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cartografia de ocupação do solo

portugal continental |1985-2000


corine land cover 2000
Marco Painho | Mário Caetano
cartografia de ocupação do solo
Portugal continental 1985-2000
corine land cover 2000

Marco Painho | Mário Caetano

Amadora 2006
Ficha técnica:

Título: Cartografia de ocupação do solo


Portugal continental 1985-2000
CORINE Land Cover 2000

Autores: Marco Painho e Mário Caetano

Com a colaboração de
Ana Bastos, Sérgio Freire, António Antunes,
Hugo Carrão, Fernando Mata e Paula Curvelo

Projecto realizado para o Instituto do Ambiente com


co-financiamento da Comissão Europeia, no âmbito do
protocolo celebrado entre o Instituto do Ambiente e o
Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação
da Universidade Nova de Lisboa (ISEGI-UNL)

Coordenação: Marco Painho


Mário Caetano

Edição: Instituto do Ambiente

Tiragem: 1000 exemplares

ISBN: 972-8577-27-3

Depósito Legal: 238090/06

Data de edição: Janeiro 2006

Ficha bibliográfica:

Painho, M. e Caetano, M. - Cartografia de ocupação do solo : Portugal continental,


1985-2000 : CORINE Land Cover 2000. Amadora : Instituto do Ambiente, 2005.

ii
Resumo executivo

O projecto CORINE Land Cover 2000 (CLC2000) em Portugal desenvolveu-se no âmbito


da iniciativa IMAGE and CORINE Land Cover 2000 (I&CLC2000), da Comissão Europeia
(CE), que tem como principal objectivo a produção de cartografia de ocupação e uso
do solo para a Europa para o ano de 2000. O CLC2000 Portugal decorreu entre Outubro
de 2002 e Fevereiro de 2005, foi financiado pelo Instituto do Ambiente (IA) e pela
Comissão Europeia (CE), e foi coordenado pelo Instituto Superior de Estatística e
Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa (ISEGI-UNL) com a colaboração
do Instituto Geográfico Português (IGP).

O Programa CORINE (Co-ordination of Information on the Environment) foi criado em


1985 pela CE com o objectivo de desenvolver um sistema de informação (i.e., o sistema
CORINE) sobre o estado do ambiente a nível europeu. Uma das principais componentes
deste programa foi o projecto CORINE Land Cover (CLC), que teve como objectivo
primeiro a produção de uma cartografia de ocupação e uso do solo para os países da
União Europeia relativa a um ano próximo de 1990 (entre 1985 e 1995, dependendo
do país). Esta base de dados ficou conhecida como CORINE Land Cover 1990 (CLC90)
e, no caso português, foi produzida com base em imagens de satélite de 1985, 1986 e
1987, dependendo da região. A Agência Europeia do Ambiente (AEA) e o Centro
Comum de Investigação (JRC) da CE lançaram em 1999 o Projecto I&CLC2000 com o
objectivo principal de actualizar, para 2000, a cartografia CORINE Land Cover (CLC90)
existente. Actualmente, o I&CLC2000 envolve 29 países.

No âmbito do Projecto CLC2000 Portugal, geraram-se três produtos cartográficos em


formato digital para Portugal Continental: (1) cartografia CLC90-R, que é um
melhoramento (a nível geométrico e temático) do primeiro produto CORINE Land Cover
(CLC) de 1985/86/87; (2) cartografia CLC2000, que tem como referência o ano 2000;
e (3) cartografia de alterações de ocupação/uso do solo entre as datas dos dois
produtos CLC (CLC90-R e CLC2000), aqui designada por CLC-alterações.

Os produtos cartográficos CORINE Land Cover constituem a informação mais recente e


comparável sobre ocupação e uso do solo no território de Portugal Continental,
fornecendo um retrato da paisagem para os anos 1985/86/87 e 2000, e caracterizando
o tipo de alterações decorridas entre essas datas. Todos os produtos cartográficos CLC
têm características técnicas idênticas: escala 1:100 000; nomenclatura standard
(i.e., nomenclatura CLC), com três níveis hierárquicos, que inclui 44 classes no nível
mais desagregado e uma distância mínima entre linhas de 100 m. Nos produtos
CLC90-R e CLC2000 a Área Mínima Cartográfica (AMC) é 25 ha. No CLC-alterações, a
AMC é 5 ha no caso de expansão ou retracção de áreas já existentes no CLC90, e 25
ha no caso de surgimento de novas áreas, i.e., não contíguas a outras da mesma
classe presentes no CLC90. Na caracterização da ocupação e uso do solo em Portugal,
através dos produtos CORINE Land Cover, foram utilizadas 42 das 44 classes da
nomenclatura CLC, o que traduz a diversidade da paisagem nacional.

Os produtos CORINE Land Cover foram elaborados com base em imagens dos satélites
Landsat e informação auxiliar relacionada com ocupação/uso do solo, proveniente de
diversas instituições. As imagens e outra informação foram interpretadas e integradas
por especialistas, com recurso a sistemas de informação geográfica (SIG) e softwares
de processamento digital de imagens, de forma a criarem-se produtos com as
características técnicas requeridas.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 iii
A maior parte do esforço despendido no Projecto CLC2000 Portugal centrou-se no
melhoramento da primeira versão do CLC90 para a produção de uma cartografia
revista, o CLC90-R. Em relação ao CLC90, foram especialmente melhorados a exactidão
geométrica e o conteúdo temático, tendo o número de polígonos aumentado cerca de
50% e a sua área média decrescido em cerca de 125 ha. Na produção do CLC90-R
alterou-se a classe de ocupação do CLC90 original em 45% da área de Portugal
Continental.

Para avaliar a qualidade do produto CLC2000, foi desenhada e aplicada uma


metodologia que permitiu quantificar o rigor temático com que a cartografia CLC2000
representa a paisagem portuguesa. O índice global de exactidão temática da cartografia
CLC2000 de Portugal, no 3º nível da nomenclatura CLC, é de 82.84%, com um
intervalo de confiança de 80.47 a 85.20, respeitando-se assim as exigências da Agência
Europeia do Ambiente (AEA) sobre a exactidão temática da cartografia CLC2000. Os
três produtos cartográficos foram também validados pela Equipa Técnica Europeia da
AEA, tendo-se verificado que obedecem a todos os requisitos técnicos exigidos.

Numa análise sumária ao CLC90-R, e considerando os limites de Portugal Continental


definidos pela CAOP1 (versão 3.0 de 2004), sobressai a proporção da superfície de
Portugal Continental ocupada pelas Áreas agrícolas (48.9%) e pelas Florestas e meios
semi-naturais (48.1%). Os Territórios artificializados ocupam cerca de 1.9%, enquanto
que as Zonas húmidas e as Massas de água ficam-se pelos cerca de 0.3 e 0.8 % da
área total do território.

Em 2000 as Áreas agrícolas e as Florestas e meios semi-naturais continuam a dominar,


com 48.0% e 48.2% da superfície, respectivamente. Os Territórios artificializados
passam a ocupar 2.7% de Portugal Continental, enquanto que as Zonas húmidas e as
Massas de água ocupam nesta data 0.3 e 0.9%, respectivamente.

Entre 1985/86/87 e 2000, e considerando as 44 classes do 3º nível da nomenclatura


CLC, 11% da área de Portugal Continental sofreu alterações de ocupação/uso do solo.
No entanto, se se considerar uma categorização da ocupação do solo nas 5 classes
correspondentes ao nível 1 da nomenclatura CLC, apenas 2% de Portugal Continental
sofreu alterações. A diferença significativa entre estes dois valores de alteração resulta
do facto de muitas das transformações verificadas ocorrerem entre classes do nível 3
pertencentes à mesma classe do nível 1. Isto é particularmente verdade para as classes
relacionadas com florestas, devido ao efeito de cortes, novas plantações, e degradação
causada por incêndios florestais, e para as classes relacionadas com agricultura, devido
à alteração do tipo de cultura (e.g., culturas anuais de regadio, culturas anuais de
sequeiro e culturas permanentes).

Analisando os principais tipos de alterações decorridas em Portugal Continental entre


1985/86/87 e 2000, com base no nível 1 da cartografia CLC-alterações, sobressai a
expansão dos Territórios artificializados em 66 738 ha e a diminuição das Áreas
agrícolas em 84 055 ha. A Floresta e os meios semi-naturais aumentaram 11 931 ha
no período em análise. A área ocupada por Zonas húmidas mantém-se praticamente
inalterada e é de registar um aumento de cerca de 5 390 ha da superfície ocupada por
Massas de água, devido essencialmente à construção de barragens. Assim, pode-se
dizer que no período em análise houve uma expansão dos Territórios artificializados e
da Floresta e meios semi-naturais e uma retracção da superfície agrícola.

Os três produtos cartográficos elaborados no âmbito do CLC2000 Portugal e respectivos


metadados são disponibilizados gratuitamente para fins não comerciais através de uma
aplicação WebGIS implementada no portal do Instituto do Ambiente, potenciando a
maximização da sua utilização por todos os interessados.

1 Carta Administrativa Oficial de Portugal

iv Resumo executivo
Agradecimentos

Os coordenadores do CLC2000 Portugal agradecem a todos os que contribuíram para a


produção da cartografia CORINE Land Cover 2000 para Portugal Continental, em
particular aos intérpretes de imagem, operadores SIG, equipa informática do ISEGI,
membros do Comité de Acompanhamento, Ana Sousa do Instituto do Ambiente e
George Buttner e Jan Feranec da Equipa Técnica Europeia.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 v
Índice

RESUMO EXECUTIVO » iv
AGRADECIMENTOS » v
ÍNDICE DE FIGURAS » vii
ÍNDICE DE TABELAS » viii

1. INTRODUÇÃO » 1
1.1. O Projecto I&CLC2000 » 1
1.2. O Projecto CLC2000 Portugal » 2

2. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS DOS PRODUTOS CLC90-R, CLC2000 E CLC-ALTERAÇÕES » 3

3. METODOLOGIA » 7
3.1. Preparação Inicial do Projecto » 7
3.2. Base da Dados » 10
Dados de referência » 10
Dados e informação auxiliar » 13
Trabalho de campo » 14
3.3. Produção do CLC90-R e CLC-Alterações » 14
3.4. Produção do CLC2000 » 19
3.5. Controlo de Qualidade e Metadados » 21
Missões de verificação da Equipa Técnica Europeia » 21
Controlo temático » 22
Controlo estrutural » 23
Metadados » 24

4. ANÁLISE SUMÁRIA DO CLC90-R, CLC-2000, E CLC-ALTERAÇÕES DE PORTUGAL


CONTINENTAL » 25
4.1. Os Produtos CLC90 e CLC90-R » 25
4.2. A ocupação/uso do solo em 2000 » 31
4.3. Alterações de ocupação/uso do solo entre 1985/86/87 e 2000 » 39

5. AVALIAÇÃO DA EXACTIDÃO TEMÁTICA DO CLC2000 » 43


5.1. Métodos » 43
5.2. Resultados » 46

6. DISSEMINAÇÃO DE PRODUTOS CLC » 51


6.1. Política de Disseminação de Produtos » 51
6.2. Aplicação para Disseminação dos Produtos CLC » 51

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS » 53

LISTA DE ACRÓNIMOS » 54
BIBLIOGRAFIA » 55

ANEXOS

vi
Índice de Figuras
Figura 1. Estrutura organizativa do Projecto CLC2000 Portugal » 2
Figura 2. Abordagens possíveis para criação do CLC2000 (adaptado de Büttner et al., 2004) » 7
Figura 3. Processo de produção da cartografia CORINE Land Cover em Portugal » 9
Figura 4. Imagens utilizadas, por unidade de trabalho, na produção do CLC90-R » 11
Figura 5. Imagens utilizadas, por unidade de trabalho, na produção do CLC2000 » 12
Figura 6. Ambiente de trabalho para produção dos produtos CLC90-R e CLC-alterações » 15
Figura 7. Aplicação de regras de prioridade para generalização de áreas que não têm a AMC » 16
Figura 8. (A) Agregação e eliminação de áreas que não têm a AMC; (B) Exagero de áreas
próximas da AMC » 16
Figura 9. Critérios para delimitação de alterações contíguas a ocupações existentes » 17
Figura 10. Esquematização do processo de produção do CLC2000 » 20
Figura 11. Zonas verificadas nas missões da Equipa Técnica Europeia » 21
Figura 12. Exemplo de verificação em campo e dados recolhidos » 22
Figura 13. Exemplo de detecção da violação da regra dos 100 m por processos automáticos » 23
Figura 14. CORINE Land Cover 90-Revisto (CLC90-R) para Portugal Continental » 26
Figura 15. Histograma de distribuição da área média dos polígonos do CLC90 » 30
Figura 16. Histograma de distribuição da área média dos polígonos do CLC90-R » 30
Figura 17. Percentagem da área de cada NUTS III em que os produtos CLC90 original e
CLC90-R são diferentes » 30
Figura 18. Exemplos do acréscimo do conteúdo temático no melhoramento do CLC90 » 31
Figura 19. CORINE Land Cover 2000 para Portugal Continental » 32
Figura 20. Área de Portugal Continental ocupada em 2000 por classes do nível 1 da
nomenclatura CLC, em percentagem » 33
Figura 21. Área ocupada em Portugal Continental em 2000 por classe do nível 3 da
nomenclatura CLC » 35
Figura 22. Percentagem da área de cada classe CLC do nível 1 ocupada pelas classes do
nível 3 correspondentes, em 2000 » 36
Figura 23. Área ocupada em 2000 por classes CLC ao nível 1 por NUTS II » 37
Figura 24. Percentagem da área de cada NUTS III ocupada em 2000 por Territórios
artificializados (A), Áreas agrícolas (B) e Florestas e meios semi-naturais (C) » 38
Figura 25. Área das alterações de ocupação do solo por classe do nível 1 » 41
Figura 26. Percentagem da área de cada NUTS III que sofreu alterações entre 1985/86/87 e
2000 ao nível 3 da nomenclatura CLC » 42
Figura 27. Distribuição espacial das unidades amostrais para avaliação da exactidão temática
do CLC2000 » 44
Figura 28. Polígonos do CLC2000 e do CLC-REF para uma unidade amostral » 44
Figura 29. Intervalo de confiança do Índice específico de exactidão do utilizador (IEU) das
classes do nível 3 da nomenclatura CLC da cartografia CLC2000 de Portugal
Continental » 50
Figura 30. Intervalo de confiança do Índice específico de exactidão do produtor (IEP) das
classes do nível 3 da nomenclatura CLC da cartografia CLC2000 de Portugal
Continental » 50
Figura 31. Aspecto geral do Site WebGIS do CLC2000 Portugal » 51

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 vii
Índice de Tabelas
Tabela 1. Especificações técnicas dos produtos CLC90-R, CLC2000 e CLC-alterações » 3
Tabela 2. Nomenclatura CORINE Land Cover » 4
Tabela 3. Adaptação da nomenclatura CLC no âmbito do Projecto CLC2000 Portugal » 6
Tabela 4. Datas das imagens Landsat utilizadas para a produção da cartografia CLC de
Portugal Continental » 10
Tabela 5. Ângulos azimutal e zenital das imagens Landsat utilizadas para a produção da
cartografia CLC de Portugal Continental » 10
Tabela 6. Erro médio quadrático (RMSE) e número de Pontos de Controlo (PC) utilizados
na orto-rectificação das imagens de 2000 e georreferenciação das imagens para
o CLC90-R » 13
Tabela 7. Principais dados e informação auxiliar utilizada no Projecto CLC2000 de Portugal » 14
Tabela 8. Utilidade e limitações da informação auxiliar utilizada no projecto CLC2000 de
Portugal » 18
Tabela 9. Caracterização dos produtos CLC90 e CLC90-R com base no número de polígonos
e área ocupada por cada classe CLC » 27
Tabela 10. Caracterização das diferenças entre os produtos CLC90 e CLC90-R com base no
número de polígonos e área ocupada por cada classe CLC » 28
Tabela 11. Caracterização da ocupação/uso de solo em Portugal Continental em 2000 com
base no produto CLC2000 » 34
Tabela 12. Matriz de alterações de ocupação/uso do solo em Portugal Continental entre
1985/86/87 e 2000, construída com base no CLC-alterações » 40
Tabela 13. Percentagem do território de Portugal Continental que registou alterações de
ocupação/uso do solo entre 1985/86/87 e 2000, considerando os 3 níveis da
nomenclatura CLC, com base no produto CLC-alterações » 41
Tabela 14. Área de aumento e diminuição de classes do nível 1 da nomenclatura CLC com
base no produto CLC-alterações » 41
Tabela 15. Características da avaliação da exactidão temática da Cartografia CLC2000 » 43
Tabela 16. Número de polígonos do CLC2000 de Portugal Continental e do CLC-REF das
unidades amostrais, e sua percentagem em relação ao total » 45
Tabela 17. Classes de cada nível da nomenclatura para as quais se podem derivar índices
específicos de exactidão temática da cartografia CLC2000 com base na
amostragem adoptada e com significado estatístico » 46
Tabela 18. Índices de exactidão temática global para a cartografia CLC2000 nos três níveis
da nomenclatura CLC » 46
Tabela 19. Matriz de erro para a amostra de avaliação da exactidão temática da cartografia
CLC2000 » 47
Tabela 20. Índices de exactidão temática do produtor (IEP) e do utilizador (IEU) para as
classes do nível 3 da nomenclatura CLC da cartografia CLC2000 derivados com
base em dados das unidades amostrais » 48
Tabela 21. Índices específicos de exactidão temática do produtor (IEP) e do utilizador (IEU)
para classes do nível 1 da cartografia CLC2000 de Portugal Continental » 49
Tabela 22. Índices específicos de exactidão temática do produtor (IEU) e do utilizador (IEU)
para classes do nível 2 da cartografia CLC2000 de Portugal Continental » 49

viii
1. Introdução das imagens de satélite, a sua orto-rectificação e
produção de mosaicos de imagens a nível
nacional e europeu.
1.1. O Projecto I&CLC2000
(2) CLC2000 – coordenada pela AEA, engloba as
actividades relacionadas com a geração dos
As bases de dados cartográficas de ocupação/uso
produtos cartográficos CLC2000, CLC90
do solo para Portugal Continental, que se
melhorado a nível geométrico e temático, aqui
apresentam neste relatório, foram produzidas no
designado por CLC90 Revisto (CLC90-R), e CLC-
âmbito do projecto IMAGE and CORINE Land
alterações.
Cover 2000 (I&CLC2000), uma iniciativa da
Agência Europeia do Ambiente (AEA) e do Centro
Os produtos finais do I&CLC2000 são:
Comum de Investigação (JRC) da Comissão
Europeia (CE).
Produto 1 - imagens de satélite orto-rectificadas;
O Programa CORINE (Co-ordination of
Produto 2 - mosaicos nacionais de imagens por
Information on the Environment) foi criado em
unidade de trabalho;
1985 pela CE com o objectivo de desenvolver um
sistema de informação (i.e., o sistema CORINE)
Produto 3 - cartografia nacional CLC90-R e
sobre o estado do ambiente a nível europeu
CLC2000 em formato vectorial;
(Heymann et al., 1994). Com a criação da
Agência Europeia do Ambiente (AEA) e da Rede
Produto 4 - cartografia nacional CLC-alterações
Europeia de Observação e Informação do
em formato vectorial;
Ambiente (European Environment Information
and Observation Network, EIONET), as bases de
Produto 5 - mosaico europeu de imagens;
dados CORINE e a sua actualização passaram a
ser responsabilidade desta agência. Uma das
Produto 6 - cartografia europeia CLC90-R e
principais componentes do Programa CORINE foi
CLC2000 em formato vectorial (integração dos
o projecto CORINE Land Cover (CLC), que teve
produtos nacionais);
como objectivo primeiro a produção de uma
cartografia de ocupação/uso do solo para os
Produto 7 - cartografia europeia CLC-alterações
países da União Europeia relativa aos anos entre
em formato vectorial (integração dos produtos
1985 e 1995, dependendo do país. Esta base de
nacionais);
dados ficou conhecida como o CORINE Land
Cover 1990 (CLC90). A cartografia CLC fornece
Produto 8 - cartografia CLC2000 em formato
um inventário do uso e ocupação do solo e
raster com pixels de 250 m (resultante da
captura a estrutura da paisagem à escala 1:100
conversão do produto vectorial);
000. Trata-se de informação nominal, exaustiva,
e sistematizada numa nomenclatura de 44
Produto 9 - cartografia CLC2000 em formato
classes, desenvolvida para a realidade Europeia,
raster com pixels de 100 m (resultante da
embora compatível com outros sistemas de
conversão do produto vectorial);
classificação de ocupação/uso do solo em
utilização.
Produto 10 - estatísticas de ocupação do solo por
km2 (derivadas dos produtos 6 e 7);
A AEA e o JRC da CE lançaram em 1999 o
Projecto I&CLC2000 com o objectivo principal de
Produto 11 - metadados do CLC nacional;
actualizar, para 2000, a cartografia CORINE Land
Cover (CLC90) existente (Perdigão e Annoni,
Produto 12 - metadados do CLC europeu.
1997; JRC e EEA, 2000; EEA, 2002). O
I&CLC2000 envolve, actualmente, 29 países,
Nos Estados-membros em que se reconheceu que
nomeadamente: os 15 países pertencentes à
a primeira cartografia CLC (i.e., CLC90) podia ser
União Europeia (UE) em 1999, os 10 países que
melhorada, nos quais se inclui Portugal, produziu-
aderiram recentemente, e Bulgária, Croácia,
-se o CLC90-R, resultando na produção de um
Liechtenstein e Roménia.
CLC90 europeu melhorado. Por outro lado, devido
à metodologia adoptada, o CLC90-R constituiu a
O I&CLC2000 tem duas componentes:
base para a produção do CLC2000, pelo que a
qualidade deste produto depende necessaria-
(1) IMAGE2000 – coordenada pelo JRC, abrange
mente do rigor do primeiro e obrigou ao seu
todas as actividades relacionadas com a aquisição

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 1
melhoramento. Com este esforço procurou-se 1.2. O Projecto CLC2000 Portugal
reduzir o grande número de erros presentes no
CLC90 original: geométricos, temáticos,
topológicos e estruturais (i.e., relativos à O projecto CORINE Land Cover 2000 em Portugal,
consistência e à área mínima cartográfica da base aqui designado por CLC2000 Portugal, foi
de dados). Mesmo a continuidade geométrica e financiado pelo Instituto do Ambiente (IA) e pela
temática entre cartas (i.e., edgematching) Comissão Europeia (CE), e foi coordenado pelo
apresentava claras deficiências. Os metadados Instituto Superior de Estatística e Gestão de
relativos ao CLC90 eram igualmente insuficientes. Informação (ISEGI) com a colaboração do
É verdade que Portugal foi o primeiro país a Instituto Geográfico Português (IGP).
realizar o CLC90, e que o processo de produção
analógico comum na altura, com recurso a A estrutura organizativa do projecto e a
delineação sobre imagens de satélite impressas constituição da Equipa Nacional apresentam-se
em papel, e posterior digitalização e codificação na Fig. 1 e no Anexo A, respectivamente. Com o
dos polígonos, possibilitou inúmeras oportunida- objectivo de monitorizar o desenvolvimento do
des para a introdução e propagação de erros que projecto, criou-se o Comité Director Nacional,
nunca foram removidos da base de dados. com representantes do IA, ISEGI e IGP. Face à
Relativamente ao CLC90, o CLC90-R apresenta importância da produção de uma cartografia
rigor posicional acrescido, bem como conteúdo actualizada de ocupação/uso do solo para o País,
temático mais exacto e muito aumentado. criou-se um Comité de Acompanhamento
(Anexo B), tentando assim envolver nesta
No I&CLC2000, os Estados-membros foram importante iniciativa todas as instituições
responsáveis pela elaboração dos produtos portuguesas que de alguma forma estão
nacionais (i.e., produtos 3 e 4) e respectivos relacionadas com ocupação/uso do solo.
metadados (i.e., produto 11). A Equipa Técnica
Europeia da componente CLC2000 foi O Projecto CLC2000 Portugal teve início em
responsável pela geração dos produtos a nível Outubro de 2002, com uma fase preparatória que
europeu (i.e., produtos 6 e 7), derivação dos decorreu até final de Novembro desse ano, e
produtos em formato raster (i.e., produtos 8, 9 e terminou em Fevereiro de 2005. No Anexo C é
10) e compilação dos respectivos metadados apresentada a listagem detalhada das actividades
(i.e., produto 12). Os produtos 1, 2 e 5, do projecto nacional.
relacionados com a componente IMAGE2000,
foram elaborados pela Equipa IMAGE 2000,
coordenada pelo JRC.

AEA JRC Comité Director Europeu

Equipa Técnica Equipa Técnica


CLC2000 IMAGE2000

Equipa CLC2000 Portugal


o Coordenação nacional do projecto CLC2000
Comité Director Nacional
o Interpretação de imagens IMAGE2000
Monitorização e gestão do projecto nacional
o Cartografia de alterações de ocupação do solo CLC2000

o Avaliação e controlo de qualidade

Figura 1 - Estrutura organizativa do Projecto CLC2000 Portugal.

2 Introdução
2. Especificações técnicas
dos produtos CLC90-R,
CLC2000 e CLC-alterações

As especificações técnicas dos produtos CLC90-R, O sistema de classificação CORINE Land Cover
CLC2000 e CLC-alterações apresentam-se na (CLC) foi desenvolvido com o objectivo de
Tabela 1. representar à escala 1:100 000 a enorme
diversidade de situações de ocupação/uso do solo
O sistema de referenciação geográfica adoptado presentes no Continente Europeu e, nesse
para as bases de dados digitais é baseado na sentido, constituiu um esforço válido para
projecção Transversa de Mercator, usa o Elipsóide compatibilizar as particularidades de cada país e
de Hayford (Internacional 1924) e o Datum região com a necessidade de obter uma
Lisboa, com coordenadas cartesianas militares nomenclatura europeia uniforme.
(falsa origem das coordenadas rectangulares:
distância à meridiana (M) - 200 000 m; distância Os produtos CLC utilizam uma nomenclatura
à perpendicular (P) - 300 000 m). A unidade do hierárquica, organizada em 3 níveis, e com 44
mapa é o metro e o factor de escala no meridiano classes no nível mais desagregado, 15 classes no
central é 1. Este sistema foi escolhido por ser o nível 2, e 5 classes no nível 1. Embora tenha sido
utilizado para grande parte da informação dada liberdade aos países para sub-dividirem as
geográfica disponível em Portugal, e assim classes do nível 3, e assim criarem maior detalhe
facilitar a integração dos produtos CLC com outra temático, a base de dados europeia apenas inclui
informação cartográfica por parte dos os três níveis indicados. No âmbito do projecto
utilizadores. CLC2000 Portugal, fez-se uma nova tradução da
nomenclatura CLC, que se espera que seja mais
Os produtos CLC nacionais, criados no âmbito do consistente, simples e objectiva que a anterior
Projecto CLC2000 Portugal, foram gerados para (Tabela 2). A título de exemplo, a classe 211
Portugal Continental. Para a definição da fronteira (Zonas de utilização agrícola fora dos perímetros
de Portugal com Espanha utilizou-se a Carta florestais) assume agora a designação "Culturas
Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão anuais de sequeiro", e a classe 333 (Estepes sub-
3.0 de 2004, do IGP. Para evitar que usos -desérticas) toma o nome "Vegetação esparsa".
importantes, não contidos nos limites do território
nacional definido pela CAOP, pudessem ser
representados nos produtos cartográficos CLC,
não foi aplicado o limite de linha de costa definido
pela CAOP.

Tabela 1 - Especificações técnicas dos produtos CLC90-R, CLC2000 e CLC-alterações.

CLC90-R e CLC2000 CLC-alterações

Escala 1: 100 000 1: 100 000


Área Mínima Cartográfica (ha) 25* 5 / 25
Distância mínima entre linhas (m) >= 100 >= 100
Nomenclatura Hierárquica; 44 classes no 3º nível Código 1990; Código 2000
Precisão Geométrica Superior a 100 m Superior a 100 m
Precisão Temática >= 85% >= 85%
Sistema Hayford-Gauss Sistema Hayford-Gauss
Datum Lisboa Datum Lisboa
Sistema Cartográfico Elipsóide de Hayford Elipsóide de Hayford
Coordenadas cartesianas militares – Coordenadas cartesianas militares –
(Falso Meridiano: 200 000 m, (Falso Meridiano: 200 000 m,
Falso Paralelo: 300 000 m) Falso Paralelo: 300 000 m)
Formato Vectorial Vectorial

*excepto ao longo da fronteira com Espanha

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 3
Tabela 2 - Nomenclatura CORINE Land Cover.

Nível 1 Nível 2 Nível 3

1.Territórios 1.1 Tecido urbano 1.1.1 Tecido urbano contínuo


artificializados 1.1.2 Tecido urbano descontínuo

1.2 Indústria, comércio e transportes 1.2.1 Indústria, comércio e equipamentos gerais


1.2.2 Redes viárias e ferroviárias e espaços associados
1.2.3 Zonas portuárias
1.2.4 Aeroportos

1.3 Áreas em construção, de 1.3.1 Áreas de extracção mineira


extracção, e de deposição de resíduos 1.3.2 Áreas de deposição de resíduos
1.3.3 Áreas em construção

1.4 Zonas verdes ordenadas 1.4.1 Espaços verdes urbanos


1.4.2 Equipamentos desportivos e de lazer

2.Áreas agrícolas 2.1 Culturas anuais 2.1.1 Culturas anuais de sequeiro


2.1.2 Culturas anuais de regadio
2.1.3 Arrozais

2.2 Culturas permanentes 2.2.1 Vinhas


2.2.2 Pomares
2.2.3 Olivais

2.3 Pastagens 2.3.1 Pastagens

2.4 Áreas agrícolas heterogéneas 2.4.1 Culturas anuais associadas às culturas permanentes
2.4.2 Sistemas culturais e parcelares complexos
2.4.3 Agricultura com espaços naturais
2.4.4 Sistemas agro-florestais

3.Florestas e meios 3.1 Florestas 3.1.1 Florestas de folhosas


semi-naturais 3.1.2 Florestas de resinosas
3.1.3 Florestas mistas

3.2 Vegetação arbustiva e herbácea 3.2.1 Pastagens naturais


3.2.2 Matos
3.2.3 Vegetação esclerofítica
3.2.4 Espaços florestais degradados, cortes e novas plantações

3.3 Zonas descobertas e com pouca 3.3.1 Praias, dunas e areais


vegetação 3.3.2 Rocha nua
3.3.3 Vegetação esparsa
3.3.4 Áreas ardidas
3.3.5 Neves eternas e glaciares

4.Zonas húmidas 4.1 Zonas húmidas interiores 4.1.1 Pauis


4.1.2 Turfeiras

4.2 Zonas húmidas costeiras 4.2.1 Sapais


4.2.2 Salinas
4.2.3 Zonas intertidais

5.Massas de água 5.1 Águas interiores 5.1.1 Linhas de água


5.1.2 Planos de água

5.2 Águas marinhas 5.2.1 Lagunas litorais


5.2.2 Estuários
5.2.3 Mar e oceano

4 Especificações técnicas dos produtos CLC90-R, CLC2000 e CLC-alterações


O Projecto I&CLC2000, embora mantendo a desadequada, em presença de outras opções de
nomenclatura CLC standard de 44 classes, classificação. A classe 335 (Neves eternas e
contemplou o seu aperfeiçoamento relativamente glaciares) não está representada em Portugal e
à edição anterior, nomeadamente através do como tal não integra qualquer dos produtos CLC
refinamento das definições de cada classe, nacionais.
listagem de casos incluídos ou excluídos da
classe, inclusão de esquemas com padrões A Área Mínima Cartográfica (AMC), elemento
generalizados e referência a casos particulares importante em cartografia temática, foi fixada em
(Bossard et al., 2000). Não obstante esse 25 hectares para os produtos CLC90-R e
aperfeiçoamento, subsistem na documentação CLC2000. No entanto, ao longo da fronteira com
situações menos claras, e mesmo algumas Espanha é possível encontrar nas bases de dados
contradições e omissões que obrigaram as polígonos que não atingem esta área. A
equipas nacionais a tomarem muitas decisões no generalização destes polígonos, resultantes da
processo de interpretação e classificação. As aplicação da linha de fronteira, implicaria grandes
percentagens de vegetação indicadas para a distorções na representação da ocupação do solo
distinção de classes em Zonas descobertas e com nessa zona (e.g., perda de rios internacionais).
pouca vegetação (332 vs. 333) constituem um Foi assim assumida a opção de não generalizar
exemplo dessas contradições. estes polígonos, por pertencerem a manchas que
na sua totalidade possuem a AMC.
A aplicação dum sistema de classificação obriga
necessariamente à adaptação de definições No CLC-alterações, a questão da AMC é mais
teóricas às condições operacionais, em especial complexa: enquanto os polígonos mais pequenos
num projecto em que a nomenclatura se torna a integrarem a base de dados rondam 1 ha, estes
impraticável se apenas forem usados os dados de têm que integrar uma mancha de polígonos
referência, que são as imagens de satélite. Por contíguos com pelo menos 5 ha. Com efeito, o
outro lado, por mais exaustivas e abrangentes aumento ou diminuição de um polígono do
que sejam as definições, mantém-se a CLC90-R só fica registado no CLC-alterações se
necessidade de adaptar a nomenclatura às tiver uma área mínima de 5 ha. As novas
características específicas da paisagem e do ocupações do solo que não sejam contíguas a
entendimento que desta é feito no próprio país. outras existentes no CLC90-R com o mesmo
Na Tabela 3 são explicitadas as principais código CLC, só são registadas no CLC-alterações
adaptações da nomenclatura CLC à paisagem se a sua área for superior a 25 ha.
portuguesa, atempadamente discutidas e
acordadas com a Equipa Técnica Europeia.

Uma diferença importante entre o CLC90 original


e o CLC90-R e o CLC2000 relaciona-se com o
nível da nomenclatura CLC utilizada. No CLC90
original foi utilizada uma nomenclatura com 4
níveis e 53 classes no 4º nível, enquanto no
CLC90-R e no CLC2000 se utilizou o 3º nível da
nomenclatura CLC com 44 classes. Outra
diferença importante relativamente ao CLC90
original prende-se com o enquadramento
temático dos cortes e novas plantações florestais.
Enquanto na primeira edição estas áreas foram
classificadas como Floresta e foi-lhes atribuído o
código correspondente às espécies presentes
(311, 312 ou 313), no Projecto CLC2000 foi
decidido que integrariam a classe 324 (Espaços
florestais degradados, cortes e novas
plantações). Também a classe 333 (Vegetação
esparsa), que não se encontrava representada no
CLC90 original, foi utilizada em Portugal nesta
edição, pelo interesse em representar zonas de
montanha com pouca vegetação. Inversamente,
a classe 412 (Turfeiras) deixou de estar
representada no CLC90-R por se ter considerado
que a sua utilização à escala CLC seria

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 5
Tabela 3 - Adaptação da nomenclatura CLC no âmbito do Projecto CLC2000 Portugal.

Classe CLC Definição CLC Adaptação Portugal

212 (Culturas anuais de Áreas com culturas que são periódica As parcelas com pivots de rega e com rega gota-a-gota
regadio) ou permanentemente irrigadas usando pertencem à classe 212 visto que, em Portugal, são utilizadas
uma infra-estrutura permanente (e.g., frequentemente.
canais de irrigação, redes de Os pomares irrigados foram excluídos desta classe, mantendo-
drenagem). A maior parte destas se na classe de Pomares (222).
culturas não podem ser cultivadas sem Dada a dificuldade de identificar esta classe apenas com uma
fornecimento suplementar de água. imagem, adoptaram-se os seguintes critérios: a) presença de
São excluídas áreas irrigadas culturas em imagens de Verão; b) áreas agrícolas em veigas ou
esporadicamente e parcelas com várzeas no Norte e dos rios principais; c) sempre que a imagem
utilização de pivots de rega e com rega revela um sistema de irrigação de pivot central, ainda que a
gota-a-gota. cultura não esteja desenvolvida; d) áreas com solos húmidos
Inclui pomares irrigados. associadas a zonas com crescimento vegetativo e que façam
parte das áreas de aproveitamentos hidroagrícolas definidas
pelo IDRHa.

244 (Sistemas agro- Áreas de práticas silvo-pastorícias - Em termos operacionais, foi considerada uma percentagem de
florestais) montados. árvores acima dos 10%, limiar utilizado para distinguir estes
sistemas de zonas a classificar como Agricultura de sequeiro
(211).

321 (Pastagens naturais) Áreas de pastagens naturais com Na identificação desta classe não foi possível, a partir apenas
vs. 322 (Matos) e 323 vegetação herbácea, essencialmente das imagens, saber se se tratava de vegetação arbustiva ou
(Vegetação esclerofítica) gramíneas, sem intervenção humana. herbácea. Assim, foi definido um critério de interpretação que
relaciona a presença de vegetação rasteira e as características
geográficas (zonas declivosas e de altitude), segundo o
esquema que vem em Bossard et al. (2000) (pp. 72).

322 (Matos) vs. Áreas de vegetação natural com A documentação oficial apresenta descrições destas classes
323 (Vegetação espécies arbustivas. confusas e algo controversas, levantando problemas na sua
esclerofítica) identificação rigorosa.
A partir da imagem de satélite não é possível distinguir as
espécies de mato presentes. Assim, adoptou-se um critério
geográfico, ou seja a classe 323 aparece na zona sul e no
interior, onde há um clima mais mediterrânico, e a classe 322
nas zonas de clima mais atlântico.
O olival abandonado manteve-se incluído na classe 323.

324 (Espaços florestais Áreas de cortes e novas plantações, Para as áreas de matos e/ou pastagens naturais com árvores
degradados, cortes e bem como floresta degradada ou em dispersas considerou-se como limite inferior a existência de
novas plantações) regeneração; inclui também áreas de 10% de árvores, para as distinguir das zonas a classificar como
matos com árvores dispersas até 30% 321, 322 e 323.
(limite inferior para ser floresta). A
classe 324 inclui também floresta
ardida em regeneração, sem resposta
para ser classificada como 334, em
cujo caso a percentagem de árvores é
irrelevante.

334 (Áreas ardidas) Áreas recentemente ardidas em zonas Foi definido que as áreas com Pastagens naturais (321), que
florestais e de vegetação natural e tenham sido afectadas por um incêndio não eram classificadas
semi-natural. como 334 visto serem áreas de regeneração muito rápida.
Apenas fogos recentes ocorridos em áreas ocupadas por classes
31x, 324, 322 e 323 (i.e., florestas e matos) foram classificados
como 334.

523 (Mar e oceano) A delimitação desta classe vem referida A delimitação foi feita de acordo com a situação captada pela
pelo limite da baixa-mar ou zero imagem de satélite.
hidrográfico.

6 Especificações técnicas dos produtos CLC90-R, CLC2000 e CLC-alterações


3. Metodologia (Maio de 2003) com o objectivo de familiarizar os
intérpretes com a paisagem portuguesa e suas
características, e relação destas com a imagem
A metodologia delineada para o projecto CLC2000 de referência.
incluiu as seguintes fases:
Estratégia para produção do CLC90-R,
(1) preparação inicial do projecto; CLC-alterações e CLC-2000
(2) compilação e pré-processamento da base de Os vários países envolvidos no projecto
dados utilizada na produção, verificação e I&CLC2000 seguiram diferentes abordagens para
validação da cartografia CLC; geração dos produtos cartográficos nacionais
(3) produção do CLC90-R e CLC-alterações por CLC2000, CLC90(-R) e CLC-alterações (Fig. 2).
interpretação visual assistida por Os países que já dispunham de CLC90, tiveram
computador de imagens de satélite e com que decidir entre derivar o CLC-alterações a partir
utilização de informação auxiliar; do CLC90 e CLC2000, ou produzir o CLC2000 a
(4) produção automática do CLC2000 com base partir do CLC90 e do CLC-alterações,
no CLC90-R e CLC-alterações; privilegiando assim um ou outro produto.
(5) controlo de qualidade e produção de
metadados.

Esta metodologia baseou-se nas orientações


estabelecidas no Guia Técnico do CLC2000 (EEA,
2002), tendo sido adaptada e aplicada à realidade
portuguesa pela Equipa Nacional, com supervisão
da Equipa Técnica Europeia.

3.1. Preparação inicial do projecto

Para a realização do projecto CLC2000 foi


constituída uma Equipa Nacional (Anexo A), em
todo distinta da que produziu o CLC90 original. O
envolvimento da Equipa Nacional que realizou o
Projecto CLC2000 Portugal iniciou-se posterior-
mente à fase de preparação do Projecto
I&CLC2000 Europeu - que incluiu reuniões e
trabalhos preparatórios – e após a selecção das
imagens de satélite do ano 2000 para Portugal.

A preparação do projecto por parte da Equipa


Nacional iniciou-se com a recolha e compilação de
todos os dados disponíveis relativos ao CLC90
original, nomeadamente imagens e respectivos
metadados, e prosseguiu com a inventariação de
dados e informação auxiliar de possível utilidade
para o projecto.

Durante a preparação da fase de produção, em


Novembro de 2002, a Equipa Europeia realizou
uma acção de formação para apresentação e
discussão das características técnicas, regras de
interpretação e nomenclatura CLC (Büttner e
Feranec, 2002). Os técnicos nacionais de apoio à
Figura 2 - Abordagens possíveis para criação do CLC2000
coordenação também ministraram formação em (adaptado de Büttner et al., 2004).
interpretação visual de imagens de satélite
(Novembro de 2002). Nesta fase inicial do
projecto foi ainda realizado trabalho de campo

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 7
Esta última abordagem foi a seguida em Portugal, Solução completamente diferente foi a adoptada
em que apenas os produtos CLC90-R e por três países que não basearam a produção em
CLC-alterações são produzidos directamente com interpretação visual, mas antes em
base em interpretação e digitalização sobre as processamento digital de imagem através de
imagens de satélite. O produto CLC2000 foi classificação automática, com recurso a dados
obtido de forma semi-automática, através da auxiliares e sucessivas generalizações para obter
combinação (união) do CLC-alterações com o bases de dados com características CLC.
CLC90-R e generalização do produto resultante
para que possua uma AMC de 25 ha. A abordagem seguida por Portugal é ilustrada
com mais detalhe na Fig. 3. O software e
Este método, seguido por treze dos países hardware utilizados no projecto encontram-se
participantes no I&CLC2000, apresenta como indicados no Anexo D.
principais vantagens: (1) obrigar ao
melhoramento do CLC90 (a base para a obtenção
do CLC2000), (2) dispensar a interpretação e
digitalização directa de todos os polígonos em
2000, e (3) permitir a obtenção directa de um
produto CLC-alterações em que apenas
modificações verdadeiras de ocupação/uso do
solo são registadas. O método permite ainda que
decorram em simultâneo a edição e correcção do
CLC90-R e a produção do CLC-alterações. No
entanto, a opção por esta abordagem implica que
a representação de algumas zonas no CLC2000
que apresentam alteração relativamente ao
CLC90-R esteja sobrestimada, devido ao efeito da
generalização necessária para obtenção da AMC
de 25 ha no produto de 2000.

Em alternativa, e de acordo com metodologia


sugerida pela AEA (EEA, 2002), oito países
optaram por produzir directamente o CLC2000 a
partir do CLC90, intersectá-lo com este e assim
extrair zonas de alteração. Se por um lado este
método permite concentrar o esforço na produção
do CLC2000 de acordo com as regras CLC, por
outro lado obriga a parar a edição do CLC90 antes
de se iniciar a produção do CLC-alterações.
Também exige um esforço acrescido de
verificação e "limpeza" do CLC-alterações, sob
pena de serem incluídas falsas alterações ou sem
AMC, originadas por diferenças geométricas ou
discrepâncias temáticas inerentes à
subjectividade resultante da interpretação e
classificação da mesma área por pessoas
diferentes.

Outro processo inverso ao seguido em Portugal,


mas adoptado por três países, inicia-se com a
interpretação do CLC2000 (por exemplo, quando
o CLC90 é inexistente) ao que se segue a
produção do CLC-alterações por comparação com
imagens circa 1990. Esta opção concentra o
esforço na produção directa do CLC2000 e
CLC-alterações, produtos principais do Projecto
I&CLC2000.

8 Metodologia
INFORMAÇÃO
ORTOFOTOMAPAS CLC90 ORIGINAL IMAGENS 90 IMAGENS 2000
2000 AUXILIAR

CORR. GEOMÉTRICA

CORR. SISTEMÁTICA IMG 90 CORRIGIDAS COMPARAÇÃO 90/2000

CORRECÇÃO LOCAL

Controlo de Qualidade
CLC90 REVISTO GEOM. CORR. TEMÁTICA CLC90

CLC90-R CLC90-ALTERAÇÕES

PRE-CLC2000

GENERALIZAÇÃO

AVALIAÇÃO
CLC 2000 Metadados
DA QUALIDADE

ÍNDICES DE EXACTIDÃO
TEMÁTICA

Figura 3 - Processo de produção da cartografia CORINE Land Cover em Portugal.


Com a cor bege estão indicados os dados de partida, com cor laranja os produtos intermédios, e com cor vermelha os produtos finais
do Projecto CLC2000.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 9
3.2. Base de dados

Dados de referência

Para a produção da cartografia CLC90-R, No entanto, a menor resolução espacial (pixel de


CLC2000 e CLC-alterações foram utilizadas, como 80 m) e espectral das imagens MSS ditou que se
dados de base, imagens Thematic Mapper (TM) e privilegiassem, sempre que disponíveis, as
Multispectral Scanner (MSS) do satélite imagens TM (pixel de 25 m) dos anos 80 para a
Landsat-5 (1985-87) e Enhanced Thematic produção do CLC90-R. Para uma área do extremo
Mapper (ETM+) do satélite Landsat-7 (2000), Norte do Minho não foi encontrada cobertura nas
disponibilizadas pela Equipa IMAGE2000 imagens usadas para o CLC90, pelo que a revisão
(JRC, 2001) (Tabelas 4 e 5). Procurou-se que a foi efectuada retroactivamente, usando a imagem
nova edição do CLC tivesse coerência temporal de 2000 e dados auxiliares para aproximar a
acrescida relativamente ao primeiro CLC, pelo ocupação do solo em 1986.
que em Portugal as imagens do CLC2000 são
todas do mesmo ano, cobrindo um período de Relativamente às bandas pancromáticas com
Junho a Setembro. pixels de 12.5 m disponibilizadas com as imagens
Landsat ETM+, foi experimentada a fusão com
As imagens utilizadas em cada unidade de bandas multi-espectrais segundo o método High
trabalho (i.e., folha 1:100 000) para a produção Addition Method (HFA) (Chavez et al., 1991). No
do CLC90-R e CLC-2000 apresentam-se nas entanto foi decidido não utilizar este produto por
Fig. 4 e 5, respectivamente, com indicação do se ter concluído que a vantagem seria marginal,
path e row do World Reference System (WRS) do considerados todos os factores, designadamente
Landsat. Para cada unidade de trabalho, e para a dimensão dos ficheiros de imagem resultantes
cada ano de referência, procurou-se utilizar e a disponibilidade de orto-fotografia de 1995
apenas uma imagem. com resolução espacial muito superior (1 m).

Tabela 4 - Datas das imagens Landsat utilizadas para a produção da cartografia CLC de Portugal Continental.

CLC90 CLC2000

Path/Row Sensor Data aquisição Sensor Data aquisição

203/31 MSS 21/07/1986 ETM+ 05/09/2000


203/32 MSS 21/07/1986 ETM+ 05/09/2000
203/33 MSS 21/07/1986 ETM+ 19/07/2000
203/34 TM 03/08/1985 ETM+ 19/07/2000
204/31 TM 31/07/1987 ETM+ 24/06/2000
204/32 TM 26/08/1985 ETM+ 24/06/2000
204/33 TM 10/08/1985 ETM+ 24/06/2000
204/34 MSS 09/05/1986 ETM+ 27/08/2000

Tabela 5 - Ângulos azimutal e zenital das imagens Landsat utilizadas para a produção da cartografia CLC de Portugal Continental.

CLC90 CLC2000

Path/Row Ângulo Azimutal Ângulo zenital Ângulo Azimutal Ângulo zenital

203/31 120.03° 56.55° 145.42° 49.97°


203/32 117.69° 57.00° 143.91° 50.98°
203/33 115.30° 57.40° 124.39° 62.50°
203/34 119.33° 57.13° 121.58° 63.06°
204/31 123.81° 55.57° 127.71° 63.88°
204/32 132.61° 51.10° 124.76° 64.50°
204/33 124.24° 55.33° 121.69° 65.06°
204/34 n.d. n.d. 136.81° 55.33°

n.d. - não disponível

10 Metodologia
Figura 4 - Imagens utilizadas, por unidade de trabalho (delimitação a branco e numeração a preto), na produção do CLC90-R.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 11
Figura 5 - Imagens utilizadas, por unidade de trabalho (delimitação a branco e numeração a preto), na produção do CLC2000.

12 Metodologia
As imagens de 2000 foram orto-rectificadas pela esforço de pré-processamento acrescido. Para a
Equipa IMAGE2000 com grande rigor posicional, nomenclatura extremamente detalhada e
i.e. erro médio quadrático (RMSE) inferior a 1 complexa da COS90 foi estudada e criada uma
pixel (Tabela 6). tabela de correspondência que a aproximasse o

Tabela 6 - Erro médio quadrático (RMSE) e número de Pontos de Controlo (PC) utilizados na orto-rectificação das imagens de 2000 e
georreferenciação das imagens para o CLC90-R.

CLC90-R CLC2000

RMSE (m)
Path/Row RMSE (m) Núm. de PC x y Núm. de PC
203/31 12.93 22 10.3 10.3 n.d.
203/32 13.48 24 9.5 8.5 n.d.
203/33 11.16 30 15.23 43
203/34 8.28 33 11.6 10.8 n.d.
204/31 8.62 35 14.8 14.2 n.d.
204/32 8.92 31 10 9.9 n.d.
204/33 9.30 34 15.7 10.8 n.d.
204/34 13.05 25 9.7 10.4 n.d.
n.d. – não disponível

Relativamente às imagens usadas no CLC90, não melhor possível da nomenclatura CLC, sendo
foi possível utilizar a sua georreferenciação depois as folhas COS90 agregadas para cada
original, pelo que a equipa procedeu ao registo unidade de trabalho do CLC e legendadas com
das imagens de 1985-87 às imagens de 2000. cores oficiais das classes CLC. Os blocos do INGA
foram agregados por zonas de interesse e os seus
Dados e informação auxiliares atributos manipulados. O vasto ficheiro do IVV,
disponibilizado à Equipa Nacional em formato
Para além da informação de base, a Equipa .dgn (Intergraph) ao nível da Freguesia, obrigou
Nacional utilizou também (tanto na fase de a uma trabalhosa conversão para formato
produção, como na de verificação e validação) shapefile (ESRI), à construção de atributos a
informação auxiliar cedida por diversas partir de tabelas associadas, à agregação por
instituições participantes no Comité de zonas vitivinícolas e à elaboração de
Acompanhamento (Tabela 7). correspondência a classes da nomenclatura CLC.
Para permitir uma utilização eficiente dos dados Os dados dos Censos da População e do
auxiliares foi necessário seleccionar atributos de Recenseamento Agrícola, embora disponibilizados
interesse, definir áreas geográficas e criar para o Projecto CLC2000 Portugal pelo Instituto
esquemas de legenda que facilitassem a leitura, Nacional de Estatística (INE), não foram
compreensão e integração no ambiente de utilizados por ser muito difícil relacioná-los, de
edição. As principais dificuldades de harmoniza- forma satisfatória, com a cartografia CLC. Os
ção relacionaram-se com a data de produção, dados do Projecto Land Use/Cover Area Frame
nomenclatura, formato de armazenamento e Statistical Survey (LUCAS) não foram utilizados,
objectivos de produção das bases de dados. pois foram seleccionados pela Equipa Técnica
Considerando que a ocupação/uso do solo está Europeia para actividades de validação das bases
em constante dinâmica, quer por acção antrópica, de dados europeias, pelo que poderia gerar
quer devido a causas naturais (e.g., fogos), é algum conflito se essa informação tivesse sido
admissível que entre as datas de produção das utilizada na produção dos próprios dados a
bases de dados auxiliares tenham ocorrido validar.
alterações de uso e/ou coberto do solo, as quais
não deverão, evidentemente, ser reportadas A Equipa Nacional recorreu ainda a outras fontes
como inconsistências. Esta e outras dificuldades de informação relevantes, como sejam a Internet
de compatibilização, e.g., relativas ao formato de (e.g., sítios em que são listados campos de golfe,
armazenamento, nomenclaturas e resolução/ www.portugalvirtual.pt/_golf/index.html,
/escala das diferentes bases de dados, foram aeródromos, www.pelicano.com.pt/, estuários,
cuidadosamente avaliadas com o objectivo de www.maretec.mohid.com/Estuarios/
minimizar as inconsistências registadas. Inicio/Introducao.htm), documentação diversa do
ICN relativa a áreas protegidas e paisagem
A utilização da Carta de Ocupação do Solo de (ICN, 2000; ICN, 2002), e diversos estudos e
1990 (COS90), Sistema de Informação bibliografia sobre o território (Alves, 1998; Beliz,
Geográfica Vitivinícola do IVV e Sistema de 1986; Universidade de Évora, 2004).
Identificação Parcelar do INGA exigiram um

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 13
Tabela 7 - Principais dados e informação auxiliares utilizados no Projecto CLC2000 de Portugal.

Título Ano de Proprietário Escala Área Mínima/ Formato


referência Resolução

Carta de Ocupação do Solo de 1990 1990 IGP 1: 25 000 1 ha Vectorial


(COS90)

Ortofotos 95 1995 IGP/CELPA/DGRF 1: 40 000 1m Raster

Cartografia de áreas ardidas 1990-1999 DGRF 1 : 100 000 5 ha Vectorial

Inventário Florestal Nacional 1995 1995 DGRF Não aplicável 0.5 ha Vectorial (pontos)

Sistema de Informação Geográfica 1930-2000 IVV Não aplicável n.d. Vectorial


Vitivinícola

Cartografia Florestal do Eucalipto 1995/2000 CELPA 1: 25 000 0.5 ha Vectorial

Aproveitamentos Hidroagrícolas de 1997 IDRHa 1 : 25 000 n.d. Vectorial


Portugal

Sistema de Identificação Parcelar 1995 INGA 1: 5 000 n.d. Vectorial


1: 10 000

Cartografia de Habitats 2000 ICN 1: 25 000 a n.d. Vectorial


1: 100 000

Dados DRAOT — DRAOT- LVT Não aplicável n.d. Vectorial

Dados DRAOT — DRAOT- Algarve Não aplicável n.d. Vectorial

Modelo Digital do Terreno — IGP 1: 50 000 625 (25x25) m2 Raster

Carta Administrativa Oficial de Portugal v. 3.0 IGP 1: 25 000 Freguesia Vectorial


(CAOP) 2004

Atlas do Ambiente — IA 1:1 000 000 — Vectorial

Ortofotomapas 2000 2000 INGA 1: 5 000 1m Raster

n.d. – não disponível


CELPA – Associação da Indústria Papeleira; DGRF – Direcção Geral de Recursos Florestais; DRAOT – Direcção Regional do Ambiente e
Ordenamento do Território; IVV – Instituto da Vinha e do Vinho; IDRHa – Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica; INGA –
Instituto Nacional de Garantia Agrícola; ICN – Instituto de Conservação da Natureza; IA – Instituto do Ambiente

Trabalho de campo 3.3. Produção do CLC90-R e


CLC-alterações
Com o objectivo de preparar a interpretação,
primeiro, e de verificar os dados produzidos, A produção do CLC90-R e CLC-alterações baseou-
depois, foram realizados dois períodos de visitas -se em interpretação visual assistida por
ao terreno. O primeiro ocorreu em Maio de 2003 computador das imagens de satélite, auxiliada
e, além da recolha de dados, pretendeu-se por informação complementar (Tabela 7). As
familiarizar os intérpretes de imagem com as imagens de satélite e dados auxiliares foram
zonas que lhes foram atribuídas para cartografar. cortados e interpretados por folha individual da
Uma equipa deslocou-se ao Norte, outra ao grelha da série cartográfica 1:100 000,
Centro-Sul e outra ainda à zona Sul do país. constituindo assim a unidade de trabalho básica
do projecto.
Com vista à verificação dos resultados pré-finais
dos produtos realizou-se, em Julho de 2004, Para digitalização em ecrã utilizou-se a aplicação
trabalho de campo com controlo exaustivo de Interchange, que consiste numa adaptação do
dados em tempo real, com recurso à tecnologia software de SIG ArcView® (ESRI, USA), desen-
GPS. Uma equipa deslocou-se ao Norte e Centro volvida pelo Instituto de Geodesia, Cartografia e
do país, e outra ao Sul. Detecção Remota da Hungria (Buttner et al.,
2003). Esta aplicação facilita o controlo de
qualidade e permite ao intérprete visualizar todos
os dados referentes aos dois momentos tempo-
rais em duas janelas, e assim corrigir e digitalizar
alterações decorridas entre estes (Fig. 6).

14 Metodologia
Figura 6 - Ambiente de trabalho para produção dos produtos CLC90-R e CLC-alterações.

Na janela da esquerda é possível visualizar a As diferentes características das imagens Landsat


imagem referente ao CLC90-R e editar os dados MSS e ETM+, no que respeita à resolução
vectoriais de forma a representarem a ocupação espacial e espectral, e o registo imperfeito de
do solo nessa data (linhas a negro). MSS com ETM+, constituíram um desafio
acrescido no sentido de evitar que as diferenças
Na janela da direita é possível discriminar e
observáveis não fossem assinaladas como
digitalizar sobre a imagem de 2000 áreas de
alterações da paisagem.
alteração relativamente ao CLC90-R (linhas a
vermelho), criando desta forma o produto O processo de produção do novo CLC90
CLC-alterações. (i.e., CLC90-R) incluiu melhoramentos a nível da
geometria e conteúdo temático. Assim, numa
Para a interpretação das imagens Landsat TM e
primeira fase, agregou-se o CLC90 do nível 4 para
ETM+ foi usado geralmente o compósito colorido
o nível 3. Posteriormente, aplicou-se uma
RGB 453, tirando partido da informação espectral
correcção geométrica sistemática (rubber
no domínio do infra-vermelho próximo (banda 4),
sheeting), seguida de um melhoramento
infra-vermelho médio (banda 5) e vermelho
localizado da geometria nos casos em que a
(banda 3), respectivamente. Para facilitar a
precisão geométrica era ainda inferior a 100 m.
interpretação aplicou-se um melhoramento do
contraste a todas as imagens. Sempre que se O passo seguinte consistiu na implementação do
julgou necessário foram utilizados outros critério da área mínima de 25 ha, que não foi
compósitos, fazendo uso das bandas disponíveis cumprido na base de dados original (i.e., CLC90),
(e.g., compósito RGB 754 para confirmação de através de procedimentos de generalização
fogos florestais). A imagem TM 204/31 do CLC90 temática e geométrica, nomeadamente:
disponível em arquivo apenas continha as bandas utilização de regras de prioridades para áreas que
3, 4 e 5, pelo que apenas pôde ser visualizada não atingem a AMC (Fig. 7); agregação de áreas
com o compósito RGB 453. As imagens MSS próximas (e.g., a uma distância inferior a 100 m
foram visualizadas com o compósito RGB 421 ou 300m, dependendo da classe) que no seu
(bandas do infra-vermelho próximo, vermelho e conjunto atingem a AMC (Fig. 8-A) e exagero de
verde), constituindo a ausência de banda do manchas com área próxima da AMC, para que
domínio infra-vermelho médio uma limitação fiquem com uma área superior, ou igual, à AMC
importante, além das já referidas, para a (Fig. 8-B).
interpretação da ocupação e uso do solo.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 15
> 25 ha
< 25 ha > 25 ha > 25 ha ou > 25 ha > 25 ha ou > 25 ha > 25 ha

> 25 ha

Figura 7 - Aplicação de regras de prioridade para generalização de áreas que não têm a AMC.

A B

23 ha 25 ha

Figura 8 - (A) Agregação e eliminação de áreas que não têm a AMC; (B) Exagero de áreas próximas da AMC.

A correcção temática do CLC90 foi realizada em • Culturas permanentes (22x) e agricultura


simultâneo com a detecção de alterações e em heterogénea (241 e 242): devido aos dados
presença dos dados auxiliares relevantes, auxiliares existentes, as classes de Vinha,
procurando seguir uma regra de precaução: nos Pomar e Olival, e as classes Culturas anuais
casos em que não foi possível determinar com associadas às culturas permanentes (241) e
rigor a classe a atribuir, foi mantida no CLC90-R a Sistemas culturais e parcelares complexos
classificação atribuída no CLC90, em particular (242) sofreram grandes alterações. Destas,
nos casos em que a ocorrência de alteração destaca-se a Vinha, classe 221, que devido ao
posterior impedia a verificação actual da uso dos dados do IVV, sofreu melhoramentos
ocupação original. A existência de dados de anos muito significativos: foi possível uma correcta
diferentes (imagens de 1985/86/87, Carta de identificação de parcelas de vinha no CLC90-R,
Ocupação do Solo de 1990 (COS90), ortofotos de tal como de novas parcelas em 2000 e ainda,
1995 e imagens de 2000) revelou-se crucial por definir e distinguir as áreas com presença de
permitir reconstituir a sequência lógica de vinha em bordadura e/ou latada que
eventos de transformação da paisagem, e assim pertencem à classe 241, das áreas com
identificar retroactivamente a classe correcta no presença de vinha contínua e culturas anuais,
CLC90-R. De forma análoga, a existência de que pertencem à classe 242.
imagens adquiridas em diferentes alturas do ano • Pastagens permanentes (231): no Norte do
introduziu complexidade acrescida na país esta classe estava quase ausente na
identificação da classe CLC, mas, por outro lado, versão original e foi incrementada através da
a presença ou ausência de diferenças sazonais e identificação e reclassificação de muitos dos
o seu carácter forneceram indicações importantes lameiros, que estavam incluídos na classe 244
quanto ao tipo de ocupação e uso do solo. (Sistemas agro-florestais).
• Agricultura com espaços naturais (243): para
Os principais melhoramentos temáticos do CLC90
todo o território foi feito um grande esforço no
abrangeram os seguintes tipos de ocupações:
sentido de diminuir as áreas de ocupação
• Territórios artificializados (1xx): a identificação mista, especialmente em relação à classe 243,
e delimitação das classes 1xx foram conside- que se encontrava muito exagerada na versão
ravelmente melhoradas. O Tecido urbano original. Em grande parte das áreas foi possível
descontínuo (112) encontrava-se subestimado, assinalar zonas homogéneas quanto à
em particular em zonas de povoamento ocupação/uso do solo, diminuindo a área de
relativamente disperso. Muitas zonas ocupação mista.
industriais e comerciais, pertencentes à classe
• Floresta (31x): o uso da informação auxiliar
121, encontravam-se indiferenciadas no Tecido
permitiu melhorar substancialmente as classes
urbano descontínuo (112), tal como algumas
florestais, no sentido de ter sido possível
Zonas verdes ordenadas (classes 14x).

16 Metodologia
especificar a classe florestal ao nível 3 (311, A complexidade da paisagem de Portugal (grande
312 ou 313). diversidade e fragmentação; mutabilidade), ao
• Espaços florestais degradados, cortes e novas conferir dificuldades acrescidas à produção da
plantações (324). A classe 324 é um caso cartografia CLC com recurso exclusivo aos dados
especial, tendo sofrido grande incremento de referência (imagens), determinou a utilização
devido à alteração na definição da classe, que abundante dos dados auxiliares durante todo o
passou a incluir os cortes e as novas processo de interpretação (Tabela 8). No entanto,
plantações florestais. No entanto, a isso não significa que a informação auxiliar tenha
representação de outras situações incluídas na sido directamente transposta para a cartografia
classe, como floresta degradada, encontrava- CLC. Uma transposição "cega" seria mesmo
se muito sobrestimada e foi reduzida. desaconselhada, pois são necessários especiais
cuidados e reservas quando se utilizam dados
• Zonas descobertas e com pouca vegetação
com características diferentes, produzidos com
(33x): a representação da classe 332 (Rocha
objectivos e pressupostos distintos - nem sempre
nua), estava exagerada e foi diminuída, tendo
explicitados - ainda que tentem representar a
sido introduzida a classe 333 (Vegetação
mesma realidade. Por outro lado, no decurso da
Esparsa). Estas alterações abrangeram
utilização desses dados, a Equipa Nacional foi-se
principalmente o Centro e Norte do País.
apercebendo da existência de diversas
incompatibilidades e discrepâncias entre as várias
A decisão de digitalizar alterações e integrá-las
bases de dados auxiliares que recomendaram
no produto CLC-alterações ficou condicionada ao
precaução acrescida. Apesar destas cautelas e
cumprimento dos critérios de AMC e de distância
considerações, a utilidade dos dados auxiliares
mínima entre linhas. No caso de novas ocupações
para o projecto foi incalculável e a sua utilização
no seio de outras existentes a AMC é 25 ha,
foi determinante para a qualidade final dos
enquanto que no caso de expansão ou retracção
produtos CLC.
de ocupações existentes a AMC é 5 ha (podendo
neste caso os 5 ha corresponder à soma de
As 44 classes da nomenclatura CLC2000
alterações contíguas provenientes de diferentes
apresentaram diferentes graus de dificuldade de
polígonos) (Fig. 9). Em todos os casos a distância
identificação a partir das imagens de satélite
mínima entre linhas terá de ser igual ou superior
Landsat, e algumas só foram possíveis de
a 100 m.
identificar com a utilização de informação auxiliar.
A necessidade de utilizar imagens MSS no CLC90,
A digitalização de alterações foi efectuada da
com menor resolução espacial e espectral que as
seguinte forma: (1) cópia da geometria do CLC90
imagens TM, dificultou muito a interpretação de
da zona com alteração para a base de dados
todas as classes, inclusive as ocupações cuja
CLC-alterações, (2) edição da geometria do
identificação seria relativamente fácil com as
CLC90 de forma a preservar apenas a zona
imagens TM, tais como as áreas artificializadas.
alterada e (3) introdução do código
correspondente à nova classe de ocupação. Desta
forma, a base de dados CLC-alterações apenas
contém polígonos correspondentes a zonas de
alteração, que estão identificadas com o código
da classe no CLC90 e no CLC2000.

Alterações consideradas Alterações não consideradas


(Área total > 5ha e (Área < 5ha e/ou largura <100 m)
largura >100 m)

Alteração considerada
(Área > 5ha e largura >100 m)

CLC90

Figura 9 - Critérios para delimitação de alterações contíguas a ocupações existentes.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 17
Tabela 8 - Utilidade e limitações da informação auxiliar utilizada no projecto CLC2000 de Portugal.

Título Ano de Classe CLC Utilidade e limitações


referência com aplicação

Carta de Ocupação do 1990 Todas as classes Informação muito detalhada, obrigando a generalização pelo
Solo de 1990 (COS90) intérprete para integração das classes à escala CLC. Sendo de
1990, revela uma realidade muito próxima, mas posterior, à do
CLC90 pelo que ajudou à sua definição.

Ortofotos 95 1995 Todas as classes; Os ortofotos de 1995 não reflectem a realidade do CLC90
muito úteis na (realizado para Portugal em 1985/86/87), nem a realidade do
distinção das diversas CLC 2000, mas ajudam a identificar o contínuo de alterações
classes artificiais 11x inter-anuais do uso do solo.

Cartografia de áreas 1990-1999 Classes 311, 312, 313, Informação da ocorrência dos fogos, sendo muito importantes
ardidas 322, 323 e 324 as datas em que estes ocorreram e se para a mesma área foram
recorrentes; torna-se necessário confirmar com a imagem
Landsat se as áreas afectadas pelo fogo se encontram
recuperadas em 2000 ou pelo contrário, apresentam ainda
sinais de degradação.

Inventário Florestal 1995 Classes 311, 312 e Cartografia de pontos, sendo necessário ter presente a sua
Nacional 1995 313 representatividade relativa nas manchas florestais, tanto em
áreas pequenas (com poucos pontos), como em polígonos de
grande dimensão (com muitos pontos), onde podem dar
informação mais precisa sobre o tipo de ocupação.

Sistema de Informação 1930-2000 Classes 221, 241 e Ficheiro muito detalhado, obrigando a uma integração à escala
Geográfica Vitivinícola 242 CLC. São importantes as datas de plantação da vinha para a
identificação de novas plantações, assim como do tipo de vinha
presente: contínua, consociada ou de bordadura.

Cartografia Florestal do 1995/2000 Classes 311, 312, 313, Cartografia florestal e de áreas com vocação florestal onde o
Eucalipto 322 e 324 critério do número de árvores utilizado para se considerarem
áreas florestais difere dos critérios CLC, obrigando por isso a
uma adaptação.

Aproveitamentos 1997 Classe 212 Cartografia das áreas com potencialidade para a cultura de
Hidroagrícolas de regadio. Como os limites são administrativos, tem que se ter
Portugal cuidado na identificação das áreas efectivamente regadas.

Sistema de Identificação 1995 Classes 31x e 22x Ficheiro de ocupação do solo muito generalista à escala CLC e
Parcelar por isso de utilidade limitada.

Dados DRAOT-LVT e variável Classe 11x Ficheiros de pontos e de polígonos com informação sobre
DRAOT-Algarve equipamentos, estações de tratamento de resíduos urbanos e
actividades industriais. Como o detalhe é muito grande, os
dados tiverem que ser adaptados para serem representados à
escala da cartografia CLC.

Como a interpretação foi realizada com as duas quando uma das imagens é dos meses de Verão
imagens ao mesmo tempo, i.e., com as imagens e apresenta crescimento vegetativo, e Arrozais
de 1985/86/87 e as de 2000, foi possível que aparecem alagados pelo menos numa
identificar e deduzir algumas classes com base na imagem.
sequência de alterações. Pelo contrário, zonas
imutáveis que não sofreram alteração puderam No geral, as ocupações com maior facilidade de
ser muitas vezes corrigidas, principalmente em identificação foram: Territórios artificializados,
áreas que em 90 estavam apenas abrangidas classes 1xx com excepção da classe 132 (Áreas
pelas imagens MSS. As classes que mais se de deposição de resíduos); Culturas anuais de
prestaram à dedução através da identificação do sequeiro (211); Agricultura com espaços naturais
tipo de alteração foram: áreas de cortes e novas (243); plantações puras de eucalipto e de
plantações, que puderam ser identificadas pinheiro, pertencentes às classes 311 e 312
quando numa das datas se identificou floresta e respectivamente; cortes no meio de zonas
na outra solo descoberto; Áreas em construção florestais (324), onde se pôde identificar floresta
em 90 (por vezes confundidas com outras zonas adulta numa das datas; Zonas descobertas e com
sem vegetação como terrenos agrícolas pouca vegetação (33x); Zonas húmidas costeiras
lavrados), que apresentam em 2000 um padrão (42x) e Massas de água (5xx).
de áreas edificadas; Culturas anuais de regadio,

18 Metodologia
As classes que apresentaram maior dificuldade de desde o início do projecto, o que obrigou à
identificação com base apenas nas imagens interpretação sucessiva das mesmas unidades
Landsat foram: Áreas de deposição de resíduos de trabalho à medida que essa informação foi
(132), que podem ser confundidas com Áreas de sendo disponibilizada e processada, levando ao
extracção mineira (131) e Áreas em construção consequente prolongamento da fase de
(133); zonas industriais e comerciais, no interior interpretação.
ou contíguas ao tecido urbano; Culturas anuais • Não disponibilização gratuita para o Projecto
de regadio (212), sempre que as imagens não CLC2000 Portugal de dados auxiliares por parte
eram dos meses de Verão; Arrozais (213), do Instituto Geográfico do Exército (IGeoE) e
sempre que não se encontravam alagados numa Direcção-Geral do Ordenamento do Território e
das datas; Vinhas (221), Pomares (222) e Olivais Desenvolvimento Urbano (DGOTDU).
(223), na ausência de informação auxiliar, tal
• Dificuldade em estabelecer e operar alguns
como as zonas agrícolas heterogéneas (241, 242
critérios temáticos na identificação de algumas
e 244); Pastagens (231), que no Sul de Portugal
classes, por duas razões: a) o facto de estes se
não se distinguem das Culturas anuais de
encontrarem ainda mal definidos na
sequeiro (211); classes florestais (3xx) (com
documentação e existência de algumas
excepção dos povoamentos puros já referidos) e
contradições da Equipa Técnica Europeia e b)
distinção entre as classes de vegetação natural
dificuldade de identificar com rigor algumas
Matos (322) e Vegetação esclerofítica (323).
classes apenas com base nos dados de
Dada a complexidade da classe 324 (Espaços
referência, na ausência de dados auxiliares
florestais degradados, cortes e novas
relacionados e de confiança.
plantações), nalgumas situações a sua
delimitação foi difícil, designadamente nas áreas • Diferenças de geometria entre imagens MSS e
com mato e árvores dispersas. Nestas, a TM – apesar de se ter tentado o melhor registo
percentagem de árvores foi determinante para a entre as imagens do CLC90 e de 2000, o
sua classificação como floresta ou como matos, alinhamento imperfeito de imagens MSS com
tendo sido utilizada informação auxiliar na TM e ETM+ em zonas com relevo acidentado
maioria dos casos. (e.g., imagem 203/31) obrigou a um esforço
acrescido no sentido de se tentar manter o
Obedecendo aos novos requisitos técnicos do desvio entre as linhas/polígonos para as
produto, a ocupação/uso do solo foi cartografada imagens MSS abaixo dos 100 metros, embora
numa faixa de 1500 m para além da fronteira privilegiando a geometria das imagens 2000,
terrestre de Portugal Continental, com vista a devido ao seu rigor posicional acrescido.
facilitar a integração com a cartografia CLC
espanhola pela Equipa Técnica Europeia.
3.4. Produção do CLC2000
Na fase final da produção da cartografia para as
unidades de trabalho foi necessário proceder à
O CLC2000 foi produzido automaticamente por
união e verificação de folhas contíguas para que
sobreposição do CLC-alterações ao CLC90-R
cada um dos produtos se constituísse como uma
(Fig. 10). As bases de dados foram combinadas
base de dados contínua (seamless), sem artifícios
(union), originando um mapa com a integração
originados pela imposição dos limites das
dos polígonos que representam as zonas de
unidades de trabalho (i.e., as cartas individuais
alteração (do CLC-alterações) e os correspon-
da série cartográfica utilizada).
dentes às zonas imutáveis (do CLC 90-R). Para
todos os polígonos foi criado um novo campo que
Outros tipos de dificuldades encontradas ao longo
reuniu os códigos do CLC90 em zonas imutáveis
do projecto foram:
e o código de 2000 dos polígonos originários do
• Dificuldade em compilar dados usados no CLC-alterações. Os polígonos deste mapa foram
CLC90 - foi necessário proceder novamente à então dissolvidos com base no novo campo
georreferenciação das imagens do CLC90, e criado, obtendo-se um novo mapa representando
foram compiladas as imagens em papel com rigor a ocupação/uso em 2000, mas
existentes bem como os metadados disponíveis contendo polígonos com área inferior a 25 ha.
em papel. Não foi possível encontrar estes Tornou-se assim necessário proceder à
dados para a totalidade das unidades de generalização deste mapa intermédio para impor
trabalho. os 25 ha como AMC do CLC2000, sacrificando o
• Morosidade na obtenção de dados auxiliares – rigor na representação de alterações decorridas
devido a diversos factores não foi possível entre as datas de produção do CLC90 e do
contar com a totalidade dos dados auxiliares CLC2000.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 19
União

Priority
Table

MapGen

Generalização

Figura 10 - Esquematização do processo de produção do CLC2000. O círculo a preto indica uma área onde foi necessário aplicar o
processo de generalização para garantir que o produto CLC2000 respeitaria os 25 ha de AMC.

No decurso do projecto desenvolveram-se A metodologia seguida em Portugal privilegiou a


algoritmos para gerar o CLC2000 com as detecção de alterações reais e a sua captura
especificações técnicas requeridas. De destacar a numa base de dados independente –
utilização da aplicação MapGen (Carrão et al., CLC-alterações. Esta abordagem implicou que a
2002), desenvolvida para o software preocupação principal se centrasse na
ArcView3.x®, que executa processos de representação de todas as alterações assinaláveis
generalização temática (como os ilustrados nas de acordo com as regras exigidas, em detrimento
Fig. 7 e 8) com base em regras de prioridade das situações que pudessem resultar aquando da
entre classes. As prioridades de generalização sobreposição com o CLC90-R para a produção do
definidas para o Projecto I&CLC2000 são CLC2000, nomeadamente as que resultariam na
apresentadas no Anexo E. violação do critério da AMC e, como tal,
obrigariam à sua generalização.

20 Metodologia
De entre essas situações destacam-se:
• casos em que a ocupação não foi assinalada no
CLC90-R por não atingir os 25 ha e os atinge
em 2000 => surgimento de novo polígono no
CLC-alterações e no CLC2000, apesar de parte
da ocupação já existir em 90;
• casos em que a diminuição ou interrupção de
um polígono entre as datas do CLC90-R e
CLC2000 origina a perda de AMC no CLC2000
=> parte remanescente do polígono de 90 é
excluída do CLC2000 por generalização;
• casos em que a zona de alteração cumpre as
regras para integrar o CLC-alterações, mas
outras alterações sofridas pelo polígono do
CLC90-R implicam a perda de 25 ha contíguos
dessa classe => a nova ocupação não
consegue produzir um polígono com o mesmo
código no CLC2000, devido à necessidade de
generalização para cumprir o critério da AMC.

3.5. Controlo de qualidade e


metadados

Em todo o processo de produção foi dada ênfase


ao controlo de qualidade, através de processos
iterativos de verificação dos produtos
cartográficos realizados por especialistas em
interpretação visual e em SIGs da Equipa
Nacional. Na fase final de produção, todas as
folhas do CLC90-R, CLC2000 e CLC-alterações
foram novamente submetidas a um controlo
temático e geométrico exaustivo. No final, a
cartografia CLC2000 foi sujeita a uma cuidada
avaliação de exactidão temática e que será
descrita no Capítulo 5.

Missões de verificação da Equipa Técnica


Europeia

A Equipa Técnica Europeia realizou duas visitas


(Setembro de 2003 e Maio 2004) para verificação
dos produtos CLC para Portugal e harmonização
da informação entre os países participantes
(Fig. 11). Em cada missão de verificação, foram
seleccionadas aleatoriamente pelo menos duas
amostras por folha para esse controlo. No
Anexo F apresenta-se um resumo dos relatórios
da Equipa Técnica Europeia referentes às duas
missões de verificação.
Figura 11 - Zonas verificadas nas missões da Equipa Técnica
Europeia.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 21
Controlo temático

O controlo de qualidade temático efectuado pela • Agricultura com espaços naturais (classe 243),
Equipa Nacional envolveu, por um lado, a utilizando o CLC90-R e a COS90.
verificação sistemática de determinadas zonas e • Vinha, com o ficheiro do Sistema de
classes CLC problemáticas e, por outro lado, o Informação Geográfica Vitivinícola nas Regiões
cruzamento de bases de dados auxiliares com o Demarcadas.
CLC90 (versão original) e CLC90-R. Para que, de
• Culturas permanentes, com a base de dados do
uma forma exaustiva, fossem verificadas e
INGA, realizada no Centro e Norte do país.
melhoradas algumas classes CLC, procedeu-se à
verificação de: • Polígonos de alteração com áreas superiores a
100 ha para todo o país.
• Polígonos onde foi alterada a classificação
original e em que esta coincidia com a • Alterações assinaladas nos Sistemas agro-
ocupação indicada na COS90 para a mesma florestais no Sul do país.
área. Esta verificação abrangeu todo o país e
foi realizada para áreas incongruentes Para verificação de versões pré-finais dos
superiores a 50 ha. produtos realizou-se, em 2004, trabalho de
campo com controlo exaustivo de dados em
• Classes 11x (Tecido urbano), 32x (Vegetação
tempo real com recurso à tecnologia GPS. Os
arbustiva e herbácea) 324 (Espaços florestais
produtos CLC foram carregados num computador
degradados, cortes e novas plantações) e 31x
portátil, e com um aparelho GPS sincronizado
(Florestas), com recurso à comparação entre o
com software SIG foi possível confrontar, em
CLC90, CLC90-R e COS90. Esta verificação
movimento ao longo do trajecto definido, a
abrangeu todo o país.
cartografia com a realidade do terreno, tendo
• Culturas anuais de regadio (212), com os sempre presente os cerca de 4 anos decorridos
dados referentes aos Aproveitamentos desde a altura de aquisição das imagens de 2000.
Hidroagrícolas cedidos pelo IDRHa. Na Fig. 12 pode ver-se um exemplo de alguns dos
• Florestas de folhosas (311), de resinosas (312) locais visitados (pontos) e dados recolhidos
e mistas (313), com o auxílio da COS90 e da (fotografia), sobrepostos ao produto CLC2000.
Cartografia Florestal do Eucalipto da CELPA,
realizada para todo o país.

Figura 12 - Exemplo de verificação em campo e dados recolhidos.

22 Metodologia
Controlo estrutural

A aplicação Interchange, utilizada para a vizinhos com o mesmo código no CLC90, (7)
produção do CLC90-R e CLC-alterações, inclui identifica polígonos sem código ou código 0
algumas ferramentas para a correcção de erros (zero); e (8) verifica, no CLC-alterações, se o
topológicos, mas que são insuficientes para gerar código referente ao CLC90-R é igual ao do
um produto cartográfico de acordo com as produto CLC90-R para a mesma área.
normas exigidas a nível nacional e europeu.
Assim, para garantir o cumprimento de todas as No final do projecto as três bases de dados
especificações, e assegurar a consistência produzidas foram enviadas para a Equipa Técnica
topológica dos produtos, foram desenvolvidos, Europeia que procedeu a um controlo estrutural
pela Equipa Nacional, algoritmos em linguagem exaustivo para garantir que os produtos
de programação AML no software Arcinfo®. Um respeitavam todas as especificações técnicas
desses algoritmos é utilizado para identificar definidas pela Equipa Europeia no início do
zonas em que o espaço entre os polígonos é projecto e que estão definidas em "Guidelines for
menor que 100 m (Fig. 13). CLC2000 delivery" (ETC/TE, 2003). Os testes
efectuados confirmaram que os produtos
Desenvolveu-se ainda uma extensão para o nacionais respeitavam todas as especificações
software ArcView3.x®, denominada técnicas definidas (Anexo G) (Soukup T., 2005).
CLC2000_CE, que conjuga vários processos para
identificar e corrigir outros erros estruturais. A
aplicação CLC2000_CE: (1) recalcula e identifica
os polígonos com área inferior a 25 ha no produto
CLC90-R e com área inferior a 1 ha no produto
CLC-alterações; (2) identifica pontos em que
existe uma distância inferior a 100 m entre
polígonos; (3) verifica a existência de espaços
vazios e desvios na fronteira das folhas; (4)
verifica, no CLC90-R, a existência de polígonos
contíguos com o mesmo código; (5) identifica
áreas de sobreposição entre polígonos; (6)
controla a existência de polígonos menores que
25 ha no CLC-alterações e que não têm polígonos

Figura 13 - Exemplo de detecção da violação da regra dos 100 m por processos automáticos. O círculo da direita mostra a
identificação de polígonos com uma distância entre linhas inferior a 100 metros e o da esquerda mostra a identificação de polígonos
que estão a uma distância inferior a 100 m.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 23
Metadados

Na versão original do CLC90 nacional, os


metadados existentes para cada unidade de
trabalho (em formato analógico) estão descritos
em folhas de papel com campos relevantes, mas
que na maioria dos casos não se encontram
totalmente preenchidos. No Projecto I&CLC2000
foi fornecida pela Comissão Europeia, uma
estrutura de metadados padronizada, baseada na
norma ISO 19115 (versão provisória) e de
preenchimento obrigatório para todos os países
participantes.

Foram definidos dois níveis de metadados: um ao


nível do país e outro ao nível das unidades de
trabalho. Os metadados contêm informação
sobre: informação de base e auxiliar utilizada;
processamento de imagens; sistema de
referência; informação sobre a unidade de
trabalho; responsáveis pela interpretação,
supervisão e controlo; hardware e software;
verificação de campo; controlo de qualidade e
validação.

Os metadados a nível nacional do produto


CLC90-R, CLC-alterações e CLC2000 são
apresentados no Anexo H. No Anexo I apresenta-
-se um exemplo de metadados para unidades de
trabalho.

24 Metodologia
4. Análise sumária do 4.1. Os produtos CLC90 e CLC90-R
CLC90-R, CLC-2000, O mapa da Fig. 14 ilustra a ocupação/uso do solo
e CLC-alterações de em Portugal Continental, tal como é capturada
pelo produto CLC90-R, ao nível 3 da
Portugal Continental nomenclatura CLC.

Com vista a caracterizar os produtos CLC90 e


Neste capítulo apresentam-se e analisam-se os
CLC90-R e quantificar o significativo investimento
produtos gerados no âmbito do Projecto CLC2000
na produção deste último, foi feita uma análise ao
Portugal. A primeira secção é dedicada à
nível 3 da nomenclatura CLC, utilizando
comparação do CLC90-R com o CLC90 original.
indicadores de análise de paisagem (Tabelas 9 e
Na segunda secção faz-se uma caracterização
10), i.e. área ocupada por classe CLC e número
sumária da ocupação/uso do solo em Portugal
de polígonos (i.e. unidades de paisagem). Como
Continental no ano 2000. Na terceira e última
já referido, as diferenças entre os dois produtos
secção apresentam-se as principais alterações de
resultam de diversos factores, designadamente
ocupação/uso do solo entre as duas datas de
de discrepâncias geométricas, temáticas, mas
produção da cartografia CORINE Land Cover.
também de diferentes definições e aplicação das
classes da nomenclatura. Entre estas últimas,
Na análise destes dados, enquanto inventário de
merece especial referência o caso da classe 324,
ocupações do solo para Portugal Continental,
que passou no CLC90-R a incluir zonas florestais
deve-se ter em consideração as limitações
de corte raso ou com plantações jovens, além das
impostas pela AMC e nomenclatura CLC,
situações anteriormente previstas.
condicionantes essas que têm diversas
implicações. Em muitos casos a quantificação
O resultado mais significativo a nível global
destas áreas é mesmo impossível, como no caso
prende-se com o aumento do detalhe temático no
das ocupações florestais que se encontram
CLC90-R, quando comparado com o CLC90,
repartidas pelas classes 31x, 324, 243 e 334. Por
devido ao incremento muito significativo do
outro lado, as alterações de ocupação/uso do solo
número de polígonos (mais de 50%). Também a
ao nível 3 devem ser analisadas com cuidado,
área média destes diminuiu cerca de 125 ha no
porque muitas vezes constituem mudanças
CLC90-R, apesar da diferença dos produtos no
apenas temporárias e com frequência temporal
que concerne ao respeito pelo critério da AMC.
superior (e.g., sequência de alteração xxx133-
Assim, a versão original, que totalizava 26556
-12x, ou 311-334-324).
polígonos com área média de 335 ha, passou a
ter, depois de corrigida, 42340 polígonos com
Todos os dados apresentados neste capítulo
área média de 210 ha.
referem-se a Portugal Continental, e foram
obtidos em ambiente SIG depois de ter sido
Apesar das muitas diferenças entre o CLC90 e o
aplicada a fronteira de Portugal Continental aos
CLC90-R, numa análise estatística global não se
produtos CLC, tal como definida na Carta
altera a ordem das duas classes mais
Administrativa Oficial de Portugal (CAOP) (versão
representadas, que são as Culturas anuais de
3.0 de 2004). Esta estratégia permite que a área
sequeiro (211) e Florestas de folhosas (311). No
total do território seja a mesma nos três produtos
entanto, a terceira classe mais representada
para efeitos de comparação. No entanto, devido à
deixa de ser a Agricultura com espaços naturais
linha de costa na CAOP não coincidir com o limite
(243) para passar a ser a de Espaços florestais
costeiro interpretado nos produtos CLC, esta
degradados, cortes e novas plantações (324).
opção implica que sejam eliminadas ao longo da
costa pequenas áreas de várias tipos de
ocupação, para além da classe 523 (Mar e
oceano). Porém, os produtos CLC disponibilizados
para disseminação incluem toda a área
interpretada de acordo com as unidades de
trabalho adoptadas, às quais apenas foi aplicada
a fronteira terrestre nacional.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 25
Figura 14 - CORINE Land Cover 90-Revisto (CLC90-R) para Portugal Continental.

26 Análise sumária do CLC90-R, CLC-2000, e CLC-alterações de Portugal Continental


Tabela 9 - Caracterização dos produtos CLC90 e CLC90-R com base no número de polígonos e área ocupada por cada classe CLC.

CLC90 CLC90-R

Área Polígonos Área Polígonos

% do % do Média % do % do Média
Classe ha território Nº território (ha) ha território Nº território (ha)

111 20765 0.2 407 1.5 51 12041 0.1 126 0.3 96


112 80474 0.9 1337 5.0 60 121695 1.4 1702 4.0 72
121 9304 0.1 222 0.8 42 15403 0.2 262 0.6 59
122 1161 0.0 20 0.1 58 460 0.0 6 0.0 77
123 667 0.0 22 0.1 30 1253 0.0 28 0.1 45
124 3222 0.0 24 0.1 134 3777 0.0 24 0.1 157
131 4808 0.1 138 0.5 35 6414 0.1 127 0.3 51
132 233 0.0 6 0.0 39 345 0.0 7 0.0 49
133 1521 0.0 35 0.1 43 2127 0.0 47 0.1 45
141 3879 0.0 9 0.0 431 1340 0.0 11 0.0 122
142 2219 0.0 19 0.1 117 4313 0.0 40 0.1 108
211 1495582 16.8 2814 10.6 531 1165021 13.1 3120 7.4 373
212 28674 0.3 228 0.9 126 123060 1.4 564 1.3 218
213 50562 0.6 184 0.7 275 55882 0.6 195 0.5 287
221 276205 3.1 472 1.8 585 205928 2.3 1075 2.5 192
222 80304 0.9 311 1.2 258 95337 1.1 507 1.2 188
223 328754 3.7 1310 4.9 251 278348 3.1 1613 3.8 173
231 12735 0.1 96 0.4 133 53136 0.6 335 0.8 159
241 545126 6.1 1312 4.9 415 447886 5.0 2084 4.9 215
242 426994 4.8 1038 3.9 411 635988 7.2 3519 8.3 181
243 812330 9.1 2948 11.1 276 718251 8.1 6121 14.5 117
244 592180 6.7 1493 5.6 397 568040 6.4 2040 4.8 278
311 1054615 11.9 1817 6.8 580 1150593 12.9 2831 6.7 406
312 768885 8.6 1761 6.6 437 776241 8.7 2563 6.1 303
313 658114 7.4 1193 4.5 552 547300 6.2 2730 6.4 200
321 272455 3.1 653 2.5 417 194687 2.2 865 2.0 225
322 483253 5.4 1363 5.1 355 370551 4.2 1621 3.8 229
323 165161 1.9 296 1.1 558 225622 2.5 648 1.5 348
324 432581 4.9 1634 6.2 265 832781 9.4 4779 11.3 174
331 19956 0.2 173 0.7 115 11391 0.1 86 0.2 132
332 84114 0.9 189 0.7 445 44250 0.5 86 0.2 515
333 0 0.0 0 0.0 0 78442 0.9 214 0.5 367
334 75428 0.8 374 1.4 202 45146 0.5 303 0.7 149
411 636 0.0 6 0.0 106 949 0.0 12 0.0 79
412 94 0.0 1 0.0 94 0 0.0 0 0.0 0
421 16329 0.2 102 0.4 160 18790 0.2 103 0.2 182
422 7594 0.1 59 0.2 129 7432 0.1 53 0.1 140
423 217 0.0 3 0.0 72 297 0.0 11 0.0 27
511 20168 0.2 59 0.2 342 20241 0.2 59 0.1 343
512 28808 0.3 198 0.7 145 28476 0.3 151 0.4 189
521 2726 0.0 12 0.0 227 8405 0.1 18 0.0 467
522 16295 0.2 167 0.6 98 13090 0.1 218 0.5 60
523 3391 0.0 1174 4.4 3 2753 0.0 1436 3.4 2
888 4870 0.1 860 3.2 6 n.a. n.a. n.a. n.a. n.a.
999 100 0.0 17 0.1 6 n.a. n.a. n.a. n.a. n.a.

Total 889348 100.0 26556 100.0 335 889348 100.0 42340 100.0 210

n.a. – não aplicável


Nota: O código 888 do CLC90 é usado para representar áreas que, embora integrando o território de Portugal Continental de acordo com a CAOP, não foram
interpretadas no CLC90 original. O código 999 do CLC90 representa os 17 polígonos do CLC90 original correspondentes a áreas não classificadas entre
cartas ou com códigos CLC inválidos

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 27
Tabela 10 - Caracterização das diferenças entre os produtos CLC90 e CLC90-R com base no número de polígonos e área ocupada
por cada classe CLC.

Diferença entre o CLC90-R e CLC90


Área Polígonos

Classe ha % por classe Nº % por classe Área média (ha)

111 -8724 -42.0 -281 -69.0 45


112 41221 51.2 365 27.3 11
121 6099 65.6 40 18.0 17
122 -701 -60.4 -14 -70.0 19
123 586 87.8 6 27.3 14
124 555 17.2 0 0.0 23
131 1607 33.4 -11 -8.0 16
132 112 48.1 1 16.7 10
133 606 39.9 12 34.3 2
141 -2539 -65.4 2 22.2 -309
142 2094 94.4 21 110.5 -9
211 -330561 -22.1 306 10.9 -158
212 94386 329.2 336 147.4 92
213 5320 10.5 11 6.0 12
221 -70278 -25.4 603 127.8 -394
222 15033 18.7 196 63.0 -70
223 -50406 -15.3 303 23.1 -78
231 40402 317.3 239 249.0 26
241 -97239 -17.8 772 58.8 -201
242 208994 48.9 2481 239.0 -231
243 -94078 -11.6 3173 107.6 -158
244 -24140 -4.1 547 36.6 -118
311 95978 9.1 1014 55.8 -174
312 7356 1.0 802 45.5 -134
313 -110813 -16.8 1537 128.8 -351
321 -77767 -28.5 212 32.5 -192
322 -112702 -23.3 258 18.9 -126
323 60461 36.6 352 118.9 -210
324 400200 92.5 3145 192.5 -90
331 -8565 -42.9 -87 -50.3 17
332 -39864 -47.4 -103 -54.5 69
333 78442 n.a. 214 n.a. n.a.
334 -30282 -40.1 -71 -19.0 -53
411 313 49.3 6 100.0 -27
412 -94 -100.0 -1 -100.0 -94
421 2460 15.1 1 1.0 22
422 -162 -2.1 -6 -10.2 12
423 79 36.4 8 266.7 -45
511 73 0.4 0 0.0 1
512 -331 -1.1 -47 -23.7 43
521 5679 208.3 6 50.0 240
522 -3205 -19.7 51 30.5 -38
523 -638 -18.8 262 22.3 -1
888 -4870 -100.0 -860 -100.0 -6
999 -100 -100.0 -17 -100.0 -6

Total 0 0.0 15784 59.4 -125

n.a. – não aplicável


Nota: O código 888 do CLC90 é usado para representar áreas que, embora integrando o território de Portugal Continental de acordo com a CAOP, não foram
interpretadas no CLC90 original. O código 999 do CLC90 representa os 17 polígonos do CLC90 original correspondentes a áreas não classificadas entre
cartas ou com códigos CLC inválidos.

28 Análise sumária do CLC90-R, CLC-2000, e CLC-alterações de Portugal Continental


Em relação aos resultados dos melhoramentos que não constava na versão original e que
introduzidos no CLC90, por classe, no grupo dos apresenta 78442 ha em 214 polígonos. Esta
Territórios artificializados observa-se que as classe foi construída principalmente a partir da
classes 123 (Zonas portuárias) e 142 classe 332 (Rocha nua) e também da classe 321
(Equipamentos desportivos e de lazer) são as que (Pastagens naturais) que, consequentemente,
registam os maiores aumentos na sua apresentam menor representatividade na versão
representatividade, na ordem dos 88% e 94% corrigida: a classe 332 com cerca de metade da
respectivamente. Seguem-se as áreas de área inicial e a classe 321 com menos 29%. As
Indústria, comércio e equipamentos gerais (121) áreas ardidas (334) e as Praias, dunas e areais
e o Tecido urbano descontínuo (112), com um (331) sofreram uma diminuição acentuada em
aumento de 66% e 51%, respectivamente. Pelo cerca de 40%, devido a um maior cuidado na sua
contrário, o tecido urbano contínuo, classe 111, interpretação.
diminuiu para quase metade do seu valor (-42%
da área inicial), resultado de um maior cuidado Nas Zonas húmidas, a classe 412 (Turfeiras)
na delimitação desta classe. Ainda é de salientar deixou de estar representada na versão corrigida.
aumentos muito significativos na representativi- As zonas intertidais (423) sofreram um aumento
dade das classes 132 (Áreas de deposição de significativo de representação (em 36%), mas
resíduos) e 133 (Áreas em construção), na ordem que se traduz num acréscimo de apenas 79 ha.
dos 48% a 40%. Importa ainda referir a Por último, os Pauis (411), revelam um aumento
diminuição em 60% da classe 122 (Redes viárias de 49% com mais 313 ha representados.
e ferroviárias e espaços associados) e em 65% da
classe 141 (Espaços verdes urbanos). Nas classes de água, são as Lagunas litorais
(521) que se destacam pelo grande aumento de
Nas Áreas agrícolas, são as Culturas anuais de representatividade, mais 208%, que correspon-
regadio (212) e as Pastagens (231) que se dem a mais 5679 ha.
destacam pelo enorme aumento de
representatividade. Deste modo, a classe 212 Os histogramas das Fig. 15 e 16 apresentam para
sofreu um aumento em cerca de 329%, a que os produtos CLC90 e CLC90-R, a distribuição do
correspondem mais 94386 ha de culturas de número de polígonos por classes de área com 25
regadio, e a classe 231 um aumento na ordem ha de intervalo. Desde logo sobressai o maior
dos 317%, a que correspondem mais 40402 ha. número de polígonos presente no CLC90-R,
Ainda com um aumento significativo aparece a relativamente ao CLC90, e a sua diferente
classe heterogénea 242 com mais 49% (mais distribuição. Nos histogramas pode-se verificar,
208994 ha a somar aos 426994 ha já existentes). para os dois produtos, a existência de polígonos
Das áreas que diminuem a sua representativi- na classe dos 0 aos 25 ha. Esta é mesmo a classe
dade, na versão corrigida, salientam-se as mais representada no produto CLC90, com 4777
Culturas anuais de sequeiro (211) e as Vinhas polígonos, devido em grande parte ao facto da
(221), com valores que rondam os 22% e 25% e AMC de 25 ha não ter sido cumprida. Porém, a
que correspondem a menos 330561 ha e presença de polígonos nesta classe no CLC90-R
70278 ha, respectivamente. deve-se apenas à aplicação, em ambos os
produtos, da fronteira da CAOP sem que se
Todas as classes agrícolas no CLC90-R procedesse propositadamente à generalização
apresentam um aumento do número de dos polígonos resultantes ao longo desta linha.
polígonos, mesmo aquelas que apresentam uma
diminuição de abundância, o que traduz o cuidado Na classe compreendida entre os 25 e os 50 ha,
que se teve para uma representação mais fiável que é a classe mais representada no produto
da fragmentação da paisagem portuguesa. CLC90-R, existem 13341 polígonos, contra 4583
no produto CLC90. Esta diferença de valores
Quanto às Florestas e meios semi-naturais, deve-se a um aumento do detalhe temático no
verifica-se que é a classe 324 (Espaços florestais CLC90-R, o que é também confirmado pela
degradados, cortes e novas plantações) a que se análise do valor relativo aos polígonos que
destaca, pelo aumento em mais de 90% da sua atingem áreas superiores a 1500 ha. Estes eram
representatividade (com mais 400200 ha e mais 830 no produto CLC90, tendo o seu número sido
3145 polígonos interpretados). Estes números reduzido para 675 no produto CLC90-R.
devem-se principalmente ao novo conceito da
classe, que passou a integrar os cortes e as novas
plantações florestais, antes incluídos nas áreas
florestais (classes 31x). É de salientar ainda a
introdução da classe 333 (Vegetação esparsa),

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 29
Assim, em termos gerais, observa-se que as
Nº de polígonos (milhares)
maiores diferenças se registam a norte do rio Tejo
14 e no Algarve, em particular nas NUTS Entre Douro
12
e Vouga, Beira Interior Norte, Cova da Beira, e
Serra da Estrela, em que as alterações atingem
10 valores a rondar os 60% da sua área. Pelo
contrário, as NUTS do Alentejo (Alentejo Central,
8
Alentejo Litoral, Baixo Alentejo) registam os
6 menores valores de alteração de códigos CLC
entre as duas versões. A NUTS Cávado, com um
4 valor de cerca de 44%, constitui uma excepção a
esta diferença entre Norte e Sul do País.
2

0 A Fig. 18 ilustra a melhoria do conteúdo temático


no CLC90-R relativamente ao CLC90 em dois
25

150

275

400

525

650

775

900

1025

1150

1275

1400

More

tipos de paisagem diferentes, uma


Área (ha)
correspondente a uma zona urbana e outra a uma
Figura 15 - Histograma de distribuição da área média dos zona rural. Em ambos os casos é evidente o
polígonos do CLC90.
aumento do número de polígonos, com
introdução de classes CLC que não se
encontravam anteriormente representadas, e
modificação da classe e/ou geometria de
polígonos existentes.
Nº de polígonos (milhares)
14

12

10

0
25

150

275

400

525

650

775

900

1025

1150

1275

1400

More

Área (ha)

Figura 16 - Histograma de distribuição da área média dos


polígonos do CLC90-R.

Na Fig. 17 apresenta-se a distribuição espacial


das diferenças entre o CLC90 e o CLC90-R, em
percentagem da área de cada NUTS III
(Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins
Estatísticos). Entre as duas versões (i.e., CLC90 e
CLC90-R) que representam a ocupação/uso do
solo nos anos 1985/86/87, verifica-se que 46%
da área de Portugal Continental tem códigos
diferentes, o que corresponde a 4133588 ha.
Com base nesta análise é possível identificar e
quantificar as áreas em que se modificou o código
CLC entre os dois produtos.
Figura 17 - Percentagem da área de cada NUTS III em que
os produtos CLC90 original e CLC90-R são diferentes.

30 Análise sumária do CLC90-R, CLC-2000, e CLC-alterações de Portugal Continental


Zona urbana

Zona rural

Figura 18 - Exemplos do acréscimo do conteúdo temático no melhoramento do CLC90.

4.2. A ocupação/uso do solo em 2000

Análise da ocupação/uso do solo em 2000 ao


nível da NUTS I

O mapa da Fig. 19 ilustra a ocupação/uso do solo


em Portugal Continental, tal como é representada
no produto CLC2000, ao nível 3 da nomenclatura
CLC.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 31
Figura 19 - CORINE Land Cover 2000 para Portugal Continental.

32 Análise sumária do CLC90-R, CLC-2000, e CLC-alterações de Portugal Continental


Em 2000, as duas classes de ocupação de solo
com maior representatividade ao nível 1 da
nomenclatura CLC são as Áreas agrícolas e as
Florestas e meios semi-naturais (Fig. 20). Cada
uma das classes representa aproximadamente
48% e, em conjunto, representam aproximada-
mente 96% do total do território. A classe
Territórios artificializados, embora com valores
muito inferiores aos anteriormente referidos, é a
terceira classe de nível 1 mais abundante, com
2.7%. As classes Massas de água e Zonas
Húmidas ocupam apenas 0.9 e 0.3%,
respectivamente.

Na Tabela 11 apresenta-se a superfície ocupada e


o número de polígonos de cada uma das classes
do nível 3 da nomenclatura CLC. Apresenta-se
também a contribuição de cada classe para a área
total do território nacional em termos de área e
número de unidades de paisagem, assim como a
área média de cada classe. Na Fig. 21 representa-
-se graficamente a abundância de cada classe.

Territórios artificializados

Áreas agrícolas
48,0% 48,2% Florestas e meios semi-naturais

Zonas húmidas

Massas de água

0,3%
2,7%
0,9%

Figura 20 - Área de Portugal Continental ocupada em 2000 por classes do nível 1 da nomenclatura CLC, em percentagem.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 33
Tabela 11 - Caracterização da ocupação/uso do solo em Portugal Continental em 2000 com base no produto CLC2000.

Polígonos Área

Classe Nº % do território ha % do território Área média (ha)

Territórios artificializados 2861 6.26 238886 2.69 83


111 135 0.30 13950 0.16 103
112 1816 3.97 161105 1.81 89
121 407 0.89 28648 0.32 70
122 48 0.10 2307 0.03 48
123 31 0.07 1419 0.02 46
124 26 0.06 4157 0.05 160
131 220 0.48 13040 0.15 59
132 9 0.02 459 0.01 51
133 86 0.19 4417 0.05 51
141 14 0.03 1440 0.02 103
142 69 0.15 7945 0.09 115

Áreas agrícolas 22493 49.20 4266222 47.97 190


211 3236 7.08 1093266 12.29 338
212 935 2.05 194562 2.19 208
213 186 0.41 53412 0.60 287
221 1341 2.93 232863 2.62 174
222 535 1.17 100159 1.13 187
223 1618 3.54 270544 3.04 167
231 350 0.77 37812 0.43 108
241 2205 4.82 420446 4.73 191
242 3740 8.18 622714 7.00 167
243 6274 13.72 680827 7.66 109
244 2073 4.53 559615 6.29 270

Florestas e meios semi-naturais 18238 39.89 4282534 48.15 235


311 3124 6.83 1221456 13.73 391
312 2717 5.94 691033 7.77 254
313 2805 6.14 525184 5.91 187
321 907 1.98 185290 2.08 204
322 1659 3.63 337080 3.79 203
323 742 1.62 194353 2.19 262
324 5707 12.48 963290 10.83 169
331 88 0.19 11330 0.13 129
332 84 0.18 44206 0.50 526
333 216 0.47 77736 0.87 360
334 189 0.41 31577 0.36 167

Zonas húmidas 178 0.39 27423 0.31 154


411 12 0.03 1021 0.01 85
421 102 0.22 18590 0.21 182
422 53 0.12 7516 0.08 142
423 11 0.02 297 0.00 27

Massas de água 1950 4.27 75635 0.85 39


511 61 0.13 20048 0.23 329
512 218 0.48 34129 0.38 157
521 17 0.04 8459 0.10 498
522 218 0.48 12999 0.15 60
523 1436 3.14 2788 0.03 2

Total 45720 100 8893488 100 195

34 Análise sumária do CLC90-R, CLC-2000, e CLC-alterações de Portugal Continental


Milhares de ha

1400

1200

1000

800

600

400

200

0
111
112
121
122
123
124
131
132
133
141
142
211
212
213
221
222
223
231
241
242
243
244
311
312
313
321
322
323
324
331
332
333
334
411
421
422
423
511
512
521
522
Classe CORINE

Figura 21 - Área ocupada em Portugal Continental em 2000 por classe do nível 3 da nomenclatura CLC.

A Tabela 11 e a Fig. 21 revelam que as classes do respectivamente. Na Fig. 22-C podemos


nível 3 da nomenclatura CLC mais representativas constatar que a classe Florestas e meios semi-
pertencem a ocupações florestais e agrícolas. A -naturais é constituída maioritariamente por duas
classe com maior representação em Portugal, classes de ocupação, 311 (Florestas de folhosas),
com um valor de 13.7%, é a classe 311 (Florestas com 29%, e 324 (Espaços florestais degradados,
de folhosas) e a segunda maior classe, com um cortes e novas plantações), com 23%,
valor de 12.3%, a 211 (Culturas anuais de distribuindo-se os restantes valores
sequeiro). Existem nas áreas florestais, para principalmente pelas classes florestais 312
além da classe 311, mais duas classes com (Florestas de resinosas), 313 (Florestas mistas) e
valores bastante significativos e que são a 324 pela classe 322 (Matos). As Zonas húmidas
(Espaços florestais degradados, cortes e novas (Fig. 22-D) são constituídas predominantemente
plantações), com 10.8%, e a classe 312 pela classe 421 (Sapais), com 68%, que em
(Florestas de resinosas), com 7.8%. Nas áreas conjunto com a classe 422 (Salinas) (27%),
urbanas é de referir que a classe 112 (Tecido representam a quase totalidade da classe ao nível
urbano descontínuo) está representada em 1.8% 1. Nas Massas de água (Fig. 22-E), a classe 512
do território continental português. (Planos de água) é aquela com maior
representação, em que o valor atinge os 45%.
Nos gráficos da Fig. 22 apresenta-se a Outra grande parte da classe Massas de Água
percentagem de cada classe CLC do nível 1 está representada através das Linhas de água
ocupada pelas classes do nível 3 (511), com um valor de 27%.
correspondentes. Na Fig. 22-A verifica-se que
67% das ocupações nos Territórios artificializados
são constituídas pela classe 112 (Tecido urbano
descontínuo), seguida por 12% para a classe 121
(Indústria, comércio e equipamentos gerais). Na
figura 22-B observa-se a distribuição ao nível 3
para as áreas agrícolas, onde a classe 211 é a que
apresenta o valor mais elevado, 26%. As classes
das Áreas agrícolas heterogéneas 241, 242, 243
e 244, apresentam também valores bastante
significativos com 10%, 15%, 16% e 13%

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 35
% (A) Territórios artificializados % (B) Áreas agrícolas
70 70
60 60
50 50
40 40
30 30
20 20
10 10
0 0
111

112

121

122

123

124

131

132

133

141

142

211

212

213

221

222

223

231

241

242

243

244
% (C) Florestas e meios semi-naturais
70
60
50
40
30
20
10
0
311

312

313

321

322

323

324

331

332

333

334

% (D) Zonas húmidas % (E) Massas de água


70 70
60 60
50 50
40 40
30 30
20 20
10 10
0 0
411

421

422

423

511

512

521

522

523

Figura 22 - Percentagem da área de cada classe CLC do nível 1 ocupada pelas classes do nível 3 correspondentes, em 2000.

36 Análise sumária do CLC90-R, CLC-2000, e CLC-alterações de Portugal Continental


Análise da ocupação/uso do solo em 2000
ao nível da NUTS II

Na Fig. 23 estão representadas, em área total Algarve são ocupadas principalmente por
para 2000 e por NUTS II, a distribuição das três Florestas e meios semi-naturais e Áreas
maiores classes da nomenclatura CLC ao nível 1. agrícolas. Na unidade territorial para fins
Verifica-se que, das três ocupações, a classe estatísticos do Centro as áreas de Florestas e
Territórios artificializados é a que apresenta meios semi-naturais predominam claramente em
sempre os valores mais baixos. A NUTS Lisboa é relação às outras classes de ocupação, e na NUTS
a que apresenta a representação mais Alentejo predominam as Áreas agrícolas.
homogénea das três classes. As NUTS Norte e

Figura 23 - Área ocupada em 2000 por classes CLC ao nível 1 por NUTS II.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 37
Análise da ocupação/uso do solo em 2000 sensíveis dos valores por NUTS. As NUTS Grande
ao nível da NUTS III Porto e Grande Lisboa destacam-se com as
maiores percentagens de classe 1, a rondarem os
Na Fig. 24 apresentam-se mapas com a 30 e 25%, respectivamente. Um segundo grupo
percentagem da área de cada NUTS III ocupada inclui as NUTS próximas daquelas áreas,
por Territórios artificializados (Fig. 24-A), Áreas designadamente o Ave e Entre Douro e Vouga, no
Agrícolas (Fig. 24-B) e Florestas e meios semi- Norte, e a Península de Setúbal, mais para Sul,
naturais (Fig. 24-C). com valores entre os 9 e 13%. Outro grupo inclui
as NUTS litorais entre Porto e Lisboa e ainda
Na Fig. 24-A pode observar-se claramente um Minho-Lima, Cávado, Tâmega, Médio Tejo e
zonamento relacionado com a distância ao litoral, Algarve, todas com valores ainda superiores à
que apenas tem excepção ao longo da costa média nacional. As restantes NUTS apresentam
alentejana. Assim, verifica-se uma maior percentagens de ocupação de Territórios
preponderância desta classe numa faixa que artificializados muito baixas, entre 0.3 e cerca de
acompanha o litoral desde o rio Minho até à 2% da sua área.
Península de Setúbal, embora com diferenças

Figura 24 - Percentagem da área de cada NUTS III ocupada em 2000 por Territórios artificializados (A), Áreas agrícolas (B) e
Florestas e meios semi-naturais (C).

38 Análise sumária do CLC90-R, CLC-2000, e CLC-alterações de Portugal Continental


Uma análise geral do mapa com a percentagem 4.3. Alterações de ocupação/uso do
da área de cada NUTS III ocupada por Áreas solo entre 1985/86/87 e 2000
agrícolas (Fig 24-B) revela um contraste entre as
regiões Noroeste e o Sul do país, com esta última
a ostentar percentagens de ocupação agrícola O estudo de alterações de ocupação/uso do solo
mais elevadas. Com valores acima dos 60% que aqui se apresenta baseia-se no produto
destacam-se as NUTS Alto Alentejo, Oeste, CLC-alterações. No entanto, este tipo de análise
Alentejo Central e Baixo Alentejo, esta última também se pode efectuar com base nas
com 76%. Pelo contrário, as NUTS Pinhal Interior diferenças entre os produtos CLC90-R e CLC2000.
Sul e Pinhal Interior Norte sobressaem por Um estudo comparativo da utilização destes dois
apresentarem os valores de abundância relativa tipos de abordagens em estudos de alteração de
de agricultura mais baixos, com 15.7 e 19.2%, ocupação/uso do solo é apresentado no Anexo J.
respectivamente. As restantes NUTS apresentam Uma análise mais aprofundada das alterações da
valores significativos de abundância relativa de paisagem em Portugal Continental entre
agricultura, entre os 20 e 59%. 1985/86/87 e 2000, com base na comparação
dos produtos CLC90-R e CLC2000 é apresentada
Relativamente à percentagem da área de cada noutro estudo (Caetano et al., 2005a).
NUTS III ocupada por Florestas e meios semi-
naturais (Fig. 24-C), a situação assemelha-se ao Na Tabela 12, apresenta-se a matriz de alterações
inverso da Fig. 24-B, com excepção da Grande para Portugal Continental.
Lisboa e Grande Porto. A Grande Lisboa é mesmo
a única NUTS III a apresentar um valor de
ocupação desta classe inferior a 20% (18.9%).
No outro extremo, as NUTS Pinhal Interior Sul,
Pinhal Interior Norte, Serra da Estrela, Dão-
Lafões, Entre Douro e Vouga e Minho-Lima
destacam-se por apresentarem todas valores
desta classe acima dos 65%. As restantes NUTS
têm percentagens situadas entre os 20 e 60%,
com as regiões Centro e Norte litoral a
apresentarem os valores mais elevados deste
grupo.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 39
40
Tabela 12 - Matriz de alterações de ocupação/uso do solo em Portugal Continental entre 1985/86/87 e 2000, construída com base no CLC-alterações.
Ha Classe 2000
Classe
90 111 112 121 122 123 124 131 132 133 141 142 211 212 213 221 222 223 231 241 242 243 244 311 312 313 321 322 323 324 331 332 333 334 411 421 422 423 511 512 521 522 523 Total

111

112 1278 428 42 17 55 1820

121 97 17 69 19 202

122

123 1 1 38 40

124

131 53 10 29 13 32 46 61 57 195 4 5 506

132 25 25

133 33 719 437 300 139 60 32 14 104 26 52 1915

141 23 36 59

142

211 38 3189 999 30 9 45 281 272 155 40009 309 6036 1551 1415 2020 169 1347 4323 10 9397 55 96 1964 270 494 13377 16 1719 89594

212 46 426 173 13 29 25 345 1057 224 197 10 13 29 34 49 35 42 2748

213 755 3458 18 930 56 19 76 53 43 5407

221 299 121 29 71 1411 1722 132 73 244 95 5 5 17 43 202 4468

222 304 7 50 52 188 72 190 296 82 16 11 50 40 54 5 1416

223 829 422 53 273 130 11 2109 1302 1937 37 18 243 668 680 16 7 659 1185 139 10719

231 48 65 22 93 810 15368 1249 27 161 456 122 33 33 140 12 16 44 18700

241 32 9360 495 173 103 442 350 70 101 3878 301 49 13173 899 89 12 19 30 9 264 131 29981

242 94 8677 1660 242 8 78 384 244 851 2966 46 9776 1553 173 28 3748 537 76 160 50 80 41 540 6 392 32408

243 202 7606 1618 218 259 5 589 35 213 6072 1529 2864 564 475 173 289 1503 5556 477 1363 1302 3021 3950 16021 25 1157 57088

244 113 89 271 74 97 1696 56 156 6 53 3 4666 30 220 103 3427 643 11701

311 207 483 70 45 445 71 277 58 1023 2078 67 616 145 54 117 36 795 599 1687 27 2241 6 67221 1298 292 79957

312 22 1814 1860 136 184 1057 743 753 373 896 586 58 19 120 539 642 1190 300 147596 4385 3 163278

313 22 2261 2023 151 936 391 190 257 861 13 685 66 515 405 951 1036 297 57942 1628 177 70807

Análise sumária do CLC90-R, CLC-2000, e CLC-alterações de Portugal Continental


321 6 157 107 17 950 30 113 1134 249 101 357 556 178 58 541 2665 245 157 186 5831 14 271 13920

322 6 531 206 38 520 142 69 250 1417 6 430 626 187 7 188 169 1516 8 6727 2767 755 20603 9982 472 47622

323 173 687 29 159 1072 93 83 173 35 56 38 17 3131 97 5822 30 199 346 23601 561 392 36794

324 38 1844 1754 249 16 992 34 581 386 775 602 1831 288 150 262 830 1628 1044 104735 75790 40721 12443 522 247515

331 17 10 112 59 2 29 64 46 5 53 396

332 44 44

333 79 23 9 84 17 13 456 26 706

334 3 81 11 68 31 5 15 46 133 4838 1633 4008 80 11123 667 21460 8 44212

411 34 34

421 11 48 2 45 26 59 83 274

422 28 4 28 61

423

511 3 25 268 297

512 106 34 18 760 7 926

521 25 25 31 20 101

522 12 25 10 16 38 15 116

523 0 36 36

Total 1818 38749 13198 1796 206 380 7179 139 4201 131 3509 18814 73158 2825 29526 5972 3270 3342 1812 19398 19213 2846 148588 81614 50395 4696 14831 6142 380269 350 30298 116 107 143 80 6578 134 5 68 975893
Ao nível 3 da nomenclatura CLC, ocorreram 469 Na Tabela 14, apresenta-se o aumento e
tipos de transições de ocupação/uso do solo, de diminuição, em termos absolutos, de cada classe
acordo com as combinações de código CLC90-R e do nível 1 da nomenclatura CLC, com base no
CLC2000 registadas no CLC-alterações (Tabela produto CLC-alterações. Na Fig. 25, para além de
12). As transições mais significativas, em termos se apresentar a área total de aumento e de
de área total, foram as que envolveram diminuição de cada classe do nível 1 da
modificações do estado da floresta: de 312 nomenclatura CLC, apresentam-se também as
(Florestas de resinosas) para 324 (Espaços alterações entre classes do nível 3 da
florestais degradados, cortes e novas plantações) nomenclatura CLC pertencentes à mesma classe
(147596 ha), de 324 para 311 (Florestas de do nível 1.
folhosas) (104735 ha), de 324 para 312 (75790
ha), e de 311 para 324 (67221 ha). A transição Uma análise sumária da Tabela 14 revela que, em
não-florestal mais significativa (envolvendo 448 cerca de 15 anos, Portugal Continental tornou-se
polígonos e 40009 ha) foi a de 211 (Culturas significativamente mais urbano, menos agrícola e
anuais de sequeiro) para 212 (Culturas anuais de mais florestal. De destacar o aumento importante
regadio). da classe Massas de água devido essencialmente
à construção de novas barragens e criação das
A percentagem da área de Portugal Continental respectivas albufeiras.
que sofreu alterações entre 1985/86/87 e 2000,
apresenta-se na Tabela 13.

A percentagem do território que se altera no


período em análise varia consoante se
consideram as transições ao nível 1, 2 ou 3 da
Tabela 14 - Área de aumento e diminuição de classes
nomenclatura CLC. Como seria de esperar, é ao do nível 1 da nomenclatura CLC com base no produto
nível 3 que a maior proporção do território sofre CLC-alterações.
alterações entre classes, em cerca de 11% da
Classe CLC Aumento (ha) Diminuição (ha) Variação (ha)
área. No entanto, uma grande parte do território
(9.56%) é ainda afectada por alterações quando 1 67366 628 66738
se consideram as mudanças de classe ao nível 2. 2 34625 118681 -84055
Ao nível 1 apenas cerca de 2% de Portugal 3 73411 61480 11931
Continental é alterado no período em análise, 4 306 309 -3
através das transições de ocupação/uso mais 5 6850 1461 5390

dramáticas entre as cinco grandes classes CLC.


Esta diferença justifica-se pelo facto de muitas
alterações ocorridas aos níveis 3 e 2
corresponderem a alterações no seio de uma
mesma classe do nível 1.
Milhares de hectares
A análise e extracção de conclusões relativas a 800
alterações de ocupação/uso do solo ao nível 3
devem ser feitas com cuidado, devido ao carácter 700
temporário de muitas dessas alterações. Estas
600
alterações transitórias são frequentes nas classes
florestais, nomeadamente entre Florestas (31x) e
500
espaços florestais em transição (324), devido por
exemplo, ao efeito dos incêndios florestais e 400
posterior regeneração. Alteração na
classe
300
Saída (90)
Tabela 13 - Percentagem do território de Portugal Continental Entrada (00)
que registou alterações de ocupação/uso do solo entre 200
1985/86/87 e 2000, considerando os 3 níveis da nomenclatura
CLC, com base no produto CLC-alterações. 100

Nível CLC ha % 0
1 2 3 4 5
1 182559 2.05 Classe CLC nível 1
2 850656 9.56
3 975893 10.97 Figura 25 - Área das alterações de ocupação do solo por
classe do nível 1.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 41
Os Territórios artificializados (1) caracterizam-se
por um forte crescimento, com 67366 ha a
constituírem entrada para a classe, e apenas
628 ha a transitarem para outras classes do
nível 1. Nas Áreas agrícolas (2) verifica-se uma
diminuição da superfície que ocupam, visto que a
área total que sai da classe (118681 ha) é
bastante superior à área que entra (34625 ha) e
sensivelmente equivalente à superfície que,
embora sofrendo alteração ao nível 3, se mantém
na mesma classe ao nível 1 (145549 ha).

Nas zonas de Florestas e meios semi-


-naturais (3) observa-se uma grande dinâmica ao
nível 3 que, no entanto, não tem correspondência
em alterações de classe ao nível 1. Aqui a grande
maioria da área alterada traduz-se em transições
de classe florestal ao nível 3 (e.g., cortes rasos
em zonas já ocupadas por floresta) que
têm lugar na mesma classe ao nível 1
(643772 ha). Houve ainda uma entrada
significativa (73411 ha) de área de outras classes
para as classes florestais. Em relação às classes
Zonas húmidas (4) e Massas de água (5), a área
total das alterações não tem valores expressivos,
apesar de a classe 5 registar a entrada de quase
7000 ha.

Com o objectivo de ilustrar a distribuição espacial


das alterações da ocupação/uso do solo entre
1985/86/87 e 2000, calculou-se a percentagem
de cada NUTS III alterada ao nível 3 da
nomenclatura (Fig. 26). As alterações
significativas de ocupação/uso do solo ocorreram
numa faixa que inclui a região Norte e o Centro
interior (com excepção de Cávado e Alto Trás-os-
-Montes), a bacia do Tejo e o Algarve. As NUTS
Pinhal Interior Sul, Pinhal Interior Norte, Cova da Figura 26 - Percentagem da área de cada NUTS III que sofreu
Beira e Beira Interior Norte, constituem um alterações entre 1985/86/87 e 2000 ao nível 3 da
cluster com valores de alteração elevados, a nomenclatura CLC.
rondar os 20%. Também a NUTS Tâmega
apresenta um valor de alteração de ocupação/uso
do solo muito elevado, a rondar os 19%. Pelo
contrário, as NUTS Alentejo Central e Baixo
Alentejo apresentam as dinâmicas mais baixas,
bem como o Baixo Vouga e o Baixo Mondego, com
percentagens abaixo de 7%.

42 Análise sumária do CLC90-R, CLC-2000, e CLC-alterações de Portugal Continental


5. Avaliação da exactidão
temática do CLC2000

O produto principal da avaliação da exactidão No esquema de amostragem, a área coberta por


temática é um conjunto de índices que traduzem cada fotografia (1000 ha) foi considerada um
a conformidade da cartografia produzida com a conglomerado (cluster) de polígonos. Para
realidade, quer ao nível global quer ao nível de garantir uma cobertura homogénea do território
classes individuais. Estes índices de exactidão nacional sistematizou-se a amostra utilizando
temática devem ser tidos em conta em qualquer como base as unidades de trabalho do CLC2000
utilização da cartografia CLC2000. (i.e., folha 1:100 000). A opção de fazer uma
amostragem por conglomerados sistematizada
Todo o processo de avaliação da exactidão permite optimizar a utilização das fotografias que
temática da cartografia CLC2000 foi realizado por teriam que se adquirir, pois esse esquema de
uma equipa que não esteve envolvida na fase de abordagem possibilita a utilização de toda a área
produção da cartografia, garantindo-se assim a da fotografia no processo de validação (Congalton
independência necessária dos dois processos. e Green, 1999; Stheman e Czaplewsky, 1998;
Stehman, 1999).
Neste relatório a avaliação da exactidão temática
é apresentada de uma forma muito resumida. Os Para determinar o número de polígonos a
detalhes do processo, nomeadamente os amostrar utilizou-se uma distribuição multi-
fundamentos estatísticos da amostragem e dos nomial, seguindo as recomendações de Congalton
estimadores utilizados, devem ser consultados e Green (1999), uma vez que numa matriz de
em Caetano et al. (2005b). erros, a questão não é apenas saber se um
polígono está bem ou mal classificado, mas
5.1. Métodos também distribuir os erros de classificação pelas
diferentes classes da nomenclatura. O número de
amostras a definir depende por um lado da
A avaliação da exactidão temática da cartografia amplitude máxima do intervalo de confiança e,
CLC2000 baseia-se na comparação da cartografia por outro lado, da significância que se pretende
com a "verdade terreno" para um conjunto de dar a esse mesmo intervalo (Hord e Brooner,
unidades amostrais, seguida da elaboração de 1976; Hay, 1979).
uma matriz de erro, que é depois utilizada para
derivar índices de avaliação da exactidão Para determinar o número de fotografias a
temática. As características da amostragem adquirir (i.e., conglomerados) fez-se uma pré-
(Tabela 15) foram definidas de forma a que os -amostragem utilizando-se uma versão
índices de avaliação da qualidade derivados para preliminar de Outubro de 2004 da cartografia
as amostras pudessem ser inferidos para todo o CLC2000, já que a versão final do CLC2000 não
território nacional com um nível de confiança de estava finalizada na altura em que se iniciou a
95%. definição da estratégia de validação. O número de
fotografias que seria necessário adquirir para
derivar índices de exactidão específicos para
Tabela 15 - Características da avaliação da exactidão temática
da cartografia CLC2000. classes do 3º nível pouco representadas no
território nacional era extremamente elevado,
Dados de referência (utilizados Ortofotomapas 1:5 000 do INGA resultando num custo incomportável no âmbito
para derivar a "verdade terreno") do ano de 2000 do Projecto CLC2000 Portugal. Na altura
Unidade de amostragem Polígono da cartografia
tomou-se então a decisão de se lançar 4
conglomerados por unidade de trabalho, que
Esquema de amostragem Amostragem por conglomerados resultou de um compromisso entre o custo da
sistematizada
avaliação da exactidão temática (i.e., preço
Número de conglomerados 144 das fotografias, recursos humanos para
Fracção de amostragem 1.5 %
interpretação das fotografias, tempo) e o número
de classes do 3º nível da nomenclatura CLC a
Índices de avaliação da exactidão Índice global de exactidão temática avaliar. Com este processo de amostragem, e
temática e índices específicos de exactidão
temática do produtor e do depois de se excluírem as unidades amostrais que
utilizador se localizavam fora de Portugal Continental,
foram definidos 144 conglomerados
(i.e., ortofotomapas) (Fig. 27).

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 43
Para cada ortofotomapa foi produzido, por
interpretação visual, um mapa de ocupação/uso
do solo (i.e. CLC-REF), tendo-se desprezado
todos os polígonos fronteira que tinham uma área
inferior à AMC, i.e. 25 ha. Para produzir o
CLC-REF, disponibilizou-se ao fotointérprete um
ficheiro vectorial do CLC2000 apenas com a
delimitação das manchas de ocupação/uso do
solo, sem no entanto se disponibilizar a classe
CLC de cada polígono do CLC2000. O
fotointérprete atribuiu então um código CLC a
cada polígono, tendo redefinido os limites das
manchas de ocupação/uso do solo sempre que
necessário.

Na Fig. 28 ilustra-se uma situação em que o


CLC2000 não tinha, segundo o fotointérprete, a
delimitação correcta de manchas de
ocupação/uso do solo, obrigando-o a redefinir as
manchas de maneira a que estas traduzissem
mais fielmente a realidade. Para manter o
processo de avaliação da exactidão temática
independente do processo de produção,
seleccionou-se um fotointérprete para produzir o
CLC-REF que não tivesse estado envolvido na
produção do CLC2000.

Figura 28 - Polígonos do CLC2000 (azul) e do CLC-REF


(vermelho) para uma unidade amostral.

Figura 27 - Distribuição espacial das unidades amostrais para


avaliação da exactidão temática do CLC2000.
Na interpretação das fotografias não foi possível
distinguir com confiança e com critérios
objectivos as diferenças entre as classes 211
(Culturas anuais de sequeiro), 212 (Culturas
anuais de regadio) e 231 (Pastagens), pelo que
estas foram agrupadas numa megaclasse, aqui
designada por classe 210. Também não foi
possível estabelecer a distinção entre as classes
Pastagens naturais (321), Matos (322) e
Vegetação esclerofítica (323), tendo-se criado a
megaclasse 320. Assim, a avaliação da exactidão
temática da cartografia CLC no 3º nível inclui 38
classes.

44 Avaliação da exactidão temática do CLC2000


Na Tabela 16 apresenta-se o número de polígonos Tabela 16 - Número de polígonos do CLC2000 de Portugal
Continental e do CLC-REF das unidades amostrais, e sua
no CLC2000 de Portugal Continental e no CLC- percentagem em relação ao total.
REF para as unidades amostrais (já com exclusão
dos polígonos fronteira inferiores a 25 ha).
CLC2000 CLC2000
Depois de se ter produzido o CLC-REF voltou-se a Classe Nº Polígonos % Nº Polígonos %
calcular, com base na distribuição multinomial, o
111 135 0.30 2 0.18
número mínimo de polígonos de cada classe nas
unidades amostrais para que os resultados 112 1816 3.97 26 2.37

obtidos na amostra pudessem ser inferidos para 121 407 0.89 7 0.64
toda a cartografia CLC2000. Considerando o nível
122 48 0.10 1 0.09
de confiança de 95% e fixando um erro padrão
máximo de 0.06, verificou-se que cada classe 123 31 0.07 0.00

teria que ter 9 polígonos na amostra para que os 124 26 0.06 0.00
índices tivessem significado estatístico.
131 220 0.48 3 0.27

Na Tabela 17 apresentam-se as classes de cada 132 9 0.02 1 0.09

nível da nomenclatura CLC para as quais foi 133 86 0.19 2 0.18


possível calcular índices de exactidão temática
141 14 0.03 0.00
específicos com significado estatístico, i.e. para
que os resultados obtidos nas amostras possam 142 69 0.15 3 0.27

ser inferidos para toda a população. Das classes 210 4521 9.89 134 12.24
do nível 3 pertencentes aos Territórios
213 186 0.41 5 0.46
artificializados, Zonas húmidas e Massas de água,
os índices só tem significado estatístico para a 221 1341 2.93 49 4.47

classe 112. Este resultado era esperado porque 222 535 1.17 8 0.73
são classes muito pouco abundantes em termos 223 1618 3.54 55 5.02
de área e de número de polígonos, e por isso não
foram captadas em número suficiente (i.e., 9) 241 2205 4.82 42 3.84

pelas unidades amostrais. Por outro lado, 242 3740 8.18 94 8.58
praticamente todas as classes do nível 3 das 243 6274 13.72 100 9.13
Áreas agrícolas e de Florestas e meios semi-
244 2073 4.53 62 5.66
-naturais são bastante abundantes.
Consequentemente, essas classes são captadas 311 3124 6.83 104 9.50
pelas unidades amostrais em número suficiente 312 2717 5.94 50 4.57
para que se possa inferir com significado
313 2805 6.14 68 6.21
estatístico os índices para toda a cartografia
CLC2000 a partir da amostra. 320 3308 7.24 86 7.85

324 5707 12.48 151 13.79


O CLC-REF foi depois sobreposto ao CLC2000 em
331 88 0.19 4 0.37
ambiente SIG para se estimarem as áreas de
concordância e não concordância temática entre 332 84 0.18 1 0.09
os dois produtos. As inscrições na matriz (onde as 333 216 0.47 10 0.91
colunas representam o CLC-REF e as linhas o
334 189 0.41 3 0.27
CLC2000) foram feitas em termos de área (ha).
411 12 0.03 0.00

421 102 0.22 4 0.37

422 53 0.12 5 0.46

423 11 0.02 1 0.09

511 61 0.13 2 0.18

512 218 0.48 6 0.55

521 17 0.04 1 0.09

522 218 0.48 5 0.46

523 1436 3.14 0.00

Total 45720 100.00 1095 100.00

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 45
Tabela 17 - Classes de cada nível da nomenclatura para as
quais se podem derivar índices específicos de exactidão
5.2. Resultados
temática da cartografia CLC2000 com base na amostragem
adoptada e com significado estatístico. Exactidão temática global

Número total Na Tabela 18 apresentam-se os índices de


de classes CLC Classes CLC
Nível da Número de cuja exactidão cuja exactidão exactidão temática global da cartografia CLC2000
nomenclatura classes CLC temática pode temática pode para os 3 níveis da nomenclatura CLC.
CLC existentes em ser avaliada ser avaliada
Portugal com com
significado significado O índice global de exactidão temática estimado
estatístico estatístico
da cartografia CLC2000 de Portugal com o 3º
1 5 5 1, 2, 3, 4 e 5 nível da nomenclatura CLC é de 82.84% com um
intervalo de confiança de 80.47 a 85.20,
2 15 8 11, 12, 22, 24, respeitando-se assim as exigências da Agência
31, 32, 33 e 42
Europeia do Ambiente sobre a exactidão temática
3 42 12 112, 221, 223, da cartografia CLC2000.
241, 242, 243,
244, 311, 312, Tabela 18 - Índices de exactidão temática global para a
313, 324 e 333
cartografia CLC2000 nos três níveis da nomenclatura CLC.

Nível da Índice global de Intervalo de


nomenclatura exactidão temática confiança a 95%
Os índices de avaliação da exactidão temática CLC (%) (%)
foram calculados para toda a cartografia (i.e., Nível 1 97.59 86.62 – 100.00
índice global) e para cada classe individualmente
Nível 2 90.12 77.64 – 100.00
(i.e., índices específicos). O índice global e os
Nível 3 82.84 80.47 – 85.20
índices específicos foram derivados para os 3
níveis da nomenclatura CLC.

O índice global de exactidão temática exprime a Exactidão temática específica do CLC2000


proporção da cartografia de referência (i.e.,
CLC-REF, que traduz a “verdade terreno”) que foi Na Tabela 19 apresenta-se a matriz de erro
correctamente classificada no CLC2000. construída com base nos dados da amostra de
avaliação de exactidão temática do CLC2000. Os
Os índices específicos de exactidão temática aqui índices específicos de exactidão temática do
calculados foram: produtor (IEP) e do utilizador (IEU) para as
classes do nível 3 da nomenclatura CLC do
• índice específico de exactidão temática do
CLC2000 das unidades amostrais são
utilizador (IEU) de uma determinada classe —
apresentados na Tabela 20. Apresentam-se
exprime a proporção da área dessa classe na
apenas os índices para as classes que têm
cartografia CLC2000 da amostra que foi
polígonos amostrados nos 2 produtos
correctamente classificada.
cartográficos, e que compreendem todas as
• índice específico de exactidão temática do classes do nível 3 da nomenclatura CLC, à
produtor (IEP) de uma determinada classe — excepção das classes 111, 123, 124, 141 e 411.
expressa a proporção da área dessa classe na
cartografia de referência (CLC-REF) que foi Os valores elevados do IEP e do IEU para quase
correctamente identificada. todas as classes confirmam que o produto
CLC2000 nas unidades amostrais tem uma
Os intervalos de confiança de todos os índices excelente qualidade. Uma análise do IEP com
foram calculados com base em Cochran (1977) e base na Tabela 20 revela que a grande maioria
Rossiter (2001). das classes apresenta valores muito elevados e
superiores a 85%. Existem apenas 8 classes que
apresentam IEP abaixo de 85%, i.e.: 133, 222,
223, 241, 244, 311, 312, 313 e 324. Destas, as
classes 241, 311, 312 têm IEP superiores a 80%.
No que respeita ao IEU, o índice que mais
interessa a quem vai utilizar o produto CLC2000,
os valores são também bastante bons. Apenas 9
classes têm IEU inferiores a 85%: 222, 241, 242,
243, 312, 313, 320, 324 e 333. No entanto, as
classes 243 e 324 têm valores acima de 80%.

46 Avaliação da exactidão temática do CLC2000


Tabela 19 - Matriz de erro para a amostra de avaliação da exactidão temática da cartografia CLC2000.

CLC-REF
CLC
2000 111 112 121 122 123 124 131 132 133 141 142 210 213 221 222 223 241 242 243 244 311 312 313 320 324 331 332 333 334 411 421 422 423 511 512 521 522 523 Total

111 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

112 53 1540 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1593

121 0 0 444 0 0 0 0 0 27 0 0 0 0 23 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 494

122 0 0 0 31 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 31

123 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

124 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

131 0 0 0 0 0 0 193 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 193

132 0 0 0 0 0 0 0 35 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 35

133 0 0 0 0 0 0 0 0 32 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 32

141 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

142 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 178 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 178

210 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 18559 26 9 0 182 0 283 83 1125 19 0 0 47 889 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 21223

213 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 20 224 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 244

221 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 96 0 4040 0 41 6 78 8 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4269

222 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 353 108 0 0 0 0 108 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 569

223 0 28 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3372 0 0 0 11 8 0 0 0 25 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3445

241 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 101 0 0 0 721 3758 509 102 79 0 0 0 46 66 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5381

242 0 145 0 0 0 0 0 0 0 0 0 287 0 109 37 339 722 6418 117 123 12 0 0 20 19 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 8348

243 0 25 0 0 0 0 0 0 0 0 0 447 0 60 97 32 90 261 7262 68 136 0 32 22 390 0 0 10 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 8934

244 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 106 0 0 0 0 0 0 0 5099 153 0 0 0 365 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5724

311 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 7 0 0 0 0 0 7 0 71 17246 179 376 44 493 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 18423

312 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 9 0 0 0 1 4 0 863 5703 1753 0 1106 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 9438

313 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 11 0 0 708 762 6230 0 776 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 8487

320 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 0 6 11 167 6 0 0 8 7813 2011 31 0 106 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 10162

324 0 0 44 0 0 0 0 0 0 0 0 35 0 3 0 0 0 12 5 74 1603 167 576 492 13765 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 16777

331 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 176 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 177

332 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 152 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 152

333 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 391 134 0 0 1457 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1988

334 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 14 0 0 0 0 0 207 0 0 0 0 0 0 0 0 0 221

411 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

421 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1064 0 0 0 0 0 0 0 1064

422 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 519 0 0 0 0 0 0 522

423 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 116 0 0 0 0 0 116

511 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 99 0 0 0 0 99

512 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 237 0 0 0 237

521 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 51 0 0 51

522 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 54 0 0 0 0 1148 0 1202

523 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 21 21

Total 53 1738 488 31 0 0 193 35 58 0 179 19659 251 4255 491 4795 4582 7592 7748 6655 20856 6816 8989 8875 20040 207 152 1572 207 0 1065 574 116 99 237 51 1148 21 129830

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 47
Tabela 20 - Índices de exactidão temática do produtor (IEP) e As classes que apresentam IEP e IEU menos bons
do utilizador (IEU) para as classes do nível 3 da nomenclatura
CLC da cartografia CLC2000 derivados com base em dados das
pertencem, na sua maioria, à classe do nível 1 da
unidades amostrais. nomenclatura CLC Florestas e meios semi-
naturais, e resultam de confusões entre elas.
Uma análise da matriz de erro apresentada na
IEP (%) IEU (%) Tabela 19 revela que algumas áreas identificadas
como Florestas de resinosas (312) no CLC2000
111
são na verdade Florestas mistas (313) e Espaços
112 88.59 96.66 florestais degradados, cortes e novas plantações
121 91.08 89.96 (324). Por outro lado, algumas áreas que na
verdade pertenciam à classe 324 foram
122 100.00 100.00
cartografadas no CLC2000 sobretudo como
123 vegetação arbustiva e herbácea (320, a classe
124 que resultou da fusão entre 321, 322 e 323), mas
também como Florestas de resinosas (312) e
131 100.00 100.00
Florestas mistas (313). Algumas áreas de
132 100.00 100.00 Florestas mistas (313) foram, por outro lado,
133 54.57 100.00 classificadas no CLC2000 como Florestas de
141
resinosas (312).

142 99.89 100.00 As confusões entre classes florestais eram já


210 94.41 87.45 esperadas, pela incerteza com que muitas vezes
213 89.50 92.00
foram identificadas e delimitadas no CLC2000. As
florestas em Portugal têm graus de coberto
221 94.94 94.64
reduzidos, fazendo com que o sinal espectral
222 71.80 61.99 captado pelo satélite seja muito influenciado pelo
223 70.32 97.89
sub-coberto, que pode ser igual nos vários tipos
de floresta e, por isso, dificultar a correcta
241 82.02 69.83
identificação do tipo de floresta. Este facto afecta
242 84.54 76.89 sobretudo a distinção entre povoamentos mistos
243 93.72 81.29
e de resinosas, já que o sinal espectral para além
de ser semelhante para os dois tipos de florestas
244 76.61 89.08
é também muito parecido com o das espécies de
311 82.69 93.61 matos que podem existir no sub-coberto.
312 83.67 60.43
Também foi difícil estabelecer um limiar para o
comportamento espectral a partir do qual uma
313 69.31 73.41
floresta deixa de ser pura de resinosas para
320 88.03 76.88 passar a ser mista. Por outro lado, as bases de
324 68.69 82.05 dados auxiliares relacionadas com o coberto
florestal nem sempre puderam ser utilizadas com
331 85.14 99.47
confiança por falta de concordância entre elas.
332 100.00 100.00

333 92.65 73.27 As confusões introduzidas pela classe Espaços


florestais degradados, cortes e novas plantações
334 100.00 93.52
(324) resultam da dificuldade em saber (com
411 base no comportamento espectral) se uma
421 99.88 100.00 floresta que foi percorrida por um incêndio já
recuperou, ou não, dos seus efeitos. Por outro
422 90.56 99.42
lado, também é difícil estabelecer o limiar da
423 100.00 100.00 radiância de um povoamento jovem a partir do
511 99.95 100.00 qual passa ao estado adulto e, por isso, dever ser
classificado como classe florestal. De referir ainda
512 100.00 100.00
a confusão entre a classe 324 e a vegetação
521 99.93 99.31 arbustiva (320), por ser difícil de identificar a
522 100.00 95.50 presença de 10% de coberto florestal em zonas
de matos, limiar considerado para distinguir uma
523 100.00 100.00
zona de matos de uma floresta degradada (324).
Nota: A classe 210 resulta da fusão das classes 211, 212 e 231.
A classe 320 resulta da fusão das classes 321, 322 e 323.

48 Avaliação da exactidão temática do CLC2000


Importa agora fazer a análise da qualidade da Nesta tabela inclui-se a megaclasse 20 (fusão das
cartografia CLC2000 de todo o Portugal classes 211, 212 e 231), apesar de não ser uma
Continental e não apenas das unidades classe do nível 2. Uma análise da tabela revela
amostrais. Com base na estratégia de que as classes 31 e 42 apresentam intervalos de
amostragem definida, as classes cujos IEP e IEU confiança dos dois índices específicos de
podem ser inferidos para Portugal Continental exactidão temática bastante elevados, em que o
foram apresentadas na Tabela 17. limite inferior é superior a 85%. As classes 11,
12, 20, 22, 24, 32 e 33 têm pelo menos um índice
Os índices específicos de exactidão temática do cujo intervalo de confiança inclui o valor 85%,
utilizador (IEU) e do produtor (IEP) para as não se podendo por isso afirmar que os índices de
classes do nível 1 da cartografia CLC2000 exactidão não são superiores a 85%.
apresentam-se na Tabela 21. Ao nível 1 da
nomenclatura CLC, todas as classes do CLC2000 Os IEU e IEP das classes do nível 3 da
foram validadas com significado estatístico e nomenclatura da cartografia CLC2000 de Portugal
apresentam índices de exactidão temática do Continental apresentam-se nas Fig. 29 e 30,
utilizador e do produtor extraordinariamente respectivamente. Algumas classes apresentam
elevados, com um nível de confiança de 95%. grandes amplitudes do intervalo de confiança
(e.g., 312, 333) devido à heterogeneidade da
Na Tabela 22 apresentam-se os índices de exactidão temática dessas classes entre unidades
exactidão temática do produtor e do utilizador amostrais. No entanto, também existem muitas
para as classes do nível 2 da nomenclatura CLC. classes que têm intervalos de confiança bastante
pequenos.

Tabela 21 - Índices específicos de exactidão temática do produtor (IEP) e do utilizador (IEU) para classes do nível 1 da cartografia
CLC2000 de Portugal Continental.

Índice específico de Intervalo de confiança Índice específico de Intervalo de confiança


Classe CLC exactidão temática do do IEP a 95% (%) exactidão temática do do IEU a 95% (%)
produtor (IEP) (%) utilizador (IEU) (%)

1 91.28 83.42 – 99.15 99.10 97.63 – 100.00

2 99.18 98.72 – 99.64 95.59 94.34 – 96.83

3 96.50 95.35 – 97.66 99.28 98.87 – 99.68

4 96.84 91.86 – 100.00 99.82 99.52 – 100.00

5 99.99 99.99 – 100.00 96.62 91.23 – 100.00

Tabela 22 - Índices específicos de exactidão temática do produtor (IEU) e do utilizador (IEU) para classes do nível 2 da cartografia
CLC2000 de Portugal Continental.

Índice específico de Intervalo de confiança Índice específico de Intervalo de confiança


Classe CLC exactidão temática do do IEP a 95% (%) exactidão temática do do IEU a 95% (%)
produtor (IEP) (%) utilizador (IEU) (%)

11 88.93 77.46 – 100.00 100.00 100.00 – 100.00

12 91.62 78.79 – 100.00 90.56 83.47 – 97.64

20 94.58 91.78 – 97.37 87.71 83.79 – 91.64

22 82.94 75.59 – 90.30 95.56 92.64 – 98.48

24 92.59 89.73 – 95.46 86.69 82.98 – 90.41

31 92.25 89.46 – 95.04 93.05 89.71 – 96.39

32 83.28 78.84 – 87.72 89.39 85.45 – 93.33

33 93.15 86.46 – 99.85 78.46 61.95 – 94.68

42 96.84 91.86 – 101.83 99.82 99.52 – 100.00

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 49
IEU (%) Uma análise da Fig 29 mostra que, relativamente
1 ao índice específico de exactidão do utilizador
0,9 (IEU), as classes 112, 221, 223 e 311 têm
0,8
intervalos de confiança em que o limite inferior é
0,7
superior a 85%, o que revela que as áreas
pertencentes a estas classes estão, com 95% de
0,6
confiança, bastante bem identificadas. Existe
0,5
depois um segundo grupo de classes em que o
0,4
limiar de 85% está incluído no intervalo de
0,3
confiança, i.e. 242, 243, 244, 313, 324 e 333, o
0,2
que revela que não se pode afirmar que as
0,1 classes não estão bem identificadas. As classes
0 241 e 312 têm intervalos de confiança em que o
112

221

223

241

242

243

244

311

312

313

324

333

limite superior é inferior a 85%, o que significa


Classe CLC que as classes não foram identificadas com um
IEU superior a 85%.
Figura 29 - Intervalo de confiança do índice específico de
exactidão do utilizador (IEU) das classes do nível 3 da
nomenclatura CLC da cartografia CLC2000 de Portugal
No que respeita ao índice específico de exactidão
Continental. A linha azul indica o valor de 85%. do produtor (IEP), as classes 221 e 243 foram
bastante bem identificadas, já que os seus
intervalos de confiança têm o limite inferior
superior a 85% (Fig. 30). As classes 112, 241,
242, 244, 311, 312 e 333 têm um intervalo de
confiança que inclui o valor de 85%, não se
IEP (%)
podendo por isso afirmar que o seu IEP não atinja
1
o limiar de 85%. Por último temos as classes 223,
0,9 324 e 313 que não foram identificadas com um
0,8 IEP mínimo de 85%, já que o limite superior do
0,7 intervalo de confiança é inferior a 85%.
0,6
0,5 Em conclusão podemos dizer, com 95% de
0,4 confiança, que a cartografia CLC2000 de Portugal
0,3 Continental apresenta índices globais de
0,2 exactidão temática bastante elevados quando
0,1 representada em qualquer um dos 3 níveis da
0 nomenclatura CLC2000. No que respeita aos
índices específicos do utilizador e do produtor das
112

221

223

241

242

243

244

311

312

313

324

333

classes do 3º nível da nomenclatura CLC que


Classe CLC podem ser inferidos para a cartografia CLC2000
de Portugal Continental, pode-se afirmar com
Figura 30 - Intervalo de confiança do índice específico de
exactidão do produtor (IEP) das classes do nível 3 da 95% de confiança que apenas as classes 223,
nomenclatura CLC da cartografia CLC2000 de Portugal 241, 312, 313 e 324 apresentam índices
Continental. A linha azul indica o valor de 85%. inferiores a 85%.

50 Avaliação da exactidão temática do CLC2000


6. Disseminação de Segundo o acordo assinado, os produtos
I&CLC2000 para utilizações não comerciais não
produtos CLC têm custo, ou apenas um custo marginal
(reprodução e distribuição). Os utilizadores têm
que preencher um formulário de requisição, onde
6.1. Política de disseminação de caracterizam o tipo de utilização que irão fazer
produtos dos dados. A política de disseminação dos
produtos I&CLC2000 nacionais para usos
A política de distribuição dos 12 produtos finais comerciais é definida pelo Instituto do Ambiente,
do Projecto I&CLC2000, ao contrário do primeiro com excepção do produto 1, cuja política de
CLC90, foi definida e acordada entre a Comissão distribuição será definida pela empresa que
Europeia e os Estados-membros desde o início do realizou a orto-rectificação das imagens de
projecto (EEA, 2002). O ISEGI, o IA e a AEA satélite.
assinaram um acordo que define a política de
distribuição dos produtos I&CLC2000 (nacionais e 6.2. Aplicação para disseminação
europeus) para utilizações não comerciais dos produtos CLC
(e.g., investigação, educação).
Para facilitar e tornar eficaz o acesso e
No que respeita a utilizações não comerciais dos disseminação de produtos do Projecto CLC2000
produtos, o Instituto do Ambiente é responsável Portugal desenvolveu-se uma aplicação para a
pela cedência dos produtos nacionais internet. A aplicação consiste num Site WebGIS
(i.e., produtos 1, 2, 3, 4 e 11) e a AEA é (Fig. 31), que dará acesso a toda a informação
responsável pela cedência dos produtos europeus resultante do projecto CLC2000 Portugal, sendo
(i.e., produtos 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 12), mas a os produtos cartográficos disponibilizados em
disponibilização dos produtos 6 e 7 requer a formato shapefile e as imagens em formato .img.
autorização prévia do Instituto do Ambiente.

Figura 31 - Aspecto geral do Site WebGIS do CLC2000 Portugal.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 51
A aplicação foi desenvolvida com recurso à extrair os temas que estão activos, com a área
tecnologia ArcIMS, que permite criar mapas visível no mapa e compactá-los num ficheiro do
interactivos com funcionalidades SIG, desenhar tipo WinZip (ESRI, 2000a). Esta funcionalidade
páginas para a Internet e integrar mapas está disponível no Software ArcIMS, sendo
distribuídos (ESRI, 2000c). Foi utilizado o tipo de apenas necessário para a sua utilização inserir
visualização HTMLViewer, não havendo por isso uma extensão do tipo "Extract" no ficheiro de
necessidade de instalação de plugins por parte do configuração do mapa e efectuar uma pequena
utilizador (ESRI, 2000b). O site tem as customização nos ficheiros do WebSite (Machado
ferramentas básicas de navegação e de pesquisa J. et al., 2002). A outra funcionalidade que
mas não permite a realização de operações mais permite o download da informação disponível no
avançadas de análise espacial. WebSite consiste numa página em que estão
disponíveis todos os temas a que os utilizadores
Toda a interface gráfica da aplicação foi têm acesso, em ficheiros do tipo WinZip, sem
customizada para que o grafismo fosse mais limite máximo de ficheiros para download. Estes
atractivo para os utilizadores. O site está ficheiros foram previamente compactados,
organizado em quatro zonas fundamentais, com o agrupando cada tema com os respectivos
mapa à esquerda, ocupando a zona central do metadados.
site, as funcionalidades disponíveis em cima, e a
legenda, o mapa de navegação e a lista dos Para que os utilizadores tenham acesso a estas
temas, à direita. Para o mapa de navegação, foi duas últimas funcionalidades, têm de aceitar os
criado um novo serviço do ArcIMS, apenas com o termos de utilização da informação
tema dos concelhos de Portugal, para facilitar a disponibilizada e de preencher um formulário
localização da área que está a ser visualizada. A sobre a utilização da mesma. O preenchimento
página de impressão foi também customizada, de desse formulário será anterior ao acesso aos
modo a possibilitar aos utilizadores a impressão ficheiros. A informação e os dados do formulário
de um relatório que contenha o mapa da área serão gravados numa base de dados para que
pretendida, o mapa de enquadramento dessa possam ser tratados posteriormente.
área em Portugal Continental, a indicação do
Norte e a escala em que se encontra o mapa. É
também possível aos utilizadores inserir o título
que pretendem atribuir ao mapa.

Para que os utilizadores tenham uma


interpretação correcta das funcionalidades do
WebSite e dos temas disponibilizados, foi criado
um menu de ajuda que explica como deverá ser
utilizada cada uma das funcionalidades e como
deverá ser interpretada a legenda dos temas
disponíveis. Este menu possui uma ligação a uma
base de dados, onde estão armazenadas todas as
informações necessárias para a correcta
utilização do WebSite.

A pesquisa da informação pode ser efectuada por


nome do concelho e número da folha. Para que
esta pesquisa se torne mais fácil para todo o tipo
de utilizadores, foi activada a funcionalidade do
ArcIMS que permite pesquisas não sensíveis à
forma de escrita (ESRI, 2000b). Dentro das
funcionalidades de exploração dos dados,
implementou-se ainda a funcionalidade
“Identificar”, que permite ao utilizador ter acesso
à informação respeitante às características de
uma determinada zona do mapa.

Foram adicionadas ainda duas funcionalidades


que permitem efectuar o download de informação
para o computador local dos utilizadores. A
primeira destas funcionalidades consiste em

52 Disseminação de produtos CLC


7. Considerações finais
A importância e utilidade dos produtos CLC2000 Portugal são uma prova de que as
cartográficos CLC, enquanto retrato do país para imagens de satélite podem, de facto, ser
o período entre 1985/86/87 e 2000, serão utilizadas para produção de cartografia temática
ditadas pelos estudos em que venham a ser de ocupação/uso do solo. No entanto, é
utilizados. A análise da dinâmica da paisagem importante referir que o detalhe e exactidão
portuguesa de 1985/86/87 a 2000, efectuada por temáticos atingidos na cartografia CLC apenas
Caetano et al. (2005a), é apenas um dos muitos foram possíveis porque a interpretação das
estudos que se podem fazer com os produtos imagens foi auxiliada por um conjunto de dados e
CLC. informação disponibilizados por várias entidades.
A disponibilização, por parte de outras
A utilização adequada dos produtos CLC requer instituições, de mais informação referente à
um conhecimento profundo da nomenclatura ocupação/uso do solo teria contribuído para um
CLC, assim como das regras de generalização acréscimo da qualidade dos produtos e,
utilizadas para gerar produtos com uma área consequentemente, beneficiado todos os seus
mínima cartográfica de 25 ha, no caso do potenciais utilizadores.
CLC90-R e CLC2000, e de 5 ha, no caso do
CLC-alterações. Assim, os autores recomendam a Dado que o detalhe temático da nomenclatura
leitura das descrições das classes no CORINE CLC só pode ser alcançado através de um
Land Cover Technical Guide – Addendum trabalho exaustivo de interpretação visual de
(Bossard et al., 2000) e do presente documento. imagens de satélite com recurso a informação
O conhecimento das especificações técnicas dos auxiliar, o processo de produção da cartografia
produtos CLC2000 é particularmente importante CLC tende a ser bastante moroso e dispendioso,
quando se pretender utilizá-los em conjunto com dificultando actualizações periódicas. Repare-se
outras cartografias com características diferentes, que o primeiro CLC para Portugal Continental
nomeadamente no que respeita à escala, área tinha sido produzido 10 anos antes (i.e., CLC90),
mínima e nomenclatura. sem que tivesse ocorrido qualquer actualização
até à produção do CLC2000. Se a nomenclatura
A maior parte do esforço no Projecto CLC2000 for menos detalhada, poder-se-á recorrer a
Portugal concentrou-se no melhoramento da processos mais automatizados, o que permitirá
primeira versão do CLC90 para produção de uma aumentar a velocidade de produção, diminuir os
cartografia revista, o CLC90-R. Em relação ao custos e, consequentemente, possibilitar uma
CLC90, foram especialmente melhorados a maior frequência de actualização.
exactidão geométrica e o conteúdo temático,
tendo o número de polígonos aumentado cerca de
50% e a sua área média decrescido em cerca de
125 ha. Na produção do CLC90-R alterou-se a
classe de ocupação/uso do solo do CLC90 original
em 45% da área de Portugal Continental.

Os produtos CLC ilustram a grande complexidade


e diversidade da paisagem portuguesa. Para a
representar foram usadas 42 das 44 classes CLC,
tendo a paisagem exibido forte dinâmica no
período em análise. Apesar da significativa
expansão dos territórios artificializados
(66 738 ha), a paisagem continua a ser dominada
por usos e ocupações agrícolas e por florestas e
meios semi-naturais, que em conjunto ocupam
96% do território no ano 2000. Entre 1985/86/87
e 2000, e considerando as 42 classes do 3º nível
da nomenclatura CLC, 11% da área de Portugal
Continental sofreu alterações de ocupação/uso de
solo.

Os resultados atingidos no âmbito do Projecto

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 53
Lista de Acrónimos
AEA Agência Europeia do Ambiente
AMC Área Mínima Cartográfica
AML Área Metropolitana de Lisboa
CAOP Carta Administrativa Oficial de Portugal
CE Comissão Europeia
CELPA Associação da Indústria Papeleira
CLC CORINE Land Cover
CLC2000 CORINE Land Cover 2000
CLC90 CORINE Land Cover 1990
CLC90-R CORINE Land Cover 1990 Revisto
CLC-alterações CORINE Land Cover alterações
CLC-DIF Produto cartográfico resultante do cruzamento do CLC90 com o CLC2000
CLC-REF Cartografia CORINE Land Cover de referência para a amostra
CORINE Co-ordination of Information on the Environment
COS Carta de Ocupação do Solo
DGRF Direcção Geral de Recursos Florestais
DRAOT Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território
EIONET European Environment Information and Observation Network
ESRI Environmental Systems Research Institute
ETC/TE European Topic Centre on Terrestrial Environment
ETM Enhanced Thematic Mapper
GCP Ground Control Points
GPS Global Positioning System
HFA High Frequency Addition
I&CLC2000 IMAGE and CORINE Land Cover 2000
IA Instituto do Ambiente
ICN Instituto de Conservação da Natureza
IDRHa Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica
INE Instituto Nacional de Estatística
INGA Instituto Nacional de Garantia Agrícola
ISO International Standards Organization
IVV Instituto da Vinha e do Vinho
JRC Centro Comum de Investigação
LUCAS Land Use/Cover Area Frame Statistical Survey
MSS Multispectral Scanner
NUTS Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos
PC Ponto de controlo
RGB Red Green Blue
RMSE Erro médio quadrático
SIG Sistema de Informação Geográfica
TM Thematic Mapper
USA United States of America
WRS World Reference System

54
Bibliografia

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Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 55
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Urbano (DGOTDU), Lisboa.

56 Bibliografia
Anexo A

Equipa do CLC2000 Portugal

Coordenação:
Marco Painho
Mário Caetano

Comité Director:
Marco Painho (ISEGI)
Leonor Gomes (IA)
Rui Pedro Julião (IGP)

Equipa técnica
Sérgio Freire (Apoio à coordenação)
Ana Bastos (Apoio à coordenação)
António Nunes (Especialista SIG)

António Ferreira (Intérprete de imagem)


Cândida Rodrigues (Intérprete de imagem)
Cristina Seabra (Intérprete de imagem)*
Fernando Mata (Análise estatística – avaliação da exactidão temática)
Hugo Carrão (Operador SIG)
Hugo Santos (Intérprete de imagem)
Leonor Silva (Intérprete de imagem)*
Maria Alexandra Fernandes (Intérprete de imagem)
Maria da Conceição Pereira (Revisão do texto)
Miguel André Oliveira (Operador SIG)
Nelson Silva (Intérprete de imagem)*
Paula Amaral (Intérprete de imagem)
Paula Curvelo (Revisão do texto)
Paulo Falcão (Intérprete de imagem)
Pedro Marrecas (Fotointérprete – avaliação da exactidão temática)
Susana Paulo (Intérprete de imagem)
Teresa Santos (Intérprete de imagem)
Vasco Nunes (Operador SIG)

*colaboração no âmbito de um Protocolo entre o ISEGI e a Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do


Território do Centro (DRAOT-C)

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 A-1
Anexo B

Comité de Acompanhamento do CLC2000 Portugal

INSTITUIÇÃO REPRESENTANTE

Associação da Indústria Papeleira – CELPA Luís Costa Leal

Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo – CCR Lisboa e Vale Vital Rosário, Marta Alvarenga
do Tejo

Comissão de Coordenação da Região do Algarve – CCR Algarve João Faria

Comissão de Coordenação da Região Norte – CCR Norte Ricardo Sousa

Direcção Geral das Florestas – DGF António Leite

Direcção Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano – DGOTDU Maria Virgínia Faria de Almeida, Helena Presas

Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral – DRABL António Elísio Marques Godinho

Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho – DRAEDM Paulo Valadas de Castro, Silvino Sousa

Direcção Regional de Agricultura de Trás-os-Montes – DRATM Francisco Rodrigues Alves

Direcção Regional de Agricultura do Alentejo – DRAAL Manuel Sobral, Graça Carneiro

Direcção Regional de Agricultura do Algarve – DRAALG Sabino Silvestre

Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território de Lisboa e Vale do Marta Alvarenga, Ricardo Simões
Tejo - DRAOT Lisboa e Vale do Tejo

Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território do Algarve – DRAOT Sandra Correia


Algarve

Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território do Centro – DRAOT António Veiga Simão
Centro

Instituto da Água – INAG João Pedro Avillez

Instituto da Vinha e do Vinho – IVV Carlos Filipe Jorge de Melo

Instituto de Conservação da Natureza – ICN Henrique Marinho

Instituto de Hidráulica, Engenharia Rural e Ambiente - IHERA António Perdigão, Maria da Graça Pacheco

Instituto do Ambiente - IA Ana Sousa

Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto - IVDP Rosa Amador

Instituto Geográfico do Exército - IGeoE Paulo Domingos

Instituto Geológico e Mineiro - IGM Carlos Costa

Instituto Hidrográfico - IH Fernando Manuel Maia Pimentel

Instituto Nacional de Estatística – INE Ana Maria Santos

Instituto Nacional de Intervenção e Garantia Agrícola - INGA Rita Roquette, Carla Isabel Martins

B-1 Anexos
Anexo C

Actividades do CLC2000 Portugal

Coordenação e gestão
• Coordenação da equipa
• Monitorização e gestão do CLC2000 Portugal
• Selecção dos intérpretes de imagem
• Elaboração de documentos com instruções para interpretação das imagens de
satélite
• Elaboração de documentos com instruções para utilização de dados auxiliares
• Formação dos intérpretes de imagem pela Equipa Técnica Europeia
• Formação dos intérpretes de imagem pela Equipa Técnica Nacional
• Criação do Comité de Acompanhamento
• Reuniões do Comité de Acompanhamento
• Consultas ao Comité Director Nacional
• Reuniões com a Equipa Técnica Europeia
— Primeira (27-29 de Novembro de 2002)
— Segunda (26 de Setembro de 2003)
— Terceira (6 de Maio de 2004)
• Entrega de produtos CORINE Land Cover (CLC) à Comissão Europeia (CE)
— Primeira entrega (Setembro de 2003 - 14 Folhas)
— Segunda entrega (Abril de 2004 - 24 Folhas)
— Terceira entrega (Novembro de 2004 – Produtos CLC para Portugal Continental)
— Quarta entrega (Janeiro de 2005 – Produtos CLC para Portugal Continental)
• Entrega final dos produtos CLC para Portugal Continental ao Instituto do Ambiente
(IA) (24 de Fevereiro de 2005)
• Participação em reuniões do Comité Director Europeu
• Produção de metadados
• Redacção de relatórios (relatório final, relatório de validação, relatório de alterações,
relatórios para a CE, relatórios para o IA)
• Divulgação
• Concepção do site WebGIS para disponibilização dos produtos do CLC2000 Portugal

Preparação inicial do CLC2000 Portugal


• Compilação de informação relativa ao CLC90 (produto CLC90 analógico e digital,
imagens em formato analógico e digital, metadados, relatórios)
• Preparação dos dados do CLC90 (sistema de coordenadas, reclassificação do CLC90
original para CLC90 com nomenclatura do nível 3, definição de uma nova grelha de
unidades de trabalho, corte das unidades de trabalho)
• Exploração do software Interchange
• Preparação dos projectos para o software Interchange
• Trabalho de campo (Maio, 2003) com o objectivo de familiarizar os intérpretes com
a paisagem portuguesa e suas características
• Preparação das imagens Landsat 5 TM e MSS
• Preparação das imagens Landsat 7 ETM+
• Compilação dos dados auxiliares
• Tratamento dos dados auxiliares

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 C-1
Produção do CLC90-R e do CLC-alterações
• Correcção geométrica sistemática das imagens utilizadas no CLC90
• Identificação de áreas que violam as especificações técnicas (AMC, distância mínima
entre linhas)
• Correcção geométrica local
• Interpretação das imagens para produção do CLC90-R e do CLC-alterações
• Controlo de qualidade do CLC90-R e do CLC-alterações
• Controlo temático
— Trabalho de campo para verificação de áreas e esclarecimento de dúvidas
— Controlo estrutural:
- Desenvolvimento de algoritmos
- Aplicação dos algoritmos
— Verificação pela Equipa Técnica Europeia
- Primeira verificação (24 a 26 de Setembro de 2003)
- Segunda verificação (4 a 6 de Maio de 2004)
- Verificação final ( 24 de Fevereiro de 2005)
• Produção do CLC90-R e CLC-alterações Portugal
• Produção do CLC2000
— Produção do Pré-CLC2000
— Generalização do Pré-CLC2000 para derivar o CLC2000
— Controlo estrutural
— Produção da cartografia CLC2000 Portugal
• Produção de metadados
— Metadados a nível nacional
— Metadados por unidade de trabalho
• Avaliação da qualidade do CLC2000
— Definição do método de avaliação da exactidão temática
— Aquisição de ortofotomapas
— Interpretação dos ortofotomapas
— Produção da Cartografia CLC de referência para a amostra (CLC-REF)
— Derivação dos índices globais e específicos de avaliação de exactidão temática

C-2 Anexos
Anexo D

Hardware e software utilizados no CLC2000 Portugal

O hardware utilizado pela equipa nacional incluiu cinco computadores (PCs) com as
seguintes características: dois Compaq P4 1.8GHz com 1GB RAM, um Compaq P4
2.4GHz com 1GB RAM, e dois IBM 2.8GHz com 256MB RAM.

A interpretação e controlo de qualidade foram realizados em monitores com ecrãs entre


15’’ e 19’’. O software utilizado foi variando de acordo com as necessidades das
diferentes fases do projecto (Tabela 1).

Tabela 1 - Software utilizado no projecto CLC2000 Portugal.

Tarefas CLC2000 Software

Correcção geométrica sistemática do Image90 Microstation SE e Image Analyst da Intergraph

Correcção geométrica sistemática do CLC90 ArcINFO 8.1

Controlo topológico do CLC90 ArcView 3.2a / ArcINFO 8.1

Produção do CLC90-R e CLC-alterações Interchange 1.0

Produção do CLC2000 ArcView 3.2a / ArcINFO 8.1

Controlo topológico do CLC90-R, CLC-alterações e CLC2000 ArcView 3.2a / ArcINFO 8.1

Integração das bases de dados Interchange 1.0 / ArcINFO 8.1

Interpretação dos ortofotomapas para produção do CLC-REF Geomedia 5 Pro

Derivação dos índices de exactidão temática R 1.7.0

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 D-1
Anexo E
Tabela de prioridades
Área <25ha

Códigos dos polígonos vizinhos cuja área é >= 25 ha

111 112 121 122 123 124 131 132 133 141 142 211 212 213 221 222 223 231 241 242 243 244 311 312 313 321 322 323 324 331 332 333 334 335 411 412 421 422 423 511 512 521 522 523

111 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 3 3 3 3 3 3 2 2 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5

112 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 3 3 3 3 3 3 2 2 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5

121 3 3 1 1 1 2 2 2 4 4 6 6 6 6 6 6 6 5 5 6 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8

122 2 2 1 1 1 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5

123 3 3 1 1 1 2 2 2 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6

124 3 3 1 1 1 4 4 4 2 2 6 6 6 6 6 6 5 6 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7

131 3 3 2 2 3 3 1 1 4 4 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 6 6 8 8 8 8 5 8 8 8

132 3 3 2 2 3 3 3 1 4 4 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 6 6 8 8 8 8 5 8 8 8

133 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4

141 3 2 3 3 3 3 3 3 3 1 7 7 7 7 7 7 7 7 7 5 5 4 4 4 4 4 4 4 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 6 6 7 7

142 3 2 3 3 3 3 3 3 3 1 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 4 4 5 5

211 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 1 1 4 4 4 3 2 2 2 2 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 7 7 7

212 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 1 1 4 4 4 3 2 2 2 2 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 7 7 7

213 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 1 1 4 4 4 3 2 2 2 2 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 7 7 7

221 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 3 3 3 1 1 3 2 2 2 2 5 5 5 4 4 4 4 4 4 4 4 6 6 6 6 6 6 7 7 7 7 7

222 5 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3 3 3 1 1 3 2 2 2 2 4 4 4 6 5 5 5 6 6 6 6 7 7 7 7 7 7 8 8 8 8 8

223 5 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3 3 3 1 1 3 2 2 2 2 4 4 4 6 5 5 5 6 6 6 6 7 7 7 7 7 7 8 8 8 8 8

231 6 5 6 6 6 5 6 6 6 4 4 2 2 2 3 3 3 1 1 1 1 7 7 7 4 6 6 6 5 5 5 5 8 4 4 4 7 7 8 8 8 8 8

241 3 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 5 5 5 5 5

242 3 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 5 5 5 5 5

243 4 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 3 4 4 4

244 4 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 5 5 5 5 5 5 8 6 6 6 8

311 7 7 7 7 7 7 7 7 7 3 3 7 7 7 7 6 6 7 6 6 3 3 2 1 5 4 4 4 5 5 5 5 8 6 6 6 8 8 8 8 8 8 8

312 7 7 7 7 7 7 7 7 7 3 3 7 7 7 7 6 6 7 6 6 3 3 2 1 5 4 4 4 5 5 5 5 8 6 6 6 8 8 8 8 8 8 8

313 7 7 7 7 7 7 7 7 7 3 3 7 7 7 7 6 6 7 6 6 2 3 1 1 5 4 4 4 5 5 5 5 8 6 6 6 8 8 8 8 8 8 8

321 8 8 8 8 8 8 8 8 8 3 3 7 7 7 7 7 7 5 6 6 2 6 4 4 4 1 1 1 3 3 3 3 8 4 4 4 9 4 8 8 8 8 8

322 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3 3 5 5 5 4 4 4 5 5 5 2 4 3 3 3 2 1 1 3 3 3 3 8 2 2 4 7 4 8 8 8 8 8

323 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3 3 5 5 5 4 4 4 5 5 5 2 4 3 3 3 2 1 1 3 3 3 3 8 2 2 4 7 4 8 8 8 8 8

324 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3 3 5 5 5 4 4 4 5 5 5 2 4 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 8 3 3 4 7 4 8 8 8 8 8

331 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 2 5 4 4 4 2 2 3 3 1 1 1 1 4 4 2 4 2 2 2 3 3 3

332 5 5 5 5 5 5 3 3 3 4 4 4 4 4 3 4 4 4 4 4 2 4 3 3 3 2 2 2 2 1 1 1 1 4 4 4 4 4 6 6 6 6 6

333 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3 3 5 5 5 5 5 5 4 5 5 2 5 3 3 3 2 2 2 2 1 1 1 1 4 4 4 4 4 7 7 7 7 7

334 7 7 7 7 7 7 7 7 7 4 4 5 6 6 5 4 4 5 5 5 3 3 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 8 6 2 6 6 6 8 8 8 8 8

335 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 5 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 6 6 6 4 5 7 6 1 1 1 7 4 4 5 5 5 3 2 5 5 5

411 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 6 6 6 6 6 6 5 6 6 2 6 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 5 3 1 2 2 2 3 3 3 3 3

412 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 6 6 6 6 6 6 5 6 6 2 6 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 5 3 1 2 2 2 3 3 3 3 3

421 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 7 7 7 7 7 7 4 7 7 4 7 7 7 7 4 6 6 6 5 5 5 8 8 3 3 1 1 2 2 1 1 1

422 6 6 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 2 3 1 1 4 4 3 3 3

423 6 6 6 6 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 4 4 1 1 3 3 2 2 2

511 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 4 5 5 5 5 5 5 5 5 2 5 5 6 6 4 4 3 3 3 1 2 2 2

512 5 5 5 5 5 5 2 5 5 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 3 5 5 5 5 5 5 5 5 3 5 5 6 6 3 3 3 3 3 1 2 2 2

521 5 5 5 5 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 6 6 4 4 3 3 3 2 2 1 1

522 6 6 6 6 5 6 6 6 6 5 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 4 4 3 3 3 2 2 2 1

523 6 6 6 6 5 6 6 6 6 5 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 4 4 3 3 3 2 2 1 1

Nota: O valor 1 representa a maior prioridade. Quanto maior o valor menor a prioridade.

E-1 Anexos
Anexo F

Resumo dos relatórios das missões de verificação da Equipa Técnica


Europeia

As duas missões de verificação efectuadas por membros da Equipa Técnica Europeia, tiveram como
objectivo a uniformização de critérios, esclarecimento de dúvidas, e acompanhamento da evolução dos
trabalhos de todos os países participantes no projecto (Büttner e Feranec, 2004; Jaffrain e Mari, 2003).
Na Tabela 1 apresentam-se de uma forma resumida os aspectos mais relevantes dos relatórios de cada
uma das missões efectuadas em Portugal, pela Equipa Técnica Europeia.

Tabela 1 - Sumário das missões de verificação efectuadas pela Equipa Técnica Europeia.

Primeira missão de verificação Segunda missão de verificação

Data da missão 24 a 26 de Setembro de 2003 4 a 6 de Maio de 2004

Equipa de verificação G. Jaffrain e L. Mari G. Büttner e J. Feranec

Nº de áreas (10x10 km) usadas para verificação 24 41

Nº de cartas CLC disponibilizadas pela Equipa 14 - (1, 5, 7, 8, 10, 19, 22, 30, 34, 38, 39, 42, 24 - (3, 6, 9, 11, 15, 16, 17, 20, 24, 26, 27, 28,
Nacional para verificação 46 e 49) 30, 31, 32, 35, 36, 40, 43, 44, 46, 50, 52 e 53)

Cartas CLC disponibilizadas pela Equipa Nacional 1 - (38) 2 – (11 e 27)


mas não verificadas

Cartas aceites 12 19

Cartas parcialmente aceites 1 0

Cartas rejeitadas 0 3

Apreciação global do produto Bom Bom

Qualidade geométrica Boa Muito Boa

Avaliação temática do produto CLC2000 - Existem grandes Áreas agrícolas com códigos - Algumas áreas de 111 (Tecido urbano contínuo)
221, 242, 241 ou 243, e grandes áreas de 332 devem ser delimitadas com maior precisão ou
e 333, onde outras classes de ocupação podem passar para 112 (Tecido urbano descontínuo).
normalmente ser delineadas quando existem
áreas homogéneas significativas. - Rara ocorrência das classes 141 (Espaços verdes
urbanos) e 231 (Pastagens).
- De acordo com os dados auxiliares utilizados,
existe alguma confusão pontual entre as classes - A delineação das classes Áreas agrícolas
241 e 242. heterogéneas (241, 242, 243 e 244) precisa de
ser melhorada
- Foi discutido o uso da classe 244, na zona norte
de Portugal, onde as parcelas de terreno são - Em algumas áreas florestais (31x), falta a
caracterizadas por 242 (Sistemas culturais e delimitação da classe 324, (Espaços florestais
parcelares complexos) e 231 (Pastagens) degradados, cortes e novas plantações), ou
envolvidas por sebes. esta está mal identificada como 243
(Agricultura com espaços naturais).
- Algumas áreas de 111 (Tecido urbano contínuo),
podem ser delimitadas com maior precisão ou - A identificação e delimitação das classes 322
alteradas para 112 (Tecido urbano descontínuo). (Matos) e 323 (Vegetação esclerofítica) precisa
de ser melhorada com base em informação
botânica.

- Dentro das áreas classificadas como 332 (Rocha


nua), existem outras classes, nomeadamente
321, 333 ou 324, que podem ser delimitadas.

- Falta delimitar áreas significativas de 423


(Zonas intertidais).

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 F-1
Primeira missão de verificação Segunda missão de verificação

Avaliação temática do produto CLC-alterações - Algumas áreas delimitadas como alteração, - Algumas preocupações na criação de novas
foram consideradas problemáticas ou não áreas de regadio (211 - 212) e na criação de
consideradas como verdadeiras alterações Sistemas agro-florestais a partir da classe
(e.g. 241 para 242, e 322 para 324). Floresta de folhosas (311 - 244).

- Existem situações pontuais onde não foram - Algumas alterações pouco prováveis foram
delimitadas alterações, essencialmente na encontradas, nomeadamente 112 – 111, 243 –
expansão urbana assim como no aparecimento 241, 244 – 242 e 31x – 322, 31x – 31y, etc.
de novas Áreas de extracção mineira (131) no
interior de Florestas e meios semi-naturais. - Algumas alterações estão em falta, tais como a
expansão de algumas Áreas de extracção
- Sobrestimação das áreas de alteração de 324 mineira (131), alterações nas Florestas e
para 312/313. Vegetação arbustiva e herbácea (e.g. 31x –
324), etc.

- Algumas alterações entre Florestas (31x) e


Áreas agrícolas heterogéneas, especialmente
243, devem ser corrigidas para 324.

- Alterações entre associações de arbustos, com


matos e espécies herbáceas (e.g. 322 – 324 ou
323 – 324), são bastante problemáticas. Estes
casos, provavelmente não são alterações, mas
apenas diferentes estágios de desenvolvimento
dessas associações.

Recomendações para o produto CLC2000 - Analisar os comentários deixados pela equipa As recomendações seguintes vêm no sentido de
de verificação nas unidades verificadas. harmonizar o uso da nomenclatura.

- As correcções devem ser feitas para toda a - Melhorar a separação entre 111 (Tecido urbano
área de interpretação e não apenas para as contínuo) e 112 (Tecido urbano descontínuo).
áreas verificadas.
- A classe 141 (Espaços verdes urbanos), deve
- Algumas das áreas de verificação serão ser utilizada com mais frequência (e.g. florestas
verificadas novamente na próxima visita. rodeadas por zonas construídas)

- Melhorar a distinção entre 243 e 244. As áreas


243 normalmente não devem ser muito grandes
e devem incluir pequenas manchas (<25 ha) de
vegetação natural e algum tipo de agricultura.

- A Equipa Técnica Europeia não tem certezas


quanto ao uso da classe 212 na zona Norte de
Portugal, embora a Equipa Técnica Nacional
tenha explicado que nesta zona existe regadio
tradicional, onde as culturas necessitam de
irrigação permanente entre Junho e Setembro.

- O uso da classe 322 em especial na zona Sul


de Portugal deve ser reconsiderada. A Equipa
Técnica Nacional argumentou que embora a
precipitação seja baixa nessa zona, a vegetação
esclerofítica não é muito frequente, e por essa
razão é justificado o uso da classe 322. A Equipa
Técnica Europeia referiu que a classe 322 é o
típico mato atlântico para zonas de precipitação
elevada, enquanto que a classe 323 é o típico
mato mediterrânico de zonas de baixa
precipitação. Os botânicos nacionais irão auxiliar
a esclarecer este ponto. Nas regiões de
Andaluzia e Estremadura da vizinha Espanha, a
classe 322 não foi utilizada.

- As Pastagens naturais, 321, para zonas de


herbáceas com forte impacto humano
(e.g. terras baixas, pequenas áreas e áreas
com estrutura de parcelas), devem ser
substituídas pela classe 231 (Pastagens).

- Foi recomendada a redução do uso da classe


332 (Rocha Nua) e substituir pelas classes 333
e 321.

- A classe 423 (Zonas intertidais), deve ser


adicionada ao logo da costa onde existirem
áreas relevantes.

F-2 Anexos
Primeira missão de verificação Segunda missão de verificação

Recomendações para o produto CLC-alterações - A base de dados do produto CLC-alterações - A alteração entre 244 para 311 deve ser
deve apenas conter verdadeiras alterações, e utilizada com algum cuidado (e.g. plantações
não variações de uma mesma ocupação do solo. de eucaliptos são um bom exemplo).

- Utilizar os pares de alterações 32x – 324 e


32x – 31x se existem certezas de que essas
áreas foram convertidas em floresta.

- Ter em atenção a alteração 321 – 334, já que


a classe 321 quando ardida permanece 321
devido à sua rápida regeneração. Utilizar este
tipo de alteração apenas se houver certezas
quanto à mudança da classe 321 para 324 e
posterior ocorrência de um incêndio.

- Evitar a utilização das seguintes alterações:


112 - 111, 31x - 322 e 324 – 322.

- Ter atenção às alterações temporárias


(sazonais), que afectam os Planos de água,
mas também a agricultura (e.g. 242 – 243,
512 – 411 e 512 – 211, são provavelmente
falsas alterações, já que os Planos de água não
diminuem de tamanho, apenas o seu nível de
água é alterado consoante a época do ano).

-Delimitar alterações que foram omitidas nesta


versão do produto.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 F-3
Anexo G

Relatório do controlo estrutural da Equipa Técnica Europeia

CHECKED COVERAGE - clc00_pt

A. FORMAL SPECIFICATION CHECK


FORMAT_EOO OK
TOPOLOGY_PRESENT OK
TOPOLOGY_FINAL OK
COVERAGE_NOT_EDITED OK
PRECISION_DOUBLE OK
FUZZY 0.0000000299506 VERIFIED OK
DANGLE 0 VERIFIED OK

NAMING_CONVENTION/ATTRIBUTES

COLUMN ITEM NAME WIDTH OUTPUT TYPE N.DEC ALTERNATE NAME INDEXED?

1 AREA 8 18 F 5 —

9 PERIMETER 8 18 F 5 —

17 CLC00_PT# 4 5 B — —

21 CLC00_PT-ID 4 5 B — —

25 CODE_00 3 3 C — —

CRS_DEFINITION OK

B. DATA QUALITY CHECK


NO_DUPLICATED_LINES OK <2656351/2656351>
NO_DANGLING_NODES OK
UNIQUE_IDS OK
NO_LABEL_ERRORS OK
Polygon 1 has 0 label points.
Total number of Polygons with No Labels: 1
Total number of Polygons with Multiple Labels: 0
NO_EXTRANEOUS_LINES OK (0!44121/44121) <0!125383/125383>
NO_LESS_THAN_MMU (25ha) OK (B:74/I:0)
NO_UNVALID_CODE OK
NO_EDGEMATCHING_ERRORS OK

G-1 Anexos
CHECKED COVERAGE - CLC90_PT

A. FORMAL SPECIFICATION CHECK


FORMAT_EOO OK
TOPOLOGY_PRESENT OK
TOPOLOGY_FINAL OK
COVERAGE_NOT_EDITED OK
PRECISION_DOUBLE OK
FUZZY 0.0000000299506 VERIFIED OK
DANGLE 0 VERIFIED OK

NAMING_CONVENTION/ATTRIBUTES

COLUMN ITEM NAME WIDTH OUTPUT TYPE N.DEC ALTERNATE NAME INDEXED?

1 AREA 8 18 F 5 —

9 PERIMETER 8 18 F 5 —

17 CLC90_PT# 4 5 B — —

21 CLC90_PT-ID 4 5 B — —

25 CODE_90 3 3 C — —

CRS_DEFINITION OK

B. DATA QUALITY CHECK


NO_DUPLICATED_LINES OK <2563138/2563138>
NO_DANGLING_NODES OK
UNIQUE_IDS TO BE CHECKED
NO_LABEL_ERRORS OK
Polygon 1 has 0 label points.
Total number of Polygons with No Labels: 1
Total number of Polygons with Multiple Labels: 0
NO_EXTRANEOUS_LINES OK (0!40696/40696) <0!115256/115256>
NO_LESS_THAN_MMU (25ha) OK (B:66/I:0)
NO_UNVALID_CODE OK
NO_EDGEMATCHING_ERRORS OK

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 G-2
CHECKED COVERAGE - CHANG_PT

A. FORMAL SPECIFICATION CHECK


FORMAT_EOO OK
TOPOLOGY_PRESENT OK
TOPOLOGY_FINAL OK
COVERAGE_NOT_EDITED OK
PRECISION_DOUBLE OK
FUZZY 0.0000000287775 VERIFIED OK
DANGLE 0 VERIFIED OK

NAMING_CONVENTION/ATTRIBUTES

COLUMN ITEM NAME WIDTH OUTPUT TYPE N.DEC ALTERNATE NAME INDEXED?

1 AREA 8 18 F 5 —

9 PERIMETER 8 18 F 5 —

17 CHANG_PT# 4 5 B — —

21 CHANG_PT-ID 4 5 B — —

25 CODE_90 3 3 C — —

28 CODE_00 3 3 C — —

31 AREA_HA 10 10 N 2 —

41 CHANGE 7 7 C — —

CRS_DEFINITION OK

B. DATA QUALITY CHECK


NO_DUPLICATED_LINES OK <732785/732785>
NO_DANGLING_NODES OK
UNIQUE_IDS OK
NO_LABEL_ERRORS OK
Polygon 1 has 0 label points.
Total number of Polygons with No Labels: 1
Total number of Polygons with Multiple Labels: 0
NO_EXTRANEOUS_LINES OK (0!17318/17318) <0!27526/27526>
NO_LESS_THAN_MMU (5ha) OK (T:473;999-999:39)
NO_UNVALID_CODE OK (999-999:307)
NO_EDGEMATCHING_ERRORS OK

G-3 Anexos
CLEANED_COMPARISON clc00_pt clc00_pt DIF

ARCS 125383 125383 0

SEGMENTS 2656351 2656351 0

POLYGONS 44121 44121 0

LABELS 4120 44120 0

FUZZY 0.0000000299506 0.0000000299506

DANGLE 0 0

CLEANED_COMPARISON clc90_pt clc90_pt DIF

ARCS 115256 115256 0

SEGMENTS 2563138 2563138 0

POLYGONS 40696 40696 0

LABELS 40695 40695 0

FUZZY 0.0000000299506 0.0000000299506

DANGLE 0 0

CLEANED_COMPARISON chang_pt chang_pt DIF

ARCS 27526 27526 0

SEGMENTS 732785 732785 0

POLYGONS 17318 17318 0

LABELS 17317 17317 0

FUZZY 0.0000000287775 0.0000000287775

DANGLE 0 0

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 G-4
Anexo H

Metadados dos produtos CLC90, CLC-alterações e CLC-2000, a nível nacional

CLC2000 METADATA – Country level

Country Portugal

1. LITERATURE, REPORTS

1.1. List of literature Bossard, M., Feranec, J. and Otahel, J., 2000. "CORINE Land Cover
Technical Guide – Addendum 2000". Technical report 40, EEA.

EEA, 2002. " CORINE Land Cover update - I&CLC2000 project -


Technical Guidelines".

Painho, M., Caetano, M., (2005), "Cartografia de ocupação do solo:


Portugal continental 1985-2000 - CORINE land cover 2000".
Instituto do Ambiente.

2. NATIONAL PROJECT DESCRIPTION

2.1. General Info (Objectives, Goals, National The project CLC2000 in Portugal entailed the following steps:
Specifics, Comments For User) improvement of the CLC90 original database; detection and
interpretation of changes by visually comparing Image2000 and
Image90; integration of the improved CLC90 with CLC-Changes by
automatic processes; application of generalisation algorithms in
order to generate CLC2000 with the technical specifications.

A working unit-level metadata file accompanies each working unit. A


separate country-level metadata file accompanies the three
delivered seamless databases (CLC00_PT, CLC90_PT, CHANG_PT).

2.2. Project Organisation, Organisation Chart The organisation of CLC2000 in Portugal included: Project manager,
Project Coordinator, National Technical Team, National Steering
Committee and Advisory board.

EEA and JRC managed the IMAGE&CLC2000 project jointly.

The Institute for the Environment (IA) with the Institute of Statistics
and Information Management (ISEGI) and the Portuguese
Geographic Institute (IGP) implemented the project in Portugal. The
CLC2000 Technical Team under the ETC/TE activities has supervised
the CLC2000 National Team. A National Steering Committee has
followed-up the implementation of the project.

2.3. Funding Funding has been provided by the European Commission and
Institute for the Environment (IA).

2.4. National Team – List of Subcontractors

2.5. Validation Team Internal validation has been provided by the National Technical
Team.

External validation was carried out by the European Technical Team.

External validation was carried out by an external team leaded by


the National Project Coordinator using a statistical accuracy
assessment methodology.

2.6. Time Schedule The project started in October, 2002 and ended in February, 2005.

2.7. Hardware Compaq P4 1.8GHZ 1000 RAM; Compaq P4 2.4GHz 1GB RAM; IBM
2.8GHz 256MB RAM

2.8. Software Microstation SE, ArcView 3.2a, ArcINFO 8.1, Interchange 1.0

H-1 Anexos
3. IMAGE 2000 (Image2000 team)

3.1. Image Identification Dataset Title <Path/row/set/type combination>

3.2. Acquisition
Path/Row Sensor Date

203/31 ETM+ 05/09/2000

203/32 ETM+ 05/09/2000

203/33 ETM+ 19/07/2000

203/34 ETM+ 19/07/2000

204/31 ETM+ 24/06/2000

204/32 ETM+ 24/06/2000

204/33 ETM+ 24/06/2000

204/34 ETM+ 27/08/2000

3.3. Ortho-rectification Done by METRIA

3.4. Image enhancement Histogram stretching: 2 std. deviation

3.5. Quality control Done by JRC

4. DATA DESCRIPTION

4.1. Metadata Reference

4.1.1 National identifier for the Dataset CLC00_PT

4.1.2. Contact Institute for the Environment (IA)

4.1.3. Last Metadata Update Date February, 2005

4.2. General Information

4.2.1 Dataset Title CLC2000 Portugal (CORINE Land Cover 2000 Portugal)

4.2.2. Abstract Describing Dataset Land Cover cartography for the year 2000 for continental Portugal,
using the CORINE Land Cover nomenclature meeting technical
specifications.

42 of the 44 CLC classes are present.

4.2.3. Dataset Topic Category CORINE Land Cover, 1:100 000

4.2.4. Spatial Data Format ArcInfo / Interchange vector format e00

4.2.5. Dataset Scale 1:100 000

4.2.6. Coordinate Reference System Projection = Transverse Mercator


Ellipsoid =Hayford (International 1924)
Datum = Lisboa
Unit = meter
Central meridian: 8:07:54.862 W d:m:s
Latitude origin: 39:40:00.000 N d:m:s
False easting = 200000 m
False northing = 300000 m
Scale factor = 1

4.2.7. National Responsible Party Institute for the Environment (IA) www.iambiente.pt

4.2.8. Main Contractor Institute of Statistics and Information Management - New University
of Lisbon (ISEGI). www.isegi.unl.pt

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 H-2
4.3. Data extent

4.3.1. Name of Spatial System Hayford-Gauss Datum Lisboa (Coordenadas militares)

4.3.2. West Bounding Coordinate 72000.00

4.3.3. South Bounding Coordinate -20000.00

4.3.4. East Bounding Coordinate 362068.06

4.3.5. North Bounding Coordinate 576089.43

4.3.6. Period Start Date 24/06/2000

4.3.7. Period End Date 05/09/2000

4.3.8. Number of classes 42

4.4. Data Quality

4.4.1. Overall Positional Accuracy (CLC2000 Technical Team) Better than 100 meters. Checked systematically with semi-
-automated methods.

4.4.2. Attribute Accuracy (CLC2000 Technical Team) Overall accuracy index – 82.84; Confidence interval – 80.47 – 85.20

4.4.3. Logical Consistency Full logical consistency.

4.5. Data access/ Data dissemination

4.5.1. Contact Institute for the Environment. leonor.gomes@ambiente.pt

4.5.2. Procedure Web site or written request.

4.5.3. Conditions Consult: EEA, 2000. Use and dissemination of I&CLC2000 products.
EEA (Annex 3 of the Technical Guidelines).

H-3 Anexos
Anexo I

Exemplo de metadados das unidades de trabalho

CLC2000 METADATA

Working unit level

Title of working unit: 01

A: GENERAL INFORMATION

Contractor: Ministry of Environment and Spatial Planning Contracted: ISEGI


Institute for the Environment New University of Lisbon

Address: Rua da Murgueira, 9/9A Address: Campus de Campolide


2610-124 Amadora 1070-312 Lisboa

Phone: +351 21 4728200 Phone: +351 21 3870413

Fax: +351 21 4719074 Fax: +351 21 3872140

Responsible: João Gonçalves Project leader: Marco Painho and Mário Caetano

E-mail: joao.goncalves@iambiente. pt E-mail: painho@isegi.unl.pt

1. IMAGE2000 data used

Landsat ETM+ or other scene(s)

Satellite & Sensor Path- Row Date (m/d/y) Remark (e.g. clouds)

Landsat-7 ETM+ 204 31 06/24/2000

2. Topographic maps used

Scale Sheet id Title/Name Year of Year of Remark


production last revision

1:50 000 1-A 1994


Carta
1:50 000 1-B Corográfica 1995
de Portugal
1:50 000 1-C 1999

1:50 000 1-D 2000

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 I-1
3. Other ancillary data used

Id Data Title Date of production Scale Remark


source/type (if relevant) (m/d/y) (spatial detail)

IGP COS90 1990 1:25 000 Poly vector data, land cover

IGP Orthophotos 1995 1m resolution False color infrared

IVV Vineyards inventory 2000 Poly vector data

DGF Forest inventory 1995 Point data, 700m grid

DGF Fire occurrences 1990-1999 Poly vector data

CELPA Forest Cartography 1995 0.5 ha Poly vector data


of Eucalyptus

IDRHa Areas with irrigated 1997 Poly vector data


agriculture

4. Photointerpreter(s)

interpretation
Name Affiliation Phone E-mail start end no. of days
(m/d/y) (m/d/y)

Teresa Santos ISEGI 04/22/03 05/15/03 4.5

Teresa Santos ISEGI 07/25/03 07/11/03 6

B: DATA PREPARATION

1. Checking and systematic correction of IMAGE90 data

Landsat ETM or any other satellite scenes used (e.g. SPOT)

Satellite & path- row Date Max. systematic Checked & Date Reference
Sensor (m/d/y) geom. error corrected (m/d/y) data
(m) (name)

Landsat TM 204 31 07/31/87 8.62 Teresa Santos 11/04/02 Image 2000

2. Checking and systematic correction of CLC90 data

Date (m/d/y)
Corrections Type of correction Checked and Remarks
corrected by Start End

Geometrical Systematic correction António Nunes 02/03/03 02/05/03 180 GCP


errors
Local correction Teresa Santos 07/02/03 14/02/03

Thematic Logical coherence* Sérgio Freire 03/21/03 01/14/05


errors
Semantic accuracy** and Sérgio Freire 03/21/03 01/14/05
exhaustiveness***

* compliance with internal rules of CLC (100 m, 25 ha) according to Technical Guidelines and Addendum
** interpretation according to CLC nomenclature;
*** details are appropriate

I-2 Anexos
3. Verification and acceptance on national level

Date (m/d/y) Accepted by Signature Remark

01/31/05 Mário Caetano

C: INTERPRETATION OF CHANGES AND CREATION OF CLC2000

1. Photo-interpretation and internal quality control

Date of submission Control made by Date of control Remark (errors, corrections, etc.)
(m/d/y) (m/d/y)

07/10/03 Sérgio Freire 08/05/03

10/19/04 Sérgio Freire 01/14/05

2. Field checking

Date Itinerary Problems checked and main conclusions


(m/d/y) (main settlements crossed on the working unit)

3. Border matching with neighbour working units or countries

Working unit Controlled and Date Remark


/Country corrected by (m/d/y)

05 Sérgio Freire 01/21/2005

02 Sérgio Freire 01/21/2005

D: FINAL TECHNICAL QUALITY CONTROL

1. Control of topology, unnecessary boundaries, 25 ha limit, invalid codes and invalid changes

Date (m/d/y) Controlled by Remark

CLC2000 01/31/2005 António Nunes

CLC Changes 01/31/2005 António Nunes

CLC90 01/31/2005 António Nunes

2. Verification and acceptance

Date (m/d/y) Name Signature Remark

National level 01/31/05 Mário Caetano

CLC2000 technical team 09/23/03 Gabriel Jaffrain


László Mari

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 I-3
E: SOFTWARE / HARDWARE

Work phase Software used Hardware used

Systematic geometric correction of IMAGE90 Microstation SE Compaq P4 1.8GHZ 1000 RAM

Systematic geometric correction of CLC90 ArcINFO 8.1 Compaq P4 1.8GHZ 1000 RAM

Topological and thematic corrections of CLC90 ArcView 3.2a / ArcINFO 8.1 Compaq P4 1.8GHZ 1000 RAM

Interpretation of changes Interchange 1.0 Compaq P4 1.8GHZ 1000 RAM

Creation of CLC2000 ArcView 3.2a / ArcINFO 8.1 Compaq P4 1.8GHZ 1000 RAM

Technical quality control ArcView 3.2a / ArcINFO 8.1 Compaq P4 1.8GHZ 1000 RAM

Database integration (border matching) Interchange 1.0 / ArcINFO 8.1 Compaq P4 1.8GHZ 1000 RAM

I-4 Anexos
Anexo J

Considerações sobre análise de alterações de ocupação/uso do


solo em Portugal Continental a partir dos produtos CLC

Os produtos CORINE Land Cover (CLC) (i.e., CLC90-R, CLC2000 e CLC-alterações)


permitem a realização de estudos de alterações de ocupação/uso do solo ocorridas em
Portugal Continental entre 1985/86/87 e 2000. Através destes estudos é possível
efectuar a avaliação qualitativa e quantitativa das áreas de ocupação/uso do solo que
apareceram e/ou desapareceram de uma determinada classe, bem como derivar uma
série de indicadores que sintetizem essas alterações.

Os estudos de alterações de ocupação/uso do solo com base nos produtos CLC podem
ser conduzidos de duas formas distintas, originando também resultados diferentes.
Neste documento apresentam-se essas duas possibilidades e avaliam-se as suas
consequências na caracterização da dinâmica da paisagem.

As duas possibilidades para o estudo de alterações distinguem-se no tipo de produtos


CLC que são utilizados:
1) produto CLC-alterações – esta cartografia foi produzida por interpretação directa de
imagens de satélite e representa todas as áreas de transição de ocupação/uso do
solo entre as duas datas, superiores a 5 ha ou 25 ha, consoante se trata,
respectivamente, de uma área de uma classe que se expandiu ou do aparecimento
de uma nova área no interior de uma área de outra classe já existente;
2) áreas de alteração resultantes da intersecção da cartografia CLC90-R com a CLC2000
– este produto, aqui designado por CLC-DIF, resulta da sobreposição de dois
produtos cartográficos com idênticas especificações técnicas (i.e., CLC90-R e
CLC2000).

Tendo em conta a forma como o CLC2000 foi produzido considera-se que, à partida, o
produto CLC-alterações identifica com uma maior fidelidade as alterações
efectivamente ocorridas. Com efeito, é de esperar que no produto CLC-DIF se
quantifiquem como alterações áreas que efectivamente não se alteraram, mas que
apresentam códigos diferentes no CLC90-R e no CLC2000. Isto porque o CLC2000
resulta da sobreposição do CLC90-R com o CLC-alterações, cujo resultado é refinado
através de um processo de generalização cartográfica, efectuado para que o produto
CLC2000 respeite as especificações técnicas exigidas, nomeadamente a manutenção da
área mínima cartográfica (AMC) de 25 ha. Este processo automático de generalização
vai originar falsas alterações, já que todas as áreas residuais inferiores a 25 ha,
resultantes da sobreposição dos dois produtos, são eliminadas para se criar o CLC2000.
Ao serem eliminadas, estas áreas passam a ter em 2000 outro código, diferente do de
1990, e por isso são identificadas como alterações. Em resumo, pode dizer-se que
todas as áreas identificadas como alterações no CLC-alterações surgem também como
alteração no CLC-DIF, mas o CLC-DIF identifica como alteração as áreas residuais
generalizadas que não estão no CLC-alterações, porque não são verdadeiras alterações.
Na Fig. 1 apresenta-se uma situação que ilustra as diferenças entre os produtos CLC
antes referidos. O círculo azul identifica um exemplo de uma falsa alteração,
consequência do processo de generalização do CLC2000. Parte da área identificada
como 112 no interior do círculo azul no CLC2000 corresponde à área da classe 324 do
CLC90-R e do Pre-CLC2000 e que é generalizada para 112 na produção do CLC2000,
por não ter uma AMC de 25 ha. A referida área, que na verdade é 324 na data do CLC90
e em 2000, surge no CLC2000 como 112 e por isso será identificada como alteração no
CLC-DIF. No entanto, repare-se que esta área não está identificada como alteração no
CLC-alterações.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 J-1
União

Generalização

Figura 1 - Ilustração do processo de produção do CLC2000.

Considera-se que um estudo de alterações com base em produtos CLC se deve basear no estudo
comparativo do CLC90 e CLC2000 e não no CLC-alterações, apesar deste produto identificar, como já foi
referido, com maior fidelidade as alterações efectivamente ocorridas em Portugal Continental. É
necessário ter em conta que, se se optar por fazer o estudo de alterações com base no CLC-alterações,
não se podem apresentar resultados comparativos (com base em análise espacial) das alterações de uma
determinada classe relativamente à sua abundância quer no produto CLC90, quer no produto CLC2000,
uma vez que os produtos considerados não apresentam entre si as mesmas características técnicas.
Assim, em termos de operações de análise espacial de dinâmica de ocupação/uso do solo, os resultados
daí decorrentes só serão passíveis de serem considerados rigorosos se forem utilizados os produtos
CLC90-R e CLC2000.

Neste anexo pretende-se avaliar se o produto CLC-DIF, originado com base no cruzamento do CLC90-R e
CLC2000, apresenta diferenças importantes, no que respeita aos valores das áreas das classes
representadas, em relação ao CLC-alterações (produto com detalhe cartográfico superior). Se estas
diferenças não forem importantes, então todas as análises de dinâmica de ocupação/uso do solo poderão
ser efectuadas com base no CLC-DIF e os resultados obtidos serão consistentes com aqueles que seriam
obtidos através do produto gerado com um nível superior de detalhe (CLC-alterações).
Independentemente de qualquer julgamento, serão quantificadas as diferenças entre as duas
possibilidades, para que se avaliem as consequências de se optar por fazer um estudo de alterações com
um ou outro produto.

Na Tabela 1, apresentam-se, de uma forma simplificada, os resultados referentes aos valores das áreas
de alteração a nível nacional com base nos produtos CLC-alterações e CLC-DIF. Para este estudo
comparativo aplicou-se o limite de Portugal Continental definido pela versão 3.0 da CAOP a todos os
produtos CORINE Land Cover.

J-2 Anexos
Tabela 1 - Caracterização das alterações nos produtos CLC-alterações e CLC-DIF.

Número de polígonos Área total de alteração Percentagem de alteração Número de alterações


de alteração (ha) em Portugal Continental entre diferentes classes

A) CLC-alterações 16968 975893 10.97 469

B) CLC-DIF 18712 1012140 11.38 518

B-A 1744 36247 0.41 49

A análise desta tabela revela que um estudo realizado a nível nacional com base no CLC-DIF sobrestima
as alterações em 36247 ha. Apesar deste valor sugerir um número elevado de falsas alterações, ele
traduz-se apenas numa diferença de 0.41% no que respeita à avaliação pelos dois métodos da área do
território nacional que sofreu alterações. Repare-se que, se se fizer um arredondamento às unidades,
ambos os métodos indicam uma alteração de 11% da área do território nacional.

Na Tabela 2 apresenta-se uma análise das alterações de ocupação/uso do solo ao nível 3 da nomenclatura
CLC, quantificando-se as novas áreas em 2000 e as que desapareceram em relação à sua abundância em
1990, tendo por base os resultados obtidos no CLC-alterações e CLC-DIF. Dos vários indicadores passíveis
de serem utilizados, para se avaliarem as diferenças entre os dois métodos, optou-se pelos seguintes:
• Aparecimento de novas áreas (In);
• Aumento de área em relação à abundância em 1990 (In/90);
• Desaparecimento de áreas (Out);
• Diminuição de área em relação à abundância em 1990 (Out/90);
• Alteração líquida de variação (In – Out);
• Taxa líquida de variação em relação à abundância em 1990 ([In-Out]/90).

Para todos estes indicadores, apresentam-se também na Tabela 2, as diferenças entre eles (DIFF)
relativas aos resultados de dinâmica de ocupação/uso do solo obtidos tendo por base os dois produtos
(i.e., CLC-alterações e CLC-DIF). De notar que todas as análises são efectuadas em relação à abundância
da classe em 1990. Isto porque, para efeitos de comparação dos dois métodos, este é o elemento comum
que serviu de base à geração de ambos os produtos e a partir do qual será possível avaliar as diferenças
ao nível das alterações de ocupação/uso do solo geradas em 2000 pela utilização de cada um dos
métodos.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 J-3
Tabela 2 - Análise comparativa das alterações de ocupação/uso do solo ao nível da classe entre CLC-alterações e CLC-DIF.

In In DIFF Out Out DIFF In-Out In-Out DIFF DIFF


Classe

CLC90-R CLC2000 (CLC-DIF) (CLC-alt) (in/90) (CLC-DIF) CLC-alt) (out/90) (CLC-DIF) (CLC-alt) (In-Out) (In-Out/90)
(ha) (ha) (ha) (ha) (%) (ha) (ha) (%) (ha) (ha) (ha) (%)

111 12041 13950 1908 1818 0.75 0 0 0.00 1908 1818 90 0.75
112 121695 161105 41286 38749 2.08 1876 1820 0.05 39410 36929 2481 2.04
121 15403 28648 13448 13198 1.62 202 202 0.00 13246 12996 250 1.62
122 460 2307 1847 1796 10.99 0 0 0.00 1847 1796 51 10.99
123 1253 1419 206 206 0.00 40 40 0.00 166 166 0 0.00
124 3777 4157 380 380 0.00 0 0 0.00 380 380 0 0.00
131 6414 13040 7221 7179 0.65 595 506 1.39 6626 6674 -48 -0.74
132 345 459 139 139 0.00 25 25 0.00 114 114 0 0.00
133 2127 4417 4248 4201 2.24 1959 1915 2.08 2289 2286 4 0.16
141 1340 1440 159 131 2.07 59 59 0.00 99 72 28 2.07
142 4313 7945 3631 3509 2.84 0 0 0.00 3631 3509 123 2.84
211 1165021 1093266 20171 18814 0.12 91927 89594 0.20 -71756 -70780 -975 -0.08
212 123060 194562 74352 73158 0.97 2850 2748 0.08 71502 70410 1092 0.89
213 55882 53412 2977 2825 0.27 5447 5407 0.07 -2470 -2582 112 0.20
221 205928 232863 31477 29526 0.95 4541 4468 0.04 26936 25058 1878 0.91
222 95337 100159 6381 5972 0.43 1558 1416 0.15 4822 4555 267 0.28
223 278348 270544 3666 3270 0.14 11470 10719 0.27 -7804 -7449 -355 -0.13
231 53136 37812 3459 3342 0.22 18783 18700 0.16 -15324 -15358 34 0.06
241 447886 420446 3819 1812 0.45 31259 29981 0.29 -27440 -28168 728 0.16
242 635988 622714 21561 19398 0.34 34835 32408 0.38 -13274 -13010 -264 -0.04
243 718251 680827 24305 19213 0.71 61730 57088 0.65 -37424 -37875 451 0.06
244 568040 559615 3727 2846 0.16 12152 11701 0.08 -8425 -8856 430 0.08
311 1150593 1221456 152943 148588 0.38 82080 79957 0.18 70863 68631 2232 0.19
312 776241 691033 84131 81614 0.32 169339 163278 0.78 -85208 -81664 -3545 -0.46
313 547300 525184 53424 50395 0.55 75541 70807 0.86 -22116 -20412 -1705 -0.31
321 194687 185290 4981 4696 0.15 14378 13920 0.24 -9398 -9224 -173 -0.09
322 370551 337080 15575 14831 0.20 49046 47622 0.38 -33471 -32791 -679 -0.18
323 225622 194353 6339 6142 0.09 37609 36794 0.36 -31270 -30652 -618 -0.27
324 832781 963290 385997 380269 0.69 255488 247515 0.96 130509 132754 -2245 -0.27
331 11391 11330 397 350 0.41 458 396 0.54 -61 -46 -15 -0.13
332 44250 44206 0 0 0.00 44 44 0.00 -44 -44 0 0.00
333 78442 77736 0 0 0.00 706 706 0.00 -706 -706 0 0.00
334 45146 31577 30655 30298 0.79 44224 44212 0.03 -13569 -13915 346 0.77
411 949 1021 116 116 0.00 44 34 1.08 72 82 -10 -1.08
421 18790 18590 115 107 0.04 315 274 0.22 -200 -167 -33 -0.18
422 7432 7516 144 143 0.02 61 61 0.00 83 82 1 0.02
423 297 297 0 0 0.00 0 0 0.00 0 0 0 0.00
511 20241 20048 104 80 0.12 297 297 0.00 -193 -217 24 0.12
512 28476 34129 6599 6578 0.07 947 926 0.07 5652 5653 -1 0.00
521 8405 8459 156 134 0.25 101 101 0.00 54 33 21 0.25
522 13090 12999 25 5 0.15 116 116 0.00 -91 -111 20 0.15
523 2753 2787 71 68 0.11 36 36 0.00 35 32 3 0.11
Total 8893488 8893488 1012140 975893 0.41 1012140 975893 0.41 0 0 0 0.00
Média — — — — 0.77 — — 0.28 — — — 0.49

J-4 Anexos
As diferenças médias entre as duas abordagens, relativas às novas áreas que surgiram
em 2000 e às que desapareceram em cada classe em 1990, são mínimas, 0.77% e
0.28% respectivamente. Todos estes valores são inferiores à unidade, o que reforça o
incitamento à utilização de bases de dados tecnicamente compatíveis em operações de
análise espacial de dinâmica de ocupação/uso do solo (i.e. CLC-DIF), em detrimento do
produto CLC-alterações, apesar da maior fidelidade deste último. Deste modo, será
garantido o rigor técnico dessas operações, em prejuízo de um maior detalhe espacial
dessa análise que seria obtido recorrendo ao CLC-alterações, mas cujos resultados não
apresentam, em termos estatísticos, um benefício evidente.

De notar que, apenas a classe 122 apresenta valores de diferenças entre os indicadores
apresentados, relativas aos resultados de dinâmica de ocupação/uso do solo obtidos
tendo por base ambos os produtos (DIFF), manifestamente divergentes daqueles
obtidos nas outras classes. Este fenómeno pode ser devido ao facto desta classe
apresentar, pela sua essência, uma grande afinidade em termos temáticos (superior à
de outras classes artificiais) com diversas classes de ocupação/uso do solo e de surgir
fortemente associada a outras áreas de expansão artificial onde surgem
inevitavelmente áreas residuais que lhe são amalgamadas através do processo de
generalização.

Na Tabela 3 apresenta-se, para cada tipo de dinâmica entre classes, a relação entre a
alteração de ocupação/uso do solo em ambos os produtos (i.e., CLC-alterações e
CLC-DIF) através do quociente entre a área de alteração identificada no CLC-DIF e o
CLC-alterações. Este indicador permite avaliar o efeito da sobrestimação e
subestimação de cada alteração particular no produto CLC-DIF em relação ao
CLC-alterações, tendo em conta os valores de área de alteração em cada transição,
obtidos por cada um dos métodos. Esta tabela foi desenvolvida tendo em conta as
considerações apresentadas no Relatório Final CLC2000 da Hungria no qual foi discutida
uma questão semelhante.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 J-5
Tabela 3 - Quociente de área entre os produtos CLC-alterações e CLC-DIF para as transições ocorridas entre classes CORINE.
CLC90-R

CLC 2000

111 112 121 122 123 124 131 132 133 141 142 211 212 213 221 222 223 231 241 242 243 244 311 312 313 321 322 323 324 331 332 333 334 411 421 422 423 511 512 521 522 523

111

112 1.0 1.1 1.0 1.0 1.3 AA

121 1.0 1.0 1.0 1.0

122

123 1.0 1.0 1.0

124

131 1.8 1.0 1.0 AA 1.4 AA 1.2 1.1 1.0 1.2 1.1 1.0 1.0

132 1.0

133 1.0 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 AA 1.0 1.0 1.0 1.0

141 1.0 1.0

142

211 1.0 1.0 1.0 1.3 1.0 1.0 1.1 1.0 1.0 1.0 1.2 1.0 1.0 1.1 1.0 1.7 1.1 1.1 31.1 1.0 1.2 1.2 1.0 1.0 1.0 1.0 1.1 1.0

212 1.0 1.0 1.0 1.2 1.0 1.0 1.1 1.0 1.0 1.0 1.4 AA 1.0 AA AA 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0

213 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0

221 AA 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.3 1.0 1.0 1.0 1.0 1.2 1.0 1.1

222 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.2 1.1 1.0 AA 1.5 AA 2.5 AA 1.2 1.0 1.0 1.0 1.0

223 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.1 1.1 AA 1.1 1.0 2.2 1.5 1.1 AA 1.2 1.6 1.0 1.0 1.0 1.0

231 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 AA 1.0 AA 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0

241 1.7 1.1 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.3 1.3 1.0 1.1 1.4 1.0 1.3 AA 1.1 2.5 1.6 1.0 AA 1.0 1.0 1.0

242 1.2 1.1 1.0 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.2 1.0 1.9 1.1 1.1 1.4 1.8 AA 1.1 AA 1.1 1.6 1.2 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0

243 1.1 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.3 1.0 1.1 1.0 1.2 1.2 1.2 1.2 3.8 1.6 AA 1.0 1.1 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 AA 1.0 1.0

244 1.0 1.0 1.0 1.1 1.8 1.1 1.4 1.3 AA 6.3 2.3 17.6 1.0 1.1 1.0 1.1 1.0 1.0

311 1.1 1.0 1.2 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.1 1.0 1.1 1.1 1.0 1.1 1.7 1.2 4.5 1.2 1.0 AA AA 1.0 1.0 1.0

312 1.3 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.1 1.2 1.0 1.0 1.5 1.7 3.5 1.5 3.4 AA 1.2 3.3 AA AA 1.0 1.0 AA 1.0

313 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.1 1.1 1.0 1.2 1.1 1.3 AA 1.9 1.5 2.1 AA 1.5 2.6 AA AA 1.0 AA 1.0 1.0

321 1.0 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.1 1.0 1.1 AA 1.0 1.1 1.1 AA 1.1 1.0 1.0 1.0

322 2.1 1.1 1.0 1.0 1.0 1.0 1.3 1.0 1.0 1.7 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.2 1.2 1.0 1.0 1.0 1.1 AA AA 1.0 AA 1.0 1.0

323 AA 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.2 1.0 1.6 1.0 1.3 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.1 1.0 1.0 1.0

324 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.1 1.1 1.0 AA 1.2 1.1 1.2 AA 1.4 1.1 1.2 1.0 1.0 1.0 1.0 AA AA AA 1.0 1.0

331 1.0 1.0 1.0 AA 1.4 1.0 1.0 1.4 1.0 1.0 1.1

332 1.0

333 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0

334 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0

411 1.0 AA

421 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.3 AA

422 1.0 1.0 1.0

423

511 1.0 1.0 1.0

512 1.0 1.0 1.2 AA AA 1.0 1.0

521 1.0 1.0 1.0 1.0

522 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0

523 1.0 1.0

J-6 Anexos
Através da análise desta tabela podem avaliar-se quatro tipos de relações entre as
transições registadas no CLC-alterações e no CLC-DIFF:
• AA – Alteração Artificial. Esta situação corresponde aos casos em que apenas o
CLC-DIF reporta a alteração específica de ocupação/uso do solo (não representa uma
situação real de alteração);
• SoE – Sobrestimação Elevada. Neste caso a área de alteração representada pelo
CLC-DIF corresponde a mais do dobro da área real da alteração representada pelo
CLC-alterações;
• SoM – Sobrestimação Moderada. A área de alteração representada pelo CLC-DIF é
superior à área real, mas nunca superior ao dobro da mesma;
• AP – Alteração Precisa. Esta situação corresponde a uma representação das
alterações de ocupação/uso do solo igual em ambos os métodos.

Na Tabela 4 apresenta-se, em resumo, o número de casos que surgem em cada


situação, bem como a área de alteração correspondente.

Tabela 4 - Caracterização dos tipos de diferenças entre o CLC-alterações e o CLC-DIF.

Número de tipo de alterações Área de tipo de alterações

Nº % ha % em relação ao total
do CLC-alterações

AA 49 9.46 1657 0.2

SOE 15 2.9 5522 0.6

SOM 84 16.2 8626 0.9

AP 370 71.4 20441 2.1

Total 518 100 36247 3.8

Da análise da última tabela apresentada, constata-se que mais de 70% das alterações
entre classes indicadas no CLC-DIF são precisas, ou seja, têm valores de área iguais ou
aproximados em relação àqueles apresentados no CLC-alterações. De reparar que, no
que respeita à área absoluta dessa relação entre os dois métodos, o valor
correspondente diz respeito à maioria das alterações. Isto significa que, a maior área
de sobrestimação está dispersa pelo maior número de alterações tipo entre classes, que
por sua vez corresponde a uma representação das alterações de ocupação/uso do solo
com igual precisão em ambos os métodos. É importante ter em conta também que,
apesar de 9% das alterações no CLC-DIF serem artificiais, elas dizem respeito a apenas
0.2% daquelas que são cartografadas pelo CLC-alterações.

Em conclusão pode-se dizer que, em termos globais, as diferenças causadas pela


utilização do produto CLC-alterações versus CLC-DIF (resultante da sobreposição do
CLC90-R e do CLC2000) não são significativas. Consequentemente, somos da opinião
que em estudos de alterações se deve utilizar o CLC-DIF, por resultar da sobreposição
de produtos cartográficos com especificações técnicas semelhantes. Este conselho deve
ser seguido sobretudo quando se querem construir indicadores de alteração em que se
relacionam as alterações de ocupação/uso do solo, com abundâncias das classes nas
datas do CLC90-R e do CLC2000.

Cartografia de ocupação do solo | Portugal 1985 - 2000 | corine land cover 2000 J-7
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