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HISTÓRIAS DE VIDA

HISTÓRIAS DE VIDA 1. António Mário da Luz Sebastião Tarde de Quinta-feira Santa. Debaixo de um

1. António Mário da Luz Sebastião

Tarde de Quinta-feira Santa. Debaixo de um céu cinzento, abeirámo-nos da porta de um prédio, na Idanha, e tocámos a uma das campainhas do último andar. O primeiro toque parecia indiciar uma casa vazia; ao segundo toque, uma cabeça apareceu a uma das janelas lá no alto e avisou: “O meu pai vai já abrir. “O meu pai” era o Sr. António Sebastião, um “ancião de dias”, diz ele; um jovem de 92 anos, digo eu. Entre o primeiro e o segundo toque, descera a correr os vários lances de escadas para nos vir abrir a porta, que não conseguiam abrir lá de cima. Eu, que estava à espera de um Sebastião gordo, tenho a segunda surpresa da tarde: diante de nós, um senhor magro, esguio, risonho, sem acusar qualquer sombra de cansaço pelo esforço dispendido. Mas, no que respeita a surpresas, a tarde ainda mal tinha começado Nasceu a 15 de fevereiro de 1921 em pleno Bairro Alto, mais propriamente, na Travessa dos Fiéis de Deus, em Lisboa. Aí passou a sua infância e, não muito longe de sua casa, na Rua Luz Soriano, frequentou a escola primária até completar a 4ª classe.Ainda hoje tem na ponta da língua o nome do seu professor: José Filipe Portugal. Terminada a escola, entrou na Imprensa Beleza, na Rua da Rosa, para iniciar a aprendizagem do ofício de impressor gráfico e nesse primeiro patrão permaneceu 13 anos. De 1942 a 1944, anos da 1ª Grande Guerra, fez a tropa na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, tendo chegado a 1º cabo da Companhia de Metralhadoras. Ainda hoje sabe de cor o teor do louvor com que foi distinguido na altura. Em 1945, casou com Alice Sebastião, menina que conhecera num dos bailes que frequentava na Madragoa. Ele tinha quase 25 anos e ela, 18. Com ela viveu durante 43 anos e com ela criou e viu partir vários filhos. Tem ainda vivos a Filomena e o Fernando, seis netos e cinco bisnetos. Mesmo assim, o sr. Sebastião consegue manter intacto o museu de fósseis e dinossauros que religiosamente guarda em sua casa. Como brilham os olhos e se emociona a voz deste “ancião de dias” quando mostra e fala dos milhões de anos de cada uma das diferentes peças em exposição! Contrariamente ao que se poderia pensar, faz questão de colocar nas nossas mãos aquelas que parecem ser as meninas dos seus olhos. E este foi mais um dos inúmeros gestos de bom anfitrião com que nos quis brindar nesta nossa visita. A seu lado, sempre pronto a esclarecer dúvidas e a responder a

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anfitrião com que nos quis brindar nesta nossa visita. A seu lado, sempre pronto a esclarecer
anfitrião com que nos quis brindar nesta nossa visita. A seu lado, sempre pronto a esclarecer
anfitrião com que nos quis brindar nesta nossa visita. A seu lado, sempre pronto a esclarecer
anfitrião com que nos quis brindar nesta nossa visita. A seu lado, sempre pronto a esclarecer
perguntas que o pai, às vezes, tinha dificuldade em ouvir, estava o filho Fernando, o

perguntas que o pai, às vezes, tinha dificuldade em ouvir, estava o filho Fernando, o seu braço direito na recolha, no trabalho de campo e na explicação da origem de cada uma das peças expostas. Como a maior parte deste trabalho foi feito na freguesia de Belas, fez também questão de nos mostrar velhos desenhos decalcados em 90 e 91 das pegadas dos dinossauros existentes por cima da CREL. Algumas são quase do tamanho de uma pessoa. Após o casamento, continuou o seu trabalho de impressor gráfico no jornal o Século, na Imprensa Torres, tendo terminado a sua carreira profissional na Neogravura, na Travessa da Oliveira à Estrela, onde durante 22 anos teve como patrão o delfim de Salazar, Dr. Correia de Oliveira. Com uma vida tão intensa em Lisboa, o que os levou a deixar a capital para se instalar em Belas? Conheceram Belas com as romarias ao Senhor da Serra, gostaram do que viram e, após o nascimento do Fernando, há cerca de sessenta anos, vieram morar para uma casa junto da fábrica dos fofos. Conheceram ainda outros senhorios antes de se instalarem na Idanha. Nas recordações que esta casa guarda, há fotos dos antepassados lisboetas, que faz questão de apresentar um por um; mas a grande maioria do espólio que encerra mostra bem como Belas foi tomando conta do coração desta família… Hoje, com 92 anos, damo-nos conta de estar perante um homem que, sem necessidade de um canudo, soube aprender com a vida e sente-se ainda capaz de transmitir com toda a naturalidade o muito que a vida lhe ensinou. De Lisboa, guarda também alguns dos barcos de madeira que fazia com o seu canivete; em Belas, recolhe os testemunhos que a natureza conservou e que os seus primeiros habitantes nela gravaram. Ao pai António e ao filho Fernando, o nosso muito obrigado pela maneira como nos receberam e pela bela lição de vida com que nos brindaram.

receberam e pela bela lição de vida com que nos brindaram. 2. Odete Xavier Costa Baltazar
receberam e pela bela lição de vida com que nos brindaram. 2. Odete Xavier Costa Baltazar
receberam e pela bela lição de vida com que nos brindaram. 2. Odete Xavier Costa Baltazar
receberam e pela bela lição de vida com que nos brindaram. 2. Odete Xavier Costa Baltazar
receberam e pela bela lição de vida com que nos brindaram. 2. Odete Xavier Costa Baltazar

2. Odete Xavier Costa Baltazar

Corria o mês de novembro de 1930 quando, a 25, segundo os registos, a 13, segundo os familiares, na Rua da Guia, nº 25-2º, em Lisboa, nascia a menina Odete Costa, que, certamente por ter nascido no berço do fado, sempre gostou de cantar esta bela canção nacional. Filha mais velha das quatro meninas da família, desde cedo, se viu forçada a trocar as brincadeiras de infância pela guarda das irmãs

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das quatro meninas da família, desde cedo, se viu forçada a trocar as brincadeiras de infância