Você está na página 1de 9

Gestão de Riscos Segundo a Norma OHSAS 18.001/2007

Segundo a Norma OHSAS 18.001/2007 (Item 4.3.1 – Identificação de Perigos, Avaliação de Riscos e Determinação de Controles), a organização deve estabelecer, implementar e manter procedimento(s) para identificação contínua de perigos, a avaliação de riscos e a determinação dos controles necessários. O(s) procedimento(s) para a identificação de perigos e para a avaliação de riscos deve(m) levar em consideração:

a) Atividades rotineiras e não rotineiras;

b) Atividades envolvendo as pessoas que tenham acesso ao local de trabalho (incluindo terceirizados e visitantes);

c) Comportamento humano, capacidades e outros fatores humanos;

d) Perigos externos, capazes de impactar negativamente a segurança e a saúde no local de trabalho;

e) Perigos próximos relacionados ao trabalho ou sob o controle da organização;

f) Infra-estrutura, equipamentos e materiais, sejam eles fornecidos pela organização ou por outros;

g) Mudanças ou propostas de mudanças nos processos, atividades ou materiais;

h) Modificações no sistema de gestão da SSO, incluindo mudanças temporárias que resultem em impactos nas operações, processos e atividades;

i) Qualquer obrigação técnica ou legal aplicável relacionada à avaliação de riscos e à implementação dos controles necessários;

j) Disposição das áreas de trabalho, processos, instalações, máquinas e equipamentos, procedimentos operacionais e organização do trabalho, incluindo sua adaptação às capacidades humanas.

A metodologia escolhida pela organização para a identificação de perigos e avaliação

dos riscos, deve:

a) Ser definida em relação ao seu escopo, natureza e momento oportuno para agir, para assegurar que ele seja proativa em vez de reativa.

b) Fornecer subsídios para a identificação, priorização e documentação dos riscos, bem como para aplicação dos controles, conforme apropriado.

Para a gestão de mudanças, a organização deve identificar os perigos de SSO e os riscos de SSO associados às mudanças na organização, no sistema de gestão da SSO, ou em suas atividades, antes da introdução de tais mudanças.

A organização deve assegurar que os resultados dessas avaliações sejam levados em

consideração quando da determinação dos controles. Ao determinar os controles ou considerar as mudanças nos controles existentes, deve-se considerar a redução dos riscos, de acordo com a seguinte hierarquia:

a)

Eliminação;

b)

Substituição;

c)

Controles de Engenharia;

d)

Sinalização, alertas e/ou controles administrativos;

e)

Equipamentos de proteção individual (EPI).

A organização deve documentar e manter atualizados os resultados da identificação de

perigos, da avaliação de riscos e dos controles determinados, assegurando que os riscos e os

controles identificados sejam considerados, implementados e mantidos de seu sistema de gestão da SSO.

A “identificação dos perigos, avaliação dos riscos e a implementação dos controles”

deve ser planejada e sistemática, por meio de uma metodologia que garanta repetibilidade e permita identificar os responsáveis pela sua elaboração. O resultado deve resultar em um plano de ação.

Atendimento ao Requisito da Norma OHSAS 18.001/2007

ü A organização deve garantir que os perigos significativos sejam identificados para que sejam estabelecidos os controles necessários para minimizar a probabilidade de ocorrência de incidentes que possam afetar desempenho dos sistema de gestão de SSO.

ü Deve ser estabelecido um sistema de documentação capaz de manter essas informações atualizadas, rastreáveis e recuperáveis, de forma legível e compreensível. Esse sistema deve atender aos seguintes aspectos:

a) Identificar os perigos das atividades, produtos e serviços, conforme o escopo definido no sistema de gestão de SSO;

b) Determinar os controles que possam ter influencia direta ou indireta;

c) Implementar gestão de mudanças, de forma a identificar os perigos em novos projetos, atividades, produtos e serviços novos ou modificados.

Caso a organização não disponha de um sistema de gestão de SSO sistematizada segundo a OHSAS, pode estabelecer sua posição atual com relação aos riscos de saúde ocupacional e segurança por meio de uma analise inicial. O objetivo é considerar todos os riscos de saúde ocupacional e segurança enfrentados pela organização como base para estabelecer o sistema de gestão. Na analise inicial, a organização deve considerar os seguintes itens (não necessariamente se limitando aos mesmos):

a) Requisitos técnicos e legais;

b) Identificação dos riscos de saúde e segurança enfrentados pela organização;

c) Um exame de todas as práticas, processos e procedimentos disponíveis de gestão de saúde ocupacional e segurança;

d) Uma avaliação do feedback de investigações de incidentes, acidentes e casos de emergências ocorridos no passado.

Uma analise inicial adequada compreende listas de verificação, entrevistas, inspeção e monitoramento, resultados das auditorias anteriores no sistema de gestão, ou outras análises, dependendo da natureza das atividades. Convém enfatizar, aqui, que o diagnóstico inicial não substitui a implementação da abordagem sistemática estruturada.

Os processos de identificação de situações de fatores de risco, analise de risco e controle de risco, e seus resultados, devem ser a base de todo o sistema de saúde ocupacional e segurança. É importante que as relações entre esses processos e os outros elementos do sistema de gestão de saúde ocupacional e segurança sejam estabelecidas de forma clara e estejam evidentes.

A complexidade dos processos acima depende, em grande parte, de diversos fatores

tais como: tamanho da organização, situações do local de trabalho, natureza, complexidade e dimensão dos fatores de riscos. Esse requisito da OHSAS não pretende forçar pequenas

empresas, com baixa complexidade e limitação de situações de risco, a adotar medidas complexas de identificação e controle das situações de fatores de risco.

Os processos variam consideravelmente de empresa para empresa, desde simples avaliações até análises complexas com grandes volumes de documentos. Cabe à organização

planejar esses processos conforme suas necessidades, as situações encontradas no ambiente de trabalho, e ficar em conformidade com os requisitos legais.

A aplicação dos processos de identificação de situações de fatores de risco, análise de

risco e controle de risco não devem se limitar às operações “rotineiras”, mas também abranger as operações e procedimentos não rotineiras, emergenciais e futuras, tais como atividades de manutenção, paradas e inicio de operação, entre outras. Esses processos devem ser

devidamente documentados, devendo incluir pelo menos:

a) Identificação de situações de fatores de risco;

b) Avaliação de riscos e medidas de controle existentes (ou propostas), considerando as situações especificas de risco, probabilidade de falha das medidas de controle, e severidade potencial das consequências;

c) Avaliação da tolerância do risco residual;

d) Identificação de outras medidas de controle de risco necessárias;

e) Medidas de controle de risco necessárias e suficientes para reduzir a gradação do risco

a um nível tolerável.

A organização deve manter seus documentos, dados e arquivos atualizados das

atividades que estejam sendo avaliadas, abrangendo também novos desenvolvimentos ou modificações, antes de as mesmas serem implementadas. Os resultados devem indicar o nível de risco associado que pode impactar negativamente os objetos e desempenho de gestão de SSO, se isso ocorrer, os objetivos e o programa de SSO devem ser reavaliados. A OHSAS 18002 – Interpretação – sugere os seguintes elementos para Identificação de Situações de Fatores de Risco, Análise e Controle de Risco:

a)

Definir a natureza, o prazo de execução, o escopo e a metodologia a ser aplicada, considerando os requisitos técnicos e legais aplicáveis;

b)

Definir o nível de qualificação adequado necessário. Para algumas organizações, pode ser conveniente utilizar serviços/consultorias;

c)

Definir os níveis de autoridades e responsabilidade dos responsáveis pela realização das atividades críticas que possam impactar o desempenho do sistema de gestão de

SSO;

d)

Considerar as informações obtidas a partir da participação dos trabalhadores, bem como a partir das análises e melhorias, sejam elas reativas ou pró-ativas;

e)

A administração deverá receber sobre os resultados obtidos do trabalho de identificação de situações de fatores de risco, analise de risco e controle de risco, para subsidiar o estabelecimento dos objetivos de SSO, bem como o processo de analises criticas pela alta administração;

f)

O

fato de existirem procedimentos escritos/formais, não elimina a necessidade de

proceder à identificação de situações de fatores de risco, análise e controle de riscos;

g)

A

organização deve também, obrigatoriamente, dar atenção aos fatores de riscos

resultantes das atividades de contratadas ou que possam impactar os visitantes, bem como a utilização de produtos ou serviços terceirizados;

h)

Os fatores de riscos a que os trabalhadores próprios e terceiros se expõem na utilização de materiais, instalações e equipamentos que se deterioram com o tempo, especialmente os materiais, instalações e equipamentos em estoque;

i)

Considerar as medidas implementadas para o controle de riscos existentes na ocasião da análise. Se a análise do risco resultante induzir/provocar alterações ou modificações dessas medidas de controle, deve ser realizado um novo processo de análise, para se conhecer a nova gradação de risco resultante/reflexo das alterações e estimar o risco residual;

j) As ações identificadas devem ser monitoradas de forma que sejam concluídas dentro do prazo programado;

k) Implementação de ações pró-ativas antes que novas atividades ou procedimentos sejam implementados;

l) Realizar avaliação de retorno (feedback) observando operações subsequentes que necessitem de alterações;

m) Quando apropriado, devem ser identificadas as necessidades de qualificação e treinamento do pessoal envolvido;

n) A falha humana deve ser considerada uma parte integrante do processo de identificação de situação de risco, análise de risco e controle de risco.

o) Onde for possível, a gestão de riscos deveria refletir, nesta ordem:

Eliminação dos fatores de risco; Redução do risco, reduzindo a probabilidade de ocorrência ou a gravidade dos efeitos:

Uso de EPI (sempre como último recurso).

p) Reavaliação dos estudos de risco conforme necessário, considerando: a natureza dos fatores de risco; dimensão do risco; mudanças na operação normal; mudanças nos estoques de matérias-primas, produtos químicos, entre outras variáveis.

As revisões devem ser feitas, também, quando ocorrem mudanças dentro da organização, que ponham em questão a validade das análises existentes, tais como: expansão, redução, reestruturação; redistribuição de responsabilidades; mudanças nos métodos de trabalho ou padrões de comportamento.

A implementação das metodologias de gerenciamento de riscos requer profissionais qualificados. As ferramentas de gerenciamento dos riscos, nos diversos níveis de complexidade, são aplicadas na aprovação de projetos e tecnologias, start up, treinamento operacional e gestão de mudanças, entre outras atividades.

Em complemento, deve ser elaborado procedimento com as diretrizes do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) incluindo: Objetivos, identificação, aplicabilidade e interação das metodologias (ex; APP, LAI, Hazop, FMEA, entre outras). A metodologia deve possuir as seguintes características:

a) Ser pró-ativa considerando o campo de aplicação, natureza e periodicidade;

b) Definir uma classificação para os riscos identificados e apresentar os que necessitam ser eliminados ou controlados;

c) Considerar a experiência operacional da organização para a implementação das medidas definidas para o controle dos riscos;

d) Fornecer informação das instalações e processos, para o levantamento de necessidades e definição dos controles operacionais;

e) Definir a metodologia para o monitoramento das ações de controle e/ou eliminação das situações de perigos, de forma a garantir sua implementação, adequação e eficácia dentro dos prazos estabelecidos.

Convém existir um procedimento com as diretrizes do PGR, contendo a aplicabilidade das ferramentas, interação com a elaboração e atualização do PAE. Além da OHSAS 18.001/2007, há diversas citações sobre a obrigatoriedade da implementação de um PGR nas NR 5, NR 9, NR 22, NR 29, NR 30, NR 32. O PGR incluirá as seguintes etapas:

a) Antecipação e identificação de fatores de risco, levando-se em conta, inclusive as informações do Mapa de Risco

b) Avaliação dos fatores de risco e da exposição dos trabalhadores;

c) Estabelecimento de prioridades, metas e cronograma;

d) Acompanhamento das medidas de controle implementadas;

e) Monitoramento da exposição aos fatores de riscos;

f) Registro e manutenção dos dados por, no mínimo, vinte anos;

g) Avaliação periódica do programa.

Por similaridade técnica, sugere-se a elaboração de um procedimento contemplando as diretrizes do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), seguindo a estrutura prevista na

NR-22:

a)

Riscos físicos, químicos e biológicos;

b)

Atmosferas explosivas;

c)

Deficiências de oxigênio;

d)

Ventilação;

e)

Proteção respiratórias, de acordo com a IN 01 de 11/04/1994;

f)

Investigação e analise de acidentes do trabalho;

g)

Ergonomia e organização do trabalho;

h)

Riscos decorrentes do trabalho em altura, em profundidade e em espaços confinados;

i)

Riscos decorrentes da utilização de energia elétrica, máquinas, equipamentos, veículos e trabalhos manuais;

j)

Equipamentos de proteção individual de uso obrigatório, observando-se, no mínimo, o constante na NR 6;

k)

Plano de emergência;

l)

Outros, resultantes de modificações e introduções de novas tecnologias.

Por ocasião da identificação inicial de perigos, a organização irá considerar, sem caráter de exclusividade, os requisitos legais e técnicos, além das boas práticas de trabalho. Nesta etapa, serão avaliados os procedimentos, a descrição dos processos, as atividades e os métodos de trabalho, bem como os resultados do processo de investigação e análise de incidentes (acidentes e emergências ocorridas). Os estudos de risco devem incluir as atividades realizadas pelas empresas prestadoras de serviços (EPS).

Uma boa aproximação a esta atividade pode passar pelo estabelecimento de listas de verificação (check list), entrevistas, inspeções e medidas diretas, resultados de auditorias ao sistema de gestão ou qualquer outra informação, dependendo da natureza das atividades.

Os estudos de identificação dos perigos e da avaliação dos riscos devem ser revistos periodicamente, considerando eventuais mudanças nos processos, na armazenagem, nas matérias-primas e em produtos químicos ou em casos de expansão, reestruturação, reorganização e mudanças de métodos de trabalho resultando em novas situações de perigos. Resumindo, a organização manterá o procedimento e os estudos de risco (Levantamento de Aspectos e Impactos) para atividades rotineiras, não-rotineiras, de emergência e futuras. Os seguintes aspectos serão considerados:

a) Identificar as atividades de manutenção rotineiras, não-rotineiras, de emergência e futuras que possuam os agentes da fatalidade;

b) Identificar as atividades não-rotineiras, de emergência e futuras que possuem a obrigatoriedade de emissão de APT;

c) Explicar controles: EPI, EPC, APR, procedimento, etc;

d) Garantir a existência de procedimento e treinamento para todas as atividades envolvendo os agentes da fatalidade;

e) Incluir atividades realizadas por terceiros.

Ao estabelecer os seus objetivos da SSO, a organização deve considerar os resultados da identificação dos perigos, da avaliação dos riscos e das medidas de controle adotadas. Essas informações serão documentadas e mantidas atualizadas. Os auditores avaliarão a existência de procedimentos, de modo a evidenciar que os mesmo abordam, pelo menos, os seguintes aspectos:

a) Formas de realização e controle dos riscos das atividades e operações de riscos

envolvendo os agentes da fatalidade nas atividades rotineiras, não rotineiras, futuras e de emergência (ex: trabalho em altura, espaços confinados, transferência de produtos químicos, serviços em linhas energizadas, intervenção em máquinas ou equipamentos rotativos, etc);

b) Identificação de perigos, determinação dos riscos a eles associados e indicação hierarquizada dos riscos identificados para cada perigo e se estes são, ou não,

aceitáveis;

c) Descrição ou referencia às medidas para controle e monitoramento dos riscos não-

aceitáveis;

d) Redução dos riscos identificados e quaisquer atividades de seguimento do seu processo de redução;

e) Identificação da competência requeridos para implementar as medidas de controle, além de verificar os registros gerados pelas atividades referidas.

Não existe uma metodologia universal para identificação de perigos e avaliação de riscos, no entanto, a mais comum baseia-se nas seguintes etapas:

a) Análise de riscos – através dela, são identificados os perigos e estimados os riscos, determinando conjuntamente a probabilidade e as consequências de um acontecimento perigoso.

b) Valoração do risco – comparação do valor do risco obtido com o valor do risco aceitável. O objetivo é emitir um juízo acerca da aceitabilidade do risco considerado. Caso se conclua que o risco não é aceitável, deve-se controla-lo.

A Garantia da Segurança Total envolve duas vertentes; a Operação e o Processo. Desta

forma, convém a organização utilizar metodologias para identificar perigos, avaliar riscos e implementar controles, de forma a garantir a segurança das operações e do processo.

A garantia da segurança da operação envolve a avaliação das atividades e tarefas na

relação direta homem x máquina. Nesta avaliação, serão identificados os perigos, efeitos e a gradação dos riscos das atividades e tarefas. Devem ser verificadas a existência dos procedimentos e boas práticas operacionais com foco nas atividades envolvendo os agentes da fatalidade.

Para garantir a segurança da operação, normalmente é utilizada a metodologia denominada Levantamento de Aspectos e Impactos (LAI), para avaliar riscos operacionais. Esta metodologia é oriunda de uma outra metodologia mais simples criada na siderurgia norte- americana no inicio do século XX denominada Job Hazardous Analyses (JHA) e que, no Brasil, muitas empresas utilizam com o nome Análise de Risco da Tarefa.

A metodologia LAI foi criada para atender ao Sistema de Gestão Ambiental. Mas pode

ser usada de forma integrada ou isoladamente para a Gestão de SSO. Os estudos de risco irão

considerar os seguintes aspectos:

a) As atividades rotineiras (normal), não –rotineiras (anormais) futuras e de emergência realizadas por funcionários próprios;

b) As atividades envolvendo empregados das empresas prestadoras de serviços (EPS);

c) Atividades que possam causar acidentes ao pessoal externo que tenha acesso às

instalações da organização, como, por exemplo, visitantes, fornecedores, prestadores

de serviços temporários e/ou autônomos.

Os estudos de risco devem identificar as atividades rotineiras, não rotineiras, de emergência e futuras. A seguir, os exemplos práticos de uma análise diferenciada de atividades de manutenção:

a)

Atividades não rotineira sem agente da fatalidade sem necessidade de APR. Coberta

por procedimento e treinamento: analise de vibrações – lubrificação de máquina com ponto externo;

b)

Atividade rotineira com agente da fatalidade (altura) sem necessidades de APR, coberta por procedimento e treinamento; análise de vibrações;

c)

Atividade rotineira com agentes da fatalidade (altura, movimentação de máquinas, etc) com necessidade de APR, coberta por procedimento e treinamento: inspeção de ponte, inspeção interna de máquina, troca de dormentes, etc;

d)

Atividade não-rotineira de manutenção com agente da fatalidade sem necessidade de APR, coberta por procedimento e treinamento: inspeção de ponte;

e)

A

identificação dos perigos, a avaliação dos riscos e a implementação dos controles

incluem as instalações e os locais de trabalho dos empregados, caso elas estejam situadas dentro da propriedade da empresa, bem como as das empresas prestadoras

de serviços situadas no local das atividades a serem desenvolvidas para o contratante.

Existe a necessidade de considerar a falha como um dos elementos potenciais de situações de perigos. As pessoas de todos os níveis estão sujeitas a tomar decisões equivocadas em nível gerencial ou operacional. Trabalhar o elemento humano em todos níveis hierárquicos é fundamental para minimizar a possibilidade de incidentes que resultem em acidentes com fatalidades e lesões, reduzindo, assim, custos e aumentando a produtividade.

A falha humana é uma definição mais ampla, que envolve erros, desvios e limitações

humanas. As principais limitações humanas estão relacionadas à memória, à percepção, à concentração e ao raciocínio lógico.

A garantia da segurança do processo visa identificar os controles de processos

agregados ao sistema tecnológico, de forma a evitar acidentes resultantes da ineficácia ou da inexistência dos controles e até mesmo erros de lógica na operação dos sistemas que induzam o operador a cometer um erro de interpretação na operação do sistema.

Para garantir a segurança do processo, existem diversas metodologias clássicas como, por exemplo: Análise Preliminar de Perigos (APP), Hazop, FMEA e Análise de Vulnerabilidade. A escolha da metodologia irá depender do nível de profundidade da análise e dos objetivos a serem alcançados. Normalmente, o uso da APP será o mais adequado para atender a esta necessidade básica mais imediata.

A APP é inclusive a ferramenta sugerida pelos órgãos ambientais (Ibama, Cetesb,

Feema, Feam, ect) para validar processos de licenciamento ambiental, pois tem objetivo identificar perigos (cenários de acidentes) provenientes de eventos indesejáveis envolvendo vazamentos, incêndios e explosões, entre outros. Essa ferramenta pode ser usada de forma integrada ou isoladamente para a gestão de SSO. Ao final desde capitulo, será apresentada a

forma de aplicar essa metodologia.

O processo de certificação em prática no Brasil é bastante tolerante com a busca de

evidencia para a Garantia de Segurança do Processo por parte das organizações (pelo menos, uma APP). Poucas vezes, a inexistência dessas metodologias de gerenciamento de riscos de

processo será um entrave ao processo de certificação, ficando a avaliação limitada à existência do LAI.

Em sistema de gestão mais amadurecidos, os estudos de risco irão servir para aprovação de projetos, análise de seguro e gestão de mudanças que podem ser a base para liberação de investimentos por parte da alta administração e/ou grupo gestor.

Não utilizar metodologias para identificação de perigos e avaliação dos riscos é uma não-conformidade normalmente deixada de lado num processo de certificação. Isto resulta num processo frágil que não garante o atendimento aos requisitos mínimos de segurança. A alínea (j) do item 4.4.2 destaca a necessidade da avaliação dos riscos de processos, conforme descrito a seguir:

(j) A disposição das áreas de trabalho, processos, instalações, máquinas e equipamentos, procedimentos operacionais e organização do trabalho inclui sua adaptação às capacidades humanas.

A não-avaliação dos riscos de processo é que leva a alta administração a não entender

por que os indicadores de acidentes de trabalhos às vezes são tão baixos e, de repente, ocorre um acidente tecnológico (vazamentos, incêndios e explosões de grandes proporções) que

resulta na morte de várias pessoas. As razões que levam as certificadoras a não aprofundar o tema de segurança de processo são diversas e envolvem, pelo menos, os seguintes aspectos:

a) Utilização de auditores oriundos do sistema da qualidade e meio ambiente, porém

sem a formação de engenharia de segurança do trabalho (tal fato ocorria no inicio do processo de certificação da OHSAS 18.001/1999);

b) Formação interna inadequada dos auditores das certificadoras;

c) Inexperiência ou desconhecimento dos auditores das metodologias de gerenciamento de riscos de processo;

d) Aceitação das empresas auditadas que desejam um processo rápido e que gerem poucas não-conformidades, pois estão pressionadas pela alta administração em obter

a certificação;

e) Interpretação inadequada e carente de proatividade da OHSAS.

Em termos práticos, não é lógico cobrar disciplina operacional e investir em qualificação de pessoas que irão operar sistemas tecnológicos, máquinas e equipamentos obsoletos e inseguros. Da mesma forma, não é eficaz disponibilizar alta tecnologia para empregados não qualificados, dispostos ou pressionados a quebrar procedimento.

Uma das formas de evidenciar a alínea (e) é buscar identificar no LAI as atividades de manutenção (realizadas por funcionários próprios ou terceiros) com possibilidade de presença de energias acumuladas (inercial, pneumática, elétrica, hidráulica ou térmica), prevendo sistemas de controle como sinalização e bloqueio dos equipamentos. O LAI estudos de riscos com atividades não-rotineiras normalmente realizadas por empresas prestadoras de serviços (terceiros) que executam movimentação de cargas eventuais, troca de telhas em edificações, manutenção de iluminação em galpões e pavimentação de vias de circulação interna.

A OHSAS 18.001/2007 apresenta de forma clara a necessidade de identificar os perigos

e avaliação dos riscos no processo antes da introdução de mudanças em nível operacional e de

processo. Muitos acidentes têm ocorrido durante o processo de mudanças nas atividades e processos, devido ao surgimento de novas situações de perigo que necessitam passar por um processo de avaliação e identificação.

A Gestão de Mudanças é um requisito importante dentro do processo de

gerenciamento de riscos. Desta forma, a empresa deve elaborar e implementar o procedimento, estabelecendo os aspectos a serem considerados. Tão importante quanto identificar os perigos e avaliar os riscos é implementar os controles identificados.

Não são raros os casos de acidentes em que as ações identificadas nos estudos de riscos não foram levadas em consideração pelos gestores em função das análises de custo- benefício ou porque se julgou subjetivamente que a probabilidade de materialização do cenário era muito remota.

Os estudos de riscos buscam identificar perigos (cenários de acidentes) envolvendo

atos não-intencionais, considerando o acidente um evento probabilístico. Entretanto, cada vez mais se torna importante incluir nos estudos de riscos cenários resultantes de atos intencionais relacionados a: terrorismo, sabotagem e vandalismo. Existe uma série de controles estabelecidos na legislação, em especial nas Normas Regulamentadoras (NR), cuja implementação é de caráter obrigatório. Podem ser citados, como exemplos:

a) Sinalização e bloqueio de equipamentos (NR 10 e NR 11);

b) Uso de dispositivos de alivio em vasos sob pressão e caldeiras (NR 13);

c) Uso confinado de substâncias cancerígenas (NR 15);

d) Uso de dispositivos contra retrocesso e válvulas unidirecionais (NR 18);

e) Uso de andaimes, cinto de segurança e redes (NR 18);

f) Sistema de ventilação e exaustão em minas (NR 22);

g) Sinalização e bloqueio de acesso a espaços confinados (NR 23).

Não-conformidades mais comuns

As

não-conformidades

mais

comuns

envolvendo

o

uso

de

metodologias

de

identificação dos perigos, avaliação dos riscos e determinação dos controles, são:

a) Escolha e aplicação da metodologia;

b) Qualificação das pessoas que estão usando a metodologia;

c) Registro e divulgação de informação;

d) Identificação de atividades, rotineiras, não-rotineiras, futuras e de emergência;

e) Identificação de mecanismo de controle inerentes aos perigos identificados;

f) Avaliação e gradação dos riscos;

g) Identificação de atividades que possuam os agentes da fatalidade etc.

Ao se analisar a aplicação da metodologia, é comum se deparar com atividades e tarefas cujos perigos não foram identificados. Isto resulta na falta de avaliação dos riscos e determinação das medidas de controle que podem comprometer o desempenho do sistema de gestão. As metodologias apresentam elevado nível de subjetividade de alguns critérios utilizados, não garantindo uma avaliação consistente dos riscos e resultando em inconsistências na determinação dos controles.

Pontos a Destacar!

ü É comum encontrar sub-avaliação dos riscos nas atividades não-rotineiras, tais como a manutenção das instalações e equipamentos, não foram objeto de identificação de perigos e avaliação de riscos.

ü Da mesma forma existem falhas na identificação dos perigos associados às atividades futuras e de emergência, em função de deficiência na definição, o que dificulta a identificação de aplicação da metodologia correspondente.