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HITLAAVUT (FERVOR) E KAVANA (PRATICAR O ACTO) ESTA É UMA VIAGEM ECUMÉNICA

E KAVANA (PRATICAR O ACTO) ESTA É UMA VIAGEM ECUMÉNICA Hoc est corpus meum ! Este

Hoc est corpus meum!

O ACTO) ESTA É UMA VIAGEM ECUMÉNICA Hoc est corpus meum ! Este é o meu

Este

ESTA É UMA VIAGEM ECUMÉNICA Hoc est corpus meum ! Este é o meu corpo: são

é o meu corpo: são estas as palavras pronunciadas por

Jesus dirigidas aos seus discípulos aquando da

Ceia/Banquete, inventando literalmente o seu corpo, a

Era daquilo a que o psicanalista Béla Grunberger chamou

o “narcisismo cristão”. A irrupção do divino na “carne”

humana e a dupla natureza de Cristo não suprimem o

desejo, redistribuem o jogo, anunciando uma divisão dos papéis e uma nova ambivalência do desejo, encontrando

mais do que um eco, o que não desagrada aos novos

hedonistas, no desejo dos modernos. (…) Quando Santo

Agostinho, herdeiro de Tertuliano, de Lactâncio e de

outros, vem a mudar de opinião relativamente ao

antropocentrismo cristão, fará efectivamente de Cristo

uma “excepção”. Jesus tinha fome e sede como todos,

morreu como todos, mas dependia de si decidir quando

teria fome ou sede, quando entregaria a alma. Melhor

ainda, acrescenta numa homilia sobre o evangelho de

Jesus, sentia-se perturbado como todos, mas porque

assim o queria. Mas onde Pelágio da Bretanha, a sombra

negra de Agostinho, imaginava que cada um podia

controlar o seu, a exemplo de Cristo, o bispo de Hipona

conclui que só a graça podia, no comum dos mortais,

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triunfar sobre o desejo, deslocá-lo para outra escolha de

objecto, como dizem os psicanalistas, ainda que, dirá

Lacan, o desejo vise sempre ao lado do seu objecto. A

Orígenes, que, seguindo uma sugestão pauliniana, queria

criar um “eunuco pelo reino dos céus” (…) Agostinho e a

instituição responderão: retirai o sexo, subsistirá o

desejo. Não são, portanto, nem o sexo nem o desejo os

culpados, mas, em tal circunstância, os seus objectos.

(…) Mas basta ler as Confissões e pensar na paixão das polémicas contra Julião de
(…) Mas basta ler as
Confissões e pensar na paixão das
polémicas contra Julião de Eclane para saber que não foi
assim tão fácil a Agostinho “evitar D. Juan em Orígenes”,
segundo a expressão de Victor Hugo, disciplinar o corpo
resistindo às tentações da carne e aos seus magros
proveitos. Escravo do seu próprio desejo ao ponto de
estar “fora de si” ainda que “Deus estivesse em si”, é
nesse cadinho que criará mais tarde a sua teologia do
pecado que resumirá em duas palavras: “a alma fornica”
(
Conf. II, VI, 14). Como Agostinho, contudo, Julião falava
por experiência própria. Estivera durante algum tempo
casado com a filha de um bispo, e a união com ela fora
para si “uma restauração da inocência de Adão e Eva”: o
desejo sexual que experimentara era inocente e
abençoado por Deus.»
(texto de Pierre-Emmanuel
Dauzat;
Le Magazine Littéraire
, nº 455,
Julho-Agosto de 2006; Trad. de CSA)
Matthew Fox é um ex-padre, excomungado da ordem
dominicana em virtude de suas idéias homossexuais.
Posteriormente, foi ordenado pelo Clero da Igreja
Episcopal americana. Autor do "best-seller" esotérico
The Coming of The Cosmic Christ (A Vinda do Cristo
Cósmico), Fox exerce uma tremenda influência mística
no círculo protestante.
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O Cristo cósmico, pregado por Fox, como também Jesus

(que assimilou a consciência deste Cristo cósmico)

podem ser tanto hetero como homossexual:

"Muitos cristãos têm sido levados a acreditar que o Cristo não está presente no fazer-amor.
"Muitos cristãos têm sido levados a acreditar que o
Cristo não está presente no fazer-amor. Isso não faz
sentido. De fato, o Cristo Cósmico é radicalmente
presente a todas as sexualidades e em todas as suas
dimensões e possibilidades. O Cristo Cósmico celebra a
diversidade sexual – "Em Cristo não há macho nem
fêmea", diz Paulo (Gálatas 3:28). O Cristo Cósmico não é
obsecado com identidades sexuais. O Cristo Cósmico
pode ser ambos, feminino e masculino, heterossexual e
homossexual".
"Fox também pede uma substituição da pesquisa do Jesus
histórico pela pesquisa do Jesus Cósmico. Ele diz que é tempo
de ‘reivindicar’ o Cristo Cósmico. Nós precisamos nos mudar de
um Cristianismo do ‘Salvador Pessoal’ para um Cristianismo do
‘Cristo Cósmico"’.
1.
2. Matthew Fox, The Coming of the Cosmic Christ. Harper and Row
– San Francisco, California, USA, 1988, página 164. Cf. Matthew
Fox, Whee! We, Wee All the Way Home. Bear Publications – Santa
Fe, New Mexico, USA, 1981, página 76.
3.

Artigo "The Cosmic Christ and Planetary Healing: A Look at the New Age Christ of Matthew Fox", by Ron Rhodes, Spiritual Counterfeits Project Journal. Spiritual Counterfeits Project, Inc Berkeley, California, USA, volume 20:3-4, 1996, página 51

Santa Teresa de Jesus era uma feminista revolucionária

sexual que descrevia as suas

experiências místicas

 

como “orgasmos carnais”.

 
"A sua relação com Cristo a expressou como uma relação muito sexual.
"A sua relação com Cristo a expressou como uma

"A sua relação com Cristo a expressou como uma

"A sua relação com Cristo a expressou como uma relação muito sexual.
relação muito sexual.

relação muito sexual.

Em suas transverberações -um

processo espiritual e carnal muito complexo que se

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parece muito a um acto sexual mas que não se pode reduzir à palavra orgasmo, porque muitíssimas mulheres têm orgasmos e Santa Teresa só há uma-, sentia-se transpassada pelo dardo de Deus; assim, se houver escândalo, será dele, não meu.

Tudo isso está nos seus magníficos livros, em seus

de Deus; assim, se houver escândalo, será dele, não meu. Tudo isso está nos seus magníficos
poemas,
poemas,
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6 DESTAQUE 1 DESTE LIVRO: Morre-se, e depois? assinalou o roteirista e realizador espanhol Ray Loriga.
DESTAQUE 1 DESTE LIVRO: Morre-se, e depois?
DESTAQUE 1 DESTE LIVRO:
Morre-se, e depois?

assinalou o roteirista e realizador espanhol Ray Loriga.

Morre-se, e depois? Não falta por aí quem, mesmo entre as populações católicas, responda assim a esta pergunta: ―Morre-se e vai-se para o buraco. E acaba-se tudo‖. Outras pessoas, marcadas certamente pelas antigas catequeses fortemente moralistas e aterradoras que foram obrigadas a frequentar em criança, adiantam: ―Só o corpo é que morre e vai para debaixo da terra, onde fica a aguardar a ressurreição, no fim do mundo; a alma não morre, é imortal, por isso, é levada de imediato diante de Deus para ser julgada por Ele. E depois do julgamento, ou fica para sempre junto de Deus no Céu, se se tiver portado bem, enquanto esteve no corpo; ou fica no inferno para sempre, se se tiver portado mal‖. Curiosamente, esta resposta é muito semelhante àquela que nos oferece o Catecismo da Igreja Católica (cf. n.os 1020-1060), neste início do século XXI e do terceiro milénio. Acrescenta-lhe apenas mais este pormenor não menos aterrador que os anteriores: Mesmo a alma que conseguir escapar às eternas penas do inferno, dificilmente escapará a um processo mais ou

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menos longo de purificação pelo fogo, no chamado Purgatório, até vir a ser considerada digna

menos longo de purificação pelo fogo, no chamado Purgatório, até vir a ser considerada digna de ficar para sempre junto de Deus!!! E qual será a resposta de Jesus de Nazaré a esta mesma questão? Subscreve todo este moralismo rançoso e de vómitos do Catecismo da sua Igreja, a qual, entretanto, não hesita em correr a fazer da pretensa salvação das almas um chorudo negócio, ou, pelo contrário, abre-nos a impensáveis horizontes de vida, que só mesmo o Deus de Vivos que o ressuscitou a ele como o primogénito de todos os demais seres humanos, é capaz, e tudo por pura Graça

sua, sem querer saber para nada de qualquer mérito nosso?

todos os demais seres humanos, é capaz, e tudo por pura Graça sua, sem querer saber
A resposta que o Catecismo da Igreja Católica adianta é puramente deísta e pagã. Em
A resposta que o Catecismo da Igreja Católica adianta é puramente
deísta e pagã. Em tudo igual à resposta que as diferentes religiões
têm repetido através dos tempos, desde as mais primitivas às mais
contemporâneas, todas elas ópio e terror para populações que se
sentem oprimidas e impotentes num mundo e numa História que de
modo algum conseguem controlar, muito menos, dirigir. Por isso,
é uma resposta que nos dá mais do mesmo, bem nos antípodas do
Evangelho, ou Boa Notícia do Deus de Vivos que se nos revelou em
Jesus de Nazaré.
Ora, uma Igreja como a Católica, que responde à grande questão
dos seres humanos – ―Morre-se e depois?‖ – nos termos em que o seu
Catecismo o faz, só pode ser uma Igreja que vive situada fora da
influência do Sopro ou Espírito de Deus, por isso, nos antípodas de
Jesus. Consequentemente, nem sequer é credora da confiança da
Humanidade. É sal que perdeu a força. Vive instalada na rotina dos
dias e na mais crassa preguiça teológica. Há muito que deixou de
ser sinal ou sacramento do Deus de vivos que trabalha
continuamente para levar por diante e ao seu termo a criação de
interlocutores seus, mulheres e homens, constituídos em estado
de maioridade e fecundamente criadores na História, que lhes
cumpre acompanhar e humanizar, para se converter em mais uma
empresa multinacional de religião, com estações de serviço
religioso a funcionar a toda a hora nos mais variados locais onde
vivem as pessoas.

Por isso aquela sua resposta só pode ser feita de mentira, do tipo engana-meninos-tira-lhes-o-pão. É uma resposta que serve às mil maravilhas para manter as populações cativas e resignadas dentro da presente Ordem económica mundial injusta. É uma res- posta destinada a castrar as populações e a mantê-las castradas durante o breve período de tempo em que somos chamados a viver na História. É uma resposta destinada a acorrentar as consciências, a fazer das populações mais bestas de carga do que seres humanos criadores e protagonistas. É uma resposta concebida para desmobilizar as populações dos grandes combates

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históricos pelo Pão e pela Justiça, pela Liberdade e pela Paz, ou, na linguagem dos

históricos pelo Pão e pela Justiça, pela Liberdade e pela Paz, ou, na linguagem dos Evangelhos Sinópticos, dos grandes combates pelo Reino/Reinado de Deus dentro da História. É uma resposta que condena as populações a sentir-se encurraladas na História, como prisioneiras numa caverna, de onde só se conseguem libertar

no momento da morte do corpo.

encurraladas na História, como prisioneiras numa caverna, de onde só se conseguem libertar no momento da
Mas o mais sádico da resposta do Catecismo da Igreja Católica é ela afirmar, sem
Mas o mais sádico da resposta do Catecismo da Igreja Católica é ela
afirmar, sem pestanejar, que a libertação da alma do corpo, no
momento da morte deste, longe de ser uma garantia de libertação
para a liberdade, é, na maior parte dos casos, a passagem duma ca-
verna – o corpo humano– para outra caverna infinitamente pior,
chamada purgatório, ou inferno. E, no caso do inferno, uma
caverna com inimagináveis penas que nunca mais terão fim!
É claro que se a vida dos seres humanos fosse para se resumir a
este breve inferno histórico, que é o viver aqui e agora da
esmagadora maioria da Humanidade, logo seguido do inferno
eterno, então melhor seria nunca termos nascido. Nem nos venham
a correr dizer que a mesma Igreja, que estes horrores ensinou e
ensina, está também apetrechada dos meios de salvação, e que
bastará que as pessoas a integrem durante o tempo do seu viver
histórico, e recorram, sempre que necessário, aos meios que ela
põe à sua disposição para garantirem a salvação das suas almas.
Porque então uma Igreja assim é o cúmulo da crueldade humana.
Primeiro, anuncia horrores sem conta nem medida às pessoas; e de-
pois de as ter totalmente à sua mercê, submissas e humilhadas,
ainda as obriga a manter os cordões da sua bolsa sempre abertos
para pagarem, durante toda a vida e mesmo depois de morrerem,
os meios da salvação das suas almas!
Reconheça-se que como
sistema pode ser engenhoso. Mas a verdade é que tem tanto de
engenhoso como de perverso.
Morre-se, e depois? A resposta à pergunta interessa a todos os
seres humanos. Mas quem hoje está melhor colocado perante a
pergunta são precisamente os ateus e os agnósticos. Os crentes
das distintas religiões e Igrejas, incluídos os que fazem sua a
resposta do Catecismo da Igreja Católica são, neste particular, os
mais infelizes dos seres humanos. Porque a resposta que foram
levados a interiorizar é uma resposta feita de mentira. Ora, é
melhor não ter resposta nenhuma, do que ter uma resposta feita
de mentira.

De resto, é sempre muito mais saudável para os seres humanos vivermos toda a vida confrontados com aquela pergunta que tem tudo a ver com o sentido último da nossa existência, mesmo que nunca cheguemos a encontrar uma convincente resposta para ela,

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do que, incomodados pela ausência duma resposta concreta, corrermos à estação religiosa ou eclesiástica de

do que, incomodados pela ausência duma resposta concreta, corrermos à estação religiosa ou eclesiástica de serviço mais próxima a adquirir a resposta mentirosa que lá é dada a quem se

fizer seu utente permanente.

de serviço mais próxima a adquirir a resposta mentirosa que lá é dada a quem se
Não nos deixemos enganar. Basta de infantilismos e de horrores em nome de Deus ou
Não nos deixemos enganar. Basta de infantilismos e de horrores
em nome de Deus ou de Nossa Senhora de Fátima (não se diz
oficialmente urbi et orbi que a senhora de Fátima veio
propositadamente a Portugal mostrar o inferno a três crianças
precocemente guardadoras de rebanhos, e que ele é assim como
uma caverna de fogo, para onde, segundo ela, vão as almas dos
pobres pecadores depois da morte?!). Basta de submissão aos
manipuladores do medo e aos comerciantes de Deus ou de Jesus
Cristo, habilmente disfarçados de clérigos, reitores de
santuários e de pastores de Igrejas. Fujamos de uns e de outros a
sete pés.
As respostas que eles e as suas Religiões e suas Igrejas dão, sem pes-
tanejar, à pergunta – Morremos, e depois? e a algumas perguntas
mais (por exemplo, Donde vimos? Para onde vamos?) são todas
respostas mentirosas. Pelo simples facto de serem respostas
interesseiras. Vejam como todas elas exigem, como condição para
haver garantia de salvação, a adesão das pessoas à respectiva
instituição, com as inerentes obrigações do pagamento do dízimo
e a frequência regular nos seus cultos, as quais, no seu conjunto,
contribuirão para as fazer crescer em poder e influência na
sociedade onde elas estão implantadas. Respostas assim são
sempre mentirosas. Só a Graça é verdade. E a Liberdade. Quando há
interesses, fora do âmbito da Graça e da Liberdade, as respostas
avançadas pelas instituições beneficiadas são sempre mentirosas.
É por isso que Jesus de Nazaré não encaixa em nenhuma Igreja, nem
em nenhuma religião.Sempre será perseguido, condenado e,
finalmente, crucificado por todas elas. Nem que seja para depois
elas o proclamarem como o seu Deus, mas sempre e só à maneira de
um ídolo, que elas podem manipular à vontade e em proveito pró-
prio.

É com Jesus, e Jesus crucificado, que aprendemos que a pergunta

Morremos, e depois? tem muito pouco a ver connosco, enquanto seres humanos responsáveis pela História e uns pelos outros. Essa pergunta tem mais a ver com os nossos medos perante a História e perante os outros. São os nossos medos perante a História e perante os outros que nos impedem de sermos mulheres, homens em plenitude, criadores, rebeldes, insurrectos, libertários, irmãos e companheiros dos demais, sujeitos, protagonistas, e tudo

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isto na dimensão e na intensidade em que Jesus de Nazaré se atreveu a ser,
isto na dimensão e na intensidade em que Jesus de Nazaré se atreveu
a
ser, no seu tempo e país.
Quando nos libertarmos destes nossos medos e formos mulheres,
homens assim, como Jesus, nunca mais andaremos aflitos com a
questão – Morremos, e depois?, mas com estoutra, bem mais
subversiva e revolucionária, portanto, historicamente mais
verdadeira: Nascemos/vivemos, e depois? Isto é: O que fazemos com
a
vida que nos foi dada? Ao serviço de quem a colocamos todos os
dias? Quem está a beneficiar com a nossa vida, enquanto estamos na
História? A quem vai aproveitar tudo o que sou e tenho e que me
foi dado para eu desenvolver e dar também?
Quando assim é, já não é mais a morte que nos preocupa, mas a vida.
Para que a vida não seja um morrer todos os dias para as grandes e
as pequenas Causas da Humanidade e do Universo. Seja, sim, um
viver cada vez mais comprometido com as grandes e as pequenas
Causas da Humanidade e do Universo. Porque, então, quando a
Morte nos acontecer, será simultaneamente o fim de tudo e o
Começo de tudo, como sucede com toda a explosão, nomeadamente,
a do grão de trigo. É o fim de tudo, na perspectiva do nosso aqui e
agora, mas não para cairmos no nada. É o fim de tudo, mas ao modo
do grão de trigo que é lançado à terra e morre para dar muito
fruto. É o fim de tudo, mas para PASSARMOS (Páscoa) a um Viver
Novo, em moldes e dimensões e qualidade, que nem os olhos viram,
nem os ouvidos ouviram, nem o coração alguma vez conseguirá
imaginar.
A Morte, para quem vive para as grandes e as pequenas Causas da
Humanidade e do Universo, tem o condão de nos reduzir ao
Essencial. Por isso, torna-nos invisíveis aos olhos. Tudo o que,
nesse momento, houver em nós de mentiroso, de idólatra, de
perverso, de inumano, de ódio, de medo, de infantilista, de cruel,
de prepotente, de tirânico, de opressor, de explorador não
aguenta a explosão final da vida que é a Morte e desaparece como
por encanto. A Morte põe fim a tudo o que não é Essencial. Como
acontece com o grão de trigo que morre, que explode sob a terra.
O Novo Corpo que resulta dessa explosão será vida na Vida, rio no
Mar, ser criado no Criador. Porque Deus que nos criou na
evolução, também nos ressuscita no instante do nosso morrer,
precisamente porque é Deus de vivos, não de mortos. E tudo isto
Ele realiza por pura Graça sua, sem querer saber para nada de
méritos ou deméritos nossos.
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dias da nossa vida na História em coerência com ela. E mais felizes ainda, se
dias da nossa vida na História em coerência com ela. E mais felizes
ainda, se todos os dias nos deixarmos impulsionar pelo seu Sopro
libertador, misteriosa e gratuitamente, presente no mais íntimo
de nós. Como Sopro de Graça e de Verdade que é, liberta-nos dos
nossos medos perante a História e perante os outros seres
humanos, e faz-nos viver para as grandes e as pequenas Causas da
Humanidade e do Universo. Cresceremos então em sabedoria, em
graça, em liberdade e, sobretudo, em entrega aos demais e às
grandes e às pequenas Causas da Humanidade e do Universo, à
medida que também crescemos em anos. E quando, finalmente, a
Morte nos acontecer, ela será aquela explosão que ainda nos
faltava para sermos definitivamente reduzidos ao Essencial, por
isso, vivos no mesmo Deus de Vivos que um dia nos chamou pelo
nome para que fôssemos suas filhas muito amadas, seus filhos
muito amados. Pois bem, que então o nosso viver na História seja
sempre um viver bem à altura da Graça que nos está reservada.
LER MAIS NA PÁGINA 115 E SEGUINTES
Cristãos do Oriente – ANSELMO BORGES
Quando se fala nos cristãos do Oriente, pensa-se geralmente nos "Ortodoxos", que, em 1054,
cortaram os laços com o Papa de Roma. Aqui, porém, refiro-me aos Cristãos do Médio Oriente e
do Egipto, incluindo os arménios, e também os do Iraque, Irão, Turquia, Etiópia. Embora o
cristianismo tenha lá o seu berço, o número de cristãos no Médio Oriente é hoje minoritário,
rondando os 6 milhões, uns 4% da população da região. Em Israel, são uns 500 000 (8% da
população); na Palestina, 54 000 (1,5%); no Líbano, 40% (1 milhão e 400 mil); na Síria, 4%
(750 000), no Egipto, 4 a 5 milhões (6%). Segundo a revista l'Histoire (Dezembro de 2008), há 4
milhões na diáspora (Europa, Estados Unidos e Austrália) e uns 6 milhões de cristãos siríacos na
Índia.
Estas Igrejas, que remontam muitas vezes aos inícios do cristianismo - foi em Antioquia, então
capital da província romana da Síria, hoje, na Turquia, que aos discípulos de Jesus foi dado pela
primeira vez o nome de cristãos -, caracterizam-se pela língua (frequentemente, o aramaico) e
rituais litúrgicos especiais. A sua diversidade deve-se a múltiplos factores: históricos, políticos,
teológicos.

As controvérsias teológicas e a História - lembrar o Império bizantino, a irrupção islâmica, as cruzadas (a quarta teve efeitos dramáticos, com o terrível saque de Constantinopla), a conquista otomana, a Primeira Guerra Mundial, a queda do Império otomano, o imperialismo europeu, o

estabelecimento do Estado judaico em 1948, a invasão do Iraque

)

- criaram um mosaico de

comunidades para as quais não é fácil traçar linhas claras de identificação. De qualquer modo,

ainda hoje, quando por lá passamos, fica-se impressionado com divisões que podem chegar a

agressões físicas por causa da ocupação dos "Lugares Santos".

 
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Os debates teológicos tiveram lugar nos primeiros séculos, concretamente IV e V, na tentativa de

Os debates teológicos tiveram lugar nos primeiros séculos, concretamente IV e V, na tentativa de compreender o mistério de Cristo. Como é que Jesus pode ser Deus e homem? O arianismo negou a divindade de Jesus e foi condenado no Concílio de Niceia, convocado pelo imperador Constantino em 325. Os nestorianos reclamam--se de Nestório (381-451), patriarca de Constantinopla, que deu origem ao nestorianismo: afirma que Maria é mãe de Cristo-homem e não mãe de Deus (theotokos). Os coptas são monofisitas, afirmando que Cristo tem uma só natureza - a natureza divina. O monofisismo foi condenado em 451, no Concílio de Calcedónia, que formulou a definição da fé de que em Cristo há duas naturezas - a natureza divina e a natureza humana - que subsistem numa só pessoa, e teve como consequência a formação de

Igrejas independentes: coptas, jacobitas, arménios, nestorianos. 1

só pessoa, e teve como consequência a formação de Igrejas independentes: coptas, jacobitas, arménios, nestorianos. 1
Nesta história complexa, estão presentes as controvérsias teológicas, mas não se pode esquecer a conquista
Nesta história complexa, estão presentes as controvérsias teológicas, mas não se pode esquecer
a conquista muçulmana nem as cruzadas. De qualquer forma, os cristãos, cujo estatuto, no
Império otomano, estava subordinado à lei islâmica, que os discriminava, mas não os impediu de
ocupar cargos importantes, representariam, aquando da Primeira Guerra Mundial, 25% da
população total na grande Síria otomana (Síria, Líbano, Palestina actuais).
Depois, o século XX trouxe tempos mais sombrios - hoje serão, como disse, uns 4% -, do
genocídio arménio ao êxodo em massa do Iraque. Mas, como escreve C. Mayeur-Jaouen, atenção
para não reduzi-los a um "estatuto de eternas vítimas"! Têm de ser denunciadas a prática
quotidiana de desigualdade e a perseguição a que estão sujeitos, mas também se não pode
esquecer as consequências do fim do império otomano nem o "discurso de cruzada" do invasor
americano no Iraque. Para o decréscimo do seu número contribuíram também razões
demográficas e até mais possibilidades de saída para o Ocidente - 25 000 caldeus (ramo
católico) vivem em França.
YAOHUSHÚA E A HISTÓRIA
http://www.ucp.pt/site/resources/documents/FT/JubCNevesJC.htm
http://anomalias.weblog.com.pt/arquivo/2005_12.html

A nível cultural há dezenas de abordagens sobre a pessoa de Jesus. Já lá vão os tempos em que se defendia a tese de Jesus como puro mito. Nos séculos XVIII, XIX e XX prevaleceu a abordagem do Jesus da história, e, por isso, tanto entre católicos como protestantes, começa a sentir-se um certo mal-estar sobre esta abordagem. João Paulo II, Bento XVI e, entre nós, D. José Policarpo, têm manifestado esse parecer. No entanto, o estudo sobre o Jesus da história é importante e necessário. Há perspectivas de investigadores, exegetas e historiadores, que reduzem Jesus à fasquia mais baixa: Jesus foi um grande homem e nada mais do que um homem. Mesmo assim, tudo o que seja realmente sério, em estudo académico, sobre a real vida histórica de Jesus, é sempre uma mais valia. O

1 VIDE A NÍVEL CULTURAL NO OCIDENTE HODIERNO AS DEZENAS DE ABORDAGENS SOBRE A PESSOA DE YAOHUSHÚA. JÁ À FRENTE ENTRAMOS NESSE “MUNDO” *PÁGINA 12+.

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autor da primeira e segunda carta de S. João já afirmava pelos anos oitenta da nossa era: “Ouvistes dizer que há-de vir um Anticristo; pois bem, já apareceram muitos anticristos” (1Jo 1, 18). O autor expõe um pouco mais adiante que estes anticristos são falsos profetas cristãos do seu tempo, e o critério apresentado para julgar tais falsos profetas é o da história: “todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne mortal é de Deus; e todo o espírito que não faz esta confissão de fé acerca de Jesus não é de Deus” (1Jo 4, 2-3). Na segunda carta volta ao problema: “É que apareceram no mundo muitos sedutores que afirmam que Jesus Cristo não veio em carne mortal. Esse é o sedutor e o anticristo!” (2Jo 7). Quem negava a existência de Jesus como homem de carne e sangue eram os docetas e os gnósticos. Deste modo, todos os estudos sérios sobre a real vida de Jesus em “carne e sangue” são bem vindos. É humanamente compreensível que, quem não tem fé cristã, tente reduzir Jesus à estatura de simples homem. Mas há que saber distinguir entre a investigação séria sobre o Jesus da história, com todas as suas consequências, e a investigação preconceituada. Nesta última alínea podemos colocar toda a literatura recente aliás, avassaladora – em volta do “Código Da Vinci”. A fome cultural pelo esotérico e excêntrico explica o “boom” literário de Dan Brown. Mesmo assim, estes fenómenos literários e culturais devem levar-nos a um estudo calmo e sereno sobre a sua razão de ser. Em meu entender, o grande desafio às igrejas cristãs, nos próximos tempos, reside na New Age 2[1] . É voltar, uma vez mais, ao tempo dos docetas, gnósticos, anticristos e falsos profetas das cartas de João. Muda a nomenclatura, mas a substância do problema é sempre a mesma. As ciências históricas e sociais têm sido aplicadas, nestes últimos tempos, à descoberta do Jesus [YAOHUSHÚA] da história. Citemos, a título de exemplo, os estudos de John P. Meier, nos seus três grandes volumes: A Marginal Jew.

P. Meier, nos seus três grandes volumes: A Marginal Jew. Rethinking the Historical Jesus 3 [2]

Rethinking the Historical Jesus 3[2] , de J. H. Elliott, What is Social-Scientific Criticism? 4[3] , de G. Theissen, Sociologia del movimiento de Jesús 5[4] , Estúdios de Sociologia del cristianismo primitivo 6[5] , S. Vidal, Los tres Proyectos de Jesús y el Cristianismo Naciente 7[6] , Carlos J. Gil Arbiol, Los valores Negados. Ensayo de exégesis socio-científica sobre la autoestigmatización en el movimiento de Jesús 8[7] , R. Aguirre, Del movimiento de Jesús a la Iglesia cristiana. Ensayo de exégesis sociológica del cristianismo primitivo 9[8] , Elisa Estévez López, El Poder de una Mujer Creyente. Cuerpo, identidad y discipulado en Mc 5, 24b-34. Un estudio

2[1] Ver Douglas GROOTHUIS, Revealiong the New Age Jesus. Challenges to Orthodox Views of Chris (InterVaersity Press, Downers Grove 1990) e John P. NEWPORT, The New Age Movement and the Biblical Worldview. Conflict and Dialogue (William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan

1998).

3[2] Vol I (Doubleday, New York/London, Toronto/Sydney/Aucklan, 1991), Vol. II 1994; Vol. III 2001 4[3] Fortress Press, Minneapolis, 1993. 5[4] Sal Terrae, Santander, 1979. 6[5] Sígueme, Salamanca, 1985. 7[6] Sígueme, Salamanca, 2003. 8[7]8[7] Verbo Divino, Estella, 2003. 9[8] Verbo Divino, Estella, 1998.

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desde las ciencias sociales 10[9] . Não devemos ter medo destas abordagens. As narrativas bíblicas tanto se servem dos métodos sincrónicos como diacrónicos na “construção” da pessoa de Jesus. Ao falarmos de “construção”, ao jeito de Tolentino de Mendonça 11[10] , não falamos de “invenção”. Falamos de tudo quanto possa ajudar a compreender a pessoa de Jesus no tempo e espaço. Todos sabemos que as únicas fontes literárias que possuímos para compreender a pessoa de Jesus são os quatro evangelhos canónicos. Os chamados evangelhos gnósticos, tão em moda, são importantes para compreendermos as duas linhas paralelas, mas antagónicas, do real Jesus dos primeiros quatro séculos: a linha da grande Igreja em formação, que, depois, resultou na igreja Católica, Ortodoxa e Protestante, e a das comunidades gnósticas, perseguidas pela própria Igreja depois da liberdade de Constantino e reaparecidas modernamente com as descobertas de Nag Hammadi. É, pois, com os evangelhos, que devemos trabalhar. Mas os evangelhos não são originalmente uma literatura com fins de historicidade factual. São o que o termo “evangelho” quer significar:

factual. São o que o termo “evangelho” quer significar: Boa Nova. Trata-se de uma Boa Nova

Boa Nova. Trata-se de uma Boa Nova de catequese cristã sobre o aparecimento histórico de Jesus. Uma vez que há judeus e pagãos que acreditam que o real Jesus da história, homem de carne e sangue como qualquer outro homem, pelo que disse

e

pelo que fez, é o Filho Único de Deus, Messias, Salvador e Redentor e, mais

ainda, Emmanuel (Deus connosco), os evangelhos, como resposta a essa crença, surgem como uma literatura de retórica catequética para que os leitores confirmem

fé já recebida ou despertem para essa fé, radicada no Jesus da história, da fé e da Igreja. Desta forma, Jesus tanto pode ser estudado à luz da fé como à luz da história. Durante dezoito séculos prevaleceu entre católicos, ortodoxos e protestantes o Jesus da fé. Não admira, pois, que com a era do racionalismo e iluminismo, surgisse o desejo de estudar o Jesus da história. Sobre o lugar do nascimento de Jesus, data e circunstância, nada sabemos

a

de história factual. Os dois primeiros capítulos de Mateus e Lucas, que descrevem

o

fim apresentar um relato de história factual, mas de história teológica, ou, mais concretamente, de história cristológica. Quando os quatro evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) foram escritos, Jesus já era acreditado por milhares de judeus e não-judeus como o Messias de Deus, Filho Único de Deus e Emmanuel (o Deus-connosco), Salvador e Redentor. As esperanças messiânicas das Escrituras Hebraicas, na fé dos cristãos, haviam-se realizado e, com esta realização, começaram os tempos escatológicos. E o tempo escatológico deriva não tanto do messianismo, filiação divina, mediação salvadora e redentora de Jesus, mas da sua ressurreição. Não há fé cristã sem a centralidade da ressurreição. Semelhante acontecimento, só reconhecido pela fé testemunhal de homens e mulheres, faz de

nascimento de Jesus em Belém com todas as suas circunstâncias, não têm por

10[9] Verbo Divino, Estella, 2003. 11[10] José Tolentino MENDONÇA, A Construção de Jesus. Uma Leitura Narrativa de Lc 7, 36-50 (Assírio e Alvim, Lisboa , 2004).

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Jesus uma personagem única na história das religiões, de modo que qualquer historiador e exegeta se confronta com textos sobre Jesus em perspectiva da história e da fé. Assim, as narrativas dos dois primeiros capítulos de Mateus e Lucas sobre o seu nascimento e infância apresentam, em forma narrativa, este Jesus total. A sua grandeza “divina” manifesta-se já a partir da própria concepção “virginal”, sem paralelo com qualquer outra figura histórica. A exegese moderna leva-nos a concluir que o Jesus da história só começa quando este decide abandonar, pelos seus vinte e sete anos, a sua família de Nazaré, viajar de Nazaré para o rio Jordão e juntar-se ao movimento de João Baptista. De facto, o primeiro evangelho a ser escrito, o de Marcos, por volta do ano setenta, é assim que apresenta Jesus a entrar na cena da história. Marcos não nos fornece nenhum “evangelho da infância”. Esta geografia histórica também é defendida por traços biográficos nos Actos dos Apóstolos em 1, 21-22: “Portanto, de entre os homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu no meio de nós, a partir do baptismo de João até ao dia em que nos foi arrebatado para o Alto…”. (ver Ac 1, 22; 13, 24). Isto significa que a “Boa Nova” (evangelho) da pregação cristã mais primitiva começava com a história de Jesus e João Baptista. Os evangelhos da infância de Lucas e Mateus são uma construção normal onde predomina o Jesus da história-da-salvação, à maneira das histórias haláquicas ou hagádicas, também chamadas midraches, dos rabinos de então sobre os Patriarcas, Moisés e outras grandes figuras bíblicas. O salvamento de Moisés das águas do rio Nilo pela princesa egípcia é uma destas narrativas “haláquicas” ou “midráchicas”, que classificamos de “estórias” ou “lendas”. No entanto, estas “estórias” têm o mesmo valor evangélico, isto é, de Boa Nova, para quem acredita em Jesus, que qualquer outra narrativa histórica. Só os evangelhos da infância nos apresentam a concepção virginal. Mais tarde, só o quarto evangelho apresenta a pré-história eterna de Jesus (Jo 1, 1: “No princípio era o Verbo; / o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus”; v. 14: “E o Verbo fez-se homem / e veio habitar connosco”). A concepção virginal, a ressurreição e a pré-existência eterna de Jesus, só se compreendem em inteligência de fé. Não há qualquer prova de história factual para estas três “verdades da fé” cristã. Se fosse doutra maneira, Jesus seria um “novo” Moisés, um “novo” profeta, inclusivamente o “Messias”, mas nunca o Senhor Deus (Jo 20, 28: “Tomé respondeu-lhes: „Meu Senhor e meu Deus!‟”). Voltando aos evangelhos da infância de Lucas e Mateus não nos é permitido estabelecer qualquer concordismo interno. No evangelho da infância de Mateus, a figura central, a seguir a Jesus, é José. É a José que o “anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: „José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito” (1, 20). A que se segue uma longa narrativa que tem por centro de acção o verbo activo pleroô (cumprir). Deus determina uma acção a realizar ou a cumprir, através dos anjos (anjo) e sonhos, dirigida a José. O emissor (Deus) fala ao emissário (José) pelo anjo/sonho para realizar uma acção-mensagem, previamente determinada por um profeta. Determinara em Is 7, 14 que o Messias nasceria de uma virgem (na tradução grega

determinada por um profeta. Determinara em Is 7, 14 que o Messias nasceria de uma virgem
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dos LXX) (1, 22). Determinara em Mq 5, 1-2 que o Messias havia de nascer em Belém (2, 6). Determinara em Os 11, 1 que o seu povo havia de nascer duma acção divina de libertação política e religiosa, levada a efeito por Moisés e repetida, agora, de modo total, em Jesus. Assim sendo, Jesus tinha que passar profeticamente (história profética e não factual) pelo Egipto (2, 15). Determinara em Jr 31, 15 que as tribos do Norte, descendentes da matriarca Raquel, a partir de Rama, seriam chacinadas pelos assírios e levadas para o exílio. A profecia serve de pano de fundo para a perseguição de Herodes contra as crianças inocentes de Belém e arredores (2, 17-18). Determinara, finalmente, que o Messias havia de viver em terras de Nazaré (3, 23), mas em nenhum lugar do AT se profetiza semelhante identificação. Mateus, servindo-se da hermenêutica bíblica do seu tempo, utiliza a assonância hebraica entre “nazareno”, “nazoreu” e “nazireu” para identificar Jesus como o “consagrado” por excelência (ver Jz 13, 5). A vinda dos magos do oriente, a acção da estrela, a conversa dos magos com Herodes, que “pôs em alvoroço toda a cidade de Jerusalém” (2, 3), a adoração dos magos, o prazo de dois anos entre a vinda dos magos e a matança dos inocentes, a ida de Jesus, Maria e José para o exílio no Egipto, onde permanecem dois anos, é uma narrativa “midráchica”, artificial, que mexe com toda a história do povo de Israel em perspectiva histórico-profética. O Jesus de Mateus percorre de maneira analéptica o mesmo caminho em espaço e tempo de salvação do povo de Israel. Moisés foi maltratado pelo Faraó como Jesus pelos responsáveis políticos e religiosos de Jerusalém. O povo sofreu o exílio como as comunidades cristãs primitivas. Mateus apresenta a sua “construção” a partir de analepses. Jesus não é tanto o “novo” Moisés, como muitos exegetas defendem 12[11] , mas o “verdadeiro” Moisés e os cristãos não são o “novo” povo de Deus, mas o “verdadeiro” povo de Deus. A oposição não reside no adjectivo “antigo” versus “novo”, mas “imperfeito” ou “inacabado” versus “verdadeiro” ou “consumado” 13[12] . Os magos e a estrela, na cultura oriental, como os anjos e os sonhos, são “sinais” divinos (ver Is 60, 6 e o Sl 72, 10. 11. 15). O texto de Mateus parte do “pré-texto” e “contexto” da história bíblica do Antigo Testamento. Dificilmente encontramos em toda a literatura um texto como o do evangelho da infância de Mateus para legitimar a tese de que qualquer “leitura” é uma “releitura”. Por outro lado, em história factual, é anti- racional que Herodes tenha mandado matar as crianças de Belém e arredores, precisamente dois anos depois do aparecimento dos magos. A ser verdade, e não obstante crimes do rei, Flávio Josefo não deixaria de apresentar este crime como o maior de todos os crimes. No evangelho da infância segundo Lucas, os tempos, os espaços e as personagens são diferentes, exceptuando José, Maria e Jesus. Aqui a construção narrativa centra-se em Maria de Nazaré e não em José. O diálogo divino dá-se entre o Anjo Gabriel, enviado por Deus (1, 26) e Maria. Em nenhuma parte dos quatro

por Deus (1, 26) e Maria. Em nenhuma parte dos quatro 1 2 [ 1 1

12[11] Ver D. C. ALLISON, The New Moses: A Matthean Typology. (T & T Clark, Edinbourg, 1993); M,.-É BOISMARD, Moïse ou Jesús. Essai de Christologie johannique. (BETL 84 ; University Press, Louvain, 1988). 13[12] Sigo os argumentos de Jean-Louis SKA, El camino y la casa. Itinerarios bíblicos (Verbo Divino, Estella, 2005) 193-213.

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evangelhos Maria, mãe de Jesus, assume um papel tão determinante. Ela discute

com o anjo (1, 28-38), visita a sua parente Isabel e recebe dela o maior de todos os elogios (1, 42-43: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?”). Já sabemos que a palavra Kyrios (Senhor), no Antigo Testamento grego traduz o tetagrama divino YAOHU UL (Deus e Senhor). Nenhum cristão pode ir mais longe que Isabel ao pronunciar este enunciado: “E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?” A cristologia mais alta funde-se com a mariologia mais alta. Os primeiros concílios sobre Maria como “Theotokos” (mãe de Deus) e sobre Jesus relacionado com o Pai e com o Espírito, ou, então, debruçados nas lutas cristológicas sobre a natureza humana e divina de Jesus, nada mais fazem do que explicitar em linguagem possível, funcional e ontológica, o que Lucas põe na boca de Isabel. Ao contrário de Mateus, Lucas constrói a sua narrativa da infância de Jesus

Lucas constrói a sua narrativa da infância de Jesus partir do díptico familiar contrastante - família

partir do díptico familiar contrastante - família de João Baptista e família de Jesus. Ao contrário dos pais biológicos de João, Jesus nasce de uma virgem. Ao contrário de Zacarias, sacerdote do Templo de Jerusalém, Jesus é senhor do próprio Templo (2, 49: “Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?”). João Baptista é um asceta “nazireu” (consagrado) (1, 15), enquanto que Jesus “será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo…Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus”(1, 32). Em Lucas não há magos, estrela, fuga para

o

Jesus bem enquadrado no contexto judaico de então. É circuncidado ao oitavo dia (2, 21), consagrado a Deus por ser o primogénito (2, 22-24), em tudo sujeito à “Lei do Senhor” (2, 22. 23. 24. 27. 39). Por outro lado, Lucas apresenta os pais de Jesus, com todo o realismo, como qualquer pai e mãe biológicos (2, 32: “Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que se dizia dele”; 2, 43: “sem que os pais o soubessem”; 2, 48: “Olha que teu pai e eu andávamos aflitos”). Para Lucas não existe nenhuma incompatibilidade entre a carne e o Espírito. Os pais de Jesus funcionam de modo diferente dos pais biológicos de João Baptista, mas sem

Egipto, matança de inocentes, mas nem por isso deixa de apresentar o menino

a

oposição dualista ou maniqueísta porque o “Espírito Santo” que vem sobre Maria (1, 34) e a “força do Altíssimo” que se estende sobre ela (1, 35) pertence à ordem da graça sem contradizer a da natureza. Lucas conjuga a gramática da graça, da natureza, da Lei e do Espírito com um à vontade total. Lucas diz o mesmo que Mateus, embora as personagens envolvidas, criadas adrede pelos dois evangelistas, sejam distintas. É sempre a história da salvação que está em jogo. Nem Lucas conhecia o evangelho de Mateus, nem Mateus o de Lucas, mas ambos conheciam a história final de Jesus. Os evangelhos da infância dos dois evangelistas são uma retro-projecção deste Jesus final e total. Mesmo assim, o Jesus dos evangelhos da infância de Mateus e Lucas nada tem a ver com o Jesus dos evangelhos apócrifos, sobretudo com o do Proto Evangelho de Tiago, que tanta influência desempenhou na história da Igreja, cheio de lendas e milagres mirabolantes do menino Jesus. Não admira que, como vimos, em Mateus a historicidade factual da estrela, magos, fuga para o Egipto, matança dos inocentes

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dê lugar à historicidade do significado e não do significante, como em Lucas

acontece com Isabel, os anjos, Simeão e Ana. Se em Lucas, Jesus é circuncidado ao oitavo dia e depois segue para Nazaré, como é possível conciliar este tempo, espaço e circunstâncias com os dois anos passados no Egipto, segundo a narrativa de Mateus? Ninguém pode conciliar o inconciliável. O concordismo bíblico seria um absurdo. E assim como, em Mateus, a matança dos inocentes, a ser histórica, tinha que aparecer nos escritos de Flávio Josefo, também em Lucas o édito de César Augusto (2, 1-17), que leva José e Maria a Belém, devia fazer parte dos Anais do império romano. A verdade é que não conhecemos nenhum outro documento histórico sobre este recenseamento do imperador César Augusto. E mesmo que o documento evangélico de Lucas se devesse tomar como histórico contradiz o que a história afirma acerca de Quirino como Governador da Síria. Foi Governador da Síria apenas a partir do ano sexto depois de Cristo. Mas quando Lucas escreveu o seu evangelho toda a gente, na Palestina, conhecia este recenseamento e as perturbações políticas que desencadeara entre os “zelotas” judeus contra Roma. Lucas não foi consultar as bibliotecas para se precaver da possibilidade de algum “erro” histórico. Apanhou o dado histórico do recenseamento posterior de Quirino e achou por bem colocar o nascimento de Jesus neste enquadramento universal da história do império romano (2, 1: “Por aqueles dias saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra”). A narrativa não tem em vista a veracidade histórica de um determinado recenseamento, mas a veracidade histórica do nascimento de Jesus no universo do império romano, senhor absoluto da história do mundo de então. Lucas apenas quer apresentar o “novo Senhor” da história Jesus na contextualidade histórica e cultural do seu tempo. Como conclusão, os evangelhos da infância de Jesus não são história factual, mas funcional. Da sua infância, a começar pelo lugar do nascimento, modo

e

sem fé, tem todo o direito de falar de erros históricos entre Lucas e Mateus, se ler os dois evangelhos da infância como fonte histórica de historicismo factual. Simplesmente, não é isto o que os evangelistas nos querem apresentar, mas

é isto o que os evangelistas nos querem apresentar, mas circunstâncias, nada sabemos. Qualquer leitor, historiador,

circunstâncias, nada sabemos. Qualquer leitor, historiador, exegeta, com fé ou

apenas a fé cristã sobre Jesus, Filho Único de Deus, Messias e Salvador, nascido de Deus e de uma virgem, através de uma catequese de narrativa bíblica, chamemos-lhe “midrache”, “saga”, “lenda” ou, até, “mito”. O que mais escandaliza os leitores modernos, filhos da ciência biológica, é

a afirmação constante de Jesus nascer de uma virgem. Mateus afirma-o de várias

maneiras (1, 20: “José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo”; 1, 13: “O anjo do Senhor apareceu em

sonhos a José e disse-lhe: „Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto‟”, em vez de: “toma o teu filho, e foge para o Egipto”; ver 1, 14. 19). O mesmo acontece com a genealogia em 1, 16: “Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo”, em vez de dizer, na sequência de todas as demais genealogias: “Jacob gerou José, José gerou Jesus…”. É absolutamente normal e racional que o leitor moderno se interrogue sobre o nascimento “virginal” de Jesus, também a partir do género literário dos evangelhos

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da infância, isto é, que veja nestes evangelhos um “mitema” ou um “teologoumenon” (narrativa divina para explicar o mistério da incarnação de Jesus Filho de Deus). O crente católico, ortodoxo ou protestante, que acredita no nascimento virginal de Jesus, apenas pode responder com a sua proposta de fé

cristã e tradição da Igreja porque a tradição cristã apostólica subjacente a Mateus

e Lucas assim acreditava. Será sempre uma questão de fé (como a ressurreição ou a pré-existência eterna de Jesus) e não de história factual. O facto de nos demorarmos tanto tempo nos evangelhos da infância é um acto consciente por causa dos problemas de fé e história que os evangelhos suscitam. A fé, a História e a Igreja interagem continuamente nestas narrativas. Fé, História e Igreja são três sinergias complementares ao longo da macronarrativa dos evangelhos. É a Igreja com a sua fé, isto é, a fé de comunidades cristãs apostólicas primitivas que impõe o género literário dos evangelhos da infância e não o género literário que se impõe à Igreja na construção da pessoa de Jesus. Mas quando passamos ao Jesus da história, sobretudo nos evangelhos sinópticos, a partir da decisão de Jesus em deixar a família, conviver com João Baptista, pregar a Boa Nova do Reino de Deus, já não é nem a fé nem o género literário das parábolas, milagres, discursos de doutrinação, que apresentam e constroem a pessoa de Jesus, mas a história concreta e factual, embora, aqui e além, as narrativas só se entendam, na sua redacção final, dentro dos parâmetros da fé e da Igreja, ou, melhor ainda, da fé da Igreja. Em nosso entender, nunca será possível poder distinguir com precisão total o que é que pertence à fé, à história e à Igreja, como querem os paladinos americanos do Jesus Seminar 14[13] . Mas também não podemos cair em exclusivismos de métodos, os histórico-críticos por um lado e os sincrónicos por outro. No fim de tudo, é o texto que nos interessa e não tanto a sua génese e história. Mas tudo quanto possa iluminar o texto a partir do seu pré- texto e contexto é bom para o próprio texto que chegou até nós. Tudo o que a cultura histórica à volta da cultura mediterrânica, judaica e não-judaica, nos apresenta, tem a ver com a macronarrativa do texto evangélico e seu herói Jesus de Nazaré. Como eram os códigos de honra das famílias judias e não-judias mediterrânicas? Se o código fundamental de honra consistia na honra e propriedade da família, Jesus, segundo os evangelhos, fugiu a este código de honra ao deixar a sua família de sangue para pregar e construir uma outra família centrada naquilo a que ele chamou Reino de Deus. As dezenas de livros e centenas de artigos sobre este pormenor são fundamentais. Lembremos, a título de exemplo, alguns exegetas muito motivados nesta alínea: Ramón Trevijano 15[14] , Xabier Pikaza 16[15] , Senén Vidal 17[16] , Halvor Moxnes 18[17] , Carlos J. Gil Arbiol 19[18] . As

Halvor Moxnes 18[17] , Carlos J. Gil Arbiol 19[18] . As 1 4 [ 1 3

14[13] R. W. FUNK , The Acts of Jesus. The Search for the Authentic Deeds of Jesus. (Haper San Francisco. San Francisco, 1998). 15[14] Orígenes del Cristianismo. El trasfondo judío del cristianismo primitivo (Universidade Pontificia de Salamanca, 1996). 16[15] La nueva figura de Jesus (Verbo Divino, Estella 2003). 17[16] Los tres Proyectos de Jesus y el Cristianismo Naciente.o.c. 18[17] Putting Jesus in His Place. A Radical Vision of Household and Kingdom (Westminster John Knox Press, Louisville, 2003).

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descobertas arqueológicas na Galileia têm trazido à luz do dia a vida real daqueles

campesinos subjugados pelos latifundiários que viviam em Jerusalém, Tiberíades e Séforis. Tais descobertas iluminam algumas parábolas de Jesus sobre o banquete oferecido por ricos e reis, cujos convidados ricos, ao rejeitarem o convite, cedem o lugar aos pobres e marginalizados, estabelecendo-se assim a lei evangélica da salvação em pura gratuidade e dom versus salvação pela Lei. A promessa do Reino de Deus, central na pregação de Jesus, é também iluminada por tudo quanto os exegetas vão descobrindo sobre tal promessa nos ambientes rabínicos de então, e, sobretudo, na literatura extra-bíblica de Qumrân e nos demais movimentos apocalípticos. O sintagma Reino de Deus foi, é, e continuará a ser um enigma no mundo de Jesus e da exegese dos evangelhos. Basta lembrar que este sintagma e respectivo mundo semântico, com raras excepções, foi abandonado por Paulo, pelo autor do quarto evangelho e pela demais literatura neo-testamentária pela simples razão de que, depois da pregação de Jesus e depois da queda de Jerusalém no ano setenta, esta semântica perde oportunidade na catequese cristã do mundo grego e romano dos cristãos. Se os ouvintes de Jesus, judeus pobres na sua maioria, esperavam por esse Reino, de significados ambivalentes, como é patente nas reacções dos discípulos mais directos de Jesus, os cristãos das camadas pagãs só o podiam interpretar, depois da ressurreição de Jesus, num sentido espiritual e escatológico. E é por isso que os exegetas revisitam continuamente esta temática em perspectivas políticas e apocalípticas. Lembremos E. P. Sanders, tão propalado entre nós depois da tradução da sua obra A Verdadeira História de Jesus 20[19] , as obras já citadas de Xabier Pikaza e Senén Vidal, Gerd Theissen com a obra Biblischer Glaube aus

Vidal, Gerd Theissen com a obra Biblischer Glaube aus evolutionärer Sicht , traduzida para espanhol com

evolutionärer Sicht, traduzida para espanhol com o título

La fe bíblica. Una

perspectiva evolucionista 21[20] , o segundo volume de John P. Meier, nas pp. 237-

508.

Respondendo às ambiguidades criadas pelo “Reino de Deus”, vamos agora ao encontro do Jesus das parábolas e dos milagres. O mesmo que, um dia, decidiu subir da Galileia para a Judeia. O que é que o distingue dos rabinos judeus, doutrina essénica, farisaica e saduceia, em parábolas e milagres e, sobretudo, na sua resolução final diante de Pilatos e do Sinédrio? Como conjugar este final com o sintagma do Reino de Deus? Trata-se de um final livre, querido, consciente ou de um final aceite contra a vontade (Mc 15, 34 e par.: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”). A ressurreição de Jesus pelo Pai, segundo a fórmula mais primitiva (Ac 2, 24. 32; 3, 15, 4, 10; 10, 40; 13, 30), é uma necessidade teológica do Pai em relação ao seu Filho ou o acontecimento escatológico central, livre e absoluto, que determina de uma vez por todas a verdade da pessoa de Jesus de Nazaré?

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Pessoalmente, e de acordo com muitos outros exegetas, encontro na parábola dos vinhateiros homicidas (Mc 12, 1-12 e par. Mt 21, 33-46; Lc 20, 9- 19) uma das chaves hermenêuticas para solucionar quantum satis ambiguidades, dúvidas e interrogações sobre a auto-consciência de Jesus. É que, no limite, o que os redactores finais do texto evangélico nos querem dar é a pintura da pessoa de Jesus, que eles não inventaram, mas que o próprio Jesus lhes forneceu, embora os fios que tecem a tapeçaria de Jesus sejam da história, da fé e da Igreja. Na parábola alegorizada dos vinhateiros é fácil distinguir o Jesus da história do da Igreja. O patrão da vinha enviou aos vinhateiros vários servos “para receber deles parte do fruto que lhe competia” (Mc 12, 2 e par.). Os vinhateiros bateram nuns, maltrataram outros e, inclusivamente, mataram alguns (12, 2-5). Finalmente, o evangelista escreve: “Já só lhe restava um filho. Enviou-o por último, pensando: „Hão-de respeitar o meu filho‟. Mas aqueles vinhateiros disseram uns aos outros: „Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa‟. Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha. Que fará o dono da vinha?” A parábola histórica, jesuânica, terminava aqui. O que se segue na narrativa sobre a “pedra que os construtores rejeitaram”, que nos reenvia para Is 28, 16, Sl 118, 22-23; Zc 4, 7, é, com certeza, uma explicação da fé da Igreja a partir do mistério da morte e ressurreição, tanto mais que a metáfora da “pedra rejeitada” é amplamente tratada na literatura do Novo Testamento (Rm 9, 33; 10, 11; Gl 2, 18; Ef 2, 20; Ac 4,11-12; 1Pd 2, 6-8). Partimos do princípio que as parábolas de Jesus eram narrativas simples e “abertas” e que, em algumas delas, a Igreja respondeu de maneira cristã à pergunta retórica final. De parábola aberta e interrogativa, a necessitar de uma resposta consciente do ouvinte ou leitor, como era costume de Jesus, algumas parábolas foram fechadas na fé da Igreja do Jesus total e final. Assim aconteceu com a parábola dos vinhateiros homicidas. O definitivo nesta parábola consiste na passagem da identidade dos enviados do dono da vinha. Depois de ter enviado muitos, que foram maltratados e mortos, o dono pensa bem, reflecte e diz: “Tenho um filho. Hão-de respeitar o meu filho!” Esta auto- consciência de Jesus ser um Filho único e próprio, diferente dos patriarcas e profetas, santos e mártires, pertence à camada histórica mais primitiva dos evangelhos. E é nesta auto-consciência de Jesus que se centra o seu drama humano, histórico, de vida e morte. Jesus apresenta esta auto-consciência de muitos modos, envolta em mistério de metáforas. Nos capítulos segundo e terceiro de Marcos, e paralelos sinópticos, Jesus apresenta-se em cinco metáforas, também classificadas de “apotegmas”, que o identificam de modo único (Mc 2, 10 e par.: “Pois bem, para que saibas que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar os pecados, Eu te ordeno disse ao paralítico: levanta-te, pega no teu catre e vai para tua casa”; Mc 2, 17 e par.: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”; Mc 2, 19-20: “Jesus respondeu: „Poderão os convidados para a boda jejuar enquanto o esposo está com eles? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar.”; Mc 2, 21-22 e par: “ninguém, deita remendo de pano novo em

Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar.”; Mc 2, 21 - 22 e par: “ninguém,
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roupa velha, pois o pano novo puxa o tecido velho e o rasgão fica maior. E ninguém deita vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho romperá os odres e perde-se o vinho, tal como os odres. Mas vinho novo, em odres novos”; Mc 2, 27-28 e par: “E disse-lhes: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. O Filho do Homem até do sábado é Senhor”; Mc 3, 27 e par.: “Ninguém consegue entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens sem primeiro o amarrar, só depois poderá saquear-lhe a casa”). Todas estas afirmações, sempre indirectas, da auto-consciência de Jesus, acontecem em pequenas narrativas e em ambiente cultural judaico de contraste e oposição à ortodoxia judaica. Jesus, como o Deus do AT, tem poder de perdoar pecados; é o médico que vem para os doentes e não para os justos, isto é, para os cumpridores da Lei; é o esposo do novo povo de Deus, que está por cima de todas as leis de jejum; se é o “noivo” e “esposo” só pode haver festa e não jejum; é o vinho novo que vem substituir o vinho velho; está por cima do sábado, uma das instituições mais sagradas do judaísmo de então, e, finalmente, sabe que é o “mais forte”, com poder para vencer o “forte”, isto é, o Satan que, até este momento, comanda a política histórica e religiosa do mundo. Sabemos que os exegetas continuam a discutir sobre estes “apotegmas” ou afirmações de auto-consciência. Para mim, a redacção poderá ser “eclesial”, mas o fundo histórico, de recorte metafórico, em antítese com a cultura religiosa judaica de então, não é criação eclesial porque a Igreja continuava a jejuar, a beber do melhor vinho, o mais velho, a ter medo de demónios, poderes, principados, autoridades e dominações (ver Ef 1, 21 e passim ) e a pregar uma ética cristã de santidade e justiça diferente da gratuidade criadora e salvadora de Jesus. A Igreja já é mediadora, sinal de salvação, projecção daquele Jesus primeiro e histórico que está por cima do sábado, do templo, do jejum, do “forte”, de Jonas e Salomão.

do templo, do jejum, do “forte”, de Jonas e Salomão. JESUS CRISTO E A FÉ Apresentámos

JESUS CRISTO E A FÉ

Apresentámos o Jesus da história, mas não o podemos separar da fé e da Igreja. Foi a Igreja que criou os evangelhos da infância, que transformou parábolas fechadas em abertas, que juntou aos milagres históricos de Jesus sobre os que sofrem, sejam coxos, cegos, surdos, mudos, endemoninhados, milagres eclesiais, como é o caso da multiplicação do pão e do peixe, Jesus caminhar sobre as águas, etc. Mas a questão do Jesus da fé, que começa por assentar numa resposta humana à auto-consciência histórica do próprio Jesus, atinge o seu clímax no mistério da ressurreição. Perguntávamos se a ressurreição é uma espécie de “presente” do Pai ao Filho pela sua obediência filial ou se representa o acontecimento escatológico nunca visto, nunca repetido, único e fundador. Falar da ressurreição de Jesus é entrar no campo semântico da fé. Não se trata de realizar de maneira poética, romântica, ideal, o desejo de imortalidade de Platão, dos gregos, dos egípcios e de todas as religiões. Ressurreição nada tem a

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ver com reincarnação. Nem a ressurreição de Jesus é ontologicamente igual à ressurreição dos crentes em Jesus. A nossa razão é ultrapassada pelo significado do acontecimento. Nem é outro o sinal de todas as narrativas da ressurreição de Jesus como provas históricas da mesma. A ressurreição não se prova como se podem provar as parábolas, os milagres, a paixão e a morte de Jesus. As contradições internas das narrativas e dos enunciados testemunham isso mesmo. Não devemos ter medo de falar de contradições, a começar pela primeira “prova”, em perspectiva cronológica, descrita na 1Cor 15, 3-8:

“Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive, enquanto alguns já morreram. Depois apareceu a Tiago e, a seguir, a todos os Apóstolos. Em último lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto.”

lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto.” Paulo apresenta a ressurreição de Jesus como

Paulo apresenta a ressurreição de Jesus como o acto fundador do Cristianismo (1Cor 15, 12-14: “Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé”). Não se pode fugir a tais premissas. No entanto, Paulo não apresenta provas históricas da ressurreição:

quem é que viu Jesus a ressuscitar? Em que dia e hora? Em que forma? Apenas nos apresenta o facto em si através de provas de testemunho de fé existencial. Segundo Paulo, Jesus morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras. A sua morte foi real e de história factual. Mesmo assim, Paulo fala como crente: Jesus

morreu pelos nossos pecados e segundo as Escrituras, isto é, não por causa de um

processo de julgamento jurídico e político, puramente histórico, mas como cumprimento das Escrituras, ou seja, como cumprimento da vontade de Deus. O mesmo se diga dos outros dois tempos sequenciais à morte: foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Quanto à sepultura não apresenta nenhuma modalidade, ao contrário dos sinópticos com a narrativa das mulheres, de Nicodemos e de José de Arimateia. Ao contrário da morte e sepultura, não afirma apenas um enunciado sobre a ressurreição, mas apresenta quatro categorias de pessoas como testemunhos: apareceu a três pessoas em particular:

Cefas, Tiago e o próprio Paulo e a três grupos de pessoas: os doze, quinhentos irmãos, todos os apóstolos. Não vamos aqui discorrer sobre a razão de ser desta enumeração de pessoas testemunhas da ressurreição. Apenas ajuntarei o facto de que Paulo, nas suas cartas, se serve da aparição do Ressuscitado como prova irrefutável para o seu apostolado, causa de muitos desentendimentos com os judeo-cristãos de Jerusalém e não só (1Cor 9, 1: “Não sou eu um homem livre? Não sou um Apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor?”).

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Ao contrário dos sinópticos e do quarto evangelho, Paulo não nos apresenta nenhuma narrativa de aparição. Mas os sinópticos só coincidem uns com os outros na afirmação da ressurreição aos Onze (Doze), discordando no tempo, no espaço e na modalidade. Marcos, o primeiro a escrever, por volta do ano setenta, termina o seu evangelho em 16, 8, sem qualquer narrativa da ressurreição. A narrativa das aparições em 16, 9-20 é posterior ao primeiro Marcos, segundo os dados fornecidos pela crítica textual e pela índole de estilo. Segundo a narrativa, “no primeiro dia da semana” (16, 9), Jesus apareceu em primeiro lugar a Maria de Magdala, de acordo com Jo 20, 11, 18; “depois apareceu com um aspecto diferente a dois deles que iam a caminho do campo” (16, 12), de acordo com Lc 24, 13-35; “apareceu, finalmente, aos próprios Onze quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que o tinham visto ressuscitado” (16, 14), de acordo com Lc 24, 36-42. O mandato

(16, 14), de acordo com Lc 24, 36 -42. O mandato de Jesus: “Ide pelo mundo

de Jesus: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura”, lembra

o

segunda parte do mandato: “Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado”, é exclusivo de Marcos. A crítica textual, como já afirmámos, diz-nos que este final de Marcos, 16, 9-20, não pertence ao primeiro Marcos. Trata-se de uma reflexão posterior da Igreja, já com a catequese da

mesmo mandato, embora diferenciado na forma literária, de Mt 28, 19-20. A

exclusão: “quem não acreditar será condenado.” Este texto de Marcos é, pois, uma composição da Igreja muito posterior à redacção primeira de Marcos, com o fim de resolver o “escândalo” do final de Marcos em 16, 8. Este exemplo é importante, pois significa que a ressurreição foi,

é

temporal, espacial e imanencial. Assim se explicam todas as diferenças nos relatos dos quatro evangelhos. Querer harmonizá-los, como gostam de fazer os historicistas e fundamentalistas do texto, é um erro. A variedade de narrativas e a impossibilidade de harmonização, a começar pelo primeiro texto de Paulo em 1Cor 15, como vimos, escrito apenas uns vinte anos após a morte de Jesus, prova a verdade do facto da ressurreição como algo de único, a crer e não a provar. Não é escândalo para ninguém afirmar que as palavras do Ressuscitado, nos sinópticos e em João, são todas redaccionais e catequéticas. Pertencem ao Jesus da Igreja. Isto significa que a fé na ressurreição é isso mesmo - fé. Não temos provas da ressurreição, mas testemunhos vivos da mesma. A fé faz parte integrante do campo semântico do Cristianismo e de todas as religiões, mas a novidade cristã centra-se, de maneira única, no objecto da fé na ressurreição. Nenhuma outra religião possui este objecto de fé. É a ressurreição que faz com que o sintagma Reino de Deus, centro de toda

a vida de Jesus, receba a performatividade de Reino presente e histórico. O Jesus

dos milagres, parábolas e crucificação, pela ressurreição, não é apenas o Messias e o Profeta, mas a última palavra. A ambiguidade dos textos sobre o Reino, sobre o Filho do Homem ou sobre a razão de ser daquela morte na cruz, desaparece para reaparecer a nova humanidade na humanidade ressurreccionada de Jesus e em Jesus. Isto não significa que exegetas e historiadores, com fé cristã ou sem ela, não

e será um acontecimento impossível de relatar com a lógica do puramente

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devam continuar, agora e sempre, a estudar as discordâncias sinópticas dos textos, suas ambiguidades, situadas no tempo e no espaço, isto é, o estudo do texto com o seu pré-texto e contexto. E também não significa que a ressurreição de Jesus reinvente a semântica da vida real de Jesus. Significa apenas que a ressurreição é aquele mais significativo que desfaz todas as dúvidas do relativo da história de Jesus. E ninguém como Paulo de Tarso retira todas as consequências para esta fé cristã na ressurreição: (Rm 8, 11: “E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que habita em vós”). A partir deste texto paulino, o exegeta protestante Gerd Theissen escreve com muita propriedade: “Já que o Espírito transcende a finitude da vida humana, vincula-se com ele a promessa da vida eterna. Paulo não conhece nenhum núcleo ou aspecto essencial do ser humano que se encontre para além da morte. Não conhece uma alma imortal, apenas espera a ressurreição dos mortos. Mas ele não espera numa ressurreição que rompa a continuidade entre a vida actual e a vida eterna. Pelo contrário, a vida eterna introduz-se na vida presente, quando o homem se deixa apanhar pelo “Espírito de Deus” que lhe é alheio: o Espírito de Deus que habita no homem supera a morte e confere eternidade à existência individual e mortal” 22[21] . É pela ressurreição que se desfazem todos os equívocos entre história e apocalipse. Realmente, a literatura apocalíptica entre o século II a. C e o século II d. C., foi uma corrente avassaladora de pensamento e criatividade literária dentro do judaísmo. Os crentes fundamentalistas judeus partiam do princípio que não havia possibilidade de salvação, para Israel, dentro da história linear da humanidade de então. O Deus de Israel, que até ao exílio era o Deus de um povo, raça e nação, passou, depois do exílio, a ser o Deus de todos os povos. Depois do exílio, a viverem na dependência política da Pérsia, Grécia e Roma, concluíram que só uma acção apocalíptica divina podia resolver a questão. O capítulo sétimo de Daniel exprime muito bem este problema. Para este tipo de judaísmo apocalíptico, dualista e maniqueísta, só há duas classes de gente: os fiéis e os infiéis. O mundo era governado por infiéis pagãos, também acolitados por judeus paganizados. Os séculos de dependência política de impérios pagãos, por um lado, e a fé na verdade unívoca de um Deus, Senhor e Rei de um povo, que devia governar o mundo pelo simples facto de ser o Deus do povo da revelação e da verdade, por outro lado, levou-os, em desespero de causa, a concluir que só lhes restava a acção do juízo final. Perderam todas as esperanças nas mediações da religião e da história. E com esta atitude mental, religiosa e teológica, não havia mais razão de ser para a história a sua história, que determina a existência de toda a história. Esperavam, portanto, pelo juízo apocalíptico porque não era possível que Deus continuasse a ser, ao mesmo tempo, o Deus de fiéis e infiéis. A dilação e não realização da acção apocalíptica divina deixou estes judeus entregues ao desespero do “non sense” da história e do mundo. Ainda hoje se

do “non sense” da história e do mundo. Ainda hoje se 2 2 [ 2 1
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projectam, em bolsas humanas, dentro do judaísmo, cristianismo e islamismo.

Pois bem, a ressurreição de Jesus desfaz estas ambiguidades. A ressurreição é um “ereigniss” ou acontecimento único, universal, cósmico, final. Por ela passam crentes e não crentes, fiéis e pecadores. E se João Baptista pertencia a esta escola de pensamento, com o Jesus da história, da fé e da Igreja, passa-se precisamente

o contrário. Jesus acolhia os infiéis e os pecadores no banquete do seu Reino.

Perdoava às pecadoras, mantinha no seu grupo um publicano e um zelota, aceitava o trigo e o joio, deu a salvação aos marginalizados, pobres, doentes

físicos e possuídos do demónio. O seu mundo era o do médico que veio para curar

e não para matar, o do pastor que veio para todas as ovelhas, a começar pelas

fugidas e perdidas, a do Filho que tem um Pai que em vez de condenar com o juízo final, perdoa e manda que perdoem a começar pelos inimigos. E é desta forma que

a

Quem perdoa e ama não pensa em juízo final de bons contra maus para que o mundo e sua história fique exclusivamente na mãos dos bons e dos fiéis. Jesus veio para unir e não para dispersar, a começar pela história política e familiar. Se as famílias judias e romanas daquele tempo, por causa da honra, da propriedade e demais direitos, marginalizavam os pobres, doentes e pecadores, Jesus inverte o campo semântico e enche o seu banquete precisamente de pobres, doentes e pecadores, estabelecendo uma “guerra” cultural dentro das próprias famílias ao deixar a sua família de sangue para estabelecer o Reino da família de Deus. Desta maneira, o Jesus da história estabelece a ponte com o Cristo da fé. Não há duas histórias, duas famílias, duas sociedades, um Deus para os bons e outro para os maus. Há um só Pai, um só Filho e um só Espírito. Nem admira que com o desaparecimento histórico de Jesus seja o seu Espírito que, como outro Paráclito, presente no meio da história, comprove que Jesus é o verdadeiro e único Kyrios. Paulo acentua de modo lapidar esta verdade: “Por isso, quero que saibais que ninguém, falando sob a acção do Espírito Santo, pode afirmar: „Jesus seja anátema‟, e ninguém pode afirmar: „Jesus é o Kyrios” (Senhor)‟, senão pelo Espírito Santo” (1Cor 12,3). O termo “Kyrios”, neste contexto, só pode traduzir o YAOHU UL do AT/NE, como faz a tradução grega dos LXX. Trata-se de Jesus com toda a sua natureza e função de Emmanuel ou Deus connosco.

toda a sua natureza e função de Emmanuel ou Deus connosco. ressurreição vem dar razão ao

ressurreição vem dar razão ao Filho, Pastor, Profeta, Messias, que perdoa e ama.

JESUS CRISTO E A IGREJA

Penso que pelos exemplos evangélicos aduzidos é fácil concluir que a Igreja, isto é, os crentes em Jesus, baptizados em seu nome, foram formados no querigma cristão. Neste querigma, o Jesus da história da pregação de Jesus, centrada no sintagma Reino de Deus, na paixão e morte, é acreditado, também por força das promessas proféticas e messiânicas do Antigo Testamento, como o Messias final. Jesus apenas pregou; nada escreveu nem mandou escrever. O Novo Testamento, a começar pelas cartas de Paulo, continuando, depois, nos quatro evangelhos, são fruto de muitos anos de tradição oral apostólica. A redacção final dos evangelhos corresponde a este querigma vivo, a este evangelizar contínuo com

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leituras e releituras constantes ao Antigo Testamento, já que o desígnio final de Deus tinha que passar pela realização profética e messiânica das Escrituras Hebraicas. Os evangelhos aparecem por necessidade interna das igrejas, à medida que os apóstolos e demais testemunhas oculares da pessoa histórica de Jesus iam morrendo. Era preciso conservar essas memórias apostólicas. Neste particular, o Novo Testamento, como também o Antigo Testamento, é uma “memória” da “diégesis” de Jesus e da “diégesis” das tradições apostólicas. No dia em que deixasse de haver fé cristã sobre a terra, o Novo Testamento não teria qualquer razão de ser. A “memória” cristã dos evangelhos é uma memória viva, celebrativa, litúrgica, e não uma memória de crónicas passadas. Esta memória refere um passado, um presente e um futuro uma vez que a ressurreição de Jesus marca o evento escatológico, único e definitivo. Deste modo, o querigma cristão não é fruto duma catequese biblicista. A realidade da vida cristã assenta na realidade de uma pessoa, o Jesus da história, da fé e da Igreja, e não num livro. O livro é um instrumento de mediação única para nos lembrar. A lembrança é mais do que o livro.

para nos lembrar. A lembrança é mais do que o livro. E foi precisamente a Igreja,

E foi precisamente a Igreja, através de critérios litúrgicos da vida das

comunidades, que determinou o Cânone dessas lembranças através de alguns livros que julgou canónicos. A história do Cânone é a história controversa, dinâmica

e

querigmas principais: o das cartas de Paulo, o dos evangelhos sinópticos e o do quarto evangelho. Estes três rios desaguam no “mare magnum” do significado final da pessoa de Jesus. Tudo parte do Jesus histórico, de carne e osso, em volta da realização do Reino de Deus, já presente e sempre em realização, cujo clímax reside na fé da ressurreição e no conhecimento da pessoa de Jesus através da

viva do querigma cristão primitivo 23[22] . Nele podemos distinguir os três

força do Espírito Santo. É importante este último enunciado. Não se pode conhecer

o

política. O Espírito do Ressuscitado continua a actuar. Lucas deixa isto claro em Lc

Jesus total apenas com a investigação histórica, social, cultural, filológica,

24, 49: “E Eu vou mandar sobre vós o que meu Pai prometeu”, bem como João nos textos sobre o Paráclito (Jo 14, 15-17; 14, 25-26; 15, 26-27; 16, 5-15). Se o Espírito é o último exegeta da pessoa de Jesus, esse mesmo Espírito actua nos crentes de maneira eclesial e não de maneira puramente individualista, solipsista, em conformidade com alegrias de salvação sentimental. Pelo menos é assim que Paulo fala dos carismas do Espírito com a metáfora do “corpo” e sua funcionalidade em 1Cor 12, 12-31 e Rm 12, 3-5, com a metáfora da “construção” em Rm 15, 2: “Procure cada um de nós agradar ao próximo no bem, em ordem à construção da comunidade” e, finalmente, com a metáfora dos instrumentos da música na 1Cor 14, 6-11; ver 12, 12: “Assim também vós: já que estais ávidos dos

23[22] Ver Lee Martin McDONALD e James A. SAMDERS (eds.), The Canon Debate (Hendrickson Publishes, Peabody) 2002.

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dons do Espírito, procurai adquiri-los em abundância, mas para edificação da

assembleia”).

Se a Igreja, nas metáforas da “assembleia”, “corpo” ou “construção” é o objecto do querigma cristão, dinamizado pela força do Jesus da história e do Jesus Ressuscitado e continuado no seu Espírito, a tónica final, na dialéctica entre o Jesus da história, da fé e da Igreja, deve ser colocada no Jesus da Igreja. É para aí que tudo converge. Assim se explica que o Novo Testamento utilize uma grande quantidade de géneros literários para exprimir a mesma fé: relatos históricos, cartas de recomendação, mitos, midraches, apocalíptica. A redacção final dos autores bíblicos, quando comparada entre si, apresenta diferenças, contradições, multiplicidade de cristologias e eclesiologias. Já vimos isso mesmo na comparação dos evangelhos da infância e narrativas da ressurreição. Mas os exemplos podem multiplicar-se às dezenas. O que é que tem a ver a cristologia dos sinópticos com a do quarto evangelho? Porque é que o quarto evangelho não usa o sintagma Reino de Deus como centro da pregação de Jesus? Porque é que nunca apresenta um único milagre de exorcismo? Porque é que não nos lega a narrativa da última ceia eucarística, à maneira dos sinópticos? E, nos sinópticos, porque é que Mateus nos apresenta sete bem-aventuranças e Lucas apenas três? Porque é que em Mateus o sermão da montanha se passa de facto num monte e em Lucas numa planície? Porque é que só Lucas descreve a Assunção do Senhor de maneira tão diferente? Em Lc 24, 50-53 acontece na Dominga após a ressurreição no Sábado e nos Actos 1, 4-8 ao fim de quarenta dias depois da ressurreição? Estas e muitas outras interrogações levam-nos a concluir que as “contradições” são trabalhos “redaccionais” criados pelos respectivos autores com funções catequéticas. No fundo, a Bíblia é um grande mostruário literário de retórica da fé judaica e cristã. A Bíblia não caiu do céu. Não foi Deus que a escreveu, mas a Igreja judaica e cristã. Não nos devem escandalizar títulos de obras como a de André Paul, Et l´homme

títulos de obras como a de André Paul, Et l´homme créa la Bible 24 [23] ,

créa la Bible 24[23] , a de Jean Potin, La Bible rendue à l‟histoire 25[24] , ou a do exegeta

episcopaliano americano L. William Countryman Biblical Authority or Biblical Tyranny? 26[25] . Infelizmente, a Bíblia pode tornar-se numa tirania, à maneira do Alcorão de certos fundamentalistas islâmicos. Para que tal não aconteça há uma Igreja (igrejas) e dentro dessa Igreja (igrejas) há exegetas católicos, protestantes e ortodoxos, guardiães e estudiosos deste livro admirável chamado Bíblia o Livro dos livros. Pertenço a este grupo por obra e graça de Deus e da Igreja. Obrigado por terem lido este texto comigo.

Joaquim Carreira das Neves, OFM.

24[23] Bayard, Paris, 2000. 25[24] Bayard, Paris, 2002. 26[25] Cowley Publications, Cambridge, Boston, 1994.

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BELAS PASTORAS PROTESTANTES e PASTORES/PADRES [E O EXEGETA CARREIRA DAS NEVES ABERTO ÀS MULHERES]
BELAS
PASTORAS
PROTESTANTES
e PASTORES/PADRES
[E
O EXEGETA
CARREIRA DAS NEVES ABERTO ÀS MULHERES]
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31 Adriana é o equivalente católico das pastoras- de 35 anos é recatada: maquiagem carregada e

Adriana é o equivalente

católico das pastoras- de 35 anos é recatada: maquiagem carregada e decotes generosos, nem com
católico das pastoras-
de 35 anos é recatada:
maquiagem carregada e
decotes generosos, nem
com meu corpo que vou
chamar as pessoas para

cantoras evangélicas. Como as concorrentes, a artista

pensar (seu único pecado, e

não apenas religioso, são

as calças legging). "Não é

Deus", diz. Além disso, seu

pop meloso por vezes se

confunde com música de

reunião de grupo de

catecismo. Ela é uma das

campeãs de vendas do

segmento (o CD Adriana ao

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Vivo, de 2007, teve 50 000

cópias comercializadas).

"Comecei a cantar nas

missas aos 7 anos, por

imposição de minha mãe",

conta. A profissionalização

veio nos anos 90, quando ligada à comunidade carismática Canção Nova. e acaba de ficar
veio nos anos 90, quando
ligada à comunidade
carismática Canção Nova.
e acaba de ficar noiva.
Como manda a Igreja,
antes do casamento. "É
difícil, mas não
impossível."
PASTORAS POP

garante que não fará sexo

não impossível." PASTORAS POP garante que não fará sexo foi vocalista de uma banda Adriana namora

foi vocalista de uma banda

Adriana namora há três anos

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QUE BONITA Dedé Santana, 66 anos, humorista
QUE BONITA
Dedé Santana,
66 anos, humorista

Criado na igreja católica, passou também pelo kardecismo,

mas diz que, apesar da fama e do dinheiro, vivia

 

deprimido e sentia um "vazio existencial". Desde que se

 

tornou evangélico, há oito anos, transformou-se em

 

verdadeiro globetrotter da causa. Já percorreu quase mil

 

cidades para levar a palavra de Deus. Converteu-se após

ter sido visitado por pastores em um hospital, onde estava

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tratando de problemas cardíacos. Os pastores foram

 

levados por seu filho Átila, que consumia drogas e largou

o vício depois de entrar para os Atletas de Cristo. Hoje,

 

Dedé integra a Sara Nossa Terra.

 
Assíria Nascimento: a mulher de Pelé é uma estrela da música gospel Bezerra da Silva,
Assíria Nascimento: a mulher de Pelé é uma estrela
da música gospel
Bezerra da Silva,
75 anos, cantor e compositor
Um dos maiores símbolos da malandragem carioca, foi
batizado na Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo
Macedo, em março deste ano.
Garante que não vai
renegar as antigas canções, mesmo as que falam de
boemia e da vida mundana. "Deus não quer que a gente
largue o ganha-pão", diz.
Faz planos, no entanto, de
produzir um disco com sambas evangélicos pela gravadora
Line Records, pertencente à Igreja Universal.
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ESTRELA GOSPEL A pastora Ana Valadão
ESTRELA GOSPEL
A pastora Ana Valadão
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A cantora Aline Barros destoa do estereótipo da mulher evangélica. Ela não prende os cabelos,
A cantora Aline Barros destoa do estereótipo da
mulher evangélica. Ela não prende os cabelos,
muito menos usa saias até os calcanhares. Com 50
quilos distribuídos em 1,60 metro, olhos castanhos e
uma farta cabeleira, a carioca Aline, 32 anos,
pinta o rosto, anda sempre perfumada e a balança
é seu purgatório. No almoço com a reportagem de
VEJA, ela beliscou um pequeno bife com fritas e
dispensou a sobremesa. "Doce, só no fim de semana."
Mas a vaidade, claro, obedece a um mínimo de
decoro. Saias e bermudas devem estar na altura dos
joelhos, e vestidos de alcinha são cobertos por um
casaquinho. Aline é casada com o ex-jogador de
futebol Gilmar, do São Paulo. Eles são pais de
Nicolas, de 6 anos. "Nós, evangélicos, somos pessoas
normais que simplesmente decidiram viver para
Jesus de forma linda. Para mim, isso é um
privilégio."

O padre Fábio de Melo, que exibe um vistoso relógio Diesel no pulso,

 

não gosta de ser fotografado com as mãos em posição de prece. "É

 

piegas", diz. Vindo de uma congregação liberal, a Sagrado Coração de Jesus, Melo manifesta sem medo um dos pecados capitais a vaidade.

 

Usa calças justas, tem sobrancelhas delineadas e, ainda que não admita

em público, já se submeteu a picadas de Botox para remover rugas da

 

testa e dos olhos. Seus cabelos, provavelmente por inspiração do Espírito

Santo, emitem reflexos dourados. Apesar disso, rechaça a imagem de

 
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padre galã. "Quando as fãs vêm com histeria, logo corto. Não vou acender

fogueiras que não posso apagar", diz. O mineiro de 37 anos prefere ser

 

reconhecido por outros dotes os intelectuais. Ele é mestre em

 

antropologia teológica e autor de seis livros de autoajuda numa linha

 

poético-religiosa. Seu maior incentivador nessa área amigão do peito,

 

mesmo, do peitoral é Gabriel Chalita, ex-secretário de estado paulista e

 

autor prolífico. "Gabriel abriu muitas portas para mim", diz. Em maio,

 

lançarão um livro em parceria. Título provisório: Cartas entre Amigos

 

Medos Contemporâneos.

 
lançarão um livro em parceria. Título provisório: Cartas entre Amigos –   Medos Contemporâneos.  
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38 Pastora liberal
38 Pastora liberal
Pastora liberal

Pastora liberal

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Somos grandes!

Somos grandes!

39 Somos grandes!
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SÍTIO /SITE: SARA NOSSA TERRA.BR
SÍTIO /SITE:
SARA NOSSA TERRA.BR
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YASHÚA teve discípulas, que o acompanharam ao longo da sua vida pública e assumiram um
YASHÚA teve discípulas, que o
acompanharam ao longo da sua vida pública e assumiram um papel
de serviço (diakonia) junto dele e dos 12. Esta é uma das evidências
que, à luz dos Evangelhos Canónicos (Marcos, Mateus, Lucas e João),
é destacada pelo Pe. Joaquim Carreira das Neves numa dissertação na
UCP.
A Agência ECCLESIA acompanhou a terceira sessão do seminário
internacional “O «Jesus Histórico». Perspectivas sobre a investigação
recente”, desta vez dedicada ao tema das mulheres nos Evangelhos
canónicos e gnósticos. A leitura de Lc 8, 2-3 revela, por exemplo, que
aos 12 Apóstolos se tinham juntado “algumas mulheres, que tinham
sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria,
chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios; Joana,
mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana e muitas outras,
que os serviam com os seus bens”.
Para Joaquim Carreira das Neves é evidente que “havia um número
de mulheres que seguiam YASHÚA e o serviam, como outros
discípulos homens”. Isso, contudo, não quer dizer que o fizessem “à
maneira dos 12”, sendo, assim, discípulas e diaconisas (servidoras) em
sentido lato.
Estas mulheres foram mais sensíveis, em determinadas situações, ao
anúncio do Reino de Deus por Jesus Cristo. A sua fidelidade levou-as
mesmo a procurar dar a Jesus um enterro condigno, o que as tornaria
testemunhas da ressusrreição (Lc 24, 10 refere-se a Maria de Magdala,
Joana e Maria, mãe de Tiago, bem como a “outras mulheres que
estavam com elas”) e personagens importantes nas primeiras
comunidades cristãs.
O exegeta português lembrou que, no seu tempo, YASHÚA, foi uma
pessoa “diferente” na sua relação com as instituições judaicas, com as
43 mulheres e com os “Códigos familiares” que colocavam as mulheres numa posição de subalternidade.
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mulheres e com os “Códigos familiares” que colocavam as mulheres
numa posição de subalternidade. embora os Evangelhos Sinópticos
não façam nenhuma referência ao termo discípulas, é plausível que as
mulheres estivessem incluídas nos grupos de “discípulos” que muitas
vezes são referidos.
O Pe. Carreira das Neves frisou que, entre esses discípulos/as e o
grupo dos 12 Apóstolos, há uma diferença substancial no que diz
respeito ao chamamento, sendo admissível que na Ceia Pascal /
Banquete Pascal – um momento fundamental para a questão do
ministério ordenado na Igreja – pudessem estar apenas aqueles que
Jesus chamou e não aqueles por quem se deixou acompanhar na sua
subida para Jerusalém, a fim de celebrar a Páscoa.
Nesse sentido, o exegeta recusou tirar quaisquer conclusões sobre o
que deve ser o futuro da Igreja no que diz respeito à possibilidade de
admitir mulheres ao ministério sacerdotal, admitindo, contudo, que é
preciso “repensar” o sistema e “recolocar a mulher no lugar que lhe
compete, apresentando o verdadeiro desígnio de Deus a partir da
história da Criação (Gn 1, 26)”.
A ordenação de mulheres, disse, “é uma questão da Igreja, não do
Jesus da história”.
A revolução dos Gnósticos
A sessão contou com uma abordagem à figura das mulheres nos
chamados “evangelhos gnósticos”, particularmente divulgados a
partir do sucesso da obra “O Código da Vinci” de Dan Brown. Para
Joaquim Carreira das Neves, estas são “histórias alternativas” que é
preciso conhecer e compreender, para evitar “respostas hipotéticas de
má-fé”, como a que Dan Brown oferece, nas palavras de Umberto
Eco.
Estes textos, lembrou, não anteriores aos Canónicos (c. 70-90) e
demonstram a filosofia gnóstica, que defendia a androginia e
desprezava a carne, para que pudesse ressurgir “a faulha divina”
anterior à separação entre homem e mulher.
O Pe. Carreira das Neves citou um “logion” do já conhecido
evangelho gnóstico de Tomé, no qual se afirma que “as mulheres não
são dignas da vida” para mostrar quais as convicções destes escritos a
respeito das mulheres – que se teriam de “transformar” em homens
para poderem ser iniciados aos segredos do verdadeiro conhecimento
(veja-se o final do referido logion 114 - “Jesus disse: „Eu mesmo vou
guiá-la, para torná-la homem, para que ela também possa tornar-se
um espírito vivo semelhante a vós, homens. Porque toda a mulher que
se tornar homem entrará no Reino do Céu"). Os gnósticos
desprezavam ainda o casamento e tudo o que relacionava com a
sexualidade.
A importância atribuída a Maria Madalena nasce, assim, mais do
confronto com a “Igreja de Pedro” do que por alguma relação especial
44
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com Jesus, dado que os gnósticos “metamorfosearam” estas figuras.

Os Evangelhos canónicos, historicamente mais próximos dos

acontecimentos da vida de Jesus, fazem referência à presença de

Madalena no momento da crucifixão e como testemunha da

ressurreição. Os gnósticos, partindo da proeminência de que ela goza

nos Evangelhos, como discípula, filtram pessoas e acontecimentos à

luz de uma filosofia religiosa que, em muitos pontos importantes,

difere do Cristianismo do Novo Testamento.

Fonte Ecclesia

de uma filosofia religiosa que, em muitos pontos importantes, difere do Cristianismo do Novo Testamento. Fonte
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47 http://www.youtube.com/watch?v=TqC7kG9kcBE&feature=related Minuto 40: Katy Perry nunca ha besado a una mujer
Minuto 40: Katy Perry nunca ha besado a una mujer Fecha: 09/17/2008 Autor: Los 40
Minuto 40: Katy Perry nunca ha besado a una mujer
Fecha: 09/17/2008 Autor: Los 40 Colombia

Neste capítulo quero realçar os rituais diários (o dia e a semana cristãos) e a troca de correspondência de cada crente ecuménico. Ou de

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crentes, no contexto deste livro que pretende ser uma obra familiar e de afectos ecuménicos. Não podemos servir de exemplo para ninguém; já 1 Coríntios 4, 5 alerta os crentes hodiernos: “Sejam cuidadosos e não se precipitem em conclusões, antes da Presença do Kyrios [Cabeça: 1Cor. 11, 3; Efés. 1, 22b; e Corpo: 1Cor. 11, 29; 12, 27; 6, 17; 12, 13a; Rom. 12, 5] e [Esposo/”Dono” 27 (da Cidade Celestial: ARIEL JERUSALÉM / DO CÉREBRO SUPERIOR OU PRINCIPAL)/”Noivo”(de todos os Crentes que amam, i.e., a chamada IGREJACORPO/CÉREBRO ENTÉRICO28 ): Rom 7, 1-6; 1Cor. 6, 16.17; Ap, 21, 2] sobre se Alguém serve ou não dignamente. Quando o Kyrios e Esposo/

PÁGINA 827 DE CÀV 2, nota de rodapé.
PÁGINA 827 DE CÀV 2, nota de rodapé.

27

28 Para que deixemos de falar: o Nosso Noivo” [porque Ele não Controla o Cérebro Entérico] e passarmos a falar d ‘Ele como o nosso esposo é absolutamente, essencial, assumir que somos os Reis. Que já somos os Reis Eleitos, i.e., quando O servimos, a Cristo Jesua, principalmente nos Pobres e nos que muito Sofrem. E definitivamente no GOVERNO DE NÓS MESMOS. “Não será, na verdade, função régia o facto de uma alma, submetida a [D´us], governar o seu corpo”, já o afirmou Sua Santidade o Papa S. Leão Magno. YAOHUSHUA, pela Sua obediência criativa e original, comunicou à Igreja o DOM duma LIBERDADE PRÓPRIA DE REIS, “a fim de arrancarem ao pecado o seu [Império], pela abnegação … [busca da Verdade na Ciência e nas exegeses Sábias das Intelligentzias Cristãs, Santidade] da [Sua] vida” (Documento VIILG 36 do Santo e mui Amado Magistério da Igreja Católica). Ambrósio (do séc. IV), contribui, de uma forma brilhante e inspirada, para este tópico: “Aquele que submete o [Corpo] e [Governa] o [Espírito], sem se deixar submergir pelas paixões, é [SENHOR] de si mesmo; pode ser chamado [REI], porque é capaz de reger a [Sua] própria pessoa”. Paulo escreveu acerca do Corpo, mas YAOHUSHUA preferiu o conceito de Reinado nas suas pertinentes Pregações e na oração do Pai/Mãe Nosso(a). Mas também lançou as bases para o conceito Paulino de “Corpo” [VIDE JOÃO 20, 17a TNM].

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”Dono”/ ”Noivo” vier, ele trará da escuridão para a luz as coisas secretas, como tornará manifestos os conselhos dos corações. Então saber-se-á com que intento, temos feito a obra do Kyrios e Esposo”/ “Dono”/ “Noivo”. E o Amado (meu Querido é meu e eu sou dele” 29 ) dará a cada um o louvor que merecer”.

dele” 2 9 ) dará a cada um o louvor que merecer ”. Os nossos Rituais

Os nossos Rituais diários constam das seguintes práticas:

1º, a Oração ordinária de cada dia de acordo

com a Didaquê:

“E não

oreis como o fazem os

(Judeus do tempo do Evangelho, como os Sefaradim

[ligados ao Talmude Bavli e à influência do Islão]) e

os

Ashkenazim

[ligados

ao

Talmude

Ierushalmi],

sejam eles adeptos do Sefer ha-Zohar `al hatorah ou

os Discípulos do Sefer Hassidim ou de Baal Shem

Tov [hassídicos] e os Reformistas), e sim como o

(Kyrios e Esposo) vos ordenou no seu Evangelho;

portanto, orareis assim:

(Pai

nosso

celeste,

faze-te

reconhecer

como

D´us [omitir ―venha o teu Reino‖; ele já está

presente), faze que se realize a tua vontade na

terra à imagem do céu; dá-nos hoje o pão de cada

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dia, perdoa-nos as nossas faltas contra ti, como

nós mesmos perdoamos aos que tinham faltas

contra

nós,

e

não

nos

deixes

ser

levados

à

tentação, mas livra-nos do mal, ou do Maligno/

(Pai nosso celeste, faze-te reconhecer como D´us

YAHU UL [omitir ―venha o teu Reino‖], fazei que

se realize a Vossa vontade; dá-nos hoje o pão;

mas livra-nos do mal, amén. D´us a purificar o mal/Maligno presente
mas livra-nos do mal, amén.
D´us
a
purificar
o
mal/Maligno
presente

sabemos que as nossas faltas contra ti estão já

previamente ocultas, pois o teu Filho nos ocultou e

nós mesmos perdoamos aos que tinham faltas

contra nós, e não nos deixes ser levados à prova,

[Vide exemplo de

nos

Salmos: há nos Salmos, uma violência tão real quanto a violência que existe hoje, e tanto as palavras pacíficas quanto as frases violentas são palavras de Deus e tem sua validade. Mesmo nos Salmos agressivos, a justiça não é feita com as próprias mãos, mas é entregue a Deus. Também não se pode tomar ao pé da letra todas as expressões da Bíblia TANAKH. No Sl. 137,9 [cf. na sua Bíblia] ou na TNM ABV [vide tb. a nota de rodapé a) nesta Bíblia, i.e., na ―ABV‖] pede-se para que os bebés sejam esmagados contra a rocha, mas isso não significa que queiram a morte de crianças, ―mas que o sistema injusto da Babilónia não se reproduza; que no futuro já não haja quem sustente o sistema opressor; que a injustiça morra com aqueles que hoje a sustentam‖

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Às vezes, a violência dos Salmos pode incomodar e convém ao leitor uma análise sincera para saber se o incómodo advém do respeito ao Evangelho amai vossos inimigos ou de uma aceitação do sistema dominante, que se sente incomodado quando alguém quer mudá-lo / ou do contraditório[ie., não se trata do Eterno mas de acções dos Anjos, Gálatas 3, 19b]. Mas os Anjos (não se trata do Verdadeiro D´us do ―NE‖/ou do Salmo supra mencionado) haviam praticado a morte de crianças no caso do mal infligido ao Abba Eliseu. Só porque elas teriam chamado o Profeta de careca‖, os Anjos do ―AE‖ mandaram as duas ursas rasgarem em pedaços mais de 40 crianças!!! Taí o relato bíblico, que não me deixa mentir (2Reis 2,23-

Citação: 23 E dali passou a subir a Betel. Quando subia pelo caminho, havia uns
Citação:
23 E dali passou a subir a Betel. Quando subia pelo caminho, havia uns
pequenos rapazes que saíram da cidade e começaram a fazer troça dele, e
que lhe diziam: ―Sobe, careca! Sobe, careca!‖ 24 Finalmente, ele se virou para
trás e os viu, e invocou sobre eles o mal no Nome de “‟Adhonaí” [ou
Dos Anjos, vide Gl. 3]. Saíram então da floresta duas ursas e

dilaceraram quarenta e dois meninos deles. 25 E Eliseu seguiu de lá para o monte

Carmelo, e de lá voltou a Samaria.]

25).

[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e glória para sempre. Amén
[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e glória para sempre. Amén
[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e glória para sempre. Amén
[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e glória para sempre. Amén
[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e
[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e
[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e

[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e

glória para sempre. Amén e amén.

glória para sempre. Amén e amén.

[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e glória para sempre. Amén e
[Dizia eu:] (i.e., de Satanás), porque teu é o poder e glória para sempre. Amén e

Orai assim três vezes ao dia‖.

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2º, orações diversas: oração da manhã, oração

para antes e depois do trabalho, oração para antes e

depois das refeições, oração antes de ler a Bíblia /

Salmos 30 .

3º, ouvir e participar no(s) culto(s) nos Sábados

/ Domingas e Festas de guarda 31 , segundo o costume 32 . 4º, confessar-se
/ Domingas
e
Festas
de
guarda 31 ,
segundo
o
costume 32 .
4º, confessar-se a D`us ao menos uma vez cada
ano.
5º, o jejum das quartas e sextas-feiras (Didaquê;
a
razão destes dias deve-se à nossa ligação [por
influência de Yahshúa, que era um hassid, i.é.,
devoto,
que
seguia
o
calendário
essénio
dos
manuscritos de Qumran e frequentava, antes da sua
vida pública como o ―o Filho do Homem‖, a escola
dos essénios, ou, pelo menos, conhecido o ―coração‖
33
da sua doutrina
] aos essénios) ou um Domingo /
Sábado por mês (alguns crentes), ou ainda de acordo
com o 4º mandamento da Santa Mãe Igreja Católica

30 Vide a propósito “Série Bom de Bolso - Salmos”, ano 3, nº 21, publicado pela Editora Popular.

31 O ano Cristão: Pesach, PÁSCOA FLORIDA ou Astarte (Easter [`Elat]); Shavuot, PENTECOSTES, Natalis invicti Solis, NATAL, Metanoías (“fazei penitência”, Mateus 3, 2a) e Baptismo da Igreja (para os judeus e pagãos)/Baptismo com o Espírito Santo ( este baptismo exclui /não exclui *depende das visões+ o “outro baptismo da Igreja” para os judaizantes e pagãos, pois Yahshúa não baptizava, João 4, 1-2; Lucas 9, 1-5; Mateus 9, 35-38; Marcos 1, 8 *vide “O Outro Evangelho Segundo Jesus Cristo”, do Padre Mário de Oliveira, da Editora Campo das Letras]).

32 Sabat com Culto / Trabalho com Culto: VIDE página 397, como exemplo do passado para os nossos dias, da obra “À sombra do Templo”, de Oskar Skarsaune, editora Vida.

33 Vide exemplos de concordâncias no múnos pastoral dos essénios e do “dissidente” Yahshúa na obra “O Fenómeno das Aparições”, p. 89, de Erich Von Däniken.

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e da Palavra de Sabedoria d‘

A Igreja de Jesus Cristo

dos Santos dos Últimos Dias

: ―jejuar e abster-se de

dos Santos dos Últimos Dias : ―jejuar e abster -se de carne‖. Todos os que podem

carne‖. Todos os que podem devem jejuar 34

6º, pagar o dízimo, segundo o costume.

7º, escrever com amor missivas, postais e emails

às pessoas que amamos.

com amor missivas, postais e emails às pessoas que amamos. 8º EUCARISTIA : a) Protestantismo: 3

EUCARISTIA: a) Protestantismo: 35

Dentro do Protestantismo, cuja teologia remonta aos princípios da Reforma e são influenciados por Lutero e Calvino, a Eucaristia é vista como um sacramento.

Nas igrejas Luteranas existe o entendimento da Ceia como participe da essência ou substância do Corpo de Cristo, e não transformada no mesmo. A essa forma de entendimento dá-se o nome de consubstanciação.

A proposta de Calvino, em oposição a Lutero e Zwinglio, era que na Ceia ocorria a presença de Jesus, não nos elementos, mas como co- participante e co-celebrante junto com os

34 “Muitos estão sujeitos a fraquezas, outros têm saúde delicada, e algumas mulheres estão a amamentar crianças; a esses não devemos pedir que jejuem. Nem os pais devem compelir os filhos pequenos a jejuar.” Vide o manual pedagógico SUD “Doutrinas do Evangelho”, p. 221. Vide também o livreto “Práticas De Jejum”, do Padre Monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova. 35 PONTO 9 COMEÇA NA PÁGINA 180: “CARTAS A ANABELA” *CONTÉM ESCATOLOGIA].

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comungantes. A essa forma de entendimento dá- se o nome de Presença Real.

Na Igreja Anglicana, o entendimento é de um sacramento, independente de como o mesmo será entendido pelo comungante. Por essa liberdade é permitido até mesmo o entendimento não sacramental da Ceia.

Evangelicalismo:

Dentro da teologia evangelical (ou evangélica) a Eucaristia é chamada geralmente por "Santa Ceia" ou "ceia do Senhor". Diferente das propostas dos outros reformadores, Zwinglio doutrinava que a ceia não podia promover efeitos espirituais, sendo apenas um símbolo e tendo como único efeito o de lembrança.

No século XVII, quando do surgimento da denominação Baptista, o seu fundador, John Smith, baseou-se, em relação à Ceia, nos princípios disseminados por Zwinglio, assim

concebendo a Ceia apenas como um rito simbólico ordenado por Cristo cujo único efeito é

de lembrar-se do mesmo.

A este tipo de entendimento dá-se o nome de "Ceia memorial".

Testemunhas de Jeová:

A celebração da morte e Ressurreição de Jesus

Cristo realiza-se anualmente pelas Testemunhas de Jeová, segundo o calendário judaico, em 14 de

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Nisã, após o pôr-do-Sol. É comumente chamada de Comemoração da Morte de Cristo.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias:

Entre os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o chamado Sacramento (simplificação de Sacramento da Ceia do Senhor)

é partilhado semanalmente aos domingos durante

a Reunião Sacramental e é o momento de maior

relevância espiritual entre os serviços religiosos

dominicais.

Partilha-se pão e água em lembrança do corpo e sangue de Jesus e o ritual é considerado uma renovação dos votos baptismais.

A Bíblia não é específica sobre quando ou quantas vezes ao ano se deve celebrar a "Santa Ceia". Algumas religiões cristãs celebram-na diariamente ou semanalmente (católicos romanos, Casa de Oração-Irmãos), outros duas vezes ao mês (a maioria das denominações da Igreja Evangélica), outras mensalmente, bi- mensalmente, ou anualmente (Testemunhas de Jeová e Congregação Cristã). A Eucaristia tem um profundo significado para os Cristãos, sendo celebrada por quase todas as denominações cristãs, excepto pelos Quakers, Exército de Salvação, Molokans e Doukhobors.

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Na Igreja Católica, a Eucaristia é um dos sete sacramentos. Segundo o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica [1], a Eucaristia é " o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até ao seu regresso, confiando assim à sua Igreja o memorial da sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da vida eterna." (n. 271).

Segundo o antigo Papa João Paulo II, na sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia, a Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho [1] . Ainda nessa Encíclica, é chamada atenção para o facto significativo de que no lugar onde os Evangelhos Sinópticos narram a instituição da Eucaristia, o Evangelho de João propõe a narração do lava-pés, gesto que mostra Jesus mestre de comunhão e de serviço [2] ; em seguida o ex Papa atenta para o facto de que mais tarde o apóstolo Paulo qualifica como indigna duma comunidade cristã a participação na Ceia do Senhor que se verifique num contexto de discórdia e de indiferença pelos pobres [3] .

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Comungar ou receber a Comunhão é nome dado

ao acto pelo qual o fiel pode receber a sagrada

hóstia sozinha, ou acompanhada do vinho consagrado, especialmente nas celebrações de Primeira eucaristia e Crisma. Segundo o Compêndio, "Para receber a sagrada Comunhão é preciso estar plenamente incorporado à Igreja católica e em estado de graça, isto é, sem consciência de pecado mortal. Quem tem

consciência de ter cometido pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes da Comunhão. São também importantes, o espírito

de recolhimento e de oração, a observância do

jejum prescrito pela Igreja e ainda a atitude corporal (gestos, trajes), como sinal de respeito para com Cristo." (n. 291).

A Igreja Católica confessa a Presença real de Cristo, no Seu corpo, sangue, alma e Divindade após a transubstanciação do pão e do vinho, ou seja, a aparência permanece de pão e vinho, porém a substância se modifica, passa a ser o próprio Corpo e Sangue de Cristo.

A Eucaristia, também pode ser usada como

sinónimo de hóstia consagrada, no Catolicismo. "Jesus Eucarístico" é como os católicos se

referem a Jesus na Sua presença na Eucaristia. "Comunhão" é como o sacramento é mais

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conhecido. As crianças farão a sua Primeira comunhão. "Comunhão Eucarística" é a participação na Eucaristia.

Também há uma adoração especial, chamada "adoração ao Santíssimo Sacramento" e um dia especial para a Eucaristia, o Dia do Corpo de Cristo (em lat. Corpus Christi). Segundo Santo Afonso Maria de Ligório, a devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós [4] . Para a Igreja, a presença de Cristo nas hóstias consagradas que se conservam após a Missa perdura enquanto subsistirem as espécies do pão do vinho [5] . Um dos grandes factores que contribuíram para se crer na presença real de Cristo e adorá-lo, foram os "milagres Eucarísticos" em várias localidades do mundo, entre eles, um dos mais conhecidos foi o de Lanciano (Itália).

São João Crisóstomo destaca o efeito unificador da Eucaristia no Corpo de Cristo, que é identificado pelos cristãos como a própria Igreja:

Com efeito, o que é o pão? É o corpo de Cristo. E em que se transformam aqueles que o recebem? No corpo de Cristo; não muitos corpos, mas um só corpo. De fato, tal como o pão é um só apesar de constituído por muitos grãos, e estes, embora

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não se vejam, todavia estão no pão, de tal modo que a sua diferença desapareceu devido à sua perfeita e recíproca fusão, assim também nós estamos unidos reciprocamente entre nós e, todos juntos, com Cristo [6] João Paulo II ensinou que à desagregação enraizada na humanidade é contraposta a força geradora de unidade do corpo de Cristo [7] .A Igreja Ortodoxa também professa a fé na transubstanciação, ou seja na Presença Real de Cristo.

na transubstanciação, ou seja na Presença Real de Cristo. Referências: 1. 2. 3. 4. 5. 6.

Referências:

1.

2.

3.

4.

5.

6.

7.

Encíclica Ecclesia de Eucharistia, Cap. I, 19

João 13, 1-20

1 Coríntios 11, 17-22.27-34

Visitas ao Santíssimo Sacramento e a Maria Santíssima, Introdução: Obras Ascéticas (Avelino 2000), 295.

Cf. Conc. Ecum. de Trento, Sess. XIII, Decretum de ss. Eucharistia, cân. 4: DS 1654.

Homilias sobre a I Carta aos Coríntios, 24, 2: PG 61, 200; cf. Didaké, IX, 4: F. X. Funk, I, 22; S. Cipriano, Epistula LXIII, 13: PL 4, 384.

Encíclica Ecclesia de Eucharistia, Cap. II, 24

A Presença Espiritual de Cristo na Ceia do Senhor

Rev. Ronald Hanko Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1

Devemos lamentar o facto da Ceia do Senhor, que simboliza a unidade

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da família de Deus, ser um assunto de tanta divisão e debate entre as Igrejas. Todavia, as questões envolvidas não são sem importância. A questão maior, sem dúvida, tem a ver com se Cristo está ou não Presente em e na Ceia do Senhor. A nossa visão sobre este assunto tem uma grande influência sobre como participamos da Ceia:

tem uma grande influência sobre como participamos da Ceia: supersticiosamente ou com fé, indiferentemente ou com

supersticiosamente ou com fé, indiferentemente ou com cuidado. As diferentes visões são as que seguem.

A visão do Catolicismo Romano, chamada transubstanciação, ensina

que o pão e o vinho da ceia do Senhor são ―transformados no‖ corpo e sangue de

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Cristo quando abençoados pelo sacerdote. Essa visão coloca a fé de lado, pois tudo o que alguém precisa para receber a Cristo é comer o pão e beber o vinho. Isso também lança o fundamento para a Missa, pois quando o pão, que supostamente não é mais pão, mas sim corpo, é partido, então o sacrifício de Cristo é repetido‖ / actualizado novamente. A própria palavra Missa significa ―sacrifício‖. A visão dos Luteranos ensina que o corpo físico e o sangue de Cristo estão presentes com o pão e o vinho. EsTa visão, chamada

presentes com o pão e o vinho. EsTa visão, chamada consubstanciação , está sujeita às mesmas

consubstanciação, está

sujeita às mesmas críticas que a visão do Catolicismo Romano, embora não inclua a doutrina da Missa. As duas ensinam a presença física de Cristo.

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Segundo a opinião geral, a visão da maioria dos

Evangelicais/Evangélicos era

também a do reformador suíço do século dezasseis, Ulrico Zwínglio. Ela diz que Cristo não está presente na Ceia do Senhor, em nenhum sentido, mas que a Ceia é

na Ceia do Senhor, em nenhum sentido, mas que a Ceia é apenas um memorial ou

apenas um memorial ou lembrança

da morte de Cristo. Embora evitasse, ―num movimento de 180º [graus]‖, Claramente, os ―erros‖ do Romanismo e Luteranismo, todavia, esta visão não é absolutamente de Tradição bíblica, como veremos, e não explica o porquê da Ceia do Senhor Jesus Cristo, ―a nossa Cabeça‖, dever ser tratada com cuidado. Se a Ceia é apenas uma ―mera‖ lembrança, não há nenhuma premente e amorosa Necessidade de auto-exame e medo de ―condenação‖ (1Co. 11:29).

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A visão Reformada da Ceia do Senhor é que Cristo, ―a nossa Cabeça

Mística‖ está realmente presente, mas espiritualmente, não

fisicamente. Ele está, em outras palavras, presente à fé do Povo de Deus e tem comunhão com eles, alimentando-os consigo mesmo através da fé. Ele usa o pão e o vinho para dirigir a fé Deles em direcção a Ele. Esta visão Reformada é claramente ensinada em 1 Coríntios 11:29, que fala de ―discernir o Corpo do Senhor‖ na Ceia do Senhor e está implicada também nas próprias palavras de Jesus na instituição da Ceia do Senhor: ―Este é o meu Corpo‖. Somente porque Cristo está presente na Ceia, uma pessoa pode comer ou beber julgamento para si quando comendo ou bebendo sem o

porque Cristo está presente na Ceia, uma pessoa pode comer ou beber julgamento para si quando
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devido auto-exame. Somente porque Cristo está presente pode haver alguma bênção na Ceia. A visão Reformada, que é também bíblica, dá muito maior significado e benefício à ceia do Senhor. Então, no Sacramento encontramos e desfrutamos de Cristo na Sua plenitude, como o nosso Salvador e Redentor. Que assim o façamos!

A Liturgia de Calvino Robert Decker Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto 1
A Liturgia de Calvino
Robert Decker
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto 1

Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, p. 277-78.

João Calvino condenou a missa do Catolicismo Romano em termos em nada ambíguos. "De todos os ídolos, ele não conhecia nenhum tão grotesco como aquele no qual o sacerdote evocava Cristo em suas mãos pela ‗enunciação mágica‘ e oferecia-o novamente no altar do sacrifício, enquanto o povo olhava com ‗admiração estúpida‘." 2 Calvino formulou suas ideias

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sobre adoração (liturgia) baseando-as sobre a clara garantia da Escritura e apelando ao costume invariável da igreja primitiva. 3 O reformador concluiu: "Não se fazia nenhuma reunião da Igreja, sem a Palavra, as orações, a participação da Ceia e as esmolas." 4

Os primeiros esforços de Calvino na reforma da adoração da igreja apareceram na edição de suas Institutas de 1536:

igreja apareceram na edição de suas Institutas de 1536: Deixando, pois, de lado todo este sem

Deixando, pois, de lado todo este sem fim de cerimónias e de pompas, a Santa Ceia bem que podia ser administrada santamente, se com frequência, ou pelo menos uma vez por semana, se propusesse à Igreja como segue: no início se faria orações públicas; a seguir viria o sermão; então, postos na mesa pão e vinho, o ministro repetiria as palavras da instituição da Ceia; depois, reiteraria as promessas que nos foram nela anexadas; ao mesmo tempo, vedaria à comunhão todos aqueles que são dela barrados pelo interdito do Senhor; após isto, se oraria para que o Senhor, pela benignidade com que nos prodigalizou este alimento sagrado, também nos receba em fé e gratidão de alma, nos instruindo e preparando; e, uma vez que por nós mesmos não somos dignos, por Sua misericórdia aprouve nos dignificar para tal repasto.

Aqui, porém, ou se cantariam salmos ou se leria parte da Escritura, e, na ordem que convém, os fiéis participariam do sacrossanto banquete, os ministros partindo o pão e oferecendo-o ao povo. Terminada a Ceia, se faria uma exortação à fé sincera e à sincera confissão dessa fé, ao amor cristão e ao comportamento digno de cristãos. Por fim, se daria acção de graças e se

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entoariam louvores a Deus; findos os quais, a congregação seria despedida em paz. 5

Calvino nunca se desviou dessas ideias, mas somente as expandiu na edição final das Institutas. Observe que Calvino insistia sobre a celebração frequente da ceia do Senhor. Ele queria que a mesma fosse celebrada em todos os Dias do Senhor [Sábado/Dominga]. Durante o primeiro pastorado de Calvino em Genebra, ele e Farel propuseram num documento intitulado "Artigos Concernentes à Organização da Igreja e da Adoração em Genebra" que a igreja seria edificada por dois meios especialmente, a celebração frequente da ceia do Senhor e o exercício da disciplina. Por causa da "debilidade do povo", os Reformadores resolveram realizar a comunhão mensalmente. Mais tarde, em 1541, quando Calvino retornou à Genebra, ele tentou introduzir a liturgia que usou em Estrasburgo. Calvino tentou novamente introduzir uma comunhão semanal, crendo que não "havia nada mais útil para a igreja que a Ceia do Senhor. Deus mesmo, Calvino cria, uniu a ceia com a sua palavra e, portanto, era algo perigoso separá- las." O concílio de Genebra, para desalento de Calvino, insistiu numa celebração trimestral da ceia do Senhor. Calvino continuou a expressar sua insatisfação, declarando mais tarde, em 1561: "Nosso costume é falho." 6

Como é evidente a partir de sua declaração nas Institutas de 1536, a liturgia da comunhão de Calvino continha quatro elementos fundamentais. Esses elementos, o leitor Protestante Reformado 7 reconhecerá, foram retidos intactos na Forma para a Administração da Ceia do Senhor. 8 9 Eles são:

repetição da instituição do Senhor como a garantia do

para a Administração da Ceia do Senhor. 8 9 Eles são: repetição da instituição do Senhor
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67

sacramento; proclamação das promessas do Senhor que se relacionam com a sua ordenança e suprem significado e realidade aos seus sinais; excomunhão dos pecadores obstinados; e ênfase sobre a participação digna do sacramento e santidade de vida.

Com algumas excepções, somente os Salmos eram cantados, e isso sem acompanhamento instrumental. Concernente aos instrumentos, Calvino cria que "eles faziam parte daquele sistema de treinamento sob a lei, ao qual a Igreja esteve sujeita em sua infância," e, "não deveríamos imitar de maneira tola uma prática que foi planejada apenas para o povo antigo de Deus." 10 Aliás, somos gratos que a visão de Calvino sobre esse assunto não tenha prevalecido na tradição Reformada Holandesa.

não tenha prevalecido na tradição Reformada Holandesa. A ordem da adoração de Calvino começava com o

A ordem da adoração de Calvino começava com o ministro falando as majestosas palavras: "O nosso socorro está no nome do SENHOR, criador do céu e da terra. Amém". Isso era seguido por uma oração de confissão. Essa era uma breve oração (escrita) lida pelo ministro enquanto a congregação estava de joelhos. 11 Após isso, o ministro leria algumas promessas Escriturísticas de perdão, e logo após pronunciaria a absolvição,

Que cada um de vocês reconheça-se verdadeiramente um pecador, humilhando-se diante de Deus, e crendo que o Pai celestial deseja ser gracioso para contigo em Jesus Cristo. A todos que dessa forma se arrependem e buscam a Jesus Cristo para sua salvação, declaro a absolvição em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.12

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68

A absolvição não era usada em Genebra. Após a

confissão de pecado, a congregação cantava os Dez Mandamentos como um guia para a obediência grata

do cristão perdoado.

Durante o cântico, o ministro deixava a mesa e ia para o púlpito. Ali se preparava para a leitura da Escritura e

a pregação, oferecendo uma oração por iluminação.

Essa e a oração de aplicação após o sermão eram as

o o
o
o

únicas orações "livres" na liturgia de Calvino. Todas as outras orações eram orações escritas. E, mesmo para essas duas orações livres, Calvino oferecia aos ministros vários modelos. Após a oração de aplicação,

ministro oferecia a oração congregacional. Essa

oração era concluída com a oração do Senhor, que em algumas congregações era cantada pela congregação.

Então, a congregação se levantava para cantar o Credo Apostólico. Nesse ponto a congregação era despedida com a bênção de Aarão, baseada em Números 6:24-26:

"O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça

resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti;

SENHOR sobre ti levante o rosto e te dê a paz," e

com uma palavra sobre esmolas: "Lembre-se de Jesus Cristo em seus pequeninos." 13 14

Em Genebra, nos quatro Domingos quando a ceia do Senhor era celebrada, a mesma ocorria após o sermão. Quando a ceia do Senhor terminava, e antes da bênção ser pronunciada, a congregação cantava o cântico de Simeão: "Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo … porque os meus olhos já viram a tua salvação"

(Lucas 2:29-30) 15

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membros das Igrejas Protestantes Reformadas. Existem algumas diferenças nos cultos. Por exemplo, não nos ajoelhamos
membros das Igrejas Protestantes Reformadas. Existem
algumas diferenças nos cultos. Por exemplo, não nos
ajoelhamos para orar, não cantamos o Credo
Apostólico nem os Dez Mandamentos, não cantamos o
cântico de Simeão após a ceia do Senhor, nem temos
uma pronúncia de absolvição à congregação; além
disso, temos algumas orações formadas, mas não tantas
quanto Calvino, e usamos acompanhamento
instrumental no cântico dos Salmos. E certamente as
Igrejas Protestantes Reformadas, com Calvino, fazem
todo esforço para basear a adoração na "clara garantia
da Escritura", apelando ao invariável "costume da
igreja primitiva." 16
Possa Deus nos conceder graça para continuar assim, a
fim de adorarmos aquele que é Espírito, "em espírito e
em verdade" (João 4:24). 36
Fonte: The Sixteenth-Century Reformation of the
Church, David Engelsma (editor), pp. 149-152. 37
1 E-mail para contato: felipe@monergismo.com. Traduzido em setembro/2007.
2 Bard Thompson, Liturgies of the Western Church (New York: New American Library, 1961), 185.
3 Em adição ao livro de Thompson e as seções pertinentes das Institutas de Calvino, o leitor que
desejar pesquisar mais sobre esse assunto deveria ler Corporate Worship in the Reformed Tradition
(Philadelphia: Westminster Press, 1968), de James Hastings Nichols.
4 Calvino, Institutas da Religião Cristã (1536), tradução Waldyr Carvalho Luz.
5 Thompson, Liturgies of the Western Church, 185, 186.
6 Ibid., 190.
7 Nota do tradutor: Membro da Igreja Protestante Reformada (Protestant Reformed Church).
8 Form for the Administration of the Lord‘s Supper, The Psalter with Doctrinal Standards, Liturgy,
Church Order, and Added Chorale Section, rev. ed. (Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1995), 91-96.

36 SANTA CEIA DE ACORDO COM OS SUD: PÁGINA 160

37 NOTA:

Ordem para a

Administração na “IBPB” da denominada, por Agostinho, “ Ceia do Senhor”

Ou:

Santa Comunhão: PÁGINA 165

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70

9 Nota do tradutor: A Igreja Protestante Reformada (Protestant Reformed Church) utiliza esse documento como diretriz para a administração da Ceia do Senhor. 10 Calvin, Commentary on the Psalms, 266, 312. 11 Nichols, Corporate Worship, 41, 42. 12 Ibid., 43. 13 Ibid., 51. 14 Nota do tradutor: Uma referência a Mateus 25:44-45, onde lemos: "E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer". 15 Ibid.

pequeninos, a mim o deixastes de fazer". 1 5 Ibid. 16 Thompson, Liturgies of the Western
16 Thompson, Liturgies of the Western Church, 185. Livro da Oração Comum The 1950 Book
16 Thompson, Liturgies of the Western Church, 185.
Livro da Oração Comum
The 1950 Book of Common Prayer of the Episcopal
Church of Brazil

Alguém me explica esta frase de Billy Graham 38 ? SERÁ CONTRÁRIA À DISCIPLINA DURA DE

38 NO CONTEXTO DA BRITNEY SPEARS NO SEU PIOR. E CITO A BRITNEY COMO EXEMPLO DA QUESTÃO.

71
71

CALVINO? [

Q u e

v e d a r i a

à

S a g r a d a

C

o mu n h ã o

t o d o s

a q u e l e s

[ B r i t n e y

S p e a r s

e

M i l e y

C

y r u s ]

q u e

s ã o

d e l a

b a r r a d o s

p e l o

i n t e r d i t o

d o

Senhor

]?

"O humor inteligente nos ajuda a passar, por cima do inconveniente, compreender o incomum, tolerar o desagradável, vencer o inesperado e sobreviver ao insuportável."

NOTA “BRITNEY”: Kabbalah (Ka-bah-lah; spelt either as Kaballah, Kabala, Qabalah or Cabala).
NOTA “BRITNEY”: Kabbalah (Ka-bah-lah; spelt either as Kaballah, Kabala,
Qabalah or Cabala).
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PONTO 9 CONTINUA NA PÁGINA 180 O LADO ESPIRITUAL, CIENTIFICO [CIêNCIA TEOLÓGICA E LAICA (NUMA
PONTO 9 CONTINUA NA PÁGINA 180
O LADO ESPIRITUAL, CIENTIFICO [CIêNCIA
TEOLÓGICA E LAICA (NUMA RELAÇÃO
INTERDEPENDENTE E VITAL)] E EMOCIONAL
DA RELIGIÃO
Ao mesmo tempo em que os Calvinistas/Unitaristas/e Outros
apreciam o estímulo intelectual, cientifico e tendem a ser amantes
dos livros, também apreciamos as artes e a música. Não usamos a
livre inquirição para tornar a nossa religião complicada, mas para
tornar a nossa percepção dela mais simples e directa, livre de
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obstáculos e das coisas não-essenciais que às vezes torna-se difícil vocalizá-la. Somos pessoas tão emocionais quanto todas as outras. Valorizamos o lado emocional e espiritual da religião. Temos nossos sonhos e nossos amores. Mesmo nos reunindo para inquirir, nos reunimos mais para celebrar e compartilhar, para enriquecer e

cuidar uns dos outros.

UMA BREVE HISTÓRIA DO UNITARISMO E DO CALVINISMO PARTICULAR RENOVADO COMO ILUSTRAÇÃO DO ACIMA AFIRMADO:

A corrente de pensamento que deu origem à palavra “unitarista” teve o seu início com Miguel Serveto (1511-1553), um médico espanhol. Durante o seu tempo, Judeus e Muçulmanos da Espanha estavam sendo perseguidos, mortos, e expulsos do país por negarem a doutrina cristã da Trindade. A Trindade é a doutrina que afirma que enquanto Deus é essencialmente um, Deus é ao mesmo tempo três pessoas, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo. A ciência laica fala duma Tríade que esteve presente no Judaísmo e que era composta por o Deus´El, a Deusa ´Elat e o

Filho Shaddaí.

Os Judeus hodiernos e Muçulmanos afirmam que a unidade essencial de Deus acarreta que os seres humanos, incluindo YAOHUSHÚA [Jesus], mesmo sendo filhos de Deus, são, entretanto, pessoas distintas de Deus.

Serveto descobriu que no Novo Encontro/Novo Testamento (NE/NT) grego incorrupto não havia nenhum texto que justificasse a doutrina cristã da Trindade. Ele publicou dois livros que argumentavam por uma visão cristã de Jesus mais compatível com o monoteísmo hodierno judaico e muçulmano. Os Seus escritos ajudaram a influenciar o pensamento cristão radical para um ponto de vista unitarista. Daí a palavra “unitarista” - Deus como unidade, ou um. Como Calvinista Particular Renovado e fiel à Tradição de Gálatas 3: “D´us é Um só”, e procurando, de alguma maneira, unificar estes três modos: ie., a Tradição bíblica e Unitariana, a Tradição Muçulmana, a Tradição das denominadas Igrejas Trinitárias e a Verdade histórica 39 , que de alguma forma as corroboram 40 e aplaudindo, igualmente, pois, a doutrinação de Serveto como mais uma contribuição séria, passo a explicar: Cristo é o Único Mediador entre D´us e os

39 O Deus´El, a Deusa Elat e o Filho Shaddaí

40 Às Igrejas Trinitárias.

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Homens, Ele próprio Homem Espiritual (ie., na realidade é o Próprio D´us: o Espírito Santo [´RUKHA HOL-HODSHÚA] procede do Pai/Mãe [que é a Cabeça Principal denominado como ´ELAT YAHU UL] enquanto fonte primeira, como “Dom Eterno” do Pai/Mãe ao Filho, também conhecido como Emanuel [o “Cabeça Entérica”/”D´us está connosco”], logo, Um só Corpo, porque o Cérebro entérico

Vide a secção

faz parte do Corpo como Cérebro “secundário” de ´ELAT YAHU UL.

das primeiras páginas deste CÀV 4

[onde se fala do Corpo Místico de YAOHUSHÚA

e deste misterioso Cérebro que é uma “fusão” com ´ELAT YAHU UL e a divisão,

ao mesmo tempo; visto dar-se a inclusão da Igreja nesta “equação”, e que “obriga” YAOHUSHÚA a se tornar Cabeça Principal do Povo Crente e os Teístas

como Cabeças secundários/entéricos”, do Eterno Cabeça YAOHUSHÚA],

mais detalhes

já com

). O YAHSHÚA da História, para Paulo, é uma pessoa distinta de

D´us, o Cristo YAOHUSHÚA “ascendido” [que não é o Yahshúa físico], na fase 2 de Paulo [a fase 1 do Apóstolo, corresponde ao “Filho do Homem” dos Místicos Judeus; no modo de ver desses Místicos, D´us criou o Homem Celestial à Sua imagem, como arquétipo (Filho do Homem) do qual foi formado Adam. Paulo

integrou perfeitamente este dogma místico porque postulava, repito, na

fase 1, que o “Homem Celestial” ou “Messias de Cima”, encarnou-se em Yahshúa, o “Messias de Baixo”, e fazendo d´Ele, o “Segundo Adam”] da sua, i.e., de Paulo, evolução teológica; o Cristo YAOHUSHÚA “ascendido” já é D´us (Gl 3 e 1 Tm 2,5

TEB), que É um só, o que nos fascina e incomoda a

nossa razão. Eis-nos perante uma intransponível e misteriosa barreira que

distingue o Pensamento Humano, e o de qualquer criatura “alien”, ao

Pensamento Divino: D´us é Único.

A ênfase numa religião sensível, e ética, que caracteriza o Unitarismo origina-se

com um movimento Reformista Cristão na Itália nas décadas de 1530 e 1540, que foi influenciado pelo Humanismo, pelo Catolicismo iluminado de Erasmo, e no Pensamento Protestante. Os seus Líderes incluíam Juan de Valdes e Bernardino Ochino. Expulso da Itália pela perseguição, o movimento espalhou as suas ideias e aquelas de Serveto.

Um italiano, Fausto Socinus, se juntou aos Irmãos Poloneses, um movimento da Reforma Radical que tentou estabelecer uma comunidade na Racóvia. Lá, uma universidade aberta com liberdade de ideias religiosas (uma inovação inédita naquela época) e uma editora difundiram ideias Unitaristas, então conhecidas como Socinianismo na Europa, e conquistaram na Inglaterra personagens tais como Isaac Newton e John Locke. Voltaire, que passou dois anos na Inglaterra na década de 1720, introduziu as idéias Socinianas e Unitaristas entre outros na

75
75

França

em

seus

escritos,

começando

assim

o

Iluminismo

na

França.

A crescente perseguição empurrou os Irmãos Poloneses para fora de seu país em 1659. Eles foram para os Países Baixos, e para junto dos unitaristas na Transilvânia. O Unitarismo, começou na Transilvânia e na Hungria por volta de 1560, criou raízes permanentes lá, onde tem havido Igrejas Unitaristas há mais de quatro séculos.

Na Inglaterra, o surgimento de um Unitarismo organizado foi lento. Por muitos séculos professar ideias unitaristas era uma ofensa criminal. Unitaristas foram banidos de cargos públicos até 1825. A maioria dos Presbiterianos ingleses com o passar do tempo se tornaram Unitaristas, mantendo as suas propriedades e organizações, até formar com congregações de outras denominações a Associação Unitarista Britânica em 1825 (aqueles que conhecemos como Presbiterianos hoje são na sua maioria de origem escocesa).

O Unitarismo chegou ao continente americano há mais de dois séculos atrás. Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, e John Adams, líderes da Revolução Americana, eram Unitaristas. Os três viveram por algum tempo na França em missões diplomáticas, movendo-se em círculos sociais iluministas por lá. Na Nova Inglaterra, o Unitarismo tinha se enraizado profundamente na ala liberal da igreja congregacional. Esta ala formou a Associação Unitarista Americana em 1825. Os Unitaristas estiveram ligados às Autoridades estabelecidas de Boston durante todo o século XIX e durante grande parte do século XX. Na década de 1820, Unitaristas começaram a se mudar para o Canadá vindos da Inglaterra, da Irlanda, e da Nova Inglaterra. Em 1961 os movimentos Unitarista e Universalista na América do Norte combinaram forças, quando a Associação Unitarista Americana e a Igreja Universalista da América se uniram para formar a Associação Unitarista Universalista de Congregações. Os Universalistas surgiram no século XVIII. Sua mensagem era que através de sua morte e Ressurreição, YAOHUSHÚA

tinha plenamente

todas as pessoas do Inferno. Eles eram

popularmente conhecidos como a “Igreja que não acreditava no Inferno”. Naquela época o Universalismo era um movimento quase que exclusivamente americano.

Salvo
Salvo

Redimido

e

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76

Não é possível encontrar uma resposta única a esta pergunta.

A nossa ênfase tradicional na integridade pessoal e a nossa rejeição de dogmas

impostos

significa

que

espaço

para

um

amplo

número

de

respostas.

Os Unitaristas rejeitaram, durante o início da Reforma Protestante, a doutrina da Trindade e afirmaram a Unicidade de Deus e a humanidade essencial de YAHUSHÚA/Yahshúa. Yahshúa era visto como o supremo mestre e líder da humanidade, e a Salvação deveria ser alcançada ao se ajustar a vida ao seu ensino, como a mais pura expressão da vontade de Deus.

Com o passar do tempo a ênfase tradicional Unitarista no exercício da razão humana fez com que os Unitaristas deixassem de considerar a Bíblia como a autoridade final em assuntos religiosos; durante o século XIX em particular, se

tornava claro que as Escrituras podiam ser justamente sujeitas à crítica textual como outras obras literárias, enquanto avanços no conhecimento científico laico

e teológico sugeriam uma visão diferente do mundo e da humanidade daquelas

presentes na Bíblia e na História laica da vivência Bíblica. Assim, entre os Unitaristas de hoje, reflexões honestas a respeito de questões religiosas fundamentais, iluminadas pelos discernimentos ganhos através da experiência pessoal, da tradição judaico-cristã, de outras religiões, da ciência, da psicologia, da poesia e literatura, tendem a ser vistas como a abordagem mais confiável à busca espiritual pessoal. Enquanto reconhecendo essa diversidade de influências muitos unitaristas continuam a se considerar plenamente cristãos.

Seja quais forem suas perspectivas teológicas, os Unitaristas tentam, em seu estilo de adoração e em sua vida comunitária, combinar uma fé de integridade pessoal com um espírito de inclusão que são fortalecidos por uma disposição em compartilhar e aprender de outros.

A questão da centralidade de YAHSHÚA/YAHUSHÚA oferece um desafio aos Unitaristas modernos de descobrirem formas de abraçarem o melhor das Tradições do passado, enquanto descobrem uma compreensão e respeito cada vez mais profundos das Convicções de outros no presente, abrindo-nos, assim, a visões e discernimentos de um futuro melhor. Tentamos prover uma alternativa criativa à rigidez do dogma que sobrecarrega tantos ramos da religião organizada pois, nas palavras do Quarto Evangelho, é apenas o espírito que dá Vida.

Você

possui

uma

mente

Conheça o Unitarismo

independente?

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77

Você está procurando por algo de novo em sua jornada espiritual? Eis aqui uma visão religiosa que definitivamente é diferente:

* Um movimento religioso no qual os indivíduos são livres para usar a razão e desenvolverem as suas próprias crenças.

* Vê no Jesus dos Sinópticos, um Homem a ser seguido e não como um deus a

ser adorado. Vê no Jesus “Joanino” um Homem a ser seguido e um Deus a ser adorado (neste Evangelho temos duas fontes de interpretação: a de João o Ancião, um Grego Cristão, e de outro João, um cristão Judeu, chamado de Sacerdote, pois tinha as insígnias sacerdotais).

* Não possui dogmas ou credos que prendam as pessoas às crenças de eras passadas, mas está aberto aos insights de novos pensamentos e novas descobertas.

* Adapta novas ideias de outras fontes, incluindo outras religiões.

* Não discrimina pessoas com base em coisas como género, identidade de

género, orientação emociono-sexual, raça, cor, classe sócio-económica, etc.

OS UNITARISTAS:

* Buscam uma estrutura espiritual e moral para a vida baseada na paz, compreensão e justiça.

* Esforçam-se para entender, aceitar e respeitar uns aos outros.

* Afirmam a unidade essencial da humanidade e sua interdependência com toda a vida do nosso planeta.

* Alegram-se em receber TODAS AS PESSOAS!

Unitaristas sempre existiram, mas foi apenas durante a Reforma Protestante, no século XVI, que o nome surgiu quando a Igreja Unitarista da Transilvânia foi fundada por Dávid Ferenc. Nós, Unitaristas temos uma tradição de questionar a fé na qual crescemos para descobrir verdades a respeito de seus ensinos espirituais.

Temos, no decorrer de nossa história de mais de quatro séculos, interpretado as palavras da Bìblia para encontrar maneiras de entender o mundo no qual vivemos e a maneira como as pessoas respondem aos desafios da fé. Historicamente, os unitaristas se puseram contra leis que impediam as pessoas a pensarem independentemente. Ficamos do lado dos direitos humanos e da igualdade das mulheres. Apoiamos o direito de todas as pessoas serem tratadas com justiça. Lutamos em favor de melhores

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oportunidades para os menos privilegiados. Por trás de tudo isso estava e está a crença de que ser cristão é ser o Bom Samaritano e amar o próximo. Temos uma longa tradição de responsabilidade social baseada em valores espirituais. E assim, o Unitarismo se espalhou por várias partes do mundo.

Unitaristas já foram perseguidos e excluídos socialmente por crerem que a ciência não deva ser impedida pela religião, mas que deva ser livre para explorar suas fronteiras. A ciência deve ser desafiada a se juntar e dar ouvidos aos debates éticos que suas descobertas causam.

Nós, Unitaristas somos indivíduos, mas estamos unidos como peregrinos espirituais. Buscamos iluminação para nós
Nós, Unitaristas somos indivíduos, mas estamos unidos como peregrinos
espirituais. Buscamos iluminação para nós mesmos. Respeitamos os mesmos
valores encontrados em outras tradições de fé. Temos uma visão de um
mundo de paz, onde todos tenham a oportunidade de viver em paz sem medo
ou discriminação. No progresso do mundo, nós Unitaristas já desempenhamos
papéis importantes – seja como Presidentes dos Estados Unidos, como
cientistas importantes, ou simplesmente como alguém que se ergueu e disse:
―EU, LUÍS, SOU UM CRISTÃO UNITARISTA E
PRESBITERIANO PARTICULAR RENOVADO‖!
FIM DE PÁGINA E DE CONTEXTO.
O
SUPRA
É
DA
MINHA
AUTORIA
E
DA
CONGREGAÇÃO
UNITARISTA
DE
PERNAMBUCO, BRASIL
SÍTIOS: magcal68@hotmail.com e unitarista.googlepages.com/
SERVIÇO PÚBLICO
-DICAS-PARA O DIA A DIA-
CAMINHAR:

Estudos sugerem que as

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79
pessoas que têm por hábito caminhar têm menos probabilidade de desenvolver doenças do que as
pessoas que têm por
hábito caminhar têm
menos probabilidade de
desenvolver doenças do
que as sedentárias.
Mostram também que
caminhar reduz o risco de
doenças cardíacas e de
derrame. Previne contra o
diabetes, visto que
intensifica a utilização da
insulina pelo organismo.
Fortalece os ossos,
protegendo contra a
osteoporose. Aumenta o
vigor, a flexibilidade e a
resistência. Ajuda a perder
e a manter o peso.
Melhora a qualidade do
sono, aguça a mente e
pode até ajudar a
combater a depressão.
Informa-se que, segundo
uma pesquisa feita há
alguns anos na
Universidade do Sul da
Califórnia, caminhadas de
15 minutos aliviam mais a
ansiedade e a tensão do
que um tranqüilizante
suave. Assim como outras
atividades físicas,
caminhar desencadeia a
liberação de endorfinas,
substâncias químicas do
cérebro que aliviam a dor
e induzem ao
relaxamento, produzindo
uma sensação de
tranqüilidade e bem-estar.
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80
Segundo o jornal canadense The Medical Post, até mesmo andar devagar é bom para a
Segundo o jornal
canadense The Medical
Post, até mesmo andar
devagar é bom para a
saúde. Uma matéria
publicada na The New
England Journal of
Medicine revelou que
caminhadas diárias de
apenas 800 metros nos
fazem viver por mais
tempo. Estudos recentes
sugerem que caminhar três
vezes ao dia durante 10
minutos faz tão bem
quanto 30 minutos
seguidos. Tendo isso em
mente, estacione o carro
um pouco mais longe e
ande! Ou dê uma
minicaminhada por dia.
Caminhar rápido traz
maiores benefícios. O Dr.
Carl Caspersen, dos
Centros de Controle e
Prevenção de Doenças,
em Atlanta, Geórgia,
EUA, confirma isso:
―Passar do sedentarismo
para caminhadas de meia
hora em ritmo acelerado,
várias vezes por semana,
pode reduzir
drasticamente o risco [de
doenças].‖ E a vantagem
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da caminhada é que pode ser praticada por pessoas de todas as idades, em quase qualquer condição de saúde. Além do mais, não exige treino especializado, nem ser atleta apenas um bom calçado.

CAMINHADAS CERTO E ERRADO

Caminhe com a coluna ereta, queixo para cima (paralelo ao chão), olhando seis metros para a frente

Mantenha um ritmo moderado. Não é preciso andar rápido a ponto de ficar sem fôlego e não conseguir conversar normalmente

Não dê passos muito grandes. Para aumentar a velocidade, aumente

passos muito grandes. Para aumentar a velocidade, aumente Movimente os braços para frente e para trás,

Movimente os braços para frente e para trás, com os cotovelos próximos ao corpo. Evite balançar os braços de um lado para outro

Não pise com toda a planta do pé. Primeiro o calcanhar, depois o resto da planta do pé vai pisando o solo e, por último, os dedos tocam

Não há necessidade de carregar pesos. Eles tiram a naturalidade dos movimentos do corpo ao caminhar e podem forçar os ligamentos e

Use roupas soltas e confortáveis. No frio, várias malhas sobrepostas dão mais versatilidade e podem ser facilmente tiradas. Use calçados leves, de solado flexível, salto baixo com sistema de amortecimento no calcanhar e amplo espaço para os dedos do pé. É bom que sejam um pouco maior do que os seus sapatos sociais. Se você pretende andar mais de meia hora e não houver bebedouro no caminho, leve junto uma garrafinha de água. Comece a caminhada com cinco minutos de aquecimento, andando em passo lento. Mantenha a coluna ereta, os cotovelos e joelhos ligeiramente flexionados, os braços relaxados, sem cerrar os punhos.

Após o aquecimento, comece a caminhar num ritmo normal, dando passos rápidos e tocando o chão primeiro com o calcanhar; em seguida, toda a planta do pé vai pisando o solo e, por último, os dedos do pé se apóiam no chão. Para isso é preciso que os calçados tenham solado flexível. Acha que são muitos detalhes para se lembrar? Calma. A maioria das pessoas costuma andar assim naturalmente. Caminhe num ritmo que permita conversar sem ficar ofegante. Se

a intensidade de passadas mais curtas o chão tendões O prazer de uma boa caminhada
a intensidade de passadas mais curtas
o chão
tendões
O prazer de uma boa caminhada
82
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82 estiver iniciando um programa de caminhada, aumente aos poucos o tempo, a distância percorrida e

estiver iniciando um programa de caminhada, aumente aos poucos o tempo, a distância percorrida e a velocidade. Quando estiver terminando a caminhada, diminua o ritmo para que o corpo esfrie.*

Esforço físico provoca aumento na freqüência cardíaca e respiratória, bem como transpiração suave a moderada, mas isso é normal. É possível que nos primeiros dias sinta dores musculares ou até fique todo dolorido. Preste atenção a como o seu corpo reage à caminhada. Se sentir que está indo além de seus limites, diminua o ritmo ou faça uma pequena pausa. Mas, se os sintomas forem aperto ou dor no peito, palpitação, extrema falta de ar, tontura, ou enjôo, pare de andar imediatamente e procure ajuda. #

ou enjôo, pare de andar imediatamente e procure ajuda . # Visto que a caminhada é

Visto que a caminhada é um exercício de baixo impacto, ela tem grandes vantagens sobre atividades físicas como corrida e aeróbica. Conseqüentemente, há menos riscos de lesões articulares e musculares. Com certeza, caminhar é a atividade número um recomendada pelos especialistas da área de aptidão física. Então, pensando no seu bem-estar, dê uma caminhada!

* #
*
#

Se o objetivo da caminhada for queimar calorias, em vez de

cobrir um quilômetro em doze minutos, passe a fazê-lo em nove minutos e queimará mais 30% de calorias por minuto. E se percorrer a mesma distância em sete minutos, queimará mais 50% de calorias por minuto. A maioria das pessoas que caminha para ficar em forma cobre um quilômetro entre sete a nove minutos.

É aconselhável consultar um médico antes de iniciar um programa de condicionamento físico, especialmente se você sofre de doenças cardíacas, hipertensão ou outros problemas de saúde.

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1Coríntios 13, 4-7: O amor é longânime e benigno. O amor não é ciumento, não

1Coríntios 13, 4-7:

O amor é longânime e benigno. O amor não é ciumento, não se gaba, não se enfuna, 5 não se comporta indecentemente, não procura os seus próprios interesses, não fica encolerizado. Não leva em conta o dano. 6 Não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade. 7 Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas.

espera todas as coisas, persevera em todas as coisas. Uma visão geral ANOREXIA. Por mais esbelta
espera todas as coisas, persevera em todas as coisas. Uma visão geral ANOREXIA. Por mais esbelta

Uma visão geral

Uma visão geral

ANOREXIA. Por mais esbelta que seja, quando uma moça que sofre de anorexia se olha no espelho, ela vê uma pessoa obesa. Para perder peso, toma medidas drásticas. ―Fiquei obcecada em contar calorias‖, diz uma jovem com esse distúrbio. ―Eu planejava cuidadosamente o que ia comer durante a semana, deixava de tomar certas refeições e fazia exercícios em excesso sempre que achava ter ingerido calorias demais. Cheguei a tomar até seis laxantes por dia.‖

Em pouco tempo, começaram a aparecer sintomas de anorexia. A perda de peso é um dos indícios típicos, mas quem tem esse problema também pode sofrer de queda de cabelo, pele seca, fadiga e perda da densidade óssea. Os períodos menstruais podem se tornar irregulares ou até mesmo cessar por vários meses consecutivos.

Talvez esses sintomas não pareçam graves, mas não se engane a anorexia põe a vida em perigo. Um estudo descobriu que, com o tempo, até 10% dos que sofrem de anorexia morrem por causa desse distúrbio, muitas vezes em resultado da falência de algum órgão ou de outros problemas relacionados com a má nutrição.

ou de outros problemas relacionados com a má nutrição. BULIMIA. Em vez de evitar comer, a

BULIMIA. Em vez de evitar comer, a jovem que sofre de bulimia come em excesso, chegando a consumir até 15 mil calorias em apenas duas horas! Depois ela põe para fora o que comeu, normalmente fazendo isso por provocar o vômito ou por tomar laxantes ou diuréticos.

Na maioria das vezes, a pessoa come dessa forma exagerada às escondidas. Uma moça diz: ―Após as aulas, se eu fosse a primeira a chegar em casa, costumava comer compulsivamente. Eu tinha cuidado para que ninguém descobrisse.‖ Depois de comer assim, porém, ela ficava com sentimentos de culpa. Ela diz: ―Eu me sentia péssima comigo mesma, mas sabia que poderia facilmente desfazer o

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estrago. Era só ir ao banheiro e vomitar. Assim me sentia não só aliviada, mas também no controle da situação.‖

Tomar laxantes ou forçar o vômito é perigoso, não importa as aparentes vantagens. O mau uso de laxantes enfraquece a parede intestinal e pode levar a inflamações e a infecções. Vomitar com freqüência pode resultar em desidratação, cáries, danos no esôfago e até em insuficiência cardíaca.

danos no esôfago e até em insuficiência cardíaca. COMPULSÃO ALIMENTAR. Assim como a pessoa bulímica, quem

COMPULSÃO ALIMENTAR. Assim como a pessoa bulímica, quem sofre de compulsão alimentar consome uma grande quantidade de comida. A diferença é que ela não procura se livrar do que comeu, e, por isso, pode acabar ficando acima do peso. Algumas pessoas, porém, se obrigam a passar fome ou fazem exercícios rigorosos depois que comem compulsivamente. Às vezes, quando o peso é controlado, nem familiares nem amigos se apercebem da situação difícil pela qual essa pessoa está passando.

Assim como os anoréxicos e os bulímicos, quem sofre de compulsão alimentar tem uma atitude doentia em relação à comida. Uma moça diz o seguinte sobre ela mesma e sobre outros que sofrem desse distúrbio: ―A comida é o nosso amigo pessoal e secreto talvez o nosso único amigo.‖ Outra jovem diz: ―Enquanto como compulsivamente, parece que nada mais tem importância. Só a comida é que importa é o que me consola , mas depois de comer muito, logo vêm os sentimentos de culpa e a depressão.‖

Comer compulsivamente é perigoso mesmo que a pessoa não se livre do que ingeriu. Pode levar a pessoa a sofrer de diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas e outros problemas de saúde. Além disso, pode causar um grande prejuízo emocional.

Além disso, pode causar um grande prejuízo emocional. “Acho que você tem um problema .” Se

“Acho que você tem um problema

.”

Se alguém de sua família ou um amigo lhe disser essas palavras, lute contra a tendência de se defender. Imagine que uma amiga notasse que a bainha de seu vestido está começando a se descosturar na parte de trás. Não gostaria que ela lhe avisasse logo, antes que a costura do vestido se desfizesse completamente? A Bíblia declara: ―Há um amigo que se apega mais do que um irmão.‖ (Provérbios 18:24) Quando alguém lhe disser que está preocupado porque acha que você talvez tenha um problema, essa pessoa está mostrando que é esse tipo de amigo!

“Eu tinha de ser magra”

―Comecei a perder peso. Depois tive de arrancar os dentes de siso, e não conseguia comer. Isso deu início ao meu problema de anorexia. Tornei-me obcecada com a minha aparência. Nunca estava magra o suficiente. Cheguei a ter um peso tão baixo que assustava. Causei muitos danos ao meu corpo. Agora minhas unhas não crescem mais. Descontrolei completamente meu relógio biológico. Já sofri quatro abortos espontâneos. Tive menopausa precoce e o meu metabolismo praticamente não funciona. Também tenho colite. Tudo isso porque eu tinha de ser magra.‖ — Nicole.

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Poderia acontecer com você?

É claro que a maioria das pessoas que desejam perder peso ou ficar em forma não

tem um distúrbio alimentar. Ainda assim, depois do que já consideramos, talvez

fique pensando se isso poderá acontecer com você. Pergunte a si mesma:

 Tenho vergonha ou fico embaraçada por causa dos meus hábitos ou rituais relacionados com
 Tenho vergonha ou fico embaraçada por causa dos meus hábitos ou rituais
relacionados com comida?
 Procuro esconder de outros os meus hábitos alimentares?
 A comida tornou-se a coisa mais importante na minha vida?
 Costumo me pesar mais do que uma vez por dia?
Estou disposta a correr riscos para emagrecer?
Já usei laxantes, diuréticos ou provoquei vômito?
Os meus hábitos com comida afetam a minha vida social? Por exemplo, prefiro
estar só a estar acompanhada para poder comer compulsivamente ou pôr para
fora o que comi, sem ninguém saber?
Se suas respostas a essas perguntas indicarem que você está com um problema,
pense no seguinte:
Sou feliz vivendo desse jeito?
O
que você pode fazer para acabar com essa situação?
Tome uma atitude agora!
O
primeiro passo é admitir para si mesma que tem um problema. Danielle diz:
―Depois de pensar no assunto, percebi que eu tinha os mesmos sentimentos e
hábitos que as moças com anorexia. Tinha medo de admitir que fazia as mesmas
coisas que essas jovens faziam.‖
Você talvez tenha de orar pedindo motivação para querer melhorar
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segundo passo é orar ao Eterno a respeito de seu problema. % Implore para que ele

lhe dê a perspicácia necessária a fim de descobrir o que está na origem do seu distúrbio, e assim vencê-lo. Você pode orar como Davi: ―Esquadrinha-me, ó Deus, e conhece meu coração. Examina-me e conhece meus pensamentos inquietantes, e

vê se há em mim qualquer caminho penoso, e guia-me no caminho do tempo indefinido.‖ — Salmo 139:23, 24.

Por outro lado, você talvez sinta certa relutância em deixar esse distúrbio alimentar.

É possível que se tenha tornado dependente dele, como um vício. Esse é outro

aspecto que deve ser mencionado em oração. Foi isso que Danielle teve de fazer. Ela admite: ―No princípio, eu realmente não queria me recuperar. Por isso tive de orar pedindo motivação para melhorar.‖

O terceiro passo é falar com seu pai ou sua mãe ou com outro adulto que esteja em

condições de ajudá-la. Pessoas adultas que se preocupam com você não farão com que se sinta envergonhada. Pelo contrário, elas vão se esforçar em imitar a Jeová, sobre quem a Bíblia declara: ―Ele não desprezou, nem teve repugnância da tribulação do atribulado; e não escondeu dele a sua face, e ouviu quando clamou a ele por ajuda.‖ — Salmo 22:24.

O

Caso tenha uma recaída Pode acontecer que você vença seu distúrbio alimentar e, no entanto,
Caso tenha uma recaída
Pode acontecer que você vença seu distúrbio alimentar e, no entanto, tenha uma
recaída semanas ou até meses depois. Se isso acontecer, não desista. A Bíblia
reconhece que ―o justo talvez caia até mesmo sete vezes‖. (Provérbios 24:16) Uma
recaída não faz de você um fracasso. Apenas enfatiza a necessidade de fortalecer
sua determinação, de reconhecer os sinais que alertam a proximidade de uma
recaída e de talvez mais uma vez se abrir com pessoas apoiadoras que possam
ajudá-la.
Temos de reconhecer que o caminho para a recuperação não é fácil. Em alguns
casos é necessário ajuda profissional.^ Mas o ponto-chave é agir. Foi isso que uma
moça que sofria de bulimia resolveu fazer. Ela diz: ―Um dia, comecei a me dar
conta de que estava sendo controlada pelo hábito de forçar o vômito. Mas não sabia
se seria capaz de parar. Por fim, fiz a coisa mais difícil em toda a minha vida. Pedi
ajuda.‖
Você pode fazer o mesmo!
* Alguns nomes neste artigo foram mudados.
# Visto que a maioria das pessoas com distúrbios alimentares são mulheres, usaremos o feminino
ao falar dos que têm esse problema. No entanto, muitos dos princípios referidos aqui também se
aplicam a homens.
% Quando passar por momentos aflitivos, ficará mais confiante de que o Eterno cuidará
pessoalmente de você se meditar em textos bíblicos tais como estes: Êxodo 3:7; Salmo 9:9; 34:18;
51:17; 55:22; Isaías 57:15; 2 Coríntios 4:7; Filipenses 4:6, 7; 1 Pedro 5:7; 1 João 5:14.
^ Os cristãos devem certificar-se de que qualquer tratamento escolhido não entre em conflito com
os princípios bíblicos.
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PARA VOCÊ PENSAR

Você acha que tem um distúrbio alimentar? Se esse for o caso, a quem poderá recorrer em busca de ajuda?

Como você pode ajudar uma amiga que tem um distúrbio alimentar?

você pode ajudar uma amiga que tem um distúrbio alimentar? Se você sofre de um distúrbio

Se você sofre de um distúrbio alimentar, seria bom ler mais informações sobre o assunto. Quanto melhor você conhecer o assunto, mais fácil será lutar contra ele. Com certeza, você se beneficiará em aceder a:

UM LEMBRETE PARA OS PAIS
UM LEMBRETE PARA OS PAIS

Se sua filha for vítima de um distúrbio alimentar, o que vocês poderão fazer? Primeiro, analisem cuidadosamente as informações neste artigo e nas outras referências acima mencionadas. Procurem entender por que ela recorreu a esse tipo de comportamento.

Tem se notado que muitas pessoas com distúrbios alimentares têm uma imagem negativa de si mesmas e são perfeccionistas por natureza, estabelecendo expectativas exageradamente elevadas para si. Façam tudo para não piorar esses traços de personalidade. Ajudem sua filha a se tornar mais confiante. (Isaías 50:4) E, para combater o perfeccionismo, deixe que ‗sua razoabilidade seja conhecida‘. — Filipenses 4:5.

Também, fiquem atentos à sua própria atitude com relação a comida e peso. Será que inconscientemente vocês dão demasiada ênfase a esses assuntos, quer por palavras, quer pelo exemplo? Lembrem-se de que os jovens se preocupam muito com a aparência. Até mesmo brincar com termos tais como ―gordinha‖ ou fazer piadas a respeito do crescimento desproporcional comum na pré-adolescência pode lançar sementes de insegurança na mente dos jovens que são facilmente influenciados.

Depois de meditar no assunto e orar a esse respeito, conversem francamente com sua filha.

Pensem cuidadosamente sobre o que vão falar e quando vão falar.

Sejam claros ao expressar sua preocupação e seu desejo de ajudar.

Não se surpreendam se no início a reação for defensiva.

Ouçam com paciência.

O mais importante é que vocês sejam uma das forças que ajudarão sua filha a melhorar. Façam da recuperação dela uma questão de família!

FALEMOS SOBRE O SONO:

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SONO:

Exactamente o que faz com que a pessoa perca a consciência e adormeça ainda é um mistério. Mas os pesquisadores comprovaram que o sono é um processo complexo, regulado pelo cérebro, e que obedece a um relógio biológico de 24 horas.

e que obedece a um relógio biológico de 24 horas. À medida que envelhecemos, nossos hábitos

À medida que envelhecemos, nossos hábitos de sono

mudam. Um recém-nascido dorme curtos períodos de sono totalizando umas 18 horas por dia. Segundo especialistas, embora alguns adultos pelo visto só precisem de três horas diárias de sono, outros

precisam de até dez horas.

Pesquisas recentes mostraram que as variações no relógio biológico explicam também por que alguns adolescentes
Pesquisas recentes mostraram que as variações no
relógio biológico explicam também por que alguns
adolescentes acham tão difícil acordar de manhã.
Parece que a puberdade altera o ritmo biológico,
fazendo com que os jovens tenham vontade de dormir
mais tarde e acordar mais tarde. Esse atraso da fase
do sono é comum e tende a desaparecer no começo
da vida adulta.
O nosso relógio biológico é regulado por substâncias

O hormônio do crescimento alcança o pico de produção durante o sono

químicas, muitas já identificadas. Uma delas é a melatonina, um hormônio considerado indutor do sono. A melatonina é produzida no cérebro, e alguns cientistas acreditam que seja responsável pela desaceleração do metabolismo do corpo, que ocorre antes de adormecermos. A secreção de melatonina diminui a temperatura corporal e o fluxo sanguíneo cerebral, e os músculos perdem aos poucos a tonicidade até ficarem flácidos. O que acontece a seguir, quando a pessoa entra no misterioso mundo do sono?

‘Principal nutridor da natureza’

Cerca de duas horas depois que adormecemos, os olhos começam a se movimentar rapidamente para cima e para baixo. A observação desse fenômeno levou os cientistas a dividir o sono em dois ciclos básicos: o REM (movimento rápido dos olhos) e o não-REM. O sono não-REM pode ser subdividido em quatro estágios de sono cada vez mais profundos. Durante uma noite bem-dormida o sono REM ocorre várias vezes, alternando-se com o sono não-REM.

mais profundos. Durante uma noite bem-dormida o sono REM ocorre várias vezes, alternando-se com o sono
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EFEITOS DA PRIVAÇÃO DO SONO

90 EFEITOS DA PRIVAÇÃO DO SONO EFEITOS A CURTO PRAZO  Sonolência  Alterações repentinas de

EFEITOS A CURTO PRAZO

Sonolência

Alterações repentinas de humor

Perda de memória de fatos recentes

Redução da capacidade de criar, planejar e realizar atividades

Dificuldade de concentração

EFEITOS A LONGO PRA

 Dificuldade de concentração EFEITOS A LONGO PRA  AS CAUSAS PRINCIPAIS DA INSÔNIA  MÉDICAS:
 Dificuldade de concentração EFEITOS A LONGO PRA  AS CAUSAS PRINCIPAIS DA INSÔNIA  MÉDICAS:

AS CAUSAS PRINCIPAIS DA INSÔNIA

MÉDICAS: mal de Alzheimer; apnéia, bloqueio das vias aéreas superiores durante o sono; síndrome das pernas inquietas; mal de Parkinson; transtorno dos movimentos periódicos dos membros, movimentos acompanhados por despertares; asma; doenças cardíacas e gastrointestinais

PSIQUIÁTRICAS: depressão, ansiedade, pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de estresse pós-traumático

AMBIENTAIS: luz, barulho, calor, frio, colchão desconfortável, movimentos do cônjuge

OUTRAS CAUSAS: abuso do álcool e de drogas, efeitos colaterais de certos remédios

Dormir o suficiente é vital para um corpo e mente sadios

Dormir o suficiente é vital para um corpo e mente sadios Será que você sofre de

Será que você sofre de algum distúrbio do sono? Se depois de responder o questionário você concluir que tem problemas nesse respeito, não é preciso se desesperar. Reconhecer a necessidade de

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ajuda já é meio caminho andado na luta para curar um distúrbio do sono. Segundo o neurologista brasileiro Geraldo Rizzo, 90% dos que sofrem de insônia podem ser curados.

No entanto, para que o tratamento seja apropriado, é vital saber exatamente qual é a causa da insônia. Um exame médico chamado polissonografia tem auxiliado no diagnóstico e no tratamento de muitos distúrbios do sono. — Veja o quadro Diagnóstico dos distúrbios do sono

Uma das causas mais comuns da insônia crônica entre adultos se relaciona com o roncar. Se você já dormiu perto de alguém que ronca, sabe que isso pode ser extremamente desagradável. Roncar pode ser um sintoma da síndrome de apnéia obstrutiva do sono, na qual o bloqueio temporário da garganta impede a pessoa de aspirar ar para os pulmões. O tratamento inicial desse distúrbio inclui perda de peso, supressão de álcool e de medicamentos que relaxam os músculos. Os especialistas talvez prescrevam também uma medicação específica, ou o uso de um dispositivo intrabucal ou um gerador de fluxo aéreo nasal contínuo com pressão positiva. #

Nos casos mais graves, pode ser necessária a correção cirúrgica da garganta, do maxilar, da língua ou do nariz, para facilitar a entrada e a saída do ar durante o processo de respiração.

Crianças também podem sofrer de insônia. Os sintomas de privação do sono podem aparecer na escola fraco desempenho escolar, irritação e falta de concentração talvez resultando num falso diagnóstico de hiperatividade.

Algumas crianças resistem ao sono, preferindo cantar, conversar, ou ouvir histórias aceitam tudo, menos ir dormir. Pode ser apenas uma manha para atrair a atenção dos pais. Mas pode ser também que a criança tenha medo de ir dormir por causa de freqüentes pesadelos relacionados com filmes de terror, noticiários violentos ou brigas domésticas. Criando um ambiente pacífico e amoroso no lar os pais podem ajudar a evitar tais problemas. Obviamente, deve-se consultar um médico caso os sintomas persistam. Sem dúvida, uma boa noite de sono é tão importante para crianças como para adultos.

é tão importante para crianças como para adultos.  DIAGNÓSTICO DOS DISTÚRBIOS DO SONO Polissonografia é

DIAGNÓSTICO DOS DISTÚRBIOS DO SONO

Polissonografia é um conjunto de testes para avaliar o sono enquanto o paciente dorme nas condições mais normais possíveis. Os seguintes são os elementos básicos necessários para uma avaliação.

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 Eletroencefalograma — Monitoramento da atividade elétrica no cérebro, usado para classificar e quantificar os
 Eletroencefalograma — Monitoramento da atividade elétrica no cérebro, usado para
classificar e quantificar os vários estágios do sono.
 Eletro-oculograma — Registra os movimentos dos olhos durante o sono REM.
 Eletromiograma — Usado para monitorar a tonicidade dos músculos do queixo e das
pernas durante o sono REM.
 Eletrocardiograma — Usado para monitorar os batimentos cardíacos durante a noite
inteira.
 Fluxo do ar e movimentos respiratórios — Avaliados por meio do registro da passagem
do ar através do nariz e da boca, bem como dos movimentos do abdome e do tórax.
 Saturação de oxi-hemoglobina — Medição do nível de oxigênio nos vasos sanguíneos
por meio de um dispositivo chamado oxímetro, colocado no dedo da mão do paciente.
Como dormir bem
Há séculos sabe-se que uma boa noite de sono não acontece por acaso. Dormir bem
depende de uma série de fatores além de apenas controlar a ansiedade e o estresse. São
conhecidos coletivamente como higiene do sono.
Higiene do sono eficaz é um modo de vida. Inclui fazer exercícios regulares na hora
certa do dia. Exercitar-se de manhã ou de tarde pode contribuir para a sonolência na
hora de dormir. Mas exercitar-se pouco antes de ir dormir pode prejudicar o sono.
Filmes emocionantes ou leitura absorvente podem também ter um efeito estimulante.
Antes de recolher-se é melhor ler algo relaxante, ouvir música suave ou tomar um
banho quente.
Os especialistas dizem que você pode treinar o cérebro a associar a cama com o sono,
deitando-se apenas quando realmente pretende dormir. Pessoas que comem, estudam,
trabalham, vêem TV ou jogam videogames na cama talvez achem mais difícil
adormecer.
Preparar o organismo para um sono reparador envolve também cuidar da alimentação.
Ao passo que o álcool pode causar sonolência, pode também comprometer a qualidade
do sono. Café, chá preto, chocolate, bebidas achocolatadas, ou do tipo cola ou guaraná,
devem ser evitados à noite porque são estimulantes. Por outro lado, pequenas porções
de carne de siri, crustáceos 41 , manga, castanhas, batata-doce, banana, caqui, palmito,
arroz e brotos de feijão são alguns dos alimentos que podem induzir ao sono, pois
estimulam a produção de serotonina. Um alerta: comer demais à noite pode ser tão
prejudicial para o sono como ir dormir com estômago vazio.
Exercícios, leitura e uma refeição leve podem melhorar a qualidade do sono
Tão importante quanto a rotina pré-sono é o ambiente em que dormimos. Temperatura
agradável, quarto com o mínimo de iluminação e silencioso, colchão e travesseiro
confortáveis são convidativos para uma boa noite de sono. De fato, com tanto conforto,
pode até ser difícil sair da cama na manhã seguinte. Mas lembre-se: ficar na cama mais
do que o necessário, mesmo nos fins de semana, pode alterar seu padrão de sono e
dificultar o sono na noite seguinte.
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Por certo você não prejudicaria de propósito qualquer órgão vital de seu organismo. O sono
Por certo você não prejudicaria de propósito qualquer órgão vital de seu organismo. O
sono é igualmente vital, uma parte da vida que não deve ser negligenciada nem
subestimada. Afinal, passamos um terço da nossa vida dormindo. Poderá melhorar seus
hábitos de sono? Que tal começar hoje à noite?
* Insônia é a incapacidade de ter um sono normal e suficiente.
# O paciente dorme com uma pequena máscara facial que recebe um fluxo de ar de um compressor
através de um tubo flexível. Esse fluxo de ar mantém abertas as vias respiratórias e permite ao paciente
respirar normalmente.
TESTE DA SONOLÊNCIA
Qual a probabilidade de você cochilar nas situações
mencionadas abaixo? Usando a escala que segue, faça um
círculo em torno de suas respostas e depois some os pontos.
0 = Jamais cochilaria
1 = Pequena possibilidade de cochilar
2 = Possibilidade razoável de cochilar
3 = Grande possibilidade de cochilar
Lendo sentado
Vendo TV
Sentado inerte num local público, como cinema, ou
numa reunião
Como passageiro de um carro por uma hora sem
parada
Sentado tranqüilamente depois de almoço sem bebida
alcoólica
Deitado para descansar à tarde
Sentado conversando com alguém
Num carro, preso no trânsito
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Resultados da contagem

1-6: Não é preciso se preocupar 7-8: Dentro da média 9 ou mais: Consulte o médico