CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA E MINERALOGIA DE SOLOS ANTRÓPICOS (TERRAS PRETAS...

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DIVISÃO 1 - SOLO NO ESPAÇO E NO TEMPO
Comissão 1.1 - Gênese e morfologia do solo CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA E MINERALOGIA DE SOLOS ANTRÓPICOS (TERRAS PRETAS DE ÍNDIO) NA AMAZÔNIA CENTRAL(1)
Francisco Weliton Rocha Silva(2), Hedinaldo Narciso Lima(3), Wenceslau Geraldes Teixeira(4), Marcelo Batista Motta(5) & Rodrigo Macedo Santana(6)

RESUMO
Na Amazônia brasileira é comum a ocorrência de sítios arqueológicos. Frequentemente, observa-se que as ações humanas nesses sítios promoveram modificações significativas em muitas das características físicas, morfológicas e químicas dos solos desses ambientes, tornando-os muito diferentes dos solos adjacentes, especialmente nas áreas de terra firme da região. Embora muitos estudos tenham sido conduzidos visando compreender a magnitude dessas modificações e seus reflexos na gênese dos solos influenciados, muitas questões precisam ser mais bem compreendidas, sobretudo as relacionadas com a mineralogia desses solos. Este estudo teve como objetivo avaliar as características químicas, a composição mineralógica das frações argila e areia e o grau de pedogênese de cinco perfis de solos com horizonte A antrópico (Au), em ambientes de terra firme e várzea, localizados na Bacia Sedimentar do Amazonas, entre Coari e Manaus-AM. Amostras de solos foram coletadas, preparadas e submetidas às análises químicas de rotina e caracterizadas quanto aos teores de carbono oxidável e aos teores de Si, Fe, Al e P; adicionalmente, efetuou-se a identificação dos minerais presentes nas frações argila e areia, por meio de difratometria de raios X. Os resultados mostraram que as modificações promovidas pela atividade humana levaram à melhoria da fertilidade do solo, resultando em solos com acidez moderada, elevados teores de Ca2+ e de P disponíveis e baixos teores de Al3+ trocável.

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Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor apresentada ao PPG Agronomia Tropical da Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Projeto financiado pela FAPEAM. Recebido para publicação em agosto de 2009 e aprovado em março de 2011. (2) M.Sc. em Agricultura e Sustentabilidade na Amazônia. TAE, Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Av. General Rodrigo Otávio 3000, CEP 69077-000 Manaus (AM). E-mail: fweliton17@yahoo.com.br (3) Professor Adjunto, UFAM. E-mail: hedinaldo@ufam.edu.br (4) Pesquisador da Embrapa Solos – CNPS, Rio de Janeiro (RJ). E-mail: wenceslau@cnps.embrapa.br (5) M.Sc. em Geociências, Manaus (AM). E-mail: marcelo.motta@cprm.gov.br (6) M.Sc. em Agronomia Tropical, Manaus (AM). E-mail: macedo-rs@hotmail.com

R. Bras. Ci. Solo, 35:673-681, 2011

Solo. as well as differences in their mineralogical composition as compared to the other studied sites. 2002). The sand fractions of all studied soils consisted predominantly of quartz. (2006) e Sérgio et al. DRX. apresentou também minerais do tipo 2:1 na fração argila. Si and P. de dois a cinco hectares (Teixeira & Martins. Al. no entanto. Termos de indexação: Amazônia brasileira. atribuída à natureza do material geológico.674 Francisco Weliton Rocha Silva et al. independentemente do ambiente. apresentam baixa fertilidade natural. Kaolinite was the main mineral found in the clay fraction of upland soils. especialmente relacionada à cultura de antigas populações indígenas da Amazônia précolonial. além de caulinita e goethita.. aspects such as the mineralogical properties need to be better described. are quite different from surrounding soils. significativa riqueza química nos horizontes antrópicos. Ci. The total P contents in the anthropic horizons ranged from 1630 to 8840 mg kg-1 of P2O5.840 mg kg-1 de P2O5. Lima et al. portanto. de modo geral. between the cities of Coari and Manaus. Soil samples were collected and analyzed for chemical properties (pH ) and for the total contents of Fe. bem como diferenças na composição mineralógica desses horizontes. anthropic horizons (Au). The results showed that anthropic modifications lowered the acidity and exchangeable Al soil contents and enhanced the contents of available Ca and P. Lima et al. goethite and 2:1 silicates. 2006). representa um importante registro da ocupação humana e do uso do solo na Amazônia (Lima. O perfil de várzea. A mineralogia da fração argila dos solos antrópicos de terra firme revelou dominância de caulinita. Estudos recentes da composição mineralógica das TPIs foram realizados por Lima (2001). Although several studies have been carried out to understand the magnitude of these modifications and their influence on the genesis of such soils. de goethita e de óxidos de titânio (anatásio). chemical and morphological properties. 2011 . Estes. The magnetic fractions consisted of hematite and maghemite. followed by gibbsite.. variando entre 1. possuem grande importância histórica. The physical. e grande interesse agronômico. As TPIs têm sido objeto de vários estudos relacionados a vários ramos da ciência. As TPIs são solos com presença de horizonte A antrópico (Au) que. (2002). Lima et al. sendo menos frequentes aqueles relacionados à mineralogia. INTRODUÇÃO A ocorrência de solos alterados por populações précolombianas na paisagem amazônica. mainly in the uplands. due to anthropic influence. The mineralogical compositions of the clay and sand fractions were evaluated by X-ray diffraction (XRD). Os estudos dos solos de sítios arqueológicos na Amazônia brasileira deram maior destaque aos atributos relacionados à fertilidade. 2000. horizonte antrópico (Au). (2006).630 e 8. goethite and titanium oxides. em comparação com a maioria dos solos de terra firme na Amazônia. principalmente Ca2+ e P. 2001. 2003). especialmente Ciência do Solo e Arqueologia. Esses resultados também revelaram teores muito elevados de P-total nos horizontes antrópicos. 35:673-681. mineralogy. This study aimed at evaluating the chemical and mineralogical properties of anthropic horizons (Au) of soils of upland and floodplain sites located in the Sedimentary Basin of the Amazon. SUMMARY: CHEMICAL AND MINERALOGICAL CHARACTERIZATION OF ANTHROPIC SOILS (AMAZONIAN DARK EARTHS) IN THE CENTRAL AMAZON Archeological sites are frequent in the Brazilian Amazon. A fração magnética é composta por maghemita e hematita.. várzea. às geoformas e às condições bioclimáticas atuais (Schaefer et al. X-ray diffraction (XRD). na maioria. mineralogia. além da ocorrência de gibbsita. apresentam teores elevados de nutrientes. Constatou-se. floodplain. conhecidos regionalmente como Terra Preta de Índio (TPI) ou Terra Preta Arqueológica. as quais.. The floodplain soils showed clay fractions composed of kaolinite. R. Bras. Lehmann et al. In conclusion. A mineralogia da fração areia dos solos estudados revelou dominância de quartzo. De modo geral. Index terms: Brazilian Amazon. better chemical properties were observed in the anthropic horizons. as TPIs ocupam pequenas áreas.

2006.. de deposição holocênica e pleistocênica. sítio Lago do Limão (S 03 ° 11 ’ 08 " – W 60 ° 20 ’ 46 ”). Figura 1. principalmente hortaliças e fruticultura (Teixeira & Martins. os minerais magnéticos e o grau de pedogênese desses solos. Recentemente. e sítio Ena (S 3 ° 48 ’ 76 ” – W 62 ° 07 ’ 75 ”). 2009). 2008. de preservação obrigatória.924 de 26 de julho de 1961. reforçando a necessidade de ampliar os estudos sobre esses solos. Localização geográfica das áreas de estudo.. Bras. Este estudo objetivou caracterizar a mineralogia das TPIs. são muito requeridas para o cultivo de espécies alimentares. destorroadas e passadas em peneiras de 2 mm de abertura de malha para obtenção da TFSA e submetidas às seguintes análises: pH (em água e em solução KCl 1 mol L-1). R. com o intuito de contribuir para a compreensão da gênese. que margeia os rios de águas barrentas (ricas em sedimentos em suspensão) e sujeita a inundações sazonais (Iriondo. fertilidade elevada e sustentabilidade. Ci. 35:673-681. avaliando os componentes minerais da fração argila. MATERIAL E MÉTODOS Foram estudados cinco solos de sítios arqueológicos (quatro em terra firme e um em várzea). 675 As áreas de TPI.CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA E MINERALOGIA DE SOLOS ANTRÓPICOS (TERRAS PRETAS. da riqueza química e da sustentabilidade das TPIs da Amazônia brasileira. 2011 . por suas características físicas. foi estudado o sítio Lauro Sodré. na margem esquerda do Solimões (S 3 ° 51 ’ 18 ” – W 62 ° 35 ’ 62 ”) (Figura 1).. Teixeira et al. 2007). Corrêa. sítio Pilão (S 03 ° 12 ’ 01 " – W 60 ° 20 ’ 06 ”). Os perfis de terra firme (ambientes não sujeitos à inundação) foram: sítio Comunidade São João Batista (S 3 ° 18 ’ 14 " – W 60 ° 32 ’ 96 ”).. 2007. entre as cidades de Coari e Manaus-AM (Figura 1). de terra firme e de várzea. 2002). 1982. A maioria dos trabalhos de mineralogia das TPIs foi realizada em áreas de terra firme. Amostras dos horizontes antrópicos e não antrópicos foram coletadas. Solo. No ambiente de várzea (planície aluvial). foram identificados alguns sítios enterrados em ambiente de várzea (Teixeira et al. situados na Bacia Sedimentar do Amazonas. Silva. embora constituam sítios arqueológicos (patrimônio cultural). de acordo com a Lei Federal no 3. Macedo. onde são mais frequentemente identificados sítios arqueológicos. secas ao ar.

1999). especialmente nos solos de terra firme. em equipamento SHIMADZU XRD 6000. extraídos com KCl 1 mol L-1 e quantificados por colorimetria. 2001.4. 2002). A influência da ação antrópica estende-se além dos horizontes antrópicos.J. e C orgânico total (COT). Al3+. ricos em P (Lima. Bras. 2007). foram quantificados os teores de Al. comuns em solos menos intemperizados (Figura 2).025 mol L-1.79 a 60. extraído com KCl 1 mol L-1 e quantificado por titulometria com solução NaOH 0. observaram-se. usando-se condensador de refluxo para evitar evaporação. Componentes mineralógicos das frações argila e areia As frações argila das TPIs de terra firme apresentaram composições mineralógicas semelhantes. (2006)..90 g kg-1. a estabilidade do C orgânico é menor.J. 1996).. 2001. não obteve-se material suficiente para análise. de modo geral. As frações argila e areia foram separadas conforme Embrapa (1997) para análise por difração de raios X (DRX). Por outro lado. sobretudo espinhas de peixes. os teores desse elemento nos solos de terra firme da Amazônia brasileira são inferiores a 5 mg kg-1 (Rodrigues. em relação aos solos adjacentes. Os teores de C orgânico total (COT) variaram de 0. a matéria orgânica das TPIs pode ser seis vezes mais estável que a de solos não antrópicos. De modo geral. Os teores mais elevados desses elementos foram observados nos horizontes antrópicos do sítio Lago do Limão. 35:673-681. é outro atributo comum nas TPIs. argilas silicatadas 2:1. Batista e Pilão). 2011 . R.7/[ % Al2O3 + ( %Fe2O3 x 0. não diferem dos observados por Lima (2001). com valores de pH em água variando entre 5.23 a 25. evidenciando predomínio de carga superficial líquida negativa em todos os perfis estudados (Quadro 1). Os teores mais elevados foram observados nos horizontes antrópicos das TPIs da terra firme (Quadro 1). diluição com água destilada e filtragem. de acordo com Glaser et al. de resíduos orgânicos ricos em P. Kampf & Kern. Amostras de 1 g de TFSA foram solubilizadas por 20 mL de solução H2SO4: H2O 1:1 aquecidas e fervidas por 30 min. P2O5 e SiO2). Ca2+ e Mg2+. De modo geral. extraída com acetato de Ca 0. (2006) e Lima et al. 2001). Lima. enquanto os menores valores foram encontrados nas camadas superficiais do Neossolo Flúvico. O resíduo foi solubilizado com solução de NaOH para dosagem do Si (Embrapa. 1980). Os solos dos sítios Comunidade S. e as relações moleculares Ki e Kr. Os teores mais elevados de COT das TPIs são atribuídos ao acúmulo de material orgânico (Kern & Kämpf. além da caulinita. aos resíduos de queimadas (Smith. em alguns casos. foram isoladas frações com ímã de mão e analisadas em lupa binocular e por DRX. podendo ser utilizados para diferenciá-las dos solos adjacentes (Pabst. Os teores de Na e K são baixos em todos os perfis analisados.. especialmente nos horizontes antrópicos.0 e quantificada por titulometria com solução NaOH 0. seguindo-se resfriamento. Fe e P. têm sido considerados um dos atributos típicos das TPIs. a elevada fertilidade desses solos está relacionada ao teor de matéria orgânica e à sua elevada reatividade (Cunha et al. medida por meio do pH em água. com anodo de Cu.5 mol L-1 a pH 7. 1996. No filtrado. Os valores de Ca2+ variaram de 3. por populações pré-colombianas. Adicionalmente. RESULTADOS E DISCUSSÃO Caracterização química A acidez ativa do solo. com predomínio de caulinita. Na TPI da várzea do rio Solimões. revelou acidez moderada na maioria das amostras analisadas. Os resultados encontrados neste estudo. respectivamente. Lehmann et al. 1991. Os teores dos elementos foram convertidos para a forma de óxidos (Al2O3. esses solos adjacentes apresentam teores de C orgânico no horizonte A inferiores a 30 g kg-1 (Rodrigues. principalmente. Na e K extraídos por Mehlich1 e quantificados. teores elevados de COT. ossos de mamíferos e quelônios e. sendo esse carvão de origem pirogênica (Glaser et al. Fe2O3. (2000). P. por colorimetria e fotometria de chama. Os teores de Ca2+ e P foram muito elevados. enquanto os teores de P variaram entre 23 e 955 mg kg-1. os valores de pH em KCl foram inferiores aos de pH em água.025 mol L-1. Lima.64)]. como revelaram os teores de P nos horizontes não antrópicos. sítio Lauro Sodré (Quadro 1). por oxidação via úmida. Os teores elevados de P nas TPIs são resultantes da incorporação. O menor teor observado no sítio Lauro Sodré pode ser atribuído à sua posição na paisagem (várzea alta) e à natureza dos sedimentos minerais recentes. além de mica/ ilita. Lima et al. em intervalo de varredura entre 3 e 60 02θ. ossos humanos. Solo. De acordo com Pabst (1991). Adicionalmente. Na fração areia das TPIs de terra firme constatou-se a presença exclusiva de quartzo (Figura 3).676 Francisco Weliton Rocha Silva et al. 2005). possivelmente. acidez potencial (H+Al). gibbsita e anatásio. Ci. de duas amostras (TFSA) coletadas em horizontes antrópicos (sítios Comunidade S.7/ % Al2O3 e Kr = %SiO2 x 1. conforme os critérios de avaliação descritos em Embrapa (2006). Por sua vez. 1997). A ocorrência de carvão vegetal. Foram observados também goethita. Os procedimentos metodológicos utilizados estão descritos em Embrapa (1999).1 e 6. Por serem solos mais arenosos. Batista e Lauro Sodré apresentam os menores teores de COT. Nas demais amostras.0 cmolc kg-1. calculadas mediante as expressões: Ki = % SiO2 x 1. 1989) e.

indicando a mesma origem. (2006) também observaram a ocorrência de maghemita em TPI e em fragmentos de cerâmicas encontradas em sítios arqueológicos com TPI. R. (2006) observaram que maghemita e hematita encontradas em cerâmica e no solo apresentaram características cristalinas semelhantes. a presença desse mineral explica o magnetismo mostrado por cerâmicas. Solo. Ci. (2004). Por sua vez. Costa et al. Esses resultados evidenciam que as ações antrópicas promoveram alterações químicas. A presença de hematita no material magnético (Figura 4) indica que esse mineral está associado à maghemita. ou também originada de queimadas frequentes que eram feitas nesse ambiente.. 2011 . Portanto.. De acordo com Costa et al. principalmente na cor (terras pretas). Ainda segundo esses autores. é provável que a maghemita observada seja resultante da degradação da cerâmica. Sérgio et al. a provável rota de origem da maghemita em horizontes antrópicos está relacionada à exposição desses compostos a elevadas temperaturas. Bras. mineral não observado em solos não antrópicos adjacentes (Figura 4). 35:673-681. morfológicas. Características químicas dos solos estudados A análise mineralógica dos concentrados magnéticos de duas amostras de TPI revelaram principalmente a presença de maghemita. (2004) e Sérgio et al. 677 Quadro 1.CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA E MINERALOGIA DE SOLOS ANTRÓPICOS (TERRAS PRETAS. provavelmente revestindo os agregados. e também pequenas modificações na composição mineralógica dos solos estudados.

L.88. Na TPI.. Mc/Il: mica/ilita).P. 2006). Batista-C.P. e Sítio Ena-S. e Sítio Ena-S.3 g kg -1 . Comunidade S.678 Francisco Weliton Rocha Silva et al. At: anortita). J. Gb: gibbsita. indicando tratar- Figura 4.) e Sítio Pilão (S. Solo.. Qz: quartzo. os teores de Fe 2 O 3 variaram entre 42.L.). Sítio Lago do Limão-S. se de solos dominados por compostos de natureza secundária e grau elevado de intemperismo.E. (An: anatásio.J.P. Ataque sulfúrico De acordo com os resultados (Quadro 2). J. Sítio Pilão-S.J.C.S. J.9 e 99. Difratograma de raios X da fração areia de cinco solos com a presença de horizonte A antrópico (Terra Preta de Índio) na Amazônia Central. Não foram observadas diferenças expressivas nos teores de Fe2 O 3 em profundidade nos diferentes solos avaliados. Difratograma de raios X da fração magnética do solo do Sítio Comunidade S.. em área de várzea (sítio Lauro Sodré). Esses valores estão dentro do que é normalmente observado nos solos amazônicos.. o Ki foi mais R. Batista-C. (Qz: quartzo. considerados relativamente baixos. Os menores valores foram observados nos solos de terra firme. Qz: quartzo. Comunidade S. Ci. Mh: maghemita. Difratograma de raios X da fração argila de cinco solos com a presença de horizonte A antrópico (Terra Preta de Índio) na Amazônia Central.L. Assim. A relação Si/Al ou índice Ki dos solos avaliados variou de 1. Ct: caulinita.L.31 a 2. Sítio Lauro Sodré-S.S. Hm: hematita. Batista (S.S. Bras.B. cinco dos solos avaliados foram classificados como hipoférricos. tanto nos solos da terra firme quanto no solo da planície aluvial (várzea). Sítio Pilão-S. Gt: goethita. Figura 3. Sítio Lago do Limão-S.. 2011 . enquanto o solo do sítio Lago do Limão.S.L.B. Figura 2.E. Sítio Lauro Sodré-S. com teor de Fe2O3 superior a 80 g kg-1.B.S.J. 35:673-681.L. foi classificado como mesoférico (Embrapa.

e o menor (3. à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas. Ca2+. elevado (Quadro 2). ao Dr. quando comparados aos dos solos antrópicos mais bem desenvolvidos e profundos da terra firme. Vale ressaltar que o teor mais elevado nessa profundidade deve-se ao fato de. o Au estar enterrado. entre 110 e 120 cm de profundidade. Mota et al.. conforme observado pelos elevados teores de P disponível. os solos das áreas de várzea possuem maior variedade de minerais e grau incipiente de pedogênese. 2. na várzea. Solo. Os horizontes antrópicos apresentaram pequenas diferenças na composição mineralógica em relação aos não antrópicos nas áreas de terra firme. R. De acordo com Lima (2001). e ao Carlos Augusto da Silva (Museu Amazônico). decorrentes das características do ambiente. o mais elevado foi observado no Au superficial do sítio Lago do Limão.910 mg kg-1). CONCLUSÕES 1. de silício e fósforo extraídos pelo ataque sulfúrico e índices Ki e Kr de horizontes selecionados (antrópico e não antrópico) dos solos avaliados *: horizonte antrópico. Os teores totais de P foram elevados em todos os horizontes antrópicos. com valores de P2O5 variando de 860 a 8.CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA E MINERALOGIA DE SOLOS ANTRÓPICOS (TERRAS PRETAS. 35:673-681. ao Projeto Piatam/PETROBRAS. sendo um indicador de atividade humana nos ambientes estudados. Os valores elevados de P 2 O 5 nas TPIs são considerados indicativos de atividade antrópica.. Ci. indicando a influência do horizonte antrópico sobre os horizontes não antrópicos desses solos. 3. o que foi confirmado pela DRX (Figura 2). Os teores totais de P são elevados nas TPIs. indicando a presença de material pouco intemperizado e menor grau de pedogênese nesse ambiente. Eduardo Neves (USP). As ações humanas promoveram modificações nas características químicas dos horizontes antrópicos. no horizonte subsuperficial não antrópico do sítio Pilão. Bras. os valores de P2O5 variaram de 940 a 8. 2011 . constituindo uma caraterística típica marcante dos horizontes antrópicos. na profundidade de 140 a 160 cm.840 mg kg-1 nas profundidades avaliadas (Quadro 2). 4. nesse ambiente. de alumínio. somente o teor de P apresentou diferença em relação aos horizontes não antrópicos. destacadamente nos sítios de terra firme. O valor mais elevado desse elemento foi observado no horizonte antrópico (Au) em área de várzea (sítio Lauro Sodré). AGRADECIMENTOS À Universidade Federal do Amazonas. Os valores elevados de Ki do horizonte antrópico em área de várzea sugerem menor grau de pedogênese. notadamente pela presença de maghemita.340 mg kg-1. Nos solos arqueológicos da terra firme. 679 Quadro 2. (2007) relatam que valores de Ki >2 indicam presença de minerais do tipo 2:1. independentemente do ecossistema em que se encontram. solo menos desenvolvido e mais novo quando comparado aos mais bem drenados e profundos da terra firme. Entretanto. com elevação do lençol freático e renovação anual pelo aporte de sedimentos. ou seja. K+ e Mg2+. Óxidos de ferro.

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