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ESTADO DE S. PAULO

SEGUNDA-FEIRA, 2 DE SETEMBRO DE 2013 Política

A5

ROBERTO STUCKERT FILHO/PR - 09/08/2013

‘Porta de saída’ deve ser o foco dos Estados

Especialistas dizem ser esse o caminho para reduzir dependência das famílias mais pobres; maior adesão é em convênios para qualificação profissional

Especialistas defendem que a

aberturadaschamadas portas desaídaparaas famíliasem si- tuação de extrema pobreza e que ainda dependem de pro- gramas de transferência de renda para sobreviver deve

serumadasprincipaispreocu-

pações dos governadores. Le- vantamento feitopelo Estado mostra,porém, que os progra- mas montados com esse obje- tivo ainda são pouco focados.

Hoje, em Brasília, começa

uma reunião de dois dias para

a avaliação das experiências

que estão sendo desenvolvidas nos Estados na área de comba- te à miséria. O encontro, que terá representantes de todo o

País, vai ter como um dos pon- tos mais importantes justamen-

te essa discussão.

No levantamento feito pela reportagem junto às secreta- riais estaduais que atuam na área social, a maioria declarou

manter convênios com o gover- no federal para a execução de programas de inclusão produti- va tanto na área urbana quanto na rural. Poucos assessores, po- rém, conseguiram definir esses programas com clareza e apon- tar resultados. Também foram frequentes re-

ferências à expansão de cursos de qualificação profissional co- moformadeestimularportasde saída. Nesse caso vale citar o ca- so do Rio Grande do Sul, onde o governadorTarsoGenro,doPT,

Papel estadual

“Os Estados deveriam reforçar seu papel de coordenador e capacitador das ações municipais,

na formulação de diagnósticos regionais”

Renata Bichir

PESQUISADORA DO CEBRAP

introduziuumanovidadenopro-

grama de transferência de renda

quepactuoucomogovernofede-

ral:acrescentouumbônusdeR$ 50 para beneficiários do Bolsa Família que se matricularem nos cursos de qualificação.

Ranking. A medida pode ter estimulado uma adesão maior ao Pronatec, programa do Mi- nistério da Educação que des- de 2011 tem um braço voltado especialmente para o Brasil Sem Miséria. De acordo com o último balanço feito pelo Mi- nistério do Desenvolvimento Social, do total de 619.208 pes- soasinscritasemcursos dequa-

lificação profissional até o iní- cio de agosto, 81.406 estavam no Rio Grande do Sul – o líder no ranking de matrículas.

res figuram unidades federativas

governadas por tucanos: Minas, com58.061inscrições;e SãoPau-

por tucanos: Minas, com58.061inscrições;e SãoPau- Profissionalizante. Alunos do Pronatec no Rio Grande do Sul

Profissionalizante. Alunos do Pronatec no Rio Grande do Sul

se e Planejamento (Cebrap) e autora de uma estudo sobre as articulações do Bolsa Família com Estados e municípios, os governadorespodem terumpa- pel decisivo na questão das cha-

radoCentroBrasileirodeAnáli- madas portas de saída.

lo, com 44.907. Pernambuco, co- mandado pelo provável candida- to à Presidência Eduardo Cam-

Emsegundoeemterceiroluga- pos(PSB),éoquarto,com41.010.

Naavaliaçãodacientistapolí-

tica Renata Bichir, pesquisado-

“A transferênciaderenda fun-

cionabem.Ogargaloestáemou-

troslugares, noacessodas famí-

lias em situação de miséria aos serviços públicos e à inclusão produtiva”, diz ela. “Os Estados deveriam reforçar seu papel de coordenador e capacitador das ações municipais, na formula- ção de diagnósticos regionais, nas articulações de oportunida- des deinclusão produtiva.Ogo- verno federal tem dados gerais, mas a inclusão obedece a dinâ- micas regionais.”

OtitulardaSecretariaExtraor-

dinária para Superação daExtre-

maPobreza,TiagoFalcão,obser-

va que as experiências variam

muito de um Estado para outro.

“NoRioGrandedoSul,SantaCa-

tarina e Maranhão a articulação

sefazsobretudoemtornodoPro-

natece da qualificação profissio-

nal”, diz. “O governo da Bahia tem dado mais atenção ao em- preendedorismo: uma série de

pessoasdoBolsaFamíliaestãovi-

randomicroempreendedores.” Há Estados que ainda estão num estágio anterior, onde a principal preocupação é procu- rar famíliasemsituaçãodemisé- ria que até agora não fazem par- te do Cadastro Único do gover- no federal.É o caso do Pará, que focaliza suas ações sobretudo em mutirões de busca ativa no interior do Estado. / ROLDÃO

ARRUDA, LILIAN VENTURINI e VALMAR HUPSEL FILHO

L D Ã O ARRUDA, LILIAN VENTURINI e VALMAR HUPSEL FILHO Entidades cobram ampliação de programa
L D Ã O ARRUDA, LILIAN VENTURINI e VALMAR HUPSEL FILHO Entidades cobram ampliação de programa

Entidades cobram ampliação de programa de Campos

Angela Lacerda / RECIFE

ampliação de programa de Campos Angela Lacerda / RECIFE lhadores da fruticultura do ser-

lhadores da fruticultura do ser-

tãodoRioSãoFranciscoepesca-

Oprincipalprogramadetransfe- dores artesanais.

rência de renda do governador e presidenciável Eduardo Cam-Oprincipalprogramadetransfe- dores artesanais. Os trabalhadores recebem R$ 246 – o equivalente a meio

Os trabalhadores recebem R$ 246 – o equivalente a meio salá-

rio mínimo. Cada família só po- de ter um beneficiário. No ano passado foram concedidos 54.963 benefícios, com recursos no valor de R$ 41,7 milhões. A contrapartida exigida é a fre- quência dos inscritos a cursos

pos (PSB) é o Chapéu de Palha.

AçãocomplementardoBolsaFa-

mília, destina-se a diminuir os problemas dos trabalhadores da cana-de-açúcar, na zona da ma- ta pernambucana, na fase de en- tressafra, quando o desemprego

aumenta.Tambématendetraba- de qualificação profissional.

co Pascoal, também aponta fa- lhas na inserção das pessoas no mercado de trabalho. Segundo suas informações, é pequeno o porcentualdecanavieirosque fi- zeram cursos de qualificação e

foramaproveitadospelasempre-

plicaosecretáriodePlanejamen- sas do complexo portuário e in-

danças. “O objetivo é atingir o maior número de famílias”, ex-

Entidades de representação dos trabalhadores reivindicam a extensão do benefício a mais de umapessoada família.Masogo- verno não pretende fazer mu-

dustrial de Suape. O secretário Amâncio assina- laquenemsempreépossíveldar

to e Gestão, FredericoAmâncio, que coordena o programa. No sertão pernambucano, o

presidentedoSindicatodosTra- ao trabalhador um nível de for-

balhadoresdePetrolina,Francis- mação quelhe garantamaior es-

tabilidade. Muitos não tiveram acessoao ensino básico,explica. Parao secretário, oChapéude Palha não deve ser visto como programa de transferência de renda,porqueseusobjetivossão

maisamplos:“Elecriaperspecti-

vas de vida”.

Rurais e estudantes. Alagoas

eSergipe tambémmantêm pro- gramasde transferência de ren- da na zona rural em determina-

das épocas do ano. O Sergipe Mão Amiga atende trabalhado-

resdasculturasdacana-de-açú-

car e da laranja. UmnúmeromaiordeEstados – São Paulo, Amazonas, Amapá, Rio de Janeiro e Minas Gerais –

tem ações específicas para jo- vens estudantes de famílias em

situaçãodemiséria,comoobjeti-

vo de evitar evasão escolar. O programa Ação Jovem, mantido pelo governador tucano Geral- do Alckmin, beneficiou 103 mil jovensem 2012,mobilizandoR$

95,7 milhões. / COLABORARAM R.A., L.V., V.U.F e MARCELO PORTELA

Alckmin, beneficiou 103 mil jovensem 2012,mobilizandoR$ 95,7 milhões. / COLABORARAM R.A., L.V., V.U.F e MARCELO PORTELA