A PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE SURF NO BRASIL: UM ROTEIRO PARA A FORMAÇAO INCIAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Brasil, V. Z. a ; Ramos, V.b

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Laboratório de Pedagogia do Esporte e da Educação Física, LAPEF, CEFID/ UDESC – Brasil - vzbrasil@hotmail.com
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Laboratório de Pedagogia do Esporte e da Educação Física, LAPEF, CEFID/ UDESC – Brasil.

Palavras-chave: Formação profissional; Educação Física; Produção científica; Surfe. Resumo Este artigo teve como objetivo realizar uma análise das publicações científicas sobre surfe no Brasil entre os anos de 2000 e 2010. Realizou-se a busca nas bases de dados Google Acadêmico, Scielo, Science Direct e Sport Discus, utilizando os termos “Surfe”, “Surf”, “Surfers” e “Esportes” combinados pelos operadores lógicos “and”, “or” e “not”. Após a análise preliminar, baseada nos critérios de inclusão, selecionaram-se 25 estudos. Os artigos publicados em periódicos de Educação Física foram classificados em 5 categorias de pesquisa: Sócio-Antropológica (9), Biológica (7), Treino Esportivo (2), Psicológica (1) e Pedagógica (1). Assim, pode-se concluir que a produção científica sobre surfe no Brasil tem sido mais expressiva nos últimos anos e segue as tendências gerais de investigação em Educação Física, com ênfase no campo da sociologia, biomecânica e medicina esportiva. Abstract This article aims to undertake a review of scientific publications on surfing in Brazil between 2000 and 2010. We conducted a search in Google Scholar databases, Scielo, Science Direct and Sport Discus using the terms "Surfing," "Surf", "Surfers" and "Sports" combined by logical operators "and", "or" and "not." After preliminary analysis, based on inclusion criteria, 25 studies were selected. Articles published in journals of Physical Education were classified into five categories of research: Socio-Anthropological (9), Biological (7), Sports Training (2), Psychological (1) and Educational (1). Thus, it can be concluded that the scientific Surfing in Brazil has been more significant in recent years and follows the general trends of research in Physical Education with an emphasis in sociology, biomechanics and sports medicine. Introdução e Objetivo Nas últimas décadas o surfe tem obtido um nível de representação social importante no âmbito das práticas corporais formais e informais, ampliando sua popularidade e o número de praticantes em vários países. Cerca de 17 milhões de pessoas no mundo tem aderido à prática sistemática deste esporte e, no Brasil já são estimados aproximadamente 2,7 milhões de praticantes (BASE et al., 2007; CARLET; FAGUNDES; MILISTEDT, 2007; MOREIRA, 2009).

O aumento da popularidade e do número de praticantes tem gerado preocupações quanto à qualificação dos profissionais para intervir pedagogicamente neste novo cenário. Assim, associações, confederações e federações especializadas neste esporte, têm criado seus próprios programas de formação. Do mesmo modo, universidades de alguns países têm incluído o surfe como matéria de ensino em programas de graduação e pós-graduação, direcionando, inclusive, esforços para a realização de estudos científicos (MOREIRA, 2009). De fato, o aumento das possibilidades de intervenção ou do mercado de trabalho do profissional de Educação Física deve despertar preocupações para as universidades no Brasil, haja vista que elas têm assumido alguma responsabilidade para a formação inicial de profissionais, para atuar nas diversas áreas do movimento humano, especificamente o treino esportivo, a prática da atividade física e o esporte. É necessário, portanto, buscar alternativas que promovam e estimulem a prática acadêmica (ensino, pesquisa) do surfe nos cursos de formação de profissionais de Educação Física (EF), assim como de outras modalidades pouco tradicionais, para qualificar os futuros profissionais para um campo de intervenção que já demonstra demanda social. Neste sentido, o objetivo deste estudo foi de realizar uma analise da produção científica sobre o surfe, publicada nos últimos anos, para que profissionais da EF em formação e outros identifiquem os temas já estudados até o momento, servindo, por fim, como um roteiro inicial de investigação. Especificamente, a proposta é identificar as temáticas mais investigadas sobre surfe no contexto brasileiro, bem como os periódicos nacionais onde estes trabalhos estão sendo publicados.

Métodos Para este estudo realizou-se uma análise das publicações sobre o surfe, com base nos procedimentos utilizados em pesquisas na área da EF e esportes por Silverman e Skonie (1997), Gilbert e Trudel (2001). A análise foi realizada em duas etapas: na primeira, de caráter quantitativo, utilizaou-se procedimentos de revisão sistemática da literatura, estabelecidos por Egger e Smith (2001). Nesta perspectiva, os procedimentos foram: a) Seleção das bases de dados eletrônicos Google Acadêmico, Scielo, Science Direct e Sport Discus; b) definição dos critérios de inclusão, na qual os estudos caracterizados como estudo empírico, estudo de revisão ou ensaio teórico. Ainda, estudos publicados no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2010, nos idiomas inglês, português ou espanhol em periódicos nacionais; c) seleção dos descritores para a busca dos estudos, na qual foram selecionados os termos “Surfe”, “Surf”, “Surfers” e “Esporte”; d) busca e seleção dos manuscritos, utilizando-se a combinação dos descritores pelos operadores lógicos “and”, “or” e “not”. Vinte e cinco artigos atenderam aos critérios de inclusão. A escolha do período entre 2000 e 2010, foi referenciada na obra de Moreira (2009), ao indicar o aumento dos

estudos na área do surfe, na ultima década. Ainda, a partir do ano 2000 houve maior acessibilidade, via Rede Mundial de Computadores (internet), aos sítios de divulgação de trabalhos científicos. No Brasil, um dos fatos que marca esta nova configuração dos meios de publicação científica foi à criação, pela CAPES, do “Portal de Periódicos” no ano de 1990 e, a partir de 2000 a criação das bibliotecas virtuais e o lançamento oficial do “Portal de Periódicos” onde a CAPES, centraliza os conteúdos científicos digitais, nacionais e internacionais. Para a segunda etapa da análise das publicações sobre surfe, realizou-se uma classificação dos estudos com base nas propostas de Faria Júnior (1992) e Gaya (1994) relativas à sistematização das abordagens de pesquisa em Educação Física (Systematisation for research approaches in physical education – SRAPE), classificaram-se os estudos em cinco categorias de pesquisa (Sócio-Antropológica, Biológica, Treino Esportivo, Psicológica e Pedagógica). Pesquisas que trataram sobre questões de sociologia, antropologia ou história enquadram-se na categoria Sócio-Antropológica; os estudos interpretados como de ordem Biológica foram aqueles que abordaram temas ligados a biometria, antropometria, fisiologia, biomecânica, medicina esportiva entre outros; A categoria Treino Esportivo contemplou os estudos cujos temas trouxeram questionamentos relativos à metodologia de treinamento, análise de aspectos da aptidão física, estruturação e abordagem do treino esportivo e etc. As investigações orientadas a partir de variáveis como psicopedagogia, psicomotricidade e psicologia, situam-se na categoria Psicológica; e aqueles manuscritos classificados na categoria Pedagógica abordaram conteúdos referentes às teorias de ensino, aprendizagem motora e currículo e programas. Para a classificação dos estudos, os pesquisadores realizaram uma análise dos artigos, utilizando como unidades de análise o título, problema, objetivo, resultados e conclusões. Deste modo, identificaram-se termos ou unidades de significado que pudessem classificar os estudos de acordo com as categorias estabelecidas a priori. Para estabelecer níveis aceitáveis de fiabilidade da classificação foi realizada uma avaliação da fiabilidade intra-observadores em dois períodos de tempo: Primeiramente, os investigadores reuniramse e classificaram todos os 25 artigos. Este procedimento se repetiu em um momento posterior, com um nível acordo ou concordância próximo de 100%.

Resultados Os resultados que seguem, estão distribuídos em dois momentos. Primeiramente serão apresentadas as informações referentes às características gerais das pesquisas sobre surfe, publicadas no Brasil, logo a seguir a apresentação e o enquadramento dos estudos nas categorias propostas.

Características das publicações sobre surfe no Brasil

Figura 1: Distribuição dos estudos sobre surfe publicados no Brasil entre janeiro de 2000 a dezembro de 2010. O panorama cronológico das publicações sobre surfe entre os anos 2000 e 2010, evidencia um aumento importante na produção de trabalhos a partir de 2007. Deve-se ressaltar que das 25 publicações selecionadas 8 (oito) originaram-se de pesquisas científicas desenvolvidas em cursos de pós-graduação (PG). Os estudos de Brasil e Carvalho (2009), Damiani (2009), Grijó e Baasch (2003), Palmeira e Campos (2005), Palmeira e Wichi (2007), Peirão, Tirloni e Reis (2008), Vaghetti, Roesler e Andrade (2007), originaram-se de dissertações de mestrado (7 estudos); e Juvêncio e Duarte (2006), de doutoramento. Estes registros indicam que a produção científica dos programas de pósgraduação das instituições nacionais tem influenciado no volume de pesquisas divulgadas em forma de artigos. De fato, a produção científica no Brasil sofreu sensível avanço com a criação dos programas de pós-graduação na área em meados dos anos 70, como afirma Ludorf (2002) e Sacardo (2007). No avançar das décadas, a pós-graduação possibilitou o crescimento intelectual no contexto da Educação Física e fomentou a produção de trabalhos científicos para a ampliação e aprimoramento do campo investigativo na área (LUDORF, 2002). Segundo Frizzo (2010), mais da metade dos programas em EF foi criado depois dos anos 2000, representando o período de maior expansão da pós-graduação no contexto nacional. Além disso, é possível que o crescimento constante das publicações tenha sido influenciado pela demanda de popularidade e do nível de institucionalização e organização formal alcançados nas últimas décadas. Despertando assim, a atenção de profissionais da área da Educação Física e desportos com implicações no campo da investigação (BASE et al., 2007; BRASIL; RAMOS; TERME, 2010; MOREIRA, 2009).

Ao analisar o escopo de cada publicação observou-se que dos 25 estudos selecionados a maioria concentra-se nas Ciências da Saúde (21 estudos); Ciências Humanas (1 estudo); Ciências Sociais (1 estudo); Ciências Multidisciplinares (1 estudo) e Ciências Ambientais (1 estudo). A partir da análise de periódicos nacionais de EF Rosa e Leta (2010), verificaram a contribuição dos conhecimentos advindos das ciências biológicas, ainda que, se encontre investigações procedentes de outras grandes áreas mais humanísticas e/ou sociais. De fato, o entendimento adequado sobre as atividades de aventura pode requerer investigações em outras áreas do conhecimento, contribuindo para formação profissional e a criação de novos espaços de atuação (TEIXEIRA; MARINHO, 2010).

Tabela 1: Relação dos periódicos das Ciências da Saúde onde foram publicados os estudos selecionados.

Ao identificar as grandes áreas de concentração das publicações científicas sobre surfe, verificou que dos 21 estudos enquadrados nas Ciências da Saúde 20 foram divulgados em periódicos de EF, tabela 1. Os demais foram publicados na Revista de Saneamento Ambiental, Revista Integração (Multidisciplinar); Revista Logos 33

Comunicação e Esporte; Revista de Psicologia. Nas Ciências da Saúde foram identificados 15 periódicos distribuídos nas áreas da Enfermagem (1 periódicos – Revista Cogitare Enfermagem) e da EF (14 periódicos). Levando em conta a quantidade de estudos publicados sobre surfe, deste segundo grupo destacam-se 3 revistas principais, nomeadamente a Revista Brasileira de Ciência do Movimento – RBCM (3 publicações); Revista Brasileira de Medicina do Esporte – RBME (3

publicações) e a Revista Científica da Fundação Internacional de Educação Física – FIEP BULLETIN (3 publicações). Em estudo de avaliação dos periódicos científicos da Educação Física, Ferreira Neto e Nascimento (2002), verificaram que entre os principais estão a Revista Brasileira de Ciência do Movimento – RBCM, Revista Brasileira de Ciências do Esporte – RBCE, Revista Movimento, Revista Brasileira de Educação Física e Esporte e a Revista Motrivivência, devido a critérios de visibilidade, estarem ligados à programas de pós-graduação e também referendados pela CAPES. Tendências temáticas dos estudos sobre surfe no Brasil

Para proporcionar uma visão ampla da produção científica sobre a modalidade no contexto da EF e esporte no Brasil, o Quadro 1 apresenta uma classificação, dos artigos publicados em periódicos da Educação Física de acordo com as categorias gerais de pesquisa em Educação Física (Sócio-Antropológica, Biológica, Treino Esportivo,

Psicológica e Pedagógica), conforme Faria Júnior (1987; 1991) e Gaya (1994).

Categorias

Autor (s) / Título do estudo

Dias (2010), Novos sonhos de verão sem fim: surfe, mulheres e outros modos de representação ; Melo e Fortes (2009), O surfe no cinema e a sociedade brasileira na transição dos anos 70/80 ; Brasil e Carvalho (2009), Pescadores artesanais, surfistas e a natureza: reflexões a partir de um olhar da educação física; Chalita (2008), O discurso do surfista: Um estudo no imaginário social ; SócioAmaral e Dias (2008), Da praia para o mar: Motivos de Adesão a prática do Surfe; Juvêncio e Antropológico Duarte (2006), O trabalho informal de fabricantes de pranchas de surfe:uma análise das condições de saúde e trabalho; Dias (2009), O surfe e a moderna tradição brasileira; Fortes (2008), Notas sobre surfe, mídia e história; Damiani (2009), O Movimento religioso dos surfistas evangélicos de Florianópolis. Danucalov, Ornellas e Navarro (2009), Força muscular isocinética, perfil de surfistas brasileiros ; Base et al. (2007) , Lesões em surfistas profissionais; Steinman et al. (2000), Epidemiologia dos acidentes no surfe no Brasil; Garcia, Vaghetti e Peyré-Tartaruga (2008), o porta ento da fre u n a ard a a durante u a sess o de surfe; Brasil et al. (2001), Frequência cardíaca e tempo de movimento durante o surfe recreacional-estudo piloto; Peirão, Tirloni e Reis (2008), Avaliação postural de surfistas profissionais utilizando o método Portland State University (PSU); Roquete e Corrêa (2007), Os principais músculos que atuam nos movimentos da remada no surfe. Barneira et al. (2009), Preparação Física em atletas profissionais de surfe: Ficção ou Realidade; Palmeira e Campos (2005), Periodização para o treinamento físico de surfistas competidores . Vaghetti, Roesler e Andrade (2007), Tempo de reação simples auditivo e visual em surfistas com diferentes níveis de habilidade: comparação entre atletas profissionais, amadores e praticantes Vaguetti e Pardo (2007), Um esporte não convencional no mundo acadêmico: singularidades histórico-culturais e possibilidades de inclusão do ensino do surfe na universidade

Biológica

Treino Esportivo Psicológica

Pedagógica

Quadro 1: Classificação dos estudos sobre surfe, publicados no Brasil em periódicos de EF e esporte.

Os resultados mostram que as investigações sobre a modalidade, no âmbito da EF, enquadraram-se em maiores proporções nas categorias Sócio-Antropológica (9 estudos), Biológica (7 estudos) e Treino Esportivo (2 estudos). Por outro lado, as categorias Psicológica (1 estudo) e Pedagógica (1 estudo), corresponderam a uma pequena parte das pesquisas selecionadas no presente estudo. As publicações que incidiram sobre um enfoque Sócio-Antropológico, trazem como tema questões voltadas para sociologia (8 estudos). Os estudos de Brasil e Carvalho (2009) e Chalita (2008) investigaram sobre as interações dos surfistas no contexto de prática, temática que vem sendo estudada no âmbito internacional por Evers (2009), Fuchs e Schomer (2007) e Waitt e Warren (2008). Referente à popularidade e adesão ao surfe Dias (2009; 2010) e Amaral e Dias (2008) analisaram, respectivamente, as configurações do surfe na sociedade atual e os motivos de adesão a prática da modalidade. Nas publicações estrangeiras estas questões têm sido abordadas por Butts (2004), Diehm e Aramatas (2004) e ainda por Treadwell, Kremer e Payne (2007). De modo geral, os resultados destes estudos mostram que as interações do surfista e seu contexto de prática apresentam características diversas e complexas. Quanto aos motivos de adesão as sensações de risco e aventura são fatores destacados. Num contexto mais específico, Melo e Fortes (2009) e Fortes (2008) verificaram a influência dos meios de comunicação na popularização do surfe como fenômeno sociocultural no Brasil, assim como, Booth (1996) que analisou esta temática em países da América do Norte. Por outro lado, Juvêncio e Duarte (2006) investigaram as condições de trabalho de fabricantes de prancha no estado de Santa Catarina. Em suma, os resultados mostraram que os meios de comunicação foram fundamentais para a popularização da prática e da cultura do surfe. Ainda na categoria Sócio-antropológica, outras temáticas referem-se à História (1 estudo) tratando precisamente sobre fatos históricos da modalidade em regiões específicas do Brasil, estudado por Damiani (2009). No âmbito internacional destaca-se Booth (1995) que investigou fatos históricos da profissionalização da modalidade, e Ormrod (2007) que analisou a história do surfe nos Estados Unidos da América e no Reino Unido. Os resultados tem permitido identificar locais e modos de surgimento e crescimento do surfe. Entre os escritos sobre a categoria Biológica (7 estudos), a maior parte esta voltada aos conteúdos da Biomecânica, sobre perfil de força do surfista brasileiro, investigados por Danucalov, Ornellas e Navarro (2009); Peirão, Tirloni e Reis (2008), avaliaram a postura de atletas de surfe e ainda, Roquete e Corrêa (2007), verificaram a demanda muscular durante o movimento de remada. Sobre estas temáticas, encontra-se na literatura internacional os estudos de Mendez-Villanueva, Bishop e Hamer (2003) e mais recentemente Frank et al. (2009). Os resultados, nesta perspectiva, deixam claro que o surfe é uma modalidade com

padrões de movimento específicos demandando predominantemente ações musculares de membros superiores. No âmbito da Medicina Esportiva (2 estudos) Base et al. (2007) e Stainman et al. (2000) estudaram as lesões e acidentes durante a prática do surfe. No âmbito internacional foram investigados por Nathanson et al. (2007); Taylor et al. (2004); Taylor, Zoltan e Achar (2006). Nestes estudos, os resultados mas destacados são que grande parte das lesões ocorrem por colisão do praticante com seu equipamento, exposição excessiva ao sol e contaminação da água. Sob o enfoque biológico, Brasil et al. (2001) e Gacia, Vaghetti e Peyré-Tartaruga (2008) investigaram variáveis da Fisiologia, especificamente a frequência cardíaca de surfistas, em situações recreativas e competitivas da modalidade, semelhante aos estudos internacionais realizados por Mendez-Villanueva et al. (2005); Sinclair et al. (2009). Os resultados indicam que o surfe se caracteriza por ser uma prática de intensidade moderada e fase de frequência cardíaca mais elevada ocorre quando o surfista desliza na onda. A categoria Treino Esportivo (2 estudos), analisou-se os estudos de Barneira et al. (2009), sobre avaliação do treino de preparação física de surfistas; e o de Palmeira e Campos (2005) sobre organização e planejamento do treinamento físico de atletas. Estes temas também foram estudados em outros países por Liu et al. (2006) e Olmedo, Rodríguez e Concepción (2008). Os resultados destes estudos destacam a contribuição das atividades de natação, musculação e yoga, como forma complementar para a preparação de atletas. Das cinco categorias utilizadas para a classificação dos estudos, verificou-se que a Psicológica e a Pedagógica tiveram o menor número de estudos. Na psicologia, Vaghetti, Roesler e Andrade (2007), estudaram o tempo de reação de surfistas profissionais. Por outro lado, no âmbito internacional os estudos de Fernandes e Nunes (2009) e Fernandes e Silva (2010), investigaram a ansiedade em atletas de surfe antes e durante as competições. Esses estudos destacam a influência da experiência de prática no comportamento de variáveis psicológicas em atletas. Por fim, Vaghetti e Pardo (2007) realizaram estudo no âmbito pedagógico, sobretudo a respeito da inclusão do surfe no meio acadêmico. No contexto internacional as iniciativas recaem sobre o processo de ensino-aprendizagem de jovens, em clubes de surfe investigado por Light e Nash (2006), Light (2006). Vera (2008) estudou o valor educativo do surfe enquanto conteúdo curricular da EF.

Conclusão Considerando as limitações do estudo, pode-se destacar que houve aumento nas publicações científicas sobre surfe, principalmente nos últimos quatro anos. Em parte, pelo estímulo à pesquisa nos programas de pós-graduação no nosso país. Os trabalhos estão

publicados em um número variado de revistas, dentre as quais estão as mais importantes da área EF no Brasil. A maioria das investigações está sendo realizada sob o enfoque Sócio-antropológico e Biológico, sendo que há indícios de que os estudos no contexto internacional apontam para uma mesma proporção. Verificou-se também que as pesquisas sobre surfe seguem as mesmas tendências das investigações em EF, ou seja, estão direcionadas para as áreas Sociológicas e Biológicas e, em menor proporção para a área pedagógica. Assim, pode-se interpretar que a quantidade de estudos realizados sob a temática sócio-antropológica reflete as necessidades atuais de se compreender as características de subjetividade desta modalidade, principalmente aquelas ligadas aos sentimentos e sensações típicas dos esportes de natureza. De modo semelhante, o fato de a EF estar ligada a área da saúde, pode ser um fator determinante para o maior direcionamento dos estudos para as disciplinas biológicas. A preocupação, portanto, recai sobre a pouca expressividade dos estudos nas demais temáticas, em especial a pedagógica, haja vista que o profissional de EF tem como responsabilidade precípua, intervir pedagogicamente no âmbito da atividade física e do esporte, seja sob a forma de orientação de atividades, ensino e treinamento esportivo. Referências bibliográficas AMARAL, A. V. de; DIAS, C. A. G. (2008). Da praia para o mar: motivos à adesão e à prática do surfe. Licere, Belo Horizonte, v. 11, n. 3, p. 1-22. BARNEIRA, J. de O.; PARDO, E. P.; PEIXOTO, M. B.; VAGHETTI, C. A. O. (2009). Preparação física em atletas profissionais de surfe: ficção ou realidade. FIEP BULLETIN, v. 79. BASE, L. H.; ALVES, M. A. F.; MARTINS, E. O.; COSTA, R. F. da. (2007). Lesões em surfistas profissionais. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v. 13, n. 4, p. 251-253. BITENCOURT, V.; AMORIM, S.; VIGNE, J. A.; NAVARRO, P. (2006). Surfe/ Esportes Radicais. In: DACOSTA, Lamartine (Org.). Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro: Confef. BOOTH, D. (1995). Surfing films and videos: adolescent fun, alternative lifestyle, adventure industry. Journal of Sport History, v. 22, n. 3, P. 189-206. BOOTH, D. (1996). Ambiguities in pleasure and discipline: the development of competitive surfing. Journal of Sport History, v. 3, n. 3, P. 313-327. BRASIL, Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior (CNE/CES) Resolução nº07, de 31 de março de 2004: estabelece as diretrizes curriculares para os cursos de bacharelado. Brasília, 2004. Disponível em: http://www.mec.gov.br/cne/pdf/CES07-04.pdf. Acesso em: 13 ago. 2004. BRASIL, Conselho Nacional de Educação/Conselho Pleno (CNE/CP). Resolução nº 01, de 18 de fevereiro de 2002: estabelece as diretrizes curriculares para os cursos de

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