Aula 1 Noções Introdutórias da Parte Geral do Código Penal O CP atual: - Não detém somente normas incriminadoras.

- Descentralização das leis penais. Normas incriminadoras e punitivas encontram-se espalhadas por leis espaças no ordenamento, não importa se somente no CP. Ex: lei de drogas, CTB, CDC, Lei de Crimes Ambientais, Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro. Obs: há autores que reconhecem a existência de uma parte geral da parte especial. Há uma divisão doutrinária.

Atenção: Principio da Reserva Legal (art. 5°, XXXIX da CF) se manifesta na parte especial do CP. Divisão do CP, para fins de organização : títulos capítulos seções

Preceitos do Tipo a) Preceito primário: tipificação penal. Principalmente nas normas incriminadoras, os elementos típicos, as circunstancias essenciais para a configuração do crime, os requisitos de tempo espaço e etc. encontram-se no chamado preceito primário. b) Preceito secundário: delimitação da pena. Os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade devem ser respeitados no preceito secundário, mas isso não ocorre na realidade. É uma crítica feita.

Majorantes e Minorantes: são sinônimos de causas de aumento e de diminuição. As causas de aumento e de diminuição gerais e especiais se diferenciam pela sua localização no CP. - Causas gerais de aumento ou diminuição de pena: estão na parte geral - Causas especiais de aumento e diminuição de pena: estão na parte especial Obs: qualificadoras são diferentes da causa de aumento ou diminuição ainda que ambos os preceitos normativos derivem do tipo principal, há que se ressaltar que somente as qualificadoras trazem preceito secundário autônomo, diferente das causas de aumento e diminuição de pena, que preveem, mediante FRAÇÃO, a consequência a ser aplicada na pena.

Ler: classificação doutrinária dos crimes. Greco, Bittencourt, Capez. Aula 2 – 27/05 Função do Direito Penal  pelo viés criminológico

- Função Declarada: proteção dos bem jurídicos mais relevantes, o mantenedor da paz social, a legitimação da atuação do individuo frente a limitação da atuação legal do Estado - Função Não Declarada: rotulação e criação de estigma das populações marginais, forma de segregação Claus Roxin – o nome mais vinculante quando se trata da mudança de viés crítico no desenvolvimento funcional do Direito Penal (virada paradigmática) – o pensar o Direito Penal ficou mais pensado/filtrado, por quê?: - fragmentariedade* e subsidiaridade do Direito Penal - intervenção mínima (*lesões mais graves aos bens jurídicos mais importantes) Crítica (prof. Daniel): não se realiza, tal contexto, no Brasil. BARATTA, Alessandro. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal Elemento Subjetivo é o viés psicológico do agente na prático do crime (culpa em latu sensu) - traduz a ideia de dolo (consciência + vontade) - traduz a ideia de culpa em strictu sensu “elemento subjetivo especial/dolo com finalidade/fim específica” v.g Art. 159 – sequestrar pessoa com o fim de obter vantagem (dolo específico – não é a pura vontade e consciência de sequestrar e sim de obter vantagem) Núcleo - diz respeito a ação consoante no tipo penal

Análise do núcleo do tipo depende de uma configuração contextual (análise de um conceito dogmaticamente – há o desdobramento do núcleo, valendo-se de outros conceitos) - análise verbal - análise dogmática/doutrinária Sujeitos Ativo – quem comete a conduta principal (observa o verbo nuclear do tipo)  Crime próprio – o sujeito ativo (ou mesmo o sujeito passivo) tem uma qualidade especial para a configuração do crime, apenas tais sujeitos “próprios” podem cumprir o verbo nuclear do tipo – tipo infanticídio e peculato Passivo – não confundir vítima com o sujeito passivo (v.g o detentor de coisa no crime de roubo é vítima, mas o sujeito passivo é o proprietário da coisa)  Quem sofre as consequências da ação dos sujeitos ativos em comparação com a tutela do bem jurídico em questão  Existem crimes próprios em relação ao sujeito passivo (estupro de vunerável)  Existem crimes bipróprios (os sujeitos ativo e passivo devem ser próprios – definidos – como no crime de infanticídio) - DOS CRIMES CONTRA A PESSOA Crimes Contra a Vida - a primazia da tutela da vida é um fenômeno relativamente novo, nos outros diplomas legais os crimes contra o Estado vinham primeiro, em colocação topológica, e com penas mais severas do que aqueles crimes contra vida. - centralidade da pessoa e tutela de sua vida - Quando se inicia a vida? Para o Direito Penal, a vida começa a partir da nidação. Da nidação até o parto é a tutela da vida intrauterina, e após o nascimento trata-se da tutela da vida em latu sensu – vida pós-uterina Homicídio É importante frisar que nem toda ação de pessoa contra pessoa que o resultado casuístico seja a morte é homicídio – como as ações legitimadas pela exclusão de ilicitude que atente contra a vida de outra pessoa, ou crimes cuja observação do tipo é mais complexa que atentem contra a vida, v.g genocídio, aborto, auxílio ao suicídio. Além disso há os crimes preterdolosos – dolo no antecedente e culpa no consequente

– como roubo seguido de morte, estupro seguido de morte, lesão corporal seguida de morte – nos exemplos relacionados não há homicídio. Art. 121 Caput => Simples § 1 => Homicídio Privilegiado § 2 => Qualificado § 3 => Culposo § 4 => Causas de Aumento § 5 => Perdão Judicial § 6 => Causas de Aumento (milícia e grupos de extermínios)

Nem toda morte é homicídio, o exemplo mais clássico de morte sem homicídio são as justificantes (legitima defesa, excludente de ilicitude), no entanto, nos crimes preterdolosos ou de resultado o mesmo acontece. Ex: estupro seguido de morte, lesão corporal seguida de morte, extorsão seguida de morte. Crimes Preterdolosos ou de Resultado - possuem dois substratos: 1) Substrato antecedente: o dolo do agente encontra-se no substrato antecedente, há intenção de cometer aquele crime. 2) Substrato consequente: ausência de intenção do resultado, que ocorre por culpa do agente, mas não por dolo. O resultado do crime tem que ser necessariamente previsto na lei para caracterizar um crime preterdoloso.

Aula 3 – 29/05 Sujeitos:   Ativo: qualquer pessoa com capacidade penal (crime comum) Passivo: qualquer pessoa com capacidade penal (crime comum). Existem sujeitos passivos especiais. a) art. 29 da lei 7.170 (lei de segurança nacional) – homicídio cometido com razoes políticas contra o Presidente da Republica, Presidente do Senado, Presidente da Câmara e Presidente do STF
“Art. 29 - Matar qualquer das autoridades referidas no art. 26 (Presidente da República, o do Senado Federal, o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal). Pena: reclusão, de 15 a 30 anos.”

73 do CP) – erro na execução. Ex: facada. Não se pode falar nos crimes dos arts. 211 ou 212. mas em infanticídio c) cadáver: crime impossível por absoluta impropriedade do objeto (vide art. mas a babá não sabia de nada. 3) prova testemunhal. Ex: susto. d) omissão. 17 do CP). Ex: posição de garante ou garantidor. Laudo Pericial: arts. 2) exame indireto. Etapas: 1) exame direto. pois há ausência do elemento subjetivo (dolo). Obs: o autor do crime pode ser punido ainda que mate pessoa diversa daquela que pretendia matar (art. pois necessita de um juízo de valoração técnico (é um meio termo até se chegar na prova testemunhal). 2) prova testemunhal. A morte ocorre quando se constata morte cerebral (art. direcionar um cego com dolo de matar. . mãe bota veneno na mamadeira que prepara para a babá dar ao filho.434/97) por laudo pericial. 2ª corrente: o exame indireto ainda é realizado por peritos.vontade livre e consciente de matar. O autor utiliza um “longa manus” para praticar a conduta típica. Ex: usar alguém para matar outrem. tiro.b) nascente ou neonato: não há que se falar em homicídio. 3° da Lei 9. Dolo direto de 1° grau e dolo direto de 2° grau (dolo de consequências necessárias). estrangulamento. Tipo objetivo: matar alguém (vontade livre e consciente para ceifar a vida de outro) O homicídio é um crime de execução livre a) meios físicos ou materiais. 1ª corrente: o exame de corpo de delito ou laudo pericial indireto é sinônimo de prova testemunhal suplementar. Obs 2: Racha – na jurisprudência prevalece o dolo eventual. Obs: irmãos xipófagos (siameses. Etapas: 1) exame direto. O que é laudo pericial indireto? Divergência. Obs: o dolo pode ser direto de 1° ou de 2° grau ou dolo eventual. grudados por órgãos vitais). Tipo (elemento) subjetivo Dolo: “animus necandi” . Consumação O homicídio se consuma quando o resultado morte ocorre. b) meios morais. É a corrente que prevalece. 158 e 167 do CPP. c) meios indiretos. Chama-se essa situação de autoria mediata.

121.Homicídio Simples (art. Sempre que a execução se dividir em momentos pontuais. pois o elemento subjetivo não se volta para lesar o bem jurídico vida. Linha do Crime Cogitação Preparação Execução Consumação Ação Penal: é pública incondicionada. pois está na parte especial do CP. . . a execução pode se dividir em momentos. 121. ou seja. Fundamento: menor reprovabilidade Motivos: . Crimes preter dolosos não serão julgados pelo tribunal do júri. pois o bem jurídico vida não começou a ser lesado no momento da perseguição. XXXVIII da CF): tribunal do júri (crimes dolosos contra a vida).Tentativa Crime plurissubsistente: o “inter criminis” pode ser fracionado. inicia-se com a denúncia do Ministério Público. 1° da Lei de Crimes Hediondos – n° 8. § 1°): são 3 hipóteses de homicídio privilegiado Natureza jurídica: causa especial de diminuição de pena. Se o homicídio foi culposo.relevância: a intensidade do motivo deve ser alta.072) . a execução começou ou não? Não há que se falar em tentativa.Homicídio Privilegiado (art. Um indivíduo começou a perseguir alguém com o animo de matar. caput): reúne todos os elementos típicos do homicídio. a morte é apenas um resultado do crime cometido. será julgado pelo juízo comum. Competência absoluta (art 5°. é possível falar em tentativa. Obs: o homicídio simples é crime hediondo quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio (art.

Quando há envolvimento de interesses coletivos. compaixão (viés positivo – ex: eutanásia). Trata-se de valores superiores e intensos. pois já estão previstas no tipo penal. reconhecida no viés exterior.a) motivo de relevante valor social: ampla ou coletiva. impulso subjetivo (viés negativo – ex: matar o estuprador da sua filha).Eutanásia  Morte antes do tempo (término de sofrimento)  Envolvimento psicológico (sentimento) – reconhecimento do sofrimento do doente por outrem. Exemplo clássico: morte do traidor da pátria. há consenso na menor reprovabilidade. se enquadra na hipótese de homicídio privilegiado por relevante valor moral.Ortonásia  Morte no tempo correto  Não interferência no processo inevitável de morte mediante suspensão ou não indicação de medidas que perderam a eficácia  Opção médica . § 1°). compadecimento com a situação da pessoa doente. III. Elas não se aplicam para o homicídio (art. há uma visualização externa e coletiva do motivo. b) motivo de relevante valor moral: subjetivo. honra. 121. Obs: existem atenuantes no art. Divisão a) Ativa: prática de atos comissivos (ex: aplicar um remédio. morte do traficante que ameaça toda a comunidade. Entretanto. como piedade. desligar um aparelho) b) Passiva: omissão de medida ou tratamento indispensável Importante: ainda existiam tratamentos Consequências:  Tem tipicidade penal. Aula 05/06 . 65. não há um envolvimento da sociedade tamanho como no relevante valor social. no entanto. . Tem um viés predominantemente subjetivo. A coletividade compreende a prática do ato a ponto de legitimar a diminuição da pena. a que preveem a circunstancia do homicídio privilegiado. misericórdia.

Greco. Consequências:  Infração disciplinar (não é ilícito penal) . É uma escolha médica.  Morte lenta (sofrimento indevido)  Abuso de utilização de recursos médicos  Alongamento artificial É uma escolha médica.805/2006 do CRM) . Bittencourt): proporcionalidade.Importante: não há mais previsão de tratamento.Distanásia: não se prolonga a vida. Importante! Ortotanásia ≠ Eutanásia passiva Na eutanásia passiva ainda há tratamentos possíveis. A pessoa não faria aquilo se não estivesse sob o domínio dessa emoção.   Ausência de auto-controle Mudança no organismo . mas sim o processo de morrer. Ex: saída rápida para buscar arma 2) Doutrina clássica (Nelson Hungria): a reação deve ser imediatamente após a injusta provocação da vítima. essa doutrina tem prevalecido. enquanto na ortotanásia não há. exclui o caráter imediato do ato. mas traz lapsos temporais pequenos. .“Logo em seguida” (requisito temporal)  Nexo com o domínio Há duas correntes: 1) Doutrina moderna (Regis Prado. Nucci.“Injusta provocação” . Consequências:  Tem o apoio da classe médica (resolução 1. Atualmente.“Domínio de Violenta Emoção”: algo que seja capaz de reduzir completamente o controle que a pessoa tem da situação.

1°. pois configura legítima defesa. 30 do CP:    Circunstancias subjetivas não se comunicam. 8. Topografia (art. 121.Elementar: dado que agregado ao tipo altera o crime. portanto não se comunica com um possível co-autor. Subjetiva: relativo ao estado anímico ou motivação do agente. Hediondo (art. Na injusta agressão não há crime. sem alterar o crime. Ex: subtrair coisa alheia móvel (furto) e subtrair com violência coisa alheia móvel (roubo).Discricionariedade do juiz para discutir o quantum de redução Comunicabilidade do privilégio . . Redução de pena quanto ao homicídio privilegiado: . Física ou moral Importante: injusta provocação é diferente de injusta agressão. Elementares subjetivas se comunicam. O privilégio no homicídio se trata de circunstancia subjetiva.Compete ao juiz . Aula 10/06 Homicídio Qualificado . Interpretação do art.É um direito subjetivo do acusado . veneno.Paga: pagamento prévio . Ex: fogo. explosivo. Elementares e circunstancias objetivas se comunicam.Circunstâncias: dado que agregado ao tipo altera a pena.072) . I. As elementares e as circunstancias podem ser objetivas ou subjetivas:   Objetiva: meios e modos de execução. § 2° do CP) IMotivo .

. Não se dá valor mínimo à vida. todo homicídio é injusto. Bittencourt sugere uma alteração no art. Ausência de motivos e motivo fútil: discussão 1ª corrente: se o autor é punido por motivo fútil. uma vez que não se trata de um crime contra o patrimônio. que traz repugnância. 2ª corrente: parte da jurisprudência trata as circunstancias do inciso I como elementares subjetivas. Há desproporcionalidade patente. STJ: não há uma vinculação necessária entre vingança ou ciúme e motivo torpe.Motivo fútil: desproporcionalidade entre o valor dado à vida e ao motivo do crime. Natureza econômica? 1ª corrente: paga e promessa de recompensa tem natureza estritamente econômica.556) Motivo . Ex: matar por herança. É irrelevante o recebimento de pagamento para fins de aplicação da qualificadora. o torpe prevalece. (ver STF – HC 83. Comunicabilidade no homicídio mercenário 1ª corrente: por expresso mandamento do art.Motivo torpe: motivo torpe é um motivo vil.309 e STJ – HC 53. Ademais. pois o motivo já estava qualificado mesmo que não ocorra o pagamento. pois se trata de uma afronta clara à reserva legal. Obs: motivo torpe e motivo injusto são diferentes. A doutrina concorda com esse pensamento. portanto se comunicam (errado tecnicamente). a ausência de motivos. matar para ficar com o dinheiro do seguro de vida. Também não é necessário que haja uma delimitação prévia de valor. adicionando ausência de motivos como qualificadora. Obs 2: não há possibilidade de convivência entre motivo torpe e motivo fútil. 2ª corrente: ausência de motivos não pode ser equipara a motivo fútil. aversão social. que é ainda pior. motivo fútil e ausência de motivo se equiparam. É a corrente que prevalece 2ª corrente: não há que se ter vinculação econômica. também deve ser punida. Não precisa ser necessariamente dinheiro. 30 do CP. não pode haver analogia “in malam partem” (em prejuízo do réu). Contrário ao sentido ou sentimento ético da sociedade.II- . 121. Portanto. . as circunstâncias subjetivas quando não elementares do crime (o que é o caso da paga e da promessa de recompensa) não se comunicam.Promessa de recompensa: expectativa de receber pagamento por parte do executor do crime. Outra parte da jurisprudência traz para o aspecto motivacional a natureza objetiva. por cobiça. mas nem todos são torpes.

 Substancias inofensivas também podem configurar: dar amendoim para uma pessoa alérgica àquele alimento. de intimidar ou coagir . Trata-se de circunstancias objetivas do crime. cruel ou de perigo comum. “designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos. Conceito de tortura pode ser encontrado no art. físicos ou mentais. Ex: gás tóxico. Afogamento Tóxica: quando se utiliza alguma substancia para causar asfixia.455/97). não se caracteriza a qualificadora. para que se caracterize a qualificadora. pois não ocorreu sem a vitima saber o que estava ingerindo. de castigá-la por ato cometido. Se a pessoa é obrigada a ingerir o veneno.     Mecânica: quando há contato bruto entre autor e vitima (esganadura. pode se caracterizar meio cruel. Meios Interpretação analógica sobre o que pode ser um meio insidioso.  tem que ser meio insidioso (dissimulado. portanto comunicam-se com eventual co-autor. dela ou de uma terceira pessoa. podendo inclusive matar. -Veneno: Toda substancia biológica ou química que introduzida no organismo pode produzir lesões. Entretanto. escondido).Fogo ou Explosivo:   Exige perícia para comprovar a utilização de fogo ou explosivo Pode ser caracterizado como meio cruel ou de perigo comum -Asfixia: impedimento da função respiratória com a consequente falta de oxigênio no organismo do individuo. informações ou confissões. Exige perícia para comprovar a morte por asfixia -Tortura: na própria lei de tortura não há definição do que é tortura (lei n° 9. enforcamento).  Exige perícia para comprovar que a morte ocorreu em decorrência do veneno.III- Obs: falta de comprovação de motivo é completamente diferente de ausência de motivo. são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter. de forma que a vitima não saiba que esta sendo envenenada. . 1° da Convenção contra Tortura e outros Tratamentos Cruéis e Degradantes – Decreto n° 40.

121. IV) O legislador trouxe a imprevisibilidade. III do CP). fica com raiva e mata o torturado. mas por um exagero na tortura a vítima acaba morrendo. Tiro pelas costas X Tiro nas costas . tortura um sujeito. tentando obter uma informação. . inútil à vítima. Na tortura com resultado morte (§3° da lei n° 9. e a tortura é o meio. ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram. Obs: a traição pode ser de cunho moral. Completa ausência de sentimento humanitário por parte do agente. O torturador. o caminho para a morte. a) Traição: pressupõe uma pré-relação entre agente e vítima. 121. ou por sua instigação. É um ataque súbito de deslealdade. há intenção de matar.Meio cruel: causa sofrimento desnecessário.” Na tortura. IVModos (art. O sujeito se nega a falar e em determinado cospe no rosto do torturador. escondido. § 2°. Máximo sofrimento da vítima. há a intenção de matar.Meio insidioso: meio camuflado. Obs: a mera repetição de golpes não necessariamente qualifica como meio cruel. No meio insidioso. . de forma a impossibilitar a defesa da vítima. dissimulado.455) não há intenção de matar. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos consequência unicamente de sanções legítimas. ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza. ardiloso. que a principio não tinha a intenção de matar. Vide exposição de motivos do CP – meio insidioso é aquele escondido na eficiência maléfica. pois se no primeiro golpe a pessoa já morre. Cuidado: meio insidioso é diferente de modo insidioso. ou com o seu consentimento ou aquiescência. quando tais dores ou sofrimento são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas. os outros golpes são indiferentes. §2°. Ex: um torturador.esta pessoa ou outras pessoas. a coisa em si utilizada para causar a morte deve ser insidiosa. Homicídio qualificado pela tortura ≠ Tortura com resultado m orte No homicídio qualificado por tortura (art. brutalidade enorme.

de forma que o modo em si impossibilite a defesa. a existência do crime anterior é conhecida. Fins “Assegurar”. é econômica. O agente faz uma cena teatral. . Na ocultação. não é obrigatória a consumação do crime posterior. surpresa (ataque inesperado. sorrateiro.V- A traição liga-se ao tiro pelas costas. “A espera oculta para um ataque indefensável.” c) Dissimulação: o agente oculta sua intenção de matar a ponto de conquistar momentaneamente confiança da vítima. . b) Emboscada: tocaia. como o latrocínio (matar para roubar). nesses casos não se aplica a qualificadora. as autoridades não chegam a ter ciência do crime. Não há uma necessária vinculação entre morte por tiro e impossibilidade de defesa da vítima.Ocultação e Impunidade: o crime já aconteceu. somente isso não caracteriza a impossibilidade da vítima. Necessariamente no contexto deve haver outro crime. . . O agente espera sorrateiramente pela vítima. É necessário que algum modo específico seja utilizado. se disfarça.. A prática do homicídio é para assegurar a vantagem de um crime que já aconteceu. mas sim o tipo penal específico. A vantagem. é algo sorrateiro. Se a vítima foge ou percebe o intento do autor não há traição. o que é observado aqui é o caminho utilizado pelo agente. na maioria das vezes. mas o autor não é conhecido e o que se pretende com o homicídio é que permaneça assim. espera pela vítima. Cuidado: há crimes que no próprio tipo já preveem essa qualificadora. com possibilidade quase nula de a pessoa fugir). Já na impunidade. o que vem a ser ocultado é a existência do crime. Exemplos que são utilizados: morte enquanto a vítima dorme. Entretanto.. Se a vítima for um idoso ou uma criança. Ex: o agente mata um homem para estuprar sua esposa.Vantagem: garantir o aproveitamento da vantagem que o crime pôde proporcionar. Não se pode trazer o pensamento para a vítima. A doutrina chama esse instituto de conexão teleológica. a pessoa não espera.Execução: o agente mata alguém para cometer crime futuro. Há que se utilizar a interpretação analógica para encontrar outros modos que dificultem ou tornem impossível a defesa do ofendido.

Pesquisa: é possível a existência de homicídio qualificado privilegiado? É pacífico o entendimento da jurisprudência e da doutrina de que é cabível o homicídio privilegiado qualificado.Quebra do dever geral de cuidado: negligência. Entretanto.2ª corrente: somente uma circunstancia tem o condão de qualificar o crime e as demais são valoradas na dosimetria. A existência do privilégio no contexto de homicídio qualificado afasta a hediondez do crime. . Quanto ao crime posterior. provocando com sua conduta o resultado morte. não pode ser contravenção penal para configurar essa qualificadora. . mais próximo ao patamar máximo de pena.Resultado: morte . 2: o crime anterior pode inclusive ser tentado. Isso porque seria contrário à essência da lei dos crimes hediondos. deixa de empregar a atenção de era capaz. imperícia ou imprudência. Observações Gerais sobre o Homicídio Qualificado: 1) Premeditação: não necessariamente configura homicídio qualificado. vai querer consumá-lo. 121. 108 do CP.Nexo de causalidade entre a quebra do dever geral de cuidado e o resultado morte.1ª corrente: quanto mais qualificadoras. pois os privilégios são todos de cunho subjetivo e não é possível que circunstâncias subjetivas se cumulem. porém jamais querido ou aceito pelo agente. Obs. conforme a 2ª parte do art. Aula 19/06 Homicídio Culposo Conceito: “o agente. imprudência ou imperícia. III e IV).” Todo crime culposo deve ter previsão legal. Requisitos: .Obs. Homicídio qualificado privilegiado não é hediondo. Essa corrente não prevalece. o agente não vai querer cometer um crime tentado. previsível naquele contexto. 3: não desaparece a qualificadora se o crime anterior ou posterior tiver extinta sua punibilidade. com manifesta negligência. deve-se atentar que isso somente é possível caso a qualificadora seja de cunho objetivo (art. 1: necessariamente a infração anterior ou posterior deve ser crime. . 2) Dosimetria e mais de uma qualificadora: . Obs.

e imperícia já é utilizada para caracterizar o homicídio culposo. . Não se trata de imperícia para caracterizar o homicídio culposo. tem o condão de retirar a punibilidade do agente. Art. 1: se o homicídio culposo é na direção de veículo (art. Obs.2ª corrente: o preceito secundário do art. A culpa exclusiva da vítima. o agente tem a técnica.. causando sua morte. Há uma discussão se há uma afronta ao princípio da igualdade no preceito secundário do art. pois na imperícia o agente não detém a técnica para fazer o que vai fazer. Ex: A mata alguém culposamente e B vê a situação. 121. 302 não é considerado inconstitucional. era previsível que essa tragédia poderia ocorrer. o desvalor da ação é diferenciado. Além disso.1ª corrente: o preceito secundário do art. Obs. Configura homicídio culposo. 2: a culpa concorrente da vítima não retira a punibilidade do agente. (STF: HC 95078) . 302 do CTB. . O resultado morte decorreu dessa negligencia. . Na sua casa. 121. 302 do CTB). mas não a observa. por haver uma afronta do princípio da igualdade. § 4° Causas de aumento do Homicídio Culposo (§4°. o homicídio culposo no transito é mais reprovável do que o homicídio culposo sem ser no transito. A percebe que B viu tudo e o mata para que ele não revele nada. Nessa causa de aumento. uma vez que o resultado morte é o mesmo do art.Há bis in idem. pois ainda que o resultado seja o mesmo. havendo nexo causal.Previsibilidade. Há uma discussão se não haveria Bin in idem pois quando se fala nessa causa de aumento se pensa em imperícia. É caso de qualificadora para ocultar um crime. mas a pena prevista é maior. 302 é inconstitucional. § 3°. tem uma varanda com um parapeito muito baixo e a criança cai. Para o legislador. arte ou ofício. pois o pai tinha o dever de garante perante o seu filho e ao deixá-lo desprotegido agiu com negligencia. Ex: um pai tem dever legal de cuidar do seu filho. primeira parte): -inobservância de regra técnica de profissão. se comprovada.

não chamar o socorro. Ex: atirar em alguém e. 122 – Induzimento. pois a inobservancia de regra técnica não é essencial para caracterizar homicídio culposo. . § 5° do CP): há crime. não configura a majorante. segurança para uma determinada comunidade. mas isso não quer dizer que seja uma conduta lícita. o suicídio é um ilícito no ordenamento. trata-se de um substrato adicional. . pois quase sempre haverá um homicídio qualificado na majorante dessa causa especial de aumento. vendo que a pessoa não poderá ser salva. segunda parte e § 6°): . Instigação ou Auxílio a Suicídio O suicídio não é uma conduta punida penalmente. c) O juízo acerca da impossibilidade de socorro não pode ser feito pelo agente se ele podia ajudar. . apesar de no CTB não haver previsão expressa de perdão judicial. Ex: perigo de linchamento. Só é possível com previsão expressa em lei. 121. Art.grupo de extermínio.. pois a vida é um bem jurídico máximo dentro do ordenamento. Causas de aumento do Homicídio Doloso (§ 4° . Aula 24/06 Perdão judicial (art. . aplica-se também aos crimes culposos de transito. 135. e acaba se tornando um “coronel” naquele contexto.Deixar de prestar imediato socorro à vítima. a) Não configura o crime do art.milícia privada. Entretanto. sob pretexto de prestação de serviço de segurança. muitas vezes é inclusive financiado por empresários ou pessoas interessadas no extermínio do grupo visado.crime praticado contra menor de 14 anos ou maior de 60 anos. Ainda que não seja punido penalmente (o direito penal não pune a auto-lesão). É a corrente que prevalece. não há cumulo material de crimes. mas a natureza jurídica da sentença de perdão judicial é declaratória de extinção de punibilidade (Súmula 18 do STJ). Crítica: o § 6° está fadado à inaplicabilidade. A intenção da milícia no primeiro momento é trazer uma paz.não há bis in idem. b) Se o agente sai do local por comprovado perigo de vida para ele. A intenção do grupo de extermínio é de matar determinadas pessoas. É necessário que o agente tenha consciência da idade da vítima.

a pessoa que vai se suicidar tem que utilizar os objetos fornecidos pelo agente. . de participação. permanece um crime só. mas não pode haver práticas essenciais para a morte do sujeito. O legislador eleva as três condutas típico-verbais ao patamar de núcleos essenciais do tipo penal. É a vítima que tira a própria vida. . se não configura homicídio.Induzir: fazer nascer na cabeça da vítima a vontade do suicídio. típicas do crime. ele não cometeu mais de um crime. 29. mesmo que tenham um caráter auxiliar. A ajuda material disponibilizada pelo agente deve ser decisiva para o resultado final. .Auxiliar: existe auxílio material para o suicídio. Sujeitos: . as condutas do agente não se tratam de condutas de caráter auxiliar.Conceito de Suicídio: eliminação direta e voluntária da própria vida. No induzimento e na instigação. instigar e auxiliar a vítima. Tipo Misto Alternativo: se o agente induzir. são condutas principais. O agente tem que ser uma pessoa que seja capaz de induzir outrem.Ativo: crime comum (aquele que pode ser cometido por qualquer pessoa). Ex: emprestar a arma. Induzir e instigar são do âmbito moral. II do CP.Instigar: a ideia de se matar já existe na cabeça da vítima e o agente estimula essa ideia. 146. as condutas praticadas pelo sujeito ativo tem que ter o condão de influenciar decisivamente para a decisão do sujeito de se suicidar. Ex: A induz B a instigar e auxiliar C a se matar. como no art. Pode haver participação no crime de participação de suicídio. Nesse crime. Cuidado. § 3°. Observar o art. aqui são condutas tangenciais. Na realidade. o agente do crime somente faz condutas acessórias. 122 não pratica qualquer ato de execução (ato que de fato é definitivo e contribui ou dá vazão para o resultado delituoso). No auxílio. As condutas do agente são principais da conduta típica que caracteriza participação no suicídio. mesmo que o agente tenha praticado mais de uma conduta. . O agente do crime do art.

2 ª corrente: a prática dos núcleos é execução e a morte ou lesão grave são consumação. Obs: animus jocandi é uma brincadeira. c. A vítima deve ser certa e delimitada. Quando há o resultado morte e o sujeito ativo se encontrava na posição de garante ou garantidor. a incapacidade da vítima é o instrumento de que se vale o agente para atingir o seu intento. na categoria autoria mediata. Caso Jim Jones (1978): o pastor induziu os seus fiéis a se matarem. ele diz que desistiu de se matar e pede ajuda de A para se livrar. A quer que B se suicide. as vítimas eram definidas. c) Núcleos + lesão leve ou nada: consumação + não há punição. Nesse caso. b) Núcleos + lesão grave: consumação + punição. Há o crime do art. Art. não se trata do elemento subjetivo. instigação ou auxílio for genérico.1ª corrente: a consumação do crime ocorria na prática dos núcleos verbais do tipo e a punição estava condicionada aos resultados morte ou lesão grave. 122. neste caso. Autoria mediata: o agente se utiliza da incapacidade de outrem para cometer o crime. § 2°. 122 se o induzimento. A consumação está condicionada pelos resultados . pratica o crime de homicídio na modalidade omissão imprópria. Enquanto B estava se enforcando.Passivo: é a pessoa que se autoexecuta. mesmo que fossem mais de uma pessoa. Deve ser capaz de entender as condutas externadas pelo sujeito ativo. 13. Hipóteses: a) Núcleo + morte: consumação + punição. . A induz e auxilia B para isso. A não ajuda e B morre. tendo o dever de evitar o resultado. Elemento Subjetivo Dolo do agente em ver a vítima morta. Consumação: . Ex: o agente que faz com que o inimputável se mate comete o crime de homicídio. 122 e Omissão Imprópria: art.. Não cabe falar no crime do art.

. . onde a punição é condicionada. pessoa embriagada. 122 ao sobrevivente) 3) Pacto de Morte: um casal combina de se matar.1ª corrente: não cabe tentativa. 122 ao sobrevivente) 2) Roleta Russa (art.previstos no tipo. segundo ele. diferente do que acontece na 1ª corrente. Cuidado: capacidade diminuída é diferente de capacidade anulada (ex: pessoa hipnotizada). 121 ou 122. .. Entretanto. É a corrente que prevalece..1ª corrente: presume-se falta de discernimento da vítima. 122 trata-se de tentativa de homicídio e não de tentativa de participação no suicídio. Ex: pessoa drogada. “Brincadeirinhas Saudáveis” 1) Duelo Americano (art. Aqui refere-se à vítima menor de 18 anos. pois a tentativa prevista no preceito secundário do art. portanto não se pode falar em participação no suicídio.2ª corrente: depende do caso e de suas peculiaridades. 217-A do CP pode ser utilizado para argumentar. O art.2 ª corrente (Bittencourt): admite tentativa quando há lesão grave. a) Os dois morrem – nenhum resultado jurídico b) Só a mulher morre – se o sobrevivente é aquele que praticou ato de execução (o homem). pois para Bittencourt só há consumação quando há morte. E quando a vítima é menor de 14 anos? Há divergências na doutrina. a ele é imputado crime de homicídio. é um erro afirmar isso. . É a corrente que prevalece. Hipóteses: a) Núcleos + morte: consumação b) Núcleos + lesão grave: consumação c) Núcleos + lesão leve ou nada: atipicidade Tentativa . O homem liga a válvula de gás. mas pode-se falar em homicídio por autoria mediata.  Capacidade de resistência diminuída.). Pode-se falar nos crimes dos arts. É uma tentativa prevista na parte especial. Aula 26/06 Inciso II Se a vítima é menor (.

julgada pelo tribunal do júri. “Perturbação psíquica grave que ocasiona alterações fisiológicas relevantes à parturiente. Ação Penal Pública Incondicionada. a imputação do crime é condicionada ao resultado. O “logo após” dura o tempo que durar o estado puerperal. § 3°). é atípico e não há crime. 1) Sujeito Ativo Especial É um crime próprio. O estado puerperal tem que ser essencial para o resultado morte do nascente ou neonato. Deve haver nexo de causalidade entre o resultado morte e o estado puerperal. a ele é imputado crime de participação no suicídio. Cuidado! Estado puerperal é diferente de depressão pós parto e de puerpério. da agente. influenciando-a drasticamente nos aspectos emocionais. mentais e etc. Exceção: a mulher pode ser punida por infanticídio sem ter matado o próprio filho por erro sobre a pessoa (art. A perícia tem o condão de provar o estado puerperal. 3) Elemento Psicológico ou Psíquico Estado puerperal. Tem que ser o filho da mulher. A mãe da vítima comete o crime. Ao sobrevivente que não praticou ato de execução. Deve haver proporcionalidade no tempo de duração do estado puerperal. Elemento Subjetivo: DOLO . trata-se do crime de participação no suicídio consumado. d) Os dois sobrevivem – ao sobrevivente que pratica ato de execução será imputado o crime de tentativa de homicídio. Se a pessoa tem lesão grave. mas muito mais específico. Se a pessoa não tem nenhuma lesão. 123 do CP) O infanticídio não deixa de ser uma modalidade especial de homicídio. Infanticídio (art. 20. 4) Elemento Cronológico “Durante” ou “logo após” o parto. 2) Sujeito Passivo Especial Nascente (liga-se ao elemento cronológico “durante”) ou neonato (ligase ao elemento cronológico “logo após”).c) Só o homem morre – se o sobrevivente é aquele que não praticou nenhum ato de execução (a mulher).” O estado puerperal no infanticídio tem a capacidade de fazer com que a mulher externe impulsos maldosos contra o seu próprio filho.

Não há crime. só auxilia tangencialmente a conduta.Ambos cometem homicídio. O estado puerperal é elementar do crime de infanticídio. pois assim ocorreria “bis in idem”. . O médico mata a criança. Bem jurídico tutelado: vida intrauterina. Não é possível. Não é aceita. Não é crime hediondo. h. Admite co-autoria (o co-autor também pratica atos de execução) e participação (são atos acessórios). .Consumação: ocorre quando o bebe morre. há impropriedade absoluta do objeto. pois não se encontra no rol dos crimes hediondos.A corrente aceita é a que ambos respondem por infanticídio. portanto é crime impossível. II. ele é participe do crime de infanticídio 3) a mãe não pratica atos de execução. Concurso de Pessoas no Infanticídio 1) juntos praticam atos de execução – ambos cometem infanticídio 2) se o terceiro auxilia mas não pratica atos de execução. Admite coautoria e participação. não há que se agravar a pena pelo art. Para efeitos de dosimetria da pena. Mao Própria: só admite participação.O médico comete homicídio e a mãe comete infanticídio. Aborto Conceito: é a interrupção da gravidez com a destruição do produto da nidação. Ao co-autor também será imputado o crime de infanticídio. 30 do CP). . pois as elementares se comunicam (art. 61. Se o bebe nasceu morte. pois é contra a teoria monista. Crime comum: pode ser cometido por qualquer pessoa. Crime próprio: as praticas de atos de execução tem que ser exercidos por uma pessoa determinada. pois seria absurdo que a mãe fosse condenada por um crime mais grave do que o infanticídio. Correntes: .

se a mulher está grávida e usa “crack” ou tenta se matar.prática de aborto sem consentimento. mas sem causar o resultado morte. 126: Aborto Consentido . qualquer pessoa pode praticar. não admite co-autoria. pratica o crime do art.Emprego de meios abortivos idôneos e eficazes . Art. A pessoa. 126).prática de aborto em menor de 14 anos (§ único do art. mas admite participação. Elemento subjetivo: dolo É possível vislumbrar dolo eventual nesse crime. deve haver exame pericial obrigatório. Trata-se de uma exceção à teoria monista. Deve haver nexo de causalidade entre ambos os elementos da consumação. Por exemplo. 126. Art. mas só a criança morre. 124: Aborto Provocado É direcionado especificamente à mãe. Os sujeitos passivos são muito bem delimitados: o feto e a gestante Possibilidades: .Resultado morte do feto ou embrião. Não admite modalidade culposa.Art. que não a mãe. Para comprovar a morte. Sujeito passivo: feto Sujeito ativo: mãe Não há tal crime na modalidade culposa. . Consumação: . Há possibilidade de tentativa. 125: Aborto Sofrido É um crime comum. se houver emprego de meios abortivos idôneos e eficazes.  Auto-aborto  Consentir É um crime de mão própria. que pratica atos de execução.

mesmo que este não ocorra.Pessoas que anunciam meios abortivos (art. 125 e 126. Caso contrário. se o agente tem a intenção de matar os dois fetos.Sujeito ativo: terceiro que pratica o aborto na mulher com o seu consentimento.Gravidez de gêmeos: dois abortos? Só há concurso formal de crimes na gravidez de gêmeos se a pessoa sabe da gravidez de gêmeos. Não admite modalidade culposa. somente aos arts. Sujeito passivo: feto O consentimento da mulher é elementar desse crime. Art. Aborto com resultado morte (art.Para que exista aborto. é crime impossível. 124. Aula 29/07 Furto Cabe a pratica do crime de furto mediante omissão imprópria? . 20 da Lei de Contravenções Penais). ainda que o aborto seja tentado. conclui-se que a lesão ou a morte da mulher podem ocorrer pelo emprego dos meios utilizados para o aborto. Há que se falar em preter dolo. pode-se aplicar a majorante. Além disso. somente o dolo de causar o aborto. . Isso porque não se pune a auto-lesão. Observações gerais aos três tipos de aborto: . É possível a aplicação da majorante se o resultado aborto não acontece. O agente não tinha a intenção de causar lesão grave ou a morte da mulher.Não existe auto-aborto culposo. Isso porque. . 127 Não se aplica essa causa de aumento ao art.Aborto espontâneo é atípico. . Portanto. . em decorrência do substrato doloso. É preciso atentar para o elemento subjetivo. na interpretação do artigo. 125 ou 126 c/c 127) é completamente diferente de lesão corporal gravíssima com resultado aborto. o feto tem que estar vivo. há dolo de causar o aborto e culpa no resultado lesão grave ou morte.

já se consuma o furto. no momento em que toca na coisa. Tentativa: é possível a tentativa no crime de furto por ser um crime plurissubsistente em que é possível fracionar o iter criminis. A discussão entre as correntes é sobre a necessidade de haver ou não posse mansa e passiva da coisa. Quando a pessoa com a intenção de subtrair a coisa. se a pessoa exercer função de garante como nos casos de vigia.1ª corrente: exige a posse mansa e passiva da coisa .Obs: “bolso vazio” Ex: no ônibus. mas não encontra nada naquele bolso. o agente tem que deslocar a coisa para onde ele quer levá-la.2ª corrente: não há necessidade da posse mansa e passiva. É a corrente adotada pelo STJ e STF. o agente bota a mão no bolso de alguém com a intenção de subtrair alguma coisa. . 2) Teoria da “Ilatio”: além do contato. .Sim. há duas correntes bem delimitadas. 3) Teoria da “Amotio”: apropriação da coisa com a retirada da esfera de disponibilidade da vítima. 1 corrente: sempre tentativa (Nelson Hungria) . ainda que por pouco tempo. ainda que por pouco tempo. Essa corrente privilegia a retirada da esfera de disponibilidade da vítima. segurança. mas sem necessidade de posse mansa e passiva da coisa. 4) Teoria “Ablatio”: apropriação da coisa com a retirada da esfera de disponibilidade da vítima. ainda que não tenha ele a posse tranquila sobre a coisa”. Portanto após a discussão das correntes “prevalece que o furto se consuma no momento em que a coisa é retirada da esfera de posse e disponibilidade da vítima. No ordenamento brasileiro. depositário fiel. para as quais as correntes acima servem de influência teórica. Consumação do crime: 1) Teoria da “Concrectatio”: o crime de furto de consuma com o mero contato do sujeito com a coisa. com posse mansa e passiva da coisa. ingressando consequentemente na do agente.

Podese aumentar a pena alegando ter acontecido o crime em repouso noturno? Não. pois é necessário analisar a sociedade onde o furto aconteceu para delimitar os horários do repouso noturno. o patrimônio foi ameaçado e pode-se falar em tentativa. por impropriedade do meio. Há possibilidade de o réu ser primário mesmo já tendo sido condenado. Prevalece no STJ e no STF. trata-se de crime impossível. durante esse período.   O furto tem que ser em uma casa? Não tem necessidade de ser casa. 2ª corrente: há. estão mais vulneráveis. O que prevalece é que o local não necessariamente tem que estar habitado.Vigilância eletrônica Há possibilidade de consumação do crime de furto em estabelecimentos com vigilancia eletrônica? 1ª corrente: é crime impossível. repouso noturno é somente à noite.STJ) Essa causa de aumento só se aplica ao furto do caput.Privilégio – é um direito subjetivo do acusado Requisito subjetivo: primariedade. possibilidade de consumação do crime. pessoas se recolhem para o descanso diário. portanto seu patrimônio também. não havendo nenhuma possibilidade de consumação do crime.  .2 corrente: a pessoa tinha alguma coisa para ser furtada? Se sim. Se a pessoa não tinha nada.Repouso Noturno Trata-se de causa de aumento sociológica. ainda que ínfima. O local tem que estar habitada? Bittencourt afirma que o local tem que estar habitado. É entendimento do STF e do STJ (HC 191. § 1° . basta que já tenha passado 5 anos após o cumprimento total da pena (art. ou seja. . § 2°. 64 do CP).300 . O fundamento para que isso exista no ordenamento é que as pessoas. pode ser um estabelecimento comercial. Problematizacão: alguém que trabalha à noite e dorme durante o dia é roubado. Tem que haver pessoas dormindo? Não necessariamente tem que haver pessoas dormindo. ao furto simples. à noite. portanto não é crime impossível. Repouso noturno é o período em que.

Retirar a energia de algum local e se apossar daquela energia. tem que ser possível visualizar um deslocamento da fonte geradora principal até o local onde a energia furtada será utilizada. então o sujeito passivo é o “vizinho”. 303 do CPP). deve ser possível visualizar um aparato utilizado para desviar a energia furtada. aplica-se a súmula 711 do STF. ou seja. enquanto durar a execução. que permite que a lei penal mais grave seja aplicada a esse crime. pois ocorre uma entrega voluntária da energia pela empresa. Além disso. A doutrina delimitou coisa de pequeno valor é aquela que. Quem é o sujeito passivo do furto de energia elétrica? Depende. aquele que a consumação se arrasta ao longo do tempo. não sendo insignificante. Ou então. . portanto é possível roubar essa energia). solar e etc. Se a energia é desviada do próprio local onde ela está sendo utilizada. Nesse caso de furto de energia. A energia pode ser mecânica. Não deve se interpretar única e exclusivamente a energia elétrica.946) Aula 31/07 § 3° : trata-se de uma cláusula de equiparação. Obs: furto de energia é um exemplo de crime permanente (crime permanente é aquele cujo efeito de consumação se perpetua).Requisito objetivo: coisa de pequeno valor. é a companhia de energia elétrica o sujeito passivo. Atenção: coisa de pequeno valor é diferente de coisa de valor insignificante para fins penais. Se a energia está sendo furtada antes de chegar no local para onde ela originalmente iria. Não é essa a intenção da clausula de equiparação. Há duas situações possíveis de ocorrer: 1) Alterar o relógio de medição da energia elétrica para pagar menos pela energia elétrica utilizada – trata-se de estelionato. possui valor em torno de um salário mínimo (é um conceito objetivo. Outro exemplo de energia é a energia genética (um boi é comprado por mais de R$ 1 milhão pela sua herança genética. (HC STF 148. 2) Utilizar um aparato para desviar a energia elétrica para a sua casa – trata-se de furto. A empresa incorre em erro. eólica. não há que se relativizar quanto ao poder aquisitivo da vítima). Uma pessoa que furta energia está sempre em flagrante (art.

esticar. sendo-lhe EXTERIOR.1ª corrente – (Bittencourt. grade. Estrutura própria feita para a proteção daquela coisa . Se o vidro não é exterior ao carro. mas sim furto simples. Usufruir do sinal de TV não é o mesmo que consumir. não configura rompimento. A energia se consome. porta. Rompimento: cortar cerrar. §4° ) Natureza Jurídica: qualificadora  Inciso I – furto com violência à coisa que serve como obstáculo ao furto. abrir cofre. Furto de veículo e rompimento de obstáculo. se esgota. diminui. 155. A destruição ou rompimento tem que acontecer dentro do mesmo contexto da subtração. Obs: a destruição ou rompimento pode acontecer antes. Não é preciso destruir completamente o obstáculo. pois o sinal de TV não tem a possibilidade de se esgotar como a energia elétrica. tirar a telha e depois colocar no lugar. janela. . destrói o vidro do carro. Ex: cofre. só fazer o necessário para chegar até a coisa roubada. Além disso. Ex 2: o agente. mas não ocorre a destruição. não é furto qualificado. alargar. deslocar. ainda que seja desproporcional. destrói o seu vidro. A coisa é estragada. no intento de furtar o carro. vidro. Obstáculo: tudo aquilo que é empregado para proteger a coisa. Greco afirma que se a coisa não tiver nenhuma desconfiguracão. querendo roubar um computador dentro do carro. Argumentos: é possível visualizar subtração e não há analogia “in malan partem”.Sinal de TV – Discussão: O sinal de TV pode se equiparar a um tipo de energia? . durante ou depois da subtração do objeto. . Ex: o agente. pois de o agente roubar o carro com o computador dentro será um furto simples. Trata-se de furto qualificado. Greco e STF/2011): não há que se falar em equiparação de sinal de TV com energia. Isso não acontece com o sinal de televisão. não pode haver essa equiparação pois seria analogia “in malan partem”. Ex: desarmar alarme.2ª corrente – (Nucci e STJ): o sinal de TV se equipara a energia. Há prejuízo à empresa Furto Qualificado (art. arrombar.

61. logo aqui a vontade de alterar a posse é bilateral (há um consentimento viciado da vítima de entregar a coisa. No furto mediante fraude há posse vigiada. no estelionato não há posse vigiada. “f”). Há uma relação de muita confiança. contato constante com a coisa. transferência legítima de posse. . Inciso II a) Abuso de confiança: abuso de uma confiança depositada no sujeito ativo pelo sujeito passivo. é possível agravar a pena (art. Aula 05/08 b) furto mediante fraude: trata-se de uma relação instantânea de confiança formada a partir de um ardil (dissimulação. O agente perpetra fraude para desviar atenção do dono ou possuidor da coisa. por causa da confiança existente. o dono pede para o empregado fechar o caixa. Furto com Abuso de confiança ≠ Apropriacao indébita Na apropriação indébita o agente já tem a posse legítima da coisa e essa posse é desvigiada. disfarçados de empregados da TV a cabo. uma enganação do sujeito ativo. enquanto isso o . Em ambos há uma dissimulação. vontade de praticar o furto anterior à posse da coisa. dependendo do caso concreto.Furto: posse vigiada. essa fraude é perpetrada para retirar a vigilancia da vitima sobre a coisa (a vítima não quer entregar a coisa – inversão de posse unilateral). Ex: em um estabelecimento comercial. Um deles pede para subir com ela para mexer na antena. No estelionato a fraude visa com que a vítima entregue a coisa espontaneamente. o agente tem acesso fácil à coisa furtada. sem dissenso). possibilita que o agente tenha acesso a coisa.Apropriacao indébita: posse desvigiada. para vencer vigilância da vítima. O abuso de confiança que qualifica o crime de furto não se confunde com a confiança implícita da apropriação indébita. Isto é. portanto cabe essa qualificadora. II. A confiança pode ser anterior ou posterior ao nascimento do dolo de furtar. . Trata-se de uma confiança pré-existente e excepcional. No furto. No estelionato a vítima é enganada a ponto de entregar voluntariamente a coisa ao agente (inversão de posse bilateral). vontade para se apropriar após receber legitimamente a posse da coisa. farsa). Caso não seja possível caracterizar essa qualificadora. Atenção! Furto mediante fraude é completamente diferente de estelionato. Ex: dois caras chegam na casa da velhinha. Para caracterização da qualificadora deve haver facilidade na execução em razão da confiança.

Naquele momento. a pessoa afirma que suas coisas estão em um Box que na verdade não é o seu. pois os criminosos entraram no banco por um túnel. Não há posicionamento jurisprudencial e nem muitas discussões sobre o assunto. Pesquisa: Test Drive: furto mediante fraude ou estelionato? Por razoes de política criminal.5 m para furtar coisas. Prevalece na doutrina que se comprova a via incomum e o esforço incomum mediante perícia. subtração de veículo no contexto de test drive é considerado como furto mediante fraude. . que não é uma via normal. se o muro tem 3 m e é cheio de cacos de vidro em cima. imputa-se uma pena mais gravosa ao agente. Ex: em uma boate. Ex: assalto ao banco central. A velhinha acredita nisso e entrega o dinheiro aos caras. um criminoso finge ser funcionário do valet parking. pois privilegiando o interesse patrimonial de pouco em detrimento da liberdade de uns. pois não é uma via anormal e nem houve esforço incomum. c) Escalada: para fins de direito penal escalada não é subir uma montanha. para resguardar o interesse das concessionárias (as seguradoras só cobrem furto). Pessoas alugam casa perto de um banco e durante meses cavam um túnel para atingir o cofre do banco. Trata-se de estelionato. mais tarde. Trata-se de furto mediante fraude. Eles afirmam que é a nova política da empresa cobrar pessoalmente a mensalidade de clientes que estão com o pagamento atrasado. Trata-se de estelionato. disfarçados de empregados da TV a cabo. terá a coisa de volta. Ex: o criminoso pula um muro de 1. Saída do local por via incomum: não é pacífico que se trata de escalada.outro roubou coisas da casa e os dois fugiram. o dono do carro entrega as chaves para o criminoso estacionar o carro. Ex: dois caras chegam na casa da velhinha. O agente rouba o carro. Trata-se de estelionato. Isso é grave. vindo a roubá-lo. Não se trata de um furto mediante escalada. Ex: chegando em um restaurante de carro. pode-se considerar escalada. mesmo que espere e acredite que. Entretanto. a vitima entregou a coisa voluntariamente. Enganado. pois o agente perpetrou fraude para adquirir a posse da coisa. que é a pena de furto qualificado. O funcionário entrega as coisas do Box para a pessoa. Trata-se de escalada. Trata-se de utilização de via anormal para ingressar em determinado local e empreendimento de um esforço incomum.

Ex: o agente pega a chave verdadeira e faz o molde no sabão. Se a vítima percebe na hora que foi furtada. pois o direito penal não pune atos .A grande maioria da doutrina entende que a chave verdadeira não pode ser considerada chave falsa. pega a coisa de volta e devolve para a vítima. com ou sem forma de chave. corre atrás do criminoso. utilizando-a no crime. pois o agente não utilizou via anormal para chegar ao objeto.Emprego de chave falsa: chave falsa é todo instrumento. Houve o emprego de destreza. Obs: furto qualificado por destreza não se confunde com furto por arrebatamento. não importando como foi obtida. que o agente dá um encontrão na pessoa e furta a coisa. há que se falar em furto tentado qualificado por destreza. Como a análise da destreza baseia-se exclusivamente na vítima. Essa qualificadora se enquadra para o furto de coisas que estão na presença da vítima. não houve furto consumado. Ele é da Bahia e está acostumado a subir no coqueiro sem nada para ajudar. d) Destreza: é a peculiar habilidade física ou manual capaz de possibilitar que o agente pratique o crime sem que a vítima perceba que está sendo despojada. Obs: se o agente manda fazer uma chave com o molde da chave verdadeira. Terceiro. será considerado chave falsa. somente um terceiro. Arrebatamento é trombada. A destreza tem que ser analisada no âmbito exclusivo da vítima. que viu o empreendimento criminoso. III. depois manda fazer a chave com o chaveiro. Se alguém é preso com a posse de algo que em tese pode se caracterizar como chave falsa não caracteriza crime. Ex: O cara consegue subtrair algo de dentro da bolsa da vítima. os batedores de carteira. Não se trata de escalada. sem que ela perceba. mas tentado. a abrir fechadura. Nesse caso.Ex: o criminoso quer furtar fio de cobre que se encontra em cima do poste de energia. uma vez que a vítima não percebeu que foi furtada. Ele sobe no poste e furta os fios de cobre. destinado. Discussão: a chave verdadeira obtida fraudulentamente pode ser considerada como chave falsa? . pois a única forma de chegar ao objeto é realmente subindo no poste. naquele contexto. não há qualquer destreza. Não é necessário que o agente tenha sucesso no empreendimento criminoso para fins de caracterização da qualificadora. normalmente carregadas no corpo (ex: carteira no bolso). Trata-se então de chave falsa. É a qualificadora para os famosos mão-leve (“punguista”).

Não há um acordo de vontades prévio antes da prática do crime.Discussão doutrinária: considera-se só os co-autores ou também os partícipes. IV. somente considera o aspecto objetivo. A doutrina crítica atual. desprezando o aspecto subjetivo dos agentes. 2ª corrente: para a caracterização da qualificadora basta a simples pluralidade de agente. . que reprova facilidade na pratica criminosa. Há preocupação com o fato de haver ou não consciência e vontade dos participantes do crime (conluio de vontades. No passado doutrinário havia divergências. acordo subjetivo de participar da empreitada).Fundamento doutrinário para a qualificadora: há uma junção de forcas na pratica criminosa. Deve haver: No âmbito objetivo – número: duas ou mais pessoas No âmbito subjetivo: acordo de vontade entra as pessoas. não há possibilidade de caracterizar-se a qualificadora. 25 da LCP. Excluem a qualificadora de concurso de pessoas: a) Se o sujeito não queria participar e não sabia do crime. em tese. aqueles que efetivamente realizaram atos de execução. Bittencourt concorda com essa corrente. portanto. . as pessoas que entraram para furtar os produtos não tinham um acordo de vontades prévio para tal. representada sobretudo por Greco e Bittencourt. atualmente. seguindo a doutrina crítica. traria mais eficiência na prática criminosa. o que. 1ª corrente doutrinária (Nelson Hungria): para a caracterizacao do crime qualificado só se englobaria co-autores. Isso vai contra a exposição de motivos. isto é. não haveria que se falar em concurso de pessoas. b) Autoria colateral: pessoas que convergem na mesma prática criminosa sem necessariamente haver uma assunção de que querem praticar o mesmo crime. . se a pessoa já tiver sido condenada por crime de furto ou roubo. o fato se enquadra na contravenção penal do art. A jurisprudência. apesar de praticarem o mesmo crime. A jurisprudência atual comunga com essa 2ª corrente.preparatórios. trabalha sobre a vontade da pessoa de participar da empreitada criminosa. abrange também os partícipes.Concurso de Pessoas . atualmente já é mais pacífico. Entretanto. . Ex: durantes as manifestações varias lojas foram invadidas.

desde que se tenha provas (testemunhos. 1ª corrente: o preceito secundário do furto qualificado nessa qualificadora é inconstitucional por afronta aos princípios mencionados. Aplica-se a causa de aumento do roubo no furto simples. afirma que haviam dois agentes. que protege mais bens jurídicos (propriedade/posse + integridade da pessoa) do que o crime de furto (propriedade/posse).. Discussão sobre possíveis soluções para esse problema: . Para o legislador brasileiro é mais grave cometer furto mediante concurso de pessoas do que cometer roubo nas mesmas circunstancias. É indispensável saber a identidade de todos. Considerações Gerais: Furto qualificado privilegiado? . o roubo. que estava no local no momento. Hamilton Bueno de Carvalho. 2ª corrente: PREVALECE! Essa solução de utilizar o preceito secundário de um crime em outro crime fere o princípio da legalidade. dessa maneira. deveria ser aplicado o aumento de pena do roubo no furto dentro dessas circunstâncias. o furto. não há concurso. O dono da loja. É possível tentar sustentar a tese de que o menor (de 14 anos) não tem discernimento para haver uma acordo de vontades entre os agentes e.Problemática da pena: comparação com o roubo Um crime mais grave.Descoberta de somente um dos agentes: ao agente que foi encontrado será imputado o furto qualificado pelo concurso de pessoas. Súmula 442 do STJ. vídeo) nos autos de que houve outros agentes. . São violados os princípios da proporcionalidade. O cara que foi preso será acusado de furto qualificado. o que não pode acontecer. da isonomia (o cara que praticou o crime mais grave é tratado de maneira mais benéfica). Lênio Streck). O roubo é um crime complexo. o outro agente que participou do furto não foi encontrado a polícia e sua identidade não é nem conhecida. (Bittencourt.Menor de idade no cômputo da qualificadora: computa-se a participação de menor para efeitos de caracterizar a qualificadora para o agente maior. uma vez que o concurso de pessoas é uma qualificadora no furto e uma causa de aumento no roubo. Ex: dois caras furtam uma loja. . A polícia pega apenas um dos agentes. da razoabilidade. Isso seria o juiz legislando. . tem um aumento de pena menor do que um crime menos grave . portanto.

que o agente transporte o veículo e ultrapasse os limites fronteiriços de outro estado ou país. 157 do CP – Roubo Topografia: Caput: roubo próprio § 1°: roubo impróprio § 2°: causas de aumento de pena § 3°: qualificadoras 1ª parte: roubo qualificado por lesão grave . já sedimentou-se o entendimento de que incide a qualificadora. § 5° É uma qualificadora que está separada das outras pois o seu substrato mínimo é maior. há uma exigência espacial. Cabe ou não cabe tentativa nesse crime? Art. 155. Trata-se de um adendo legislativo feito em 1996. Consumação: quando ocorre o veículo ultrapassa a fronteira para outro estado ou outro país. Essa era a posição do STF. cabe tipificar? Sim. Elemento subjetivo especial: levar o veículo para outro estado ou país. . àquele que subtraiu coisa valiosa com destreza. . Mesmo que o agente saia de Goiás para o DF.. Art.Elementar objetiva espacial: para tipificação desse crime. É mais um exemplo de lei influenciada pela mídia. É a posição atual dos tribu nais (STF e STJ). 1ª corrente: existia essa corrente que dizia que “a gravidade da qualificadora é incompatível com o privilégio”. 2ª corrente: “assim como admitimos homicídio qualificado privilegiado. Polêmica: “distrito federal” – o tipo fala em estado ou país. Bittencourt: é proporcional que não se impute a mesma pena ao réu primário que subtrai coisa de pequeno valor com destreza. Outro argumento é a posição topográfica do privilégio em relação às qualificadoras. Obs: partes do veículo não tem o condão de caracterizar a qualificadora. Essa lei veio ao mundo para repressão de gangues que furtavam carros e levavam para o cambio negro de outro estado ou de outro país. também é possível furto qualificado privilegiado”. qual seja.

. Quanto ao outro bem jurídico. Quase sempre o que antecede a violência é uma grave ameaça. É o caráter temporal que diferencia principalmente. no roubo a ameaça é imediata. protege mais de um bem jurídico. O roubo absorve a lesão leve e as vias de fato. por ele ter demorado para sair do carro e foge. . mas nem sempre ocorre. pois há vezes em que esse bem jurídico não é lesado. No art. configurando uma ameaça . Não é impossível visualizar uma afronta à incolumidade pessoal. alguns falam em liberdade pessoal e outros falam em incolumidade pessoal. “vis corporalis” . A facada configura apenas lesão leve. A ameaça do roubo é diferente da ameaça do art. Pede para que ele saia do carro. “vis compulsiva”. Violência: violência própria . caput: roubo próprio Subtrair coisa alheia móvel para si ou para outrem: olhar a análise do crime de furto. se enquadra mais na grave ameaça. 147 do CP. Ex: o ladrão chega para um cara parado no sinal no seu carro. Tem que ser uma ameaça plausível. e para se falar no crime é preciso visualizar uma afronta ao seu bem jurídico tutelado. Pode ocorrer lesão ou vias de fato. 146). Deve haver contato corporal entre agente e vítima. 157. qualifica-se o crime de roubo pelo § 3°. O patrimônio é consenso entre a doutrina. O roubo nada mais é do que a soma do furto (art.2ª parte: latrocínio Bem jurídico tutelado: é um crime complexo. Finalmente. 155) e do constrangimento ilegal (art. O prof. Art. depende do resultado que acontece. Obs: as características de fragilidade da vítima podem influenciar. pois nem sempre esse bem jurídico é lesado no roubo. Grave ameaça: violência própria . o homem sai do carro. Passa agora a bolsa se não vai cair um raio na sua cabeça. Isso confirma que o roubo é um crime complexo. O ladrão manda ele sair do carro se não vai lhe dar uma facada. o cara pede para conversar e o ladrão lhe dá uma porrada no rosto. O ladrão lhe dá uma facada no braço. Ex: passa agora o seu relógio se não o bicho papão vai te pegar. grave e FUTURO contra alguém. Ele não entende ser possível falam ser em incolumidade pessoal (integridade corporal e mental). Se ocorre uma violência mental. 147 a ameaça é de um mal injusto. Se acontece lesão grave ou gravíssima. É violência física. Daniel prefere falar em patrimônio + liberdade individual.

. não há que se falar na violência imprópria. Trata-se de tentativa de furto com lesão corporal. ela já entrega a bolsa. Roubo impróprio só existe com violência própria (violência ou grave ameaça). não há violência imprópria. Ex: o ladrão. Ex: um cara estava muito bêbado no bar. fazendo ela inalar algo ou obrigando a pessoa a beber algo. . é violência própria. Não há que se falar em roubo impróprio. você espera até ele dar PT e pega as coisas dele enquanto ele está “desmaiado”. Utilização de recursos que retiram a capacidade de resistência da vítima. tem uma finalidade especial: assegurar a subtração da coisa. um homem bem grande e mau encarado. Prevalece que a pessoa que tem contato com a outra. já que foi a vítima que buscou aquela situação. .para ela. Ex: o ladrão esconde uma possível arma debaixo da roupa. mas sim em furto simples. deve-se pensar nas características da vítima. Em respeito ao princípio da legalidade e da vedação da analogia “in malam partem”. . O agente emprega a violência própria ou imprópria para depois subtrair a coisa. A principal característica do roubo próprio é que a violência é antecedente à subtração da coisa. Ela inclusive tem um intento tipificado. Roubo próprio pode acontecer também com violência imprópria. por exemplo. § 1°: Roubo Impróprio A violência é posterior à subtração da coisa. . sonífero para a vítima. dá um soco na pessoa que chegava. . bêbada ou drogada. Se a pessoa já se encontrava impossibilitada. que devem ser consideradas. Ex: o ladrão fala “perdeu”. A subtração acontece depois da utilização do recurso. “Qualquer outro meio: violência imprópria . Ex: dar boa noite cinderela. Não há necessidade de ser uma ameaça expressa. Portanto. O agente deixa a coisa e enquanto tentava fugir. Não pode haver roubo impróprio com violência imprópria. Isso torna isso de difícil aplicação. Para analisar isso. sendo estes diferentes de grave ameaça ou violência. Aqui não há que se falar em roubo com violência imprópria. as características da vítima tem que ser consideradas. Quando a capacidade de resistência é reduzida pela própria vítima. dopagem. chega para uma mocinha e fala oi. Furto + Lesão Corporal Ex: o agente está subtraindo algo e escuta alguém chegando. Ex: apontar para a coisa com cara de mau. não há violência imprópria. Aqui há um lapso temporal maior entre a violência e a subtração da coisa. pois a própria redação do artigo não fala nesse tipo de violência.

apropriação definitiva da coisa + assegurar detenção ou impunidade. com a fuga com a coisa. por exemplo.Diferencie rapidamente o roubo próprio do roubo impróprio: Momento do emprego da violência Impossibilidade de violência imprópria no roubo impróprio. se transforma em roubo. ele agride-o. A violência não necessariamente ocorre contra o proprietário da coisa. para si ou para outrem (é o começo p/ caracterizar o crime) . O roubo impróprio é um furto que deu errado. Exemplo mais difícil! O agente tem o contato com a coisa. com aquele que vigia a coisa. Se o furto não se consumou.Há possibilidade de roubo impróprio sem “ vis corporalis”? No roubo impróprio é imprescindível que tenha o contato do agente com a coisa. A coisa ainda está na esfera de disponibilidade da vítima no roubo impróprio. O roubo impróprio é o furto que. mas não leva embora pois é surpreendido. Há que se cumular tentativa de furto e lesão corporal. Ele agride a pessoa que o surpreendeu mediante violência. ainda não consumado. Para garantir a sua fuga. Roubo Impróprio e Consumação do Furto Ex: João e José entra em uma casa e rouba a televisão. Alguns doutrinadores chamam isso de “apoderamento”. Roubo impróprio há também um dolo de finalidade específica: assegurar a detenção ou impunidade. Esse é o limite temporal para diferenciar o roubo impróprio de furto. pode ocorrer com o detentor da coisa. . Ou seja. Já estava fora do apartamento e já tinha colocado a TV dentro do seu carro. . em virtude do posterior emprego de violência dentro do contexto de subtração. Elemento Subjetivo . enquanto José já vai embora com a TV roubada. Não se fala em roubo impróprio quando o furto se consuma. Joao percebe que esqueceu sua carteira dentro da casa e volta para busca-la. e surpreendido pelo dono da casa. Somente depois desse contato é que ocorre a violência. Nesse momento. pode-se falar em roubo impróprio. Roubo Próprio: apropriação definitiva da coisa. Chegando lá dentro. Dolo de finalidade específica no roubo impróprio.

OBS: Rogério Greco e Weber Mouro defendem que a consumação. Isso é uma questão prática. Bittencourt afirma que há tentativa de roubo.2ª corrente: admite tentativa quando o agente é preso após subtrair a coisa. no roubo próprio e impróprio. que ocorre quando não há transferência da esfera de disponibilidade da coisa. e o crime protege sobretudo o patrimônio. Essa corrente é majoritária na doutrina clássica (Damásio. A violência não foi utilizada por . ameaça. mas a pessoa não tem nada para ser roubado. Por ser um crime complexo. dispensando-se também a posse mansa e pacífica. O raciocínio tem que se voltar para a tentativa de empregar violência. A jurisprudência tem aceitado um lapso temporal menor para a consumação do roubo. dispensando a posse mansa e pacífica. ocorre com a posse mansa e pacífica da coisa. Damásio de Jesus defende que não há roubo. mas não consegue. É impossível de fracionar o iter criminis.Consumação: Roubo Próprio: mesmo raciocínio do crime de furto. Ou o agente emprega a violência e consuma o crime. lesão corporal. a execução do crime já foi iniciada. uma vez que não havia patrimônio. A influência principal é da corrente “Amotio”.1ª corrente: não há que se falar em tentativa. Hungria. por circunstancias alheias à sua vontade. . Transferência da esfera de disponibilidade da coisa. Noronha) e prevalece no STJ. no momento em que tenta empregar a violência. sem saber que a pessoa estava morta. pois o roubo impróprio se consuma com o emprego da violência. NÃO PREVALECE! Aula 19/08 Problemáticas da consumação: 1) “Bolso vazio”: o agente emprega violência contra a vítima e procura algo para roubar. nem mesmo tentado. entende-se que há furto. As vítimas do crime de furto são a família do cadáver. constrangimento. Pode haver tentativa. ou não emprega violência e há furto tentado. Roubo Impróprio: consuma-se com o emprego da violência ou grave ameaça. O agente deve responder pelos atos já praticados. Tentativa do Roubo Impróprio: . 2) “Roubo do cadáver”: se o agente subtrai algo de um cadáver. um dos bens jurídicos tutelados já foi violado. podendo ser: vias de fato.

sobra o constrangimento. § 2° .1ª corrente: STJ e STF entendem que é roubo consumado. Não prevalece! b) Princípio da Insignificância: não há possibilidade de aplicação do princípio da insignificância no roubo. É o posicionamento da doutrina contemporânea. pois há uma afronta ao princípio da legalidade. o juiz. Destaques: a) “Roubo de uso”: o agente emprega violência ou grave ameaça com o intuito de subtrair a coisa e devolver depois. O roubo seria furto + constrangimento. O que é arma? No ordenamento brasileiro arma tem um sentido amplo. Inciso I: emprego de arma. . Não há o animus de transferir a esfera de disponibilidade da coisa para sempre.2ª corrente: não há roubo.circunstancias alheias à vontade do agente. A doutrina faz distinção entre arma própria e imprópria: . . pode aumentar a pena em um patamar mais alto que 1/3. na dosimetria da pena. mas pode configurar outro crime como o constrangimento.Causas de Aumento de Pena no Roubo: Em que pese tribunais superiores. mas não se aplicam ao roubo qualificado. Arma é todo instrumento com ou sem finalidade bélica capaz de servir ao ataque.Arma própria originalmente tem função de ataque ou de proteção. então é possível aplicar o privilegio do § 2° do furto no crime de roubo. . desde que fundamentadamente. A violência intrínseca ao crime afasta a possibilidade de analogia in bonam partem. não é restrito a um caráter bélico. As causas de aumento valem tanto paro o roubo próprio. 157. c) Aplicação do privilégio do furto no roubo: . estamos diante de clara hipótese de causa de aumento de pena. Art. Como não há o substrato do furto. como para o roubo impróprio.2ª corrente: STJ e STF não admitem a aplicação do privilégio. Se houver mais de uma causa de aumento. . doutrina e mídia chamarem o roubo majorado de roubo qualificado.1ª corrente: é possível analogia in bonam partem. Súmula 443 do STJ.

 Apreensão da Arma Apreensão da arma para fazer perícia.  Arma Desmuniciada ou Inapta para o Disparo Não há possibilidade de configuração da majorante.Arma imprópria é aquela que não é feita exclusivamente para ataque ou proteção. Há uma discussão se há necessidade de apreender a arma para fazer perícia (é muito oscilante). O sujeito efetivamente tem que utilizar a arma ou o simples fato de a arma ser mencionada já basta para caracterização da qualificadora? . Toda arma deve ter poder de intimidação e potencialidade lesiva. PREVALECE! Ex: o agente porta arma na cintura e mostra para a vítima. sendo esta um elemento essencial para a subtração da coisa (Bittencourt).. .1ª corrente: é necessária a efetiva utilização da arma. Arma de brinquedo não autoriza o aumento de pena. Aula 21/08 Problemáticas: Poder de Intimidação + Potencialidade Lesiva Deve ser observado sempre que se pensar na utilização de arma no crime de roubo. não basta que tenha apenas um desses fatores. .2ª corrente: “porte ostensivo” . basta que a arma seja mencionada. A súmula 174 do STJ foi cancelada. O agente tem a arma e faz dela parte essencial da sua ameaça. Exceções: .Se a arma masca (inapta p/ o disparo). parcela da doutrina entende que também pode se caracterizar a majorante. em um contexto de exceção.  Arma de Brinquedo Até 2001 a doutrina e a jurisprudência afirmava que arma de brinquedo se assemelha à arma de verdade (Súmula 174 do STJ).  Simulação de Arma Não incide a majorante. pois a arma não possui a menor potencialidade lesiva.  .não necessariamente a arma tem que ser utilizada. alguns entendem pela configuração da majorante. Trata-se de um roubo simples mediante ameaça.Se o agente tem pronta disponibilidade da munição. ameaçando-a.

Inciso III – Se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância O conhecimento é obrigatório não só nessa majorante. 157. mas não é obrigatória. o momento de consumação é diferente. . § 2°. 157). mas em toda e qualquer circunstancia no direito penal. Menor de idade conta para majorar o crime do agente maior. 288) e o outro tutela o patrimônio (art.. Todas as testemunhas falam que havia 3 agentes. Deve haver vinculo subjetivo entre todos os co-autores ou partícipes na prática delitiva. um tutela a paz/segurança pública (art. O segundo argumento é que os bens jurídicos são diferentes. pode-se falar em cumulação de crimes. Ex: uma não após o roubo.2ª corrente: é aconselhável e muito importante a apreensão da arma. 288 já ocorreu no momento de associação e o crime de roubo ocorre somente depois. II) + crime de formação de quadrilha (art. Excecao: há possibilidade de falar em dois crimes quando o contexto de apreensão da arma de fogo é completamente diferente do contexto do crime de roubo. Uma arma dele é apreendida e por exame de perícia comprovase que foi a arma utilizada no roubo. Inciso II – Concurso de Pessoas As reflexões feitas no crime de furto são aproveitadas. No entanto se o réu alega a ausência de potencialidade lesiva ou a inexistência de arma. pois isso não precisava ser falado. O número de pessoas é considerado duas vezes para prejudicar os réus: para configuração do crime de quadrilha e também para a configuração da majorante do crime de roubo. portanto se comunica com eventuais co-autores. Primeiramente. Importante: há possibilidade de cúmulo material desse crime majorado (art. Observações Finais sobre arma de fogo:  Arma de fogo e porte de arma: regra geral. Para essa corrente aplica-se o crime de roubo majorado + crime de quadrilha. Trata-se de uma atecnia do legislador. o contexto de roubo absorve o crime de porte ilegal de arma (princípio da consunção ou absorção).2 corrente: não é bis in idem. qualifica.  A utilização de arma de fogo é circunstancia objetiva do crime de roubo. . 288 do CP)? . . Aplica-se somente o crime majorado.1ª corrente: é bis in idem. O partícipe também entra na contagem para qualificar. o ônus de provar isso é do próprio réu. Isso porque existem outras maneiras de comprovar a existência de arma de fogo no contexto. Como o contexto de apreensão foi diferente.1ª corrente: é indispensável a apreensão da arma para fazer perícia para fins de qualificação da majorante. a polícia recebe uma denuncia anônima sobre quem seria o agente. o crime do art.

desde que fundamentadamente. por exemplo. A pergunta essencial é: o agente conseguiria fazer isso sem restringir a liberdade da vítima? Sim! A restrição da liberdade não é essencial para a prática do crime. Pode-se configurar a majorante também no transporte de carga. Existe uma doutrina minoritária que diz que a majorante somente se aplica a carro forte. é momentânea. Inciso IV: Subtração de veículo automotor Mesma coisa do furto. leva o vendedor para impedir que ele chame a polícia imediatamente. Tem que ser necessariamente no contexto de prestação de serviço. Aula 26/08 Súmula 443 do STJ: necessidade de fundamentação para aplicação das causas de aumento. se o próprio dono do bem é roubado. Aqui a restrição de liberdade da vítima é essencial para a prática do crime. O sujeito passivo imediato é quem não é dono dos valores transportados. obras de arte). . ela apenas garante o sucesso da subtração da coisa ou a fuga. Não é necessário que seja atividade habitual do funcionário o transporte de valores. liberando-o bem longe dali algum tempo depois. ou seja. Ex: o agente. lá é qualificadora aqui é causa de aumento. não cabe a majorante. pode ser uma situação eventual. Obs: é diferente da situação em que o agente pega a vítima e a obriga a passar no caixa eletrônico e lhe dar o dinheiro.. pedras preciosas. Inciso V: Restrição de liberdade da vítima A restrição da liberdade ocorre com o intento de garantir a subtração da coisa. Transporte de valores não necessariamente é de um carro forte. A restrição de liberdade é circunstancial. É possível aplicar mais de uma causa de aumento. Ex: o ladrão rouba um estabelecimento comercial e quando está indo embora prende os funcionários dentro do banheiro. Pode ser um office boy que vai levar o caixa do estabelecimento comercial para o banco. sem isso o agente não conseguiria cometer o crime. força valorativa (ex: dinheiro. títulos. joias.O que são valores? Valores são qualquer tipo de bem que realmente tenha cunho patrimonial. depois de roubar uma loja.

o vigia.a violência é dolosa. Nesse caso. a localização topográfica do parágrafo também não permitiria. vindo a falecer no local. Aqui . Uma das pessoas era um antigo inimigo seu. no dia seguinte ele volta e mata-o na saída do trabalho. entretanto o resultado lesão grave ou morte pode se dar de maneira dolosa ou culposa. A violência que causa a morte se dá durante o assalto e em razão dele. . Ex: após cometer um roubo. Fator tempo + Fator nexo. .não se aplicam as majorantes do parágrafo anterior ao roubo qualificado. Tem que existir uma relação com o contexto da subtração. independente se ele é culposo ou doloso. Além disso. Crítica: aplica-se a mesma pena ao crime. Ex: o cara com plena vontade de subtrair determinadas coisa dentro de um escritório. . quando ele fala “passa a bolsa” ela toma um susto tão grande que tem um infarto.pode-se caracterizar a qualificadora tanto para roubo próprio quanto para roubo impróprio.a pessoa que sofre o resultado lesão grave ou morte não necessariamente tem que ser o proprietário ou detentor da coisa. matando-a. Bittencourt afirma que há uma afronta ao princípio da proporcionalidade. mas concurso de roubo + homicídio. por exemplo. . Ex 2: um assaltante rouba um banco e não mata ninguém. o crime de roubo absorve a lesão leve. . Há cumulação de crimes. As penas previstas na qualificadoras já englobam toda a gravidade das majorantes.não se fala de roubo qualificado oriundo de grave ameaça. Não há que cumular o crime de roubo com crime de lesão leve.Qualificadora Generalidades: . uma quadrilha comemora dando tiros para o alto. não houve o fator nexo.se há lesão leve. Latrocínio O latrocínio é um crime hediondo. Subtraiu o que queria. pode-se pensar em concurso de crimes. Se não houver nexo. Um desses tiros atinge uma pessoa. Só há possibilidade se caracterizar a qualificadora se houver “vis corporalis”. Nesse caso não há roubo qualificado. ele mata esse cara. Com medo que o vigia tenha visto o seu rosto.§ 3° . Ex: um homem assalta uma velhinha. pois apesar de ter havido o fator tempo. tendo ameaçado as pessoas que trabalhavam no escritório. não se trata de latrocínio. o policial. Pode ser outra pessoa.

Trata-se de um paradoxo em relação à hipótese anterior. há uma outra corrente que leva em conta o elemento subjetivo: a) Elemento subjetivo voltado para lesão Se o resultado advém dolosa ou culposamente. pois aqui interpreta-se que. que é um crime tentado. Súmula 603 do STF: latrocínio é crime contra o patrimônio. § 2°. Há cumulação de crimes. 4) Subtração consumada + morte tentada: durante muitos anos. § 3°. também não há todos os elementos do crime. Exceção: pode ser qualificado 2 latrocínios se for possível delimitar 2 patrimônios diferentes. Ver informativo 520 do STF. foi jurisprudência tranquila nos tribunais de que se trata de latrocínio tentado. V) Os últimos julgamentos do STF tem sido neste sentido (ex: HC 91583/RJ. não é crime contra a vida. 121. trata-se de um concurso material de crimes: roubo + tentativa de homicídio qualificado(art. 14. se envolvido um único patrimônio. em números. também prevalece o entendimento de que se trata de latrocínio tentado. pois a subtração não foi consumada. . mas nesse caso o STF privilegia a proteção ao bem jurídico vida. O assaltante tem que saber que se tratam de 2 ou mais patrimônios distintos. mas não tem o fator tempo. 1ª parte b) Elemento subjetivo voltado para morte Já que a morte não ocorre. 157. uma vez que não estão presentes todos os elementos da definição legal do crime. portanto não atrai a competência para o Tribunal do Júri.há o fator nexo. trata-se do art. 73). I. Entretanto. trata-se de um latrocínio só. por não haver todos os elementos do crime. A regra geral é que não se configura latrocínio se um dos comparsas morre. Entretanto. Greco afirma que há uma afronta ao art. Mas na hipótese anterior. Atualmente. há possibilidade de configurar latrocínio quando um dos comparsas morre se ocorrer aberratio ictus (art. RHC 94775). Isso revela que a vida é o bem jurídico que é priorizado. tratando-se de homicídio qualificado. Pluralidade de mortes: independente da pluralidade de morte. Consumação ou Tentativa do Latrocínio 1) Subtração consumada + morte consumada: latrocínio consumado 2) Subtração tentada + morte tentada: latrocínio tentado 3) Subtração tentada + morte consumada: latrocínio consumado (súmula 610 do STF). Crítica: o latrocínio é um crime contra o patrimônio.

mas a velhinha estava lá. Ela grita. no crime de extorsão. Daniel mata a velhinha e pega o anel de diamantes. . é mais ampla do que no crime de roubo. fugindo com o carro. o dono do carro chega. 158 – EXTORSÃO A extorsão nada mais é do que um constrangimento ilegal agravado pelo intuito de obter vantagem econômica. mas B aplica violência contra o dono e mata-o. já a extorsão protege . 157. ART. Observações Finais do Latrocínio: . pois os elementos subjetivos dos agentes são diversos. 1) Bens jurídicos tutelados: patrimônio + liberdade individual A proteção ao patrimônio.  Roubo + tentativa de homicídio qualificado: competência do Tribunal do Júri e o homicídio qualificado é hediondo. a 1ª parte do § 3° estaria fadado ao fracasso. No momento do furto. 157.Essa nova interpretação surgiu. 29. OBS: tem que haver dolo na violência para aplicação do § 3° do art. Ler em: Regis Prado. Rogério Shanches. mas Barbara afirma que só participaria se não houvesse violência contra a velhinha que seria furtada. Daniel entra na casa. 29. A Barbara se imputa o crime de furto tentado (art. A cometeu o crime de furto tentado (art.Cooperação Dolosamente Distinta Ex: Daniel e Barbara planejam um furto. pois se toda vez que houvesse morte tentada se falasse em latrocínio tentado. O crime de roubo protege apenas coisa móvel.2 corrente  Art. Barbara escuta e foge. 1ª parte: competência da Justiça comum e não é crime hediondo. Isso não fere a teoria monista. A foge nesse momento. § 2°. Ex. 1ª parte) e a Daniel o crime de latrocínio consumado. Eles pesquisaram sobre a vida da senhora e descobriram que todas as manhas ela não estava em casa. 2: A e B combinam de furtar um carro.as majorantes do § 2° não se aplicam ao § 3°. § 3°. seja 1ª parte ou latrocínio. Kleber Maçon Consequências desse pensamento: . § 2°) e B cometeu o crime de latrocínio.1 corrente – latrocínio tentado: competência da justiça comum e é crime hediondo .

Crítica feita pelo Greco: ler! Sujeito ativo: Sujeito passivo: é possível pluralidade de sujeitos passivos. a vítima deve ser uma pessoa física. Quanto ao bem jurídico liberdade pessoal.Deixar de fazer . não configura extorsão. Uma pessoa sofre lesão contra o bem jurídico liberdade pessoal e outra pessoa sofre lesão contra o bem jurídico patrimônio. Se for vantagem devida. Como diferenciar o crime de extorsão do crime de roubo? Fórmula de Frank: o ladrão subtrai e o extorsionário faz com que a vítima lhe entregue a coisa. desde que o bem jurídico atingido seja o patrimônio. Entretanto. é possível pensar que o deixar de fazer exige uma conduta negativa do agente. seu pai. Pessoa jurídica pode ser vítima de extorsão? Sim. 2) Tipo Objetivo . Roubo Extorsão O ladrão subtrai (não depende O agente faz com que a vítima lhe exclusivamente da vítima) entregue (papel da vítima) A vantagem buscada é imediata A vantagem buscada é futura Colaboração da vítima dispensável Colaboração da vítima indispensável O mal é iminente (quase que O constrangimento aponta para o imediato) futuro Vantagem restrita (palpável) Vantagem ampla (econômica) Na extorsão a vítima pode escolher se render ou não à ameaça. enquanto que o tolerar que se faca exige que a vítima tolere uma ação do agente.Tolerar que se faça A linha é muito tênue entre deixar de fazer e tolerar que se faça.todo tipo de bem que possui valor econômico. Vantagem: tem que ser indevida. Ex: eu ameaço agredir Maria para conseguir vantagem econômica de João. Ex: Titulo de crédito.Fazer . porcentagem de lucro. .

somente co-autores. Trata-se de um crime formal. que possui finalidade específica. enquanto no roubo é uma majorante. É crime hediondo quando ocorre o resultado morte (art. Ex: um agente da lei. A prescrição também é contada do momento que se consuma o crime (art. Em relação a arma. Dolo de finalidade especifica voltado para obter vantagem econômica. O momento da consumação influencia no momento do flagrante. dispensando-se a obtenção da indevida vantagem econômica. Ex. realmente tem que ter a possibilidade de constranger a vítima. na extorsão não se aceita partícipes no computo do concurso de pessoas. 1°. Não há crime. É possível tentativa. mas vê o crime acontecendo e não faz nada. É possível o crime de extorsão por omissão (omissão imprópria – art. para prejudicar a vítima.Ação Penal Pública Incondicionada. III da lei 8. não material. Não há que se falar em flagrante no momento do mero exaurimento do crime. Só as lesões leves são absorvidas pelo crime. mas a vítima chama a polícia e por circunstancias alheias à sua vontade ele não consegue cumprir a ameaça. O recebimento da vantagem por parte do sujeito ativo é o exaurimento do crime. 111. I do CP). 2: o agente ameaça a vítima e já se prepara para cumprir a sua ameaça. Consumação: é pacífico que o crime de extorsão consuma-se com o constrangimento da vítima.Na extorsão a ameaça tem que ter o potencial lesivo à vítima. pois não exige a ocorrência de um resultado. ainda que o crime seja formal.072). Qualificadora § 3° A restrição de liberdade da vítima na extorsão é uma qualificadora. Não é possível na modalidade culposa. Observações finais: . A prova maior do constrangimento é a vítima fazer o que o agente pede. Qualificadora § 2° Há remissão expressa ao roubo qualificado. . Ex: a ameaça do agente é jogar uma macumba na vítima. mesmas considerações do roubo. § 2°). Ex: a carta extorsionária é interceptada. Súmula 96 do STJ. .Elemento Subjetivo: é um crime doloso.As lesões leves e a ameaça são absorvidos pelo crime de extorsão. Majorante §1° Diferente do roubo e do furto. 13. . que tem o dever de impedir o crime ou ao menos denunciar.

Outro argumento é que a interpretação literal deve ser interpretada por uma interpretação racional. é hediondo. há referencia ao resultado morte na lei de crimes hediondos. Então o crime mais grave também deve ser considerado hediondo. Seria uma afronta ao princípio da legalidade. .2 corrente: por uma questão de coerência. é crime hediondo.1 corrente: não é crime hediondo. pois a lei de crimes hediondos (lei 8. Esse crime também é hediondo? .072) é expressa ao citar somente o § 2° do art. acompanhando com a estrutura do ordenamento. PREVALECE! . Ademais. uma vez que o crime do § 2°. Esse tipo surgiu em função dos sequestros relâmpagos.Extorsão com a restrição da liberdade da vítima + morte (2ª parte). estaria ocorrendo analogia in malam partem. 158. que é menos grave.

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