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PRESTANDO CUIDADOS A UMA CLIENTE COM TRAUMA

MUSCULOESQUELÉTICO À LUZ DA TEORIA DE MYRA LEVINE:ESTUDO DE

CASO.

LIBERATO, Benedita Tatiane Gomes RIOS, Elaine Cristina Loiola CARDOSO, Gilmária de Carvalho SILVA, Verônica Araújo da SOUSA, Sandra Maria Melo

A evolução tecnológica juntamente com a intensificação das iniqüidades sociais contribuíram

para a progressão da incidência de traumas, tornando-os uma das doenças mais significativas de

perda de vida produtiva, fato que deixa os custos superiores aos requeridos pelos câncer e pelas

doenças cardiovasculares. O cuidado holístico da enfermagem auxilia a pessoa a manter a

unicidade e a totalidade promovendo e mantendo a adaptação com o mínimo de esforço

dispendido. Objetivamos com esse estudo promover a conservação da adaptação de uma paciente

acometida por fratura de tornozelo à Luz da Teoria de Myra Levine. Trata-se de uma pesquisa

qualitativa do tipo estudo de caso, no qual se utilizou como instrumento de coleta de dados a

entrevista, a observação e o exame físico, realizados na Santa Casa de Misericórdia de Sobral em

novembro de 2003. Foram obedecidos os princípios da resolução 196/96. A cliente J.S.M sexo

feminino, 45 anos, casada, dona de casa sofreu fratura e ruptura dos ligamentos do tornozelo

sendo submetida à cirurgia. Foram encontrados diagnósticos dentro dos quatro princípios da

Teoria de Levine: Princípio da conservação de energia: dor; mobilidade física prejudicada e

distúrbio no padrão de sono. Princípio da Integridade Estrutural: risco para integridade da pele

prejudicada e risco para síndrome do desuso. Princípio da Integridade Pessoal: medo; ansiedade;

baixa auto-estima situacional; déficit no autocuidado e desempenho do papel alterado. Princípio

da Integridade Social: risco para desgaste da pessoa que cuida. As intervenções de enfermagem

foram implementadas de acordo com cada princípio da teoria. Através da evolução da paciente

concluímos que os cuidados de enfermagem foram primordiais para promover a estabilidade da

paciente por meio dos sistemas de retroalimentação múltiplos e interativos.

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PALAVRAS CHAVE: Trauma Músculo – Esquelético; Assistência de Enfermagem; Teoria de

Myra Levine

TAKING CARE OF A PATIENT WITH A MUSCLE-SKELETAL TRAUMA ENLIGHTED BY MYRA LEVINE’S THEORY: STUDY OF CASE

The technological evolution and the intensification of social iniquities have contributed to the

progress of trauma incidences, transforming these traumas into one of the most significant health

problems, with loss of productive life and high costs to society. The costs with muscle-skeletal

traumas are even higher than the ones practiced with cancer treatment and heart illnesses. The

holistic care of nursery helps the patient to keep unit and totality providing and keeping

adaptation with a minimum dispended effort. We aimed with this study to propitiate the

preservation of adaptation of a patient affected by fracture of ankle, guided by Myra Levine’s

Theory. This is a qualitative research where the following instruments were used: collection of

data through an interview; observation and physical examinations, all of them held in “Santa

Casa de Misericórdia” hospital, in Sobral, CE, during the month of November, 2003. The

principles of the Resolution 196/96 were obeyed. The client named, J.S.M., female, forty-five

years old, married, housewife had a fracture and a rupture of the ligaments of her ankle, and was

undergone an operation. Diagnoses were found within the four principles of Levine’s theory,

which are: 1. Principle of Energy Conservation (pain, affected physical mobility and sleeping

disturbs; 2. Principle of Structural Integrity ( risks of skin integrity and unused syndrome); 3.

Principle of Personal Integrity (fear, anxiety, low self-esteem, lack of self care and role

alteration); 4. Principle of Social Integrity (risk of assistant’s fatigue). The nursery interventions

were implemented according to each principle of theory. We conclude, through the evolution of

the patient, that the nursery care was very important in order to provide with the patient her

stability, using the interactive and multi-feedback systems.

Keyworks: Muscle – Skeletal Trauma; Nursery Assistance; Myra Levine’s Theory

1 INTRODUÇÃO

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O traumatismo musculoesquelético pode resultar em equimoses, contusões, torsões e

fraturas. A fratura é uma ruptura em continuidade do tecido ósseo. As mais comuns resultam de um trauma externo direto, porém também podem ocorrer tanto como conseqüência de alguma deformidade óssea, quanto como fraturas patológicas da osteoporose (SMELTZER E BARE,

2002).

Na cicatrização de uma fratura, o próprio osso encarrega-se do reparo. Durante esse processo, o osso fraturado inicia um processo celular que resulta na formação óssea. O tratamento visa o correto alinhamento do osso fraturado e sua imobilização para que a cicatrização e o reparo ósseo ocorram em seus processos normais. A imobilização resulta numa certa atrofia muscular, perda do tono e enrijecimento das articulações. Qualquer fator congênito ou adquirido que comprometa a estrutura do sistema musculoesquelético ou nervoso, afetam, até certo grau, a mobilidade das articulações ou alinhamento corporal do paciente. O dano pode ser temporário ou permanente. Independente da duração da limitação, o plano de assistência da Enfermagem inclui intervenções que mantém o nível atual de alinhamento e mobilidade articular, assim como outras destinadas a aumentar o nível da função motora do paciente (POTTER E PERRY, 1998). De acordo com Black e Jacobs (1996), a incidência de fraturas varia com o local da fratura. As fraturas de costela são as fraturas ósseas mais comuns em adultos. As fraturas femorais são extremamente comuns em adultos jovens e de meia-idade. O cliente idoso fratura com freqüência o punho e o quadril. A causa mais comum de fratura é um traumatismo direto ao osso. Os acidentes automobilísticos e as quedas são mecanismo primário da lesão.

A lesão de uma parte do sistema musculoesquelético geralmente resulta em lesão ou

disfunção das estruturas adjacentes e das estruturas envolvidas ou suportadas por ela. Quando o osso se quebra, os músculos não conseguem funcionar e os vasos sangüíneos e nervos nas

vizinhanças da fratura podem ser lesados. Quando os nervos não enviam os impulsos para os músculos, como na paralisia, os ossos não conseguem movimentar-se. Quando as superfícies articulares não se articulam normalmente, os ossos e os músculos não podem atuar da forma correta (SMELTZER & BARE, 2002). Durante o estágio de Cirúrgica II, tivemos a oportunidade de conhecer e acompanhar o quadro clínico da cliente em estudo. Por se tratar de uma situação comumente encontrada nas

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unidades assistenciais e que envolve a traumatologia, resolvemos desenvolver este estudo de caso, utilizando para isso como referencial teórico a Teoria da Conservação de Myra Levine. Acompanhar uma cliente apresentando fratura oferece subsídios para que a mesma tenha conhecimento sobre sua patologia e como conseqüência maior segurança e participação no seu processo de reabilitação. Tomando como ponto de partida a grande incidência de acidentes ocasionando lesões traumatológicas, torna-se relevante que enquanto acadêmicos busquemos vivenciar essas situações para que quando profissionais possamos ter uma maior gama de conhecimentos e habilidades na assistência a clientes que apresentem problemas musculoesquelético. Objetivamos com essa pesquisa efetuar uma abordagem completa da cliente desde sua admissão na unidade assistencial até o cuidado em seu domicílio, conhecendo a causa e conseqüências de sua patologia intervindo de acordo com os diagnósticos de enfermagem encontrados e atuando de forma positiva no perioperatório, além de minimizar suas ansiedades, contribuindo na sua reabilitação e prestando informações necessárias para o uso favorável dos seus recursos na conservação de sua adaptação.

2 METODOLOGIA

2.1 Tipo de estudo

Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa do tipo estudo de caso. Yamamoto(1999), define estudo de caso como uma pesquisa sobre determinado indivíduo, família, grupo, comunidade ou fato para examinar os aspectos variados da vida. Envolve pequeno número de caso e grande número de variáveis.

2.2 Sujeito do estudo

Paciente

traumatológico

do

sexo

feminino

com

fratura

no

conseqüência de uma queda de dois metros de altura.

2.3 Local do estudo

tornozelo

esquerdo, em

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Nas Clínicas Médicas e Cirúrgica e Centro Cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia de Sobral- Ceará e também em seu domicílio localizado em Jaibaras, distrito de Sobral

A clínica médica e cirúrgica hoje funciona com um total de 62 leitos mantidos pelo Sistema

Único de Saúde, distribuídos em 18 leitos de clínica médica,19 traumatológicos, 15 da clínica cirúrgica infectada e 10 da enfermaria integrada.

A equipe multiprofissional de saúde é formada por cerca de quinze médicos de várias

especialidades, um fisioterapeuta, uma enfermeira, dois técnicos de enfermagem e 23 auxiliares de enfermagem (ARAGÃO et al., 2002).

O Centro Cirúrgico consta de nove salas de cirurgia mais duas salas de pequenas cirurgias

anexas ao Centro Cirúrgico para o atendimento ambulatorial, um total de onze salas. O bloco cirúrgico funciona com 57 médicos cirurgiões de diversas especialidades, 10 anestesiologistas, 2 enfermeiras especialistas, técnicos e auxiliares de enfermagem (ARAGÃO et al., 2002).

2.4 Instrumento e Procedimento para a coleta dos dados

Foram utilizados para a coleta, o roteiro para levantamento de dados elaborado pela Prof. Telma Leite de Araújo do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará-2001 (em anexo), que aborda os aspectos fisiológicos, psicológicos e sociais, assim como o roteiro de investigação pré-operatória preconizada por Smeltzer & Bare (2002) (em apêndice) e as observações do examinador. Essas informações foram obtidas pelo acompanhamento da cliente no seu perioperatório no hospital e posteriormente em seu domicílio.

2.5 Análise e discussão dos resultados Os resultados foram distribuídos nas três fases do perioperatório- pré, trans e pós-operatório-

e analisados de acordo com os diagnósticos de enfermagem encontrados nos princípios da Teoria da Conservação da Adaptação de Myra Levine.

2.6 Aspectos éticos e legais

Muitas precauções foram tomadas para preservar todos direitos e exigências da participante da pesquisa, sendo esclarecidos objetivos e finalidade da pesquisa, garantindo o anonimato da

cliente cujo nome verídico não foi citado, como preconiza a resolução 196/96 do Conselho

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Nacional de Saúde que trata de pesquisa envolvendo seres humanos. Os dados só foram coletados com a permissão da mesma através de um termo de consentimento. Polit e Hungler (1995), alertam que o consentimento informado permite ao sujeito informações a respeito da pesquisa a ser realizada, bem como o poder de livre escolha, o que os capacita a consentir, voluntariamente em participar da pesquisa.

3 REVISÃO DE LITERATURA

3.1 Revisão Anatômica e Fisiológica

O sistema músculo-esqulético inclui ossos, articulações, músculos, tendões, ligamentos e bolsas do corpo. A estrutura óssea fornece proteção para os órgãos vitais, incluindo cérebro, coração e pulmões (SMELTZER & BARE, 2002). Para Weineker (1990), os ossos exercem função protetora além de formarem a armação que confere apoio às partes moles e de servirem de alavancas fixas para a ação dos músculos.

3.2 Contextualizando a Temática

A evolução tecnológica juntamente com a intensificação das iniqüidades sociais contribuíram para a progressão da incidência de traumas, tornando-os uma das doenças mais significativas de

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perda de vida produtiva. De acordo com Freire (2001), no ano de 1985, aconteceram no Brasil 893.877 óbitos dos quais 114.888 (12,9%) devido às chamadas “causas externas” cuja freqüência relativa só era ultrapassada pelas “doenças do aparelho circulatório” que ocupavam o primeiro lugar entre as causas de óbitos (27,4%) e aquelas devido a “sintomas, sinais e afecções mal definidas” (16,2%). Apesar da alta incidência de traumas envolvendo o sistema músculo-esquelético estes não implicam risco de vida, desde que não haja lesão de órgãos vitais subjacentes. De acordo com Smeltzer & Bare (2002), os problemas com o sistema músculo-esquelético não comportam, em geral, risco de vida, mas possuem um efeito significativo sobre as atividades normais e produtividade do paciente. O custo do traumatismo em termos de possível perda de anos de vida produtiva excede tanto o do câncer como o da doença cardiovascular (HUDAK & GALLO,

1997).

Segundo Freire (2001), a evolução cronológica da mortalidade por causas externas no Brasil no período de 1980 a 1998 medida pelo seu coeficiente específico de mortalidade por 100.000 habitantes, teve um aumento da ordem de 23% (59 em 1980 para 72,9% em 1998). De acordo com Cailliet (2000) a lesão vai de uma simples distensão, ou seja, um mero alongamento dos ligamentos com microtrauma, até uma lesão importante, com ruptura das fibras ligamentares, com ou sem avulsão do osso no qual os ligamentos se inserem.

3.3 Lesões no Sistema Músculo-Esqulético

Segundo Smeltzer & Bare (2002), uma contusão é uma lesão de tecido mole produzida por força fechada com rompimento de pequenos vasos sanguíneos provocando sangramento para dentro dos tecidos moles. O estiramento é uma “tração muscular” decorrente de uso, estiramento ou estresse excessivos com conseqüentes lacerações musculares microscópicas e incompletas com algum sangramento para dentro do tecido. Já a entorse é a lesão dos ligamentos que circundam uma articulação, provocada por um movimento de torção ou tração violenta. Os ligamentos lacerados perde capacidade estabilizadora, provocando rompimento dos vasos sanguíneos causando edema e dor na articulação. Para Cailliet (2000) o mecanismo da lesão ligamentar do tornozelo é geralmente no momento do impacto do pé no solo, quando o pé está em flexão plantar e supinado, provocando maior

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instabilidade óssea do tornozelo. Os ligamentos absorvem grande parte do estresse, porque os músculos fibulares não conseguem se contrair com rapidez suficiente para amortecer o impacto. Outro tipo de lesão bastante comum no sistema músculo-esqulético são as luxações que são definidas por Dimon (1979) como sendo a separação de dois ossos que compõem a articulação, implicando em uma ruptura da cápsula articular e da membrana sinovial, como também em algum trauma nos músculos e partes moles adjacentes. Em uma subluxação, as duas superfícies articulares que compõem a articulação não estão inteiramente congruentes, mas estão ao menos parcialmente se articulando. Uma subluxação igualmente implica em um estiramento e afrouxamento das articulações, da membrana sinovial e da cápsula, ainda que não necessariamente em uma ruptura completa da cápsula. Corroborando Smeltzer & Bare (2002) diz que as luxações traumáticas são emergências ortopédicas, uma vez que as estruturas articulares, aporte sanguíneo e nervos associados são distorcidos e gravemente estressado podendo resultar em necrose avascular e paralisia nervosa que podem manifestar-se por dor, alteração no contorno da articulação, alteração no comprimento do membro, perda da mobilidade normal e alteração no eixo dos ossos luxados.

3.3.1 Fraturas O osso é um tecido vivo que absorve as tensões e pressões normais. De acordo com Nettina (1999), fratura é uma ruptura na continuidade do osso, ocorrendo quando o estresse aplicado ao osso é maior que aquele que o osso consegue absorver. “Quando o osso é quebrado, as estruturas adjacentes também são afetadas, resultando em edema de tecidos moles, hemorragia para dentro dos músculos e articulações, luxações articulares, tendões rompidos, nervos lacerados e vasos sanguíneos lesados.”(SMELTZER & BARE, 2002) A quebra na continuidade do osso, associado a lesão dos tecidos adjacentes provoca uma dor contínua que aumentam em intensidade até que os fragmentos ossos sejam imobilizados. Smeltzer & Bare (2002) refere que o espasmo muscular que acompanha uma fratura é um tipo de imobilização natural destinado a minimizar o movimento adicional dos fragmentos da fratura. Segundo Dimon (1979), as fraturas podem ocorrer devido a um trauma direto ou indireto no osso. No trauma direto, a força é aplicada diretamente sobre o osso através dos tecidos moles que o recobrem. No trauma indireto, a força é transmitida ao osso por forças que inicialmente atuam em locais distantes do local da fratura.

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- Complicações de Fraturas Em qualquer situação de emergência, a atenção deve voltar-se para a avaliação do estado geral do paciente e não apenas para a lesão mais evidente, uma vez que as complicações vão variar com a intensidade do trauma assim como a qualidade das condutas inciais. De acordo com Smeltzer & Bare (2002), as complicações das fraturas situam-se em duas categorias: precoces e tardias. As complicações iniciais incluem choque, embolia gordurosa, síndrome compartimental, tromboembolia, coagulopatia intravascular disseminada e infecção. O choque hipovolêmico ou traumático, decorrente de hemorragia e da perda de líquido extracelular para dentro dos tecidos lesados , pode ocorrer em fraturas de membros , tórax, pelve e coluna vertebral. No entanto Nettina (1999) coloca que a embolia gordurosa está associada com a embolização da medula óssea e da gordura tecidual ou plaquetas e ácidos graxos livres para os capilares pulmonares, produzindo um rápido início de sintomas como : angústia respiratória, distúrbios mentais, febre e petéquias nas membranas orais, palato duro, sacos conjuntivais e pregas axilares. A síndrome compartimental refere-se a uma condição na qual ocorre um aumento patológico da pressão sanguínea, em um compartimento muscular, envolto por uma fáscia, resultando em uma redução da perfusão sanguínea capilar a um nível abaixo do necessário para viabilidade tissular (FREIRE, 2001). A coagulopatia intravascular disseminada inclui um grupo de distúrbios hemorrágicos com etiologia diversas, inclusive o trauma tecidual maciço (SMELTZER & BARE, 2002). Já Nettina (1999) acrescenta que a estase venosa e tromboembolia são particulares das fraturas do quadril e das extremidades. Segundo Smeltzer & Bare (2002), as complicações tardias compreendem união tardia, não união, necrose óssea avascular, reação dos aparelhos de fixação interna, distrofia simpática reflexa e ossificação heterotrófica. A união tardia ocorre quando a cura não progride em uma velocidade normal para a localização e tipo de fratura, que pode está associada à infecção sistêmica e à distração dos fragmentos ósseos. A não união resulta da falha das extremidades de um osso fraturado em se unir. Semanas a meses são necessários para que a maioria das fraturas se consolidem uma vez que vários fatores influenciam a velocidade do processo de consolidação. Para assegurar a consolidação a redução dos fragmentos de fratura deve ser exata e mantida, assim como o osso

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afetado deve ter um suprimento sanguíneo adequado. Quando a consolidação da fratura é interrompida, o tempo de união do osso pode ser retardado ou interrompido por completo (SMELTZER & BARE, 2002).

- Tipos de Fraturas De acordo com Filho (2000) as fraturas são classificadas em:

a) Completa: quando há separação dos dois segmentos ósseos.

b) Incompleta: os dois segmentos permanecem próximos, sem deslocamentos.

c) Cominutiva: o osso é estilhaçado e fragmentos ou esquírolas se inrterpõem entre os dois coitos.

d) Exposta ou Aberta: a fratura se comunica com o exterior.

e) Simples ou Fechada: a fratura fica protegida pelo tegumento íntegro.

f) Galho Verde ou em Haste: a fratura é incompleta com flexão parcial do osso e com formação de suas fissuras, com hastes em letra T.

3.4 Referencial Teórico

Concordamos com George (1993) quando diz ser importante que se compreenda a maneira como a teoria, a pesquisa e a prática relacionam-se entre si, e como cada uma dá apoio à outra. A mesma autora afirma que as teorias constituem uma forma sistemática de olhar para o mundo, para descrevê-lo, explicá-lo, prevê-lo ou controlá-lo. Elas se compõem de conceitos, definições, modelos e proposições, e são baseadas em suposições. De acordo com Leopardi (1999), a teoria ajuda na busca de sistematização e organização das observações feitas na prática e na estruturação das ações, visando alcançar os objetivos determinados.

3.4. 1 Teoria de Myra Estrin Levine

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Segundo Lepardi (1999), Levine propõe a teoria da conservação da enfermidade holística onde o ser humano é uma unidade corpo-mente que responde à mudança interagindo com o meio

e adaptando-se. A teoria de Levine discute a adaptação, a conservação e a integridade. A adaptação é o processo pelo qual a conservação é adquirida, e a finalidade da conservação é a integridade. O núcleo da teoria de Levine são os quatro princípios de conservação (GEORGE, 2000).

Ø Adaptação

Para George (2000), a adaptação é o processo da vida pelo qual, ao longo do tempo, as

pessoas mantêm sua totalidade ou integridade ao reagirem aos desafios do ambiente; e a

engajamento bem sucedido com o ambiente depende

da reserva adequada de adaptações. A adaptação é um processo histórico, as respostas são baseadas em experiências passadas, tanto pessoais quanto genéticas. A adaptação também é específica. Cada sistema tem respostas muito particulares. Tanto as respostas fisiológicas quanto as comportamentais são diferentes sob diferentes condições. (GEORGE, 2000) Trench, Wallace & Coberg (1987 apud GEORGE 2000) afirmam que Levine descreve a adaptação como o melhor ajuste da pessoa com a sua determinação de tempo e de espaço.

conseqüência da interação é o ambiente

o

Ø Conservação

Segundo Levine (1990 apud GEORGE 2000), a conservação defende a totalidade dos sistemas vivos assegurando a sua capacidade de confrontar as mudanças apropriadamente e reter

a sua identidade única. A conservação é um conceito universal, uma lei natural, que trata da

defesa da totalidade e da integridade do sistema. Concordamos com Levine (1989 apud GEORGE 2000) ao afirmar que a conservação é, claramente, a conseqüência de sistemas de retroalimentação múltiplos, interativos, sincronizados

e negativos que proporcionam a estabilidade dos organismos vivos. De acordo com George (2000), o papel da enfermagem na conservação é o de ajudar a pessoa no processo de manter a unicidade, a totalidade, através do mínimo de esforço dispendido. Levine (1989 apud GEORGE 2000) propôs os seguintes quatro princípios de conservação:

1- A conservação de energia do indivíduo.

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2-

A conservação de integridade estrutural do indivíduo.

3-

A conservação de integridade pessoal do indivíduo.

4-

A conservação de integridade social do indivíduo.

Levine também descreve a conservação de energia como proteção para a integridade funcional. Para Levine a conservação de energia é básica à lei universal e afirma que a energia não está escondida, é claramente evidente, identificável, mensurável e controlável. Com relação à conservação da integridade estrutural, Levine (1989 apud GEORGE 2000) enfoca o processo de cura, ou seja, a cura é a defesa da totalidade. A mesma autora afirma que a conservação da integridade pessoal enfoca o sentido de ser, que para George (2000), é definido,defendido e descrito apenas pela alma a quem pertence. Levine (1999 apud GEORGE 2000) consideram que a conservação da integridade social envolve a definição do ser que vai além do indivíduo. Os indivíduos usam os seus relacionamentos para definirem a si mesmos. A identidade de cada um está conectada com a família, a comunidade, a cultura, a etnia, a religião, a vocação, a educação e a situação sócio- econômica. Levine também destaca que a prevenção de doenças é um aspecto da integridade social e discute a necessidade tanto de discutir quanto de manter programas e estudos que tratem dos problemas avassaladores de saúde como o tabagismo, o abuso de drogas, o HIV e o câncer.

3.4.2 A Teoria e Metaparadigma de Enfermagem de Levine Levine tece com maestria suas convicções sobre os seres humanos, ambiente, saúde, e enfermagem ao longo de suas convicções sobre conservação e adaptação (GEORGE, 2000). Em relação aos seres humanos, Levine (1990 apud GEORGE 2000) afirma que quando uma pessoa está sendo estudada, o foco deve ser na integridade. Ela também sustenta que uma pessoa não pode ser compreendida fora do contexto de tempo e lugar no qual ela interage ou está isolada da influência de tudo que acontece a seu redor. Para George (2000), os seres humanos estão em contínua adaptação em suas interações com o ambiente. O processo de adaptação resulta em conservação. Os seres humanos necessitam da enfermagem quando estão sofrendo e podem pôr a independência de lado e aceitar os serviços do outro. Ao definir ambiente, Levine (1990 apud GEORGE 2000) utilizam as classificações de Bates ao afirmar que existem três aspectos do ambiente que são o ambiente operacional que

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consiste daquelas forças naturais não detectadas que atingem o indivíduo, o ambiente perceptivo que consiste de informações que são registradas pelos órgãos sensoriais e o ambiente conceitual que é influenciado pela linguagem, cultura, idéias, e cognição. Levine (1984 apud GEORGE 2000) sugerem que saúde e doença são padrões de mudança adaptativa e que algumas adaptações são mais bem sucedidas que outras. Ela também discute as palavras saúde, todo e integridade como derivadas da mesma palavra da raiz e que, mesmo com a multiplicidade de definições de saúde, cada indivíduo ainda define saúde por si mesmo. Segundo George (2000) , o propósito da enfermagem aceita por Levine é cuidar dos outros quando eles necessitam de cuidados. O relacionamento enfermeiro-paciente se baseia na participação intencional de ambas as partes e, nesse relacionamento, não pode haver um substituto para a honestidade, imparcialidade e respeito mútuo.

3.4.3 Teoria de Levine e Processo de Enfermagem De acordo com George (2000), os conceitos de adaptação, conservação e integridade de Levine podem ser usados para orientar o atendimento ao paciente no processo de enfermagem.

- Levantamento de Dados Na investigação dá-se ênfase na compreensão do paciente como um todo. Entretanto, segundo Levine, a investigação não seria iniciada exceto se a pessoa estivesse sofrendo e desejando tornar-se dependente da enfermeira em algum grau. A questão crucial seria “Que adaptação foi necessária ou não foi bem sucedida?” Sob o princípio da conservação de energia, os dados investigativos seriam relativos as fontes e aos gastos de energia, ou seja, o enfoque principal seria a identificação das áreas de gasto de energia relativas ao sofrimento que trouxe o paciente para o contato com a enfermeira. Os dados investigativos relacionados à conservação da integridade estrutural sejam relativos às informações sobre as lesões e processos de doença. Já os dados referentes a conservação da integridade pessoal incluiriam às partes da intimidade que a pessoa deseja ou é capaz de compartilhar. Na conservação da integridade social, os dados investigados incluem informações sobre outros dados que tenham influenciado a identificação do ser da pessoa, tais como, a família, a comunidade onde a pessoa mora e trabalha, as influências étnicas e culturais, as preferências religiosas e qualquer outra informação social que a pessoa considera importante compartilhar e que pode influenciar o plano de cuidados.

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- Diagnósticos de Enfermagem Para George (2000), o diagnóstico de enfermagem embasado na teoria de Levine , enfoca

a causa do sofrimento do paciente e as áreas em que a adaptação deve ser apoiada para que a conservação e a integridade sejam atingidas.

- Planejamento Com relação ao planejamento, Levine enfoca o que a enfermeira necessita fazer para auxiliar a paciente a tornar-se novamente independente. Levine não fez esforço para ser prescritiva sobre os tipos de ações que seriam planejadas.

- Implementação Segundo George (2000), a implementação está estruturada de acordo com os quatro princípios de conservação. Para a conservação de energia, as ações tentarão equilibrar a entrada e

a saída de energia. Para a integridade estrutural, as ações de enfermagem estão baseadas na ajuda ao paciente a preservar seu lugar na família, na comunidade e na sociedade. Na integridade pessoal, os esforços serão baseados na ajuda da pessoa a preservar sua identidade e sua individualidade.

- Avaliação De acordo com George (2000), a avaliação não é especificamente discutida por Levine. No entanto, a ênfase sobre a importância de auxiliar a pessoa a retornar à independência, logo que possível, sustenta a necessidade de avaliação. Os dados da avaliação enfocam a eficácia da adaptação na obtenção de conservação e de integridade nas quatro áreas: energia, integridade estrutural, integridade pessoal e integridade social.

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4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A cirurgia, seja eletiva ou de emergência, é um evento estressante e complexo. A Enfermagem perioperatória e perianestésica descreve uma ampla variedade de funções da enfermeira associadas à experiência cirúrgica do paciente. A enfermagem perioperatória e perianestésica aborda os relevantes papéis da enfermeira nas três fases da experiência cirúrgica- pré-operatória, intra-operatória e pós-operatória- cada uma delas inicia e termina em um momento particular na seqüência de eventos que constituem a experiência cirúrgica, e cada uma inclui uma ampla variedade de atividades que a enfermeira realiza utilizando o processo de enfermagem e os padrões da prática (SMELTZER & BARE, 2002). Com o intuito de facilitar o entendimento, optamos por aplicar a Teoria da Conservação da Adaptação de Levine, distribuindo seus princípios durante as três fases que compõem o

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perioperatório,

identificando

em

cada

uma

os

diagnósticos

e

possíveis

intervenções

de

enfermagem.

4.1 Pré- Operatório

J. S. M. , sexo feminino, 45 anos de idade, cor parda, casada, dona de casa, 5 filhos, residente

em Jaibaras, relata ter buscado atendimento médico no Serviço de Emergência da Santa Casa de Misericórdia de Sobral no dia 30.09.03, com queixas de dor no tornozelo esquerdo com presença de edema, em conseqüência de uma queda de dois metros de altura. No setor foi realizado exame de raio X, através do qual foi identificado fratura e rompimento dos ligamentos do tornozelo.

J. S. M. , foi admitida no dia 20.10.03 na Casa de Saúde São Joaquim para submeter-se a

procedimento cirúrgico. Foram solicitados os seguintes exames: hemograma completo, classificação do grupo sangüíneo, fator Rh e glicemia. Os mesmos apresentando os respectivos resultados: presença de anemia com hematócrito de 35,8%, tipo sangüíneo O (positivo) e taxa de glicose sangüínea normal. Ao exame físico geral foi possível observar que J. S. M. teve perda de peso depois do acidente e apresentava pele ressecada principalmente na região do tornozelo em que identificamos o edema. Referia dificuldade em andar devido dor intensa, necessitando do auxílio de muletas. A cliente encontrava-se bastante ansiosa, afirmava ter medo de perder a perna no procedimento cirúrgico, além de ter preocupações com o trabalho e a família. De acordo com as observações realizadas durante o pré-operatório pudemos identificar diagnósticos de enfermagem presentes nos seguintes princípios da Teoria de Levine: Princípio da Conservação de Energia, Princípio da Integridade Estrutural e Princípio da Integridade Pessoal.

Princípio da Conservação de Energia Segundo Levine apud George (2000) o princípio da conservação de energia afirma que a energia não está escondida: “é eminentemente identificável, mensurável e controlável. Os diagnósticos que se inserem neste princípio são: Nutrição alterada: ingestão menor do que as necessidades corporais relacionada a fator psicológico, dor relacionada a agente físico, intolerância à atividade relacionada a imobilidade do tornozelo esquerdo, mobilidade física

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prejudicada relacionada à intolerância à atividade e distúrbio do padrão de sono relacionado a alterações sensoriais internas. Quando ocorre doença ou trauma, a nutrição ideal é um fator essencial na promoção da cura

e resistência à infecção (SMELTZER & BARE, 2002). J. M. S. , apresentava dificuldade de aceitar a comida oferecida no hospital, onde intervimos de maneira a instruí-la quanto a importância de uma boa alimentação para quem irá se submeter a procedimento cirúrgico. A dor incapacita e angustia o paciente mais do que qualquer outra doença, dessa maneira a

equipe de enfermagem deve ter conhecimento e habilidades para avaliar a dor e seus efeitos sobre

o paciente, elaborar planos de cuidado de alívio da dor e observar o alcance de metas. Para o

alívio da dor referida por J.M.S. usamos estratégias de modificação desta dor administrando analgésicos prescritos, avaliando a resposta da paciente aos medicamentos e outras técnicas de redução da dor e posicionando-a de maneira mais confortável como medida profilática perante a dor.

As pessoas cuja capacidade motora está prejudicada por uma doença ou trauma muitas vezes precisam de ajuda para as atividades de sua vida cotidiana (DU GAS,1988). Em comum acordo com o autor e visando a diminuição da intolerância à atividade da paciente e diante de sua mobilidade física prejudicada programamos atividades com períodos regulares de repouso para reduzir a fadiga, encorajamos a paciente a participação do auto-cuidado, orientamos para mudança de posições, demonstramos o uso de aparelhos auxiliares como muletas. Diante da dor, da intolerância à atividade física, da mobilidade física prejudicada, da ansiedade pré-operatória e da mudança de ambiente J. M. S., queixava-se de distúrbio do padrão de sono. Para tanto foram observadas sinais físicos de fadiga, administrados fármacos para a dor

e tomadas medidas de conforto no preparo para o sono.

Princípio da integridade estrutural Segundo George (2000), o princípio da integridade estrutural enfoca o processo de cura. Nele identificamos os seguinte diagnóstico: Risco para integridade da pele prejudicada. Doenges e Moorhouse (1999) conceituam risco para integridade da pele prejudicada relacionada a imobilização física e alterações nutricionais como estado em que a pele de um indivíduo corre o risco de sofrer solução de continuidade. Diante deste diagnóstico de enfermagem oferecemos informações à paciente sobre a importância da observação regular e de

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um eficiente cuidado com a pele na preservação regular, acentuamos a importância de uma ingestão nutricional/ líquidos adequada e a encorajamos a fazer pequenos movimentos que contribuiriam na circulação.

Princípio da Integridade Pessoal É o princípio que enfoca o sentido de ser (GEORGE, 2000). Neste princípio diagnosticamos medo e ansiedade relacionados a submissão a processo cirúrgico iminente, baixa auto-estima situacional relacionada a perda de um estado de saúde, déficit no autocuidado relacionado a dor, intolerância à atividade e estado de mobilidade prejudicada. Medo e ansiedade presentes por ventura do estado de debilidade da cliente foram amenizados através do reconhecimento da existência desses sentimentos, não negando e reassegurando à paciente que tudo correria bem , oferecendo informações precisas sobre a sua situação de saúde, assim como medidas de conforto e permanecendo com a paciente, mantendo- a calma e confiante. A baixa auto-estima situacional coloca-se como uma auto-avaliação negativa originada como resposta a uma perda ou mudança em uma pessoa que outrora possuía uma auto-avaliação positiva (DOENGES E MOOHRHOUSE, 1999). No cuidado prestado à cliente avaliamos a percepção da mesma em relação à situação que estava a enfrentar e através de diálogo tentamos transmitir confiança em sua capacidade de enfrentá-la. O déficit de auto-cuidado é observado no estado em que uma pessoa vivencia um prejuízo na capacidade de cuidar de si mesma. J. M. S. teve as condições existentes que afetavam sua capacidade de atender suas próprias necessidades enfatizadas e recebeu estímulos para desenvolver habilidades através da assistência prestada para se adaptar à sua nova e temporária condição.

4.2 Intra-operatório J. M. S., encontrava-se extremamente ansiosa e preocupada com o resultado de sua cirurgia. Suas fácies explicitavam medo e tensão além da mesma relatar dor até o momento em que recebeu a anestesia. Ao entrar na Sala de Operação, J. M. S., pedia que não a deixássemos sozinha e que ficássemos todo o tempo do seu lado.

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Sendo colocada na mesa cirúrgica, foi puncionada sua veia para que se mantivesse o acesso venoso. Foi solicitado a colaboração da paciente para que ficasse relaxada e então se iniciasse o bloqueio. Foi assim feito a antissepsia do local e realizada a punção lombar. Os Sinais Vitais no início da cirurgia:

P.A. 110 X 80 mmHg Pulso: 76 bpm Temperatura: 36,6 graus Respiração: 20 ipm Sendo iniciada a cirurgia o enfermeiro realizou a compressão da perna esquerda até a região do joelho com uma faixa de Smach, o procedimento tem função de evitar que ocorra sangramento durante o ato cirúrgico e facilitar a visualização de estruturas. A incisão é feita, o cirurgião chega até a região do osso e faz duas perfurações adaptando os parafusos, onde fixa o osso dando-lhe o delineamento anatômico correto. Após fixar o osso, a incisão é fechada e então estabilizado o tornozelo, pondo uma “talisca” de gesso. Após realizado procedimento é colocada sobre a incisão gases e enfaixada a perna. Os diagnósticos de enfermagem encontrados situam-se nos princípios de integridade estrutural e integridade pessoal.

Integridade estrutural Incluem-se: Risco para traumatismo pelo posicionamento perioperatório. É o estado no qual o cliente corre risco de dano como resultado das condições ambientais encontradas no cenário perioperatório (DONGES E MOORHOUSE, 1999). Para tanto intervimos de maneira a minimizar tal risco, posicionando a cliente de maneira adequada na mesa cirúrgica, mantendo o linhamento do seu corpo e protegendo-o de partes metálicas.

Integridade Pessoal Encontram-se

relacionada ao procedimento cirúrgico. Atuamos permanecendo com J. M. S. durante todo o ato

cirúrgico, dando atenção e oferecendo informações sobre todos os procedimentos. Estivemos disponível e estimulamos a paciente a expressar seus sentimentos.

os

diagnósticos

de Medo relacionado a hospitalização e

Ansiedade

4.3 Pós-Operatório

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Durante as visitas pós-operatórias verificamos que J. M. S. estava mais tranqüila e menos ansiosa, porém extremamente preocupada em como faria para continuar suas tarefas domésticas e em qual seria o meio de aquisição de renda no decorrer de sua reabilitação. Tornaram-se agora com dois parafusos no tornozelo esquerdo e com aparelho gessado, suas atividades tornaram-se limitadas, sendo necessária a colaboração de outras pessoas no seu dia-a- dia. O esposo de J. M. S. a ajuda, porém também tem problemas de saúde, uma paralisia em um dos membros superiores, e para que maior assistência fosse dada à cliente sua filha, casada, teve que ir ficar com ela levando junto dois filhos, o que levando-se em consideração a indisponibilidade de adequados recursos financeiros, pesou ainda mais no orçamento. No pós-operatório imediato J. M. S. estava calma porém queixando-se de dores e apresentava sinais vitais:

P.A.110 X 80 mmHg T: 36 graus FR: 19 ipm FC: 60 bpm Durante visitas hospitalares seguintes a paciente continuava a queixar-se de dores intensas que chegavam a prejudicar seu sono. Sinais Vitais no pós-operatório tardio indicavam:

P.A. 120 X 80 mmHg T: 36,5 graus FR: 22 ipm FC: 80 bpm. Em visitas domiciliares notamos evolução positiva da cliente. A mesma relatou ausência de dores porém, o padrão de sono ainda não estava satisfatório devido à imobilização da perna. Apresentava diurese e evacuações normais no entanto continuava necessitando de ajuda para deambular. J.M.S. encontrava-se preocupada com sua situação financeira, pois desde que sofreu o trauma estava sem receber sua renda mensal. No pós-operatório pudemos encontrar diagnósticos de enfermagem nos quatro princípios da Teoria de Levine.

Princípio da Conservação de Energia

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Diagnósticos identificados foram: Dor relacionada a agente físico, mobilidade física prejudicada relacionada a dor e aparelho gessado, distúrbio no padrão de sono relacionado a dor no pós-operatório e nutrição alterada: ingestão menor do que as necessidades corporais. A dor associada ao processo da doença é freqüentemente controlada pela imobilização (SMELTZER & BARE, 2002). À J. M. S. foram administrados analgésicos conforme indicação médica e orientou-se a elevação da perna esquerda para controle da dor e diminuição do edema localizado próximo à incisão cirúrgica, assim reduzindo o desconforto gerado e proporcionando melhoria no padrão de sono da cliente. Uma boa alimentação oferece subsídios para uma melhor e mais rápida reabilitação e diminui os riscos de desenvolvimento de infecção pós-operatória. A baixa renda familiar de J. M. S. contribui negativamente para que esta tenha um padrão nutricional adequado, ao prestarmos assistência buscamos contornar a situação desenvolvendo estratégias individuais para aquisição de recursos.

Princípio da Integridade Pessoal Foram verificados diagnósticos de Déficit no autocuidado relacionado a dor e estado de mobilidade prejudicada, desempenho de papel alterado relacionado ao processo saúde/doença. O déficit de autocuidado pode ocorrer quando uma parte do corpo é imobilizada (SMELTZER & BARE, 2002). Encorajamos a paciente a participar ativamente no cuidado pessoal e a usar aparelho de assistência com segurança, mantendo o tratamento contra a dor. J. M. S. teve que mudar sua rotina para adaptar-se ao processo de reabilitação, o que identificamos como alteração no desempenho de papel, e para reduzir os efeitos desta transformação disponibilizamos informação e apoio à paciente para que ela aceitasse e assim contribuísse de forma ativa no seu processo de recuperação.

Princípio da Integridade Estrutural Identificamos os seguintes diagnósticos: Risco para disfunção neurovascular periférica relacionado a imobilização, Risco para integridade da pele prejudicada relacionada a imobilização física, Risco para síndrome do desuso relacionado a imobilização prolongada. Trauma, edema ou aparelhos de imobilização podem interromper a perfusão tecidual (SMELTZER & BARE, 2002). Ao prestarmos assistência à J. M. S. avaliamos com freqüência o estado neurovascular do membro afetado, na inspeção atentamos para a coloração, temperatura,

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pulso, edema, dor e movimentação. Orientamos quanto a manter elevada a extremidade lesionada e a exercitar rotineiramente os dedos da mesma. Objetivando minimizar os riscos de integridade da pele prejudicada intervimos com orientações para mudança de posição, tomar medidas de segurança durante a deambulação e elevação do membro para aumentar o retorno venoso e reduzir a formação de edema. Enquanto está em uso de aparelho gessado, o paciente precisa aprender a tensionar os músculos sem mover a região. Isso ajuda a reduzir a atrofia muscular e manter a força (SMELTZER & BARE, 2002). Instruímos J. M. S. a fazer movimentos freqüentes com os dedos do pé esquerdo a fim de exercitar os músculos da área imobilizada.

Conservação da Integridade Social

A conservação da integridade social envolve a definição do ser que vai além do indivíduo

(GEORGE, 2000). Os diagnósticos de enfermagem encontrados foram: Risco para desgaste da pessoa que presta cuidados relacionado a co-dependência.

O desgaste da pessoa que presta cuidados se manifesta quando a mesma é vulnerável a

sentir dificuldade na realização do papel de prestar cuidados (DOENGES E MOOHORHOUSE, 1999). No caso de J. M. S. foi auxiliado à pessoa que presta cuidados a planejar as mudanças que podem ser necessárias para a cliente tendo o cuidado para que o cuidador não se sobrecarregue.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sabendo-se que é considerado a principal causa de morte em crianças e adultos menores de 44 anos de idade, o trauma em qualquer paciente possui potenciais complicações. Portanto, ao cuidar do paciente traumatológico, o enfermeiro deve ser extremamente cauteloso com todas as evidências, manuseando-as e documentando-as de forma apropriada. Quando foi admitida na Santa Casa de Misericórdia de Sobral, J. M. S. apresentava uma fratura no tornozelo esquerdo que a impedia de fazer suas atividades rotineiras com a mesma perfeição de antes. Após submeter-se a uma cirurgia a mesma apresentou uma progressiva evolução e adaptação às novas condições de vida até sua completa recuperação. Desta forma, consideramos a Teoria de Levine, que se refere à Conservação da Adaptação, a mais indicada para respaldar a pesquisa.

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Contamos com a colaboração positiva de J. M. S. e de sua família, que não relutaram em fornecer as informações e consentimento necessários para a implementação de um plano de cuidados e para o desenvolvimento do nosso estudo.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BLACK, Joyce M; JACOBS, Esther M. Enfermagem Médico-Cirúrgica: uma abordagem psicofisiológica. 4º edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996.

CAILLIET, René. Doenças dos tecidos moles. 3° edição. Porto Alegre: Ed. Artmed, 2000.

DIMON, Donahoo. Enfermagem em Ortopedia e Traumatologia. São Paulo: Ed. EPU, 1979.

Diretrizes do Serviço de Enfermagem da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Sobral / Coordenado por Antônia Eliana de A. Aragão et al.- Sobral: Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Sobral, 2002.

DU GAS, Beverly Witter. Enfermagem Prática. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988.

FILHO, Geraldo Brasileiro. Bogliolo Patologia. 6° edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,

2000.

FREIRE, Evandro. Trauma a doença dos séculos. São Paulo: Ed. Atheneu, 2001.

GEORGE, Julia B. Teorias de Enfermagem: Os fundamentos para a prática profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

GEORGE, Julia B. Teorias de Enfermagem. 4º edição. Porto Alegre: Artmed editora, 2000.

HUDAK, Carolyn M.; GALLO, Bárbara M. Cuidados Intensivos de Enfermagem. 6° edição. Ed. Guanabara Koogan.

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LEOPARDI, Maria Tereza. Teorias em Enfermagem: Instrumentos para a prática. Florianópolis: Ed. Papa-Livros, 1999.

NETTINA, Sandra M. Prática de Enfermagem. 6° edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,

1999.

PORTO, Celmo Celeno. Semiologia Médica. 4° edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,

2001.

POTTER, Patrícia A.; PERRY, Anne G. Grande Tratado de Enfermagem Prática. 3º edição. São Paulo: Tempo editora, 1998.

SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 9° edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

TOMASI, N.G.S; YAMAMOTO, R.M. Metodologia da pesquisa em saúde: Fundamentos essenciais. Curitiba, 1999.

WEINECK, J. Anatomia Aplicada ao Esporte. 3° edição. São Paulo: Ed. Mande, 1990.

7 APÊNDICES

PRÉ – OPERATÓRIO

- Preocupações possíveis do paciente:

Ausência de emprego; Possível perda do trabalho ; Experiências prévias com o sistema de saúde ; Responsabilidades pela sustentação de família ; Ameaça de uma incapacidade permanente ; Experiências de pessoas que o paciente conhece com as mesmas condições;

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- Possíveis medos:

Anestesia Morte Deformidade Prognóstico ruim Dor Do desconhecido De outras ameaças à imagem corporal Incapacidade futura

- Estado nutricional:

Peso Prega cutânea Desidratação Altura Circunferência do braço Obesidade

- Estado respiratório:

Ótima função respiratória ? Presença de infecção respiratória ? Tabagismo ?

- Estado cardiovascular:

Bom funcionamento cardiovascular ? Apresenta hipertensão ou hipotensão? Apresenta hipóxia ? Tem sobrecarga hídrica?

- Função Endócrina:

Diabetes Glicosúria Uso de medicações esteróides

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- Função imunológica:

Reações alérgicas prévias;

Asma brônquica

Imunossupressão

Quimioterapia

Radioterapia

Imunossupressão

- Terapia anterior com medicação:

Medicações usadas ou em uso

- Corticoteróides adrenais;

- Fenotiazinas;

- Tranqüilizantes;

- Antibióticos;

- Diuréticos

- Antidepressivos;

- Insulina;

Investigação pré-operatória preconizada por Smeltzer & Bare (2002), adaptado por Benedita Tatiane, Elaine Cristina, Gilmária Cardoso, Helena Parente, Verônica Araújo e Vilma Madeira

ANEXOS

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ROTEIRO PARA LEVANTAMENTO DE DADOS 1

I-

IDENTIFICAÇÃO

Nome:

Sexo:

Cor:

Estado Civil:

Escolaridade:

Idade:

Ocupação:

Diagnóstico

médico:

II- ENTREVISTA CONHECER

1. Motivo da internação

2. O que sabe sobre sua doença e formas de evita-la

3. Antecedentes familiares

4. Outras doenças

5. Tratamentos medicamentosos ou não, quem indicou e para que servem os

medicamentos

ESCOLHER

6. Problemas surgidos em razão do tratamento

7. Interrupções do tratamento (número de vezes e motivos)

8. O que espera do tratamento e da equipe de saúde

RELACIONAR

9. Com quem mora e quem ajuda (tipo de relacionamento intrafamiliar)

TROCAR

10. Alimentação habitual (relacionar por refeição, incluindo tipo e quantidade de líquidos)

11. Modificações na alimentação após a doença

12. Alteração recente de peso (informar período e tipo de alteração: perda, ganho, quanto)

13. Eliminações intestinais e urinárias (número de vezes e características)

14. Alterações observadas nas funções de oxigenação e circulação (dispnéia, tosse, edema, hipertensão, hipotensão, palpitações), e na pele (manchas, feridas, dificuldades de cicatrização)

15. Reprodução, sexualidade (alterações, gravidez, menopausa, uso de anticoncepcionais, doenças sexualmente transmissíveis) MOVER

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16. Atividade física rotineira (trabalho, esporte, outros)

17. Prática de atividades que lhe dão prazer

18. Condições para realização de atividades físicas habituais (cansaço, sangramentos,

desmaios, tonturas, diminuição ou impedimento de movimentação e locomoção)

19. Sono e repouso (padrão do número de horas e alterações)

PERCEBER

20. Alterações de visão, audição, tato, paladar, olfato (especificar a alteração e o

mecanismo compensatório)

21. Condições de temperatura, situações que lhe dão desprazer

22. Qualidades e defeitos que reconhece em si

ESCOLHER

23. Mudanças e problemas que ocorreram nos dois últimos anos

24. Forma adotada para a resolução de seus problemas ou enfrentamento de dificuldades

25. Práticas de manutenção de saúde (vacinação, avaliação médica e dentária periódica,

exames e práticas preventivas)

26. Tabagismo, etilismo e outras drogas

VALORAR

27. Preferência religiosa e importância da religião na sua vida

SENTIR

28. Dor ou desconforto físico

29. Situações que lhe dão medo e ansiedade

COMUNICAR

30. Dificuldades para transmitir mensagens (alterações de fala, dificuldade para expressar

o que sente)

OBSERVAÇÕES:

Impressões do entrevistador:

III- EXAME FÍSICO 1. Sinais vitais FR:

Temp.:

FC:

PA:

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2. Condições gerais de higiene de pele e vestuário:

3. Avaliação do estado mental:

4. Avaliação da cabeça e pescoço:

Boca:

Olhos:

Ouvido:

Nariz:

Pescoço:

5. Avaliação da área cardíaca:

6. Avaliação pulmonar:

7. Avaliação das mamas:

8. Avaliação abdominal:

9. Avaliação de genitais:

10. Avaliação dos membros superiores (condições de pele, circulatórias, sensibilidade,

movimentação):

11. Avaliação dos membros inferiores (condições de pele, circulatórias, sensibilidade,

movimentação):

IV- DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM IDENTIFICADOS

DATA:

/

/ ASSINATURA:

1 Material elaborado pela Profa. Dra. Thelma Leite de Araújo do Departamento de Enfermagem da UFC – 2001.

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EXAMES LABORATORIAIS

Hemograma Completo

- ERITROGRAMA Eritrócitos : 3.810.000,00 Hemoglobina: 11,7 Hematócrito: 35,8 MCV: 94,0 MCH: 30,7 MCHC: 32,7

OBS: Normocitêmico, Normocrômico.

VN: 4,2 A 6,3 milhões/mm 3 VN: 12,0 A 18,0 % VN: 37,0 a 51,0 % VN: 80 a 97 µ3 VN: 26 a 32 ãã VN: 30 A 36 %

LEUCOGRAMA

Leucócitos: 5.600 mm2 (Cifras: 4500 a 10.000) Basófilos: 0%; 0 mm2 (Cifras: 00 – 01%; 000 a 100)

Eosinófilos: 2%; 112 mm2

(Cifras: 02 – 04% ; 120 a 400)

Metamielócitos: 0%; 0 mm2

(Cifras: 00-00%; 000

a 100)

Bastões: 4%; 224 mm2

(Cifras: 03-05%; 180

a 500)

Segmentados: 66%; 3696 mm2

(Cifras: 55-65; 3300

a 6500)

Linfócitos: 26%; 1456 mm2

(Cifras: 20-30; 1200

a 3000)

Monócitos: 2%; 112 mm2

(Cifras: 04-08; 000 a 100)

OBS: Aparentemente normais. Abbott- Cell- Dyn 1400 (Laboratório Fernando Mendes)

- Fator Rh Resultado: positivo

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- Grupo Sanguíneo Resultado: O

- Creatinina Resultado: 1,1 mg%

(Abbott Spectrum)

- Glicose Resultado: 86,7 mg%

VR: 0,8 A 1,4 mg%

VR: 70 A 110 mg%

Nota: O paciente deve estar em jejum de 04 horas. (Abbott Spectrum)

- Uréia Resultado: 53,3 mg%

(Abbott Spectrum)

VR: 15 A 40 mg%

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TRANS-OPERATÓRIO

Operador: Dr. Audy Anestesista: Dr. Ary Anestesia: Bloqueio Data Admissão: 20-10-03 Operação: 21-10-03 Produtos usados: Álcool iodado (60 ml) Soro fisiológico 500 ml (01) Atadura de crepe (02) Compressas (06) Povidine (100 ml) Esparadrapo (30 cm) Fio algodão (01) Gaze (06) Lâmina Bisturi nº 24 (01) Luvas 7,0 (02) Luvas 7,5 (03) Luvas 8,0 (01) Plastequipo (01) Seringa 10 cc (02) Seringa 5 cc (01) Agulha de 25 X 8 (01) Agulha para raque nº 25 (01) Parafuso Cortical nº 40 (01)

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