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Energia solar voltaica: poderá realmente ter impacto

significativo enquanto fonte alternativa de energia?

HELGA M. FERNANDES

Departamento de ambiente e ordenamento / Universidade de Aveiro


Campus universitário Santiago, Aveiro, 3800, Portugal
helga@ua.pt

Em todo o mundo tem ocorrido um aumento no interesse pelos sistemas fotovoltaicos,


principalmente em regiões onde o acesso à energia eléctrica convencional é ainda
economicamente inviável, por exemplo em locais isolados.
O aumento no interesse pelos sistemas fotovoltaicos é motivado principalmente pela redução que
se tem verificado nos custos das células fotovoltaicas e pelos crescentes problemas ambientais
causados pelas formas tradicionais de produção de energia. Prevê-se que essa diminuição
continue a verificar-se a par do aumento da produção das células. Este trabalho tem por
objectivo aferir acerca da viabilidade deste tipo de energia, através de uma análise comparativa
com várias fontes energéticas existentes. A viabilidade da energia solar voltaica como fonte
alternativa de energia está dependente de vários factores, onde se inclui a radiação solar e a
temperatura que condicionam a sua aplicação, pelo que a associação com outras fontes
energéticas, nomeadamente a rede eléctrica convencional ou mesmo outras fontes renováveis,
pode ser a solução.

Palavras-chave: energia solar, painéis fotovoltaicos, centrais fotovoltaicas, conexão na rede.

I. Introdução
A qualidade de vida de vida do Homem está directamente relacionada com o seu consumo de
energia. Com a crescente demanda global por energia e a importância do impacto das políticas
energéticas sobre a sociedade e o meio ambiente, cria-se a necessidade de se optar por fontes de
energia que possam abastecer a demanda de forma eficiente e sem agredir o meio ambiente, formando
assim a base para um desenvolvimento sustentável. No contexto mundial, a estrutura energética
actual de geração de electricidade está essencialmente baseada no consumo massivo de combustíveis
não renováveis, o que conduz inevitavelmente, a um esgotamento das reservas e supõe uma ameaça
real ao meio ambiente, manifestando-se principalmente através da acidificação do ciclo da água, do
provável aquecimento global do Planeta e de outros problemas relacionados com a saúde dos seres
vivos.
Em geral, o conceito e uso da palavra energia refere-se "ao potencial inato para executar trabalho
ou realizar uma acção". A palavra é usada em vários contextos diferentes. O uso científico tem um
significado bem definido e preciso enquanto muitos outros não são tão específicos.
O termo energia também pode designar as reacções de uma determinada condição de trabalho,
como, por exemplo, o calor, trabalho mecânico (movimento) ou luz graças ao trabalho realizado por
uma máquina (por exemplo motor, caldeira, refrigerador, alto-falante, lâmpada, vento), um organismo
vivo (por exemplo os músculos, energia biológica) que também utilizam outras forma de energia para
realizarem o trabalho, como o uso do petróleo que é um recurso natural não renovável e também a
principal fonte de energia utilizada no planeta actualmente.
As fontes de Energia dividem-se em dois tipos: Fontes Renováveis ou Alternativas e Fontes Não
Renováveis, Fósseis ou Convencionais. A Energia Solar é uma Fonte de Energia Renovável.

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II. Energia solar
Energia solar é a designação dada a qualquer tipo de captação de energia luminosa (e, em certo
sentido, da energia térmica) proveniente do Sol, e posterior transformação dessa energia captada em
alguma forma utilizável pelo Homem. A radiação solar pode ser utilizada directamente como fonte de
energia térmica, para aquecimento de fluidos e ambientes e para geração de potência mecânica ou
eléctrica. [9 ]
A Energia Solar pode ser recolhida sob duas formas: Calor (energia térmica) e Luz (energia
fotovoltaica). É esta última que é objecto de estudo neste trabalho.

III. Energia solar voltaica


Energia Solar Voltaica ou Energia Fotovoltaica é frequentemente confundida com a energia
térmica solar, e é de facto a ela que as pessoas se referem quando falam em energia solar. A energia
fotovoltaica (foto = luz voltaica = electricidade) usa uma tecnologia semi-condutora (semelhante ao
microchip) que converte luz directamente em corrente eléctrica que pode ser imediatamente utilizada
ou armazenada, tal como uma pilha ou bateria, para uso posterior.
A geração fotovoltaica consiste na conversão directa da energia contida na luz do sol em energia
eléctrica através de painéis fotovoltaicos.

A. Sistemas Fotovoltaicos
Os sistemas fotovoltaicos podem ser classificados em três categorias principais, isolados, hibridos
e conectados às redes [6 ] . A aplicação de cada uma delas depende da disponibilidade dos recursos de
energia nos locais onde os sistemas serão utilizados.
Nos sistemas isolados (instalações autónomas) (figura 1) a
energia é armazenada em baterias para se poder dispor dela quando
necessário. Este tipo é utilizado por particulares e tem uma potência
entre 3 e 5 kWp. As que têm potências compreendidas entre 5 e 100
kwp são normalmente utilizadas em edifícios bioclimáticos ou em
edifícios públicos de construção nova, que têm a energia solar como
mais-valia. A distribuição da energia eléctrica produzida pelos
módulos passa por um regulador de carga e é armazenada em
acumuladores (baterias).
As Instalações ligadas à rede eléctrica têm uma potência superior a
Figura 1 – Sist emas isolad os 100kWp e quase sempre
[7]
Fonte: (Loureiro, 2008) são promovidos por
empresas.
A energia produzida pelos módulos fotovoltaicos
transforma-se mediante um inversor de corrente alterna
(AC) na mesma tensão e frequência que a da companhia
eléctrica. Os sistemas fotovoltaicos híbridos são aqueles
que são projectados para operar em forma de cogeração
com outras fontes, outros tipos de energias renováveis
(eólica, biomassa, célula a combustível...) ou não
renováveis ( gerador diesel).
O sistema foto voltaico (figura 2) é constituído por
painel solar, que absorve a energia solar e a transforma em
tensão eléctrica contínua de 12V, o “Controlador de Carga”
tem como principal função não deixar que haja danos na
bateria por sobrecarga ou descarga profunda. O controlador
de carga é usado em sistemas pequenos onde os aparelhos
utilizados são de baixa tensão e corrente contínua (CC). A Figura 2 – Componentes do sistema
fotovoltaico Sistema isolado.
bateria de 12V armazena a electricidade, para se poder
Fonte: (Leva, Salerno, Camacho, &
dispor dela quando necessário. O inversor converte a [6]
Guimarães)

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corrente contínua produzida pelos painéis fotovoltaicos em corrente alternada para ser usada nos
[8]
electrodomésticos .
No caso dos sistemas ligados à rede, é ainda preciso fazer a ligação, através de um PT (Posto
Transformador). [ 3 ] Ao conjunto dos elementos que compõem o sistema fotovoltaico, excluindo o
painel, é dado o nome de Balance of Systems (BOS).

Painéis fotovoltaicos

Os sistemas fotovoltaicos consistem num conjunto de elementos chamados células solares ou


fotovoltaicas. Estas são dispostas em paralelo em módulos ou painéis (painéis solares), onde é
convertida directamente a ener gia solar em energia eléctrica, através do efeito fotovoltaico, que
consiste na geração de uma diferença de potencial eléctrico através da radiação.
O efeito fotovoltaico (figura 3) ocorre quando fotões (energia que o sol carrega) incidem sobre
átomos (átomos de silício, material semicondutor, constituinte da areia e que constitui as células),
provocando a emissão de electrões, gerando corrente eléctrica. Ou seja, quando a radiação solar
incide neles, é convertida a energia luminosa da radiação solar em energia eléctrica por efeito
fotovoltaico. O desempenho das células fotovoltaicas é bastante influenciado pela temperatura e pelo
índice de radiação solar. Com a elevação do índice de insolação ocorre um aumento linear da corrente
e do logaritmo da tensão, o qual influenciam proporcionalmente o aumento da potência máxima. Para
a variação da temperatura, ocorre o contrário da insolação, uma vez que à medida que se tem uma
elevação da temperatura ambiente, nota-se um descréscimo da potência máxima, devido à corrente
permanecer praticamente constante e a
tensão diminuir. [6 ]
A orientação dos painéis solares tem um
papel fundamental na produção de
electricidade obtida. Inclinando-os com um
ângulo igual ao da latitude a que se
encontram, maximiza-se a radiação solar
incidente sobre o painel ao longo do dia, e
do ano. Alguns sistemas mais recentes
possuem dispositivos que localizam o sol e
viram o painel na sua direcção. Sendo que a
radiação solar varia consoante o período do
dia, época do ano e condições climáticas, a
Figura 3 – Efeito fotovoltaico quantidade total de radiação solar é expressa
[5]
Fonte: (Hi malaya)
em termos de horas de pico solar. Numa
hora de pico solar, a potência é de 1000 W/m2, e a energia resultante é de 1 kWh/m 2 . [ 3 ]
Uma célula individual produz apenas uma reduzida potência eléctrica, o que tipicamente varia
entre 1 e 3 W, com uma tensão menor que 1 volt e uma corrente de 3A). Para disponibilizar potências
mais elevadas, as células são integradas, formando um módulo (ou painel), que têm potências entre os
50 e 100 W. [ 3 ] Ligações em série de varias células aumentam a tensão disponibilizada, enquanto que
ligações em paralelo permitem aumentar a corrente eléctrica. O mesmo ocorre para os painéis. [6 ] O
[1]
tempo de vida útil destas tecnologias é de 20 anos.
A eficiência de conversão das células solares é medida pela proporção da radiação solar incidente
na superfície da célula que é convertida em energia eléctrica. Actualmente já existem painéis solares
fotovoltaicos que conseguem transformar em eléctrica até 25% da energia incidente sobre ele. [ 2 ]
Porém esses ainda estão em fase de pesquisa e possuem um custo muito elevado. Os painéis
comercialmente disponíveis têm um rendimento de aproximadamente 15%. As células de silício
possuem um limite de eficiência físico na ordem de 28,8%. [ 2 ] Se as mesmas estiverem a trabalhar
com concentradores de radiação solar, a sua eficiência pode chegar a 37%. Aliado ao baixo
rendimento obtido, esse tipo de energia não está sempre disponível, pois depende das condições
[2]
climatéricas e, por isso não deve ser utilizada de forma única para alimentar uma carga.
O módulo fotovoltaico é, em geral o componente mais confiável do sistema, sendo rara a
ocorrência de falhas. A tecnologia fotovoltaica está desenvolvida a suficiente para garantir uma boa
confiabilidade aos sistemas que são instalados.

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IV. A Energia S olar Volt aica: vi ab ili dade como f ont e de Ene rgi a alt ernat iva
O uso de sistemas fotovoltaicos como fonte de energia alternativa tem sido bastante discutido nas
últimas décadas devido ao rápido crescimento das técnicas de processamento de energia. A energia
proveniente do sol e incidente sobre a superfície terrestre seria suficiente para suprir a demanda
energética do planeta se pudesse ser completamente aproveitada. Na Terra diariamente incide mais
energia do que a demanda total de todos os habitantes num ano. Outro atractivo dessa tecnologia é
que o silício, um dos materiais mais utilizados para fazer a conversão de energia solar em energia
eléctrica, é o segundo elemento mais abundante no planeta.
Sistemas solares fotovoltaicos representam uma fonte silenciosa, não-poluente e renovável de energia
eléctrica. Além disto, apresentam vantagens como característica modular, inexistência de qualquer
peça mecânica móvel, curtos prazos de instalação e operação, elevado grau de confiabilidade dos
sistemas e baixa manutenção. Pode ainda ser referida a redução no uso das grandes centrais, a
disponibilidade de electricidade em situações de emergência, o investimento evitado em extensões da
rede para locais remotos, a diminuição das perdas no transporte, a melhoria da fiabilidade da rede e
diminuição da variabilidade na produção.
O uso de sistemas fotovoltaicos é já há alguns anos uma solução viável para aplicações de média
potência em locais isolados (um monte, um conjunto de casas, por exemplo). É mais barato e muito
menos prejudicial para o ambiente do que o uso de geradores a gasóleo ou uma extensão à rede, pela
instalação de um PT. Esta é a situação nos dispositivos autónomos, não ligados à rede. [8 ] Já no modo
de funcionamento em produção descentralizada ligada à rede de energia eléctrica, a situação é
completamente diferente: os sistemas fotovoltaicos estão ainda longe de ser competitivos, quer com
as fontes de produção convencionais, quer principalmente com outras energias renováveis. O elevado
investimento e a baixa utilização anual da potência instalada são as principais razões para a fraca
“penetração” que se verifica nos sistemas ligados à rede. [ 3 ]
Outras desvantagens deste tipo de energia são a variação nas quantidades produzidas de acordo
com a situação climatérica (chuvas, neve), além de que durante a noite não existe produção alguma, o
que obriga a que existam meios de armazenamento da energia produzida durante o dia em locais onde
os painéis solares não estejam ligados à rede de transmissão de energia; as formas de armazenamento
da energia solar são pouco eficientes quando comparadas, por exemplo com os combustíveis fósseis
(carvão, petróleo e gás) e a energia hidroeléctrica (água); as células fotovoltaicas necessitam de
tecnologia sofisticada para o seu fabrico, para tal tem-se verificado a entrada de novos materiais no
mercado; O rendimento real de conversão de um módulo é reduzido (o limite teórico máximo numa
célula de silício cristalino é cerca de 28%), face ao custo do investimento.

A) Aplicações dos Sistemas Fotovoltaicos


Como já foi referido, alguns sistemas são autónomos, produzindo
electricidade para consumo directo no local ou armazenagem. É o caso
de sistemas em casas remotas, sem acesso à rede (off-grid residencial),
ou pequenas aplicações, como sinais de trânsito, antenas de
telecomunicações (figura 4) ou mesmo as calculadoras de bolso
(consumidor). Nestas aplicações, a energia fotovoltaica é
economicamente viável.
Outros sistemas são ligados à rede, debitando nela a electricidade que
produzem. Distinguem-se os pequenos sistemas distribuídos, de
microgeração, e os centralizados (grandes centrais, cada vez maiores e
mais frequentes - macrogeração). A sua viabilidade económica depende
ainda dos apoios que lhes são concedidos.
Os microsistemas, como por exemplo os utilizados em calculadoras Figura 4 – Painel sola r
de bolso, estão hoje bem consolidados no mercado. Os esforços de fotovoltaico que usa
desenvolvimento concentram-se agora em sistemas maiores, que energia da luz solar para
sustentar telefone celula r
permitam produzir electricidade em quantidades significativas, para público em local isolado
abastecimento de habitações ou mesmo da rede pública. São os sistemas na Austrália .
ligados à rede que merecem maior atenção, por terem um enorme
potencial económico. A tabela 1 apresenta as aplicações actuais

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associadas aos sistemas fotovoltaicos, no Mundo.

Tabela 1 – Aplicaçõ es d e sistemas fotovoltaico s por intervalo de potência .

[3]
Fonte: ( Proença, 2007)

A energia fotovoltaica tem-se tornado interessante em aplicações urbanas, particularmente com a


utilização de painéis incorporados ao telhado ou fachada de casas e prédios, em telefones de
emergência à beira de estradas (figura 3), ou em grandes terrenos, montados em fileira. É muito
utilizada para a alimentação de dispositivos electrónicos existentes em foguetes, satélites e
astronaves. Os painéis/módulos fotovoltaicos são, assim extremamente versáteis.
A redução progressiva nos custos dos painéis fotovoltaicos tem encorajado o desenvolvimento de
sistemas residenciais e prediais que operem como pequenas centrais eléctricas em paralelo com a
rede, reduzindo perdas por transmissão de energia devido à proximidade entre geração e consumo.
Os sistemas híbridos, onde a energia fotovoltaica é associada a outras fontes, assim como os
sistemas isolados, são utilizados para fornecer energia eléctrica para regiões em que a rede comercial
não está disponível e o custo é muito elevado para levá-la até seu destino.
A sua maior autonomia e confiabilidade tornaram esse tipo de geração atractiva para uso em
localidades de difícil acesso. Neste caso, quando ela está disponível, a energia fotovoltaica entra
como meio de diminuir o uso de outros combustíveis de forma a diminuir os custos e a manutenção
do sistema.

B) Enquadramento comparativo – Viabilidade da Energia Fotovoltaica


Nesta secção pretende-se fazer uma análise comparativa entre alguns dos vários tipos de energia
existentes de modo a averiguar sobre a viabilidade da Energia solar voltaica face ao conjunto. Para a
execução deste objectivo, é importante analisar os vários aspectos, tanto em termos técnicos como
económicos. O uso da energia solar fotovoltaica para a electrificação de áreas rurais é uma excelente
aplicação para esta tecnologia.
Muitas vezes é a mais adequada do ponto de vista técnico e económico, em comparação com
outras fontes como geradores a diesel, aerogeradores, ou a própria extensão da rede, levando em
conta características geográficas e perfis de consumo.
Os módulos fotovoltaicos são equipamentos de alta confiabilidade, que passam por um processo
bem desenvolvido de padronização e controle de qualidade.
Para a geração de electricidade em escala comercial e em áreas onde há energia eléctrica, o
principal obstáculo tem sido o custo das células solares e o seu rendimento. Mas nos últimos anos,
estes custos têm caído e estão a ser feitos estudos para aumentar o rendimento das células solares de
silício.
A viabilidade económica do uso de energia solar fotovoltaica depende de alguns factores inter-
relacionados, como distância da rede à unidade consumidora, quantidade de unidades consumidoras
concentradas e carga a ser atendida.

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A tabela 2 evidencia as diferenças entre as várias alternativas em termos de custos de
investimento.
Tabela 2 – Co mparação de custos de investimento

[3]
Fonte: (Proença, 2007)

A última linha apresenta valores típicos para o fotovoltaico, mostrando o quanto esta tecnologia
ainda está longe de poder competir directamente com as tradicionais, numa perspectiva m eramente
industrial. Este facto obriga ao estabelecimento de uma meta intermédia de redução de custos, a da
competitividade de preços ao nível do consumidor (a paridade com a rede). Atingido esse ponto, o
sector poderá assistir a uma primeira explosão de procura. Uma segunda e última explosão da procura
está prevista para mais tarde, quando a tecnologia atingir uma maturidade que lhe permita competir
directamente com as outras, a nível industrial. [ 3 ]
Na tabela 3, apresentam-se outras informações sobre custos nas várias alternativas de energia,
nomeadamente os principais parâmetros de custos das diferentes FER ( Fontes de Ener gia Renová ve l) e
custos da geração de energia eléctrica, respectivamente.

Tabela 3 – Principais pa râmetros d e cu stos das diferentes FER

[3]
Fonte: (Proença, 2007)

A comparação do potencial da tecnologia fotovoltaica face às outras formas de produção


energética mostra um cenário pouco abonatório para este. Percebe-se facilmente que a aposta de
vários países nesta fonte energética dificilmente se justifica num curto prazo. Sendo assim, porque se
continua a apostar numa tecnologia muito mais cara que as convencionais? A curva de aprendizagem
descreve como o custo marginal do trabalho diminui com o crescimento da produção, para um dado
bem de manufactura e um a determinada empresa. A curva de experiência (figura 5) generaliza a cur va
de aprendizagem da produtividade do trabalho, de forma a incluir todos os custos necessários à
investigação, desenvolvimento, produção e venda de um dado produto; Verifica-se que tecnologias
caras e de desenvol vimento recente, como é o caso da fotovoltaica são as que têm o maior potencial
de redução de custos .
A curva de experiência confirma a tendência de forte descida de custos que se tem verificado nos
últimos anos no mercado fotovoltaico (figura 6). A extrapolação desta evolução para o futuro (figura
6) faria com que rapidamente se atingissem custos de produção compatíveis com o uso do
fotovoltaico sem necessidade de recorrer a incentivos.

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Figura 5 – Evolução dos custos face ao crescimento do mercado. Figura 6 – Previsão de evolução dos custos de um
Fonte: (Proença, 2007) [3] sistema fotovoltaico.
Fonte: (Proença, 2007) [3]

Conclui-se que, embora o fotovoltaico se apresente actualmente como uma tecnologia muito cara,
é uma aposta de futuro, com potencial para alcançar níveis de custo competitivos com outras fontes
energéticas actualmente utilizadas. Esse facto é de extrema importância, não só pelas consequências
de negócio e ambientais, mas também porque a introdução de mais uma fonte variável de
abastecimento eléctrico permite reduzir a variabilidade ligada aos mix energéticos com forte
representação eólica e/ou hídrica, tornando o seu output mais estável e previsível.
Poder-se ia argumentar que a produção de electricidade por via solar termoeléctrica, concorrente
quase directa com a fotovoltaica, e que apresenta já custos mais baixos, apesar de estar num estado
de desenvolvimento mais prematuro, tornaria o fotovoltaico numa tecnologia ultrapassada. No
entanto, o solar termoeléctrico assenta na geração de energia por turbinas, tecnologia que está já
totalmente dominada, pelo que a sua evolução de custos tem uma diminuição prevista muito menor. É
aliás interessante notar que praticamente todas as fontes de energia actuais assentam na geração de
electricidade pelo movimento de turbinas. As excepções são a energia nuclear e o fotovoltaico.

B) Potencial do Fotovoltaico para Abastecimento de Electricidade


A tabela 4 e figura 8 mostram a evolução que é esperada pela IEA (International Energy
Association) para o conjunto das fontes de energia renovável em estado de desenvolvimento mais
avançado actualmente. O estudo é feito com base num cenário no qual as políticas internacionais
manterão o seu apoio à produção de energia renovável, cenário este que parece actualmente ser o
mais provável, e contabiliza apenas os países pertencentes à IEA.
Tabela 4 – Previsõ es para países da IEA – C enário de politica interna cional a vançada.

[3]
Fonte: (Proença, 2007)

Pode-se ver que é do fotovoltaico que se espera a maior evolução. Enquanto em 2010 este será
responsável por apenas 0,5% do conjunto da produção de electricidade renovável no conjunto dos

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países da IEA, espera-se que em 2040 represente 30%, e seja mesmo a maior fonte de energia
renovável. [ 3 ] Estima-se que a produção fotovoltaica seja multiplicada por dez a cada década até 2030,
com o maior salto a ser dado na década de 2020. Nessa altura, prevê-se que as diversas fontes de
[3]
energia renovável contribuam para mais de 80% da produção energética mundial.
A EPIA (European Photovoltaic Industry Association), num estudo, mostra que a importância
desta tecnologia em 2020 poderá ser tal, que empregará dois milhões de pessoas, fornecendo
electricidade a mil milhões de pessoas. [ 3 ]
Prevê-se que o crescimento do mercado fotovoltaico a que se tem assistido nos últimos anos se
mantenha no curto prazo. As políticas de incentivos seguidas por diversos países, bem como a
adaptação da indústria produtora de sistemas fotovoltaicos às maiores necessidades do mercado,
reflectem-se numa estimativa de volume de produção próximo dos 11 GW já em 2010 (contra apenas
1 GW em 2002). A electricidade gerada não chegará a 30 TWh (Terawatt-hora), o que representa
[3]
menos de 0,15% da produção total de electricidade estimada para o mesmo ano.
O crescimento, embora muito tem ainda pouco impacto no mix energético mundial. Por outro lado,
este crescimento será na sua grande maioria sustentado pelos subsídios, o que quer dizer que o
mercado não será ainda em 2010 auto-suficiente. Para que o nível desejado de autonomia do mercado
seja atingido, é preciso que os preços da energia fotovoltaica atinjam a paridade com a rede, ou seja
estejam ao nível dos preços praticados junto do consumidor. A partir desse ponto, a energia
fotovoltaica poderá competir directamente com as outras formas de produção, pelo que um enorme
mercado se abrirá. É necessário que os preços dos sistemas sejam reduzidos em 40%, para que se
[3]
chegue a essa situação.
A análise das características do fotovoltaico permite perceber que esta será uma fonte de energia
adequada para suprir as cargas de pico da rede durante o dia. A dependência da radiação solar,
bastante variável, torna-a pouco viável para suprir horas em que a carga exigida à rede é baixa.
Assim sendo, as fontes de energia com que compete são aquelas que asseguram o abastecimento em
horas de pico, ou seja as fontes pouco “capital-intensivas”, que fornecem electricidade quando esta é
necessária.
É necessário perceber que produzir energia limpa nunca poderá passar por uma só tecnologia. A
energia eléctrica não é armazenável em grandes quantidades, pelo que a sua produção tem de ser
praticamente simultânea ao seu consumo. Por isso, a sua produção tem de ser flexível, rapidamente
adaptável às necessidades de cada momento. Um bom mix de fontes energéticas é portanto essencial.
Sabendo isto, compreendemos também que a energia fotovoltaica não poderá nunca ser uma
solução única, mas apenas mais uma fonte energética que vem contribuir para o conjunto de soluções
que devem assegur ar o abastecimento de electricidade ao planeta. Falta no entanto perceber até onde
pode ir esse contributo.

V. A Ene rgia Solar Fotovolt aica em Port uga l e n o Mundo.


O efeito fotovoltaico foi descoberto por Edward Becquerel em 1839. Os sistemas isolados foram
pioneiros, pois eram a solução mais adequada e prática (menor custo e peso) para fornecer a
quantidade de energia necessária para longos perí odos de permanência no espaço durante a corrida
espacial. Os mesmos também foram largam ente empregados como fontes de ener gia para sistemas de
pequeno porte (iluminação, refrigeração) instalados em localidades remotas. Nesses casos a energia
solar, por ser uma fonte irregular, seria utilizada para recarregar baterias, e estas alimentariam as
cargas.
Nesta primeira década do século XXI, a energia solar fotovoltaica é aquela que mais está a
crescer, em termos relativos. É esperado que em 2010 se alcance uma capacidade instalada no Mundo
de 11 GW, dez vezes mais do que a que existia em 2000. Nem mesmo a energia eólica tem uma
evolução tão expressiva, embora em termos absolutos os 130 GW de energia do vento esperados
superem em doze vezes a previsão para o fotovoltaico. [ 3 ]
Na actualidade, a potência instalada de sistemas fotovoltaicos encontra-se em rápido crescimento
na Europa, Japão e Estados Unidos, basicamente devido à expansão das instalações residenciais
interligadas na rede. Compreende-se facilmente, face às inúmeras aplicações mencionadas, que a
importância dos sistemas fotovoltaicos no Mundo é já considerável. Os sistemas fotovoltaicos
autónomos são a solução mais económica para muitas situações onde há um a necessidade pontual de
electricidade, e são mesmo por vezes a única.

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A tendência continua a ser a de um cr escimento exponencial: nas décadas de oitenta e noventa, a
produção de células fotovoltaicas cresceu a uma taxa superior a 15% por ano. Essa taxa aumentou
para 30% nos primeiros anos deste novo século. No entanto, grande parte deste crescimento recente
deveu-se a uma aposta de diversos governos, que decidiram patrocinar a instalação de painéis solares
fotovoltaicos nos seus países. A maioria da potência fotovoltaica actualmente instalada é portanto
dependente de subsídios estatais.
Hoje, 81% do mercado assenta em planos de apoio económico de governos que esperam
posicionar-se da melhor forma num mercado com potencial futuro imenso.
As Energias Renováveis têm assumido um papel cada vez mais relevante no discurso político
nacional. Portugal tem a melhor insolação anual de toda a Europa (o Chipre é a única excepção), com
valores 70% superiores aos verificados na Al emanha. Esta diferença leva a que o custo da
electricidade produzida em condições idênticas seja 40% menor em Portugal. É uma vantagem
enorme, que tem de ser capitalizada.
Em Portugal, o modelo de apoio relacionados com os painéis fotovoltaicos baseia-se em tarifa
fixa, subsídios e reduções de impostos. É de mencionar o Decreto-Lei nº33-A/2005, que estabelece
subsídios até 40% de qualquer investimento elegível.
É importante lembrar que a busca desses mecanismos de incentivo torna-se particularmente
importante quando vemos que muitas das vantagens que os energéticos renováveis e não
convencionais apresentam não produzem um retorno financeiro ao investidor propriamente dito,
trazendo sim grandes benefícios à comunidade, a sociedade e ao meio ambiente. Como a energia solar
fotovoltaica ainda possui custos elevados, para que possa continuar desenvolvendo-se é necessário
estabelecer mecanismos capazes de viabiliza-la. A tabela 5 apresenta as metas nacionais de produção
eléctrica por fontes de energia renovável (FER).
Tabela 5 – Metas de p rodu ção eléctrica por FER em Portugal

[3]
Fonte: (P roença, 2007)

Nos últimos anos o sector fotovoltaico está a fazer


progressos na construção dos denominados parques
solares, instalações que reúnem um grande número de
módulos fotovoltaicos (macrogeração) em diferentes
faixas para a produção de energia eléctrica e a sua
injecção na rede.
Em termos de macrogeração, estão actualmente em
projecto, construção ou mesmo operação já várias
centrais fotovoltaicas com potências entre os 5MW e os
15MW. É o caso das recentes centrais de Pocking, na
Alemanha (10MW, 40 milhões de euros) e de Serpa
(Alentejo, Portugal), com 11MWp suficiente para
abastecer cerca de oito mil habitações (figura 10).
Entretanto está projectada e já em fase de construção
outra central com cerca de seis vezes a capacidade de
produção desta, também no Alentejo, em Amareleja,
concelho de Moura. Figura 7 – Parque Fotovoltaico d e Serpa .

De mencionar uma nova central em construção na Coreia do Sul, com 15MWp. A evolução foi
exponencial, visto que ainda em 2004 a maior central fotovoltaica do mundo tinha apenas 5MWp. No

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entanto, a próxima geração de centrais está já a ser preparada, e contempla um aumento ainda maior,
multiplicando por dez a potência instalada. Entre as que estão numa fase mais avançada de
desenvolvimento, são de destacar:

• Uma central de 100MW na cidade de Dunhuang, na China, a ser construída pela empresa
local Zonghao New Energy Investments até 2011, que pode marcar o acordar de um novo
gigante para o mundo do fotovoltaico (sobretudo tendo em conta o crescimento
exponencial das necessidades energéticas da China);
• Uma central de 62MW, planeada para Moura, e a construir até 2010 pela espanhola
Acciona;
• O projecto de uma central de 50MW em Ontário, Canadá, promovido pelas empresas
SunEdison (EUA) e SkyP ower (Canadá), com conclusão prevista para 2009;
• Outros projectos contemplam uma central de 80MW em Brandis (Alemanha), outra de
100MW no Deserto do Negev (Israel), uma de 116MW em Beja, ou ainda uma mega central
de 300MW no Novo México (EUA);
• O projecto australiano de uma central de 154 MW, capaz de satisfazer o consumo de 45
000 casas. Esta situar-se-á em Victoria e prevê-se que entre em funcionamento em 2013,
com o primeiro estágio pronto.
Fonte: (Proença, 2007) [ 3 ]

Estes projectos demonstram bem a modularidade e as potencialidades do fotovoltaico enquanto fonte


de macrogeração, bem como o forte dinamismo do mercado. Na maioria dos casos, o avanço dos
projectos deverá acontecer a partir de 2009, altura em que o problema da falta de silício para painéis
estará resolvido e a capacidade de produção mundial de painéis poderá comportar encomendas deste
tamanho. [ 3 ]

V. Conclus ão

O potencial da radiação solar como fonte de energia é praticamente inesgotável. Em primeira


análise, toda a energia de que o Mundo precisa poderia ser extraída desta fonte. A geração
fotovoltaica pode ser considerada como a forma não-convencional de geração de electricidade mais
atraente para o Mundo a médio prazo. Hoje, as células solares produzem electricidade a um custo
cerca de 5 vezes maior do que, geralmente, paga pela energia eléctrica, um utilizador normal num
país desenvolvido. O grande desafio é tornar esta alta tecnologia barata.
Tudo indica que no futuro a tecnologia fotovoltaica vai trilhar um caminho já traçado, melhorar a
eficiência das células de silício e reduzir preços via aumento da eficiência. Novos materiais estão a
entrar no mercado mas ainda deverão provar a sua capacidade para ocupar uma fatia significativa do
mesmo. Assim, conversão solar fotovoltaica é cada dia mais classificada como meio de substituição
aos métodos convencionais de geração de electricidade, pois na época actual, em que problemas
ambientais se agravam e as matérias-primas se esgotam, torna-se insustentável a exploração
continuada dos combustíveis fósseis. Sendo assim, o aproveitamento da Energia Solar Voltaica tem
sido uma importante opção na actual conjuntura mundial, sendo viável em muitas aplicações.
A energia fotovoltaica não está sempre disponível, pois depende das condições climatéricas e, por
isso não deve ser utilizada de forma única como fonte de energia, mas sim associada com outras
fontes, de modo a suprir as horas em que não é possível produzir energia a partir dos painéis
fotovoltaicos.
Conclui-se que, embora a energia fotovoltaica se apresente actualmente como uma tecnologia com
custos elevados, é uma aposta de futuro, com potencial para alcançar níveis de preços competitivos
com outras fontes energéticas actualmente utilizadas.

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Universidade de Aveiro
Referências
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Websites
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http://pt.wikipedia.org, acedido a 25 de Novembro de 2008.

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Universidade de Aveiro