A definição da marca, sua proteção e registro a partir da Lei nº 9279/96 (Lei de Propriedade Industrial

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Luis Carlos Nunes Moraes e Kairon Mariel Vanderlei Nascimento1

Resumo: Em face do crescimento e da importância do consumo na economia e na sociedade, a dinâmica da comunicação das marcas vem se transformando significativamente e ganhando relevância na concepção das estratégias empresariais tendo como alvo primaz o cidadão comum, razão pela qual a marca é tutelada pela legislação brasileira, sendo que segundo a legislação a marca seria o designativo que identifica produtos e serviços, cabendo fazer o registro desse designativo no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), órgão responsável, existindo para isso três requisitos: Novidade relativa, não-colidência com marca notória e, por fim, não-impedimento. Assim, a proteção da marca atinge aos produtos e serviços com os quais pode ser confundida pelo consumidor. Palavras-chave: Marcas. Lei de Propriedade Industrial. Proteção.

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Graduandos do 7º período do curso de Bacharelado em Direito da Universidade Federal do PiauíUESPI, cursando a disciplina Direito Empresarial ministrado pela Professora Rosilene Marques Sobrinho de França.

1. INTRODUÇÃO

“Chama-se público (populicum, publicum) aquilo que; e destinado a todos, ao povo, o que a todos é patente. A antítese de publicum é privatum, proprium (quod proprio est), isto é, o que é destinado ao homem privado, o que cada um tem para si só e de que excluem os outros. Toda a antítese gira em torno da comunidade ou do exclusivismo do interesse”. Rudolf Von Hering,

O presente artigo tem por pretensão estudar a marca de acordo com a Lei de Propriedade Industrial (LPI). Para tanto, foram realizadas pesquisas bibliográficas, em doutrinas jurídicas e pesquisas virtuais. De acordo com Coelho (2007)2, marca é o designativo que identifica produtos e serviços. Contudo, se buscar outras definições acerca de nosso objeto de estudo. Se buscará demonstrar como a marca é constituída, dando adiante destaque ao órgão responsável pelo seu registro, e quais os requisitos necessários para que este possa ocorrer. Em face ao crescimento da importância do consumo na economia e na sociedade, a dinâmica da comunicação das marcas vem se transformando significativamente e ganhando relevância na concepção das estratégias empresariais. O mercado saturado de ofertas e apelos publicitários enfrenta o intenso desenvolvimento de novas tecnologias, procurando criar novas estratégias de comunicação das marcas. Um ponto importante abordado é o que tange à proteção das marcas para que não haja confusão pelo consumidor. Ainda sobre a proteção, será observada a questão da duração do registro da marca no tempo, sua possibilidade de prorrogação, e a taxa devida ao registro. Uma parte especial é dedicada ao surgimento e desenvolvimento da marca, sua classificação a partir da Lei de Propriedade Industrial, um pouco
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COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial: direito de empresa.19. Ed. São Paulo: Saraiva, 2007.

Começando pelo conceito proposto pela a American Marketing Association (AMA. os quais enriquecerão o presente. ou desenho de embalagem) destinado a identificar os bens ou serviços de um vendedor ou de um grupo de vendedores e a diferenciar esses bens e serviços daqueles dos concorrentes. necessário mencionar outros conceitos. São Paulo: Negócio. pois. Sendo. A MARCA: CONCEITO E CONSTITUIÇÃO A marca se constitui como qualquer nome. 1998.com. perceptíveis. Além do conceito aceito. 2. 3 AMA.. 2006)3 marca é um nome. Disponível em: http://www. desenho ou uma combinação desses elementos que deve identificar os bens ou serviços de um fornecedor ou grupo de fornecedores e diferenciá-los da concorrência. art. II e III). Aaker (1998)4 define marca e/ou símbolo como um nome diferenciado (logotipo. natureza. notadamente quanto à qualidade. duas outras categorias: a marca de certificação – usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. símbolo. além da marca de produtos e serviços. sinal gráfico que possa identificar visualmente. Brand Equity: gerenciando o valor da marca. não proibidos por norma legal e que é utilizado no sentido de diferenciar certo produto ou serviço de outros existentes no mercado. Trad. André Andrade. American Marketing Association. Marketingpower. termo. símbolo. 4 AAKER. 123. marca registrada. material utilizado e metodologia empregada e a marca coletiva – usada para distinguir produtos ou serviços comercializados por membros de certa entidade (LPI. David A. A LPI de 1996 introduziu no direito brasileiro. .sobre a abordagens teóricas acerca da marca e ao final teceremos comentários e uma sucinta análise sobre a proteção legal dada à marca. contribuindo assim para a diferenciação de idênticos. a marca um designativo que diferencia.

vão sendo agregados ao processo de sua construção. São Paulo : Harbra. ao longo do tempo. diferenciação das características puramente físicas do produto. símbolo. Isso significa que a criação e a manutenção de uma marca não podem ficar restritas a designers. O produto é o que a empresa fabrica. Por fim. mas por ser considerada. A marca é diferente do produto (. termo. são grandes os benefícios resultantes da construção de uma marca organizacional. a LPI (Art. Administração de marketing. artistas gráficos e agências de publicidade. é gerenciada não apenas pelas funções primárias de seu surgimento. acima de tudo. ou desenho. 123 da Lei 9.. semelhante ou afim. de acordo com as finalidades de uso: • marca de produtos ou serviço: usada para distinguir produto ou serviço 5 6 de outro idêntico. ou grupo de vendedores. Philip. A Força da Marca. uma marca pode ser definida como um nome. uma marca pode ser mantenedora e sustentadora de um produto. comunicação e outros. sinal.. fornecedores.Por seu turno para Kotler (1986) 5. KOTLER. Os conceitos acima elencados reforçam a conceituação de que as marcas caracterizam-se muito mais como relacionamento entre fabricantes e mercado. potencial ferramenta geradora de lucratividade e de longevidade de produtos. Como Construir e Manter Marcas Fortes.) A marca estabelece um relacionamento e uma troca de intangíveis entre pessoas e produtos. Mauro Calixta. quando surgem concorrentes com a mesma tecnologia. identifique bens e serviços para diferenciálos dos de seus competidores. uma combinação deles e. TAVARES. que. de origem diversa. São Paulo: Atlas. inovação. ainda. ou. assim.279/96) institui três tipos de marcas. Tavares (1998)6 acrescenta que o significado da marca resulta do esforço de pesquisa. já que as marcas acabam por desmembrarem dos produtos que lhe deram origem passando a significar algo muito além deles próprios. 1986. se se pretende que um vendedor. Os produtos não podem falar por si: as marcas é que dão significado e falam por eles . distribuidores e todos os outros envolvidos no processo de produção. reduzindo. Hoje. a marca está elevada ao mais alto grau de diferenciação e representação corporativa. 1998 . incluindo-se aí consumidores. ou seja. o que o consumidor compra é a marca.

As marcas são os resultados da necessidade humana de representar algo para si e para os outros../d. Desde a pré-história. notadamente quanto à qualidade. para as nações e causas ideológicas. Além dos tipos. A essência do seu gerenciamento estende-se por toda a história humana. trata-se da prática eminentemente humana de simbolizar. letras ou algarismos. imagem. para representar algo. isoladamente. O SURGIMENTO DA MARCA As marcas antecedem o marketing. As primeiras marcas surgem entre os anos 900 e 1200 a.C. Basta olhar detidamente para as religiões.1. como o sol e a lua. natureza. agradecer aos deuses. que sempre tiveram símbolos de identificação. representar e significar. figura ou • Mista – formada pela combinação de elementos nominativo e figurativo ou de nominativo • Tridimensional – constituída pelo formato de produto ou da embalagem. • marca coletiva: usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade.C. Enfim. isolada. em um processo de significação que pode ter os mais diversos objetivos: demarcar algo como propriedade. 2. qual seja: • Nominativa – quando constituída apenas de palavras. a LPI institui a classificação das marcas quanto à forma de apresentação. o homem vem criando símbolos e usando figuras da natureza.• marca de certificação: usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. devido às questões de comércio entre as cidades. • Figurativa – apresentada sob a forma de desenho. Eram as marcas de pureza e foram os . identificar a origem de algo. cujo modelo tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de efeito técnico. em torno dos quais os grupos interagem. desde que estes elementos não se apresentem sob forma fantasiosa qualquer elemento outra forma fantasiosa ou de de letra e número forma figurativa. material utilizado e metodologia empregada.

são um fenômeno relativamente recente e em permanente modificação. Colgate (1806). pela primeira vez na história. Porém. as marcas comerciais. um excesso de oferta frente à capacidade de absorção do mercado. surge a infra-estrutura necessária (transportes e comunicação) para a ampliação do alcance dos mercados. Até os anos 1880. 29). O fenômeno da urbanização se acelera e começam a surgir os grandes mercados urbanos. No entanto. Gilette (1895) e FIAT (1899). sinônimo de grande pureza ou de alta qualidade. p. São Paulo: Atlas. Lauterborn (2007)7 lista como exemplo algumas marcas que nasceram nesse período e que são referência de qualidade até os dias de hoje: Dupont (1802). 7 KOTLER. uma vez que as marcas de identificação. Procter e Gamble (1837). Coca-Cola (1885). . Goodyear (1839). começavam a ocorrer mudanças nos processos de produção e de vendas. Bayer (1863).primeiros registros de certificado de qualidade de que se tem comprovação histórica. John Deere (1843). de origem e de procedência eram maneiras de valorizar as suas obras. muito pouco numerosas” (LIPOVETSKY. Tal momento histórico acaba por “inventar” o marketing de massa e o consumidor moderno. O artifício de utilizar marcas de família ou brasões para distinguir seus produtos era também uma prática utilizada por artistas e artesãos. Hering (1880). Tais marcas gráficas representavam a Prata de Lei. Nestlé (1866). o desenvolvimento da produção em larga escala ocasiona. segundo o império que as criava. General Electric (1892). 2007. Levi´s (1853). A gênese da marca comercial é contemporânea do início da era de consumo de massa. Nessa fase. vendidos a granel e as marcas nacionais. Evian (1826). “os produtos eram anônimos. Philip. 1998. Administração de marketing. de autoria. Nos países mais avançados. Siemens (1847). como hoje se conhece. 2007). que inicia por volta dos anos 1880 (LIPOVETSKY.

é requerido de sua atuação mais do que a função primária de identificação. Entretanto. significativamente desideologizadas (PEREZ. Tal configuração atinge as estratégias de comunicação das empresas. 2004). e na mídia em geral. pelo simples motivo que o cérebro humano é seletivo e possui um limite de registros de marcas que pode armazenar (PEREZ. o consumo aparece. para que venham a relacionar-se com ela. A busca de diferenciação social não se dá mais por questões definidas por hereditariedade . cobertura e exposição da marca por meio de mídias tradicionais. atualmente elas se encontram inseridas em um mercado saturado. Atualmente os especialistas notaram que os jovens estão cada vez mais avessos à simples comercialização de produtos e serviços. no varejo. 2004). cada vez mais crítico e seletivo. que até recentemente planejavam a freqüência. as pessoas têm acesso a tecnologias capazes de distanciá-las de apelos que não considerem relevantes. as marcas tornam-se cada vez mais um dos escassos veículos de adesão social que estão à disposição dos indivíduos nas sociedades contemporâneas. as marcas podem se multiplicar nas empresas. Atualmente. para o bem e para o mal. Reivindicando espaços cada vez maiores da vida social. na expectativa de que a marca tenha relevância no contexto de suas vidas. Se o nascimento das marcas esteve intimamente ligado à função de identificação de produtos. o consumo parece cristalizar algumas ansiedades bem típicas do tempo atual. de um mínimo de coerção e máximo de compreensão possível. sob pena de engrossar as fileiras da irrelevância na mente do consumidor.Embora tal aspecto seja negado por muitos autores. como o estandarte desta era. mas o mesmo não acontece na mente do consumidor. de pouca austeridade e muito desejo. demandando assim que sua carga simbólica seja capaz de estabelecer vínculos. Em decorrência disso. Nessa era de mínima sujeição e máximo de escolhas privadas.

A sociedade capitalista. buscando sensações subjetivas. extrapolando a questão utilitária e funcional. do que gostamos. que distingue os cidadãos pelos méritos de suas conquistas em termos de status e conquistas profissionais. ao usarmos um determinado produto de uma certa marca.2. estamos declarando quem somos. a ciência dos signos. ou ainda. a teorização tradicional não alcança o cerne da subjetividade do consumo contemporâneo. herdeira da burguesia. Atualmente. 135). “na configuração atual. estamos nos posicionando socialmente. o papel da semiótica é o de pulsar o coração do processo de produção de valor. e de que forma essa ciência pode ajudar a compreendê-lo. constrói signos de diferenciação baseados no consumo. ABORDAGENS TEÓRICAS SOBRE MARCAS Apesar de ancorada em uma teoria formulada há quase meio século. Com base nessa premissa da maior relevância do produto e considerando a marca como uma ferramenta de identificação.como títulos de nobreza. e assim por diante. de uma sofisticação do consumo. p. 15). Conforme Perez (2004. A importância do significado. portanto. que quer dizer signo. p. O nome semiótica vem da raiz grega semeion. possibilita à semiótica ocupar um espaço estratégico e privilegiado no pensar das organizações”. especialmente em uma sociedade desmaterializada. o que valorizamos. 2. Semiótica é. De acordo com Perez (2004. “a teoria das origens . com base em um entendimento de que basta escoar os produtos da empresa para um mercado que tudo absorve. indo além do próprio mercado. é pertinente compreender o campo de estudos da semiótica a fim de identificar as áreas de cruzamento com o fenômeno das marcas. o papel desempenhado pelas marcas vai além de uma lógica de identificação e diferenciação. Trata-se. portanto. Para tanto. A marca preenche sua função original de criar construções mentais para ajudar os consumidores a organizar seu conhecimento sobre produtos e serviços. mas ocupa também outros espaços na discursividade social. a operação focada no produto ainda segue como padrão no mercado. embora essa seja uma premissa para o processo.

essa representação não é automática ou limitada.) da mesma forma. a entidade sígnica da marca necessita cada vez menos da condição material antecedente do produto. 2002). esta condição de um eterno movimento de significação. Ora. passando a significar muito além deles próprios” (PEREZ. p. Na sociedade atual. 2000).. O teórico que se dedicou de forma mais intensa e apaixonada a essa ciência foi Charles Sanders Peirce. uma vez que um signo é tudo que leva outra coisa (seu interpretante) a referir-se a um objeto a que ele próprio se refere (. Inclusive.. o termo semiótica era apenas um outro nome para a Lógica (PEIRCE. O processo fundamental de que se ocupa tal ciência é a semiose. mas um local de encontro de elementos associados por uma relação codificante (ECO. pois não se trata de uma realidade puramente física. No entanto. p. 256). pois. e assim sucessivamente.111). 281). há. O signo não é uma entidade fixa. objeto e interpretante” (HOHLFELDT. 58). deixando um denso legado de teoria semiótica. É. que pode ser entendida como “a cadeia produtiva da construção de sentidos. o interpretante torna-se por sua vez um signo. na própria definição de signo. Sendo assim. cuja base fundadora é a lógica que comanda as diferentes operações entre signo.profundas e individuais das pulsões a significar” (PEREZ. . 2004. para Peirce. 2004. já que a marca acaba “desencarnando dos produtos que lhe deram origem. a própria definição de signo que implica em um processo de semiose ilimitada. para Eco (2002. O conceito de representação aparece constantemente na semiótica. o objetivo da publicidade deixa de consistir em anunciar produtos e passa a ser significar marcas – mesmo quando para significar marcas seja necessário anunciar produtos. uma vez que um signo é um complexo de relações e é justamente esta sua lógica que permite sua utilização para a compreensão do fenômeno marca. Cabe assinalar o caráter imaterial do signo. p. p. 2001.

desenhos ou fotografias. as armas oficiais do Estado ou o nome civil. estando o requerente devidamente constituído juridicamente. b) Comprovante de Pagamento: .3. com opção para salvar e continuar depois ou enviar imediatamente logo após o preenchimento. Por exemplo. A lei impede o registro. com a devida documentação. 19). unicamente. com relação aos produtos ou serviços que podem o identificado levar possivelmente à confusão os consumidores. até mesmo a marca é tutelada. na linha de exercício econômico explorado pelo titular dela. Por isso.1. para encaminhamento junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). industrializados. reivindicações. de início. campo de aplicação do objeto. salvo autorização pelo seu titular etc. p. relatório descritivo. Art.(LPI. resumo. 126) (COELHO. a representação de sua atividade em marca não precisa ser necessariamente inventada pelo beneficiário empreendedor. REQUISITOS E DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA REQUERER O REGISTRO DE MARCAS A novidade da marca não precisa ser absoluta – Requisito da Novidade relativa –. para determinada categoria de atividade econômica. 91). que no caso de depósito eletrônico será preenchido pela internet. DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA O DEPÓSITO DO PEDIDO DE REGISTRO DE MARCA Para o depósito da marca é necessária a apresentação ou anexação dos seguintes documentos (art. Monta-se o processo. comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito (LPI. Precisando ser novo o emprego daquele signo na identificação de produtos. de determinados signos – Requisito do Não-impedimento.155 da LPI): a) Formulário de Pedido de Registro de Marca: O principal documento do processo de registro de marca é o formulário do pedido de registro de marca. art. A pessoa física ou jurídica pode requerer o registro. ou seja. comercializados ou de serviços prestados. Os documentos necessários são: requerimentopetição. como marca. 3.

3. com poderes para representá-la administrativa e judicialmente. inclusive para receber citações. quando for o caso: É necessária a apresentação de uma procuração quando o requerente não depositar o seu pedido pessoalmente. a documentação poderá ser efetuada em até 4 (quatro) meses. acompanhados da respectiva tradução simples. Caso a procuração não seja apresentada no ato do depósito. c) Imagem Digital da Marca. A Prioridade Unionista (ver item 6. contados da data do depósito no Brasil (art. 217 da LPI. d) Procuração. O requerente que reivindicá-la deverá anexar ao formulário os documentos que comprovem o depósito ou registro no país de origem. Com o e-Marcas.O comprovante de retribuição relativa ao depósito deve ser anexado ao formulário de pedido de registro de marca.2. conforme o art.127 da LPI). sob pena de arquivamento definitivo do pedido. então uma imagem da marca é requerida no depósito. ela deve ser apresentada por meio de petição específica (Ver Tabela de Retribuições) em até 60 (sessenta) dias. O requerente domiciliado no exterior deverá constituir e manter procurador domiciliado no país. OUTROS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DEPÓSITO DE MARCAS: a) Documentos relativos à reivindicação de prioridade unionista. toda a confirmação do pagamento será realizada por meio eletrônico. numa eventual exigência. as mesmas possam ser apresentadas ou remetidas ao INPI. quando for o caso: Se a sua marca não for exclusivamente nominativa. mista e tridimensional terão o seu envio condicionado à anexação da imagem digital da marca. contados a partir do dia subseqüente ao dia do depósito. Entretanto.6 deste Manual) só poderá ser solicitada no ato do depósito. Se não for apresentada no depósito. . Formulários eletrônicos de marca figurativa. através de rotina automática estabelecida entre o Banco do Brasil e o INPI. os comprovantes (em papel) relativos ao pagamento de retribuições ao INPI deverão ser guardados pelo usuário a fim de que.

sob pena de eventuais exigências futuras. O requerente que solicitar uma marca de certificação deve anexar ao formulário a descrição das características do produto ou serviço objeto de certificação e as medidas de controle que serão adotadas pelo titular. Quando a marca solicitada for composta por nome civil. c) Características do produto ou serviço objeto de certificação e medidas de controle. contados a partir do dia subseqüente à data do depósito (art.147 da LPI). patronímico ou imagem de terceiro. o regulamento deve ser apresentado em até 60 (sessenta) dias. O requerente que solicitar uma marca coletiva deve anexar ao formulário o regulamento de utilização da marca. Quando não apresentado no ato do depósito. devem ser apresentadas em até 60 (sessenta) dias. d) Regulamento de utilização de marca coletiva. inferior e em perspectiva. Quando não apresentadas no ato do depósito. lateral.148 da LPI). superior. é necessário que se anexe ao pedido de registro de marca uma autorização para seu uso. .b) Autorização de uso de nome civil. patronímico ou imagem de terceiro. contados a partir do dia subseqüente à data do depósito (art. e) Marca Tridimensional: vistas e perspectivas O requerente que solicitar uma marca tridimensional deve anexar ao formulário breve descrição das características essenciais que configuram a marca tridimensional e as vistas frontal.

em categorias.1. que ajudam a procura de prováveis nascentes de conflito. Poderes sobre a sua exploração terá o titular do registro de uma marca. proteção especial (art. ou seja. 4. ainda. Quando designado o agrupamento de determinada marca nesta classe. 125). ser levado a considerar que certo produto ou prestação de serviço é idêntico ou foi produzido pelo mesmo fornecedor de marca igual ou semelhante. ao proprietário de marca de alto renome. o beneficiário tem o poder de barrar a utilização de marca assemelhada ou igual em qualquer ramo da atividade econômica. e serviços. pois é ato discricionário do INPI. Essa tutela sobre a marca se restringe aos produtos e serviços que podem ser confundidos uns com os outros.4. causando insegurança ao seu destinatário final. que possui proteção que se abrange quaisquer seguimentos de atividade econômica (LPI. art. não sendo possível revisão de sua classificação pelo Judiciário. a partir de parâmetros de relação. de o destinatário final entender. 125 e 126) para alguns casos.279/96 prevê. não acarretará ao registrado nenhum benefício sobre a exclusividade. nos meandros estabelecidos pelo parâmetro retrocitado. As inúmeras atividades econômicas de comércio. No caso de não haver possibilidade de confusão. Fica a cargo do INPI o agrupamento de certa marca na categoria das de alto renome. não terá direito de entravar emprego de marca igual ou assemelhada por empresário diverso. . Por conseqüência. indústria. única. conforme se verá adiante. Com ressalva. A PROTEÇÃO DA MARCA A importância em se proteger a marca leva em consideração a possibilidade de o símbolo indicativo induzir o consumidor a erro. são agrupadas pelo INPI. PROTEÇÃO EXTRA À MARCA A Lei 9. se não incidir à probabilidade de conflito.

estará impedida de utilizar marca idêntica ou semelhante em qualquer ramo de atividade. origem. caso pretenda usá-la na mesma atividade econômica. desenho contrário à moral e aos bons costumes e religião. isoladamente. herdeiros ou sucessores. • Expressão. Marca de alto renome – aplica-se aos casos em que o sinal devidamente registrado adquire renome de forma a transcender o segmento de mercado para o qual ele foi originalmente destinado. emblema. • Letra.2. ciência ou arte relacionado ao produto ou serviço. só. . • Reprodução ou imitação de elemento que seja próprio ou distinga o título de estabelecimentos • • Cores Indicação e ou nome suas e de empresa por quanto de si à terceiros.Marca notoriamente conhecida – por tratar-se de marca muito conhecida em seu ramo de atividade lhe é assegurado o reconhecimento no segmento de mercado onde está aplicada. e qualquer outra pessoa que não seu titular. 124): • Brasões. salvo se dotado de forma distintiva • Sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. algarismo e data. cultural. salvo se autorizado pela entidade promotora do evento. 4. bandeira. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. salvo se requerido pela própria entidade. denominações falsa indicação designação. Esse reconhecimento impede qualquer interessado de registrar a mesma marca. é assegurada à marca proteção especial para todas as classes. • Nome. ITENS QUE NÃO PODEM SER REGISTRADOS COMO MARCAS Com o fim de tornar o presente artigo mais abrangentes. político.). figura. monumento oficial. mesmo sem registro no país. • Nome ou sigla de órgão público. social. distintivo oficial. artístico. listamos alguns itens que não podem ser registrados como marca (art. Dessa forma. salvo com consentimento do titular. figura ou imitação. salvo com autorização expressa do seu proprietário. geográfica • Termo técnico usado na indústria. • Nome civil e sua assinatura. prêmio ou símbolo de evento (esportivo. etc. bem como a sua suficiente.

ainda que com acréscimo. e Marca . para o mesmo produto ou serviço.. material utilizado e metodologia empregada e. a Marca figurativa composta exclusivamente por elementos figurativos. se revestirem de forma suficientemente distintiva. em função de sua natureza: Marca de produto. natureza. Marca de certificação é a usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. salvo com consentimento do titular. 5. por fim. Quanto a sua apresentação. no caso de marcas da mesma natureza. em função de sua natureza e de sua apresentação. A legislação brasileira define 4 (quatro) tipos de marca. Marca figurativa. Marca nominativa é composta exclusivamente por letras e/ou números do nosso alfabeto e sinais gráficos e de pontuação. de origem diversa. salvo quando. Marca de produto é a usada para distinguir produto de outro idêntico. semelhante ou afim. Marca de serviço é marca usada para distinguir serviço de outro idêntico. CLASSIFICAÇÃO DA MARCA As marcas podem ser classificadas. • Reprodução ou imitação. como o japonês e o hebraico. Marca mista e Marca tridimensional. Marca de certificação e marca coletiva. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. a Marca coletiva é usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de um determinado grupo ou entidade. Marca de serviço. que podem ser desenhos ou letras de outros alfabetos. as marcas podem ser classificadas como: Marca nominativa.• Pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. de marca alheia registrada. notadamente quanto à qualidade. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. semelhante ou afim. por exemplo. nome artístico singular ou coletivo. de origem diversa. semelhante ou afim. • Dualidade de marcas de mesmo titular. Marca mista composta por uma mistura de elementos nominativos e figurativos. no todo ou em parte.

sendo que sua atividade também pode se dar através de empresas controladas direta ou indiretamente. Ela também pode conter elementos figurativos e nominativos 5. mas. exige-se que seja apresentado ao INPI um regulamento de utilização da marca. inclusive para receber citações. efetiva e compatível com o produto ou serviço que a marca visa assinalar. vinhos ou roupas. por sua vez. não há marcas para todos. 217 da Lei da Propriedade Industrial. Existem marcas para biscoitos. conforme art. ele deverá ser representado por procurador domiciliado em território nacional com poderes para representá-lo administrativa e judicialmente. No caso de requerente domiciliado no exterior. também existem marcas para extintores de incêndio ou serviços de cremação. você não poderá solicitar uma marca para identificar roupas e vice-versa. A regra é clara: uma marca de produto ou de serviço só pode ser requerida por pessoas físicas ou jurídicas. entretanto. de direito privado ou público. tenha sempre em mente que uma marca visa distinguir um produto ou serviço de outros iguais.tridimensional composta pela forma plástica de um produto ou de embalagem que seja distintiva. A marca de certificação só deve ser solicitada por um ente certificador. A marca coletiva só deve ser solicitada por um ente representativo de coletividade. A verdade é que há marca para tudo. domiciliadas ou não no país que exerçam atividade lícita. todo o procedimento de depósito acabará sendo em vão. não deve ter interesse direto na produção ou no comércio do produto ou serviço certificado. uma cooperativa produtora de leite poderá solicitar uma marca para assinalar leite a ser utilizada pelos seus cooperados. por exemplo. a marca só pode ser solicitada por quem tem legitimidade para requerê-la.1. Assim. que. Por exemplo. É simples: se sua empresa fabrica biscoitos. . nacionais ou estrangeiras. semelhantes ou afins. Se você pede uma marca para um serviço que sua firma não faz ou para um produto que sua fábrica não produz. QUEM PODE REGISTRAR UMA MARCA Marcas identificam produtos ou serviços. por isso. Portanto.

a partir de quando foi concedido (LPI. a partir da sua permissão.5. salvo acontecimento imprevisto. 133). O processo da nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse. O registro de marca expira. 133. Portanto. A nulidade do registro será declarada administrativamente quando tiver sido infringido dispositivo da Lei da Propriedade Industrial.2. e também por meio de processo administrativo de nulidade. arts. Deve ser paga uma taxa para o serviço de registro oferecido pelo INPI. Este prazo é dilatado por períodos idênticos e consecutivos. por interstício de 5 anos. e 155. o registro de marca pode ser extinto em três hipóteses: pelo término do prazo de validade sem a devida ampliação. cessação desta exploração. III). seu prolongamento depende de manifestação do interessado em pedir sempre no derradeiro ano de validade do registro. art. 50 e 51 da LPI). em sua não-exploração econômica no Brasil em 5 anos. contados da data de concessão do registro (arts. § 1º. ou na de mudança de grande monta do signo indicativo da empresa (marca). sendo esta denominada de retribuição e devida na concessão e a cada dilatação do prazo registral (LPI. A VALIDADE DA MARCA NO TEMPO A validade ou tempo de registro são de 10 anos. no prazo de 06 (seis) meses. pela renúncia do titular ou seus sucessores. . ou por suposta.

indicados por Fábio Ulhoa Coelho: Novidade relativa. http://www. art. em uma sociedade em que o próprio consumo conquistou um protagonismo inédito. e para fazer seu registro no INPI é necessária a presença de três requisitos. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise de contexto evidenciou a rápida evolução das marcas e o crescimento de sua relevância. As marcas de alto renome gozam de uma proteção especial. Não-impedimento. 8 Instituto Nacional de Propriedade Indusrial. Outro elemento que ganhou relevo nesse trabalho foi a validade ou tempo de registro (LPI. Restou clara a necessidade da proteção da marca de produtos e serviços para evitar que os consumidores se confundam. .6. Instituto Nacional da Propriedade Industrial dá a obrigatoriedade de uso exclusivo ao seu titular. ou seja. bem como os atos que anulam o registro. Outro ponto discutido foi acerca da classificação das marcas e também mencionar quem tem a legitimidade para requerer o registro da marca.gov. utilizando idéias da sociologia e da comunicação contemporânea para ajudar na compreensão das intensas mudanças que se apresentam. Pelo exposto. 133). etc. A intenção de propor uma abordagem que fuja do meramente jurídico sobre a marca pretende fugir da superficialidade e da pura análise de casos. As hipóteses de extinção da validade do tempo de registro. pode-se constatar que marca é o designativo que identifica produtos e serviços. seu prazo de expiração.br/. criando assim característica tal qual uma digital. Não-colidência com marca notória. A marca quando registrada no INPI 8.inpi. uma proteção em todos os ramos de atividade.

desta formas. Não raras vezes a marca vale mais do que os equipamentos e prédios de uma empresa. o próprio meio de enquadramento e classificação. com a sua marca registrada. posto que. no Brasil a classificação era diferente de certos países. . caso contrários. O registro de uma marca. tal valor existe tão somente quando registrada. é apenas um nome ou sinal pairando solto e sem qualquer valor de mercado. É bom salientar que uma empresa tem na sua marca o seu patrimônio maior. contabiliza-se um valor diferenciado ao seu próprio patrimônio. passa a ser um patrimônio incorporado aos bens da empresa e.279 de 14 de maio de 1996. concorrências predatórias ou paralisitárias. obrigatoriamente criou maior necessidade do amparo legal criado pelo registro. a legislação brasileira entra na verdadeira era da globalização. Daí a necessidade do Registro. posto que. LPI n° 9. todo o empresário sabe que. Com a nova Legislação ficou mais fácil identificar piratarias. dentro do seu processo legal. Mas.A competitividade de mercado. Com o advento da Lei da Propriedade Industrial. passível inclusive de negociação. a marca é um bem imaterial. atualiza-se e ainda passa a habitar as normas vigentes das mais modernas do mundo. facilitando.

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