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Análise numérica do comportamento quanto à fissuração de vigas em concreto armado Bruna da Silva

Análise numérica do comportamento quanto à fissuração de vigas em concreto armado

Bruna da Silva Antunes

Aluna do Curso de Mestrado da Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal Fluminense, Rua Passo da Pátria 156, sala 360, CEP 24210-240, Niterói, RJ,

Brasil. email: bru.antunes87@gmail.com

Luiz Carlos Mendes, D.Sc.

Professor Associado IV e Pesquisador da Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal Fluminense, Rua Passo da Pátria 156, sala 360, CEP 24210-240,

Niterói, RJ, Brasil. email: lcarlos@predialnet.com.br

Guilherme Maia e Silva

Aluno do Curso de Mestrado da Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal Fluminense, Rua Passo da Pátria 156, sala 360, CEP 24210-240, Niterói, RJ,

Brasil. email: guimaiasilva@hotmail.com

Resumo

O concreto armado é um material de confecção que exigem certos cuidados, e como tal tem limites de resistência para os diversos tipos de solicitações mecânicas. É necessário dimensionar as estruturas para que os estados limites de cada solicitação não sejam ultrapassados. Entretanto, elas podem entrar em colapso mesmo que tenham sido bem

dimensionadas. Isso pode ocorrer quando os esforços aplicados são maiores que os previstos, ou quando a execução não corresponde aos cuidados exigidos pelo projeto. O principal objetivo da

pesquisa é a análise numérica do mecanismo de fissuração do concreto armado por esforços externos excessivos, que podem causar aberturas, rupturas por choque, deformações excessivas, fluência e fadiga. Serão feitas análises de comportamento quanto à fissuração das peças submetidas à flexão dentro da nova NBR 6118/2007, levando-se em conta as diversas classes ambientais, variando-se alturas, cobrimentos, espessuras de vigas e resistências características de concreto com o auxílio da Computação Algébrica Simbólica.

Palavras-chave Fissuras; Concreto Armado; Vigas de concreto; Flexão; Análise computacional.

1 Introdução   A fissuração é um fenômeno praticamente inevitável no concreto,

1

Introdução

 

A

fissuração

é

um

fenômeno

praticamente

inevitável

no

concreto,

devido

a

sua

fragilidade perante os esforços de tração.

Nas vigas de concreto armado ocorrem fissuras na região tracionada, sendo necessária a utilização do aço para resistir às tensões não mais suportadas pelo concreto. Então é importante o controle da abertura de fissuras para não comprometer a necessidade funcional da estrutura, a durabilidade e a estética da mesma, além de estar relacionada à proteção da armadura contra a corrosão e, por conseqüência, à resistência da sua seção.

Este trabalho tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento de pesquisas e soluções que favoreçam o aumento na durabilidade das estruturas de concreto armado, bem como conduzir a estimativas mais precisas do comportamento estrutural e dos deslocamentos e fissuras, conseqüentes do carregamento direto nas vigas de concreto armado.

2 Proteção e cobrimento das peças em concreto armado

2.1 Introdução

Entende-se por durabilidade das estruturas, o fato de uma obra ser bem projetada e construída, ou seja, que mantenha as condições de segurança e utilização no período de sua vida útil. Para isto, levam-se em conta, na parte de projeto, as condições ambientais e de finalidade da obra, observando-se os requisitos de uso e manutenção.

A nova NBR 6118 / 2003 demonstra a necessidade de maior critério do projetista de estruturas na especificação dos itens relacionados às questões de durabilidade, como drenagem, formas arquitetônicas, qualidade do concreto de cobrimento, detalhamento das armaduras, controle da fissuração e deslocamentos, medidas especiais e inspeção e manutenção preventiva. Todos esses fatores não implicam somente na durabilidade dos elementos estruturais, mas também contribuem para a durabilidade global dos demais elementos do sistema construtivo, como a alvenaria e o revestimento.

Esta nova NBR 6118 / 2003 inicia com a classificação da classe de agressividade ambiental no qual a estrutura será construída, e a mesma está relacionada às ações físicas e químicas que atuam sobre as estruturas de concreto, independente das ações mecânicas, das variações volumétricas de origem térmica e da retração hidráulica.

2.2 Classes de Agressividade Ambiental

Em um projeto de estruturas a agressividade ambiental pode ser classificada de acordo com a Tabela 1 (NBR 6118 / 2003).

Tabela 1 – Classes de agressividade ambiental. A definição da classe de ag ressividade ambiental

Tabela 1 – Classes de agressividade ambiental.

Tabela 1 – Classes de agressividade ambiental. A definição da classe de ag ressividade ambiental é

A definição da classe de agressividade ambiental é de extrema importância, pois influencia nos valores mínimos recomendados de resistências características (f ck ), no valor do cobrimento mínimo das armaduras e na abertura máxima fissura permitida. A relação água/cimento (A/C), também deve ser considerada para o dimensionamento dos elementos estruturais, pois é o principal parâmetro controlado na dosagem, e credita-se a ele a responsabilidade por 95 % das variações na resistência do concreto.

Uma novidade em relação à antiga NBR 6118 / 1984, é que a nova norma estabelece critérios de qualidade mínimos para o f ck e a relação água/cimento, A/C, do concreto utilizado em obra, levando-se em conta as condições de exposição dos elementos da estrutura de concreto às intempéries. A Tabela 2 apresenta as relações água/cimento (A/C) máximas admissíveis e o f ck mínimo exigido (classe do concreto) para o concreto em função da agressividade do ambiente e do tipo de armadura (armadura passiva – CA e armadura ativa – CP).

Tabela 2 – Correspondência entre classe de agressividades e qualidade do concreto. Outra novidade entre

Tabela 2 – Correspondência entre classe de agressividades e qualidade do concreto.

entre classe de agressividades e qualidade do concreto. Outra novidade entre a nova norma (N BR

Outra novidade entre a nova norma (NBR 6118 / 2003) e a antiga (NBR 6118 / 1984) é a indicação de cobrimentos mínimos maiores, mas para isto deve ser oferecido às armaduras uma proteção complementar, desde que sejam garantidas também a qualidade da concretagem, a distribuição equilibrada da armadura na estrutura e a execução desse cobrimento. A Tabela 3 apresenta as exigências com relação ao cobrimento nominal (cobrimento mínimo mais tolerância de execução) em função da classe de agressividade ambiental.

Tabela 3 - Correspondência entre classe de agressividades e cobrimento nominal c = 10 mm

agressividade ambiental. Tabela 3 - Correspondência entre classe de agressividades e cobrimento nominal ∆ c =
Na Tabela 3 estão relacionados os cobr imentos nominais já acrescidos de uma tolerância de

Na Tabela 3 estão relacionados os cobrimentos nominais já acrescidos de uma tolerância de execução (c), que segundo a NBR 6118 / 2003, nas obras correntes, este deve ser maior ou igual a 10 mm. No entanto, permite-se reduzir a tolerância de execução para c = 5 mm quando houver um adequado controle de qualidade e rígidos limites de tolerância durante a execução, mas a exigência de controle rigoroso deve ser explicitada nos desenhos de projeto. Assim, permite-se a redução em 5 mm dos cobrimentos indicados na Tabela 3.

Especificado o valor do cobrimento nominal a ser respeitado no projeto, deve-se garantir que a dimensão máxima do agregado graúdo utilizado no concreto não supere em 20% a espessura nominal do cobrimento e ainda, em nenhuma situação o cobrimento nominal poderá ser menor que o diâmetro da barra.

3 Análise da abertura de fissuras em estruturas de concreto armado

3.1 Análise da fissuração em peças de concreto armado

No dimensionamento de estruturas de concreto armado temos o cálculo para o (estado limite último) E.L.U seguido do (estado limite de serviço) E.L.S, embora várias vezes não é dada a devida importância para a verificação em serviço. Na Norma Brasileira NBR 6118 /2003 o estado limite de utilização(serviço) é dividido em:

-Estado limite de formação de fissuras (ELS-F): estado em que se inicia a formação de fissuras; -Estado limite de abertura de fissuras (ELS-W): estado em que as fissuras se apresentam com aberturas características (w k ) iguais aos próximos especificados; -Estado limite de deformações excessivas (ELS-D): estado em que as deformações atingem os limites estabelecidos para a utilização normal da edificação; -Estado limite de vibrações excessivas (ELS-VE): estado em que as vibrações atingem os limites estabelecidos para a utilização normal da edificação.

As formações de fissuras existem onde as tensões de tração provenientes do carregamento direto ou restrição a deformações impostas. Além disso, podem ocorrer por outras razões, a retração plástica ou térmica e a expansão devido a reações químicas internas nas primeiras idades. Tais mecanismos podem causar fissuras consideradas inaceitáveis na estrutura.

Nesse caso, trata-se de uma verificação de estado-limite de serviço, ou seja, interessa saber a fissuração que ocorrerá na peça quando esta estiver em utilização, e não próxima a atingir o colapso.

De acordo com a norma NBR 6118 / 2003, o módulo de elasticidade, também denominado de módulo de deformação, o carregamento ao qual a peça está submetida e a taxa de armadura à tração são os fatores principais que influem na fissuração das vigas de concreto

armado. A retração, a fluência (deformação lent a), as condições de cura do concreto e

armado. A retração, a fluência (deformação lenta), as condições de cura do concreto e a desforma também devem ser consideradas.

3.1.1 – Estado limite de formação de fissuras

Conforme analisado, a fissuração é um fenômeno inevitável em peças de concreto. Assim, poder-se-ia pensar que a verificação do estado limite de formação de fissuras é desnecessária. Entretanto, a partir desta verificação, torna-se possível identificar o estádio de comportamento da peça.

A identificação do estádio de comportamento em que se encontra a peça em serviço, é

um importante aspecto a ser analisado no equacionamento do problema de verificação dos estados limites de serviço. Estes estádios traduzem as diversas fases pelas quais passa uma peça de concreto armado quando submetida a um carregamento crescente. Normalmente, para as ações de serviço (ações reais, não majoradas), as seções encontram-se nos estádios I ou II.

No estádio I a tensão de tração no concreto não ultrapassa sua resistência característica à tração (f ctk) , e n ão há fis sur as de flexão visíveis. N est e estádio o diagrama de tensão normal ao longo da seção é linear, e as tensões nas fibras mais comprimidas são proporcionais às deformações, correspondendo ao trecho linear do diagrama tensão- deformação do concreto. Já o estádio II, este é caracterizado pela presença de fissuras nas

zonas de tração e, portanto, o concreto situado nessas regiões é desprezado; nesse estádio a tensão de tração na maioria dos pontos situados na região tracionada da seção tem valor superior ao da resistência característica do concreto à tração.

A separação entre estes dois estádios de comportamento é definida pelo momento de

fissuração (M r ), o qual se define como sendo o momento fletor capaz de provocar a primeira fissura na peça. Se o momento fletor atuante numa dada seção da peça for menor do que o momento de fissuração, isto significa que esta seção não está fissurada e, portanto, encontra-

se no estádio I. Caso contrário, se o momento fletor atuante for maior do que o de fissuração, a seção encontra-se fissurada e, portanto, no estádio II. Neste segundo caso, diz-se que foi ultrapassado o estado limite de formação de fissuras. De acordo com a NBR 6118/2003, o momento de fissuração pode ser calculado pela seguinte Expressão (1) aproximada:

onde:

M r

= α

×

fct I

×

c

y

t

(1)

α é o fator que correlaciona aproximadamente a resistência à tração na flexão com a

resistência à tração direta (α = 1,2 para seções em forma de “T” ou duplo “T”, e α = 1,5 para seções retangulares);

y t é a distância do centro de gravidade da seção transversal a sua fibra mais tracionada;

I c é o momento de inércia da seção bruta de concreto; f ct é a resistência à tração direta do concreto. Para esta verificação particular, para determinação do momento de fissuração, deve ser usado fct = 0,3·fck 2/3 .

3.1.2 – Abertura máxima de fissuras Deve-se garantir, com razoável probabilid ade, que as aberturas

3.1.2 – Abertura máxima de fissuras

Deve-se garantir, com razoável probabilidade, que as aberturas das fissuras fiquem dentro dos limites do item 13.4.2 da NBR 6118 / 2003, para que não comprometam as condições de serviço e a durabilidade da estrutura.

De maneira geral, quando as estruturas são bem projetadas e construídas e utilizando as combinações de ações como estão especificados na norma, dados na Tabela 4, não haverá perda de durabilidade ou perda de segurança quanto aos estados-limites últimos.

Tabela 4 - Exigências de durabilidade relacionadas à fissuração e à proteção da armadura.

últimos. Tabela 4 - Exigências de durabilidade relacionadas à fissuração e à proteção da armadura.
As aberturas w k da Tabela 4 referem-se a valores-limite característicos para garantir proteção adequada

As aberturas w k da Tabela 4 referem-se a valores-limite característicos para garantir proteção adequada das armaduras quanto à corrosão. Não se deve esperar, no entanto, que as aberturas reais de fissuras correspondam estritamente aos valores indicados, isto é, fissuras reais podem eventualmente ultrapassar esses limites.

As combinações de serviço podem ser obtidas de acordo com a seção 11.8.3 da Norma NBR 6118/2003 que classifica estas combinações de acordo com sua permanência na estrutura, quais sejam:

a) Combinação Quase Permanente (CQP): podem atuar durante grande parte do período

de vida da estrutura e sua consideração pode ser necessária na verificação do estado limite de deformações excessivas;

b) Combinação Freqüente (CF): se repetem muitas vezes durante o período de vida da

estrutura e sua consideração pode ser necessária na verificação dos estados limites de formação de fissuras, de abertura de fissuras e de vibrações excessivas. Podem também ser consideradas para verificações de estados limites de deformações excessivas decorrentes de vento ou temperatura que podem comprometer as vedações;

c) Combinação Rara (CR): ocorrem algumas vezes durante o período de vida da estrutura

e sua consideração pode ser necessária na verificação do estado limite de formação de

fissuras.

Tabela 5 – Combinações de serviço.

pode ser necessária na verificação do estado limite de formação de fissuras. Tabela 5 – Combinações
Tabela 6 – Valores do coeficiente γ f 2 3.1.3 - Controle da fissuração por

Tabela 6 – Valores do coeficiente γ f2

Tabela 6 – Valores do coeficiente γ f 2 3.1.3 - Controle da fissuração por meio

3.1.3 - Controle da fissuração por meio da limitação da abertura estimada das fissuras

No item 17.3.3 da Norma, estão estabelecidos os critérios de aceitação da aberturas de fissuras, apresentados na Tabela 4.

A avaliação dos valores de abertura de fissuras é feita para cada elemento das armaduras passiva e ativa aderente, que controlam a fissuração da peça, levando em consideração uma área crítica (A cr ) do concreto de envolvimento, constituída por um retângulo cujos lados não distam mais de 7,5φi do eixo da barra da armadura.

É conveniente que toda a “pele”(região próxima à superfície) da viga em sua zona tracionada tenha armaduras que minimizem a abertura de fissuras na região A cr,i considerada, conforme a Figura 1.

Figura 1 - Concreto de envolvime nto da armadura ( NBR 6118 / 2003). O
Figura 1 - Concreto de envolvime nto da armadura ( NBR 6118 / 2003). O

Figura 1 - Concreto de envolvimento da armadura ( NBR 6118 / 2003).

O valor característico da abertura de fissuras, w k , determinado para cada parte da região de envolvimento, é a menor dentre os obtidos pelas Expressões (2) e (3) a seguir:

Sendo:

w =

k

φ

i

×

σ

si

×

3

×

σ

si

12,5 ×

η

i

E

si

f

ctm

w

k

=

φ

i

×

σ

si

×

4

12,5 ×

η

i

E

si

ρ

ri

+

45

(2)

(3)

Acr,i - área da região de envolvimento protegida pela barra ø i ;

Esi - módulo de elasticidade do aço da barra ø i considerada;

φ

i

- diâmetro da barra que protege a região de envolvimento considerada;

ρ

ri - taxa de armadura passiva ou ativa aderente (que não esteja dentro de bainha) em relação

à área da região de envolvimento (Acr);

η

i

coeficiente

η

i da armadura passiva considerada. O

i mede a conformação superficial e é expresso no item 9.3.2.1 da NBR 6118 /

de

conformação

superficial

-

η

coeficiente

2003 e vale 1,0 para barras lisas (CA-25), 1,4 pa ra barras entalhadas (CA-60) e

2003 e vale 1,0 para barras lisas (CA-25), 1,4 para barras entalhadas (CA-60) e 2,25 para barras (nervuradas) de alta aderência (CA-50);

f ctm - resistência média do concreto à tração (f ctm = 0,3.fck 2/3 - item. 8.2.5 NBR 6118 / 2003);

- é a tensão de tração no centro de gravidade da armadura considerada, calculada no Estádio II. O cálculo no estádio II (que admite comportamento linear dos materiais e despreza a resistência à tração do concreto) pode ser feito considerando αe = 15 (relação entre os módulos de elasticidade do aço e do concreto).

σ

si

Nas vigas usuais, com altura menor que 1,2 m, pode-se considerar atendida a condição de abertura de fissura em toda a pele tracionada se a abertura de fissura calculada na região das barras mais tracionadas for verificada e houver uma armadura lateral de pele que atenda ao item 17.3.5.2.3 da NBR 6118 / 2003.

Tabela 7 - Coeficiente de conformação superficial de barras

7 - Coeficiente de conformação superficial de barras 3.1.4 - Controle da fissuração sem a v

3.1.4 - Controle da fissuração sem a verificação da abertura de fissuras

A norma apresenta uma proposta simplificada para o controle do ELS-W na qual se

dispensa o cálculo da abertura de fissuras.

O controle é feito limitando-se os parâmetros que influem no processo de formação e

abertura de fissuras: o diâmetro da armadura, a tensão no aço e a taxa de armadura passiva,

sendo esta ultima controlada de forma indireta via espaçamento de barras.

Tabela 8 - Valores máximos de diâmetro e espaçamento

ultima controlada de forma indireta via espaçamento de barras. Tabela 8 - Valores máximos de diâmetro
4. Análise computacional de problema s de flexão em vigas de concreto armado 4.1 Vigas

4. Análise computacional de problemas de flexão em vigas de concreto armado

4.1 Vigas de pontes em concreto armado

Será analisada uma ponte rodoviária, em concreto armado, constituída por 3 vãos contínuos de 20m, e os balanços de 4 metros, totalizando um comprimento de 68 metros. A seção transversal é estruturada por meio de duas vigas principais de altura constante e igual a 2,20m, variando de 0,4m no vão e 0,8m nos apoios. As vigas são ligadas por laje e transversinas de apoio e de vão. A ponte possui duas pistas de rolamento de 3,50m, afastadas 0,6m (distância ao obstáculo contínuo) dos guarda-rodas de 0,40m perfazendo uma largura total de 9m.

Com a utilização do Programa de Computação Algébrica Simbólica Mathcad foram desenvolvidas rotinas de cálculo para serem verificadas, conforme a nova NBR 6118 / 2003, a análise da fissuração na viga proposta com classe de agressividade ambiental II.

Com o carregamento da viga proposta, levantado de acordo com o projeto analisado, a altura da viga e a classe de agressividade ambiental foram variadas, chegando-se a uma gama de resultados gerados pelas rotinas de cálculos para serem analisados em concordância com a NBR 6118 / 2003.

As formulações computacionais foram elaboradas para as diversas larguras b w da viga em estudo, onde, para cada uma foram variados os parâmetros: altura e classe de agressividade ambiental.

4.2 Análise para variações de altura da viga

Com a mudança de posição da linha neutra, verifica-se mudança nas aberturas de fissura w 2 e w 3 , que são calculadas de acordo com a NBR 6118 / 2003 no estádio II. A colaboração de uma maior área de concreto na zona de compressão acarreta a diminuição na taxa de armadura, resultando maiores tensões nas barras tracionadas.

Conforme o aumento da altura da seção transversal observa-se uma variação da abertura de fissuras para cada b w analisado. Nota-se que, para todos os casos de classes de agressividade ambiental, há necessidade de adicionar armadura para evitar a fissuração da viga. Para a viga de maior altura a abertura de fissura foi menor do que para a viga de menor altura. O ponto de inflexão para a abertura de fissura w 2 está relacionada com a taxa de armadura. Sendo a taxa de armadura maior, menor será a fissuração. Os pontos de inflexão para w 3 está relacionado com o aumentos ou diminuição da tensão σ si da barra em estudo mais afastada da linha neutra. As Figuras 2 a 9 representam a abertura de fissura da viga proposta nas quatro classes de agressividade ambiental com a variação da altura da seção transversal.

Figura 2 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade
Figura 2 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade

Figura 2 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade ambiental I e altura de 150 cm.

classe de agressividade ambiental I e altura de 150 cm. Figura 3 – Gráfico abertura de

Figura 3 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade ambiental II e altura de 150 cm.

Figura 4 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade
Figura 4 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade

Figura 4 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade ambiental III e altura de 150 cm.

classe de agressividade ambiental III e altura de 150 cm. Figura 5 – Gráfico abertura de

Figura 5 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade ambiental IV e altura de 150 cm.

Figura 6 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade
Figura 6 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade

Figura 6 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade ambiental I e altura de 220 cm.

classe de agressividade ambiental I e altura de 220 cm. Figura 7 – Gráfico abertura de

Figura 7 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade ambiental II e altura de 220 cm.

Figura 8 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade
Figura 8 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade

Figura 8 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade ambiental III e altura de 220 cm.

classe de agressividade ambiental III e altura de 220 cm. Figura 9 – Gráfico abertura de

Figura 9 – Gráfico abertura de fissuras (mm) x largura (cm), para classe de agressividade ambiental IV e altura de 220 cm.

5 Análise dos resultados Pelas expressões matemáticas prescritas em norma, conclui-se que os principais parâmetros

5 Análise dos resultados

Pelas expressões matemáticas prescritas em norma, conclui-se que os principais parâmetros para o controle da fissuração em vigas fletidas são a resistência do concreto, tensão na armadura tracionada, bitolas das barras de armadura de tração, conformação superficial das barras de armadura e área de concreto de envolvimento da armadura tracionada.

A interpretação da classe de agressividade ambiental dentro da qual a estrutura está submetida é genérica, segundo a NBR 6118 / 2003, deixando uma margem de interpretação ampla para cada projetista, o que conduz a resultados diferentes no processo de analise de abertura de fissuras.

6 Conclusões e considerações finais

Estudos e análises mais detalhadas podem ser feitos visando uma melhor compreensão do fenômeno da fissuração em vigas de concreto armado. Variações nas alturas de viga, espessura, diâmetro das armaduras longitudinais, comprimentos de vão, resistência característica do concreto e do aço, são parâmetros que podem ser variados para se obter um melhor campo de resultados na abertura de fissuras.

Por último deve-se levar em consideração o efeito do cobrimento, do tipo de carregamento, e a duração do carregamento para que se possa estimar a abertura característica de fissuras de uma maneira mais realista.

6 Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7188 – Carga móvel em ponte rodoviária. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.NBR 6118:2003 - Projeto de estruturas de concreto – Procedimento ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (1996). NBR 7480 : 1996 – Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado. Rio de Janeiro. CARVALHO, R.C.; FIGUEIREDO FILHO, J.R. Cálculo e detalhamento de estruturas usuais de concreto armado, segundo a NBR6118 / 2003. 2ª ed. São Carlos, SP. Editora EDUFSCAR, 2004. 374 p. POLILLO, ADOLPHO Dimensionamento de Concreto Armado, Vol.1, 2ª Ed., RJ. Editora CIENTÍFICA 1972. SUSSEKIND, J. C. Curso de concreto, vol. 2, 2ª Ed. Rio de Janeiro. Ed. Globo, 1985. HIBELLER, R. C. Resistência dos Materiais, 7. ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. MEHTA, P.K.; MONTEIRO, P.J.M. Concreto, estrutura, propriedades e materiais. 1.ed. São Paulo: Pini Ltda, 1994.