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GestãoAmbiental

Gestão Ambientale ea a
Sustentabilidade
Sustentabilidade
Professor
Luís Felipe Nascimento
Copyright © 2008. Todos os direitos desta edição reservados ao Sistema Universidade Aberta do Brasil. Nenhuma parte deste material

poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito,

do autores.
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Luiz Inácio Lula da Silva

MINISTRO DA EDUCAÇÃO
Fernando Haddad

SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


Carlos Eduardo Bielschowsky

DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE POLÍTICAS EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – DPEAD


Hélio Chaves Filho

SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL


Celso Costa

COMISSÃO EDITORIAL DO PROJETO PILOTO UAB/MEC


Marina Isabel Mateus de Almeida (UFPR)
Teresa Cristina Janes Carneiro (UFES)

ORGANIZAÇÃO DE CONTEÚDO
Luís Felipe Nascimento

PROJETO GRÁFICO
Annye Cristiny Tessaro
Mariana Lorenzetti

DIAGRAMAÇÃO
Annye Cristiny Tessaro
Victor Emmanuel Carlson

REVISÃO DE PORTUGUÊS
Patrícia Regina da Costa
Sumário
Apresentação....................................................09

PARTE 1 – A Sustentabilidade no Macroambiente


UNIDADE 1 – Uma Contextualização da Questão Ambiental

Introdução................................................................15
Do Velho Oeste à chegada até a Lua.................................15
Constituição histórica das questões ambientais............................17
Resumo............................................................................26

UNIDADE 2 – Impactos no Macroambiente

Introdução................................................................29
O Efeito Estufa......................................................................29
Protocolo de Quioto..................................................................31
Destruição da Camada de Ozônio.................................38
Chuva ácida...................................................................39
Resumo............................................................................41

UNIDADE 3 – Agenda 21

Introdução................................................................45
Agenda 21 Global...................................................................45
Agenda 21 Brasileira...................................................................46
Agenda 21 local...................................................................47
Conferência de Joanesburg – Rio+10.............................................48
Produção e Consumo Sustentável................................................50
Resumo............................................................................52
PARTE 2 – A Sustentabilidade no Microambiente
UNIDADE 4 – Gestão Ambiental Pública

Introdução................................................................57
Os órgãos encarregados da Gestão Ambiental Pública......................57
Instrumentos de Política...................................................................58
Licenciamento Ambiental...................................................................58
Instrumento de Planejamento.............................................................60
Instrumentos Econômicos.............................................................60
Educação Ambiental.............................................................60
Resíduos Sólidos Urbanos.............................................................61
Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P............................63
Resumo............................................................................65

UNIDADE 5 – Emissão Zero

Introdução................................................................69
Histórico.............................................................69
Os princípios e o objetivo do programa ZERI............................70
Emissão Zero – o caso da produção de papel..............................71
O programa de emissões zero pode ser aplicado em todas as indústrias....73
Um plano de ação.............................................................74
Resumo............................................................................76

UNIDADE 6 – Produção Limpa

Introdução................................................................79
Histórico.............................................................79
Conceito.............................................................80
Os quatro elementos da produção Limpa..............................81
Resumo............................................................................83
PARTE 3 – A Sustentabilidade no Ambiente Interno
UNIDADE 7 – Permacultura

Introdução................................................................89
Histórico.............................................................90
Permacultura: origens, conceitos, objetivos e filosofia....................91
Princípios da Permacultura.............................................................94
Resumo............................................................................96

UNIDADE 8 – ISO 14000 e Sistema de Gestão Ambiental

Introdução................................................................99
Histórico.............................................................99
Objetivos das Normas ISO 14000.....................................................101
Sistema de Gestão Ambiental.......................................................103
Certificação ISO 14000.............................................................103
Resumo............................................................................105

UNIDADE 9 – Produção mais Limpa

Introdução................................................................109
Conceituando e diferenciando a P + L....................................109
Benefícios em investir em P + L.....................................................113
Barreiras à implementação da P + L..............................114
Um exemplo de aplicação de P + L..............................117
Resumo............................................................................121

UNIDADE 10 – Ecodesign

Introdução................................................................125
Evolução do Ecodesign................................................................125
As definições e aplicações do Ecodesign..............................126
As Fases da ferramenta Ecodesign..............................129
Aplicação das Estratégias do Ecodesign..............................139
A Teia das Estratégias do Ecodesign..............................140
Resumo............................................................................143
UNIDADE 11 – Marketing e os Selos Verdes

Introdução................................................................147
O que é Marketing Verde?..............................................................147
A Imagem da Organização..........................................................148
três Princípios Básicos do marketing Verde..............................148
Comunicação Verde.............................................................149
Selos Verdes.................................................................................149
características dos produtos verdes..............................150
Selos verdes indicarão...................................................................151
Resumo............................................................................151

UNIDADE 12 – Gestão Ambiental Doméstica

Introdução................................................................155
Consumo de Água........................................................................155
Consumo de energia........................................................................162
Lixo...............................................................................................166
To x i d a d e . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 7 1
Resumo............................................................................173

Referências.....................................................................................175

Minicurrículo.....................................................................................190
Apresentação

O que você vai encontrar neste livro?


Prezado Estudante!
O conteúdo aqui desenvolvido é resultado de mais de uma déca-
da de pesquisas nesta área. Nessa trajetória houve colaboração de
muitos colegas e orientandos de graduação, especialização, mestrado
e doutorado. Agradecemos em especial à Angela Denise da Cunha
Lemos e Maria Celina Abreu de Mello, minhas co-autoras do livro
Gestão Socioambiental Estratégica, a Cláudio Senna Venzke, meu co-
autor na Unidade sobre Ecodesign publicado no livro Abordagens e
Ferramentas de Gestão Ambiental nas Organizações e à Paola Schmitt
Figueiró pelas suas contribuições.
Este livro é um instrumento dirigido a alunos do curso de Gra-
duação em Administração, modalidade a distância. O tema Gestão
Ambiental e Sustentabilidade é abordado numa linguagem simples,
buscando a interatividade entre o leitor e os colegas.
Os conteúdos estão divididos em três ambientes: o
Macroambiente, que é o local mais distante e é caracterizado pelos
efeitos globais; o Microambiente, quando os fatos e as organizações
estão próximos, nesse ambiente é possível nos comunicar e ter alguma
ingerência nas decisões; e o Ambiente Interno, que ocorre dentro dos
muros da organização onde trabalhamos ou dentro da nossa casa, onde
temos quase que completo poder para fazer alguma coisa. Os três Am-
bientes formam o que chamamos de “Ecossistema de Mercado”.
Portanto, iniciamos o conteúdo fazendo uma constituição histó-
rica das questões ambientais. A proposta é a de que “viajemos” até o
espaço para entender porque ocorre o efeito estufa e o que está cau-
sando o buraco na camada de ozônio, também trataremos dos princi-
pais responsáveis pelo aumento na temperatura global e conseqüentes
alterações climáticas na Terra. Depois voltaremos para a nossa cidade
e, por fim, para a nossa organização e para a nossa casa.
Você encontrará aqui os conceitos fundamentais e poderá testar
os seus conhecimentos nos exercícios propostos. Cada Unidade reme-
te a leituras complementares e sugere a ampliação e a constante atua-
lização dos conteúdos por meio do acesso a sites especializados. Apre-
sentamos uma legenda com ícones, fotos e questões, tudo para tornar
a sua leitura mais agradável.
Além do material que você está recebendo, poderá acessar o site
<www.portalga.ea.ufrgs> para fazer downloads de teses, dissertações,
artigos e muitas informações sobre Gestão Ambiental e
Sustentabilidade. Nesse portal você terá acesso a um CD sobre Produ-
ção Mais Limpa, contendo jogos, conteúdos e testes para você verifi-
car o seu desempenho. Sugerimos como leitura complementar o livro
de nossa autoria, Gestão Socioambiental Estratégica.
Estamos cientes de que alguns dos sites indicados, ou parte dos
conteúdos, poderão não mais estar disponíveis nos próximos anos, mas
acreditamos que o importante é que você complemente o seu aprendi-
zado pesquisando também em outros sites que disponibilizem conteú-
dos sobre os temas abordados.
Esperamos que você aproveite a leitura e realize os exercícios
propostos pelos professores, mas, principalmente, desejamos desper-
tar o seu interesse em aprofundar esse tema que figura como uma exi-
gência para os profissionais de todas as áreas.
Saudações fraternas e sustentáveis!

Professor Luís Felipe Nascimento


PARTE

1
A
A Sustentabilidade
Sustentabilidade no
no
Macroambiente
Macroambiente
A sustentabilidade no Macroambiente é apresentada em três Unidades,

iniciando com o Desenvolvimento Sustentável, em que é feito uma

contextualização das preocupações ambientais até os dias de hoje. A

segunda Unidade trata dos Impactos Ambientais Globais, demonstrando

também como funciona o comércio dos créditos de carbono. E a

terceira Unidade aborda a Agenda 21 e documentos importantes para a

promoção da sustentabilidade. Confira!


UNIDADE

1
Uma
Uma Contextualização
Contextualização da
da
Questão
Questão Ambiental
Ambiental
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará uma contextualização histórica acerca do

Desenvolvimento Sustentável com o que ocorreu nos últimos séculos

através de uma narrativa comparativa entre a vida no Velho Oeste e a

vida em uma espaçonave e como surgiu o conceito de Desenvolvimento

Sustentável; trará aspectos que são abordados na discussão da

construção do desenvolvimento sustentável, levando em consideração

os conflitos entre crescimento econômico e ambiente natural; analisará a

constituição dos fatos a partir da década de 1960, considerada um

marco na história da gestão ambiental, com a publicação do livro A

Primavera Silenciosa; tecerá comentários referentes à rápida deterioração

do ambiente natural, à destruição da camada de ozônio, às alterações

climáticas e ao efeito estufa; explicará o tripé básico no qual se apóia a

idéia de desenvolvimento sustentável – atividade econômica, meio

ambiente e bem-estar da sociedade, pois isso trata-se de um termo

simples, porém com implicações profundas; e, finalmente,

proporcionará o conhecimento de novos conceitos e tendências sobre

Desenvolvimento Sustentável, já que hoje o foco passou a ser o

aperfeiçoamento de todo o processo produtivo, buscando reduzir o

impacto ambiental e, neste século, as empresas tendem a incorporar a

gestão ambiental em suas práticas, não apenas de forma reativa, mas

14 pró-ativa.
Módulo 6

Introdução

Caro estudante!
Certamente você já ouviu muitas vezes alguém falar em
“Desenvolvimento Sustentável”, mas o que ele significa
para você? Qual é o sentimento que você tem quando
ouve o termo Desenvolvimento Sustentável? Medo? Espe-
rança? Pessimismo? Um futuro melhor? Bem, para enten-
der por que o tema Desenvolvimento Sustentável passou a
ocupar espaço diário na mídia e a fazer parte das nossas con-
versas, causando diferentes sentimentos nas pessoas, é preci-
so analisar as mudanças ocorridas nos últimos séculos.

Do Velho Oeste à chegada até a Lua

Vamos voltar no tempo e imaginar como era a vida dos cowboys


no velho oeste dos Estados Unidos. Os filmes nos mostram que o meio
de transporte utilizado na época eram os cavalos e as diligências, com
carros puxados por cavalos. Vamos imaginar um filme mostrando três
vaqueiros que resolveram viajar até uma cidade distante e embarca-
ram numa diligência. A diligência não oferecia serviços de bordo e era
preciso viajar várias horas para chegar a um povoado onde tivesse um
bar ou um hotel, onde os passageiros poderiam se alimentar e pernoi-
tar. Para passar o tempo e enfrentar o tédio da viagem, os vaqueiros
beberam uma garrafa de uísque. E o que fizeram com a garrafa vazia?
Jogaram pela janela! E o cocô dos seis cavalos que puxavam a dili-
gência onde foi depositado? Ao longo do caminho e nas ruas da cida-
de por onde passaram!
Para descansar dos solavancos da diligência, foram feitas algu-
mas paradas ao longo de um rio e nas pequenas cidades que passaram,

15
Curso de Graduação em Administração a Distância

quando então os vaqueiros puderam desfrutar dos serviços do restau-


rante e dormir numa cama de hotel. Na manhã seguinte, descansados
e tendo reposto os mantimentos, a diligência seguiu viagem. Podemos
ver desperdício de água no banho e de comida no restaurante, pois era
barato e fácil de obter. Ao longo do caminho, quando estragou a roda
do “veículo”, o próprio cocheiro, o condutor da diligência, foi capaz
de repará-la, pois a tecnologia era simples e de domínio dos usuários.
Agora vamos avançar no tempo e ver outro filme, o que mostra
o transporte dos primeiros três astronautas que chegaram à Lua. Eles
viajaram na cápsula da espaçonave, um espaço semelhante ao de uma
diligência. Mas na espaçonave, além de não ter serviço de bordo, não
existia a possibilidade de descer para espichar as pernas e lavar o rosto
nas águas do rio, ou de dormir numa cama de hotel. Repor os manti-
mentos na manhã seguinte, de que forma? Todos os suprimentos ne-
cessários para a viagem tiveram que ser levados da Terra. Desperdiçar
água ou alimentos? De jeito nenhum! Os recursos eram limitados, se
algum deles comesse um pouco mais do que a ração do dia, faltaria
comida ao final da viagem. E os resíduos gerados com as refeições,
urina e fezes dos astronautas, onde foram armazenados? Sim, porque
diferentemente dos vaqueiros da diligência, os astronautas não podi-
am jogar os dejetos pela janela.
Enquanto no velho oeste existia uma área enorme desabitada, os
recursos eram abundantes, a tecnologia era simples e o consumo de
energia era pequeno, na espaçonave acontecia justamente o contrário.
O espaço físico dentro aeronave era mínimo, os astronautas trabalha-
vam, comiam, faziam suas necessidades fisiológicas e dormiam no
mesmo local. A tecnologia era a mais sofisticada da época. A energia
dos cavalos foi substituída por sofisticados equipamentos para colocar
e manter a espaçonave no trajeto entre o Planeta Terra e seu satélite, a
Lua. E, muitos produtos e equipamentos foram desenvolvidos exclu-
sivamente para permitir a sobrevivência dos astronautas nesta viagem.
O exemplo da vida no velho oeste e na espaçonave ilustra as
mudanças ocorridas nas últimas décadas em nossas vidas. Se compa-
rarmos como viviam nossos avós e como vivemos hoje, iremos perce-
ber que: diminuiu o espaço com o aumento da população e a formação

16
Módulo 6

das regiões metropolitanas; diminuíram as reservas de recursos não-


renováveis, como o carvão, o petróleo e outros minerais; aumentou o
consumo de energia e de lixo per capita e está cada vez mais difícil
encontrar um local adequado para armazenar os resíduos gerados. Em
outras palavras, podemos dizer que o desenvolvimento se tornou me-
nos sustentável, ou insustentável, pois os recursos não-renováveis irão
acabar dentro de mais alguns anos; o consumo e o preço da energia
vêm aumentando e poderá chegar num ponto em que se torne insufici-
ente para atender à demanda e; o lixo gerado viaja cada vez para mais
longe. Além do problema de espaço, de consumo de energia e da ge-
ração de lixo, existem vários outros aspectos que são abordados na
GLOSSÁRIO
discussão da construção do desenvolvimento sustentável*.
*Desenvolvimento
Sustentável – é
aquele que atende
Você acredita que o nosso modelo de desenvolvimento é
às necessidades do
realmente insustentável?
presente sem com-
prometer a possibi-
lidade das gerações
Constituição histórica futuras atenderem
às suas próprias ne-
das questões ambientais cessidades. Fonte:
Comissão Mundial
sobre Meio Ambi-
A relação entre crescimento econômico e ambiente natural apre- ente e Desenvolvi-
senta conflitos desde há muito tempo. Mas a degradação dos recursos mento (2008).
naturais renováveis e não-renováveis, a poluição (água, solo, ar) e a
criação de situações de risco de desastres ambientais se intensificaram
nas últimas décadas. Vamos analisar a constituição dos fatos a partir
da década de 1960, com o que é considerado um marco na história da
gestão ambiental, a publicação do livro A Primavera Silenciosa.
Na década de 1960, Raquel Carson lançou, em 1962 exatamente,
o livro Primavera Silenciosa. Esse livro se refere à compreensão das
interconexões entre o meio ambiente, a economia e as questões relati-
vas ao bem-estar social. Nessa década ocorreu um incremento da pre-
ocupação ambiental com o impacto das atividades antrópicas sobre o
meio ambiente.

17
Curso de Graduação em Administração a Distância

No final dos anos de 1960, um grupo de cientistas que assesso-


rou o chamado Clube de Roma, utilizando-se de modelos matemáti-
cos, alertou sobre os riscos de um crescimento econômico contínuo,
baseado em recursos naturais não-renováveis. O relatório Limites ao
Crescimento, elaborado pelo grupo de cientistas e publicado em 1972,
foi um sinal de alerta que incluía projeções, em grande parte, não cum-
pridas, mas teve o mérito de conscientizar a sociedade para os limites
da exploração do planeta. O documento do Clube de Roma foi muito
importante para despertar a consciência ecológica mundial, pois cola-
GLOSSÁRIO
borou para que, em julho de 1972, fosse realizada a Conferência das
*Impacto ambiental
Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em Esto-
– Segundo Resolu-
ção do CONAMA colmo, na Suécia.
nº 001/86, art. 1º, A década de 1970 ficou conhecida como a década da regula-
trata-se de qualquer mentação e do controle ambiental, ou seja, a época do “comando-con-
alteração das propri- trole”. Após a Conferência de Estocolmo, em 1972, as nações come-
edades físicas, quí- çaram a estruturar seus órgãos ambientais e a estabelecer suas legisla-
micas e biológicas ções, visando o controle da poluição ambiental. Poluir passou a ser
do ambiente natu-
considerado crime em diversos países. Na mesma época, a crise
ral, causada por
energética, causada pelo aumento do preço do petróleo, trouxe à dis-
qualquer forma de
matéria ou energia cussão dois novos temas que, mais tarde, ajudaram, e muito, a luta
resultante das ativi- daqueles que se preocupavam com a proteção do meio ambiente. Ou
dades humanas que, seja, foram discutidas questões relativas à racionalização do uso de
direta ou indireta- energia e à busca por combustíveis mais puros, oriundos de fontes
mente, afetam a saú- renováveis. Ao mesmo tempo, as primeiras tentativas de valorização
de, a segurança e o energética de resíduos unem dois dos temas de maior evidência nessa
bem-estar da popu-
década: meio ambiente e conservação de energia. O conceito de de-
lação; as atividades
senvolvimento sustentável começa a surgir no painel de temas em dis-
sociais e econômi-
cas; as biotas; as cussão. Assim, em 1978, na Alemanha, surge o primeiro selo ecológi-
condições estéticas co, o Anjo Azul, destinado a rotular produtos considerados
e sanitárias, do am- ambientalmente corretos.
biente natural; e a Na década de 1980, entrou em vigor uma série de legislações
qualidade dos recur- específicas que visavam controlar a instalação de novas indústrias e
sos ambientais. Fon- estabelecer exigências para as emissões das indústrias existentes. Nes-
te: CONAMA
sa época surgem as empresas especializadas na elaboração de Estudos
(2008).
de Impacto Ambiental* e de Relatórios de Impacto Ambiental.

18
Módulo 6

Contudo, o maior enfoque era dado sobre o controle da polui-


ção no “final do tubo”, ou seja, tratava-se o efluente, o resíduo ou a
emissão. Essa atitude apresentava o controle ambiental como um cus-
to adicional para a empresa. Os resíduos perigosos passam a ocupar
lugar de destaque nas discussões sobre a contaminação ambiental. Al-
guns acidentes de grande impacto, como a explosão de uma indústria
química na Índia (Bhopal, em 1984), o vazamento na usina nuclear na
Ucrânia (Chernobyl, em 1986), na então União Soviética; o derrama-
mento de petróleo no mar do Alasca (Exxon Valdez, em 1989), e a
constatação da destruição progressiva da camada de ozônio que cir-
cunda a Terra e a protege de algumas faixas de radiações solares, tra-
zem finalmente a discussão dos temas ambientais para o dia-a-dia do
homem comum.
Ainda na década de 1980, a proteção ambiental, que era vista
sob um ângulo defensivo, estimulando apenas soluções corretivas ba-
seadas no estrito cumprimento da legislação, começa a ser considera-
da pelos empresários como uma necessidade, pois reduz o desperdício
de matérias-primas e assegura uma boa imagem para uma empresa
que adere às propostas ambientalistas.
A década de 1980 se encerrou com uma globalização das preo-
cupações com a conservação do meio ambiente. Dois exemplos dessa
preocupação global são o “Protocolo de Montreal”, firmado em 1987,
que bane toda uma família de produtos químicos (os clorofluorcarbonos
ou CFCs) e estabelece prazos para sua substituição, e o “Relatório da
Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento”, ins-
tituído pela Assembléia Geral das Nações Unidas. Este último, tam-
bém chamado de Relatório Brundtland, em razão do nome de sua co-
ordenadora, foi publicado em 1987, sob o título de Nosso Futuro Co-
mum, que permitiu disseminar mundialmente o conceito de Desenvol-
vimento Sustentável.
O Relatório Brundtland é considerado um marco no processo de
debate sobre a interligação entre as questões ambientais e o desenvol-
vimento, pois ele faz um alerta para a necessidade de as nações uni-
rem-se na busca de alternativas para os rumos vigentes do desenvolvi-
mento, a fim de evitar a degradação em nível planetário. Afirma tam-

19
Curso de Graduação em Administração a Distância

GLOSSÁRIO bém, que o crescimento econômico que não melhora a qualidade de


*Efeito Estufa – é vida das pessoas e das sociedades não poderia ser considerado desen-
um fenômeno natu- volvimento. De forma paralela, o Relatório Brundtland também mos-
ral que tem a função tra que seria possível alcançar um maior desenvolvimento sem des-
proteger o planeta truir os recursos naturais, conciliando crescimento econômico com
do esfriamento de-
conservação ambiental.
masiado que impe-
No Relatório Brundtland foi definido o conceito de Desenvolvi-
diria a vida na Ter-
ra. Se não estivesse mento Sustentável como sendo aquele que atende às necessidades do
envolvido pelos ga- presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras aten-
ses que o mantém derem às suas próprias necessidades. Esse conceito, que foi desenvol-
aquecido, nosso pla- vido no final da década de 1980, só ganhou força a partir da Confe-
neta estaria conge- rência Mundial de Desenvolvimento e Meio Ambiente, realizada no
lado. Porém, a Rio de Janeiro, em 1992. Após a Rio-92, como ficou conhecida a
emissão de gases
conferência de cúpula da ONU, a sociedade em geral e as empresas
tem aumentado a
em particular passaram a compreender a necessidade de implementar
espessura desta ca-
mada e isto vem uma nova visão de desenvolvimento econômico, algo que pudesse
causando um aque- garantir a produção de bens e serviços e, ao mesmo tempo, atender às
cimento demasiado, necessidades básicas do ser humano e preservar o meio ambiente. Em
que ameaça o equi- síntese, o conceito de desenvolvimento sustentável é composto por
líbrio climático da três importantes dimensões: a econômica, a social e a ambiental.
Terra. O efeito estu- Podemos dizer que o desenvolvimento industrial, ao longo dos
fa, causado pela po-
anos, trouxe impactos positivos, mas, também, diversos impactos ne-
luição atmosférica,
gativos à sociedade. Hoje, o planeta sente e se ressente desses impac-
dificulta a saída de
calor da Terra au- tos negativos. A rápida deterioração do ambiente natural, a destruição
mentando a sua tem- da camada de ozônio, as alterações climáticas, o efeito estufa*, a chu-
peratura e as conse- va ácida, a destruição das florestas, a morte dos lagos, a destruição das
qüências do aqueci- regiões de montanha, o lixo em excesso, os desperdícios de toda or-
mento global vão dem, a pobreza, a miséria e a fome são apenas alguns dos itens que
desde os buracos na precisam ser considerados na atual agenda de prioridades do planeta
camada de ozônio,
Terra. Portanto, esse é o lado negativo do desenvolvimento industrial
chuvas ácidas, até o
que precisa ser equacionado.
aumento do nível do
mar que coloca em Utilizando o conceito de Desenvolvimento Sustentável, o Rela-
risco regiões litorâne- tório Brundtland tentou considerar os dois lados da questão relativa ao
as no mundo inteiro. desenvolvimento econômico. Em seu sentido mais amplo, a estratégia
Fonte: AIE (2008). de desenvolvimento sustentável visa promover a harmonia entre os

20
Módulo 6

seres humanos e entre a humanidade e a natureza. A busca do desen-


volvimento sustentável requer:

um sistema político que assegure a efetiva participação dos


cidadãos no processo decisório;
um sistema econômico capaz de gerar excedentes e know-
how técnico em bases confiáveis e constantes;
um sistema social que possa resolver as tensões causadas por
um desenvolvimento não-equilibrado;
um sistema de produção que preserve a base ecológica do
desenvolvimento;
um sistema tecnológico que busque constantemente novas
soluções;
um sistema internacional que estimule padrões sustentáveis
de comércio e financiamento; e
um sistema administrativo flexível e capaz de se auto-corrigir.

Saiba mais...
Para saber mais sobre Desenvolvimento Sustentável, acesse:
<http://www.economiabr.net/economia/
3_desenvolvimento_sustentavel_conceito.html>

A partir da definição de desenvolvimento sustentável pelo Rela-


tório Brundtland, em 1987, é possível perceber que tal conceito não
diz respeito apenas ao impacto da atividade econômica no meio ambi-
ente. Desenvolvimento sustentável se refere, principalmente, às con-
seqüências dessa relação na qualidade de vida e no bem-estar da soci-
edade, tanto presente quanto futura.
Atividade econômica, meio ambiente e bem-estar da sociedade
formam o tripé básico no qual se apóia a idéia de desenvolvimento
sustentável. A aplicação do conceito à realidade requer, no entanto,
uma série de medidas, tanto por parte do poder público como da inici-
ativa privada, assim como exige um consenso internacional.

21
Curso de Graduação em Administração a Distância

Figura 1: Desenvolvimento Sustentável – equilíbrio entre o econômico,


o social e o ambiental
Fonte: Elaborada pelo autor.

Segundo o Relatório Brundtland, uma série de medidas deve ser


tomada pelos Estados nacionais:

1. limitação do crescimento populacional;


2. garantia de alimentação em longo prazo;
3. preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
4. diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de
tecnologias que admitem o uso de fontes energéticas
renováveis;
5. aumento da produção industrial nos países não-industriali-
zados para a base de tecnologias ecologicamente adaptadas;
6. controle da urbanização selvagem e integração entre cam-
po e cidades menores; e
7. satisfação das necessidades básicas.

Internacionalmente, as metas propostas pelo Relatório são as


seguintes:

1. as organizações do desenvolvimento devem adotar a es-


tratégia de desenvolvimento sustentável;
2. a comunidade internacional deve proteger os ecossistemas
supranacionais como a Antártica, os oceanos e o espaço;
3. as guerras devem ser banidas; e

22
Módulo 6

4. a ONU deve implementar um programa de desenvolvi-


mento sustentável.

Como foi possível observar, o conceito de desenvolvimento sus-


tentável é uma frase simples, mas suas implicações são profundas.
Entretanto, seu maior significado é o seguinte: devemos colocar nosso
modo de vida atual em um alicerce que seja baseado em gerar renda e
não em terminar com os ativos (WILLUMS; GOLÜKE, 1992).
Portanto, o desenvolvimento sustentável trata de como aprender
a valorizar, manter e desenvolver o nosso patrimônio ambiental (ou
capital natural) de tal maneira que possamos viver de sua renda e não
de seu capital.
Ainda nos anos de 1980, mais precisamente em 1989, em Basi-
léia, Suíça, é firmado um convênio internacional que estabelece as
regras para os movimentos transfronteiriços de resíduos; dispõe sobre
o controle da importação e exportação e proíbe o envio de resíduos
para países que não possuam capacidade técnica, legal e administrati-
va para recebê-los. É a Convenção de Basiléia, já ratificada por mui-
tos países, criada, entre outras razões, para coibir o comércio de resí-
duos tóxicos que são descartados em países menos desenvolvidos.

Saiba mais...
Para saber mais sobre a Convenção da Basiléia, acesse: <http://
bo.io.gov.mo/bo/i/99/34/decretolei37.asp#ptg>.

Na década de 1990, a sociedade se encontrava um pouco mais


preparada para internalizar os custos da qualidade de vida e pagar o
preço de manter limpo o ambiente em que vive. As pessoas passaram
a se dar conta da importância de manter o equilíbrio ambiental e de
entender que o efeito nocivo de um resíduo ultrapassa os limites da
área em que foi gerado ou disposto.
A “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e
Desenvolvimento”, conhecida também como Cúpula da Terra ou Rio-
92, realizada de 3 a 14 de junho de 1992, na cidade do Rio de Janeiro,

23
Curso de Graduação em Administração a Distância

resultou em dois importantes documentos: a Carta da Terra (também


conhecida como Declaração do Rio) e a Agenda 21, sobre a qual fala-
remos na Unidade 2.
Em 2002, ocorreu a Rio+10, em Joanesburgo, na África do Sul.
Eventos como esse mostraram que, no final do Século XX e início do
Século XXI, a questão ambiental ultrapassou os limites das ações iso-
ladas e localizadas, para se constituir em uma inquietação de toda a
humanidade. A preocupação com o uso parcimonioso das matérias-
primas escassas e não-renováveis, a racionalização do uso de energia
e a opção pela reciclagem, que combate o desperdício, convergem para
uma abordagem mais ampla e lógica do tema ambiental que pode ser
GLOSSÁRIO
resumida pela expressão “qualidade ambiental”.
*Tecnologias Mais
Portanto, nos anos de 1990, pudemos perceber que ocorreu uma
Limpas (Cleaner
mudança de enfoque com a gestão ambiental ou gestão ecoeficiente.
Tecnologies) – con-
junto de soluções Pudemos observar que o foco passou a ser otimizar todo o processo
que começam a ser produtivo, buscando reduzir o impacto ambiental. Surgiu o conceito
estabelecidas e dis- de prevenção, fazendo uso de tecnologias mais limpas*, menos
seminadas, por sua poluentes ou perigosas, assim como o conceito do “ciclo de vida” do
ampla utilização, a produto, que é a busca por tornar-se ecologicamente correto, desde o
fim de prevenir e nascimento do produto até o seu descarte ou com o reaproveitamento
resolver problemas
do mesmo. Ocorreu o surgimento do Ecodesign, que passa a ser inse-
ambientais, seguin-
rido como uma importante ferramenta para uma produção sustentável.
do o princípio de
proteger e conservar A introdução de novos conceitos, como: Certificação Ambiental,
o ambiente natural, Atuação Responsável e Gestão Ambiental, tende a modificar a postu-
evitando o desperdí- ra reativa que marcava, até recentemente, o relacionamento entre as
cio de recursos e a empresas, de um lado, e os órgãos de fiscalização e as ONGs atuantes
degradação na questão ambiental, de outro. Uma nova postura, baseada na res-
ambiental, almejan- ponsabilidade solidária, começa a relegar a um segundo plano as pre-
do o desenvolvi-
ocupações com multas e autuações, que vão sendo substituídas por
mento sustentável.
um maior cuidado com a imagem da empresa.
Fonte: CEBDS
(2001). A década de 1990 assistiu, também, entrar em vigor, em 1992,
as normas britânicas BS 7750 – Specification for Environmental
Management Systems (Especificação para Sistema de Gestão
Ambiental), que serviram de base para elaboração de um sistema de
normas ambientais em nível mundial. Entrar em vigor essas normas

24
Módulo 6

internacionais de gestão ambiental, que constituem a série ISO 14000,


GLOSSÁRIO
e a integração entre elas e as normas de gestão da qualidade, série ISO *Stakeholder – é tra-
9000, foi o coroamento de uma longa caminhada em prol da conser- duzido para o portu-
vação do meio ambiente e do desenvolvimento em bases sustentáveis. guês como “partes
Assim, para as empresas, a questão ambiental deixa de ser um tema- interessadas” e refe-
problema, para se tornar parte de uma solução maior: a Credibilidade re-se a todos os en-
da Empresa junto à sociedade através da qualidade e da competitividade volvidos, direta ou
indiretamente num
de seus produtos.
processo temporário
No Século XXI, ocorreu em Joanesburgo, na África do Sul, a
(projeto) ou dura-
Conferência Rio+10, com objetivo de avaliar os resultados obtidos douro (empresa).
nos dez anos seguintes à Conferência do Rio de Janeiro. As repercus- São pessoas ou gru-
sões das iniciativas estabelecidas no evento, então, envolveram gover- pos capazes de in-
nos e empresas com metas de alcançar o Desenvolvimento Sustentá- fluenciar ou ser in-
vel no Século XXI. Normas ambientais internacionais, como as da fluenciados pelos
série da ISO 14000, e o estabelecimento de conceitos como Respon- resultados estratégi-
cos alcançados. Os
sabilidade Ambiental Corporativa e Ecoeficiência são exemplos de
stakeholders de
ações no meio empresarial. As discussões sobre o Protocolo de Kyoto,
uma empresa são os
para redução das emissões de gases com impactos negativos como o seus fornecedores,
efeito estufa, sinalizam esforços governamentais. funcionários, clien-
É nesse contexto de discussões que, paralelamente, é articulada tes, comunidade do
e desenvolvida a chamada gestão ambiental. No meio empresarial, ela entorno, etc. Fonte:
evolui de forma a, inicialmente, atender às regulamentações do setor Nascimento (2008).
público e, posteriormente, às exigências dos stakeholders* e da soci-
edade como um todo. A questão ambiental é vista, então, não mais
como uma forma de responder a questões legais, mas como fator de
competitividade, conquista de mercado e manutenção, em médio e lon-
go prazo, da produção.
No Século XXI as empresas tendem a incorporar a gestão
ambiental em suas práticas, não apenas de forma reativa, mas pró-
ativa. O efeito da produção é avaliado desde a seleção da matéria-
prima até o descarte dos resíduos pelo consumidor, passando pelo
melhor aproveitamento dos insumos e resíduos lançados no ambiente.
Esse tipo de perspectiva na produção, mais do que trazer resultados
em termos ambientais, é uma gestão que reduz desperdícios de recur-
sos e, em geral, diminui custos, derrubando o conflito entre economia

25
Curso de Graduação em Administração a Distância

e ecologia, ou seja, o mito de que uma gestão ambientalmente respon-


sável é incompatível com o aspecto econômico.

RESUMO

Nesta Unidade pudemos ver que, do ponto de vista eco-


nômico, o crescimento tem que ser definido de acordo com a
capacidade dos ecossistemas em suportar o uso e se restaurar
(maior eqüidade e aumento da eficiência econômica). É o de-
senvolvimento sustentável preservando a biodiversidade e man-
tendo o respeito aos limites do ambiente natural, preocupando-
se em promover a coesão e a mobilidade social, respeitando a
identidade cultural de cada mercado, pois, enquanto existem
coisas em comum na evolução dos movimentos ambientalistas,
existem também diferenças fundamentais.
Concluímos que os movimentos em prol do ambiente na-
tural ainda são fragmentados e suborganizados, com vários
subgrupos representando de forma isolada seus próprios inte-
resses, de acordo com suas especificidades regionais. Porém,
essas exigências deverão ser ampliadas em médio e longo pra-
zo, à medida que mais e mais organizações forem aderindo ao
conceito de proteção ambiental, reforçando as exigências dos
consumidores, dos grupos ambientalistas e dos governos locais.
Isso provocará o surgimento de novas regras sobre a gestão
ambiental nas organizações e na interação entre ciência econô-
mica e ambiente natural, requerendo soluções específicas em cada
região, à luz dos dados culturais e ecológicos; mas, também, exi-
girá padrões internacionais, como já vem acontecendo em diver-
sos setores, devido à emergência do mercado internacional.

26
Módulo 6

UNIDADE

2
Impactos
Impactos no
no Macroambiente
Macroambiente

27
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará as definições e as informações relativas aos

impactos ambientais globais, como: o Efeito Estufa, a Destruição da

Camada de Ozônio e as Chuvas Ácidas, causadores de impactos no

macroambiente, já que afetam o planeta como um todo e não

diretamente em quem os gerou; mostrará as possíveis causas da

destruição da Camada de Ozônio e suas principais conseqüências;

explicar como é formada a chuva ácida e quais os danos que pode

causar; definirá e contextualizará o “Protocolo de Quioto”, bem como

seus mecanismos de flexibilização, utilizados para cumprir os

compromissos firmados. Dentre esses trataremos, em especial, os

Mecanismos de Desenvolvimento Limpo; e, por fim, exemplificará de

forma prática o cálculo de créditos de carbono.

28
Módulo 6

Introdução

Olá estudante!
Nesta Unidade veremos como os impactos ambientais po-
dem ser: locais, regionais ou globais. Analisaremos, ainda,
alguns dos principais impactos ambientais globais, como o
Efeito Estufa, a Destruição da Camada de Ozônio e as Chu-
vas Ácidas. Visando reduzir os gases causadores do Efeito
Estufa foi ratificado o Protocolo de Quioto, que é uma ino-
vadora, mas também contestadora forma de tentar resolver
esse problema. Então, abordaremos o assunto a seguir.

O Efeito Estufa

O Efeito Estufa é um termo dado ao aquecimento do Planeta


Terra devido ao espessamento da camada de gases localizada na at-
mosfera (ver Figura 2). Esse Efeito é um processo natural e importan-
te para manter a vida na Terra, mas nas últimas décadas houve um
aumento dessa camada de gases, provenientes das emissões de gases
dos automóveis (CO2), das indústrias e queimadas, entre outros. O
resultado disso é que parte dos raios infravermelhos refletidos pela
superfície terrestre é absorvida por essa camada e parte é refletida no-
vamente para a terra, aumentando assim a temperatura do Planeta.

29
Curso de Graduação em Administração a Distância

Figura 2: Efeito Estufa


Fonte: <http://www.educar.sc.usp.br>. Acesso em: 4 set. 2008.

O IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáti-


cas projeta que para os primeiros anos do Século XXI haverá uma
duplicação da quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera. Por
menor que seja o aumento da temperatura, haverá uma elevação, ge-
rando o derretimento das calotas polares (ver Figura 3) e, por conse-
qüência, a elevação do nível do mar. O aquecimento global causa de-
sastres naturais e danos para a saúde dos seres humanos e para a eco-
nomia como um todo.

Figura 3: Derretimento do gelo nos pólos


Fonte: <http://www.fuggire.it/desktop/Perito-Moreno-1024.jpg>.
Acesso em: 4 set. 2008.
30
Módulo 6

GLOSSÁRIO
Protocolo de Quioto* *Protocolo de
Quioto – É um tra-
tado internacional
Preocupados com o aumento da temperatura do Planeta, já na que estabelece com-
Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio promissos para a re-
dução da emissão
Ambiente, realizada no Rio de Janeiro em 1992, foi discutida a neces-
dos gases que pro-
sidade de ações para reduzir a emissão de CO2, o principal causador
vocam o efeito estu-
do Efeito Estufa. Outras conferências foram realizadas e esse tema foi fa, considerados
ganhando importância, até que em 1997 foi firmado o Protocolo de Quioto, como a principal
no Japão. Mas, somente em fevereiro de 2005 o Protocolo entrou em causa do aqueci-
vigor. Tal Protocolo visa reduzir 5,2%, entre 2008 e 2012, em relação aos mento global. Os
níveis de emissão de 1990, os gases que geram o efeito estufa. países desenvolvi-
O Protocolo de Quioto instituiu três mecanismos de dos que são signatá-
rios deste Protocolo
flexibilização: Emissions Trade, Joint Implementation e CDM.
têm a obrigação de
Emissions Trade (comércio de emissões) – são utilizados en- reduzir a emissão
tre países industrializados do Anexo I (ver Tabela 1). Através de gases do efeito
desse mecanismo, um país que tenha reduzido suas emissões estufa em, pelo me-
acima de sua meta, pode transferir o excesso de suas reduções nos, 5,2% em rela-
para outro país que não tenha alcançado tal condição. ção aos níveis de
1990 no período en-
Joint Implementation (implementação conjunta) – é outro tre 2008 e 2012.
“mecanismo flexível” pelo qual os países do Anexo I podem Fonte: Nações Uni-
fazer uso para reduzir suas emissões sem tomar medidas no das no Brasil (2008).
próprio país. O mecanismo possibilita a um país do Anexo I
realizar projeto de redução de gases do efeito estufa* em *Gases do Efeito
outro país do Anexo 1, contabilizando, a seu favor, as emis- Estufa (GEE) – No
sões reduzidas. âmbito do Protoco-
lo de Quioto, os se-
MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): é um guintes GEEs são
dos mecanismos de flexibilização criados pelo Protocolo de regulados: dióxido
Quioto para auxiliar o processo de redução de emissões de de carbono (CO 2),
gases do efeito estufa (GEE) ou de captura (ou seqüestro) de metano (CH4), óxi-
carbono por parte dos países do Anexo I. O Brasil propôs a do nitroso (N 4 O),
criação do Fundo de Desenvolvimento Limpo, formado por hidrofluorcarbonos
meio de contribuições dos países desenvolvidos que não cum- (HFCs), perfluorcar-
prissem suas metas. O fundo seria utilizado para desenvolver bonos (PFCs) e
projetos em países em desenvolvimento. Entretanto, em hexafluoreto de en-
Quioto, a idéia do fundo foi transformada, estabelecendo-se xofre (SF6). Fonte:
Nações Unidas no
Brasil (2008).3 1
Curso de Graduação em Administração a Distância

o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, definido no arti-


go 12 do Protocolo. O CDM – Clean Development
Mechanism, traduzido para MDL (Mecanismo de Desenvol-
vimento Limpo), tem como objetivo a diminuição da emis-
são dos gases causadores do efeito estufa, criando um meca-
nismo através do qual as partes não incluídas no Anexo I,
enquanto buscam alcançar o desenvolvimento sustentável,
auxiliam os integrantes do Anexo I no cumprimento de suas
metas de limitação de emissões, de modo que seja atingido o
objetivo do Protocolo.

A intenção do artigo 12 do Protocolo de Quioto, que institui o


MDL, é a de que aqueles países responsáveis pelas maiores emissões
de CO2 possam, enquanto não conseguem diminuir suas próprias emis-
sões, investir capitais na produção de sistemas agrícolas fixadores de
carbono da atmosfera, em países que tenham potencial para isso. En-
tão, as nações ricas, até que consigam ter o tempo suficiente para
reconversão do seu sistema de produção para sistemas de menor emis-
são de gases nocivos, poderão pagar para que países menos desenvol-
vidos criem sistemas de sumidouros de carbono.
A redução das emissões deverá acontecer em várias atividades
econômicas. O protocolo estimula os países signatários a cooperarem
entre si, através de algumas ações básicas:

Reformar os setores de energia e transportes;


Promover o uso de fontes energéticas renováveis;
Eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados
aos fins da Convenção;
Limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos
e dos sistemas energéticos; e
Proteger florestas e outros sumidouros de carbono.

O Protocolo que Quioto dividiu os países membros em dois gru-


pos. Os países industrializados, que são os maiores responsáveis pelo
efeito estufa, formam o grupo denominado Anexo I. O segundo grupo
é formado pelos demais países, ou seja, os países subdesenvolvidos

32
Módulo 6

ou em desenvolvimento. A Tabela 1 apresenta os países integrantes do


Anexo I, quanto cada país emite de gases e o quanto isso representa
proporcionalmente da emissão total.

Tabela 1: Total das emissões de dióxido de carbono das Partes do


Anexo I em 1990
Parte Emissões (Gg) Porcentagem

Alemanha 1.012.443 7,4

Austrália 288.965 2,1

Áustria 59.200 0,4

Bélgica 113.405 0,8

Bulgária 82.990 0,6

Canadá 457.441 3,3

Dinamarca 52.100 0,4

Eslováquia 58.278 0,4

Espanha 260.654 1,9

EUA 4.957.022 36,1

Estônia 37.797 0,3

Rússia 2.388.720 17,4

Finlândia 53.900 0,4

França 366.536 2,7

Grécia 82.100 0,6

Hungria 71.673 0,5

Irlanda 30.719 0,2

Islândia 2.172 0

Itália 428.941 3,1

Japão 1.173.360 8,5

Letônia 22.976 0,2

Liechtenstein 208 0

Luxemburgo 11.343 0,1

Mônaco 71 0

Noruega 35.533 0,3

Fonte: Protocolo de Quioto para a Convenção-Quadro das Nações


Unidas sobre Mudança do Clima. Disponível em: <http://www.onu-
brasil.org.br/doc_quioto.php>. Acesso em: 23 out. 2008.

33
Curso de Graduação em Administração a Distância

Tabela 1: Total das emissões de dióxido de carbono das Partes do


Anexo I em 1990
Parte Emissões (Gg) Porcentagem

Nova Zelândia 25.530 0,2

Países Baixos 167.600 1,2

Polônia 414.930 3

Portugal 42.148 0,3

Reino Unido e Irlanda do Norte 584.078 4,3

República Checa 169.514 1,2

Romênia 171.103 1,2

Suécia 61.256 0,4

Suíça 43.600 0,3

Total 13.728.306 100

Fonte: Protocolo de Quioto para a Convenção-Quadro das Nações


Unidas sobre Mudança do Clima. Disponível em: <http://www.onu-
brasil.org.br/doc_quioto.php>. Acesso em: 23 out. 2008.

O Brasil não faz parte do Anexo 1, pois suas emissões de GEEs


são recentes. Os principais responsáveis pelas emissões no Brasil são
os desmatamentos e queimadas (ver Figura 4), que representam apro-
ximadamente 75% e a queima de combustíveis fósseis, que represen-
tam 22% do total de emissões.

Figura 4: Queimadas das florestas


Fonte: <http://www.pvceara.org.br/noticias>. Acesso em: 4 set. 2008.

34
Módulo 6

Os projetos de MDL podem ser baseados em fontes renováveis


e alternativas de energia, eficiência e conservação de energia ou reflo-
restamento. Existem regras claras e rígidas para aprovação de projetos
no âmbito do MDL. Esses projetos devem utilizar metodologias apro-
vadas, devem ser validados e verificados por Entidades Operacionais
Designadas (EODs) e devem ser aprovados e registrados pelo Conse-
lho Executivo do MDL. Além disso, devem ser aprovados pelo gover-
no do país anfitrião através da Autoridade Nacional Designada (AND),
assim como pelo governo do país que comprará os CERs (Reduções
Certificadas de Emissões – Créditos de Carbono). No Brasil, a Co-
missão Interministerial de Mudança Global do Clima, estabelecida em
1999, atua como AND.
O primeiro projeto de MDL, mundialmente aprovado pela ONU,
foi o do aterro sanitário de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro,
que utiliza tecnologias de engenharia sanitária, sendo que os créditos
de carbono gerados foram negociados diretamente com a Holanda.
A quantidade de CO2, ou outros GEEs economizados ou se-
qüestrados da atmosfera, é calculada por empresas especializadas de
acordo com determinações de órgãos técnicos da ONU.

Um exemplo prático de cálculo dos créditos de carbono

A seguir será exposto um exemplo de cálculo dos valores que


uma empresa reflorestadora pode obter. Estabelecemos as seguintes
premissas:

a empresa projeta a produção de 100 toneladas de madeira,


por hectare, em um ciclo de sete anos; e
a cotação atual de um crédito de carbono é US$10,00.

As empresas especializadas estabeleceram que 100 toneladas de


madeira, em um ciclo de vida de sete anos, seqüestram 64,4 toneladas
de dióxido de carbono-equivalente.
Logo, a receita do projeto será:

1 ha x 64,4 ton CO2 equivalente/7 anos x US10 = US$92,00


por ha, ao ano.

35
Curso de Graduação em Administração a Distância

As quantidades de gases causadores de efeito estufa são calcula-


das, levando em consideração as quantidades equivalentes de CO2.
Em outras palavras, os GEEs são quantificados de acordo com seu
potencial de aquecimento global em relação ao dióxido de carbono.
Por essa razão, os créditos de carbono são cotados por tonelada de
dióxido de carbono-equivalente (CO2e). A relação entre o CO2 e ou-
tros gases responsáveis pelo efeito estufa é demonstrada na Tabela 2.

Tabela 2: Equivalência entre o CO2 e demais Gases do Efeito Estufa

GÁS DE EFEITO ESTUFA CRÉDITOS DE CARBONO (por tonelada)

CO2 – Dióxido de Carbono 1

CH4 – Metano 21

N2O – Óxido nitroso 310

HFCs – Hidrofluorcarbonetos 140 ~ 12.000

PFCs – Perfluocarbonetos 6.500 ~ 9.200

SF6 – Hexafluoreto de enxofre 22.200

Fonte: Iniciativa Verde. Disponível em: <http://


thegreeninitiative.org.br/en/duvidas#glossario> e Soluções
Ambientais. Disponível em: <http://www.co2solucoes.com.br/co2/
glossario>. Acesso em 30 out. 2008.

As empresas poluidoras compram em bolsa, ou diretamente das


organizações empreendedoras, as toneladas de carbono, seqüestradas
ou não emitidas, através de um bônus chamado Certificado de Redu-
ção de Emissões (CER). Em agosto de 2006, cada tonelada de carbo-
no estava cotada entre €15,00 e €18,00. Em 30 de novembro de 2007,
a cotação estava em €22,35. O valor deve, segundo a estimativa, vari-
ar entre €30,00 e €40,00, entre 2008 e 2012, quando a redução de
5,2%, que foi imposta pelo Protocolo, se tornará obrigatória.
Existem empresas especializadas na elaboração de projetos e na
venda dos créditos de carbono no mercado internacional. Há também
os selos que oferecem uma identificação pública de que produtos, ser-
viços, ações, instalações, eventos, etc. tiveram seus respectivos volu-
mes de emissões de GEEs neutralizados. Para receber e utilizar esses
selos é necessário que os organizadores de um evento, por exemplo,

36
Módulo 6

plantem ou paguem para alguém plantar o número de árvores que irá


absorver a quantidade de CO2 que será gerada em função da realiza-
ção desse evento. Ou seja, as emissões resultantes do consumo de ener-
gia, neste evento, as emissões correspondentes ao deslocamento das
pessoas de carro, ônibus, avião, etc.
Muitas vezes, o discurso de preocupação com o meio ambiente
está distante de ações efetivas. Acreditamos que irá ocorrer algo seme-
lhante para a utilização de sites na Internet. No início, as empresas
preocupavam apenas em ter um site, o conteúdo não importava muito,
mas com o tempo perceberam que o conteúdo era importante para o
próprio negócio e para os consumidores. Da mesma forma, as empre-
sas irão perceber que selos ambientais serão um diferencial e uma opor-
tunidade para demonstrarem as ações efetivas e transmitirem confian-
ça aos consumidores.

Figura 5: Prova definitiva sobre os efeitos do aquecimento global


Fonte: <http://www.generationv.org>. Acesso em: 4 set. 2008.

37
Curso de Graduação em Administração a Distância

GLOSSÁRIO
*Camada de ozônio Destruição da Camada de Ozônio*
– é uma camada for-
mada por gás ozô-
nio (oxigênio con-
A Camada de Ozônio (O3), localizada na estratosfera entre 15 e
centrado – O3), situ-
50 Km de altitude, forma um escudo invisível que protege a superfície
ada entre 15 e 40
km da atmosfera, do planeta contra os raios ultravioletas vindos do Sol. Essa radiação
com maior concen- UV que bronzeia, seca e envelhece a pele, é nociva aos animais e
tração aos 30 km, e plantas, principalmente porque pode danificar o DNA (ácido
que filtra as radiações desoxirribonucléico), levando eventualmente a um crescimento
Ultra-Violeta do sol, tumoroso como, por exemplo, o câncer de pele, problemas nas córneas
que são nocivas à e a fragilização do sistema imunológico.
saúde e ao meio am-
A destruição da Camada de Ozônio* ocorre em função de
biente, ou seja, trata-
fenômenos naturais, como as erupções vulcânicas, mas também devi-
se de um filtro de pro-
teção. Fonte: Cabral do à ação do homem. Os principais gases destruidores da Camada de
(2008). Ozônio são os CFCs e BrFCs, que eram utilizados em refrigeradores,
*Destruição da Ca- sprays, ar-condicionado e equipamentos industriais. Além desses ga-
mada de Ozônio – ses, também o tetracloreto de carbono e o metilclorofórmio utilizados
processo de como solventes na produção de cola e etiquetadores são responsáveis
fracionamento do pelo aumento do chamado “buraco na Camada de Ozônio”
gás ozônio por meio O buraco sobre a Antártica atingiu 29,4 milhões de km², segun-
da combinação do do medições feitas com instrumentos da NASA (ver Figura 6). A Or-
oxigênio com ou-
ganização Meteorológica Mundial (OMM) informou que esse número
tros elementos quí-
é recorde, constatando, assim, a menor quantidade de ozônio sobre a
micos, principal-
mente o cloro. É Antártica em toda a sua história.
causada pelas emis-
sões de substâncias
como o CFC e ou-
tras que contém clo-
ro, e tem como con-
seqüência uma mai-
or incidência de rai-
os Ultra-Violeta na
superfície terrestre,
causando danos à
saúde e ao meio
Figura 6: Buraco da Camada de Ozônio no Pólo Sul
ambiente. Fonte: Fonte: Organização Mundial de Meteorologia. Disponível em: <http:/
Kirchhoff (2008). /www.wmo.ch/>.Acesso em: 3 out. 2006.
38
Módulo 6

A pergunta que fazemos é: tal processo é irreversível ou essa


camada poderá ser reconstituída? Embora os CFCs não estejam sendo GLOSSÁRIO
mais utilizados nos sprays, aparelhos de ar-condicionado, refrigera- *Chuva ácida –
dores, etc., ainda é pouco eficaz o recolhimento desse gás nos apare- chuva com pH mui-
lhos antigos que estão sendo descartados. Portanto, uma grande quan- to baixo (inferior a
tidade de CFC das geladeiras velhas e de antigos condicionadores de 5,6) resultante da
precipitação, junto
ar será liberada para a atmosfera. E, quando isso acontece, as corren-
com a chuva, de
tes de ar levam esses gases para regiões como a Antártida, onde foi
substâncias ácidas,
observado o buraco, e que vem crescendo, atingindo regiões como a como o SO 2 e o
Austrália e o sul da América do Sul. NO, emitidas pela
Mesmo com a redução dos principais gases causadores da des- poluição industrial e
truição da Camada de Ozônio, segundo o Centro Nacional de Pesqui- veicular (o pH mede
sa Meteorológica da França, o buraco na Camada de Ozônio só deve- a acidez das subs-
rá diminuir a partir de 2050. tâncias químicas;
quanto menor o pH
maior a acidez; uma
chuva normal tem
Chuva ácida* pH entre 5,6 e 7,0).
Fonte: Poli (2008).

O químico e climatologista inglês, Robert August Smith, foi quem


observou a precipitação ácida que ocorreu sobre a cidade de Manchester
no início da Revolução Industrial e a denominou de chuva ácida. Com
o passar dos anos e o aumento da industrialização, esse problema se
agravou.
A água da chuva já é naturalmente ácida, mas devido a uma
pequena quantidade de dióxido de carbono (CO2) dissolvido na at-
mosfera, a chuva torna-se ligeiramente ácida, com um pH inferior a
5,6. O pH mede a acidez das substâncias químicas; quanto menor o
pH maior a acidez; uma chuva normal tem pH entre 5,6 e 7,0.
O que causa a chuva ácida é a queima dos combustíveis fósseis
e os poluentes industriais que lançam dióxido de enxofre e de nitrogê-
nio na atmosfera (ver Figura 7). A combinação desses gases com o
hidrogênio presente na atmosfera, na forma de vapor de água, resulta
então na denominada chuva ácida, que ao cair na superfície, altera a
composição química dos solos e das águas. O resultado disso é dano-

39
Curso de Graduação em Administração a Distância

so para as lavouras e as florestas, bem como para as estruturas metáli-


cas, os monumentos e as edificações.

Figura 7: Chuva Ácida


Fonte: <http://www.uems.br>. Acesso em: 4 set. 2008.

Podemos dizer que a chuva ácida nem sempre pune seus res-
ponsáveis, pois ela pode ser transportada para locais distantes de onde
ocorreram as emissões e cair em locais onde não houve queima de
combustíveis fósseis e emissões de poluentes ácidos.

Discuta com os colegas no Fórum as possíveis conseqüên-


cias do Efeito Estufa e das Chuvas Ácidas sobre a econo-
mia brasileira. O que deveria ser feito para minimizar esses
impactos?

40
Módulo 6

RESUMO

Como podemos observar, o Efeito Estufa, o buraco na


Camada de Ozônio e as Chuvas Ácidas são fenômenos que
existiriam sem a presença do homem na Terra, mas eles se agra-
varam em função da ação do homem. A natureza é muito sensí-
vel a pequenas alterações; e a queima de combustíveis fósseis,
as emissões de gases resultantes dos processos industriais e a
ação humana têm provocado esse desequilíbrio. O processo de
industrialização, no modelo que foi implantado, e o elevado
consumo de produtos industrializados são os principais respon-
sáveis pelo desequilíbrio ocorrido no meio ambiente.
O Efeito Estufa, o buraco na Camada de Ozônio e a Chu-
va Ácida são impactos ambientais no macroambiente, pois afe-
tam o planeta como um todo e não diretamente em quem os
gerou. Nas Partes II e III veremos impactos ambientais mais
localizados, em que os efeitos da poluição acontecem no local
ou na região onde foi gerado.
A próxima Unidade trata do tema Agenda 21 nos níveis glo-
bal, nacional e local e também aborda a questão da Rio+10, que
foi uma reunião de Cúpula realizada em Joanesburgo, África do
Sul, com objetivo de buscar a ratificação da Agenda 21 Global.

41
UNIDADE

3
Agenda
Agenda 21
21
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará as ações em nível global, nacional e local que

estão sendo feitas com o intuito de promover e manter um novo conceito

de desenvolvimento sustentável; explicará os objetivos, as propostas e os

compromissos da Agenda 21, bem como os meios para atingi-los; tecerá

comentários acerca das peculiaridades da Agenda Brasileira em relação às

demais; e, também, apresentará as determinações e diretrizes da

Conferência de Joanesburgo e as decisões e propostas da Conferência

Eco-92 e da Rio+10, onde foram produzidos importantes documentos.

44
Módulo 6

Introdução

Olá estudante!
Esta Unidade tratará do tema Agenda 21 nos níveis glo-
bal, nacional e local, e, também, sobre a Rio+10, que
ocorreu em Joanesburgo, em 2002, tendo em vista a im-
portância desses temas para desenvolver e implementar
um novo conceito planetário relativo ao desenvolvimento
sustentável. A Conferência Rio+10 ratificou a proposta
do estabelecimento de um padrão de produção e consumo
sustentável, que será discutido a seguir.

GLOSSÁRIO
*Agenda 21 Nacio-
Agenda 21 Global nal – Documento
gerado pelos países
que assumiram, na
Um grande passo para nortear a prática de ações sob a ótica do Rio-92, o compro-
conceito de Desenvolvimento Sustentável foi a elaboração e lança- misso de elaborar e
mento da Agenda 21 Global, na Conferência das Nações Unidas so- implementar sua
própria Agenda 21
bre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, conhecida como Eco-
Nacional. Fonte:
92 ou Rio-92, realizada em 1992, no Rio de Janeiro. A Agenda 21 é
Brasil (2008e).
um programa de ações, para o qual contribuíram governos e institui-
*Agenda 21 Brasi-
ções da sociedade civil de 179 países, que constitui a mais ousada e
leira – Ela tem por
abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária,
objetivo definir uma
um novo padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de prote- estratégia de desen-
ção ambiental, justiça social e eficiência econômica. volvimento susten-
A Agenda 21 aprovada pelos países tem a função de servir como tável para o país, a
base para que cada um deles elabore e implemente sua própria Agen- partir de um proces-
da 21 Nacional*, compromisso, aliás, assumido por todos os signatá- so de articulação e
rios durante a Eco-92. Assim, a Agenda Global foi a fonte de inspira- parceria entre o go-
verno e a sociedade.
ção para a Agenda 21 Brasileira*.
Fonte: Brasil
(2008c).

45
Curso de Graduação em Administração a Distância

Ecocidadania ou Cidadania ambiental: Relaciona-se com a


oportunidade para a implementação de ações que venham a
dar sustentabilidade às pequenas comunidades carentes, por
meio da correta exploração e comercialização de seus produ-
tos, contribuindo para reduzir a pobreza. Fonte: Jardim (2005).

Agenda 21 Brasileira

No Brasil, foi criada por decreto do Presidente da República,


em fevereiro de 1997, a Comissão de Políticas de Desenvolvimento
Sustentável e da Agenda 21, no âmbito da Câmara de Políticas dos
Recursos Naturais, incluindo representantes do governo e da socieda-
de civil, com as atribuições de:

propor estratégias de desenvolvimento sustentável; e


coordenar, elaborar e acompanhar a implementação daquela
Agenda.

Um fator diferencial da Agenda Brasileira em relação às demais


experiências no mundo é a opção pela inclusão das Agendas Locais.
Num país de dimensões continentais e de múltiplas diferenças, a cria-
ção das Agendas Locais torna-se condição indispensável para o êxito
do programa. Uma das importantes inovações da Agenda 21 brasileira
é que o objetivo comum a ser atingido não está restrito à preservação
do meio ambiente, mas ao desenvolvimento sustentável ampliado e
progressivo que introduz na discussão a busca do equilíbrio entre cres-
cimento econômico, eqüidade social e preservação ambiental.
Assim, a sociedade brasileira está procurando por uma nova
racionalidade que “garanta a solidariedade e a cooperação, tanto quanto
a continuidade do desenvolvimento e da própria vida para as gerações
futuras, ameaçadas pelo consumismo perdulário e pela exploração pre-
datória dos recursos naturais” (Fonte: <http://www.mma.gov.br>. Aces-
so em: 16 jul. 2008).

46
Módulo 6

Agenda 21 Local

A Agenda 21 Brasileira tem como opção a criação de Agendas


21 Locais. A proposta é que cada cidade faça sua Agenda 21 Local
com a participação da sociedade civil. Assim como cada país, cada
cidade deve adequar sua Agenda à sua realidade e às suas diferentes
situações e condições, sempre considerando os seguintes princípios
gerais:

participação e cidadania;
respeito às comunidades e diferenças culturais;
integração; GLOSSÁRIO
melhoria do padrão de vida das comunidades; *Agenda 21 Global
– Documento gera-
diminuição das desigualdades sociais; e
do a partir da Eco-
mudança de mentalidades. 92, ou Rio-92, e as-
sinado por 179 paí-
Os compromissos assumidos pelos representantes dos países que ses. Fonte: Brasil
aprovaram a Agenda 21 Global* são muito claros e objetivos. Preser- (2008d).
var as florestas e as nascentes, buscar substitutos para o CFC e outras
*Agenda 21 Local
substâncias que destroem a camada de ozônio, proibir a pesca – Documentos que
destrutiva, buscar novas fontes de energia renováveis, reduzir o lixo deverão ser desen-
produzido e encontrar combustíveis alternativos são alguns dos com- volvidos em cada
promissos que devem ser traduzidos em ações, quando couber, na for- município brasilei-
mulação de cada Agenda 21 Local*. ro. Fonte: Brasil
(2008b).

Saiba mais...
Para saber mais sobre a Agenda 21 Brasileira e Local, acesse:
<http://www.mma.gov.br/
index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=18&idConteudo=908>.

47
Curso de Graduação em Administração a Distância

Conferência de Joanesburg – Rio+10

A Conferência Rio+10, realizada em Joanesburgo (África do


Sul), em 2002, contou com a presença de 191 países e produziu dois
documentos oficiais: a Declaração Política e o Plano de Implementação.
A Declaração Política que recebeu o título de “O Compromisso
de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável”, estabelece posi-
ções políticas, em que pede alívio da dívida externa dos países em de-
senvolvimento e aumento da assistência financeira aos países pobres.
O Plano de Implementação, por sua vez, propõe a erradicação
da pobreza, a mudança nos padrões insustentáveis de produção e con-
sumo e a proteção dos recursos naturais. A seguir algumas das princi-
pais determinações e diretrizes deste Plano:

Os países desenvolvidos comprometem-se a diminuir o abis-


mo que os separa das nações em desenvolvimento por meio
de ações de cooperação internacional que dêem ênfase às
áreas de finanças, transferência de tecnologia, endividamento
e comércio, além de incentivar a plena participação dos paí-
ses em desenvolvimento nas decisões internacionais.
A erradicação da pobreza é o maior desafio mundial. Até
2015, a proporção de pessoas com renda inferior a US$ 1
por dia deve ser reduzida pela metade, assim como a propor-
ção de pessoas que passam fome, o que reafirma a meta
estabelecida na Declaração do Milênio da ONU.
O ano de 2015 também é o limite para que se reduza pela
metade o número de pessoas sem acesso a água potável e
segura (outra meta determinada na Declaração do Milênio) e
também sem acesso ao saneamento básico.
Criação de um Fundo Mundial para a Erradicação da Pobre-
za e Promoção do Desenvolvimento Social e Humano nos
Países em Desenvolvimento, sustentado com contribuições
voluntárias.
Com senso de urgência, devemos incrementar substancial-
mente o uso de fontes de energia renovável no consumo glo-

48
Módulo 6

bal de energia. A Iniciativa Brasileira de Energia, que pro-


punha a meta de utilização de, no mínimo, 10% de fontes de
energia renovável até 2010, foi derrotada em função da re-
sistência dos Estados Unidos e de outros países desenvolvi-
dos, além dos países membros da Organização dos Países
Produtores de Petróleo – OPEP (exceto a Venezuela).
Até 2020 devemos reduzir significativamente os efeitos no-
civos de produtos químicos e do lixo tóxico sobre o meio
ambiente e sobre a saúde humana, de acordo com o “princí-
pio da precaução”, estabelecido na Rio-92.
Até 2010, promover o acesso de países em desenvolvimento
a substâncias alternativas que não causem danos à camada
de ozônio.
Na Unidade 9, sobre os Meios de Implementação, foi reafir-
mada a recomendação de que os países desenvolvidos apli-
quem 0,7% de seu Produto Interno Bruto em assistência a
países em desenvolvimento. Cabe ressaltar que, no período de
1992 a 2002, os países ricos aplicaram apenas 0,22% de seu
PIB em ajuda às nações em desenvolvimento, apesar do acor-
do firmado em Estocolmo, em 1972, e reafirmado na Rio-92.
A última Unidade do documento trata da constituição de um
aparato institucional para alcançar a total implementação da
Agenda 21 e dos resultados da Cúpula de Joanesburgo. O
texto subentende que é necessário um novo e mais ativo con-
junto de instituições internacionais para que os problemas de
implementação das decisões da Rio-92 não se repitam (Fonte:
Os resultados da Conferência. Disponível em: <http://
www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/RelatorioGestao/Rio10/
Riomaisdez/index.php.39.html>. Acesso em: 24 out. 2008).

Em sua cidade existem ações relacionadas à Agenda 21


Local? Busque informações e, a partir delas, faça críticas e
dê sugestões, posicionando-se como administrador. Exer-
cite sua criatividade e sua capacidade pró-ativa. Mãos à
obra!

49
Curso de Graduação em Administração a Distância

Produção e Consumo Sustentável

Como vimos, a Conferência de Joanesburgo ratificou a preocu-


pação com a implantação de mecanismos que estimulem a produção e
o consumo sustentável. Essa é uma tarefa que deve ser assumida pelos
setores público e privado, bem como pelo cidadão comum, alterando
os seus hábitos de consumo. Os órgãos públicos devem propor políti-
cas e instrumentos econômicos que estimulem a alteração do padrão
de produção e consumo. O próprio Estado tem o poder de estimular as
“compras verdes”, ou seja, comprar produtos que atendam aos pa-
drões sustentáveis. E o setor privado, por sua vez, poderá continuar
lucrando, produzindo de forma sustentável, e estimulando o consumo
de produtos não tóxicos ou menos poluentes.
Num primeiro momento parece ser utópico solicitar que empre-
sas privadas adotem padrões de produção e consumo sustentável, pois
o seu objetivo é ter lucro, e o usual é estimular o consumo, sem se
preocupar com a sustentabilidade. Isso é uma verdade para algumas
empresas, mas outras estão percebendo que a sua lucratividade depen-
de do aumento do poder de compra e do desenvolvimento das classes
mais pobres.
Por muitos anos o setor privado esperou que o Estado promo-
vesse o desenvolvimento social, mas o que se viu foi justamente o
contrário, com o agravamento das condições e o empobrecimento da
população. A realidade nos mostra que no início deste século existem
dois mundos: um que não tem mais para quem vender (países ricos) e
outro que não tem como comprar (países pobres). Vender o terceiro ou
quarto carro, computador ou celular para quem já tem dois ou três
(consumidores europeus, americanos, japoneses) é mais difícil do que
financiar a venda do primeiro carro, computador ou celular para quem
é pobre, mas que deseja muito adquirir esses produtos (africanos, asi-
áticos, latino-americanos).

50
Módulo 6

Para que esse negócio ocorra é preciso melhorar as condições


de vida das populações pobres, eliminando a fome e a miséria, crian-
do postos de trabalho, preservando o meio ambiente, ou seja, tornar
mais sustentável o desenvolvimento dessas regiões. Isso interessa ao
Estado e às empresas privadas que buscam novos mercados.
A diferença do padrão de consumo fica claro nas Figuras 8 e 9.
Na Figura 8 uma família na Alemanha, com quatro pessoas, gasta cer-
ca de US$500,00 por semana com a sua alimentação, predominante-
mente de produtos industrializados.

Figura 8: Família na Alemanha com os alimentos consumidos em uma


semana (US$ 500.00)
Fonte: Hungry Planet, pelo fotógrafo Peter Menzel. Imagens dispo-
níveis em: <http://www.npr.org/templates/story/
story.php?storyId=5005952>. Acesso em: 20 jul. 2008.

Na Figura 9 é mostrada uma família no Chade, localizado no


centro-norte da África, onde seis pessoas gastam US$1,62 por sema-
na com a sua alimentação.

51
Curso de Graduação em Administração a Distância

Figura 9: Família no Chade com os alimentos consumidos numa sema-


na (US$ 1,62)
Fonte: Hungry Planet, pelo fotógrafo Peter Menzel. Imagens dispo-
níveis em: <http://www.npr.org/templates/story/
story.php?storyId=5005952>. Acesso em: 20 jul. 2008.

RESUMO

Nesta Unidade discutimos as decisões e propostas da


Conferência Eco-92 e da Rio+10, onde foram produzidos im-
portantes documentos. Esses documentos orientam políticas e
induzem ações do poder público e do setor privado. Assim,
podemos observar que, após a Unidade 1, sobre Desenvolvi-
mento Sustentável, na Unidade 2 temos a tentativa de
implementação ou a operacionalização, em nível mundial, des-
te conceito.

Produção e Consumo Sustentável é ainda um tema muito


pouco conhecido no Brasil? O que deveria ser feito para a
divulgação e implantação dessas propostas?

52
Módulo 6

PARTE

2
A
A Sustentabilidade
Sustentabilidade no
no
Microambiente
Microambiente

53
Nas Unidades da Parte I, abordamos o macroambiente, que é um dos

componentes do ecossistema de mercado. Na Parte II, vamos tratar do


Microambiente
Microambiente, que é o ambiente onde existe maior possibilidade de

interferência ou controle por parte da organização, visando garantir seus

interesses, pois o microambiente é composto por forças próximas à

organização. A seguir serão apresentados nas próximas Unidades a

Gestão Ambiental Pública, a Emissão Zero e a Produção Limpa.


UNIDADE

4
Gestão
Gestão Ambiental
Ambiental Pública
Pública
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará as definições e os conceitos relacionados à

Gestão Ambiental Pública, as atribuições e ações do governo, além dos

órgãos encarregados para sua execução; definirá aspectos ligados à

legislação e educação ambiental; esclareceremos a diferença entre lixão

e aterro sanitário; trará a proposta dos 5 Rs para não geração de lixo; e,


ainda, apresentará o desafio lançado pelo Ministério do Meio ambiente

(MMA) às instituições governamentais: a Agenda Ambiental da

Administração Pública (A3P), que indica uma nova tendência de

adequação das instituições do poder público à política de prevenção dos

impactos negativos ao meio ambiente.

56
Módulo 6

Introdução

Caro estudante!
Nesta Unidade estudaremos a Gestão Ambiental Pública
que é entendida como a gestão realizada por órgãos públi-
cos no sentido da proteção e preservação do meio ambi-
ente. As atribuições variam conforme os níveis federal,
estadual e municipal. A seguir serão descritas algumas atri-
buições e ações socioambientais que são realizadas por ór-
gãos públicos.

Os órgãos encarregados da
Gestão Ambiental Pública

A estrutura de gestão ambiental pública no Brasil está organiza-


da da seguinte forma, constituindo o Sistema Nacional do Meio Am-
biente (SISNAMA):

Órgão superior: Conselho de Governo;


Órgão consultivo e deliberativo: Conselho Nacional de Meio
Ambiente (CONAMA);
Órgão central: Ministério do Meio Ambiente (MMA);
Órgão executor: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
(IBAMA);
Órgãos setoriais;
Órgãos seccionais; e
Órgãos locais.

57
Curso de Graduação em Administração a Distância

Ou seja, o MMA (Ministério do Meio Ambiente) é responsável


pela elaboração das normas, que serão fiscalizadas, em nível federal,
pelo IBAMA, órgão que executa as leis ambientais ou mesmo as reso-
luções do CONAMA. Esse órgão é composto por membros do poder
público e membros da sociedade, não vinculados ao governo.
Nos estados, essa estrutura se reproduz, tendo um conselho es-
tadual e um órgão executor. O Ministério Público é responsável por
instaurar e julgar processos relativos à degradação do meio ambiente

Instrumentos de Política

GLOSSÁRIO Os órgãos públicos possuem o poder de comando e controle*,


*Comando e Con- ou seja, podem estabelecer padrões e controlar se esse padrão está
trole – referem-se a sendo respeitado. Por exemplo, são os órgãos de controle ambiental
instrumentos de re-
que estabelecem o padrão de emissões atmosféricas, ou de quantos
gulamentação que
PPM (partes por milhão) de determinada substância pode ter nos
estabelecem o que
está autorizado ou efluentes líquidos lançados num rio por uma empresa. A proibição ou
não fazer, bem restrição sobre a produção, comercialização ou uso de determinado
como penalidades, produto também é feita pelos órgãos de controle ambiental.
diferenciando-se Outro instrumento de comando e controle são as licenças
dos instrumentos ambientais que devem ser solicitadas para todas as grandes obras (cons-
econômicos, que trução de estradas, condomínios, túneis) ou implantação/ampliação de
atuam buscando al-
uma planta industrial.
terar condições de
mercado para favo-
recer o meio ambi-
ente. Fonte: Quintas
(2008).
Licenciamento Ambiental

O processo de licenciamento inicia com uma carta consulta


ambiental apresentada pelo interessado ao órgão de controle ambiental,
com a finalidade de verificar a viabilidade de localização. Por exem-
plo, uma construtora pretende construir um Shopping Center numa

58
Módulo 6

região da cidade e consulta o órgão ambiental municipal sobre a viabi-


lidade de executar a obra no referido local. O órgão público terá o
prazo de 15 dias para se manifestar sobre essa consulta.
Uma vez considerado viável, será então iniciado o processo de
licenciamento ambiental, que inclui a emissão de três licenças: LP (Li-
cença Prévia), LI (Licença Instalação) e LO (Licença de Operação):
Licença Prévia – nesta fase o órgão licenciador irá elaborar o
Termo de Referência para a realização do EIA/RIMA. Esse Termo é o
Estudo de Impacto Ambiental, que faz uma análise dos impactos
ambientais de uma ação proposta e das suas alternativas. O resumo
desse estudo com as principais conclusões é denominado RIMA –
Relatório de Impacto Ambiental. Durante tal processo será produzido
o Relatório de Controle Ambiental, um documento que descreve o
empreendimento, o processo de produção e caracteriza as emissões
geradas nos diversos setores do empreendimento (ruídos, efluentes lí-
quidos, emissões atmosféricas, ruídos e resíduos sólidos). Posterior-
mente é vistoriado o local do empreendimento e promovida uma audi-
ência pública, em que todos os interessados poderão se manifestar pró
ou contra o empreendimento. Os resultados da audiência pública irão
subsidiar a tomada de decisão sobre a liberação ou não da LP.
Licença Instalação – autoriza o início da construção do empre-
endimento e a instalação dos equipamentos. A execução do projeto
deve ser feita conforme o modelo apresentado. Se houver alterações
na planta ou nos sistemas instalados deve ser formalmente enviada ao
órgão licenciador para avaliação. A concessão da LI implica no com-
promisso do interessado em manter o projeto final compatível com as
condições de seu deferimento.
Licença de Operação – autoriza o funcionamento do empreen-
dimento. Deve ser requerida quando a empresa estiver edificada e após
a verificação da eficácia das medidas de controle ambiental
estabelecidas nas condicionantes das licenças anteriores. Nessas li-
cenças estão determinados os métodos de controle e as condições de
operação. A concessão da LO implica no compromisso do interessado
em manter o funcionamento dos equipamentos de controle da polui-
ção, de acordo com as condições de seu deferimento.

59
Curso de Graduação em Administração a Distância

Instrumentos de Planejamento

O objetivo é a preservação, a melhoria e a recuperação da quali-


dade ambiental na região de modo a propiciar a melhor qualidade de
vida possível. Uma prefeitura municipal deve planejar o espaço urba-
GLOSSÁRIO no; definir, por meio do seu Plano Diretor, a altura máxima dos prédi-
* E d u c a ç ã o os em cada região da cidade, onde termina o perímetro urbano; plane-
Ambiental – “[…] jar a ampliação da rede de abastecimento de água e a rede esgoto,
um processo onde serão implantadas novas praças e parques, etc.
educativo eminente-
mente político, que
visa ao desenvolvi-
mento nos Instrumentos Econômicos
educandos de uma
consciência crítica
acerca das institui-
O órgão público poderá utilizar o instrumento econômico para
ções, atores e fato-
res sociais gerado- dar incentivos fiscais para os que se enquadrarem nas suas propostas.
res de riscos e res- Poderá também oferecer financiamentos em condições especiais, como
pectivos conflitos uma forma de atrair empreendimentos para a região.
socioambientais. Os instrumentos econômicos servem como estímulo ou como
Busca uma estraté- forma de pressão, pois podem ser utilizados para tributar a poluição
gia pedagógica do ou o uso de recursos naturais. As multas são formas de penalizar quem
enfrentamento de
cometeu um crime ambiental.
tais conflitos a par-
tir de meios coleti-
vos de exercício da
cidadania, pautados
Educação Ambiental*
na criação de de-
mandas por políti-
cas públicas
participativas con- A educação ambiental pode ocorrer por meio de um processo
forme requer a ges- formal (nas escolas) ou informal (campanhas, ações práticas). Pode-
tão ambiental demo- mos dizer que a educação ambiental é um processo de educação polí-
crática” Fonte: tica que possibilita a aquisição de conhecimentos e habilidades, bem
Layrargues (2002, como a formação de atitudes que se transformam necessariamente em
p. 169). prática de cidadania (sociedade sustentável).

60
Módulo 6

Em 1999 foi aprovada no Brasil a Lei nº 9.795/99, que dispõe


sobre Educação Ambiental: “Componente essencial e permanente da
educação nacional, devendo estar presente, em todos os níveis e mo-
dalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal”. Em
seu artigo 3°, inciso V, a referida Lei delega às empresas, às entidades
de classe e às instituições públicas e privadas a incumbência de pro-
mover programas de capacitação aos seus trabalhadores, visando o
efetivo controle do meio ambiente do trabalho e suas repercussões no
processo produtivo.

Resíduos Sólidos Urbanos

Os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) são conhecidos como


“lixo”, o material que é recolhido nas residências de uma cidade. O
recolhimento e a destinação final de tais resíduos são de responsabili-
dade da Prefeitura Municipal, que em muitos casos terceiriza esse ser-
viço. Os resíduos são classificados em Perigosos (Classe I – inflamá-
veis, corrosivos, tóxicos, reativos, patogênicos); Não-Inertes (Classe
II – biodegradáveis, solúveis em água); e Inertes (Classe III – vidro,
borracha e certos tipos de plásticos).
Na maioria das cidades brasileiras não existe coleta seletiva, en-
tão todo o material recolhido será destinado para lixões ou para ater-
ros sanitários. Os lixões são áreas sem nenhum preparo e, geralmente,
estão localizados em terrenos baldios ou à margem dos rios e córregos.
Para o lixão vai o lixo orgânico (cascas de frutas e restos de
comida) junto com o lixo seco (embalagens, vidro, papel, alumínio e
plásticos). Como os sacos de lixo ficam a céu aberto, os catadores,
pessoas que retiram do lixo material para vender, passam a "trabalhar"
nesses locais. Os lixões são um sério problema ambiental e social,
pois permitem que as pessoas trabalhem em condições extremamente
precárias.

61
Curso de Graduação em Administração a Distância

Figura 10: Lixão – depósito de RSU a céu aberto


Fonte: <http://www.commons.wikimedia.org/wiki/Image>. Acesso
em: 4 set. 2008.

Os aterros sanitários são uma alternativa para o destino final dos


RSU. Esses aterros são áreas preparadas, uma espécie de piscina de
lona, em que os resíduos são dispostos e logo cobertos com terra.
Quando a célula, o buraco onde foi jogado o lixo, estiver cheio, então
será fechado com uma manta especial, isolando aquele material. Deve
haver medidas de controle para identificar se o lençol freático está
sendo afetado ou não. Em algumas regiões metropolitanas existe o
aproveitamento dos gases para a geração de energia, permitindo in-
clusive a comercialização dos créditos de carbono gerados.
O lixo é uma das grandes preocupações das administrações mu-
nicipais, pois aumenta o volume, assim como aumentam as dificulda-
des para encontrar áreas adequadas. O resultado é que o lixo está via-
jando para mais longe. A alternativa para os aterros sanitários seria
uma coleta seletiva eficiente, encaminhando o lixo seco para reciclagem
e o lixo orgânico para compostagem e geração de biogás. A alternati-
va da incineração, utilizada em países como o Japão, tem elevado cus-
to se for utilizado o sistema adequado de filtragem das emissões. Inci-
nerar o lixo sem o sistema de filtros e em baixas temperaturas pode
gerar emissões tóxicas e colocar a saúde da população em perigo.

62
Módulo 6

Mas, a melhor alternativa ainda é não gerar. A proposta dos “5


Rs” é:

Reduzir;
Reutilizar;
Reciclar;
Reprojetar (produzir de forma que o produto dure mais, que
não gere lixo); e
Rejeitar (não adquirir o lixo, reduzindo o consumo. Este é o
“R” mais difícil, pois implica e mudanças de comportamento
mais profundas).

De acordo com os 5 Rs e com a sua opinião a respeito do


tratamento dado aos resíduos urbanos, que papel você acre-
dita ter a educação ambiental, especialmente em nível
organizacional, para a efetivação de tais práticas? Busque
exemplos e dê sugestões, posicionando-se como adminis-
trador!

GLOSSÁRIO
Agenda Ambiental na Administração *A3P – (Agenda
Pública – A3P* Ambiental na Ad-
ministração Públi-
ca) é uma estratégia
de construção de
Em 1999 o Ministério do Meio ambiente (MMA) lançou o desa-
uma nova cultura
fio às instituições governamentais consubstanciada na publicada “Agen- institucional para a
da Ambiental na Administração Pública – A3P”, juntamente com vídeo inserção de critérios
educativo e motivador de novos comportamentos. Em 2004, foi cria- socioambientais na
da a chamada Rede A3P para viabilizar a troca de conhecimentos en- administração públi-
tre a Administração Pública e assim tornar palpáveis alguns dos con- ca. Fonte:
ceitos do desenvolvimento sustentável. EcoCâmara (2008).
A A3P tem por objetivo estimular a adoção de critérios
socioambientais na gestão dos órgãos públicos, visando minimizar e
ou eliminar os impactos de suas práticas administrativas e operacionais

63
Curso de Graduação em Administração a Distância

no meio ambiente, por meio da adoção de ações que promovam o uso


racional dos recursos naturais e dos bens públicos, além do manejo
adequado dos resíduos.
Buscamos adequar o comportamento do consumo do Governo
aos preceitos constitucionais sobre a responsabilidade ambiental com-
partilhada, que é tarefa de todos os segmentos da sociedade, do setor
público e do produtivo.
Desde abril de 2005, na Rede A3P, órgãos públicos de diferen-
tes instâncias têm acesso a informações sobre o desempenho dos ór-
gãos parceiros, fóruns de discussões, entre outros assuntos de interes-
se comum. Em 2005, houve um aumento de mais de 200% de órgãos
que aderiram à A3P, indicando uma nova tendência de adequação das
instituições do poder público à política de prevenção dos impactos
negativos ao meio ambiente.
O que fazer com o crescente volume de lixo que se acumula na
Administração Pública? Como usar de forma adequada os recursos
naturais - água e energia, dentro da instalação predial ocupada pela
administração pública? Como ter certeza de que o governo adquire
produtos de empresas que respeitam o meio ambiente? Como capaci-
tar gestores públicos em relação às questões ambientais? Como a Ad-
ministração Pública pode incorporar, nas suas atividades de rotina, os
princípios do desenvolvimento sustentável? O preço da vida tem que
estar embutido no cálculo de custo.

64
Módulo 6

RESUMO

Os impactos ambientais de uma região metropolitana não


se restringem apenas à coleta de lixo, tratamento de esgotos e
abastecimento de água potável. Existem outros impactos
ambientais, tais como as emissões atmosféricas, ruído e polui-
ção visual. Todos estes impactos causam muitos problemas e
preocupam seriamente as autoridades e a sociedade. E como
resolver isso? Cabe, principalmente, à administração pública
tomar medidas adequadas e sensatas para a solução destes pro-
blemas, dando exemplo e estimulando a participação dos ór-
gãos governamentais e da sociedade como um todo. Sabe-se
que algumas medidas já estão sendo implantadas, mas o pro-
blema cresce mais rápido do que as soluções.

Se você fosse o Prefeito de uma cidade como São Paulo,


que medidas você poderia propor para resolver o proble-
ma dos engarrafamentos e da qualidade do ar na cidade?

65
UNIDADE

5
Emissão
Emissão Zero
Zero
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará um histórico acerca da criação e difusão do

Programa ZERI (Iniciativa de Pesquisa em Emissão Zero), bem como os

princípios e os objetivos do Programa; oferecerá um exemplo prático de

aplicação da Emissão Zero; dará a, metodologia de aplicação, baseada

em 5 fases, e o Plano de ação em 12 passos, os quais ajudariam a tornar

o mundo melhor; e tratará a abordagem do tema “Emissão Zero” como


um novo conceito de gestão.

68
Módulo 6

Introdução

GLOSSÁRIO
Prezado estudante!
*ZERI – Zero
Nesta Unidade serão apresentadas as origens do Programa Emission Research
ZERI, seus princípios norteadores; a questão da formação Initiative ou Inicia-
de novos conglomerados produtivos; o método de cinco tiva de Pesquisa em
fases da Emissão Zero e a sugestão de plano de ação para Emissão Zero. O
tornar as cadeias de produção mais eficientes. conceito-chave do
Programa ZERI é a
proposta de trans-
formação dos pro-
Histórico cessos de produção
em cadeias produti-
vas não-poluentes.
Gunter Pauli foi o fundador e grande difusor mundial do concei- Ou seja, os proces-
to ZERI*, que significa – Zero Emission Research Initiative. O ZERI, sos produtivos de-
sob sua gestão, tornou-se um Programa da Universidade das Nações vem estimular o fun-
Unidas - UNU, Tóquio, Japão. O Programa ZERI propõe a organiza- cionamento da natu-
reza na qual nada se
ção dos processos de produção em cadeias produtivas não-poluentes.
perde, pois o resí-
Ou seja, os processos produtivos devem emular o funcionamento da
duo de um é o
natureza, na qual nada se perde, pois o resíduo de um processo é o insumo de outro
insumo de outro. processo. Aqui está
Além disso, o ZERI apresenta sugestões de como e o que as a chave para a com-
organizações podem oferecer à sociedade, visando, com isso, adaptá- preensão do ZERI.
las ao mundo moderno, pois ele aborda questões como a importância Além disso, o ZERI
da união entre todos os agentes, o verdadeiro papel do mercado, como apresenta sugestões
de como e o que as
competir, as indústrias do próximo século, os empregos em uma eco-
organizações po-
nomia sustentada e a futura ética empresarial.
dem oferecer às so-
ciedades para
adaptá-las ao mundo
Upsizing – Conglomerado de atividades industriais, no qual
moderno. Fonte:
subprodutos sem valor para um negócio são convertidos em
Zeri (2008).
inputs de valor agregado para outro. Isto possibilita o au-
mento da produtividade; a transformação global de capital;

69
Curso de Graduação em Administração a Distância

de mão-de-obra e de matérias-primas em produtos adicio-


nais e na venda de serviços, a preços competitivos, resultan-
do na geração de postos de trabalho e na redução - e eventu-
al eliminação - de efeitos adversos às pessoas e ao ambiente
natural. (PAULI, 1998).

Os princípios e o objetivo do Programa ZERI

No livro Emissão Zero: a busca de novos paradigmas – O que


os negócios podem oferecer à sociedade, Gunter Pauli (1996) apre-
senta, na primeira Unidade, a sua visão para o mundo com o foco no
ano de 2021. É por volta desse ano que o autor visualiza que o padrão
de produção será a “Emissão Zero”. Isso significa que não existirão
mais resíduos e a produção terá um processo cíclico, assemelhando-se a
forma de funcionamento da natureza. Tendo essa visão como pano de
fundo, ponderamos que a educação terá um papel preponderante, pois
ela deve criar a base para a nova realidade. Dessa forma, seu papel será
o de ensinar às crianças alguns fatos essenciais da vida, tais como:

que um ecossistema não produz resíduo, pois o resíduo de


uma espécie serve de alimento para outra;
que a matéria movimenta-se em um ciclo infindável pela teia
da vida;
que a energia impulsionadora desses ciclos ecológicos pro-
vém do sol;
que a multiplicidade garante a regeneração; e
que a vida, desde o começo, há mais de três milhões de anos,
conquistou o planeta não por meio de lutas, mas sim pela
cooperação, parceria e trabalho em teias.

Salientamos que o programa ZERI busca seguir todos esses prin-


cípios. São definidos como objetivos do conceito de Emissão Zero:

70
Módulo 6

Nenhum resíduo líquido, gasoso ou sólido;


Todos os inputs são utilizados na produção; e
Quando ocorre resíduo, ele é utilizado por outras indústrias
na criação de valor agregado.

Emissão Zero – o caso da produção de papel

O novo ambiente competitivo, no qual os adversários do merca-


do global se concentram nas fraquezas dos competidores, é o reino
dentro do qual se implanta o “conceito de emissões zero”. Um exem-
plo concreto, fornecido por Pauli (1996), é o da indústria de papel.
Por muito tempo essa indústria tem lutado para reduzir sua pro-
dução de cloro, que é uma substância química reconhecida como tóxi-
ca. A dioxina, que é um derivado do cloro, é cancerígena, sendo con-
siderada uma das toxinas mais poderosas que o homem jamais produ-
ziu. A indústria americana de papel investiu milhões de dólares para
reduzir o volume de cloro, adiantando-se à regulamentação da EPA –
Agência de Proteção do Meio Ambiente, a qual impôs reduções drás-
ticas. Entretanto, a indústria papeleira nunca conseguiu atingir a meta
de emissão zero.
Em 1989 os produtores de papel suecos e finlandeses decidiram
repensar seus processos industriais e determinar como poderiam pro-
duzir papel TLC* – Totalmente Livre de Cloro. Esse papel foi intro- GLOSSÁRIO
duzido nos mercados europeus em 1991, com um sobrepreço de 20%. *TCF – Total
A avassaladora reação positiva dos consumidores em relação ao pro- Chlorine Free. Fon-
duto foi tão alta que, em poucos meses, todos os maiores impressores te: Papel (2008).
da Alemanha tinham decidido usar inicialmente o papel TLC.
Os produtores americanos de papel, que tinham o controle de
até 30% do mercado alemão, foram eliminados em seis meses, antes
que tivessem oportunidade de reagir. Esse retrocesso foi desastroso
para os americanos num mercado de polpa de papel que está caracte-
rizado pelo excesso de capacidade. A despeito de todo o investimento

71
Curso de Graduação em Administração a Distância

que os americanos fizeram para diminuir a poluição de cloro, eles nunca


atingiram a meta zero. Os produtores finlandeses e suecos, com um
investimento substancialmente menor, tinham conseguido.
Portanto, esse exemplo mostrou que nenhum governo impôs a
opção zero. A indústria reconheceu o programa de emissão zero como
uma oportunidade única e o adotou. Esse novo sistema força os líde-
res mundiais a tornarem-se criadores de mercados. Se esses executi-
vos corporativos tiverem êxito na identificação dos pontos fracos de
seus competidores e assegurarem soluções adequadas antes que as áreas
sejam exploradas por qualquer concorrente potencial, então surgirão
os líderes oferecendo melhor valor pelo dinheiro de seus clientes.
Esta maneira de competir oferece novas e grandes oportunida-
des para organizações pequenas e médias. Essas organizações podem
estar mais comprometidas com o ambiente natural e superar as fraque-
zas das organizações maiores, ganhando assim a batalha pelo merca-
do. Assim, podemos deduzir que os recém-chegados ao mercado terão
oportunidades significativas e vantajosas de entrar nele e de fazer a
diferença, enquanto as indústrias não estiverem focadas nas questões
mencionadas a seguir:

centradas nas emissões zero;


maximizando a produtividade das matérias-primas;
buscando soluções corretivas;
dando uma alta prioridade às considerações sociais e éticas; e
conseguindo uma qualidade perfeita e satisfação total do cli-
ente, incluindo a preferência dos consumidores pela justiça
social e pelos valores éticos.

72
Módulo 6

O programa de emissões zero pode ser


aplicado em todas as indústrias

O enfoque de converter as indústrias em organizações sustentá-


veis é universal. Nesse sentido, o programa ZERI propôs uma
metodologia de implementação baseada em cinco fases, conforme pode
ser visto no Quadro 1, a seguir:

Fases Observações

1 Modelos de aproveitamento total ao se utilizar a tabela de input-output:


Refere-se à busca do rendimento total, para verificar se há possibilidades de
usar completamente os produtos no processo de fabricação para que não produ-
zam nenhum resíduo. A única indústria que talvez responda a esse princípio é a
indústria de cimento, em que todos os insumos materiais podem ser agregados ao
produto final. Nesta fase, os produtos fabricados devem ser reintegrados facil-
mente ao ecossistema sem processo, energia, transporte ou custos adicionais

2 Busca criativa de valor agregado utilizando-se modelos de output-input:


Se o princípio anterior não puder ser conseguido, então, passa-se à segunda
fase, ou fase de análise da matriz “Produtos-Insumos”. A atenção deve estar no
estabelecimento de tabelas de saída ou inventários detalhados de tudo o que
resulta do processo de fabricação de produtos acabados, incluindo os resíduos,
emissões e efluentes e o desperdício de energia. Após, realizar discussões
criativas com o propósito de imaginar como usar essas saídas de forma efetiva

3 Modelos de conglomerados industriais:


A matriz Produto-Insumo oferece uma base para a identificação dos conglome-
rados industriais. Sobre a base do encadeamento de indústrias, as corporações
necessitam estabelecer novas sociedades entre organizações que nunca antes
tinham sido consideradas, tais como a Revlon (cosméticos) e a Georgia Pacific
(uma organização voltada para a silvicultura); ou a Kikkoman (produtora de
soja) e a Marubeni (criação de peixes)

4 Identificação de avanços tecnológicos:


Esta fase visa identificar os avanços possíveis, necessários para alcançar o
sucesso. Ou seja, deve-se identificar e solucionar os gargalos tecnológicos.
Algumas vezes, necessita-se fazer reengenharia dos processos e, em outras,
descobrir novas tecnologias. Para tanto, deve-se estabelecer um programa de
pesquisa para solucionar as falhas de tal forma que a organização possa tradu-
zir as conclusões das matrizes “Produtos-Insumos” numa redução de custos,
vendas e estratégias competitivas para, assim, integrar a sustentabilidade e
preservar o ambiente natural

5 Planejamento de políticas industriais:


É o projeto de formulação de políticas. A maioria das legislações não leva em conta
as oportunidades que decorrem das matrizes “Produtos-Insumos”. Em decorrência
disso, o processo de formulação de políticas industriais deve ser repensado
73
Quadro 1: Os cinco passos do programa ZERI
Fonte: Adaptado de Pauli (1996, p. 133-135) e Pauli (1998, p. 208).
Curso de Graduação em Administração a Distância

Conforme Pauli (1996), esse enfoque metodológico das cinco


fases capacita qualquer indústria a direcionar-se para as emissões zero.
Entretanto, isso requer cooperação entre as indústrias que nunca esti-
veram encadeadas, justificando algo que já existe no ambiente natural
como um processo normal. Uma árvore não depende unicamente de si
para sobreviver. Também alimenta inúmeros insetos, pássaros e outras
plantas. Nossas formas de pensamento, normalmente simplificadas e
lineares, não podem fazer frente a essas interdependências que exis-
tem na natureza. Pauli (1996) afirma que o atual sistema de mercado é
mais eficiente que um ambiente de planejamento centralizado. Porém,
nosso sistema de mercado não pode ser apresentado como a melhor
solução possível. Suas deficiências devem ser tratadas.
Nesse sentido, os pesquisadores terão que desenvolver novas
tecnologias que sejam necessárias; as organizações deverão identifi-
car as sinergias que sejam requisitadas; os empresários terão que capi-
talizar com base nas novas oportunidades de negócio que as políticas
tradicionais de administração não atendem; e os governos deverão
adaptar-se a uma estrutura de políticas industriais inovadoras.

Um plano de ação

Pauli (1998) também apresenta um plano de ação baseado em


12 passos que, na sua visão, ajudariam a tornar o mundo melhor. Tal
plano é exposto a seguir:

1. A indústria toma a iniciativa e empreende a reestruturação


de seus processos de produção, transformando-os em cadei-
as produtivas ou conglomerados de indústrias com zero emis-
sões.
2. A indústria percebe que a grande melhora da produtivida-
de das matérias-primas é um avanço da redução de custos.
3. Os governos respondem instalando os primeiros parques
industriais com zero emissões, nos quais são combinados in-

74
Módulo 6

dústria, agricultura, construção e lazer. Os empregos e o lazer


estarão onde estiverem as pessoas.
4. Os formuladores de políticas reconsideram a democracia e
o estado de direito e deveres dos cidadãos, transformando-os
em cidadãos da rede. Os computadores e as telecomunica-
ções adaptam-se às pessoas; as pessoas não mais precisam
adaptar-se às tecnologias.
5. As universidades empreendem um grande programa para
transformar seus programas unidimensionais em enfoques
interdisciplinares, que funcionam por meio de redes.
6. Os educadores modificam seu enfoque de textos e aulas
para um aprendizado que utiliza todos os sentidos, conduzi-
do pela imagem visual, não unicamente pelo texto.
7. Os jovens e os inquietos são convocados para utilizar o
maior e o mais inexplorado recurso da sociedade: a
criatividade.
8. As forças militares convertem-se em vigias do ambiente
natural e protegem o que resta.
9. Pede-se aos pais e às mães que criem o melhor para seus
filhos e que aceitem que seu futuro não será parecido com o
que eles pensaram que o mundo seria.
10. A diversidade é a base para a sociedade do Século XXI.
A sociedade é um buquê de flores, assim, existirá unidade na
diversidade, colocando fim a uma era de fusão indiscriminada
e desordenada de culturas.
11. Uma nova ética empresarial conduzirá a responsabilida-
de corporativa na sociedade.
12. A gerência inspirará suas operações na compreensão da
imunologia.

Como podemos observar, o plano inclui diversos atores da soci-


edade, tais como as indústrias, governos, formuladores de políticas,
universidades, educadores, exércitos, famílias e os próprios jovens.
Todos possuem papel importante na mudança de paradigma. Essa
mudança de paradigma tem a ver, também, com um estilo de gestão
emergente de emissão zero.

75
Curso de Graduação em Administração a Distância

Conceito de Gestão Alvo

Gestão da qualidade total Zero defeitos

Jus-in-time Zero estoques

Satisfação total dos clientes Zero defeitos

Saúde e segurança no trabalho Zero acidentes

Produtividade total dos materiais Zero emissões

Construção do consenso Zero conflitos

Quadro 2: Emissão Zero – um novo conceito de gestão


Fonte: Pauli (1998, p. 139).

RESUMO

Nesta Unidade aprendemos que o conceito de emissões


zero proposto tem em sua base a teoria de sistemas, analisando
as unidades produtivas como o elo de uma cadeia. Para que uma
determinada unidade produtiva seja eficiente no uso dos recur-
sos, precisará contar com a participação dos demais elos dessa
cadeia. A geração de resíduos e o destino deles também depen-
dem muito da integração dessa unidade com os demais elos.
Portanto, nesta Unidade estudamos que a proposta da
Emissão Zero é a de colocar as coisas no lugar certo, ou seja,
formar clusters onde seja estimulada a interação entre as unida-
des produtivas. Os resíduos de uma poderão ser matéria-prima
de outra se as unidades estiverem fisicamente próximas e
interagindo para agregar mais valor àquele resíduo. A ação ocorre
fora dos muros de uma organização, pois ocorre no
microambiente da organização.

Você concorda com as propostas do Programa Emissão


Zero? O que precisaria acontecer para que essas propostas
obtivessem sucesso num maior número de empresas?

76
Módulo 6

UNIDADE

6
Produção
Produção Limpa
Limpa

77
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará o histórico e os conceitos de Produção Limpa

(PL) e os elementos e enfoques da PL, além do que é levado em conta

pela proposta; oferecerá medidas para a implementação das mudanças

necessárias para a prática da PL; explicará a diferença entre PL e P+L,

que será apresentada na próxima Unidade; e, finalmente, mostrará a

ferramenta usada para uma abordagem integrada e holística exigida pela


PL: a Análise do Ciclo de Vida Útil do Produto.

78
Módulo 6

Introdução

Olá estudante!
Nesta Unidade abordaremos o conceito de Produção Lim-
pa, seus objetivos, os elementos e as etapas para
implementação. Além disso, mostraremos a importância
da mudança de enfoque em processos e produtos e o pa-
pel das instituições e dos governos para o sucesso na apli-
cação de seus princípios.

Histórico

Os sistemas de produção industrial ainda se utilizam dos recur-


sos naturais (água, ar e solo) indiscriminadamente, em vastas quanti-
dades e ritmo acelerado. Abaixo, a Figura 11 representa os sistemas
lineares, denominados de “sistemas do berço ao túmulo”, pois os
insumos são extraídos da natureza (nascem) e depois descartados na
natureza (morrem). Podemos dizer que seguem uma linha reta, desde
a extração da matéria-prima, a produção do bem ou serviço e o uso e
descarte na forma de resíduo.

Figura 11: Estrutura linear da economia industrial


Fonte: <http://www.greenpeace.org>. Acesso em: 4 set. 2008.

79
Curso de Graduação em Administração a Distância

Conceito

GLOSSÁRIO Produção limpa* foi uma proposta apresentada pela organiza-


*Produção limpa – ção ambientalista não-governamental Greenpeace, em 1990, para re-
É uma proposta presentar o sistema de produção industrial que levasse em conta (ex-
para representar o traído do site do Greenpeace):
sistema de produ-
ção industrial que a sustentabilidade de fontes renováveis de matérias-primas;
leve em conta a a redução do consumo de água e energia;
sustentabilidade de
fontes renováveis a prevenção de geração de resíduos tóxicos e perigosos na
de matérias-primas; fonte de produção;
a redução do consu- a reutilização e reaproveitamento de materiais por reciclagem
mo de água e ener- de maneira atóxica e energia-eficiente (consumo energético
gia; a prevenção de eficiente e eficaz);
geração de resíduos a geração de produtos de vida útil longa, seguros e atóxicos,
tóxicos e perigosos para o homem e o ambiente natural, cujos restos (inclusive as
na fonte de produ- embalagens), tenham reaproveitamento atóxico e energia-efi-
ção; a reutilização e ciente; e
reaproveitamento
de materiais por a reciclagem (na planta industrial ou fora dela), de maneira
reciclagem de ma- atóxica e eficiente, como substitutivo para as opções de ma-
neira atóxica e ener- nejo ambiental representadas por incineração e despejos em
gia-eficiente; a gera- aterros.
ção de produtos de
vida útil longa, se- Questionando a necessidade real de um produto ou procurando
guros e atóxicos, outras formas pelas quais essa necessidade poderia ser satisfeita ou
para o homem e o reduzida, o objetivo da Produção Limpa é atender nossa necessidade
ambiente natural; a de produtos de forma sustentável, isto é, usando com eficiência mate-
reciclagem (na plan- riais e energia renováveis, não-nocivos, conservando ao mesmo tem-
ta industrial ou fora po a biodiversidade.
dela). Fonte: Nasci-
Segundo o Greenpeace, são quatro os elementos da Produção
mento (2008).
Limpa, os quais serão descritos a seguir.

80
Módulo 6

Os quatro elementos da Produção Limpa

O Enfoque Precautório

A Produção Limpa se preocupa com a redução na utilização de


materiais, água e energia, implementando o princípio precautório –
uma nova abordagem holística e integrada para questões ambientais
centradas no produto. Esse enfoque parte do pressuposto de que a
maioria dos nossos problemas ambientais – como por exemplo, o aque-
cimento global, a chuva ácida, o desgaste na camada de ozônio e a
perda de biodiversidade – é causado pela forma e ritmo no qual pro-
duzimos e consumimos recursos, prevendo que o ônus da prova fique
a cargo do agente poluidor em potencial, para que ele demonstre que
uma substância ou atividade não causará danos ambientais.
Essa abordagem rejeita o uso exclusivo da avaliação quantitati-
va do risco na tomada de decisões, pois reconhece as limitações do
conhecimento científico para determinar se o uso de uma substância
química ou atividade industrial é segura, considerando a necessidade da
participação popular na tomada de decisões políticas e econômicas.

O Enfoque Preventivo

Preconiza que os danos ambientais precisam ser evitados. Por-


tanto, toda atuação deve ser feita na fonte dos danos e não depois
deles terem sido gerados. Por exemplo, a prevenção requer alterações
de processos e produtos para impedir a utilização de matérias-primas
tóxicas, em vez de ser instalado um sistema de controle de emissões
atmosféricas (como um lavador de gases).

O Controle Democrático

O envolvimento dos trabalhadores das indústrias, consumidores


e comunidades também é um dos elementos da Produção Limpa, o
qual representa um importante passo para a mudança de cultura e cons-
ciência ambiental. O acesso a informações e o envolvimento desses

81
Curso de Graduação em Administração a Distância

atores sociais na tomada de decisões assegura o controle democrático.


Essa abordagem resguarda às comunidades o direito ao acesso às in-
formações sobre a política de gestão ambiental das organizações e in-
formações sobre seus produtos.

A Abordagem Integrada e Holística

A ferramenta usada para uma abordagem holística é a Análise


do Ciclo de Vida Útil do Produto. A abordagem integrada é essencial
para assegurar que os materiais nocivos que forem sendo progressiva-
mente eliminados, não sejam substituídos por substâncias que repre-
sentem novas ameaças ao ambiente. Os sistemas de Produção Limpa
não são poluentes em todo seu ciclo de vida útil; preservam a diversi-
dade na natureza e na cultura e garantem às gerações futuras a satisfa-
ção de suas necessidades.
O ciclo de vida útil inclui a fase de projeto de produto/tecnologia;
a fase de seleção e produção de matéria-prima; a fase de fabricação e
montagem de produto; a fase de distribuição e comercialização; a fase
de uso do produto pelo consumidor; e o gerenciamento social dos
materiais ao fim da vida útil do produto.
Na tentativa de impedir que tecnologias e produtos em fase de
eliminação gradativa em um país sejam transferidos para outro, há ne-
cessidade de acordos internacionais em algumas das seguintes áreas:

Responsabilidade pelo ciclo de vida útil, conjunta, particular


ou estrita, por danos ambientais, tanto para investidores como
para banqueiros, independentemente de seu país de origem;
Proibição da transferência de tecnologias e produtos perigo-
sos; e
Adoção de padrões comuns para avaliação e auditoria de im-
pactos ambientais.

82
Módulo 6

RESUMO

Esta Unidade mostrou que a Produção Limpa é tanto um


processo quanto um objetivo. O primeiro passo para esse obje-
tivo é mudar o processo de produção. Isso inclui melhorias na
manutenção (evitando vazamentos e derramamentos), redução
no uso de substâncias tóxicas e introdução de sistemas de
reciclagem para reutilização de águas servidas ou energia tér-
mica, que de outra forma seria dissipada. Essas medidas iniciais
podem ser implementadas sem custo, ou com baixo investimen-
to, e com economia considerável.
Mesmo que pressões políticas e de mercado possam levar
a mudanças industriais em um determinado país ou região, isso
não é suficiente para garantir mudanças globais e que não se
transfira o problema de um local para outro. A globalização do
comércio exige coordenação internacional em nível
intergovernamental.
É importante entender a diferença entre a Produção Lim-
pa (PL), discutida nesta Unidade e a Produção Mais Limpa
(P+L), que será apresentada na próxima Unidade. A PL, con-
ceito proposto pelo Greenpeace, propõe controle democrático
dos sistemas de produção, reduzindo assim os riscos para a so-
ciedade e o meio ambiente, bem como os enfoques precautório
e preventivo e abordagem holística. Já a P+L, visa aumentar a
eficiência dos recursos e reduzir a toxidade dos processos. Fa-
zendo um jogo de palavras, poderíamos dizer que a “PL é mais
limpa que a P+L”, pois a Produção Limpa é mais radical nas
suas propostas do que a Produção Mais Limpa.

Discuta com os colegas no Fórum as diferenças entre Preven-


ção e Precaução? É viável implantar numa empresa os quatro
elementos propostos pela Produção Limpa? Justifique.
83
PARTE

3
A
A Sustentabilidade
Sustentabilidade no
no
Ambiente
Ambiente Interno
Interno
A Parte III concentra-se no Ambiente Interno de uma organização.

Depois de ter abordado os temas relativos ao Macroambiente e ao

Microambiente, vamos agora olhar para dentro de uma organização. Os

conceitos e análises feitas no Ambiente Interno valem tanto para uma

empresa como para uma residência. No Ambiente Interno os gestores

da empresa, da escola, do hospital, da residência, etc. têm maior poder

de decisão do que nos ambientes vistos anteriormente.

Na Parte III, apresentaremos na Unidade 7 a Permacultura, na Unidade

8 a ISO 14000 e o Sistema de Gestão Ambiental, na Unidade 9 a

Produção Mais Limpa, na Unidade 10 o Ecodesign, na Unidade 11 o

Marketing e os Selos Verdes e, finalmente, na Unidade 12 a Gestão

Ambiental em uma residência.

O Ambiente Interno é o local onde você, como Administrador, poderá

mais facilmente aplicar seus conhecimentos de gestão ambiental, seja no

seu ambiente de trabalho ou na sua casa, mas onde quer que seja, estará

contribuindo para a sustentabilidade do Planeta. Confira!


UNIDADE

7
Permacultura
Permacultura
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará o histórico, o conceito e os objetivos da

Permacultura; esclarecerá os princípios utilizados por essa prática;

justificará o estudo dessa prática na área de Administração; proporcionará

uma apreciação da relação de uma base agricultural sustentável e a ética

do uso da terra; e, por fim, abordará algumas das mudanças necessárias

para a adoção de um modelo permacultural, através do redesenho de

ambientes e da conexão entre todos os seus elementos formadores.

88
Módulo 6

Introdução

Caro estudante!
Esta Unidade tem por objetivo apresentar o conceito de
Permacultura, que é pouco conhecido nos cursos de Ad-
ministração, pois está mais relacionado ao setor primário
de produção. Contudo, sua inclusão nesta apostila justifi-
ca-se por duas razões.
Primeiramente, porque se refere às atividades que, em ge-
ral, são realizadas no meio rural e que fazem parte do que
costumamos chamar de setor primário de produção. O es-
paço urbano de quase todas as cidades do mundo é abas-
tecido de alimentos ou de insumos para a produção atra-
vés do meio rural. Esta separação entre o rural e o urbano
ocorreu ao longo dos últimos séculos e estigmatizou o se-
tor primário no chamado mundo rural, deixando para as
cidades a aglomeração de indústrias e de prestações de
serviços de toda ordem. Veremos nesta Unidade que o
modelo pode ser alterado e que isso pode trazer benefíci-
os de toda ordem para os aglomeramentos humanos.
A segunda razão relaciona-se aos princípios encontrados
na Permacultura, que estão intimamente relacionados aos
princípios das demais vertentes ecológicas que estão sen-
do abordadas neste trabalho. Assim, apresentamos aqui o
histórico e as origens; conceitos, objetivos, filosofia e os
princípios da Permacultura.

89
Curso de Graduação em Administração a Distância

Histórico

O conceito de Permacultura* foi desenvolvido por Bill Mollison


e David Holmgren. Nos anos de 1950, Mollison começou a perceber
que grande parte dos sistemas naturais, nos quais vivia, estavam desa-
GLOSSÁRIO parecendo. Os cardumes de peixes estavam diminuindo, as algas que
*Permacultura – cobriam as praias começavam a desaparecer e grandes áreas de flores-
Conceito desenvol- ta estavam morrendo. Depois de muitos anos como cientista traba-
vido por Bill lhando para a CSIRO – Organização para a Pesquisa Científica do
Mollison e David Reino Unido, na Seção de Pesquisa de Vida Silvestre e para o Depar-
Holmgren. A tamento de Pesqueiros Interiores da Tasmânia, começou a protestar
Permacultura é um
contra os sistemas políticos e industriais mundiais.
sistema de design
Em 1968, começou a ensinar na Universidade da Tasmânia e,
para a criação de
ambientes humanos em 1974, com David Holmgren, desenvolveu uma estrutura de traba-
sustentáveis. A pala- lho para um sistema agricultural sustentável, baseado na policultura
vra em si não é so- de árvores perenes, arbustos, ervas, vegetais, fungos e tubérculos, para
mente uma contra- o qual criaram a palavra Permacultura. Este trabalho culminou em
ção das palavras 1978, com a publicação do livro “Permacultura Um”, seguido, um
permanente e agri- ano mais tarde, por “Permacultura Dois”.
cultura, mas tam-
Nos anos de 1970, Bill Mollison via a Permacultura como uma
bém de cultura per-
associação benéfica de plantas e animais em relação aos assentamen-
manente, pois cultu-
ras não podem so- tos humanos, em sua maioria direcionada para a auto-suficiência do-
breviver sem uma méstica e comunitária, e possivelmente como uma “iniciativa comer-
base agricultural cial”, a partir do excedente daquele sistema.
sustentável e uma Todavia, a Permacultura veio a significar mais do que suficiên-
ética do uso da ter- cia alimentar doméstica. Auto-suficiência alimentar não tem sentido
ra. Podemos dizer, sem que as pessoas tenham acesso a terra, à informação e aos recursos
inclusive, que sem
financeiros. Então, nos anos mais recentes, a Permacultura passou a
uma agricultura per-
englobar também estratégias financeiras e legais apropriadas, incluin-
manente não existe
a possibilidade de do estratégias para o acesso a terra, negócios e autofinanciamento re-
uma ordem social gional. Dessa forma, trata-se de um sistema humano completo.
estável. Fonte:
Pamplona (2006).

90
Módulo 6

Permacultura: origens,
conceitos, objetivo e filosofia

Podemos dizer que as origens da Permacultura existem há cerca


de dez mil anos, porque no nascedouro dessa atividade humana esta-
vam presentes a observação e o respeito à natureza que caracteriza-
vam o ser humano àquela época, e que, até hoje, servem de sustenta-
ção conceitual e prática desta que é chamada, também, de Agricultura
Permanente. Foi também nesse tempo que surgiram as primeiras
ecovilas, que, ressurgiram em nossos dias como marca de modernidade
e já se multiplicam por todo o mundo, combinando, de forma sustentá-
vel, a Permacultura e a Agricultura Familiar.
O conceito de Permacultura envolve o que finalmente estamos
começando a entender: que o homem é somente um dos componentes
da natureza, o qual está ligado a outros elementos, e que a Terra é uma
comunidade organicamente entrelaçada de plantas, animais e
microorganismos, sustentando outras formas de vida. Portanto, as prá-
ticas da Permacultura seguem estratégias que estabelecem a utilização
e a produção sem desperdícios, implementando sistemas produtivos
interligados, mantendo a diversidade, a fertilidade e a estabilidade dos
processos naturais. Esses princípios básicos podem ser reproduzidos
em qualquer bioma do mundo.
Neste sentido, podemos dizer que a Permacultura também é ade-
quada às condições ambientais e sociais do Brasil. Assim, depois de
ter suas práticas validadas e incorporadas pelo PNFC – Projeto Novas
Fronteiras da Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável (PNUD
BRA – 97/015), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Rural -
SDR/MA (Ministério da Agricultura), podemos dizer que a
Permacultura serve às políticas de governo, nos níveis federal, estadu-
al e municipal como fortalecimento da agricultura familiar e da gera-
ção de emprego, renda e sustentabilidade no meio rural brasileiro.
Então, podemos dizer que Permacultura envolve o planejamen-
to e a manutenção conscientes de ecossistemas agriculturalmente pro-

91
Curso de Graduação em Administração a Distância

dutivos, que tenham a diversidade, estabilidade e a resistência dos


ecossistemas naturais. É a integração harmoniosa das pessoas e a pai-
sagem, provendo alimento, energia, abrigo e outras necessidades,
materiais ou não, de forma sustentável.
A Permacultura é um sistema de design para a criação de ambi-
entes humanos sustentáveis. A palavra em si não é somente uma con-
tração das palavras permanente e agricultura, mas também de cultu-
ra permanente, pois culturas não podem sobreviver sem uma base
agricultural sustentável e uma ética do uso da terra. Podemos dizer,
inclusive, que sem uma agricultura permanente não existe a possibili-
dade de uma ordem social estável, na opinião de Mollison (1998).
Em um primeiro nível, a Permacultura lida com as plantas, ani-
mais, edificações e infra-estruturas (água, energia, comunicações).
Todavia, a Permacultura não trata somente desses elementos, mas prin-
cipalmente dos relacionamentos que podem ser criados entre eles por
meio da forma em que são colocados no terreno.
O maior objetivo da Permacultura, portanto, é a criação de sis-
temas que sejam ecologicamente corretos e economicamente viáveis,
que supram suas próprias necessidades, não explorem ou poluam e
que, assim, sejam sustentáveis no longo prazo. A Permacultura utiliza
as qualidades inerentes das plantas e animais, combinadas com as ca-
racterísticas naturais dos terrenos e edificações, para produzir um sis-
tema de apoio à vida, para a cidade ou a zona rural, utilizando a menor
área praticamente possível. O design na Permacultura é um sistema
para unir componentes conceituais, materiais e estratégicos em um
padrão que opera para beneficiar a vida em todas as suas formas.
A filosofia por trás da Permacultura visa trabalhar com a nature-
za e não contra ela. É um trabalho de observação do mundo natural,
com conclusões transferidas para o ambiente planejado. Necessitamos
observar os sistemas em todas as suas funções, ao contrário de exigir
somente um produto deles. Para isto, devemos admitir que os sistemas
produtivos apresentem suas evoluções próprias.
Entendemos que a Permacultura abrange os mais variados as-
pectos do nosso ser: o corpo, a mente, a família, a nossa casa e o nosso
relacionamento com a comunidade, com a natureza e com o mundo.

92
Módulo 6

Ao mesmo tempo em que junta os conhecimentos tradicionais à


tecnologia da ciência moderna, a Permacultura é simples e direta; é a
prática do óbvio. É o despertar para um entendimento consciente com
a natureza, traduzido em soluções efetivas e viáveis para os nossos
problemas de degradação.
Fukuoka (1975), em seu livro The One Straw Revolution (A re-
volução de um Fio de Palha), definiu a Permacultura como sendo uma
filosofia de trabalho com (e não contra) a natureza; de observação
atenta e transferível para o cotidiano, que se opõe ao trabalho descui-
dado; e de observação de plantas e animais em todas as suas funções,
que se opõe ao tratamento desses elementos como sistemas de um só
produto.
Fukuoka também sugere que seja adotado o princípio do aikidô
no terreno. Ou seja, ao receber um golpe, devemos deixar o corpo cair
e rolar, transformando o impacto (a adversidade) em força positiva. O
enfoque oposto seria o uso do princípio do karatê no terreno, ou seja,
fazer o solo produzir usando a força bruta, atingindo-o com muitos
golpes duros. A lição que fica é: se atacamos a natureza estamos
atacando, em última instância, a nós mesmos.
Os idealizadores da Permacultura acreditam que a harmonia com
a natureza é possível. Contudo, a idéia de superioridade sobre o mun-
do natural precisaria ser abandonada. Nós, homens e mulheres, não
somos superiores a outras formas de vida; todas as criaturas vivas são
uma expressão desta. Se pudéssemos compreender essa verdade, en-
tenderíamos que tudo o que fazemos a outras formas de vida também
estamos fazendo a nós mesmos. Aquele povo que compreende isso
jamais destrói qualquer ser vivo, salvo por necessidade absoluta.
A Permacultura é um sistema pelo qual podemos existir no Pla-
neta Terra utilizando a energia que está naturalmente em fluxo e é
relativamente inofensiva; e, da mesma forma, pelo uso de alimentação
e recursos naturais que sejam abundantes e renováveis, sem compro-
meter a vida na Terra.

93
Curso de Graduação em Administração a Distância

Se todas as técnicas para conservação e restauração do solo


já são conhecidas, o que está faltando então, para que tais
técnicas sejam implantadas?

É certo que, em todas as agriculturas permanentes, ou, generica-


mente, culturas humanas sustentáveis, as necessidades energéticas do
sistema são supridas pelo mesmo sistema. A agricultura moderna de
latifúndios é totalmente dependente de energias externas.
Contudo, mudanças são necessárias para a adequação a um mo-
delo permacultural. A mudança de sistemas onde ocorre uma agricul-
tura anual e comercial (onde a terra é considerada uma mercadoria)
para sistemas permanentes produtivos (onde a terra pertence a todos).
Envolve, também, a mudança de uma sociedade de alto consumo
energético, com o uso da terra de uma forma exploradora e destrutiva,
com uma demanda de fontes de energia externas, principalmente supri-
das por países do “terceiro mundo”, como combustíveis, fertilizantes,
proteína, trabalho e habilidades, para uma sociedade de baixo consumo.
Quando as necessidades de um sistema não são supridas dentro
dele, nós pagamos o preço em consumo de energia e em poluição.
Não podemos mais arcar com os custos verdadeiros de nossa agricul-
tura. Ela está matando nosso mundo e nos matará. Tudo que necessita-
mos para uma vida saudável está ao nosso alcance: sol, vento, prédi-
os, pedras, mar, pássaros e plantas que nos cercam. A cooperação com
todos esses fatores nos traz harmonia; a oposição a eles traz desastre e
caos, nas palavras de Bill Mollison.

Princípios da Permacultura

Existem dois passos básicos para um bom projeto permacultural.


O primeiro trata de leis e princípios que podem ser adotados em quais-
quer climas ou condições culturais. O segundo está mais associado a
técnicas e a práticas que mudam de acordo com a cultura, o clima, o
relevo, a hidrografia, dentre outros fatores.
94
Módulo 6

Os princípios da Permacultura são inerentes a qualquer projeto


permacultural, em qualquer clima e em qualquer escala. São selecio-
nados a partir dos princípios de várias disciplinas, tais como: ecologia,
conservação de energia, paisagismo e ciência ambiental. Os princípi-
os são, em resumo, os seguintes:

Localização relativa: cada elemento (casa, tanques, estradas,


etc.) é posicionado em relação a outro, de forma que se auxi-
liem mutuamente;
Cada elemento executa muitas funções;
Cada função importante é apoiada por muitos elementos, ou
seja, back-ups para funções importantes são necessários;
Planejamento eficiente do uso de energia para a casa e os
assentamentos (zonas e setores);
Preponderância do uso de recursos biológicos sobre o uso de
combustíveis fósseis;
Reciclagem local de energias (ambas: as humanas e as dos
combustíveis);
Utilização e aceleração da sucessão natural de plantas, vi-
sando o estabelecimento de sítios e solos favoráveis;
Policultura e diversidade de espécies benéficas, objetivando
um sistema produtivo e interativo; e
Utilização de bordas e padrões naturais para um melhor efeito.

O cerne da Permacultura é o design, que representa a conexão


entre elementos. Não é a água, a galinha ou a árvore. É como a água,
a galinha e a árvore estão ligadas. É exatamente o oposto do que nos
ensinam na escola. A educação desmonta tudo em pedaços, sem fazer
as devidas conexões. A Permacultura faz a conexão porque, tão logo
tenha sido compreendida a conexão, é possível alimentar a galinha a
partir da árvore. Para permitir que um componente do projeto (tanque,
casa, arvoredo, jardim, quebra-vento, etc.) funcione eficientemente,
devemos colocá-lo no lugar certo.

95
Curso de Graduação em Administração a Distância

RESUMO

Vimos aqui que a permacultura não é dogmática, confor-


me o próprio Mollison (1998) já disse certa vez. Contudo, ela
praticamente constitui-se em um dos únicos sistemas organiza-
dos de design para a vida (design for living). Essa é uma das
preocupações centrais de seus princípios. Salientamos que os
desenhos sempre levam em consideração o ambiente natural e
o ambiente construído, além, é claro, do ambiente social e eco-
nômico que circundam o projeto, buscando sempre a melhor
adaptação e adequação ao contexto. Trabalhamos com e por
meio da, mas nunca contra a natureza.
Com a expansão dos conceitos da permacultura ao redor
do mundo poderá haver, no longo prazo, o redesenho das cida-
des que hoje já estão constituídas. Será feita uma nova adapta-
ção dos ambientes, visando desenvolver pequenas comunida-
des permaculturais dentro das grandes cidades. Cada quartei-
rão pode se tornar uma comunidade permacultural, basta a co-
munidade querer e “arregaçar as mangas” para trabalhar e de-
senvolver um novo desenho, que deve ser, sempre, o mais sus-
tentável e auto-suficiente possível.
A Unidade 8, a seguir, trata dos conceitos ligados à nor-
ma ISO 14000 e suas interfaces com o desenvolvimento susten-
tável e com a competitividade nos mercados nacional e interna-
cional. Em seguida, será explicado de que maneira as normas
são criadas, sua estrutura, seus objetivos e a abrangência da
ISO 14000.

96
Módulo 6

UNIDADE

8
ISO
ISO 14000
14000 ee Sistema
Sistema de
de
Gestão
Gestão Ambiental
Ambiental

97
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará as definições de ISO 14000 e Sistema de

Gestão Ambiental (SGA), os objetivos e as diretrizes estabelecidos pela

série de normas ISO 14000; mostrará as vantagens da certificação;

tornará claro como acontece o desenvolvimento das normas; explicará

quais os primeiros passos e a situação atual da normatização relacionada às

questões ambientais; abordará o que envolve e quais os benefícios da

criação de um Sistema de Gestão Ambiental em uma empresa; e,

também, apresentará as exigências para atingir a certificação ambiental.

98
Módulo 6

Introdução

Olá estudante!
Nesta Unidade abordaremos os padrões adotados pelas
normas ISO 14000 e suas interfaces com o desenvolvi-
mento sustentável e a competitividade nos mercados naci-
onal e internacional. Explora, também, como as normas
são criadas, a estrutura da ISO, os objetivos e a abrangência
da ISO 14000.

Histórico

GLOSSÁRIO
A International Organization for Standardization – ISO*. Com
*ISO – International
sede em Genebra, na Suíça, a ISO possui mais de 130 países membros
Organization for
que participam, com direito a voto, das decisões ou, apenas, como Standardization é
observadores das discussões. Alguns países são representados por en- uma organização
tidades governamentais ou vinculadas ao governo, como por exem- não governamental
plo, o American National Standards Institute – ANSI que é a entidade internacional espe-
membro dos Estados Unidos e a Associação Brasileira de Normas cializada, fundada
Técnicas – ABNT, que é do Brasil. em 1946 com o ob-
jetivo de reunir ór-
A ISO está estruturada em aproximadamente 180 Comitês Téc-
gãos de normaliza-
nicos (TCs), cada um dos quais é especializado em minutar normas
ção de diversos paí-
em uma área particular. A ISO desenvolve normas em todos os setores ses e criar um con-
industriais, exceto nos relacionados à engenharia elétrica e eletrônica, senso internacional
às quais são desenvolvidas pela International Electrotechnical normativo de fabri-
Commission – IEC, sediada também em Genebra, que possui mais de cação, comércio e
40 países-membros. As nações-membros formam grupos técnicos de comunicações. Fon-
assessoramento, Technical Advisory Groups – TACs, que contribuem te: Standards
Development
com informações aos comitês técnicos como parte do processo de de-
(2008).
senvolvimento das normas.

99
Curso de Graduação em Administração a Distância

GLOSSÁRIO
*ISO 9000 – é a sé- Depois que uma versão preliminar de alguma norma é votada
rie de normas que por todos os países-membros, ela é publicada em forma de norma in-
descrevem os ele- ternacional, podendo ser adotada na íntegra ou com modificações.
mentos básicos e a Alguns países desenvolvem um processo paralelo de análise da versão
orientação para a internacional quanto à viabilidade de sua aceitação, enquanto estão
implementação de sendo desenvolvidas pela ISO, acelerando o processo de sua adoção,
um sistema de qua-
adotando-as como compulsórias.
lidade. Fonte: ISO
A ISO define uma norma como um acordo documentado con-
9000 – Sistemas de
Qualidade (2008). tendo especificações técnicas ou outros critérios precisos a serem uti-
lizados uniformemente como uma regra, diretriz ou definição de ca-
*ISO 14000 – é a
racterísticas, a fim de assegurar que os materiais, produtos, processos
série de normas que
tem como objetivo a e serviços sejam adequados a sua finalidade. As normas são formula-
criação de um siste- das com o objetivo principal de facilitar o comércio internacional, au-
ma de gestão mentando a confiabilidade e a eficácia das mercadorias e serviços (Fon-
ambiental que auxi- te: <www.iso.ch>).
lie as organizações a Os esforços de normatização realizados pelos diversos países
cumprirem seus eram muito restritos a ensaios e amostragens que atendessem aos pa-
compromissos assu-
drões legais, como por exemplo, a homologação pela British Standards
midos com o ambi-
Institution – BSI, em março de 1992, da norma BS 7750, já desativada,
ente natural, estabe-
lecendo, também, as a qual criou procedimentos para se estabelecer um sistema de gestão
diretrizes para as au- ambiental nas organizações no Reino Unido. A norma BS 7750 esta-
ditorias ambientais, belece um paralelo ambiental com a norma britânica de gestão da qua-
avaliação de desem- lidade BS 5750, introduzida em 1979, que serviu de base para a ela-
penho ambiental, boração das normas internacionais da série ISO 9000* de gestão da
rotulagem ambiental qualidade e garantia da qualidade. Em 1996 foi lançada a série desig-
e análise do ciclo de
nada de ISO 14000*.
vida dos produtos.
Fonte: ISO 14000 –
Gestão Ambiental
(2008).
Saiba mais...
Para saber mais sobre a ISO 14000 acesse:
<www.portalga.ea.ufrgs.br>, e leia o livro Gestão Socioambiental
Estratégica, de NASCIMENTO, Luís Felipe; LEMOS, Ângela. D.
C.; MELLO, Maria C. A., (2008).

100
Módulo 6

Objetivos das Normas ISO 14000

A série de normas ISO 14000 tem como objetivo a criação de


um sistema de gestão ambiental que auxilie as organizações a cumpri-
rem seus compromissos assumidos com o ambiente natural. Além dis-
so, em função do processo de certificação, tanto das organizações quan-
to de seus produtos e serviços, ser reconhecido internacionalmente,
possibilitam às organizações distinguirem-se daquelas que somente
atendem à legislação ambiental.
As normas da série ISO 14000 também estabelecem as diretri-
zes para as auditorias ambientais, avaliação de desempenho ambiental,
rotulagem ambiental e análise do ciclo de vida dos produtos, já citados
anteriormente, possibilitando a transparência da organização e de seus
produtos em relação aos aspectos ambientais, viabilizando harmoni-
zar os procedimentos e diretrizes aceitos internacionalmente com a
política ambiental adotada pela mesma.
As normas da série ISO 14000 mantêm a mesma numeração no
Brasil, precedida do designativo NBR da ABNT, sendo elas:

Nº DA NORMA
GRUPO DE
e DATA DA TÍTULO DA NORMA
NORMAS
PUBLICAÇÃO

ISO 14001/1996 SGA – Especificações e Diretrizes para Uso


SISTEMAS DE SGA – Diretrizes gerais sobre Princípios,
ISO 14004/1996
GESTÃO Sistemas e Técnicas de Apoio
AMBIENTAL
ISO/TR 14061/ Informação para Auxiliar Organizações
1998 Florestais no Uso das Normas ISO 14001 e
ISO 14004 de Sistemas de Gestão Ambiental

ISO 14010 /1996 Diretrizes para Auditoria Ambiental –


Princípios Gerais
AUDITORIA
AMBIENTAL ISO 14011/1996 Diretrizes para Auditoria Ambiental –
Procedimentos de Auditoria – Auditoria de
SGA

Quadro 3: A família dos padrões da ISO 14000 e trabalhos em anda-


mento
Fonte: <http://www.iso.ch//iso/em/iso9000-14000>. Acesso em: 4
ago. 2008.

101
Curso de Graduação em Administração a Distância

Nº DA NORMA
GRUPO DE
e DATA DA TÍTULO DA NORMA
NORMAS
PUBLICAÇÃO

ISO 14012/1996 Diretrizes para Auditoria Ambiental –


AUDITORIA Critérios de Qualificação para Auditores
AMBIENTAL Ambientais

ISO/WD 14015 (a Avaliação Ambiental de Locais e Organiza-


ser determinada) ções

ISO 14020/1998 Rótulos e Declarações Ambientais – Princípi-


os Gerais

ISO/DIS 14021/ Rótulos e Declarações Ambientais – Auto-


1999 declarações Ambientais
ROTULAGEM
AMBIENTAL ISO/FDIS 14024/ Rótulos e Declarações Ambientais –
1998 Rotulagem Ambiental Tipo I – Princípios e
Procedimentos

ISO/WD/TR Rótulos e Declarações Ambientais – Declara-


14025 (a ser ções Ambientais Tipo III – Diretrizes e
determinada) Procedimentos

ISO/DIS 14031/ Gestão Ambiental – Avaliação de Desempe-


AVALIAÇÃO DE 1999 nho Ambiental – Diretrizes
DESEMPENHO
ISO/TR 14032/ Gestão Ambiental – Avaliação de Desempe-
AMBIENTAL
1999 nho Ambiental – Exemplos Ilustrando o Uso
da Norma ISSO 14031

ISO 14040/1997 Análise do Ciclo de Vida – Princípios e


Práticas Gerais

ISO 14041/1998 Análise do Ciclo de Vida – Definição do


Objeto e Análise do Inventário

ISO/CD 14042/ Análise do Ciclo de Vida – Avaliação dos


1999 Impactos
ANÁLISE DO
Análise do Ciclo de Vida – Interpretação dos
CICLO DE VIDA ISO/DIS 14043/
1999 Resultados

ISO/TR 14048/ Análise do Ciclo de Vida – Formato da


1999 Documentação

ISO/TR 14049/ Análise do Ciclo de Vida - Exemplos de


1999 Aplicação da Norma ISO 14041

TERMOS E ISO 14050/1998 Gestão Ambiental – Vocabulário


DEFINIÇÕES

ASPECTOS ISO Guia 64/1997 Guia para a Inclusão de Aspectos Ambientais


AMBIENTAIS em Normas de Produtos
EM NORMAS
DE PRODUTOS

Quadro 3: A família dos padrões da ISO 14000 e trabalhos em andamento


102
Fonte: <http://www.iso.ch//iso/em/iso9000-14000>. Acesso em: 4 ago.
2008.
Módulo 6

Sistema de Gestão Ambiental

Um Sistema de Gestão Ambiental – SGA (Environmental


Management System – EMS) é definido como o conjunto de procedi-
mentos que irão ajudar a organização a entender, controlar e diminuir
os impactos ambientais de suas atividades, produtos e/ou serviços. Está
baseado no cumprimento da legislação ambiental vigente e na melhoria
contínua do desempenho ambiental da empresa, isto é, não basta estar
dentro da lei, mas deve haver, também, uma clara decisão de melhorar
cada vez mais o seu desempenho com relação ao ambiente natural
(SENAI, 2000, p. 8).
Segundo Tibor e Feldman (1996, p. 20),

[...] seus elementos incluem a criação de uma política


ambiental, o estabelecimento de objetivos e alvos, a
implementação de um programa para alcançar esses objeti-
vos, a monitoração e medição de sua eficácia, a correção de
problemas e a análise e revisão do sistema para aperfeiçoá-lo
e melhorar o desempenho ambiental geral.

Um SGA eficaz pode possibilitar às organizações uma melhor


condição de gerenciamento de seus aspectos e impactos ambientais,
além de interagir na mudança de atitudes e de cultura da empresa.
Pode, também, alavancar os resultados financeiros da mesma, uma
vez que atua na melhoria contínua de processos e serviços.

Certificação ISO 14000

Para alcançar a certificação ambiental, uma organização deve


cumprir três exigências básicas expressas na norma ISO 14001:

ter implantado um sistema de gestão ambiental;


cumprir a legislação ambiental aplicável ao local da instalação; e

103
Curso de Graduação em Administração a Distância

assumir um compromisso com a melhoria contínua de seu


desempenho ambiental.

Existe, ainda, para a obtenção de certificação ambiental, o regu-


lamento europeu Ecomanagement and Audit Scheme – EMAS, ado-
tado em 1995 no âmbito da União Européia, o qual é considerado
mais detalhado e mais prescritivo do que a ISO 14000. Estes requisi-
tos extras estão descritos em um documento produzido pelo European
Standards Body CEN (a agência européia de normas). Para se obter a
certificação, devemos observar a seguinte seqüência:

Primeira fase: explicitar os compromissos e princípios


gerenciais baseados na política ambiental da organização. A
partir do estabelecimento desta política serão definidos os
objetivos, metas e procedimentos a serem seguidos por todos
os colaboradores. Deverão ser criados procedimentos de con-
trole da documentação e deverá ter início o treinamento do
pessoal, o que pode ser chamado de fase preparatória.
Segunda fase: diagnóstico ou pré-auditoria que permitirá
identificar os pontos vulneráveis existentes nos procedimen-
tos ambientais da organização, possibilitando sua correção.
Terceira fase: é a efetiva certificação que deverá ser contra-
tada com uma entidade credenciada para emitir o correspon-
dente certificado de conformidade com a norma ISO 14001.
Nessa fase, a organização se submeterá a uma auditoria
ambiental que deverá comprovar sua conformidade com os
padrões de qualidade exigidos pela legislação ambiental, tanto
nacional como local, e pelos manuais de qualidade instituídos
e utilizados pela própria organização. Também é feita uma
auditoria de conformidade legal, comprovando a observância
da legislação ambiental aplicável ao local da instalação.

Verifique se existe alguma empresa com o certificado ISO


14000 na sua cidade ou região. Se não tiver, busque na
internet. Descubra as vantagens e maiores dificuldades para
implantar tal norma, compare os resultados com os dos
colegas no Fórum e discuta as possíveis diferenças.

104
Módulo 6

RESUMO

Nesta Unidade estudamos que as normas ISO 14000 re-


ferem-se a um processo pelo qual as organizações deverão es-
tabelecer políticas e objetivos que cumpram às leis e às regula-
mentações ambientais e evitem a poluição. Nesse sentido, por
ser um sistema de normalização abrangente, protege àquelas
organizações que respeitam as leis e os princípios da conserva-
ção ambiental, além de universalizar conceitos e procedimen-
tos, sem perder de vista características e valores regionais. Po-
rém, pode também ser utilizado somente como um mecanismo
de vantagem competitiva comercial, uma vez que as normas
não ditam como a organização deve alcançar suas metas, não
descrevem o tipo de desempenho exigido e nem determinam
quais os resultados a serem atingidos nos processos, focando
somente nos processos necessários para alcançar os resultados.

As organizações que implementam a ISO 14000 terão


maior condição para atender à legislação de seu país e possibi-
litarão uma visão mais apurada sobre as áreas que geram maior
impacto ambiental, levando a benefícios como:

Redução de custos no gerenciamento de resíduos;

Economia no consumo de energia, matéria-prima, insumos


e custos de distribuição;

Melhoria na imagem corporativa em relação aos órgãos


reguladores, aos clientes e a sociedade em geral; e

Melhoria contínua de seu desempenho ambiental.

105
Curso de Graduação em Administração a Distância

Também existem demonstrações de como a ISO 14000,


ao integrar a qualidade, a proteção ambiental, a saúde
ocupacional e a segurança, pode contribuir para a melhoria
no desempenho financeiro e ambiental da organização, não
devendo perder de vista que a obtenção do certificado não
representa o fim do processo, mas, ao contrário, é o início
de um compromisso que se estenderá por muitos anos.

106
Módulo 6

UNIDADE

9
Produção
Produção mais
mais Limpa
Limpa

107
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará o conceito e o tipo de abordagem da Produção

Mais Limpa e a relação da P+L com o desenho dos produtos e com os

serviços; esclarecerá o que visa a P+L e quais os fatores que fazem o seu

diferencial; definirá os conceitos relacionados à P+L; mostrará quais os

benefícios advindos da implementação das práticas de P+L e sua relação

com o desenvolvimento sustentável; demonstrará quais são as possíveis

barreiras internas e externas à empresa para a adoção da P+L; deixará

clara a importância de uma avaliação sistemática da P+L para identificar,

avaliar e implementar as oportunidades que ela propicia; e, também,

apresentará um exemplo prático, além de estratégia para redução de

resíduos.

108
Módulo 6

Introdução

Olá estudante!
Nesta Unidade apresentaremos a Produção Mais Limpa mos-
trando o seu conceito, histórico, benefícios e barreiras e
os passos para sua implementação. Também será feita uma
análise dos pontos-chave da P+L e apresentada a Declara-
ção Internacional sobre P+L, da UNEP, estabelecida a partir
de 19 de junho de 2002.

Conceituando e diferenciando a P+L

As nações industrializadas têm respondido à degradação


ambiental em quatro passos sucessivos: ignorar, diluir, controlar e pre-
venir. Nessa seqüência, cada passo pode ser visto como uma “solu-
ção” para os problemas que não poderiam ser resolvidos com a estra-
tégia do estágio anterior.
De acordo com a United Nations Environmental Program/United
Nations Industrial Development Organization – UNEP/UNIDO, a Pro-
dução Mais Limpa é a

aplicação contínua de uma estratégia ambiental preventiva e


integrada, nos processos produtivos, nos produtos e nos ser-
viços, para reduzir os riscos relevantes aos seres humanos e
ao ambiente natural,

conforme pode ser observado na Figura 12. Seriam ajustes no proces-


so produtivo que permitem a redução da emissão/geração de resíduos
diversos, podendo ser feitas desde pequenas reparações no modelo
existente até a aquisição de novas tecnologias – simples e/ou comple-
xas (Fonte: <http://www.unepie.org/pc/cp/understanding_cp/
home.htm>. Acesso em: 20 ago. 2008)
109
Curso de Graduação em Administração a Distância

A Produção Mais Limpa, com seus elementos essenciais, adota


GLOSSÁRIO uma abordagem preventiva, em resposta à responsabilidade financeira
*Housekeeping – adicional trazida pelos custos de controle da poluição e dos tratamen-
ou boas práticas - tos de final de tubo.
são alterações sim-
ples nos processos
ou nas matérias-pri-
mas, incluindo mu-
danças no nível
organizacional.
Normalmente, são
medidas economi-
camente mais inte-
ressantes e fáceis de Figura 12: Elementos essenciais da estratégia de P+L
Fonte: UNIDO/UNEP (1995a, p. 5)
implementar. Pode
incluir treinamento
e motivação pesso-
A Produção Mais Limpa, em relação ao desenho dos produtos,
al, alteração na for-
ma de operar os busca direcionar o design para a redução dos impactos negativos do
equipamentos, alte- ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima até a disposição final.
ração na concentra- Em relação aos processos de produção, direciona para a economia de
ção ou dosagem de matéria-prima e energia, a eliminação do uso de materiais tóxicos e a
produtos; incremen- redução nas quantidades e toxicidade dos resíduos e emissões.
to no uso da capaci- Já em relação aos serviços, direciona seu foco para incorporar as
dade dos equipa-
questões ambientais dentro da estrutura e entrega de serviços. Ou seja,
mentos; reorganiza-
a P+L serve-se sobremaneira de elementos da chamada tecnologia mais
ção do sistema de
manutenção preven- limpa (T+L), para realizar sua função de melhoria dentro das organi-
tiva e corretiva; evi- zações. O aspecto mais importante da Produção Mais Limpa é que a
tar perdas por evapo- mesma requer não somente a melhoria tecnológica, mas a aplicação
ração; melhoria nas de know-how e a mudança de atitudes. Esses três fatores reunidos é
compras, armazena- que fazem o diferencial em relação às outras técnicas ligadas a proces-
gem e entrega de pro- sos de produção.
dutos e matérias-pri-
A aplicação de know-how significa melhorar a eficiência ado-
mas; padronizações e
tando melhores técnicas de gestão, fazendo alterações por meio de
normatizações, etc.
F o n t e : práticas de housekeeping* ou soluções caseiras, e revisando políticas
Housekeeping e procedimentos quando necessário. E, mudar atitudes significa en-
(2008). contrar uma nova abordagem para o relacionamento entre a indústria e

110
Módulo 6

o ambiente, pois repensando um processo industrial ou um produto, GLOSSÁRIO


em termos de Produção Mais Limpa*, pode ocorrer a geração de *Produção Mais
melhores resultados, sem requerer novas tecnologias. Com isso, a es- Limpa (P+L) – apli-
tratégia geral para alcançar os objetivos é de sempre mudar as condi- cação contínua de
uma estratégia
ções na fonte em vez de lutar contra os sintomas.
ambiental preventi-
Pela definição do programa das Nações Unidas para o Meio
va integrada aos
Ambiente de 1994, a Produção Mais Limpa é a melhoria contínua dos processos, produtos
processos industriais, produtos e serviços, visando: e serviços para au-
mentar a ecoeficiên-
Reduzir o uso de recursos naturais; cia e reduzir os ris-
Prevenir na fonte a poluição do ar, da água, e do solo; e cos ao homem e ao
ambiente natural,
Reduzir a geração de resíduos na fonte, visando reduzir os
aplica-se a proces-
riscos aos seres humanos e ao ambiente natural.
sos produtivos, pro-
dutos e serviços.
Portanto, a P+L trabalha com a seguinte ótica e hierarquia (ver
Fonte: Nascimento
Figura 13):
(2008).

Figura 13: Princípios hierárquicos da P+L – o que fazer com os resíduos?


Fonte: UNIDO (2001, p. 11).

Conforme pôde ser observado na Figura 13, o objetivo prioritário


da P+L é evitar a geração de resíduos e emissões (nível 1). Os resídu-

111
Curso de Graduação em Administração a Distância

os que não puderem ser evitados devem, de preferência, ser reintegra-


dos ao processo de produção da empresa (nível 2). Na impossibilida-
de, devemos adotar medidas de reciclagem externa (nível 3) ou a de-
posição dos mesmos em local apropriado. Ou seja, da melhor solução
para a pior solução, em ordem seqüencial, temos o seguinte:

1. Não geração;
2. Minimização;
3. Reciclagem interna;
4. Reciclagem externa; e
GLOSSÁRIO
*Tecnologias Fim- 5. Disposição final.
de-Tubo – (End-of-
Pipe Technologies) Somente após as técnicas de prevenção serem adotadas por com-
– são as tecnologias pleto é que se deverá utilizar as opções de reciclagem. E, somente
utilizadas para o trata- depois dos resíduos serem reciclados é possível considerar o trata-
mento, minimização e mento. A Produção Mais Limpa não significa maximizar o uso de
inertização de resídu- reciclagem ou as tecnologias de controle da contaminação, conheci-
os, efluentes e emis-
das como fim-de-tubo*, antes da prevenção. A Produção Mais Limpa
sões, tais como filtros
é saber aproveitar os equipamentos e as tecnologias existentes, com o
de emissões atmos-
féricas, estações de objetivo de gerar o mínimo impacto possível.
tratamento de Porém, isso não significa que as tecnologias de fim-de-tubo não
efluentes líquido sejam opções que possam ser tomadas quando se realiza a gestão
(ETE) e as ambiental. A Produção Mais Limpa possibilita à indústria manejar os
tecnologias de trata- seus problemas de processos, produtos e serviços, com uma melhor
mento de resíduos seleção e planejamento da tecnologia, que também conduzirá a uma
sólidos. Fonte: Nas-
redução da necessidade por tecnologias de fim-de-tubo podendo, em
cimento (2002).
alguns casos, eliminar a necessidade de todas juntas.

Rejeitos industriais – tudo o que sobra de um processo pro-


dutivo, compreendendo resíduos, emissões e efluentes. Fon-
te: Costa (2008).

112
Módulo 6

Benefícios em investir em P+L

Como qualquer investimento, a decisão de investir em Produção


Mais Limpa depende da relação custo-benefício. Na prática, frente às
restrições de capital para investimentos, geralmente os gestores ado-
tam estratégias de conformidade legal (tratamento no final do proces-
so), em detrimento de estratégias preventivas, como é o caso da Pro-
dução Mais Limpa. Sem dúvida, ao comparar as mudanças que são
geradas na estrutura dos custos totais, quando decidimos investir em
Produção Mais Limpa, temos que, com o tempo, os custos diminuem
significativamente devido aos benefícios gerados a partir do aumento
da eficiência dos processos e dos ganhos, no consumo de matérias-
primas e energia e na diminuição de resíduos e emissões de
contaminantes.
Os programas de Produção Mais Limpa têm como foco o poten-
cial de ganhos diretos no mesmo processo de produção e de ganho GLOSSÁRIO
indireto pela eliminação de custos associados com o tratamento e a *Econegócio – todo
e qualquer empre-
disposição final de resíduos, desde a fonte, ao menor custo, e com
endimento que se
períodos curtos de amortização dos investimentos. A P+L geralmente
preocupa com as
oferece redução nos custos e melhora a eficiência das operações, faci- variáveis ambiental,
litando às organizações alcançarem suas metas econômicas, ao mes- social e econômica,
mo tempo em que melhoram o ambiente. Mais uma vez, a ênfase na e que seja pró-ativo
implementação está na mudança de atitudes e na visão sobre a produ- em criar mecanis-
ção e o ambiente. mos de proteção
Sendo assim, com a perspectiva de garantir o desenvolvimento (preservação ou
conservação) dos
sustentável e enfrentar novos caminhos da competitividade industrial,
recursos, tanto natu-
a estratégia de estruturar um Sistema de Gestão Ambiental nas organi-
rais quanto cultu-
zações pode ser considerada como uma fonte de oportunidades e não rais, desde a con-
como um obstáculo. Dentro desta estratégia, adotar a Produção Mais cepção dos produ-
Limpa resulta em uma alternativa viável para o sucesso dos objetivos tos até a sua dispo-
organizacionais. sição final. Fonte:
A P+L pode, também, ser um importante instrumento para a for- Instituto Inovação
mação de econegócios*, devido aos valores e princípios que começam (2008).
a fazer parte das organizações que a implementam. Um econegócio,

113
Curso de Graduação em Administração a Distância

[...] é todo e qualquer empreendimento que se preocupa com


as variáveis ambiental, social e econômica, e que seja pró-
ativo em criar mecanismos de proteção (preservação ou con-
servação) dos recursos, tanto naturais quanto culturais, des-
de a concepção dos produtos até a sua disposição final (LE-
MOS, 2002).

Saiba mais...
Para saber mais sobre P+L, acesse:
<www.portalga.ea.ufrgs.br>, e leia o livro Gestão Socioambiental
Estratégica.

Barreiras à implementação da P+L

Existe uma grande relutância para a prática de P+L. Os maiores


obstáculos ocorrem em função de: resistências à mudança, concep-
ções errôneas (falta de informação sobre a técnica e a importância dada
ao ambiente natural), não existência de políticas nacionais que dêem
suporte às atividades de produção mais limpa, barreiras econômicas
(alocação incorreta dos custos ambientais e investimentos) e barreiras
técnicas (novas tecnologias).
Segundo a UNIDO/UNEP, as organizações ainda acreditam que
sempre necessitariam de novas tecnologias para a implementação de
P+L, quando na realidade, aproximadamente 50% da poluição gerada
em vários países poderia ser evitada somente com a melhoria em prá-
ticas de operação e mudanças simples em processos. Também já foi
verificado que toda vez que houve uma legislação obrigando as orga-
nizações a mudarem seus processos de produção ou serviços, houve
uma maior eficiência e menor custo de produção.
Conforme Schmidheiny (apud Lemos, 1998), existem três im-
pedimentos principais que servem como barreiras para a adoção de

114
Módulo 6

posturas ambientalmente corretas: as preocupações econômicas, a fal-


ta de informações e as atitudes dos gerentes.
O projeto conhecido como DESIRE (Demonstration in Small
Industries for Reducing waste), que foi implementado na Índia a partir
de março de 1993, buscou mapear as barreiras que poderiam interferir
na implementação da P+L em pequenas empresas daquele país (Berkel,
1995; UNIDO/UNEP, 1995 apud Lemos, 1998). Essas barreiras fo-
ram classificadas em uma matriz de duas dimensões, conforme a Ta-
bela a seguir. A primeira dimensão trata da natureza das barreiras.
A segunda, da localização da barreira (interna ou externa à empresa).

Tabela 3: Categorias de barreiras à implementação da P+L nas indústri-


as de pequeno porte

Tipos de
Internas à Empresa Externas à Empresa
barreiras

Alto turnover do staff Falta de pessoal qualificado


(empregados)
Falta de participação dos
trabalhadores
Organizacionais
Falta poder de tomada de
decisão
Ênfase na produção
Falta de reconhecimento

Falta de documentação Insuficiente pressão de políticas


confiável da produção ambientais
Sistêmicas Falta de um sistema contábil Informação ambiental não
Falta de planejamento disponibilizada (substitutos mais
seguros, tecnologias limpas, etc.)

Atitude de baixo risco do Limitada consciência pública


empreendedor ambiental
Indiferença à proteção
ambiental
Nenhuma orientação para a
Comportamentais
manufatura
Falta uma cultura de
“housekeeping”
Resistência à mudança
Falta de liderança
Falta de supervisão efetiva
Medo do fracasso

Fonte: Adaptado de Berkel (1995); UNIDO/UNEP (1995c apud 115


LEMOS, 1998).
Curso de Graduação em Administração a Distância

Tabela 3: Categorias de barreiras à implementação da P+L nas indústri-


as de pequeno porte

Tipos de
Internas à Empresa Externas à Empresa
barreiras

Critério de investimento ad “Custos ambientais” baixos – ou


hoc (eventual) mesmo – inexistentes
Sem disponibilidade de Falta de políticas de impostos
fundos preferenciais para as Indústrias de
Econômicas
Plano de investimentos Pequeno Porte
Tecnológicas inadequado Ocorrência de impostos de importa-
Governamentais ção para a tecnologia mais limpa
Diferenciação em impostos de
Outras barreiras
importação

Equipamento obsoleto Informação limitada sobre


Falta de infra-estrutura tecnologias disponíveis localmente
adequada na empresa Falta de acesso à informação técnica
Falta de pessoal técnico – orientada para o desenho de
treinado produto

“Gap” tecnológico
GLOSSÁRIO
Inadequada política de preços para a
*ONGs – Organiza- água
ções Não Governa- Ênfase na abordagem fim-de-tubo
mentais. Fonte: Ela- Falta de uma política industrial
borado pelo autor. Falta de incentivos para esforços de
redução de resíduos e emissões

Limitação de espaço Falta de apoio institucional


Variações sazonais Falta de pressão pública para
controlar a poluição (ONGs*)

Fonte: Adaptado de Berkel (1995); UNIDO/UNEP (1995c apud


LEMOS, 1998).

Os resultados preliminares do Projeto DESIRE provaram que


uma avaliação sistemática da P+L para identificar, avaliar e implementar
as oportunidades que ela propicia, contribui para a ocorrência de
melhorias econômicas e ambientais de curto prazo para as empresas.
A P+L pode criar uma diversidade de benefícios para as empre-
sas e para toda a sociedade. Os benefícios mais evidentes são a melhoria
da competitividade (por meio da redução de custos ou melhoria da

116
Módulo 6

eficiência) e a redução dos encargos ambientais causados pela ativida-


de industrial.
Ao mesmo tempo, também, verificamos a melhoria da qualida-
de do produto, bem como das condições de trabalho dos empregados,
contribuindo para a segurança dos consumidores e dos trabalhadores.
A P+L oferece oportunidades para uma relação ambiental do tipo “ga-
nha-ganha”, onde a melhoria ambiental pode andar junto com os be-
nefícios econômicos, gerando um verdadeiro círculo virtuoso.
Assim, pelo que foi visto até agora, podemos dizer que existem
ligações entre os objetivos comerciais e as políticas referentes às ques-
tões ambientais. Também, podemos dizer que são tais políticas que
impulsionam a tomada de decisão para adotar a P+L que, por sua vez,
pode gerar inovação e competitividade para a empresa que a adota.

Um exemplo de aplicação de P+L

A Empresa Esquadrias Brondini & Cia produz esquadrias (por-


tas e janelas) de madeira. Aproximadamente 95% da sua produção são
destinadas à exportação, para clientes altamente exigentes. A Empre-
sa utiliza como matéria-prima principal Pinus e Araucária, madeira
oriunda de florestas manejadas, e planta mais de 50% da madeira que
utiliza nos seus processos produtivos.
Produzir esquadrias de madeira implica em preparar a madeira
vinda da floresta por meio de diversas operações, secá-la e depois inici-
ar propriamente o processo de produção. As perdas são perceptíveis,
pois cada vez que se executa uma operação de serra ou de retirada de
partes indesejáveis da madeira, estão sendo gerado resíduos. A Empre-
sa sabia que gerava resíduos, mas nunca havia quantificado, não sabia
quanto da madeira que entrava no pátio de toras era transformado em
esquadrias, ou seja, que embarcava no caminhão como produto.
Uma dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação
em Engenharia de Produção da Universidade Federal do Rio Grande

117
Curso de Graduação em Administração a Distância

do Sul mediu durante o mês de fevereiro de 2007 a quantidade de


metros cúbicos de madeira que entraram e saíram em cada etapa do
processo. Foi identificado quantos metros cúbicos de madeira chega-
ram no pátio de toras e depois foram sendo pesadas as quantidades de
madeira que entravam e que saiam em cada etapa do processo, identi-
ficando assim as perdas ocorridas naquela operação.

Em sua opinião, quanto percentual de madeira, que en-


trou na empresa, foi embarcada no caminhão como
esquadria (produto)?

Figura 14: Madeira preparada para produzir as esquadrias


Fonte: Giacomet (2008).

Conforme informado anteriormente, as medições realizadas iden-


tificaram que no mês de fevereiro de 2007 entraram 25.000m³ de ma-
deira no pátio de toras, onde é realizada a operação de desgalhamento
e descascamento, que resultou na retirada de 2.290m³ (9,16% do vo-
lume que entrou). As próximas etapas foram: serra fita dupla,
refiladeiras, destopadeira e, quando as tábuas estavam prontas, foram
encaminhadas para a estufa (ver Figura 15).

118
Módulo 6

Figura 15: Pátio de Toras e Serraria da Empresa Brondini


Fonte: Giacomet (2008).

Dos 25.000m³ que chegaram à Empresa, apenas 11.457m³ fo-


ram encaminhados para a manufatura de esquadrias. Na preparação
das tábuas houve uma perda de 53,17% do volume inicial. Veja na
Figura 16 as próximas etapas e as perdas em cada uma delas.

Figura 16: Processo de manufatura das esquadrias Brondini


Fonte: Giacomet (2008).

O processo de manufatura inicia-se com a operação de plaina,


seguida do destopo, emendas das tábuas, desdobros, produção dos
moldes e cabine de pintura. Depois disso as esquadrias são empacota-
das e carregadas nos containers para seguirem viagem via rodoviária
até o porto de Paranaguá.
Os 11.457m³ de tábuas que chegaram ao setor de manufatura de
esquadrias passaram pelas operações descritas acima e resultaram em
apenas 4.801m³ de esquadrias. Este volume corresponde a 19,20% do
volume inicial (25.000m³) de madeira que entrou na empresa, ou seja,
80,80% não foi transformado em esquadria. Deste volume, alguma
parte é comercializada como cama de aviário, combustível para fornos

119
Curso de Graduação em Administração a Distância

das indústrias cerâmicas, combustível para fornos e caldeiras de frigo-


ríficos, etc.
Embora estes resíduos sejam comercializados, eles devem ser
considerados como perdas, pois o valor é muito menor do que os das
esquadrias. Se vender resíduo for um bom negócio, então a empresa
deveria deixar de fazer esquadrias para produzir resíduos, concordam?
Sua venda deve ser considera uma forma de reduzir o prejuízo pelo
não uso da matéria-prima no produto final.
Cabe destacar que, apesar do baixíssimo aproveitamento da
matéria-prima a empresa Brondini é lucrativa e está ampliando suas
exportações para a Europa. Mas, os dados apresentados chocaram os
gestores e, a partir dessa informação, foi formado um grupo de traba-
lho para buscar elevar o percentual de aproveitamento da madeira na
produção de esquadrias.

O baixo aproveitamento da matéria-prima na Empresa


Brondini é uma exceção nas empresas brasileiras ou é uma
prática comum? Comente e exemplifique.

120
Módulo 6

RESUMO

As grandes perdas não são identificadas pela P+L. Quan-


do rompe uma tubulação, logo é realizada uma ação corretiva,
não precisa de P+L, mas a torneira gotejando pode permanecer
por meses ou anos sem que seja tomada uma atitude. Para o
vazamento da torneira, as perdas da serra, das cascas das toras,
etc., a P+L tem se mostrado uma ferramenta muito útil.
No exemplo da Empresa Brondini, houve a medição ape-
nas do fluxo de massa, de quanto entrou e quanto saiu em cada
estação de trabalho. O mesmo poderia ser feito em relação ao
consumo de energia de cada estação, ou ainda, analisar o uso
de produtos tóxicos, como as tintas e solventes utilizadas no
processo para a fabricação das esquadrias.
Os gestores precisam ter em mente o seguinte: “Tudo o
que não se pode medir, não se pode melhorar”. Em outras pala-
vras, não basta saber o valor da conta de energia, de água e
quanto de matéria-prima foi adquirida, é preciso saber como e
onde estes recursos foram utilizados, identificando o consumo
de cada estação de trabalho. De posse destas informações (me-
dições), os gestores poderão, juntamente com os operadores
destas estações, desenvolverem um brainstorm (tempestade de
idéias ou “toró de palpites”, como é traduzido por alguns) e
gerarem idéias para reduzir as perdas.
A meta deve ser resíduo zero. Se, de um ano para outro
houver uma redução em 20% do volume de resíduos, ótimo!
Desafie a equipe para reduzir em mais 20% no próximo ano.
Difícil? Sim, mas estimule seus colaboradores e ofereça prêmi-
os pelas conquistas e verá que a empresa reduzirá seus custos
significativamente sem fazer grandes investimentos. Produção

121
Curso de Graduação em Administração a Distância

Mais Limpa é barata e dá retorno no curto prazo, a dificuldade


maior é a mudança de comportamento e acreditar que as mu-
danças são possíveis e que dependem de quem trabalha na em-
presa.

122
Módulo 6

UNIDADE

10
Ecodesign
Ecodesign

123
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará o conceito e as novas concepções de Ecodesign

e as definições de Ecodesign, na visão de diferentes autores; mostrará

todas as fases que envolvem um projeto de Ecodesign; explicar o Check-list

de Ottman, o qual trata de questões que, ao serem respondidas,

provocam uma reflexão sobre as oportunidades para refinar e “esverdear”

os atuais produtos ou desenvolver outros que atendam às exigências

ambientais, bem como satisfaçam às necessidades dos consumidores

ambientalmente conscientes; e abordará a relação de P+L com processos

e Ecodesign com produtos e serviços.

124
Módulo 6

Introdução

Caro estudante!
Nesta Unidade você observará que Ecodesign e Design for
Environment (DfE) são sinônimos, ou melhor, o termo
Ecodesign é mais utilizado na literatura européia enquanto
que Design for Environment é mais utilizado na literatura
americana. Ambos são ferramentas para o desenvolvimen-
to e avaliação do desempenho de produtos e serviços. Usan-
GLOSSÁRIO
do esta ferramenta será possível verificar as características
*Ecodesign – é o
ambientais do produto ou serviço, bem como identificar
projeto para o meio
oportunidades para melhorar o seu desempenho ambiental.
ambiente, a consi-
O foco do Ecodesign é o produto ou serviço. Esta Unidade
deração sistemática
é baseada na obra de Nascimento e Venzke (2006)
do desempenho do
publicada como capítulo do livro Abordagens e Ferramentas
projeto, com relação
de Gestão Ambiental nas Organizações.
aos objetivos
ambientais, de saúde
e segurança, anali-
sando o produto ou
Evolução do Ecodesign* processo ao longo
de seu ciclo de vida,
tornando-os
ecoeficientes, ou
Conforme descrito nas Unidades anteriores, a partir da década seja, que haja uma
de 1960 do Século XX crescem as preocupações relativas à degrada- ligação entre efici-
ção ambiental. No que se refere ao design, houve uma evolução do ência dos recursos
conceito e, a partir da década de 1990, surgiram novas concepções de (que leva a produti-
projetos, denominadas de DfX (Design for X), onde “X” representa o vidade e
objetivo deste projeto, como por exemplo, DfA (Design for Assembly), lucratividade) e res-
ponsabilidade
DfD (Design for Disassembly), DfE (Design for Environment), etc.
ambiental. Fonte:
Segundo Fiksel (1996), a idéia de incluir as questões ambientais
Nascimento et. al.
durante o projeto ganha força a partir dos anos 90, com o conceito (2008).
DfE (Projeto para o Meio Ambiente) criado a partir dos esforços das
indústrias eletrônicas dos EUA, que buscavam uma forma de produ-

125
Curso de Graduação em Administração a Distância

ção que causasse o mínimo de impacto adverso ao meio ambiente.


Assim, a Associação Americana de Eletrônica (American Electronics
Association) formou uma força tarefa para o desenvolvimento de pro-
jetos com preocupação ambiental e elaboração de uma base conceitual
que beneficiasse primeiramente os membros da associação. A partir
de então, o nível de interesse pelo assunto tem crescido rapidamente
em outros setores.
O conceito DfE é utilizado em outros setores, e por outros auto-
res, com o nome de Ecodesign, Green Design, Design de Fabricação
Ambientalmente Consciente, etc. Esses diferentes nomes podem ser
considerados sinônimos, pois todos buscam a inclusão das questões
ambientais na concepção de projetos de novos produtos, processos ou
serviços. Embora este conceito seja mais utilizado no desenvolvimen-
to de produtos, ele também pode ser utilizado na concepção de pro-
cessos e serviços. Nesta Unidade, adotaremos o termo Ecodesign para
expressar a preocupação com o meio ambiente na concepção de pro-
jetos de produtos, processos e serviços.

As definições e aplicações do Ecodesign

Uma revisão na literatura nos remete a alguns autores que inves-


tigaram este tema e apresentaram suas definições de ecodesign. Cabe
destacar as concepções de Fiksel (1996), Peneda e Frazão (1994) e
Manzini e Vezzoli (2002).
A definição proposta por Fiksel (1996) diz que o projeto para o
meio ambiente é a consideração sistemática do desempenho do proje-
to, com relação aos objetivos ambientais, de saúde e segurança, anali-
sando o produto ou processo ao longo de seu ciclo de vida, tornando-
os ecoeficientes, ou seja, que haja uma ligação entre eficiência dos
recursos (que leva à produtividade e lucratividade) e responsabilidade
ambiental. Assim, a ecoeficiência tem também um sentido de melhoria
econômica das empresas, pois eliminando resíduos e usando os recur-

126
Módulo 6

sos de forma mais coerente, empresas ecoeficientes podem reduzir


custos e tornarem-se mais competitivas, utilizando práticas
ambientalmente responsáveis, que devem ser concordantes com as
políticas e estratégias da empresa, sem comprometer a qualidade e o
tempo para a fabricação. Além de obterem vantagens em novos mer-
cados e aumentarem sua participação nos mercados existentes, por
conta de padrões de desempenho ambiental que se tornam cada vez
mais comuns, principalmente em mercados europeus.
Peneda e Frazão (1994) definem o Ecodesign como o desenvol-
vimento ambientalmente consciente do produto, onde há a inserção da
dimensão ambiental no processo de desenvolvimento. Os atributos
ambientais são considerados também como objetivos e oportunidades
e orientam o processo de desenvolvimento, aliando-se a outros atribu-
tos, como eficiência, qualidade, funcionalidade, estética, custo e
ergonomia. Os autores também citam a inclusão da avaliação dos as-
pectos ambientais em todas as fases de desenvolvimento de novos pro-
dutos, visando prevenir e reduzir os impactos negativos ao meio am-
biente, além de satisfazer a necessidades dos consumidores com pro-
dutos e serviços ambientalmente mais adequados e integrar as rela-
ções sociais e culturais tanto dos consumidores quanto da região onde
se está produzindo, contribuindo assim, para assumir e difundir o con-
ceito de desenvolvimento sustentável.
O desenvolvimento de produtos sustentáveis, na visão de Manzini
e Vezzoli (2002), deve ser uma atividade que ligue o tecnicamente
possível com o ecologicamente necessário, surgindo novas propostas
que sejam social e culturalmente apreciáveis. Esta atividade pode ser
articulada de diferentes formas: conforme a necessidade, como o
redesign de produtos já existentes, melhorando a sua eficiência
ambiental; há também o projeto de novos produtos ou serviços que
substituam os atuais, o que requer uma aceitação e validação por parte
dos consumidores; além do projeto de um novo mix de produtos e
serviços, superando a inércia cultural e comportamental dos consumi-
dores, oferecendo uma nova maneira, mais sustentável, de obter resul-
tados. Outra forma proposta é a de desenvolver produtos que promo-
vam novos critérios de avaliação da qualidade de um produto ou ser-

127
Curso de Graduação em Administração a Distância

viço, ou seja, dependem de inovações sócio-culturais, as quais os proje-


tistas devem interpretar e estimular as idéias socialmente aceitáveis, cultu-
ralmente atraentes e ambientalmente sustentáveis. Nesta última forma,
existe mais uma formação de cultura voltada à preservação dos recursos
ambientais, do que uma relação direta com as técnicas produtivas.
Peneda e Frazão (1994) adicionam à ecoeficiência atributos como
estética e ergonomia. Portanto, a estética e os aspectos ergonômicos
são importantes para a conquista dos clientes, principalmente quando
se trata de produtos da moda. Porém, cabe salientar que uma excessi-
va preocupação com os aspectos de forma, estilo e praticidade podem
ser dificultadores da obtenção de uma melhor ecoeficiência dos pro-
dutos, processos e serviços. Um exemplo disso são as empresas do
setor da construção civil, que por muitos anos desenvolveram projetos
e construíram prédios envidraçados num país tropical, onde a preocu-
pação básica era a apresentação de uma bela fachada. Em conseqüên-
cia disso, esses prédios consomem grande quantidade de energia para
oferecer um conforto térmico razoável aos seus ocupantes, o que po-
deria ser obtido mais facilmente com outro tipo de fachada.
Nascimento e Venzke (2006) apresentam o caso da Empresa
Gueto – Ecodesign de Produto, onde a Diretora diz:

[...] num primeiro momento, o que atrai os clientes não é o


eco, mas sim o design”. Ainda neste caso, a Diretora afirma
que “o design deve atuar em todas as dimensões do ser huma-
no, ou seja, nas dimensões social, emocional, espiritual e
cultural.

Na concepção de produtos sustentáveis de Manzini e Vezzoli,


os projetistas devem interpretar e estimular as idéias socialmente acei-
táveis, culturalmente atraentes e ambientalmente sustentáveis. Dessa
forma, podemos dizer que as concepções de Fiksel, Peneda e Frazão,
Manzini e Vezzoli, são viáveis e já estão sendo utilizadas por algumas
empresas brasileiras.

128
Módulo 6

Saiba mais...
Para saber mais sobre Ecodesign, acesse:
<www.portalga.ea.ufrgs.br> e leia o livro Abordagens e Ferramen-
tas de Gestão Ambiental nas Organizações, de DEMAJOROVIC,
Jacques e VILELA Jr.; Alcir. (Org.), 2006.

As Fases da Ferramenta Ecodesign

Para uma abordagem mais ampla do Ecodesign como ferramen-


ta de gestão ambiental, convém a proposição de estratégias diferenci-
adas em cada fase do ciclo de vida de um produto, processo ou servi-
ço e ser projetado, visando diminuir seu impacto ambiental. Estas fa-
ses, baseadas nas fases propostas por Manzini e Vezzoli (2002) e es-
tratégias, baseadas em Fiksel (1996), Fuad-Luke (2002) e Brezet e
Hemel (1997), são expostas a seguir.

Fase de pré-produção

Engloba o início do projeto, onde além da escolha dos recursos


utilizados, também se deve levar em consideração aspectos relaciona-
dos à obsolescência e ao desenvolvimento de novos conceitos. Para o
desenvolvimento de novos conceitos, Brezet e Hemel (1997) propõem
que se vá além do produto tangível, pois se devem desenvolver novas
soluções para necessidades específicas. A partir da análise de qual
necessidade um produto atende, buscamos desenvolver uma alternati-
va que justamente atenda a esta mesma necessidade, porém com im-
pactos ambientais menores.
Assim, a tomada de decisão de aplicar esta estratégia deve ocor-
rer nesta fase, pois pode envolver uma mudança radical nas técnicas
produtivas e a empresa deve avaliar se está apta a elaborar o produto
proposto ou não. Como exemplos de estratégias que podem ser utili-
zadas para desenvolver novos conceitos, temos as seguintes:

129
Curso de Graduação em Administração a Distância

Desmaterialização do produto: consiste em utilizar matéri-


as-primas que possam ser mais facilmente separadas, sem per-
der suas características originais. Um ponto que facilita esta
técnica é a utilização de um número menor de diferentes
matérias-primas durante o projeto de um novo produto;
Uso compartilhado do produto: pressupõe que o produto
seja utilizado por um número maior de pessoas, utilizando-o
de maneira mais eficiente, mesmo que não possuam a posse
do mesmo;
Integração de funções: a integração de várias funções em
um único produto diminui a quantidade de material necessá-
rio para a fabricação, em relação à opção de se produzir um
produto para cada função. Como exemplo, temos sofás que
possuem camas embutidas e mesas com múltiplas funções;
Otimização funcional do produto: este ponto refere-se à
reconsideração das funções do produto, verificando quais
realmente são necessárias, podendo assim eliminar as que não
agregam valor, tendo apenas funções estéticas e que utilizam
uma quantidade de matéria-prima acima do necessário;
Extensão do tempo de vida: projetar de maneira que os pro-
dutos possam ser facilmente reparáveis e atualizáveis, con-
forme a necessidade do usuário, como por exemplo, compu-
tadores que possam ser ampliados em termos de capacidade
de processamento e de memória, conforme as necessidades
dos usuários. No entanto, esta prática vai de encontro às for-
mas de produção, na qual são criados produtos descartáveis
ou que se tornam obsoletos rapidamente, muitas vezes em
função de modismos ou tendências. Para o aumento da dura-
bilidade pode ser necessária a utilização de uma quantidade
maior de material, opondo-se às práticas de projeto para
desmontagem, separação e redução de resíduos. Assim, o
projetista deve analisar todo o ciclo de vida do produto, bus-
cando identificar quais os custos ambientais das opções de
fabricar produtos duráveis ou de fácil recuperação, podendo
fazer a escolha mais adequada; e
Previsão de retorno do produto após sua utilização: du-
rante a fase de pré-produção o projetista deve prever formas
de coleta e destino dos produtos, ou de seus componentes,

130
Módulo 6

ao final de sua vida útil. Para alguns produtos, como pneus e


baterias de telefones celulares, já existem legislações que res-
ponsabilizam as empresas geradoras pelos seus produtos após
o uso, fazendo com que estas desenvolvam mecanismos de
coleta, e posterior destino final adequado. Essa estratégia re-
laciona-se diretamente com as estratégias de projeto para
reciclagem e a existência de canais de recolhimento do pro-
duto, os quais serão descritos na próxima seção.

A fase de pré-produção contempla um dos mais importantes


pontos relacionados ao conceito do Ecodesign, que é a correta esco-
lha dos materiais que irão compor o produto e também os recursos
naturais que serão consumidos ao longo de sua vida útil. O termo
“Ecomateriais” é geralmente utilizado para se referir aos materiais que
causam menores impactos ambientais e, segundo Fuad-Luke (2002),
devem oferecer um desempenho adequado ao proposto no projeto. Dessa
forma, o projetista deve levar em consideração os seguintes pontos:

Evitar o uso de materiais escassos ou em risco de extinção:


por exemplo, não utilizar materiais como madeiras nobres,
peles de animais;
Utilização de materiais biodegradáveis: materiais que se
decompõem pela ação de microorganismos como fungos e
bactérias e que podem ser compostados, são transformados
em matéria orgânica que pode ser aproveitada como nutrien-
te para plantas;
Utilização de materiais mais leves: procurar utilizar materi-
ais que possuam uma alta relação entre a resistência e o peso,
com a vantagem ambiental que durante o transporte haverá
um menor consumo energético;
Utilização de materiais de fontes locais: escolher materiais
que a fonte esteja próxima do ponto de fabricação do produ-
to, também evita gastos energéticos desnecessários com o
transporte;
Utilização específica de materiais reciclados: outro aspec-
to importante na escolha de materiais é a conservação dos
recursos renováveis e principalmente os não renováveis. Dessa

131
Curso de Graduação em Administração a Distância

forma, devemos prever a utilização de matéria-prima reciclada


em substituição aos materiais novos, desde que o grau de
pureza não comprometa a qualidade do produto final e que
as técnicas utilizadas para a reciclagem sejam econômica e
ambientalmente viáveis. Uma das classes de materiais de fá-
cil reciclagem é a dos metais, pois podem ser purificados
durante a fusão. Já os plásticos têm sérias restrições para a
reciclagem, como por exemplo, a perda das propriedades
mecânicas. Como alternativa, podemos utilizar materiais no-
vos em partes críticas do produto e materiais reciclados em
partes menos nobres. Podemos optar também pela utilização
direta de materiais oriundos de sobras do processo produti-
vo, porém esta matéria-prima difere das recicladas por não
necessitarem de novos processos de transformação;
Escolha de materiais de baixo conteúdo energético: sob o
ponto de vista do consumo energético, alguns materiais re-
querem uma quantidade maior de energia para extração e
produção, enquanto outros são menos intensivos neste senti-
do. Durante o projeto devemos optar por aqueles que de-
mandam uma menor quantidade de energia, observando tam-
bém a possibilidade de reciclagem, pois o consumo energético
da extração pode ser diluído no número de vezes que o mate-
rial for reutilizado;
Utilização de materiais de fontes renováveis: são materiais
que podem ser extraídos a partir de recursos naturais que uti-
lizam a energia solar para sintetizar ou criar matéria, como as
plantas que são produtores primários e animais que são pro-
dutores secundários. Com relação à madeira, devemos ter o
cuidado de utilizar fontes certificadas, para tentar garantir
mínimos impactos ambientais na sua exploração. Os
biopolímeros também são bons exemplos deste tipo de mate-
riais, pois são plásticos produzidos a partir de plantas e po-
dem ser compostados e retornarem ao meio natural;
Não utilização de materiais contaminantes: sob o ponto
de vista da reciclagem pós-uso, existem materiais que não
podem ser facilmente separados dos produtos ou das emba-
lagens, como por exemplo, colas, tintas, pigmentos, gram-
pos ou rótulos. Desta forma estes materiais contaminam as

132
Módulo 6

demais partes, muitas vezes impossibilitado que sejam


recicladas. Uma alternativa, com relação aos rótulos, é que
sua composição seja similar ao material no qual está fixado,
ou que possa ser moldado no próprio componente. Cabe res-
saltar a diferença entre os materiais denominados
contaminantes e as substâncias consideradas perigosas, pois a
presença destas últimas em produtos é indesejável por causa-
rem problemas de saúde ou por comprometerem a qualidade
ambiental, devendo ser eliminadas do processo produtivo; e
Utilização de materiais puros: consiste em utilizar o mate-
rial da maneira mais próxima possível da sua forma natural,
evitando misturas, o que facilita a reciclagem, além de redu-
zir o consumo energético na sua transformação.

Fase de produção

Compreende as atividades de transformação dos materiais em


produtos acabados, incluindo o armazenamento, transporte interno da
matéria-prima, montagem e acabamentos como, por exemplo, pintu-
ras. Nesta etapa pode haver também um grande consumo de outros
recursos, como água e energia, o que deve ser previsto durante o pro-
jeto. Assim, a otimização das técnicas produtivas, visando a
ecoeficiência, é de fundamental importância dentro do conceito do
Ecodesign. Essa otimização deve ser buscada no projeto de novas plan-
tas produtivas, onde se devem escolher as técnicas de produção que
tenham um menor impacto ambiental, analisando o consumo de mate-
riais que não sejam poluentes, o consumo energético, a otimização do
uso de matéria-prima e a menor geração possível de resíduos e
subprodutos.
No entanto, quando se trata de plantas já instaladas a estratégia
volta-se para a adequação das técnicas já existentes ao proposto num
projeto voltado para o meio ambiente, muitas vezes utilizando-se dos
conceitos da produção mais limpa. Além disso, muitas empresas já
adotam o melhoramento ambiental dos processos de produção, como
um dos componentes dos sistemas de gerenciamento ambiental, prin-
cipalmente as que visam certificação pelas normas da série ISO 14000.

133
Curso de Graduação em Administração a Distância

Como estratégias para esta fase, são sugeridas as seguintes:

Redução do uso de energia na produção: dentre as práti-


cas ambientais mais atrativas, os programas de redução do
consumo energético se destacam, pois são geralmente fáceis
de implementar e afetam diretamente a redução dos custos
operacionais. Esta redução é dada pela utilização de equipa-
mentos mais eficientes em termos energéticos, aproveitamento
da iluminação natural, utilização de exaustão eólica, ilumi-
nação dividida por setores da empresa e a conscientização de
todos os seus integrantes, por meio de educação ambiental.
A instalação de dispositivos como motores mais eficientes,
mecanismos que desligam equipamentos que não estão sen-
do utilizados ou que regulam a potência de acordo com a
demanda também colaboram com esta estratégia. Quanto ao
uso de formas de energia renováveis, devemos analisar o ci-
clo de vida dos equipamentos e dispositivos que utilizam este
tipo de energia, para que se possa determinar a viabilidade,
tanto ambiental quanto econômica, destes equipamentos. Pois
pode ocorrer que para a fabricação de um coletor solar, por
exemplo, seja consumindo uma grande quantidade de recur-
sos não renováveis e seja gerada uma grande quantidade de
resíduos perigosos.
Uso eficiente da matéria-prima: procurar reduzir os mate-
riais utilizados e os desperdícios, como por exemplo, reduzir a
espessura das serras para diminuir a perda de madeira, calcu-
lar o tamanho das peças antes de efetuar os cortes, evitando
sobras inutilizáveis (na construção civil, podemos calcular o
tamanho das áreas em função do tamanho dos revestimentos).
Reciclagem em circuito fechado: consiste em inserir os re-
síduos gerados de volta ao processo produtivo, em um ciclo
contínuo, observando para que não ocorra saída dos resídu-
os para fora do processo. Esta é uma estratégia que requer
pesquisas e desenvolvimento tecnológico, na busca das solu-
ções. Segundo Fuad-Luke (2002), indústrias têxteis e quími-
cas seguidamente reciclam produtos químicos utilizados no
processamento de seus produtos finais, resultando em uma
produção mais limpa.

134
Módulo 6

Distribuição

Durante o projeto, devemos garantir que o produto seja entre-


gue ao usuário final íntegro, mantendo todas as características propos-
tas. Desta forma, na fase de distribuição existem processos distintos e
complementares que consomem materiais e energia, como a embala-
gem, o transporte e a armazenagem. A seguir são sugeridas algumas
estratégias relacionadas a esta fase:

Facilidade para a desmontagem de um produto: esta es-


tratégia beneficia amplamente a distribuição, tanto em ter-
mos de redução de embalagens quanto de otimização dos
espaços durante o transporte e armazenagem. De acordo com
Manzini e Vezzoli (2002), além de beneficiar a distribuição,
a facilidade de separação das partes beneficia também a ma-
nutenção, a reparação e a atualização dos produtos, o que
pode estender a sua vida útil e facilitar a reciclagem dos com-
ponentes. Em contrapartida, devemos facilitar também o pro-
cesso de montagem pelo usuário. Para a implementação prá-
tica desta estratégia, o projetista deve seguir algumas linhas
de referência, como facilitar as operações de desmontagem,
utilizar materiais que possam ser facilmente separados, evi-
tando o uso de adesivos, utilizar sistemas de junção das par-
tes que possam ser removidos durante a reciclagem e prever
equipamentos para a desmontagem no final da vida útil.
Uso de embalagens retornáveis: a aplicação desta estraté-
gia prevê que as embalagens possam ser reaproveitadas, na
reutilização ou na reciclagem. A utilização de produtos com
refil é um bom exemplo. Para tanto, é importante que os fa-
bricantes assumam a responsabilidade pelas suas embalagens
e desenvolvam sistemas de recolhimento que facilitem a
reutilização ou a reciclagem. Nesta estratégia, as embalagens
também devem ser vistas como um produto, com um ciclo de
vida próprio. Dessa forma, devemos prever o uso racional
das mesmas e que não sejam utilizadas somente com finali-
dades estéticas, mas sim como proteção do produto. Um exem-
plo que reduz o excesso de embalagem é o de integrá-la ao
produto, como no caso de bombons que possuem a caixa de

135
Curso de Graduação em Administração a Distância

separação interna de material comestível, eliminando assim a


necessidade de descarte.
Otimização do transporte: Nessa estratégia devemos bus-
car uma otimização de todo o sistema de transporte dos pro-
dutos, assegurando que o produto seja transportado da fábri-
ca ao distribuidor, ou usuário, da maneira mais eficiente pos-
sível e que cause menores impactos ao meio ambiente. Um
exemplo é a utilização do transporte hidroviário e ferroviário
em substituição ao rodoviário e aéreo. Complementando o
transporte, deve haver uma logística de distribuição eficiente
para a redução dos impactos ambientais, com menores rotas.

Uso do produto ou serviço

Outro aspecto, a ser analisado durante o projeto de um novo


produto ou serviço, é o quanto ele consumirá de energia durante o uso
e quais insumos e matérias-primas auxiliares serão necessárias para
que o produto atenda suas finalidades, durante todo o ciclo de vida.
Durante o projeto devemos prever o prolongamento da vida útil de um
produto, ou seja, fazer com que seja usado em sua função original por
um período mais longo de tempo, deve também levar em conta o as-
pecto estético, que serve como atrativo ao usuário.
A durabilidade também deve ser avaliada com relação à
tecnologia utilizada, pois pode ser preferível diminuir o tempo de vida
de um produto que utiliza tecnologia mais poluente, substituindo-o
por produtos que utilizam novas tecnologias, menos poluentes. Para
estimular o aumento da durabilidade, devemos analisar se o produto
pode atender a necessidade do usuário por um período de tempo mai-
or, além de permitir uma manutenção mais fácil. A correta orientação
do usuário quanto ao uso também favorece o aumento da vida útil,
pois permite que sejam tomados cuidados para manter as característi-
cas ideais do produto.
Para a fase de utilização são propostas as seguintes estratégias:

Produtos de uso compartilhado ou coletivo: são produtos


que oferecem a possibilidade de atender às necessidades de
mais de um único usuário. Como por exemplo, os serviços

136
Módulo 6

que põem veículos à disposição de seus sócios, desta forma,


após a inscrição e aquisição de uma quota relativa a quilôme-
tros a serem percorridos, cada sócio poderá usufruir dos veí-
culos, mediante aviso prévio.
Produtos multifuncionais: a criação de produtos
multifuncionais é por natureza ecoeficiente, pois com uma
mesma quantidade de material e energia podem ser criados
equipamentos para atender diferentes necessidades. Os tipos
essenciais de múltipla função, segundo Fiksel (1996), podem
ser divididos em:
Funções paralelas, no caso de um mesmo produto ser-
vir simultaneamente a mais de um propósito; e
Funções seqüenciais, que ocorrem quando um produ-
to possui um uso primário, passa para um uso secundá-
rio, e assim por diante.
Produtos com baixo consumo energético: devemos prever
a quantidade e o tipo de energia que o produto vai necessitar
ao longo de sua vida útil e optar, como foi exposto na fase de
produção, pela utilização de energia renovável, como a solar
ou eólica, por exemplo.

Descarte ou reutilização

Durante o projeto de um novo produto deve ser previsto qual o


seu destino após terminar a vida útil. Uma das alternativas é a exten-
são do ciclo de vida do produto, com a reutilização dos seus compo-
nentes ou dos materiais, como foi citado anteriormente, com a obser-
vação de que quanto mais o produto mantém suas características origi-
nais, mais benefícios ambientais possui, pois necessita menos energia
e gera menos resíduos nas transformações em novos produtos.
Se o projetista prevê o recolhimento do produto após o uso, de-
verá então considerar as condições existentes para que isto ocorra e as
informações necessárias para que o consumidor colabore para o retor-
no do produto. Ou seja, de um lado é necessária a existência de canais
de recolhimento, denominados de logística reversa de pós-uso. Por
outro, os consumidores devem ser bem informados e sensibilizados

137
Curso de Graduação em Administração a Distância

para devolverem os produtos nos locais previamente estabelecidos.


As empresas que praticam a logística reversa de produtos no período
pós-uso divulgam os pontos de recolhimento, recolhem o produto no
local onde ele se encontra, ou até mesmo, oferecem condições para
que seja devolvido pelo correio.
Uma vez que o produto foi recolhido, é preciso dar um destino
adequado. O reaproveitamento de componentes e a reciclagem total
ou parcial são as formas mais utilizadas. A identificação do material
que compõe cada parte e a sua fácil desmontagem, são pontos impor-
tantes para viabilizar o processo de reciclagem. Cabe salientar que,
atualmente, a reciclagem só é realizada quando for economicamente
viável ou por força legal, do contrário, os produtos recolhidos, ou par-
te deles, são incinerados, dispostos em aterros sanitários, encaminha-
dos para centrais de resíduos, etc.

Exemplos de Logística Reversa pós-uso: No Brasil, os fa-


bricantes de aparelhos de telefone celular são obrigados a
recolher as baterias ao final da vida útil destas. Para tanto, os
consumidores devem entregar estas baterias nas lojas que
comercializam o produto, e estas deverão remetê-las para os
fabricantes. Na Alemanha, um fabricante de sapatos coloca
um envelope com porte pago dentro da caixa do sapato, e
solicita ao consumidor que, quando não mais quiser o sapa-
to, coloque-o dentro do envelope e remeta-o pelo correio para
o fabricante. No próprio envelope, o consumidor é convida-
do a responder algumas questões sobre os problemas detec-
tados durante o uso e a sua opinião sobre o sapato. Desta
forma, o fabricante projeta uma imagem de empresa
ambientalmente responsável, pois está recolhendo o produto
para reciclá-lo. As despesas com o correio certamente são
bem inferiores se o fabricante fosse fazer uma pesquisa de
satisfação do consumidor e uma campanha na mídia para
anunciar que sua empresa é ambientalmente responsável. Este
é um exemplo de como a logística reversa pode ser economi-
camente interessante, contribuindo assim, para fechar a últi-
ma fase do Ecodesign.

138
Módulo 6

GLOSSÁRIO
Aplicação das Estratégias do Ecodesign *Resíduos sólidos –
resultam de ativida-
des de origem: in-
As cinco fases apresentadas na seção anterior demonstram que a dustrial, doméstica,
ferramenta Ecodesign pode ser utilizada por organizações de diversos hospitalar, comerci-
setores. Com base nas reflexões sobre as fases da ferramenta ecodesign, al, agrícola, de ser-
podemos fazer avaliações sobre o desempenho ambiental de um de- viços e de varrição.
terminado produto. Para tanto, devemos adotar uma das várias formas Estão incluídos nes-
de fazer uma auto-avaliação e de estabelecer estratégias para a melhoria ta definição os lo-
dos (efluentes) pro-
do desempenho ambiental deste produto. A seguir é apresentado o
venientes de siste-
check-list proposto por Ottman (1997) e a teia, ou roda das estratégias
mas de tratamentos
do Ecodesign, que foi divulgado em vários países pelo Programa das de água, aqueles
Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). gerados em equipa-
mentos, bem como
O Check-list de Ottman determinados líqui-
dos cujas particula-
Ottman (1997) elaborou questões que, ao serem respondidas, ridades tornem
provocam uma reflexão sobre as oportunidades para refinar e inviável seu lança-
“esverdear” os atuais produtos ou desenvolver outros que atendam as mento na rede públi-
exigências ambientais, bem como satisfaçam as necessidades dos con- ca de esgotos ou cor-
sumidores ambientalmente conscientes. pos d'’água, confor-
me a NBR nº 10.004,
Questões para cada fase da vida do produto/embalagem da Associação Brasi-
leira de Normas Téc-
Podemos minimizar o nosso potencial nos processos de compra de
Definição da nicas – ABNT. Fon-
matérias-primas, a fim de evitar o desmatamento das florestas
matéria-prima a te: Resíduos Sólidos.
tropicais? o derramamento de óleo? o fracionamento da terra? Etc.
ser utilizada no
Podemos utilizar recursos renováveis ou recursos que são sustentavel- (2008).
produto
mente gerenciados?
*Efluente – se refe-
Que passos devemos adotar para prevenir ou reduzir a produção de re à descarga de
resíduos sólidos* perigosos em nosso processo de produção?
rejeitos líquidos no
Manufatura Como podemos reduzir nosso consumo de água e energia?
meio ambiente ou em
Como podemos reduzir as emissões e os efluentes*?
locais apropriados,
Podemos redesenhar nossos produtos para torná-los mais eficientes no tais como as ETEs –
consumo de energia e também reduzir os custos operacionais?
Uso Estação de Trata-
Podemos fazer nossos produtos mais seguros ou mais agradáveis ao uso?
mento de Efluentes.
Podemos utilizar ingredientes alternativos que ajudem a minimizar os
Fonte: Resíduos Só-
riscos à saúde e ao meio ambiente?
lidos. (2008).
Quadro 4: Questões para cada fase da vida do produto/embalagem
Fonte: Adaptado de Ottmann (1997, p. 82-83).
139
Curso de Graduação em Administração a Distância

Questões para cada fase da vida do produto/embalagem

Podemos projetar nossos produtos para serem duráveis? Permitir um


novo preenchimento (usar refil)? Serem reutilizáveis? Fáceis de
reparar? Remanufaturados? Recarregados?
Pós-uso e
Podemos recolher os nossos produtos ou embalagens de forma a
disposição final
reciclá-los ou reutilizá-los?
Podemos fazer nossos produtos e embalagens mais seguros para
serem dispostos em aterros ou incinerados?
Podemos utilizar materiais e ingredientes que são biodegradáveis ou
passíveis de compostagem?

Quadro 4: Questões para cada fase da vida do produto/embalagem


Fonte: Adaptado de Ottmann (1997, p. 82-83)

Porém, Ottmann (1997) salienta que para resolver o problema


da degradação ambiental não basta trocar um supermercado convenci-
onal por outro de produtos naturais, pois o problema não está apenas
no modo de produção e no design dos produtos, mas também no modo
de consumo insustentável dos países industrializados. Para alcançar a
sustentabilidade nestes países será necessário realizar mudanças radi-
cais na forma de produção e no consumo. Esta necessidade de redu-
ção do consumo é mais uma oportunidade para a aplicação do Ecodesign
de produtos duráveis, recicláveis e reaproveitáveis, etc.

A Teia das Estratégias do Ecodesign

O PNUMA para avaliar desempenho ambiental de um produto


e desenvolver estratégias de melhorias, utiliza a Figura 17 denomina-
da de Teia das Estratégias do Ecodesign. Por meio de uma avaliação
qualitativa, um produto pode ser avaliado, além de poderem ser de-
senvolvidas estratégias para melhorar o seu desempenho ambiental.

140
Módulo 6

Figura 17: Teia das Estratégias do Ecodesign


Fonte: UNEP (1996).

Para usar essa Figura na avaliação do desempenho ambiental de


um produto, o usuário poderá atribuir para cada círculo um percentual,
como por exemplo, o centro dos círculos corresponde a zero e, com
uma variação de 20 pontos percentuais a cada círculo, chegamos ao
círculo mais externo com uma pontuação de 100%, ou seja, o centro
da Figura representa um desempenho ambiental inadequado e no cír-
culo mais externo, ótimo desempenho ambiental.
A Figura 17 está dividida em oito estratégias, iniciando na estra-
tégia zero (desenvolvimento de novo conceito) até a estratégia 7
(otimização do sistema de final da vida útil). Portanto, a Figura interna
(pintada), formada pela ligação dos pontos localizados nos raios que
ligam o centro da Figura às estratégias “0” até “7”, corresponde à situ-
ação atual do produto. Após uma análise das possibilidades de melhoria,
é marcado nos mesmos raios qual será o desempenho ambiental do
produto após a aplicação das medidas estabelecidas. Então se unem
estes pontos formando uma nova Figura, que representará o desempe-
nho ambiental esperado do produto. Isto permitirá uma rápida identifi-
cação do desempenho ambiental atual e o projetado para o produto.
Para cada estratégia podemos considerar aspectos como:

141
Curso de Graduação em Administração a Distância

Estratégia 0: Desmaterialização do produto; uso comparti-


lhado do produto; integração de funções; otimização funcio-
nal do produto ou componente.
Estratégia 1: Materiais não agressivos; materiais renováveis;
materiais reciclados; materiais de baixo conteúdo energético;
materiais recicláveis.
Estratégia 2: Redução de peso; redução de volume; raciona-
lização de transportes.
Estratégia 3: Técnicas de produção alternativas; redução de
etapas de processo de produção; redução do consumo e uso
racional de energia; uso de energias mais limpas; redução da
geração de refugos/resíduos; redução e uso racional de
insumos de produção.
Estratégia 4: Redução e uso racional de embalagens; uso de
embalagens mais limpas; uso de sistemas de transporte efici-
entes; logística eficiente.
Estratégia 5: Assegurar o baixo consumo energético; uso de
fontes de energias mais limpas; uso racional e redução de
insumos durante a aplicação; utilizar insumos limpos; preve-
nir desperdícios através do design.
Estratégia 6: Confiabilidade e durabilidade; fácil manuten-
ção e reparo; estrutura modular do produto; utilizar design
clássico, no sentido de estilo; zelo do usuário com o produto.
Estratégia 7: Reutilização do produto; recondicionamento e
remanufatura; reciclagem de materiais; incineração Limpa;
reaproveitamento energético.

Aplique as ferramentas do Ecodesign em um produto da


sua casa ou do local onde trabalha. Se não for possível
fazer as alterações físicas, elabore um projeto e depois apre-
sente os resultados no Fórum.

142
Módulo 6

RESUMO

Nesta Unidade vimos que enquanto a ferramenta da Pro-


dução Mais Limpa é mais apropriada para o aumento da GLOSSÁRIO
ecoeficiência de processos, a ferramenta de Ecodesign é mais *Análise do Ciclo
de Vida (ACV) –
adequada para o aprimoramento de produtos e serviços
processo que se es-
ecoeficientes. Já a Análise do Ciclo de Vida* permite uma ava- tende desde a extra-
liação de todo o ciclo de um produto. O Ecodesign e a ACV ção da matéria-prima,
são complementares. o seu processamento,
a manufatura, o trans-
Também estudamos que a Teia das Estratégias é uma for-
porte e a distribuição,
ma visual de percebermos quanto um produto melhorou em re- o uso e descarte do
lação a ele mesmo ou o desempenho de um produto em relação produto. Fonte: Ri-
aos seus similares. A avaliação depende de critérios qualitati- beiro et al. (2008).
vos, de estimativas feitas por quem está avaliando, portanto,
sujeita as interpretações de cada um. Esta é uma crítica ao mé-
todo da Teia, mas que pode ser minimizada se a avaliação for
feita em grupo.

143
UNIDADE

11
Marketing
Marketing ee os
os Selos
Selos Verdes
Verdes
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade em apresentará o conceito e os princípios do Marketing

Verde; mostrará a relação com o consumidor e o importante papel da

comunicação na disseminação de informações; enfatizará a importância da

clareza e da transparência na disseminação de informações, neste caso

especificamente relacionado a “produtos verdes”; abordará quais as

características exigidas a um produto para que seja considerado verde e

para que obtenha o selo verde; e informará o que o selo verde indica de

um produto.

146
Módulo 6

Introdução

Prezado estudante!
Nas primeiras Unidades abordamos a evolução da gestão
ambiental e os acidentes ambientais ocorridos. Mostramos
a evolução da consciência ambiental no mundo e os avan-
ços obtidos nas legislações e nas novas regulamentações
visando a melhoria da qualidade ambiental. Posteriormen-
te, surgiram as normas e certificados, como por exemplo,
a ISO 14000. Depois de ter melhorado as práticas de ges-
tão, de ter atendido à legislação, é preciso mostrar tudo
isso para o consumidor, ele precisa saber o que a empresa
está fazendo para valorizar todo este esforço. Neste mo-
mento é que precisamos usar corretamente o marketing
verde, para transmitir o que a empresa está fazendo e para
aproximar o cliente que comunga dos mesmos valores da
empresa.

GLOSSÁRIO
O que é Marketing Verde? *Marketing Verde –
é o processo de ven-
da de produtos ou
O marketing verde é o processo de venda de produtos ou servi- serviços com apelo
ços com apelo ambiental. É uma ferramenta poderosa, mas precisa ser ambiental. Fonte:
bem executado, do contrário poderá acarretar em enormes danos a Peattie (1995).
confiabilidade da organização.
Os selos verdes podem ser utilizados para comprovar a qualida-
de ambiental anunciada. Não basta dizer ser verde, não é suficiente
parecer verde, a empresa terá que ser realmente verde e ter clientes
verdes, assim todos saem ganhando.

147
Curso de Graduação em Administração a Distância

A Imagem da Organização

O Marketing Verde não se limita à divulgação dos atributos ver-


des do produto (feito de material reciclado, baixo consumo
energético...), ele orienta a estratégia da organização para que ela seja
ambientalmente correta. O marketing verde não se restringe ao Depar-
tamento de Marketing, envolve os departamentos de P&D, Recursos
Humanos, Educação, etc. É a imagem da organização que sensibiliza
os consumidores.

Três Princípios Básicos do Marketing Verde

Segundo Ottman (1997), uma organização que deseja utilizar o


marketing verde deve obedecer aos seguintes princípios:

Ser genuína – a estratégia geral da organização deve estar


de acordo com a estratégia de marketing. Vender aquilo que
anuncia.
Educar seus clientes – mais importante do que informar ao
cliente o que a organização está fazendo, é desenvolver ações
para alertar e mostrar caminhos da construção de um desen-
volvimento mais sustentável, de desenvolver ações visando
salvar o Planeta.
Dar oportunidade de participar – estimule o envolvimento
e a conscientização e chame os seus clientes para participar
das ações da sua organização, juntando forças, para desen-
volver ações que contribuam para a construção de um mun-
do melhor.

148
Módulo 6

Comunicação Verde

A publicidade ambiental deve providenciar informações deta-


lhadas e úteis ao consumidor. Deve apresentar os benefícios reais do
produto, estabelecendo um contexto, uma referência. Por exemplo,
não basta dizer que a máquina de lavar louça gasta nove galões de
água por ciclo, o consumidor não saberá se isso é muito ou é pouco.
Mas, se apresentar esta informação dentro de um contexto, mostrando
que o padrão é de 12 galões, então o consumidor irá perceber que
aquela máquina é econômica no consumo de água, quando compara-
da com o padrão.
Outro aspecto que deve ser observado é o uso de termos técni-
cos, pois freqüentemente as informações prestadas são incompreensí-
veis, o que decepciona o consumidor que busca informações.

Selos Verdes

Os selos verdes atestam que um produto causa menor impacto


ambiental em relação a outros “comparáveis” disponíveis no merca-
do. O objetivo é incentivar a melhoria ambiental de produtos, proces-
sos e serviços, mediante a mobilização das forças de mercado.
Em 1979 surgiu na Alemanha o primeiro processo de rotulagem
ambiental, o selo denominado de Blue Angel (anjo azul). Durante os
anos de 1980 vários países lançaram programas semelhantes, incluin-
do os Estados Unidos e França (ver Figura 18).

149
Curso de Graduação em Administração a Distância

Figura 18: Exemplos de selos verdes


Fonte: <http://www.greenseal.org/> e <http://www.marque-nf.com/
pages.asp?ref=gp_reconnaitre_nf_nfenvironnement&Lang=English>.
Acesso em: 24 set. 2008.

GLOSSÁRIO
*Selo Verde – é um Características dos produtos verdes
rótulo colocado em
produtos comerci-
ais, trazendo infor-
Os produtos verdes, que receberão o selo verde*, devem ser:
mações que assegu-
ram que eles não Duráveis – com um maior ciclo de vida irá evitar a geração
foram produzidos às de mais resíduos e a extração de mais matéria-prima para a
custas de um bem produção de novos produtos.
natural que foi de-
gradado ou que seu Não tóxicos ou estar em processo de redução significativa
uso, embalagem ou da sua toxicidade.
o resíduo que dele Utilizar materiais reciclados – se o produto utilizar alguma
resultar, não irão parte de material reciclado estará economizando matéria-pri-
causar malefício ma nova, e ao mesmo tempo estimulando o mercado de
ambiental. Assim, reciclados.
atestam que um pro-
Mínimo de embalagens – a embalagem deve ter a função
duto causa menor
apenas de proteção do produto.
impacto ambiental
em relação a outros
“comparáveis” dis-
poníveis no merca- Identifique duas empresas que utilizam o marketing verde.
do. Fonte: Brasil Analise, critique, dê sugestões a respeito do marketing
(2008a). utilizado. Discuta sua análise com os colegas no Fórum.

150
Módulo 6

Selos verdes indicarão

Produto que provém de região livre de doenças;


Produto livre de agrotóxico de reconhecido risco para a vida
animal;
Produto que não provém de áreas de devastação; e
Produtos desenvolvidos com uso de insumos biodegradáveis.

Figura 19: Selo Verde da ABNT


Fonte: <http://www.engeplas.com.br/
Rotulagem%20Ambiental%20FINAL-2005.pdf>. Acesso em: 24 set.
2008.

RESUMO

Nesta Unidade aprendemos que o marketing verde é a


última oportunidade para uma empresa mostrar para o seu cli-
ente o que e como aquele produto, processo ou serviço foi pro-
duzido. E o selo verde é o atestado de que o que está sendo dito
é verdade. Existem diversos tipos de selos, mas os que são fis-
calizados por terceira parte são considerados mais confiáveis.

151
UNIDADE

12
Gestão
Gestão Ambiental
Ambiental Doméstica
Doméstica
Curso de Graduação em Administração a Distância

Objetivo

Esta Unidade apresentará as questões relacionadas ao consumo de água,

comparativos entre países, níveis de desperdício e estimativas; trará

exemplos práticos como a quantidade de água utilizada na produção de

produtos como cerveja e leite; oferecerá uma análise do consumo

doméstico e as medidas que poderão ser adotadas visando à otimização

do uso da água; abordará dados referentes ao consumo e dicas de

economia em situações e locais que fazem parte do dia-a-dia, como:

chuveiro, banheira, vaso sanitário, tanque, lava-louças, etc.; fornecerá

orientações para um consumo consciente e para o reaproveitamento de

água e alternativas para a redução no consumo de energia e dicas práticas

para reduzir a geração de lixo; oferecerá definições e informações sobre a

reciclagem, como as cores dos recipientes para a coleta seletiva, bem

como o tempo de decomposição de vários tipos de materiais; abordará

informações sobre a toxicidade de alguns produtos, os quais exigem

cuidados especiais no consumo, transporte e, principalmente, no descarte

dos mesmos.

154
Módulo 6

Introdução

Olá estudante!
Nesta Unidade apresentaremos o trabalho realizado, no
primeiro semestre de 2008, pelos alunos da disciplina de
Gestão Socioambiental em Empresas do Curso de Admi-
nistração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Esses dados e mais informações estão disponíveis no site:
<www.portalga.ea.ufrgs.br>.

Consumo de Água

Em 2003 a Organização das Nações Unidas oficializou o dia 22


de março como o Dia Mundial da Água. Tal data tem o objetivo de
chamar a atenção da população mundial sobre os problemas relacio-
nados ao consumo de água potável no mundo. As campanhas realiza-
das salientam que 97,5% da água do Planeta é salgada, estando nos
oceanos e mares. A água doce corresponde a 2,5%, sendo que 2,493%
está em geleiras ou aqüíferos, de difícil acesso e, apenas 0,007% está
disponível em rios, lagos e na atmosfera, água de fácil acesso para o
consumo humano (ver Figura 20).

155
Curso de Graduação em Administração a Distância

Figura 20: Distribuição da água no Planeta Terra


Fonte: <http://www.portalga.ea.ufrgs.br>. Acesso em: 5 set. 2008.

Segundo a ONU, uma pessoa precisa de 100 litros de água doce


por dia. A média no Brasil é de 200 litros por dia, por pessoa, e nos
Estados Unidos é de 300 litros. Acreditamos que atualmente 1 bilhão
de habitantes não possuem a quantidade mínima e que em 2050, a
escassez atingirá 45% da população mundial.
O consumo de água aumentou não apenas nas residências, mas
o setor agrícola e o industrial são intensivos no uso da água. Para pro-
duzir um litro de cerveja são consumidos entre 4 e 10 litros de água
potável, e para 1 litro de leite o consumo de água pode chegar a 20
litros. Para produzir carros, computadores, móveis, ou qualquer outro
produto, utilizamos uma grande quantidade de água.
Apesar da pouca água disponível para consumo e das previsões,
no Brasil, existe um desperdício de cerca de 40% da água captada
pelos órgãos responsáveis pela distribuição, ou seja, de cada 100 li-
tros captados, 40 litros são comercializados, os demais são perdidos
no processo de tratamento e distribuição. Além disso, outro fator agra-
vante são os períodos de seca enfrentados por algumas regiões brasi-
leiras, como ilustrado na Figura 21.

156
Módulo 6

Figura 21: Um retrato da seca em 2008


Fonte: <http://www.sxc.hu/photo/958452>. Acesso em: 24 set. 2008.

Diante disso, é necessário analisar o consumo doméstico e as


medidas que poderão ser adotadas visando a otimização do uso do
produto água. Foram identificados os pontos de consumo numa resi-
dência, estimado o consumo e apresentadas sugestões de economia.
Confira!

Chuveiro

Vazão varia de 6 a 25 litros por minuto.


Consumo: Para chuveiros com aquecedores de água a gás, um
banho de 15 minutos, com registro meio aberto, gastará 135 litros (casa)
ou 243 litros (apartamento), devido à pressão da rede de água que é
maior em prédios. Se o chuveiro for elétrico, o consumo será de 45
litros numa casa e 144 litros num apartamento.
Economia: basta fechar o registro durante o banho, enquanto se
ensaboa, ou diminuir o tempo de banho para cinco minutos. Isso redu-
ziria o consumo de chuveiros a gás para 45 litros (casa) ou 81 litros
(apartamento). Para chuveiros elétricos, o consumo seria de 15 litros
(casa) e 48 litros (apartamento).

157
Curso de Graduação em Administração a Distância

Banheira

Consumo: os modelos residenciais têm, em média, de 150 a 200


litros. Se a banheira estiver cheia e não houver troca de água durante
um banho, o consumo será equivalente a um banho de 15 a 20 minu-
tos num chuveiro de vazão média.
Economia: usar a banheira com água até a metade, pois isso já
permite a completa imersão do corpo na água. Não efetuar a troca de
água durante um banho.

Pia do Banheiro

Consumo: os modelos sem controle de vazão consomem 9 li-


tros por minuto. Considerando que esta torneira será aberta quatro vezes
por dia, cada vez por um tempo de 20 segundos, o consumo diário
será de 12 litros por dia. Neste caso estamos considerando que, ao
escovar os dentes a torneira será fechada. Se o usuário costuma esco-
var os dentes com a torneira aberta, considerando que faça isto duas
vezes ao dia, totalizando 4 minutos, estará consumindo 36 litros, ape-
nas na escovação.
Economia: utilizar um copo para escovar dentes. Tampar a pia
quando for fazer a barba e utilizar a água da pia. Instalar reguladores
de vazão pode reduzir a vazão para 6 litros por minuto e o consumo
para 8 litros por dia.

Vaso Sanitário

Consumo: vasos sanitários antigos consomem 9 litros por


acionamento, mas podem estar com a válvula desregulada e consumir
bem mais de 10 litros.
Economia: a higienização do vão pode ser feita com apenas 6
litros. Os novos modelos dispõem de duas teclas para descarga, uma
descarga completa de 6 a 7 litros e outra para meia descarga. Mesmo
sem fazer a troca do vaso sanitário, o usuário poderá reduzir o consu-
mo inserindo dentro da caixa de descarga um objeto que reduza o
volume de água, por exemplo, uma garrafa PET de 2 litros cheio de

158
Módulo 6

água, ou ainda, cuidar ao dar descarga para que não seja utilizada toda
a água da caixa de descargas.

Pia da Cozinha

Consumo: lavar a louça com a torneira da pia meio aberta du-


rante 15 minutos gasta 117 litros (casa) ou 243 litros (apartamento).
Economia: esse valor pode ser reduzido para 20 litros se a lou-
ça for ensaboada na cuba com água até a metade, e depois enxaguada.

Lava-louças

Consumo: uma lavadora com capacidade para 44 utensílios e


40 talheres gasta 40 litros.
Economia: utilize-a apenas quando estiver cheia.

Tanque

Consumo: uma lavagem de roupas, com a torneira meio aberta,


durante 15 minutos, irá consumir 279 litros.
Economia: deixe as roupas de molho e use a mesma água para
esfregar e ensaboar. Quando for jogar fora esta água, utilize-a para
lavar o quintal outra finalidade onde possa utilizar água com sabão.

Lavadora de Roupas

Consumo: uma lavadora com capacidade para 5kg gasta 135


litros (casa e apartamento).
Economia: utilizar a máquina com a carga máxima.

Mangueira

Consumo: são necessários 216 litros para lavar um carro e 279


para molhar a calçada por 15 minutos.
Economia: lavando o carro com um balde, o consumo será de
40 litros e, para a calçada, utilizar a vassoura ao invés da mangueira.
Para regar as plantas de um jardim ou as verduras de uma horta, a dica
é molhá-las no início da manhã e no final da tarde para evitar evapora-
ção intensa.

159
Curso de Graduação em Administração a Distância

Piscina

Consumo: perde até 3.785 litros de água por mês por evapora-
ção. Este volume seria suficiente para suprir as necessidades de água
potável de uma família com quatro pessoas por um ano e meio.
Economia: cobrir a piscina reduz a perda em 90%. O tratamen-
to da água, mesmo em períodos em que não está sendo utilizada, re-
duz a evaporação.

Consumo, desperdícios e oportunidades de redução do


consumo de água em uma residência

Os dados sobre o consumo de água numa residência variam em


função dos equipamentos utilizados, da pressão da água no encana-
mento, mas principalmente, em função dos hábitos dos usuários. Veja
na Figura 22 a distribuição do consumo de água numa residência onde
vivem quatro pessoas.

Figura 22: Distribuição do consumo de água numa residência com


quatro pessoas.
Fonte: <http://www.lemosdacosta.com.br/site/dicas_econo.htm>.
Acesso em: 24 set. 2008.

160
Módulo 6

Além dos maus hábitos de consumo, a tolerância ao desperdício


é outro fator que eleva o consumo e o valor da conta de água no final
do mês. Por exemplo, a SABESP (companhia de saneamento de São
Paulo) demonstra na Figura 23, o desperdício de água por dia numa
torneira gotejando ou com vazamento. Pelo jato de água se pode esti-
mar o volume de água que será desperdiçado por dia.

Figura 23: Desperdício de água por dia em torneiras com vazamento.


Fonte: <http://www.docol.com.br/consumo_disperdicio.cfm>. Aces-
so em: 24 set. 2008.

Outra forma de reduzir o consumo de água numa residência, ou


mesmo em edifícios, é o uso de sistemas de captação de água da chu-
va, armazenando a água em cisternas. Veja na Figura 24 uma forma
simples de captação e aproveitamento da água da chuva. Essa água
deverá ser utilizada para fins como regar plantas, lavar roupas e o piso,
descarga nos vasos sanitários, mas não deve ser utilizada para o con-
sumo e nos chuveiros.

161
Curso de Graduação em Administração a Distância

Figura 24: Cisterna para armazenar água da chuva.


Fonte: <http://www.sitiocastaneda.com/.../cisternas.jpg>. Acesso em:
5 set. 2008.

Consumo de energia

O consumo de energia numa residência pode ser reduzido mu-


dando os hábitos de utilização dos equipamentos eletroeletrônicos.
Evitar deixar lâmpadas ligadas em ambientes que não estão sendo uti-
lizados; desligar computadores, rádio, TV quando estiverem sem uso,
são algumas das medidas mais simples que podem ser adotadas visan-
do reduzir o consumo. Destacamos aqui a otimização do consumo
durante o uso dos equipamentos e o projeto e implantação de equipa-
mentos que melhorem o isolamento térmico.

Otimizando o consumo de energia

Para reduzir o consumo de energia elétrica e gás, a energia solar


já é uma alternativa economicamente interessante. O uso de painéis
solares para o aquecimento de água tem se mostrado eficiente.
Existe ainda a possibilidade de utilizar a energia solar para a
geração de energia por meio de painéis fotovoltaicos. Para gerar 85
Watts por meio de um painel fotovoltaico, será necessário um investi-

162
Módulo 6

mento de R$ 14.000,00, o que ainda não é atrativo para muitos consu-


midores.

Figura 25: Painéis Fotovoltaicos


Fonte: <http://www.labeee.ufsc.br/linhas_pesquisa/energia_solar/
index.html>. Acesso em: 5 set. 2008.

Melhorando o isolamento térmico

Uma parte significativa do consumo de energia nas residências


é em função do aquecimento ou refrigeração dos ambientes. Se na
fase de projeto for inserida a preocupação com o isolamento térmico,
o investimento feito na construção dará retorno no curto e médio pra-
zo. Mesmo em casas em edifícios já existentes, é recomendável uma
análise de viabilidade técnico-econômica para implantar melhorias no
isolamento térmico.
A seguir são apresentados alguns exemplos que ilustram este
tema. Algumas alternativas exigem maiores investimentos e outras são

163
Curso de Graduação em Administração a Distância

tecnologias simples que podem ser aplicadas tanto em habitações po-


pulares como em residências classe A.

Brise-Soleil

Trata-se de um dispositivo arquitetônico utilizado para impedir a


incidência direta de radiação solar no interior de um edifício, de forma
a evitar a manifestação de um calor excessivo. Normalmente caracte-
rizam-se como uma série de lâminas, móveis ou não, localizadas em
frente às aberturas dos edifícios.

Figura 26: Brise Soleil


Fonte: <http://www.brise-soleil.com>. Acesso em: 5 set. 2008.

Esquadrias com isolante térmico

As esquadrias que utilizam vidro duplo, composto por duas lâ-


minas de vidro e uma câmara de ar interna, são eficientes no isolante
térmico e acústico. O custo de implantação varia em função da
tecnologia utilizada, mas o retorno econômico é garantido. Essas
esquadrias são recomendadas para serem utilizadas nas aberturas com
grande incidência de sol. Também no inverno, o vidro duplo serve
para evitar a fuga de calor para o exterior.

164
Módulo 6

Figura 27: Vidro duplo termo-acústico


Fonte: <http://www.scheid.com.br>. Acesso em: 5 set. 2008.

Isolamento térmico utilizando embalagens de leite

O isolamento térmico pode ser obtido com a implantação de sis-


temas mais sofisticados como o Brise Soleil e vidros duplos termo-
acústico, ou com tecnologias simples como a instalação de uma manta
isolante abaixo do telhado. Esta manta pode ser de isopor, alumínio ou
mesmo de caixas de leite tetrapak, abertas e coladas. Para tanto, basta
desmontar as caixas para que elas fiquem de forma plana, lavá-las com
água e sabão, secar e colar as caixas com cola de sapateiro, formando
uma manta. Instalar esta manta abaixo do telhado, deixando um espa-
ço mínimo de 2 cm.
Esta manta irá proporcionar a redução de 9 graus centígrados na
temperatura interna do ambiente (ver Figura 28).

165
Curso de Graduação em Administração a Distância

Figura 28: Manta isolante feita de caixas de leite


Fonte: <http://www.fem.unicamp.br/~vidalong/anexos/fig3.jpg>.
Acesso em: 24 set. 2008.

Saiba mais...
Para se informar sobre o assunto abordado aqui, consulte a
reportagem sobre “Forro feito de embalagem longa vida”, no
endereço:<http://www.tvcultura.com.br/REPORTERECO/
materia.asp?materiaid=402>.

Lixo

Lixo é o termo utilizado para denominar tudo aquilo que não


nos interessa. Neste caso, vamos chamar de “lixo” os resíduos sólidos
gerados numa residência ou nos escritórios de uma empresa. Ou seja,
não iremos abordar os resíduos industriais.

166
Módulo 6

A preocupação com o lixo é, em primeiro lugar, a sua não gera-


ção. Como evitar o lixo, mas, uma vez existindo, encontrar o destino
mais adequado.

Dicas para reduzir a geração de lixo

A primeira preocupação deve ser com a não geração de lixo,


pois freqüentemente compramos alguma coisa e levamos para casa em-
balagens e material que não desejamos e o transformaremos em lixo. A
sociedade brasileira ainda não oferece muitas opções, “forçando” o con-
sumidor a levar quantidades indesejáveis de embalagens para casa.
Quando houver opção, siga as dicas:

Alimentos – comprar produtos naturais e com pouca emba-


lagem, evite as formas de isopor.
Refil e embalagens retornáveis – dê preferência para pro-
dutos que oferecem refil ou embalagens retornáveis.
Embalagens alternativas – lembre que a embalagem não
será consumida, tem apenas a finalidade de manter o produ-
to, nas condições em que se encontra. Dê preferência para
embalagens simples e fáceis de serem degradadas ou
recicladas, como por exemplo, as feitas de papel pardo. Ao
comprar material de limpeza, observe se a embalagem foi
produzida com material reciclado e valorize o bioplástico,
que em contato com a terra se decompõe em 18 semanas.
Algumas empresas utilizam pipoca em vez de isopor para
proteger produtos como computadores e TVs.
Revistas e Jornais – Algumas revistas e jornais estão
disponibilizando versões eletrônicas, tente adaptar-se a leitu-
ra na tela do computador, evitando assim a aquisição da có-
pia física. Quando isto não for possível, faça assinaturas con-
juntas, de forma que mais de uma pessoa leia o mesmo peri-
ódico.
Mínimo de impressão – evite imprimir documentos. Verifi-
que se não é possível ler e resolver a questão sem utilizar as
folhas de papel. Quando for extremamente necessário, utili-
ze papel reciclado e imprima frente e verso. Verifique se a

167
Curso de Graduação em Administração a Distância

impressora não permite a impressão automática em frente e


verso. Se isso for possível, coloque todos os computadores
no módulo impressão frente e verso.
Aplique os princípios do Ecodesign – ao comprar um pro-
duto, avalie-o utilizando os princípios do Ecodesign. Anali-
se a composição do produto, consumo de energia durante o
uso, facilidades de reparo, como será o descarte, facilidades
oferecidas pelo vendedor, etc.
Reduzir o volume das embalagens – após o uso, antes de
descartar as embalagens, é aconselhável uma rápida limpeza
com água já utilizada para outros fins, como a utilizada para
lavar os copos. Não utilize água potável para limpar embala-
gens. Apenas retire os resíduos da embalagem e reduza o
volume desta embalagem retirando o ar de dentro amassan-
do-a. Quanto menor o volume, mais fácil será o seu transpor-
te no caminho para a reciclagem.
Não jogue lixo no vaso sanitário – tudo que for para o vaso
sanitário, poderá passar por um tratamento de esgoto ou irá
diretamente para o rio. Na maioria das cidades não existe o
tratamento do esgoto, ou apenas uma pequena parcela é tra-
tada. Se não houver este tratamento, o que você colocar no
vaso, será recolhido em algum ponto de captação de água,
transformada em água potável e devolvida para sua caixa
d'água. Portanto, na dúvida, jogue no recipiente do lixo co-
mum e não no vaso sanitário. Um litro de azeite jogado no
vaso sanitário ou na caixa de gordura irá contaminar um mi-
lhão de Litros de água potável. Armazene o azeite e gorduras
numa garrafa PET e entregue nos postos de recolhimento. Se
não tiver na sua cidade, coloque a garrafa PET com as gor-
duras no lixo que irá para o aterro sanitário.
GLOSSÁRIO
*Emissão – se refe- Não queime o lixo, você não sabe que tipo de emissão* es-
re à descarga de par- tará jogando na atmosfera.
tículas e gases na Muito cuidado com o lixo tóxico da sua casa – evite com-
atmosfera. Fonte: prar produtos tóxicos, quando não encontrar produtos alter-
Elaborado pelo au- nativos, tome cuidado no descarte.
tor.

168
Módulo 6

Escolha um lugar, a sua casa ou o local de trabalho, para


aplicar P+L (redução de consumo de água, luz, toxicidade).
Faça uma medição por semana e compare os resultados.
Discuta com os colegas no Fórum os resultados obtidos e
aprimore seu processo.

Dar o destino adequado ao lixo

O processo de dar um destino adequado será facilitado se o usu-


ário não misturar o lixo. Misturar o lixo? Sim! As embalagens não
estão no mesmo recipiente das cascas de fruta, alguém as colocou jun-
tas. Portanto, basta que as pessoas não juntem coisas que não devem
estar juntas.
O primeiro passo é dispor num recipiente os resíduos orgânicos
(cascas de fruta, restos de comida, papel higiênico, etc.), e em outro
recipiente e os resíduos recicláveis (papel, vidro, metais, plásticos). Se
não houver coleta seletiva na sua cidade, certamente haverá alguém
que se interessará em buscar na sua casa, no seu prédio, o lixo reciclável,
chamado de “lixo seco”.
Se você quiser seguir o padrão de cores dos recipientes do lixo
seco, observe o Quadro 5.

CÓDIGO DE TIPO DE MATERIAL TIPO DE MATERIAL


CORES RECICLÁVEL NÃO RECICLÁVEL

AMARELO Metais, alumínio, e sucata em geral. Clips, Esponjas de aço,


Latinhas de cerveja e refrigerante, grampos, pilhas
enlatados em geral, tampinhas, arames,
pregos, fios e objetos que sejam de
cobre, alumínio, bronze, ferro, chumbo
e zinco

Papéis, papelão, embalagens etc. Papel carbono, fotografi-


AZUL Jornais, revistas, listas telefônicas, as, papéis sujos, papel
folhetos, folhas de rascunho, papéis de higiênico, etiquetas
embrulho, caixas de papelão, folhas de adesivas, fitas crepe e
caderno usadas, embalagens de longa adesiva, papéis
vida limpas (caixinhas de leite, suco, metalizados, plastificados,
creme de leite etc.) parafinados e betumados

Quadro 5: Código de cores dos recipientes para resíduos sólidos


Fonte: Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. Disponí-
vel em: <http://www.mma.gov.br/conama/>. Acesso em: 14 ago. 169
2008.
Curso de Graduação em Administração a Distância

CÓDIGO DE TIPO DE MATERIAL TIPO DE MATERIAL


CORES RECICLÁVEL NÃO RECICLÁVEL

VERMELHO Plásticos, potes, sacos e garrafas. Cabos de panela, tomadas,


Garrafas plásticas, tubos e canos, potes embalagens de biscoito,
de creme, frascos de xampu, baldes, bala e doces
bacias, brinquedos, sacolas, etc.
VERDE Vidros, garrafas, frascos, potes etc. Espelhos, vidros planos,
Garrafas em geral, vidros de conser- lâmpadas, tubos de TV e
vas, vidros de produtos de limpeza, e vídeo, cerâmica, pirex e
frascos em gera porcelana

Quadro 5: Código de cores dos recipientes para resíduos sólidos


Fonte: Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. Disponí-
vel em: <http://www.mma.gov.br/conama/>. Acesso em: 14 ago.
2008.

O destino dos resíduos orgânicos e tudo mais que for depositado


no lixo orgânico, será encaminhado para um lixão ou para aterro sani-
tário. Os resíduos inorgânicos, ou lixo seco, será encaminhado para
reciclagem (nas cidades onde há coleta seletiva). A reciclagem destes
produtos irá evitar que eles fiquem na natureza por séculos ou um
milhão de anos (ver Quadro 6).

Tempo de vida útil de matérias-primas

PAPEL – de 3 a 6 meses NYLON – mais de 30 anos

TECIDOS – de meses a um ano PLÁSTICO – mais de 100 anos

FILTRO DO CIGARRO – 5 anos METAL – mais de 100 anos

GOMA DE MASCAR – 5 anos BORRACHA – tempo indeterminado

MADEIRA PINTADA – 13 anos VIDRO – 1 milhão de anos

Quadro 6: Tempo de vida útil de matérias-primas


Fonte: Projeto Plant-Ar. Disponível em: <http://
www.projetoplantar.org.br/
campanhadetail.aspx?CampanhaID=34&TopicoID=2>. Acesso em:
31 de out. 2008.

170
Módulo 6

Toxicidade*

Usualmente esquecemos que temos em nossa casa muitos pro-


dutos tóxicos que exigem cuidados especiais para o consumo, trans-
porte e, principalmente, no descarte dos mesmos. GLOSSÁRIO
Toxicidade é definida como a capacidade de uma substância *Toxicidade – é de-
química produzir um efeito nocivo quando interage com um organis- finida como a carac-
mo vivo. terística que uma
molécula química
ou composto tem de
“Todas as substâncias são venenos. Não existe nada que não produzir uma doen-
seja veneno. Somente a dose certa diferencia o veneno do ça, uma vez que al-
remédio” (PARACELSUS, médico suíço – 1493 a 1541). cança um ponto sus-
cetível dentro ou na
superfície do corpo.
Onde a toxicidade está presente? Fonte: Munhoz.
(2008).
1. Cigarro;
2. Produtos de limpeza: sabão em barra, sabão em pó,
amaciante, tira-manchas, alvejante, detergente,
desengordurante, desinfetante, limpador de uso geral, álco-
ol, limpa-vidros, limpa-carpetes, cera, lustra-móveis, polidor
de metais, pomada para sapatos, aromatizador de ambientes,
facilitador para passar roupas;
3. Pesticidas domésticos (líquidos, armadilhas, aerossol e elé-
tricos);
4. Pesticidas de uso agrícola;
5. CFC: refrigeradores, aerossóis, solventes e extintores de
incêndio;
6. Cosméticos e outros produtos de higiene;
7. Brinquedos (os que são fabricados com PVC);
8. Remédios;
9. Remédios e produtos para animais domésticos;
10. Tintas para pintar as casas;

171
Curso de Graduação em Administração a Distância

11. Plantas tóxicas;


12. Móveis;
13. Eletrodomésticos;
14. Embalagens de alimentos e bebidas; e
15. Artigos de tecnologia: computadores, impressoras, foto-
copiadoras, fax;

Mas não só os produtos industrializados são tóxicos, algumas


plantas na natureza também são tóxicas e podem causar danos à saú-
de. O Quadro 7 traz as plantas tóxicas mais comuns.

Plantas Partes tóxicas Efeitos

Antúrio, comigo- Látex, folhas, Dor em queimação, irritação de


ninguém-pode, copo de caule mucosas, náuseas, inchaço
leite, tinhorão

Mamona, picão de Sementes Vômitos, cólicas, diarréia sanguino-


praia, pinhão de purga lenta, insuficiência renal
Figueira do inferno, Toda a planta Pele quente e seca, agitação, alucina-
saia branca, trombeteira ção, rubor de face
Mandioca brava Entrecasca da raiz Vômitos, cólicas, sonolência,
convulsões, coma, asfixia

Chapéu de Napoleão, Toda a planta Vômitos, diarréia, alterações cardíacas


espirradeira

Coroa de Cristo, estrela Látex Salivação, vômitos, queimaduras


de cadete, leiteira

Quadro 7: Plantas tóxicas mais comuns


Fonte: Adaptado de <http://www.saude.rj.gov.br/Guia_sus_cidadao/
pg_86.shtml>. Acesso em: 5 set. 2008.

172
Módulo 6

RESUMO

A Unidade da Gestão Ambiental Doméstica foi inserida


aqui para demonstrar ao estudante que os conceitos de P+L,
Ecodesign, etc., podem ser aplicados em uma grande empresa,
uma micro-empresa, uma organização do setor de serviços, uma
propriedade rural ou mesmo na nossa casa.
A economia de água, energia, bem como a redução dos
resíduos e da toxicidade que temos em casa é plenamente viá-
vel e recomendável, tanto do ponto de vista ambiental quanto
econômico. Aplique as dicas e os conhecimentos adquiridos,
mensurando quanto gastava antes e quanto gastou após a ado-
ção das medidas. E lembre-se, se não medir, não vai melhorar!
Enfim, chegamos ao fim deste estudo e esperamos que os
assuntos tratados no decorrer deste módulo tenham despertado
seu interesse para esta área da Administração que traz à tona
questões delicadas e de extrema importância para a continuida-
de e qualidade da vida na Terra.
Aos profissionais da Administração que em seu juramen-
to prometem "dignificar a profissão, conscientes de suas res-
ponsabilidades legais, observando o Código de Ética,
objetivando o aperfeiçoamento da Ciência da Administração, o
desenvolvimento das Instituições e a grandeza do Homem e da
Pátria" cabe a responsabilidade de liderar mudanças. E estas
mudanças são ainda mais urgentes se pensarmos nas questões
ligadas ao meio ambiente.
Então, se associarmos essa missão à “fama” de transfor-
mar problemas em oportunidades estaremos com a faca e o queijo
nas mãos. Aliar conhecimentos a um perfil que envolve a capa-
cidade de tomar decisões, lidar com pessoas, conduzir mudan-

173
Curso de Graduação em Administração a Distância

ças, liderar, ser proativo, ousado, criativo, gerir com responsa-


bilidade e profissionalismo e, principalmente, fazer tudo isso
com uma visão sistêmica e global da estrutura da organização,
parece ser a chave para uma condução adequada das práticas
associadas à Gestão Ambiental e promoção da sustentabilidade.
Transformar organizações poluidoras, com baixa eficiên-
cia no uso dos recursos em organizações sustentáveis é mais
um dos desafios dos administradores. Isto irá exigir novos mé-
todos de gestão e sensibilidade dos gestores para com as ques-
tões socioambientais. Será preciso estar atento às novas tendên-
cias e demandas dos mercados exigentes. E, como administrar
é agir, então vamos arregaçar as mangas e trabalhar pela cons-
trução da sustentabilidade das organizações e de uma causa que
interessa a todos, que é a defesa da vida no Planeta Terra.

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Módulo 6

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Curso de Graduação em Administração a Distância

Luís Felipe Nascimento

Graduado em Engenharia Elétrica (1985) e Mestre em Enge-


nharia de Produção (1989), ambos pela Universidade Federal de San-
ta Maria. PhD em Economia e Meio Ambiente (1995), pela
UNIVERSITÄT GESAMTHOCHSCHULE KASSEL, Alemanha.
Em 2002/2003 realizou o Pós-doc na University of Massachusetts,
Estados Unidos, e em 2003 cursou, na Harvard Business School
(EUA), o Colloquium on Participant-Centered Learning. É professor
Associado I, na Escola de Administração da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul. Pesquisador do CNPq (1D), tendo como temas de
pesquisa: gestão socioambiental, desenvolvimento sustentável, produ-
ção mais limpa, ecodesign, marketing verde e gestão estratégica sus-
tentável. Autor do livro Gestão Socioambiental Estratégica. Ver cur-
rículo Lattes em: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/
visualizacv.jsp?id=K4788516P4&dataRevisao=null>.
nascimento@ea.ufrgs.br
<www.portalga.ea.ufrgs.br>

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