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1ª Sessão de Trabalho

com Empresas das


Indústrias Marítimas

IAPMEI, I.P.
Direcção de Assistência
Relatório
Empresarial
Sensibilização das entidades competentes para a
Lis b o a 2 0 0 9 necessidade de ser conferida maior prioridade à
indústria naval através de políticas públicas,
redução da burocracia associada às candidaturas
aos sistemas de incentivos do QREN e potenciar a
criação de novas áreas de negócio com base no
conhecimento e maior valor acrescentado. Estas
foram algumas das principais propostas que as
empresas apresentaram na sessão dos Encontros
para a Competitividade realizada em Outubro de
2008, por considerarem que essas medidas podem
contribuir para reforçar a sua competitividade no
mundo global.
1ª Sessão de Trabalho com Empresas das Indústrias Marítimas:
Relatório

REDACÇÃO:
Helena Faria Nunes
Sandra Martins
Vera Gomez

COORDENAÇÃO:
José Vale
João Rodrigues

DIRECÇÃO:
Carlos Carapeto
Índice

INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................................4

PARTICIPANTES ...............................................................................................................................................5

Empresas .........................................................................................................................................................5
Pag. | 3
Facilitadores e observadores ..........................................................................................................................6

WORKSHOP 1. FINANCIAMENTO DA ACTIVIDADE DAS PME DE CONSTRUÇÃO E REPARAÇÃO NAVAL .........7

Questões debatidas.........................................................................................................................................7

Conclusões ......................................................................................................................................................7

Propostas.........................................................................................................................................................8

WORKSHOP 2. A SUBCONTRATAÇÃO E A COOPERAÇÃO NAS EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO E REPARAÇÃO


NAVAL..............................................................................................................................................................9

Questões debatidas.........................................................................................................................................9

Conclusões ....................................................................................................................................................10

Propostas.......................................................................................................................................................10

WORKSHOP 3. FACTORES INTANGÍVEIS DE COMPETITIVIDADE: INOVAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO.....11

Questões debatidas....................................................................................................................................... 11

Conclusões e propostas.................................................................................................................................12
Inovação.....................................................................................................................................................12
Internacionalização ....................................................................................................................................14

RESUMO DE CONCLUSÕES E PROPOSTAS.....................................................................................................15

PLANO DE ACÇÃO..........................................................................................................................................17
INTRODUÇÃO

Os Encontros para a Competitividade são uma iniciativa do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias
Empresas e à Inovação, I.P. (IAPMEI) que tem como objectivo criar um ambiente propício à discussão
de ideias sobre estratégias empresariais de crescimento, formas de cooperação e dinâmicas de
inovação que contribuam para reforçar a competitividade das pequenas e médias empresas (PME)
portuguesas. As empresas que participam nesta iniciativa, para além da oportunidade de discutirem Pag. | 4

entre si temas de interesse comum, podem ainda confrontar as suas ideias e visões de futuro com
especialistas nos vários temas em debate, que participam nas sessões dos Encontros para a
Competitividade como facilitadores.
Nas sessões de trabalho realizadas no âmbito dos Encontros para a Competitividade privilegia-se
uma lógica de discussão alargada a um sector, um tema ou uma região, que inclua associações
empresariais, centros de conhecimento, autarquias locais, universidades e outros organismos da
administração pública directa e indirecta.
A primeira sessão de trabalho com empresas das indústrias marítimas foi organizada em parceria
com a AIM – Associação das Indústrias Marítimas. Realizou-se no dia 29 de Outubro de 2008 nas
instalações do IAPMEI, no Edifício L do Campus do Lumiar. Esta sessão de trabalho com empresas,
teve como principal objectivo proporcionar um debate de ideias em torno de temas que se nos
afiguram de interesse relevante para as empresas desta indústria, de forma a conhecer os seus
problemas e dificuldades específicas, com vista a encontrar soluções. Estiveram presentes 32
empresas, organizadas em três grupos de trabalho, os quais foram dinamizados por facilitadores
externos. Estes grupos de trabalho contaram ainda com a presença de observadores das entidades
organizadoras da sessão. A selecção das empresas convidadas foi efectuada por acordo entre os
parceiros.

Os temas abordados nos três workshops realizadas foram os seguintes:


• Financiamento das PME de construção e reparação naval;
• A subcontratação e a cooperação nas empresas de construção e reparação naval;
• Factores intangíveis de competitividade: inovação e internacionalização.

O presente documento apresenta as conclusões desta sessão de trabalho, com base nos debates
realizados em cada um dos grupos de trabalho. Foi possível, com o apoio dos observadores de cada
um destes grupos, identificar um conjunto de medidas relevantes para fazer face aos problemas e
necessidades identificadas.

A perspectiva destas conclusões corresponde à forma como foi colocado o desafio aos empresários
presentes na sessão, ou seja, o que é que as próprias empresas, as entidades públicas, as estruturas
associativas e os centros de conhecimento, podem fazer para tornar as empresas desta região mais
competitivas.
PARTICIPANTES

Empresas
Denominação Produtos Sede Representante
Construção e reparação
Arsenal do Alfeite Lisboa Victor Brito
naval Pag. | 5

Barcooeste - Fábrica de Artigos de Sobral de Monte


Reparação naval Nuno Varela
Borracha, Lda. Agraço
Bo Hermanson - Prestação de Equipamentos de combate à
Lisboa Mónica Hermanson
Serviços, Lda. poluição, ajuda à navegação
António Ramilo
Engrenagens Olimar, Lda. Metalomecânica Alcanena
Mário Rosa
Construção e reparação Carlos Mota
Estaleiros Navais de Peniche, S.A. Peniche
naval João Paulo Teófilo
Estaleiros Navais de Viana do Construção e reparação
Viana do Castelo Sérgio Fonseca
Castelo, S.A. naval
Construção e reparação Duarte Silva
Estaleiros Navais do Mondego, S.A. Figueira da Foz
naval Luísa Oliveira
Ferro e produtos
FAF - Produtos Siderúrgicos, S.A. Lisboa Manuel Nobre
siderúrgicos
Ibernáutica - Indústrias Náuticas, Construção e reparação Manuel Alves
Anadia
Lda. naval Barbosa
Joperinox - Construção e Reparação Construção e reparação João Pereira
Quinta do Anjo
Naval, Lda. naval José Cruz
José Agnelo Fernandes Consultoria Lisboa José Fernandes
Leirinav - Construção e Reparação Construção e reparação
Barreiro Sérgio Leiria
Naval, Lda. naval
Frederico Spranger
Lisnave - Estaleiros Navais, S.A. Reparação naval
Setúbal Manuel Gomes
António Amaral,
Construção e reparação António Ribeiro
Manuel Pires Guerreiro, Lda. Setúbal
naval
Carlos Costa
Menaval - Construção e Reparação Construção e reparação
Setúbal Sebastião Santos
Naval e Metalomecânica, Lda. naval
Meumar - Embarcações de Recreio,
Reparação naval Quarteira Maduene Conde
Comércio e Serviços, Lda.
Navalesp - Construção e Reparação Construção e reparação
Setúbal José Marcela
Naval, Lda. naval
Oceansteel Metalomecânica
Reparação naval Cascais Paulo Fonseca
Unipessoal, Lda.
Previnave - Prevenção e Segurança
Segurança contra Incêndio Apelação Augusto Costa
no Trabalho, Lda.
Victor Martins
Projecto 77 - Unipessoal, Lda. Consultadoria Lisboa
João Rodrigues
Moitinho de
Qtel - Qualidade Total e Logística, Consultadoria em qualidade, Almeida
Carcavelos
Lda. ambiente e logística
Diogo Real
Construção e reparação
Réplica Fiel - Estaleiro Naval Moita Mário Figueiredo
naval
Sadoship Repair - Construção e
Reparação naval Setúbal Júlio Manuelito
Reparação Naval, Lda.
Construção e reparação Sobral de Monte Pag. | 6
Sea Ribs, Lda. Paulo Rodrigues
naval Agraço
Serralharia Mecânica Lunavalv Paulo Melo
Reparação naval Almada
Unipessoal, Lda. Nuno Silvestre
Socrenaval - Sociedade de
Construção e reparação
Querenagem e Construção Naval do Vila Nova de Gaia António de Sousa
naval
Rio Douro, Lda.
Tecmar - Instrumentos de Precisão,
Serviços de mecânica Lisboa M. Costa
Lda.
Tecor - Tecnologia Anticorrosão, S.A. Tratamentos anti-corrosão Mitrena - Setúbal Manuel Carlos da Maia
Triquímica - Soluções Químicas e Fabricação de produtos Joaquim Fernandes
Sintra
Ambientais, S.A. químicos Seco dos Santos
Unisafe Portugal - Inspecções, Serviços
Inspecção, certificação de
e Certificação de Sistemas de Combate Mafra Pedro Ribeiro
sistemas de segurança naval
e Prevenção de Incêndio, Lda.
Vaganáutica, Lda. Prestação de serviços Cascais António Antunes
Vortal - Comércio Electrónico Paulo Bengala
Plataformas electrónicas Lisboa
Consultadoria e Multimédia, S.A. Bernardo Bastos Lopes

Facilitadores e observadores
Nome Função Entidade
António Gaspar Facilitador SPGM - Sociedade de Investimentos, S.A.
Carlos Mota Observador AIM - Associação das Indústrias Marítimas
Helena Faria Nunes Observador IAPMEI
Manuel Gomes Facilitador Lisnave - Estaleiros Navais, S.A. S.A.
Óscar Mota Observador AIM - Associação das Indústrias Marítimas
Sandra Martins Observador IAPMEI
Sérgio Fonseca Facilitador Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S.A.
Ventura de Sousa Observador AIM - Associação das Indústrias Marítimas
Vera Gomez Observador IAPMEI
WORKSHOP 1. FINANCIAMENTO DA ACTIVIDADE DAS PME DE
CONSTRUÇÃO E REPARAÇÃO NAVAL

FACILITADOR: Carlos Mota (AIM)


REDACTOR: Sandra Martins (IAPMEI)
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Questões debatidas
A indústria da construção e reparação naval de grande dimensão tem condições para ser competitiva
a nível mundial. O mesmo não se pode dizer das PME do sector, que estão sujeitas a um conjunto de
constrangimentos condicionadores de um ambiente favorável ao desenvolvimento e competitividade
do sector.

Dois dos principais constrangimentos ao desenvolvimento de sector prendem-se com a dificuldade


na obtenção de garantias às exigências colocadas pelos contratos de construção e condições de
acesso ao financiamento para investimento, pouco concorrenciais. Por outro lado, as empresas do
sector são ainda confrontadas com dificuldades ou mesmo com impossibilidades de enquadramento
nos apoios públicos ao investimento.

Estes constrangimentos à competitividade do sector constam de um memorando, enviado em


Janeiro de 2006 ao Senhor Secretário de Estado Adjunto, da Indústria e da Inovação (SEAII).

As PME das áreas da construção e a reparação naval debatem-se com dificuldades em obter
condições concorrenciais de acesso ao crédito e à garantia mútua, na medida em que não podem
apresentar como garantias reais os estaleiros que construíram. Este impedimento deve-se
essencialmente à sua localização, uma vez que se encontram instaladas em áreas concessionadas
pelo Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM), pelo que, cessando a concessão, o
investimento realizado na construção do estaleiro não fica propriedade da empresa.
O sector naval não pode aceder ao financiamento em condições favoráveis, uma vez que, por um
lado, é vedado pela União Europeia o acesso ao capital de risco e, por outro lado, não é permitido o
acesso às linhas de crédito do Programa PME Investe I e II - por determinação do Sistema de Apoio
ao Financiamento e Partilha de Risco da Inovação, pondo em causa a competitividade do sector. Este
constrangimento foi também apresentado pela AIM em documento entregue em Outubro passado
ao SEAII.
Por último, as candidaturas aos sistemas de incentivos Quadro de Referência Estratégico Nacipnal
(QREN) são demasiado complexas, morosas e muito exigentes ao nível das condições de acesso,
nomeadamente na exigência de autonomia financeira, que impede as empresas de se candidatarem.

Conclusões
• Concessão e licenciamento - evolução necessária para o reconhecimento como activo;

• Necessidade de, nas negociações com as instituições de crédito, focalizar a atenção no contrato
estabelecido com o cliente e não exclusivamente na empresa - adaptação de técnicas e
instrumentos financeiros usados em project finance;

• Investimento em factores relevantes de conduta de mercado (qualificação e certificação);


• Elaboração de regulamentação específica relacionada com acesso a fundos comunitários;

• Capitalização empresarial para partilhar com as instituições de crédito o crescimento sustentado;

• Promoção, junto das instituições de crédito, de mecanismos agrupados de recurso a instrumentos


de gestão de risco (cambial e taxa de juro).

Propostas Pag. | 8

Os empresários presentes entenderam que seria importante alertar as entidades envolvidas para os
serguintes aspectos:

1. Sensibilização das entidades competentes para a necessidade de ser conferida maior prioridade à
indústria naval através de políticas públicas;

2. Simplificação e flexibilização dos sistemas de incentivos do QREN;

3. Criação de uma “gaveta” específica de contra-garantia pública, com níveis de afectação de


recursos financeiros consoante a tipologia das operações a garantir.
WORKSHOP 2. A SUBCONTRATAÇÃO E A COOPERAÇÃO NAS
EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO E REPARAÇÃO NAVAL

FACILITADOR: Manuel Gomes (Lisnave)


REDACTOR: Vera Gomez (IAPMEI)
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Questões debatidas
Os trabalhos iniciaram-se com uma breve apresentação das empresas seguida da discussão sobre as
seguintes questões, relacionadas com o tema central do workshop:

− As estratégias de subcontratação aliadas à racionalização da capacidade construtiva da


construção e reparação naval;
− A inserção das PME na economia digital com vista à concretização de negócios através da
Internet;
− A relação estaleiro-subempreiteiro e as QAS (Quality Assured Services) Estaleiro versus QAS
Subempreiteiro.

A maioria das empresas participantes neste grupo são prestadoras de serviços de reparação naval
(serviços estes compostos por 90% de mão-de-obra e 10% de matéria-prima), tendo todas elas a sua
génese na reestruturação que a Lisnave sofreu nos últimos anos e cuja face mais visível se traduziu
num forte downsizing (em 1970, possuíam 11 000 trabalhadores; actualmente possuem 400). São
empresas que fornecem mão-de-obra especializada nos diversos domínios, tais como a serralharia, o
tratamento de superfícies e a mecânica, e fornecimento de equipamento, tal como segurança contra
incêndios, ajudas à navegação, combate à poluição e matérias-primas (aço e ferro).
O principal sub-contratante de 60% destas empresas é a Lisnave a qual, por sua vez, é a entidade que
tem acesso directo ao armador. A Lisnave é um conceituado player a nível europeu na indústria da
manutenção e reparação naval, tendo alargado agora a sua capacidade de oferta ao entrar no
mercado de conversão de navios e plataformas para offshore.
Segundo algumas das empresas basicamente fornecedoras de mão-de-obra, o facto de a Lisnave ser
o contratante por excelência de mão-de-obra condiciona, em muito, a relação entre ambos que, em
vez de configurar uma desejável relação de parceria, reveste contornos em que uma das partes tem
tendência a fazer uso da sua posição dominante, o que se reflecte no esmagamento das margens de
lucro dos subcontratados. Aliada a esta questão de “dependência”, identificam-se constrangimentos
na obtenção e fixação de trabalhadores, leia-se operários, nos seus quadros, existindo muito pouca
ética laboral tanto na relação empregador-empregado como entre as próprias empresas
concorrentes. A escassez de mão-de-obra nacional e qualificada faz que haja recurso a mão-de-obra
imigrante, muitas vezes não legalizada, o que revela ser um problema acrescido para as empresas
contratantes.

Os constrangimentos associados à forte sazonalidade que existe nestas indústrias e ao facto das
remunerações pagas serem pouco interessantes (alguns empreiteiros são pagos à hora), bem como a
dificuldade de formação específica dos recursos humanos, condicionam a fixação da mão-de-obra.
A resposta às necessidades de formação, no entendimento particular das empresas eminentemente
fornecedoras de mão-de-obra, uma vez que o principal contratante é a Lisnave SA, deve ser dada
preferencialmente por esta uma vez que possui um grande know-how técnico para o fazer e
conhecimento adequado das suas necessidades específicas.
Já um outro conjunto de empresas participantes colmataram o défice de actividade contínua
associado à sazonalidade do trabalho concedido pela Lisnave, com o início da actividade de
construção naval no qual partilham o espaço com a Lisnave, e que contribui para uma maior fixação
da mão-de-obra, diversificação da sua carteira de clientes (que inclui clientes internacionais)
diminuindo, assim, a sua dependência da Lisnave e aumentando a sua competitividade.
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Relevam a importância da AIM como entidade preponderante no sector e para o sector nos diversos
domínios da sua actuação e, especialmente, na definição de um padrão de qualidade mínima
requerida para as empresas subcontratadas.

O cumprimento das normas de qualidade definidas nesse padrão permitirá às empresas que o
cumprem apresentar uma mais valia qualitativa suficiente para responder aos cadernos de encargo
da empresa adjudicante, assumindo uma função “pré-qualificante” dessas empresas o que garantirá
ao adjudicante que aquelas empresas já apresentam um patamar de qualidade suficiente que lhes
permita serem admitidas, com continuidade, como subempreiteiros das grandes empresas.

Conclusões
• Necessidade de dignificação e valorização das actividades associadas ao sector;
• Promoção de formação de base e específica para o sector (por exemplo, na serralharia naval),
eventualmente garantida pelo sistema de ensino nacional;
• Necessidade das empresas fornecedoras de mão-de-obra diversificarem a sua carteira de clientes;
• Dificuldade das empresas manterem relações estáveis com o cliente dada a grande concorrência,
muita dela desleal, entre as empresas subcontratadas, admitindo-se que algumas levam a cabo
práticas de dumping;
• Dificuldade em fidelizar a mão-de-obra qualificada/formada;
• Falta de sustentabilidade da relação contratante/subcontratado;
• Dificuldade no acesso ao financiamento e a garantias.

Propostas
1. Criação de linhas de financiamento específicas para o sector da construção e reparação naval, de
suporte aos investimentos corpóreos e incorpóreos (formação);
2. Definição dos critérios-base para a criação de um padrão de qualidade a que devem obedecer as
empresas que prestam serviços às grandes empresas contratantes;
3. Redução da burocracia associada a candidaturas para admissão de recursos humanos e
candidaturas aos sistemas de incentivos do QREN.
WORKSHOP 3. FACTORES INTANGÍVEIS DE COMPETITIVIDADE:
INOVAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO

FACILITADOR: Sérgio Fonseca (Estaleiros Navais de Viana do Castelo)


REDACTOR: Helen Faria Nunes (IAPMEI)
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Questões debatidas
A sessão iniciou-se com a apresentação individual das empresas participantes que representam os
sectores da construção e reparação naval e fornecedores de equipamentos e serviços à indústria. O
debate foi mais participativo ao nível individual, não se considerando ter gerado grande interacção
entre os elementos do grupo. Para além dos temas da inovação e da internacionalização, o debate
incidiu também sobre outros factores relacionados com a actividade empresarial do sector,
designadamente:
Administração Pública
As empresas consideram que existie ainda um elevado número de procedimentos ligados à sua vida
activa que carecem de simplificação tais como, por exemplo, os licenciamentos, apesar de
reconhecerem que os processos inerentes à constituição de empresas são mais simplificados.
Também foi referida como condicionadora da actividade das empresas, a incapacidade da
Administração Marítima e Portuária e do Instituto Portuário e do Transporte Marítimo (IPTM), para
acompanhar em tempo útil o desenvolvimento e a produção de novos produtos e materiais e
funcionando assim como travão à inovação do sector. Foi dado, como exemplo, o atraso na
regulamentação das novas embarcações para a actividade marítimo-turística, o que prejudica
comercialmente os estaleiros que chegaram a produzir e, depois, estiveram vários anos com o
produto em stock à espera de regulamentação.

Cooperação
Existem níveis baixos de cooperação entre as empresas; entre as empresas e a administração pública
e entre as empresas nacionais e estrangeiras. Não existe acesso facilitado ao sistema científico e
tecnológico, eventualmente devido a falta de informação sobre as entidades e a actividade que
exercem. Foi referido o caso concreto do CEIIA - Centro para a Inovação e Excelência na Indústria
Automóvel que, para além de desenvolver competências de engenharia de processo e
desenvolvimento de produto nas indústrias automóvel e aeronáutica, desenvolve actividades
também em outras áreas industriais e que não são do conhecimento geral das empresas. Aproveitar
e rentabilizar os recursos existentes deverá ser uma preocupação. O CEIIA tem capacidades que
poderão ser utilizadas na elaboração de moldes para a indústria de construção naval. Para melhorar
a inovação no produto, deveriam ser protocoladas, com o CEIIA, condições de acesso especiais aos
recursos disponíveis por esta instituição tais como, por exemplo, a formação de PME para o
desenvolvimento de produtos em 3D.

Má imagem do sector
Existe um défice acentuado na imagem e notoriedade do sector naval e das empresas que o
representam no mercado nacional e no mercado externo, consequência da grave crise que o sector
passou nos anos oitenta do século passado. Portugal não é reconhecido como um país com
expressão no sector.
Políticas públicas para o sector
Sendo a reparação e o sector naval a actividade predominante no país e com uma componente
exportadora muito superior ao total da indústria transformadora, as empresas representantes do
sector consideram que deveriam existir alterações das políticas públicas na abordagem ao sector e
nos apoios directos do Estado, à semelhança do que acontece em Espanha e noutros países europeus
e asiáticos, bem como no Brasil, país no qual o sector usufrui de planos de investimento apoiados.
Dificuldades no acesso a apoios e ao financiamento Pag. | 12

As candidaturas aos sistemas de incentivos do QREN são morosas e complexas, e exigem um elevado
grau de autonomia financeira que impede as empresas de se candidatarem. Foi apresentada, no
decurso do debate, uma proposta de pré-adesão para candidatura conjunta ao SI Qualificação e
Internacionalização promovida pela AIM.
A construção e a reparação naval debatem-se com dificuldades na obtenção de condições
concorrenciais de financiamento ao crédito e à garantia mútua, na medida em que não podem
prestar como garantias reais os estaleiros que construíram. Este impedimento decorre do facto das
empresas se encontrarem instaladas junto ao mar, com uma concessão concedida pelo IPTM pelo
que, cessando a concessão, o investimento realizado na construção do estaleiro não fica propriedade
da empresa.

O sector naval não pode aceder a financiamento apoiado, uma vez que, por um lado, é vedado pela
União Europeia o acesso ao capital de risco e, por outro lado, não é permitido o acesso às linhas de
crédito do Programa PME Investe (I e II), por determinação do Sistema de Apoio ao Financiamento e
partilha de Risco da Inovação (SAFPRI). As empresas consideram que estes impedimentos põem em
causa a competitividade do sector, tendo este facto já sido manifestado pela AIM em documento
escrito, em Outubro de 2008, ao Secretário de Estado Adjunto, da Indústria e da Inovação (SEAII).
Foi ainda referido que não existe um regime de incentivos financeiros à inovação na construção naval
e que o Regulamento de Apoio à Inovação na Construção Naval não está promulgado.

Conclusões e propostas

Inovação
Inovação nos serviços
Apesar das empresas nacionais integrarem um sector altamente competitivo, têm conseguido
acompanhar as exigências e as necessidades do mercado, tendo surgido novas áreas de negócio
específicas para o sector, tais como: gestão de plataformas electrónicas, nas quais se disponibiliza
informação ao nível dos vários parceiros; tecnologias de informação e comunicação; sistemas
informáticos e consultoria especializada.
Inovação nos processos

As empresas, de uma forma geral, têm alterado processos de produção. Desde as empresas que
fabricam através de processos mecânicos ( a maioria), às empresas que fabricam manualmente
determinados produtos, como é o caso dos flutuadores, todas sentem necessidade de evoluir para
subir na cadeia de valor.
Assiste-se, hoje, a uma nova racionalização do trabalho a qual, implicando a existência de pessoal
mais qualificado, tem permitido aumentar os níveis de produção e reduzir o emprego directo. O
próprio conceito de preparação de trabalho é diferente, concretizando-se desde logo ao nível do
empreiteiro que tem que inventar novas formas; à standardização de processos e rotinas que
induzem o efeito de escala e aumentam a eficiência; e do recurso intensivo à subcontratação, o que
contribui para optimizar recursos;

Existem tecnologias que não se encontram ainda suficientemente desenvolvidas no país tais como,
Pag. | 13
por exemplo, a de vácuo.

Inovação dos métodos de produção


O sector sofreu profundas alterações nos métodos de produção. Actualmente, existe nos estaleiros
uma linha de produção que envolve o corte e onde se formam conjuntos e blocos, sendo estes
últimos posteriormente montados na doca e enviados para o cliente por via marítima ou terrestre.

Inovação no produto
A inovação ocorre, desde logo, na concepção do produto ao nível dos desenhos, moldes, protótipos e
modelos próprios, o que permite que cada produto seja único. Tendo em consideração que os
produtos têm especificidades muito próprias e uma elevada probabilidade de se fabricarem séries
muito reduzidas ou mesmo de não se voltarem a repetir, e que, por sua vez, o mercado exige que as
concepções funcionais e a planificação dos detalhes se efectuem em curtos prazos de tempo e a
baixos custos, torna-se imprescindível apelar ao conhecimento e à alta tecnologia na concepção do
produto, recursos estes identificados pelas empresas como sendo os que mais criam vantagens
competitivas na indústria.
O sector tem acompanhado a evolução das matérias-primas e dos materiais, dependendo a utilização
de resinas, compósitos, poliéster e outros materiais compostos, do tipo do produto a fabricar e do
nível de qualidade a atingir.

Na indústria marítima utilizam-se produtos nocivos que criam problemas aos utilizadores no âmbito
da Higiene e Segurança no Trabalho. Uma vez que os produtos são muito eficientes, há dificuldades
em implementar no mercado novos produtos que, não sendo tão eficientes, não são nocivos para os
utilizadores nem tão agressivos para o ambiente.
A energia das ondas é uma indústria com elevado potencial de desenvolvimento no país que não tem
sido suficientemente aproveitada e dinamizada, havendo faltas de organização, sinergias e sentido
de conjunto por parte das organizações envolventes.

Inovação organizacional
O Diagnóstico Tecnológico dos Estaleiros de Construção e Reparação Naval (financiado pelo PRIME)
realizado às empresas do sector, detectou falhas ao nível das áreas da gestão, designadamente
liderança e comunicação interna. Revela existir, também, carências de formação profissional no
âmbito da especialização tecnológica, ambiental e de segurança.
As empresas mais competitivas destacam-se no mercado porque souberam adaptar-se e assumiram
novas formas de trabalho com outras empresas e fornecedores - subcontratação, parceria, rede -,
especializando-se em segmentos com maior valor acrescentado e onde aplicam conhecimento. É
comummente aceite que as empresas que não têm dinâmicas para o conhecimento têm tendência
para fechar.
Nos últimos anos houve grandes alterações na organização do trabalho que deu origem à criação de
um novo conceito - produção distribuída -, isto é, a maioria das empresas já não constrói nem repara
embarcações no seu todo, mas distribui o trabalho por um conjunto alargado de empresas
subcontratadas e especializadas no fabrico dos vários componentes. Paralelamente, assistiu-se à
alteração do perfil estrutural e dimensional das empresas que desenvolvem a actividade industrial no
sector - de grandes empresas passou-se para pequenas e médias.

O sector da construção e reparação naval subcontrata um elevado número de empresas. Muitas das
Pag. | 14
empresas representativas do sector não se encontram certificadas de acordo com as normas
europeias e internacionais porque não têm, nem previsivelmente terão, condições para tal. Esta
limitação impede-as de serem subcontratadas pelas empresas certificadas por um sistema de gestão,
apesar de deterem as competências técnicas e tecnológicas para produzir com qualidade. Muito
embora a indústria reconheça algumas vantagens inerentes à Certificação, considera, contudo, que é
um sistema dispendioso, burocrático, que contribui para criar dificuldades e tornar mais pesadas as
estruturas de um número elevado de PME.

A norma NP 4457 referente à gestão de sistemas de inovação, apesar de apresentar uma


metodologia rica e de permitir às empresas definir uma política de IDI e de alcançar os seus
objectivos de inovação de forma a antecipar o mercado e a identificar oportunidades de melhoria
acompanhando o desenvolvimento tecnológico, é muito pouco utilizada no sector.

Internacionalização
Portugal deve reforçar a sua presença no mercado externo.

Em determinados mercados, para vender o produto é importante recorrer à sua exposição física, o
que não é exequível para as empresas porque envolve elevados custos.

A candidatura apresentada pelo sector à CCDR, para a constituição de um cluster, pode contribuir
para dinamizar a imagem das empresas no mercado externo.

Existem apoios disponíveis em outros países que não estão a ser aproveitados pelas empresas
portuguesas lá instaladas, como por exemplo, Angola que apoia através de linhas de crédito as
empresas que exportam especificamente para Portugal.
Angola é um mercado em crescimento - tem um plano de reformulação da frota da marinha de
guerra (17 navios) que não está a ser aproveitado pelas empresas portuguesas.
Os seguros de crédito à exportação, designadamente da COSEC, limitam a apresentação de garantias
bancárias em determinados mercados, pelo que deverá ser criado um plafond de risco compatível
com o montante do negócio.
RESUMO DE CONCLUSÕES E PROPOSTAS

CONCLUSÕES PROPOSTAS

Existência de processos burocráticos e morosos  Potenciar a simplificação de processos.


na administração pública. Pag. | 15

Incapacidade da Administração Marítima e  Maior ligação entre o IPTM, a AIM e os


Portuária (AMP) para acompanhar, em tempo, o estaleiros para discussão e articulação na
desenvolvimento e produção de novos produtos resolução de constrangimentos à inovação do
e materiais de embarcações marítimo-turísticas. sector.

Níveis baixos de cooperação entre empresas, e  Promover a divulgação das entidades e suas
entre empresas e as entidades do sistema áreas de actuação.
científico e tecnológico.

Índices baixos de imagem e notoriedade no  Implementar um plano de marketing para o


sector e nas empresas. sector.

Políticas públicas desajustadas ao sector da  Alertar o Estado para a necessidade de se


construção e reparação naval. conferir maior prioridade à indústria naval
através de políticas públicas.
 Intervenção do IAPMEI junto das outras
estruturas públicas.
 Promover a criação de um cluster das
indústrias marítimas.

Dificuldades no acesso a apoios e ao  Simplificar o acesso aos sistemas de incentivos


financiamento. do QREN.
 Implementar, através de empresas
participadas do Estado, financiamento
inovador, à semelhança do que existe em
Espanha - Tax Leasing - Fundo de Investimento
específico para o sector naval (TYMAR), detido
por uma associação de empresas e constituído
por capitais públicos e privados.
 Promulgar o Regulamento de Apoio à Inovação
na Construção Naval.

Promover novas áreas de negócio.  Dinamizar a indústria da energia das ondas.


 Potenciar a criação de novas áreas de negócio
com base no conhecimento e maior valor
acrescentado.

Utilização de produtos nocivos.  Sensibilizar a indústria para a utilização de


novos produtos menos nocivos.
 Alterar regulamentação existente.

Muitas empresas do sector não possuem  Implementar um sistema de qualificação para


certificação pelo que não podem ser o produto: “Padrão de Qualidade”.
subcontratadas por outras.

Carência de formação profissional técnica e de  Criar cursos técnicos e de especialização Pag. | 16

especialização tecnológica tecnológica específicos para a construção


naval no norte e centro do país.

Gestão deficiente ao nível de liderança e  Exigir maior profissionalização dos quadros


comunicação interna. superiores das empresas.

Pouca utilização da norma NP 4457:2007 é muito  Promover os benefícios da certificação de


pouco utilizada no sector. sistemas de gestão da IDI de acordo com a
norma NP 4457:2007.

Há falta de imagem do sector no mercado  Promover a exportação.


externo.
 Criar um “Pavilhão de Portugal” para o sector
naval onde através de acções conjuntas se
promova a imagem das empresas portuguesas
e de Portugal.
 Reforçar estudos sobre prospecção e
divulgação de mercados na Europa.
 Promover o sector nos mercados africanos em
geral e, em particular, no Norte de África.
 Dinamizar e apoiar missões comerciais em
conjunto com outros sectores afins (pesca).
 Criar cluster com empresas contribui para
promover a imagem do sector no estrangeiro.

A exposição física dos produtos, apesar de  Interceder junto das entidades competentes,
importante, não é exequível para as empresas por exemplo, QREN e AICEP no sentido de
por que envolve elevados custos. serem apoiadas as despesas inerentes à
deslocação dos produtos e ao aluguer dos
espaços.
PLANO DE ACÇÃO

O debate realizado em torno dos temas propostos para a sessão de trabalho dos Encontros para a
Competitvidade com empresas das indústrias marítimas permitiu elencar um conjunto variado de
domínios em que se sugere a tomada de acção com o propósito de promover e potenciar o
crescimento e a qualificação da actividade empresarial destas actividades, traduzidas nas conclusões
e propostas dos três grupos de trabalho. Pag. | 17

O IAPMEI vai promover a elaboração de um plano de acção, através do qual irá procurar, no âmbito
da sua missão e das competências, encontrar soluções para fazer face às necessidades que foram
manifestadas pelas empresas participantes, tendo em conta as propostas que foram avançadas nos
debates realizados. Para isso, o IAPMEI conta com os parceiros da organização desta sessão dos
Encontros para a Competitividade, bem como de outras entidades da envolvente empresarial das
indústrias criativas que mostrem interesse em aderir.

No âmbito da realização desse plano de acção, o IAPMEI irá realizar visitas individuais às empresas
que participaram nesta sessão de trabalho com o objectivo de aprofundar o conhecimento sobre
cada uma delas e, desse modo, ficar em melhores condições para desempenhar a sua missão.
Para além destas visitas de recolha de informação sobre as empresas, identificação de necessidades
específicas e fornecimento de informação concreta sobre os apoios públicos que possam interessar a
cada empresa, o IAPMEI irá ainda disponibilizar junto de cada empresa a realização de uma auto-
avaliação às suas competências organizacionais.

Esta análise de competências contará com a assistência dos técnicos do IAPMEI. Na sequência de
cada exercício de análise de competências, o IAPMEI fornece às empresas um relatório detalhado
com o respectivo resultado, a identificação de pontos fortes e fracos relativamente a cada tipo de
competências e um conjunto de orientações que visam fundamentar uma estratégia de valorização
do capital humano da empresa.