ovos era um torneio com
prêmio para quem rolasse os ovos sem quebrar, na maior distância, geralmente colina abaixo.

Lebre, o animal sagrado da Deusa Eostre:


II
Deusa Eostre, deusa saxônica da fertilidade que segura um ovo nas mãos e tem um coelho aos
seus pés (ou no colo).

A Lebre da Páscoa (e não o Coelho) era o animal sagrado da deusa teutônica da Primavera, Eostre,
a deusa lunar que dava fertilidade a terra e tinha cabeça de Lebre. A palavra inglesa para Páscoa, *
Easter, provém do nome da deusa Eostre, também designada Ostara ou Eostar. O dia do culto de
Eostre, a Páscoa (Easter), que ainda é praticado pelos seguidores da tradição celta, é no primeiro
Domingo depois da primeira Lua Cheia, após o equinócio da Primavera (hemisfério norte), ocorrendo
entre os dias 19 e 22 de Março.
A Lebre, sendo o símbolo da Lua, associa-se à Páscoa porque a Lua é utilizada para determinar a data da
Páscoa.

A simbologia cósmica do Ovo:


O Ovo é o símbolo da imortalidade, da ressurreição e da abundância da vida que é manifesta na
Primavera. É o símbolo perfeito do Universo entre os Chineses, os Egípcios, os Gregos, os Romanos, os
Persas e outros povos.
Os antigos Egípcios, Chineses, Gregos, Persas e Romanos trocavam ovos na Primavera, estação onde
todos os seres da natureza renasciam após o Inverno, em homenagens e oferendas aos deuses da
fertilidade. Na tradição teutônica, os druidas pintavam os ovos de vermelho escarlate em honra do
deus-Sol e os anglo-saxônicos ofereciam ovos coloridos à deusa Eostre.
Muitos países do Leste Europeu como a Ucrânia, a Polônia, a Macedônia, a Rússia, a Bulgária e outros
têm como tradição pintar ovos durante o período da Páscoa.
Na Igreja Ortodoxa Russa os ovos são abençoados na igreja durante o período da Páscoa e são um
componente especial na refeição da manhã do dia de Páscoa.
Também nos países nórdicos, bem como na Alemanha, na Inglaterra, na Holanda e em França as
crianças vão de porta em porta pedindo ovos da Páscoa. Esta prática foi-se generalizando por todos os
países de tradição católica.

Ovos decorados - A arte do Pysanky de origem ucraniana:


Um costume Ucraniano muito antigo chamado "pysanky" ainda hoje é usado na Páscoa. A arte do
Pysanky é a técnica usada para decorar ovos de aves com cores e símbolos. As cores e os símbolos estão
relacionados ao desejo da pessoa que o criou. Ou seja, um ovo é pintado e decorado com os desejos de
uma pessoa ao ofertá-lo a uma outra. Mas é preciso usar símbolos, e não palavras e frases.

Reinterpretação Cristã dos mitos ancestrais:


Para os cristãos, a Páscoa representa a ressurreição de Cristo, três dias depois de sua morte na cruz.
O Ovo da Páscoa é reinterpretado pelo Cristianismo representando a ressurreição da Vida em Cristo. O
Ovo simbolizará, assim, o sepulcro de onde Cristo ressuscitou. Este símbolo está presente em muitas
lendas relacionadas com a Morte e Ressurreição de Cristo.
A tradição católica polaca conta duas lendas sobre este tema:
Uma diz que Maria, a mãe de Jesus, ofereceu ovos aos soldados que levavam Jesus pedindo-lhes que
fossem menos cruéis. As suas lágrimas ao caírem nos ovos pintaram-nos de cores brilhantes.
Outra lenda conta que Maria Madalena foi ao sepulcro para untar o corpo de Jesus, tendo levado com ela
uma cesta de ovos para lhe servir de alimento. Quando chegou ao sepulcro e destapou a cesta, as cascas
brancas dos ovos transformaram-se miraculosamente num resplandecente arco-íris.
A tradição católica adotou também a Lebre Branca como símbolo da pureza e da fé. Os seus olhos
permanentemente abertos e atentos simbolizam a vigilância contra a tentação e o pecado.
A Virgem Maria é, por vezes, representada com uma Lebre Branca a seus pés.
Quanto à Lebre como símbolo da esperança e da fé, há uma lenda cristã que conta que uma jovem lebre
esperou ansiosamente, durante três dias, que o seu amigo Jesus voltasse ao Jardim de Gethsemane,
preocupada que estava com o que lhe poderia ter acontecido. Pela manhã cedo do dia de Páscoa, Jesus
voltou ao seu jardim favorito e foi alegremente recebido pelo seu amigo animal. Nessa tarde, os
III
discípulos de Jesus que se juntaram no referido jardim para orar, depararam-se com um caminho de
esporas floridas e no centro de cada botão em flor estava a imagem da Lebre como uma recordação e
uma homenagem à paciência e à esperança demonstradas por tão dedicada e crente criatura.

a.. A expressão portuguesa Páscoa vem do hebreu pesach, nome da festividade judia da Primavera que
tem lugar no 7º mês do calendário hebraico e em que é celebrado o êxodo dos Israelitas do Egito. O
festival dura 8 dias e foi durante esta festa dos Judeus que Jesus, o Judeu, foi crucificado.
A Páscoa cristã celebra o mito da ressurreição do Cristo. A Páscoa (em inglês Easter, nome derivado da
deidade, Eostre) só recebeu oficialmente esse nome após o fim da Idade Média. Os católicos, através
do Concílio de Nicéia em 325 fixaram o dia de Páscoa no primeiro Domingo depois da Lua Cheia, a partir
de 21 de Março.

Adaptações Cristãs:
A Páscoa, como quase todas as festividades religiosas cristãs, é enriquecida com inúmeras
características, costumes e tradições pagãs.
As adaptações criaram algumas características específicas tais como o hábito de usar um pequeno ramo
no domingo anterior ao Domingo de Páscoa, que ficou conhecido como o Domingo de Ramos.
Os ovos naturais foram substituídos por ovos de açúcar ou chocolate e pouco se vê, hoje em dia, o
"ninho" original que era confeccionado com ervas e ovos de aves.
Outro costume era o de tomar um banho ritualístico na quinta-feira - que passou a ser apenas uma
cerimônia de lava-pés.

Sexta Feira Santa e sábado de aleluia:


A sexta-feira santa era o dia que representava o sacrifício da Deusa, que se ausentaria deste mundo e
iria para o mundo dos espíritos, de onde retornaria no terceiro dia e anunciaria a fertilidade dos campos.
Em tempos remotos, neste dia, o sangue de um carneiro (ou outro animal) era espalhado pelo solo em
sacrifício e homenagem à Deusa.
Esse dia ficou conhecido como o dia em que Jesus "desceu à Mansão dos Mortos..." e de onde retornaria
no terceiro dia, ascendendo aos céus e se colocaria sentado à direita do Pai Eterno.
Esse sacrifício simbolizaria que a luz vencera as trevas, tornando o amanhecer do Domingo de Páscoa
um momento de culto ao sol. Esta é a origem, hoje em dia, das cerimônias cristãs matinais do Domingo
de Páscoa.
Em países árabes, os fiéis fizeram do Sábado de Aleluia, o Dia da Luz.

Calendário ocidental:
Até hoje, o domingo de Páscoa é determinada pelo sistema do calendário lunar, que estabelece o dia
santo no primeiro domingo após a primeira lua cheia, ou após o equinócio da primavera. (Formalmente
isso marca a fase de "gravidez" da Deusa, atravessando a estação fértil).
A Páscoa é uma data-base no calendário cristão e deve ser celebrada no primeiro domingo seguinte à lua
cheia depois do dia 21 de março (início da Primavera), conforme as tradições. Existe uma complicada
fórmula matemática para calcular essa data. A partir da Páscoa, determina-se facilmente as outras datas
móveis: o domingo de Carnaval ocorrerá sempre 49 dias antes da Páscoa e o dia de Corpus Christi, 60
dias depois.

Israel:
Para os judeus, que não reconhecem a figura de Cristo, a comemoração ocorre durante a semana
seguinte à da Páscoa cristã.
A Páscoa sempre foi considerada o símbolo de uma nova vida, e o ovo pascal já eram conhecidos pelos
judeus com a mesma simbologia.
O ovo também aparece na mitologia pagã, com as histórias do Pássaro-Sol saindo do Ovo Mundial.
Em alguns costumes pagãos, o Céu e a Terra são formados pelas duas metades de um ovo.
IV
Como o ovo era um símbolo óbvio da Ressurreição de Jesus para os antigos cristãos, tornou-se parte das
festas cristãs da Ressurreição na Páscoa.
A pintura dos ovos com cores vivas simboliza as cores trazidas pelo Sol na Primavera.
A tradição dos ovos decorados chegou à Europa na Idade Média, levada pelos cruzados - era prática
comum entre egípcios, persas, fenícios, gregos e romanos pintar ovos para oferecê-los como presente em
seus festivais de Primavera.

Europa:
Na Polônia e na Ucrânia, essa tradição foi levada muito a sério. Edward I registra em 1290 a despesa de
compra de milhares de ovos para serem distribuídos às pessoas de sua corte.
No século XVII, o papa Paulo V abençoou um simples ovo a ser usado na Inglaterra, Escócia e Irlanda.
Na Alemanha, é antigo o costume de dar ovos de Páscoa às crianças, junto com outros presentes.
Em partes da Europa, as tribos tinham uma forma abreviada de chamar Eostre, a deusa da
Primavera, e que começou a ser usada para descrever a direção do nascente - Leste. Daí a palavra
Easter. As primeiras cestas de Páscoa se assemelhavam aos ninhos de pássaros. Antes, as pessoas
colocavam os ovos nos ninhos em honra da deusa Eostre.
Em certos lugares da Alemanha e da Áustria, ovos verdes eram usados na Quinta-feira Santa.
Povos eslavos decoravam seus ovos em padrões especiais de ouro e prata.
Artistas austríacos desenhavam padrões aplicando plantas novas e pequenas em volta dos ovos, que
eram então cozidos. As plantas eram então removidas, revelando um extraordinário padrão branco.
Na Alemanha e em outros países, os ovos cozidos não são quebrados, mas seu conteúdo é removido por
um furo na base de cada ovo. Os ovos assim esvaziados são colocados para secar em arbustos e árvores
durante a semana da Páscoa. Os armênios costumam decorar os ovos vazios com imagens de Cristo, da
Virgem Maria e outras imagens religiosas.
Na Suécia, os rituais são parecidos, incluindo o Domingo de Ramos, que marca a entrada triunfal de
Jesus em Jerusalém, recebido com ramos de palmeiras. Existe a superstição de que as bruxas ficam
especialmente poderosas nesta semana. Numa terça-feira como a de hoje, elas voam em suas vassouras
para se juntar ao demônio num lugar chamado “Blakulla”, retornando no sábado seguinte. Na manhã de
Páscoa, as pessoas temem acender suas lareiras, porque as bruxas de Páscoa podem ter deixado algum
feitiço sobre as chaminés, a caminho de Blakulla. Para se assegurarem de que estão livres de feitiços,
queimam nove tipos diferentes de árvores antigas.
Para que as vassouras das bruxas voem, são molhadas com uma poção secreta, segundo a lenda, e elas se
reúnem nas torres das igrejas para seguirem juntas até Blakulla. Aproveitam para raspar algum metal
dos sinos, pois este seria usado nessa poção. Assim, é prova de coragem entre os rapazes passar num
campanário a noite anterior à Páscoa, sem fazer qualquer movimento, pois se forem descobertos pelas
bruxas tornam-se instantaneamente calvos. Também são comuns cruzes e outros símbolos sacros nas
portas, tiros para o céu e outras práticas antibruxas.
Crianças suecas costumam se vestir de bruxas (como no Dia das Bruxas dos Estados Unidos, doces ou
travessuras), levando pequenos cartões decorados (Easter letters). Na área ocidental do país, os cartões
são colocados nas caixas de correio ou sob as portas, mantendo-se secreta a identidade de quem os envia.
Na tarde antes da Páscoa, costumam comer ovos de Páscoa, que são cozidos e em muitos casos
decorados, mas longe das tradições existentes em outros países. Nas manhãs de Páscoa, bem cedo, os
rapazes se reúnem nas vilas, munidos de galhos, e percorrem cada fazenda na região, batendo com os
galhos nas garotas, até que elas lhes dêem de beber algo que não seja água. Depois de algumas incursões,
podem ser bem desagradáveis. Na noite seguinte, em algumas regiões do país, elas se vingam, aplicando-
lhes seu próprio remédio...
Na quarta-feira antes da Páscoa (Dymmelsonsdagen), é comum prender objetos atrás das roupas das
vítimas, de forma a que nada suspeitem e fiquem circulando com esses objetos pelo maior tempo
possível.

América do Norte:
V
Os desfiles de Páscoa, como os realizados em Nova York, começaram na Idade Média, como continuação
do Passeio de Páscoa, em que as pessoas das cidades usavam suas melhores roupas no passeio das
igrejas aos campos. E o costume de usar roupas novas na Páscoa começou no ano 300, com o primeiro
imperador cristão, Constantino: ele decretou que os membros de sua corte deveriam trajar as melhores
roupas nesse dia.
O coelho de Páscoa é uma versão moderna de um símbolo pascoalino muito antigo. A lebre (parente do
coelho) era sagrada para a deusa Eostre. No século XVIII, colonizadores alemães levaram para os
Estados Unidos a idéia dos coelhos de Páscoa.
O costume de procurar os ovos de Páscoa foi iniciado por uma duquesa alemã, ao dizer que os brilhantes
ovos de Páscoa tinham sido deixados pelos coelhos para as crianças, que tinham como passatempo
encontrá-los.
Segundo uma antiga tradição, o quarto presidente (de 1809 a 1817) dos Estados Unidos, James Madison;
sua mulher Dolly (ou Dolley) e o filho John iniciaram na Casa Branca o costume de na segunda-feira de
Páscoa fazerem anualmente uma festa em que as crianças procuram os ovos escondidos na Casa Branca.
Em 1878, essa tradição estava descontinuada, talvez em função de protestos de crianças pobres que
marchavam com seus cestos até a Casa Branca. Elas foram convidadas a entrar na Casa Branca pelo
presidente Rutherford B. Hayes e sua esposa, retomando a tradição.
Existem muitas tradições pascoalinas, em todo o mundo. As crianças canadenses acreditam que o coelho
da Páscoa lhes trará ovos coloridos, normalmente confeitados. As famílias celebram a data comprando
novas roupas, preparando cardápios especiais, além de participarem dos serviços religiosos pascoalinos.
VI

Você tem um aluno pagão?

Um guia para educadores


Pelo menos um aluno seu tem uma religião com a qual você pode não estar familiarizado.
Este material tem o intuito de trazer informações que você pode precisar para compreender a
experiência de vida diferente desse aluno, e responder algumas questões que você pode ter.

Como é o aluno pagão?


Pagãos geralmente seguem uma religião não dogmática, por isso pode haver mais variações entre
crenças religiosas Pagãs do que entre as denominações do Cristianismo.
. Por seguir tradições religiosas não dogmáticas, existe uma vasta gama de denominações dentro do
paganismo. As mais comuns são a Wicca, o Druidismo, o Asatru, e aqueles que se denominam
simplesmente pagãos.
Do mesmo modo que você tem evangélicos neopentecostais, batistas, presbiterianos, católicos, ou
simplesmente pessoas que se denominam cristãs, cada um com suas características, mas todos com
características em comum.
Graças a essa variedade, nem tudo que for dito será totalmente válido para todos os pagãos, mas engloba
as características mais comuns, que podemos generalizar como pagãs; seu aluno ou os pais dele explicará
se alguma de suas práticas for diferente destas.

O que um aluno Pagão provavelmente pratica ou acredita?

• Um aluno pagão pratica uma religião politeísta e baseada na natureza.


• Um aluno Pagão Vai honrar a divindade como Deusas e Deuses, ou Deusa e Deus, às vezes
com uma ênfase na face feminina da divindade; graças a isso, alunos pagãos buscam um
tratamento de gênero igualitário, em todas as suas relações sociais; O efeito disso é que como
princípio, o aluno provavelmente tratará os dois sexos igualmente.
• Um aluno Pagão celebra cerimônias religiosas com pequenos grupos (ou sozinho) nas fases de
mudança lunar (principalmente Lua Cheia) e no início e ápice de cada estação sazonal, em vez de
praticar sua religião em grandes congregações ou com um planejamento semanal fixo. Estas
cerimônias são geralmente chamadas de “Rituais”, “Círculos”, blots, “Esbás”, “Sabás”, e as
congregações de pagãos são geralmente chamadas de “Covens”, “Groves”, “Hearth” ou “Circulo”, e
outros de acordo com as diferentes tradições. Alguns dos itens freqüentemente encontrados sobre
o altar em uma cerimônia Pagã são estátuas ou símbolos dos Deuses, velas, cristais, varinha,
punhal (sabendo que esse punhal de uso ritual não tem fio, sendo um símbolo, não uma
ferramenta de corte), taças, caldeirão, incenso, e símbolos como a estrela de cinco pontas,
chamada de pentagrama ou pentáculo.
• Um aluno Pagão pode usar um símbolo de sua religião como uma peça de joalheria. O símbolo
mais comum é o Pentáculo, uma estrela de 5 pontas dentro de um círculo. (O conceito equivocado
de que o Pentagrama é um símbolo satânico está baseada no seu uso invertido por satanistas, da
mesma forma que usam uma cruz invertida ou qualquer outro símbolo religioso invertido). O
significado do Pentáculo como ornamento por Pagãos tem suas raízes nas crenças dos pitagóricos
gregos, para quem o pentagrama corporificava o perfeito equilíbrio e sabedoria; inserindo a
estrela em um círculo, lhe é adicionado o símbolo da eternidade e unidade. Outras jóias que
podem ser usadas incluem entrelaçados celtas, cruzes de braços iguais, triskelions (tripla espiral),
martelo de Thor, Labrys (um machado duplo, um dos símbolos grego dos cultuadores de
Cybele), figuras de Deusas ou Deuses, Luas crescentes ou cheias, Yin-Yang (símbolo do Tao),
Olho de Hórus ou Chifres de Ísis da mitologia egípcia, animais ligados aos deuses, como o lobo,
o corvo, o dragão e outros também podem compor sua joalheria. Mas isso não difere muito do
catolicismo onde muitos adeptos usam uma cruz ou imagem de santo no pescoço.
VII
• Um aluno Pagão compreende a Divindade como imanente na natureza e humanidade e irá ver
todas as coisas como interconectadas. Ele geralmente se preocupa com ecologia e meio ambiente e
é fascinado pelo ciclo natural da vida.
• Um aluno Pagão acredita em Magia (excetuando os truques ilusionistas). Isto pode incluir a
crença no campo de energia pessoal como o conceito chinês do Chi, o uso de rituais e objetos para
dramatizar e focar pensamentos positivos e técnicas de visualização. Isto não significa que o aluno
é ensinado a acreditar que mexendo o seu nariz ele pode limpar seu quarto num passe de mágica,
controlar espíritos ou demônios e fazer qualquer coisa que quebre as leis naturais. Todavia, se
jovem, como toda criança, ele pode acreditar ser possível fazer tais coisas. Isto também não
significa que o aluno é instruído a enfeitiçar e amaldiçoar. Em nossa estrutura ética acreditamos
que nossas ações retornam ao remetente, e então esse tipo de atitude é proscrito.
• Um aluno Pagão pode acreditar em reencarnação. Esta é uma crença muito comum entre Pagãos,
mas não é obrigatória. No entanto, um aluno Pagão provavelmente não acreditará em céu ou
inferno; ele pode crer no conceito céltico de País de Verão, um lugar de descanso entre as
encarnações ou no Valhala, um reino de honra de acordo com as religiões nórdicas, ou nos
campos sagrados de alguma tribo indígena, entre outros.
• Um aluno Pagão pode se chamar de Bruxo, Wiccaniano, Wiccano, Pagão, Neo-Pagão, Adorador ou
Cultuador da Deusa, Asatruar, xamã, Druida ou Heathen, entre outros. Será improvável que ele
se chame de Feiticeiro (Warlock), pois se crê que este termo vem de uma palavra escocesa que
quer dizer “aquele que quebra o juramento”, existindo um preconceito implícito nela. Mesmo que
um aluno Pagão possa ou não se ofender com estereótipos relacionados à Bruxaria, ele
provavelmente irá lhe informar que pele verde, verruga no nariz e as caricaturas exibidas no
Halloween ou livros de ‘estórias’ não possuem nenhuma relação com sua religião.
• Um aluno Pagão é educado com conceitos éticos com ênfase na liberdade pessoal e em sua
conseqüente responsabilidade. Conceitos éticos Pagãos incentivam a liberdade pessoal dentro de
uma estrutura de responsabilidade. A base principal da ética Pagã é a compreensão de que todas
as coisas estão interconectadas, que nada ocorre sem afetar outros e que toda ação tem
conseqüências (incluindo a não-ação, para nós considerado como ação). Não há conceitos de
esquecimentos para prejuízos alheios no sistema ético Pagão (nem de perdão de pecados);
conseqüências de ações contra alguém que tenhamos prejudicado precisam ser encaradas e
reparadas. Não há regras arbitrárias sobre questões morais. Em compensação, cada ação
prejudicial precisa ser ponderada conscientemente sobre quais malefícios pode causar e a quem.
Desta forma, por exemplo, homossexualidade consensual é considerada uma questão moral sem
importância por que ela não prejudica ninguém, mas colar em uma prova é errado por que
prejudica o intelecto e integridade de outros, fazendo com que se ganhe vantagens sobre quem se
está colando; também as ‘brincadeiras’ com as características dos outros é considerado errado,
porque prejudica a integridade e a auto-estima da vítima da ‘brincadeira’. As formas mais comuns
nas quais estas éticas são fundamentadas são o Dogma da Arte “Sem prejudicar ninguém, faça o
que quiser” e a Lei Tríplice “Tudo o que se faz retorna triplicado”.
• Um aluno Pagão possui um paradigma que celebra a pluralidade e a diversidade em todas as suas
formas. Como os sistemas de religiões Pagãs se fundamentam em ser um caminho entre vários,
não o único caminho para a verdade, e como Pagãos exploram a variedade das Deidades entre
seus panteões, femininas e masculinas, um aluno Pagão é crescem em uma atmosfera que
desencoraja a discriminação baseada em diferenças como raça, gênero, etc. e é encorajado quanto
à individualidade, auto-exploração e pensamentos independentes.
• Um aluno Pagão provavelmente também é instruído a comparar e compreender outras religiões;
muitos Pagãos são inflexíveis quanto não forçar suas crenças aos seus filhos, mas, no entanto os
instruem em muitos sistemas espirituais deixando-os decidir pelo melhor caminho quando
tiverem idade suficiente. Porém, um aluno Pagão dificilmente terá um conceito emocional sobre
céu, inferno, salvação como ensinado pelas religiões Cristãs, apesar de conhecer tais conceitos
intelectualmente.
VIII
• Um aluno Pagão é ensinado a respeitar textos sagrados de outras religiões, mas improvavelmente
irá crer neles literalmente quando conflitarem com teorias cientificas ou se passarem como a
única verdade. Para um jovem pagão, os Vedas hindus, a Tora, a Bíblia ou o Tao Te King tem o
mesmo valor, e merecem o mesmo respeito. O que não significa que ele terá suas crenças
fundamentadas em nenhum deles, e irão esperar o mesmo respeito à suas crenças, que devotam à
crença dos outros.
• Um aluno Pagão provavelmente gosta de leitura, ciência e áreas assistenciais e humanistas.

- Margot Adler, Uma radio-jornalista Norte Americana, publicou os resultados de pesquisas sobre perfil
dos Pagãos na edição de 1989 de seu livro, Drawing Down the Moon (Puxando a Lua para Baixo). Os
resultados mostraram que a única coisa que Pagãos possuíam em comum apesar de suas inúmeras
diferenças era uma voraz cede pela leitura e aprendizado. Pagãos parecem também estar fortemente
representados na internet e informática, como também no campo da área assistencial (saúde/cuidados),
assim uma criança Pagã provavelmente terá familiaridade com computadores desde cedo.

Apesar de suas crenças muitas vezes incompreendidas, religiões baseadas na terra tem crescido muito
em todo o mundo através de poucas décadas e são provedoras de uma espiritualidade satisfatória para
seus praticantes. Com a atual apreciação da diversidade e tolerância, muitas pessoas entendem agora
que diferentes heranças culturais trazem perspectivas que podem ser valorizadas em vez de temidas ou
negadas.

Temos esperança que como educadores este folheto possa prover as informações necessárias que você
precisa para facilitar o entendimento com seu(s) aluno(s) pagão(s).

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• Pesquisa feita nos Estados Unidos, mas com resultados provavelmente próximos ao Brasil.
• Tradução/adaptação do texto You Have A Pagan Student In Your School - A Guide For
Educators de Cecylyna Dewr, voltado para o universo que conheço e convivo, de pagãos e
professores do Brasil por Sarah Helena "Filhote de Lua" - filhotedelua@yahoo.com.br ©1998
Cecylyna Dewr
A distribuição será bem vinda, mas dêem os créditos. Para mais informações contate Pagan Pride
Project - http://www.paganpride.org/