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RELATÓRIO DESCRITIVO-REFLEXIVO DO ESTAGIO SUPERVISIONADO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Marta Rosani Taras Vaz Cleide Ferreira da Silva

RELATÓRIO DESCRITIVO-REFLEXIVO DO ESTAGIO SUPERVISIONADO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Marta Rosani Taras Vaz 1 Cleide Ferreira da Silva 2 Miriam Adalgisa Bedim Godoy 3

RESUMO

Este artigo é parte do trabalho desempenhado pelas acadêmicas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Centro-Oeste, Campus de Irati-PR, realizado na disciplina Estágio Supervisionado em Educação Infantil. Busca-se através deste estudo socializar a experiência de estágio que ocorreu no primeiro semestre de 2012, bem como descreve r acerca do tema, realizando uma reflexão teórica - prática. Embasados por autores que já discorreram sobre o assunto discute-se sobre a importância do Estágio Supervisionado, além de relacioná-lo na modalidade da Educação Infantil. Sucintamente abordar-se o histórico do conceito de Infância, buscando contribuir em uma melhor reflexão sobre as práticas e experiências obtidas no decorrer do Estágio. Destaca que o estágio ocorreu em três momentos específicos, a saber: observação, participação e atuação. No primeiro momento além de observar os alunos e a professora em sala de aula, analisou o Projeto Político Pedagógico e a estrutura física da instituição. Na etapa de participação nos envolvemos mais na rotina, as quais fazem parte do dia a dia, como por exemplo, refeições, higienização, hora do sono, e de brincadeiras nos parque e pátios do CMEI. A última etapa foi pensada partindo do pressuposto que deveríamos fazer uma relação com o que conhecemos na teoria e aplicá-lo na prática, tendo em vista a ação transformadora. Conclui-se o estudo ressaltando que o estágio abre uma série de possibilidades onde, ao aproveitar cada uma, percebe-se como se é possível revivenciar a própria atuação.

Palavras chave: Estagio Supervisionado; relatório; Educação Infantil.

  • 1 Graduanda em Pedagogia pela Unicentro Irati.

  • 2 Graduanda em Pedagogia pela Unicentro Irati.

  • 3 Professora do Curso de Pedagogia Unicentro Irati.

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INTRODUÇÃO

O Estágio supervisionado em Educação Infantil foi realizado durante três etapas: a observação, a participação e a atuação. É importante que se visualize esta disciplina como uma experiência, fruto de um trabalho pautado em conhecimentos adquiridos por meio de estudos e discussões. Portanto, realizar o Estágio Supervisionado significa mais que cumprir com tarefas curriculares da graduação, mas participar e experimentar em sala de aula, a prática de Ensino- aprendizagem que até então conhecemos teoricamente. Faz parte da grade curricular do curso de Pedagogia na Universidade Estadual do Centro Oeste, tendo que obrigatoriamente, ser realizado na cidade de Irati- PR, cumprindo uma carga horária total equivalente a 240 horas de estágios distribuídos nas modalidades de Educação Infantil, Anos Iniciais, Gestão e Formação Docente. De acordo com Godoy (2012) o Estágio Supervisionado no curso de Pedagogia como parte da organização curricular da formação do professor pedagogo que possibilita o contato com a realidade de sua futura prática como profissional de Educação. Nele se associam a teoria e a prática dialogicamente de maneira a confrontar, ressignificar e associar os conhecimentos adquiridos durante o curso.

Para Barreiro e Gebran (2006, p.22): “A aquisição e a construção de uma postura reflexiva pressupõe um exercício constante entre a utilização dos

conhecimentos de natureza teórica e prática, na ação e na elaboração de novos

saberes, a partir da ação docente”.

Segundo Barreiro e Gebran (2006, p.20):

O estágio curricular pode se constituir no lócus de reflexão e formação da identidade ao proporcionar embates no decorrer as ações vivenciadas pelos alunos, desenvolvidas numa perspectiva reflexiva e crítica, desde que efetivado com essa finalidade. O processo curricular não pode ser unilateral, ele demanda proposições reflexivas do curso formador, dos docentes e dos alunos. Dessa forma, a identidade que o curso pretende legitimar deverá ser explicita nos paradigmas formativos e vivenciada na prática formativa. Isso exige um exercício constante de reflexão a respeito da problemática relação entre teoria e prática e na busca de alternativas para equacioná-la.

Para

Godoy (2012, p.

05) é através do Estágio Supervisionado que

se

formará a identidade docente do futuro profissional na construção de suas experiências e relações dialéticas entre a teoria e a prática. Ao tratar da identidade

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profissional, observa-se que ela seja, como refere-se Pimenta e Lima (2004, p.112-

113):

[…] analisada na perspectiva individual e coletiva. Enquanto a primeira é constituída pela história a experiência pessoal, que se expressa no sentimento de originalidade e continuidade , a segunda é uma construção desenvolvida no interior dos grupos e das categorias que se estruturam na sociedade, conferindo à pessoa um papel e um status social.

Assim sendo a Importância do Estágio refere-se à reafirmação do futuro profissional da Educação.

O ESTÁGIO EM EDUCAÇÃO INFANTIL

Pensar o Estágio Supervisionado em Educação Infantil implica pensar o público desta etapa de ensino da Educação Básica. É fundamental para o bom desempenho da observação, participação e atuação das estagiárias em Educação Infantil, questionar-se sobre as crianças que frequentam estas instituições de Ensino, que atividades estas crianças realizam? Em que momento é realizadas atividades pedagógicas? Quais? Como?

De acordo com a LDBEN 9.394/96 no Art. 29: “A educação infantil, primeira

etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e

social, complementando a ação da família e da comunidade”.

As concepções de infância nem sempre foram da forma como concebidas na

atualidade, passando por momentos bem delineados. Segundo Ariès Apud Godoy (2012, p.63) foi marcada por três momentos:

O primeiro refere-se à Antiguidade, neste período a acriança era considerada como um adulto em miniatura, portanto não havia distinção entre a vida adulta e a vida infantil. O segundo momento, do século XII ao XVIII, começa a se delinear outra concepção de infância. A mesma é considerada pueril e inocente, portanto, deve ter um local apropriado para esta população. Isto se traduz em uma separação da vida adulta, pois as crianças são inseridas em uma instituição escolar sob tutela de um preceptor. A terceira etapa, do século XVIII à atualidade caracteriza-se pela consolidação do conceito de infância, ou seja a singularidade, a historicidade, a culturalidade e a subjetividade desta etapa da vida humana.

Os reflexos dessa modalidade de educação foram sentidos no Brasil, na

segunda metade do século XIX, onde por volta

de

1870, inicia-se a difusão de

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atendimento à infância, devido influência internacional. Neste período a educação

infantil no Brasil destinava se ao atendimento de pessoas “miseráveis” (orfanatos,

escravos, asilos infantis), não estabelecia vínculos com o estado, estava diretamente ligada a instituições religiosas e à senhoras que realizavam trabalhos de caridade para sociedade.

De acordo com Kuhlmann Jr (2000), surge o jornal “Mãi de Família” primeira

publicação brasileira da área de atendimento a infância, publicado de 1879 a1888. Tinha por objetivo chamar a atenção da sociedade brasileira para questões do

atendimento a infância. Tendo por redator o médico Carlos Costa, especialista em moléstia da criança. No Rio de Janeiro a fundação da primeira creche convida a participação da sociedade civil feminina, com um artigo no jornal mãe de família:

“senhoras fluminenses que compreendem os sagrados laços da maternidade, cabe lhes levar ao seio dessas famílias infelizes o conselho e o auxilio salutares”

(KUHLMANN JR, 2000, p. 473). Nasce a “Associação Protetora da Infância Desamparada”. As creches ou asilos de infância são criados tendo por ênfase dar suporte às famílias pobres (crianças libertas pela Lei do Ventre Livre e filhos da classe operária nascente). As instituições de atendimento a infância surgem vinculados à assistência e a saúde, com caráter: assistir, tutelar, proteger, preservar:

cuidar.

Ainda segundo o mesmo autor, em 1896 foi fundada a primeira creche pública fundada no Brasil vinculada ao Estado, chamava-se “Caetano de Campos”

localizada no estado de São Paulo, com princípios assistencialistas. Em 1919 foi fundado o departamento da criança no Brasil, responsável por registrar informações sobre o atendimento à infância do país. Na celebração do Centenário da

Independência surge a campanha de proteção à infância, cujo slogan foi: “Cuidemos

da Infância da nossa Pátria”. Em discurso proferido foi possível ouvir: “A higiene e a

Educação, solidárias uma da outra, são as fontes verdadeiras da civilização e bem

estar”.

De acordo com Kulhmann Jr (2009), o Movimento dos Pioneiros, oferta

ânimo à educação Infantil. Mário de Andrade cria em São Paulo no ano de 1935, o Parque Infantil, instituição que valorizava a produção cultural e artística das brincadeiras e jogos infantis. Em 1940 cria-se o Departamento Nacional da Criança, encarregado por estabelecer normas para o funcionamento da Educação Infantil,

que projeta em 1942 a “Casa da Criança”: creche, escola, maternal, jardim de

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infância, escola primária, parque infantil e posto da puericultura. Em 1965 o Departamento Nacional da Criança verifica o déficit no atendimento, no que demanda a expansão da Educação Infantil.

Nasce a ideia explicitada em Kuhlmann Jr. (2000, p. 489): “simplificar as

exigências básicas para uma instituição educacional e implantar um modelo

simplificado e baixo custo (

...

)

nem se pensa na formação profissional: o pessoal

seria recrutado entre ‘pessoas de boa vontade’, voluntariado”. A UNICEF auxiliaria

na captação de recursos, as diferentes propostas para a Educação Infantil sempre alegaram levar em conta as necessidades da criança e favorecer seu desenvolvimento natural. Na década de setenta, a Educação Infantil persiste vinculada à Assistência e à política compensatória, tendo em vista superar as carências. Só em 1988 a

Constituição Federativa do Brasil, a Educação Infantil passa compor sistema de Educação e alcança o estatuto legal por sua legitimação da Lei das Diretrizes e Bases da Educação nº9394/96. Surge uma série de questões sobre Educação infantil, dentre às quais temos o aprimoramento profissional dos educadores da infância. De acordo com Kuhlmann Jr. (2000, p.493): “o respeito à criança torna-se requisito para a Educação Infantil”.

Considerando a criança como ser participante ativo de seu processo de conhecimento, a Educação Infantil necessita ter políticas públicas educacionais que culminaram no documento denominado de Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), no a no de 2009. Este documento sinaliza a importância de que as propostas pedagógicas considerem a criança como sujeito histórico de direitos estando no centro de planejamento curricular. De acordo com Godoy (2012, p. 63 e 64):

A educação Infantil tem a função de educar e cuidar. Ao propiciar condições de aprendizagem por meio de brincadeiras e das atividades pedagógicas formais, o centro de Educação Infantil está cumprindo o seu papel de

educar (

...

)

já a função de cuidar refere-se ao atendimento às necessidades

relacionais e biológicas da criança de maneira a contribuir o seu

desenvolvimento humano (

)

a leitura do brincar permite o entendimento do

... processo de adaptação ao meio, desvela como ocorre sua organização

espaço-temporal, permitindo o conhecimento de sua organização interna.

As diretrizes curriculares de educação infantil (BRASIL, 2009) têm como princípios básicos os aspectos éticos, políticos, estéticos contemplam o trabalho com crianças de 0 a 5 anos de idade, além de nortear as propostas curriculares e os

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projetos pedagógicos. Este documento concebe a criança como centro do planejamento curricular, sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. Ainda segundo o mesmo documento o currículo pode ser concebido como o conjunto sistematizado de práticas culturais no qual se articulam as experiências e saberes das crianças, de suas famílias, dos profissionais e de suas comunidades de pertencimento e os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, científico e tecnológico. No Art.9º, fica explícito o trabalho com eixos norteadores, que propõem garantir experiências que utilizem as interações e as brincadeiras garantindo um

ensino lúdico e prazeroso. De acordo com o documento, fica claro que a avaliação nesta modalidade de ensino não deve ter objetivo de seleção, promoção ou classificação, mas deve ser voltada para acompanhamento pedagógico e desenvolvimento das crianças. A passagem da criança pela Educação Infantil deve ter vistas a possibilitar continuidade no processo de aprendizagem no Ensino Fundamental. Nesta perspectiva o Estágio Supervisionado em Educação Infantil foi realizado em três momentos. Segundo Godoy (2012) o estágio supervisionado é organizado em três etapas: observação, participação e atuação, sendo cada um destes com a duração de vinte horas, consolidando sessenta horas em seu término. A primeira etapa é a observação, onde o acadêmico tem a oportunidade de perceber a realidade do processo educativo em diversos aspectos, objetivando refletir sobre possíveis soluções. Procura-se conhecer a escola como um todo, abrangendo espaço físico e a comunidade em que está inserido, além de observar documentos referentes a ação escolar e a prática pedagógica. Esse momento apresenta sua importância como etapa inicial por possibilitar o reconhecimento do espaço para posteriormente desenvolver possíveis ações coletivas nos momentos de participação e atuação. O período que sucede à Observação é a Participação, que pode ser definida

como: “envolvimento do estagiário nas diferentes ações e projetos da escola, o

aprofundamento das relações estabelecidas com alunos e professores da Educação

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Básica e o confronto dessas vivências com aquelas trazidas da universidade”

(BARREIRO; GEBRAN, 2006 p.96). As vivências do estagiário no período de observação possibilitam uma maior interação no âmbito da escola. Tornando possível na etapa de participação a colaboração em algumas atividades sob a orientação do professor regente, sendo que o estagiário precisa demonstrar interesse e colocar-se em solicitude na sala de aula.

Além do mais, na medida em que os estagiários tem participação na sala de aula, ele passa a conhecer melhor a realidade escolar, contribuindo para a elaboração do planejamento de atuação. Segundo Januario (2008, p. 02):

[

...

]

os alunos-estagiários levarão para as salas de aula os conhecimentos

teóricos adquiridos na universidade e os pontos de vista dos autores; passarão a confrontar teoria e realidade e, ao retornarem à universidade, socializarão as experiências, farão críticas ao sistema e manifestarão possíveis soluções.

Este momento facilita o contato do estagiário com os alunos o que possibilita maior socialização para próxima etapa, que é a Atuação. Segundo Godoy (2012) o estágio de atuação é uma etapa singular, o qual exerce uma função precípua de ensino-aprendizagem, pois é neste momento que o estagiário ensina e ao mesmo tempo aprende, se desenvolvendo como discente- docente. É neste momento que o acadêmico vai por em prática seus conhecimentos adquiridos nas metodologias e na didática, para execução das atividades para a turma.

Durante a etapa de atuação do Estágio o estagiário acadêmico, melhor visualiza sua futura profissão, passa compreender como acontece a dinâmica da sala de aula, a interação professor-aluno, preparando-se para quando for exercer sua profissão docente. Na concepção de Januario (2008, p.5):

[

]

além de elaborar os projetos de intervenção pedagógica, o aluno

... estagiário poderá aplicá-los, assumindo, pela primeira vez, a postura de professor. Com a aplicação dos projetos, na modalidade Regência, o aluno- estagiário não cumpre simplesmente uma exigência do curso, mas contribui para uma aula diversificada, além de, posteriormente, olhar para as suas experiências e delas constituir sua identidade. É a partir dessas primeiras sensações que ele poderá tomará gosto pela profissão e motivar-se-á a buscar, sempre, alternativas de melhorias em sala de aula.

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De acordo com Godoy (2012) para uma adequada execução das atividades durante a participação no Estágio supervisionado, o aluno deve observar o tempo e o espaço escolar, esta observação possibilita a realização de um bom planejamento de aula. Para Vasconcellos (2006, p. 35) planejar “é antecipar mentalmente uma ação a ser realizada e agir de acordo com o previsto, é buscar fazer algo incrível, essencialmente humano: o real ser comandado pelo ideal”. O Estágio supervisionado possibilita concretizar na escola os conhecimentos adquiridos na universidade, trazendo benefícios tanto ao acadêmico como à própria instituição.

CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR

O Estágio supervisionado foi realizado no município de Irati, no Centro de educação Infantil João Paulo II (nome provisório), localizado na área urbana, zona residencial denominada Vila São João, Rua São Paulo (s/n°). A instituição é subordinada pela secretaria municipal da educação e mantida pelo órgão publico municipal. O CMEI observado tem regime de funcionamento anual, com atendimento das 7 horas às 18 horas, compondo os turnos matutino e vespertino, atendendo a três turmas correspondentes ao Jardim I, ao Jardim II e ao Jardim III, cada classe compõe um numero de 18 a 20 alunos. Com um estilo de arquitetura mais antiga, a creche João Paulo II foi edificada durante o governo de Álvaro Dias, em julho de 1988, com recursos do Estado em convenio com a prefeitura municipal de Irati, sendo o espaço de propriedade do Estado com finalidade própria para realizações de atividades pedagógicas voltadas a educação infantil. O espaço físico agrega três salas de aulas, nas quais são realizadas as atividades correspondentes a cada jardim de infância, até então o CMEI observado não possui um espaço especifico para laboratórios e bibliotecas. Possui uma cozinha e um refeitório com um espaço agradável e bem conservado para serem servidos os lanches e refeições. O CMEI possui um banheiro dentro do qual não há chuveiros, é utilizado tanto pelos funcionários e professores quanto pelos alunos (feminino/ masculino). A sala dos professores e a sala para atividades de leitura são adaptadas de acordo

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com a possibilidade do espaço físico. Não há quadra de esportes, mas há um parque de diversão em péssimo estado de conservação e um espaço ao ar livre com árvores e grama onde as crianças se divertem, porém o terreno é muito acidentado. A sala de direção do CMEI é adaptada, não há um espaço próprio para a realização de atividades de caráter burocrático e administrativo. Como não há secretaria e equipe pedagógica, a pedagoga realiza suas atividades pedagógicas, administrativas e de coordenação dentro de um só espaço físico. A instituição não possui uma vasta quantidade de materiais e equipamentos, os materiais pedagógicos não são suficientes, ficando a cargo da criatividade e disponibilidade dos professores para a criação dos mesmos. As salas de aulas possuem armários, cadeiras, mesas, cortinas, espelhos, quadro negro, televisores com bom estado de conservação. No que se referem os recursos humanos da instituição, não há uma equipe pedagógica formada, havendo apenas uma responsável pela administração e gestão, executando a função de diretora, pedagoga, secretaria e agente educacional. Sua posição administrativa e pedagógica não foi requerida através de eleição, mas por indicação. Como o CMEI atende a comunidade durante 11 horas diárias e 55 horas semanais, o quadro de professores é insuficiente, havendo apenas um para cada turma (Jardim I, Jardim II, Jardim III).

OBSERVAÇÃO, PARTICIPAÇÃO E ATUAÇÃO

No primeiro momento de trabalho realizaram-se as observações segundo as quais elaborou-se a caracterização da instituição. Foram analisados os documentos e registros, além de circular-se pelo espaço físico para observar a estrutura do pavimento e do local onde seriam desenvolvidas as atividades com as crianças. Observamos que a instituição ainda não construiu um Projeto Político Pedagógico (PPP), os documentos encontrados que foram analisados se referem ao Regulamento de funcionamento, um esboço de Plano de Trabalho e uma apostila que orienta o trabalho pedagógico dentro da sala de aula. Sendo assim, a avaliação do rendimento escolar, não estabelece necessariamente diretrizes comuns com o PPP, mas é de critério do professor de cada turma escolher um direcionamento e realizar a avaliação.

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Outro aspecto que nos chamou muita atenção, diz respeito à criatividade, a seriedade e a dedicação ao trabalho da professora do Jardim III, expresso tanto nas exposições das atividades dos alunos nas paredes da sala, como na relação estabelecida entre os alunos/colegas/professora. A sala de aula do Jardim III é um espaço agradável e bem propício para a construção dos conhecimentos dos alunos, a professora da turma desenvolve trabalhos bem criativos, entre os quais foram observadas atividades como: alfabeto ilustrado, chamada ilustrada, mural de fotos antigas e recentes dos alunos, uma girafa de medida (para constatar o tamanho dos alunos), entre outras que seguem em anexo. No que diz respeito do funcionamento da instituição, vale destacar a ausência da participação do órgão mantedor. O CMEI possui uma boa manutenção por parte das funcionárias e professoras, no entanto, há tarefas e deveres que são responsabilidade financeira de outras organizações. Este fato se reflete na falta de profissionais, por exemplo, pois percebemos que a zeladora é também cozinheira, que professoras devem atender duas ou até três turmas, devido o atendimento de a creche ser de 10 horas diárias e haver apenas três professoras. Problemas como estes são visíveis, principalmente porque descumprem uma legislação que já deveria estar em vigor. A LDB 9394/96 apresenta em seu Art. 66 que os profissionais da educação têm direito de um período reservado a estudos, a planejamento e avaliação, este incluído na carga horário de trabalho, a hora- atividade. Além de adequadas condições de trabalho. No entanto, observamos como a realidade vem em uma direção oposta à legislação. No segundo momento houve maior envolvimento com a turma do Jardim III, neste momento já estávamos familiarizados com a turma e sua rotina, podendo participar das atividades desenvolvidas pela professora na sala, além de contribuir na realização de outras atividades, que fazem parte do dia-dia das crianças, como refeições, higienização, hora do sono, e de brincadeiras nos parque e pátios do CMEI.

A professora solicitou nossa ajuda diversas vezes para desenvolver brincadeiras lúdicas com as crianças no parque, no pátio ou até mesmo em sala de aula. Segundo Assis (2006, p.95): “Por meio da brincadeira, o domínio da realidade se torna acessível à criança favorecendo seu desenvolvimento psíquico e sua

inserção social”.

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Além de participar das brincadeiras, estivemos presentes em momentos de cuidado com as crianças, ajudamos a servir as refeições (café da manha, almoço, lanche da tarde), participamos do momento de higienização e contribuímos na hora de descanso das crianças. Podemos perceber através de nossa participação, como os professores de Educação Infantil exerce uma função assistencialista. Compreendemos que os alunos do Jardim III realizam uma variedade de atividades, respeitando sempre a rotina do CMEI. No entanto, merece destaque uma observação importante do papel do “educar” na instituição. Embora o “brincar” e o “cuidar” também sejam trabalhados pelas professoras, o “educar” é considerado o aspecto mais significativo da prática pedagógica, quando os professores dão ênfase na aprendizagem da leitura e escrita. Para Assis (2006, p. 99): “a educação infantil na perspectiva preparatória não possui um objetivo em si mesmo, seu objetivo está focado exclusivamente na escolarização futura”. Portanto, participando das atividades podemos perceber a importância de cuidar-brincar-educar, para que as crianças desenvolvam aspectos de sua maturidade que contribuem para a aprendizagem futura. Durante certa atividade em que a professora desenvolvia com a turma, percebemos a necessidade de um aluno especial, com uma deficiência física causada pela ausência das mãos. O menino precisava de um apoio para desenvolver a atividade. É com essas situações que percebemos a importância de profissionais qualificados para que a Inclusão esteja de fato dentro da escola. Houve uma atividade interessante em que participamos, a professora realizava a chamada. As crianças presentes buscavam seus nomes em um mural onde estavam todos escritos pela professora, e pintados e desenhados pelas crianças. Dessa forma as crianças identificavam seus desenhos, e as letras de seus nomes, fazendo relação com algumas dicas dadas pela professora. A participação foi um momento de maior aproximação com o processo de ensino-aprendizagem. A riqueza deste espaço de aprendizagem contribuiu grandemente para a realização do próximo momento do Estágio Supervisionado. A atuação foi pensada partindo do pressuposto que deveríamos fazer uma relação com o que conhecemos na teoria e aplicá-lo na prática, tendo em vista a ação transformadora. O tema geral foi “Eu, minha casa e minha família” e a unidade temática que trabalhamos no plano foi “Os tipos de moradias”. Houve participação e interesse e

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das crianças no decorrer da execução das atividades propostas no plano de aula. À medida que problematizávamos o tema “os tipos de moradia” as crianças do Jardim III, relatavam acontecimentos e características de suas famílias e casas. Para se chegar ao tema, foi contada a história “Mario Marinheiro”, utilizando músicas e dobraduras até culminar no objetivo que seria a casa-barco. Ao término da história, as crianças decoraram seu colete salva-vidas. A decoração foi feita utilizando lápis de cor. Em sequência apresentamos à turma os diferentes tipos de moradia, percebemos que a turma não conhecia tanta variedade de moradia, nós perguntávamos onde ficavam os iglus, as ocas, as tendas, os barracos. E para facilitar o aprendizado das mesmas, contextualizamos cada moradia, para que as crianças compreendessem que cada região, cada cultura, preserva um tipo de moradia. Apresentamos também a elas as pessoas de nossa sociedade que não tem onde morar, muitas vezes dorme embaixo das pontes, embaixo de ponto de ônibus, passam frio, fome e muitos outros tipos de necessidade. Ficamos otimistas com a manifestação de solidariedade e interesse por parte das crianças. Utilizamos como recurso visual para o desenvolvimento desta atividade um projetor multimídia, inclusive na história do “Mario Marinheiro”, o que despertou muito interesse nas crianças. Ao término desta atividade foi servido o almoço e após o horário que as crianças descansam. Durante a tarde era o momento do lúdico. Para esta atividade escolhemos a brincadeira da amarelinha, na qual levamos uma amarelinha confeccionada em lona, que foi de total diversão para as crianças. Fizemos muitas variações, mas a brincadeira foi fascinante. Brincamos até a hora do lanche, onde ajudamos a servir às crianças. Em seguida voltamos para o pátio onde realizamos brincadeiras diversas com os alunos. Ao fim da tarde, aproveitando o projetor multimídia, realizamos com todas as crianças do CMEI, a pedido da coordenação, uma sessão de cinema, com direita a pipoca, onde as crianças assistiram a um filme escolhido por todos, da cantora Aline Barros. Ficamos neste espaço até a chegada dos pais. Percebemos o interesse de todos os alunos no projetor, refletimos como a aquisição deste recurso pela instituição possibilitaria momentos agradáveis a todos. No outro dia de atuação, retomamos o tema proposto “tipos de moradia”, mas primeiramente iniciamos com a brincadeira do circuito, nesta atividade que desenvolvemos com a turma, alguns aspectos nos chamaram muita atenção.

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Enquanto participavam do circuito de corrida, no qual foram utilizados objetos de corda, cones e bambolês, observamos a dificuldade de cada criança, muitas vezes na corrida, outras vezes em habilidades de passar obstáculos, ou também em desenvolver atividades em equipes. Dessa forma, pudemos compreender que cada criança possui uma especificidade que deve ser trabalhada pelo professor, a partir de atividades que desenvolvam os diferentes movimentos do corpo humano. Posteriormente, ao percebermos que as crianças queriam mudar de atividade, fizemos alongamento e brincamos com elas no parque, onde podíamos perceber o quanto gostam deste ambiente. Em seguida após a higienização, foi servido o almoço e houve o momento do descaso das crianças. À tarde continuamos a proposta de conversar sobre os tipos de moradia, iniciando com a dobradura da casa e depois realizamos pinturas de diversos tipos de

casas e a confecção de um mural sobre o tema. Após, seguimos para o lanche e voltamos com as crianças para a sala de aula. Preparamos os alunos para esperar por seus pais e até este momento, utilizamos fantoches para contar uma história coletiva, comparticipação de todas as crianças. Finalmente, com a chegada dos pais, os alunos se despediram de nós, com um abraço afetuoso e a pergunta se voltaríamos novamente. A atuação nos possibilitou a compreensão de que um trabalho pedagógico consciente, que relacione conhecimentos teóricos com a prática proporciona um maior desenvolvimento motor, afetivo e cognitivo das crianças. Dessa forma, podemos constatar o que realmente acredita Godoy (2012, p.85): “O Estágio supervisionado, por meio da prática, possibilita rever e ampliar os conhecimentos apreendidos nas teorias das diversas disciplinas que compõem a matriz curricular

central no curso de Pedagogia”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma vez a teoria estudada durante a graduação abre lacunas que somente a prática e a experiência podem preencher. Esta prática começa a existir no Estágio Supervisionado. Embora muitas sejam as dificuldades vivenciadas durante o desenvolvimento do Estágio, muito mais são as gratificações obtidas. O momento de observação da instituição e do comportamento das crianças nos faz tomar

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consciência do processo educativo, bem como participar e atuar na sala de aula nos torna parte desta realidade que se chama escola. Além da prática aos que iniciam o trabalho docente, há de se considerar que esta etapa do curso permite aos já atuam como profissionais de ensino o repensar sua prática. Quando se atua há tantos anos, muitas vezes perde-se o olhar da observação, pois sua prática fica em via de regra, pautada em repetições que podem vir a ser julgadas como únicas e verdadeiras. Não ocorre além da avaliação um momento em que se possa realmente refletir sobre suas atitudes e mesmo posicionamentos em sala de aula. O estágio abre uma série de possibilidades onde, ao aproveitar cada uma, percebe-se como se é possível revivenciar a própria atuação.

REFERENCIAS

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