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A prática budista muda o destino, os traumas e

os sofrimentos em felicidade
(publicado na Revista "Living Buddhism" (SGI-USA) de Março de 2.002)
Por Jeanny Chen, Saratoga, California.
Disponível em http://www.happyjeanny.com

O que posso lembrar da minha infância em Taiwan, é que minha família estava
constantemente mudando-se de uma cidade para outra para fugir dos credores e começar
de novo. Como resultado dos reiterados fracassos nos negócios do meu pai, suas
instalações e nossos pertences eram freqüentemente colocadas sob custódia legal por
ordem dos tribunais. As vezes voltávamos para casa e encontrávamos a porta lacrada pela
justiça, proibindo-nos a entrada.

Antes de que pudéssemos encontrar uma forma de fugir dos credores, meus pais
usualmente escondiam toda a família num quarto alugado, apagavam as luzes e nos
mantinham quietos dia e noite. Até hoje, permanece tão vívida na minha memória a imagem
dos credores batendo na porta ferozmente, exigindo-nos que abríssemos para que
pudessem confiscar o que restava ou agindo violentamente contra nós.

Minha mãe trabalhou tão duramente para manter o negócio do meu pai funcionando, que
apenas aparecia em casa. Quando tinha treze anos, ela também foi presa durante um ano e
meio: meu pai tinha usado seu nome para dirigir seu negocio falido e tinha soltado cheques
sem fundos.
Antes de eu nascer e durante minha vida, meu pai teve outra mulher.
Era comum em Taiwan nessa época que os homens tivessem acompanhantes femininas
fora do casamento. Meus irmãos e eu ficávamos a mercê da tirania desta mulher durante a
ausência da minha mãe, especialmente quando esteve na prisão.

Minha família deve ter mudado vinte vezes durante minha infância. Fui colocada em quatro
lares substitutos durante a época do colégio. Tive que mudar de uma escola para outra
muitas vezes. Nunca fiz grandes amizades. Sou a do meio entre oito irmãos, a mais
insignificante e desprotegida. Era o patinho feio que sempre estava triste. Não odiava meus
pais pelos seus fracassos, mas tinha uma enorme pergunta: Por quê eu? Por quê minha
família? Os empregados do meu pai várias vezes malgastava substanciais quantias de
dinheiro. Muitos dos seus clientes se declaravam em bancarrota por sua culpa. Quem era
responsável por tal intrincada rede? Também me preocupava tremendamente não poder
fazer nada para proteger minha mãe das relações do meu pai com suas amantes.

Uma das minhas professoras primárias declarou que eu era muito cínica e ressentida, após
eu ter escrito uma autobiografia de vinte páginas (outros estudantes entregaram uma ou
duas páginas). Outra professora odiava minha cadavérica aparência. Comentou que eu não
tinha nenhuma chance de progredir. Isso doía. Sei o motivo pelo qual meus professores me
desprezavam: sob a sombra da minha situação familiar, tinha-me resignado ao meu destino
ainda criança. Era pessimista, teimosa, taciturna, insensível, nervosa, irascível e ansiosa.
Não tinha esperanças, coragem, sonhos e nem sequer lágrimas, se quisesse chorar. Não
podia fazer nada além de seguir os altos e baixos da minha débil vida.

Estava pronta para aceitar o mínimo e o pior. Procurava respostas com adivinhos, só para
descobrir mais razões para ser pessimista. Tentava fugir da realidade sonhando toda vez
que podia.

Como resultado disso ia mal na escola. Finalmente pedi autorização para ausentar-me no
meu primeiro ano universitário e fiquei em casa sem fazer nada. Não podia suportar como
meus pais tinham que lidar com semelhante caos superando uma crise após outra sem fim.
Isto afetou minha condição física, o que converteu-se na minha desculpa para suspender
minha educação.

Apesar de tal miserável infância e adolescência, no meu último ano universitário tive a
grandiosa boa sorte de conhecer Raymond, um homem incrível que logo converteu-se no
meu amado marido. Proporcionou-me tão excepcional e pacífico abrigo, que fui capaz de
deixar os problemas da minha própria família para trás por um tempo. Meu doce casamento,
porém, não marcou o fim dos meus sofrimentos.

Raymond me amava e nutria com todo o amor, cuidado e atenção que eu pudesse desejar.
Mas mesmo assim, bem lá dentro, era infeliz, cínica e cheia de ansiedade. Estava preparada
para dar-me por vencida a qualquer momento. Não podia apreciar a beleza da vida ou da
arte. Não tinha passatempos nem desenvolvia interesse por nada. Sentia-me triste porque
meu esposo tinha casado com uma pessoa insuportavelmente insulsa. Meus pais
continuaram lutando contra seu obstinado carma e meu coração não encontrava paz, por
não ter a capacidade de ajudá-los. Não havia solução.

Não foi até pouco tempo atrás, depois de ter estado praticando o Budismo durante dez
anos, que reparei no verdadeiro aspecto do meu carma de sofrimento. Nitiren Daishonin,
citando o Sutra Hatsunaion-kyo, na sua "Carta de Sado" afirma:

"Os senhores de fé devota, desde que cometeram inumeráveis pecados


formando vários maus carmas no passado, sofrerão pela retribuição de
todas essas ações. Serão menosprezados, terão uma aparência feia, faltar-
lhe-ão comida e roupa, em vão procurarão saúde, nascerão numa pobre e
herética família ou sofrerão as perseguições de imperadores".

Ademais diz:

"É pelo benefício de abraçar a Lei que uma pessoa pode diminuir a
retribuição de sofrimentos como um homem". (END, vol. 1, pág. 203)

Nitiren Daishonin me ensina que cada pessoa que encontro, tudo o que me acontece e as
diferentes condições que rodeiam minha vida, são a exata manifestação do meu carma. De
acordo com este ensinamento, tenho criado o carma negativo no passado, e o levarei
existência após existência a não ser que o transforme mediante minha prática da Lei
Mística. A mesma escritura deixa claro que tenho feito coisas similares a outras pessoas em
existências anteriores, portanto todos os efeitos estavam chegando-me nesta existência. A
causa mais séria que cometi foi minha passada calúnia à Lei Mística.

Superficialmente, sofri porque tinha nascido com um pai que não cumpria com minha mãe,
e que negava-se a ser derrotado, mesmo quando nunca tinha sucesso na sua carreira.
Sofria porque tinha uma mãe que, apesar da sua diligência e virtudes, estava firmemente
presa pela união do seu destino com o do meu pai. Sofria porque meus irmãos e eu éramos
maltratados por outra mulher, e assim sucessivamente.

O verdadeiro aspecto desses fenômenos, porém, é que eram meu próprio carma. Precisava
que essas pessoas desempenhassem seus respectivos papéis no drama da minha vida.
Este não tinha acabado, eu tinha sido incapaz de mudá-lo. Mesmo se pudesse mudar todo o
elenco, os novos atores ainda atuariam de acordo com o que estava escrito no roteiro do
meu carma. Minha vida ainda seria a mesma. Se tivesse um carma positivo, durante minha
infância o drama do meu carma teria um elenco que levaria vidas amavelmente para prover-
me de um ambiente feliz e confortável.
Evidentemente, as pessoas na minha vida tinham seu próprio carma, mas eles não eram
culpados pelo meu carma e meu destino. Nem sequer tinha que perdoá-los.

Eu era totalmente responsável por qualquer coisa pela que tivesse que passar.

Por aceitar a responsabilidade da minha própria vida, podia livremente transformá-la sem
depender dos outros. Quando consegui ver a verdade fundamental deste fenômeno que me
causava sofrimento, minha vida abriu-se. Meus amargos sentimentos de ser desafortunada,
maltratada, inferior e de sentir-me presa, desapareceram.

Quando percebi isto, imediatamente fui recitar Daimoku na frente do Gohonzon. Dou valor a
meus pais por suas vidas de incessante luta, já que serviram como um catalisador para
manifestar meu carma negativo. Sou grata porque recitar Nam-myoho-rengue-kyo me põe
no caminho correto e em perfeita harmonia com o ritmo do universo. De acordo com o que
Daishonin escreve no Gosho "A Transformação do carma determinado":

"Devido ao fato de que até mesmo o carma determinado pode ser erradicado
através do completo e genuíno arrependimento, é desnecessário dizer que o
carma indeterminado pode também ser totalmente transformado". (END, vol.
1, pág. 215).

Desculpei-me perante o Gohonzon pelas minhas calúnias passadas e causas negativas e


jurei não cometer nenhuma outra ofensa desde então. Em vez disso, me esforçaria em
proteger a Lei Mística e criar causas positivas sob qualquer circunstância. Também orei
para rodear-me de boas influências e afastar-me das más influências ou ainda melhor, trocá-
las por boas.

Senti que orando sinceramente para erradicar meu carma, estava liberando meus pais da
sua missão de mostrar o carma negativo da minha vida. Desde então, eles não tinham que
sofrer pela parte do seu carma que estivesse ligada comigo.

Mediante minha fé, prática e estudo da Lei Mística tenho cumprido muitos objetivos e
também tenho mudado meu carma. Como resultado disto, meu marido e eu podemos
manter meus pais e dar-lhes uma vida confortável.
Faz três anos, à idade de 72 anos, meu pai ainda era um lutador, mas seu tempo estava
acabando-se. Estava tão profundamente assustado que começou a sofrer de insônia, e nem
os remédios para dormir puderam ajudá-lo. Nunca antes tinha procurado ajuda religiosa,
mas quando lhe fiz conhecer o Budismo de Nitiren Daishonin, imediatamente o abraçou.

Acredito que mudando meu próprio carma, fui capaz de ajudar meu pai a mudar o seu.
Agora ele recita Nam-myoho-rengue-kyo e deixou completamente para trás seus pesares e
dor. Desfruta sua vida como nunca antes. Minha mãe, duas irmãs e um irmão também estão
orando Nam-myoho-rengue-kyo.

A escritura de Nitiren Daishonin "Wu-lung e I-lung" declara:

"O Sutra de Lótus é completamente diferente. Uma mão que o segura


imediatamente atinge a iluminação, e uma boca que o recita
instantaneamente entra no estado de Buda". (END, vol. 4, 295)

O que pode ser mais poderoso que usar o Sutra de Lótus para erradicar o carma da minha
família?
Quando comecei a compartilhar minha experiência com outros, descobri que para muitos, o
sofrimento do seu carma freqüentemente convertia-se em traumas para toda a vida. Eram
adictos, depressivos, ressentidos, estavam profundamente feridos e as vezes eram
suicidas. Careciam de confiança e autoestima. Dói-me muitíssimo saber que as pessoas
sofrem mais severamente do que posso imaginar e que não podem evitar anular-se a si
mesmos.

Um dia, quando estava lendo o capítulo dez do Sutra de Lótus, "Mestre da Lei" (Hosshi), um
parágrafo chamou minha atenção:

"O senhor [Rei da Medicina] deve entender que estas pessoas são grandes
bodhisattvas que têm triunfado em obter o anuttara-samyak sambodhi (a
suprema e perfeita iluminação). Compadecendo-se dos seres humanos,
juraram nascer entre eles onde pudessem amplamente expor e fazer
sobressair o Sutra de Lótus da maravilhosa Lei Mística. O quanto mais é
verdade, então, para aqueles que abraçam o sutra inteiro e lhe brindam
diversos tipos de oferendas!". (pág. 161)

Esta era a resposta documental que tinha andado procurando! Sentindo-me emocionada,
recitei Daimoku durante três dias para entender completamente e absorver seu significado.

Compreendi que, como um dos Bodhisattvas da Terra, minha missão é propagar a Lei
Mística durante os Últimos Dias da Lei e levar felicidade a todos os seres humanos. De
acordo com o capítulo quinze do Sutra de Lótus "Emergindo da Terra", os Bodhisattvas da
Terra tinham a sabedoria do Buda de incontáveis aeons, e todos foram ensinados e
convertidos pelo Buda Sakyamuni antes da Cerimônia do Ar acontecer.

O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, explica que todos nós estávamos
presentes na cerimônia. O Buda Sakyamuni nos confiou, junto a outros incontáveis
Bodhisattvas da Terra, "aceitar, apoiar, ler, recitar e propagar amplamente a Lei Mística, fazer
com que os seres humanos em todos os cantos a escutem e a entendam... e fazer que seus
benefícios se difundam amplamente. Pela nossa benevolência para com todos os seres
humanos, voluntariamente renunciamos ao benefício para nós e tomamos esta missão.
Cada um de nós deliberadamente criamos nosso carma para nascer no mundo saha, num
ambiente com as condições que escolhemos por própria vontade. Nascemos com nosso
respectivo carma de sofrimento. Este sofrimento se converte no nosso ímpeto para procurar
a solução. Sob tais circunstâncias, somos capazes de aproveitar nosso sofrimento e
praticar a Lei Mística.

Graças a Nitiren Daishonin, ao presidente Ikeda e à Soka Gakkai, temos o Gohonzon e


podemos seguir os ensinamentos corretos. Mediante nossa prática diligente dia a dia,
polimos nossas vidas e fazemos emergir com sabedoria e energia vital, nosso estado de
buda inerente. Como resultado, podemos superar as dificuldades, mudar nosso carma,
mostrar a prova real, ser confiáveis e aprofundar nossa fé. Assim conseguimos ser capazes
de demonstrar a grandiosidade da Lei Mística e propagá-la.

O ideograma chinês para a palavra missão significa "usar a própria vida".

Posso usar meu sofrimento físico ou mental na minha vida para transformar veneno em
remédio e para compartilhar minha experiência incentivando outras pessoas. Posso devotar
toda minha vida para criar meus filhos para que sejam líderes na sociedade.

Posso lançar-me para estabelecer uma carreira de sucesso para apoiar financeiramente a
paz mundial. Posso contribuir com meu tempo, energia, corpo, cérebro, e até minhas
posses pessoais, quando e quanto for necessário, ou ainda dedicar-me a uma prática
sincera com o propósito de incluir uma prova real a mais na validade do Budismo de Nitiren
Daishonin. Se tenho que fazer um caminho doloroso, caminhar um escarpado sendeiro ou
uma rota excitante, é exatamente tal como minha missão de Bodhisattva da Terra está
designada a revelar-se. É a nobre missão que assumi. É o propósito e o significado de usar
minha vida em prol da Lei.

O Presidente Ikeda declara nas Seletas Preleções sobre o Gosho:

"O budista descobre a verdade na própria realidade; descobre a verdade


fundamental observando constante e cuidadosamente o homem e as coisas
ao seu redor. "O verdadeiro aspecto de todos os fenômenos" é, portanto uma
filosofia que enxerga o aspecto real de cada realidade no universo,
especialmente na vida humana". (vol. 1, pág. 20)

Não é verdade que todos meus anos de dificuldades foram parte essencial de ser um
Bodhisattva da Terra? Não são todos os residuais aspectos negativos, efeitos da minha
problemática vida, a qual todavia me afeta e me afunda muito após minhas circunstancias
mudaram? Não estão também incluídas nesse mesmo pacote? Se continuo sofrendo as
conseqüências do meu carma, uma vez que acordo à minha verdadeira entidade, continuo
obstinada com o sofrimento e o perpetuo por minha própria escolha? Sou uma pessoa que
aferra-se firmemente ao seu carma e seus traumas sem querer deixá-los ir?

No mesmo discurso o Presidente Ikeda diz:

Sem compreender a lei da gravidade, somente vemos uma maçã


amadurecendo e caindo ao chão... Mas não pode aplicá-lo a nada, se
primeiro não o identifica e o analisa. Também então, saber a respeito da lei
da gravidade e não fazer nada com esse conhecimento pode ser um grande
desperdiço. Somente quando traduzimos este conhecimento em algo de uso
prático como criar um aeroplano, uma nave espacial ou algo mais de valor
para o homem, podemos desfrutar os benefícios do conhecimento que temos
adquirido da lei da gravidade". (pág. 21)

Depois de ler sua orientação, decidi recitar Daimoku e fazer emergir mais sabedoria para
seguir sua orientação e cumpri-la cem por cento.

Se não fosse pelo meu sofrimento do passado, não teria a energia vital para descobrir a
resposta aos meus infortúnios. Levou-me a abraçar profundamente a Lei Mística, o que é
vital para desenvolver a capacidade de cumprir minha missão. Além das cicatrizes, meu
sofrimento deixou alguns presentes também: permitiu forjar-me como uma pessoa
resistente, madura, disciplinada e diligente com um coração bondoso. Todos os anos da
minha estressante vida me deixaram o bem mais valioso e insubstituível: os atributos da
criação de valor. O lótus cresce no pântano sem ser contaminado. A "Carta de Sado"
também diz:

"Diz-se que se uma pessoa bate o ferro vermelho, isso fará uma boa espada.
Da mesma maneira, uma pessoa pode testar sábios e santos denunciando-
os". (END, vol. 1, págs. 200-201)

Outras pessoas podem ter tido vidas fáceis e confortáveis, mas sem o mesmo tipo de
inapreciáveis experiências que agora eu entesouro. Não trocaria minha vida com ninguém.
Tudo faz parte do trato que, tão benevolente e alegremente, reconheci e proclamei como
meu durante a Cerimônia do Ar na presença do Buda Sakyamuni. Agora entendo totalmente
a razão pela qual tinha que atravessar por todas essas adversidades.

Que afortunada sou por ter meu grandioso mestre, o Presidente Ikeda, para mostrar-me com
seu exemplo como usar minha vida para criar imenso valor para o mundo inteiro! Quando
penso na minha missão e no meu próprio destino ao qual aspiro agora reescrever, meu
coração pulsa com grande excitação e se enche de imensurável apreço. Constantemente
procuro as ilimitadas oportunidades que estão diante de mim para cumprir minha missão.

Desta maneira, o Budismo de Nitiren Daishonin, o Budismo da verdadeira causa, me ajudou


a liberar-me dos meus apegos do passado. Sou tão feliz como posso ser. Cada momento é o
momento perfeito para começar uma vida completamente nova. Para finalizar, gostaria citar
o Presidente Ikeda nas Seletas Preleções do Gosho:

"Temos atravessado um interminável ciclo de vida e morte envolvidos em


uma fundamental ignorância, como pessoas que andam tateando no seu
caminho pela escuridão. Afortunadamente, nesta vida fomos capazes de
encontrar a Lei Mística e conhecer o Buda Original do remoto passado... É a
única oportunidade na vida para possibilitar-nos viver uma vida feliz e
segura, livre e incorruptível, passeando num jardim de flores, sob o brilhante
sol da Lei Mística e o céu cristalino da iluminação eterna". (pág. 59)

Obtendo um doutorado em
"Felicidade para toda a vida"
Por Jeanny Chen, Saratoga, California.
Disponível em http://www.happyjeanny.com

Muitos de nós temos crescido enfrentando adversidades, sentindo-nos fracos, frustrados,


cansados e derrotados. Com desespero, tentando lidar com nossas adversidades,
percebemos que a base do nosso ser não tem sido solidamente construída. Isto nos leva a
questionar-nos como fomos tratados e criados. Sentindo-nos infelizes pelo modo como
nossas vidas se desenvolveram, podemos culpar um pobre meio ambiente ou o cuidado
deficiente ao qual estivemos submetidos.

A mesma situação as vezes aplica-se aos membros da SGI. Recém ingressados, nos
sentíamos como bebês na nossa prática budista. Alguns talvez não tiveram a oportunidade
de ter sido alimentados com os nutrientes dos ensinamentos com a suficiente dedicação, ou
de ser apoiados tanto como tivessem desejado pelos veteranos na fé. Quando não obtemos
o tipo de resultados que ansiamos, tendemos a pôr a culpa nestas deficiências.

O Budismo nos ensina a assumir absoluta responsabilidade sobre nossas vidas em vez de
reclamar ou culpar os outros. É verdade que quando éramos crianças, o desenvolvimento
de nossas vidas estava à mercê dos adultos. Aparentemente, é culpa deles que não
tenhamos sido nutridos de forma ótima. Desejamos que nos tivessem dotado com mais
recursos ou que tivessem prestado mais atenção à nossa criação. O que foi, já foi. Ninguém
pode regressar ao primeiro dia. Não podemos fazer nada para mudar nosso passado. Como
adultos, não obstante, somos absolutamente capazes de auto-educar-nos da maneira como
desejemos. Podemos esculpir e montar a coreografia das nossas vidas de forma ilimitada.

Temos o direito e o poder de dar-nos a oportunidade de recuperar o que perdemos enquanto


crescíamos. Podemos sem dúvida transformar-nos e crescer maravilhosamente deste ponto
em diante, à inteira satisfação do nosso coração.
Somente em cinco anos, os bebês crescem e, de serem pessoas completamente ignorantes,
novatas e incompetentes, passam a sentirem-se independentes. Mas eles não crescem
simplesmente sozinhos. O mundo dos adultos tem investido uma enorme quantidade de
amor, tempo, energia e material, organizando para as crianças um projeto de crescimento
contínuo e são, tanto em mente como no corpo. Sua educação implica uma dedicação e um
esforço tremendos. Nos países desenvolvidos, existe toda uma estrutura ao serviço da
nutrição dos bebês: comida, roupa, móveis, brinquedos, transporte, entretenimento,
educação e cuidado da saúde são focados e desenhados cuidadosamente. Provêm-se
fundos para financiar isto e força de trabalho qualificada é também disposta para esse fim.

Todos fomos, alguma vez, educados por adultos. Agora, como pessoas maiores é nossa vez
de criar outros. Deste modo, a raça humana prospera e nossa herança é perpetuada.
Quando se implementa corretamente, o resultado geral de um trabalho tão minucioso e
profundo é bastante assombroso. Do mesmo modo, se queremos que nossas vidas
floresçam e prosperem da erma e desagradável terra na qual parecemos estar enraizados,
vale a pena considerar levar adiante um plano de desenvolvimento similar.

NUNCA É TARDE
Usando nossa sabedoria, maturidade, ideais, metas, energia vital e tudo o que temos
aprendido através da nossa prática budista, podemos livremente desenhar e coordenar um
programa de acordo às nossas necessidades. Com todos estes recursos nas nossas mãos,
definitivamente devemos a nós mesmos uma segunda oportunidade. Precisamos entre dois
e três anos para implementar nosso maravilhoso novo plano para mais uma vez
desenvolver-nos e transformar-nos, mudar paradigmas e “presentear-nos” um novo
nascimento. Não temos por quê começar de zero - como fazem os bebês – nem precisamos
depender de terceiros. O melhor de tudo é que estamos abraçando a Lei Mística. Já
possuímos a boa sorte mais grandiosa de todas!

As pessoas geralmente investem dois ou mais anos para obter um título.


Ainda mais, injetam importantes quantidades de energia e dinheiro no seu projeto de vida.
Esperam que seus títulos os elevem nas suas carreiras, suas vidas e seu status. Mas, de
fato, garantem as conquistas acadêmicas a felicidade ou o sucesso como profissionais ou
seres humanos?

O fato de ler volumes e volumes de livros, transforma o centro mais recôndito de nossas
vidas? Depois de estudar para um título, somos capazes de transformar nosso
conhecimento no tipo de sabedoria que percebe a verdade subjacente a todos os
fenômenos que presenciamos? Ao enfrentar desafios, de forma pessoal ou no trabalho,
fomos capacitados para extrair uma força invencível que nos permita lutar contra as
vicissitudes da vida de maneira positiva, com otimismo e penetrante determinação? Os
livros de texto, nos ensinam concretamente como transformar veneno em remédio? Temos
aprendido a ativar a benevolência para sempre respeitar e considerar às outras pessoas,
sabendo que a lâmpada que acendemos, simultaneamente ilumina nosso caminho?
Poderíamos manifestar um grande estado de "absoluta liberdade" para livremente receber e
usar os benefícios da Lei enquanto levamos adiante uma vida de verdadeira felicidade e
realização espiritual? Já conhecemos a resposta.

Como seres humanos, é admirável e importante que invistamos uma certa quantidade de
tempo, energia e dinheiro nos aspectos mundanos necessários para cumprir nossos
sonhos e metas. Se aplicamos um enfoque semelhante no que diz respeito a forjar nossa fé,
abraçando a Lei Mística com convicção, podemos manifestar o "supremo tesouro"
originalmente inerente à nossa vida. Como o Presidente Ikeda expôs no seu "Preleção dos
Capítulos Hoben e Juryo do Sutra de Lótus": “nós possuímos a coragem para enfrentar
qualquer dificuldade, esperança sem limite, intensa paixão e sabedoria inextinguível".

O que promete Nitiren Daishonin àqueles que não só praticam seus ensinamentos mas que
também empreendem a ação para propagar a Lei? Felicidade absoluta. Nitiren Daishonin
declara:

“Não há maior felicidade que ter fé o Sutra de Lótus. Este nos promete ‘paz e
segurança nesta vida e boas circunstâncias na próxima’”. (A felicidade neste mundo
– END, vol. III, pág. 199)

Obviamente, se somos extremamente sérios com respeito à nossa felicidade absoluta, a


solução última consiste em "obter um título da Universidade Soka Gakkai do Budismo de
Nitiren Daishonin". Este esforço nos permitirá transformar nossas vidas, elevar nossa
condição de vida, incrementar nossa energia vital e acumular indestrutível boa sorte.

Emergiremos com imensa boa sorte e benevolência para praticar para nós mesmos e para
outros. A "concentração de jóias incomparável" virá até nós sem havê-lo procurado, como
promete o Sutra de Lótus.

O Presidente Ikeda assim o explica:

“Nós próprios podemos manifestar os três corpos eternamente inerentes, o vasto estado de
vida do Buda. No entanto, é muito raro alcançar um estado assim, ainda que o busque
conscientemente. É tão grandioso que só a idéia de atingi-lo quase nunca ocorre às
pessoas. Por meio da palavra "fé", de abraçar a Lei Mística fortemente, pode-se “atingir por
si mesmo” o estado de Buda intrínseco. Conforme diz o sutra, “esta concentração de jóias
incomparável veio a nós sem que a buscássemos” (Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo,
pág. 274)

Num discurso pronunciado no dia 3 de março de 2.002, o Presidente Ikeda falou sobre "a
Universidade Soka Gakkai". Ele afirmou:

"A Soka Gakkai é um reino de fé. O mais importante é a fé e o caráter de cada um. Estamos
estudando, se assim o quiserem ver, na ‘universidade do povo’ da Soka Gakkai. Esta
Universidade Soka Gakkai é a melhor no mundo, onde aprendemos como viver como seres
humanos".

A Universidade Soka Gakkai oferece durante todo o ano, e para toda a vida, modernos e
atualizados cursos de capacitação para a verdadeira felicidade.

Mesmo requerendo do nosso esforço, suas aulas são gratuitas e nos permitem traçar nosso
próprio programa de estudos, especialmente preparado para nosso ritmo, plano, ambição e
motivação pessoal. Assistimos a reuniões de diálogo (palestra no Brasil) e atividades como
o faríamos em aulas escolares; interagimos com nossos companheiros praticantes e
veteranos na fé como o faríamos com companheiros de classe e professores; nosso estudo
é similar ao trabalho realizado num curso. A quantidade de esforço que invistamos na nossa
"lição de casa para" - recitar Daimoku e fazer nossa revolução humana - é a chave que
determina nossa nota final.

No nosso esforço por obter o diploma, podemos dar-lhe a este, nosso exclusivo plano de
estudos feito sob medida, um nome que nos entusiasme e nos comova. Deveríamos estar
orgulhosos e inspirados por ele.
Esse título particular deveria projetar nossa sinceridade e seriedade para ir à procura do
“ouro". Deveria fazer-nos lembrar nossa determinação de realmente seguir em frente com
esse plano de estudos, aconteça o que acontecer. Em vez de empreender a ação de modo
caótico, ao estilo guerrilheiro, um nome de um título nos permitiria organizar nossos
pensamentos, ações, planos e objetivos dispersos. Deveria conduzir-nos para um "plano
mestre" bem elaborado, bem calculado, bem completo, e comprometido. Como numa
fazenda, podemos cultivar nossos campos de ação: ajustar peso, medida, densidade e
profundidade; irrigar de maneira racional e sistematicamente. Algo assim como "Surgir das
Cinzas" ou "Transformar Rocas em Ouro."

Partir um palitinho com os dedos é algo muito fácil de fazer comparado com o fato de
dobrar um molho de 20. Isto indica o insuperável poder de ‘20 palitinhos unidos’ oposto ao
de ’20 palitinhos dispersos’ e mostra o quanto é importante que consolidemos todas nossas
ações deste momento num plano vencedor bem integrado.

Baseados neste plano e enfoque cotidianos, podemos montar nosso programa sobre os
pilares da fé, prática e estudo. Que escolhamos um programa de peso leve ou um de peso
pesado depende do tamanho da nossa meta e de quão dispostos estamos a alcançar a
próxima etapa da nossa vida, sem ter em conta a espera. Desejamos avançar tão rápido
como possamos, escalar as empinadas montanhas tão verticalmente como for possível. A
qualidade e quantidade de nossas causas decide se o gráfico do nosso desenvolvimento é
assombrosamente vertical, monotonamente horizontal ou mortalmente plano. Se não
estamos em ascensão, estamos de fato em retrocesso.

Em que cursos nos inscrevemos para construir nosso Doutorado? Além das corajosas
atividades pelo Kossen-rufu e o profundo estudo do Budismo, poderíamos também incluir
uma revolucionária campanha de Daimoku, uma total transformação interior, uma
meticulosa revolução humana e uma erradicação do carma que dê nova forma à nossa vida.
Poderíamos também incluir uma esplêndida criação de valor e um desenvolvimento pessoal
de florescimento perene. O crescimento pode ter lugar nas áreas do caráter, da condição de
vida, da saúde física e mental, da sabedoria e da capacidade. O objetivo é nos tornar
pessoas capazes de lidar alegremente com cada acontecimento da vida, conduzir com
sucesso qualquer tipo de relacionamento, construir uma carreira prometedora e contribuir
ao bem-estar de outros e da sociedade. Tudo o que, de fato e em última instância, leva à paz
do mundo. Vale a pena orar e pensar tudo muito bem. Depois escrevamos o plano mestre,
mesmo se nos levar uma semana ou um mês queimando as pestanas e clarear a mente para
poder traçá-lo.

Uma vez que tenhamos definido a meta, selecionado a especialidade e o plano, estamos
oficialmente na corrida. Alguns de nós podemos ter levado entre quatro e seis anos para
obter um título universitário ou um doutorado. Se somos gênios do estudo, talvez temos
podido poupar-nos um ano, ou dois. A maioria de nós, porém, avança degrau por degrau,
um de cada vez. Portanto, é importante que estejamos preparados para sustentar nossa
ambição até o fim, passo a passo, consistente e persistentemente.

Pensemos em todas as aulas às que assistimos quando íamos à escola, os livros de texto e
material de referência que absorvemos, as notas que tomamos, os experimentos que
realizamos, as tarefas que terminamos, os problemas que exercitamos, as provas que
passamos e as atividades extracurriculares nas quais participamos. Não há atalhos trata-se
de cultivar-nos como uma pessoa impulsionada pela auto-superação. A chave está em
repetir constantemente a prática até dominar o conhecimento e melhorar nossas
capacidades. Do mesmo modo, no nosso novo plano, deveríamos resolutamente fazer valer
nossa fortaleza. Desta vez, podemos, com paciência e generosidade, dar-nos o tempo
apropriado para encarar o processo completo e construir sobre uma base sólida.

Para a maior parte de nós, isto leva o mesmo de tempo que realizar o processo acadêmico.
Mas é a profundidade do nosso compromisso com a ação o que diferencia os resultados
"olímpicos" que obtemos.

Os chineses crescem num ambiente no qual nos ensinam a emular o espírito dos exaustivos
esforços que possuíam os antigos eruditos chineses. De acordo com a lenda, havia um
jovem erudito que era tão pobre que não tinha dinheiro para poder acender uma vela e
assim poder seguir seus estudos durante a noite. Por isso, com o consentimento dos
vizinhos, fez um buraco na parede divisória de ambas casas, podendo assim receber luz
desse lugar. Na realidade, era afortunado por ter um vizinho tão benevolente. Para poder
manter-se acordado, outro erudito costumava segurar um alfinete na sua mão enquanto
estudava até tarde da noite. Deste modo, cada vez que sua cabeça cedesse, essa mão caía e
machucava sua perna, levando-o a recuperar a atenção.

Mesmo que estas histórias não me impressionavam particularmente, o dedicado


comportamento destes eruditos exerceu um sutil, implícito impacto em mim mesma e em
alguns dos meus companheiros de classe. Como éramos preguiçosos, conseguíamos
adaptar esta exaustiva forma de abordar o estudo para um ritmo mais cômodo. Deixávamos
anotações e cartões nas paredes, espelhos, escrivaninhas, em todos os cantos das nossas
casas, especialmente nos banheiros. Ainda depois da escola, não tínhamos como escapar.
Ao encontrar-nos repetidamente de maneira inesperada com os cartões nos que tínhamos
escrito frases motivadoras, vocabulário, equações, fórmulas e outras coisas, nos
incentivava a estudar com mais afinco. Isto nos permitia e nos animava a lembrar, e a
progredir.

A vida contemporânea é como viver no paraíso, comparado com o estilo de vida da


antigüidade. Não só porque não precisamos lutar contra a mais áspera das realidades, mas
também porque temos todo tipo de fascinantes aparelhos de grande potência e artefatos
divertidamente convenientes, que ajudam a fomentar nosso aprendizado e
desenvolvimento. Num sentido, nascemos num nível mais elevado. Mas com melhor carma
e artefatos que nos poupam energia, deveria ser mais fácil sobressair.

Pode nos importar pouco como as antigas gerações esforçavam-se na sua luta para o
desenvolvimento dentro de tão pobres condições. Mas, quem pode deixar de lado aquele
espírito irredutível e suas corajosas ações?

Nitiren Daishonin nos ensina que as pessoas que praticam ensinos errôneos não podem
manifestar o estado de Buda, mesmo se, ao focar-se completamente na sua prática, vivem
asceticamente.

Numa tentativa por atingir a iluminação, existem monges que praticam uma tremenda auto-
mortificação. Estas práticas implicam uma total abstinência de todas as coisas que dão
prazer. Usam túnicas cheias de remendos, mendigam porta a porta, e fazem só uma refeição
diária ao meio-dia, após o qual subsistem a força de água. Ficam reclusos no alto das
montanhas ou no profundo dos bosques. Passam a noite nos campos abertos, ou até nos
cemitérios, sempre sentados, nunca encostados, sequer dormindo. Levam seus pertences
durante milhares de quilômetros, ajoelhando-se até tocar o chão com a testa a cada três
passos durante toda a viagem, para adorar a estatua de Buda venerada em algum templo.

O simples fato de pensar como estes monges se disciplinavam e forçavam a si mesmos até
o extremo, é suficiente para fazer-me sentir inimaginavelmente cômoda e satisfeita com a
prática do Budismo de Nitiren. Quão afortunados somos por tê-lo encontrado! Podemos
manifestar a iluminação nesta existência sempre que pratiquemos com seriedade e
humanismo, com bom senso e razão.

Uma vez estabelecida a comparação, fica claro que na realidade não existem ascetas na
nossa prática assídua do Budismo de Nitiren Daishonin. Sem medir o esforço extra que
devamos fazer, impulsionar-nos a praticar "comprometendo" nosso tempo livre por uns
poucos anos, nunca pode ser tão ruim como o que aqueles monges tiveram que passar.

Esta é uma brilhante, alegre, iluminadora, saudável, encantadora, positiva, prometedora e


preciosa prática. Existem todos tipos de razões para apreciá-la e entesourá-la, e para sentir-
nos gratos e felizes.

Nitiren Daishonin e os três presidentes da Soka Gakkai dedicaram suas vidas a proteger a
Lei e propagar os ensinos corretos. Os membros pioneiros atravessaram uma desafiante era
de desenvolvimento, esforçando-se para propagar este Budismo.

À diferença daqueles que praticaram nos velhos tempos, temos a boa sorte de praticar no
século XXI com todas as comodidades proporcionadas pela SGI e o meio ambiente. À luz
destes fatos, não só temos a chave para a felicidade absoluta na palma das nossas mãos,
como também corremos com todas as vantagens. Por que não aproveitamos esta
oportunidade para renascer como "crianças de boa sorte" (fukushi, em japonês)

Avançar na vida, fortalecer-se e movimentar-nos... é nossa tarefa realmente tão árdua?

A História tem registrado que, em tempos de anarquia e desordem, aplicam-se severas


disposições legais para garantir a paz e a estabilidade da nação. Do mesmo modo, quando
alguém está gravemente doente, os médicos utilizam medicamentos muito fortes para obter
a cura. Se sentimos que estamos num beco sem saída, temos realmente que esforçar-nos
ao máximo e lutar com determinação e dedicação fora do comum para romper a barreira.
Por isso, começando neste momento, demos o passo mais sábio. Matriculemo-nos na
Universidade Soka Gakkai do Budismo de Nitiren Daishonin e especializemo-nos em
"Felicidade para Toda a Vida". Realizando denodados esforços após esforços, comecemos
por fortalecer incondicionalmente nossa fé, prática e estudo ao longo de dois ou três anos.
Conscientemente determinados a avançar, quando tenhamos obtido nossos "Doutorados
em Renascimento", teremos nos convertido em "mestres da felicidade", para nós mesmos e
para os outros.

Então, a felicidade não será simplesmente uma atitude, um hábito ou um sentimento: será p

Coragem, Convicção e Esperança Daisaku Ikeda é


pacifista,
Por Daisaku Ikeda escritor,
filósofo,
Todos, suponho, têm recordações da mocidade. Com efeito, de fotógrafo e
outra forma, dificilmente se poderá dizer Ter vivido ao menos poeta. Também
seus anos de jovem. Eu, como todos os mais, tive meu quinhão. conhecido
como
Minha família era pobre, e meus quatro irmãos mais velhos "Embaixador
foram todos convocados pelo Exército e mandados para a da Paz", é
frente de batalha. Em conseqüência, eu não dispunha de presidente da
dinheiro nem de tempo para freqüentar a escola da maneira Soka Gakkai
Internacional
normal. Em vez disso, trabalhava durante o dia e, com o (SGI), uma
dinheiro que conseguia, freqüentei a escola comercial, e mais ONG, com base
tarde o colégio à noite. budista, filiada
às Nações
Unidas, que
Minha saúde não era muito boa. Apesar disso, tentei dar conta
atua nas áreas
do recado o melhor possível. Houve ocasiões em que, cuidando
da cultura,
de pequenos encargos para a companhia onde trabalhava,
educação, paz,
tinha de caminhar lentamente ao longo de Ginza puxando uma
meio-ambiente,
carreta grande. Outras vezes, lembro-me de Ter apenas uma
desarmamento
camisa de gola aberta para usar, mesmo quando os ventos de
nuclear e apoio
outono começavam a soprar. Mas não sentia vergonha ou
a refugiados de
constrangimento algum. Pelo contrário, via-me como
guerra.
personagem de um drama -um jovem, sorrindo e lutando
contra as durezas da vida, e chegava a orgulhar-me. Com
efeito, estou certo de que as dificuldades que tive de enfrentar
na época me ajudaram a construir os alicerces de meu atual
estilo de vida.

Na ocasião, tinha uma certa convicção...não, seria mais exato chamá-la uma
resolução. Acreditava que a juventude não era algo para ser vivido em vão.
Estava decidido que, mesmo pobre e surrado, caminharia de cabeça erguida,
aproveitando qualquer estímulo que pudesse achar e viveria a vida o mais
plenamente possível. Essa determinação, que serviu como apoio na época,
mantenho imutável hoje em dia. Pondo de lado todas as considerações
acerca de posição, riqueza e reputação, a vitória final reside em saber que se
está fazendo o melhor possível como ser humano, e essa é a maior vitória
de todas. Trata-se de algo que não pretendo esquecer até o término de mus
dias.

Quando olho em retrospecto para os dias de minha mocidade, há coisas que


me fazem parar para refletir. Para começar, gostaria que em minha
adolescência e juventude tivesse estudado mais, particularmente as matérias
fundamentais. Certamente eu percebia como era importante a mocidade, e
achava que estava lendo inúmeros livros. Mas agora me arrependo de não
Ter lido dez ou vinte vezes mais. Também gostaria de ter-me exercitado mais
e enrijecido meu corpo.

Com a ajuda de uma compreensão tardia, percebo agora quão extremamente


importante é o período da adolescência. Quem sabe não seria exagero dizer
que todo o restante da vida da pessoa é determinado pela maneira como
passa os anos da mocidade.

Os jovens se acham em pleno processo de formação, mas por isso mesmo se


acham não-acabados. São quantidades desconhecidas, plenas de
possibilidades. Os jovens trazem consigo os ventos da mudança e da
reforma, e são possuidores de enorme e irreprimível vitalidade. Há pouca
coisa capaz de igualar a grandeza da mocidade. Mas se um jovem
negligenciar na construção e passar o tempo todo em bobagens, ou se for
excessivamente cautelosa em suas metas e permitir-se ficar fraco ou
ineficiente, então é culpado, poder-se-ia dizer, de suicídio espiritual.
Nenhuma outra linha de ação poderia ser mais superficial e inadequada.
Temos de perceber que todo jovem que vive é até certo ponto animado pelas
paixões juvenis que lhe circulam pelas veias. Se apenas direção e finalidade
firmes puderem ser dadas a essas paixões, então sem dúvida os jovens
poderão aprender a contribuir para o bem-estar da sociedade e a viver vidas
realmente significativas. Muitos líderes de hoje, contudo, embora prontos
para criticar os moços, parecem dispensar escasso tempo para pensar em
seus próprios malogros e deficiências. Só pensam em sua própria fama e
proveito, trabalham apenas por sua própria glória e progresso, e não
entendem absolutamente os corações e mentes dos jovens.

Isto pode parecer uma afirmativa bastante impertinente para se fazer. Mas
gostaria de mencionar que, em um trabalho escrito há dez anos, tive ensejo
de observar o seguinte: "Não pode haver dúvida quanto ao surto e queda da
nação e a prosperidade e declínio da época serem em grande parte
determinados pelo grau de consciência própria de parte da juventude e da
direção que ela segue. (...)

Há, contudo, um fato que nunca deve ser esquecido: o de que sejam quais
forem os esforços construtivos em que possamos nos empenhar, eles devem
ser invariavelmente buscados sob a inspiração e orientação dos mais
elevados ideais e dos mais capazes líderes. Sem tais ideais e sem líderes
assim, a paixão e a vitalidade da mocidade, independente da idade que se
esteja vivendo, serão despendidas em atividade inútil. E se os jovens forem
induzidos a seguir falsos líderes e ideologias, então partirão para motins e
destruição com a violência de uma impetuosa torrente."

É direito de cada indivíduo buscar sejam quais forem os ideais, filosofia e


líderes que desejar. Fico entristecido apenas pelo fato de que os homens
hoje investidos em poder político sejam incapazes de oferecer o quer que
seja aos jovens. Parece-me que eles precisam dedicar mais atenção e
meditação sobre o rumo a que estão levando o povo deste país. Não acredito
que a tendência dos acontecimentos mundiais permitirá ao Japão
prosseguir indefinidamente em seu presente estado de espírito de
prosperidade pacífica porém irresponsável.

Baseado em minha própria experiência, diria que as qualidades mais


indispensáveis à juventude são coragem, convicção e esperança. Ação
corajosa por parte dos moços é a fonte de que tudo mais é criado. E é a
convicção que orienta e apóia a coragem. Encarando a sociedade de hoje,
quantas inúmeras pessoas vemos desprovidas de convicção! Uma vida
dedicada exclusivamente a bajular outros e a concordar com as opiniões
deles é tão oca e sem valor quanto espuma na crista de uma onda. A
convicção não conhece hesitação nem confusão de metas. E este gênero de
convicção é algo que brota naturalmente dos esforços concretos de uma
pessoa para cumprir suas responsabilidades e missão na vida. Finalmente,
uma vida sem esperança, um jovem que sente não ter futuro, é pouco mais
do que um cadáver vivente. Os maiores homens são aqueles cujos anos
juvenis estão cheios de sonhos e ideais, e que continuam no decurso de suas
vidas a perseguir tais sonhos e ideais.

Os jovens são o tesouro de uma nação, a riqueza da era do porvir. Não há


poder comparável ao valor desse tesouro. Fazer qualquer coisa capaz de
ameaçar o futuro desses jovens, ou privá-los do seu vigor, equivale a lançar
nossos próprios tesouros ao mar. E os líderes que vão realmente um passo
adiante e mandam os jovens para o campo de batalha, onde preciosas vidas
são perdidas para sempre, por certo merecem ser chamados de os homens
mais perversos do mundo.

Tenho grande afeição pelos jovens, e minha maior alegria é observá-los


crescendo. A visão deles amadurecendo em um ambiente de saber, paz e
felicidade faz meu coração dar pulos de alegria. É minha esperança atual
poder passar o resto da vida caminhando lado a lado com os jovens e
respirar o ar que respiram. E se puder, afinal, vê-los ascender à plataforma
que construirmos juntos e pairar no ar, um por um, pela causa da paz e do
progresso cultural do mundo, conhecerei a satisfação de minhas
esperanças, a consecução de minha maior alegria.

arte integral da nossa vida cotidiana. E constituirá uma realidade concreta.

O amor libera, não encarcera Daisaku Ikeda é


Por Daisaku Ikeda pacifista,
escritor,
Para qualquer pessoa saudável, é muito natural apaixonar-se filósofo,
assim como é para as plantas florescer na primavera. Mesmo fotógrafo e
sendo livres para nos apaixonar ou para nos sentirmos atraídos poeta. Também
por alguém e, embora a ninguém seja correto invadir os conhecido
assuntos alheios, eu gostaria de explicar o quanto é importante como
não perder de vista o esforço pelo nosso desenvolvimento "Embaixador
pessoal. Claro que no amor não há regras, assim como no da Paz", é
matrimônio e ninguém tem o direito de restringir o outro de presidente da
maneira alguma. Mas causa muita pena ver uma mulher Soka Gakkai
envolvida em relações frívolas causadoras de sofrimentos e Internacional
angústia, quando deveria ser plenamente satisfeita e feliz. (SGI), uma
ONG, com base
Meu mestre dizia que quando uma mulher estabelece relações budista, filiada
partindo de sua própria dignidade, todos os problemas se às Nações
resolvem. Ao contrário, quando uma mulher adota uma atitude Unidas, que
impensada, e toma o amor de maneira apressada, atua nas áreas
invariavelmente termina por lamentar-se e sofrer. Por suposto, da cultura,
isto não se aplica apenas às mulheres. educação, paz,
meio-ambiente,
desarmamento
Para mim, o amor deveria ser uma força para nos ajudar a
nuclear e apoio
expandir nossa vida e fazer emergir nosso potencial com nova
a refugiados de
vitalidade. Mas, ainda que isto seja o ideal, muito
guerra.
freqüentemente perdemos a objetividade ao nos apaixonar. No
entanto, há perguntas que valem a pena fazer: "Essa pessoa me
inspira desejos de trabalhar mais e melhor ou me distrai do que
tenho que fazer? Sua presença me estimula a redobrar a
dedicação a minhas atividades, a ser uma pessoa melhor? Ou
esta pessoa se converteu no centro de minha vida e tende a
obscurecer todo o resto?"

Se estão descuidando de sua missão na vida, se devido a uma relação


sentimental esquecem o propósito de sua existência como sujeitos
autônomos, temo que tenham tomado um caminho equivocado. Em uma
relação saudável, cada membro do casal anima o outro a alcançar suas metas
pessoais e ao mesmo tempo compartilham os mesmos sonhos e aspirações.
Uma relação de amor deve ser motivo de inspiração, vitalidade e esperança.
Em vez construir um relacionamento fechado, um mundo onde só há um lugar
para dois, é muito mais saudável que cada um aprenda com as virtudes e
qualidades do outro e mantenha o esforço de aprimorar-se e desenvolver-se
a si mesmo.

Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe, escreveu:" O amor


não consiste em duas pessoas que olham uma para outra, mas sim em duas
pessoas que olham juntas para a mesma direção." Mesmo que alguém use o
amor como fuga, a euforia não durará por muito tempo. O choque com a
realidade trará dores e tristezas. Dito de outra forma, não há como fugir de si
mesmo. Quando uma mulher persiste em sua própria fragilidade interior, o
sofrimento a perseguirá por onde quer que ela vá. É duro reconhecer, mas
nenhum ser humano pode encontrar a felicidade se não começar por
transformar o seu interior.

Além disso, a felicidade não é algo que alguém possa dar aos outros; não é
algo que o ser querido venha a nos outorgar. Cada um tem que construí-la
por seus próprios meios. E a única maneira de fazê-lo é desenvolvendo nossa
personalidade e nossos valores como seres humanos, desdobrando-nos ao
máximo em nosso potencial interior. Muitas vezes, em nome do amor,
sacrificamos nosso próprio crescimento e nossas capacidades, porém, dessa
forma, jamais haverá uma felicidade que resulte convincente e satisfatória.

Ainda que minhas palavras pareçam estritamente paternais, gostaria de dizer


algo sobre as mulheres jovens que têm a tendência a ser vulneráveis à
sedução de seu parceiro. Quando isso acontece, a mulher exibe um
aturdimento, uma percepção distorcida das coisas, que a leva a se comportar
como se houvesse perdido a faculdade de tomar decisões equilibradas e
serenas. Como geralmente são as mulheres que saem mais feridas, creio que
têm todo o direito do mundo de valorizar ainda mais sua dignidade e a
buscar seu bem-estar de forma irrenunciável.

Por essa razão, penso ser fundamental às mulheres jovens fortalecerem o


respeito em direção a si mesmas e adquirirem uma sólida força interior.
Quando uma mulher busca aprovação, constantemente, não faz nada mais do
que degradar-se frente a si mesma e às demais pessoas. Se num contexto
amoroso, não se sentem tratadas como pede seu coração, espero que atuem
com coragem e dignidade: é melhor correr o risco de estar só por um tempo,
antes de aceitar uma relação que as façam infelizes.

O amor verdadeiro não nos torna dependentes das pessoas. Ele só pode ter
lugar entre dois seres humanos fortes e seguros de sua individualidade.
Quem possui uma visão egoísta e uma visão superficial da vida só poderá
construir relações superficiais. Se querem experimentar o amor verdadeiro,
não têm por que submeter-se ao que o outro deseja que façam ou fingir ser
quem não são. O amor ideal só é possível entre duas pessoas sinceras,
maduras e independentes.

Gratidão e objetivos comuns: os ingredientes para uma


convivência feliz.
Como deve comportar-se marido e mulher? Não é uma pergunta fácil de
responder. Às vezes, as circunstâncias conspiram de um modo estranho. Vê-
se casais que terminaram se divorciando por causa da riqueza ou de uma
vida fácil. Ou ocorre também que um período assinalado por todo tipo de
problemas- ao mesmo para quem vê de fora- resulta ser a época de maior
felicidade para um casal e motivo do fortalecimento de sua união.

Mas a diferença da atração, que muda com o vaivém das situações, do


verdadeiro amor, concebido como um vínculo mais profundo que pode unir
dois seres humanos, é algo que desenvolve a força de enfrentar tormentas. É
claro que isto não significa que uma das partes deva ceder sempre às
exigências do outro, ou que a felicidade de um possa construir-se às custas
do companheiro.

Nem o marido deve ser o centro da relação nem tampouco deva ser a mulher.
Em um matrimônio sólido não interessa se alguém ocupa o lugar de
liderança, nem quem se sacrifica para que o outro logre o êxito ou a
felicidade. Assim como uma bela canção é a fusão harmoniosa entre música e
poesia, do mesmo modo a vida em comum requer igualdade entre marido e
mulher para que ambos, juntos, possam interpretar a magnífica melodia da
vida.

Qual é a linda melodia que resulta na união entre dois companheiros de vida?

Essa é a pergunta... Perguntam-me quais são os principais ingredientes de


uma convivência profunda e harmoniosa. Pois bem, remeto-me a minha
experiência de vida: as coisas mais importantes são o agradecimento e a
existência de um objetivo em comum.

Se me permitem uma comparação, as famílias de hoje em dia são como um


avião em vôo, chacoalhando por causa dos ventos que mudam
constantemente: os co-pilotos têm a responsabilidade de levar o avião ao
destino, sem acidentes, para deixar a salvo sua perigosa carga. A
estabilidade de um avião em vôo exige uma firme direção, uma propulsão
potente e um esforço constante. E, como é evidente, para que um avião
aterrize a salvo é indispensável que ambos co-pilotos mantenham a vista na
mesma direção.

Este é um bom momento para contar uma história. Havia uma mulher que
levava muito tempo prostrada na cama, com uma profunda depressão. Um
médico conhecido da família, bom conhecedor da situação, aviou uma receita
e entregou-a ao marido. Quando o homem leu as indicações, surpreendeu-se
muitíssimo pois o doutor havia escrito: "Quando seu esposo lhe der o
remédio, beba-o depois de dizer-lhe 'Obrigada', três vezes". Pareceu-lhe uma
prescrição meio estranha, mas como estava sublinhada, antes de tomar o
remédio agradeceu o marido, de forma especial, três vezes. Então ela se deu
conta de que há muito tempo não usava essa palavra para seu companheiro.
À medida que começou a pôr em prática esta "terapia do agradecimento",
sua saúde e felicidade foram retornando pouco a pouco. Uma humilde
expressão de gratidão torna uma pessoa bela, não só de coração mas
também o seu aspecto físico.

Nem há necessidade de esclarecer que esta lição também se aplica aos


esposos!
Os ingleses têm um provérbio que encerra uma certa cota de sabedoria:
"Abrir os olhos antes do matrimônio e semi cerrá-los depois de casar-se."
Tanto o marido como a mulher devem esforçar-se para serem tolerantes, e
para terem um coração magnânimo na hora de perdoar as faltas e erros
menores que comete o companheiro. Quando alguém é julgado e criticado o
tempo todo, custa muito ter desejos de mudança, mesmo sabendo que a
crítica é pertinente.

Há uma outra história que diz muito sobre o amor entre marido e mulher.
Recomendo que leiam o conto "O Presente de Natal", de O. Henry. Nele o
autor conta a história de Della e Jim, um casa jovem e pobre, que vivia em um
quarto alugado, quase sem móveis. Era véspera de Natal, e ambos estavam
pensando que presentes iam dar um ao outro, como mostra de seu amor. Ela
queria presentear seu marido com uma corrente para prender ao relógio de
ouro que herdou de seu avô e que lhe causava tanto orgulho. A corrente
custava vinte e um dólares mas ela só tinha oitenta e sete centavos. A única
coisa que podia vender eram seus cabelos castanhos, de brilho intenso e tão
compridos que chegavam até os joelhos. Para Della, como para quase toda
mulher, os cabelos são um atributo feminino muito apreciado. Mas fez o
sacrifício de vendê-los a um fabricante de perucas e com o dinheiro comprou
uma magnífica corrente de prata.

Chegou em casa com o coração na boca e aguardou, ansiosamente, o


regresso do marido. Quando ele a viu, com uma expressão muito séria, lhe
entregou o presente que lhe havia comprado: um par de lindos enfeites de
tartarugas marinhas para adornar seus cabelos. Della, então, tratou de
consolá-lo assegurando-lhe que eles cresceriam depressa enquanto lhe dava
a corrente de prateada. Jim desmanchou-se no sofá e lhe disse, com uma
risada: "Della, guardemos nossos presentes de Natal por um tempo. São
belos demais para que o usemos agora. Vendi meu relógio para comprar-lhe
os enfeites".

Nesta história, cômica e patética, os presentes são um símbolo do amor


profundo que existe entre os dois. Cada um sacrificou algo muito querido
para comprar para seu companheiro um presente apropriado. Mas ao trocar
os pacotes, vêem que não há mais relógio ao qual pendurar a corrente, nem
há mais cabelos castanhos para adorná-los com os enfeites. Ambos os
presente tornaram-se inúteis para eles. Um casal jovem e moderno diria que
se houvessem tomado a precaução de conversar de antemão sobre os
presentes, haveriam se prevenido de um gasto inútil. Mas a história põe em
relevo algo que transcende esse tipo de lógica calculista: ilustra a beleza do
amor profundo entre dois seres que compartilham a vida.

O amor indestrutível irradia a beleza de um destino


compartilhado.

O amor pode adotar um milhão de formas distintas. Às vezes, para quem olha
de fora, o marido parece ser insuportavelmente autoritário e, no entanto, o
casal se mantém unido com um grau de harmonia surpreendente. Em outros
casamentos, a mulher sempre parece impor sua vontade, e não obstante, a
convivência transcorre fluindo em clima de paz. Na realidade, as aparências
externas não são importantes. Tenho sentido, sempre, que quando um casal
compartilha durante um longo tempo as alegrias e os dissabores da vida,
entre ambos se forma um vínculo muito profundo, que não pode ser cortado
por forças externas. Não estou falando do amor direto e aberto que circula
num casal jovem, mas de um sentimento muito vasto e profundo, arraigado
em um destino compartilhado e construído a dois.

Tenho visto este tipo de amor em uns vinte ou trinta casais mais velhos, e
tenho sentido a atmosfera de indescritível plenitude e maturidade que estas
pessoas irradiam ao seu redor. Nestes casais, não encontraremos as
lamentações de certas pessoas idosas. E ainda que tenham tido uma vida
difícil, em seu rosto não há indício, nem um tom de tristeza. O que
transmitem é uma poderosa sensação de segurança de si mesmas e
independência: a que colheram duas pessoas que conseguem atravessar
juntas as horas mais difíceis da vida, agradecidas e conscientes do tempo
lhes resta para seguir caminhando juntas.

Em uma boa convivência, o apoio do companheiro se baseia na valorização,


na confiança e no agradecimento ao invés dos inimigos maiores que atentam
contra o desenvolvimento do ser querido: a queixa, o capricho, a crítica e o
menosprezo. Qualquer mulher que se baseie numa fé firme e comprometida
poderá desenvolver sua sabedoria inata e a manifestará com palavras
positivas e calorosas. Se me permitem uma observação, os benefícios de um
coração caloroso e encorajador só se têm a longo prazo, mas as
conseqüências de uma atitude fria, ingrata ou queixosa sente-se
imediatamente.

Nitiren Daishonin disse que quando somos encorajados e elogiados,


desejamos nos sacrificar ilimitadamente e não economizamos esforços para
isso. Mas quando somos censurados, o ressentimento nos leva a causar a
nossa própria ruína. Tal, disse Buda, é o valor das palavras de
encorajamento.

A fé se traduz em um coração profundo e sábio, propenso a valorizar o


esforço alheio e gerar boa vontade no ambiente ao seu redor. Esta sabedoria
encontra expressão de maneiras concretas, e é a que nos conduz a mudar
nosso enfoque quando estamos equivocados. Em suma, é o que determina
uma diferença crucial para a convivência: a que há entre oferecer soluções e
acrescentar problemas. Isso, falo como homem: quando o marido chega em
casa extenuado e carregado de tensões, ao fim desta "guerra" que é luta
pelo sustento, lhe asseguro que o que mais necessita é atenção, diálogo e
encorajamento: estas são as coisas que permitem, no dia seguinte, seguir
desdobrando-se em seu esforço e sua capacidade.

Ao mesmo tempo, quando os filhos retornam da escola, o que desejam


receber é a ternura e a harmonia de sua mãe. Ao escutá-los e abraçá-los com
paciência, ela consegue fazer com que sintam que "está tudo bem", ainda
que o dia de aula tenha sido povoado de maus momentos e das dores de
crescimento. `As vezes não saber detectar estas duas funções leva as
mulheres a descuidos, assoberbadas que estão pelos atropelos da vida
cotidiana.

Eu entendo bem a situação: chegam extenuadas pelo dia de trabalho e


apenas têm forças para lutar contra o seu próprio cansaço. Não lhes parece
justo ter que atender, em primeiro lugar, os outros. O coração de esposa e de
mãe se fecha, e isso produz um dano para toda a família, como uma
instalação que fica sem um fio ligado à terra. Mas o amor é uma força muito
poderosa que a mulher leva consigo. Quando as mulheres saem em busca
desse coração e superam as tendências negativas, são elas mesmas as
primeiras a se sentirem melhor e, quase de forma instantânea, a família
parece voltar a resplandecer e a crescer em equilíbrio.

A mulher é, por natureza, protetora da vida e criadora de valores. Por isso


protege e defende a paz e a harmonia, consciente do muito que está em jogo.
Essa função harmonizadora é um fator primordial para edificar uma
convivência frutífera e duradoura. É a chave do casamento e do lar.

A harmonia é felicidade em si mesma.


Se a felicidade é o sentimento a que todos aspiramos em nossa vida
individual, então a harmonia é a forma que as pessoas têm de serem felizes
quando estão juntas, sejam apenas duas ou uma grande multidão. É a
capacidade de harmonizar os quatro estados baixos: Inferno, Fome,
Animalidade e Ira. Quando nossa vida joga âncoras em qualquer uma dessas
condições subjetivas, não só é impossível harmonizar, como também
encontramos um certo gozo perverso no conflito e na desarmonia. Nossa
consciência moral nos diz que deveríamos harmonizar, nosso coração nos
adverte que estamos sofrendo, mas assim como em todo resto, nos estados
baixos sentimos apego pela confrontação e pela discórdia.

Quando vivemos sem quebrar os limites que nos impõe nossa debilidade,
atuamos e reproduzimos padrões de desarmonia., que não só se referem à
conduta, como também às palavras que saem de nossa boca e aos
pensamentos que povoam nossa mente.

Para criar harmonia não basta fazer uma declaração de vontade nem
empreender um esforço intelectual. O desejo espontâneo e genuíno de
harmonizar, de ser feliz com os outros, só é possível quando elevamos o
estado de Vida. Neste desafio permanente, cada mulher faz emergir os
recursos da Budicidade que leva consigo.

Na realidade, a harmonia entre os seres humanos não é um estado exterior


nem é uma função das circunstâncias, senão o esforço que nasce em cada um
de nós. Por isso, mais que a harmonia, o que conta é a capacidade de sua
conquista que exige um trabalho permanente de autodisciplina e de estrita
observação interior. A ausência de harmonia produz angústia e incerteza no
coração da mulher. E sua causa fundamental é a ruptura entre o "eu" e o
resto do mundo. Quando estes laços se quebram, o espírito cai até os
estados mais baixos. As situações cotidianas se enchem de sofrimento e as
relações se contaminam de inimizade. A harmonia, pelo contrário, produz
uma alegria indescritível. O Sutra de Lótus elege uma imagem perfeita para
descrever a harmonia, quando mencionamos a sincronia entre a dança e a
música. Nenhum de nós existe só; todas as pessoas que nos rodeiam são
parte de nós mesmos. Já que somos nós mesmos quem geramos e definimos
nosso meio ambiente circundante, nosso coração "salta de júbilo", "nos
colocamos de pé e nos lançamos a dançar", e assim "brincamos de
felicidade".

A verdadeira harmonia jaz dentro da mulher. Não é algo que devemos


esperar dos outros nem que possa mandar que os outros a tenham. Por isso,
o presidente Josei Toda dizia: "A chave da união harmoniosa jaz no espírito de
levantar-se por decisão própria, sem depender de nada e nem de ninguém."

Amizade Daisaku Ikeda é


pacifista,
escritor,
Por Daisaku Ikeda
filósofo,
fotógrafo e
No decorrer da vida, nós desfrutamos a companhia de poeta. Também
diferentes tipos de amigos. Os amigos de nossa infância que conhecido
nós podemos lembrar vagamente. Os amigos da escola como
primária. O ‘melhor’ amigo da adolescência. Colegas que "Embaixador
encontrarmos no serviço. Amigos que compartilharmos bons da Paz", é
momentos. Companheiros de farra. E na medida que presidente da
envelhecemos, um amigo na qual podemos tomar um chá juntos Soka Gakkai
enquanto conversamos. Internacional
(SGI), uma
Não importa em que estágio da vida ou que tipo de amizade. ONG, com base
Esta é uma pura conexão entre duas pessoas, um elo de budista, filiada
sinceridade mútua, imune aos cálculos de perdas e lucros. às Nações
Unidas, que
Nas amizades da infância, a criança não é madura o suficiente atua nas áreas
para valorizar o outro indivíduo com profundidade. Mas, na da cultura,
adolescência aprendemos através do ato de se ter um amigo, educação, paz,
acreditar nele e corresponder a sua confiança quer seja por um meio-ambiente,
promessa, que temos a primeira experiência em desafiar a si desarmamento
mesmo e a prezar outras pessoas. nuclear e apoio
a refugiados de
guerra.
Mesmo entre os quase 6 bilhões de habitantes neste planeta, é
muito raro encontrar amigos genuínos e incondicionais nas
quais podemos expor o nosso ‘eu’ de modo integral e que serão
capazes de nos compreender os nossos sentimentos e
pensamentos sem a necessidade de palavras. Tal preciosa
amizade pode ser mantida no decorrer de anos.

Eu sinto que é especialmente importante para as mulheres não cresceram


longe de seus amigos próximos quando casam ou quando ocorrem grandes
mudanças em suas vidas. A medida que envelhecerem, seus pais poderão
falecer, poderá ocorrer um divórcio ou mesmo a morte do cônjuge. Este é o
inevitável ritmo da vida. Os filhos se tornam independentes e deixam o lar. E
no decorrer dos anos, o senso de isolamento na mulher pode aumentar.

Assim, eu penso que a chave para se viver uma vida plena reside no ato de
termos ao menos um amigo verdadeiro na qual podemos conversar sobre
tudo. Nós choramos por sua dor e dançamos com alegria por sua felicidade. E
esta troca de emoções nos torna abertos para o mundo e outras pessoas. Ser
uma pessoa de espírito generoso que respeita o caráter e personalidade
daqueles ao seu redor – mesmo que estes sejam diferentes – é a base da
amizade.

Especialmente valiosas são as amizades que transcendem as barreiras de


raça, nacionalidade e outras barreiras. Eu me lembro claramente quando li o
livro de Romain Rolland sobre a amizade de duas pessoas. Christophe e
Olivier que tinham características contrastantes. Christophe era alemão,
Olivier era francês. Enquanto Christophe era forte e cheio de vida, Olivier era
fisicamente fraco mas de extrema sensibilidade. A medida que a amizade
entre os dois crescia, os dois "se vislumbravam com o que descobriam no
convívio mútuo. Havia tanto o que compartilhar…"

Christophe e Olivier debatiam vigorosamente sobre as diferenças entre seu


povo, arte, liberdade e humanidade e no decorrer das conversas acabaram
descobrindo um novo mundo. Algumas vezes, eles se exaltavam, nos
momentos em que não conseguiam entender um ao outro, mas esta amizade
foi capaz de sobreviver mesmo quando a França e a Alemanha estava prestes
a entrar em guerra uma contra a outra.

Eu tenho a absoluta convicção de que quando construimos redes de amizade


que atravessam as fronteiras nacionais, compreendendo que todos somos
partes de família humana, nós seremos capazes de sobrepujar todas as
barreiras étnicas e religiosas. Por fim, serão estes laços de amizade que irão
criar um mundo pacífico.

Desta forma, como podemos dar início a este processo no âmbito pessoal ?
Muito simples, basta nos munirmos de coragem, sermos capazes de abrir o
coração e começarmos verdadeiros diálogos. Assim, novas e inesperadas
amizades poderão surgir.

Fazer e desenvolver amizades depende de cada um, não de outra pessoa.


Tudo provém da sua própria atitude e iniciativa. As relações humanas são
como um espelho. Logo, se pensa de si mesmo: ‘Caso ele fosse um pouco
mais gentil comigo, eu poderia me abrir com ele’, em compensação, a outra
pessoa poderia pensar: ‘Caso ela fosse mais franca comigo, eu poderia ser
mais gentil’.

Caso haja sinceridade por sua parte, naturalmente, estará cercado de bons
amigos algum dia. As pessoas que não temem ser autênticas são capazes de
fazer amigos de confiança. Um verdadeira amizade conecta indíviduos auto-
confiantes que compartilham um laço em comum. Da mesma forma que um
bambuzal, cada bambu se impõe ereto e independente em direção aos céus.
Mas, abaixo do nível do solo, aonde ninguém observa, as suas raízes são
todas entrelaçadas.

Em contrapartida, a amizade entre pessoas que isentas de uma clara direção


na vida pode se tornar estagnada ou dependente. A amizade deve ser mais
do que um simples elo com pessoas que passam a maior parte do tempo ao
seu lado, o que lhe emprestam dinheiro ou simplesmente são gentis. A
verdadeira amizade envolve um comprometimento real e nos impulsiona a
cuidar da outra pessoa, mesmo que possamos arriscar o nosso próprio bem-
estar em alguma ocasião.

É fácil se encontrar maus amigos que irão encorajar as nossas fraquezas. Em


contraste, um bom amigo é realmente difícil de se encontrar. O sr. Makiguti, o
professor primário que fundou a Soka Gakkai, dizia que a amizade pode ser
dividida em três tipos. Por exemplo: um amigo precisa de dinheiro
emprestado. O ato de emprestar o dinheiro é considerado um ato de pequeno
bem, enquanto que, ajudá-lo a encontrar um emprego é classificado como um
ato médio. Entretanto, caso seu amigo tenha o caráter de ser preguiçoso,
então ajudá-lo desta forma somente irá perpetuar seus hábitos negativos.

Neste caso, a verdadeira amizade está em ajudar esta pessoa a mudar sua
natureza preguiçosa que é a causa fundamental do seu sofrimento. Um
verdadeiro amigo geralmente diz o que algumas vezes não queremos ouvir,
mas que é de extrema necessidade para que possamos nos manter ‘na linha’
e que cresçamos integralmente como seres humanos.

Somente um verdadeiro amigo pode tornar nossas vidas duas ou três vezes
mais rica. Uma pessoa com tal amigo nunca irá se sentir perdida.

Transformar Veneno em Remédio


Assim como, do veneno da cobra, podemos fazer remédio, no Budismo podemos transformar nossos
sofrimentos em felicidade e desenvolvimento:

Uma pessoa que está cheia de problemas pode seguir dois caminhos: se resignar ao seu sofrimento, ou
lutar para obter o sucesso e ser feliz: a recitação do nam-myoho-rengue-kyo faz surgir uma energia vital
muito poderosa capaz de mudar o destino de uma pessoa e até de uma nação. Romper estas algemas
cármicas exige coragem e determinação, para isso o praticante deve persistir cultivanando a

Fé, Prática e Estudo