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Programa

 

Segunda 23/09

Terça 24/09

Quarta 25/09

Quinta 26/09

Sexta 27/09

9:00 10:00

Marcelo França Santos Informação clássica e quântica

Edmar Soares

Maria Carolina Nemes Aspectos da teoria quântica de campos: o bóson de Higgs

Simone Alexandre Teoria do funcional da densidade (DFT) aplicado a sistemas nanoestruturados

 

Abertura

Física de

superfícies

 

10:00 11:00

Bernardo Neves

Bernardo Neves

Leonardo Neves Discriminação de estados quânticos e suas aplicações

Bismarck Vaz da Costa Simulação computacional em matéria condensada

Bismarck Vaz da Costa Simulação computacional em matéria condensada

 

Nanoscopia: a

Nanoscopia: a

microscopia do

microscopia do

mundo nano

mundo nano

11:00 11:20

Coffe break

Coffe break

Coffe break

Coffe break

Coffe break

11:20 12:20

Carlos Monken Estados de fótons gêmeos como ferramentas em informação quântica e óptica quântica

Carlos Monken Estados de fótons gêmeos como ferramentas em informação quântica e óptica quântica

Rodrigo Gribel

Rodrigo Gribel

Karla Balzuweit O Estado da arte

 

Crescimento de

Crescimento de

Nanomateriais e

Nanomateriais e

 

suas Aplicações

suas Aplicações

em microscopia eletrônica

12:20 14:00

Almoço

Almoço

Almoço

Almoço

Almoço

14:00 15:00

Ubirajara Agero Física de sistemas biológicos

Ronald Dickman Mecânica estatística fora de equilíbrio

Ronald Dickman Mecânica estatística fora de equilíbrio

Karla Balzuweit O Estado da arte em microscopia eletrônica

André Ferlauto

 

Células solares

15:00 16:00

Maria Cristina

Maria Cristina

Visitas a

Saída para

Gilberto Medeiros

 

Soares

Soares

laboratórios

visita ao

Ribeiro

Helio e

Helio e

 

Observatório

Astronômico

Nanoeletrônica de

asterossismologia:

asterossismologia:

óxidos

o estudo do interior do Sol e das estrelas através dos modos acústicos de oscilação

o estudo do interior do Sol e das estrelas através dos modos acústicos de oscilação

 

16:00 16:20

Coffe break

Coffe break

Visitas a

   
     

laboratórios

Encerramento

16:20 17:20

Luiz Orlando

Luiz Gustavo Cançado Espectroscopia e nanomanipulação de materiais de carbono

Visitas a

Renato Las Casas Os primeiros telescópios (ministrada no observatório)

 
 

Ladeira

laboratórios

Nanotubos de

 

carbono e

nanobastões de

ouro

 

André Ferlauto Células solares

ferlauto@fisica.ufmg.br

A produção de energia de forma renovável, não poluente e com baixo impacto ambiental é um dos maiores desafios tecnológicos atuais. Recentes avanços como por exemplo, a crescente utilização de gás natural proveniente do gás de xisto e a descoberta da camada do pré-sal de pétróleo na costa brasileira, sugerem que, nas próximas décadas, a queima de combustíveis fósseis ainda será a forma predominante de produção da energia necessária para suprir sociedades cada vez mais vorazes por energia. Porém, é consenso entre cientistas que a emissão de CO 2 deve ser reduzida drasticamente para mitigar os efeitos deletérios das mudanças climáticas, que já são considerados inevitáveis. Neste cenário, as diversas alternativas de geração de energia renováveis devem ser consideradas e fomentadas por países e governantes preocupados com um futuro sustentável. A conversão fotovoltaica (PV) da energia solar é uma das mais importantes fontes alternativas de energia renovável e também uma das menos poluentes. Na 1a década deste século, a produção total de energia via PV passou de cerca de 0.3 GW para 16 GW, com um crescimento anual de cerca de 40%. Porém, apesar dos significativos avanços, a contribuição de PV para produção de energia no mundo e em particular no Brasil ainda é bastante pequena. Portanto, para uma maior competitividade, ainda são necessários maiores reduções de preço e aumentos da eficiência dos painéis solares Nesta palestra irei fazer uma introdução aos dispositivos fotovoltaicos, também chamados de células solares. Inicialmente serão apresentados os princípios básicos de funcionamento destes dispositivos que convertem energia solar diretamente em energia elétrica. Em seguida uma descrição das tecnologias atuais será feita, incluindo silício cristalino, filmes finos (como silício amorfo, CdTe e CIGS), células de corante e células baseadas em materiais orgânicos. Por fim, os desafios atuais na pesquisa e desenvolvimento de células solares nas áreas de física, química e engenharia de materiais serão discutidos. Destaque será dado às pesquisas que utilizam novos conceitos e estratégias, abrangendo o uso da nanotecnologia e de materiais abundantes na crosta terrestre.

Bernardo Neves Nanoscopia: a microscopia do mundo nano

bernardo@fisica.ufmg.br

No início dos anos 80, a Nanoscopia encantou o mundo com as primeiras imagens da superfície de um monocristal de silício com resolução atômica. Desde então, as diversas técnicas que compõem a família Nanoscopia vêm sendo utilizadas numa ampla variedade de disciplinas. Na verdade, o nome técnico mais usado para Nanoscopia é Microscopia de Varredura por Sonda, ou SPM, do inglês Scanning Probe Microscopy. Praticamente todas as áreas de Ciência dos Materiais e de Superfícies têm sido beneficiadas com o acesso a informações importantes do mundo nano da visualização de átomos e moléculas à caracterização elétrica e magnética com altíssima resolução. Este curso pretende fazer uma introdução às principais técnicas que compõem a família SPM. Assim, na primeira aula, será descrito o princípio básico da Microscopia de Varredura por Sonda e diversas técnicas componentes da família SPM serão apresentadas, explicando-se o seu funcionamento e indicando-se suas possíveis aplicações. Na segunda parte deste curso, será dada uma atenção maior às aplicações em Nanociências e Nanotecnologia desenvolvidas no Laboratório de Nanoscopia da UFMG utilizando, principalmente, as técnicas de SPM. Nesta aula, serão apresentados alguns projetos realizados, e em andamento, nas áreas de Caracterização e Nanomanipulação de Nanoestruturas de Carbono, Self-Assembly (Auto- Montagem) de sistemas orgânicos e Nanolitografia e Nanomanipulação de materiais visando o desenvolvimento de dispositivos. Especificamente, serão ilustradas algumas pesquisas experimentais envolvendo manipulação eletro-mecânica de nanotubos de carbono e grafenos e a funcionalização de grafenos por monocamadas auto-montadas. Serão apresentados também alguns processos de modificação eletroquímica de materiais, que permitiram o desenvolvimento de nanosensores de gases e produção controlada de nanopartículas metálicas.

Bismarck Vaz da Costa Simulação computacional em matéria condensada

bvc@fisica.ufmg.br

Este é um curso introdutório em simulação que deverá abranger os dois tópicos principais:

1. Monte Carlo

a. Algoritmo de Metropolis

i. Método de Histogramas

b. Algoritmo Wang-Landau

c. Aplicações

2. Dinâmica Molecular

a. Equações de Movimento

b. Métodos de Integração das Equações de Movimento

c. Reservatório de Calor

d. Aplicações

Os dois métodos são básicos em simulação e serão exploradas as aplicações mais simples e mais

pedagógicas. Ao final, sendo possível, alguns elementos de visualização dos resultados serão discutidos.

Carlos Monken Estados de fótons gêmeos como ferramentas em informação quântica e óptica quântica

monken@fisica.ufmg.br

Serão apresentadas as principais características e a teoria básica da geração de estados emaranhados de dois fótons a partir da conversão paramétrica descendente espontânea. Serão apresentadas e discutidas algumas aplicações desses estados em experimentos de fundamentos de mecânica quântica e de informação quântica, tais como violação de desigualdades de Bell, apagador quântico, discriminação de estados de Bell, quantificação de emaranhamento e transmissão de emaranhamento em meios turbulentos.

Edmar Soares Física de superfícies

edmar@fisica.ufmg.br

A importância de se estudar as propriedades das superfícies de cristais se deve ao fato de que

a interaçãoo dos sólidos com suas vizinhanças se dá através de suas superfícies. Muitos processos

físicos e químicos importantes nos sólidos tais como emissão de elétrons, adsorção, corrosão e oxidação, fricção, catálise heterogênea e crescimento epitaxial, dependem fortemente da natureza e das condições da superfície que participa do processo. Os processos citados acima são de grande importância tecnológica e só podem ser entendidos de uma maneira satisfatória se considerarmos,

em detalhe, a estrutura atômica e eletrônica na região da superfície. Do ponto de vista acadêmico o estudo de superfícies é importante porque a existência da superfície jé é, por si só, um tipo especial de defeito dos sólidos. A introdução de uma superfície quebra a periodicidade em uma das direções

e pode levar a um rearranjo dos átomos da superfície criada. Este rearranjo atômico pode gerar

estados eletrônicos e vibracionais localizados fazendo com que as propriedades das superfícies se diferenciem bastante das de volume. A descrição completa de uma superfície sólida envolve o conhecimento de quais espécies atômicas estão presentes na superfície, como elas estão arranjadas, quais são seus movimentos e como seus elétrons de valência estão distribuídos. É claro que a resposta a estas questões depende de resultados de muitos experimentos provenientes de diferentes técnicas. Neste mini-curso revisaremos as fenômenos de superfícies mais fundamentais (reconstrução, relaxação, estados de superfícies) e discutiremos os princípios básicos das técnicas mais utilizadas no estudo das propriedades estruturais e eletrônicas de superfícies tais como Difração de Elétrons de Baixa Energia (LEED), e Espectroscopia de Elétrons Excitados por Ultravioleta Resolvida em Ângulo (ARPES).

Gilberto Medeiros Ribeiro Nanoeletrônica de óxidos

gilberto@fisica.ufmg.br

A demanda por armazenamento de dados cresce mais rápido do que a taxa de diminuição de dispositivos de memória. O que causa este fenômeno e' um incessante aumento e circulação de informações, por meio de dispositivos móveis e a chamada “nuvem”. Esta demanda abre uma interessante oportunidade para novos dispositivos, circuitos, arquiteturas e conceitos em ciência de computação. No limite nano, as disciplinas de Física, Engenharias, Ciência de Materiais, Ciência de Computação e teoria de informação se misturam, pois fica cada vez mais difícil construir dispositivos que tenham um comportamento determinístico; no entanto, nesta interseção residem oportunidades únicas tanto de ciência básica quanto de negócios. Nesta apresentação irei introduzir uma classe de dispositivos básicos chamados de memristores, postulados nos anos 70 e hoje em voga para aplicações em memórias não-voláteis. Discutirei alguns materiais, onde exploramos suas propriedades básicas na concepção e implementação de novas funcionalidades. Por fim, será apresentado um panorama indicando possíveis aplicações e exemplos de sucesso nesta área.

Karla Balzuweit O estado da arte em microscopia eletrônica

karla@fisica.ufmg.br

A observação de objetos e materiais utilizando instrumentos mais poderosos que nosso olhos remonta à própria invenção das lentes e lupas. Ao longo de vários séculos, diversos instrumentos de medida foram sendo desenvolvidos e durante muito tempo, instrumentos como o telescópio e o microscópio foram fundamentais na pesquisa de corpos celestes (Astronomia) e pequenos corpos (Biologia) respectivamente. No final do século XIX e início do século XX, as descobertas que levaram à Física Moderna foram essenciais no desenvolvimento de inúmeros novos instrumentos e técnicas. Tornou-se possível a caracterização dos mais diversos materiais em relação a sua estrutura cristalina e suas propriedades físico-químicas propiciando o grande desenvolvimento tecnológico que desfrutamos hoje em dia e aqueles que ainda estão por vir. Os microscópios eletrônicos também se encontram nessa classe de instrumentos que foi desenvolvida a partir da Física Moderna. Podemos dizer que a microscopia eletrônica nasceu quando De Broglie postulou a dualidade onda-partícula. Em 1925 ele supôs que o elétron poderia apresentar uma natureza ondulatória com um comprimento de onda muito menor que o da luz. Em 1927, Davisson e Germer, e Thompson e Reid realizaram experimentos de forma independente comprovando a natureza ondulatória do elétron. Pouco tempo depois, em 1932, Knoll e Ruska lançaram a idéia do microscópio eletrônico de transmissão mostrando as imagens obtidas utilizando o equipamento construído por eles. Ruska foi premiado em 1986 com o prêmio Nobel pela invenção do microscópio eletrônico. A produção de microscópios eletrônicos de transmissão iniciou-se somente 4 anos após a publicação de Knoll e Ruska, com empresas como Siemens e Halske, Hitachi, Philips, Jeol e RCA, principalmente após o término da 2a. Guerra Mundial. Paralelamente ao desenvolvimento do microscópio eletrônico de transmissão (MET ou TEM), o conceito do microscópio eletrônico de varredura (MEV ou SEM) foi também apresentado por Knoll em 1935. Von Ardenne em 1938, construiu um microscópio eletrônico de varredura de transmissão, adicionando eletroímas para fazer a varredura do feixe de elétrons. O primeiro MEV a funcionar com espécimes de espessura considerável, assim como ocorre hoje em dia, foi descrito por Zworykin em 1942 na RCA. Inúmeros cientistas contribuíram para o desenvolvimento das técnicas e equipamentos que surgiram a partir de então e que se encontram disponíveis no mercado e que continuam a sofrer melhorias. Hoje em dia com o grande desenvolvimento de estruturas e dispositivos nanométricos, a microscopia eletrônica em conjunto com outras técnicas de caracterização como fluorescência e difração de raio-X, microscopia por sonda, espectroscopias Raman e infra-vermelho, se tornou absolutamente imprescindível em qualquer laboratório de pesquisa, dentro da academia ou em empresas. O estado da arte em microscopia eletrônica de varredura são os MEV’s que trabalham em baixíssima tensão, em torno de 1 kV com resolução compatível com um microscópio eletrônico de transmissão, da ordem de angstrons. Enquanto isto, os microscópios eletrônicos de transmissão atingem aumentos de mais de 16 milhões de vezes com resolução melhor que 0,5 Å, levando à discussão sobre o que se está “enxergando” com este tipo de resolução. E em 1999 Ahmed Zeweil ganhou o prêmio Nobel pelo microscópio eletrônico de transmissão 4D, onde ele conseguiu obter simultaneamente informações morfológicas, químicas e estruturais, possibilitando estudos temporais dentro do microscópio eletrônico na faixa de femtosegundos (10 -15 s).

Leonardo Neves Discriminação de estados quânticos e suas aplicações

lneves@fisica.ufmg.br

O passo final de uma tarefa de processamento de informação é a leitura desta. Em Informação e Computação Quântica, esta leitura corresponde à determinação do estado final do sistema quântico o portador da informação através de uma única medida. Quando os possíveis estados finais do sistema são não-ortogonais, esta medida única não é suficiente para determiná-los de forma perfeita. Este problema pertence à área de discriminação de estados quânticos, onde a tarefa é encontrar uma estratégia de medida que discrimine de forma ótima de acordo com uma figura de mérito previamente estabelecida entre estados não-ortogonais. Em geral, ao invés de medidas projetivas, cuja teoria é apresentada em cursos básicos de Mecânica Quântica, as estratégias ótimas são realizadas por meio de medidas generalizadas. Neste seminário, vamos introduzir brevemente o conceito de medidas generalizadas, discutir as principais estratégias de discriminação de estados e, finalmente, algumas de suas aplicações em criptografia quântica e teleportação quântica.

Luiz Gustavo Cançado Espectroscopia e nanomanipulação de materiais de carbono

cancado@fisica.ufmg.br

Neste mini-curso, apresentaremos alguns potenciais da espectroscopia Raman convencional, e também da espectroscopia Raman de campo-próximo para a caracterização e estudo de nanomateriais de carbono. O Laboratório de Nano-espectroscopia do DF UFMG conta hoje com dois instrumentos que permitem realizar, simultaneamente, imageamento espectral (Raman e

luminescência) e imageamento por microscopia de força atômica (AFM). Será discutido como esta técnica pode ajudar a explorar propriedades fundamentais de nano-materiais de carbono, especialmente nanotubos e grafenos. Dentre os temas abordados, teremos:

· Nano-manipulação de nanotubos com aquisição simultânea de espectros Raman. Análise das mudanças estruturais causadas pela ponta de AFM através de dados espectroscópicos obtidos in situ.

· Apresentação dos aspectos teóricos e resultados experimentais da espectroscopia Raman de campo-próximo em nanotubos e grafenos.

· Análise de solos férteis provenientes da Floresta Amazônica.

· Aspectos fundamentais e práticos da espectroscopia Raman de defeitos em nanografites e grafeno.

Luiz Orlando Ladeira Nanotubos de carbono e nanobastões de ouro

ladeira@fisica.ufmg.br

Marcelo França Santos Informação clássica e quântica

msantos@fisica.ufmg.br

Nessa palestra discutiremos aspectos interessantes de teoria de informação quântica e traremos informações básicas do grupo de emaranhamento e propriedades quânticas da luz, EnLight.

Maria Carolina Nemes Aspectos da teoria quântica de campos: o bóson de Higgs

carolina@fisica.ufmg.br

A palestra pretende mostrar o caminho que conduziu a necessidade de ir além da Mecânica Quântica. Mostraremos os fenômenos que, graças ao desenvolvimento tecnológico cada vez maior, nos levaram à construção unificada das forças eletromagnética, forte e fraca. A ideia fundamental para compreender o mecanismo teórico por detrás dessa construção elegante e poderosa será ilustrada na teoria do eletromagnetismo clássico. Isso vai nos permitir compreender o que é a invariância de calibre. Discutiremos as limitações de hoje do Modelo Padrão, ligadas tanto a altas energias, o bóson de Higgs e a física de neutrinos, que depende da precisão dos experimentos e são os precursores imediatos de uma física nova, além da nossa melhor descrição do que vemos, o Modelo Padrão.

Maria Cristina Soares Helio e asterossismologia: o estudo do interior do Sol e das estrelas através dos modos acústicos de oscilação

cristina@fisica.ufmg.br

Compreender as estrelas é fundamental para grande parte da astrofísica moderna. As estrelas fornecem luz e energia no universo e têm produzido a maioria dos elementos (exceto hidrogênio e hélio) a partir do qual a Terra é feita. O Sol é a estrela mais próxima da Terra e é a fonte de luz e de vida na Terra. Entretanto, ainda estamos muito longe de uma compreensão física detalhada das estrelas e do sol, em particular. A asterossismologia utiliza ondas que se propagam no interior da estrela para medir sua estrutura interna, de outro modo invisível a observação; da mesma forma que os sismólogos aprendem sobre o interior da Terra monitorando ondas causadas por terremotos. Utilizamos o termo heliossismologia quando nos referimos ao estudo destas ondas no sol. Há milhões de ondas sonoras distintas, ressonantes, que são observadas através de efeito Doppler da luz emitida na superfície do sol. Os períodos dessas ondas dependem de suas velocidades de propagação e da profundidade de suas cavidades de ressonância, o que nos permite estimar a temperatura, composição química e a dinâmica desde a superfície até o núcleo do sol. Sem essa capacidade de medir as propriedades estruturais e movimentos dentro do interior solar, a nossa compreensão de alguns dos processos mais importantes em astrofísica seria apenas inferências de um modelo. Neste mini-curso descreveremos como este método funciona, os resultados mais importantes obtidos até o momento e os desafios que tornam esta uma área muito interessante de pesquisa.

Renato Las Casas Os primeiros telescópios

Procurando responder à pergunta: Quando, onde e por quem foi inventado o telescópio, apresentaremos documentos que apontam Sacharias Janssen, óptico do norte da Holanda, como o verdadeiro inventor do telescópio. Apresentaremos também trechos de obras dos séculos XIII e XVI que nos levam a questionar essa afirmativa. Serão apresentadas especificações e imagens dos primeiros telescópios construídos por Galileo Galilei assim como reproduções do Sidereus Nuncius e de documentos escritos de próprio punho por Galileo, narrando algumas de suas principais descobertas astronômicas.

Rodrigo Gribel Crescimento de Nanomateriais e suas Aplicações

rlacerda@fisica.ufmg.br

Grafenos e nanotubos de carbono são formas de carbono bi- e uni-dimensionais, respectivamente. Desde que foram identificados (~1991 para o nanotubo de carbono e 2004 para o grafeno), estes dois materiais se tornaram fontes ideais para o estudo do comportamento de elétrons em sistemas de baixas dimensões, como também vêm demonstrando serem bastante promissores como futuros dispositivos eletrônicos. A observação experimental das propriedades bi-dimensionais do grafeno em 2004 tem sido considerada como um dos descobrimentos mais importantes da última década. Sua estabilidade em condições atmosféricas representa a existência de um material 2D, cujo tipo de portador elétrico (elétron ou buraco) pode ser escolhido via aplicação de um campo elétrico externo (efeito de campo). Além disso, o grafeno possui uma dispersão eletrônica linear e possui mobilidade elétrica para ambos os portadores que podem chegar a ordens de µ~100.000cm 2 /V.s. Essa última característica tornou o grafeno um forte candidato para a substituição do silício na microeletrônica e causar um grande impacto na área de sensores e dispositivos como telas sensíveis ao toque. Recentemente, a produção do material grafeno em grandes áreas possibilitou o surgimento de novas configurações de dispositivos capazes de explorar de maneira ainda mais interessante as interações entre grafeno e o ambiente que o cerca. Propriedades mecânicas do grafeno puderam ser mais facilmente investigadas utilizando-o em uma configuração de membrana ressonante, propriedades de permeabilidade vêm sendo estudadas a partir da interação da membrana atômica com diferentes atmosferas gasosas e novas possibilidades surgem com o melhor entendimento das propriedades elétricas e mecânicas do grafeno sobre/sob diferentes líquidos. Neste seminário irei abordar aspectos gerais relacionados ao crescimento de nanotubos de carbono e grafeno e de suas aplicações nas mais diversas áreas. Além disso, também serão apresentados os projetos atuais do Laboratório de Nanomateriais, e sua parceria com empresas, na busca de novas aplicações envolvendo nanotubos de carbono e dispositivos de grafeno na área de sensores de gases e biosensores.

Ronald Dickman Mecânica estatística fora de equilíbrio

dickman@fisica.ufmg.br

.

Transições de fase e fenômenos críticos têm atraído grande interesse por mais de um século. Nas últimas décadas a extensão desses estudos para sistemas fora de equilíbrio motivou muitos trabalhos teóricos, computacionais e experimentais. Vou discutir três classes de sistemas nesse contexto: sistemas dirigidos, modelos populacionais, e pilhas de areia, associadas à criticalidade auto-organizada. Esses exemplos apresentam um alto grau de universalidade. Por outro lado,

encontrar princípios gerais, análogos à termodinâmica de equilíbrio, parece ser uma tarefa bastante

desafiadora.

Simone Alexandre Teoria do funcional da densidade (DFT) aplicado a sistemas nanoestruturados

simoni@fisica.ufmg.br

A manipulação direta de átomos produzindo materiais com propriedades físicas e químicas previamente determinadas já é uma realidade na ciência atual. O desenvolvimento e a concretização da tecnologia do futuro serão baseados na criação, manipulação, determinação de propriedades físicas e químicas e produção em escala industrial de materiais em escala nanométrica com as propriedades desejáveis para os diferentes tipos de componentes. Do ponto de vista teórico, simulações baseadas na Teoria do Funcional da Densidade (Density Functional Theory, DFT) têm sido cada vez mais utilizadas na previsão de estruturas, propriedades mecânicas, eletrônicas, magnéticas e óticas de materiais nanométricos. Nesta palestra apresentarei a aplicação da teoria DFT ao estudo de diferentes propriedades em sistemas nanométricos de uma, duas e três dimensões. A maior parte destes trabalhos são intimamente ligados a trabalhos experimentais: prevendo estruturas e propriedades eletrônicas que foram produzidas e verificadas experimentalmente à posteriori ou através do estudo de propriedades de materiais que apresentam fenomenologia experimental total ou parcialmente não compreendidas.

Ubirajara Agero Física de sistemas biológicos

bira@fisica.ufmg.br

O Laboratório de Física de Sistemas Biológicos do Departamento de Física da UFMG trabalha com temas interdisciplinares estudando amostras biológicas com técnicas físicas. Assim, desenvolvemos técnicas e resolvemos problemas que integram esses campos de pesquisa. Nessa apresentação discutirei resultados sobre novas técnicas utilizadas para o estudo de amostras biológicas. Iremos caracterizar macrófagos, células do sistema imune responsáveis pela defesa do nosso corpo; e hemácias, principais células do sangue, utilizando a Microscopia de Desfocalização desenvolvida no nosso Laboratório. Discutirei medidas de interação entre proteínas e uma molécula de DNA usando pinças ópticas. Mostrarei resultados de propriedades elásticas de embriões de galinha em desenvolvimento utilizando manipulações mecânicas e modelos de elementos finitos. Em suma resumiremos os principais trabalhos desenvolvidos em nosso laboratório.