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As

operações

de

swap

vêm

sendo

cada

vez

mais

negociadas, mas poucos conhecem o seu funcionamento

Swap consiste em um acordo entre duas partes para troca de risco sobre um ou mais ativos. Em um contrato de swap uma das partes assume uma posição ativa (credora) e a outra, uma posição passiva (devedora), em data futura, conforme critérios preestabelecidos. Os swaps mais usuais são os de taxas de juros, moedas e mercadorias.

Com o swap, por exemplo, uma empresa que tomou uma dívida indexada ao CDI pode trocá-la por uma taxa prefixada. Esse procedimento faz com a empresa consiga se proteger do risco de eventuais altas do CDI, ou seja, caso a empresa tenha uma perda com a alta do CDI, essa será compensada pelo ganho financeiro na operação de swap. Analogamente, caso a empresa tenha um ganho com a queda do CDI, esse será compensando pela perda financeira no swap. Dessa forma, ao contratar um swap, a empresa pode isolar o risco ( de ganho e de perda) do CDI.

Essas operações tiveram início nos anos de 1970, com o fim do padrão-ouro, quando as moedas dos países tornaram-se muito voláteis, o que dificultou as transações do comércio internacional. Na ocasião, as operações de swap eram destinadas majoritariamente a moedas e serviram como mecanismo de redução de incertezas, permitindo a normalidade do fluxo dos negócios.

Participam desse mercado, majoritariamente, as instituições financeiras, uma vez que devem estar sempre em uma das pontas do swap, de acordo com a legislação brasileira; e as não-financeiras, que utilizam esse instrumento para gerenciar os riscos embutidos em suas posições, reduzir o custo de captação de fundos, especular sobre os movimentos do mercado ou proteger-se da oscilação das variáveis sobre outro contrato de swap.

Importante observar que os swaps têm características semelhantes a uma operação a termo. Possuem pouca liquidez e não existe a possibilidade de transferir posição a

outro participante, obrigando o agente a permanecer no contrato até o vencimento. Outra característica é que não há fluxo de caixa durante a existência do swap, ou seja, a liquidação financeira ocorre integralmente no término do contrato.

Os custos para operar no mercado de swap são constituídos, fundamentalmente, pela taxa de permanência, emolumentos

e estruturação da operação.

Nos contratos de swap não há incidência de imposto sobre operações financeiras (IOF), e imposto de renda regressivo.

A alíquota de IR é de 22,5% para operações com prazo de

até 180 dias, 20% para operações de 181 dias até 360 dias, 17,5% para operações de 361 dias até 720 dias e 15% para operações de prazo superior a 720 dias. A base de cálculo do imposto de renda nas operações de swap é o resultado positivo auferido na liquidação do contrato.

Segue, a título ilustrativo, um exemplo de uma operação de Swap (Extraído da Série Introdutória – Mercados Derivativos – BM&F Bovespa).

Imagine que a empresa GHY possui ativo de R$10.000.000,00 prefixado a 17% ao ano para receber em 21 dias úteis e que quer transformar seu indexador em dólar + 10% sem movimentação de caixa. Para isso, contrata um swap, ficando ativo em dólar + 10% e passivo em 17%, ao mesmo tempo em que o banco X, que negociou o swap com

a empresa, fica ativo a uma taxa prefixada em 17% ao ano e passivo em dólar + 10% ao ano.

A empresa GHY está exposta ao risco de alta na taxa de juro

prefixada no swap. No vencimento do contrato, sobre o valor

referencial, serão aplicadas as variações dos indexadores, conforme demonstrado a seguir. Suponha que, no período, a variação câmbio foi de 2% positiva.

Posição original: ativo em taxa prefixada, ou seja, 17%

10.000.000,00 × (17%+ 1) 21/252 = R$10.131.696,11

Swap / Passivo em taxa prefixada

10.000.000,00 × (17% + 1) 21/252 = R$10.131.696,11

Ativo em dólar

10.000.000,00

R$10.285.000,00

×

1,02

×

[(10%

×

30/360)

+

1]

=

Note que o ano base é de 360 dias e nesse caso 21 dias úteis foram convertidos em 30 dais corridos

A empresa GHY receberá do banco X o valor líquido de

R$153.303,89 (resultado de R$10.285.000,00 – R$10.131.696,00), pois a variação cambial mais 10% ficou acima dos 17% estipulado pela taxa pré.

Bons investimentos!

O mercado futuro é uma evolução do mercado a termo onde

são negociados diversos ativos como, por exemplo, commodities, ações, moedas e títulos públicos.

Assim como no mercado a termo, é um acordo entre duas partes para comprar ou vender um ativo em determinada data futura, por preço certo e ajustado.

É utilizado, normalmente, como proteção contra o risco de

oscilação de preços (hedge). Com os futuros de commodities, por exemplo, é possível garantir a fixação dos preços de determinadas mercadorias que, de outra forma, suportariam no preço os impactos diretos de fatores extrínsecos, como clima, condições de solo e outras intempéries.

Os contratos futuros são negociados apenas em bolsas de valores e mercadorias, possuindo características muito especificas a depender do ativo objeto da negociação. Dentre as características mais abrangentes, o mercado futuro possui menor risco de inadimplência quando comparado ao mercado a termo, em razão dos ajustes diários e da mobilidade de

posições, traduzida pela possibilidade de recompra e revenda dos contratos – as partes conseguem encerrar suas posições antes da data de liquidação.

O ajuste diário pode ser vislumbrado como uma das grandes diferenças entre o mercado termo e o mercado a futuro. Neste, ocorre a equalização de todas as posições, com base no preço de compensação do dia, resultando na movimentação diária de débitos e créditos nas contas.

Nos contratos, são requeridas garantias para assegurar que haverá fundo suficiente para cobrir prejuízos no caso de inadimplência de uma das partes do contrato. As garantias podem se constituir nas modalidades de cobertura ou margem.

Quanto aos encargos, as operações estão sujeitas a taxa de corretagem (livremente pactuada entre o cliente e a corretora que ele contratar), taxa de registro, emolumentos e taxas de liquidação.

Não há incidência de imposto sobre operações financeiras (IOF), e o imposto de renda (IR) incide sobre todas as operações, sendo que os procedimentos são diferenciados a depender do tipo de contrato e modalidades.

Segue, a título ilustrativo, um exemplo de operação de hedge no mercado futuro, adaptado do Manual da BM&F BOVESPA. Neste exemplo não são considerados os custos operacionais

e os tributos. Vale notar que as taxas de câmbio utilizadas no exemplo são fictícias.

Exemplo: Considere um exportador que irá receber, em março, a quantia de US$ 30.000 e que teme uma possível baixa da moeda norte-americana. Com o intuito de não ficar exposto a essa variação cambial até o vencimento, vende minicontratos futuros na BM&F Bovespa.

A operação ocorre da seguinte maneira:

-Valor do contrato futuro mini de dólar: US$ 10.000

-Nº de contratos = 3

-Taxa de câmbio de abertura da posição no mercado futuro:

R$ 2.622/US$ 1,00

-Taxa de câmbio de ajuste do dia que a operação foi realizada: R$ 2,621/US$ 1,00.

-Suposição da taxa de câmbio no mercado a vista no dia do vencimento do contrato: 2,400/US$ 1,00.

AJUSTES DIÁRIOS

Nesse caso, o cenário de queda temido pelo exportador se concretizou e ele obteve um ganho total de R$ 6.660 no transcorrer do contrato. Vale ressaltar que esse ganho no mercado futuro é anulado pela perda que ele terá ao receber os dólares de seu cliente, conseguindo êxito no hegde proposto.

É interessante notar que foram realizados ajustes diários, débitos e créditos, nas contas das duas partes envolvidas. Esse procedimento faz com que o risco seja mitigado e dissolvido no tempo.

É

possível acompanhar o mercado futuro em jornais, revistas

e

sites especializados ou ainda contar com assessoria de

profissionais de corretoras.

Bons Investimentos

Um Fundo de Investimento é definido como uma comunhão de recursos financeiros, constituída sob a forma de condomínio. Os recursos são destinados à aplicação em ativos financeiros.

Os investidores que aplicam nesse instrumento financeiro se tornam proprietários de uma fração do fundo (cotistas), de acordo com os valores investidos. A maior parte dos fundos exige um pequeno aporte para o investidor iniciar seus

investimentos. É comum encontrar fundos que aceitam cotistas com aplicações iniciais de, aproximadamente, R$

50,00.

Ao investir em um fundo, o participante está transferindo a gestão dos recursos para um profissional, dessa forma, não é necessário possuir grandes conhecimentos de mercado para optar por essa modalidade.

Teoricamente, o gestor do fundo reúne condições técnicas para proporcionar uma melhor rentabilidade para os cotistas com um menor nível de risco. No entanto, cabe ao investidor analisar se a taxa paga ao gestor compensa, de fato, o ganho em termos de risco e retorno.

A indústria de fundos de investimento é das mais representativas no cenário nacional. Conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido dos fundos totaliza R$ 2,189 trilhões e aumenta, substancialmente, a cada ano. Em 2012 a captação líquida foi de R$ 97,6 bilhões.

Os fundos de investimento previstos na Instrução CVM nº409/04 classificam-se de acordo com a composição de suas carteiras em:

Fundo de Curto Prazo Investem em títulos públicos e privados de baixíssimo risco e são aconselhados para os investidores com perfil conservador. Fundo Referenciado Fundos referenciados são aqueles que visam seguir algum índice de referência. Os mais conhecidos são os Referenciados DI. Investem no mínimo 95% da carteira, em títulos de renda fixa pós-fixados, sendo 80%, pelo menos, em títulos públicos federais e títulos privados de baixo risco, que acompanhem a variação do indicador de desempenho escolhido, no caso, o CDI. São aconselhados para os investidores com perfil conservador. Fundo de Renda Fixa Investem no mínimo 80% de seu patrimônio em títulos públicos e privados do segmento de renda fixa e são aconselhados para investidores conservadores e

moderados. Fundo de Ações Investem no mínimo de 67% de seu patrimônio em ações e são indicados para investidores com perfil mais arrojado. Fundo Cambial Investem no mínimo 80% em títulos que acompanham a variação da taxa de câmbio, como dólar e euro. São indicados para proteção (hedge). Fundo de Dívida Externa Investem, sobretudo, em títulos da divida externa de responsabilidade da União e são indicados para investidores moderados e arrojados. Fundo Multimercado Investem em diversas espécies de ativos como títulos públicos e privados, pré ou pós-fixados, derivativos, moedas e ações. São indicados para investidores conservadores, moderados e arrojados.

Antes de decidir por um fundo, é interessante pesquisar as rentabilidades históricas, a reputação do gestor e o perfil dos produtos de investimento que compõe a carteira do fundo.

Vale lembrar que a classificação atual não é suficiente para refletir o grau de risco. Por exemplo, dois fundos de renda fixa, podem ter graus de risco distintos e, por conseguinte, desempenhos substancialmente diferentes.

Investir em renda fixa significa, a rigor, comprar dívidas de empresas ou do governo. O risco de comprar divida do governo ou de uma empresa sólida não pode ser comparado com o risco de adquirir dívida de uma empresa em dificuldades financeiras. Infelizmente, a classificação não diferencia, logo cabe ao investidor ficar atento.

Os custos para operar no mercado de fundos são compostos, basicamente, por taxa de administração e, eventualmente, taxa de performance.

A taxa de administração de um fundo é o valor cobrado do cotista pela instituição financeira que administra o fundo. Serve para pagar por todos os serviços prestados. O valor da taxa é cobrado anualmente e não depende da rentabilidade obtida. É um percentual calculado sobre o patrimônio líquido do fundo.

A taxa de performance é o valor cobrado do cotista quando a

rentabilidade do fundo supera a de um indicador de referência, conhecido como benchmark. Ela serve para remunerar uma boa administração.

Nos fundos de investimentos há incidência de imposto sobre operações financeiras (IOF) conforme tabela regressiva. O imposto de renda (IR) é cobrado sobre os rendimentos. A cobrança é antecipada, uma vez que ocorre semestralmente no último dia útil dos meses de maio e novembro de cada ano.

Os fundos de curto prazo sofrem incidência de uma alíquota de IR de20% e os fundos de longo prazo de 15%. O cálculo da diferença entre a alíquota recolhida semestralmente e a devida seguirá a tabela regressiva de IR (instrumentos de renda fixa) e será feito no momento do resgate, conforme o prazo que o investidor permaneceu com os recursos aplicados.

Vale notar que os fundos de ações são exceção a regra geral. Nessa espécie de fundo não há incidência de IOF e não existe cobrança semestral de IR. Os rendimentos sofrem tributação de 15% de IR, somente, no resgate.

O

setor está mudando, porém grande parte dos fundos opera

e

cobra taxas copiosas e o serviço prestado pelo gestor em

redução de riscos e aumento de retorno, muitas vezes não compensa.

Antes de investir, faça uma pesquisa de taxas e investigue o perfil do gestor para não comprar gato por lebre.

Entre as vantagens oferecidas pelos fundos de investimento aos investidores podemos destacar a comodidade de ter investimentos geridos por profissionais especialistas; a redução de risco por meio de um processo de diversificação de carteira; e a diluição de custos a partir da participação de vários investidores.

É possível acompanhar o mercado de fundos por meio de

revistas, jornais e sites especializados ou ainda contar com assessoria de profissionais de bancos e corretoras.

Bons investimentos!