DOS CRIMES CONTRA A PESSOA DOS CRIMES CONTRA A VIDA

SUJEITO PASSIVO: A vida começa com o início do parto, com o rompimento do saco amniótico. Antes do início do parto, o crime será de aborto. É suficiente a vida, sendo indiferente a capacidade de viver. SUJEITO PASSIVO ESPECIAL: Quando o sujeito passivo de homicídio for o presidente da república, do senado federal, da câmara dos deputados ou do STF, o crime será contra a segurança nacional (art. 29 da lei nº. 7170/83). TIPO SUBJETIVO: O elemento subjetivo que compõe a estrutura do tipo penal do crime de homicídio é o dolo, que pode ser direito ou eventual. Dolo é a consciência e a vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal. DOLO DE DANO: Trata-se de dolo de dano e não de perigo, uma vez que a subjetividade típica exige que o sujeito ativo tenha a intenção de realmente produzir dano no bem jurídico tutelado. DOLO EVENTUAL: O agente prevê o resultado como provável, mas, apesar de prevê-lo, age aceitando o resultado. Consente previamente no resultado, caso este venha a ocorrer. DOLO EVENTUAL E MERA ESPERANÇA: Dolo eventual não se confunde com mera esperança ou simples desejo de que o resultado aconteça, EX: o sujeito que manda seu adversário a um bosque, durante uma tempestade, na esperança de que seja atingido por um raio. EXCEPCIONALIDADE DA PROVA TESTEMUNHAL: Somente será admissível a prova testemunhal supletiva, quando também for impossível o exame de corpo de delito indireto, e não apenas o direto. Ademais, a própria confissão do acusado não supre a ausência dessa prova qualificada da materialidade de qualquer crime material que deixa vestígio.

que não interferem na estrutura da descrição típica. SOB O DOMÍNIO DE VIOLENTA EMOÇÃO: . instantâneo de efeitos permanentes. MOTIVO DE RELEVANTE VALOR MORAL: é aquele superior.INEXISTE DOLO ESPECIAL NA TENTATIVA: quem mata age com o mesmo dolo de quem tenta matar. 121 minoram a sanção aplicável ao homicídio. O valor social ou moral do motivo deve ser considerado sempre objetivamente. HOMICÍDIO SIMPLES E CRIME EDIONDO: Quando o homicídio é cometido em atividade típica de grupo de extermínio. material. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO: As circunstâncias especialíssimas elencadas no Pará 1º do art. Por essa razão. MOTIVO DE RELEVANTE VALOR SOCIAL: É aquele que tem motivação e interesses coletivos. 30. adequado aos princípios éticos dominantes. de dano. tornando-o um crimen exceptum. ou seja. segundo a média existente na sociedade. segundo a opinião do agente. e a provocação tem de ser injusta. é a chacina que elimina a vítima pelo simples fato de pertencer a determinado grupo ou determinada classe social ou racial. enobrecedor de qualquer cidadão em circunstâncias normais. Caracteriza-se a ação de extermínio mesmo que seja morta uma única pessoa. ( art. que permanece inalterada. não se trata de elementares típicas. desde que se aparente a impessoalidade da ação. as privilegiadoras não se comunicam na hipótese de concurso de pessoas. e não subjetivamente. Extermínio é a matança generalizada. CP). é definido como crime hediondo. logo em seguida a injusta provocação da vítima: a intensidade da emoção deve ser de tal modo que o sujeito seja dominado por ela. mesmo por um único executor. sob o domínio de violenta emoção. a motivação fundamenta-se no interesse de todos os cidadãos de determinada coletividade. mas de causas de diminuição de pena. isto é. doloso ou culposo. segunda aquilo que a moral média reputa nobre e merecedor de indulgência. a reação de ser imediata. Faz-se necessário que se trate de valor considerável. Contudo. FIGURAS PRIVILEGIADORAS DE HOMICÍDIO: As formas privilegiadas são as seguintes: impelido por motivo de relevante valor moral ou social. CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA: Crime comum.

pois é indiferente que o crime seja praticado algum tempo depois da injusta provocação da vítima. sendo indiferente. de emboscada. ele se encontra sob a influencia da emoção. que exigem que aquele se encontre dominado pela emoção violenta. o requisito temporal.65. fogo. o agente age sob o domínio de violenta emoção. o mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne .III.Somente a emoção intensa. ou de que possa resultar perigo comum. por absoluta incompatibilidade. em razão dos motivos que a eclodiram. b) injusta provocação da vítima. dominando. ficam prejudicados os quesitos referentes às qualificadoras subjetivas. asfixia. nesse caso. No entanto. que seja capaz de reduzir quase que completamente a vis electiva. c. I e II. MERA INFLUÊNCIA DA EMOÇÃO: Na hipótese do art. e logo após a provocação da vítima. quando os quesitos da defesa não precedem aos das circunstancias agravantes. violenta. os requisitos da terceira privilegiadora são:a) emoção violenta. c) modos: à traição. na atenuante genérica. ‘’ SOB O DOMÍNIO’’ E ‘’ SOB A INFLUENCIA’’: DISTINÇÃO A distinção situa-se na intensidade da emoção sentida e na imediatidade da reação. absorvente. b) meios: com o emprego de veneno. nada impede que as privilegiadoras concorram com as qualificadoras objetivas. ao contrário dos casos de minorantes. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO E CRIME HEDIONDO: HOMICÍDIO QUALIFICADO As circunstâncias que qualificam o homicídio dividem-se em: a) motivos: paga ou promessa de recompensa ou outro motivo torpe ou fútil. tortura ou outro meio insidioso ou cruel. No homicídio privilegiado. segundo os termos legais. CONCURSO COM QUALIFICADORAS SUBJETIVAS: Estas privilegiadoras não podem concorrer com as qualificadoras subjetivas. No caso da atenuante não há a exigência do requisito temporal ‘’ logo em seguida’’. Assim sendo. Respondendo positivamente os quesitos das privilegiadoras. REDUÇÃO OBRIGATÓRIA: Súmula162 do STF: ‘’ É absoluta a nulidade do julgamento pelo júri. o agente estaria apenas sob a influência da violenta emoção. o próprio autocontrole do agente. explosivo. c) imediatidade entre provocação e reação.

.impossível a defesa do ofendido. EMPREGO DE VENENO: MEIO INSIDIOSO O emprego de veneno é um meio insidioso excepcional. consequentemente. Os mandados gratuitos não qualificam o crime. o homicídio é cometido para garantir a prática de outro crime ou evitar a sua descoberta. ENGANADOR. Falase em qualificadora por conexão. d) fins: para assegurar a execução. modos e fins que qualificam o homicídio referem-se a exacerbação da natureza ilícita da conduta. são incomunicáveis. INCOMUNICABILIDADE DOS MOTIVOS: Os motivos que qualificam o crime de homicídio. ABRANGÊNCIA DO DOLO: NECESSIDADE Os meios. INSIDIOSO = TRAIÇOEIRO. ser excluídos pela ocorrência de erro. e não constituem elementares típicas. segundo o melhor entendimento doutrinário. se tiver o propósito de causar grave sofrimento à vítima. Incidiu PERGUNTA: QUANDO O AGENTE DO DELITO INCIDE EM MAIS DE UMA QUALIFICADORA OBJETIVA COMO COM EMPREGO DE FOGO E VENENO QUAL A PENA QUE INCIDE SOB ELE? PARA ASSEGURAR A EXECUÇÃO. integrando a própria figura típica. onde não haja acordo prévio. pois a motivação é individual. DESCARACTERIZAÇÃO DO VENENO: Sua administração forçada ou com conhecimento da vítima não qualifica o crime. podendo. e o seu êxito está vinculado exatamente à dissimulação no emprego. tampouco eventuais benefícios concedidos a posteriori. O outro crime pode ser praticado por outra pessoa. PÉRFIDO. OCULTAÇÃO. Se for ministrado com violência poderá caracterizar o meio cruel lato sensu. razão pela qual deve ser abrangidos pelo dolo. IMPUNIDADE OU VANTAGEM DE OUTRO CRIME: Estas qualificadoras constituem o elemento subjetivo do tipo. na hipótese de concurso de pessoas. ocultação. Neste caso. impunidade ou vantagem de outro crime. representado pelo especial fim de agir. mas não constituirá meio insidioso. MANDADOS GATRUITOS: NÃO QUALIFICAM A maior reprovabilidade do crime mercenário repousa na venalidade do agente.

inexistindo. a participação. Quando for observado o dever de cautela. naquele crime cujo resultado preterdoloso foi maior do que o inicialmente pretendido pelo agente. não se poderá falar em crime culposo. Nessas circunstâncias. Pode haver na verdade um vínculo subjetivo na realização da conduta. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIME CULPOSO: A doutrina Brasileira. com mais cuidado. MARJORANTE OBJETIVA: Trata-se de caso de aumento de natureza objetiva e de aplicação obrigatória incidindo sempre que o homicídio for praticado contra menor de 14 anos dolosamente. rechaçando. que é voluntária. o agente quer o resultado em razão de a sua vontade encontrar-se viciada por um erro que. Art. dever-se-á concluir pela solução menos grave: culpa consciente. Tentativa no homicídio preterintencional: A tentativa é inadmissível no homicídio preterintencional. DÚVIDA: DOLO EVENTUAL OU CULPA CONSCIENTE A distinção entre dolo eventual e culpa consciente resume-se na aceitação ou rejeição da possibilidade de produção do resultado. Par único. é necessário que este seja causa daquele. em qualquer de suas modalidades: simples. privilegiado ou qualificado. ou. que não é desejado. são co-autores. em outros termos. agindo sem a atenção devida. poderia ser evitado. B) INCONSCIENTE. Os que cooperam na causa. e ainda assim o resultado ocorrer. à unanimidade. isto é. . Persistindo a dúvida entre um e outra. admite a co-autoria em crime culposo. contudo.HOMICÍDIO CULPOSO As legislações modernas aplicam o princípio da excepcionalidade do crime culposo. isto é. contudo. 18. CULPA IMPRÓPRIA E ERRO CULPOSO: A culpa imprópria decorre do erro de tipo evitável nas descriminantes putativas ou dos excessos nas causas de justificação. ESPÉCIES DE CULPA: A) CONSCIENTE. RELAÇÃO CAUSAL: É indispensável que o resultado seja conseqüência da inobservância do cuidado devido. tal vínculo em relação ao resultado. na falta do dever de cuidado objetivo.

a capacidade de resistência. é o autor mediato. TIPO OBJETIVO: A participação pode ser física ou moral: três são as formas previstas: induzir (incitar). no caso. AÇÃO PENAL: Pública incondicionada. . Aumento de pena Parágrafo único. CP: induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena: reclusão. venha a se matar). não pode haver auxílio por omissão. se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. em 1993 o senado votou uma lei reconhecendo a título excepcional a ‘’MORTE DOCE’’. ao contrário da qualificadora que integra a tipicidade. que. A pena é duplicada: I se o crime é praticado por motivo egoístico. se o suicídio se consuma. ou reclusão. senão o crime poderá ser de homicídio). agindo inculpavelmente. Sujeito passivo: qualquer pessoa ( desde que tenha discernimento. ART.122.MAJORANTES DO HOMICÍDIO: A majorante representa um plus de culpabilidade. PUNIBILIDADE EXCLUSIVA DO COATOR: Na hipótese de irresistibilidade da coação pune-se. por qualquer causa. II se a vítima é menor e tem diminuída. no sentido de que a vítima. de 1 a 3 anos. Não há propriamente concurso de pessoas. uma vez que o executor é mero instrumento . TIPO SUBJETIVO: dolo ( vontade livre e consciente de praticar a conduta prevista) e o elemento subjetivo do tipo ( conduta séria do agente. mas simples autoria mediata. exclusivamente. de 2 a 6 anos. DOENTES TERMINAIS (SUICÍDIO ASSISTIDO): Na frança embora a eutanásia não esteja legalizada. instigar ( estimular ideia já existente) e auxiliar ( ajudar materialmente). o coator. efetivamente. em todas as formas.

Sujeito ativo: só a mãe (crime próprio). quando a mãe pratica o fato já estando a criança morta. Se ausente o elemento fisiopsicológico ou temporal. material. alternativo quanto à conduta. entretanto. precisa ter certo entendimento senão. Se a vítima é menor: deve ser menor de 18 anos. matar. de 2 a 6 anos. CONFRONTO: se o crime ocorre antes do nascimento. CONFRONTO: poderá haver homicídio se a vítima é forçada a suicidar-se. o próprio filho. durante o parto ou logo após: Pena – detenção. doloso. Sujeito passivo: o recém-nascido ou o feto que está nascendo. não o feto sem vida própria nem o abortado ou inviável. inadmissível. ou não tem resistência alguma.17. o crime será de aborto. mas deve ser cometido durante ou logo após o parto.É um crime material. instantâneo. Classificação: crime comum quanto ao sujeito. Tentativa: é admissível. dada a sua grande frequência. Tipo subjetivo: Dolo. comissivo. constituindo elemento subjetivo do tipo. doloso. na forma direta ou eventual. comissivo ou omissivo. pode constituir homicídio.123. material e de dano( lesão efetiva. Tipo objetivo: o delito pode ser praticado por qualquer meio. sub a influência do estado puerperal. Trata-se de motivo de agir. de dano. Objeto jurídico: a preservação da vida humana. . ESTADO PUERPERAL: a influência do estado puerperal é efeito normal e corriqueiro de qualquer parto e. instantâneo. a influência deve ser admitida sem maior dificuldade. Erro: pode haver crime impossível art. INFANTICÍDIO Art. até mesmo por omissão. poderá haver homicídio. Concurso de pessoas: CLASSIFICAÇÃO: crime próprio quanto ao sujeito. CP. MOTIVO EGOÍSTICO: é a vantagem pessoal.

Art. ABORTO PROVOCADO CONSENTIMENTO: PELA GESTANTE OU COM O SEU ART. de 1 a 3 anos. art. no provocado por terceiro são o feto e a gestante. 128: não se pune o aborto praticado por médico: ABORTO NECESSÁRIO: I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante. se a gestante sofre lesão corporal de natureza grave. Não há forma culposa. originar) tem forma livre e pode ser praticada por qualquer meio. 125. Tipo objetivo: A ação de provocar( dar causa. provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena – 1 a 4 anos. II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou. com a morte do feto. Sujeito passivo: no auto aborto é o feto ( posição não pacificada pela doutrina). de 3 a 10 anos. Provocar aborto sem o consentimento da gestante: Pena – reclusão.Concurso: pode haver concurso material com o crime de ocultação de cadáver( TJSP). Tipo subjetivo: Dolo ( vontade livre e consciente de interromper a gravidez e causar a morte do produto da concepção). de seu representante legal. ART. lhe sobrevém a morte. se por qualquer causa. tanto comissivo como omissivo. provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque: Pena: detenção. .127. quando incapaz. direto ou eventual. Consumação: com a morte do feto ou destruição do óvulo. há crime impossível (CP. é a interrupção intencional do processo de gravidez. 17). 126. Crime impossível: em caso de errônea suposição da gravidez. ABORTO: NOÇOES: Para efeitos penais. FORMA QUALIFICADA: ART.124.

indicando. apenas. de dano. CONCURSO DE PESSOAS: quem auxilia a gestante. Em ambos os casos.. na hipótese do inciso I. Entretanto. acobertada pela excludente do estado de necessidade. ( aborto com consentimento da gestante ou consensual). (b). 126. quem pratica os atos materiais do aborto incorre nas penas do art. com consentimento da gestante a que outrem lhe provoque o aborto. o legislador declara lícito o aborto. será copartícipe do crime do art.: enfermeiras. 2. Contra: o crime maior ( homicídio qualificado) absorve o menor (aborto). outra pessoa não habilitada poderá fazer a intervenção. material. Todavia. 126. Na segunda figura ( consentimento) o crime é duplo. HOMICÍDIO DE MULHER GRÁVIDA: Não há que se falar em aborto se o autor do homicídio não atuou com dolo de interromper a gravidez da vítima. 124 e não do art. 124. incide no art. efetivo e instantâneo. uma vez que ele não sabia do estado desta.. acompanhando. Aborto necessário.126 deve ser reservada. doloso ( preterdoloso na figura qualificada). a quem eventualmente auxilie o autor na execução material do aborto (exs.CLASSIFICAÇÃO: Crime próprio ou comum quanto ao sujeito. NOÇÃO: o art. comissivo ou omissivo. 124 contém duas figuras : aborto provocado pela própria gestante (autoaborto). Por quem sabia da gravidez. quando urgente a necessidade de salvar a vida da gestante. . A coautoria do art.128 exige que o aborto seja praticado por médico. A gestante que consente em que outrem lhe pratique o aborto. Aborto sentimental. o art. induzindo. havendo concurso formal entre o homicídio simples e o aborto.. na falta de médico. excluindo a sua antijuridicidade: 1. pagando etc. Impunível: Em duas hipóteses diferentes. instigando.). pode configurar aborto na forma de dolo eventual. anestesista etc.

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