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É HORA DE PLANEJAR 2014 por Luiz Otavio Nascimento – “ LON ” Daqui a

É HORA DE PLANEJAR 2014

por Luiz Otavio Nascimento – “LON

Daqui a pouco mais de 100 dias estaremos em 2014. Portanto, é hora de planejar

o que sua empresa fará no próximo ano, num exercício que visa construir o futuro de seu

negócio para perpetuá-lo.

Tal trabalho deveria ser entendido como uma oportunidade de conectar o ambiente interno da empresa ao ambiente externo do segmento onde ela está inserida

avaliando as forças de mercado de forma a posicionar seu negócio e escolher

estratégias coerentes para transformar sua realidade e obter resultados melhores e maiores.

A avaliação normalmente começa pela análise e determinação dos cenários

econômico-financeiro, político, sócio-demográfico e tecnológico. No que diz respeito à

área econômica não haverá novidades. O quanto o PIB brasileiro irá crescer ninguém

sabe, pois o próprio Ministro da Fazenda há tempos não acerta nenhuma previsão.

Prever inflação é um pouco menos difícil, já que seu ritmo deverá continuar o mesmo e,

consequentemente, os juros não irão cair. O dólar continuará a flutuar, mas

provavelmente acima do patamar de R$ 2,30. O superávit das contas públicas perdeu

credibilidade de tão "manuseado" que foi nos últimos anos. Assim, recomenda-se não perder tempo com tais devaneios.

O cenário político, marcado pelas eleições de outubro do ano que vem, será de

uma sangrenta guerra. Usando o refrão de um ex-presidente, nunca antes na história

deste paísteremos tantas batalhas sujas. Será atirada, por todas as partes envolvidas,

muita "m

"

no ventilador. E, pior, os enfrentamentos irão começar ainda este ano.

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Apesar das in ú meras manifesta çõ es de rua, a grande maioria dos atuais

Apesar das inúmeras manifestações de rua, a grande maioria dos atuais políticos

será reconduzida ao Congresso Nacional. Qualquer que seja a pessoa eleita presidente,

continuará refém do Senado Federal, em particular dos 4 senadores que comandam as

bancadas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os acordos continuarão a fatiar o governo,

determinando as capitanias que serão dadas à exploração pelos partidos da base

governista vencedora, como único jeito de se obter governança.

Será dos cenários sócio-demográfico e tecnológico que continuarão soprando os

ventos da mudança. O consumo da nova classe C vai evoluir. A participação das

mulheres no mercado de trabalho vai aumentar. O envelhecimento da população é

crescente e inexorável. A Internet continuará a frutificar e seus filhos in Cloud, Big Data

e Redes Sociais crescerão ainda mais, mas a fulgurante filha Mobilidade terá papel de enorme destaque.

O mais relevante deste exercício será entender esses ventos e as consequências

para seu negócio, as positivas (oportunidades) e as negativas (ameaças), e como elas se correlacionam com os pontos fortes e fracos de sua empresa, principalmente a perigosa combinação das ameaças existentes nos cenários com as fraquezas.

Em qualquer planejamento estratégico, o mais proveitoso é transmitir à sua

equipe que, mesmo frente uma eventual estagnação, sua empresa poderá crescer

"roubando" participações de mercado dos concorrentes e/ou transformando a

experiência de compras dos seus clientes, tornando-a inigualável. O conjunto de

respostas ajudará a alterar e moldar um novo Composto Mercadológico, definindo um novo Posicionamento, contemplando um Conjunto de Atividades que propicie fazer coisas diferentes da concorrência ou, então, fazer as mesmas coisas, mas de forma

diferenciada. Desta maneira, você estará pronto para formular um Modelo de Negócio

Inovador, que tenha uma proposição de real valor para o segmento escolhido.

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Para r efor ç ar este ponto de vista, vale lembrar o que disse Peter

Para reforçar este ponto de vista, vale lembrar o que disse Peter Drucker em

1962: pelo fato de ser o seu propósito criar um cliente, qualquer empresa tem duas e

somente essas duas funções básicas: o Marketing e a Inovação. São estas as funções

empresariais.

As estratégias para empreender o caminho escolhido devem ser confrontadas com

as competências internas existentes, identificando o arsenal a ser adquirido e obrigando

alinhar estrutura e processos. As ações daí decorrentes devem ser priorizadas de acordo

com seu grau de dificuldade de execução e do benefício a ser obtido. Ao final, deve ser

elaborado um plano de comunicação interna e escolhidos os indicadores que irão

monitorar o alcance ou não dos objetivos estipulados.

Neste artigo, de modo sintético, foram abordados os principais passos para a

realização do Planejamento Estratégico de sua empresa. Muitos consideram difícil a

tarefa, pois acreditam não ter nas mãos uma bola de cristal para adivinhar o futuro

próximo. Este pensamento torna realmente árdua tal atividade. Entretanto, isto pode

ser alterado radicalmente, se você - como proposto aqui - abandonar a visão de tamanho

de mercado e de dados econômico-financeiros, e concentrar seus esforços em tornar sua empresa melhor e mais eficaz, capaz de crescer tirando parcelas dos concorrentes, fazendo cada vez mais com menos. Ou seja, ao invés de imaginar o futuro, é preferível

construí-lo com ações bem pensadas e executadas.

Mãos à obra!

Escrito em 13.09.13

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“LON” – Luiz Otavio da Silva Nascimento. Engenheiro, especializado em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas.
“LON” – Luiz Otavio da Silva Nascimento. Engenheiro, especializado em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas.

“LON” – Luiz Otavio da Silva Nascimento. Engenheiro, especializado em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),

com cursos nos Estados Unidos (Darden Business School da University of Virginia e Babson College – Boston, MA) e na França (L’École des Hautes Etudes Commerciales – HEC – Paris). Tem mais de 25 anos de

experiência na geração de resultados e na gestão de empresas varejistas e industriais, dentre as quais Perrier, Cisper-Owens Illinois, Smuggler, Carrier e Lojas Renner.

Atualmente é Sócio-Diretor Geral da Merita Consultoria Empresarial e Sócio da Cadre Soluções, lançadora do aplicativo “Mordomo”. É membro do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e do Retail Council do GLG – Gerson Lehrman Group. É professor das cadeiras de Inteligência Competitiva, Conhecimento do Consumidor e Criação de Valor através de Serviços dos Mestrados da Business School de

São Paulo (Laureate International Universities).

Foi um dos fundadores do IPDV – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Varejo e Sócio-Diretor da Gouvêa de Souza & MD. Palestrante nacional e internacional, tem diversos artigos publicados e é autor do livro “Êxodo – da visão à ação – uma proposta para o varejo brasileiro”. Também é coautor do livro “Varejo:

Administração de Empresas Comerciais”, ambos publicados pela Editora Senac São Paulo. Seu último livro “Gestor Eficaz – práticas para se destacar num ambiente empresarial competitivo” foi lançado em novembro de 2010 pela Editora Novo Conceito.

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