Você está na página 1de 23

Semin ário:Tecendo aa Vida,

Seminário:Tecendo Vida, Fomentando


Fomentando
Sonhos,construindo
Sonhos,construindo Novas
Novas Relações sociais
Relações sociais através
através
do
do Protagonismo
Protagonismo

KNH/Regional
KNH/Regional sudeste
sudeste ee Centro -Oeste
Centro-Oeste

Garantia de Direitos e a Participação


Protagônica
Marilene Cruz
Relembrando a situação da criança
e do adolescente na história...
SOCIEDADES ANTIGAS I – Período Greco-romano
• Posição da Criança na Sociedade: vista como futuro cidadão da
polis. →Educado para cumprir sua futura função na sociedade.
• -O ato de abandonar os filhos era tolerado, aceito e até
estimulado.
• -Era permitido ao pai matar, vender ou expor os filhos recém
nascidos.
• -A deformidade da criança ou a pobreza da família bastavam para
que a justiça doméstica decretasse seu abandono.
• -O infanticídio admitido.
• -Para Platão, os pobres não deveriam criar nenhum filho,
sugerindo que os filhos dos muito pobres fossem transferidos
para lares em melhores situações.
• -Aristóteles prescrevia a limitação da prole, além de aprovar o
abandono como forma de controle do tamanho da família e da
população
• -Em Roma crianças abandonadas eram tornadas escravas,
submetidas a abusos, estropiadas para servirem de mendigos,
destinados à prostituição
• SOCIEDADES ANTIGAS II
• -A criança não tinha voz ou cidadania
• -Posição da Criança na Família e na Sociedade:
Pátrio-poder absoluto→ ausência da infância
como categoria social;
• PERÍODO MEDIEVAL
• -Criança vista como miniatura do adulto.
Desdobramentos na relação com a criança -
Infanticídio, Abandono; não existem
instituições ou serviços específicos para
atender ou cuidar da criança (pediatria,
maternidade, etc
PERÍODO MODERNO
• -Infância sai da invisibilidade para ocupar o centro das atenções
(ex.: crianças retratadas com roupas diferentes das dos adultos
e no meio do retrato), porém sem autonomia; proteção associada
a algum tipo de incapacidade
• -Surgimento de profissões e instituições encarregadas de
educar, reprimir e cuidar: escola, pedagogo, maternidade,
pediatria.
• -Escola: espaço de reprodução da ordem e uniformização da
sociedade.
• -Efeitos: repulsa ao infanticídio; pátrio-poder absoluto;
preocupação com a educação.
• -Também: crianças abandonadas ou exploradas nas indústrias;
elevadas cargas de trabalho e baixos salários; condições
insalubres.
• -Pedagogia e disciplina (adestramento: de criança a aluno).
• -Referências da psicologia + pedagogia: dão origem a criança
sujeito de direitos.
• -Possibilidades de moldar, formar, educar
• -Padrão a se alcançar – a infância passa a ter valor
• BRASIL
• -Crianças indígenas e negras - exploração e violências.
Tratamento desigual.
• - Repressão, Abandono e extermínio.
• -Primeira Roda dos Expostos ou Enjeitados, em Salvador/BA
(extinção: determinada em 1927, durou até 1950).
• -1871 - Lei do Ventre livre e 1888 - Lei Áurea.
• -Grande número de crianças abandonadas após abolição e avanço
do processo de industrialização.
• -Código Criminal, 1830: Menores 14 anos: presumidos
irresponsáveis, teoria do discernimento, pena de cumplicidade,
(2/3 pena); atenuante de idade para delitos de pequena
ofensividade, equiparação a idosos, substituição da prisão por
trabalho na comunidade; Casas de Correção = cumprimento
juntamente com adultos.
• -Código Criminal, 1890:Mais severo, admite internação aos
maiores de 09 e menores de 14 que agissem com discernimento;
recolhimento por tempo determinado pelo juiz; cumprimento de
pena juntamente com adultos
• -Código de Menores, 1927 -
• Menores em situação irregular, carentes e abandonados,alvo de
medidas
• Proteção e Vigilância
• Controle social da pobreza
• Natureza Jurídica, proposto por juristas
• Centralizador e Estadista
• Estigmatiza
• Método correcional-repressivo
• -Criação do Serviço de Assistência ao Menor - SAM, 1941
(Decreto-Lei 3.799).
• -!964- Política Nacional do Bem Estar do Menor :
• Posição da Criança na Sociedade: Criança vista como objeto de
compaixão, requeria proteção, bases para o assistencialismo.
Debilidade e incapacidade dos “menores” exigia sanções jurídicas
e culturais. Criança como objeto de medidas estatais. Ênfase na
institucionalização. Sentença indeterminada. Doutrina de
Situação Irregular. Criança como portadora de necessidades e
vulnerabilidades.
• -A história da criança e adolescência no Brasil
fundamentou-se na crença de que meninos e meninas
pobres são resultado da imoralidade, do abandono e da
delinqüência - são, portanto, igualmente imorais,
abandonados e delinqüentes.
• -Idéia corrente de que precisavam ser salvos e
enquadrados em padrões de comportamento e
convivência social.
• -Até 1990, prevaleceu uma concepção e uma prática
de intervenção orientadas pelo modelo (paradigma)
correcional-repressivo (com base no “delinquente
nato”, indivíduo anti-social e de má índole, perigoso,
que precisava ser corrigido) mesclado com o
assistencialista (baseado no “menor” privado de
condições de desenvolvimento, “carente”, objeto de
compaixão).
PERÍODO CONTEMPORÂNEO
Qual o novo paradigma?
-O que é paradigma?
• Paradigma: substantivo masculino que significa
padrão, modelo, norma ou exemplo, conjunto de
procedimentos consagrados, constelação de
pressupostos e crenças
-Qual foi o marco deste novo paradigma?
• -Constituição Federal –art.227
• Infância como prioridade. Cidadania infanto-
juvenil; Criança como sujeito de direitos.
• Efeitos: Pátrio-poder relativo ao cumprimento de
deveres; Superação do assistencialismo. Proteção
Integral à CA em sua dignidade e integridade.
• Estatuto da Criança e do Adolescente –
• -Todas as crianças e adolescentes, sujeitos de
direitos, alvo de atenção social e de políticas
públicas com prioridade absoluta
• -Proteção Integral
• -Desenvolvimento Social
• -Natureza Jurídico-Social, proposto por
grupos e movimentos sociais
• -Descentralizador e pela Paridade
• -Integra
-Grandes mudanças/revoluções
• De conteúdo: corresponde à introdução, no direito
brasileiro do que havia de melhor em termos de
conquistas em favor da população infanto-juvenil.
Mudança do enfoque doutrinário da “situação
irregular” para a “proteção integral”.
• De método: configura-se pela conquista das garantias
processuais no relacionamento do adolescente com a
justiça e pela superação do assistencialismo.É a
radical revisão nos métodos, nas técnicas e na
organização dos programas de atendimento.
• De gestão: introdução de nova responsabilidade do
trabalho social entre a União, Estado e Município
como também entre o Estado e a sociedade civil
organizada (descentralização político-administrativa e
a participação da sociedade organizada
• Novas concepções/grandes revoluções:
• Sujeito de Direitos – mudança radical da concepção de infância e
adolescência. É deixar de vê-los como mero objeto de intervenção
do estado, família e sociedade. Salto das necessidades aos direitos
- pedra angular da construção do novo direito.

• Pessoa em condição peculiar de desenvolvimento – coloca em


evidência que cada criança e adolescente tem de ser tratada,
educada, atendida de acordo com seu ciclo de desenvolvimento. É
a complementação da concepção sujeito de direitos

• Prioridade Absoluta – marco referencial e legal para toda e qualquer


discussão política. Reconhecimento do valor intrínseco da criança e
do adolescente e do valor projetivo das novas gerações.
– Valor intrínseco: reconhecimento de que em qualquer etapa de
desenvolvimento ela é ser humano
– Valor projetivo: portador do futuro de sua família, do seu povo, da
humanidade. Dele depende a continuação da linha da vida na
espécie humana
Visões/Concepções necessárias
para que as mudanças aconteçam

• Visão do ser humano

• Visão de mundo

• Visão da criança e do adolescente


Protagonismo
• Mas,o que é ser protagonista ?
• “ser personagem principal”- “ é a participação de crianças
e adolescentes em ações construtivas para o bem estar
comum, além de defender e assegurar seus direitos.”
• Para ser protagonista o adolescente/jovem tem de ter
consciência de que ele não é dono do saber, que está em
processo de desenvolvimento, é preciso que ele
compreenda seu processo de formação.
• Uma ação é dita protagônica quando, na sua execução, o
educando é o ator principal no processo de seu
desenvolvimento. Por meio desse tipo de ação, o
adolescente adquire e amplia seu repertório interativo,
aumentando assim sua capacidade de interferir de forma
ativa e construtiva em seu contexto escolar e sócio-
comunitário.
• O centro da proposta é que, através da participação ativa,
construtiva e solidária, o adolescente possa envolver-se
na solução de problemas reais na escola, na comunidade e
na sociedade.
• Na perspectiva do protagonismo juvenil, é
imprescindível que a participação do adolescente seja
de fato autêntica e não simbólica, decorativa ou
manipulada.
• Ações protagônicas não caem do céu. São frutos de
processos educativos que favorecem e estimulam a
prática do diálogo no cotidiano das vivências na
família, na escola e nos espaços de convivência
comunitária.
• Participação protagonista não é uma fala sem
conteúdo, mas um exercício, uma vivência concreta.
Não é em um momento isolado ou eventual, enquanto
não conseguirmos conquistar espaço de expressão de
autonomia e criatividade dificilmente haverá
protagonismo.
Postura do educador
neste processo:
• Mudar nossa maneira de entender os adolescentes e de agir em
relação a eles. Para isso, temos de começar mudando a maneira de
vê-los. O adolescente deve começar a ser visto como solução e não
como problema.
• A adesão à perspectiva pedagógica do protagonismo juvenil deve
traduzir-se em um compromisso de natureza ética entre o
educador e o adolescente. O protagonismo deve ser vivido como
participação do adolescente no ato criador de ação educativa em
todas as etapas de sua evolução.
• Além de um compromisso ético, a opção pelo desenvolvimento de
propostas baseadas no protagonismo juvenil exige do educador uma
clara vontade política no sentido de contribuir, através de seu
trabalho, para a construção de uma sociedade que respeite os
direitos de cidadania e aumente progressivamente os níveis de
participação democrática de sua população.
Papel do educador
• ajudar o grupo a identificar situações-problema e a posicionar-se
diante delas;
• empenhar-se para que o grupo não desanime nem se desvie dos
objetivos propostas;
• favorecer o fortalecimento dos vínculos entre os membros do
grupo;
• animar o grupo, não o deixando abater-se pelas dificuldades;
• motivar o grupo a avaliar permanentemente sua atuação;
• quando necessário, replanejá-la;
• zelar permanentemente para que a ação dos jovens seja
compreendida e aceita por todos os que com eles se relacionam
no curso do processo;
• manter um clima de empenho e mobilização no grupo;
• colaborar na avaliação das ações desenvolvidas pelo grupo e na
incorporação de suas conclusões nas etapas seguintes
Etapas do processo:
• Apresentação da situação-problema
• A situação-problema deve ser apresentada do modo mais
realista e desafiante possível. É necessário embasá-la em
dados. Informações e objetivos.
• Proposta de alternativas ou vias de solução
• Deve-se procurar extrair do grupo o maior número possível de
alternativas de solução para o problema apresentado.
• Discussão das alternativas de solução apresentadas
• As propostas devem ser discutidas e criticadas livremente. O
grupo deve estar consciente de que são idéias e não as
pessoas que as apresentaram que estão em julgamento.
• Tomada de decisão
Como ser protagônico na
efetivação dos Direitos?
• conhecer seus direitos e deveres
• reconhecer seu processo de desenvolvimento
• compreender que precisa de educadores junto
para seu desenvolvimento protagônico
• reconhecer-se como parte integrante de um
grupo, não agir isoladamente
• planejar as ações de forma conjunta, a partir de
problemas identificados
• conhecer, estudar os temas pertinentes às ações a
serem desenvolvidas
Mensagens Finais

A participação é um importante antídoto às práticas


educativas tradicionais, que correm o risco de deixar
a adolescência alienada e exposta à manipulação.
Por meio de uma participação genuína em projetos que
levem à solução de problemas verdadeiros, os jovens
desenvolvem capacidades que são essenciais para a
autodeterminação de suas opções políticas.
O benefício é duplo: a autodeterminação do jovem
e a democratização da sociedade”
Roger Hart
“ Os jovens não podem ficar de braços
cruzados esperando receber tudo de
bandeja. A gente tem que assumir um
compromisso com a nossa escola e a
nossa comunidade e correr atrás do
nosso desenvolvimento”

Adolescente: Cristiano Saback-


Salvador/BA
“ Ser adolescente é ter o brilho nos
olhos e a dança na alma. É viver o
presente com intensidade, como se
fosse a última vez. É querer sentir-se
livre para conquistar novos horizontes.
É querer sentir-se gente. É lutar
como guerreiro, entregando-se por
inteiro. É ultrapassar limites, ir além
do que pode.”
Adolescente: Cláudia Monte-
Salvador/BA
“ Nesta gestação de sonhos e utopias os
jovens foram e continuam sendo a
vanguarda, porque, olhando para o
futuro, são eles os que têm mais
razões e motivos para sonhar, para
fazer planos, para imaginar utopias,
para fixar um norte que supere um
presente de insatisfações.”
Bibliografia
• Egidia Maria de Almeida Aiexe - texto de apoio -
exposição - módulo I - curso de qualificação para
conselheiros- Sedese/Frente de Defesa dos Direitos
da Criança e do Adolescente
• Antonio Carlos – O adolescente como protagonista, 10
anos do ECA
• Alexandre Merrem- Protagonismo infanto juvenil: uma
conquista cotidiana.

Marilene Cruz
Coordenadora Nacional da Pastoral do Menor
Membro da Coordenação da FDDCA/MG
E-mail:pamen.nacional@yahoo.com.br
Telefone:(31)3422-6732