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CENTRO EVANGÉLICO DE EDUCAÇÃO E CULTURA

DISCIPLINA HOMILÉTICA

MÁRCIO BATISTA

HISTÓRIA CRONOLÓGICA DA HOMILÉTICA A


PARTIR DE CRISTO – HOMILÉTICA – 2009

JOINVILLE
2009
2

MÁRCIO BATISTA

HISTÓRIA CRONOLÓGICA DA HOMILÉTICA A


PARTIR DE CRISTO – HOMILÉTICA – 2009

Trabalho Acadêmico apresentado à


disciplina Homilética do Centro Evangélico
de Educação e Cultura, que trata sobre a
história da Homilética desde o tempo de
Cristo até os dias de hoje, neste módulo da
disciplina Homilética.
Avaliador: Prof. Esdras Carvalho

JOINVILLE
2009
3

Márcio Batista

HISTÓRIA CRONOLÓGICA DA HOMILÉTICA A PARTIR DE CRISTO


– HOMILÉTICA – 2009

Trabalho Acadêmico apresentado à disciplina Homilética do Centro Evangélico de Educação e


Cultura, para nota neste módulo da disciplina Homilética.

Entregue em 15 de abril de 2009.

AVALIADOR

________________________________________
Prof. Esdras Carvalho
CEEDUC
Avaliador

JOINVILLE
2009
4

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 5

2 O QUE É HOMILÉTICA...................................................................................... 6

3 INÍCIO DA HOMILÉTICA.................................................................................... 6

4 HOMILÉTICA DESDE JESUS............................................................................ 7

4.1 JESUS O GRANDE ORADOR.................................................................... 7

4.2 SÉCULO I, A PREGAÇÃO NA IGREJA PRIMITIVA................................... 8

4.3 SÉCULO II..................................................................................................... 9

4.4 SÉCULO III, APOLOGISTAS E POLEMISTAS............................................ 10

4.5 SÉCULO IV, ERA DOURADA DO ESTUDO BÍBLICO CIENTÍFICO........... 11

4.6 SÉCULO V.....................................................................................................12

4.7 SÉCULO VI....................................................................................................13

4.8 OS REFORMADORES.................................................................................. 16

4.9 OS PURITANOS E OS EVANGÉLICOS....................................................... 18

5 DAVID LIVINGSTONE – O PREGADOR DO SÉCULO XIX...............................23

6 BILLY GRAHAM – O PREGADOR DO SÉCULO XX.........................................25

7 CONCLUSÃO .................................................................................................... 28

8 REFERÊNCIAS .................................................................................................. 29
5

1 INTRODUÇÃO

Neste trabalho acadêmico, iremos aprender a origem da


homilética desde os tempos de Jesus até a atualidade. Vamos conhecer o
significado da palavra homilética como também o termo. Vamos discorrer sobre o
surgimento da homilética antes de Cristo em rápidas palavras e depois abordar
desde Jesus Cristo, o maior orador da história até os dias de hoje.

A pregação nada mais é do que cumprir o Ide de Jesus, claro


que os profetas já pregavam antes do nascimento de Jesus. Os profetas recebiam a
mensagem de Deus e transmitiam ao povo seja verbalmente (Elias, Eliseu) e escrita
(Jeremias, Isaías), eis a razão de termos hoje muitas profecias registradas no velho
testamento.

Atualmente temos grandes pregadores que exercem a retórica,


técnicas de oratória, argumentação e debate. Além do conhecimento bíblico que as
faculdades de teologia oferecem dá para acompanhar pregadores que pregam o
genuíno evangelho, embora muitos que trocam o púlpito por ofertas estrambóticas.
Muitos através dos recursos da oratória e persuasão, fazem o público chorar, rir,
emocionar-se com histórias comoventes, que muitas vezes não passam de uma
criação e imaginação feita em um papel de bar, regado com um bom vinho tinto. E
os púlpitos? Ao ler preparar este trabalho, vimos que chegou um tempo na idade
média até 1.100 d.C., foi necessário uma reforma, muitas cabeças rolaram e muitos
foram queimados, será que hoje não seria necessário uma reforma?
6

2 O QUE É HOMILÉTICA

Homilética é a disciplina teológica que busca compreender o


propósito e o processo da preparação e apresentação de sermões. Segundo o
Dicionário de Teologia, “a homilética busca entender e integrar os papéis do
pregador, da mensagem e do público. Também busca ajudar o pregador a se
preparar espiritualmente para a pregação, a desenvolver sermões fiéis a Palavra de
Deus e apresenta-los de forma culturalmente aplicável1”. Já para o dicionário
Priberam da língua portuguesa, homilética é a “teoria da eloqüência do púlpito2”. O
dicionário Aurélio define como a “arte de pregar sermões religiosos3”.
O termo homilética, segundo Hanz Ulrich Reifler4, deriva do
substantivo grego "homilia", que significa literalmente "associação", "companhia", e
do verbo homileo, que significa "falar", "conversar".

3 INÍCIO DA HOMILÉTICA

Para contar a história da homilética, não podemos deixar de


falar do início da homilética. Segundo o pastor Severino Pedro da Silva, “a homilética
surgiu na Mesopotâmia há mais de 3 mil anos a.C.; para auxiliar a necessidade que
os sacerdotes tinham de prestar contas dos recebimentos e gastos das corporações
a que pertenciam e faziam suas prédicas em defesa da existência miraculosa dos
deuses do paganismo. Eles agiam desta forma para preservar a necessidade de sua
existência enquanto sacerdotes e mediadores entre os mortais e as divindades
imortais5”.
Foi mais ou menos no século 4 a 2 a.C., segundo Hanz Ulrich
Reilfer, que “os gregos Córax, Sócrates, Platão e Aristóteles desenvolveram a
retórica6”.

1
GRENZ, Stanley J. GURETZKI, David. NORDLING, Cherith Fee. Dicionário de Teologia. 3ª Edição. São
Paulo: Editora Vida, 2002.
2
“homilética”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2009. Disponível em:
<http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx?pal=homilética> Acesso em 11 abril 2009.
3
“homilética”, in Dicionário Aurélio Eletrônico, Século XXI, versão 3.0. São Paulo: Editora Nova Fronteira,
1999.
4
REIFLER, Hanz Ulrich. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Vida Nova, 2007.
5
SILVA, Severino Pedro da. Homilética: o pregador e o sermão. Rio de Janeiro: CPAD, 1992.
6
REIFLER, Hanz Ulrich. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Vida Nova, 2007.
7

As técnicas, os termos designativos e a sistematização da


homilética nasceram através dos gregos e era chamada de retórica. Os gregos eram
conhecidos como grandes mestres da comunicação verbal através da retórica.
No século 1 a.C., o romano Cícero contribuiu para aperfeiçoar
a retórica dos gregos.

4 HOMILÉTICA DESDE JESUS

Então, os romanos passaram a chamar de oratória, e a partir


do século IV d.C. que tanto a oratória como a retórica tornou-se sinônimos.

4.1 JESUS, O GRANDE ORADOR

Jesus Cristo foi um grande orador, Ele sabia onde, como, qual
era o melhor local e momento para levar a Sua mensagem. Jesus citava frases de
efeito, como Mt 5.13, “vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há
de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos
homens”. Ele levava as pessoas que O ouviam a um foco, Mt 6.28, “e, quanto ao
vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles
crescem; não trabalham nem fiam”. Jesus também através da oratória usava
metáforas e figuras de linguagem, Jo 11.11, “assim falou; e depois disse-lhes:
Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono”. Jesus utilizava muito
em suas parábolas, ilustrações para transmitir o que queria, Mt 13.3, “e falou-lhe de
muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear”. Algo que
nos chama a atenção, que Jesus conhecendo a natureza, Ele utiliza dela para
transmitir a Sua mensagem. Quando Jesus estava sentado a praia, conforme
descrito Mt 13.1-2, “tendo Jesus saído de casa, naquele dia, estava assentado junto
ao mar; e ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se
assentou; e toda a multidão estava em pé na praia7”. Jesus ao ver a grande multidão
que se aproximava dEle para ouvir suas palavras, Jesus entendeu e sabia que se
subir em um barco, com a ajuda do vento que vinha do mar, sua voz poderia melhor
se propagar e assim fez, e todos puderam ouvir as parábolas ali proferidas. Jesus foi

7
“Mateus 13.1-2”, in Bíbliaweb, 2009. Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (TBS). Disponível em:
<http://www.bibliaweb.com.br/?livro=40&cap=13> Acesso em 13 abril 2009.
8

realmente um grande orador. Sem dúvida os seus seguidores, os discípulos, não


deixara a desejar, desenvolveram a arte de pregar, inclusive com a ação do Espírito
Santo, o que veremos a seguir.

4.2 SÉCULO I, A PREGAÇÃO NA IGREJA PRIMITIVA

No livro de atos, que significa, atos da Igreja Primitiva, vimos a


atuação forte dos pais da igreja, os apóstolos que com ênfase, coragem e iniciativa
falavam as Boas Novas aos ouvintes tanto em Jerusalém como nas regiões onde
foram, devido as perseguições atribuídas aos primeiros cristãos. A prioridade era a
pregação, conforme descrito em At 6. Vimos o apóstolo Pedro determinado após ao
batismo no Espírito Santo apregoar o Evangelho ao povo que estava para
comemorar a Festa do Pentecostes, onde milhares, através da prédica de Pedro,
aceitaram a Jesus como Salvador. Houve uma explosão da Igreja neste período
devido ao poder do Espírito Santo na vida dos apóstolos e dos primeiros crentes.
Não foi só Pedro que se destacou entre os discípulos de Jesus, mas lembramos de
Felipe, pregava o Evangelho com muita virtude que muitos foram também
alcançados por Jesus, conforme lemos em At. 8.12, “mas, como cressem em Filipe,
que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se
batizavam, tanto homens como mulheres8”. Também foi impelido pelo espírito Santo
para pregar em uma carruagem que levava um homem etíope, eunuco, mordomo-
mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus
tesouros, que tinha ido a Jerusalém para adoração, no caminho de volta, lia o
profeta Isaías, e Filipe lhe disse uma frase memorável: “Entendes tu o que lês?”.
Felipe lhe pregou a Jesus e o Etíope aceitou a Jesus como Senhor e Salvador, e
como prova de sua conversão genuína a uma pregação eficaz, disse a Filipe: “Eis
aqui água; que impede que eu seja batizado?” (At. 8.36). Lembramos também de um
apóstolo que pregou, usou a retórica com exatidão, usando das oportunidades e
momentos, o homem que ‘caiu do cavalo’. (At. 9.4).
O apóstolo Paulo, o grande missionário que faz três viagens e
nos dá um exemplo de coragem, dedicação e sábio. Segundo Earle E. Cairns, o
apóstolo “Paulo era um missionário ao mesmo tempo sábio e dedicado. Sua vida

8
“Atos 8.12”, in Bíbliaweb, 2009. Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (TBS). Disponível em:
<http://www.bibliaweb.com.br/?livro=44&cap=8> Acesso em 13 abril 2009.
9

ilustra o suo de princípios que têm servido muito bem à Igreja no cumprimento da
grande comissão9”. O apóstolo Paulo sabia que as regiões onde visitava era
estrategicamente posicionadas para a expansão do Evangelho naquelas regiões. A
sua pregação eram feitas muitas vezes “nas sinagogas, onde pregava sua
mensagem enquanto fosse bem recebido10”. Seu objetivo era pregar aos gentios
onde achava adequado, por exemplo em At 17.23, vimos Paulo falando aos
Atenienses no Areópago sobre o altar ao Deus Desconhecido, que julgou ser o altar
ao Deus que ele pregava, sua pregação convenceu alguns atenienses que
receberam Jesus como Salvador, conforme At 17.34, “todavia, chegando alguns
homens a ele, creram; entre os quais foi Dionísio, areopagita, uma mulher por nome
Dâmaris, e com eles outros”. Algo nos chama a atenção na vida de Paulo também
que ele mantinha contato com as Igrejas onde visitou, ou até mesmo onde foram
fundadas e que precisavam de sua mensagem motivadora, exortativa ou de
edificação.
Durante três séculos o evangelho foi anunciado desta maneira,
pregação genuína e utilizando a teologia ética, chegando a alcançar o Império
Romano.

4.3 SÉCULO II

Tanto as cartas de Paulo, João, Pedro, Tiago, Judas, entre


outras que não foram canonizadas na Bíblia Sagrada, foram mensagens pregadas
para atingir a Igreja e seguidores de Jesus. Estas mensagens pregadas até o dia de
hoje são lidas e interpretadas pelos pregadores atuais, muitas das vezes não é
necessário nem interpretá-las, somente lê-la na leitura inicial de um culto ao Senhor
em nossa comunidade, causa já um grande efeito espiritual em muitos corações.
Muitos outros seguidores de Jesus na Igreja Primitiva escreviam suas cartas, como
por exemplo, Justino Martir.
Segundo John Stott, Justino escreveu ao Imperador no século
II defendendo o cristianismo, pois várias acusações foram levantadas contra os
primitivos da fé cristã, e Justino argumentou “que essa fé é a verdade porque Cristo
que morreu e ressuscitou era a encarnação da verdade e o Salvador da

9
CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova, 2008.
10
CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova, 2008.
10

humanidade11”. Justino utilizou a combinação entre a Palavra e o sacramento ao


apresentar ao Imperador, em sua carta, um relato do “culto semanal dos cristãos”. A
seguir, no capítulo 4.4, vamos conhecer os apologistas, que com sua mensagem,
defendiam a sua fé genuína em Cristo Jesus e as doutrinas ensinadas pelos
apóstolos.

4.4 SÉCULO III, APOLOGISTAS E POLEMISTAS

Destacamos como um apologista, Tertuliano, o pai latino que


escreveu Apologia seguindo a mesma defesa feita por Justino, devido às acusações
impostas pelos perseguidores da Igreja. Segundo Stott, Tertuliano “escreveu a
respeito das ‘peculiaridades da sociedade cristã’, enfatizou o amor e a união que os
mantinham juntos, e passou, então, a descrever as suas reuniões12”.
Após Tertuliano, conhecemos o bispo de Lyon, Irineu, há
registros que ele enalteceu a responsabilidade dos presbíteros na igreja com relação
aos ensinamentos dos apóstolos. Segundo as pesquisas do professor Carlos
Fernandes, da Universidade Federal de Campina Grande, Do século II, “Irineu (115-
203 d.C.) foi o escritor cristão mais importante, dos escritos de Irineu, restaram
apenas os cinco livros ‘Contra os hereges’, que ao ler estes livros pode-se notar que
Irineu foi um teólogo equilibrado e um dos pastores mais completos que serviram a
Igreja de seu tempo13”. Assim como o apóstolo Paulo, Irineu lutou contra as heresias
dos gnósticos e preservou a fé dos cristãos.
Cerca de 270 d.C., vem Eusébio, bispo de Cesaréia (270-340
d.C.). Em um de seus escritos, ele conta a perseguição dos cristãos sob Valeriano
que ocorreu entre 258 a 260 d.C., que aconteceu antes dele e os eventos seguintes,
como contemporâneos de sua época. Segundo o livro História Eclesiástica, Eusébio
acompanhou os martírios em Tiro e na Tebaida no Egito, também foi preso, mas foi
acusado de apostasia. A formação teológica de Eusébio foi com base no estudo da
obra de Orígenes. “Durante os debates contra o arianismo, Eusébio foi um dos
principais defensores de uma posição mediadora, que procurava manter unificada a
indefinição dogmática dos primeiros pais da Igreja. Para a dogmática posterior ele é

11
STOTT, John. Eu creio na pregação. São Paulo: Editora Vida, 1982.
12
STOTT, John. Eu creio na pregação. São Paulo: Editora Vida, 1982.
13
“Irineu de Lião, santo”, in Só Biografias, 2009. Universidade Federal de Campina GRande. Disponível em:
<http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/IrineuSt.html> Acesso em 13 abril 2009.
11

suspeito de ser semi-ariano, o que pode ter sido a causa do rápido desaparecimento
de muitos de seus escritos14”. Eusébio escreveu mais de 120 livros e a maioria dos
quais foram perdidos. Alguns escritos são conhecidos apenas por traduções, hoje,
dos originais restam nada mais do que fragmentos. A seguir, vamos estudar a era
dourada da Igreja Cristã, pois os pregadores, bispos, presbíteros, aprofundam seus
conhecimentos na teologia, estudo científico da Palavra de Deus.

4.5 SÉCULO IV, ERA DOURADA DO ESTUDO BÍBLICO CIENTÍFICO

Este foi um grande momento para a Igreja Cristã, porque ela


entrou para o estudo da palavra com mais profundidade, é nesta época, (325-460
d.C.), que aparece o pregador Crisóstomo que prega sobre a conduta cristã;
Teodoro que trata sobre o uso do contexto; Atanásio, que foi aclamado a ‘coluna da
Igreja’, foi considerado como um modelo de ortodoxia. Segundo a biografia de
Atanásio no site da Mitra da Diocese de Novo Hamburgo, através da vida de
Atanásio, “aprendemos que quem vai para Deus, não se afasta dos homens, mas se
faz realmente próximo a eles15”.
Foi somente a partir do século IV d.C., devido ao estudo bíblico
científico, foi que os pregadores cristãos passaram a utilizar mecanismos na
preparação de suas mensagens, com base no conhecimento da retórica grega e na
oratória romana. Por exemplo, os filósofos neoplatônicos, convertidos ao
Cristianismo, Orígenes, Agostinho e Ambrósio, já utilizavam as teorias gregas e
romanas no preparo de suas mensagens.
Lembramos também de Basílio de Cesaréia foi teólogo e
escritor cristão. Dedicou-se também na área da homilética e sermões com intenção
prática. “Sua exegese é literal e a homilética é determinada pelos textos das
Escrituras16”.
Segundo Hanz Ulrich Reifler, “as primeiras teorias homiléticas
encontram-se nos escritos de Crisóstomo (345-407 a.C), o mais famoso pregador da
igreja primitiva”. Segundo Reifler, “a primeira homilética foi escrita por Agostinho, em

14
CESARÉIA, Eusébio de. História Eclesiástica. São Paulo: Novo Século, 2002.
15
“O Fiel Atanásio de Alexandria”, in Mitra da Diocese de Novo Hamburgo, 2009. Disponível em:
<http://www.mitranh.org.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=354&Itemid=38> Acesso em
13 abril 2009.
12

De Doctrina Christiana. Agostinho dividiu-a em de inveniente (como chegar ao


assunto) e de proferendo (como explicar o assunto)17”. Esta divisão feita por
Agostinho, hoje corresponde às homiléticas material e formal.
Segundo John Stott, João Crisóstomo “pregou por doze anos
na Catedral em Antioquia antes de se tornar bispo em Constantinopla em 398 d.C.
Numa exposição de Efésios 6.13”, Crisóstomo “expressou suas convicções a
respeito da importância incomparável da pregação18”. Ele disse que o ensino da
palavra é o melhor dos instrumentos, a melhor dieta, o remédio, o único método a
ser utilizado e que causa grande efeito na vida do homem. Crisóstomo foi conhecido
como a ‘boca de ouro’, porque foi considerado o melhor orador de púlpito da igreja
grega. No próximo capítulo, 4.6 Século V, vamos conhecer um bispo que escreveu
e pregou uma série de sermões ‘organizados’, divididos por ocasiões e seguindo a
liturgia da Igreja.

4.6 SÉCULO V

João Crisóstomo preparou seu sucessor que foi Cirilo de


Alexandria em 15 de outubro de 412. Segundo Huber Sigfrido, Cirilo escreveu várias
obras, entre elas, escreveu “uma apologia contra Juliano o Apóstata; um livro sobre
a Trindade; memoriais sobre a reta fé, contra o patriarca de Constantinopla; outras
publicações contra a doutrina de Nestório; uma grande série de obras exegéticas;
homilias e cartas19”.
Outro nome neste século é Leão Magno que viveu na região de
Roma. Ele foi bispo em Roma da Igreja, sua obra literária é composta de atos oficiais
de seu cargo, correspondências e pregações. Leão Magno foi o primeiro bispo a
deixar escrito uma série de sermões que em sua maioria se relacionam com o ano
litúrgico da Igreja como: natal, epifania, quaresma, páscoa e etc. Os sermões de

16
“Basílio de Cesaréia”, in Disciplina Patrística do Curso de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo,
Iº Semestre de 2004. Disponível em: <http://existencialismo.sites.uol.com.br/patristica/basilio.htm> Acesso em
13 abril 2009.
17
REIFLER, Hanz Ulrich. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Vida Nova, 2007.
18
STOTT, John. Eu creio na pregação. São Paulo: Editora Vida, 1982.
19
SIGFRIDO, Huber. Los santos padres – sinopsis desde los tiempos apostólicos hasta el siglo sexto. Tomo I..
Buenos Aires: Ediciones Desclée de Brouwer y cia, 1946.
13

Magno não exibem improvisações, são cuidadosamente preparados antes de


chegarem ao público20.

4.7 SÉCULO VI

A pregação nesta época, tornou-se não genuína, devido que a


Igreja passou a aceitar todo tipo de gente, pagã, bárbaros na adoração à imagens e
etc. No Século VI a igreja entra em um estado tão difícil que é comparada a Igreja de
Tiatira (Ap 2.18), que segundo A. Knight & W. Anglin, devido ao papismo e a
monastia na Igreja, levou aos séculos das trevas, levou também a Igreja a reforma
no tempo de Lutero, sem dúvida que o romanismo vai continuar até a vinda de
Cristo. “Nessa época as trevas aumentaram sempre, mas também entre os
verdadeiros crentes aumentou a devoção; foi uma época muito solene da história do
cristianismo”. Knight & Anglin dizem ainda que após a morte de Constantino em 327
d.C., os bispos pediram ao novo imperador o direito de representar a Igreja Cristã no
mundo. “O primeiro passo dos bispos de Roma foi apresentarem ousadamente os
seus direitos ao governo universal na igreja, como sucessores de Pedro21”. Os
bispos mantinham sob sua autoridade todas as instituições em todas as regiões, até
o fim do século VII. “Os monges, apesar da grande fama de que gozavam e de se
estarem tornando muito ricos, eram apenas considerados como leigos pela igreja”.
Através da união com o Estado e Igreja provocou a secularização da Igreja,
tornando-se um departamento do Estado. Para aceitar o afluxo de bárbaros, dos
pagãos, cristãos nominais e aumento do poder episcopal provocaram diversas
mudanças na liturgia da igreja e sem dúvida no tipo de mensagem. Foi nesta época
que o “domingo passou a fazer parte do calendário eclesiástico22”. Neste período
houve muitas controvérsias doutrinárias, por exemplo, batismo de crianças,
veneração a mãe de Jesus como a “mãe de Deus”, culto a imagens de escultura,
penitências entre outras coisas.
Porém os escritos dos autores de inclinação mais científica,
foram a conseqüência natural das disputas teológicas. Segundo Hanz Ulrich Reifler,
“a Idade Média não foi além de Agostinho, mas produziu coletâneas famosas de

20
ALVES, Carlos. Leão Magno. In Disciplina Patrística do Curso de Teologia da Universidade Metodista de
São Paulo, Iº Semestre de 2004. Disponível em:
<http://existencialismo.sites.uol.com.br/patristica/leaomagno.htm> Acesso em 13 abril 2009.
21
KNIGHT, A.E. [e] ANGLIN, W. História do cristianismo. 2ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983.
14

sermões, atualmente publicadas em forma de livros devocionais23”. Agostinho


acreditava que a vitória do pregador consistia em levar o ouvinte a agir. A pregação
atraente devia ser temperada de sã doutrina e gravidade. Mas Agostinho não estava
sozinho, outros nomes podem ser citados neste período cinzento para a Igreja.
Carlos Magno (768-814), nas suas campanhas levava
missionários e pregadores, levando à conversão forçada ao catolicismo, como
aconteceu por exemplo aqui no Brasil em 1.500 com os portugueses e Jesuítas, que
catequizavam à força os indígenas brasileiros, assim também os missionários e
pregadores forçavam ao cristianismo os povos conquistados, massacrando os que
se recusavam a se converter. O que vimos, foi uma cruzada a favor da Igreja nas
guerras de Carlos Magno. Sem dúvida, ele ganhou confiança junta a Igreja Católica
Romana que em 800 d.C., foi recompensado pela Igreja, ao receber a coroa de
imperador Romano do Ocidente24. Segundo Hanz Ulrich Reifler, os missionários e
pregadores que acompanhavam Carlos Magno, pregavam “na língua do povo e não
exclusivamente em latim25”.
Na Idade Média um outro homem que se destacou foi o latino
Bernardo de Clavaral, que nasceu em 1090 e morreu em 1153. Sua pregação era
concreta e firme, devido a sua fé inabalável em Cristo e tinha um espírito combativo
e persistente naquilo em que acreditava26. Bernardo nos deixou uma numerosa obra
escrita, como cartas, sermões, comentários, obras de espiritualidade, de moral e
teologia. Ele disse certa vez: “Nada está mais alto do que Deus, e nada está mais
baixo do que o lodo de que o homem foi formado27”. Não vamos nos ater muito
neste período em diante, pois a igreja passa por diversas situações, segundo Knight
& Anglin, as situações28:
a. Ambição de Hildebrando
b. Contenda entre Gregório e Henrique IV
c. Excomunhão de Henrique
d. Vingança de Henrique

22
CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova, 2008.
23
REIFLER, Hanz Ulrich. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Vida Nova, 2007.
24
“A coroação de Carlos Magno (25 de Dezembro de 800)”, in Um olhar sobre a Arte, 16 de Fevereiro de 2009.
Disponível em: <http://umolharsobreaarte.blogs.sapo.pt/10016.html> Acesso em 14 abril 2009.
25
REIFLER, Hanz Ulrich. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Vida Nova, 2007.
26
“São Bernardo”, in Um olhar sobre a Arte, 15 de Fevereiro de 2009. Disponível em:
<http://umolharsobreaarte.blogs.sapo.pt/9798.html> Acesso em 14 abril 2009.
27
OLIVEIRA, Moysés Marinho de. 7.000 ilustrações e pensamentos. Rio de Janeiro: JUERP, 1983.
28
KNIGHT, A.E. [e] ANGLIN, W. História do cristianismo. 2ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983.
15

e. Tempo triste para Roma


f. Morte de Gregório VII
g. Primeira cruzada (1094-1100)
h. Segunda a quarta cruzada (1100-1200)
i. Mártires
j. Quinta a oitava cruzada (1200-1300)
k. Triste condição da cristandade
l. Luxúria do Clero no século XIII
m. Doutrina da transubstanciação
n. Perseguição na Europa e inquisição
o. Inocêncio deu começo à perseguição
p. Influência papal sobre a Reforma (1300-1400)
q. Astúcia e falsidade do papa
r. Princípios da Reforma (1324-1459)
s. Morte de Wycliffe
t. Tempo de mártires
Quando falamos de mártires, no período de 1329-1384 existiu
um homem que ficou conhecido como a ‘estrela da alva’, João Wycliffe. Ele estudou
e ensinou em Oxford a maior parte de sua vida. Mas até 1378 o que ele queria era
reformar a Igreja Romana. Wycliffe pregava a Palavra de Deus com firmeza e
convicção de sua fé. Ele colaborou na tradução da Vulgata para a primeira Bíblia em
Inglês. Segundo John Stott, Wycliffe “era pregador bíblico diligente e, com base nas
Escrituras, atacava o papado, as indulgências, a transubstanciação e as riquezas da
Igreja. Não tinha dúvida que sua missão era pregar29”.
Segundo o Paulo Petrizi, “nos séculos XIV e XV houve um
novo declínio na ênfase da pregação, quando esta deixou de priorizar a população,
dando lugar ao intelectualismo árido do escolasticismo30. Além disso, contribuíram
para isto o período de estabilidade que passava a Igreja Católica, sem as ameaças
hereges. Um novo despertamento viria com o século XVI e a Reforma31”. Após estes

29
STOTT, John. Eu creio na pregação. São Paulo: Editora Vida, 1982.
30
A princípio, tradição acadêmica das escolas medievais. Mais especificamente, porém, método de reflexão
filosófica e teológica esboçado de forma sucinta por Tomás de Aquino. GRENZ, Stanley J. GURETZKI, David.
NORDLING, Cherith Fee. Dicionário de Teologia. São Paulo: Editora Vida, 2002.
31
PETRIZI, Paulo. Prega a palavra. “A contemporaneidade na Pregação Pós-Apostólica”, in Prega a palavra.
Disponível em: <http://www.pregaapalavra.com.br/dissertacao/pos-apostolica.htm> Acesso em 14 abril 2009.
16

anos turbulentos, surge então a reforma, devido a muitos erros que a Igreja tomou
durante a sua história.

4.8 OS REFORMADORES

Um nome que deveria ser sempre lembrado quando se falasse


em reforma, é o nome do reformador João Huss. Ele foi contemporâneo de Wycliffe,
acompanhou de perto os estudos dele. João Huss pregava a palavra de Deus e
traduzia as obras de Wycliffe em Tcheco. Ele propôs reformar a Igreja na Boêmia,
ensinou que o papado não tinha nenhuma autoridade de oferecer a remissão dos
pecados através da venda de indulgências, isto ocorreu em 1403. Suas idéias
provocaram inimizade com o papa, e ele recebeu a ordem de comparecer no
Concílio de Constança com um salvo-conduto do Imperador que não foi respeitado.
Assim como aconteceu a Wycliffe, ele foi condenado morto em uma fogueira. Outro
homem teve infelizmente a mesma sorte, foi Savonarola, que vamos conhecer a
seguir.
Jerônimo Savonarola nasceu em 1452 e morreu em 1498, vivei
apenas 46 anos. Nestes anos em que viveu marcou o seu tempo, ele estudou as
idéias reformistas de John Wycliffe e pregou essa mensagem na Universidade de
Praga. Ele foi chamado de “estrela d’alva da reforma32”, segundo Orlando Boyer, “o
precursor da grande reforma33” de Martinho Lutero. Quando Jerônimo Savonarola
recusou a se retratar, foi também queimado na fogueira como João Huss.
Martinho Lutero (1483-1546) tornou o bíblia sagrada o centro
da pregação. A experiência da torre que ele teve, convenceu-o de que essência do
evangelho é o fato de a justificação se dar somente pelo dom da graça de Deus
recebido por fé (sola gratia; sola fide). A pregação de Lutero era que a graça de
Deus declara o pecador justo por intermédio da morte de Jesus e não por meio de
obras ou méritos humanos. A fé engloba a confiança e aceitação do dom divino da
Salvação por meio dos méritos de Cristo. Lutero também realizou um grande feito, a
tradução da Bíblia para a língua alemã. Se hoje os acadêmicos utilizam
comentários bíblicos versículos por versículos ou algo parecido, é graças a Martinho
Lutero e João Calvino, que expuseram quase todos os livros da bíblia desta forma.
Segundo Hanz Ulrich Reifler, “enquanto Lutero enfatizava o conteúdo da pregação

32
CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova, 2008.
33
BOYER, Orlando. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1993.
17

do evangelho (a justificação pela fé), Melanchthon ressaltava o método e a forma da


pregação34”.
Melanchthon era um humanista convertido a Cristo e
“escreveu, em 1519, a primeira retórica evangélica, seguida de duas publicações
homiléticas, em 1528 e 1535, respectivamente35”. Ele sugeriu, ao fazer um sermão,
enfatizar a unidade, um centro organizador, um pensamento principal para o texto a
ser pregado. Foi através de Melanchthon que “a pregação evangélica deveria incluir:
introdução, tema, disposição, exposição do texto e conclusão36”.
Outro reformador se destaca na Suíça, desta vez, Deus
escolheu um padre de Roma chamado Ülrico Zwínglio (1484-1531). Ele estudou aos
pés do célebre Tomás Wittembach37. Zwínglio ouviu pela primeira vez aos pés deste
homem e um sentimento de admiração, aprendeu que a morte de Cristo era o único
resgate para a sua alma. Segundo Knight & Anglin:

“Quando ele pregava na catedral, reuniam-se milhares


de pessoas para o ouvir; a sua mensagem era nova para
os seus ouvintes, e expunha-a numa linguagem que
todos podiam compreender. Diz-se que a energia e
novidade do seu estilo produziu impressões
indescritíveis, e muitos foram os que obtiveram bênçãos
eternas por meio do Evangelho puro e claro, enquanto
que todos admiraram-se do que ouviam. Era grande a
sua fé no poder da Palavra de Deus para converter as
almas sem explicações humanas. Não quis restringir-se
aos textos destinados às diferentes festividades do ano,
que limitavam, sem necessidade, o conhecimento do
povo com respeito ao livro sagrado e declarou que era
sua intenção começar no evangelho de S. Mateus e
segui-lo capítulo por capítulo, sem os comentários dos
38
homens ”. (KNIGHT & ANGLIN, 1983).

No século XVI destacamos John Knox que nasceu em 1514 e


morreu em 1572, foi o reformador escocês. O que marcou foi sua visão social bem
esclarecida que expressa a defesa da obrigação de cada cristão cuidar dos pobres e

34
REIFLER, Hanz Ulrich. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Vida Nova, 2007.
35
REIFLER, Hanz Ulrich. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Vida Nova, 2007.
36
REIFLER, Hanz Ulrich. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Vida Nova, 2007.
37
Foi um nativo de Bienne, na Suíça. Era um homem que via claramente os erros de Roma, e ao mesmo
tempo não era estranho à importante doutrina de justificação pela fé. KNIGHT, A.E. [e] ANGLIN, W. História
do cristianismo. 2ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983.
38
KNIGHT, A.E. [e] ANGLIN, W. História do cristianismo. 2ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983.
18

que cada igreja sustentaria seus próprios necessitados e administraria escolas de


catequese para todas as crianças, sejam ricas ou pobres39.

4.9 OS PURITANOS E OS EVANGÉLICOS

Os reformadores tiveram seu papel preponderante na


divulgação genuína do Evangelho do Senhor e Salvador Jesus Cristo. Os puritanos
continuaram esta atividade de fazer discípulos e ganhar almas para Jesus, nos
séculos XVI e XVII. Eles eram muitas das vezes ofensivos em sua pregações, mas
eram conhecidos como ‘pregadores piedosos’. Segundo John Stott, “os puritanos
eram pregadores com uma ênfase específica que podiam ser distinguidos de outros
pregadores por aqueles que os escutavam40”. Este movimento, o puritanismo,
buscava purificar a Igreja da Inglaterra após a Reforma Inglesa. Os puritanos
acabaram concentrando-se na purificação dos indivíduos e da sociedade por meio
da reforma da igreja e do Estado de acordo com os princípios bíblicos. Defendiam a
teologia das alianças e tinham a convicção de que as Escrituras estavam
devidamente investidas de autoridade para a conduta do indivíduo e para a
organização da igreja.
Destacamos entre os puritanos, o pregador Richard Baxter
(1615-1691). Ele pregava que Deus escolhe de fato apenas um pequeno número de
pessoas, mas não despreza ou rejeita ninguém para a graça divina. Era conhecido
como o movimento Calvinista moderado. Baxter escreveu em 1650 o escrito mais
famoso seu com o título: “O Descanso Eterno dos Santos41". Segundo Petrizi, neste
século houve uma decadência na igreja, mas os pregadores como Baxter, Bunyan e
Taylor, na Inglaterra, e Bossuet e Fenelon, na França, são exceções desta
decadência no século XVII.
John Bunyan (1628-1688) era filho de pais humildes, nasceu
em Elstow, estado de Bedford, na Inglaterra. João Bunyan quando era jovem levava
uma vida libertina, mas um dia ele aceitou a Jesus como Salvador. Após a sua
conversão, em seu coração ardia o desejo de pregar o Evangelho e começou a faltar
aos cultos de sua igreja, o que era proibido na época. Ao invés de ir a igreja, ele

39
PETRIZI, Paulo. Prega a palavra. “A Contemporaneidade na Pregação dos Reformadores”, in Prega a
palavra. Disponível em: < http://www.pregaapalavra.com.br/dissertacao/reformadores.htm> Acesso em 14 abril
2009.
40
STOTT, John. Eu creio na pregação. São Paulo: Editora Vida, 1982.
41
“Richard Baxter”, In Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Baxter> Acesso em 14 abril 2009.
19

pregava nas praças e por isso foi preso. Ao ouvir sua sentença pelo juiz, “tens de
voltar à prisão onde ficarás por três meses. Se não tornares a freqüentar a tua igreja,
e se não desistires das tuas pregações, serás banido do reino, para onde, voltando
sem licença do rei, serás enforcado42”. Na prisão onde ficou por doze anos,
escreveu o segundo livro mais vendido no mundo, o peregrino – uma pregação
alegórica do cristão que decide servir a Jesus e no final chega a Jerusalém celestial.
“No século XVIII, John e Carl Wesley, juntamente com George
Whitefield, na Inglaterra, que produziram um avivamento centrado na pregação às
multidões43”. Estes foram pregadores sem dúvidas conseguiram através de suas
mensagens impactar os corações de multidões.
Na América do Norte, podemos destacar destaca-se o grande
pregador Jonathan Edwards (1703-1758). O mais famoso sermão foi intitulado:
"Pecadores nas mãos de um Deus irado", pregado na Igreja Congregacional em
Northampton, Massachusetts, em 1741, que os ouvintes se agarravam aos bancos
pensando que iam cair no fogo eterno44. Este foi o seu sermão de despedida do
pastorado daquela igreja, depois de 23 anos de ministério ali. Ele esteve
intimamente envolvido no primeiro Grande Despertamento. É reconhecido pelos
esforços para apresentar uma explicação teológica ao movimento e por dar forma ao
Calvinismo nos Estados Unidos no século XVIII. A sua principal obra filosófica foi:
ele escreveu “A Liberdade da Vontade45”.
No século XIX e XX, podemos destacar alguns nomes: Charles
Finney, Phillips Brooks, John Broadus, Dwight L. Moody, Charles Haddon Spurgeon,
Jimmy Swaggart, Billy Graham e Brian McLaren. Estes são os príncipes do século
XIX e XX. Vamos conhecer Finney, um dos príncipes do século XIX.
Charles Finney nasceu em 1792 e morreu em 1875. Ele nasceu
em uma família descrente e criou-se onde os membros da igreja conheciam apenas
a formalidade fria dos cultos. Tornou-se um advogado que, ao encontrar nos seus
livros de jurisprudência muitas citações da Bíblia, comprou um exemplar com a
intenção de conhecer as Escrituras.

42
“A Prisão de João Bunyan”, in Ministério Cristo Vai Voltar. Disponível em:
<http://br.groups.yahoo.com/group/cristovaivoltar/message/2830> Acesso em 14 abril 2009.
43
PETRIZI, Paulo. Prega a palavra. “A Contemporaneidade na Pregação dos Reformadores”, in Prega a
palavra. Disponível em: < http://www.pregaapalavra.com.br/dissertacao/reformadores.htm> Acesso em 14 abril
2009.
44
BOYER, Orlando. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1993.
45
“Jonathan Edwards (teólogo)”, in Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Jonathan_Edwards_(te%C3%B3logo)> Acesso em 14 abril 2009.
20

“Ao ler a Bíblia, ao assistir às reuniões de oração, e ouvir


os sermões do senhor Galé, percebi que não me achava
pronto a entrar nos céus... Fiquei impressionado
especialmente com o fato de as orações dos crentes,
semana após semana, não serem respondidas. Li na
Bíblia ‘pedi e dar-se-vos-á’. Li, também, que Deus é mais
pronto a dar o Espírito Santo aos que lho pedirem, do
que os pais terrestres a darem boas coisas aos filhos.
Ouvia os crentes pedirem um derramamento do Espírito
Santo e confessarem, depois, que não o receberam.
Exortavam uns aos outros a se despertarem para pedir,
em oração, um derramamento do Espírito de Deus e
afirmavam que assim haveria um avivamento com a
conversão de pecadores... Foi num domingo de 1821
que assentei no coração resolver o problema sobre a
salvação da minha alma e ter paz com Deus. (...) Fui
vencido pela convicção do grande pecado de eu
envergonhar-me se alguém me encontrasse de joelhos
perante Deus, e bradei em alta voz que não abandonaria
o lugar, nem que todos os homens da terra e todos os
demônios do inferno me cercassem. O pecado parecia-
me horrendo, infinito. Fiquei quebrantado até o pó
perante o Senhor. Nessa altura, a seguinte passagem
me iluminou: ‘Então me invocareis, e ireis, e orareis a
mim, e eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis,
46
quando me buscardes de todo o vosso coração’ ”.

A conversão de Finney e o seu batismo no Espírito Santo são


impressionantes. O amor a Deus, a fome de sua Palavra, a unção para testemunhar
e anunciar do Evangelho vieram sobre ele no dia de sua entrega a Jesus.
Imediatamente, o advogado perdeu todo o gosto pela sua profissão e tornou-se um
dos mais famosos pregadores do Evangelho. Segundo Orlando Boyer, Finney disse
em sua autobiografia:
“Não escolhera um texto, mas logo ao levantar-me dos
joelhos, eu disse: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o
Senhor há de destruir a cidade . Acrescentei que havia
dois homens, um se chamava Abraão, e outro, Ló...
Contei-lhes como Ló se mudara para Sodoma... O lugar
era excessivamente corrupto... Deus resolveu destruir a
cidade e Abraão orou por Sodoma. Mas os anjos
acharam somente um justo lá, era Ló. Os anjos
disseram: 'Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus
filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade,
tira-os fora deste lugar; porque nós vamos destruir este
lugar, porque o seu clamor tem engrossado diante da
face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo'.
Ao relatar estas coisas, os ouvintes se mostraram irados
a ponto de me açoitarem. Nessa altura, deixei de pregar
e lhes expliquei que compreendera que nunca se
realizara culto ali e que eu tinha o direito de, assim,
considerá-los corruptos. Salientei isso com mais e mais

46
“Charles Finney”, in Prega a Palavra. Disponível em:
<http://www.pregaapalavra.com.br/pregadores/finney.htm> Acesso em 14 abril 2009.
21

ênfase e, com o coração cheio de amor até não poder


mais conter-me.
Depois de eu assim falar cerca de quinze minutos,
parecia cair sobre os ouvintes uma tremenda solenidade
e começaram a cair ao chão, clamando e pedindo
misericórdia. Se eu tivesse tido uma espada em cada
mão, não os poderia derrubar tão depressa como
caíram. De fato, dois minutos depois de os ouvintes
sentirem o choque do Espírito vir sobre eles, quase todos
estavam ou caídos de joelhos ou prostrados no chão.
Todos os que podiam falar de qualquer maneira, oravam
por si mesmos.
Tive de deixar de pregar, porque os ouvintes não
prestavam mais atenção. Vi o ancião que me convidara
para pregar, sentado no meio do salão, olhando em
redor, estupefato. Gritei bem alto para ele ouvir, apesar
da balbúrdia, pedindo-lhe que orasse. Caiu de joelhos e
começou a orar em voz retumbante; mas o povo não
prestou atenção. Gritei: Vós não estais ainda no Inferno;
quero dirigir-vos a Cristo. O coração transbordava de
gozo ao presenciar tal cena. Quando pude dominar os
meus sentimentos, virei-me para um rapaz que estava
perto de mim, consegui atrair a sua atenção e preguei
Cristo, em voz bem alta, ao seu ouvido. Logo, ao olhar
para a 'cruz' de Cristo, ele acalmou-se por um pouco e
então rompeu em oração pelos outros. Depois fiz o
mesmo com um outro; depois com mais outro e continuei
assim tratando com eles até a hora do culto da noite, na
aldeia. Deixei o ancião que me convidara a pregar, para
continuar a obra com os que oravam.
Ao voltar, havia tantos clamando a Deus que não
podemos encerrar a reunião, que continuou o resto da
noite. Ao amanhecer o dia, alguns ainda permaneciam
com a alma ferida. Não se podiam levantar e, para dar
lugar às aulas, foi necessário levá-los a uma residência
não muito distante. De tarde mandaram chamar-me
47
porque ainda não findara o culto ”. (BOYER, 1993)

Eis o segredo dos grandes pregadores, nas palavras do próprio


Finney: “Os meios empregados eram simplesmente pregação, cultos de oração,
muita oração em secreto, intensivo evangelismo pessoal e culto para a instrução dos
interessados. Eu tinha o costume de passar muito tempo orando; acho que, às
vezes, orava realmente sem cessar. Achei, também, grande proveito em observar
freqüentemente dias inteiros de jejum em secreto. Em tais dias, para ficar
inteiramente sozinho com Deus, eu entrava na mata, ou me fechava dentro do
templo”. Calcula-se que somente durante os anos de 1857 e 1858, mais de 100 mil
pessoas foram ganhas para Cristo pelo ministério de Finney. Na Inglaterra, durante
nove meses de evangelização, multidões também se prostraram diante do Senhor
enquanto Finney pregava. Descobriu-se que mais de 85 pessoas de cada 100 que

47
BOYER, Orlando. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1993.
22

se convertiam sob a pregação de Finney permaneciam fiéis a Deus; enquanto 75


pessoas de cada cem, das que professaram conversão nos cultos de algum dos
maiores pregadores, se desviavam. Parece que Finney tinha o poder de
impressionar a consciência dos homens sobre a necessidade de um viver santo, de
tal maneira que produzia fruto mais permanente. Além de Finney podemos destacar
no século XIX o grande pregador Spurgeon.
Charles Haddon Spurgeon, nasceu no dia 19 de junho de 1834
e morreu no dia 31 de janeiro de 1892, era pregador batista britânico, nasceu em
Kelvedon, Essex, Inglaterra. Spurgeon converteu-se ao a fé cristã em 1850, aos
quinze anos de idade. Aos dezesseis anos, em 1851, pregou seu primeiro sermão,
"Olhai para mim e sede salvos, todos os confins da terra" (Isaías 45.22). Segundo a
biografia escrita por Orlando Boyer sobre Spurgeon, disse:
“Inexperiente na arte de pregar, podia apenas repetir a
passagem e dizer: ‘Olhai! Não vos é necessário levantar
um pé, nem um dedo. Não vos é necessário estudar no
colégio para saber olhar; nem contribuir com mil libras.
Olhai para mim, não para vós mesmos. Não há conforto
em vós. Olhai para mim, suando grandes gotas de
sangue. Olhai para mim, pendurado na cruz. Olhai para
mim, morto e sepultado. Olhai para mim, ressuscitado.
Olhai para mim, à direita de Deus’. Em seguida, fitando
os olhos em Carlos, disse: ‘Moço, tu pareces ser
miserável. Serás infeliz na vida e na morte se não
obedeceres’. Então gritou ainda mais: ‘Moço, olha para
Jesus! Olha agora!’ O rapaz olhou e continuou a olhar,
até que por fim, um gozo indizível entrou na sua alma”.
48
(BOYER, 1993)

No ano seguinte tornou-se pastor de uma igreja batista em


Waterbeach, Cambridgeshire. Em 1854, Spurgeon, então com vinte anos, foi
chamado para ser pastor na capela de New Park Street, Londres, que mais tarde
viria a chamar-se Tabernáculo Metropolitano, transferindo-se para novo prédio. E
neste novo prédio, o culto inaugural foi anunciado para a noite de 19 de outubro de
1856. Na tarde do dia marcado, milhares de pessoas para lá se dirigiram para achar
assento. Quando, por fim, o culto começou, o prédio no qual cabiam 12.000
pessoas, estava superlotado e havia mais 10.000 fora que não puderam entrar. De
um dia para outro Spurgeon, o herói do Sul de Londres, tornou-se um vulto de
projeção mundial. Aceitou convites para pregar em cidades da Inglaterra, Escócia,
Irlanda, Gales, Holanda e França. Pregava ao ar livre e nos maiores edifícios, em
média oito a doze vezes por semana. Durante certo período, pregou trezentas vezes
23

em doze meses. O maior auditório, no qual pregou, foi no Crystal Palace, Londres,
em 7 de outubro de 1857. O número exato de assistentes era de 23.654. Spurgeon
esforçou-se tanto nessa ocasião, e o cansaço foi tal, que após o sermão da noite de
quarta-feira, dormiu até a manhã de sexta-feira! Parece impossível que tal pregador
tivesse tempo para escrever. Entretanto os livros da sua autoria, constituem uma
biblioteca de cento e trinta e cinco livros. Até hoje não há obra mais rica de jóias
espirituais do que a de Spurgeon, de sete volumes sobre os Salmos: "A Tesouraria
de Davi". Ele publicou tão grande número de seus sermões,que, mesmo lendo um
por dia, nem em dez anos o leitor os poderia ler todos. Muitos foram traduzidos em
várias línguas e publicados nos jornais do mundo inteiro. Ele mesmo escrevia
grande parte da matéria para seu jornal, "A Espada e a Colher", título este sugerido
pela história da construção dos muros de Jerusalém no tempo angustioso de
Neemias. Acerca de tão estupendo êxito na vida de Spurgeon, convém notar o
seguinte: Nenhum dos seus antepassados alcançou fama. Sua voz podia pregar às
maiores multidões, mas outros pregadores sem fama gozavam também da mesma
voz. O Príncipe dos Pregadores era, antes de tudo, O Príncipe de Joelhos49.

5 DAVID LIVINGSTONE – O PREGADOR DO SÉCULO XIX

David Livingstone nasecu em 1813 e morreu em 1873, foi um


missionário escocês e explorador europeu da África, seu desbravamento do interior
do continente contribuiu para a "colonização da África50".
David Livingstone nasceu em Blantyre, no sul de Glasgow, no
dia 19 de Março de 1813. Em 1836, ele começou a estudar medicina e teologia em
Glasgow e decidiu tornar-se um missionário médico. Em 1841, ele foi ao deserto
Kalahari, em África Austral.
Livingstone ficou convencido da sua missão de chegar a novos
povos no interior da África e apresentá-los ao cristianismo, bem como libertá-los de
escravidão. Foi isso que inspirou suas explorações.
A viagem de Glasgow ao Rio de Janeiro e, por fim, à cidade do
Cabo, na África, durou três meses. Mas Davi não desperdiçou o tempo. O
comandante se tornou seu amigo íntimo e ajudou-o a preparar os cultos, nos quais

48
BOYER, Orlando. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1993.
49
BOYER, Orlando. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1993.
24

Davi pregava aos tripulantes do navio. Ele viajou por todo o Kalahari, Fez uma
expedição de quatro anos para encontrar uma rota a partir do Alto Zambeze à costa.
Livingstone descobriu uma espetacular cachoeira, a que ele chamou 'Victoria Falls".
Ele chegou à foz do Zambeze sobre o Oceano Índico, tornando-se o primeiro
europeu a atravessar a largura da África meridional.
Voltando para a Grã-Bretanha, onde ele era agora um herói
nacional, Livingstone contou para muitos as suas viagens e publicou seu best-seller
“Missionário Viagens e Pesquisador na África do Sul", (1857). Ele partiu para África
novamente, e nos próximos cinco anos realizou, a pedido do governo britânico, a
exploração da África oriental e central. Sua esposa morreu de malária em 1862, um
amargo golpe e em 1864 ele foi convocado pelo governo a retornar trazendo os
resultados de suas viagens.
De volta a seu país, Livingstone divulgou os horrores do tráfico
de escravos, conquistando apoio privado para uma outra expedição à África central
a fim de procurar a nascente do rio Nilo e fazer relatórios adicionais sobre a
escravatura. Livingstone continuou a pregar o Evangelho constantemente, às vezes
a auditórios de mais de mil indígenas. Antes de tudo, esforçava-se para ganhar a
estima das tribos hostis, por onde passava, por sua conduta cristã, em grande
contraste com a dos mercadores de escravos.
Esta expedição durou de 1866 até a morte de Livingstone em
1873. Sem nenhuma notícia sua por vários meses, Henry Stanley, um explorador e
jornalista, partiu para encontrar Livingstone. Isto resultou em um encontro, em
outubro de 1871, no Lago Tanganyika onde Stanley proferiu a famosa frase: "Dr.
Livingstone eu presumo?" Com novos suprimentos trazidos por Stanley, Livingstone
continuou seus esforços para descobrir a nascente do Nilo. Por muitos anos sua
saúde demonstrava fragilidade vindo a falecer no dia 1 de Maio 1873. Seu coração
foi enterrado na África e o seu corpo foi levado de volta para a Inglaterra e enterrado
na Abadia Westminster.
Gravados para sempre na história da Igreja de Cristo estão os
grandes êxitos na África durante um período demais de 75 anos depois de sua

50
“David Livingstone”, in Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/David_livingstone> Acesso em 14 abril 2009.
25

morte, êxitos inspirados, em grande parte, pelas orações e persistência desse


eminente servo de Deus, que foi fiel até a morte51.

6 BILLY GRAHAM – O PREGADOR DO SÉCULO XX

“Meu objetivo de vida é ajudar as pessoas a encontrar uma


relação pessoal com Deus, que creio, vir pelo conhecimento de Cristo." Billy Graham
Billy Graham é um homem de Deus que viaja ao redor do
globo, para pregar as Boas Novas do Evangelho e muitos visitantes acompanharam
a mensagem, o ministério, e da missão deste grande pregador que nasceu no
século XX. Ele foi o mais proeminente membro da "Convenção Batista Sulista dos
EUA" e foi conselheiro espiritual de vários presidentes americanos.
Só Deus poderia saber o importante papel que este filho de um
fazendeiro iria desempenhar no evangelismo mundial. Billy Graham nasceu no dia 7
de Novembro de 1918 em Charlotte, Carolina do Norte. Desde o começo, sempre foi
humilde e morava em uma fazenda. A sua decisão por Cristo aconteceu na cidade
onde nasceu, Charlotte na Carolina do Norte. Ele estudou no Instituto Bíblico da
Flórida, e terminou o curso de teologia na Faculdade de Wheaton (Wheaton
College), no estado de Illinois em 1943. Durante o tempo que esteve na Faculdade
de Wheaton, Graham afirmou que a Bíblia é a "palavra infalível de Deus52".
Graham foi co-fundador da Mocidade para Cristo - que é
conhecida em todo o mundo - junto com o evangelista Charles Templeton. Graham
viajou como evangelista pelos Estados Unidos e Europa levando a bendita Palavra
de Deus. Billy Graham realizou missões em Los Angeles em 1949 e as campanhas
levaram 8 semanas, mais do que o planejado que eram 3 semanas. Ele liderou as
campanhas em Londres que duraram 12 semanas, e uma campanha na cidade de
Nova York na Madison Square Garden em 1957 que durou 16 semanas. Do começo
até o fim do seu ministério, Graham desfrutou de uma reputação privilegiada devido
às suas cruzadas serem feitas em lugares onde outros evangelistas consideravam
impossível.
Durante a Guerra Fria, Billy Graham falou a grandes multidões
em países da Europa Oriental e na União Soviética. Durante o Apartheid, Graham foi

51
BOYER, Orlando. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1993.
52
“Billy Graham”, in Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Billy_Graham> Acesso em 14 abril 2009.
26

constantemente recusado à visitar a África do Sul, até que o governo finalmente


permitiu que pudessem fazer a cruzada. A primeira cruzada de Graham na África do
Sul ocorreu em 1973. Ele usou a cruzada para denunciar o Apartheid ocorrido no
mundo. Graham foi um dos poucos pregadores que conseguiram falar na Coréia do
Norte. Graham se opôs a segregação racial durante os anos 60 e pagava fiança de
Martin Luther King, sempre quando era preso nas cadeias do sul dos Estados
Unidos durante a era dos direitos civis nos anos 60. Graham pregou o Evangelho a
mais pessoas em reuniões públicas que qualquer outro na história – cerca 210
milhões de pessoas em mais de 185 países e territórios, incluindo Missões Mundial e
Global. Centenas de outros milhões mais foram alcançados pelos seus programas
de televisão, vídeos, filmes e internet.
Ele se reuniu com os presidentes, reis, rainhas, celebridades,
cotidiano e homens, mulheres e crianças. Não importa sua audiência, a mensagem
continua a ser a mesmo. Disse Billy Graham, "onde quer que eu vá, e se me
perguntam. Existe alguma esperança para o futuro? Minha resposta é a mesma, sim,
através de Jesus Cristo53".
Escreveu 25 livros muitos dos quais "Top Sellers". Seu Livro de
memórias, "Do jeito que eu sou" publicado em 1997, conseguiu o prêmio da "tríplice
coroa" ao aparecer simultaneamente em três listas de livros mais vendidos por uma
semana. Nele o Pr. Graham faz reflexões sobre sua vida incluindo os mais de 60
anos de ministério ao redor do mundo. De um começo humilde como filho de
produtor de leite da Carolina Norte, ele compartilha como sua inabalável fé em Cristo
formou e talhou seu ministério.
Billy Graham é regularmente citado pelas Organizações Gallup
com um dos 10 homens mais admirados do mundo descrito com uma figura
dominante com uma presença sem paralelo por 48 vezes, sendo 41 delas
consecutivas.
George W Bush disse a respeito de Billy Graham, "há somente
uma razão por que estou aqui no Gabinete Oval, e não em um bar. Encontrei a fé,
encontrei a Deus. Estou aqui pelo poder da oração", Bush disse publicamente que
deixou de consumir álcool sem a ajuda dos Alcoólicos Anônimos, nem de nenhum
programa contra o uso indevido de substâncias proibidas, e afirmou que deixou o

53
“Minha Esperança” , in Minha Esperança Brasil. Disponível em: <http://www.minhaesperanca.com.br>
Acesso em 14 abril 2009.
27

hábito para sempre, com a ajuda de meios espirituais, como o estudo da Bíblia e
aconselhamento com o evangelista Billy Graham54".
A mensagem de Billy Graham é simples, mas vem direto da
Palavra de Deus. "Porque Deus amou o mundo que deu o seu Filho unigênito, que
quem acredita n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16).

54
FRANK, Justin A. Bush in the Couch: Inside the mind of the President, Regan Books, Nova York, 2004.
28

7 CONCLUSÃO

Observamos ao longo deste trabalho que a igreja de Cristo


tornou-se inabalável, conforme Jesus Cristo disse a Pedro, “as portas do inferno não
prevalecerão contra ela”, Mt 16.18b. Desde os profetas, Jesus, apóstolos, Igreja
Primitiva, apologistas, polemistas, estudiosos, oradores, pregadores, reformadores,
mártires, puritanos, evangélicos, enfim, todos que estiveram dando sua parcela no
crescimento da Igreja, vimos o Evangelho sendo anunciado dentro e fora de tempo.
De todas as formas o adversário tentou fechar as portas, mas a Igreja continuou,
algumas vezes em decadência, mas depois se levantava mais forte e inabalável e
hoje estamos aqui com novos pregadores, são o Agostinho, Paulo, Pedro, Martinho
Lutero, Spurgeon, Finney, Graham, Livingstone dos dias atuais que “levam a
preciosa semente andando e chorando, trazendo consigo os seus molhos”.

Martinho Lutero em tempo de perseguição, devido a reforma


protestante, ele disse: “O Senhor é justo, mas admirável! Não é com a espada que
Ele quer que se propague o evangelho”.
29

8 REFERÊNCIAS

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