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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ

UMA CONTRIBUIÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA

SENSIBILIDADE DE PROCESSOS INDUSTRIAIS

FRENTE A AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

ROBERTO CHOUHY LEBORGNE

Itajubá, maio de 2003


UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ

UMA CONTRIBUIÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA

SENSIBILIDADE DE PROCESSOS INDUSTRIAIS

FRENTE A AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

ROBERTO CHOUHY LEBORGNE

Dissertação submetida à Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia


Elétrica – CPG-E da UNIFEI, como requisito para a obtenção do título de
Mestre em Ciências em Engenharia Elétrica.

ORIENTAÇÃO: Dr. JOSÉ POLICARPO G. de ABREU - UNIFEI

CO-ORIENTAÇÃO: Dr. JOSÉ MARIA de CARVALHO FILHO - UNIFEI

Itajubá, maio de 2003


i

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho

de forma muito carinhosa

a Diana, Catalina e Luciana.


ii

AGRADECIMENTOS

• Aos professores José Policarpo G. de Abreu e José Maria de Carvalho


Filho, pelo trabalho de orientação e ensinamentos dispensados.

• À amiga Dulce Ramos, pela ajuda na execução de revisões na


dissertação.

• Aos colegas e professores do GQEE, pelos momentos de trabalho e


diversão passados juntos.

• Ao amigo Carlos Mañosa, pela motivação para realizar este estudo de


pós-graduação.

• Aos engenheiros Alexandre Afonso Postal e Luiz Henrique Zaparoli do


DME, e ao Sr. Daniel de Paula da Phelps Dodge, pela colaboração na
obtenção dos dados de campo que auxiliaram na execução desta
pesquisa.

• Aos funcionários do Instituto de Engenharia Elétrica, da Pró-Diretoria de


Pós-Graduação e do Departamento de Registro Acadêmico, pela
generosa colaboração.

• A CAPES e ao GQEE, pelo apoio financeiro.


iii

RESUMO

Esta dissertação apresenta uma metodologia alternativa para a


caracterização da sensibilidade de cargas e processos industriais frente a
afundamentos de tensão, apoiada num sistema integrado de monitoração da
qualidade da energia elétrica e coleta de dados de processo.

A metodologia proposta contempla as seguintes etapas:

• Especificação do sistema, hardware e software, para monitoração da


qualidade da energia elétrica;

• Estabelecimento de critérios para a escolha dos pontos de monitoração e


dos processos a serem monitorados;

• Estabelecimento de metodologia para caracterizar os afundamentos de


tensão, e avaliação do impacto dos distúrbios nas cargas e processos;

• Proposição de metodologia para representação da sensibilidade das


cargas e processos frente a afundamentos de tensão.

A metodologia apresentada permite caracterizar a sensibilidade das cargas


e processos tanto pelo método convencional de caracterização (intensidade e
duração) como pelos métodos alternativos. Dentre estes, os métodos a um
parâmetro (perda de tensão, perda de energia, Thallam, Heydt, etc); sendo
também contemplado aquele que permite classificar os eventos de acordo com a
assimetria e o desequilíbrio associado ao distúrbio (tipos A, B, C e D propostos por
Bollen).

Finalmente, é realizado um estudo de caso onde a metodologia proposta é


aplicada a um sistema real, com o objetivo de avaliar e validar os procedimentos
propostos.
iv

ABSTRACT

This dissertation offers an alternative methodology for the sensitivity


characterization of industrial processes to voltage sags, based on an integrated
power quality (PQ) monitoring and process data acquisition system.

The proposed methodology consists of the following steps:

• Hardware and software specification for PQ monitoring and process data


acquisition systems;

• Procedure for monitored process and monitored busbar selection;

• Methodologies for voltage sag characterization and for the evaluation of


industrial process behavior;

• Methodology for the sensitivity representation of loads and industrial processes.

This approach proposes the event characterization through classical method


(intensity and duration), and alternative ones. The alternative methodologies
include one-parameter methodologies such as “loss of voltage” and “loss of
energy”, and methodologies considering other voltage sag characteristics such as
voltage sag imbalance.

Several graphic representations for process sensitivity are introduced.


Graphics show immunity and sensitive regions for the diverse voltage sag
characterization methodologies. An algorithm to evaluate the characterization
methodology consistency is proposed.

Finally, in order to validate the proposed methodology a case-study for an


industrial plant is presented.
v

SUMÁRIO

Lista de Figuras.......................................................................................... ix

Lista de Tabelas ......................................................................................... xi

Lista de Abreviaturas e Símbolos ............................................................ xii

I - INTRODUÇÃO..................................................................................................... 1

1.1 – Relevância do Tema ........................................................................... 1

1.2 – Objetivos e Contribuições da Dissertação....................................... 2

1.3 – Estrutura da Dissertação ................................................................... 3

II - AFUNDAMENTOS DE TENSÃO........................................................................ 7

2.1 – Considerações Iniciais....................................................................... 7

2.2 – Conceitos e Definições ...................................................................... 7

2.3 – Normalização Aplicável ..................................................................... 9

2.4 – Parâmetros para Análise de Afundamentos de Tensão................ 14

2.5 – Origem dos Afundamentos de Tensão........................................... 14

2.6 – Variáveis de Influência..................................................................... 15

2.7 – Considerações Finais ...................................................................... 29

III - CÁLCULO DE AFUNDAMENTOS DE TENSÃO ............................................ 30

3.1 – Considerações Iniciais..................................................................... 30

3.2 – Análise Básica para um Sistema Radial......................................... 31

3.3 - Simulação de Afundamentos de Tensão ........................................ 34

3.4 – Método da Distância Crítica ............................................................ 36

3.5 – Método das Posições de Falta ........................................................ 39

3.6 – Área de Vulnerabilidade................................................................... 45

3.7 – Distância Crítica versus Posições de Falta.................................... 47


vi

3.8 – Considerações Finais ...................................................................... 49

IV - CARACTERIZAÇÃO DE AFUNDAMENTOS DE TENSÃO............................ 50

4.1 – Considerações Iniciais..................................................................... 50

4.2 – Método Clássico de Caracterização ............................................... 50

4.3 – Método Proposto por Bollen ........................................................... 54

4.4 – Outras Características dos Afundamentos de Tensão ................. 55

4.5 – Caracterização Através de Um Parâmetro ..................................... 58

4.6 – Classificação dos Afundamentos de Tensão................................. 62

4.7 – Indicadores Para Afundamentos de Tensão .................................. 65

4.8 – Agregação Temporal........................................................................ 69

4.9 – Considerações Finais ...................................................................... 70

V - SENSIBILIDADE DE CARGAS E PROCESSOS INDUSTRIAIS..................... 72

5.1 – Considerações Iniciais..................................................................... 72

5.2 - Efeitos sobre Processos Industriais ............................................... 72

5.3 – Efeitos sobre Computadores........................................................... 74

5.4 – Sensibilidade de Contatores ........................................................... 77

5.5 - Sensibilidade dos Acionamentos de Velocidade Variável ............ 79

5.6 – Sensibilidade de Motores de Indução ............................................ 84

5.7 – Sensibilidade de Lâmpadas de Descarga ...................................... 87

5.8 – Considerações Finais ...................................................................... 89

VI - METODOLOGIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA SENSIBILIDADE DE


PROCESSOS INDUSTRIAIS................................................................................. 90

6.1 – Considerações Iniciais..................................................................... 90

6.2 – Monitoração da Qualidade da Energia Elétrica.............................. 90

6.3 – Requisitos Mínimos dos Monitores de QEE .................................. 95


vii

6.4 - Escolha dos Locais de Monitoração ............................................... 98

6.5 – Escolha dos Processos ................................................................... 99

6.6 – Método para Avaliar o Impacto dos Afundamentos de Tensão . 101

6.7 – Caracterização dos Afundamentos de Tensão ............................ 102

6.8 - Representação da Sensibilidade de Processos ........................... 105

6.9 – Considerações Finais .................................................................... 109

VII - ESTUDO DE CASO – CARACTERIZAÇÃO DA SENSIBILIDADE DE UM


PROCESSO INDUSTRIAL .................................................................................. 110

7.1 – Considerações Iniciais................................................................... 110

7.2 – Especificação do Sistema de Monitoração .................................. 110

7.3 – Escolha dos Locais de Monitoração............................................. 112

7.4 – Descrição da Fábrica e dos Processos Monitorados.................. 113

7.5 – Avaliação do Impacto dos Afundamentos de Tensão................. 115

7.6 – Registro dos Afundamentos de Tensão....................................... 117

7.7 – Caracterização dos Distúrbios ...................................................... 118

7.8 – Representação da Sensibilidade do Processo ............................ 121

7.9 – Considerações Finais .................................................................... 126

VIII – CONCLUSÕES E SUGESTÕES................................................................ 128

8.1 – Conclusões e Contribuições ......................................................... 128

8.2 – Sugestões para Trabalhos Futuros .............................................. 130

IX – REFERÊNCIAS ............................................................................................ 132

9.1 - Publicações em Conferências........................................................ 132

9.2 – Publicações em Periódicos ........................................................... 134

9.3 – Publicações em Internet ................................................................ 135

9.4 – Teses e Dissertações ..................................................................... 135


viii

9.5 - Normas............................................................................................. 136

9.6 – Outras Referências......................................................................... 137

ANEXOS .............................................................................................................. 139

A.1 - Diagrama Unifilar do Sistema de Distribuição ............................. 139

A.2 – Diagrama Unifilar do Consumidor................................................ 140

A.3 – Planilha de Registro de Ocorrências de Paradas de Produção. 141

A.4 – Registros de Afundamentos na Empresa Supridora .................. 142

A.5 – Registros de Afundamentos no Consumidor - MT ..................... 143

A.6 – Registros de Afundamentos no consumidor - BT ...................... 146

A.7 – Oscilografia do Afundamento Registrado em 29/07/02 .............. 148

A.8 – Evolução do Valor RMS da Tensão - Afundamento Registrado em


29/07/02 .................................................................................................... 149
ix

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Tensão eficaz durante a ocorrência de um afundamento de tensão. ..................................8

Figura 2 – Curva de tolerância segundo a norma SEMI F47-0200 [31]. ............................................12

Figura 3 – Curva de tolerância ITIC de 2000......................................................................................13

Figura 4 - Área de influência da localização da falta. .........................................................................18

Figura 5 – Esquema de transformador para análise de defasamento................................................22

Figura 6 – Duração de afundamentos de tensão................................................................................27

Figura 7 - Diagrama unifilar de um sistema de distribuição típico. .....................................................32

Figura 8 - Diagrama de impedância de seqüência positiva. ...............................................................32

Figura 9 - Perfis das tensões durante os eventos. .............................................................................33

Figura 10 - Diagrama simplificado indicando o ponto de acoplamento comum (PAC). .....................37

Figura 11 - Método da distância crítica para circuitos paralelos.........................................................38

Figura 12 - Diagrama unifilar, método do curto-deslizante. ................................................................39

Figura 13 - Sistema de transmissão de 400 kV [17]. ..........................................................................43

Figura 14 - Análise da intensidade do afundamento para uma falta específica [17]..........................44

Figura 15 – Representação da área de vulnerabilidade [17]..............................................................46

Figura 16 – Desempenho de barras para afundamentos inferiores a 0.85 p.u. [17]. .........................47

Figura 17 – Representação gráfica do desempenho das barras, distância crítica versus posições de
faltas [17].............................................................................................................................................48

Figura 18 - Definição de magnitude e duração de afundamento de tensão.......................................51

Figura 19 - Caracterização de afundamentos de tensão segundo a UNIPEDE.................................52

Figura 20 - Caracterização de afundamentos de tensão segundo a NRS-048..................................53

Figura 21 - Caracterização de um afundamento de tensão não retangular. .....................................54

Figura 22 – Tipos de afundamentos de tensão. ................................................................................55

Figura 23 – Representação gráfica da perda de tensão.....................................................................59

Figura 24 - Índice de severidade em relação a curva ITIC. ................................................................62

Figura 25 – Classificação dos afundamentos segundo a norma NRS – 048 [13]. .............................63

Figura 26 - Desempenho de um local em função da sensibilidade das cargas. ................................67


x

Figura 27 - Curva de tolerância CBEMA.............................................................................................74

Figura 28 - Curva de tolerância ITIC...................................................................................................75

Figura 29 – Curva de sensibilidade para os PCs analisados [7]. .......................................................76

Figura 30 – Curva de sensibilidade de contatores [7].........................................................................78

Figura 31 – Gráfico de distribuição de valores de tolerância de contatores [7]..................................79

Figura 32 - Sensibilidade dos AVVs [29]. ...........................................................................................80

Figura 33 - Registro de afundamento de tensão não retangular-1.....................................................82

Figura 34 - Registro de afundamento de tensão não retangular-2.....................................................82

Figura 35 - Diagrama fasorial de um afundamento de tensão assimétrico [29]. ................................84

Figura 36 - Comportamento da tensão durante o afundamento [23]..................................................85

Figura 37 - Estabilidade do motor de indução frente a afundamentos de tensão. .............................87

Figura 38 – Curva de sensibilidade de lâmpadas [7]..........................................................................88

Figura 39 - Estrutura geral e funções básicas de um monitor de QEE [47]. ......................................92

Figura 40 – Identificação dos processos da planta industrial. ......................................................... 100

Figura 41 – Caracterização da sensibilidade segundo tipos A, B, C, e D. ...................................... 107

Figura 42 – Caracterização da sensibilidade através de um parâmetro. ........................................ 108

Figura 43 – Caracterização de sensibilidade através do ponto de inicio do AMT........................... 109

Figura 44 – Sensibilidade da catenária 44 – Critério da Perda de Tensão. .................................... 122

Figura 45 – Sensibilidade da catenária 44 – Critério da Perda de Energia..................................... 122

Figura 46 – Sensibilidade da catenária 44 – Metodologia proposta por Thallam............................ 123

Figura 47 – Sensibilidade da catenária 44 - Metodologia proposta por Heydt................................ 123

Figura 48 – Sensibilidade da catenária 44 - Caracterizada pela intensidade do Afundamento. ..... 125

Figura 49 – Sensibilidade da catenária 44 – Método Clássico Intensidade versus Duração.......... 126


xi

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Taxa de falhas em LTs em EUA [15].................................................................................17

Tabela 2 - Taxa de falhas em LTs em BRASIL [12]. ..........................................................................17

Tabela 3 – Exemplo da influência da tensão pré-falta........................................................................21

Tabela 4 - Efeito das conexões de transformadores no cálculo dos afundamentos de tensão. ........23

Tabela 5 - Tempos típicos de atuação da proteção sistemas de transmissão...................................26

Tabela 6 - Tempos típicos de eliminação de faltas do sistemas de distribuição................................26

Tabela 7 - Número esperado de afundamentos [17]. .........................................................................46

Tabela 8 – Número esperado de afundamentos de tensão, distância crítica versus posições de falta
[17].......................................................................................................................................................48

Tabela 9 – Classificação dos afundamentos segundo UNIPEDE. .....................................................63

Tabela 10 - Classificação dos eventos segundo a Norma IEEE 1159 (1995)....................................64

Tabela 11 - Índices calculados para um ano de monitoração. ...........................................................66

Tabela 12 - Número de afundamentos de tensão anuais...................................................................68

Tabela 13 – Número de eventos anuais para cada intervalo de severidade. ....................................69

Tabela 14 - Região de sensibilidade dos equipamentos eletro-eletrônicos [29]. ...............................80

Tabela 15 – Custos totais devidos a afundamentos de tensão. ...................................................... 101

Tabela 16 – Registros de paradas de processos. ........................................................................... 116

Tabela 17 – Caracterização dos afundamentos registrados na baixa tensão................................. 121

Tabela 18 – Consistência das metodologias a um parâmetro......................................................... 124


xii

LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS

QEE Qualidade da Energia Elétrica


VTCD Variação de Tensão de Curta Duração
AMT Afundamento Momentâneo da Tensão
RMS Root Medium Square (valor eficaz)
IEEE Institute of Electrical and Electronics Engineers
PES Power Engineering Society
IEC International Electrotechnical Commission
SEMI Semiconductor Equipment and Material International
CBEMA Computer and Business Equipment Manufactures Association
ITIC Information Technology Industry Curve
UNIPEDE Union of International Producers and Distributors of Elect. Energy
NRS National Rationalised Specification
EPRI Electric Power Research Institute
ELECTROTEK Electrotek Concepts, Inc.
DME Departamento Municipal de Eletricidade de Poços de Caldas
AT Alta Tensão
EAT Extra Alta Tensão
PAC Ponto de Acoplamento Comum
CA Corrente Alternada
CC Corrente Contínua (Unidirecional)
SE Subestação Elétrica
LT Linha de Transmissão de Energia Elétrica
TP Transformador de Potencial
TC Transformador de Corrente
RAM Randomly Access Memory
AVVs Acionamentos de Velocidade Variável
PWM Pulse Width Modulation
VSI Voltage Source Injection
PLC Controlador Lógico Programável
A/D Analógico / Digital
PC Personal Computer
UPS Uninterrupted Power System
DVR Dynamic Voltage Restorer
ATP Alternative Transient Program
EMTP Electromagnetic Transient Program
GPS Global Position System
TDF Transformada Discreta de Fourier
Capítulo 1 – Introdução 1

I - INTRODUÇÃO

1.1 – RELEVÂNCIA DO TEMA

A Qualidade da Energia Elétrica - QEE tem-se tornado uma preocupação


crescente e comum às empresas de energia elétrica e aos consumidores de modo
geral. O progressivo interesse pela QEE deve-se, principalmente, à evolução
tecnológica dos equipamentos eletro-eletrônicos, hoje amplamente utilizados nos
diversos segmentos de atividade, seja ele industrial, comercial ou residencial. Com
a vasta aplicação da eletrônica de potência, da microeletrônica e dos
microprocessadores em uma infinidade de equipamentos - desde relógios digitais
domésticos a linhas automatizadas de processos – tem aumentado
expressivamente a sensibilidade dos equipamentos em relação à QEE.

Associada ao processo de modernização do parque industrial, tem havido a


aplicação disseminada de acionamentos de velocidade variável (AVVs) e de
sistemas controlados eletronicamente. Isto tem revelado um aspecto de vital
importância da QEE e que diz respeito à sensibilidade destas cargas frente às
variações momentâneas de tensão, inevitáveis no sistema elétrico e resultantes de
curtos-circuitos em extensas áreas, mesmo que localizadas em pontos remotos do
sistema elétrico.

Tais distúrbios, conhecidos na literatura internacional como voltage sags ou


voltage dips, e neste trabalho, denominados afundamentos de tensão,
representam, atualmente, o principal desafio a ser enfrentado por empresas de
energia, consumidores e fornecedores de equipamentos elétricos de um modo
geral. Ocorrências de afundamentos de tensão, combinadas com a sensibilidade
dos equipamentos modernos, têm resultado em um número expressivo de
interrupções de processos industriais.

Dentro deste contexto, citam-se algumas razões fundamentais que colocam


em posição de destaque os afundamentos de tensão dentro do cenário da QEE:
Capítulo 1 – Introdução 2

• Devido à vasta extensão e à vulnerabilidade das linhas aéreas de


transmissão, subtransmissão e distribuição, estes distúrbios são
inevitáveis e inerentes à operação do sistema elétrico;

• Os consumidores estão tendo prejuízos substanciais devido a


interrupções de processos, quantificados pelas perdas de produção,
perdas de insumos e custos associados a mão-de-obra e a reparos de
equipamentos danificados;

• As concessionárias de energia elétrica estão tendo perda de imagem


empresarial e inevitavelmente passarão a ter maiores custos com
prováveis ressarcimentos de prejuízos aos consumidores, decorrentes
de falta de qualidade da energia;

• A qualidade da energia está se transformando num fator de


competitividade, sendo que as empresas de energia deverão oferecer
contratos diferenciados, em função dos requisitos de qualidade da
energia exigidos pelos processos dos consumidores;

• A qualidade da energia está se tornando um fator diferencial para


promover desenvolvimentos regionais, juntamente com incentivos fiscais,
meios de transporte, proximidade entre matéria prima e centros
consumidores, etc.

1.2 – OBJETIVOS E CONTRIBUIÇÕES DA DISSERTAÇÃO

Os estudos envolvendo afundamentos de tensão são conduzidos a partir da


monitoração das tensões do sistema elétrico ou através da utilização de
metodologias de predição.

As metodologias de predição têm como base a utilização de programas


computacionais para cálculo de tensões e correntes pós falta, a utilização dos
tempos de sensibilização e atuação de relés de proteção, e, finalmente, a utilização
de dados estatísticos de faltas em linhas de transmissão e de distribuição.
Capítulo 1 – Introdução 3

As informações obtidas tanto a partir da monitoração como a partir de


simulação, podem ser confrontadas com a sensibilidade da carga para estimar o
número de paradas anuais de produção, quantificar as perdas associadas e avaliar
as medidas de mitigação.

A avaliação da compatibilidade da carga com as solicitações do sistema de


suprimento é realizada através de um método gráfico de coordenação no plano
tensão versus tempo. Nesta metodologia, admite-se que os afundamentos de
tensão apresentam a forma retangular e que a sensibilidade da carga, além de
retangular, é fundamentalmente caracterizada por intensidade e duração.

Os métodos convencionais utilizados para a caracterização destes


fenômenos baseiam-se na intensidade e duração do evento. Suspeita-se que esta
metodologia apresenta limitações, pois essas duas grandezas não devem refletir
plenamente os efeitos dos afundamentos de tensão sobre os equipamentos,
sobretudo os trifásicos, considerando que, na grande maioria dos casos, estes
distúrbios são de natureza desequilibrada, tanto em módulo como em ângulo de
fase. Portanto, é necessário estudar formas alternativas para caracterizar a
sensibilidade dos equipamentos de modo a incluir nesta caracterização outros
parâmetros tais como: desequilíbrio, assimetria, evolução da forma de onda, etc.

Dentro deste contexto, estabelece-se como objetivo desta dissertação,


propor uma metodologia para caracterização da sensibilidade das cargas e
processos incorporando a assimetria, o desequilíbrio, e outras características dos
afundamentos de tensão, tais como o salto de ângulo de fase, ponto de inicio, e
métodos de caracterização a um parâmetro.

1.3 – ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO

Neste primeiro capítulo é realizada uma introdução ao tema Afundamentos


de Tensão, onde são apresentados a relevância do assunto, os objetivos,
contribuições, e a estrutura desta dissertação.
Capítulo 1 – Introdução 4

No segundo capítulo são abordados os conceitos e as definições básicas


para o entendimento deste distúrbio da qualidade da energia elétrica.
Primeiramente, é apresentado um resumo das principais normas que tratam os
afundamentos de tensão. São descritos os parâmetros utilizados para a análise
deste distúrbio, assim como, são analisadas as suas principais causas. Finalmente,
são apresentadas as variáveis de influência que afetam os principais parâmetros
que caracterizam os afundamentos de tensão.

No terceiro capítulo são apresentadas as ferramentas computacionais


utilizadas para se determinar os parâmetros e as estatísticas dos afundamentos de
tensão. As ferramentas de simulação podem ser agrupadas em: simulação da
forma de onda; simulação dinâmica e simulação de faltas. Sendo que a simulação
de faltas é a principal metodologia utilizada para o cálculo das características dos
afundamentos de tensão.

No quarto capítulo são apresentadas as diversas metodologias utilizadas


para caracterizar os afundamentos de tensão. Como citado no item 1.2, em muitas
situações, a caracterização convencional dos afundamentos de tensão através
somente dos parâmetros magnitude e duração pode ser insuficiente para estudar o
efeito sobre cargas e processos industriais. Assim, são apresentadas formas
alternativas para caracterizar este distúrbio, levando-se em conta a assimetria e o
desequilíbrio dos fasores de tensão. Também são apresentadas as metodologias
utilizadas para classificar os eventos e os indicadores utilizados para avaliar uma
determinada barra do sistema.

No quinto capítulo são analisados os efeitos dos afundamentos de tensão


sobre os processos industriais. É analisada de forma detalhada a sensibilidade dos
principais componentes e cargas presentes nos processos, tais como contatores,
acionamentos de velocidade variável, motores de indução e outros dispositivos.
São ressaltadas as supostas deficiências do método clássico de caracterização
dos afundamentos através da intensidade e duração.
Capítulo 1 – Introdução 5

Estes primeiros capítulos representam uma contribuição didática, dado que


mostram de forma ordenada e metódica os afundamentos de tensão.

No sexto capítulo é apresentada a principal contribuição desta dissertação.


Assim sendo, é descrito de forma detalhada como se deve proceder para
caracterizar a sensibilidade de processos industriais frente a afundamentos de
tensão através de um sistema integrado de monitoração de QEE e de coleta de
dados de processo. Resumindo podem ser indicadas as seguintes etapas da
metodologia: especificação do sistema de monitoração de qualidade de energia e
de coleta de dados do processo; critérios para a escolha dos locais de monitoração
do sistema elétrico e dos processos a serem monitorados; metodologia para
registrar e avaliar os afundamentos de tensão e seus efeitos sobre os processos
monitorados; finalmente, a metodologia para caracterizar a sensibilidade dos
processos.

No sétimo capítulo é apresentado um estudo de caso realizado numa fábrica


de condutores elétricos. Nesta fábrica, foram analisadas três linhas de produção, e
foi caracterizada a sensibilidade de uma delas através da metodologia proposta no
sexto capítulo. São mostrados os resultados da aplicação de diversas
metodologias de caracterização dos distúrbios, analisando-se a consistência dos
resultados obtidos.

No oitavo capítulo são apresentadas as conclusões deste trabalho.


Abordando-se os resultados obtidos da aplicação da metodologia proposta a um
caso real. São analisados os principais fatores que contribuíram ao êxito ou
fracasso de cada uma das metodologias de caracterização de distúrbios utilizada.
Finalmente, são propostas outras pesquisas que possam vir a ser desenvolvidas
aproveitando as contribuições deste trabalho.

No nono capítulo são apresentadas as referências bibliográficas,


classificadas em: publicações em conferências, publicações em periódicos, teses e
dissertações, publicações em internet, normas, e outras referências.
Capítulo 1 – Introdução 6

Nos anexos são apresentados os diagramas unifilares da empresa


distribuidora e do cliente analisado; a planilha utilizada para o registro dos eventos
nos processos monitorados; planilhas contendo os registros dos afundamentos
monitorados na alta tensão da empresa supridora, na media tensão da empresa
distribuidora, e no anel de distribuição de baixa tensão do consumidor analisado; e
finalmente são apresentados a oscilografia e a evolução do valor RMS de um
afundamento de tensão que causou a parada dos processos analisados.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 7

II - AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

2.1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Neste capitulo são abordados os conceitos e as definições básicas para o


entendimento deste importante distúrbio da qualidade da energia elétrica.
Primeiramente, é apresentado um resumo das principais normas que abordam os
afundamentos de tensão. São descritos os parâmetros utilizados para a análise
deste distúrbio, assim como, são analisadas as suas principais causas. Finalmente,
são apresentadas as variáveis de influência que afetam os principais parâmetros
que caracterizam os afundamentos de tensão.

2.2 – CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Quando se estudam as definições envolvendo o tema afundamento de


tensão, o leitor depara-se de imediato com duas filosofias; a primeira, estabelecida
pelo Institute of Electric and Electronics Engineers – IEEE; e a segunda, pela
International Electrotechnical Commission - IEC.

O IEEE, através da Norma IEEE 1159 (1995) [32] que trata da monitoração
dos fenômenos de qualidade de energia elétrica, define afundamento de tensão
como sendo a redução do valor RMS da tensão para um valor entre 0,1 e 0,9 p.u.,
durante um período de tempo compreendido entre 1/2 ciclo e 60 segundos.
Adicionalmente, o IEEE classifica os afundamentos de tensão, segundo a sua
duração, em três categorias:

• Instantâneos: entre 0,5 ciclo e 30 ciclos;

• Momentâneos: entre 30 ciclos e 3 segundos;

• Temporários: entre 3 segundos e 1 minuto.


Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 8

Segundo o IEEE, a intensidade de um afundamento de tensão é definida


pela menor tensão remanescente durante a ocorrência do distúrbio, ou seja, a
ocorrência de um afundamento de tensão de 0,80 p.u. significa que a tensão foi
reduzida para o patamar de 0,80 p.u.. Um evento cuja intensidade é inferior a 0,10
p.u. é considerado pelo IEEE como sendo uma interrupção.

A IEC, por outro lado, define a intensidade do afundamento de tensão como


sendo a queda do valor RMS da tensão. A IEC considera afundamento de tensão
um evento onde ocorre uma queda do valor RMS da tensão entre 0,10 e 0,99 p.u.,
durante um período de tempo compreendido entre 1/2 ciclo e alguns segundos.
Distúrbios com queda de tensão acima de 0,99 p.u., o que eqüivale a tensões
remanescentes abaixo de 0,01 p.u., são considerados pela IEC como interrupções.

A título de ilustração, a Figura 1 mostra a evolução dos valores RMS das


tensões para um afundamento de tensão trifásico registrado num sistema real.
Observa-se que o afundamento de tensão atingiu intensidade de 0,20 p.u. e
duração da ordem de 110 ms.

13out02 06:43:59 Phelps_BT_FF

1.2

1.1

0.9

0.8

0.7
Tensão [pu]

V12
0.6 V23
V31
0.5

0.4

0.3

0.2

0.1

0
0.01
0.03
0.06
0.08
0.11
0.13
0.16
0.18
0.20
0.23
0.25
0.28
0.30
0.33
0.35
0.38
0.40
0.42
0.45
0.47
0.50
0.52
0.55
0.57
0.60
0.62
0.64
0.67
0.69
0.72
0.74
0.77
0.79
0.82
0.84
0.87
0.89

Tempo [s]

Figura 1 - Tensão eficaz durante a ocorrência de um afundamento de tensão.


Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 9

2.3 – NORMALIZAÇÃO APLICÁVEL

Neste item será apresentado um resumo das principais normas que fazem
referência ao assunto afundamentos de tensão [31].

IEEE 1159 (1995) “IEEE Recommended Practice for Monitoring Electric


Power Quality”: O objetivo desta norma [32] é auxiliar tanto na monitoração como
na correta interpretação dos resultados obtidos de medição de distúrbios da
qualidade da energia elétrica. Esta norma define cada tipo de distúrbio em função
das características dos eventos registrados tais como: faixas de intensidade e
duração.

IEEE 446 (1995) “IEEE Recommended Practice For Emergency And


Standby Power Systems For Industrial And Commercial Applications”: Esta norma
[33] apresenta o conceito de afundamento de tensão focando a sensibilidade de
equipamentos e os efeitos de partidas de motores. Apresenta recomendações que
devem ser utilizadas na etapa de projeto para evitar a ocorrência deste distúrbio.

IEEE 493 (1997) “IEEE Recommended Practice For The Design of Reliable
Industrial and Commercial Power Systems”: Esta norma [34] propõe metodologias
para calcular as características dos afundamentos de tensão, tais como,
intensidade, duração e freqüência de ocorrência. A intensidade do afundamento
num determinado local pode ser obtida através do cálculo do curto circuito quando
são conhecidas as impedâncias da rede, a impedância da falta e a localização da
falta. A duração do evento pode ser estimada conhecendo-se os tempos típicos de
atuação das proteções envolvidas. Através do conhecimento das estatísticas de
faltas do sistema pode-se estimar o número de afundamentos de tensão para
qualquer barra de interesse.

IEEE 1100 (1999) “IEEE Recommended Practice For Powering and


Grounding Electronic Equipment”: Esta norma [35] apresenta diversas
metodologias e critérios para a monitoração de afundamentos de tensão. Também
mostra a aplicação das curvas CBEMA / ITIC.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 10

IEEE 1250 (1995) “IEEE Guide For Service to Equipment Sensitive to


Momentary Voltage Disturbances”: Esta norma [36] descreve os efeitos dos
afundamentos de tensão em computadores e em outros equipamentos sensíveis
que possuem dispositivos de estado sólido para conversão de energia. Identifica os
problemas potenciais e propõe métodos de mitigação, que permitam o
funcionamento satisfatório dos equipamentos sensíveis.

IEEE 1346 (1998) “IEEE Recommended Practice For Evaluating Electric


Power System Compatibility With Electronic Process Equipment”: Esta Norma [37]
apresenta uma metodologia para a avaliação técnica e financeira da
compatibilidade entre a rede de suprimento de energia e os processos industriais
durante a ocorrência de afundamentos de tensão. A norma não propõe nenhuma
limitação ao desempenho da rede nem à sensibilidade dos equipamentos e
processos. No entanto, recomenda a normalização das metodologias de análise da
compatibilidade entre a rede de suprimento e as cargas. A norma foi concebida
para ser utilizada durante a fase de projeto de novas instalações, portanto, não
propõe soluções para problemas de qualidade de energia em redes existentes.

IEEE P1433 “A Standard Glossary of Power Quality Terminology“: O objetivo


deste grupo de trabalho [45] é desenvolver um conjunto único de definições para
todos os tipos de distúrbios da qualidade da energia elétrica.

IEEE P1564 “Voltage Sags Indices”: O objetivo deste grupo de trabalho [44]
é propor índices para afundamentos de tensão através da análise da forma de
onda registrada durante o distúrbio.

IEC 61000 ”Electromagnetic Compatibility”: Esta norma [40] é constituída de


uma série de documentos e relatórios técnicos, onde o assunto principal é a
compatibilidade eletromagnética. O objetivo desta norma é descrever os
fenômenos e fornecer parâmetros que auxiliem fabricantes e usuários de
equipamentos eletro-eletrônicos do ponto de vista de emissividade e imunidade
frente aos distúrbios de QEE. A norma está dividida em normas básicas e
genéricas.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 11

As normas genéricas dizem respeito a um produto ou a uma família de


produtos. São utilizadas na confecção de normas para novos produtos ainda não
normalizados. Existem dois tipos de normas genéricas, o primeiro chamado de
“Residencial, Comercial e Industrias Leves”, e o segundo chamado de “Ambientes
Industriais”. No primeiro são abordados ambientes residenciais, lojas, cinemas,
centros esportivos, laboratórios e oficinas. O segundo se refere a ambientes
industriais, locais com instalações de equipamentos científicos e médicos, e locais
com correntes elevadas ou chaveamentos freqüentes de cargas indutivas ou
capacitivas de grande porte.

As normas básicas abordam todos os aspetos gerais do assunto.


Descrevem os fenômenos, metodologias de medição e técnicas de ensaio.

IEC 61000-2-1 (1990) clause 8 “Voltage Dips and Short Supply Interruption”:
Esta norma [40] descreve brevemente os afundamentos, considerando os
parâmetros intensidade e duração. Também são analisadas as causas dos
afundamentos, e os efeitos sobre cargas sensíveis.

IEC 61000-2-4 (2002) “Environment – Compatibility Levels in Industrial


Plants For Low Frequency Conducted Disturbances”: Esta norma [40] define três
classes de ambientes eletromagnéticos. São indicados valores de referência de
afundamentos de tensão para cada classe de ambiente.

IEC 61000-2-8 (2002), “Environment – Voltage Dips and Short Interruptions


on Public Electric Power Supply Systems With Statistical Measurements Results”.
Esta norma [40] descreve de forma detalhada as causas e a propagação dos
afundamentos de tensão. Também são abordados os efeitos sobre cargas
sensíveis e métodos de medição.

IEC 61000-4-11 (1994), “Testing and Measuring Techniques - Voltage Dips,


Short Interruptions and Voltage Variations Immunity Tests”. Esta norma [40] deve
ser utilizada para testar o nível de imunidade de equipamentos eletro-eletrônicos
cuja corrente nominal é menor que 16 A por fase. Ela descreve os procedimentos e
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 12

os equipamentos de teste. Esta norma não deve ser aplicada em equipamentos


que funcionem em tensão CC ou em tensão cuja freqüência é 400 Hz.

Normas industriais SEMI: O objetivo destas normas [41] [42] é aprimorar a


produtividade dos fabricantes de materiais semicondutores. Elas surgem do acordo
voluntário entre os fabricantes e os consumidores finais de materiais
semicondutores.

SEMI F47-0200 “Specification for Semiconductor Processing Equipment


Voltage Sag Immunity”: Esta norma [41] indica o nível de imunidade que os
processos que fabricam semicondutores devem possuir. A Figura 2 mostra a curva
de tolerância especificada para afundamentos de tensão cuja duração está entre
50 ms e 1 s. A norma não permite a utilização de UPS com o objetivo de melhorar
a tolerância dos processos.

SEMI F47-0200
1
0.9
0.8
Intensidade [p.u.]

0.7
0.6
0.5
0.4
0.3 Sensibilidade Máxima
0.2 Admitida
0.1
0
40
0.01
0.08
0.16
0.24
0.32

0.48
0.56
0.64
0.72

0.88
0.96
0

5
0.4

0.8

Duração [s]

Figura 2 – Curva de tolerância segundo a norma SEMI F47-0200 [31].

SEMI F42-0999 “Test Method For Semiconductor Processing Equipment


Voltage Sag Immunity”: Esta norma [42] define a metodologia de teste para
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 13

determinar a tolerância dos equipamentos frente a afundamentos de tensão,


visando o atendimento da norma SEMI F47.

Norma industrial CBEMA [46]: A Indústria da Tecnologia da Informação (ITI),


anteriormente conhecida como Associação dos Fabricantes de Equipamentos de
Computação (CBEMA), publicou uma nota técnica onde era mostrada uma curva
de tolerância para os equipamentos fabricados pelos integrantes da ITI. Embora a
curva assuma que os equipamentos da ITI são ligados em sistemas cuja tensão
fase-neutro é 120 Vca, a mesma vem sendo utilizada de forma generalizada como
uma curva de tolerância típica de equipamentos microprocessados. A curva define
no plano tensão vs tempo duas áreas: uma área superior onde se encontram os
eventos que não devem sensibilizar os equipamentos e, uma área inferior onde se
encontram os eventos que podem afetar o funcionamento normal dos
equipamentos sendo que os mesmos devem desligar-se de forma controlada. A
Figura 3 ilustra tal situação mostrando a curva ITIC de 2000.

2,5

2,0
B
Tensão ( p.u)
1,5

1,0
A
0,5
C
0,0
0,001 0,01 0,1 1 10 100 1000
Tempo ( segundos )

Figura 3 – Curva de tolerância ITIC de 2000.


Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 14

2.4 – PARÂMETROS PARA ANÁLISE DE AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

Os principais parâmetros que caracterizam um afundamento de tensão


monofásico são a amplitude e a duração, conforme mostrado na Figura 1, os quais,
somados à freqüência de ocorrência, fornecem informações satisfatórias sobre o
fenômeno [29].

No entanto, quando se trata de afundamentos de tensão trifásicos, outros


parâmetros também podem ser incorporados, sendo eles a assimetria e o
desequilíbrio. Adicionalmente, o comportamento dinâmico associado à evolução da
forma de onda, também pode ser empregado para caracterizar tanto os
afundamentos de tensão monofásicos como os trifásicos.

Normalmente, visando facilitar a caracterização dos afundamentos de


tensão trifásicos, utiliza-se um procedimento chamado de agregação de fases,
conforme será visto posteriormente nos itens 4.2.2 a 4.2.5.

2.5 – ORIGEM DOS AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

Os afundamentos de tensão no sistema elétrico são gerados por: partida de


motores de grande porte [14], energização de transformadores e ocorrência de
curtos-circuitos na rede [1][15][16].

As faltas no sistema elétrico, sem sombra de dúvida, são a principal causa


do afundamento de tensão, sobretudo no sistema da concessionária, devido à
existência de milhares de quilômetros de linhas aéreas de transmissão e de
distribuição, sujeitas a toda a sorte de fenômenos naturais.

Curtos-circuitos também ocorrem em subestações terminais de linhas e em


sistemas industriais, porém, com menor freqüência de ocorrência. Em sistemas
industriais, por exemplo, a distribuição primária e secundária é tipicamente
realizada através de cabos isolados, que possuem reduzida taxa de falta se
comparados às linhas aéreas.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 15

As faltas em linhas aéreas ocorrem principalmente devido à incidência de


descargas atmosféricas. Nos sistemas de distribuição o problema é mais crítico
porque são geralmente desprovidos de cabos guarda. Portanto, pode-se concluir
que a ocorrência de afundamentos de tensão está fortemente correlacionada com
o nível ceráunico da região onde as linhas aéreas se encontram instaladas. Outras
causas de ocorrência de curtos-circuitos são as queimadas em plantações,
vendavais, contatos por animais e aves, contaminação de isoladores, falhas
humanas, etc.

As faltas podem ser de natureza temporária ou permanente. As faltas


temporárias são, em sua grande maioria, devido à ocorrência de descargas
atmosféricas, temporais e ventos, que não provocam geralmente danos
permanentes ao sistema de isolação, sendo que o sistema pode ser prontamente
restabelecido por meio de religamentos automáticos. As faltas permanentes, ao
contrário, são causadas por danos físicos em algum elemento de isolação do
sistema, sendo necessária a intervenção da equipe de manutenção.

Quando da ocorrência do curto-circuito, o afundamento de tensão transcorre


durante o tempo de permanência da falta, ou seja, desde o instante inicial do
defeito até à atuação do sistema de proteção ou à completa eliminação do defeito.

2.6 – VARIÁVEIS DE INFLUÊNCIA

A análise do afundamento de tensão pode ser considerada complexa, pois


envolve uma diversidade de fatores aleatórios que afetam as suas características
[11][12][29], dentre eles:

• Tipo de falta;

• Localização da falta;

• Impedância de falta;

• Tensão pré-falta;
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 16

• Conexão dos transformadores entre o ponto de falta e a carga;

• Desempenho do sistema de proteção;

• Existência de sistemas de religamento;

• Taxas de falta de linhas de transmissão e distribuição.

2.6.1 - Tipo de Falta

As faltas no sistema elétrico podem ser: trifásicas (FFF), trifásicas à terra


(FFFT), bifásicas (FF), bifásicas à terra (FFT), e fase-terra (FT) [1].

As faltas trifásicas e trifásicas à terra são simétricas e geram, portanto,


afundamentos de tensão também simétricos. Elas produzem afundamentos de
tensão mais severos, contudo, elas são mais raras.

As faltas bifásicas, bifásicas a terra, e sobretudo, as fase-terra apresentam


as maiores taxas de ocorrência, gerando afundamentos de tensão menos severos,
porém, desequilibrados e assimétricos.

A título de exemplificação, as Tabelas 1 e 2 apresentam as estatísticas de


taxas médias de faltas em linhas de transmissão utilizadas nos EUA [15], e em
uma das concessionárias do Brasil [12], respectivamente.

Por sua maior exposição à natureza (descargas atmosféricas, ventos e


temporais), se comparadas com os equipamentos instalados nas subestações
terminais, barras, transformadores, chaves, etc., as linhas de transmissão são os
componentes do sistema elétrico mais susceptíveis à ocorrência de curtos-
circuitos.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 17

Tabela 1 - Taxa de falhas em LTs em EUA [15].

Nível de Tensão Taxa de Falta (*) FT FFT FF FFF e FFFT

345 kV 2,31 91% 7% 1% 1%

230 kV 1,68 80% 17% 1,5% 1,5%

138 kV 2,98 73% 17% 6% 4%

69 kV 6,15 65% 22% 7% 6%

Tabela 2 - Taxa de falhas em LTs em BRASIL [12].

Nível de Tensão Taxa de Falta (*) FT FF e FFT FFF e FFFT

500 kV 2,09 94,24% 5,04% 0,72%

345 kV 1,10 92,65% 7,35% 0%

230 kV 1,90 79,65% 18,18% 2.27%

(*) n.º de ocorrências/ano/ 100 Km de linha

Como esperado, as Tabelas 1 e 2 mostram que as faltas fase-terra e


bifásicas a terra, respectivamente, são as que apresentam as maiores taxas de
ocorrência. Desta maneira, pode–se concluir que a maioria dos afundamentos de
tensão são assimétricos.

2.6.2 - Localização da Falta

A localização da falta no sistema elétrico influencia, significativamente, o


impacto do afundamento de tensão sobre os consumidores. As faltas no sistema
de transmissão e subtransmissão afetam, certamente, um número maior de
consumidores do que as faltas no sistema de distribuição. Este fato deve-se,
principalmente, às características dos sistemas de transmissão e subtransmissão
que são normalmente malhados e abrangem uma grande extensão geográfica. Os
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 18

sistemas de distribuição são mais concentrados geograficamente e possuem


geralmente configuração radial, sendo que, curtos-circuitos nos ramais de uma
subestação de distribuição causam impacto apenas nos consumidores alimentados
pelos ramais adjacentes e dificilmente provocarão afundamentos de tensão
significativos no sistema de transmissão, principalmente, aqueles dotados de alta
capacidade de curto-circuito.

A Figura 4 ilustra este fato. Quando ocorre uma falta no ponto A, todo o
sistema irá sentir os efeitos do afundamento de tensão (distribuição e transmissão).
Uma falta no ponto B, porém, será percebida apenas no sistema de distribuição.

Figura 4 - Área de influência da localização da falta.

2.6.3 - Impedância de Falta

Raramente os curtos-circuitos no sistema possuem resistência de falta nula.


Normalmente, eles ocorrem através da resistência de falta que é constituída pela
associação dos seguintes elementos:

• Resistência do arco elétrico entre o condutor e a terra, para defeitos fase-


terra;

• Resistência do arco entre dois ou mais condutores, para defeitos


envolvendo fases;
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 19

• Resistência de contato devido à oxidação no local da falta;

• Resistência do pé-de-torre, para defeitos englobando a terra.

O aparecimento do arco elétrico é devido ao aquecimento provocado pela


corrente de curto-circuito, que propicia a ionização do ar no local de defeito. A
resistência do arco elétrico não é linear e pode ser empiricamente calculada pela
fórmula de Warrington [49], conforme as expressões (1) e (2).

8750 L
Rarco−elétrico = (1)
I 1,4

Sendo:

L = L0 + 3Vt (2)

Onde:

R arco - elétrico - resistência do arco [Ω];

L - comprimento do arco elétrico [pés];

L0 - comprimento inicial do arco, correspondente ao espaçamento entre os


condutores [pés];

I - valor eficaz da corrente de falta [A];

V - velocidade do vento transversal [milhas por hora];

t - duração [s].

Existem poucas referências abordando o assunto. Contudo, valores de


resistência de arco da ordem de 1 a 5 Ω são mencionados em [11] [16] [50]. Outros
trabalhos [51] mencionam impedância de falta média da ordem de 5 Ω, observado
que a resistência de falta chega a atingir valores extremos de até 55 a 70 Ω.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 20

Finalmente, conclui-se que, desprezar a resistência de falta significa obter


valores de afundamento de tensão mais severos, sobretudo em sistema de
distribuição, onde este efeito é mais pronunciado [50].

2.6.4 - Tensão Pré-Falta

Em condições normais de operação, as concessionárias de energia buscam


suprir seus consumidores com tensões de operação dentro dos limites
normalizados (0,95 - 1,05 p.u.).

Basicamente, o perfil de tensão em regime permanente é função da curva


de carga do sistema elétrico e, também, da disponibilidade de equipamentos
destinados à regulação de tensão, como compensadores síncronos, banco de
capacitores, reatores de linha, etc.

Normalmente, o perfil de tensão do sistema segue a variação da curva de


carga diária, observando-se elevações de tensão durante períodos de carga leve e
reduções de tensão nos períodos de carga pesada.

Geralmente, nos estudos de curto-circuito em sistemas elétricos adota-se


tensão pré-falta igual a 1,0 p.u.. No entanto, em função da curva de carga do
sistema, esta premissa, na maioria das vezes, não é verdadeira, incorrendo-se em
erros de cálculo.

Este item adquire uma maior relevância quando se está analisando o


impacto sobre a carga, pois, uma queda de tensão de 0,30 p.u. poderá afetar uma
carga cujo limiar de sensibilidade é 0,70 p.u. em função do valor da tensão pré-
falta. Se a tensão pré-falta da barra é 0,95 p.u., a tensão remanescente durante o
afundamento será de 0,65 p.u., sensibilizando a carga analisada, como pode ser
observado na Tabela 3.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 21

Tabela 3 – Exemplo da influência da tensão pré-falta.

Exemplo A Exemplo B

Tensão pré-falta [p.u.] 1,02 0.95

Tolerância da carga 0,70 0,70

∆V [p.u.] 0,30 0,30

Vafundamento [p.u.] 0,72 0,65

Carga Funciona Desliga

O controle da tensão tem sido uma das maneiras de mitigar o efeito dos
afundamentos de tensão. Em sistemas onde há cargas sensíveis, a tensão de
operação pode ser elevada intencionalmente para minimizar o efeito dos
afundamentos de tensão. No entanto, esta prática poderá resultar em
sobretensões de regime em determinados locais da rede elétrica, razão pela qual
cada caso deve ser analisado de forma cuidadosa.

2.6.5 - Conexão dos Transformadores

Na análise e no cálculo do afundamento de tensão, o tipo de conexão dos


transformadores existentes entre o ponto de falta e o barramento do consumidor irá
influenciar as características do afundamento de tensão percebido pela carga.
Basicamente, os transformadores podem ser agrupados em três categorias [25]:

• Primeira: aqueles, cujas tensões nas bobinas em um dos enrolamentos


(primário ou secundário) é função da diferença fasorial (tensão composta) entre
duas tensões aplicadas nas bobinas do outro enrolamento. Estes transformadores
são os de conexão Y-∆, ∆-Y, Yaterrado-∆ e ∆-Yaterrado, que além de filtrarem a
componente de seqüência zero da tensão de freqüência fundamental, introduzem
defasamento angular entre as tensões primária e secundária;

• Segunda: são os transformadores que somente filtram as componentes


de seqüência zero da tensão de freqüência fundamental, e que geralmente do
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 22

ponto de vista construtivo são fabricados de modo a não introduzir defasamento


angular, ou seja, com conexões Y-Y, ∆-∆, Yaterrado-Y e Y-Yaterrado;

• Terceira: são aqueles que não filtram as componentes de seqüência zero


e geralmente, devido às mesmas razões citadas anteriormente, não introduzem
defasamento angular. Pertencem a esta categoria os transformadores com as
conexões Yaterrado-Yaterrado, Yaterrado-∆-Yaterrado. Neste caso, o ∆ é um enrolamento
de compensação.

Em [29] foram calculados os valores de intensidade dos afundamentos de


tensão, devidos a uma falta sólida entre a fase A e terra no primário do
transformador, conforme mostra a Figura 5. Foram consideradas as diversas
conexões possíveis, buscando-se calcular as tensões fase-fase e fase-neutro,
refletidas no secundário do transformador. Em cada situação foram introduzidas as
alterações necessárias em termos de filtragem da componente de seqüência zero
e inserção de defasamento angular nas componentes de seqüência positiva e
negativa. Também foram assumidas as seguintes premissas: sistema operando a
vazio, as reatâncias de seqüências da fonte são iguais às reatâncias de dispersão
do transformador, a reatância de magnetização do transformador é muito maior do
que as demais reatâncias do sistema, tensão pré-falta 1 p.u., e relação de
transformação 1:1. Na Figura 5 pode-se observar a representação esquemática do
transformador. Os resultados encontrados são apresentados na Tabela 4.

Figura 5 – Esquema de transformador para análise de defasamento.


Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 23

Tabela 4 - Efeito das conexões de transformadores no cálculo dos afundamentos


de tensão.

Conexão do Fase – Fase Fase – Neutro


transformador Vab Vbc Vca Van Vbn Vcn

Yaterrado –Yaterrado 0,58 1,00 0,58 0,00 1,00 1,00

Yaterrado – Y
Y–Y 0,58 1,00 0,58 0,33 0,88 0,88
Y – Yaterrado

∆-∆ 0,58 1,00 0,58 ------------------

Y-∆ 0,33 0,88 0,88 ------------------


Yaterrado - ∆

∆ - Yaterrado 0,88 0,88 0,33 0,58 1,00 0,58


∆-Y

Com base nos resultados da Tabela 4, pode-se dizer que:

• Os valores dos afundamentos de tensão, vistos pela carga em decorrência de


uma falta no sistema elétrico, dependem do efeito combinado da forma de
conexão tanto do transformador como da carga. Por exemplo, a Tabela 4
mostra que para o transformador com conexão ∆-Y, o valor mínimo de tensão
entre fases de 0,33 p.u., é inferior ao valor mínimo verificado para a tensão
fase-neutro, 0,58 p.u.. Isto mostra que, para o mesmo curto-circuito analisado, a
chance da carga “sobreviver” é maior se ela fosse conectada entre fase e
neutro;

• A conexão Yaterrado-Yaterrado faz com que a tensão da fase A - neutro se anule,


visto que o defeito simulado foi na fase A para a terra e com impedância de
falta nula. Caso um dos lados do transformador não seja aterrado, observa-se
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 24

que a tensão fase-neutro, para a mesma condição de falta, se eleva de 0,00


para 0,33 p.u., devido à eliminação da componente de seqüência zero;

• Quando a carga é conectada entre fases, o efeito da filtragem da componente


de seqüência zero, introduzida pela conexão do transformador, torna-se
irrelevante, uma vez que ao se calcular as tensões fase-fase a componente de
seqüência zero é eliminada. Neste caso, a única influência é atribuída à
defasagem imposta pela conexão dos transformadores nas componentes de
seqüência positiva e negativa, constatada pela comparação dos resultados
apresentados para as conexões Yaterrado-Yaterrado e ∆- Yaterrado, por exemplo.

Conclui-se, portanto, que o afundamento de tensão visto pela carga


depende tanto das conexões dos transformadores existentes entre o ponto de falta
e a carga, como também do tipo de conexão da própria carga [29].

2.6.6 - Sistema de Proteção

A duração do afundamento de tensão é dependente do desempenho do


sistema de proteção, caracterizado pelo tempo de sensibilização e de atuação dos
relés somado ao tempo de abertura e extinção de arco dos disjuntores.

O tempo de atuação dos relés é função de suas características de resposta


tempo-corrente, bem como da filosofia e dos ajustes implantados para se obter a
seletividade desejada. O tempo de abertura e de extinção da corrente de curto-
circuito dos disjuntores é função das características construtivas destes
equipamentos.

Reconhecendo-se que a maior incidência de curtos-circuitos ocorre em


linhas de transmissão, subtransmissão e distribuição, os próximos parágrafos
serão dedicados a abordar, de forma resumida, os esquemas típicos de proteção
utilizados nestes sistemas [1].
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 25

Nos sistemas de transmissão (230, 345, 440, 500 kV, etc), as linhas são
tipicamente protegidas por meio de relés de distância, associados ou não às
lógicas de teleproteção [1].

Quando a teleproteção não é aplicada, utilizam-se proteções de distância


com duas ou três zonas. A primeira zona é normalmente ajustada para atuar
instantaneamente para defeitos localizados em até 80% do comprimento da LT. Já,
a segunda zona é ajustada com temporização intencional, para proteger o trecho
restante da primeira linha e também para oferecer proteção de retaguarda para a
linha de transmissão subseqüente. Como desvantagens, ressalta-se que esta
prática de proteção introduz um retardo no tempo de atuação da proteção para
defeitos próximos às extremidades da linha, não coberto pela proteção de primeira
zona. Outra particularidade é que, para estes pontos de defeito os terminais da
linha serão abertos em instantes diferentes.

Nos sistemas de subtransmissão (69, 88 e 138 kV), tradicionalmente, dá-se


menos importância aos sistemas de proteção adotados [1]. Basicamente, são
utilizadas proteções de sobrecorrente de fase e de neutro e sobrecorrentes
direcionais. Em termos gerais, são utilizados os seguintes esquemas:

• Sobrecorrente de fase e de neutro para linhas radiais que alimentam SEs


de distribuição, SEs industriais, e também no lado da fonte em circuitos
paralelos;

• Direcional de fase e de neutro no lado da carga quando os circuitos são


paralelos, e também em circuitos operando com configuração em anel;

• Distância de fase e de neutro em circuitos paralelos e em anel de linhas


de 138 kV. Em linhas de 69 e 88 kV são raramente utilizados.

Nos sistemas de distribuição, as concessionárias adotam geralmente relés


de sobrecorrente de fase e de neutro. Nos alimentadores primários são utilizados
religadores, e, normalmente nos ramais de distribuição são utilizadas chaves
seccionadoras - fusíveis.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 26

A título de ilustração, a Tabela 5 apresenta os tempos típicos de atuação da


proteção em sistemas de alta tensão (AT) e extra alta tensão (EAT) [1].

Tabela 5 - Tempos típicos de atuação da proteção sistemas de transmissão.

Tempos Típicos de Atuação da Proteção EAT AT

Proteção de Distância – Primeira Zona [ms] 20 – 40 40 – 60

Proteção de Distância – Segunda Zona [ms] 300 500

Teleproteção [ms] 20 – 50 40 - 60

Tempo de abertura de disjuntor [ciclos] 2 3–5

De forma semelhante, a Tabela 6 apresenta os tempos típicos de atuação


da proteção em sistemas de distribuição [26][27].

Tabela 6 - Tempos típicos de eliminação de faltas do sistemas de distribuição.

Retardo de Tempo Tentativas de


Tipo de Equipamento Mínimo (ciclos)
(*) [ciclos] Religamentos

Fusível de expulsão ½ 0,5 a 60 -

Fusível limitador ¼ 0,25 a 60 -

Disjuntor religador 3 1 a 30 0a4

Disjuntor a óleo 5 1 a 60 0a4

Disjuntor a vácuo ou a SF6 3e5 1 a 60 0a4

(*) Retardo de tempo intencional para se obter coordenação entre os dispositivos de


proteção.

O capítulo 9 da norma IEEE 493-1997 [34] mostra o resultado de vários


trabalhos apresentando as durações de afundamentos de tensão sob a forma de
distribuição acumulada de probabilidade, como pode ser observado na Figura 6.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 27

Observa-se que a maioria dos eventos registrados apresenta duração inferior a 0,2
segundos.

Figura 6 – Duração de afundamentos de tensão.

2.6.7 - Freqüência de Ocorrência

O número de ocorrência de afundamentos de tensão está intimamente


relacionado com a existência de sistema de religamento no sistema de proteção e
com a origem dos curtos-circuitos no sistema elétrico.

Do ponto de vista de quantificação existem duas metodologias para


contabilizar os afundamentos de tensão quando ocorrem religamentos. A primeira
metodologia considera todos os afundamentos registrados, resultando em um
número sobrestimado de eventos. A segunda metodologia consiste em associar os
registros de afundamentos à falta que os originou. Desta maneira para cada falta
na rede será contabilizado um único distúrbio. Uma das formas de agrupar a
seqüência de afundamentos é a agregação temporal dos distúrbios. Assim, é
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 28

definida uma janela de tempo para agregar todos os eventos que aconteçam
dentro daquele intervalo. Normalmente, tem sido utilizado intervalo de agregação
de um minuto, de modo a acomodar à operação típica dos religadores automáticos.

Considerando que a principal causa de afundamentos são as faltas na rede,


a seguir são identificadas os fenômenos que mais provocam faltas:

a) Descargas Atmosféricas

A incidência de descargas atmosféricas diretas e indiretas (laterais) sobre as


linhas de transmissão e distribuição pode provocar sobretensões que poderão
romper a isolação da cadeia de isoladores, ocasionando, normalmente, curtos-
circuitos fase-terra. Daí, pode-se correlacionar o número esperado de
afundamentos de tensão como o nível ceráunico da região onde o sistema elétrico
está inserido [15]. No entanto, é bom lembrar que nem todas as descargas
atmosféricas resultam em curtos-circuitos e conseqüentemente em afundamentos
de tensão. Os sistemas são projetados para suportar cerca de 95% das
sobretensões de origem atmosférica e as linhas aéreas, sobretudo as de
transmissão, são providas de cabos-guarda.

b) Poluição Ambiental e Maresia

A fuligem, gerada pelas indústrias e veículos automotores, é depositada


sobre os isoladores e equipamentos, facilitando a ocorrência de faltas a terra,
devido às sobretensões, sejam elas de manobra ou de origem atmosférica. A
maresia também pode causar problemas semelhantes aos causados pela poluição.

c) Causas Diversas

Queimadas acidentais ou intencionais debaixo de linhas de transmissão,


contatos acidentais nas redes de distribuição, vendavais, vandalismo, acidentes
rodoviários, etc., são fatores que contribuem para a ocorrência de curtos-circuitos.
Capítulo 2 – Afundamentos de Tensão 29

2.7 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste capítulo foram apresentados os conceitos básicos sobre os


afundamentos de tensão, tais como: intensidade, duração, freqüência de
ocorrência, e os fatores que afetam estes parâmetros; que permitirão compreender
os assuntos que serão abordados nos capítulos subseqüentes.

O Capítulo 3 será dedicado à análise das metodologias de simulação e


cálculo de afundamentos de tensão, além de apresentar o conceito de área de
vulnerabilidade.
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 30

III - CÁLCULO DE AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

3.1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Em função da aleatoriedade das ocorrências de afundamentos de tensão,


os métodos de simulação apresentam-se como uma boa alternativa para se obter
estatisticamente os parâmetros destes distúrbios, evitando-se despender grandes
recursos financeiros e longos períodos de medição [17].

As ferramentas computacionais utilizadas para se determinar os parâmetros


e as estatísticas dos afundamentos de tensão são bem conhecidas e podem ser
agrupadas em três classes [18]:

• Simulação da forma de onda;

• Simulação dinâmica;

• Simulação de faltas.

O método de simulação da forma de onda utiliza a simulação no domínio do


tempo para obter a oscilografia do afundamento de tensão. Normalmente, é usado
o ATP / EMTP ou alguma outra ferramenta similar. Este método deve ser utilizado
quando se deseja avaliar detalhadamente os efeitos dinâmicos de motores e
geradores sob a evolução no tempo da forma de onda dos afundamentos de
tensão [2]. Em contrapartida, com a utilização do ATP / EMTP, agrega-se maior
esforço computacional em função da complexidade da modelagem do sistema e de
seus componentes.

A simulação dinâmica é utilizada para análise de partida de motores ou


saída de máquinas geradoras. As ferramentas utilizadas são as de análise de
estabilidade transitória ou estabilidade em médio prazo. O estudo se realiza no
domínio da freqüência. Como resultado da aplicação desta metodologia são
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 31

obtidas as curvas que mostram o comportamento do valor RMS da tensão durante


o distúrbio.

Dado que a maioria dos afundamentos de tensão se deve à ocorrência de


faltas no sistema de potência, é natural que para o cálculo da intensidade dos
afundamentos se utilize programas de cálculo de faltas, cujo modelo é linearizado,
permitindo solução direta (não iterativa) e com baixo esforço computacional. Esta
metodologia fornece a intensidade do afundamento, mas não fornece o
comportamento dinâmico do valor RMS da tensão nem a duração do evento.

Neste capítulo são apresentadas as principais metodologias para o cálculo


das características dos afundamentos de tensão utilizando-se a técnica da
simulação de faltas.

3.2 – ANÁLISE BÁSICA PARA UM SISTEMA RADIAL

Este item tem por objetivo ilustrar a metodologia de análise de afundamento


de tensão, mostrando o processo de surgimento e eliminação de falta num sistema
elétrico radial. No exemplo apresentado, será utilizado um modelo simples de
divisor de tensão a partir do qual será calculada a intensidade do afundamento de
tensão em diversos pontos do sistema, inclusive nos ramais adjacentes ao ramal
submetido ao curto-circuito.

O diagrama unifilar apresentado na Figura 7 mostra uma subestação de


distribuição constituída por um transformador 138/13,8 kV e circuitos alimentadores
de distribuição contendo religadores automáticos e fusíveis. O ponto C representa
uma alimentação típica de pequenas indústrias, supridas por intermédio de um
transformador de distribuição, conexão ∆-Yaterrado.
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 32

Figura 7 - Diagrama unifilar de um sistema de distribuição típico.

Considerando um curto-circuito trifásico no ponto A, as intensidades dos


afundamentos de tensão são calculados a partir do diagrama de impedância de
seqüência positiva, conforme mostra a Figura 8.

Figura 8 - Diagrama de impedância de seqüência positiva.

Os cálculos são conduzidos utilizando-se o conceito de divisor de tensão,


retratado em (3) e (4).

∑ Z1
VPAC = VFONTE − iVFONTE (3)
(∑ Z1 ) + (∑ Z2 ) + ZF

( ∑ Z 2 ) + ZF
VPAC = iVFONTE (4)
(∑ ZS ) + (∑ Z2 ) + ZF
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 33

Onde:

VPAC – intensidade do afundamento de tensão em p.u., no ponto de


interesse;

VFONTE - tensão da fonte em p.u.;

∑ Z1 - somatório das impedâncias em p.u., desde a fonte até o ponto de


interesse;

∑ Z2 - somatório das impedâncias em p.u., desde o ponto de interesse até o


ponto de defeito;

ZF - impedância de falta.

Considerando-se que a queda de tensão provocada pela corrente de carga


através da impedância do alimentador F1 possa ser desprezada, pode-se afirmar
que para um defeito trifásico em A, a tensão no ponto C será a mesma calculada
para o barramento de 13,8 kV. Desta forma, a Figura 9 apresenta os perfis das
tensões nos pontos B, C, F1 e F3, durante a ocorrência da falta no ponto A.

Figura 9 - Perfis das tensões durante os eventos.


Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 34

A linha tracejada representa o valor RMS da tensão no ponto B, enquanto


que a linha cheia representa o valor RMS da tensão nos alimentadores F1, F3 e na
carga C. O eixo dos tempos (abscissa) mostra a seqüência dos eventos após o
início da falta.

Através da análise da Figura 9, pode-se concluir que a carga da barra B


sofrerá afundamentos de tensão de 0,40 p.u., sucedidos de interrupções, quando
das operações de abertura e religamento do disjuntor F2. Entretanto, as cargas
conectadas aos alimentadores F1 e F3, incluindo a carga C, irão sofrer sucessivos
afundamentos de tensão, também devido às ações do religamento automático.

Portanto, em função da posição relativa da carga e da filosofia de


religamento, os consumidores poderão ser submetidos a:

• Subtensões sucessivas, como é o caso da barra de 138 kV;

• Sucessivos afundamentos de tensão, a exemplo da barra de ponto de


acoplamento comum (PAC) de 13,8 kV e carga C;

• Afundamentos sucedidos de interrupções, como é o caso do ponto B.

Para tratar afundamentos sucessivos de tensão em decorrência de um


mesmo evento, como no caso de um curto-circuito no ponto A, utiliza-se o
procedimento chamado de agregação temporal, conforme será visto numa
abordagem posterior neste documento.

3.3 - SIMULAÇÃO DE AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

Tal como foi indicado no item 3.1, dado que a maioria dos afundamentos de
tensão se deve a faltas no sistema de potência, é natural que para o cálculo da
intensidade dos afundamentos se utilize programa de curto-circuito. Esta
metodologia fornece a intensidade do afundamento, mas não fornece o
comportamento dinâmico do valor RMS da tensão nem a duração do evento. A
duração dos afundamentos pode ser estimada se é conhecida a parametrização
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 35

dos relés e o tempo de operação dos disjuntores [1]. A seguir são apresentados os
principais itens a serem considerados quando se utiliza esta metodologia:

• Dados de componentes de seqüência positiva, negativa e zero do


sistema (linhas de transmissão, transformadores, geradores, etc.);

• Tensões pré-falta obtidas do estudo de fluxo de potência para os


diversos regimes de carga (leve, média e pesada);

• Dados estatísticos de impedância de falta;

• Modelagem da carga.

A experiência tem mostrado que a maioria das faltas no sistema elétrico


ocorre em linhas de transmissão, de subtransmissão e de distribuição. Enquanto
uma linha aérea pode sofrer vários curtos-circuitos em um ano, os barramentos
aéreos apresentam, tipicamente, uma taxa de ocorrência de faltas de um defeito a
cada dez anos [1].

Os demais equipamentos, dos quais geradores e transformadores são os


principais, apresentam baixa ocorrência de curto-circuito [1], mas podem ser
desligados com freqüência por outras razões. No caso de geradores, muitos
desligamentos são provocados por problemas em acessórios ou no serviço
auxiliar. Em transformadores, os desligamentos são normalmente causados por
sobrecarga.

Face ao exposto, no processo de determinação do desempenho do sistema


elétrico diante dos afundamentos de tensão, os únicos componentes normalmente
considerados são as linhas de transmissão e distribuição.

Para calcular a intensidade de afundamentos de tensão, o programa de


curto-circuito é a ferramenta que tem sido mais utilizada. Para se estimar a
duração dos eventos utilizam-se os tempos correspondentes à atuação do sistema
de proteção somado ao tempo de abertura dos disjuntores [1].
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 36

E, finalmente, para estimar o número de ocorrências anuais dos


afundamentos de tensão, são utilizadas as estatísticas de taxas médias de falta em
linhas de transmissão e distribuição.

Contudo, os resultados das simulações serão mais confiáveis à medida que


os dados do sistema forem mais precisos, como por exemplo: a modelagem dos
equipamentos e a taxa de falta.

Dois métodos de cálculo têm sido utilizados para se obter a intensidade e a


freqüência dos afundamentos de tensão, o método da distância crítica e o método
das posições de falta, os quais serão descritos nos itens subseqüentes.

3.4 – MÉTODO DA DISTÂNCIA CRÍTICA

Devido a seu grau de simplicidade, este método mostra-se adequado para


aplicações em sistemas de transmissão e distribuição tipicamente radiais. Seu
princípio está baseado na determinação da posição da falta no alimentador que vai
gerar um valor pré-determinado de afundamento de tensão numa barra de
interesse. O cálculo é realizado de forma analítica. A distância deste ponto ate
barra de interesse é denominada de distância crítica, sendo que os afundamentos
de tensão mais severos estarão associados à ocorrência de curtos-circuitos aquém
da distância crítica calculada.

Adotando-se a barra mostrada no diagrama da Figura 10 como sendo o


ponto de acoplamento comum (PAC), a intensidade do afundamento de tensão
registrado nesta barra, devido a um defeito trifásico no ponto A, pode ser calculada
por intermédio da expressão (5), adotando-se tensão pré-falta de 1 p.u..

Z2 + ZF
VPAC = (5)
Z1 + Z 2 + Z F

Onde:

VPAC - afundamento de tensão no ponto de acoplamento [p.u.];


Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 37

Z2 - impedância do alimentador entre a barra de acoplamento e o ponto de


falta [Ω];

Z1 - impedância equivalente da fonte no ponto de acoplamento [Ω];

ZF - impedância de falta [Ω].

Figura 10 - Diagrama simplificado indicando o ponto de acoplamento comum


(PAC).

A distância crítica (Lcritica) pode ser determinada em função da tensão crítica


admitida (Vcritica), de acordo com a equação (6).

Z1 Vcritica
Lcritica = (6)
z (1 − Vcritica )

Onde:

Lcritica - distância crítica [km];

z - impedância do alimentador por unidade de comprimento [Ω/km].

Os dados necessários para executar uma análise completa num sistema de


distribuição são os seguintes:

• Número de alimentadores que saem da subestação;

• Impedância por unidade de comprimento de cada um dos alimentadores;


Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 38

• Comprimento total dos alimentadores;

• Taxas de falta dos alimentadores e sua composição segundo o tipo de


falta (FFF, FF, FFT, FT).

Para a utilização do método da distância crítica em sistemas não radiais


devem ser feitas algumas adaptações [19]. Em sistemas de subtransmissão, a
rede é constituída de várias malhas e a carga é normalmente alimentada por várias
linhas originárias de uma mesma fonte. Esta topologia reduz o número de
interrupções mas aumenta o número de afundamentos [19].

A Figura 11 mostra um exemplo de circuito de subtransmissão, onde ZA e ZB


são as impedâncias das linhas que interligam as barras e Z1 é a impedância da
fonte. Neste exemplo, será aplicado o método da distância crítica para faltas na
linha B, a uma distância p da barra terminal à esquerda.

Figura 11 - Método da distância crítica para circuitos paralelos.

A magnitude do afundamento pode ser calculada de forma analítica através


da equação (7):

p (1 − p ) Z B2 + pZ A Z B
VPAC = (7)
Z1 ( Z A + Z B ) + pZ A Z B + p (1 − p ) Z B2

O cálculo da distância crítica neste exemplo torna-se mais complexo que no


sistema radial. No entanto é possível calcular o ponto crítico (pCRÍTICO), resolvendo
a equação (7) e considerando VPAC = Vcritica.
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 39

Concluindo, o método da distância crítica é eficiente na análise de sistemas


radiais ou pouco malhados. Para grandes redes este método não é apropriado.

3.5 – MÉTODO DAS POSIÇÕES DE FALTA

Este método tem sido amplamente utilizado no cálculo dos afundamentos de


tensão em sistemas elétricos de potência de grande porte, contemplando sistemas
radiais e malhados. Seu princípio está baseado na sistemática de simular faltas em
posições diferentes ao longo do sistema elétrico, principalmente nas linhas de
transmissão e distribuição. Desta maneira, pode-se avaliar a influência da posição
da falta tanto na amplitude como na duração dos afundamentos de tensão [29].

O método das posições de falta também é conhecido como método do


curto-circuito deslizante. Este método encontra-se ilustrado na Figura 12, onde se
pode observar diversos pontos de simulação de curto-circuito ao longo da linha 1
(L1). Neste caso, deseja-se conhecer o comportamento da tensão na barra do
consumidor i à medida que o ponto de defeito é deslocado de posição.

Figura 12 - Diagrama unifilar, método do curto-deslizante.

A magnitude do afundamento de tensão (tensão remanescente durante a


falta) na barra do consumidor i, assim como para qualquer outra barra de interesse,
é calculada a partir da utilização de um programa de cálculo de curto-circuito,
mediante a aplicação da equação (9) para defeitos trifásicos.
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 40

EkP
Ei , k = EiP − ⋅ Zi, k (9)
Z k+, k + Z f

Onde:

Ei ,k - afundamento de tensão na barra i devido a curto-circuito trifásico na

barra k;

EiP - tensão pré-falta na barra i;

E kP - tensão pré-falta na barra k;

Z i,k - impedância de transferência entre as barras i-k;

Z k,k - impedância própria da barra k;

Z f - impedância de falta.

Através da equação (9) podem-se observar as principais variáveis que


influenciam na amplitude do afundamento de tensão, que são:

• tensão pré-falta a partir das variáveis EiP e EkP ;

• impedância de falta Z f ;

• características próprias inerentes à rede Z k , k ;

• posição relativa entre o ponto da falta e a barra monitorada Z i , k .

Para defeitos fase-terra são utilizadas as expressões (10) e (11).

 Ei,0k  0   Z i,0k 
    P
Ea k  
 Ei,+k  =  E a iP  − ⋅  Z i,+k  (10)
   + - 0
- 0  Z k,k + Z k,k + Z k,k + 3Z f  - 
 Ei,k     Z i,k 
   
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 41

 Ea  1 1 1   Ei,0k 
 i,k     
 Ebi,k  = 1 a 2 a  ⋅  Ei,+k  (11)
   2
 
 Eci,k  1 a a   Ei,- k 
 

Onde:

Ea iP , Ea kP - tensão pré-falta na fase A nas barras i e k, respectivamente;

Ei+,k , Ei,-k , Ei,0k - tensão de seqüência positiva, negativa e zero na barra i,

devido à falta fase-terra na barra k;

Z i+,k , Z i,-k , Z i,0k - impedância de transferência de seqüência positiva, negativa e

zero entre as barras i-k, respectivamente;

Z k+,k , Z k,- k , Z k,0 k - impedância própria de seqüência positiva, negativa e zero da

barra k, respectivamente;

Eai,k , Ebi,k , Eci,k - tensão pós-falta nas fases A, B e C na barra i devido a

curto fase-terra na barra k.

Para a obtenção dos valores de impedância própria e de transferência


indicadas nas equações (10) e (11) são utilizados recursos da álgebra matricial
inerentes aos programas de cálculo de curto-circuito.

Para o cálculo da tensão durante a falta, devido a defeitos fase-fase e fase-


fase-terra, são utilizadas equações equivalentes às expressões (10) e (11), que
não serão apresentadas neste documento.

A título de ilustração, o método das posições de falta foi aplicado a um


sistema de transmissão de 400 kV com 13340 km de linhas, 97 barras e 20 fontes
de geração [17], conforme Figura 13.
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 42
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 43

Figura 13 - Sistema de transmissão de 400 kV [17].


Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 44

No total foram simuladas 325 faltas trifásicas [17], sendo que o número de
faltas por linha depende do comprimento da mesma. Foi adotada uma taxa de falta
de 1,34 faltas por 100 km por ano para as linhas e 0,08 faltas por ano por
subestação. As maiores limitações do modelo são a escolha arbitrária do despacho
de carga que influencia na tensão pré-falta e a adoção de uma taxa constante de
falta para todas as linhas. Para cada uma das faltas simuladas foi calculada a
tensão em cada uma das 97 barras do sistema.

Uma das maneiras possíveis de analisar os resultados é proceder ao estudo


de influência de uma determinada falta nas demais barras do sistema, identificando
a área de influência do defeito simulado, conforme pode ser observado na Figura
14. Analisando-se tal figura, conclui-se que uma grande área experimenta
afundamento de tensão com intensidade próxima a 0.9 p.u.. Afundamentos mais
severos, ou seja, com intensidade inferior a 0,70 p.u., ficam restritos às
proximidades da região onde ocorre a falta. É importante lembrar que regiões onde
há maior concentração de fontes geradoras experimentam afundamentos menos
severos.

Figura 14 - Análise da intensidade do afundamento para uma falta específica [17].


Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 45

3.6 – ÁREA DE VULNERABILIDADE

Para análise de afundamentos de tensão utiliza-se o conceito de área de


vulnerabilidade conforme mostra a Figura 15. A área de vulnerabilidade demarca
as regiões do sistema elétrico onde, se ocorrerem curtos-circuitos, haverá a
ocorrência de afundamentos de tensão abaixo de limites críticos que possam
resultar em desligamentos de cargas sensíveis.

A área de vulnerabilidade é traçada tomando-se como ponto de referência


um determinado local do sistema elétrico e a sensibilidade da carga nele instalada,
conforme ilustração apresentada na Figura 15.

Uma vez conhecida a extensão da área de vulnerabilidade, representada


pela quilometragem de linhas de transmissão e de distribuição pode-se, a partir
das taxas de faltas nas LTs, estimar o número esperado de desligamentos anuais
de um determinado consumidor sensível.

A área de vulnerabilidade depende tanto da topologia do sistema como da


sensibilidade da carga, sendo que, quanto mais sensível for o consumidor maior
será a extensão da área de vulnerabilidade e vice-versa.

Outro fato importante é que a área de vulnerabilidade guarda relação de


proximidade com a “distância elétrica” e não, necessariamente, com a “distância
física” entre o ponto da falta e a carga sensível.

A área de vulnerabilidade é afetada pela concentração de fontes geradoras


sendo deformadas na direção destes geradores, ou seja, o contorno da área de
vulnerabilidade desloca-se na direção das fontes geradoras, como se observa na
Figura 15.

Por outro lado, os resultados das simulações também podem ser


organizados sob a forma de tabela de modo a mostrar o desempenho de cada
barra. Em outras palavras, este procedimento permite mostrar o número esperado
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 46

de afundamentos por ano com intensidade menor ou igual ao valor indicado,


conforme mostrado na Tabela 7, obtido de [17].

Figura 15 – Representação da área de vulnerabilidade [17].

Tabela 7 - Número esperado de afundamentos [17].

A Figura 16 mostra sob a forma gráfica os resultados apresentados na


Tabela 7. Neste gráfico são identificadas as barras que apresentam um
desempenho similar. Conforme esperado, observa-se que as regiões que possuem
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 47

fontes geradoras apresentam melhor desempenho com um número esperado


menor de afundamentos por ano. As regiões que não possuem fontes geradoras
apresentam maior número de afundamentos de tensão [17].

Figura 16 – Desempenho de barras para afundamentos inferiores a 0.85 p.u. [17].

3.7 – DISTÂNCIA CRÍTICA VERSUS POSIÇÕES DE FALTA

Os autores Qader, Bollen e Allan [17] fizeram uma análise comparativa dos
resultados obtidos considerando os métodos da distância crítica e das posições de
falta para o mesmo sistema de 400 kV apresentado. Com este objetivo foram
escolhidas algumas barras e para cada uma delas foi calculado o número
esperado de eventos para cada faixa de intensidade.

Para utilizar o método da distância crítica no sistema em foco, considerou-se


que todas as linhas possuem comprimento infinito e que também contribuem
igualmente para a corrente de curto circuito.

Na Tabela 8 e na Figura 17 são apresentados os resultados da aplicação de


ambas as metodologias para o cálculo do desempenho das barras [17].
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 48

Tabela 8 – Número esperado de afundamentos de tensão, distância crítica versus


posições de falta [17].

Local Willington Walpole Maninngton Ninfield


Intensidade Distância Posições Distância Posições Distância Posições Distância Posições
% Crítica Falta Crítica Falta Crítica Falta Crítica Falta
30 57 55 118 6 133 18 55 14
40 65 67 180 56 206 123 86 75
50 128 74 271 108 311 223 129 97
55 156 88 331 419 379 344 158 264
60 192 211 407 498 485 514 194 270
65 237 211 504 600 576 599 240 400
70 298 278 632 927 723 894 301 420
75 384 290 814 1314 931 1085 388 524
80 511 338 1085 1492 1242 1567 516 637
85 725 643 1538 1830 1759 2210 733 903
90 1151 1263 2442 2744 2794 2699 1165 1228

Analisando-se os resultados, pode-se concluir que, o método da distância


crítica pode ser utilizado em grandes sistemas de transmissão para se obter um
resultado aproximado do desempenho de uma determinada barra. Vale ressaltar
que, quando se requer maior precisão, o método das posições de falta é o mais
recomendado. A análise do afundamento de tensão é considerada complexa, pois
envolve uma diversidade de fatores aleatórios que afetam os seus parâmetros,
conforme já comentado no Capítulo 2.

Willington Walpole

1400 3000

1200
2500
1000
2000
Eventos
Eventos

800
1500
600
1000
400
500
200

0 0
30 40 50 55 60 65 70 75 80 85 90 30 40 50 55 60 65 70 75 80 85 90
Intensidade [%] Intensidade [%]
Distância Crítica Posições de Falta Distância Crítica Posições de Falta

Maninngton Ninfield

3000 1400

2500 1200

1000
2000
Eventos

800
Eventos

1500
600
1000
400

500 200

0 0
30 40 50 55 60 65 70 75 80 85 90 30 40 50 55 60 65 70 75 80 85 90

Intensidade [%] Intensidade [%]

Distância Crítica Posições de Falta Distância Crítica Posições de Falta

Figura 17 – Representação gráfica do desempenho das barras, distância crítica


versus posições de faltas [17].
Capítulo 3 - Cálculo de Afundamentos de Tensão 49

3.8 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em função da aleatoriedade de ocorrências de afundamentos de tensão, os


métodos de simulação apresentam-se como uma boa alternativa para se obter,
estatisticamente, os parâmetros destes distúrbios. As diversas ferramentas
computacionais utilizadas para se determinar os parâmetros e as estatísticas dos
afundamentos de tensão são bem conhecidas e podem ser agrupadas
basicamente em três classes: simulação da forma de onda, simulação dinâmica e
simulação de faltas.

O método de simulação de faltas, o mais utilizado de todos, parte do


pressuposto que a maioria dos afundamentos de tensão é originária de curtos-
circuitos na rede. Desta forma, torna-se natural utilizar programas de curto-circuito
para a determinação da intensidade dos afundamentos de tensão, cujo modelo é
linear, permitindo solução direta, não iterativa, e com baixo esforço computacional.
Esta metodologia fornece a intensidade do afundamento durante a ocorrência do
curto-circuito e não fornece o comportamento dinâmico da tensão eficaz e nem a
duração dos eventos.

Neste capítulo foram apresentadas as metodologias mais utilizadas para


simulação e cálculo das características dos afundamentos de tensão. O método
mais apropriado para análise em sistemas radiais é o método da distância crítica.
Para sistemas malhados é recomendada a utilização do método das posições de
falta associado a um programa de curto-circuito.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 50

IV - CARACTERIZAÇÃO DE AFUNDAMENTOS DE
TENSÃO

4.1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Neste capítulo são apresentadas as diversas metodologias utilizadas para


caracterizar os afundamentos de tensão. Como citado no Capítulo 2, em muitas
situações, a caracterização convencional dos afundamentos de tensão através
somente dos parâmetros magnitude e duração pode ser insuficiente para estudar o
efeito sobre cargas e processos industriais. Assim, são apresentadas formas
alternativas para caracterizar este distúrbio, levando-se em conta a assimetria e o
desequilíbrio dos fasores de tensão. Também são abordadas tanto as
metodologias utilizadas para classificar os eventos como os indicadores utilizados
para avaliar uma barra do sistema.

4.2 – MÉTODO CLÁSSICO DE CARACTERIZAÇÃO

4.2.1 - Eventos Monofásicos

A partir da evolução do valor RMS da tensão em função do tempo pode ser


determinada a magnitude e duração do evento. A magnitude do afundamento de
tensão, seguindo a filosofia do IEEE, é o menor valor da tensão remanescente
durante a ocorrência do evento [44]. A duração do evento é o tempo durante o qual
o valor RMS da tensão permanece abaixo do patamar de 0,90 p.u. da tensão de
referência (nominal, pré-falta, operativa, etc.). Os conceitos de intensidade e
duração do afundamento de tensão são mostrados na Figura 18.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 51

1
duração

0.8

Tensão em p.u.
0.6

0.4

0.2
intensidade
0
0 1 2 3 4 5 6
ELECTRIC POWER ENGINEERING
Tempo em ciclos

Figura 18 - Definição de magnitude e duração de afundamento de tensão.

4.2.2 - Eventos Trifásicos

Uma ocorrência no sistema de potência pode afetar uma, duas ou as três


fases. A magnitude e a duração do afundamento de tensão resultante em cada
fase pode diferenciar-se substancialmente. Na análise de afundamentos de tensão
deve-se definir como os eventos trifásicos são medidos, sendo que até a presente
data, estes pontos ainda não estão padronizados e bem definidos por normas [44].

Para fins de cálculo de indicadores e avaliação do impacto dos fenômenos


sobre equipamentos utiliza-se o procedimento chamado de agregação de fases,
que consiste em atribuir um único conjunto de parâmetros (amplitude, duração,
etc.) a uma ocorrência que provoque registro em mais de uma fase. O critério para
a agregação de fases também é um item em discussão, existindo diversas
metodologias de agregação.

4.2.3 - Metodologia UNIPEDE (Europa)

A intensidade de um afundamento de tensão trifásico é definida como a


maior queda de tensão ocorrida nas três fases. Neste caso, os desvios percentuais
são tomados em relação à tensão nominal. Por sua vez, a duração do
afundamento de tensão é dada pelo período de tempo decorrido a partir do
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 52

instante em que a tensão de uma das fases foi inferior ao limite de 0,90 p.u., até o
instante em que a tensão de todas as fases seja superior a este limite. A Figura 19
ilustra esta situação onde se observa um afundamento de tensão cuja duração
correspondente a Tafundamento, e sua intensidade é 1 p.u., segundo a metodologia
UNIPEDE.

160

140

120

100

80
Tensão (%)

60

40

20

0
0 0.5 1 1.5 2

Tempo (s)

Tafundamento

Figura 19 - Caracterização de afundamentos de tensão segundo a UNIPEDE.

4.2.4 - Metodologia da NRS-048 (África do Sul)

A intensidade de um afundamento de tensão trifásico é definida como a


maior queda do valor RMS da tensão ocorrida nas três fases. Os desvios
percentuais são tomados em relação a uma tensão declarada, por exemplo, a
tensão nominal ou a tensão operativa do sistema. Por outro lado, a duração é
caracterizada como sendo a duração associada à pior fase afetada em cada
evento registrado. A Figura 20 apresenta a caracterização de um afundamento de
tensão segundo esta metodologia.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 53

120

100

80

Tensão(%)
60

Vafundamento
40

20

0
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Tempo (s)

Tafundamento

Figura 20 - Caracterização de afundamentos de tensão segundo a NRS-048.

4.2.5 - Metodologia do EPRI / ELECTROTEK (EUA)

Segundo a metodologia proposta pelo EPRI/ELECTROTEK [28] os


principais parâmetros utilizados na caracterização destes fenômenos são a
intensidade e a duração. A intensidade do afundamento de tensão é caracterizada
pela mínima tensão remanescente registrada durante o evento. Este método define
a duração de um afundamento como sendo o período de tempo em que o valor
RMS da tensão viola um limite específico de tensão indicado para avaliar o
distúrbio.

Assim, para o sistema trifásico, a intensidade e a duração de um


afundamento de tensão são dadas pelas grandezas da fase, onde se tem o maior
desvio em relação à tensão especificada. Este é o mesmo procedimento adotado
pela NRS-048.

Nos casos de afundamentos que não possuem forma retangular, esta


metodologia atribui durações conforme limiares específicos. Logo, a um único
evento pode ser atribuído mais de um valor de duração. A fim de ilustrar esta
abordagem, considere-se o evento apresentado na Figura 21.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 54

140

120

100

T 80%
80

Tensão (%) 60
T 50%
40

20 T 10%
0
0.000 0.167 0.333 0.500 0.667 0.833 1.000 1.167 1.333 1.500 1.667
Tempo (s)

Figura 21 - Caracterização de um afundamento de tensão não retangular.

Nesta figura, a duração do afundamento é avaliada segundo três limiares:


80%, 50% e 10%. Os valores T80%, T50% e T10% representam as durações para os
afundamentos cujas intensidades atingem 80%, 50% e 10%, respectivamente.
Observa-se também que o valor de T80% é igual ao valor de T50%, uma vez que
neste intervalo de tempo, o formato do afundamento é retangular.

4.3 – MÉTODO PROPOSTO POR BOLLEN

Ao contrário de outros métodos, que caracterizam o afundamento de tensão


somente através da intensidade e duração, este método considera a assimetria e
desequilíbrio dos fasores de tensão durante a ocorrência do distúrbio [3]. Com isto,
evita-se desprezar efeitos importantes, permitindo que o comportamento dos
equipamentos sensíveis, principalmente os trifásicos, possa ser avaliado perante
estas outras características dos afundamentos de tensão.

Baseado na teoria das componentes simétricas, o método considera os


diversos tipos de falta: trifásicas, bifásicas e monofásicas; as conexões estrela e
delta, utilizadas nos equipamentos elétricos; e todos os tipos de conexões dos
transformadores. Assume-se, também, que as impedâncias de seqüência positiva
e negativa da fonte são iguais, resultando em quatro tipos principais de
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 55

afundamentos de tensão mostrados na Figura 22. O tipo A é devido às faltas


trifásicas e os tipos B, C e D são devido às faltas bifásicas e a monofásicas. Os
afundamentos tipo B contêm componente de tensão de seqüência zero, raramente
percebidos nos terminais das cargas, devido à filtragem dos transformadores com
conexão ∆ / Y. Os afundamentos tipo C e D são devido a faltas FT, FF e FFT. O
tipo de afundamento percebido nos terminais de uma carga não depende somente
do tipo de falta. Um afundamento tipo C pode se transformar em um afundamento
tipo D quando se propaga através de um transformador com conexão ∆ / Y. Um
afundamento tipo C é enxergado como sendo do tipo D quando a carga está
conectada entre fases. A grande maioria dos afundamentos desequilibrados é do
tipo C ou D, e esta distinção pode ser suficiente para caracterizar adequadamente
o fenômeno.

Tipo A Tipo B

Tipo C Tipo D

Figura 22 – Tipos de afundamentos de tensão.

4.4 – OUTRAS CARACTERÍSTICAS DOS AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

4.4.1 - Tensão fundamental complexa

O afundamento de tensão também pode ser representado através de uma


grandeza chamada de tensão fundamental complexa. Este conceito tem a
vantagem de apresentar também a informação do ângulo de fase da tensão.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 56

O método mais utilizado para obter a componente fundamental (50 ou 60


Hz) da tensão é a Transformada Discreta de Fourier (TDF). A TDF pode ser
aplicada a um conjunto de pontos de tamanho de um ciclo.

O módulo da tensão fundamental complexa coincide com o valor de pico do


sinal de tensão de freqüência fundamental (50 ou 60 Hz), e o argumento da tensão
fundamental complexa representa o ângulo de fase da tensão monitorada,
segundo (12).

V = Ve jθ (12)

Onde:

V - tensão fundamental complexa;

V – valor de pico (máximo) do sinal de tensão de freqüência fundamental;

θ - ângulo de fase da tensão de freqüência fundamental.

4.4.2 – Salto de ângulo de fase (Phase angle jump)

O salto de ângulo de fase (phase angle jump ou phase shift) é caracterizado


pela diferença entre o argumento de um fasor que representa a evolução da tensão
no tempo de uma senoide ideal, conforme expressão (13), e o argumento do sinal
real de tensão medido no instante t. O salto de fase é calculado através da
expressão (14).

φ0 (t ) = arg V ( 0 )  + 2π f 0t (13)

ψ (t ) = arg V ( t )  − φ0 ( t ) (14)

Onde:

f0 – freqüência fundamental (50 ou 60 Hz);


Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 57

φ0(t) – argumento da tensão fundamental no instante t, considerando a


evolução sem distúrbio;

Ψ(t) - salto de fase no instante t.

4.4.3 – Queda do valor RMS da tensão

Em trabalhos europeus (UNIPEDE) e de África do Sul, foi utilizada a queda


de tensão como parâmetro de caracterização do afundamento. No entanto, é
preferível utilizar para caracterização do afundamento de tensão o valor
remanescente da tensão, pois este é obtido diretamente de medições ou
simulações [44].

4.4.4 - Tensão faltante

Esta característica é a diferença entre a tensão ideal de suprimento e a


tensão real medida. Este dado é muito útil para o estudo e projeto de restauradores
dinâmicos de tensão (DVRs).

O grupo de trabalho mencionado, ainda precisa definir qual é a tensão ideal


a ser considerada e se a mesma deve incluir os harmônicos presentes na tensão
pré-afundamento [44].

4.4.5 - Ponto de início do afundamento

O ponto de início do afundamento é representado pelo ângulo de fase da


tensão quando inicia o afundamento [44]. Esta característica de simples definição
não é fácil de ser extraída das medições, devido às limitações na digitalização dos
sinais da tensão. O ponto de inicio do afundamento pode ser obtido através da
utilização de filtros passa alto, por exemplo, wavelets.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 58

4.4.6 - Ponto de fim do afundamento

Este ponto é representado pelo ângulo da fase da tensão quando a mesma


volta a seu valor de referência. Este ângulo não está definido para afundamentos
devidos a partidas de motores e energização de transformadores [44].

4.5 – CARACTERIZAÇÃO ATRAVÉS DE UM PARÂMETRO

O método intensidade versus duração para a caracterização do evento leva


a dois parâmetros. Várias outras propostas têm sido apresentadas para
caracterizar os eventos através de um único parâmetro. Embora isto leve a perda
de informação, o método a um parâmetro simplifica a comparação entre eventos,
entre desempenho de locais específicos (barras), e finalmente entre sistemas. A
seguir são apresentados estes métodos:

4.5.1 - Perda de Tensão

A perda da tensão (LV) é definida [44] como o integral da queda de tensão


durante o afundamento, de acordo com (15). A Figura 23 ilustra este conceito.

 V ( t ) 
LV = ∫ 1 − dt (15)
 Vnom 

Onde:

Vnom - tensão nominal no local de medição;

V(t) – valor RMS da tensão durante o afundamento.


Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 59

29dez02 16:53:11 Phelps_BT_FF

1.2
1.1
1
0.9
0.8
Tensão [pu]
0.7
0.6
Perda de Tensão [p.u. x ms]
0.5
0.4
0.3
0.2
0.1
0
0.01 0.05 0.10 0.14 0.19 0.23 0.28 0.33 0.37 0.42 0.46 0.51 0.55 0.60 0.64 0.69 0.73 0.78 0.82 0.87
Tempo [s]

Figura 23 – Representação gráfica da perda de tensão.

Deve-se ressaltar que, para eventos com lento restabelecimento da tensão,


intervalos de integração diferentes podem fornecer resultados divergentes.

4.5.2 - Perda de Energia

A perda de energia (LE) é definida como a integral da queda de energia


durante o evento [44], considerando a carga como sendo do tipo impedância
constante. Em (16) mostra-se como pode ser realizado este cálculo.

 V ( t ) 2 
LE = ∫ 1 −    dt (16)
 V  
  nom

4.5.3 - Método Proposto por Thallam

A proposta de Thallam [44] define a “Energia do Afundamento de Tensão”


conforme (17):

 V ( t ) 
2

ΕVS = ∫ 1 −  dt (17)
 Vnom 
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 60

4.5.4 - Método Proposto por Heydt

Heydt considera que a curva de sensibilidade dos equipamentos representa


uma curva de energia constante [5]. Eventos localizados abaixo da curva de
sensibilidade possuem um valor de energia menor ao limiar de sensibilidade da
carga e, portanto, provocam o desligamento da mesma.

Assim, adotando a envoltória inferior da curva CBEMA como uma curva


padrão de sensibilidade, obtém-se a equação (18). Portanto, a metodologia de
Heydt mede quanto os eventos se afastam desta curva de referência.

 V (t ) 
3,14

W = ∫ 1 −  dt (18)
 Vnom 

4.5.5 - Detroit Edison - Sag Score

A metodologia empregada pela empresa Detroit Edison baseia-se na


caracterização do afundamento através de uma grandeza chamada de sag score
[5]. A severidade do afundamento é calculada através da média das quedas de
tensão individuais por fase, conforme equação (19).

VA + VB + VC
Sscore = 1 − (19)
3

Onde:

VA, VB, VC – intensidades dos afundamentos de tensões registrados em cada


fase.

Quanto mais severo for o afundamento trifásico, o seu sag score se


aproxima do valor unitário. A Detroit Edison não considera a variação da
intensidade do afundamento no tempo. No entanto, não há inconveniente em
trabalhar com funções V(t) e obter o Sscore como função do tempo.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 61

Observa-se que este método não considera a duração do afundamento para


a caracterização do evento. A metodologia considera uma janela de 15 minutos
para agregação temporal. Se alguma das fases apresenta tensão superior a 1,0
p.u., deve ser considerada a tensão de 1,0 p.u. para o cálculo do sag score. Um
afundamento será considerado para o cálculo do índice anual somente se alguma
das fases apresentar tensão remanescente inferior a 0,75 p.u..

A criação deste índice foi motivada pela necessidade dos principais clientes
desta concessionária, representados por empresas fabricantes de automóveis, por
um fornecimento de energia de qualidade diferenciado.

4.5.6 – Índice de Severidade Relativo à Curva de Referência

O índice de severidade do evento é calculado a partir da intensidade e da


duração do evento [44]. É essencial definir de maneira única: magnitude e duração
do evento, e qual será a curva de referência, CBEMA, ITIC e, outras.

A severidade do evento é calculada através da expressão (20):

1−V
S= (20)
1 − Vref (T )

Onde:

V – intensidade do afundamento;

Vref(T) - tensão interpolada na curva de referência para um evento de


duração T.

Para eventos cuja magnitude e duração coincidem com a curva de


referência, o índice de severidade é 1. Eventos localizados acima da curva de
referência apresentam índices de severidade menor do que 1; e eventos
localizados abaixo da curva, o índice de severidade será maior do que 1, como
pode ser observado na Figura 24.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 62

1.0
Se=0 Se=0 Se=0

Se=0.25 Se=0.5 Se=1.0


Intensidade do Evento

Se=0.5 Se=1.0 Se=2.0

Se=0.75 Se=1.5 Se=3.0

Se=1.0 Se=2.0 Se=4.0

Duração do Evento

Figura 24 - Índice de severidade em relação a curva ITIC.

4.6 – CLASSIFICAÇÃO DOS AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

4.6.1 – Metodologia UNIPEDE

A Tabela 9 mostra a classificação dos afundamentos de tensão segundo a


metodologia UNIPEDE, Norma IEC 61000-2-8. Para uma determinada barra a
tabela indica o número de afundamentos de tensão registrados para cada faixa de
intensidade e duração. Os eventos trifásicos devem ser agregados para se obter
um único conjunto de características de intensidade e duração. A metodologia de
agregação proposta por UNIPEDE caracteriza a intensidade do afundamento
trifásico como a maior queda de tensão registrada nas três, e a duração do evento
é dada pelo período de tempo decorrido a partir do instante em que a tensão de
uma das fases é igual ou inferior ao limite de 0,90 p.u., até o instante em que a
tensão de nenhuma das fases seja inferior a este limite. Esta metodologia pode
levar a um embaralhamento das fases, podendo tomar a intensidade de uma fase
e a duração de outra.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 63

Tabela 9 – Classificação dos afundamentos segundo UNIPEDE.

Intensidade / 0,5 –1 1 ciclo – 100 ms – 500 ms – 1s– 3s– 20 s –


Duração ciclo 100 ms 500 ms 1s 3s 20 s 3 min

70 – 90%

40 – 70%

1 – 40%

< 1%

É importante que seja indicado qual foi o período de monitoração


considerado.

4.6.2 – Metodologia da Norma NRS – 048

A norma NRS – 048 também classifica os afundamentos em intervalos de


intensidade e duração, caracterizando cada região através das letras X, Y, S, Z, T.
A título de exemplo, a Figura 25 mostra estas regiões.

Magnitude
100 %

T
Z
60 %
X S
20 %

Y
10 %

0 20 150 600 3000


Duração [ms]

Figura 25 – Classificação dos afundamentos segundo a norma NRS – 048 [13].


Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 64

A norma NRS 048 estabelece limites para o número de afundamentos de


tensão por ano, aceitável para cada tipo de afundamento. Estes limites são
definidos por classe de tensão e por tipo de sistema, ou seja, urbano, rural, etc.

4.6.3 – Metodologia IEEE 1159 - 1995

Na Tabela 10 apresenta-se a classificação dos eventos segundo a norma


IEEE 1159-1995. Esta norma não classifica os afundamentos de tensão segundo a
sua intensidade, somente distingue os afundamentos pela sua duração.

Tabela 10 - Classificação dos eventos segundo a Norma IEEE 1159 (1995).

Categoria Duração Intensidade p.u.

Instantâneo

Afundamento 0,5 até 30 ciclos 0,1 até 0,9

Elevação 0,5 até 30 ciclos 1,1 até 1,8

Momentâneo

Interrupção 0,5 ciclos até 3 s < 0,1 p.u.

Afundamento 30 ciclos até 3 s 0,1 até 0,9

Elevação 30 ciclos até 3 s 1,1 até 1,8

Temporário

Interrupção 3 s até 1 min < 0,1 p.u.

Afundamento 3 s até 1 min 0,1 até 0,9

Elevação 3 s até 1 min 1,1 até 1,8


Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 65

4.7 – INDICADORES PARA AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

4.7.1 – Metodologia EPRI/ELECTROTEK

O EPRI / Electrotek propôs um conjunto de índices para avaliar o


desempenho de um sistema [10]. Estes indicadores fazem referência à intensidade
e duração dos eventos.

O índice SARFIx (System Average RMS Variation Frequency Index)


representa o número médio de ocorrências de variações do valor RMS da tensão
por cliente, calculado através de (21).

SARFI x =
∑N i
(21)
NT

Onde:

x - tensão RMS de referência: 0,9; 0,8; 0,7; 0,5 e 0,1 p.u.;

Ni - número de clientes que são afetados por variações cuja magnitude é


menor que o valor de referência x;

NT - número de clientes supridos pelo alimentador, barra ou sistema


analisado.

O índice SARFIx não faz referência à duração dos eventos. Para atender
esta necessidade são apresentados três sub-índices que contemplam as durações
definidas na norma IEEE 1159-1995, ou seja, instantâneas, momentâneas e
temporárias.

SIARFIx representa o número médio de ocorrências de variações


instantâneas do valor RMS da tensão por cada cliente, obtido através da
expressão (22).

SIARFI x =
∑ NI i
(22)
NT
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 66

Onde:

x - tensão RMS de referência: 0,9; 0,8; 0,7; 0,5 e 0,1 p.u.;

NIi - número de clientes que são afetados por variações instantâneas cuja
magnitude é menor que o valor de referência x;

NT - número de clientes supridos pelo alimentador, barra ou sistema


analisado.

De forma análoga são definidos os indicadores SMARFIx e STARFIx, que


mostram o número médio de ocorrências de variações momentâneas e
temporárias, respectivamente.

Algumas concessionárias, como a United Illuminating Company, estão


utilizando estes indicadores para comparar o desempenho das diversas barras e
subestações e, desta maneira, otimizar os investimentos em manutenção e realizar
estudos de viabilidade para mitigação dos afundamentos de tensão.

Na Tabela 11 são apresentados como exemplo os resultados obtidos pela


United Illuminating Company em um dos seus alimentadores.

Tabela 11 - Índices calculados para um ano de monitoração.

X SARFIx SIARFIx SMARFIx STARFIx

90 27.5 22.7 4.3 0.5

80 13.6 8.8 4.3 0.5

70 7.3 2.5 4.3 0.5

50 4.8 0.5 3.8 0.5

10 4.3 Sem definição 3.8 0.5


Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 67

4.7.2 – Outras Maneiras de Avaliar o Desempenho das Barras

Uma outra metodologia para obter informação de um determinado


barramento a partir dos dados da magnitude e duração dos eventos individuais é
descrita nas normas IEEE 1346 - 1998 e IEEE 493 - 1997.

A Figura 26 mostra o comportamento de um alimentador e a sensibilidade


das cargas A e B. O gráfico mostra o número anual de eventos em função da
severidade dos mesmos. Esta representação fornece uma completa informação do
desempenho da barra e facilmente pode-se estimar o número esperado de
paradas / ano, uma vez conhecida a sensibilidade da carga conectada naquele
barramento. Por exemplo, espera-se 5 desligamentos / ano para a carga A devido
a afundamentos de tensão com intensidade abaixo de 0,65 p.u. e duração maior
que 0,2 s.

Uma desvantagem deste método é a caracterização do local através de uma


função bidimensional que dificulta a comparação com outros barramentos.

90%

80%
25
carga B
20
70%
15
carga A
Intensidade

60%
Eventos

10
50%

40%

5 30%

20%

10%
0s 0.2s 0.4s 0.6s 0.8s
Duração
Duraçã

Figura 26 - Desempenho de um local em função da sensibilidade das cargas.

Para eventos desequilibrados pode-se construir um gráfico contendo as


curvas “iso-sags” para cada tipo de afundamento, A, B, C ou D.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 68

Uma outra maneira de apresentar os dados da Figura 26 é através da


Tabela 12, na qual é representada a quantidade de ocorrências de afundamentos
de tensão, para um período anual de monitoração ou simulação.

Tabela 12 - Número de afundamentos de tensão anuais.

>0.01 sec >0.1 sec >0.5 sec >1 sec >3 sec >20 sec

<90% 338 126 36 9 0 0

<70% 99 28 0 0 0 0

<40% 55 14 0 0 0 0

<1% 14 0 0 0 0 0

Os valores escolhidos para subdividir a Tabela 12 ainda são um ponto de


controvérsia, havendo várias publicações com recomendações diversas. A norma
IEEE 1159-1995 recomenda utilizar durações de 0,5 ciclos; 0,5 segundos; 3
segundos e 60 segundos. A norma IEC 61000-4-11 propõe as seguintes durações:
0,5 ciclos; 1,0 ciclo; 5 ciclos; 10 ciclos; 25 ciclos e 50 ciclos; e as seguintes
magnitudes: 0%, 40%, 70%.

Uma outra tendência (UNIPEDE e NRS 048) é apresentar o número de


eventos em um determinado intervalo de severidade de afundamentos
caracterizados segundo sua magnitude e duração. A Tabela 13 apresenta os
dados da Tabela 12 segundo esta outra metodologia de apresentação dos
resultados.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 69

Tabela 13 – Número de eventos anuais para cada intervalo de severidade.

0.01-0.1 sec 0.1-0.5 sec 0.5-1 sec 1-3 sec 3-20 sec >20 sec

70-90% 141 64 25 9 0 0

40-70% 30 14 0 0 0 0

1-40% 27 14 0 0 0 0

<1% 14 0 0 0 0 0

4.8 – AGREGAÇÃO TEMPORAL

O objetivo da agregação temporal é agrupar todos os eventos devidos a


uma única falta no sistema de potência e assim identificá-los como um único
evento. Procura-se obter uma relação única entre as faltas que realmente
acontecem na rede e a série de eventos registrados pelos monitores de qualidade
[5].

Muitos equipamentos e processos industriais desligam durante a ocorrência


do primeiro evento registrado. Uma vez que o processo parou, os eventos
seguintes não causam nenhum efeito sobre a carga. Conseqüentemente, a
contabilização de todos os eventos levaria a um erro estatístico na avaliação do
desempenho do suprimento da concessionária, sobreestimando o número de
ocorrências de afundamentos de tensão.

Uma das maneiras de sanar este problema é a utilização da agregação


temporal com uma janela de tempo pré-definida, ou seja, a partir da ocorrência do
primeiro evento todos os que sucederem dentro do intervalo de tempo estabelecido
da janela serão considerados como um mesmo evento. Embora o intervalo de
tempo possa ser escolhido arbitrariamente, a norma IEEE 1159-1995 recomenda o
intervalo de um minuto. Algumas concessionárias, contudo, tem adotado janelas
entre 15 e 30 minutos para considerar o impacto de afundamentos de tensão em
processos industriais.
Capítulo 4 - Caracterização de Afundamentos de Tensão 70

Um evento agregado representa o conjunto de todos os registros


associados à ocorrência de uma falta na rede. O evento agregado associado à
falta deve sintetizar as informações da série de registros em um único conjunto de
características, tais como; intensidade, duração, tipo de afundamento, etc.
Normalmente, os parâmetros associados ao evento agregado são definidos pelas
características do evento mais severo, ou seja, aquele que apresenta a menor
intensidade.

4.9 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

As principais metodologias convencionais de análise e tratamento de


medições de afundamentos de tensão caracterizam os distúrbios através de dois
parâmetros: intensidade (tensão remanescente) e a duração. Complementarmente,
alguns autores propõem métodos alternativos de um parâmetro, como por
exemplo, perda de tensão, perda de energia, etc.

Os métodos convencionais mais difundidos possuem diferenças


significativas nas formas de caracterização, de agregação e de contabilização dos
eventos, não havendo ainda uma padronização de procedimentos.

Os métodos baseados na intensidade e duração para caracterizar um


evento envolvendo mais de uma fase apresentam algumas restrições, pois as
grandezas associadas não refletem plenamente os efeitos dos distúrbios sobre
equipamentos trifásicos, considerando-se que, na grande maioria dos casos, os
afundamentos de tensão registrados são de natureza desequilibrada e assimétrica.
Para suprir esta deficiência, o método proposto por Bollen, permite diferenciar
eventos assimétricos com a mesma amplitude e duração.

No entanto, os métodos alternativos, tais como métodos a um parâmetro,


exigem tratamentos adicionais, implicando na definição de protocolos de medição
específicos ou pós-tratamentos mais elaborados.
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 71
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 72

V - SENSIBILIDADE DE CARGAS E PROCESSOS


INDUSTRIAIS

5.1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Neste capítulo são analisados os efeitos dos afundamentos de tensão sobre


os processos industriais. É analisada em forma detalhada a sensibilidade dos
principais componentes e cargas presentes nos processos, tais como contatores,
acionamentos de velocidade variável, motores de indução, e outros dispositivos.

5.2 - EFEITOS SOBRE PROCESSOS INDUSTRIAIS

O impacto dos afundamentos de tensão sobre os consumidores industriais


ocorre de forma diferenciada em função da sensibilidade dos equipamentos eletro-
eletrônicos instalados, das particularidades inerentes a cada processo industrial
(industrias têxteis, alumínio, plástico, cimento, papel, metalúrgica, siderurgia,
química, etc.) e também dos sistemas de controle de processo envolvidos. Logo,
pode-se afirmar que a sensibilidade da carga do consumidor é uma combinação da
sensibilidade dos equipamentos eletro-eletrônicos instalados com a sensibilidade
do processo industrial [29].

Normalmente, o efeito dos afundamentos de tensão em consumidores


industriais dá-se sob a forma de interrupção parcial ou total de processos
produtivos, com os conseqüentes prejuízos associados a paradas de produção,
perdas de produtividade, perdas de insumos, reparo e reposição de equipamentos
danificados. Os efeitos dos afundamentos de tensão sobre os principais
equipamentos eletro-eletrônicos utilizados nas indústrias manifestam-se sob a
forma de:

• Perda de programação de microprocessadores;

• Perda de programação de PLCs;


Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 73

• Desatracamento das bobinas de contatores e relés auxiliares, com


conseqüentes desligamentos de cargas e equipamentos via lógica do
sistema de controle;

• Desligamento de lâmpadas de descarga, como as de vapor de mercúrio,


que levam cerca de alguns minutos para reacenderem;

• Variação de velocidade dos acionamentos CA e CC (motor e carga


mecânica), que dependendo do tipo de processo, poderá comprometer a
qualidade do produto ou até provocar a parada de produção;

• Variação de torque do motor (CA e CC) com as mesmas implicações


citadas anteriormente;

• Desligamento de acionamentos devido à atuação de dispositivos de


proteção associados, que quando detectam condições de risco,
promovem o bloqueio do disparo de tiristores ou até mesmo o
desligamento imediato da fonte de alimentação;

• Falhas de comutação em pontes controladas, afetando os disparos dos


gatilhos de tiristores;

• Queima de fusíveis e outros componentes, principalmente, nos


acionamentos CC operando no modo regenerativo.

Em consumidores domésticos os efeitos dos afundamentos de tensão são


percebidos pela perda de memória e perda de programação de relógios digitais,
fornos de microondas, videocassetes, desligamento de microcomputadores, etc.
Normalmente, estes problemas não estão associados a prejuízos financeiros, mas
sim à satisfação dos consumidores e à imagem das empresas de energia elétrica.
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 74

5.3 – EFEITOS SOBRE COMPUTADORES

A representação clássica da tolerância das cargas frente a afundamentos de


tensão é normalmente realizada através de uma curva cujos eixos representam a
intensidade e a duração dos afundamentos de tensão.

A sensibilidade dos computadores é retratada pela Curva CBEMA,


publicada na norma IEEE-446, apresentada na Figura 27.

Apesar da curva CBEMA ter sido originalmente proposta para caracterizar a


sensibilidade de computadores mainframe, atualmente ela também tem sido
utilizada para outros componentes eletro-eletrônicos como: microcomputadores
(PCs), equipamentos microprocessados, etc.

Figura 27 - Curva de tolerância CBEMA.

A Figura 27 mostra três regiões distintas de operação, onde estão


associadas às letras A, B, e C, que representam:

• Região A - região de imunidade;

• Região B - região de susceptibilidade, com possibilidade de ruptura da


isolação dos equipamentos (perda de hardware), devido à ocorrência de
sobretensões transitórias e elevações de tensão;
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 75

• Região C - região de sensibilidade, com possibilidade de parada de


operação dos equipamentos, em virtude da ocorrência de afundamentos
de tensão, juntamente com as interrupções momentâneas. No contexto
deste trabalho, esta é a região de interesse.

Recentemente a curva CBEMA foi modificada para caracterizar melhor a


sensibilidade dos computadores e demais equipamentos, a fim de acomodar mais
adequadamente a diversidade dos modernos dispositivos eletrônicos. Esta curva é
a ITIC, apresentada na Figura 28. As regiões A, B e C são classificadas segundo
os mesmos princípios da curva CBEMA.

2,5

2,0
B

Tensão (p.u)
1,5

1,0
A
0,5
C
0,0
0,001 0,01 0,1 1 10 100 1000
Tempo ( segundos )

Figura 28 - Curva de tolerância ITIC.

Estudos recentes [7] ratificam que os microcomputadores (PCs) assim como


outros equipamentos controlados por microprocessadores apresentam um alto
grau de sensibilidade frente aos afundamentos de tensão. Estas pesquisas relatam
como principais falhas às perdas de dados e a diminuição do desempenho
provocando a necessidade de “re-start” do processo, assim como os
microcomputadores devem ser reiniciados após a ocorrência de uma interrupção.
Na prática, o efeito de um afundamento de tensão severo equivale ao efeito de
uma interrupção.
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 76

Neste estudo [7] foram testados somente microcomputadores, mas os


resultados podem ser generalizados para PLCs e outros dispositivos controlados
por microprocessadores. No total foram testados sete PCs de diversos
fornecedores, fabricados entre 1996 e 2002. Todos os PCs possuíam um hardware
básico: disco rígido, CD-ROM drive, placa de rede, etc. As fontes dos PCs foram
ligadas na fonte geradora de distúrbios, sendo que foi considerado estado de falha
do PC quando ocorria reinicialização do equipamento como conseqüência do
distúrbio.

A Figura 29 mostra as curvas de sensibilidade obtidas para os sete PCs


juntamente com a curva de referência ITIC. Somente um dos PCs possui tolerância
inferior à recomendada pela curva ITIC. Os demais PCs apresentam tolerância
superior à curva ITIC e são imunes a afundamentos cuja duração é menor do que
100 ms. A maioria dos PCs tolera afundamentos de intensidade até 0,60 p.u..
Deste estudo pode-se concluir que não há nenhuma correlação entre o ano de
fabricação dos PCs com a sensibilidade a afundamentos de tensão.

Sensibilidade de Computadores

0.9

0.8

0.7

0.6
ITIC
Intensidade [p.u.]

A96
0.5 B97
C97
D98
0.4
E98
F02
0.3 G02

0.2

0.1

0
0
17
34
51
68
85
102
119
136
153
170
187
204
221
238
255
272
289
306
323
340
357
374
391
408
425
442
459
476
493
510
527
544
561
578
595

Duração [ms]

Figura 29 – Curva de sensibilidade para os PCs analisados [7].


Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 77

5.4 – SENSIBILIDADE DE CONTATORES

Contatores e relés auxiliares são os principais componentes utilizados nos


circuitos de força e de comando dos motores instalados nos processos industriais.
A falha de qualquer um destes componentes pode levar a parada total ou parcial
de um processo, sendo que a retomada plena de produção poderá levar várias
horas e até dias. Na pesquisa relatada em [7] foram testados 28 contatores de 5
marcas diferentes com correntes nominais entre 9 e 900 A. Foram utilizados nos
testes contatores novos, usados e outros com data de fabricação antiga porem
sem uso.

Cada contator após um período de 2 minutos de funcionamento normal foi


submetido a afundamentos de tensão. Cada afundamento, caracterizado por uma
intensidade e duração, foi aplicado várias vezes e foi considerado severo aquele
evento que provocou falha no contator em pelo menos 50% dos testes.

Foram gerados afundamentos de intensidade entre 0,05 a 0,90 p.u., de


duração de 1 ciclo até 1 s. Com o objetivo de analisar a influência do ângulo de
fase da tensão no inicio do afundamento, na sensibilidade dos contatores, foram
aplicados distúrbios começando em 00 e 900, da onda de tensão.

A Figura 30 mostra as curvas máxima, mínima e média de sensibilidade dos


contatores ensaiados para afundamentos com ângulo de inicio de 00 e 900,
respectivamente. No gráfico estão representadas: a curva do contator mais
sensível, curva à esquerda; do contator menos sensível, curva à direita; e de um
contator de sensibilidade média.

Pode-se observar que para eventos que começam no ângulo de fase 00 o


contator de sensibilidade média tolera interrupções da ordem de 200 ms, enquanto,
falha quando submetido a afundamentos de intensidade 0,5 p.u. e duração da
ordem de 50 ms. Na prática, por segurança, deve-se prever o efeito do pior caso,
ou seja, afundamentos começando em 900 da onda de tensão.
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 78

Sensibilidade de Contatores

0.8

0.7

0.6
0 min
90 min
Intensidade [p.u.]

0.5
0 med
90 med
0.4
0 max
90 max
0.3

0.2

0.1

0
1 10 100 1000

Duração [ms]

Figura 30 – Curva de sensibilidade de contatores [7].

Ainda, observando a Figura 30 pode se inferir que a tolerância dos


contatores se mantêm constante quando a duração dos eventos ultrapassa 1
segundo. Estes valores podem ser considerados como valores de tolerância frente
a subtensões de regime permanente, obtidos para todos os contatores testados,
resultando na distribuição de tolerâncias, mostrada no gráfico da Figura 31.

Os valores de tolerância obtidos estão de acordo com os limites


estabelecidos na norma IEC 60947-4-1 [39], e também com valores obtidos em
trabalhos semelhantes [21].

Analisando-se o gráfico da Figura 31 pode se concluir que a probabilidade


de falha de um contator frente a um afundamento de intensidade 0.45 p.u. é de
50%. Quando se deseja evitar a parada de um processo devido a desatracamento
de contatores, deveriam ser mitigados os afundamentos cujas intensidades sejam
inferiores a 0,70 p.u..
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 79

Distribuição de Sensibilidade de Contatores

0 grau 90 grau

12

10
Número de Contatores

0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100

Intensidade [%]

Figura 31 – Gráfico de distribuição de valores de tolerância de contatores [7].

Num outro estudo [8] foi desenvolvido um modelo matemático que permitiu
realizar uma analise dinâmica do contator frente a fundamentos de tensão. Os
resultados obtidos neste trabalho de simulação são coerentes com os resultados
experimentais descritos anteriormente [7].

5.5 - SENSIBILIDADE DOS ACIONAMENTOS DE VELOCIDADE


VARIÁVEL

Conforme citado no item 5.3, a sensibilidade dos equipamentos é


geralmente representada a dois parâmetros (magnitude e duração) no plano
cartesiano.

Logo, a sensibilidade dos acionamentos de velocidade variável (AVVs),


assim como todos os demais equipamentos eletro-eletrônicos, pode ser
caracterizada por uma região dentro do plano tensão versus tempo, conforme
mostra a Figura 32.
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 80

Figura 32 - Sensibilidade dos AVVs [29].

A região denominada de disrupção é onde o equipamento certamente irá


falhar, independentemente do modelo ou fabricante; a área sombreada representa
a região de incerteza, em que o equipamento poderá falhar ou não, e finalmente, a
região à esquerda e acima da área sombreada é considerada como sendo uma
região normal de operação, também denominada de imunidade. Nesta última
região, os equipamentos não apresentam sensibilidade a afundamentos de tensão.

Vale ressaltar que é difícil estabelecer um padrão de comportamento para


os equipamentos eletro-eletrônicos devido à diversidade de modelos e fabricantes.
Contudo, a título de informação, a Tabela 14 apresenta as faixas de sensibilidade
dos principais equipamentos utilizados em ambientes industriais [29].

Tabela 14 - Região de sensibilidade dos equipamentos eletro-eletrônicos [29].

Tipo de Equipamento Duração (ms) Intensidade (p.u.)

PLCs – Controladores Lógicos Programáveis 616 0,45 - 0,75

AVVs - 5 HP (PWM) 83 0,6 - 0,8

Relés Auxiliares 33 0,6 - 0,78

Contatores 83 0,4 - 0,6


Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 81

Um fato a ser observado nos acionamentos de velocidade variável é que


geralmente os acionamentos de corrente contínua (CC) são mais sensíveis a
afundamentos de tensão que os acionamentos de corrente alternada (CA) [25]. Isto
ocorre devido aos seguintes fatores:

• Os acionamentos CC são normalmente desprovidos de dispositivos de


armazenamento de energia (capacitor no lado CC);

• Os sistemas de comando bloqueiam o sistema de disparo da ponte


controlada devido ao desequilíbrio e assimetria detectados nos fasores
da tensão.

Já, o impacto dos afundamentos de tensão sobre acionamentos de corrente


alternada pode-se manifestar de duas maneiras, ambas resultando em parada do
acionamento [29]:

• Primeira, quando o capacitor no barramento CC não consegue manter a


tensão mínima nos terminais do inversor durante o período de
permanência do afundamento de tensão;

• Segunda, quando é violada a capacidade da eletrônica de controle de


operar com níveis reduzidos de tensão.

Estudos realizados em AVVs de corrente alternada que utilizam sistema de


controle do tipo PWM-VSI mostram o efeito de diversos afundamentos de tensão
no funcionamento do conversor [30]. Tal pesquisa consistiu em submeter os
acionamentos a diversos tipos de afundamentos equilibrados e desequilibrados.
Estas experiências mostraram, como esperado, que os afundamentos trifásicos
são os mais severos. Enquanto que afundamentos com a mesma intensidade e
duração que os supracitados, mas devido às faltas monofásicas ou bifásicas, não
apresentaram o mesmo grau de severidade. Portanto, para estudar a tolerância
destes equipamentos frente a afundamentos de tensão é necessário considerar
outras variáveis de influência já que somente os parâmetros intensidade e duração
são insuficientes para caracterizar a sensibilidade dos AVVs trifásicos.
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 82

Usualmente, quando se estudam afundamentos de tensão, todo o raciocínio


é conduzido tomando-se como premissa básica que tais distúrbios apresentam
forma de onda retangular. Desta maneira, pode-se estabelecer uma relação de
causa e efeito quanto à expectativa de interrupção da carga ou processo industrial.
No entanto, sabe-se que, na prática, os afundamentos de tensão podem
apresentar formas de onda não retangulares e semelhantes àquelas mostradas na
Figura 33 e Figura 34, obtidas de medições reais na baixa tensão numa planta
industrial.

09ago02 15:03:45 Phelps_BT_FF

1.2

1.1

0.9

0.8

0.7
Tensão [pu]

V12
0.6 V23
V31
0.5

0.4

0.3

0.2

0.1

0
0.01
0.03
0.06
0.08
0.11
0.13
0.16
0.18
0.20
0.23
0.25
0.28
0.30
0.33
0.35
0.38
0.40
0.42
0.45
0.47
0.50
0.52
0.55
0.57
0.60
0.62
0.64
0.67
0.69
0.72
0.74
0.77
0.79
0.82
0.84
0.87
Tempo [s] 0.89

Figura 33 - Registro de afundamento de tensão não retangular-1.

07set02 03:57:08 Phelps_BT_FF

1.2

1.1

0.9

0.8

0.7
Tensão [pu]

V12
0.6 V23
V31
0.5

0.4

0.3

0.2

0.1

0
0.01
0.03
0.06
0.08
0.11
0.13
0.16
0.18
0.20
0.23
0.25
0.28
0.30
0.33
0.35
0.38
0.40
0.42
0.45
0.47
0.50
0.52
0.55
0.57
0.60
0.62
0.64
0.67
0.69
0.72
0.74
0.77
0.79
0.82
0.84
0.87
0.89

Tempo [s]

Figura 34 - Registro de afundamento de tensão não retangular-2.


Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 83

Observando tais figuras, o leitor se depara com algumas dificuldades para


identificar os parâmetros característicos associados e conduzir as análises
necessárias. Estas dificuldades são atribuídas aos seguintes aspectos, dentre
outros:

• A intensidade do afundamento de tensão nas três fases é variável no


tempo;

• A duração do afundamento de tensão em cada uma das fases é


diferente.

Tendo em vista o que foi exposto, torna-se difícil determinar os parâmetros


característicos dos afundamentos de tensão e apontar qual deles foi o fator
determinante para promover o desligamento da carga.

No entanto, visando melhor caracterizar os afundamentos de tensão


trifásicos para situações como as mostradas nas Figuras 33 e 34, utiliza-se do
procedimento chamado de agregação de fases, como foi descrito nos itens 4.2.2 a
4.2.5 desta dissertação.

Somadas ao cenário já exposto, sabe-se que, dependendo do tipo de


acionamento e sistema de controle utilizado, o desequilíbrio e assimetria angular
presentes no afundamento também podem promover o desligamento dos
acionamentos. Situações como estas podem até mesmo provocar danos
permanentes nos conversores, dependendo do ajuste da proteção do
acionamento, e da categoria dos componentes de eletrônica de potência utilizados.

A título de exemplo, a Figura 35 mostra o diagrama fasorial das tensões


durante a ocorrência de um defeito fase-terra em um sistema elétrico real, obtido
via simulação. Observa-se claramente que as tensões ficam desequilibradas e
assimétricas.
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 84

V cn
0 ,8 9 8 1 0 5 ,7

Van
0 ,2 6 5 -6 ,5

Vbn
0 ,9 0 1 -1 0 5 ,6

Figura 35 - Diagrama fasorial de um afundamento de tensão assimétrico [29].

5.6 – SENSIBILIDADE DE MOTORES DE INDUÇÃO

Tanto motores de indução quanto motores síncronos podem suportar um


afundamento de tensão durante um certo tempo [23]. Logo, é desejável temporizar
a operação da proteção de subtensão para evitar desligamentos desnecesários do
motor com conseqüentes paradas de processo.

Diante da ocorrência de um afundamento de tensão, o motor de indução


pode travar, não conseguindo reacelerar após a restauração da tensão ou somente
perder velocidade reacelerando logo após o desaparecimento do distúrbio. O
comportamento do motor, diante da ocorrência de um afundamento de tensão,
depende dos fatores abordados nos itens subseqüentes.

5.6.1 - Características do Afundamento

A localização da falta no sistema elétrico, o tipo de falta, o tempo de atuação


da proteção de sobrecorrente e a configuração do sistema elétrico vão determinar
a intensidade e a duração do afundamento e a recuperação da tensão após a falta.

Conforme já abordado, a condição de falta mais severa é a trifásica, a qual


poderá comprometer o funcionamento do motor.
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 85

As fontes co-geradoras, as respostas das excitações e / ou reguladores de


tensão, assim como, as características dinâmicas do comportamento da carga
também afetam tanto a intensidade do afundamento como a recuperação da
tensão. Após a eliminação da falta a tensão poderá oscilar durante um tempo
maior que a própria duração do afundamento, como pode-se observar na Figura 36
para uma condição de falta trifásica eliminada em 8 e 24 ciclos, respectivamente.

Figura 36 - Comportamento da tensão durante o afundamento [23].

Pode-se observar, que quanto maior for a permanência da falta, mais severo
será o afundamento de tensão, comprometendo ainda mais o funcionamento da
carga.

5.6.2 - Perda de Velocidade do Motor

Em regime permanente, a diminuição do torque é proporcional ao quadrado


da diminuição da tensão nos terminais do motor. Com a diminuição da tensão o
escorregamento aumenta elevando também a corrente absorvida pelo motor.

Cargas com baixa inércia irão desacelerar rapidamente com o motor


podendo ocasionar a parada do processo. Em contrapartida, uma carga de maior
inércia irá desacelerar mais lentamente, podendo manter o processo em operação.

A perda de velocidade do conjunto rotativo deve ser limitada àquela que o


motor consegue reacelerar quando a tensão na rede é restabelecida.
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 86

Desacelerações mais acentuadas deveriam promover o desligamento do motor


como forma de prevenção.

5.6.3 - Reaceleração do Motor

A possibilidade de reaceleração do motor vai depender de quanto ele tenha


desacelerado e do valor da tensão pós-falta. A corrente de reaceleração é função
da corrente de partida do motor e da velocidade do mesmo no momento que a
tensão é restaurada. As correntes de aceleração de todos os motores fluindo pela
rede vão gerar um retardo na recuperação da tensão do sistema. Quanto mais
forte é a rede em relação à carga, mais rápida será a recuperação da tensão. Dado
que o tempo de reaceleração é diferente para cada motor, a recuperação da
tensão ocorrerá por estágios.

5.6.4 - Comportamento do Transitório

Diante de uma queda abrupta da tensão ocorrem fenômenos sub-


transitórios e transitórios no motor de indução cuja duração é menor que os
transitórios observados nos motores síncronos [23].

Quando da ocorrência de um curto-circuito no sistema o motor contribuirá


para a corrente de falta com um valor bastante elevado. Ao mesmo tempo o motor,
que nestes instantes atua como gerador, sofre um torque negativo de
aproximadamente 5 p.u.. Esta condição produz um desgaste no motor equivalente
a uma partida direta, ou seja, se o motor possui dispositivos de partida indireta
sofrerá maior desgaste no processo de desaceleração e reaceleração que nas
partidas programadas.

5.6.5 - Estabilidade Durante o Afundamento de Tensão

Os estudos realizados [23] mostram que a perda de estabilidade ocorre para


afundamentos severos com duração maior que 500 ms e intensidade da ordem de
0,10 p.u.. Para afundamentos menos severos os motores apresentam estabilidade
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 87

inclusive para eventos cuja duração supera 500 ms, como pode ser observado na
Figura 37.

Características dos motores: (1) 2000 hp / H=3,6 / Tp=150%; (2) 1000 hp /


H=3,3 / Tp=200%; (3) 2000 hp / H=7,2 / Tp=150%; (4) 1000 hp / H=6,6 / Tp=200%.
As curvas (1) e (2) referem-se a motores carregados com uma carga de inércia
segundo a norma NEMA [38]. E as curvas (3) e (4) referem-se a motores cujas
cargas possuem uma inércia duas vezes maior à indicada na norma NEMA.

Figura 37 - Estabilidade do motor de indução frente a afundamentos de tensão.

O gráfico da Figura 37 mostra a curva de estabilidade para 4 motores em


função da intensidade e a duração do afundamento de tensão, quando a perda de
velocidade está limitada a um escorregamento máximo de 10%. Limitando-se o
escorregamento a um valor máximo de 10%, as correntes de reaceleração ficam
limitadas a valores aceitáveis para o motor.

5.7 – SENSIBILIDADE DE LÂMPADAS DE DESCARGA

A falha destes componentes geralmente não produz efeitos diretos na


produção. A falta de iluminação pode colocar em risco a segurança das pessoas
Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 88

que trabalham no ambiente industriais. O principal risco do pessoal devido à falta


de iluminação ocorre em locais onde há grande concentração de pessoas, como
por exemplo, shopping centers, vias públicas, teatros, cinemas, etc.

No trabalho descrito em [7], foram testadas sete lâmpadas com potências


entre 70 e 250 W. O conjunto analisado inclui: lâmpadas de vapor de mercúrio, de
vapor de sódio, e vapor metálico. Todas as lâmpadas foram envelhecidas 100 hs
antes do ensaio. Entre a ocorrência de um afundamento e o seguinte, as lâmpadas
foram energizadas normalmente durante alguns minutos. Como critério de
desempenho considerou-se falha da lâmpada quando esta não reacendia
imediatamente após a ocorrência do afundamento de tensão.

A Figura 38 mostra as curvas de sensibilidade das lâmpadas ensaiadas.


Pode-se observar que todas as lâmpadas falham quando são submetidas a
afundamentos de tensão de duração maior que 25 ms. A tensão mínima tolerada
foi de 0.5 p.u., embora varias lâmpadas não suportam afundamentos de
intensidade menor que 0.80 p.u.. As lâmpadas mais sensíveis são as de vapor de
sódio e de mercúrio.

Sensibilidade de Lâmpadas

0.9

0.8

0.7

0.6 Hg 80 W
Intensidade [p.u.]

Hg 125 W
0.5 HPS 70 W
HPS 100 W
0.4
HPS 150 W
HPS 250 W
MH 250 W
0.3

0.2

0.1

0
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
110
120
130
140
150
160
170
180
190
200
210
220
230
240
250
260
270
280
290

Duração [ms]

Figura 38 – Curva de sensibilidade de lâmpadas [7].


Capítulo 5 - Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais 89

5.8 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os métodos convencionais utilizados para a caracterização destes


fenômenos baseiam-se na intensidade e duração do evento, utilizando tensões
fase-terra ou fase-fase. Supõe-se que esta metodologia apresenta limitações, pois
essas duas grandezas não devem refletir plenamente os efeitos dos afundamentos
de tensão sobre os equipamentos trifásicos, considerando que, na grande maioria
dos casos, estes distúrbios são de natureza desequilibrada, tanto em módulo como
em ângulo de fase. Portanto, é necessário estudar formas alternativas para
caracterizar a sensibilidade dos equipamentos de modo a incluir nesta
caracterização outros parâmetros tais como: desequilíbrio, assimetria, salto de
ângulo de fase, etc.
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 90
de Processos Industriais

VI - METODOLOGIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA


SENSIBILIDADE DE PROCESSOS INDUSTRIAIS

6.1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Este capítulo, apoiado na comprovação obtida no próximo, apresenta a


principal contribuição desta dissertação. Descreve-se de forma detalhada como
proceder para caracterizar a sensibilidade de processos industriais frente a
afundamentos de tensão através de um sistema integrado de monitoração de QEE
e de coleta de dados de processo.

Para atingir este objetivo, primeiramente, é realizada uma descrição sobre


monitores de qualidade de energia, destacando quais são os requisitos mínimos
necessários visando à caracterização da sensibilidade de cargas e processos
industriais.

Na seqüência são propostos critérios para a escolha dos locais de


monitoração do sistema elétrico, juntamente com um procedimento que permite
determinar quais setores dos processos devem ser monitorados.

Ainda neste capítulo é apresentada uma sistemática para registrar e avaliar


os efeitos dos afundamentos de tensão nos processos monitorados. E, finalmente,
descreve-se a proposta de uma metodologia para caracterizar os afundamentos de
tensão e conseqüentemente a sensibilidade dos processos analisados.

6.2 – MONITORAÇÃO DA QUALIDADE DA ENERGIA ELÉTRICA

Esta seção descreve as características gerais dos monitores de qualidade


de energia elétrica (QEE), através da representação do monitor sob a forma de
diagrama de blocos, descrevendo-se as características funcionais de cada bloco
[47][48].
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 91
de Processos Industriais

Na seqüência, são destacadas as principais características técnicas que


devem ser observadas quando da aquisição de monitores, principalmente quando
o assunto em foco é afundamentos de tensão.

6.2.1 - Estrutura Geral e Funções Básicas dos Monitores de QEE

Antes de se estabelecer os requisitos mínimos desejáveis para os monitores


aplicáveis à caracterização de sensibilidade de cargas e processos, são descritas a
estrutura geral e as funções desempenhadas por um monitor de QEE, conforme
diagrama esquemático apresentado na Figura 39.

Os sinais de tensão e de corrente são fornecidos por TPs e TCs de medição


em sistemas de média e alta tensão, ou obtidos diretamente nas barras nos casos
de monitoração em baixa tensão. Estes sinais são inicialmente tratados por
circuitos de condicionamento e filtragem, indicados como M1 na Figura 39. As
tensões no secundário dos TPs (115 V) são rebaixadas para níveis compatíveis
aos componentes eletrônicos usados. As correntes dos TCs são transformadas
adequadamente em tensões. Circuitos apropriados são utilizados para proteção
dos componentes do monitor de qualidade. Filtros passa-baixa são utilizados para
evitar que ruídos prejudiquem o processamento do sinal, sem prejuízo do espectro
harmônico de interesse aos sistemas de potência (possivelmente até 2 a 3 kHz).

A função de amostragem e digitalização (M2) transforma o sinal analógico


em digital, segundo uma certa taxa de amostragem. É desejável que esta taxa de
amostragem possa ser um dos parâmetros de configuração a ser definido pelo
usuário, como é indicado na ligação com o módulo M5 da Figura 39.

A taxa de amostragem é usualmente dada em números de “amostras por


ciclo” da freqüência fundamental do sistema elétrico. Os requisitos quanto à taxa
de amostragem estão relacionados à rapidez dos fenômenos que se desejam
registrar. Para o registro das formas de onda visando a análise de afundamentos
de tensão, 16 pontos/ciclo podem ser suficientes para reproduzir o fenômeno
desejado, considerando-se que não é de interesse as reproduções das eventuais
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 92
de Processos Industriais

altas freqüências presentes nos instantes de ocorrência e de remoção do curto-


circuito.

Figura 39 - Estrutura geral e funções básicas de um monitor de QEE [47].

Outro parâmetro importante a ser considerado neste módulo é a resolução


do conversor A/D. A resolução é o número de bits utilizados para expressar
digitalmente a grandeza analógica, obtendo-se, obviamente, maior precisão quanto
maior for o número de bits. Uma resolução de 12 bits é considerada suficiente para
registros de afundamentos de tensão.

O módulo M3 representa as funções de transdução, responsáveis pela


determinação em tempo real dos valores: RMS de tensão, RMS da corrente e
freqüência, além das potências ativas e reativas. Nos casos de aplicação mais
simples, a transdução feita em tempo real prescinde do registro das formas de
onda o que representa economia em memória. Uma alternativa para casos mais
simples é salvar em memória apenas os parâmetros e os indicadores relacionados
ao evento desejado.

Os afundamentos de tensão são caracterizados pela variação do valor RMS


da tensão, sobre a qual se definem a magnitude e duração. Assim sendo, o
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 93
de Processos Industriais

algoritmo utilizado pelo monitor de qualidade para determinar o valor RMS da


tensão passa a ser um ponto importante, visto que diferentes algoritmos podem
levar a valores diferentes de intensidade e duração dos distúrbios [9]. De fato,
quando o defeito é suficientemente longo, com o regime permanente do defeito
bem definido, a intensidade do afundamento de tensão será a mesma qualquer
que seja o algoritmo utilizado. A diferença entre os algoritmos está na sua resposta
nos períodos transitórios quando a tensão evolui do regime permanente pré-falta
para o regime permanente do defeito e nos transitórios de retorno para o regime
permanente pós-falta.

Os métodos utilizados para a determinação do valor RMS de tensão e


corrente, são considerados um dos elementos dos denominados protocolos de
medição. Uma breve descrição dos mesmos será apresentada na seqüência.

6.2.2 - Determinação do Valor RMS da Tensão

Sendo um conceito associado a valores médios, o valor RMS de um sinal


senoidal está sempre relacionado a um certo período de tempo, ou “janela”,
usualmente um múltiplo do período T, como é mostrado na equação (23).

1 T
T ∫0
VRMS = v(t ) 2 dt (23)

Onde:

v - valor instantâneo da tensão;

T - período do sinal de tensão.

Tratando-se de sinais digitalizados, a equação (23) se transforma num


somatório, de acordo com a expressão (24):

N
1
VRMS =
N
∑v
i =1
2
i (24)
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 94
de Processos Industriais

Onde:

N - número de pontos amostrados no período ou janela de cálculo;

vi - são os valores amostrados do sinal de tensão instantâneo dentro da


janela considerada;

i - índice do ponto amostrado varrendo toda a amostra.

A rapidez em expressar um afundamento na tensão devido a um curto


circuito depende do instante da ocorrência do defeito em relação à janela. Um
defeito no início da janela significa que o valor RMS calculado para esta janela (no
corrente ciclo) expressará rapidamente esta nova condição de curto, pois a maioria
dos pontos utilizados já são “pontos do curto”.

É possível utilizar-se de qualquer tamanho de janela desde que seja múltiplo


de um semiciclo. Uma janela maior significa que os valores obtidos passam a
expressar de forma mais adequada a média do conjunto de pontos. Em
contrapartida uma janela maior é incapaz de revelar variações de curta duração
que se diluem no conjunto de pontos.

Quando o cálculo dos valores RMS utiliza janelas sucessivas e seqüenciais


de tamanho igual a um ciclo, associando um valor RMS para cada ciclo, o método
é denominado de janela fixa de um ciclo. Calculado o primeiro valor RMS com os
primeiros N pontos (i=1, N), a janela se desloca cobrindo os N pontos seguintes
(i=N+1, 2N). Assim, cada ponto é considerado apenas uma vez, sendo que o
cálculo da segunda janela é realizado com “pontos novos”.

O método da janela deslizante, atualizada a cada novo ponto amostrado,


calcula igualmente o valor médio do sinal quadrático da forma de onda, porém é
calculado um novo valor a cada ponto amostrado e não a cada ciclo ou ½ ciclo.
Isto significa que a janela “desliza” abandonando um ponto “velho” e incorporando
à janela um ponto “novo”. Este método responde rapidamente às mudanças nas
formas de onda.
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 95
de Processos Industriais

Portanto, os algoritmos que utilizam janelas deslizantes atualizadas a cada


novo ponto são mais rápidos do que aqueles de atualização a cada ciclo ou meio
ciclo. Conseqüentemente serão mais adequados para refletir, em valores RMS, as
variações das formas de onda das tensões resultantes de defeitos.

Contudo, vale ressaltar que existe um efeito de compensação de modo que


na medição da duração do afundamento de tensão todos os protocolos exibem
resultados similares.

6.3 – REQUISITOS MÍNIMOS DOS MONITORES DE QEE

Nos itens subseqüentes serão apresentados os principais requisitos


técnicos que devem ser considerados para a escolha dos monitores de QEE,
quando o maior interesse for afundamentos de tensão.

6.3.1 - Taxa de Amostragem

Para o registro das formas de onda visando a análise de afundamentos de


tensão, 16 amostras por ciclo mostram-se suficientes para retratar
satisfatoriamente o fenômeno desejado [48]. No entanto, dado que a maioria dos
equipamentos disponíveis no mercado apresenta taxa de amostragem superior a
32 amostras por ciclo, considera-se este como valor mínimo aceitável.

6.3.2 - Protocolo de Cálculo do Valor RMS da Tensão

Para o levantamento da característica de sensibilidade de cargas e


processos recomenda-se adotar como protocolo mínimo, para cálculo do valor
RMS da tensão, o protocolo de 1 ciclo, realizando-se o cálculo a cada ½ ciclo. Isto
significa que a duração mínima de um evento medido será de 8,33 ms.

6.3.3 - Captura de Forma de Onda

O monitor de qualidade deve fazer a captura da forma de onda da tensão


cada vez que ocorrer um afundamento de tensão. A taxa de amostragem e o
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 96
de Processos Industriais

número de ciclos armazenados devem ser configuráveis pelo usuário para otimizar
o uso da memória do monitor.

6.3.4 - Exportação dos Dados Amostrados

Para poder caracterizar os eventos, segundo diversas metodologias


alternativas não disponíveis no monitor, é necessário que o sistema tenha a
capacidade de exportar os dados de oscilografia da onda da tensão. Estes dados
devem ser compatíveis para serem lidos e processados através de outros
softwares tais como MS-Excel, MatLab, etc.

Este requisito é imprescindível considerando que nenhum dos monitores


disponíveis no mercado é capaz de caracterizar os afundamentos de tensão
segundo as metodologias alternativas mencionadas no Capítulo 4. Isto permitirá
que sejam testadas outras formas de caracterização dos afundamentos de tensão
segundo novas metodologias que estão sendo pesquisadas.

6.3.5 - Critérios para Gatilhamento de Eventos

Os critérios de gatilhamento de eventos, ou Trigger, para monitoração de


afundamentos de tensão devem basear-se em violações de valores mínimos do
valor RMS da tensão. Valores de histerese configuráveis também são importantes
para evitar possíveis disparos sucessivos desnecessários. Retardos para Trigger e
para Reset são desejáveis para o mesmo objetivo citado anteriormente.

A definição dos tempos de registro “pré-Trigger” e “pós-Reset” são


igualmente importantes para assegurar que o evento seja capturado em toda sua
extensão cobrindo alguns ciclos pré-evento, o período de defeito e alguns ciclos
pós-evento.

6.3.6 - Dados Disponibilizados Pelos Monitores de QEE

Os monitores de qualidade devem ter capacidade de armazenar durante o


período de avaliação, semanal ou mensal, as variações no tempo do valor RMS da
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 97
de Processos Industriais

tensão nas três fases para cada evento; a tabela de eventos (data, horário,
magnitude/duração nas três fases e a causa do Trigger), valores acumulados de
incidência – duração – magnitude. Os indicadores podem ser apurados no
computador de coleta a partir dos dados resgatados dos monitores de qualidade ou
o próprio monitor pode disponibilizar tais informações.

As variações no tempo do valor RMS da tensão, ou os dados amostrados


da onda da tensão dos eventos capturados, devem ser mantidos no computador de
coleta de dados durante um certo tempo para eventuais consultas posteriores.

6.3.7 - Características Mínimas para Registro de Afundamentos de


Tensão

• Protocolo mínimo para cálculo de valor RMS da tensão: janela de 1


ciclo atualizada a cada meio ciclo;

• Registro de eventos de duração de ½ ciclo até 1 minuto;

• Registro da tensão mínima/máxima em cada fase e duração do


distúrbio em cada fase;

• Registro de forma de onda do valor RMS da tensão em cada fase, ou


fornecimento dos dados brutos que permitam construir estas curvas;

• Registro de forma de onda do valor instantâneo da tensão em cada


fase com taxa de amostragem mínima de 32 pontos/ciclo, registro
mínimo de 60 ciclos pós-gatilho e 3 ciclos pré-gatilho;

• Visualização dos fasores de tensão e de corrente;

• Flexibilidade para exportar dados brutos (dados amostrados, formas de


onda) e dados pré-tratados (intensidade, duração, fasores ou ângulos
de fase) para serem lidos e analisados por outros softwares tais como
MS Excel, MatLab, etc.
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 98
de Processos Industriais

6.4 - ESCOLHA DOS LOCAIS DE MONITORAÇÃO

A melhor maneira para se obter as características dos afundamentos de


tensão num determinado local do sistema é através da monitoração. A busca pelas
características dos afundamentos num determinado barramento pode perseguir
dois objetivos: o primeiro com vistas a determinar a sensibilidade de um
determinado processo industrial, o segundo, determinar o desempenho de uma
determinada barra.

Quando o objetivo da monitoração da QEE é determinar a sensibilidade de


cargas e processos frente a afundamentos de tensão, é recomendado que a
monitoração seja realizada no ponto mais próximo de conexão da carga objeto de
análise [31][32]. A título de exemplo, nos Anexos A.1 e A.2, são apresentados os
diagramas unifilares de um sistema de distribuição e de uma unidade fabril que
possui processos sensíveis. Nestes diagramas são identificados os pontos de
monitoração escolhidos através dos símbolos M1, M2 e M3.

Considerando-se também a necessidade do estudo da propagação do


distúrbio, com o objetivo de analisar as suas causas e assim propor soluções que
mitiguem seu efeitos sobre cargas sensíveis, torna-se necessária a instalação de
mais de um monitor. Normalmente, devem-se instalar os monitores em diferentes
níveis de tensão para facilitar o estudo da propagação do distúrbio. É desejável
que todos os monitores possam ser sincronizados no tempo, por exemplo, através
de sistema GPS [31].

A duração do período de monitoração deve ser analisada em função das


sazonalidades das causas dos distúrbios. Considerando-se que as faltas na rede
de distribuição são uma das principais causas dos afundamentos de tensão, deve-
se estabelecer um período de medição que contenha a estação onde se espera a
maior ocorrência de faltas na rede. Por exemplo, na região sudeste o período de
monitoração deve contemplar a estação das chuvas, uma vez que existe forte
correlação entre incidência de descargas atmosféricas e ocorrências de
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 99
de Processos Industriais

afundamentos de tensão. Considerando-se o exposto, recomenda-se um ano de


período mínimo de monitoração.

6.5 – ESCOLHA DOS PROCESSOS

Nesta seção, será proposto uma metodologia que permite escolher, de


forma sistemática, os processos a serem monitorados dentro de uma planta
industrial [31]. A metodologia para escolha dos processos deve seguir critérios
definidos, dentre eles: o critério de maior custo por parada de processo, e o critério
de menor tolerância a afundamentos de tensão.

O primeiro passo consiste na identificação dos processos que compõem a


unidade industrial. O segundo corresponde a escolha do processo a ser analisado.
O processo selecionado pode ser dividido em sub-processos, resultando em uma
lista dos sub-processos sensíveis ou uma lista dos sub-processos de maior custo
frente a afundamentos de tensão.

Primeiramente, devem ser identificados os processos dentro da planta


industrial. Um processo está definido pelas suas cargas e seu sistema de controle.
Cada processo identificado deve possuir o mínimo de interligações, elétricas ou
mecânicas com os outros processos. Para cada processo devem ser estimados os
custos ocasionados por cada interrupção não programada e o número de paradas
anuais devidas a distúrbios na tensão de suprimento.

O custo das paradas não programadas pode ser estimado através da


contabilização dos seguintes itens:

• Perdas materiais: perda de matérias primas processadas, perda de


capacidade de produção, etc;

• Perda de Homens-hora, custo de manutenção, reinicio de produção,


Homens-hora para produção perdida, etc;
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 100
de Processos Industriais

• Custos auxiliares: custos devido a atraso na entrega dos produtos,


multas, perda de oportunidades, etc.

A Figura 40 ilustra tal procedimento, onde cada processo aparece com seus
indicadores associados. Também são representadas as interdependências entre
os processos. Por exemplo, a parada do processo A implicará na parada dos
processos B e C. Desta maneira, pode-se visualizar qual é o processo que afeta
mais setores.

10 paradas / $ 30.000 / 13 paradas / $ 20.000 /


ano parada ano parada

8 paradas / $ 40.000 /
ano parada

Figura 40 – Identificação dos processos da planta industrial.

A partir dos dados mostrados na Figura 40 deve ser selecionado o processo


a ser monitorado. A seleção depende se o objetivo da análise é encontrar o
processo com maiores custos associados aos afundamentos de tensão ou o
processo de maior sensibilidade frente a estes distúrbios.

Os custos totais (CT) associados a cada processo podem ser calculados


através da expressão (25).

CTi = Ci ⋅ Fi + ∑ Ck ⋅ Fi (25)
k
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 101
de Processos Industriais

Onde:

Ci – custo do processo i associado a cada afundamento de tensão;

Ck – custo de parada dos processos k, quando a parada do processo i causa


a parada dos processos k;

FI – freqüência de parada do processo i;

A título de exemplificação a Tabela 15 mostra os resultados dos cálculos


dos custos totais para os processos representados na Figura 40. Desta análise
pode-se concluir que, quando se deseja analisar o processo cujos custos totais são
maiores, deve-se escolher o processo A. Por outro lado, quando o objetivo é
analisar o processo mais sensível, neste exemplo, o processo escolhido deveria
ser o processo B.

Tabela 15 – Custos totais devidos a afundamentos de tensão.

Processo Custo total anual

A 900.000,00

B 260.000,00

C 320.000,00

6.6 – MÉTODO PARA AVALIAR O IMPACTO DOS AFUNDAMENTOS DE


TENSÃO

O método para avaliar o impacto dos afundamentos de tensão sobre


processos industriais depende dos meios disponíveis para realizar tal avaliação.
Assim, quando é avaliado o processo de forma global, ou seja, sem analisar o
comportamento de cada uma de suas sub-etapas, a análise deve ser focalizada no
produto resultante do processo. Neste caso, deve ser escolhido um conjunto de
parâmetros mensuráveis do produto. Para cada parâmetro escolhido devem ser
definidos os valores considerados aceitáveis, sendo que enquanto o produto final
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 102
de Processos Industriais

atende aos valores estabelecidos como aceitáveis, o processo será classificado


como insensível aos distúrbios registrados. Caso contrário, o processo será
classificado como sensível ao distúrbio e o mesmo será registrado como severo.

Uma outra maneira de avaliação mais simples consiste em classificar o


processo como operativo, ou não operativo. Assim os afundamentos que
resultarem numa mudança do estado operativo para o estado não operativo do
processo serão considerados severos, e o processo será classificado como
sensível a estes eventos.

Em certas situações, um processo pode ser dividido em sub-processos,


sendo que cada um representa uma carga individual. Tratando-se de cargas
rotativas podem ser avaliados alguns parâmetros tais como, rotação, torque, etc.
Em outros casos tratando-se de cargas não rotativas, podem ser avaliados outros
parâmetros tais como, pressão, temperatura, luminosidade, etc. É recomendável
que quando são monitorados estes parâmetros, possa ser gatilhado o monitor de
QEE quando algum dos parâmetros monitorados foge aos valores considerados
aceitáveis. Esta prática permite o cruzamento mais efetivo de dados entre
distúrbios na rede de suprimento e falhas no funcionamento das cargas que
compõem o processo analisado.

Quando não se dispõe de um mecanismo automático de monitoração dos


processos, o sucesso da análise está no treinamento das pessoas responsáveis
pelo registro das ocorrências das cargas monitoradas. No Anexo A.3, é mostrado
um exemplo de relatório de ocorrências de processos monitorados em uma fábrica
de condutores elétricos.

6.7 – CARACTERIZAÇÃO DOS AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

As cargas e os processos industriais apresentam sensibilidade a certos


parâmetros dos afundamentos de tensão, tais como: intensidade, duração,
combinação de intensidade e duração, assimetria dos fasores, ponto da onda de
tensão de inicio do afundamento e salto do ângulo de fase.
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 103
de Processos Industriais

Vale dizer que a sensibilidade dos processos à perda de energia, ponto de


inicio do afundamento e salto do ângulo de fase, é também analisada [31].

Neste trabalho de dissertação, é proposto a caracterização dos


afundamentos de tensão segundo a metodologia clássica intensidade/duração
considerando os tipos A, B, C, e D, e metodologia a um único parâmetro já
abordada no item 4.5.

Recomenda-se caracterizar os eventos através das mesmas tensões nas


quais estão ligadas as cargas e processos monitorados, ou seja, se as cargas
estão conectadas entre fases, devem ser monitoradas as tensões fase-fase.
Alternativamente, as tesões fase-fase também podem ser obtidas dos registros das
oscilografias das tensões fase-neutro.

Para a metodologia clássica de caracterização é recomendada a agregação


de fases dos eventos trifásicos, utilizando-se as características da fase que
experimentou o afundamento mais severo, ou seja, de menor tensão
remanescente. Adicionalmente, o afundamento trifásico deve ser classificado
segundo os tipos A, B, C e D, já apresentados no item 4.3. Desta maneira, apesar
da perda de dados atribuída a agregação de fases, mantém-se a diferenciação dos
eventos pelas características de assimetria e desequilibro dos fasores de tensão.

Neste trabalho propõe-se que os eventos também sejam caracterizados


através dos métodos alternativos a um parâmetro: perda de tensão, perda de
energia, Thallam, e Heydt. Assim, devem ser consideradas as características
trifásicas dos eventos obtidos a partir dos registros individuais de cada uma das
fases.

Desta forma as expressões (26), (27), (28) e (29), derivadas de (15), (16),
(17) e (18) mostram a forma de cálculo dos métodos de perda de tensão (Lv),
perda de energia (LE), Thallam (EVS), e Heydt (W), respectivamente, contemplando
eventos trifásicos.
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 104
de Processos Industriais

Levando em consideração que em todas as expressões os valores de


tensão são normalizados para cálculo em p.u., a unidade resultante da aplicação
de qualquer uma das metodologias será p.u. multiplicado pela unidade de tempo,
ou seja, milisegundos, segundos, ou ciclos.

 viA   v Bj   vkC 
LV = ∑ 1 −  ∆t + ∑j  V  ∑k  V ∆t
1 − ∆t + 1 − (26)
i  Vnom   nom    nom 

 2

  vi     vk  
2 2
  vj 
A B C

LE = ∑ 1 −   ∆t + ∑ 1 −   ∆t + ∑ 1 −   ∆t (27)
i   Vnom   j  V  k   Vnom  
    nom   

2 2 2
 vA   v Bj   vkC 
EVS = ∑ 1 − i  ∆t + ∑ 1 −  ∆t + ∑k  V  ∆t
1 − (28)
i  Vnom  j  Vnom 
  nom 

3.14 3.14 3.14


 viA   v Bj   vkC 
W = ∑ 1 −  ∆t + ∑ 1 −  ∆t + ∑ 1 −  ∆t (29)
i  Vnom  j  Vnom  k  Vnom 

Onde:

LV – perda de tensão;

LE – perda de energia;

EVS – método de Thallam;

W – método de Heydt;

vA, vB, vC - são os valores RMS das tensões;

Vnom – tensão nominal das cargas monitoradas;

∆t – intervalo de tempo entre duas amostragens consecutivas.

Vale dizer que o cálculo do ponto de inicio do afundamento de tensão pode


ser muito útil na caracterização de sensibilidade de cargas monofásicas, cujo
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 105
de Processos Industriais

funcionamento dependa intensamente das suas características eletromagnéticas,


como por exemplo, contatores. O estudo da sensibilidade destes dispositivos,
apresentado no item 5.4, mostrou um alto grau de dependência da sensibilidade
dos contatores com o ponto de inicio do afundamento. Para cada afundamento
trifásico podem ser calculados três pontos diferentes de inicio do afundamento, um
ponto de inicio correspondente a cada fase. O ponto a ser utilizado é aquele
pertencente à fase onde estão ligadas as cargas monofásicas monitoradas.

O cálculo do salto do ângulo de fase pode ser realizado a partir das


expressões (13) e (14), apresentadas no Capítulo 4. Sua utilização é importante
quando os processos monitorados possuem conversores CA / CC controlados.
Conforme abordado no Capítulo 5, este tipo de cargas é sensível a esta
característica do afundamento de tensão devido ao sistema de controle utilizado
para o disparo dos tiristores. Contudo, a pesar de sua relevância, a caracterização
da sensibilidade de cargas e processos frente ao salto do ângulo de fase do
afundamento não fará parte do escopo desta dissertação.

6.8 - REPRESENTAÇÃO DA SENSIBILIDADE DE PROCESSOS

Uma vez caracterizados os eventos, e de posse dos registros de paradas de


produção ou qualquer outra forma de registros de eventos nos processos
monitorados, segundo o que foi apresentado no item 6.5, devem-se confrontar os
dados para identificar quais foram os distúrbios que causaram alguma perturbação
nos processos monitorados.

A caracterização da sensibilidade dos processos depende de como são


representados os afundamentos de tensão e da maneira como são identificados os
distúrbios severos. Portanto, nesta seção, serão mostradas diversas maneiras de
caracterizar a sensibilidade dos processos, em decorrência, das diversas formas
de caracterização dos afundamentos e de como são representados os eventos
severos.
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 106
de Processos Industriais

Assim, para eventos caracterizados segundo a intensidade, duração e tipo


de afundamento (A, B, C e D), a Figura 41, mostra uma maneira adequada para
representar a sensibilidade do processo monitorado. No gráfico devem ser
representados todos os eventos registrados, sendo cada tipo de afundamento deve
ser representado por uma simbologia diferente. Por exemplo, afundamentos tipo A
são representados por quadrados, do tipo C e D, representados por círculos e
triângulos, respectivamente.

Adicionalmente, os afundamentos severos, ou seja, os que produzem algum


tipo de distúrbio no processo, são representados na cor vermelha, enquanto que os
afundamentos não severos são representados na cor verde. Assim, são
identificadas as regiões de vulnerabilidade e de tolerância para cada tipo de
afundamento. Esta divisão de regiões é realizada através da linha vermelha, com
um estilo diferente de linha para cada tipo de afundamento. Por exemplo, a linha
vermelha pontilhada delimita a região de tolerância e vulnerabilidade para
afundamentos tipo A.

Esta metodologia é considerada totalmente consistente quando não há


nenhuma sobreposição das regiões de sensibilidade e tolerância, como no caso da
Figura 41.
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 107
de Processos Industriais

Caracterização Clássica

0.9

0.8

A C D
0.7
Intensidade [pu]

0.6

0.5

0.4

0.3

0.2

0.1

0
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900

Duração [ms]

Figura 41 – Caracterização da sensibilidade segundo tipos A, B, C, e D.

Quando os distúrbios são caracterizados através de um único parâmetro, ou


seja, perda de tensão, perda de energia, método de Thallam, e método de Heydt, a
sensibilidade do processo deve ser representada através do diagrama mostrado na
Figura 42. Neste diagrama são representados no eixo das abscissas todos os
eventos registrados. No eixo das ordenadas são representados os dois estados
dos processos, ou seja, operativo e não operativo, após a ocorrência do distúrbio.
Será considerado que esta metodologia caracteriza de forma efetiva a
sensibilidade do processo quando os eventos a partir de um certo valor sejam
todos severos, e que não exista sobreposição dos eventos severos com aqueles
não severos.

No caso do exemplo da Figura 42, a sensibilidade do processo está definida


pelo valor 5,67 p.u. x ms. Ou seja, todo afundamento cuja caracterização através
da metodologia de Heydt resulte num valor superior a 5,67 p.u. x ms, espera-se
algum distúrbio no processo monitorado.
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 108
de Processos Industriais

Caracterização Heydt [p.u. - ms]

Região de
Sensibilidade

Limiar de
Sensibilidade
0.02

0.05

0.07

0.09

0.13

0.14

0.15

0.18

0.21

0.24

0.33

0.52

0.69

0.97

1.79

5.67

42.1
24

151

254
Para Produção Não para Produção

Figura 42 – Caracterização da sensibilidade através de um parâmetro.

Quando a sensibilidade é caracterizada através de outros parâmetros, tais


como, o ponto de inicio do afundamento ou o salto de fase, recomenda-se a
realização de um estudo combinado. Ou seja, combinar, por exemplo, a
sensibilidade ao ponto de inicio do afundamento com a sensibilidade à intensidade
do distúrbio ou com uma das caracterizações através de um único parâmetro. A
representação é realizada através da delimitação das áreas de vulnerabilidade e
imunidade num gráfico cujos eixos representam cada uma das características do
afundamento, tais como, intensidade e ponto de inicio do afundamento, como pode
ser observado na Figura 43.

A partir da Figura 43, pode-se concluir que o processo analisado apresenta


um alto grau de vulnerabilidade a afundamentos cujo ponto de inicio é próximo de
900 e 2700, com intensidade da ordem de 0,70 p.u.. Da mesma forma conclui-se
que o processo é menos sensível a afundamentos de tensão que começam com
ângulos de fases próximos a 00 e 1800, com intensidade da ordem de 0,40 p.u..
Capítulo 6 - Metodologia para Caracterização da Sensibilidade 109
de Processos Industriais

Caracterização Combinada Intensidade vs Ponto de Inicio do AMT

1.00

0.90

0.80

0.70
Intensidade [pu]

0.60

0.50

0.40

0.30

0.20

0.10

0.00
0 45 90 135 180 225 270 315 360

Ponto de Inicio do Afundamento [graus]

Figura 43 – Caracterização de sensibilidade através do ponto de inicio do AMT.

6.9 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste capítulo da dissertação foi proposta uma metodologia para a


caracterização da sensibilidade de cargas e processos industriais frente a
afundamentos de tensão. No capítulo subseqüente será apresentada a aplicação
desta metodologia num sistema real com o objetivo de validar os procedimentos
propostos.
Capítulo 7 - Estudo de Caso 110

VII - ESTUDO DE CASO – CARACTERIZAÇÃO DA


SENSIBILIDADE DE UM PROCESSO INDUSTRIAL

7.1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A oportunidade de realizar um estudo real de sensibilidade de processos


industriais frente a afundamentos de tensão foi possível devido ao projeto de
pesquisa acordado com o Departamento Municipal de Eletricidade de Poços de
Caldas (DME), dentro do Programa anual de Pesquisa e Desenvolvimento – P&D,
da ANEEL.

Neste contexto, o DME, através de seu P&D, ciclo 2000/2001, intitulado


“Desenvolvimento de Uma Metodologia para Caracterização da Sensibilidade de
Cargas/Processos Industriais Frente a Afundamentos de Tensão”, visava propor
uma metodologia para a caracterização da sensibilidade de cargas/processos
industriais frente a tais distúrbios, apoiado num sistema de monitoração e de coleta
de dados instalado tanto no sistema de distribuição da concessionária como em
um dos principais consumidores do município de Poços de Caldas, como mostrado
adiante.

7.2 – ESPECIFICAÇÃO DO SISTEMA DE MONITORAÇÃO

Após a realização da análise comparativa entre diversos monitores de QEE


disponíveis no mercado, optou-se pelo ION 7600 da Power Measurements Ltd.
Pequeno e com formato apropriado para instalação em painéis, o ION é um
medidor trifásico composto de quatro entradas de tensão e cinco entradas de
corrente. Vale destacar que para este projeto optou-se pela versão portátil do
equipamento, que se encontra acondicionado numa maleta para transporte.

Além das entradas analógicas, o monitor possui oito entradas digitais. Este
instrumento possui um amplo display onde são exibidas leituras em tempo real
juntamente com alguns de seus registros.
Capítulo 7 - Estudo de Caso 111

As leituras e registros que podem ser disponibilizados em tempo real e


gravados em intervalos de tempo definidos incluem, valores RMS de tensões e
correntes, família de grandezas de potência, freqüência, energia, demanda,
harmônicos e componentes simétricas, possibilitando mais de 600 tipos de
registros diferentes entre os vários tipos de grandeza.

O equipamento detecta e registra a ocorrência de eventos em valores RMS


calculados a cada ½ ciclo, registrando, também, as formas de onda. As grandezas
registradas durante as faltas podem ser configuradas pelo usuário. Também
podem ser disparados registros através de entradas digitais ou disparados
manualmente.

O ION 7600 possui 4 MB de memória RAM não volátil com opção de


expansão para 8 MB. A memória pode ser gerenciada para cada tipo de registro,
de modo a alocar recursos de acordo com as necessidades e periodicidade da
leitura dos dados, assegurando que dados importantes não sejam perdidos por
sobreposição de registros ou esgotamento de memória.

Por padrão, o instrumento vem com portas de comunicação serial RS-232C


e RS-485. Uma porta serial, tipo infravermelho, no painel para troca de dados sem
fio com um computador portátil também está disponível. O instrumento também
possui um modem interno. A comunicação via rede Ethernet é opcional.

O ION 7600 não é um instrumento remoto de funções fechadas. O nome


“ION” significa “Integrated Objects Network”. O instrumento na verdade é um
aparelho de aquisição de dados com uma linguagem de programação orientada a
objetos, embutida com diversas funções lógicas, matemáticas e trigonométricas,
que permitem ao usuário medir tipos de dados e indicadores calculados dentro do
próprio instrumento. Essa lógica torna o ION 7600 praticamente um pequeno
Controlador Lógico Programável voltado para operar com grandezas elétricas do
sistema de potência.
Capítulo 7 - Estudo de Caso 112

O software de trabalho da “Power Measurement Ltd” escolhido para este


projeto chama-se “Pegasys”. É o responsável pela coleta, armazenamento,
organização e distribuição dos dados dos instrumentos instalados no campo.
Seguindo uma tendência encontrada nos sistemas de gerenciamento de dados de
qualidade de energia, o armazenamento dos dados é feito em um banco de dados
SQL (Sybase SQL Anywhere). O Pegasys possui ferramentas para geração
automática de relatórios e customização dos mesmos usando-se o programa MS-
Excel e linguagem Visual Basic, divulgação via E-Mail, impressora ou internet,
mensagens de alerta via intranet e aquisição automática de dados via telefone ou
rede.

7.3 – ESCOLHA DOS LOCAIS DE MONITORAÇÃO

O sistema implantado para a monitoração da qualidade de energia elétrica é


composto de três monitores de QEE. O primeiro ponto de monitoração escolhido
foi a barra de 138 kV da SE Poços I da empresa supridora. Desta barra sai uma
linha de transmissão que supre a SE Poços II da qual sai o alimentador da fábrica
objeto de estudo.

Os demais pontos para monitoração de QEE estão localizados nas


instalações do consumidor. O segundo ponto de monitoração está localizado na
rede de entrada da fábrica em 13,8 kV, onde os sinais de tensão são obtidos dos
TPs de medição do DME. O terceiro ponto de monitoração corresponde ao
secundário do transformador da SE 3 da unidade fabril. Esta SE foi escolhida
devido a sua proximidade elétrica dos processos a serem analisados. A tensão da
rede neste ponto é 440 V, sendo que a medição é feita diretamente na barra do
secundário do transformador, ou seja, sem a utilização de TPs. Para maiores
detalhes ver diagramas apresentados nos Anexos A.1 e A.2.

Vale esclarecer que os três monitores de QEE estão configurados para


registrar tensões fase-neutro, sendo este o procedimento recomendado para se
executar medições de afundamentos de tensão. Os TPs de medição em todos os
Capítulo 7 - Estudo de Caso 113

pontos de monitoração devem apresentar a conexão estrela aterrada no primário e


no secundário.

7.4 – DESCRIÇÃO DA FÁBRICA E DOS PROCESSOS MONITORADOS

O cliente escolhido para monitoração da QEE é uma unidade fabril que


produz condutores de alumínio e cabos elétricos de baixa e média tensão. Esta
fábrica é um dos maiores clientes da distribuidora local e vinha apresentando
parada de produção em seus processos. Estas paradas, segundo seus técnicos,
eram devidas a distúrbios no fornecimento de energia.

Diante deste cenário, o DME escolheu o GQEE/UNIFEI como parceiro para


desenvolver uma pesquisa que permitisse dentro de outros objetivos caracterizar a
sensibilidade dos processos de tal cliente frente a afundamentos de tensão, além
de propor medidas que possibilitassem mitigar os efeitos nocivos sobre as cargas
do consumidor.

Assim sendo, após reuniões técnicas com a gerência de produção e


manutenção da fábrica, foram definidas as linhas de produção a serem
monitoradas. Esta seleção foi realizada levando-se em conta os seguintes critérios:

• Importância destas áreas dentro do processo de fabricação;

• Freqüência de paradas de produção supostamente devidas a distúrbios


na rede elétrica;

• Custos associados às paradas de produção não programadas: perda de


matéria prima, tempo de retomada de produção, etc.

Desta forma, os processos escolhidos para caracterização da sensibilidade


foram: catenária 44, laminador Spiden e laminador Properzi, conforme pode ser
observado no Anexo A.2.
Capítulo 7 - Estudo de Caso 114

Para analisar a sensibilidade destes processos frente a afundamentos de


tensão foi elaborado um formulário, conforme Anexo A.3, para registro de eventos
de produção. Neste formulário são registrados todos os eventos de falhas no
funcionamento dos processos monitorados.

A seguir são descritas as principais cargas que compõem os processos


monitorados.

7.4.1 - Catenária 44

A catenária 44 é o único processo de extrusão de múltiplas camadas desta


indústria. Através deste processo são fabricados cabos que possuem mais de uma
camada de isolante. É um processo contínuo de velocidade controlada, pois a
espessura do isolante depende da pressão dos bicos injetores e da velocidade do
cabo na extrusora. As principais cargas que formam este processo são motores de
corrente contínua e um motor de indução, sendo que os motores CC são
controlados por conversores CA / CC e o motor de indução por um inversor de
freqüência. Os principais equipamentos são:

• Extrusora 6”: motor CA, inversor de freqüência, 700 V, 600 A, 250 CV


(1997).

• Extrusora 2,5”: motor CC 40 Hp, conversor CA/CC, 440 Vca, 60 Hz, 500
Vcc, 60 A.

• Extrusora 3,5”: motor CC 65 Hp, conversor CA/CC, 440 Vca, 60 Hz, 500
Vcc, 100 A.

• Pull out: motor CC 7,5 Hp, conversor CA/CC, 500 Vca, 130 A, 60 Hz, 520
Vcc, 150 A. Ajuste para 230 Vca. Sobrecorrente 38 A.

• Bobinadeira: motor CC 7,5 Hp, conversor CA/CC, 220 Vca, 60 Hz, 120
Vcc, 56 A.
Capítulo 7 - Estudo de Caso 115

• Helper: motor CC 5 Hp, conversor CA/CC, 120 Vca, 60 Hz, 120 Vcc, 37
A.

• Metering: motor CC 5 Hp, conversor CA/CC, 500 Vca, 52 A, 60 Hz, 520


Vcc, 60 A.

7.4.2 - Laminadores

Os laminadores são responsáveis pelo processamento do alumínio líquido


que vem do forno. Através deste processo, o alumínio é transformado primeiro em
uma barra de alumínio e a seguir em um vergalhão. Este vergalhão de alumínio é a
matéria prima que será utilizada para a fabricação dos cabos.

a) Laminador Spiden:

• Motor principal: motor CC, conversor CA/CC, 440 Vca, 60 Hz, 500 Vcc,
300 A, 190 Hp;

• Motor da roda: motor CC, conversor CA/CC, 440 Vca, 60 Hz, 500 Vcc,
30 A.

b) Laminador Properzi:

• Motor principal: motor CC, conversor CA/CC, 440 Vca, 60 Hz, 500 Vcc,
120 A, 190 Hp;

• Motor da roda: motor CC, conversor CA/CC, 440 Vca, 60 Hz, 600 Acc.

No Anexo A.2, é apresentado um diagrama unifilar simplificado do sistema


elétrico do consumidor, onde estão indicadas as cargas que estão sendo
monitoradas.

7.5 – AVALIAÇÃO DO IMPACTO DOS AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

Para cada ocorrência de afundamento de tensão registrada pelos monitores


de QEE é observado o comportamento dos processos em estudo. São
Capítulo 7 - Estudo de Caso 116

diferenciados dois estados dos processos nos momentos pré e pós-evento, ou seja
processo funcionando, processo parado. Deve-se observar que quando ocorre um
evento e o processo estava inoperante, este evento não pode ser classificado para
caracterizar a sensibilidade do processo. Portanto, é de suma importância
conhecer o estado do processo no período pré-evento. Devido à falta de registros
por parte da produção, não foi possível caracterizar o estado pré-evento das
cargas para todos os distúrbios registrados. Esta foi a principal dificuldade
encontrada neste trabalho.

Assim, para cada evento, existem três classificações possíveis: severo, não
severo e sem classificação. Evento severo é aquele que produz parada do
processo analisado, evento não severo é aquele que não sensibiliza o processo, e
sem classificação significa que o evento não pode ser classificado, pois o processo
estava parado no período pré-evento.

A monitoração do sistema elétrico teve início em abril de 2002, sendo que


até o mês de março de 2003, foram relatadas as paradas de produção
apresentadas na Tabela 16.

Considerando-se o baixo número registrado de paradas de produção, a


análise foi concentrada naquele processo que apresentou maior número de
registros, ou seja, a catenária 44. Portanto, a caracterização da sensibilidade será
limitada apenas para este processo, mas a metodologia utilizada pode ser aplicada
a qualquer processo.

Tabela 16 – Registros de paradas de processos.

Registro de Parada de Produção


Capítulo 7 - Estudo de Caso 117

Horário Local
Data
Inicio Final Processo Motivo da Falha

29/07/02 14:00 ? Catenária 44 Afundamento de Tensão

29/10/02 8:45 09:45 Properzi Afundamento de Tensão

29/10/02 8:45 09:20 Spiden Afundamento de Tensão

29/10/02 8:45 14:00 Catenária 44 Afundamento de Tensão

29/10/02 23:30 05:00 Catenária 44 Afundamento de Tensão

29/10/02 23:30 24:30 Properzi Afundamento de Tensão

06/02/03 17:00 ? Catenária 44 Afundamento de Tensão

06/02/03 17:00 ? Properzi Afundamento de Tensão

06/02/03 17:00 ? Spiden Afundamento de Tensão

22/02/03 12:14 12:34 Catenária 44 Afundamento de Tensão

22/02/03 12:14 12:34 Properzi Afundamento de Tensão

22/02/03 12:14 12:34 Spiden Afundamento de Tensão

7.6 – REGISTRO DOS AFUNDAMENTOS DE TENSÃO

Inicialmente, os dados são disponibilizados sob a forma de registros de


magnitude e duração do afundamento de tensão em cada fase, como pode ser
observado nos Anexos A.4 a A.6.

Também são obtidos os registros da oscilografia da onda da tensão


discretizada com 32 pontos por ciclo. As oscilografias obtidas possuem uma
duração de 54 ciclos, ou seja, 900 ms.

Como o principal objetivo de trabalho é caracterizar a sensibilidade dos


processos conectados na rede de baixa tensão, os registros obtidos pelo monitor
instalado nesta rede são adequadamente manipulados. Utilizando-se os dados da
oscilografia da onda da tensão fase-neutro, são calculadas as tensões
instantâneas de linha, conforme pode ser observado no Anexo A.7, uma vez que
os equipamentos são conectados entre fases. De posse das tensões instantâneas
Capítulo 7 - Estudo de Caso 118

de linha, são calculadas as características do afundamento de tensão segundo as


seguintes metodologias: intensidade e duração; tipos A, B, C e D; e metodologias a
um parâmetro. Também é obtida, sob forma de gráfico, a evolução do valor RMS
do afundamento de tensão, conforme mostrado no Anexo A.8.

Quando os afundamentos são caracterizados através de intensidade e


duração, é efetuada a agregação de fases, sendo que a intensidade e a duração
do afundamento são definidas pelas características da fase que apresentar menor
tensão remanescente.

Para todos os eventos registrados também é realizada a agregação


temporal, adotando-se uma janela de agregação de 1 minuto. Assim, o evento
agregado é representado pelo afundamento de menor intensidade, registrado
neste intervalo.

7.7 – CARACTERIZAÇÃO DOS DISTÚRBIOS

Os dados obtidos do monitor instalado no sistema de baixa tensão do


consumidor foram tratados de maneira a obter a classificar os afundamentos de
tensão segundo as diversas metodologias apresentadas no Capítulo 4.

Dado que os monitores estão configurados para analisar as tensões fase-


neutro e as cargas estão ligadas entre fases, o primeiro tratamento dos dados foi a
obtenção dos valores das tensões fase-fase para os afundamentos registrados no
sistema de baixa tensão da fábrica. O cálculo das tensões fase-fase é realizado
através de uma planilha de cálculo do MS-Excel.

Com base nestas informações, os afundamentos de tensão são


caracterizados segundo as seguintes metodologias apresentadas no Capítulo 6,
perda de tensão (Lv), perda de energia (LE), Thallam (EVS), Heydt (W), de acordo
com as expressões (30), (31), (32) e (33), respectivamente. Os eventos também
são caracterizados segundo a proposta de Bollen, ou seja, afundamentos tipo A, B,
Capítulo 7 - Estudo de Caso 119

C e D. Esta caracterização é feita pela comparação dos fasores durante o


afundamento com os padrões mostrados na Figura 22.

1728  
 v AB   v BC   v CA 
LV = ∑  1 − i i0.52iΨ iAB +  1 − i i0.52iΨ iBC +  1 − i i0.52iΨ CA  (30)
i =16  Vnom   Vnom   Vnom 
i

1728   v AB  2    v BC  2    v CA  2  
LE = ∑  1 −  i
   i 0.52i Ψ AB
+  1 − 
i

  i 0.52i Ψ BC
+  1 − 
i

  i 0.52i Ψ CA
 (31)
i =16   
i i
V V V i

  nom     nom     nom   


1728
viAB 
2
 viBC 
2
 viCA 
2

EVS = ∑ 1 −  i 0.52i Ψ AB
i +  1 −  i 0.52i Ψ BC
i +  1 −  i 0.52i Ψ CA
 (32)
i =16  Vnom   Vnom   Vnom 
i


1728 viAB 
3.14
 viBC 
3.14
 viCA 
3.14

W = ∑  1 −  i 0.52i Ψ AB
i +  1 −  i 0.52i Ψ BC
i +  1 −  i 0.52i Ψ CA
 (33)
i =16  Vnom   Vnom   Vnom  i


Onde:

i – índice do ponto da oscilografia da onda de tensão, considerando-se que


a oscilografia possui 32x54=1728 pontos;

ViAB, ViBC, ViCA - são os valores RMS das tensões de linha, calculados através
de uma janela que considera os 16 pontos amostrados até o ponto i;

Vnom – tensão nominal das cargas na baixa tensão (440 V);

0,52 – intervalo de tempo entre duas amostragens consecutivas (0,52 ms);

ΨiAB – variável auxiliar, cujo valor é “1” quando ViAB<(0,90Vnom); e “0” quando
esta condição não é satisfeita;

ΨiBC – variável auxiliar, cujo valor é “1” quando ViBC<(0,90Vnom); e “0” quando
esta condição não é satisfeita;
Capítulo 7 - Estudo de Caso 120

ΨiCA – variável auxiliar, cujo valor é “1” quando ViCA<(0,90Vnom); e “0” quando
esta condição não é satisfeita.

Com base na metodologia proposta, obtém-se os valores apresentados na


Tabela 17, que correspondem aos afundamentos registrados no período de
monitoração de abril/2002 até março/2003. Nesta tabela, são identificados na cor
vermelha os eventos severos que produziram paradas do processo monitorado. Na
cor amarela são representados os eventos severos que não foram classificados,
pois o processo não estava em operação nos momentos em que ocorreram os
afundamentos de tensão.
Capítulo 7 - Estudo de Caso 121

Tabela 17 – Caracterização dos afundamentos registrados na baixa tensão.

Perda de Perda de
Data / horário dd/mm/aaaa Thallam Heydt [p.u. Intensidade Duração
Tensão Energia Tipo
@ hh:mm:ss [p.u. ms] ms] [pu] [ms]
[p.u. ms] [p.u. ms]

30/04/2002@17:47:12.591 1.37 2.55 0.20 0.02 0.87 9 C


03/05/2002@19:59:21.234 192 357 26.00 2.75 0.88 817 C
13/05/2002@11:44:51.002 6.10 11.02 1.17 0.18 0.87 32 C
19/05/2002@10:15:08.242 2.37 4.35 0.38 0.05 0.87 15 C
12/06/2002@05:10:26.696 37.0 70.1 3.83 0.29 0.86 358 D
17/07/2002@07:35:07.258 6.22 11.3 1.13 0.16 0.85 34 C
20/07/2002@12:23:48.423 3.14 5.53 0.75 0.15 0.75 10 C
27/07/2002@07:58:27.605 12.40 22.9 1.97 0.24 0.86 24 A
29/07/2002@14:50:01.377 162 239 84.30 42.10 0.40 166 C
01/08/2002@23:10:17.671 39.2 70.8 7.49 1.14 0.85 205 C
02/08/2002@12:55:39.611 35.8 65.2 6.50 0.93 0.85 198 C
02/08/2002@23:17:39.387 24.5 44.4 4.62 0.69 0.85 130 C
03/08/2002@10:59:22.340 2.94 5.17 0.71 0.14 0.76 10 C
04/08/2002@06:40:08.108 5.62 10.14 1.11 0.18 0.83 15 D
04/08/2002@13:26:20.592 47.70 85.10 10.30 1.79 0.83 222 C
09/08/2002@15:03:46.426 321 569 72 14 0.73 514 A
09/08/2002@19:11:07.781 15.70 29.32 2.09 0.21 0.85 119 D
06/09/2002@19:29:12.294 10.74 19.67 1.81 0.27 0.71 28 C
07/09/2002@03:57:08.902 313 465 162 79 0.40 230 A
29/09/2002@23:30:37.502 5.45 10.18 0.73 0.07 0.83 11 A
01/10/2002@11:35:23.464 3.40 6.23 0.56 0.07 0.82 21 C
09/10/2002@09:03:31.669 1.95 3.54 0.35 0.05 0.79 11 C
13/10/2002@06:43:59.351 247 326 168 112 0.21 133 C
13/10/2002@06:47:22.817 25.9 42.8 9.00 2.95 0.54 42 C
15/10/2002@11:43:48.323 11.94 21.71 2.17 0.34 0.77 37 C
27/10/2002@23:38:50.843 2.33 4.33 0.34 0.04 0.82 7 C
29/10/2002@08:47:47.810 264.06 338.67 189.45 132.04 0.09 369 D
29/10/2002@23:29:00.810 42.58 63.96 21.20 10.76 0.33 41 C
04/11/2002@15:14:38.663 4.72 8.91 0.53 0.05 0.86 42 C
03/12/2002@20:38:22.899 4.03 7.30 0.75 0.11 0.79 20 C
20/12/2002@13:08:10.515 4.25 7.75 0.76 0.11 0.79 25 D
29/12/2002@16:53:11.239 123 190 55.9 23.2 0.47 141 C
10/01/2003@20:19:44.261 1.23 2.29 0.17 0.02 0.84 9 C
17/01/2003@19:26:25.721 5.18 9.50 0.86 0.12 0.81 29 C
18/01/2003@11:02:35.406 15.16 28.48 1.84 0.17 0.81 74 D
06/02/2003@18:00:28.965 21.5 37.1 5.94 1.48 0.64 43 C
17/02/2003@16:07:34.160 4.87 9.15 0.59 0.05 0.86 41 D
22/02/2003@13:08:53.457 20.6 36.0 5.13 1.13 0.67 47 C
22/02/2003@13:36:10.259 292 444 139 61.2 0.44 208 A
22/02/2003@13:40:28.369 0.79 1.49 0.08 0.01 0.88 5 C
04/03/2003@15:57:16.821 9.50 16.5 2.45 0.53 0.71 38 D

7.8 – REPRESENTAÇÃO DA SENSIBILIDADE DO PROCESSO

A sensibilidade do processo da catenária 44 foi obtida seguindo os


procedimentos apresentados na seção 6.7. Os resultados obtidos são
apresentados nas Figuras 44 a 47 que mostram sob a forma gráfica a sensibilidade
Capítulo 7 - Estudo de Caso 122

do processo quando os afundamentos de tensão são caracterizados através das


metodologias a um parâmetro.

Perda de Tensão [p.u. ms]


0.79

1.37

2.33

2.94

3.40

4.25

4.87

5.45

6.10

9.50

12.4

15.7

21.5

24.5

35.8

39.2

47.7

162

247

292

321
Parada de Produção Não pára a Produção Processo inoperante

Figura 44 – Sensibilidade da catenária 44 – Critério da Perda de Tensão.

Perda de Energia [p.u. ms]


1.49

2.55

4.33

5.17

6.23

7.75

9.15

10.1

11.0

16.5

22.9

29.3

37.1

42.8

64.0

70.1

85.1

239

339

444

569

Parada de Produção Não pára a Produção Processo inoperante

Figura 45 – Sensibilidade da catenária 44 – Critério da Perda de Energia.


Capítulo 7 - Estudo de Caso 123

Metodologia de Thallam [p.u. ms]

162.3

189.4
0.1

0.2

0.4

0.5

0.6

0.7

0.8

0.9

1.1

1.8

2.0

2.5

4.2

5.1

6.5

9.0

21.2

55.9

84.3
Parada de Produção Não pára a Produção Processo inoperante

Figura 46 – Sensibilidade da catenária 44 – Metodologia proposta por Thallam.

Metodologia de Heydt [p.u. ms]


0.01

0.02

0.05

0.05

0.07

0.11

0.12

0.15

0.17

0.18

0.24

0.29

0.65

0.93

1.14

1.79

2.95

13.6

42.1

78.7

132

Parada de Produção Não pára a Produção Processo inoperante

Figura 47 – Sensibilidade da catenária 44 - Metodologia proposta por Heydt.

Analisando as Figuras 44 a 47, observa-se que nenhuma destas


metodologias é totalmente consistente, pois existe superposição das regiões de
imunidade e de sensibilidade do processo.

Dentre as metodologias a um parâmetro analisadas verifica-se que a


metodologia proposta por Heydt apresenta o maior grau de consistência, que
Capítulo 7 - Estudo de Caso 124

corresponde a menor superposição das regiões de imunidade e sensibilidade.


Neste caso, o limiar de sensibilidade está representado pelo valor 10 p.u. x ms,
acima do qual os eventos seriam capazes de sensibilizar o processo monitorado,
ocasionando mal funcionamento ou parada do mesmo.

A Tabela 18 apresenta o grau de consistência para todas as metodologias a


um parâmetro, calculado a partir da expressão (34).

MAN − MAS
ˆ
Consistencia = 1− (34)
MVC

Onde:

MAN – Maior afundamento não severo;

MAS – Menor afundamento severo;

MVC – Maior valor calculado.

Tabela 18 – Consistência das metodologias a um parâmetro.

Perda de Tensão Perda de Energia Thallam [p.u. x Heydt [p.u. x


[p.u. x ms ] [p.u. x ms ] ms ] ms ]

Maior Valor
321 569 189 132
Calculado - MVC

Menor Afundamento
21 36 5,1 1,1
Severo - MAS

Maior Afundamento
321 569 72,4 13,6
não Severo - MAN

Percentagem de
6,5 % 6,3 % 64 % 90,5 %
consistência
Capítulo 7 - Estudo de Caso 125

Observando os resultados apresentados na Tabela 18, pode se concluir que


as metodologias que dão mais relevância a intensidade do que a duração do
afundamento de tensão foram mais consistentes na representação da sensibilidade
do processo em questão. Considerando-se este fato, decidiu-se por representar a
sensibilidade do processo considerando somente a intensidade dos afundamentos
de tensão, obtendo-se desta forma o gráfico da Figura 48. Os resultados sugerem
que o processo monitorado é sensível apenas à intensidade dos eventos, não
mostrando ser afetado pela duração dos mesmos.

Intensidade [p.u.]
0.09

0.33

0.40

0.47

0.64

0.71

0.73

0.76

0.79

0.79

0.81

0.82

0.83

0.84

0.85

0.85

0.86

0.86

0.87

0.87

Parada de Produção Não pára a Produção Processo inoperante 0.88

Figura 48 – Sensibilidade da catenária 44 - Caracterizada pela intensidade do


Afundamento.

A partir da Figura 48, e dos dados apresentados na Tabela 17, deduz-se


que o processo monitorado é sensível a afundamentos cuja intensidade é menor
do que 0,67 p.u. e é imune a qualquer afundamento cuja intensidade seja superior
a 0,71 p.u..

Finalmente na Figura 49, é apresentada a caracterização da sensibilidade


através do gráfico intensidade versus duração. Considerando o baixo número de
registros de paradas de produção não foi possível representar a sensibilidade do
processo frente a cada tipo de afundamentos de tensão (A, B, C e D).
Capítulo 7 - Estudo de Caso 126

Caracterização Clássica

0.9

0.8

0.7
Intensidade [pu]

0.6

0.5

0.4

0.3

0.2

0.1

0
1 10 100 1000
Duração [ms]

Parada de Produção Não pára a Produção Processo Inoperante

Figura 49 – Sensibilidade da catenária 44 – Método Clássico Intensidade versus


Duração.

No gráfico da Figura 49 foram representados na cor vermelha (quadrados)


os eventos que provocaram parada do processo; na cor branca (triângulos) os
eventos que não foram classificados, pois o processo não estava em operação no
momento do distúrbio; e finalmente, na cor verde (círculos) os eventos que não
sensibilizaram o processo. A linha vermelha delimita as regiões de sensibilidade e
de imunidade, mostrando que a carga é sensível a afundamentos abaixo de 0,67
p.u. e duração acima de 41 ms.

7.9 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste capítulo, foi apresentada uma aplicação da metodologia proposta


para caracterizar a sensibilidade de processos frente a afundamentos de tensão,
conforme procedimentos apresentados no Capítulo 6.

As metodologias de caracterização a um parâmetro que dão mais peso a


intensidade, do que à duração dos afundamentos, foram mais consistentes.
Portanto, conclui-se que o processo analisado apresenta pouca sensibilidade à
duração dos eventos, sendo mais vulnerável a intensidade dos mesmos. Este fato
Capítulo 7 - Estudo de Caso 127

foi comprovado pela consistência apresentada pelo método que considera somente
o parâmetro intensidade do afundamento de tensão.

O número de registros de paradas de produção foi insuficiente para


caracterizar a sensibilidade do processo frente a cada tipo de afundamento de
tensão (A, B, C e D). Contudo, o método clássico, que considera os parâmetros
intensidade e duração apresentou bom desempenho, não mostrando superposição
das regiões de sensibilidade e imunidade.

Finalmente, recomenda-se testar a metodologia proposta no Capítulo 6, em


outros processos industriais com o objetivo de analisar a influência do tipo do
processo no desempenho da metodologia utilizada para caracterizar sua
sensibilidade frente a afundamentos de tensão.
Capítulo 8 – Conclusões e Sugestões 128

VIII – CONCLUSÕES E SUGESTÕES

8.1 – CONCLUSÕES E CONTRIBUIÇÕES

Esta dissertação apresentou uma proposta de procedimento para levantar a


sensibilidade de cargas e processos industriais frente a afundamentos de tensão. A
metodologia proposta contempla as seguintes etapas:

• Especificação do sistema, hardware e software, para monitoração da


qualidade da energia elétrica;

• Escolha dos pontos de monitoração;

• Escolha dos processos a serem monitorados;

• Metodologia para caracterização dos afundamentos de tensão;

• Metodologia para avaliação do impacto dos distúrbios nas cargas e


processos;

• Metodologia para representação da sensibilidade das cargas e


processos frente a afundamentos de tensão.

O sistema de monitoração deve ser flexível e fornecer os dados das


oscilografias da tensão durante os eventos. Desta maneira, os afundamentos
podem ser caracterizados segundo as diversas metodologias alternativas indicadas
neste documento. Para obter um registro adequado dos eventos, o valor RMS da
tensão deve ser calculado com uma janela de 1 ciclo, atualizada a cada ½ ciclo.
Considerando que a grande maioria dos eventos possui duração menor do que 900
ms, o registro de oscilografias com duração de 54 ciclos é suficiente para obter as
características desejadas dos afundamentos de tensão registrados.

Um dos pontos de monitoração deve estar localizado eletricamente próximo


do ponto de conexão da carga objeto de estudo. É necessário ter-se outros pontos
Capítulo 8 – Conclusões e Sugestões 129

de monitoração em níveis de tensão superiores para determinar o sentido da


propagação dos afundamentos e assim propor ações mitigadoras dos efeitos nos
processos monitorados.

A escolha dos processos a serem monitorados deve otimizar o tempo


despendido na análise e maximizar os benefícios econômicos das medidas
empregadas para mitigar os efeitos dos afundamentos. Uma escolha errada pode
resultar em investimentos em condicionadores de energia que não terão o
desempenho adequado para compatibilizar o nível de qualidade da rede com os
requisitos dos processos sensíveis.

O conhecimento prévio das cargas que compõem o processo a ser


monitorado indica a escolha dos métodos mais adequados de caracterização de
eventos. Deve-se obter prioritariamente aquelas características dos afundamentos
de tensão que tenham maior potencialidade para afetar as cargas monitoradas. A
caracterização da sensibilidade frente a diversos parâmetros dos afundamentos
permite discernir sobre quais características se deve agir para diminuir o efeito
sobre o processo sensível.

Propõe-se caracterizar os afundamentos de tensão segundo metodologias


que consideram a assimetria dos fasores de tensão durante a ocorrência do
distúrbio. O sucesso desta metodologia depende do número de eventos de parada
de produção registrados, sendo que para caracterizar a sensibilidade do processo
apresentado no estudo de caso é necessário um conjunto maior de registros de
parada de produção para cada tipo de afundamento.

A metodologia também propõe caracterizar os afundamentos de tensão


através de um parâmetro. Dentre as diversas metodologias de caracterização de
afundamentos a um parâmetro a que apresentou maior consistência foi a proposta
por Heydt.

No caso teste apresentado, observou-se que o processo é muito sensível a


intensidade dos eventos, enquanto que a duração dos mesmos não afeta de forma
Capítulo 8 – Conclusões e Sugestões 130

significativa o funcionamento do processo. Embora esta conclusão seja particular,


supõe-se que outros processos também possam apresentar esta característica.
Para cargas e processos com esta característica, a sensibilidade pode ser
representada satisfatoriamente somente através do valor de intensidade do
afundamento de tensão. Em função das limitações do banco de dados, não podem
ser generalizadas estas conclusões.

Foram apresentadas duas metodologias para avaliar o impacto dos


afundamentos de tensão. Uma baseada na monitoração do produto manufaturado,
através da observação de parâmetros de controle e dos seus limites
preestabelecidos. Outra focalizando a monitoração no comportamento das cargas
que compõem o processo, durante ocorrência dos afundamentos de tensão.

Esta dissertação apresentou uma metodologia que permite sistematizar a


caracterização da sensibilidade de cargas e processos industriais através de um
sistema de monitoração de QEE. Obter a sensibilidade de um processo é o
primeiro passo no caminho da análise do problema e da procura de soluções.
Assim, uma das principais contribuições deste trabalho foi fornecer uma ferramenta
que permite conhecer o comportamento dos processos frente a tão relevante
distúrbio da qualidade da energia.

8.2 – SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Considerando-se que a metodologia proposta nesta dissertação ainda é


pouco explorada, recomenda-se sua aplicação a um conjunto de cargas e
processos contínuos com características diferentes do processo aqui analisado.
Desta maneira novas conclusões e generalizações poderão advir, resultando
naturalmente em melhorias na metodologia ora proposta.

Com o intuito de explorar os registros de afundamentos já obtidos neste


trabalho, propõe-se avaliar o desempenho da qualidade de fornecimento de
energia da unidade fabril monitorada, calculando-se os diversos indicadores
disponíveis para afundamentos de tensão.
Capítulo 8 – Conclusões e Sugestões 131

Como atividade complementar desta pesquisa propõe-se realizar uma


análise das causas dos afundamentos no alimentador monitorado, identificando-se
as causas mais freqüentes e também aquelas responsáveis pelos eventos mais
severos. Desta maneira, podem ser elencadas soluções para mitigar os efeitos dos
afundamentos. Tais ações podem ser implementadas em parceria entre a
distribuidora de energia e o consumidor sensível.

Prolongando o período de monitoração provavelmente serão obtidos novos


registros de paradas de processos, o que tornará possível à caracterização da
sensibilidade dos processos frente a cada tipo de afundamento, classificados
segundo a proposta de Bollen (A, B, C e D).

Aproveitando o sistema de monitoração já instalado, podem ser analisadas


as características da propagação vertical dos afundamentos de tensão. Desta
maneira poderão ser analisadas as áreas de influência para faltas em diversos
pontos da rede e também, a penetração de distúrbios oriundos de locais remotos à
rede analisada.

Propõe-se analisar a sensibilidade da carga diante do salto de ângulo de


fase, e através da tensão fundamental complexa, sobretudo nas cargas que
possuem acionamentos CA/CC.

Sugere-se a automação da monitoração do comportamento do processo,


através de controle de parâmetros da carga ou do produto fabricado.

Finalmente, propõe-se o tratamento dos dados de QEE através de técnicas


de bancos de dados correlacionados, permitindo a análise conjunta dos distúrbios
e do comportamento dos processos analisados.
Capítulo 9 - Referências 132

IX – REFERÊNCIAS

9.1 - PUBLICAÇÕES EM CONFERÊNCIAS

[1] F. P. Ayello, J. M. Carvalho Filho, et al. “Influência do sistema de Proteção


na Qualidade da Energia”, III Conladis – Congresso Latino Americano de
Distribuição de Energia Elétrica, USP - São Paulo, 1999.

[2] M. H. J. Bollen, G. Yalcinkaya, G. Hazza, “The Use of Electromagnetic


Transient Programs for Voltage Sags Analysis”, IEEE – PES - 8th
International Conference on Harmonics and Quality of Power, Athens,
Greece, October 1998.

[3] M. H. J. Bollen, E. Styvaktakis, “Characterization of three-phase unbalanced


dips (as easy as one-two-three?)”, 9th International Conference on Harmonics
and Quality of Power, Orlando USA, Outubro 2000.

[4] A. Dettloff, D. Sabin, F. Goodman, “Power Quality Performance as a


component for Special Manufacturing Contracts between Power Provider and
Customer”, Proceedings of the Power Systems World 1999, pp.283-291.

[5] R. S. Thallam, G. T. Heydt, “Power Acceptability and Voltage Sag Indices in


the Three Phase Sense”, IEEE PES Summer Meeting, Seattle, USA, July
2000.

[6] José Carlos de Oliveira, Paulo César Abreu Leão, Fernando N. Belchior,
“Estudos computacionais e experimentais sobre desempenho de
conversores de freqüência VSI - PWM sob condições de afundamentos de
tensão balanceados e desbalanceados ”, CBA 2002, Natal, Brasil, Setembro
2002.

[7] P. Pohjanheimo, M. Lehtonen, “Equipment Sensitivity to Voltage Sags – Test


Results for Contactors, PCs and Gas Discharge Lamps”, IEEE – PES – 10th
Capítulo 9 - Referências 133

International Conference on Harmonics and Quality of Power, Rio de Janeiro,


Brasil, Outubro 2002.

[8] J. Pedra, F. Córcoles, L. Sainz, “Study of AC Contactors During Voltage


Sags”, IEEE – PES – 10th International Conference on Harmonics and
Quality of Power, Rio de Janeiro, Brasil, Outubro 2002.

[9] N. Kagan, E. L. Ferrari, N. M. Matsuo, S. X. Duarte, A. Sanommiya, J. L.


Cavaretti, U. F. Castellano, A. Tenorio, “Influence of RMS variation
measurement protocols on electrical system performance indices for voltage
sags and swells”, IEEE – PES - 9th International Conference on Harmonics
and Quality of Power, Orlando-USA, Outubro 2000.

[10] D. L. Brooks, R. C. Dungan, M. Waclawiak, A. Sundaram, “Indices for


Assessing Utility Distribution System RMS Variation Performance”, IEEE
PES Distribution Sub-committee Meeting, Las Vegas, Fevereiro 2000.

[11] J. M. Carvalho Filho, J. Policarpo G. Abreu, Roberto C. Leborgne, T. Clé


Oliveira, D. M. Correia, Jeder F. de Oliveira, “Comparative Analysis between
Measurements and Simulations of Voltage Sags”, IEEE – PES – 10th
International Conference on Harmonics and Quality of Power, Rio de Janeiro,
Brasil, Outubro 2002.

[12] José M. C. Filho, José P. G. Abreu, Roberto C. Leborgne, Thiago C. Oliveira,


“Softwares e Procedimentos Para Simulação de Afundamentos de Tensão”,
CBA 2002, Natal, Brasil, Setembro 2002.

[13] Roberto Chouhy Leborgne, José Maria Carvalho Filho, José Policarpo G. de
Abreu, Thiago Clé de Oliveira, Alexandre Afonso Postal, Luiz Henrique
Zaparoli, “Proposição de uma Metodologia para Caracterização da
Sensibilidade de Cargas e Processos Industriais Frente a Afundamentos de
Tensão”, XVII SNPTEE – Seminário Nacional de Produção e Transmissão
de Energia Elétrica, Uberlândia, Brasil, Outubro 2003.
Capítulo 9 - Referências 134

9.2 – PUBLICAÇÕES EM PERIÓDICOS

[14] M. H. J. Bollen, “The Influence of Motor Reaceleration on Voltage sags”,


IEEE Transactions on Industry Applications, Vol.30, No.3, May/Jun 1994,
pp.805-821.

[15] L. Conrad, K. Little, C. Grigg, “Predicting and Preventing Problems


Associated with Remote Fault-Clearing Voltage Dips”, IEEE Transactions on
Industry Applications, Vol.27, No.1, Jan/Feb 1991, pp.167-172.

[16] T. H. Ortmeyer, T. Hiyama, H. Salehfar, “Power Quality Effects of Distribution


System Faults”, Electrical Power & Energy Systems, Vol.18, No.5, 1996,
pp.323-329.

[17] M. R Qader, M. H. J. Bollen, R. N. Allan, “Stochastic Prediction of Voltage


Sags in a Large Transmission System”, IEEE Transactions on Industry
Applications, Vol.35, No.1, Jan/Feb 1999, pp.152-162.

[18] W. Xu, “Component Modeling Issues for Power Quality Assessment”, IEEE
Power Engineering Review, Vol.21, Issue 11, November 2001, pp.12-15, 17.

[19] M. H. J. Bollen, “Fast Assessment Methods for Voltage Sags in Distribution


Systems”, IEEE Transactions on Industry Applications, Vol.32, No.6,
Nov/Dec 1996, pp.1414-1423.

[20] D. L. Brooks, R. C. Dugan, M. Waclawiak, A. Sundaram, “Indices for


Assessing Utility Distribution System RMS Variation Performance”, IEEE
Transactions on Power Delivery, vol.13, pp.254–259, Janeiro 1998.

[21] M. F. McGranaghan, D. R. Mueller, M. J. Samotyj, “Voltage Sags in industrial


Systems”, IEEE Transactions on Industry Applications, Vol.29, No.2,
March/April 1993.

[22] S. S. Mulukutla, E. M. Gulachenski, “A Critical Survey of Considerations in


Maintaining Process Continuity During Voltage Dips while Protecting Motors
Capítulo 9 - Referências 135

with Reclosing and Bus Transfer Practices”, IEEE Transaction on Power


System. Vol.7, No.3, August 1992.

[23] J. C. Das, “Effect of Momentary Voltage Dips on the Operation of Induction


and Synchronous Motors”, IEEE Transaction in Industry Applications. Vol.26,
No.4, July/August 1990.

[24] P. I. Kolterman, J. P. Assumpção Bastos and S. R. Arruda, “A model for


dynamic analysis of AC contactor”, IEEE Transactions on Magnetics, Vol.28,
No.2, March 1992, pp. 1348-1350.

[25] M. H. J. Bollen, “Characterization of Voltage Sags Experienced by Three-


Phase Adjustable-Speed Drive”, IEEE Transactions on Industry Applications,
Vol.12, No.4, October 1997, pp.1667-1671.

[26] IEEE Power System Relaying Committee Report, “Distribution Line


Protection Practices – Industry Survey Results”, IEEE Transactions on Power
Delivery, Vol.3, Apr 1998, pp.514-524.

[27] IEEE Power System Relaying Committee Report, “Line Protection Design
Trends in the USA and Canada”, IEEE Transactions on Power Delivery,
Vol.3, Oct 1998, pp.1530-1535.

9.3 – PUBLICAÇÕES EM INTERNET

[28] D. Sabin, T. E. Grebe, A. Sundaram, “RMS Voltage Variation Statistical


Analysis for a Survey of Distribution System Power Quality Performance”,
www.pqnet.electrotek.com.

9.4 – TESES E DISSERTAÇÕES

[29] José Maria Carvalho Filho, “Uma Contribuição á Avaliação do Atendimento a


Consumidores com Cargas Sensíveis – Proposta de Novos Indicadores”,
Capítulo 9 - Referências 136

Tese de Doutorado, Escola Federal de Engenharia de Itajubá, Dezembro de


2000.

[30] Paulo César Abreu Leão, “Desempenho de Conversores de Freqüência VSI-


PWM submetidos a Afundamentos Momentâneos de Tensão”, Tese de
Doutorado, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, Março de 2002.

[31] T. Andersson, D. Nilsson, “Test and Evaluation of Voltage Dip Immunity”,


Dissertação de Mestrado, Chalmers University of Technology, Novembro
2002.

9.5 - NORMAS

[32] IEEE, “IEEE Recommended Practice for Monitoring Electric Power Quality”,
IEEE Standard 1159 - 1995.

[33] IEEE, “IEEE Recommended Practice For Emergency And Standby Power
Systems For Industrial And Commercial Applications”, IEEE Standard 446 –
1995.

[34] IEEE, “IEEE recommended practice for the design of reliable industrial and
commercial power systems”, IEEE Standard 493 – 1997.

[35] IEEE, “IEEE recommended practice for powering and grounding electronic
equipment”, IEEE Standard 1100 – 1999.

[36] IEEE, “IEEE guide for service to equipment sensitive to momentary voltage
disturbances”, IEEE Standard 1250 – 1995.

[37] IEEE, “IEEE recommended practice for evaluating electric power system
compatibility with electronic process equipment”, IEEE Standard 1346 –
1998.

[38] NEMA, “Large apparatus-induction motors”, NEMA MG-1, section III, part 20.
Capítulo 9 - Referências 137

[39] IEC, “Low voltage switchgear and controlgear – Part 4-1: Contactors and
motors starters”, IEC Standard 60947-4-1, November 2000.

[40] IEC, ”Electromagnetic compatibility”, IEC 61000, available for buying at


www.techstreet.com

[41] SEMI F47-0200, “Specification for semiconductor processing equipment


voltage sag immunity”, available at www.powerstandards.com

[42] SEMI F42-0999, “Test method for semiconductor processing equipment


voltage sag immunity”, available at www.powerstandards.com

[43] South African Std. NRS 048-2 (1996).

[44] IEEE, “Voltage Sags Indices”, Draft 2, working document for IEEE P1564 and
CIGRE WG 36-07, December 2000, Available at
http://grouper.ieee.org/groups/sag/IEEEP1564_01_15.doc.

[45] IEEE, “A Standard Glossary of Power Quality Terminology“, Draft 5 (1999),


working document for IEEE P1433, Available at
http://grouper.ieee.org/groups/1433/

[46] Information Technology Industry Council, “ITI (CBEMA) CURVE


APPLICATION NOTE”, Revised in 2000, Available at
http://www.itic.org/technical/iticurv.pdf

9.6 – OUTRAS REFERÊNCIAS

[47] A. J. P. Ramos, “Identificação de Registradores no Mercado e Definição de


Características Básicas Requeridas”, ANEEL, Dezembro 2000.

[48] A. J. P. Ramos, “Qualidade de Energia Elétrica, Monitoração, Avaliação e


Controle da Qualidade da Energia Elétrica, Relatório Parcial 2: Protocolo de
Medição e Monitoração”, ANEEL, Maio 2000.
Capítulo 9 - Referências 138

[49] A. R. Warrington, C. Van, “Protective Relays; their theory and practice”, Ed.
London, Chapman and Hall.

[50] J. L. Blackburn, “Protective Relaying”, New York, Marcel Deckker, 1987,


(Electrical Engineering and Electronics, No.37).

[51] ONS / GQEE-EFEI, “Análise comparativa de resultados de medições e


simulações de afundamentos de tensão”, Setembro 2002.
Anexos 139

ANEXOS

A.1 - DIAGRAMA UNIFILAR DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO


Anexos 140

A.2 – DIAGRAMA UNIFILAR DO CONSUMIDOR

SE 5 SE 4
1000 kVA 2000 kVA
13800 / 440 V 13800 / 440 V

Trefila
Fornos
Para
depósito
Trefila de motores
Solda

Spiden
SE 2
1000 kVA
13800 / 440 V Caldeira
Extrusora
Catenária 44

Properzi M1 SE 3
1000 kVA
13800 / 440 V
Anexos 141

A.3 – PLANILHA DE REGISTRO DE OCORRÊNCIAS DE PARADAS DE


PRODUÇÃO

Registro de Parada de Produção


Horario Local
Data
Inicio Final Processo Motivo da Falha

OBS: Favor identificar o acionamento que apresentou falha.


Anexos 142

A.4 – REGISTROS DE AFUNDAMENTOS NA EMPRESA SUPRIDORA

V1-Dip V2-Dip V3-Dip


timestamp V1-Dip [%] V2-Dip [%] V3-Dip [%]
duration duration duration
18/06/2002@13:05:10.574 86 0.066
18/06/2002@13:10:07.909 82.8 0.108
19/06/2002@20:06:02.765 69.3 0.067
09/07/2002@04:50:02.653 84.9 0.066
27/07/2002@07:35:35.714 86 84.3 0.017 0.042
27/07/2002@07:58:41.941 78.2 77.5 77.3 0.066 0.083 0.058
31/07/2002@18:03:15.883 89.4 0.008
01/08/2002@16:51:49.688 76.9 0.066
06/08/2002@11:43:00.388 85.7 0.066
06/08/2002@11:43:01.313 85.9 0.083
09/08/2002@19:10:44.354 80.9 77.4 0.133 0.124
18/08/2002@16:20:36.575 85.9 0.075
18/08/2002@17:50:40.738 88.4 87.5 87.9 1.326 1.367 1.326
18/08/2002@19:22:46.418 89.9 0.033
18/08/2002@19:37:27.651 89.9 0.008
18/08/2002@19:39:02.907 88.1 87.4 87.7 1.109 1.109 1.284
23/08/2002@16:37:55.279 79.3 0.066
23/08/2002@18:17:54.729 81.7 0.066
23/08/2002@18:20:03.542 83.8 0.049
23/08/2002@18:40:56.330 82.9 0.066
31/08/2002@15:09:10.913 82.6 82.7 82.2 0.125 0.117 0.126
02/09/2002@20:55:15.916 78.3 0.066
06/09/2002@18:27:08.260 88.5 0.041
07/09/2002@02:39:36.375 86 0.041
07/09/2002@02:46:29.652 89.9 0.008
07/09/2002@03:07:28.277 89.2 0.024
09/09/2002@16:59:24.234 85.9 0.066
12/09/2002@21:03:36.026 87.4 0.066
16/09/2002@12:07:00.495 88.1 0.066
18/09/2002@17:10:57.389 87.7 0.074
18/09/2002@17:12:04.912 86.8 0.075
14/10/2002@04:30:59.158 89.2 0.041
14/10/2002@14:11:15.963 81.4 85.7 0.041 0.041
17/10/2002@13:14:07.776 85.2 0.066
18/10/2002@18:09:43.172 83.1 0.058
21/10/2002@21:34:38.910 86.1 0.041
22/10/2002@22:06:32.450 89.8 0.033
24/10/2002@14:10:17.617 76.8 0.066
26/10/2002@04:16:26.607 84.2 0.074
28/10/2002@13:27:32.046 88.2 0.066
28/10/2002@15:45:13.101 87.9 86.5 0.075 0.075
29/10/2002@14:57:22.832 1.9 0 0 0.05 0.05 0.066
29/10/2002@14:58:46.337 0 0 0 0.15 0.15 0.15
29/10/2002@15:33:57.850 0 0 0 0.05 0.05 0.05
30/10/2002@09:59:51.786 0 0 0 0.075 0.091 0.075
30/10/2002@10:00:27.359 84.8 43.8 0.058 0.642
30/10/2002@10:00:29.835 0 0 0 2.176 2.176 2.168
01/11/2002@16:20:51.078 87.7 0.066
04/11/2002@14:06:16.348 83.8 0.124
04/11/2002@15:14:37.512 81.7 82.1 0.066 0.066
10/11/2002@17:51:06.126 87.2 0.016
10/11/2002@17:54:55.013 87.2 0.008
10/11/2002@17:59:33.670 85.6 0.042
15/11/2002@15:24:12.040 89.9 0.008
18/11/2002@20:37:07.335 84.9 0.041
19/11/2002@07:53:45.195 2.2 0 1.3 0.05 0.05 0.075
19/11/2002@08:40:10.653 0 0 0 0.05 0.058 0.058
21/11/2002@12:11:03.534 84.8 87.1 0.041 0.041
26/11/2002@10:59:20.797 84.7 0.074
Anexos 143

A.5 – REGISTROS DE AFUNDAMENTOS NO CONSUMIDOR - MT

V1-Dip V2-Dip V3-Dip


timestamp V1-Dip [%] V2-Dip [%] V3-Dip [%]
duration duration duration
30/04/2002@17:47:05.133 88.2 0.008
03/05/2002@19:59:07.797 89.9 86.6 0.008 0.108
03/05/2002@19:59:10.922 89 0.467
03/05/2002@19:59:11.297 89.8 84.2 0.024 0.892
03/05/2002@19:59:11.480 89.8 87.6 0.024 0.024
03/05/2002@20:00:01.938 82.7 0.517
03/05/2002@20:00:36.130 89.1 0.008
03/05/2002@20:03:15.318 89.4 0.025
07/05/2002@15:00:49.921 87.6 0.058
13/05/2002@11:44:36.516 83.2 0.033
19/05/2002@10:14:47.201 73.4 0.025
19/05/2002@10:21:21.551 88.9 0.041
19/05/2002@10:24:48.236 88.5 0.041
21/05/2002@03:55:51.739 88.2 0.008
12/06/2002@05:11:02.615 87.8 84.5 0.5 0.358
12/06/2002@06:04:21.416 87.7 0.5
23/06/2002@12:35:12.093 84.2 0.008
30/06/2002@12:25:46.773 89.9 0.008
17/07/2002@07:35:26.054 81.1 89.4 0.041 0.033
20/07/2002@12:24:05.310 87.6 83.9 0.008 0.016
27/07/2002@07:35:40.284 89.3 0.008
27/07/2002@07:58:46.502 84 84.7 84 0.041 0.058 0.041
29/07/2002@14:50:23.319 59.5 39 0.166 0.175
01/08/2002@23:10:43.611 70.2 0.266
01/08/2002@23:32:34.540 87.9 0.016
02/08/2002@12:56:06.179 69.7 0.307
02/08/2002@23:18:06.356 70 0.283
03/08/2002@10:59:49.981 81.3 0.016
04/08/2002@06:40:37.418 87.4 86.5 85.6 0.108 0.108 0.108
04/08/2002@13:26:50.374 67.6 0.25
06/08/2002@10:41:28.942 89.7 0.341
09/08/2002@15:03:15.261 84.7 80 0.025 0.041
09/08/2002@15:03:17.760 72.8 70.5 72.7 0.426 0.526 0.542
09/08/2002@15:03:20.217 72.6 69.9 72.4 0.341 0.491 0.541
09/08/2002@19:10:39.181 81.7 0.125
26/08/2002@18:17:26.380 89.3 0.033
26/08/2002@18:17:28.564 85.6 0.042
26/08/2002@18:38:10.649 87.3 0.033
30/08/2002@02:17:46.953 87 0.041
31/08/2002@15:09:27.453 88 88.5 88.6 0.066 0.066 0.066
06/09/2002@13:45:07.255 88.5 0.083
06/09/2002@19:28:40.893 79.6 76.7 86.8 0.1 0.1 0.008
06/09/2002@19:28:45.116 87.5 0.008
07/09/2002@03:06:41.054 89.6 0.158
07/09/2002@03:22:40.736 81.9 0.041
07/09/2002@03:47:08.028 72.6 0.274
07/09/2002@03:56:16.495 73.9 58.2 0.033 0.033
07/09/2002@03:56:23.045 52.6 0.05
07/09/2002@03:56:37.217 44.2 39.1 43.9 0.183 0.225 0.225
07/09/2002@03:58:04.859 87.8 0.008
07/09/2002@03:59:36.364 88.3 0.008
07/09/2002@05:27:31.638 87.7 0.083
07/09/2002@05:58:59.848 89.3 0.016
07/09/2002@10:29:52.366 89.2 0.083
10/09/2002@14:25:06.805 88.4 0.008
14/09/2002@10:55:33.598 88.7 0.016
22/09/2002@11:52:16.395 87.7 0.008
29/09/2002@23:12:39.996 89 89.1 89 0.366 0.324 0.366
29/09/2002@23:16:52.494 89.3 0.033
29/09/2002@23:16:52.778 88.3 84 0.116 0.208
Anexos 144

V1-Dip V2-Dip V3-Dip


timestamp V1-Dip [%] V2-Dip [%] V3-Dip [%]
duration duration duration
01/10/2002@11:34:14.952 86.5 0.033
01/10/2002@11:34:21.304 78 0.025
01/10/2002@11:34:34.873 89.1 0.025
02/10/2002@16:07:46.578 28 0.191
02/10/2002@16:08:47.421 51.6 0.025
09/10/2002@09:02:17.733 78.1 0.017
13/10/2002@06:42:39.683 79.9 67.1 0.033 0.041
13/10/2002@06:42:41.866 66.9 61.5 0.242 0.242
13/10/2002@06:42:43.890 22.6 19.3 42.8 0.133 0.133 0.124
13/10/2002@06:46:07.354 70.4 53.5 0.041 0.041
13/10/2002@06:46:25.175 78.4 0.751
14/10/2002@14:10:56.426 85.6 0.033
15/10/2002@11:42:34.058 83.2 72.8 0.033 0.041
22/10/2002@00:35:10.786 86.4 0.008
25/10/2002@20:54:41.023 87.6 0.016
27/10/2002@23:38:49.016 84.2 0.124
27/10/2002@23:38:51.107 85.9 83.8 0.033 0.033
27/10/2002@23:38:53.356 85.3 84.6 0.049 0.066
28/10/2002@14:20:10.026 84.3 0.016
28/10/2002@14:32:21.382 88 0.008
28/10/2002@14:37:59.658 86.1 0.008
28/10/2002@14:38:55.146 83.8 0.024
28/10/2002@15:45:08.759 88.1 0.074
28/10/2002@17:17:24.554 83.2 0.016
28/10/2002@19:10:36.002 89.4 0.008
29/10/2002@08:47:47.535 52 54.9 0.016 0.025
29/10/2002@08:47:49.486 0 0 0 1.634 1.634 1.634
29/10/2002@23:28:58.172 13.2 12.4 0.042 0.05
04/11/2002@15:14:06.094 84.3 0.058
10/11/2002@07:01:33.826 56.9 40.9 0.033 0.066
10/11/2002@22:04:53.589 0 0 2.684 2.684
10/11/2002@22:04:53.597 0 0 0 1.985 2.684 2.684
15/11/2002@08:44:22.260 84 0.041
19/11/2002@07:58:29.741 89.4 0.008
21/11/2002@12:10:22.394 88.2 0.041
28/11/2002@09:51:22.499 19.6 0.676
28/11/2002@09:51:24.460 0 0 0 1.293 1.276 1.284
02/12/2002@15:01:31.237 89.7 0.016
02/12/2002@15:01:31.271 89.7 88.7 0.016 0.066
03/12/2002@14:13:14.876 85.4 0.033
03/12/2002@14:13:20.900 84.5 0.033
03/12/2002@14:13:33.416 85.1 0.125
03/12/2002@20:16:23.202 87.6 88.4 89.5 0.025 0.008 0.024
03/12/2002@20:38:01.465 82 76.8 0.016 0.041
03/12/2002@20:39:16.766 85 0.033
04/12/2002@16:47:19.630 88.3 86.3 0.016 0.016
04/12/2002@16:51:15.519 88.6 0.008
05/12/2002@16:54:46.196 84.9 0.033
09/12/2002@09:51:04.535 89.8 0.099
09/12/2002@10:04:30.876 4.5 0.233
09/12/2002@10:05:56.827 0 0 0 85.042 85.667 85.075
10/12/2002@00:57:41.259 89.9 0.008
10/12/2002@00:57:41.268 89.9 85.4 0.008 0.066
11/12/2002@19:25:23.612 89.9 0.008
13/12/2002@17:19:49.705 86.8 87.2 0.375 0.351
13/12/2002@19:28:50.180 89.2 0.116
16/12/2002@16:33:48.405 87.6 0.183
16/12/2002@16:33:48.921 84.4 0.416
20/12/2002@13:08:04.212 86.6 74.7 0.008 0.025
24/12/2002@09:49:44.187 81.2 0.033
29/12/2002@16:52:59.156 76.9 57.3 0.033 0.05
29/12/2002@16:53:01.371 73.8 52 0.208 0.216
29/12/2002@16:53:03.420 52.7 45.7 0.141 0.141
10/01/2003@20:19:29.370 84.9 0.016
Anexos 145

V1-Dip V2-Dip V3-Dip


timestamp V1-Dip [%] V2-Dip [%] V3-Dip [%]
duration duration duration

10/01/2003@20:19:29.370 84.9 0.016


17/01/2003@19:26:08.110 78.1 81.2 0.033 0.058
18/01/2003@11:02:56.783 88.3 89.3 77.1 0.033 0.016 0.05
18/01/2003@11:04:43.248 81.7 0.075
18/01/2003@11:05:00.662 86.8 0.033
21/01/2003@01:14:07.023 80.4 0.091
22/01/2003@13:08:37.338 87.4 0.008
27/01/2003@17:29:42.013 85.9 0.016
Anexos 146

A.6 – REGISTROS DE AFUNDAMENTOS NO CONSUMIDOR - BT

V1-Dip V2-Dip V3-Dip


timestamp V1-Dip [%] V2-Dip [%] V3-Dip [%]
duration duration duration
30/04/2002@17:47:12.591 88.4 0.008
03/05/2002@19:59:17.809 84.2 0.108
03/05/2002@19:59:21.234 82.6 0.825
03/05/2002@19:59:21.493 86.1 0.025
07/05/2002@15:01:01.610 88.8 0.05
13/05/2002@11:44:51.002 83 0.033
19/05/2002@10:15:08.242 85 0.016
19/05/2002@10:21:42.598 89.6 0.033
19/05/2002@10:25:09.275 89.2 0.033
21/05/2002@03:56:13.426 88.4 0.008
12/06/2002@05:10:26.696 88 84.6 0.342 0.367
23/06/2002@12:34:51.801 89.6 0.008
17/07/2002@07:35:07.258 81.5 0.041
20/07/2002@12:23:48.423 81.1 0.016
27/07/2002@07:35:21.403 89.6 0.008
27/07/2002@07:58:27.613 85 84.6 85.3 0.041 0.05 0.058
29/07/2002@14:50:01.394 73.4 86.5 22.3 0.167 0.109 0.176
01/08/2002@23:10:17.671 80.7 0.258
02/08/2002@23:17:39.395 80.7 0.276
03/08/2002@10:59:22.340 86.1 0.016
04/08/2002@06:40:08.192 88 87.3 0.116 0.05
04/08/2002@13:26:20.592 78.8 0.233
09/08/2002@15:03:43.927 80.7 0.033
09/08/2002@15:03:46.426 74.2 71.9 71.1 0.526 0.426 0.526
09/08/2002@15:03:48.883 73.8 71.5 70.7 0.35 0.341 0.491
09/08/2002@19:11:07.781 85 87.6 0.116 0.083
31/08/2002@15:09:44.502 89.6 89.6 0.008 0.008
06/09/2002@13:45:38.414 89.2 0.059
06/09/2002@19:29:12.344 87.3 78 84.2 0.008 0.099 0.049
06/09/2002@19:29:16.559 89.2 0.008
07/09/2002@03:56:48.188 87.6 50 0.016 0.041
07/09/2002@03:56:54.729 86.1 0.033
07/09/2002@03:56:54.737 86.1 76.9 0.033 0.041
07/09/2002@03:57:08.911 46.9 42.3 41.5 0.208 0.191 0.224
14/09/2002@10:56:14.416 89.2 0.008
29/09/2002@23:30:37.502 84.6 83.8 83.4 0.041 0.033 0.041
01/10/2002@11:35:23.464 79.6 0.026
09/10/2002@09:03:31.669 84.1 0.008
13/10/2002@06:43:55.152 64.6 0.033
13/10/2002@06:43:57.334 58.7 87.3 0.249 0.174
13/10/2002@06:43:59.359 40.4 6.7 38 0.124 0.133 0.133
13/10/2002@06:47:22.825 88 45.2 0.033 0.05
15/10/2002@11:43:48.323 73 0.033
27/10/2002@23:38:50.851 86.1 0.008
27/10/2002@23:38:53.068 86.5 0.008
29/10/2002@23:29:00.818 69 11.1 63 0.033 0.05 0.041
04/11/2002@15:14:38.663 89.6 0.008
03/12/2002@20:38:22.899 79.3 0.016
09/12/2002@10:04:59.710 5.9 0.226
09/12/2002@10:04:59.752 88.8 0.008
10/12/2002@00:58:10.439 89.2 0.025
03/12/2002@20:38:22.899 79.3 0.016
09/12/2002@10:04:59.710 5.9 0.226
10/12/2002@00:58:10.439 89.2 0.025
13/12/2002@17:19:55.237 89.2 0.058
16/12/2002@16:33:54.930 85.7 82.1 0.283 0.349
20/12/2002@13:08:10.515 79.3 0.016
29/12/2002@16:53:06.974 53.5 0.041
29/12/2002@16:53:09.190 48.4 86.9 0.216 0.208
29/12/2002@16:53:11.239 9.9 88 0.141 0.008
Anexos 147

V1-Dip V2-Dip V3-Dip


timestamp V1-Dip [%] V2-Dip [%] V3-Dip [%]
duration duration duration
10/01/2003@20:19:44.261 89.6 0.008
17/01/2003@19:26:25.721 78.9 0.033
18/01/2003@11:02:38.132 75.7 80.1 75.3 0.075 0.041 0.033
18/01/2003@11:03:14.706 68.2 82.5 65.8 0.2 0.108 0.058
21/01/2003@01:14:36.721 86.5 87.3 0.083 0.083
Anexos 148

A.7 – OSCILOGRAFIA DO AFUNDAMENTO REGISTRADO EM 29/07/02

29jul02 14:50:01

800

600

400

200
Tensão [V]

-200

-400

-600

-800

V12 V23 V31


Anexos

Tensão [pu]

0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0.9
1
1.1
1.2
7.82E+00
3.23E+01
5.68E+01
8.13E+01
0.1058
0.1303
0.1548
0.1793
0.2038
REGISTRADO EM 29/07/02

0.2283
0.2528
0.2773
0.3018
0.3263
0.3508
0.3753
0.3997
0.4242
0.4487
0.4732
0.4977
29jul02 14:50:01

0.5222
0.5467
0.5712
0.5957
0.6202
0.6447
0.6692
0.6937
0.7182
0.7427
0.7672
0.7917
0.8162
0.8407
0.8652
0.8897
A.8 – EVOLUÇÃO DO VALOR RMS DA TENSÃO - AFUNDAMENTO

V31
V23
V12
149