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PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO PENAL E PROCESSO PENAL – EAD MÓDULO PENAL ESPECIAL E LEGISLAÇAO EXTRAVAGANTE

PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO PENAL E PROCESSO PENAL – EAD

MÓDULO PENAL ESPECIAL E LEGISLAÇAO EXTRAVAGANTE

Data: 21/08/2013PROFESSOR Professor: Gustavo Junqueira

1. Material pré-aula (idem aula do dia 07.08.2013)

a. Tema

Delitos hediondos e equiparados – Lei dos Crimes Hediondos, Lei de Tortura e Lei Antidrogas – II

b. Noções Gerais

O delito hediondo é aquele considerado repugnante, bárbaro ou

asqueroso.

Os crimes hediondos estão tipificados no art. 1º, sendo acrescentados

estão tipificados no art. 1º, sendo acrescentados os assemelhados no art. 2º da lei n. 8.072/90,

os assemelhados no art. 2º da lei n. 8.072/90, com alterações realizadas pelas leis n. 8.930/94 e 9.677/98. Contudo, foi com a edição da lei n. 11.464/07 que houve expressa permissão em conceder liberdade provisória, findando-se com o regime integralmente fechado e, por via de consequência, definindo-se prazos para progressão de regime nos crimes hediondos e equiparados.

A previsão constitucional dos crimes hediondos se encontra no o art. 5º, XLIII da Carta Magna, que dispõe: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem”.

Além do comando a ser seguido, a Lei Fundamental, também,

determinou que os crimes de tráfico de drogas, terrorismo e tortura recebessem o mesmo tratamento rigoroso dado aos crimes hediondos. Assim, tais delitos foram considerados como equiparados

ou assemelhados aos hediondos.

Sob o ponto de vista da criminologia, os crimes hediondos estão no topo da pirâmide de desvalorização axiológica criminal, devendo ser entendidos como crimes mais graves, mas revoltantes, que causam maior aversão à coletividade.

São considerados crimes hediondos: Homicídio quando praticado em atividade típica de extermínio, ainda que cometido

São considerados crimes hediondos: Homicídio quando praticado em

atividade típica de extermínio, ainda que cometido por um só agente,

e homicídio qualificado (art. 121, parágrafo 2º, incisos I,II, III,IV e V); Latrocínio; Extorsão qualificada pela morte; Extorsão mediante sequestro e na forma qualificada; Estupro, art. 213 caput e §§1º e 2º; Estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 3º e 4º); Epidemia com resultado morte; Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais;

e Crime de genocídio previsto nos artigos 1º, 2º e 3º da lei 2889/56.

São equiparados a crimes hediondos: Tráfico ilícito de entorpecentes; Tortura e Terrorismo.

A Tortura consiste na imposição de dor física ou psicológica apenas

por prazer, crueldade. Como pode ser entendida também como uma forma de intimidação, ou meio utilizado para obtenção de uma confissão ou alguma informação importante.

O que, não necessariamente, é elemento do tipo penal para sua caracterização.

delito imprescritível e inafiançável, não sujeito a graça e anistia como dispõe o Artigo 5º
delito imprescritível e inafiançável, não sujeito a graça e anistia
como dispõe o Artigo 5º inciso XLIII da Constituição Federal.
É
A
tortura também está incursa no Artigo 2º I e II da lei de crimes
Hediondos da qual acresceu-se ser a tortura vedada a concessão de
indulto. (observação Tortura é delito grave, mas não é crime
hediondo). É delito equiparado a crime hediondo.

Com relação à Lei antidrogas (11.343/06) essa lei instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad). As Leis nº 6.368/76 e 10.409/02, que tratavam do tema, foram expressamente revogadas. Na esfera criminal as principais mudanças foram o tratamento diferenciado em relação ao usuário, a tipificação de crime específico para a cessão de pequena quantidade de droga para consumo conjunto, o agravamento da pena do tráfico, a tipificação do crime de financiamento ao tráfico, bem como a regulamentação de novo rito processual.

c.

Legislação

- Lei n° 8.072/90

- Lei n° 9.455/97

- Lei n° 11.343/06

d. Julgados/Informativos Informativo n ° 0505 - STJ. DIREITO PENAL. NATUREZA HEDIONDA. ESTUPRO E ATENTADO

d. Julgados/Informativos

Informativo n ° 0505 - STJ. DIREITO PENAL. NATUREZA HEDIONDA. ESTUPRO E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR COMETIDOS ANTES DA LEI N. 12.015/2009. FORMA SIMPLES. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. N. 8/2008- STJ).

Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor cometidos antes

da edição da Lei n. 12.015/2009 são considerados hediondos, ainda

que praticados na forma simples. O bem jurídico tutelado é a liberdade sexual, não a integridade física ou a vida da vítima, sendo

irrelevante que a prática dos ilícitos tenha resultado lesões corporais

de natureza grave ou morte. As lesões corporais e a morte são

resultados que qualificam o crime, não constituindo, pois, elementos

do tipo penal necessários ao reconhecimento do caráter hediondo do delito, que exsurge da gravidade dos crimes praticados contra a liberdade sexual e merecem tutela diferenciada, mais rigorosa. Ademais, afigura-se inequívoca a natureza hedionda do crime de estupro praticado sob a égide da Lei n. 12.015/2009, que agora

praticado sob a égide da Lei n. 12.015/2009, que agora abarca, no mesmo tipo penal, a

abarca, no mesmo tipo penal, a figura do atentado violento ao pudor, inclusive na sua forma simples, por expressa disposição legal, bem assim o estupro de vulnerável em todas as suas formas, independentemente de que a conduta venha a resultar lesão corporal ou morte. Precedentes citados do STF: HC 101.694-RS, DJe 2/6/2010; HC 89.554-DF, DJ 2/3/2007; HC 93.794-RS, DJe23/10/2008 ; do STJ: AgRg no REsp 1.187.176-RS, DJe 19/3/2012, e REsp 1.201.911-MG, DJe 24/10/2011. REsp 1.110.520-

SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/9/2012.

e. Divergência

O homicídio

doutrinadores não é crime hediondo.

privilegiado-qualificado

é

hediondo?

Para

muitos

Assim já se posicionou a jurisprudência:

“STJ - HC 36317 / RJ - PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 121, §§ 1º E 2º, INCISOS III E IV, DO CÓDIGO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME. CRIME HEDIONDO. Por incompatibilidade axiológica e por falta de previsão legal, o homicídio qualificado-privilegiado não integra o rol dos denominados crimes hediondos (Precedentes). Writ concedido”

“STJ - HC 41579 / SP - HABEAS CORPUS. HOMICÍDIOQUALIFICADO-PRIVILEGIADO. TENTATIVA. CRIME NÃO ELENCADO COMO

“STJ - HC 41579 / SP - HABEAS CORPUS.

HOMICÍDIOQUALIFICADO-PRIVILEGIADO. TENTATIVA. CRIME NÃO ELENCADO COMO HEDIONDO. REGIME PRISIONAL. ADEQUAÇÃO. POSSIBILIDADE DE PROGRESSÃO.

1. O homicídio qualificado-privilegiado não figura no rol dos crimes

hediondos. Precedentes do STJ.

2. Afastada a incidência da Lei n.º 8.072/90, o regime prisional deve

ser fixado nos termos do disposto no art. 33, § 3º, c.c. o art. 59, ambos do Código Penal.

3. In casu, a pena aplicada ao réu foi de seis anos, dois meses e vinte

dias de reclusão, e as instâncias ordinárias consideraram as

circunstâncias judicias favoráveis ao réu. Logo, deve ser estabelecido

o regime prisional intermediário, consoante dispõe a alínea b, do § 2º, do art. 33 do Código Penal.

4. Ordem concedida para, afastada a hediondez do crime em tela,

fixar o regime inicial semi-aberto para o cumprimento da pena infligida ao ora Paciente, garantindo-se-lhe a progressão, nas condições estabelecidas em lei, a serem oportunamente aferidas pelo Juízo das Execuções Penais.”

“STJ - HC 43043 / MG - HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO. PROGRESSÃO DE
“STJ - HC 43043 / MG - HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL.
HOMICÍDIO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO. PROGRESSÃO DE
REGIME. POSSIBILIDADE.
1. O homicídio qualificado-privilegiado não é crime hediondo, não se

lhe aplicando norma que estabelece o regime fechado para o integral cumprimento da pena privativa de liberdade (Lei nº 8.072/90, artigos 1º e 2º, parágrafo 1º). 2. Ordem concedida.

f. Leitura obrigatória

- JUNQUEIRA, Gustavo Octaviano Diniz; FULLER, Paulo Henrique

Aranda. Legislação Penal Especial. Vol 1. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010 (“Lei dos Crimes Hediondos”).

; et al. Legislação Penal Especial. De acordo com o

Lei 12.012/2009. Vol 2. 3ªed. São Paulo: Saraiva, 2010 (“Tortura”).

- STJ – Notícia – 05.09.2012 - Quinta Turma determina recálculo da pena imposta a procuradora aposentada que torturou criança. Disponível em

http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=3

98&tmp.texto=106884

- STF – Notícia – 27.06.2012 - Voto do ministro Dias Toffoli sobre possibilidade de

- STF – Notícia – 27.06.2012 - Voto do ministro Dias Toffoli sobre

possibilidade de pena por tráfico ser iniciada em regime semiaberto. Disponível em http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=

210915

g. Leitura complementar

- ANDREUCCI, Ricardo Antonio. Legislação penal especial. 8ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2011 (“Crimes Hediondos – Lei n. 8.072/90”; “Tortura Lei nº 9.455/97”).

- BIERRENBACH, Sheila; LIMA, Walberto Fernandes. Comentários à

lei de tortura: aspectos penais e processuais penais. Rio de Janeiro:

Lumen Juris, 2006.

- CABETTE, Eduardo Luiz. O Novo § 3º. do artigo 158, do CP e a lei

dos crimes hediondos. In: Carta Forense, 01.07.2009. Disponível em

http://www.cartaforense.com.br/conteudo/artigos/o-novo-%c2%a7-

3%c2%ba-do-artigo-158-do-cp-e-a-lei-dos-crimes-hediondos/4357

- DEL-CAMPO, Eduardo. Admissibilidade da Tortura? Talvez. In: Carta Forense, 02.03.2010. Disponível em
- DEL-CAMPO, Eduardo. Admissibilidade da Tortura? Talvez. In: Carta
Forense, 02.03.2010. Disponível em
http://www.cartaforense.com.br/conteudo/artigos/admissibilidade-
da-tortura-talvez/5305

- FERNANDES, Antonio Scarance. Considerações sobre a Lei 8.072,

de 25 de julho de 1990 – crimes hediondos. In: Franco, Alberto Silva; Nucci, Guilherme de Souza. Direito penal: doutrinas essenciais. V. 7. São Paulo: RT 2010.

- FRANCO, Alberto Silva; LIRA, Rafael; FELIX, Yuri. Crimes hediondos. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.

- GONÇALVES, Victor E. Rios. Lei de tortura: lei n. 9.455 de 7 de abril de 1997. São Paulo: Paloma, 2003.

- LEAL, João José. Lei dos crimes hediondos ou direito penal da severidade: 12 anos de equívocos e casuísmos. In: Franco, Alberto Silva; Nucci, Guilherme de Souza. Direito penal: doutrinas essenciais. V. 7. São Paulo: RT 2010.

; LEAL Rodrigo José. Crime hediondo e progressão

de regime prisional: a nova lei N°11.464/2007 à luz da política

criminal. In: Revista jurídica, São Paulo, v.55, nº 356, p. 113-136, jun. de 2007. -

criminal. In: Revista jurídica, São Paulo, v.55, nº 356, p. 113-136, jun. de 2007.

- MELLO, Marco Aurélio de. Temas de Direito Penal – 1. Nosso direito

positivo e a tortura; 2. Da inconstitucionalidade do § 1.º do art. 2.º da Lei 8.072, de 25.7.90. In: Franco, Alberto Silva; Nucci, Guilherme de Souza. Direito penal: doutrinas essenciais. V. 7. São Paulo: RT

2010.

- MIRABETE, JÚLIO FABBRINI. Crimes hediondos: aplicação e imperfeições da lei. In: Franco, Alberto Silva; Nucci, Guilherme de Souza. Direito penal: doutrinas essenciais. V. 7. São Paulo: RT 2010.

- NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. Vol 1. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012 (“Hediondos”); Vol 2 (“Tortura”).

Da inadmissibilidade da tortura como método de

investigação criminal. In: Carta Forense, 02.03.2010. Disponível em

http://www.cartaforense.com.br/conteudo/artigos/da-

inadmissibilidade-da-tortura-como-metodo-de-investigacao- criminal/5306
inadmissibilidade-da-tortura-como-metodo-de-investigacao-
criminal/5306