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Fundações – Obras de Contenção Prof. Eng. Clever Roberto Nascimento • AGOSTO / 2013

Fundações – Obras de Contenção

Prof. Eng. Clever Roberto Nascimento

• AGOSTO / 2013

INTRODUÇÃO

Fundações são os elementos estruturais com função de transmitir as cargas da estrutura ao terreno onde ela se apoia (AZEREDO, 1988). Assim, as fundações devem ter resistência adequada para suportar às tensões causadas pelos esforços solicitantes. Além disso, o solo necessita de resistência e rigidez apropriadas para não sofrer ruptura e não apresentar deformações exageradas ou diferenciais. Para se escolher a fundação mais adequada, deve-se conhecer os esforços atuantes sobre a edificação, as características do solo e dos elementos estruturais que formam as fundações. Assim, analisa-se a possibilidade de utilizar os vários tipos de fundação, em ordem crescente de complexidade e custos (WOLLE, 1993). Fundações bem projetadas correspondem de 3% a 10% do custo total do edifício; porém, se forem mal concebidas e mal projetadas, podem atingir 5 a 10 vezes o custo da fundação mais apropriada para o caso (BRITO, 1987).

1. CARGAS QUE ATUAM NA FUNDAÇÃO

As cargas da edificação são obtidas por meio das plantas de arquitetura e estrutura, onde são considerados os pesos próprios dos elementos constituintes e a sobrecarga ou carga útil a ser considerada nas lajes que são normalizadas em função de sua finalidade. Eventualmente, em função da altura e dimensões da edificação deverá também ser considerada a ação do vento sobre a edificação. Cargas permanentes: determinadas com boa precisão

• Peso próprio da estrutura

• Peso dos revestimentos

• Peso das paredes

Cargas acidentais: estimadas por Normas

• Peso de ocupação das pessoas

• Peso dos mobiliários •Peso de veículos

• Força do vento

2. INVESTIGAÇÃO DO SUBSOLO

Na grande maioria dos casos, a avaliação e o estudo das características do subsolo do terreno sobre o qual será executada a edificação se resume em sondagens de simples reconhecimento conforme fig. 2.1 (sondagem à percussão), mas dependendo do porte da obra ou se as informações obtidas não forem satisfatórias, outros tipos de pesquisas serão executados (por exemplo, poços exploratórios, ensaio de penetração contínua, ensaio de palheta). A sondagem mais executada em solos penetráveis é a sondagem geotécnica a percussão, de simples reconhecimento, executada com a cravação de um barrilete amostrador, peça tubular metálica robusta, oca, de ponta bizelada, que penetrando no solo, retira amostras seqüentes, que são analisadas visualmente e em laboratório para a classificação do solo e determina o SPT (Standart Penetration Test), que é o registro da somatória do número de golpes para vencer os dois últimos terços de cada metro, para a penetração de 15 cm. Para a sondagem em solos impenetráveis são utilizados equipamentos de perfuração rotativa, que permitem a obtenção de amostras (ou testemunhos) para os conseqüentes ensaios de laboratório, fornecendo indicações valiosas sobre a natureza e a estrutura do maciço rochoso, utilizando amostradores de aço, com parte cortante de diamante, carbureto de tungstênio ou aço especial, que retiram amostras com diâmetro designados por EX (7/8”), AX (11/8”), BX (1 5/8”) e NX (2 1/8”).

Características como: número de pontos de sondagem, seu posicionamento no terreno (levando-se em conta a posição relativa do edifício) e a profundidade a ser atingida são determinadas por profissional capacitado, baseado em normas brasileiras e na sua experiência (BRITO,1987), como por exemplo na Tab. 2.1.

profissional capacitado, baseado em normas brasileiras e na sua experiência (BRITO,1987), como por exemplo na Tab.
Tab. 2.1 - Furos de sondagem Fig. 2.1 – Sondagem Tipo SPT Tendo-se executado as

Tab. 2.1 - Furos de sondagem

Fig. 2.1 – Sondagem Tipo SPT

Tendo-se executado as sondagens corretamente, as informações são condensadas e apresentadas em um relatório escrito e outro gráfico ( Fig. 2.2 ), que deverá conter as

seguintes informações referentes ao subsolo estudado:

– locação dos furos de sondagem;

– determinação dos tipos de solo até a profundidade de interesse do projeto;

– determinação das condições de compacidade, consistência e capacidade de carga de cada tipo de solo; – determinação da espessura das camadas e avaliação da orientação dos planos que as separam;

– informação do nível do lençol freático.

Estes dados obtidos através de sondagem retratam as características e propriedades do subsolo

e, depois de avaliados e minuciosamente estudados, servem de base técnica para a escolha do tipo de fundação da edificação que melhor se adapte ao terreno.

PERFIL D E SO N D A G EM G EO LÓ G IC A
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Fig. 2.2 - Exemplo de Relatório Gráfico de Sondagem ( parcial )

PRINCÍPIOS GERAIS DA APTIDÃO DE SUPORTE DE UM SOLO RESISTENTE

A resistência (sustentação) de um solo destinado a suportar uma construção é definida pela carga unitária (expressa em kgf/cm 2 , MN/m2 ou Mpa), sob a qual a fundação ira se apoiar. Os solos apresentam resistências por limite de carga que podem suportar, sem comprometer a

estabilidade de construção. O grau de resistência indica qual tipo de fundação é mais adequada, como o exemplo mostrado no esquema na figura 2.3.

Na Tabela 2.2 temos a capacidade de carga dos solos mais comuns em nossa região.

A N .A . B C
A
N .A .
B
C

Fig. 2.3 Camadas resistentes e tipos de fundação indicadas

a) Se os solos A=B=C têm características iguais de resistência, é possível implantar a fundação em A;

b) Se só A é resistente, deve-se apoiar fundações de estruturas leves, cuja carga limite deve ser determinada por análise de recalque;

c) Se A é solo fraco e B é resistente, a fundação é do tipo profunda, atendendo-se para a carga limite em função da resistência de C;

d) Se A=B são solos fracos e C é resistente, o apoio da fundação deverá ser em C.

solos fracos e C é resistente, o apoio da fundação deverá ser em C . Tab.

Tab. 2.2 - Capacidade de Carga dos Solos

Considerações sobre o Dimensionamento de Fundações No processo de dimensionamento de fundações o estudo compreende preliminarmente duas partes essencialmente distintas:

a) estudo do solo, por meio da sondagem, com a aplicação do estudo da Mecânica dos Solos e Rochas;

b) cálculo das cargas atuantes sobre a fundação, com a aplicação do estudo da análise das estruturas.

Com esses dados, passa-se à escolha do tipo de fundação, tendo-se ainda presente que:

a) as cargas da estrutura devem ser transmitidas às camadas de solo capazes de suporta-las sem ruptura;

b) as deformações das camadas de solo subjacentes às fundações devem ser compatíveis com as da estrutura;

c) a execução das fundações não deve causar danos as estruturas vizinhas;

d) ao lado do aspecto técnico, a escolha do tipo de fundação deve atender ao aspecto econômico.

e) finalmente, segue-se o dimensionamento e detalhamento, estudando-se a fundação como elemento estrutural.

3. TIPOS DE FUNDAÇÕES

As fundações se classificam em diretas e indiretas, de acordo com a forma de transferência de cargas da estrutura para o solo onde ela se apóia. Fundações diretas são aquelas que transferem as cargas para camadas de solo capazes de suportá-las (FABIANI, s.d.), sem deformar-se exageradamente. Esta transmissão é feita através da base do elemento estrutural da fundação, considerando apenas o apoio da peça sobre a camada do solo, sendo desprezada qualquer outra forma de transferência das cargas (BRITO, 1987). As fundações diretas podem ser subdivididas em rasas e profundas.

Especificação para fundações diretas rasas

A fundações do tipo rasa é executada quando a resistência de embasamento pode ser obtida no solo superficial numa profundidade que pode variar de 1,0 a 3,0 metros.

Especificações para fundações diretas profundas

Quando o solo resistente se encontra em profundidades superiores a 3,0 metros, podendo chegar a 20,0 m ou mais é recomendado executar fundações do tipo profunda, cujo dimensionamento e especificação são determinadas pelas características das cargas e do solo analisado, constituída de peça estrutural do tipo haste (ou fuste) que resistem predominantemente esforços axiais de compressão

Fundações indiretas são aquelas que transferem as cargas por efeito de atrito lateral do elemento com o solo e por efeito de ponta (FABIANI, s.d.). As fundações indiretas são todas profundas, devido às dimensões das peças estruturais (BRITO, 1987). A Tabela 3.1 apresenta uma classificação com os vários tipos de fundação.

uma classificação com os vários tipos de fundação. 3.1 Blocos e Alicerces Este tipo de fundação

3.1 Blocos e Alicerces Este tipo de fundação é utilizado quando há atuação de pequenas cargas, como por exemplo um sobrado.Os blocos são elementos estruturais de grande rigidez, ligados por vigas denominadas “baldrames”, que suportam predominantemente esforços de compressão simples provenientes das cargas dos pilares. Os eventuais esforços de tração são absorvidos pelo próprio material do bloco. Podem ser de concreto simples (não armado), alvenarias de tijolos comuns (Figura 3.2) ou mesmo de pedra de mão (argamassada ou não). Geralmente, usa-se blocos quando a profundidade da camada resistente do solo está entre 0,5 e 1,0 m de profundidade (BRITO,1987).

Os alicerces, também denominados de blocos corridos, são utilizados na construção de pequenas residências e suportam as cargas provenientes das paredes resistentes, podendo ser de concreto, alvenaria ou de pedra (Figura 3.3).

podendo ser de concreto, alvenaria ou de pedra (Figura 3.3). Figura 3.2: Blocos de Alvenaria de
podendo ser de concreto, alvenaria ou de pedra (Figura 3.3). Figura 3.2: Blocos de Alvenaria de

Figura 3.2: Blocos de Alvenaria de tijolos

Figura 3.3: Tipos de alicerce

O processo de execução de um alicerce consiste em:

1. executar a abertura da vala;

2. promover a compactação da camada do solo resistente, apiloando o fundo;

3. colocação de um lastro de concreto magro (90 kgf/cm2) de 5 a 10 cm de espessura;

4. execução do embasamento, que pode ser de concreto, alvenaria ou pedra;

5. construir uma cinta de amarração que tem a finalidade de absorver esforços não previstos,

suportar pequenos recalques, distribuir o carregamento e combater esforços horizontais; 6. fazer a impermeabilização para evitar a percolação capilar, utilizando uma argamassa “impermeável” (com aditivo) ou ainda, uma chapa de cobre, de alumínio ou ardósia. Deve-se, ainda, observar com cuidado:

– se há ocorrência de formigueiros e raízes de árvore no momento da escavação da vala;

– compatibilização da carga da parede x largura do alicerce, observando: eventual distinção

da largura dos alicerces para as diferentes paredes, e o uso adicional de brocas em pontos

isolados, como reforço de fundação;

– se o terreno está em declive, deve-se fazer o alicerce em escada (Figura 3.4).

terreno está em declive, deve-se fazer o alicerce em escada (Figura 3.4). Figura 3.4: Execução do

Figura 3.4: Execução do alicerce em declive

CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação do centro dos blocos e das linhas das paredes;

– cota do fundo da vala;

– limpeza da vala.

3.2 Sapatas Ao contrário dos blocos, as sapatas não trabalham apenas à compressão simples, mas também à flexão, devendo neste caso serem executadas incluindo material resistente à tração (BRITO,

1987).

3.2.1 Sapatas isoladas São aquelas que transmitem para o solo, através de sua base, a carga de uma coluna (pilar) ou um conjunto de colunas (BRITO, 1987). A Figura 3.5 apresenta alguns tipos de sapatas isoladas.

A Figura 3.5 apresenta alguns tipos de sapatas isoladas. Figura 3.5: Sapatas isoladas Para construção de
A Figura 3.5 apresenta alguns tipos de sapatas isoladas. Figura 3.5: Sapatas isoladas Para construção de
A Figura 3.5 apresenta alguns tipos de sapatas isoladas. Figura 3.5: Sapatas isoladas Para construção de

Figura 3.5: Sapatas isoladas

tipos de sapatas isoladas. Figura 3.5: Sapatas isoladas Para construção de uma sapata isolada, são executadas

Para construção de uma sapata isolada, são executadas as seguintes etapas:

1. fôrma para o rodapé, com folga de 5 cm para execução do concreto “magro”;

2. posicionamento das fôrmas, de acordo com a marcação executada no gabarito de locação;

3. preparo da superfície de apoio;

4. colocação da armadura;

5. posicionamento do pilar em relação à caixa com as armações;

6. colocação das guias de arame, para acompanhamento da declividade das superfícies do

concreto; 7. concretagem: a base poderá ser vibrada normalmente, porém para o concreto inclinado deverá ser feita uma vibração manual, isto é, sem o uso do vibrador. Obs.: a etapa 3 compreende a limpeza do fundo da vala de materiais soltos, lama, o apiloamento com soquete ou sapo mecânico e a execução do concreto “magro”, que é um lastro de concreto com pouco cimento, com função de regularizar a superfície de apoio e não permitir a saída da água do concreto da sapata, além de isolar a armadura do solo. A vala deve ser executada com pelo menos 10 cm de folga a mais da largura da sapata para permitir o trabalho dos operários dentro dela.

3.2.2 Sapatas corridas São elementos contínuos que acompanham a linha das paredes, as quais lhes transmitem a carga por metro linear (BRITO,1987). Para edificações cujas cargas não sejam muito grandes, como residências, pode-se utilizar alvenaria de tijolos. Caso contrário, ou ainda para profundidades maiores do que 1,0 m, torna-se mais adequado e econômico o uso do concreto armado (Figura 3.6).

adequado e econômico o uso do concreto armado (Figura 3.6). Figura 3.6: Sapata corrida: (a), (b),
adequado e econômico o uso do concreto armado (Figura 3.6). Figura 3.6: Sapata corrida: (a), (b),
adequado e econômico o uso do concreto armado (Figura 3.6). Figura 3.6: Sapata corrida: (a), (b),

Figura 3.6: Sapata corrida: (a), (b), (c) cortes esquemáticos;

Para construção de uma sapata corrida, com embasamento em alvenaria, são executadas as seguintes etapas:

1. escavação;

2. colocação de um lastro de concreto magro de 5 a 10 cm de espessura;

3. posicionamento das fôrmas, quando o solo assim o exigir;

4. colocação das armaduras;

5. concretagem;

6. cinta de concreto armado: sua finalidade é a maior distribuição das cargas, evitando também deslocamentos indesejáveis, pelo travamento que confere à fundação; muitas vezes, é usado o próprio tijolo como fôrma lateral;

7. camada impermeabilizante: sua função é evitar a subida da umidade por capilaridade para a

alvenaria de elevação; sua execução deve evitar descontinuidades que poderão comprometer

seu funcionamento e nunca devem ser feitas nos cantos ou nas junções das paredes; esta camada deverá ser executada com argamassa com adição de impermeabilizante e deverá se estender pelo menos 10 cm para revestimento da alvenaria de embasamento; para evitar retrações prejudiciais, deverá receber uma cura apropriada (água, sacos de cimento molhados, etc.), sendo depois pintada com emulsão asfáltica em duas demãos, uma após a secagem completa da outra (FABIANI, s.d.).

3.2.3 Sapatas associadas

Um projeto econômico deve ser feito com o maior número possível de sapatas isoladas. No caso em que a proximidade entre dois ou mais pilares seja tal que as sapatas isoladas se superponham, deve-se executar uma sapata associada. A viga que une os dois pilares

denomina-se viga de rigidez (Figura 3.7), e tem a função de permitir que a sapata trabalhe com tensão constante (BRITO,1987).

que a sapata trabalhe com tensão constante (BRITO,1987). Figura 3.7: Sapatas associadas 3.2.4 Sapatas alavancadas No

Figura 3.7: Sapatas associadas

3.2.4 Sapatas alavancadas

No caso de sapatas de pilares de divisa ou próximos a obstáculos onde não seja possível fazer

com que o centro de gravidade da sapata coincida com o centro de carga do pilar, cria-se uma viga alavanca ligada entre duas sapatas (Figura 3.8), de modo que um pilar absorva o momento resultante da excentricidade da posição do outro pilar (BRITO,1987).

o momento resultante da excentricidade da posição do outro pilar (BRITO,1987). Figura 3.8: Sapatas alavancadas 12

Figura 3.8: Sapatas alavancadas

CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação do centro da sapata e do eixo do pilar;

– cota do fundo da vala;

– limpeza do fundo da vala;

– nivelamento do fundo da vala;

– dimensões da forma da sapata;

– armadura da sapata e do arranque do pilar;

3.3 Radiers A utilização de sapatas corridas é adequada economicamente enquanto sua área em relação à da edificação não ultrapasse 50%. Caso contrário, é mais vantajoso reunir todas as sapatas num só elemento de fundação denominado radier (Figura 3.9). Este é executado em concreto armado, uma vez que, além de esforços de compressão, devem resistir a momentos provenientes dos pilares diferencialmente carregados, e ocasionalmente a pressões do lençol freático (necessidade de armadura negativa). O fato do radier ser uma peça inteiriça pode lhe conferir uma alta rigidez, o que muitas vezes evita grandes recalques diferenciais (BRITO,1987). Uma outra vantagem é que a sua execução cria uma plataforma de trabalho para os serviços posteriores; porém, em contrapartida, impõe a execução precoce de todos os serviços enterrados na área do radier (instalações sanitárias, elétricas, etc.).

do radier (instalações sanitárias, elétricas, etc.). Figura 3.9: Radier CONTROLE DE EXECUÇÃO – locação dos

Figura 3.9: Radier

CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação dos eixos dos pilares;

– cota do fundo da escavação;

– nivelamento do fundo da escavação;

– colocação dos componentes das instalações e passagens, enterrados.

3.4 Tubulões Tubulões são elementos estruturais da fundação que transmitem a carga ao solo resistente por compressão, através da escavação de um fuste cilíndrico e uma base alargada tronco-cônica a uma profundidade igual ou maior do que três vezes o seu diâmetro (BRITO,1987). De acordo com o método de sua escavação, os tubulões se classificam em:

3.4.1 Tubulões a céu aberto Consiste em um poço aberto manualmente ou mecanicamente em solos coesivos, de modo que não haja desmoronamento durante a escavação, e acima do nível d’água (Figura 3.10). Quando há tendência de desmoronamento, reveste-se o furo com alvenaria de tijolo, tubo de concreto ou tubo de aço. O fuste é escavado até a cota desejada, a base é alargada e posteriormente enche-se de concreto (BRITO,1987).

alargada e posteriormente enche-se de concreto (BRITO,1987). Figura 3.10: Tubulão a céu aberto O processo de

Figura 3.10: Tubulão a céu aberto

O processo de execução da fundação deve seguir as seguintes etapas:

1. A partir do gabarito, faz-se a marcação do eixo da peça utilizando um piquete de madeira.

Depois, com um arame e um prego, marca-se no terreno a circunferência que delimita o

tubulão, cujo diâmetro mínimo é de 70cm.

2. Inicia-se a escavação do poço até a cota especificada em projeto. No caso de escavação

manual usa-se vanga, balde e um sarrilho para a retirada de terra. Nas obras com perfuração mecânica o aparelho rotativo acoplado a um caminhão retira a terra. Na fase de escavação pode ocorrer a presença de água. Nestas casos, a execução da perfuração manual se fará com um bombeamento simultâneo da água acumulada no poço. Poderá ocorrer, ainda, que alguma camada do solo não resista à perfuração e desmorone (no caso de solos arenosos). Então, será necessário o encamisamento da peça ao longo dessas camadas. Isto poderá ser feito através de tubos de concreto com o diâmetro interno igual ao diâmetro do fuste do tubulão.

3. Faz-se o alargamento da base de acordo com as dimensões do projeto.

4. Verificação das dimensões do poço, como: profundidade, alargamento da base, e ainda o

tipo de solo na base. Certifica-se, também, se os poços estão limpos.

5. Colocação da armadura. 6. A concretagem é feita lançando-se o concreto da superfície (diretamente do caminhão

betoneira, em caso de utilização do concreto usinado) através de um funil (tremonha), com o comprimento da ordem de 5 vezes seu diâmetro, de modo a evitar que o concreto bata nas paredes do tubulão e se misture com a terra, prejudicando a concretagem (ALONSO,1979).

O concreto se espalhará pela base pelo próprio impacto de sua descarga, porém, durante a

concretagem, é conveniente sua interrupção de vez em quando e descer para espalhá-lo, de modo a evitar que fiquem vazios na massa de concreto.

3.4.2 Tubulões com ar comprimido Este tipo de fundação é utilizado quando existe água, exige-se grandes profundidades e existe

o perigo de desmoronamento das paredes. Neste caso, a injeção de ar comprimido nos

tubulões impede a entrada de água, pois a pressão interna é maior que a pressão da água,

sendo a pressão empregada no máximo de 3 atm, limitando a profundidade em 30 m abaixo

do nível d’água (Figura 3.11).

Isso permite que seja executados normalmente os trabalhos de escavação, alargamento do fuste e concretagem.

O equipamento utilizado compõe de uma câmara de equilíbrio e um compressor. Durante a

compressão, o sangue dos homens absorve mais gases do que na pressão normal. Se a descompressão for feita muito rapidamente, o gás absorvido em excesso no sangue pode formar bolhas, que por sua vez podem provocar dores e até morte por embolia. Para evitar esse problema, antes de passar à pressão normal, os trabalhadores devem sofrer um processo de descompressão lenta (nunca inferior a 15 minutos) numa câmara de emergência

(BRITO,1987).

lenta (nunca inferior a 15 minutos) numa câmara de emergência (BRITO,1987). Figura 3.11: Tubulão a ar

Figura 3.11: Tubulão a ar comprimido

Estes tubulões são encamisados com camisas de concreto ou de aço. No caso de camisa de concreto, a cravação da camisa, abertura e concretagem da base é feita sob ar comprimido, pois o serviço é feito manualmente. Se a camisa é de aço, a cravação é feita a céu aberto com auxílio de um bate estacas e a abertura e concretagem do tubulão são feitos a ar comprimido. CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação do centro do tubulão;

– cota do fundo da base do tubulão;

– verticalidade da escavação;

– alargamento da base;

– posicionamento da armadura, quando houver, e da armadura de ligação;

– dimensões (diâmetro) do tubulão;

– concretagem (não misturar o solo com o concreto e evitar que se formem vazios na base alargada;

– tubulão a ar comprimido: pressão do ar no interior do tubulão, risco de acidentes.

3.5 Estacas de Madeira As estacas de madeira são troncos de árvore cravados com bate-estacas de pequenas dimensões e martelos leves. Antes da difusão da utilização do concreto, elas eram empregadas quando a camada de apoio às fundações se encontrava em grandes profundidades. Para sua utilização, é necessário que elas fiquem totalmente abaixo d’água; o nível d’água não pode variar ao longo de sua vida útil. Atualmente utilizam-se estacas de madeira para execução de obras provisórias, principalmente em pontes e obras marítimas (ALONSO, 1979). As estacas de madeiras devem ser de madeira dura, resistente, em peças retas, roliças e descascadas. O diâmetro da seção pode variar de 18 a 35 cm e o comprimento de 5 a 8 metros, geralmente limitado a 12 metros com emendas. No caso da necessidade de comprimentos maiores as emendas deverão ser providenciadas com talas de chapas metálicas e parafusos, devidamente dimensionados.

A vida útil de uma estaca de madeira é praticamente ilimitada, quando mantida permanentemente sob lençol freático (água). Caso esteja sujeita a variação de umidade apodrecerá rapidamente. De qualquer maneira a estaca deve receber tratamento de preservação para evitar o apodrecimento precoce e contra o ataques de insetos xilófagos. As madeiras mais utilizadas são: eucaliptos, peroba do campo, maçaranduba, arueira etc.

Durante a cravação, as cabeças das estacas devem ser protegidas por um anel cilíndrico de aço, destinado a evitar seu rompimento sob os golpes do pilão, assim como é recomendável o emprego de uma ponteira metálica, a fim de facilitar a penetração e proteger a madeira.

CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação do centro das estacas;

– profundidade de cravação;

– proteção da cabeça das estacas (colocação do capacete metálico);

3.6 Estacas Metálicas

As estacas metálicas podem ser perfis laminados, perfis soldados, trilhos soldados ou estacas tubulares. Podem ser cravadas em quase todos os tipos de terreno; possuem facilidade de corte e emenda; podem atingir grande capacidade de carga; trabalham bem à flexão; e, se utilizadas em serviços provisórios, podem ser reaproveitadas várias vezes. Seu emprego necessita com cuidados sobre a corrosão do material metálico. Sua maior desvantagem é o custo maior em relação às estacas pré-moldadas de concreto, Strauss e Franki.

CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação do centro das estacas;

– locação do centro das estacas;
– locação do centro das estacas;
– locação do centro das estacas;
– locação do centro das estacas;

– profundidade de cravação;

– emendas;

– profundidade de cravação; – emendas;

– nega;

– nega;
– nega;
– nega;

Perfis comerciais

Trilhos usados soldados

3.7 Estacas Pré-Moldadas de Concreto

Estas estacas podem ser de concreto armado ou protendido e, como decorrência do problema de transporte e equipamento, têm limitações de comprimento, sendo fabricadas em segmentos, o que leva em geral à necessidade de grandes estoques e requerem armaduras especiais para içamento e transporte. Costumam ser pré-fabricadas por firmas especializadas, com suas responsabilidades bem definidas, ou no próprio canteiro, sempre num processo sob controle rigoroso (BRITO,1987). O comprimento de cravação real às vezes difere do previsto pela sondagem, levando a duas situações: a necessidade de emendas ou de corte. No caso de emendas, geralmente constitui-se num ponto crítico, dependendo do tipo de emenda: luvas de simples encaixe, luvas soldadas, ou emenda com cola epóxi através de cinta metálica e pinos para encaixe, este último tipo mais eficiente (Figura 3.12).

Figura 3.12: Estaca pré-moldada de concreto Quando o comprimento torna-se muito grande, há um limite

Figura 3.12: Estaca pré-moldada de concreto

Quando o comprimento torna-se muito grande, há um limite para o qual não há

comprometimento da linearidade da estaca, o que exige certo controle. Por outro lado quando há sobra, o corte ou arrasamento deve ser feito de maneira adequada no sentido de evitar danos à estaca. Apresentam-se em várias seções (versatilidade): quadradas, circulares, circulares centrifugadas (SCAC), duplo “T”, etc. As vazadas podem permitir inspeção após a cravação.

O processo de cravação mais utilizado é o de cravação dinâmica, onde o bate-estacas utilizado

é o de gravidade. Este tipo de cravação promove um elevado nível de vibração, que pode

causar problemas a edificações próximas do local. O processo prossegue até que a estaca que esteja sendo cravada penetre no terreno, sob a ação de um certo número de golpes, um

comprimento pré-fixado em projeto:a “nega”, uma medida dinâmica e indireta da capacidade de carga da estaca. Em campo,“tira-se” a “nega” da estaca através da média de comprimentos cravados nos últimos 10 golpes do martelo. O objetivo de verificação da nega para as diferentes estacas é a uniformidade de comportamento das mesmas. Deve-se ter cuidado com

a altura de queda do martelo: a altura ideal está entre 1,5 a 2,0 m, para não causar danos à

cabeça da estaca e fissuração da mesma, não esquecendo de usar também o coxim de madeira e o capacete metálico para proteger a cabeça da estaca contra o impacto do martelo, mesmo assim, estas estacas apresentam índice de quebra às vezes alto. Se a altura for inferior à ideal,

poderá dar uma “falsa nega”. Estas estacas não resistem a esforços de tração e de flexão e não atravessam camadas resistentes. Outra vantagem destas estacas é que podem ser cravadas abaixo do nível d’água. Sua aplicação de rotina é em obras de pequeno a médio porte.

O processo executivo de cravação emprega como equipamentos um dos três tipos de bate-

estacas:

– bate-estacas por gravidade: consta, basicamente, de um peso que é levantado através de um

guincho e que cai orientado por guias laterais. A freqüência das pancadas é da ordem de 10

por minuto e o peso do martelo varia entre 1,0 a 3,5 ton.

– bate-estacas a vapor: o levantamento do peso é feito através da pressão de vapor obtido por uma caldeira e a queda é por gravidade. São muito mais rápidos que os de gravidade, com cerca de 40 pancadas por minuto e o peso do martelo de 4,0 ton. Como variante deste tipo, temos o chamado bate-estacas de duplo efeito, onde a pressão do vapor acelera a descida do macaco, aumentando assim o número de pancadas para cerca de 250 por minuto .

– bate-estacas a explosão: o levantamento do peso é feito através da explosão de gases (tipo diesel). Este tipo de bate-estacas está hoje sofrendo grande evolução (BRITO,1987). CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação das estacas;

– profundidade de cravação;

– ocorrência de fissuras;

– verticalidade;

– nega

– altura de queda do pilão;

– execução da emenda;

– cota de arrasamento da cabeça da estaca;

– proteção da cabeça da estaca . 3.7.1 Estacas Mega

É constituída de elementos justapostos (de concreto armado, protendido ou de aço) ligados

uns aos outros por emenda especial e cravados sucessivamente por meio de macacos hidráulicos. Estes buscarão reação ou sobre a estrutura existente ou na estrutura que esteja

sendo construída ou em cargueiras especialmente construídas para tanto (cravação estática).

A solidarização da estaca com a estrutura é feita sob tensão:

Executa-se um bloco sobre a extremidade da estaca; com o macaco hidráulico comprime-se a estaca calçando a estaca sob a estrutura; retira-se o macaco e concreta-se o conjunto (ALONSO, 1979). Costumam ser utilizadas para reforço de fundações, mas às vezes também são empregadas como solução direta, permitindo em alguns casos até a execução da estrutura antes da fundação (Figura 3.13).

Figura 3.13: Estaca Mega 3.8 Brocas São estacas executadas “in loco” sem molde, por perfuração

Figura 3.13: Estaca Mega

3.8 Brocas São estacas executadas “in loco” sem molde, por perfuração no terreno com o auxílio de um trado (15 a 30 cm), sendo o furo posteriormente preenchido com o concreto apiloado (FABIANI, s.d.) fig. 3.14.

O trado utilizado é composto de 04 facas, formando um recipiente acoplado a tubos de aço galvanizado. Os tubos são divididos em partes de 1,20 m de comprimento e à medida que se prossegue a escavação eles vão sendo sucessivamente emendados. A perfuração é feita por rotação/compressão do tubo, seguindo-se da retirada da terra que se armazena dentro deste. O espaçamento entre as estacas brocas numa edificação não pode ultrapassar 4 metros e devem ser colocadas nas interseções das paredes e de forma eqüidistante ao longo das paredes desde que menor ou igual ao espaçamento máximo permitido. Porém, várias restrições podem ser feitas a este tipo de estaca:

– baixa capacidade de carga, geralmente entre 4 e 5 tf;

– há perigo de introdução de solo no concreto, quando do enchimento;

– há perigo, também, de estrangulamento do fuste;

– não existe garantia da verticalidade;

– só pode ser executada acima do lençol freático;

– comprimento máximo de aproximadamente 6,0 m (normalmente entre 3,0 e 4,0 m);

– trabalha apenas à compressão, sendo que às vezes é utilizada uma armadura apenas para

fazer a ligação com os outros elementos da construção. Assim, a broca, à vista de suas características é usada somente para casos limitados e sua execução é feita normalmente pelo pessoal da própria obra.

CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação do centro das estacas;

– profundidade de escavação;

– tipo de solo retirado como amostra;

– tipo de solo retirado como amostra; Fig. 3.14 – Execução de Estaca Broca 3.9 Estacas

Fig. 3.14 – Execução de Estaca Broca

3.9 Estacas Strauss

A estaca Strauss é uma fundação em concreto (simples ou armado), moldada in loco,

executada com revestimento metálico recuperável. Estas estacas abrangem a faixa de carga compreendida entre 200 e 500 kN, com diâmetro

variando entre 25 e 40 cm. Uma estaca do tipo strauss com diâmetro de 25 cm pode suportar

até 20 toneladas, de 32 cm até 30 t e de 38 cm chega a suportar 40 t.

A estaca strauss apresenta vantagem de leveza e simplicidade do equipamento que emprega, o que possibilita a sua utilização em locais confinados, em terrenos acidentados ou ainda no interior de construções existentes, com o pé direito reduzido. Outra vantagem operacional é de o processo não causa vibrações que poderiam provocar danos nas edificações vizinhas ou instalações que se encontrem em situação relativamente precária.

Como característica principal, o sistema de execução usa revestimento metálico recuperável,

de ponta aberta, para permitir a escavação do solo, podendo ser em solo seco ou abaixo do

nível d’água, executando-se estacas em concreto simples ou armado.

Para sua execução, são empregados os seguintes equipamentos (Figura 3.15):

– tripé de madeira ou de aço;

– guincho acoplado a motor a explosão ou elétrico;

– sonda de percussão, com válvula para retirada de terra na sua extremidade inferior;

– soquete de 300 kg, aproximadamente;

tubos de aço com 2,0 a 3,0 m de comprimento, rosqueáveis entre si;

guincho manual para retirada da tubulação;

roldanas, cabos e ferramentas.

O

processo executivo se inicia com a abertura de um furo no terreno, utilizando o soquete, até

1,0 a 2,0 m de profundidade, para colocação do primeiro tubo, dentado na extremidade inferior, chamado “coroa”. Em seguida, aprofunda-se o furo com golpes sucessivos da sonda

de percussão, retirando-se o solo abaixo da coroa. De acordo com a descida do tubo metálico,

quando necessário é rosqueado o tubo seguinte, e prossegue-se na escavação até a profundidade determinada (APEMOL, s.d.). Para concretagem, lança-se concreto no tubo até se obter uma coluna de 1,0 m e apiloa-se o

material com o soquete, formando uma base alargada na ponta da estaca. Para formar o fuste, o concreto é lançado na tubulação e apiloado, enquanto que as camisas metálicas são retiradas com o guincho manual. A concretagem é feita até um pouco acima da cota de arrasamento da estaca. Após esta etapa, coloca-se barras de aço de espera para ligação com blocos e baldrames na extremidade superior da estaca. Finalmente, remove-se o concreto excedente acima da cota de arrasamento, quebrando-se a cabeça da estaca com ponteiros metálicos.

A estaca Strauss pode ser empregada em locais confinados ou terrenos acidentados devido à

simplicidade do equipamento utilizado. Sua execução não causa vibrações, evitando problemas com edificações vizinhas. Porém, em geral possui capacidade decarga menor que estacas Franki e pré-moldadas de concreto e possui limitação devido ao nível do lençol freático.

e pré-moldadas de concreto e possui limitação devido ao nível do lençol freático. Figura 3.15: Estaca

Figura 3.15: Estaca Strauss

CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação das estacas;

– profundidade de escavação;

– verticalidade da camisa metálica;

– velocidade de retirada da camisa;

– tipo de solo encontrado (retirada de amostras);

– cota de arrasamento da cabeça das estacas;

– armadura, quando for o caso.

– apiloamento do concreto para garantir continuidade do fuste, mantendo dentro da tubulação

uma coluna de concreto suficiente para ocupar o espaço perfurado e eventuais vazios do subsolo. 3.10 Estacas Simplex Neste tipo de estaca a descida do tubo é feita por cravação e não por perfuração como é feita na estaca strauss. Este tubo é espesso e provido de uma ponteira metálica (recuperável) ou elemento pré-moldado de concreto (perdido na concretagem), para impedir a entrada de solo no interior do tubo.

Durante a descida do tubo, utilizamos um pequeno peso, servindo de sonda, que fica suspenso dentro do molde por uma roldana presa ao topo do mesmo. Desta maneira, temos um modo de verificar, se a ponteira de concreto permanece intacta, durante a cravação.

Alcançada a profundidade desejada, enche-se o tubo até o topo com concreto plástico e, por um movimento lento, mas contínuo, arranca-se de uma só vez o tubo inteiro e a ponteira metálica fig. 3.16.

NA 1ª fase 2ª fase 3ª fase preparação cravação desprender a ponteira 4ª fase armadura
NA
1ª fase
2ª fase
3ª fase
preparação
cravação
desprender
a ponteira
4ª fase
armadura
concretagem
e retirada do tubo

Fig. 3.16 : Execução de estaca simplex

3.11 Estacas Franki Estas estacas abrangem a faixa de carga de 500 a 1700 kN e seu progresso executivo que consiste na cravação de um tubo com ponta fechada e execução de base alargada, causando muita vibração, podendo provocar danos nas construções vizinhas.

Ao contrário das estacas pré-moldadas, estas estacas são recomendadas para o caso em que a camada resistente encontra-se em profundidades variáveis. Também no caso de terrenos com pedregulhos ou pequenos matacões relativamente dispersos, pode-se utilizar esse tipo de estacas. A forma rugosa do fuste garante boa aderência ao solo (resistência por atrito). Havendo a ocorrência de camada de argila rija poderá haver deslocamento da estaca já concretada por compressão lateral. Nesse caso a solução é atravessar a camada de argila usando trado para evitar impactos.

A execução deste tipo de estaca segue o seguinte procedimento:

1. Crava-se no solo um tubo de aço, cuja ponta é obturada por uma bucha de concreto seco,

areia e brita, estanque e fortemente comprimida sobre as paredes do tubo. Ao se bater com o

pilão na bucha, o mesmo arrasta o tubo, impedindo a entrada de solo ou água;

2. Atingida a camada desejada, o tubo é preso e a bucha expulsa por golpes de pilão e

fortemente socada contra o terreno, de maneira a formar uma base alargada;

3. Uma vez executada a base e colocada a armadura, inicia-se a concretagem do fuste, em

camadas fortemente socadas, extraindo-se o tubo à medida da concretagem, tendo-se o cuidado de deixar no mesmo uma quantidade suficiente de concreto para impedir a entrada de

água e de solo (Figura 3.17).

quantidade suficiente de concreto para impedir a entrada de água e de solo (Figura 3.17). Figura

Figura 3.17: Estaca Franki

As estacas tipo Franki apresentam grande capacidade de carga e podem ser executadas a grandes profundidades, não sendo limitadas pelo nível do lençol freático. Seus maiores

inconvenientes dizem respeito à vibração do solo durante a execução, área necessária ao bate- estacas e possibilidade de alterações do concreto do fuste, por deficiência do controle. Sua execução é sempre feita por firma especializada (BRITO, 1987). Em situações especiais, sobretudo em zonas urbanas, pode-se atravessar camadas resistentes em que as vibrações poderiam causar problemas com construções vizinhas, por meio de perfuração prévia ou cravando-se numa primeira etapa o tubo com a ponta aberta e desagregando-se o material com a utilização de uma ferramenta apropriada e água (ALONSO,

1979).

No caso de existir uma camada espessa de argila orgânica mole saturada, a concretagem do fuste pode ser feita de duas maneiras:

– crava-se o tubo até terreno firme, enche-se o mesmo com areia, arranca-se o tubo e torna-se

a cravá-lo no mesmo lugar. Deste modo, forma-se uma camada de areia que aumentará a

resistência da argila mole e protegerá o concreto fresco contra o efeito de estrangulamento;

– após a cravação do tubo, execução da base e colocação da armação, enche-se inteiramente o

mesmo com concreto plástico (slump de 8 a 12 cm) e em seguida o mesmo é retirado de uma só vez com auxílio de um equipamento vibrador acoplado ao tubo. A este processo executivo dá-se o nome de estaca Franki com fuste vibrado (ALONSO, 1979). CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação do centro das estacas;

– profundidade de cravação/escavação;

– verticalidade do tubo e de sua retirada da camisa, para não haver estrangulamento do fuste;

– velocidade de execução;

– armação das estacas;

– nega;

– cota de arrasamento da cabeça da estaca;

– altura de queda do pilão;

– volume de concreto empregado na execução do bulbo.

3.12 Estacas Raiz

É uma estaca de pequeno diâmetro concretada “in loco”, em diâmetros variando de 130 a 450

mm e executadas com injeção de argamassa ou calda de cimento sob baixa pressão, cuja perfuração é realizada por rotação ou rotopercussão, em direção vertical ou inclinada. Essa perfuração se processa com um tubo de revestimento e o material escavado é eliminado

continuamente, por uma corrente fluida (água, lama bentonítica ou ar) que introduzida através

do tubo refluí pelo espaço entre o tubo e o terreno.

No caso de estacas raiz perfuradas exclusivamente em solos, a perfuração é revestida com tubo metálico recuperável para garantir a integridade do fuste. Se ocorrer perfuração em trecho de rocha (passagem de matacões ou engastamento em rochas sãs), isso se dará pelo processo rotativo-percursivo sem a necessidade de revestimento metálico.

A estaca raiz é indicada para reforços de fundação, complementação de obras (ampliações),

locais de difícil acesso e em obras onde é necessário ultrapassar camadas rochosas, fundações

de obras com vizinhança sensível a vibrações ou poluição sonora, ou ainda, para obras de contenções de taludes.

Dependendo do equipamento utilizado as estacas podem ser executadas em ângulos diferentes da vertical (0° a 90°). O equipamento perfuratriz é equipado com sistema de rotação e avanço do revestimento metálico provisório ou por máquinas a roto-percussão com martelo acionados a ar comprimido. São equipamentos relativamente pequenos e robustos que possibilitam a operação em locais com espaços restritos, no interior de construções existentes e locais subterrâneos.

Existem ainda equipamentos autônomos sobre trator de esteiras, acionados por motor diesel para sua locomoção e para funcionamento do sistema hidráulico.

Completada a perfuração, coloca-se a armadura ao longo da estaca, concretando-se à medida em que o tubo de perfuração é retirado (Figura 3.18). A argamassa é constituída de areia peneirada e cimento, acrescida de aditivos fluidificantes adequados para cada caso

(BRITO,1987).

A concretagem é feita através de um tubo introduzido até o fundo da estaca, por onde é

injetada a argamassa, dosada com 500 a 600 kg de cimento por metro cúbico de areia peneirada, com relação água/cimento de 0,4 a 0,6. Durante o processo de concretagem o furo permanece revestido. Quando o tubo de perfuração está preenchido é montado um tampão em sua extremidade superior e se extrai a coluna de perfuração aplicando-se ao mesmo tempo ar comprimido (BRITO,1987). Assim, a composição e a consistência do aglomerado que é utilizado na fabricação da argamassa, a armação longitudinal, o processo de perfuração e o emprego de ar comprimido na concretagem, em conjunto, concorrem para conferir à estaca uma adequada resistência estrutural e ótima aderência ao terreno, o que garante uma elevada capacidade de carga.

Figura 3.18: Estaca raiz A estaca raiz pode ser utilizada nos seguintes casos: – em

Figura 3.18: Estaca raiz

A estaca raiz pode ser utilizada nos seguintes casos:

– em áreas de dimensões reduzidas;

– em locais de difícil acesso;

– em solos com presença de matacões, rocha ou concreto;

– em solos onde existem “cavernas” ou “vazios”;

– em reforços de fundações;

– para contenção lateral de escavações;

– em locais onde haja necessidade de ausência de ruídos ou de vibrações;

– quando são expressivos os esforços horizontais transmitidos pela estrutura às estacas de fundação (muros de arrimo, pontes, carga de vento, etc.);

– quando existe esforço de tração a solicitar o topo das estacas (ancoragem de lajes de subpressão, pontes rolantes, torres de linha de transmissão, etc.).

3.13 Estacas Escavadas e Barretes Estaca escavada, também chamada de estacão, é aquela com seção circular, executada por

escavação mecânica com equipamento rotativo, utilizando lama bentonítica e concretada com

uso de tremonha.

A estaca barrete possui seção retangular, executada por escavação com guindaste acoplado

com "clamshell", também utilizando lama bentonítica e concretada com uso de tremonha. Segundo a FUNDESP (1987), a lama bentonítica é constituída de água e bentonita, sendo esta última uma rocha vulcânica, onde o mineral predominante é a montimorilonita. No Brasil, existem jazidas de bentonita no Nordeste (Bahia e Rio Grande do Norte). Trata-se de um material tixotrópico que em dispersão muda seu estado físico por efeito da agitação (em

repouso é gelatinosa com ação anti-infiltrante; agitada fluidifica-se). Seu efeito estabilizante é eficaz quando a pressão hidrostática da lama no interior da escavação é superior à exercida externamente pelo lençol e a granulometria do terreno é tal que possa impedir a dispersão da lama.

A coluna de lama exerce sobre as paredes da vala uma pressão que impede o

desmoronamento, formando uma película impermeável denominada "cake", a qual dispensa o

uso de revestimentos.

A

lama bentonítica é preparada em uma instalação especial denominada central de lama, onde

se

faz a mistura da bentonita (transportada em pó, normalmente embalada em sacos de 50 kg)

com água pura, em misturadores de alta turbulência, com uma concentração variando de 25 a

70 kg de bentonita por metro cúbico de água, em função da viscosidade e da densidade que se pretende obter. Na central há um laboratório para controle de qualidade (parâmetros exigidos pela Norma Brasileira de Projeto e Execução de Fundações NBR 6122).

De acordo com a FUNDESP (1987), os processos de execução usuais das estacas escavadas e

dos barretes podem ser divididos nas seguintes operações básicas: escavação do terreno com preenchimento da perfuração com lama bentonítica, colocação da armadura (quando necessária) e concretagem submersa. Para estaca escavada, o equipamento de escavação consta essencialmente de uma mesa rotativa que aciona uma haste telescópica ("kelly-bar") que tem acoplada em sua extremidade inferior a ferramenta de perfuração, cujo tipo varia em função da natureza do terreno a perfurar: trado, caçamba ou coroa. À medida que penetra no solo por rotação, a ferramenta se enche gradualmente e, quando cheia, a haste é levantada e a ferramenta automaticamente esvaziada por força centrífuga (trado) ou por abertura do fundo (caçamba).

A mesa rotativa ou perfuratriz, normalmente instalada em um guindaste de esteiras, é

acionada por um motor diesel e transmite, por meio de um redutor, o movimento rotatório à haste telescópica. A mesa também é dotada de uma central hidráulica que comanda o "pull down" da haste telescópica para dar maior penetração à ferramenta de perfuração. As manobras da mesa são controladas pelo operador do guindaste que aciona um cabo de aço para descida e subida da haste telescópica. Como geralmente existe possibilidade de desmoronamento das paredes da vala e a escavação atinge horizontes abaixo do lençol freático, a perfuração é executada em presença de lama bentonítica (Figura 3.19). Terminada a perfuração inicia-se a colocação da armadura, com guindaste auxiliar ou com o

próprio guindaste utilizado na abertura da escavação. A armadura deve ser dotada de roletes distanciadores para garantir o necessário cobrimento (aproximadamente 5 cm). O sistema de concretagem é o submerso (Figura 3.20), aquele executado de baixo para cima

de modo uniforme. Tal processo consiste na aplicação de concreto por gravidade através de

um tubo ("tremie"), central ao furo, munido de uma tremonha de alimentação (funil) cuja extremidade, durante a concretagem, deve estar convenientemente imersa no concreto. A fim

de evitar que a lama se misture com o concreto lançado, coloca-se um obturador no interior do

tubo, que funcionando como êmbolo, expulsa a lama pelo peso próprio da coluna de concreto.

Prossegue-se a concretagem em um fluxo constante e regular de baixo para cima (não é possível interromper a concretagem uma vez iniciada).

é possível interromper a concretagem uma vez iniciada). Figura 3.19: Perfuração em presença de lama bentonítica

Figura 3.19: Perfuração em presença de lama bentonítica

No caso da estaca barrete, geralmente utiliza-se um equipamento de escavação denominado "clamshell" mecânico (Figura 3.21) ou hidráulico, com descida livre (cabo) ou com haste de guia ("kelly") que permite uma melhor condição de verticalidade da estaca. As demais técnicas executivas (uso de lama bentonítica, colocação da armadura e concretagem submersa) são substancialmente idênticas às das estacas escavadas. As estacas escavadas e barretes possuem as seguintes características vantajosas:

– rápida execução; capacidade de suportar cargas elevadas;

– o solo fica livre de deformações, inclusive nas vizinhanças da obra, visto que não há

vibração; não é capaz de afetar estruturas vizinhas;

– o comprimento das estacas é grande e pode ser muito variável (até 45 m, com cargas até

10.000 kN usualmente), além de prontamente alterado conforme conveniência, de furo para furo do terreno;

– o solo, à medida que se escava, pode ser inspecionado e comparado com dados de

investigação do local, fazendo um feedback (realimentação) para o projeto de fundações;

– a armadura não depende do transporte ou das condições de cravação;

– importante quando há solo de grande dureza, que seria capaz de danificar estacas que

fossem cravadas ou quando o volume de trabalho é menor e não compensa montagem de aparelhagem mais complexa (bate-estaca). Para o barrete, pode-se acrescentar vantagens que sua seção não circular (escavada com "clamshell") pode representar no "layout" do edifício. Os pilares que saem do barrete podem ser alargados em uma direção, se encaixando melhor nos pavimentos de garagem, quando o espaço é restrito.

nos pavimentos de garagem, quando o espaço é restrito. Figura 3.20: Concretagem submersa Figura 3.21: Clam-shell

Figura 3.20: Concretagem submersa

Figura 3.21: Clam-shell

Por outro lado, as estacas escavadas e barretes possuem as seguintes desvantagens:

– os métodos de escavação podem afofar solos arenosos ou pedregulhos, ou transformar

rochas moles em lama, como o calcário mole ou marga;

– necessidade de local nas proximidades para deposição de solo escavado;

– susceptíveis a estrangulamento da seção em caso de solos compressíveis;

– dificuldade na concretagem submersa, pois há impossibilidade de verificar e inspecionar

posteriormente o concreto; falta de confiança que oferece o concreto fabricado in situ (quando for o caso); depois de pronta a estaca, nunca se sabe como os materiais nela se encontram;

– entrada de água pode causar danos ao concreto, caso não tenha ainda ocorrido a pega; a

água subterrânea pode lavar o concreto ou pode reduzir a capacidade de carga da estaca por

alteração do solo circundante; quando a estaca fica abaixo do lençol freático e a vedação inferior da estaca depender apenas do concreto, este deve ser compacto e impermeável (concretos com baixa relação água/cimento); também deve-se tomar cuidado com possíveis ataques de agentes químicos da água e do solo sobre o concreto. CONTROLE DE EXECUÇÃO

– locação do centro da estaca;

– profundidade de escavação;

– velocidade de concretagem e ascenção da tremonha;

– colocação da armadura.

3.14 ESTACA HÉLICE CONTÍNUA (MONITORADA)

Introduzida no Brasil em 1987 e mais amplamente difundida em 1993. Caracterizada pela escavação do solo através de um trado contínuo possuidor de hélices em torno de um tubo central vazado. Após sua introdução no solo até a cota especificada, o trado é extraído

concomitantemente à injeção do concreto (slump 24cm, pedrisco e areia) através de tubo

vazado.

- Diâmetros de 0,275m a 1,20m;

- Comprimentos de até 33m, em função da torre ;

- Executada abaixo do NA;

- Tempo de execução de estaca de 0,40m de diâmetro e 16m de comprimento em torno de 10min (escavação e concretagem).

- Não ocasiona vibração no terreno

Figura 3.22 – Detalhe dos equipamentos empregados na execução da estaca hélice contínua. Exemplo de
Figura 3.22 – Detalhe dos equipamentos empregados na execução da estaca hélice contínua. Exemplo de

Figura 3.22 – Detalhe dos equipamentos empregados na execução da estaca hélice contínua.

empregados na execução da estaca hélice contínua. Exemplo de relatório de execução de estaca Hélice

Exemplo de relatório de execução de estaca Hélice Continua Monitorada

3.15

ESTACA ÔMEGA (MONITORADA)

Introduzida no Brasil em 1997. A cabeça é cravada por rotação, podendo ser empregada à mesma máquina utilizada nas estacas hélice contínua; durante a descida do elemento perfurante o solo é deslocado para baixo e para os lado do furo. Após sua introdução no solo

até a cota especificada, o trado é extraído concomitantemente à injeção do concreto (slump

24cm, pedrisco e areia) através de tubo vazado.

- Diâmetros de 0,31m a 0,66m;

- Comprimento em função da torre (até 33m);

- Executada abaixo do NA;

- Tempo de execução de estaca de 0,40m de diâmetro e 16m de comprimento em torno de 10 min (escavação e concretagem);

- Não ocasiona vibração no terreno;

- Limitada pelo torque da máquina

vibração no terreno; - Limitada pelo torque da máquina Figura 3.23 – Posicionamento do equipamento para
vibração no terreno; - Limitada pelo torque da máquina Figura 3.23 – Posicionamento do equipamento para

Figura 3.23 – Posicionamento do equipamento para execução da estaca ômega.

Quadro Comparativo da capacidade máxima das estacas mais usuais

Tipo de estaca

 

Dimensões (cm)

Carga útil

Distância entre

Distância das

(Ton)

eixos (cm)

divisas (cm)

Madeira

Eucalipto

30

33

80

45

Ipê

35

38

90

50

 

I

25x11,5 (10”x45/8”)

40

70

30

Perfis metálicos

II

25x11,5 (10”x45/8”)

80

80

35

I

30x13,5 (12”x51/4”)

60

70

30

II

30x13,5 (12”x51/4”)

120

80

35

Modadas in loco

Diâmetro

Diâmetro

Carga útil

Distância entre

Distância das

Interno

aproximado da

(ton)

eixos (cm)

divisas (cm)

do tubo

estaca (cm)

(cm)

 

42

47

75

130

75

Franki

47

53

100

140

80

(bucha seca)

52

58

130

150

85

60

670

170

180

85

Strauss

22

25

20

80

40

(tubo recuperável)

26

32

30

90

45

30

38

40

100

50

Pré-moldadas

Seção

Dimensões (cm)

Carga útil

Distância entre

Distância das

Concreto

(ton)

eixos (cm)

divisas (cm)

 

quadrada

20x20

20

60

30

Concreto armado

25x25

30

70

30

30x30

40

80

35

35x35

50

90

40

 

octogonal

25

30

70

40

Protendido

35

60

90

55

40

80

110

65

45

100

130

70

4. ARRASAMENTO DE ESTACA

Há necessidade de se preparar a cabeça das estacas para sua perfeita ligação com os elementos estruturais. O concreto da cabeça da estaca geralmente é de qualidade inferior, pois ao final da concretagem há subida de excesso de argamassa, ausência de pedra britada e possibilidade de contaminação com o barro em volta da estacas. Por isso, a concretagem da estaca deve terminar no mínimo 20 cm acima da cota de arrasamento. É uma operação manual com auxílio de um ponteiro e marreta e o sentido do corte deve ser de baixo para cima. A Figura 4.1 ilustra esta operação.

ser de baixo para cima. A Figura 4.1 ilustra esta operação . Figura 4.1 : Procedimento

Figura 4.1 : Procedimento para arrasamento de estacas

5 – BLOCOS DE COROAMENTO

Os blocos de coroamento das estacas e tubulões são elementos maciços de concreto armado que solidarizam as "cabeças" de uma estaca ou tubulão, ou um grupo de estacas, distribuindo para ela as cargas dos pilares e dos baldrames (Figura 5.1). As estacas devem ser preparadas previamente, através de limpeza e remoção do concreto de má qualidade que, normalmente, se encontra acima da cota de arrasamento das estacas moldadas "in loco". Os blocos de coroamento têm também a função de absorver os momentos produzidos por forças horizontais, excentricidade e outras solicitações (Caputo. H.P., 1973). É obrigatório o uso de lastro de concreto magro com espessura não inferior a 5 cm para a execução do bloco de coroamento de estaca ou tubulão. No caso de estacas de concreto ou madeira e tubulões, o topo desta camada deve ficar 5 cm abaixo do topo acabado da estaca ou tubulão.

ficar 5 cm abaixo do topo acabado da estaca ou tubulão. Fig. 5.1 - Blocos de

Fig. 5.1

- Blocos de coroamento

A segurança estrutural do elemento estará garantida se verificados os seguintes itens:

estará garantida se verificados os seguintes itens: Esmagamento do concreto por compressão excessiva na

Esmagamento do concreto por compressão excessiva na região de contato da carga e Fendilhamento devido às tensões transversais de tração ao longo da altura.

6. RECALQUES

Os recalques são deformações do solo, com conseqüentes deslocamentos dos apoios da

estrutura. Os recalques de fundações podem causar prejuízos à boa utilização da obra, como também ameaçar a estabilidade da construção. Os recalques totais das fundações diretas são obtidos pela soma do recalque imediato, recalque de adensamento e recalque ao longo do tempo.

O recalque imediato é proveniente das deformações com mudança de forma, sem diminuição

de volume do solo. Ocorre simultaneamente com aplicação da ação. A grandeza desses recalques é estimada com base na teoria da elasticidade; por exemplo: os solos arenosos, que em virtude da alta permeabilidade, a água flui tão rapidamente que a expulsão de água dos poros é praticamente instantânea. Portanto, as fundações em areias recalcam quase imediatamente à aplicação da força.

O recalque de adensamento resulta da expulsão gradual de água e de ar dos vazios do solo e

ocorre lentamente com o decorrer do tempo; por exemplo: os solos argilosos, submetidos a carregamentos permanentes, onde os recalques se processam lentamente face à pequena

permeabilidade destes solos. Os recalques uniformes ocorrem quando as fundações sofrem recalques iguais em toda

extensão da obra. Já quando os recalques são desiguais, são ditos recalques diferenciais. As principais causas dos recalques diferenciais são:

a. superposição dos campos de pressões de construções vizinhas;

b. grande concentração de pressões no centro das edificações submetidas a ações

aproximadamente distribuídas;

c. distribuição irregular das ações da edificação;

d. diferentes tipos de fundação em um mesmo edifício;

e. variação de espessura ou de propriedades das camadas do solo que condicionam os

recalques;

f. fundações assentes em cotas diferentes.

Em geral, não são os recalques uniformes que prejudicam a estrutura e sim os diferenciais, por provocar solicitações adicionais na estrutura, podendo comprometer a estabilidade da obra. No entanto, quando os recalques uniformes começam a ultrapassar um certo limite e, dependendo do tipo de construção, a utilização da mesma pode ficar bastante prejudicada. Os recalques diferenciais evidenciam-se por desnivelamentos do terreno e consequentemente da estrutura, desaprumos e fissuras na estrutura.

As medidas (relativas ao solo ou às estruturas) a serem tomadas, visando minimizar os efeitos

dos recalques, dependem da destinação da obra e do tipo da estrutura a serem adotados. As

estruturas metálicas suportam melhor os efeitos dos recalques que as estrutura de concreto, enquanto as hiperestáticas são mais sensíveis que as isostáticas; portanto, prevendo uma construção suficientemente rígida, pode-se minimizar os efeitos dos recalques diferenciais. No caso de solo compressível, pode-se reduzir a um mínimo os recalques, retirando por escavação um peso de terra que se substitui pelo peso da construção. 6.1. INTERAÇÃO SOLO - ESTRUTURA

O comportamento real de uma estrutura apoiada sobre o solo envolve um processo interativo

que começa com a fase de construção, passa por um período de ajustamento de tensões e

esforços solicitantes na estrutura e no solo, e termina com um estado de equilíbrio. O projetista não pode ignorar este comportamento, para que se possa estimar a magnitude dos recalques, adotar soluções estruturais e então avaliar o mérito da fundação escolhida.

A conclusão de que uma estrutura pode acomodar os recalques previstos, necessita de uma

larga experiência do projetista. No entanto, critérios baseados em situações similares na prática podem ser adotados.

A análise da interação solo-estrutura é de grande complexidade e está intimamente

relacionada com a utilização de métodos numéricos, pois os cálculos de interação só se tornaram praticamente possíveis com os computadores. Em algumas circunstâncias, onde a estrutura não tem poder de acomodação, para os recalques

diferenciais previstos pelo cálculo geotécnico convencional, a estrutura pode ser projetada como isostática (podendo acomodar os deslocamentos sem provocar solicitações internas), introduzindo-se rótulas que permitam deslocamentos relativos sem, no entanto, causar prejuízos estéticos, de durabilidade e de desempenho.

O quadro a seguir fornece uma idéia geral a respeito de limites de recalques totais e

diferenciais para os casos específicos :

a seguir fornece uma idéia geral a respeito de limites de recalques totais e diferenciais para

7 - MUROS DE ARRIMO

Muros de arrimo são estruturas corridas de contenção de parede vertical ou quase vertical, apoiadas em uma fundação rasa ou profunda (Fig. 7.1). Podem ser construídos em alvenaria (tijolos ou pedras) ou em concreto (simples ou armado), ou ainda, de elementos especiais. Os muros de arrimo podem ser de vários tipos: gravidade (construídos de alvenaria, concreto, gabiões ou pneus), de flexão (com ou sem contraforte) e com ou sem tirantes.

de flexão (com ou sem contraforte) e com ou sem tirantes. Figura 7.1 Terminologia 7.1 TIPOS

Figura 7.1 Terminologia

7.1 TIPOS DE MUROS 7.1.1. Muros de Gravidade Muros de Gravidade são estruturas corridas que se opõem aos empuxos horizontais pelo peso próprio. Geralmente, são utilizadas para conter desníveis pequenos ou médios, inferiores a cerca de 5m. Os muros de gravidade podem ser construídos de pedra ou concreto (simples ou armado), gabiões ou ainda, pneus usados. 7.1.1.1. Muros de alvenaria de pedra Os muros de alvenaria de pedra são os mais antigos e numerosos. Atualmente, devido ao custo elevado, o emprego da alvenaria é menos freqüente, principalmente em muros com maior altura (Figura 7.2). No caso de muro de pedras arrumadas manualmente, a resistência do muro resulta unicamente do embricamento dos blocos de pedras. Este muro apresenta como vantagens a simplicidade de construção e a dispensa de dispositivos de drenagem, pois o material do muro é drenante. Outra vantagem é o custo reduzido, especialmente quando os blocos de pedras são disponíveis

no local. No entanto, a estabilidade interna do muro requer que os blocos tenham dimensões

aproximadamente regulares, o que causa um valor menor do atrito entre as pedras. Muros de pedra sem argamassa devem ser recomendados unicamente para a contenção de taludes com alturas de até 2m. A base do muro deve ter largura mínima de 0,5 a 1,0m e deve ser apoiada em uma cota inferior à da superfície do terreno, de modo a reduzir o risco de ruptura por deslizamento no contato muro-fundação.

Quanto a taludes de maior altura (cerca de uns 3m), deve-se empregar argamassa de cimento e areia para preencher os vazios dos blocos de pedras. Neste caso, podem ser utilizados blocos

de dimensões variadas. A argamassa provoca uma maior rigidez no muro, porém elimina a

sua capacidade drenante. É necessário então implementar os dispositivos usuais de drenagem

de muros impermeáveis, tais como dreno de areia ou geossintético no tardoz e tubos barbacãs

para alívio de poropressões na estrutura de contenção.

para alívio de poropressões na estrutura de contenção. Figura 7.2 Muros de alvenaria de pedra 7.1.1.2.

Figura 7.2 Muros de alvenaria de pedra 7.1.1.2. Muros de concreto ciclópico ou concreto gravidade Estes muros (Figura 6.3) são em geral economicamente viáveis apenas quando a altura não é superior a cerca de 4 metros. O muro de concreto ciclópico é uma estrutura construída mediante o preenchimento de uma fôrma com concreto e blocos de rocha de dimensões

variadas. Devido à impermeabilidade deste muro, é imprescindível a execução de um sistema adequado de drenagem.

A sessão transversal é usualmente trapezoidal, com largura da base da ordem de 50% da

altura do muro (Figura 7.3). A especificação do muro com faces inclinadas ou em degraus pode causar uma economia significativa de material. Para muros com face frontal plana e vertical, deve-se recomendar uma inclinação para trás (em direção ao retroaterro) de pelo

menos 1:30 (cerca de 2 graus com a vertical), de modo a evitar a sensação ótica de uma inclinação do muro na direção do tombamento para a frente. Os furos de drenagem devem ser posicionados de modo a minimizar o impacto visual devido às manchas que o fluxo de água causa na face frontal do muro. Alternativamente, pode-se realizar a drenagem na face posterior (tardoz) do muro através de uma manta de material geossintético (tipo geotêxtil). Neste caso, a água é recolhida através de tubos de drenagem adequadamente posicionados.

através de tubos de drenagem adequadamente posicionados. Figura 7.3 Muros de concreto ciclópico (ou concreto

Figura 7.3 Muros de concreto ciclópico (ou concreto gravidade) 7.1.1.3. Muros de gabião Os muros de gabiões (Figura 7.4) são constituídos por gaiolas metálicas preenchidas com pedras arrumadas manualmente e construídas com fios de aço galvanizado em malha hexagonal com dupla torção. As dimensões usuais dos gabiões são: comprimento de 2m e seção transversal quadrada com 1m de aresta. No caso de muros de grande altura, gabiões mais baixos (altura =0,5m), que apresentam maior rigidez e resistência, devem ser posicionados nas camadas inferiores, onde as tensões de compressão são mais significativas. Para muros muito longos, gabiões com comprimento de até 4m podem ser utilizados para agilizar a construção. A Figura 7.4 apresenta ilustrações de gabiões. A rede metálica que compõe os gabiões apresenta resistência mecânica elevada. No caso da ruptura de um dos arames, a dupla torção dos elementos preserva a forma e a flexibilidade da malha, absorvendo as deformações excessivas. O arame dos gabiões é protegido por uma galvanização dupla e, em alguns casos, por revestimento com uma camada de PVC. Esta proteção é eficiente contra a ação das intempéries e de águas e solos agressivos (Maccaferri,

1990).

As principais características dos muros de gabiões são a flexibilidade, que permite que a estrutura se acomode a recalques diferenciais e a permeabilidade.

se acomode a recalques diferenciais e a permeabilidade. Figura 7.4. Muro Gabião 7.1.1.4. Muros em fogueira

Figura 7.4. Muro Gabião 7.1.1.4. Muros em fogueira (“crib wall”) “Crib Walls” (Figura 7.5) são estruturas formadas por elementos pré-moldados de concreto armado, madeira ou aço, que são montados no local, em forma de “fogueiras” justapostas e interligadas longitudinalmente, cujo espaço interno é preenchido com material granular graúdo. São estruturas capazes de se acomodarem a recalques das fundações e funcionam como muros de gravidade.

das fundações e funcionam como muros de gravidade. Figura 7.5. Muro Crib wall 7.1.1.5 Muros de

Figura 7.5. Muro Crib wall

7.1.1.5 Muros de sacos de solo-cimento

Os muros (Figura 7.6 ) são constituídos por camadas formadas por sacos de poliéster ou similares, preenchidos por uma mistura cimento-solo da ordem de 1:10 a 1:15 (em volume). O solo utilizado é inicialmente submetido a um peneiramento em uma malha de 9mm, para a retirada dos pedregulhos. Em seguida, o cimento é espalhado e misturado, adicionando-se

água em quantidade 1% acima da correspondente à umidade ótima de compactação proctor normal. Após a homogeneização, a mistura é colocada em sacos, com preenchimento até cerca de dois terços do volume útil do saco. Procede-se então o fechamento mediante costura manual. O ensacamento do material facilita o transporte para o local da obra e torna dispensável a utilização de fôrmas para a execução do muro. No local de construção, os sacos de solo-cimento são arrumados em camadas posicionadas horizontalmente e, a seguir, cada camada do material é compactada de modo a reduzir o volume de vazios. O posicionamento dos sacos de uma camada é propositalmente desencontrado em relação à camada imediatamente inferior, de modo a garantir um maior intertravamento e, em conseqüência, uma maior densidade do muro. A compactação é em geral realizada manualmente com soquetes. As faces externas do muro podem receber uma proteção superficial de argamassa de concreto magro, para prevenir contra a ação erosiva de ventos e águas superficiais. Esta técnica tem se mostrado promissora devido ao baixo custo e pelo fato de não requerer mão de obra ou equipamentos especializados. Um muro de arrimo de solo-cimento com altura entre 2 e 5 metros tem custo da ordem de 60% do custo de um muro de igual altura executado em concreto armado (Marangon, 1992). Como vantagens adicionais, pode-se citar a facilidade de execução do muro com forma curva (adaptada à topografia local) e a adequabilidade do uso de solos residuais.

local) e a adequabilidade do uso de solos residuais. Figura 7.6 Muro de contenção com sacos

Figura 7.6 Muro de contenção com sacos de solo-cimento 7.1.1.6 Muros de pneus Os muros de pneus (Figura 7.7) são construídos a partir do lançamento de camadas horizontais de pneus, amarrados entre si com corda ou arame e preenchidos com solo compactado. Funcionam como muros de gravidade e apresentam com vantagens o reuso de pneus descartados e a flexibilidade. A utilização de pneus usados em obras geotécnicas

apresenta-se como uma solução que combina a elevada resistência mecânica do material com o baixo custo, comparativamente aos materiais convencionais. Sendo um muro de peso, os muros de solo-pneus estão limitados a alturas inferiores a 5m e à disponibilidade de espaço para a construção de uma base com largura da ordem de 40 a 60%

da altura do muro. No entanto, deve-se ressaltar que o muro de solo-pneus é uma estrutura flexível e, portanto, as deformações horizontais e verticais podem ser superiores às usuais em muros de peso de alvenaria ou concreto. Assim sendo, não se recomenda a construção de muros de solo-pneus para contenção de terrenos que sirvam de suporte a obras civis pouco deformáveis, tais como estruturas de fundações ou ferrovias. Como elemento de amarração entre pneus, recomenda-se a utilização de cordas de polipropileno com 6mm de diâmetro. Cordas de náilon ou sisal são facilmente degradáveis e não devem ser utilizadas. O peso específico do material solo-pneus utilizado em muro experimental foi determinado a partir de ensaios de densidade no campo (Medeiros et al.; 1997), e varia na faixa de 15,5 kN/m3 (solo com pneus inteiros) a 16,5 kN/m3 (solo com pneus cortados).

O posicionamento das sucessivas camadas horizontais de pneus deve ser descasado, de forma

a minimizar os espaços vazios entre pneus. A face externa do muro de pneus deve ser

revestida, para evitar não só o carreamento ou erosão do solo de enchimento dos pneus, como também o vandalismo ou a possibilidade de incêndios. O revestimento da face do muro deverá ser suficientemente resistente e flexível, ter boa aparência e ser de fácil construção. As principais opções de revestimento do muro são alvenaria em blocos de concreto, concreto projetado sobre tela metálica, placas pré-moldadas ou vegetação.

de concreto, concreto projetado sobre tela metálica, placas pré-moldadas ou vegetação. Figura 7.7 Muro de pneus

Figura 7.7 Muro de pneus

7.1.2. Muros de Flexão Muros de Flexão (Fig. 7.8) são estruturas mais esbeltas com seção transversal em forma de “L” que resistem aos empuxos por flexão, utilizando parte do peso próprio do maciço, que se apóia sobre a base do “L”, para manter-se em equilíbrio. Em geral, são construídos em concreto armado, tornando-se anti-econômicos para alturas acima de 5 a 7m. A laje de base em geral apresenta largura entre 50 e 70% da altura do muro. A face trabalha à flexão e se necessário pode empregar vigas de enrijecimento, no caso alturas maiores.

empregar vigas de enrijecimento, no caso alturas maiores. Figura 7.8 Muro de flexão Para muros com

Figura 7.8 Muro de flexão Para muros com alturas superiores a cerca de 5 m, é conveniente a utilização de contrafortes (ou nervuras), para aumentar a estabilidade contra o tombamento (Figura 7.9). Tratando-se de laje de base interna, ou seja, sob o retroaterro, os contrafortes devem ser adequadamente armados para resistir a esforços de tração. No caso de laje externa ao retroaterro, os contrafortes trabalham à compressão. Esta configuração é menos usual, pois acarreta perda de espaço útil a jusante da estrutura de contenção. Os contrafortes são em geral espaçados de cerca de 70% da altura do muro.

Figura 7.9. Muro com contraforte Muros de flexão (Figura 7.10) podem também ser ancorados na

Figura 7.9. Muro com contraforte Muros de flexão (Figura 7.10) podem também ser ancorados na base com tirantes ou chumbadores (rocha) para melhorar sua condição de estabilidade. Esta solução de projeto pode ser aplicada quando na fundação do muro ocorre material competente (rocha sã ou alterada) e quando há limitação de espaço disponível para que a base do muro apresente as dimensões necessárias para a estabilidade.

apresente as dimensões necessárias para a estabilidade. Figura 7.10 Muro de concreto ancorado na base: seção

Figura 7.10 Muro de concreto ancorado na base: seção transversal

7.2. INFLUÊNCIA DA ÁGUA Grande parte dos acidentes envolvendo muros de arrimo está relacionada ao acúmulo de água no maciço. A existência de uma linha freática no maciço é altamente desfavorável,

aumentando substancialmente o empuxo total. O acúmulo de água, por deficiência de drenagem, pode duplicar o empuxo atuante. O efeito da água pode ser direto, resultante do acúmulo de água junto ao tardoz interno do muro, ou indireto, produzindo uma redução da resistência ao cisalhamento do maciço em decorrência do acréscimo das pressões intersticiais. 7.3.1. Sistemas de Drenagem Para um comportamento satisfatório de uma estrutura de contenção, é fundamental a utilização de sistemas eficientes de drenagem (Fig. 7.11). Os sistemas de drenagem podem ser superficiais ou internos. Em geral, os projetos de drenagem combinam com dispositivos de proteção superficial do talude. Sistemas de drenagem superficial devem captar e conduzir as águas que incidem na superfície do talude, considerando-se não só a área da região estudada como toda a bacia de captação. Diversos dispositivos (canaletas transversais, canaletas longitudinais de descida (escada), dissipadores de energia, caixas coletoras etc.) podem ser selecionados para o projeto, dependendo da natureza da área (ocupação densa, com vegetação etc.), das condições geométricas do talude, do tipo de material (solo/rocha).

geométricas do talude, do tipo de material (solo/rocha). Figura 7.11. Dispositivos de drenagem superficial (GeoRio)

Figura 7.11. Dispositivos de drenagem superficial (GeoRio) Sistemas de proteção de talude têm como função reduzir a infiltração e a erosão, decorrentes da precipitação de chuva sobre o talude. As alternativas de proteção superficial podem ser classificadas em dois grupos: proteção com vegetação e proteção com impermeabilização (Fig. 7.12). Não existe uma regra para a concepção de projetos desta natureza, entretanto deve-se sempre considerar a proteção vegetal como a primeira alternativa, em particular, para taludes não naturais.

Figura 7.12. Proteção superficial(GEO, 1995) Processos de infiltração decorrentes da precipitação de chuva podem

Figura 7.12. Proteção superficial(GEO, 1995) Processos de infiltração decorrentes da precipitação de chuva podem alterar as condições hidrológicas do talude, reduzindo as sucções e/ou aumentando a magnitude das poropressões (Figura 7.13). Em ambos os casos, estas mudanças acarretam uma redução na tensão efetiva e, conseqüentemente, uma diminuição da resistência ao cisalhamento do material, tendendo a causar instabilidade. Ressalta-se que, no caso de taludes localizados em áreas urbanas, mudanças nas condições hidrológicas podem ocorrer não somente devido à infiltração das águas de chuva, como também devido a infiltrações causadas por vazamentos em tubulações de água e/ou esgoto. Sistemas de drenagem subsuperficiais (drenos horizontais, trincheiras drenantes longitudinais, drenos internos de estruturas de contenção, filtros granulares e geodrenos) têm como função controlar as magnitudes de pressões de água e/ou captar fluxos que ocorrem no interior dos taludes. Estes sistemas tendem a causar rebaixamento do nível piezométrico, sendo o volume de água que flui através dos drenos diretamente proporcional ao coeficiente de permeabilidade e ao gradiente hidráulico. Com o rebaixamento do nível piezométrico, o gradiente hidráulico diminui e o fluxo então vai se reduzindo progressivamente até se restabelecer uma condição de regime permanente. Em solos de baixa condutividade hidráulica, esta redução pode significar a inexistência de um volume de drenagem visível a olho nu, a qual não deve, entretanto, ser associada à deterioração do dreno. Este tipo de comportamento muitas vezes gera dúvidas quanto a eficácia do sistema de drenagem, sugerindo a possibilidade de colmatação. Neste sentido, recomenda-se a monitoração

contínua, através da instalação de piezômetros, comparando-se registros antes, durante e após a construção.

registros antes, durante e após a construção. Figura 7.13. Redes de fluxo em muros A Figura

Figura 7.13. Redes de fluxo em muros A Figura 7.14 e Figura 7.15 apresentam esquemas de sistemas de drenagem. Quando não há inconveniente em drenar as águas para a frente do muro, podem ser introduzidos furos drenantes ou barbacãs.

Figura 7.14 Sistemas de Drenagem – dreno inclinado Figura 7.15 Sistemas de Drenagem – dreno

Figura 7.14 Sistemas de Drenagem – dreno inclinado

Figura 7.14 Sistemas de Drenagem – dreno inclinado Figura 7.15 Sistemas de Drenagem – dreno vertical

Figura 7.15 Sistemas de Drenagem – dreno vertical Durante a construção da estrutura de arrimo, a execução dos drenos deve ser cuidadosamente acompanhada, observando o posicionamento do colchão de drenagem e garantindo que durante o lançamento do material não haja contaminação e/ou segregação.

Os muros com características drenantes (crib walls e gabiões), também requerem instalação de filtro vertical na face interna do muro, a menos que o material de preenchimento atue como filtro, impedindo o carreamento da fração fina do retroaterro. Em gabiões, recomenda-se, ainda, a instalação de uma camada drenante na base para proteção da fundação contra eventuais processos erosivos. 7.3 ESTABILIDADE DE MUROS DE ARRIMO Na verificação de um muro de arrimo, seja qual for a sua seção, devem ser investigadas as seguintes condições de estabilidade: tombamento, deslizamento da base, capacidade de carga da fundação e ruptura global, como indica a Figura 7.16.

de carga da fundação e ruptura global, como indica a Figura 7.16. Figura 7.16 Estabilidade de

Figura 7.16 Estabilidade de Muros de Arrimo

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ANEXOS

Tabela de conversão de unidades

ANEXOS Tabela de conversão de unidades 53
ANEXOS Tabela de conversão de unidades 53

Tabela das Estacas mais Comuns

Tabela das Estacas mais Comuns 54

Tabela de distribuição das estacas em torno do centro de carga do pilar

Tabela de distribuição das estacas em torno do centro de carga do pilar 55

Tipos de Cargas que Atuam na Estrutura

Tipos de Cargas que Atuam na Estrutura Tabela com tipos de fundações 56

Tabela com tipos de fundações

Tipos de Cargas que Atuam na Estrutura Tabela com tipos de fundações 56