Você está na página 1de 55

Índice

APRESENTAÇÃO

3

ENTREVISTA

Trânsito e Transporte de Belo Horizonte ganham prêmio nacional Antônio Carlos Pereira, diretor-presidente da BHTRANS

5

POLÍTICA ADMINISTRATIVA

- Gerente de Resultados no OP Cidade

8

- Sistema Único de Cadastro de Fornecedores: Vantagens para todos dos lados

10

ECONOMIA MUNICIPAL

- PIB do Município de Belo Horizonte apresenta queda

12

- Notas sobre o Mercado de Trabalho na Região Metropolitana de Belo Horizonte

18

POLÍTICA SOCIAL

- Escola Plural e Constituinte Escolar: O direito a ter direitos

20

- Criação do Conselho Municipal de Defesa Social: uma idéia inédita

23

ORÇAMENTO E FINANÇAS

Relatórios Gerenciais da SMPL – Despesas pagas da PBH Janeiro - Junho de 1999

25

POLÍTICA URBANA

- Redesenhando Belo Horizonte

34

- Concurso Ruas da Cidade

36

GERAL

Iº Congresso Brasileiro de Controle Social do Orçamento Público

39

INDICADORES ECONÔMICOS, SOCIAIS E URBANOS

- Emprego e Salários

46

- Finanças Públicas

50

- Urbanos/Econômicos

53

3
3

Apresentação

Numa iniciativa pioneira da Prefeitura de Belo Horizonte, juntamente com a Assembléia Legislativa de Minas Gerais e o Fórum Nacional de Participação Popular, realizou-se em Belo Horizonte, no mês de julho deste ano, o Iº Congresso Brasileiro de Controle Social do Orçamento Público. O evento teve ampla participação e suas repercussões são analisadas neste número 04 de PLANEJAR BH.

Na seção Entrevista, o Diretor-Presidente da BHTRANS, Antônio Carlos Pereira, apresenta uma visão sobre a questão do trânsito em nossa cidade. Pelo segundo ano consecutivo, a BHTRANS recebe o prêmio de melhor gerenciamento de trânsito e transporte, concedido pela Associação Nacional de Transportes Públicos. A atuação da SUDECAP, passados trinta anos de sua criação, é avaliada em artigo de seu Diretor - Presidente, Murilo Campos Valadares, na seção Política Urbana. Na Política Social, a Escola Plural e a Constituinte Escolar são abordadas em matéria da Secretária Municipal de Educação, Maria Céres P. Spínola Castro, que também explica como se dará a elaboração do novo Regimento Escolar da rede municipal.

Os resultados do PIB de Belo Horizonte, que registrou um decréscimo de 2,66% no primeiro trimestre de 1999, fruto da recessão induzida pela política econômica do governo federal, são apresentados na seção Economia Municipal.

Na seção Orçamento e Finanças, pode-se ver que, mesmo neste quadro preocupante, houve um crescimento de 96,68% no investimento da PBH. Divulga também uma proposta de modernização de sistemas gerenciais da Prefeitura. Com o mesmo objetivo, o Sistema SUCAF, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Administração e implantado na área de cadastro de fornecedores, é descrito com detalhes na seção Política Administrativa, que traz, ainda, artigo do Secretário Municipal de Administração, Fernando Almeida Alves, sobre a importância da participação do gerente democrático popular no Orçamento Participativo - Cidade.

Modernização, também, na revista PLANEJAR BH: a partir deste número, nossa revista pode ser acessada pela Internet. O endereço é www.pbh.gov.br/siga/planejar. Esperamos, com isto, que projetos, informações e reflexões produzidos sobre o município cheguem às mãos dos interessados com mais facilidade e rapidez.

Coordenação Editorial

Entrevista

5
5

Antônio Carlos Pereira: Trânsito e transporte de Belo Horizonte ganham prêmio nacional

Desde junho, na coleção de prêmios conquistados pelo governo Célio de Castro consta o de melhor gerenciamento de trânsito e transporte do Brasil. A premiação da ANTP - Associação Nacional de Transportes Público, concedida pela segunda vez consecutiva à BHTRANS, é uma mostra do êxito do projeto político desenvolvido na capital mineira. Nesta entrevista, o diretor-presidente da BHTRANS, Antônio Carlos Pereira (Carlão), fala do desafio de manter e ampliar a qualidade nos projetos de trânsito e transporte frente a recessão econômica e escassez de fontes de financiamentos do governo federal.

Foto: Cecília Pederzol
Foto: Cecília Pederzol

Qual a sua avaliação da implantação do Código de Trânsito Brasileiro - CTB no contexto nacional ? Em primeiro lugar, defesa da vida. Infelizmente vivemos ainda uma situação no país onde se mata mais no trânsito do que em várias guerras que ocorrem no mundo. O Código veio na perspectiva de diminuir a violência, de construir uma cidadania também no trânsito e veio criando as condições para que os municípios que sofrem os efeitos do número exagerado de automóveis tenham

instrumentos para atuar, seja sobre a violência, seja sobre

o ponto de vista de organizar melhor as cidades.

Quais os resultados da aplicação do Código em Belo Horizonte? Os balanços ainda são incipientes. O Código é recente

e talvez ainda tenhamos que ter muita paciência, não se muda comportamentos de um dia para o outro. Agora, objetivamente, conseguimos, nesse período curto de

tempo, estruturar um serviço de fiscalização de trânsito. Conseguimos uma relação respeitosa com o cidadão infrator, temos conseguido atuar no sentido de diminuir acidentes. Recentemente Belo Horizonte conseguiu reduzir para um índice de 3,4 mortos por 10 mil veículos,

o que dentro de padrões internacionais é um percentual

próximo a muito bom. Mas, insisto, ainda temos muito o que fazer.

Os municípios, e em especial Belo Horizonte,

estavam

responsabilidade?

A área de trânsito, costuma-se dizer que tem um tripé:

engenharia de trânsito, educação para o trânsito e

fiscalização. No que se refere a engenharia, a Prefeitura de Belo Horizonte, através da BHTRANS, já vinha atuando há muito tempo. A Gerência de Educação para

o Trânsito também desenvolve atividades permanentes

na área. O que nos faltava era o instrumento da fiscalização, serviço que demandou ações rápidas de treinamento de pessoal e realização de concurso público. Aliado a isso está a ação com a Polícia Militar.

Em função do Código, a BHTRANS passou por quais mudanças na sua estrutura administrativa? Para as pessoas terem uma idéia: São Paulo tem um órgão, a CET- Companhia de Engenharia de Tráfego, exclusivamente destinada a cuidar do trânsito. Nós tivemos que criar uma outra BHTRANS dentro da BHTRANS. Agregamos o serviço de fiscalização, estamos estruturando a JARI – Junta de Recursos de Infrações de Trânsito, não só como cumprimento de exigência do Código, mas como direito do Cidadão. Criamos um órgão para todo o processamento das infrações e outro para ampliar nossa área de educação para o trânsito. Em suma, criar estrutura e incorporar pessoas na perspectiva de oferecer um serviço melhor para a cidade.

Como tem sido a reação dos motoristas à aplicação do Código?

A maioria aplaudiu e compreendeu, pois o Código veio

ao encontro de uma necessidade da sociedade. Nós vivíamos e ainda vivemos sob a marca da impunidade

no trânsito. Agora temos que diferenciar duas situações:

a maioria da população não comete infração. Os dados

têm que ser relativizados. Informações que temos do Detran é que algo em torno de 79 % dos motoristas não cometem nenhuma infração. O que é um dado bastante

esta

preparados

para

assumir

“ 79% dos motoristas não cometem nenhumainfração.”

6
6

Entrevista

significativo. Temos em uma outra ponta uma minoria

de infratores

cometem pequenas infrações por descuido, relaxo. Queria me concentrar nessa última faixa, são aquelas pessoas que sempre têm uma desculpa na ponta da língua: parar na fila só um “minutinho”, correr achando que a velocidade da via não deveria ser aquela, quando a velocidade da via é determinada por legislação federal. É sobre esse tipo de pessoas que temos sempre que atuar, deixando claro que são cidadãos que cometeram infrações de trânsito e que serão penalizados pelos mecanismos do bolso e da pontuação, o que impede que uma pessoa de poder aquisitivo maior possa violentar qualquer regra mínima de convivência na cidade. Devido a uma necessidade da cidade, a BHTRANS vem instalando alguns radares, detetores de avanço de sinal. Há pessoas que tentam insinuar uma possível indústria de multas. Sobre isso vale observar que só há multa se há infração. Se as pessoas não cometem infrações não há multas. Em todos os lugares onde há radares colocamos sinalização de alerta sobre a sua presença, o que demonstra que nossa intenção não é multar, e, sim, diminuir a velocidade para preservar vidas.

contumazes. No meio, pessoas que

Como vem sendo feita a operacionalidade do Código com o Estado? Em nível nacional, Minas Gerais foi destaque na operacionalidade legal do Código. Através do Fórum Mineiro de Gerenciadores de Trânsito e Transporte foi definido o convênio base do Governo do Estado para todos os municípios. A BHTRANS avançou em algumas ações com o Estado, principalmente com a Polícia Militar. Há obstáculos a serem superados: ainda não temos disponibilizados o cadastro de condutores e veículos, que é uma determinação do Código para viabilizar o processamento de multas pelos municípios, e, acima de tudo, o controle sobre esse serviço para se evitar as trágicas marcas do passado do “jeitinho” de tirar multas. Apesar de termos o repasse financeiro da multas do Estado, ainda não temos condições de saber exatamente se o cidadão pagou ou deixou de pagar determinada multa. Diria que a relação com o Estado pode melhorar bastante. No que diz respeito a União, lembro que 5% da receita das multas são destinados ao Fundo Nacional de Educação para o Trânsito, ainda não estruturado pelo governo federal. Onde e como a BHTRANS tem concentrado a

“ a possibilidade de transporte de

qualidade para os metrópoles é através do metrô, que é a espinha dorsal do BHBUS.”

aplicação dos recursos das multas? Há uma noção equivocada de que multa gera muito dinheiro, ao contrário, nosso desejo é de que cada vez gere menos recursos financeiros. Não queremos que as pessoas paguem multas, queremos que mude comportamentos. Do ano passado para cá, recebemos

mensalmente algo em torno de 650 mil reais de pagamento de multas. Esse total não paga sequer o custeio da nossa diretoria de trânsito que mensalmente consome cerca de R$350mil com sinalização horizontal (pintura no asfalto), placas, instalação e controle de semáforos. Se agregarmos as intervenções na área central (PACE), constatamos ainda mais que o dinheiro das multas fica abaixo do mínimo que investimos em segurança no trânsito. Lembramos também que a última campanha educativa de trânsito teve um custo de quase R$600 mil, praticamente um mês de arrecadação de multas.

Qual o custo/benefício do PACE - Plano da Área Central?

É importante avaliar o PACE na lógica de valorizar o

planejamento da cidade. Mais do que intervenções pontuais para resolver alguns gargalos de trânsito, o PACE obedece a uma lógica de criar novos caminhos, diminuir o tempo que as pessoas perdem nos congestionamentos, e por consequência, reduzir a poluição sonora e ambiental, além de agregar, com

intensidade, a segurança para veículos e, principalmente, para pedestres. As intervenções do PACE vieram “mineiramente” pela borda. Atacamos a área do hipercentro para que se criassem condições para que, no segundo momento, fossem feitas as intervenções na área central, aí já vinculadas com o BHBUS para melhorar, principalmente, a circulação do transporte coletivo e requalificar a área central de Belo Horizonte.

O objetivo do BHBUS é reestruturar todo o sistema de

ônibus com a criação de estações de integração, como

a Estação Diamante, racionalizando as viagens,

aumentando a segurança e o conforto de usuários e

motoristas.

A curto prazo o que está previsto para melhorar o serviço de transporte público? Em função de um problema de conjuntura de âmbito nacional, o custo do transporte teve aumento significativo. Neste ano os combustíveis tiveram reajustes de quase 40 % . Na outra ponta, em função da recessão econômica, resultado da política do governo federal, tem gerado desemprego, e, com isso, milhares de pessoas estão sendo expulsas do sistema de transporte. Essa combinação trágica de aumento de custo por um lado, diminuição de passageiros por outro, nos faz racionalizar o sistema, que atualmente possui

qualidade superior à realidade anterior à implantação da segunda etapa do BHBUS, em julho do ano passado. Já

lançamos licitações para as estações do BHBUS

Venda Nova e Barreiro, que devem operar até junho do próximo ano. Dependendo do ritmo de obras do governo federal na extensão do metrô, ainda nesse governo do prefeito Célio de Castro deveremos inaugurar as estações de integração da avenida José Cândido da Silveira e do bairro São Gabriel, o que dá um passo de qualidade significativo ao BHBUS. Outra importante melhoria virá com a bilhetagem eletrônica que possibilitará pagamento da passagem através de cartão com crédito magnético. Vamos preservar a figura do trocador com sua requalificação para novas funções. A bilhetagem abre possibilidade para uma política tarifária mais justa, com integrações, tarifas diferenciadas por horários ou trechos. Enfim, ampliando o direito de utilizar

de

Entrevista

7
7

o transporte coletivo com mais conforto, segurança e preço acessível.

No setor de transporte público, a capital mineira está em qual posição nacional? No país, na área de transporte, temos hoje um paradigma que é Curitiba. A BHTRANS conquistou pela segunda vez consecutiva o prêmio nacional de gerenciamento de transporte, o que contribui para colocar Belo Horizonte, junto com Porto Alegre, como uma das melhores entre as grandes cidades brasileiras. É preciso fugirmos de alguns fetiches na discussão do transporte. Quando você olha o transporte de forma isolada, abstraindo o que há no seu entorno, a avaliação é negativa. Quando você olha transporte comparando-o a outras necessidades da cidade, ele não aparece como principal problema. Eu quero focar na sua singularidade. É muito comum as pessoas considerarem absurdo os ônibus andarem cheios de passageiros. As pessoas não compreendem o contexto de que o transporte público não pode concorrer em qualidade com o individual. Ocorre que a opção do transporte individual não é possível nem em países ricos. Transporte público em qualquer lugar do mundo, nos horários de pico é lotado. Recentemente, um jornal de Belo Horizonte fez escândalo com o fato de termos especificado a capacidade do ônibus com uma média de cinco passageiros por metro quadrado, sendo que a especificação da fábrica é de sete. O metrô de Tóquio carrega 10 pessoas por metro quadrado. A análise do

transporte público deve ser feita a partir dessa realidade

e não com relação ao automóvel, que tem uma lógica inviável para qualquer cidade.

Como tem sido o controle da população no sistema de transporte público e trânsito? Eu diria que a grande marca da BHTRANS faz parte de um projeto político-administrativo da cidade desenvolvido pela Prefeitura de Belo Horizonte nos pressupostos da inversão de prioridades, da moralidade do trato da coisa pública, da democratização. O prêmio de âmbito nacional de melhor empresa gerenciadora de transporte muito se deve a esta concepção democrática que não pode ser vista como ato de vontade do gestor público, mas, sim, construída a partir de ações, intervenções, organizações, reivindicações da sociedade civil. A BHTRANS multiplica espaços de participação:

em todas as regionais da cidade, a população participa de reuniões, deliberações, indicações e eleições dos representantes para as Comissões de Transporte que atuam junto a BHTRANS no controle, fiscalização e hierarquização das demandas para as comunidades. Temos fóruns específicos de Táxi e de Trânsito que reúnem representantes dos taxistas, empresas operadoras de transportes, transportadoras de cargas, Associação Comercial, Clube dos Diretores Lojistas.

Conforme decisão do prefeito Célio de Castro foi criado

o Conselho Fiscal da Câmara de Compensação Tarifária

com participação de representantes da sociedade civil:

Sociedade Mineira de Engenheiros, Câmara de Vereadores, Sindicato da Construção Civil. Esse canal de participação da sociedade na Câmara de Compensação Tarifária encerrou o mistério em relação

a gestão das finanças do transporte público. Com essa

política de participação popular, a sociedade fiscaliza

aquilo que é efetivamente dela, a cidade toda ganha.

Como é financiado o transporte público em Belo Horizonte? Em Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e,

infelizmente, no Brasil inteiro, quem paga o transporte é exclusivamente o usuário. Isso nos remete a dois problemas. Primeiro, da recessão econômica, que deixa

as

pessoas desempregadas e sem o vale transporte .

O

segundo relaciona-se aos custos do transporte. As

melhorias de qualidade são reivindicações legítimas da população, mas elevam os custos do transportes. Essa situação perversa tem que ser rompida. Não me parece que seja o caso de consultar modelos estrangeiros para

mecanicamente aplicá-los aqui. Nossas tarifas são caras

se considerarmos o padrão de vida da população. É

penoso para o assalariado de baixa renda arcar com a

tarifa de Belo Horizonte, de R$0,80, que ocupa a décima quarta colocação entre as capitais brasileira. Agora, se

o valor desta tarifa é avaliado só com o usuário custeando

o sistema, marchamos cada vez mais para impedir que mais pessoas tenham acesso ao transporte. As pessoas que viajam para o exterior têm como modelo de qualidade

de transportes públicos, a Europa e, especificamente, o

metrô de Paris. Lá há uma equação básica que se traduz

na política de um terço. O poder público sustenta um

terço do custo, a iniciativa privada participa do Fundo

de Transporte e o usuário paga um terço. Numa lógica

dessa, e, se o nosso custo é igual ao da tarifa, se

aplicássemos esse modelo de financiamento de Paris, o cidadão usuário estaria pagando em torno de R$0,30 e não R$0,80. Temos que buscar novos financiamentos do transporte que rompam a lógica do custeio só do usuário. Estamos fazendo uma revisão da política irresponsável de gratuidades. Encerramos recentemente

a gratuidade de oficiais da Justiça e estamos com uma briga na justiça com os Correios.

Como o trabalho do Comitê Suprapartidário do

Metrô, do qual o Sr. é presidente, pode melhorar o transporte público?

A possibilidade de transporte de qualidade para as

metrópoles é através do metrô. O BHBUS tem no metrô sua espinha dorsal. Belo Horizonte ou qualquer outra cidade brasileira não tem condições de arcar sozinha

com os investimentos para o metrô, que é de competência do Governo Federal. Nessa lógica, estamos sofrendo

há vários anos com a novela da obra do metrô que se

arrasta. No último período, houve um certo avanço no

ritmo das obras, novamente estamos enfrentando

problemas de diminuição de orçamento e de incertezas

de liberação de verbas.

O principal papel deste Comitê é eliminar a “paternidade do metrô”. Enquanto algumas pessoas ou setores insinuarem que o “metrô vem por minha causa”, não teremos sua conclusão. Temos que conscientizar que o metrô é uma necessidade para melhoria de vida para a população de Belo Horizonte e da região metropolitana. Isto porque seu impacto positivo vai além da melhoria do transporte, pois envolve questões ambientais e de reordenamento da ocupação do espaço urbano. Devido

a essa dimensão de importância, foi criado o Comitê

com a participação de setores sociais diferenciados e partidos políticos, para tornar o metrô uma “obra coletiva”.

com a participação de setores sociais diferenciados e partidos políticos, para tornar o metrô uma “obra
8
8

O gerente de resultados no OP Cidade

Política Administrativa

Fernando Almeida Alves Secretário Municipal de Administração

“A capacidade das principais lideranças em criar uma arquitetura social capaz de gerar capital intelectual será a chave para se ter uma vantagem competitiva nos próximos anos”. Warren Bennis

Priorizar resultados não é o mesmo que contrapor- se a processos. No entanto, a busca de resultados deve orientar a necessidade de mudanças. E, no serviço público, os resultados são responsáveis pela melhoria das condições de vida da sociedade. Assim, sob o argumento de aumentar resultados, o Governo Federal deu início à chamada Reforma do Estado. Uma reforma

de caráter gerencial, tem afirmado Bresser Pereira. Na proposta do Governo FHC, entretanto, o conteúdo gerencial tem sido traduzido em privatizar, terceirizar serviços, criar organizações sociais ou quebrar

a estabilidade, como a Emenda Constitucional n° 09.

Um conjunto de idéias simples de quem está se retirando da responsabilidade pela maioria dos serviços sociais, e transferindo-os para os municípios.

Reforma gerencial requer a formação de gerentes

– os sujeitos que vão produzir resultados. Não basta

adotar mudanças processuais sem preparar os sujeitos transformadores. Foi por isso que na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte priorizamos investimento na formação dos nossos gerentes, para que quaisquer mudanças ocorram a partir de suas experiências revistas. Em recursos humanos não se começa do zero. Assim, o contexto, a experiência e o quadro político da instituição indicaram o conceito de Gerente Democrático Popular, o nosso sujeito responsável por resultados. Um conceito que orienta ações. A formação gerencial exige mudança de comportamentos. De nada adiantam as ferramentas gerenciais e os conceitos, se estes não forem incorporados na mudança comportamental que se pretenda. Tenho exercitado com os gerentes da Prefeitura as ações que os conceitos de gerente democrático popular

orientam. E, para que se possa ver os conceitos em ação, descreverei, resumidamente, um caso ocorrido na Secretaria de Administração, na gestão dos cemitérios municipais. O secretário de Administração, o diretor do departamento de patrimônio, ao qual estão subordinados os cemitérios, os chefes de serviço dos cemitérios e os quatro chefes de seção correspondentes a cada um dos quatro cemitérios (Saudade, Paz, Bonfim e Consolação) resolveram entrar numa Kombi e, juntos, visitar todos os cemitérios, com o objetivo de definir como priorizar os recursos destinados pela JUCOF, diante de um número enorme de demandas para as quais não haverá tanto recurso de imediato. Éramos seis gerentes, em campo, para selecionar prioridades e recursos. Com um planejamento prévio nas mãos, foi fácil fazer adaptações a partir da visita. De um cemitério a outro, caminhando entre os túmulos, muita informação foi colhida. Todos tivemos a nítida certeza de que foi a visita em equipe que permitiu-nos conhecer as causas efetivas que levam ao abandono dos cemitérios e, assim, fazer inúmeras mudanças na execução dos trabalhos em seu cotidiano. Entre as mudanças, cabe destacar a decisão de não mais ignorar a manutenção do túmulo privado, tida como sendo de responsabilidade única de seus proprietários. Por quê? Há anos predomina a idéia de que nos túmulos de propriedade privada a Prefeitura não pode mexer. Desta forma, se um vaso quebra, ele fica aos cacos sobre o jazigo; se uma parede do túmulo sofre uma rachadura com aberturas, a Prefeitura não pode fechar. E assim vai. Expostos ao tempo, é uma cruz que se quebra, outra que enferruja, e o quadro de total abandono está pintado com vivas cores nas manchetes dos jornais.

Você é Gerente

Você é Democrático somente

Você é Popular

 

somente

 

somente

quando planeja, desenvolve métodos de trabalho, cumpre prazos, metas, assume desafios e avalia resultados

quando trabalha em equipe, aprende com o erro, respeita a diferença, e sabe partilhar decisões.

quando inclui o cidadão e suas opiniões no processo de decisão, e tem no cidadão a razão de ser do seu serviço.

Política Administrativa

9
9

Para os servidores, a culpa é dos proprietários, para estes é do descaso da Prefeitura. Então, tomamos a

decisão de não mais deixar que o descaso dos proprietários ocultasse a nossa parte de responsabilidade na história. Resolvemos retirar todo entulho, de propriedade privada, sobre os túmulos e guardá-los em sacos plásticos etiquetados com o nome dos seus donos. Estes serão informados pelos servidores dos cemitérios de que a Prefeitura retirou os objetos destruídos pelo tempo e que estes estavam deixando a impressão de que a família havia abandonado seus antepassados, o que não é verdade. A família poderá, então, ir até lá, colocar outro vaso, ou cruz, ou mesmo pagar a Taxa de Manutenção. E, até mesmo, levar os pedaços danificados pelo tempo, levando junto qualquer idéia de abandono. Vejam, neste rápido exemplo, a presença do planejamento, do trabalho em equipe, da mudança do método de trabalho, além da presença de uma decisão que inclui os cidadãos em questão. Se considerarmos a pesquisa realizada no dia de Finados, em 1998, na qual os proprietários e os demais familiares opinaram sobre as prioridades de melhorias, poderíamos dizer que fizemos orçamento participativo na gestão dos cemitérios. Neste artigo, entretanto, queremos destacar,

principalmente, a união do

participação popular, o que consideramos ser uma marca especial da administração pública. Os modelos gerenciais, produzidos pelo pensamento empresarial, apresentam grande resultado e sucesso para os fins a que se prestam, na sociedade do consumo e do mercado de valores hegemonicamente econômicos. O mundo estatal, no entanto, é a arena de interesse público. O órgão público é a instituição da lucidez social. Ou seja, o lugar da trajetória da história, onde a sociedade, em toda a sua pluralidade, sedimenta as razões da vida em coletividade. Portanto, é uma organização social que em nada se confunde com o mundo privado. É preciso abandonar a miopia ideológica. O Estado é mais amplo como organização social, inclusive porque o público inclui as dimensões da representação das organizações privadas. Por tudo isso, precisamos de um caminho gerencial próprio. O gerente democrático popular veio para conceituar o desenvolvimento gerencial de uma Prefeitura que quer conjugar eficiência com democracia, resultados com cidadania. Veio incluir o interesse público como ferramenta de gerenciamento. Há muito, a Prefeitura de Belo Horizonte vem formando seus gerentes. Planejar, definir metas, administrar o tempo, avaliar e trabalhar em equipe já são alguns dos aspectos que caracterizam o gerente

ser gerente com a

democrático. Um processo que deve continuar, pois as técnicas gerenciais são inúmeras e de permanente aprendizagem. Contudo, a dimensão do popular do nosso conceito de gerente ainda não se traduziu em ações integradas por toda a equipe de gerentes. É oportuno lembrar que popular foi introduzido para demarcar a efetividade da inclusão dos cidadãos nas decisões sobre a cidade. Hoje, o Orçamento Participativo Cidade, levando os rumos das políticas sociais para a decisão, com participação popular, permite estender a praticamente toda a Prefeitura o encontro dos nossos gerentes com os cidadãos de nossa cidade. No entanto, esse não é um encontro gratuito ou inusitado. A participação popular não é uma dádiva dos céus, nem um destino genético. É uma conquista histórica, uma opção construída por aqueles que desejam justiça. Ato isolado, muitos gerentes já incluem os cidadãos no cotidiano de suas decisões, sem populismo nem democratismo. Uma inclusão mediada por conflitos em busca do interesse público. A participação popular também não pode ser percebida como uma generosidade do governante. É uma opção ética de governo. Uma escolha para construir uma cidadania ativa. Além disso, nós já conhecemos os benefícios para a eficiência do gerenciamento das obras públicas introduzidos pela participação popular, através do orçamento participativo. E também sabemos o quanto de qualidade a participação de cidadãos trouxe em programas, como o premiado “Liberdade Assistida”, criado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. E, agora, o OP Cidade veio representar um novo salto de qualidade na arte de elevar o poder governante do povo de Belo Horizonte. O OP Cidade explicita ao gerente democrático popular a sua dimensão popular, que se realiza na ação de criar as condições e os meios da participação de cada cidadão no planejamento das nossas decisões. Finalmente, cabe ressaltar que a Prefeitura de Belo Horizonte crava um conceito público de desenvolvimento gerencial quando consolida a força e a competência dos seus gerentes democráticos populares.

e a competência dos seus gerentes democráticos populares. Bibliografia: DAGNINO, Evelina. Anos 90, Política e

Bibliografia:

DAGNINO, Evelina. Anos 90, Política e Sociedade no Brasil. Ed. Brasiliense, 1994 DINIZ, Eli. Crise, Reforma do Estado e Governabilidade. Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1997. VIANNA F., Marco Aurélio, Junqueira L.ª Costaacurta. Como Administrar com Eficácia no Século XXI. Ed. Gente, 1996.

10

Política Administrativa

Sistema Único de Cadastro de Fornecedores:

vantagens para todos os lados

Déa Trancoso Gabinete da Secretaria Municipal de Administração

Prefeitura de Belo Horizonte sai na frente e dá um exemplo para o Brasil

A Prefeitura de Belo Horizonte implantou um

sistema pioneiro de suprimentos que será referência nacional: o Sistema Único de Cadastro de Fornecedores (SUCAF). Através dele, pessoas físicas ou jurídicas interessadas em participar das aquisições e licitações da Prefeitura terão muito mais facilidades e menos burocracia. Políticas modernas e novas técnicas

administrativas e gerenciais, totalmente informatizadas, permitirão uma remodelação total nos procedimentos, garantindo um nível de eficiência inédito no país.

O SUCAF foi desenvolvido pela Secretaria

Municipal de Administração (SMAD), através do Departamento de Material (DMAD) – que gerencia, controla e define prioridades do processo –, e em parceria com a Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte (PRODABEL) que definiu os requisitos técnicos de informática e integrou o cadastro dos servidores da administração direta e indireta com o objetivo de identificar fornecedores já que estes não podem ser funcionários municipais nem como pessoas físicas ou acionista de empresa.

As vantagens do SUCAF vão desde a racionalização do processo até a redução de custos de inscrição e manutenção de cadastros tanto para o fornecedor quanto para a Prefeitura, passando pela desburocratização e democratização de licitações. Para esclarecer todas as mudanças com a implantação do SUCAF, a Prefeitura reformulou o Manual do Fornecedor que pode ser obtido na SMAD,

à avenida Álvares Cabral, 200, 12° andar, ou na Diretoria Jurídica da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (SUDECAP), à avenida do Contorno, 5.454, 9° andar. Em breve, o SUCAF estará disponível na Intranet

e nos balcões de atendimento eletrônico do saguão da Prefeitura, SEBRAE, FIEMG e CDL, com outros três ícones novos: Situação dos Documentos Passíveis de Vencimento dos Fornecedores, Informações Sobre os Fornecedores e Situação de Avaliação e Pontuação do Desempenho do Fornecedor. As inscrições podem ser feitas pela Internet, com utilização dodownload (busca de programas de arquivos) do programa de inscrição nos mesmos moldes do Imposto de Renda.

O Sistema Único de Cadastro de Fornecedores tem um site na Internet cujo endereço é
O Sistema Único de Cadastro
de Fornecedores tem um site
na Internet cujo endereço é
www.pbh.gov.br/sucaf e os
ícones são:
1 . Manual de Fornecedores
2 . Informações e Locais de
Inscrição
3 . Decreto
4 . E-mail.

Política Administrativa

11

Veja quais são as vantagens

1 .As pessoas ou empresas inscritas em apenas um órgão estarão cadastradas em todos os demais automaticamente. 2 .Os documentos, dentro da data de validade, não necessitam ser reapresentados em cada licitação. 3 .Informações on line, possibilitando todas as unidades de compra das administrações direta e indireta acessarem os dados do fornecedor ou prestador de serviços. 4 .Redução de custos de inscrição e manutenção tanto para a Prefeitura quanto para o fornecedor. O fornecedor, cadastrado em apenas um órgão, não tem de apresentar o mesmo documento várias vezes e, por isso, não corre o risco de ser inabilitado por algum esquecimento. A Prefeitura economiza porque não precisa mais manter várias estruturas de cadastro (espaço, móveis, equipamentos e recursos humanos).

porque não precisa mais manter várias estruturas de cadastro (espaço, móveis, equipamentos e recursos humanos).
porque não precisa mais manter várias estruturas de cadastro (espaço, móveis, equipamentos e recursos humanos).
porque não precisa mais manter várias estruturas de cadastro (espaço, móveis, equipamentos e recursos humanos).
porque não precisa mais manter várias estruturas de cadastro (espaço, móveis, equipamentos e recursos humanos).

Sucesso absoluto

Desde 26 de maio, quando foi publicado o decreto no Diário Oficial do Município (DOM), o sucesso bateu à porta do Sistema Único de Cadastro de Fornecedores (SUCAF). Mais de 1.000 pessoas já buscaram o Manual do Fornecedor, além de informações a respeito do projeto. O Departamento de Material da SMAD já protocolou documentação para inscrição e/ou registro de 284 interessados, tendo deferido 105 pedidos. “Com apenas dois meses de funcionamento, o SUCAF já economiza R$21.000/mês para os cofres do município. Isto porque as várias comissões locais que existiam foram desativadas e agora são mantidas apenas duas delas: uma na SMAD e outra SUDECAP”, revela Dagmar Dutra, diretora do DMAD. O SUCAF tem até inscrição ilustre. O inscrito em questão é Frei Beto, que se inscreveu para ministrar cursos e dar assessoria em Educação. Os documentos exigidos para pessoas físicas são os pessoais (carteira de identidade e CPF) juntamente com o currículo e o registro profissional (para quem tem curso superior com profissão regulamentada em algum órgão). A inscrição no ISS (para as profissões que o exijam) e a certidão

negativa de débito com a Prefeitura são pedidos somente aos fornecedores que residem em Belo Horizonte. A documentação necessária para pessoas jurídicas é a prevista nos artigos 28 a 32 da Lei 8.666. “A receptividade dos fornecedores tem sido nota

10. Eles não acreditam no que está acontecendo.

Estamos pedindo apenas o cartão e uma declaração de inexistência de fato superveniente, quando antes eram pedidos de nove a dez documentos”, declara Dagmar Dutra. Isso só é possível, segundo a diretora, porque, com o SUCAF, o resto da documentação está disponível on line em qualquer órgão da Prefeitura. O julgamento das licitações é outro fator de alegria para os fornecedores: está acontecendo de um dia para o outro. Os servidores que trabalham no atendimento ao público atendem em média 40 novas solicitações por dia.

Além das Gerais

O sucesso do SUCAF é tanto que até o município

de Barra Mansa, estado do Rio de Janeiro, está interessado em saber que bicho é esse. Isso sem contar os inúmeros convites para conversas que o coordenadores estão adiando por falta de tempo. “Ainda é impossível para nós, pois estamos priorizando os trabalhos internos”, avisa Dagmar. Mas a intenção é disponibilizar o SUCAF para consulta dos municípios da Grande BH, pois estes exigem cadastro da Prefeitura de Belo Horizonte para licitações de obras.

Capacitação e informatização

O Sistema Único de Cadastro de Fornecedores é

somente um dos módulos do “Projeto de Implantação de Sistemas Gerenciais de Planejamento e de Controle nas Áreas de Suprimento da Prefeitura de Belo Horizonte” que sai da ótica processualística e adota a de resultados, através de duas bases sólidas: a capacitação de recursos humanos (estão sendo treinados mais 295 servidores em 10 cursos diferentes) e informatização de todos os processos, além da integração dos mesmos com os demais sistemas da Prefeitura. Os mais de 400 servidores que operarão os Sistemas

Gerenciais de Planejamento nas Áreas de Suprimento já foram treinados no Centro de Capacitação Profissional em Informática (CCP-IP) da PRODABEL, que instalou 12 novos microcomputadores e realizou upgrade em

65. A SMAD adquiriu três servidores de acesso para

unificar a base de dados e disponibilizá-la de forma

simultânea.

em 65. A SMAD adquiriu três servidores de acesso para unificar a base de dados e

12

Economia Municipal

PIB do município de Belo Horizonte apresenta queda

Hébrida Verardo Fam Dep to Informações Técnicas / SMPL

Os resultados do 1º trimestre do ano de 1999 confirmam as expectativas de queda do produto na cidade, acompanhando a tendência recessiva do resto do país. Pela tabela I, pode-se ver que o valor do PIB no 1º trimestre de 1999 foi de R$ 3.730.851.000 em reais de dezembro/98, representando uma queda de 2,66% em relação ao mesmo período do ano anterior. Toda a turbulência no mercado externo, as incertezas em relação ao início do segundo mandato do Presidente e as expectativas da volta da inflação explicam em parte essa queda tão drástica do produto. Além disso, o acúmulo do estoque da dívida pública federal e a conseqüente fragilidade macroeconômica gerada terminam de explicar queda tão expressiva na renda. Praticamente todos os setores apresentaram crescimento negativo nesse primeiro trimestre, com exceção das obras da PBH (545,80 %), dos serviços

industriais de utilidade pública (sem o subsetor de energia elétrica 1,71 %), o subsetor de transportes (6,66 %) e as administrações públicas municipal (5,55 %) e federal (5,57 %). A queda na indústria e no setor de comércio eram de certa forma previstas, porque esses dois setores vinham apresentando crescimento negativo nos últimos trimestres. Mas a surpresa ficou com o setor de construção civil privado, que vinha apresentando taxas de crescimento positivas nos últimos trimestres, mas teve sua participação reduzida na renda gerada na cidade nesse trimestre. A administração pública estadual, diante de todas as dificuldades que vem apresentando, reduziu seu crescimento em 6,08% em relação ao primeiro trimestre de 1998, o que contribuiu em muito para a queda

da renda na cidade,

mais de 10% da renda. Por ser uma cidade prestadora de serviços, a administração pública como um todo tem papel muito expressivo em Belo Horizonte, gerando cerca de 20% da renda, e os reflexos da crise na administração estadual são bastante negativos. A queda do produto se torna ainda mais grave ao comparar-se o 4º trimestre do ano de 1998 em relação ao primeiro desse ano (tabela II). Parte dessa queda pode ser explicada devido à sazonalidade do último

já que esse subsetor representa

trimestre do ano, que, devido ao pagamento de 13º salário e às vendas aquecidas do comércio no período natalino, tem um comportamento atípico, sendo normalmente o trimestre com as taxas mais altas de

crescimento. Setores que aliviaram um pouco essa queda foram a administração pública federal, o subsetor de saneamento e as obras da prefeitura municipal, que chegaram a crescer 145,95%. Anualmente, tem-se o mesmo quadro de decréscimo da renda, de acordo com a tabela III. No período de abril/98-março/99 houve uma queda do produto de 1,22% em relação a abril/97-março/98. Os dados dessa tabela representam bem o que tem acontecido na cidade. O comércio tem apresentado crescimento negativo desde

o ano passado, confirmando todos os indicadores de

variação do comércio publicados pela Federação do Comércio e do Clube de Diretores Lojistas, que também apresentaram esse resultado. A indústria de transformação tem perdido participação na cidade também, desde o início do Plano Real. A administração pública estadual tem enfrentado problemas expressivos, inclusive o seu pedido de moratória e, consequentemente, diminuiu o seu gasto real com salários ( 4,09 %) e com obras em Belo Horizonte (25,08 %). Os sub-setores que têm contribuído para amenizar essa queda são as obras da construção civil (com uma taxa de crescimento de 8,68 %), os serviços industriais de utilidade pública (5,81 %), transportes ( 7,42 %) e as administrações públicas municipal (6,27 %) e federal (6,43 %). Para o segundo trimestre do ano de 1999, o que se espera é que a tendência recessiva do país seja pelo menos em parte amenizada, devido à redução nos juros

e aos impactos no médio prazo da desvalorização da

moeda. Nota Metodológica: algumas alterações foram feitas na metodologia utilizada no cálculo do PIB de Belo Horizonte. Os novos valores para os 4 trimestres do ano de 1998 e o total desse mesmo ano encontram- se nas tabelas IV e V.

Os novos valores para os 4 trimestres do ano de 1998 e o total desse mesmo

PIB/BH - 1º TRIMESTRE / 1999

TABELA 1

Economia Municipal

13

Produto Interno Bruto por Classes e Ramos de Atividade no Município de Belo Horizonte

( valores em R$ 1.000,00 de dezembro/98)

 

ESPECIFICAÇÃO

1º trimestre 1998

1º trimestre 1999

Taxa de

 

VALOR

%

VALOR

%

crescimento

1 . SETOR AGROPECUÁRIO Agropecuária 2 . SETOR INDUSTRIAL

249

0,00

23

0,00

(90,71)

249

0,01

23

0,00

(90,71)

718.914

18,76

696.178

18,66

(3,16)

2

. 1 - Indústria Extrativa Mineral Transformação

387.171

10,10

363.422

9,74

(6,13)

1.867

0,05

838

0,02

(55,12)

385.304

10,05

362.584

9,72

(5,90)

2

.2 - Construção Civil Setor privado Obras PBH Obras Governo Federal

233.886

6,10

233.226

6,25

(0,28)

201.263

5,25

188.486

5,05

(6,35)

4.519

0,12

29.184

0,78

545,80

17.799

0,46

13.597

0,36

(23,61)

Obras Governo Estadual

10.305

0,27

1.958

0,05

(81,00)

. 3 - Serviços Industriais Util. Pública Energia Elétrica Comunicações Saneamento/Abastecimento de Água Coleta de Lixo 3. SETOR SERVIÇOS

2

97.857

2,55

99.530

2,67

1,71

24.910

0,65

24.351

0,65

(2,24)

24.881

0,65

24.960

0,67

0,32

33.057

0,86

34.405

0,92

4,08

15.008

0,39

15.814

0,42

5,37

3.113.739

81,24

3.034.650

81,34

(2,54)

3

. 1 Comércio/Serviços Comércio Atacadista Comércio Varejista Transporte Instituições Financeiras Outros Serviços

2.122.309

55,37

2.055.836

55,10

(3,13)

201.778

5,26

179.682

4,82

(10,95)

923.024

24,08

878.313

23,54

(4,84)

177.580

4,63

189.415

5,08

6,66

185.749

4,85

180.395

4,84

(2,88)

634.178

16,55

628.030

16,83

(0,97)

3

. 2 Aluguel

207.478

5,41

204.327

5,48

(1,52)

3

. 3 Administração Pública Municipal Estadual Federal

783.952

20,45

774.488

20,76

(1,21)

90.067

2,35

95.063

2,55

5,55

455.870

11,89

428.157

11,48

(6,08)

238.014

6,21

251.268

6,73

5,57

 

TOTAL

3.832.902

100,0

3.730.851

100,0

(2,66)

Fonte: DITPL/SMPL

14

PIB/BH - 1º TRIMESTRE / 1999

TABELA II

Economia Municipal

Produto Interno Bruto por Classes e Ramos de Atividade no Município de Belo Horizonte

( valores em R$ 1.000,00 de dezembro/98)

 

ESPECIFICAÇÃO

4º trimestre 1998

1º trimestre 1999

Taxa de

 

Valor

%

Valor

%

crescimento

1 . SETOR AGROPECUÁRIO

67

0,00

23

0,00

(65,52)

Agropecuária 2 . SETOR INDUSTRIAL

67

0,00

23

0,00

(65,52)

725.484

18,38

696.178

18,66

(4,04)

2

. 1 - Indústria Extrativa Mineral Transformação

374.158

9,48

363.422

9,74

(2,87)

1.366

0,03

838

0,02

(38,67)

372.792

9,45

362.584

9,72

(2,74)

2

.2 - Construção Civil Setor privado Obras PBH Obras Governo Federal Obras Governo Estadual

244.276

6,19

233.226

6,25

(4,52)

191.669

4,86

188.486

5,05

(1,66)

11.866

0,30

29.184

0,78

145,95

30.468

0,77

13.597

0,36

(55,37)

10.273

0,26

1.958

0,05

(80,94)

. 3 - Serviços Industriais Util. Pública Energia Elétrica Comunicações Saneamento/Abastecimento de Água Coleta de Lixo 3. SETOR SERVIÇOS

2

107.050

2,71

99.530

2,67

(7,02)

24.629

0,62

24.351

0,65

(1,13)

32.518

0,82

24.960

0,67

(23,24)

33.991

0,86

34.405

0,92

1,22

15.913

0,40

15.814

0,42

(0,62)

3.220.593

81,61

3.034.650

81,34

(5,77)

3

. 1 Comércio/Serviços Comércio Atacadista Comércio Varejista Transporte Instituições Financeiras Outros Serviços

2.189.830

55,49

2.055.836

55,10

(6,12)

188.796

4,78

179.682

4,82

(4,83)

928.488

23,53

878.313

23,54

(5,40)

219.877

5,57

189.415

5,08

(13,85)

197.856

5,01

180.395

4,84

(8,83)

654.813

16,59

628.030

16,83

(4,09)

3

. 2 Aluguel

208.816

5,29

204.327

5,48

(2,15)

3

. 3 Administração Pública Municipal Estadual Federal

821.947

20,83

774.488

20,76

(5,77)

99.680

2,53

95.063

2,55

(4,63)

475.341

12,05

428.157

11,48

(9,93)

246.926

6,26

251.268

6,73

1,76

 

TOTAL

3.946.144

100,0

3.730.851

100,0

(5,46)

Fonte: DITPL/SMPL

PIB/BH - 1º TRIMESTRE / 1999

Economia Municipal

TABELA III

15

Produto Interno Bruto por Classes e Ramos de Atividade no Município de Belo Horizonte

( valores em R$ 1.000,00 de dezembro/98)

 

ESPECIFICAÇÃO

abr.97 / mar.98

abr.98 / mar.99

Taxa de

 

VALOR

%

VALOR

%

crescimento

1 . SETOR AGROPECUÁRIO Agropecuária 2 . SETOR INDUSTRIAL

1.099

0,01

634

0,00

(42,32)

1.099

0,01

634

0,00

(42,32)

2.986.673

18,89

2.928.005

18,75

(1,96)

2

. 1 - Indústria Extrativa Mineral Transformação

1.698.541

10,74

1.539.043

9,86

(9,39)

10.463

0,07

3.498

0,02

(66,57)

1.688.078

10,68

1.535.545

9,83

(9,04)

2

.2 - Construção Civil Setor privado

904.491

5,72

983.042

6,30

8,68

729.799

4,62

780.563

5,00

6,96

Obras PBH Obras Governo Federal Obras Governo Estadual

50.312

0,32

66.009

0,42

31,20

80.752

0,51

103.785

0,66

28,52

43.628

0,28

32.685

0,21

(25,08)

. 3 - Serviços Industriais Util. Pública Energia Elétrica Comunicações Saneamento/Abastecimento de Água Coleta de Lixo 3. SETOR SERVIÇOS

2

383.640

2,43

405.919

2,60

5,81

95.499

0,60

97.720

0,63

2,33

101.088

0,64

108.852

0,70

7,68

130.064

0,82

135.291

0,87

4,02

56.989

0,36

64.056

0,41

12,40

12.820.219

81,10

12.686.991

81,25

(1,04)

3

. 1 Comércio/Serviços Comércio Atacadista Comércio Varejista Transporte Instituições Financeiras Outros Serviços

8.704.639

55,06

8.569.820

54,88

(1,55)

929.875

5,88

765.638

4,90

(17,66)

3.683.203

23,30

3.638.364

23,30

(1,22)

787.538

4,98

845.963

5,42

7,42

763.704

4,83

763.299

4,89

(0,05)

2.540.319

16,07

2.556.557

16,37

0,64

3

. 2 Aluguel

829.921

5,25

829.339

5,31

(0,07)

3

. 3 Administração Pública Municipal Estadual Federal

3.285.658

20,78

3.287.832

21,05

0,07

365.426

2,31

388.321

2,49

6,27

1.981.290

12,53

1.900.184

12,17

(4,09)

938.942

5,94

999.327

6,40

6,43

 

TOTAL

15.807.990

100,0

15.615.629

100,0

(1,22)

Fonte: DITPL/SMPL

Produto Interno Bruto por Classes e Ramos de Atividade no Município de Belo Horizonte

(valores em R$ 1.000,00 de dezembro/98)

TABELA IV

TOTAL Fonte: DITPL/SMPL

16

PIB/BH - 1º TRIMESTRE / 1999

Economia Municipal

4º trimestre 1998

%

0,00

0,00

18,38

9,48

0,03

9,45

6,19

4,86

0,30

0,77

0,26

2,71

0,62

0,82

0,86

0,40

81,61

55,49

4,78

23,53

5,57

5,01

16,59

5,29

20,83

2,53

12,05

6,26

100,0

VALOR

67

67

725.484

374.158

1.366

372.792

244.276

191.669

11.866

30.468

10.273

107.050

24.629

32.518

33.991

15.913

3.220.593

2.189.830

188.796

928.488

219.877

197.856

654.813

208.816

821.947

99.680

475.341

246.926

3.946.144

3º trimestre 1998

%

0,01

0,01

18,64

9,71

0,02

9,69

6,42

5,02

0,28

0,86

0,26

2,52

0,62

0,65

0,85

0,40

81,35

54,98

5,05

23,21

5,80

4,84

16,08

5,24

21,13

2,53

12,51

6,09

100,0

VALOR

242

242

740.523

385.633

774

384.859

254.923

199.539

11.130

34.034

10.221

99.967

24.432

26.014

33.609

15.912

3.231.696

2.184.157

200.753

922.026

230.367

192.133

638.879

208.335

839.204

100.392

496.868

241.944

3.972.461

2º trimestre 1998

%

0,01

0,01

19,31

10,48

0,01

10,47

6,32

5,06

0,35

0,65

0,26

2,51

0,61

0,64

0,84

0,41

80,68

53,96

4,95

22,93

5,20

4,86

16,01

5,24

21,49

2,35

12,60

6,53

100,0

VALOR

302

302

765.819

415.830

520

415.310

250.617

200.870

13.829

25.686

10.233

99.372

24.309

25.360

33.286

16.417

3.200.052

2.139.997

196.407

909.536

206.304

192.915

634.836

207.862

852.193

93.186

499.819

259.188

3.966.173

1º trimestre 1998

%

0,01

0,01

18,76

10,10

0,05

10,05

6,10

5,25

0,12

0,46

0,27

2,55

0,65

0,65

0,86

0,39

81,24

55,37

5,26

24,08

4,63

4,85

16,55

5,41

20,45

2,35

11,89

6,21

100,0

VALOR

249

249

718.914

387.171

1.867

385.304

233.886

201.263

4.519

17.799

10.305

97.857

24.910

24.881

33.057

15.008

3.113.739

2.122.309

201.778

923.024

177.580

185.749

634.178

207.478

783.952

90.067

455.870

238.014

3.832.902

ESPECIFICAÇÃO

1 . SETOR AGROPECUÁRIO

Agropecuária

2 . SETOR INDUSTRIAL

2 . 1 - Indústria

Extrativa Mineral

Transformação

2 .2 - Construção Civil

Setor privado

Obras PBH

Obras Governo Federal

Obras Governo Estadual

2 . 3 - Serviços Industriais Util. Pública

Energia Elétrica

Comunicações

Saneamento/Abast. Água

Coleta de Lixo

3. SETOR SERVIÇOS

3 . 1 Comércio/Serviços

Comércio Atacadista

Comércio Varejista

Transporte

Instituições Financeiras

Outros Serviços

3 . 2 Aluguel

3 . 3 Administração Pública

Municipal

 

Estadual Federal

 

PIB/BH - 1º TRIMESTRE / 1999

Economia Municipal

TABELA V

17

Produto Interno Bruto por Classes e Ramos de Atividade no Município de Belo Horizonte

(valores em R$ 1.000,00 de dezembro/98)

 

ESPECIFICAÇÃO

1998

 

VALOR

%

1 . SETOR AGROPECUÁRIO Agropecuária 2 . SETOR INDUSTRIAL

860

0,01

860

0,01

2.950.740

18,77

2

. 1 - Indústria Extrativa Mineral Transformação

1.562.792

9,94

4.527

0,03

1.558.265

9,91

2

.2 - Construção Civil Setor privado Obras PBH

983.703

6,26

793.340

5,05

41.344

0,26

Obras Governo Federal Obras Governo Estadual

107.987

0,69

41.032

0,26

. 3 - Serviços Industriais de Utilidade Pública Energia Elétrica Comunicações Saneamento/Abastecimento de Água Coleta de Lixo 3. SETOR SERVIÇOS

2

404.246

2,57

98.279

0,63

108.774

0,69

133.943

0,85

63.250

0,40

12.766.080

81,22

3

. 1 Comércio/Serviços Comércio Atacadista Comércio Varejista Transporte Instituições Financeiras Outros Serviços

8.636.294

54,95

787.733

5,01

3.683.074

23,43

834.128

5,31

768.652

4,89

2.562.706

16,30

3

. 2 Aluguel

832.490

5,30

3

. 3 Administração Pública Municipal Estadual Federal

3.297.296

20,98

383.325

2,44

1.927.898

12,27

986.074

6,27

 

TOTAL

15.717.680

100,0

Fonte: DITPL/SMPL

18

Economia Municipal

Notas sobre o mercado de trabalho na região metropolitana de

Belo Horizonte

Carlos Wagner Costa Machado Economista, técnico do Dieese e coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego na RMBH

No último mês de maio, 19,3% de toda a força de trabalho da Região Metropolitana de Belo Horizonte não tinha uma ocupação regular e estava à procura de trabalho. Na capital, o desemprego atingiu 17,9% da força de trabalho e, nos demais municípios, 21,5%.

que espelhassem fidedignamente a estrutura e o funcionamento de um mercado de trabalho, marcado pela heterogeneidade das formas de inserção ocupacional. A metodologia, ao mesmo tempo que permite a construção de indicadores comparáveis

Embora o desemprego tenha sido sempre menor em Belo Horizonte que nas demais cidades da região, em função

internacionalmente, assume que nosso mercado de trabalho difere daqueles dos países desenvolvidos, onde

do maior dinamismo do mercado de trabalho típico das

o

avanço da produtividade, da abrangência das

capitais, foi justamente nesse município em que as taxas cresceram mais intensamente nos últimos meses,

negociações coletivas e das políticas de proteção social até os anos 70 deram origem a um mercado de trabalho

resultado da contínua eliminação de postos de trabalho

bastante

homogêneo,

com

elevado

grau

de

formais que tem marcado o período recente.

assalariamento formal e com um nível residual de formas

Paralelamente, diante da ausência de alternativas no

de auto-ocupação.

 

setor formal, tem crescido o número de trabalhadores

A

PED, executada na RMBH pela Fundação João

autônomos na região.

Pinheiro em parceria com as instituições proponentes

Estas informações, obtidas a partir da Pesquisa de

da

metodologia (DIEESE e SEADE) e com a Secretaria

Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de

de

Estado do Trabalho, da Assistência Social, da Criança

Belo Horizonte (PED-RMBH), refletem o agravamento

e

do Adolescente (SETASCAD-MG), investiga a

da situação do mercado de trabalho no nosso espaço

estrutura e a dinâmica do mercado de trabalho regional,

metropolitano. Este agravamento se seguiu a um conjunto

a

partir de levantamento mensal e sistemático de

de transformações do mercado de trabalho detonadas pelo processo de abertura comercial brasileira, a partir de 1990 e acentuadas com a valorização da moeda, após o lançamento do Plano Real. A compreensão da situação atual exige ainda o reconhecimento de que o processo histórico de desenvolvimento econômico e social brasileiro deu origem a um mercado de trabalho heterogêneo, segmentado, com uma parcela de trabalhadores inseridos em atividades modernas e um grande segmento, em atividades produtivas de baixo conteúdo tecnológico. Este amplo contingente de trabalhadores de base, relativamente homogêneo em termos da sua baixa escolaridade/qualificação e da falta

de alternativas de sobrevivência, convive com altas taxas

de rotatividade, baixos salários, e está submetido a relações de trabalho mais precárias do que nos setores modernos. Aliado a isso, a abrangência reduzida dos programas de seguro desemprego e de intermediação

de mão de obra no Brasil, coloca para parte expressiva dos desempregados a necessidade de financiar, com seus próprios recursos, a procura por uma ocupação regular,

o que muitas vezes, só pode ocorrer mediante a

realização de trabalhos eventuais no setor informal. A metodologia da PED, de autoria do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE) e da Fundação Estadual de Análise de Dados do Governo de São Paulo (SEADE), foi elaborada no início dos anos 80, com o objetivo de produzir indicadores

informações sobre a ocupação, o desemprego e os rendimentos do trabalho. A pesquisa tem como unidade amostral o domicílio da área urbana dos municípios que compõem a Região Metropolitana e as informações são coletadas mensalmente através de entrevistas com os

moradores de 10 anos de idade ou mais, em 2.528 domicílios, sorteados por meio de amostra probabilística 1 .

O objetivo deste artigo é apresentar informações

gerais da PED-RMBH sobre desemprego e estrutura ocupacional na região e, simultaneamente, seus principais conceitos e categorias analíticas.

A taxa de desemprego divulgada em maio/99, de

19,3% da População Economicamente Ativa (PEA) da RMBH, equivalente a 364 mil pessoas, corresponde à soma das taxas de desemprego aberto e de desemprego oculto. Da PEA metropolitana, 13,2% encontrava-se em desemprego aberto, que é a situação das pessoas que procuraram emprego nos 30 dias anteriores à entrevista e não realizaram qualquer trabalho nos últimos 7 dias. Para muitos, essa é uma condição transitória, que se segue imediatamente à perda de um posto de trabalho. Uma parcela dos desempregados, diante da necessidade de financiar sua sobrevivência e a própria procura de trabalho, se vê obrigada a realizar trabalhos eventuais. Quando a realização de um trabalho de natureza irregular

1 Os dados mensais são produzidos a partir de médias móveis trimestrais, ou seja, de uma amostra de cerca de 7.500 domicílios.

e descontínua (o chamado “bico”) se conjuga com a

procura de trabalho e a disponibilidade imediata de ocupar um posto de trabalho regular, fica caracterizada a situação de desemprego oculto pelo trabalho precário, cuja taxa em maio foi de 4,3%. Finalmente, o desemprego oculto pelo desalento, que atingiu 1,8% da PEA em maio, refere-se à situação das pessoas que, tendo disponibilidade imediata para ocupar uma vaga,

não procuraram emprego nos últimos 30 dias por se sentirem desestimuladas após longo período de efetiva procura sem sucesso. Indicador da dificuldade crescente de encontrar uma ocupação, o tempo médio de permanência na situação de desemprego tem crescido continuamente nos últimos meses. Em maio, os desempregados estavam procurando emprego a 44 semanas, em média. O processo de reestruturação produtiva dos anos 90, conjugado com a crise recente do emprego, têm provocado alterações na estrutura ocupacional na RMBH, apontando para um crescimento de formas de auto-ocupação e diminuição do emprego formal. Nos últimos doze meses diminuiu o número de pessoas ocupadas na região, com redução mais intensa na indústria, um setor onde as relações de trabalho são, tradicionalmente, mais formalizadas. Do total de ocupados, 13,7% estavam no setor industrial em maio, a menor proporção verificada desde o primeiro resultado divulgado, em dezembro de 1995. Num subsetor da indústria mais formalizado, o metal-mecânico, a redução foi ainda maior, contribuindo para a diminuição do peso do emprego formal na RMBH. Enquanto o total de postos de trabalho reduziu-se em 3,1% entre maio de

1998 e maio de 1999, a redução na indústria foi de 17,4%

e na metal-mecânica, de 21,6%. Na construção civil e

no comércio, a ocupação apresentou queda de, respectivamente, 11,1% e 5,4%. Em contrapartida, o setor de serviços apresentou variação positiva de 0,9% no número de ocupados. Segundo a posição dos ocupados, constatou-se, ainda nos últimos doze meses, redução de 6,5% no emprego assalariado. No setor privado, a redução do emprego, de 7,8%, foi maior entre os que possuíam carteira de trabalho (-9,2%) do que para os sem carteira (-2,1%), cuja inserção é mais precária, com rendimentos menores e maior rotatividade, além da ausência dos benefícios do contrato formal de trabalho. No setor público, o número de assalariados apresentou queda de

1%.

Por sua vez, o número daqueles que trabalham por conta própria cresceu 5,1% no período, enquanto sua participação no total dos ocupados no mês de maio, de

Economia Municipal

19

21,7%, foi a maior observada desde o início da pesquisa.

O crescimento do número de trabalhadores autônomos

está relacionado com a busca de alternativas de sobrevivência, diante da diminuição de oportunidades de trabalho no setor formal da economia. Em função da grande heterogeneidade presente nas formas de ocupação autônomas, seu estudo exige um aprofundamento maior, que é possível a partir da PED,

pelo fato da metodologia ter se beneficiado dos debates sobre o setor informal em economias atrasadas, empreendidos durante as décadas de 70 e 80. Numa primeira desagregação, os autônomos podem ser divididos entre os que trabalham para empresas e aqueles que vendem seu trabalho ou serviço para o público em geral. A situação dos primeiros pode ser vista como um assalariamento disfarçado, com grau de autonomia, em geral, cerceado por normas técnicas e pelas condições da(s) empresa(s), jornadas de trabalho mais extensas e ausência de direitos trabalhistas como férias, descanso remunerado, seguro desemprego, entre outros. Os autônomos que trabalham para o público em geral formam um contingente bastante heterogêneo, com predominância de formas de trabalho mais precárias e com baixa remuneração. Entre estes, observa-se grande concentração no setor de serviços (serviços pessoais, principalmente) e no setor de construção civil (pequenas construções e reformas). De acordo com as características do negócio, a pesquisa apontou, em 1998,

a existência de cerca de 25% dos autônomos para o

público em atividades dentro da própria residência, em cômodo adaptado ou não. No mesmo ano, 77,4% dos autônomos para empresas e 81% dos autônomos para o público em geral não contribuíram com a Previdência Social. Enfim, a metodologia PED permite, a partir do grande número de informações coletadas mensalmente nos domicílios pesquisados, investigar detalhadamente

o amplo gradiente de situações ocupacionais presente

no mercado de trabalho brasileiro, desde as formas assumidas pelo desemprego em nossa economia, até os mais diversos tipos de inserção no mundo do trabalho, inclusive em negócios de “fundo de quintal”, passando ainda pelas diferentes condições de inatividade. Outro conjunto de informações obtidas através da pesquisa, não explorado neste artigo, refere-se aos rendimentos do trabalho e outras formas de sobrevivência. A base de dados da PED, portanto, constitui uma ferramenta crucial para entender o funcionamento do mercado de trabalho metropolitano, num momento em que ganha importância a discussão e elaboração de política públicas de emprego.

metropolitano, num momento em que ganha importância a discussão e elaboração de política públicas de emprego.

20

Política Social

Escola Plural e Constituinte Escolar:

O direito a ter direitos

Maria Céres Pimenta Spínola Castro Secretária Municipal de Educação

A história da educação municipal de Belo Horizonte

revela um movimento em busca da democratização da educação, articulado com um processo de luta empreendido pelos seus profissionais em defesa da escola pública. Ao longo dos anos, as relações sociais na escola foram se modificando, em função da maior participação da comunidade escolar, do envolvimento dos movimentos sociais, dos sindicatos de trabalhadores de ensino, de intelectuais oriundos das universidades, que buscavam formas de democratização das relações no interior da escola pública, através da participação nas associações de pais e alunos, colegiados, conselhos de classes, assembléias escolares, enquanto instâncias coletivas de construção de novas propostas. Essas iniciativas traduziam, num primeiro momento, a luta pela construção de mais escolas e por melhores condições de trabalho,

incorporando, mais tarde, as reivindicações pela qualidade da educação e a formulação de políticas pedagógicas inovadoras.

A sensibilização e o compromisso da administração

municipal com a democratização da educação resultaram

no processo de eleição direta para diretores e vice-

diretores das escolas municipais, iniciado em 1989, bem como no fortalecimento dos colegiados e das assembléias escolares com a participação de toda a comunidade escolar.

O primeiro Congresso Político Pedagógico da Rede

Municipal, realizado em 1990, possibilitou a discussão e

o estabelecimento de normas gerais de funcionamento

das escolas, a criação do Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (CAPE) e o reconhecimento da importância dos projetos político- pedagógicos das escolas. Estes projetos expressavam a busca de alternativas para resolver os problemas de

evasão, repetência e outras práticas de exclusão que tradicionalmente faziam parte do cotidiano escolar, bem como procuravam construir possibilidades pedagógicas de oferta de um ensino de melhor qualidade. Esse movimento, em paralelo a uma grande expansão da Rede Municipal tanto em termos do número de alunos atendidos quanto em relação ao número de escolas criadas, beneficiou-se, ainda, do amplo debate sobre educação que se fazia presente desde os anos 70

e que forneceu elementos significativos para a renovação

pedagógica que se construía no âmbito do município. As experiências acumuladas nesse processo possibilitaram — e até mesmo exigiram — a formulação de uma proposta que instituísse diretrizes políticas e pedagógicas para a Secretaria Municipal de Educação

(SMED) de Belo Horizonte e identificasse os princípios norteadores de uma escola que surgia a partir da luta pela autonomia e pela gestão democrática, devolvendo-

a aos profissionais da Rede Municipal, aos pais e alunos como uma proposta global de governo para a educação municipal: a Escola Plural. Implantada na Rede Municipal de Educação a partir de 1995, a Escola Plural trouxe uma nova concepção

de política pedagógica ao reestruturar a organização e distribuição dos tempos e espaços escolares e ao definir uma nova lógica que, entre várias outras modificações, alterou a organização seriada, instituindo os Ciclos de Formação. Tais ciclos expressam uma nova forma de adequar a organização do tempo de escolaridade às características culturais e bio-psicológicas da aprendizagem e desenvolvimento humano. Além disso, nuclear na idéia de ciclo na Escola Plural, está a concepção de formação global do ser humano, que inclui

a perspectiva de um processo educativo vinculado às

características do seu desenvolvimento. Assim, esta organização por ciclos concebe o aluno como o eixo central na dinâmica do ensino-aprendizagem, pressupondo que as demais definições quanto à organização do trabalho e à proposta curricular se dão em função dele.

Uma escola democrática e inclusiva

Concebendo a educação pela ótica do direito, a Escola Plural propõe uma mudança radical nas

estruturas excludentes, discriminatórias e hierarquizadas das instituições escolares, possibilitando uma organização pautada na construção de uma escola mais democrática

e igualitária. A partir da análise do cotidiano escolar, a Escola Plural redefine aspectos que tradicionalmente contribuíam para a exclusão de amplos setores da sociedade, apontando para a necessidade de se construir uma nova organização pautada na horizontalidade das relações, possibilitando um avanço na gestão democrática e na construção da prática educativa pelo coletivo de profissionais, pais, alunos e comunidade em geral. Ao captar a direção que gestava no conjunto das experiências das escolas municipais, a Escola Plural impulsionou transformações substantivas, seja na estrutura da escola, seja no âmbito de conhecimento trabalhado ou mesmo na esfera de sua representação social. Desta forma, potencializou os debates que já vinham ocorrendo no interior das escolas sobre o desafio ético, político e pedagógico da construção de uma escola inclusiva, que efetivamente conseguisse dialogar com

Política Social

21

os anseios e diversidades da sociedade, garantindo às crianças, adolescentes, jovens e adultos de nossa cidade

a vivência plena do direito à formação escolar. Nesse sentido, a noção de direito à educação na Escola Plural apresenta-se sob uma nova ótica, incorporando a dimensão das práticas, discursos e valores que afetam o modo como as desigualdades são figuradas no cenário público, alterando o modo como os interesses se expressam e os conflitos se realizam. Inaugura, portanto, uma nova concepção de direito que não se restringe às garantias inscritas na lei e nas instituições. Significa pensar os direitos e a cidadania pelo ângulo da dinâmica societária, mais especificamente sobre o modo como as relações sociais se organizam, sem negar a importância da ordem legal e da armadura

institucional garantidoras da democracia e da cidadania.

A escola passa a ser pensada e vivida como espaço

plural e público de interlocução, cuja prática democrática

renova e possibilita ações pedagógicas diferenciadas, gestadas nas experiências de sujeitos que se reconhecem como interlocutores válidos, que conquistaram o direito de definir aquilo no qual querem ser incluídos. Assim, mais do que o direito à educação, a Escola Plural se propõe a construir o direito a ter direitos.

Quem participa faz escola

O processo de implantação da Escola Plural vem

se materializando através de inúmeros encontros e fóruns, não só fortalecendo e consolidando espaços de discussão já existentes, como também construindo novos

espaços capazes de assegurar maior participação de pais, alunos, profissionais e comunidade em geral, na tomada de decisões referentes ao cotidiano escolar. As instâncias de participação estão presentes no interior das escolas (colegiados, assembléias, associações, grêmios estudantis) como também nos espaços coletivos onde se estabelecem as relações externas entre escolas

e sociedade. Nesta multiplicidade de espaços há a possibilidade de se estabelecerem debates, discussões, polêmicas e

conflitos, em que diferentes sujeitos sociais (pais, alunos, profissionais da educação, gestores, enfim, cidadãos de direitos) podem expressar suas posições e construir seus acordos, consensos ou disensos, num movimento político de tal maneira que a ação e a formação se confundem e em que o direito à cidadania se manifesta em ato.

É na perspectiva de reforçar e ampliar esse

movimento e de procurar garantir a continuidade do processo de construção de uma escola inclusiva, que a SMED definiu como uma de suas estratégias de ação a dinamização do processo de democratização da Rede Municipal de Educação. A consolidação da Escola Plural constitui fator preponderante nesse processo, na medida em que:

Garante a permanência do aluno, através de aprendizagens significativas e de qualidade;fator preponderante nesse processo, na medida em que: Concebe a educação como direito e não como

Concebe a educação como direito e não comoatravés de aprendizagens significativas e de qualidade; estratégia para assegurar interesses privados de grupos ou

estratégia para assegurar interesses privados de

grupos ou de classes;

Tem como princípio o respeito ao aprendiz, qualquer que seja sua idade, classe, grupo étnico, compreendendo-o como sujeito de direitos;para assegurar interesses privados de grupos ou de classes; Propõe uma escola inclusiva e, portanto, capaz

Propõe uma escola inclusiva e, portanto, capaz de respeitar a pluralidade e diversidade de ritmos de aprendizagem e as vivências culturais dos alunos;grupo étnico, compreendendo-o como sujeito de direitos; Assegura o direito de acesso aos conteúdos socialmente

Assegura o direito de acesso aos conteúdos socialmente produzidos e sua apreensão, de forma contínua e ininterrupta;ritmos de aprendizagem e as vivências culturais dos alunos; Amplia as funções da escola, resgatando sua

Amplia as funções da escola, resgatando sua função socializadora;e sua apreensão, de forma contínua e ininterrupta; Propicia o desenvolvimento das aprendizagens fundamentais:

funções da escola, resgatando sua função socializadora; Propicia o desenvolvimento das aprendizagens fundamentais:

Propicia

o

desenvolvimento das aprendizagens

fundamentais: aprender a aprender, aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser. Na perspectiva da democratização, apontou-se como prioridade a ampliação de espaços públicos que pudessem garantir a participação do cidadão na gestão democrática da educação no município. É nesse movimento que se insere a instituição do Sistema Municipal de Educação, a criação do CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO juntamente com a realização da I CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, em agosto de 1998. Nos primeiros anos de implantação da Escola Plural, as estratégias de ação estiveram voltadas para a sua institucionalização, de fundamental importância para assegurar que as escolas tivessem as mesmas condições de funcionamento, bem como para a elaboração de respostas aos desafios de construir práticas pedagógicas coerentes com as diretrizes definidas. Ainda que estas diretrizes contemplassem todos os níveis e modalidades de ensino, as ações voltaram-se inicialmente para a sua tradução no Ensino Fundamental, principalmente para o primeiro e segundo ciclos, enquanto estratégia política de implantação. A partir de 1997, o processo de implantação evidenciou a necessidade de se aprimorar a inscrição institucional da Escola Plural, de forma a que todas as escolas da Rede, em todos os níveis e modalidades de ensino, se tornassem a expressão das diretrizes da Escola Plural. Constatou-se também a necessidade de desenvolver uma comunicação mais efetiva com as escolas e com a comunidade em geral, avançando do formalismo das produções teóricas e normativas para a busca de um diálogo permanente que contemplasse as questões cotidianas da prática educativa, o maior desafio da Escola Plural. A Conferência Municipal de Educação foi uma ação extremamente significativa no sentido de possibilitar avanços no processo de radicalização da gestão democrática da educação no município. Além das conquistas referentes à definição de diretrizes da política educacional do município — tendo sido mais uma vez referendada a Escola Plural — o evento explicitou,

22

Política Social

ainda, a vontade política da administração municipal de compartilhar responsabilidade e deveres em relação à educação na cidade.

A democracia está fazendo escola

É nesse contexto que surge o projeto da CONSTITUINTE ESCOLAR, evidenciado pela necessidade de ampliar e consolidar o processo de democratização da Rede Municipal, a partir de uma concepção mais horizontalizada de gestão que oriente

as relações, as ações e a organização interna das escolas, na perspectiva da Escola Plural. Este projeto vem sendo construído desde março de 1998, quando a Secretaria Municipal de Educação- SMED iniciou um debate com as escolas municipais sobre os atuais Regimentos Escolares. Naquele momento, as escolas indicaram a necessidade de elaboração de um novo Regimento, posicionaram-se em relação a este processo e manifestaram suas expectativas quanto a um novo Regimento, apontando temas a serem incorporados numa nova proposta regimental, de forma a traduzir de maneira adequada os avanços já obtidos no processo coletivo de construção da Escola Plural. Ainda neste primeiro momento, as escolas explicitaram, entre outras questões, que os Regimentos existentes não refletiam as conquistas democráticas da sociedade, especialmente aquelas

ressaltaram a

necessidade de se avançar na definição de instrumentos capazes de garantir no terreno pedagógico, político e administrativo a gestão democrática da educação e o direito à formação escolar. Percebeu-se que a diversidade de expectativas colocadas pelas escolas, aliada ao processo de discussão das suas propostas pedagógicas, demandavam a criação de estratégias capazes de promover com maior intensidade a socialização de experiências em busca do equacionamento de problemas que, concretamente, emergem no cotidiano das escolas em decorrência das modificações que são introduzidas. Assim, todas essas questões acabaram por apontar para a necessidade de desencadear um processo amplo de debate, de natureza participativa, de forma a viabilizar não apenas a construção coletiva dos Regimentos Escolares, mas que promova também, e principalmente, uma apropriação mais efetiva da Escola Plural pela Rede Municipal e pela sociedade em geral. Compreendeu-se, portanto, que a elaboração dos novos regimentos poderia constituir-se em momento privilegiado para a compatibilização entre os objetivos propostos pela escola e aqueles pretendidos pela comunidade atendida. Além disso, será uma oportunidade para a análise da própria estrutura da escola, seus mecanismos de inclusão, sua estrutura de funcionamento e sua proposta pedagógica, pois , como dissemos, para consolidar as conquistas democráticas já obtidas na educação municipal é preciso enraizar ainda

relativas ao campo da educação e

mais a Escola Plural na cidade e em cada espaço educativo do município. Ao mesmo tempo é preciso assinalar a nossa concepção acerca do Regimento Escolar, pois entendemos que existe uma necessária indissociabilidade entre a política educacional do município (condensada nas diretrizes da Escola Plural), a proposta pedagógica das escolas e o Regimento Escolar. Nesse sentido, a SMED acredita ser fundamental que o Regimento Escolar e a Proposta Pedagógica sejam pensados como um único documento, que articule os ordenamentos básicos da estrutura e funcionamento da escola, devendo ainda conter os princípios educacionais que orientam as atividades de cada nível e/ou modalidade de ensino oferecido, bem como registre o compromisso dos diferentes segmentos da escola para com a comunidade na qual está inserida e as relações entre eles. Dessa forma, o regimento escolar expressaria a efetiva autonomia administrativa e pedagógica da escola, construída coletivamente e solidária às definições políticas da educação municipal. A CONSTITUINTE ESCOLAR deverá ser desenvolvida em três fases distintas. A primeira delas denominada “Construindo a proposta da Constituinte Escolar”, no período de abril a setembro deste ano, tem como objetivo apresentar, discutir, construir e deliberar coletivamente sobre a proposta apresentada pela SMED. Pretende-se, nessa fase, sensibilizar as escolas, comunidades, organizações governamentais e não-governamentais, movimentos

sociais para participar da Constituinte Escolar, apreciar

a proposta apresentada, formular sugestões de

alterações e deliberar sobre o processo a ser implementado a partir da segunda fase. Nesta, denominada “Vivenciando a Constituinte Escolar” pretende-se debater em diversos e diferentes espaços e sob múltiplas formas os temas definidos na primeira fase,

de maneira a construir na terceira fase uma Carta de Princípios que, se aprovada pelo Conselho Municipal de Educação, deverá ser a referência para que cada uma das escolas municipais elabore seu Regimento Escolar. Em abril próximo passado foram feitos os lançamentos regionalizados da Constituinte Escolar, sendo que no dia 8 de maio foi realizada uma grande caminhada na cidade — da Praça da Liberdade à Praça da Estação — marcando o início do processo na cidade. Naquele momento, com a participação das Administrações

Regionais, professores, alunos, profissionais da educação, pais e membros das comunidades, convidamos a todos

os cidadãos a participarem conosco da continuidade do

processo de construção de uma Escola Plural, inclusiva e democrática em Belo Horizonte. Como disse o Prefeito

Célio de Castro no evento de encerramento da caminhada, na Praça da Estação: “A Escola Plural, na rua, convida a todos os cidadãos para participarem da ConstituinteEscolar”.

da Estação: “A Escola Plural , na rua, convida a todos os cidadãos para participarem da

Política Social

23
23

Criação do Conselho Municipal de Defesa Social: uma idéia inédita

Neila Batista Assessora para Assuntos de Defesa Social Secretaria Municipal de Governo

“O inferno dos vivos não é algo que será, se existe, é aquele que está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste, até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o quê, no meio do inferno, não é inferno, preservá-lo e abrir espaço”.

Começou a funcionar em BH, criado pela Lei 7616/ 98, o Conselho Municipal de Defesa Social de Belo Horizonte. Instituído o Conselho, é necessário, então, construir o projeto.

O que é o Conselho Municipal de Defesa Social?

De acordo com a lei, essa instância terá como atribuição articular as várias políticas de defesa social

na cidade, entendidas aí todas as iniciativas públicas ou privadas, em qualquer nível governamental, que incidam sobre a “defesa social” dos cidadãos e cidadãs belorizontinos.

É composto por representantes de secretarias,

órgãos da PBH, PMMG, Câmara Municipal, entidades comunitárias, Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública, Ministério Público Estadual, Universidades e presidido pelo Secretário Municipal de Governo.

Na administração pública é uma iniciativa inédita em Belo Horizonte e, provavelmente, no Brasil. De início, temos um primeiro desafio: o que entendemos por “defesa social”?

A rigor, como em todo projeto inédito, a própria noção

de defesa social exige uma significativa reflexão. O texto que se segue pretende contribuir para um mínimo de compreensão da idéia de “defesa social”, para que os encaminhamentos práticos, já iniciados, de instalação do Conselho, tenham efetivos frutos.

Da idéia de segurança pública

Nos primeiros encaminhamentos referentes à instalação deste Conselho, nas regionais, foi recorrente

a identificação entre segurança pública e defesa social.

A parte (segurança pública), entendida como

segurança policial, apresenta-se como o todo. E não era para ser diferente. É, de certa maneira, legítima essa

“confusão”.

Ítalo Calvino, As cidades Invisíveis.

Porém, a partir da efetivação do Conselho, queremos distinguir essas duas noções. E até mais: quem sabe tenhamos êxito no esforço de demonstrar o verdadeiro lugar da segurança policial dentro do sistema de defesa social. E que muitas situações, tidas até então como casos de polícia, sejam vistas como “casos de política social”.

à noção de defesa social

O ato de defesa 1 pressupõe uma ameaça ou uma agressão efetivada. De que agressões e ameaças falamos? Daquela advinda de uma realidade social e política perversa que dissemina o desemprego, a recessão, a queda de investimentos dos poderes públicos nos serviços essenciais. Agrava-se a insegurança, em sentido amplo. Crianças têm que ir para as ruas, na busca de aumento da renda doméstica. Ficam aí a um passo da criminalidade. Se a inflação não aparece tanto nos preços, a falta de dinheiro se incumbe de dificultar, ou mesmo impedir, o acesso de boa parte da população ao mínimo de bens necessários a uma vida digna. A recessão cuida de pressionar, para baixo, a arrecadação de impostos e taxas, enfraquecendo o poder público e fragilizando a prestação de serviços. A violência urbana, da qual a criminalidade é um dos aspectos, amplia-se a olhos vistos. São vítimas dessa violência: a mulher, a criança e o adolescente, os idosos, os desempregados, os portadores de deficiências, as populações de rua, os que não têm casa ou moram precariamente. E, mais ainda, os consumidores lesados por empresas sem escrúpulos, trabalhadores em geral, vítimas de

1 Defesa (ê). [do lat. defensa.] S.F. Ato de defender (-se); socorro,

auxílio, defensa, defensão, defendimento: (

2. Aquilo que serve para

defender: (

Resguardo, proteção: (

)6.

)

)

3. Ato ou forma de repelir um ataque; resistência: (

).

(Novo Dicionário Aurélio

)

24

Política Social

preconceitos raciais, de gênero, opção sexual, etc Tais problemas, é verdade, não nasceram com o projeto neoliberal. São problemas históricos. Dizem

respeito à exclusão social, à concentração de renda, a um Estado que é presa fácil da ganância privada. Com

a política econômica recente, esses problemas ganham

uma face assustadora. Ao contrário do que se pensa, os exércitos de desempregados dos últimos dez anos, no país, não são uma decorrência natural das novas tecnologias. São fruto de opções e estratégias de grandes industriais e financistas e de políticas governamentais correspondentes. Atacam-se os direitos fundamentais da cidadania,

o direito à saúde, à habitação, ao emprego, à escola, à

alimentação de baixo custo e de boa qualidade. O direito

à segurança, ao envelhecimento com respeito e

dignidade, ao consumo de produtos de qualidade, à opção

pelos modos de vida. Diante de tantos ataques, justificam-se, assim, políticas específicas e gerais de defesa social. Desde 1993 Belo Horizonte conhece um esforço inédito de aperfeiçoamento das políticas sociais existentes e a criação de novos mecanismos e espaços de defesa social. Qualifica-se, desde essa data, a noção de defesa do consumidor, de atendimento à criança e ao

adolescente, à mulher vítima de violência, aos idosos, às vítimas de discriminação de toda a natureza: o Procon,

a Coordenadoria de Defesa dos Direitos Humanos,

conselhos municipais identificados com a defesa de direitos básicos do cidadão, políticas gerais de acolhimento (emergenciais ou de médio e longo prazo), políticas de abastecimento, de saúde mental, de habitação popular. Temos, hoje, só a título de exemplo, uma Secretaria de Assuntos da Comunidade Negra, Centros de Convivência de Terceira Idade, de Saúde Mental, o Programa Bolsa-Escola, o “Balcão da Profissão”, o apoio jurídico, psicológico e social à mulher, no Projeto Benvinda, projetos dirigidos à população de rua, às áreas de risco em vilas e favelas, o acompanhamento às crianças e adolescentes infratores. E muito mais. Tudo isso é defesa social. Mas, além de iniciativas da PBH nas políticas sociais, existem outras advindas de esferas estaduais e federais, além das que são implementadas pelas organizações não-governamentais e na iniciativa privada. Num momento em que ocorrem mobilizações contra cortes federais nas verbas de assistência, em que se

vive a crise do arrocho fiscal sobre os estados e municípios, que se discute o papel da polícia no contexto docrescimentodaviolênciaurbanaBH, toma para si a tarefa de articular as várias iniciativas de políticas sociais na cidade, através do Conselho Municipal de Defesa Social (CMDS).

Segurança Policial: um capítulo à parte

Qualquer idéia de defesa social já nasceria impregnada das preocupações com segurança pública, em sentido mais estrito, com segurança policial. A quantidade de policiamento, certamente, será tema recorrente nesse processo de instalação do Conselho. Num quadro de crescente insegurança social,

a reação imediata é a previsível reivindicação de maior efetivo policial nas ruas e bairros. Porém, ao buscarmos construir uma outra “cultura”,

a da defesa social,queremos inverter uma tradição que reduz a noção de segurança pública à idéia de policiamento ostensivo. Não para extirpar da noção de defesa social os necessários procedimentos que dizem respeito ao

policiamento como instrumento de segurança. Mas, para hierarquizar, corretamente, tais procedimentos no interior do conceito de defesa social. Primeiro, porque uma não exclui a outra. Pelo contrário, ambas se atraem. Uma é o todo, a outra é parte. Segundo, porque a experiência tem mostrado as virtudes e os problemas dos procedimentos de policiamento ostensivo. Para ficarmos só numa constatação, já está comprovado: uma densa ação policial, em uma área específica, apenas inibe a criminalidade por um certo tempo, “espalhando a ação criminosa”, sem superá-la. É sabido que as condições de ação permanente de policiamento são cada vez mais precárias, tornando-as - em certo sentido - ineficazes a médio e longo prazo. Além disso, cabe instaurarmos um processo de balanço sobre experiências recentes que potencializam

a atividade policial nos bairros. Como, por exemplo, os

investimentos de comunidades em viaturas, combustível, telefones celulares e outros equipamentos e sua eficácia na segurança dos cidadãos. Articular o necessário procedimento de policiamento

com as outras iniciativas de defesa social é um desafio. Cabe ao Conselho de Defesa Social problematizar esta questão e encaminhar propostas.

de defesa social é um desafio. Cabe ao Conselho de Defesa Social problematizar esta questão e

Orçamento e Finanças

25

Relatórios Gerenciais da SMPL Despesas pagas da PBH janeiro-junho de 1999

Leonardo Pontes Guerra - Economista, consultor da SMPL

Nesse Quarto número da PLANEJAR BH, os Relatórios Gerenciais retratam as despesas do período janeiro-junho. Esses relatórios foram criados com o objetivo de fornecer uma base de informações estratégicas para auxiliar o processo de tomada de decisão. A sua inclusão nessa Revista é para dar transparência às atividades da PBH e também para melhorar o entendimento de todos os cidadãos acerca das atividades desenvolvidas por essa Prefeitura.

Informações gerenciais e desenvolvimento institucional

Como já foi dito, as informações aqui disponibilizadas são retiradas do Sistema Financeiro e Orçamentário da PBH (SF11), reclassificadas pelo Departamento de Orçamento e tratadas num sistema de informações executivas que utiliza uma modelagem dimensional de dados. Essa modelagem foi desenvolvida pela Gerência de Informática da PRODABEL na SMPL no “software” SAS – Statistical Analysis System. A

ausência de informações detalhadas de alguns órgãos da PBH 1 na Seção II decorre, exclusivamente, do fato deles, em virtude de sua natureza jurídica distinta e de alguns outros problemas operacionais, não utilizarem o SF11 e não estarem integrados ao Sistema de Informações Gerenciais da SMPL. Para a integração das informações de despesas desses órgãos num único sistema de acompanhamento da PBH, a SMPL, através do Departamento de Financiamentos e Repasses, elaborou uma estratégia de atuação dentro do programa de Desenvolvimento Institucional a ser financiado pelo SOMMA/BDMG. O eixo dessa proposta está em criar as pré-condições necessárias para a implantação de um sistema informacional moderno e efetivamente integrado para a PBH. A natureza jurídica distinta

de alguns órgãos da Prefeitura gerou distintas maneiras de disponibilização de informações gerenciais. Em virtude disso, foi proposta a contratação de serviços técnicos especializados para efetuar a integração desses

sistemas e de seus bancos de dados. Por outro lado, o sistema atualmente em uso pela grande maioria dos órgãos da PBH não utiliza uma base de dados relacional e muito menos possui recursos gráficos que facilitam a sua operação e a construção de consultas às sua informações. A ausência desses

recursos caracteriza um limite para a incorporação de tecnologias atuais de tratamento de dados, como consultas SQL (Strucutured Query Language), modelo

de dados multidimensionais, “data minning”, dentre outros. Além de ser um fator que dificulta a integração dos sistemas das empresas da PBH, a base de dados do SF11 inibe a sua própria modernização. Assim, na proposta de Desenvolvimento Institucional SOMMA/BDMG, objetiva-se modernizar

a base transacional do SF11 com vistas a: 1) integrar

todas as informações de despesas da PBH num único sistema de banco de dados; 2) adequar o novo sistema

à reformulação que irá ocorrer na Lei 4.320, a que

normatiza a elaboração e o controle do orçamento na União, nos Estados e Municípios.

As despesas da PBH no 1º semestre de

1999

Resumidamente, o desempenho das contas municipais 2 , nesse primeiro semestre, pode ser descrito pelas tabelas abaixo. Comparativamente, a despesa total apresentou um crescimento de 8,89 % em relação ao primeiro semestre de 1998. O principal incremento é verificado no item Investimento, com uma variação percentual positiva de 96,68 % em relação ao primeiro semestre do ano passado. O crescimento observado na

Tabela 1 Evolução das despesas da PBH em 1998 em R$

Despesa

1º trimestre

2º trimestre

Total

1.PESSOAL

86.443.199,72

117.538.849,95

203.982.049,67

2.CUSTEIO

137.130.179,77

109.197.064,03

246.327.243,80

3.INVESTIMENTO

30.281.890,92

17.381.909,40

47.663.800,32

4.SERVIÇO DA DÍVIDA

11.688.273,01

24.587.440,80

36.275.713,81

5.NÃO CLASSIFICADO

265,50

0

265,50

Total

265.543.808,92

268.705.264,18

534.249.073,10

1 BEPREM, BELOTUR, PRODABEL e URBEL não utilizam o SF11.

2 Para efeito dessa comparação, a despesa com pessoal da administração direta para o mês de Junho foi estimada, pois até o dia 14 de Julho essa informação ainda não estava consolidada no Sistema Financeiro e Orçamentário da PBH.

26

Relatórios Gerenciais da SMPL

Orçamento e Finanças

Tabela 2 Evolução das despesas da PBH em 1999 em R$

Despesa

1º trimestre

2º trimestre *

TOTAL

1.PESSOAL

116.547.758,76

117.300.242,41

233.848.001,17

2.CUSTEIO

140.998.638,89

98.998.648,06

239.997.286,95

3.INVESTIMENTO

62.057.239,18

31.686.291,27

93.743.530,45

4.SERVIÇO DA DÍVIDA

10.234.817,16

15.820.755,18

26.055.572,34

5.NÃO CLASSIFICADO**

8.705.096,35

6.251.301,91

14.956.398,26

Total

338.543.550,34

243.188.553,48

581.732.103,82

* Para efeito dessa comparação a Despesa com Pessoal da Administração direta foi estimada. ** Refere-se a despesas oriundas de repasses do Governo Federal que ainda não foram reclassificadas orçamentariamente.

Tabela 3 Variação percentual das despesas da PBH no 1º semestre de 1999 em relação ao 1º semestre de 1998

Despesa

Variação percentual

1.PESSOAL

14,64

2.CUSTEIO

-2,57

3.INVESTIMENTO

96,68

4.SERVIÇO DA DÍVIDA

-28,17

TOTAL

8,89

Despesa com Pessoal é da ordem de 14 %. As despesas com Custeio e Serviço da Dívida decresceram 2,57% e 28,17% respectivamente. O quadro geral desenhado por esses números revela os resultados do esforço coletivo empreendido pela PBH nos últimos tempos. Demostra-se, mais uma vez, a orientação da Prefeitura em racionalizar as suas despesas de custeio, com objetivo de aumentar seus dispêndios com as ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida na cidade. Dentre essa ações, ressalta-se o aumento das despesas com Construção e Ampliação de Praças, Parques e Jardins (de R$ 73.515,00 no 1º semestre de 1998, para R$ 393.291,83 no 1º semestre de 1999, aumento de 435%); Construção, Ampliação e Reforma de Unidades de Saúde (de R$ 55.575,22 no 1º semestre de 1998, para R$ 152.497,12 no 1º semestre de 1999, aumento de 173,5%); Construção, Ampliação e Reforma de Unidades de Assistência Social (de R$ 356.996,00 no 1º semestre de 1998, para R$ 419.045,68 no 1º semestre de 1999, aumento de 17,38%); Implantação de Habitações Populares (de R$ 5.478.257,40 no 1º semestre de 1998, para R$ 9.553.220,05 no 1º semestre de 1999, aumento de 74,38%); Drenagem e Canalização (de

R$ 13.437.773,54 no 1º semestre de 1998, para R$ 17.503;519,08 no 1º semestre de 1999, aumento de 30,26% );eImplantação e Pavimentação de Vias Públicas (de R$ 6.062.625,64 no 1º semestre de 1998, para R$ 16.690.427,15 no 1º semestre de 1999, aumento de 175,30%);

As tabelas apresentadas a seguir estão organizadas da seguinte forma:

Seção I: Contas agregadas da PBH (administração direta e repasses à administração indireta), agrupadas segundo tipo de despesa;apresentadas a seguir estão organizadas da seguinte forma: Seção II: é um detalhamento das despesas das

Seção II: é um detalhamento das despesas das unidades orçamentárias da PBH que utilizam o Sistema Financeiro Orçamentário – SF-11 (não inclui BEPREM, BELOTUR, PRODABEL e URBEL). É importante deixar claro que, algumas unidades orçamentárias, principalmente os fundos, têm sua dotação orçamentária vinculada a outro órgão. Portanto, a soma das despesas listadas na tabela da Seção II é maior que a soma das despesas da PBH, pois, existe dupla contagem em alguns casos. Por este motivo, os valores totais não são apresentados nesta tabela.agregadas da PBH (administração direta e repasses à administração indireta), agrupadas segundo tipo de despesa;

PBH, pois, existe dupla contagem em alguns casos. Por este motivo, os valores totais não são

34.020.696,20

6.502.016,00

206.979.315,82

87.023.280,74

26.055.572,34

18.496.347,56

14.956.398,26

895.006,79

32.341.382,78

5.872.939,28

9.573.186,37

2.357.154,27

2.698.681,97

5.741.705,55

93.743.530,45

239.997.286,95

1.456.918,31

0

0

429

3.819.110,70

15.433.318,02

11.183.571,12

1.853.463,46

174.169,06

5.184,79

140.006,79

4.423.867,59

1.686.608,78

2.375.078,67

861.029,55

510.948,03

12.252.523,43

221.737,71

6.620.915,00

5.533.199,42

1.073.391,22

2.613.473,02

997.351,74

1.705.628,66

151.780,34

1.734.992,54

672.487,84

3.218.019,59

2.384.587,98

433.943,58

201.032,73

10.911.526,08

39.121.208,78

47.288.037,95

17.611.897,73

250.000,00

163.831,30

156.660,84

475.377,27

89.681,83

812.599,61

8.557.892,70

3.033.282,32

2.636.404,34

9.388.171,46

17.549.409,69

36.277.292,09

6.506.779,77

112.969,67

9.591.194,07

39.057.824,85

1.746.217,83

Relatórios Gerenciais - Síntese das Despesas Pagas da PBH - 1999 (R$)

Relatórios Gerenciais - Síntese das Despesas Pagas da PBH - 1999 (R$)

Relatórios Gerenciais - Síntese das Despesas Pagas da PBH - 1999 (R$)

REPASSE DE PESSOAL PARA A ADMINISTRAÇÃO INDIRETA

6.418.860,90

660.000,00

44.345.510,90

440.884,66

4.201.620,99

246.970,49

39.669.258,69

17.610.840,08

1.460.510,98

10.894.205,08

2.951.855,87

234.650,77

1.662.341,47

2.562.767,97

980.132,15

8.695.846,35

2.800.590,33

PESSOAL DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA

0

1.482.034,00

6.835.251,20

9.250,00

44.669.608,80

1.280.781,14

9.262.666,56

268.813,29

7.672.049,19

52.387.588,68

16.659.001,47

185.528,07

774.666,43

6.370.990,01

435.734,91

1.114.141,72

26.794.115,11

SEÇÃO I

0

0

0

0

19.209,52

738.572,49

976.450,78

361.703,25

281.965,33

6.423.408,10

2.602.683,90

2.041.448,94

24.368.918,99

1.176.501,98

17.586.946,98

32.208.891,27

44.265.539,31

Fonte: Secretaria Municipal de Planejamento - SF11

Fonte: Secretaria Municipal de Planejamento - SF11

Fonte: Secretaria Municipal de Planejamento - SF11

VENCIMENTOS/ADICIONAIS OBRIGAÇÕES PATRONAIS BENEFÍCIOS INATIVOS/PENSIONISTAS

AUTARQUIAS/SUDECAP

EMPRESA/PRODABEL

EMPRESAS/BELOTUR

PESSOAL CUSTEIO INVESTIMENTO SERVIÇO DA DÍVIDA NÃO CLASSIFICADO

EMPRESAS/URBEL

AUTARQUIAS/SLU

FUNDO/BHTRANS

FUNDAÇÕES/FZB

FUNDOS/SMSA

Relatórios Gerenciais da SMPL

TOTAL

JUNHO

MAIO

ABRIL

MARÇO

FEVEREIRO

JANEIRO

DESPESA

581.732.103,82

42.688.523,27

103.152.265,42

97.347.764,79

106.167.588,99

131.532.611,78

100.843.349,57

TOTAL

TOTAL

JUNHO

MAIO

ABRIL

MARÇO

FEVEREIRO

JANEIRO

DESPESA

Orçamento e Finanças

134.679.555,44

1.377.591,37

26.935.793,13

26.615.006,90

27.961.689,00

25.626.167,20

26.163.307,84

SUBTOTAL

TOTAL

JUNHO

MAIO

ABRIL

MARÇO

FEVEREIRO

JANEIRO

DESPESA

27

72.299.760,38

10.874.932,06

12.185.415,65

12.442.817,95

11.707.569,69

19.043.441,60

6.045.583,43

SUBTOTAL

0,00

3.394.825,00

15.970,60

860.965,10

1.817.194,12

222.914,32

2.350.178,44

5.992.418,24

2.101.951,76

3.220.583,36

521.494,18

1.055.315,88

8.567.143,48

2.371.460,08

2.040.944,08

36.118,78

210.842,37

519.239,57

826.190,47

206.861,87

3.011.101,67

6.233.655,65

3.871.288,63

258.387,41

635.411,81

7.619.382,61

676.468,71

101.747,31

0

0

300.428,10

448.359,70

14.385,32

877.065,74

31.630,74

1.003.107,26

180.170,76

123.953,76

190.333,26

28.439,89

35.150,39

678.503,29

709.707,09

318.448,09

1.491.774,19

179.179,97

1.704,07

978.875,07

53.389,67

314.668,85

88.427,83

40.770,81

39.121,11

320.711,38

117.432,91

119.231,11

0

0

23.125,80

58.167,60

557.295,00

1.385.579,54

50.620,04

724.883,66

923.126,36

782.612,46

31.660,76

-43.177,06

25.947,59

878.623,18

375.471,97

934.909,37

251.561,25

128.971,45

159.228,35

14.587,03

44.509,13

142.161,13

4.716,31

36.754,71

317.697,21

52.711,96

50.115,55

858.701,11

0

22

1.224,00

736.416,90

71.741,00

48.612,20

2.305,90

10.726,72

124.949,72

352.779,84

667.516,84

41.684,74

96.751,34

39.611,74

184.850,66

156.576,16

34.545,59

74.783,58

500.884,68

25.481,57

739.599,77

380.234,65

168.935,45

354.431,25

135.025,43

73.193,63

197.027,43

1.265.134,31

Relatórios Gerenciais - Síntese das Despesas Pagas da PBH - 1999 (R$)

0

5.246,40

9.115,00

22.779,90

208.448,90

987.290,50

623.410,62

83.137,32

49,4

1.166.854,06

557.295,16

18.581,36

714.123,46

468.673,29

906.365,07

1.554.989,87

4.651,87

81.627,85

609.014,65