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Sumário

1.

PROGRAMA DA DISCIPLINA

1

1.1 EMENTA

1

1.2 CARGA HORÁRIA TOTAL

1

1.3 OBJETIVOS

1

1.4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

2

1.5 METODOLOGIA

2

1.6 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

2

1.7 BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

2

CURRICULUM VITAE DO PROFESSOR

3

2.

MATERIAL DE APOIO TEÓRICO

4

2.1

REVISÃO DE TÓPICOS DE MATEMÁTICA ELEMENTAR

4

2.1.1 DEFINIÇÕES DE NÚMEROS

4

2.1.2 PORCENTAGEM (DEFINIÇÃO E OPERAÇÕES)

5

2.1.2.1 Adição Percentual

6

2.1.2.2 Subtração percentual

7

2.1.3 RAZÕES E PROPORÇÕES

7

2.1.4 POTÊNCIA

7

2.1.5 RADICIAÇÃO

8

2.1.6 LOGARITMOS

8

 

2.1.6.1

Propriedades básicas dos logaritmos

9

2.1.7 EQUAÇÕES

9

2.1.8 SISTEMAS DE EQUAÇÕES LINEARES

12

 

2.1.8.1

Método da substituição para solução de sistemas

12

2.2

JUROS SIMPLES E JUROS COMPOSTOS

13

2.2.1

JUROS

13

2.2.1.1 Taxa de Juros

14

2.2.1.2 Regras básicas

15

2.2.1.3 Regimes de capitalização dos juros

15

2.2.1.4 Aplicações práticas dos juros simples e compostos

17

2.2.1.5 Capitalização contínua e descontínua

18

 

2.2.2

JUROS SIMPLES

18

2.2.2.1 Fórmulas de juros simples

18

2.2.2.2 Montante e capital

19

2.2.2.3 Taxas proporcionais e taxas equivalentes

20

2.2.2.4 Juro exato e juro comercial

21

 

2.2.3

JUROS COMPOSTOS

22

ii

2.2.3.1

Fórmulas de juros compostos

22

2.2.3.2 Taxas equivalentes em juros compostos

26

2.2.3.3 Taxa nominal e taxa efetiva

29

2.2.4

CONVENÇÕES LINEAR E EXPONENCIAL

31

2.2.4.1 Convenção linear

31

2.2.4.2 Convenção exponencial

31

2.3

DESCONTOS SIMPLES E COMPOSTOS

33

2.3.1

DESCONTO SIMPLES

33

2.3.1.1 Desconto racional (ou “por dentro”)

34

2.3.1.2 Desconto comercial (ou “por fora”)

35

2.3.1.3 Despesas bancárias

36

2.3.1.4 Taxa implícita de juros no desconto comercial simples

37

2.3.1.5 Taxa efetiva de juros

38

2.3.1.6 O prazo e a taxa efetiva de juros no desconto bancário

38

2.3.2

DESCONTO COMPOSTO

39

2.3.2.1 Desconto comercial composto

39

2.3.2.2 Desconto racional composto

40

2.4

FLUXOS DE CAIXA

41

2.4.1 MODELO PADRÃO

42

2.4.2 VALOR PRESENTE (PV)

43

2.4.3 VALOR FUTURO (FV)

46

2.4.4 EQUIVALÊNCIA FINANCEIRA E FLUXOS DE CAIXA

48

2.4.5 FLUXOS DE CAIXA NÃO CONVENCIONAIS

51

2.4.5.1 Quanto ao início da ocorrência

51

2.4.5.2 Quanto à periodicidade

54

2.4.5.3 Quanto à duração

55

2.4.5.4 Quanto aos valores

57

2.4.6

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

58

2.5

SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO

67

2.5.1

SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO CONSTANTE (SAC)

68

2.5.1.1 Expressões de cálculo do SAC

70

2.5.1.2 SAC com carência

72

2.5.2

SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO FRANCÊS - SAF

75

2.5.2.1 Expressões de cálculo do SAF

77

2.5.2.2 Sistema de Amortização Francês com carência

79

2.5.3

TABELA PRICE

81

3. SLIDES DA DISCIPLINA

83

4. LISTA DE EXERCÍCIOS

130

 

5. ANEXOS

135

5.1 QUESTÕES ADICIONAIS

135

5.2 FORMULÁRIO PADRÃO FORNECIDO NA PROVA

136

5.3 DEMONSTRAÇÕES DE FÓRMULAS

139

5.3.1 AMORTIZAÇÕES NO SAF

139

5.3.2 JUROS TOTAIS NO SAC

140

5.4

EXEMPLOS DE SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO COM TAXAS PÓS-FIXADAS

141

iii

1

1

1. Programa da disciplina

1.1 Ementa

Juros simples e juros compostos. Cálculo dos juros com prazos fracionários:

convenções linear e exponencial. Tipos de taxas. Taxas efetivas, nominais e equivalentes. Fluxos de caixa. Séries uniformes e não-uniformes. Valor presente e valor futuro de fluxos de caixa. Anuidades e perpetuidades. Sistemas de amortização. Tabela Price e Sistema de Amortização Constante. Sistemas de desconto. Descontos racionais e comerciais (simples e compostos).

1.2 Carga horária total

24 horas – aula.

1.3 Objetivos

Dar um sólido embasamento teórico indispensável às demais disciplinas

financeiras. Propiciar um amplo entendimento do cálculo do valor do dinheiro no tempo.

Compreender o cálculo do valor presente e do valor futuro de quaisquer fluxos de caixa. Adequar o profissional à utilização de uma calculadora financeira.

2 1.4 Conteúdo programático Conceitos Básicos Matemática Financeira: o valor do dinheiro no tempo Juros

2

1.4 Conteúdo programático

Conceitos Básicos

Matemática Financeira: o valor do dinheiro no tempo Juros e taxas de juros Regimes de capitalização

Juros Simples

Conceitos Características: lei de formação, fórmulas e gráficos Montante e capital Taxas de juros proporcionais

 

Juros Compostos

Conceitos Características: lei de formação, fórmulas e gráficos Montante e capital Equivalência de taxas de juros Convenções linear e exponencial para períodos não inteiros

 

Fluxos de Caixa

Classificação dos fluxos de caixa Séries uniformes: anuidades e perpetuidades Valor presente e valor futuro de séries de pagamentos Carência

Sistemas de

Conceitos básicos Sistema de Amortização Francês e Tabela Price Sistemas de Amortização Constante, Misto e Americano

Amortização

Sistemas de

Conceitos básicos Desconto racional simples Desconto racional composto Desconto comercial simples Desconto comercial composto Taxa implícita nas operações de desconto bancário

Desconto

1.5 Metodologia

Aulas expositivas com ampla resolução de exercícios com utilização de calculadora financeira. É indispensável a utilização da calculadora financeira HP-12C.

1.6 Critérios de avaliação

Os participantes serão avaliados através de prova individual, sem consulta.

1.7 Bibliografia recomendada

Assaf Neto, Alexandre. Matemática Financeira e suas aplicações 8ª Ed. São Paulo: Atlas, 2003.

Puccini, Abelardo de Lima. Matemática Financeira. 5ª Ed. Rio de Janeiro: LTC,

1993.

Juer, Milton. Matemática Financeira. 5ª Ed. Rio de Janeiro: IBMEC, 1995.

Faro, Clóvis de. Princípios e Análise do Cálculo Financeiro. Rio de Janeiro: LTC,

1990.

3 Curriculum vitae do professor FERNANDO MENDONÇA DA FONSECA. Mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade

3

Curriculum vitae do professor

FERNANDO MENDONÇA DA FONSECA. Mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Itajubá – UNIFEI. Pós-graduado em Análise de Sistemas pela PUC-RJ. MBA em Finanças pelo IBMEC Business School, Rio de Janeiro. Professor da FGV Management de Matemática Financeira, Finanças Corporativas, Mercados Derivativos Financeiros, Análise de Projetos de Investimento, Carteiras de Investimentos, Finanças para Marketing e Finanças Internacionais. Engenheiro eletricista de Furnas Centrais Elétricas S.A.

4

4

2. Material de Apoio Teórico

2.1 Revisão de tópicos de Matemática Elementar

O estudo da matemática financeira envolve a necessidade do conhecimento prévio de alguns tópicos de matemática elementar. A leitura deste item é opcional, pois visa tão somente revisar alguns temas julgados essenciais a uma melhor compreensão dos assuntos abordados nos itens que se seguem.

Após a leitura deste item espera-se que o aluno:

tenha uma clara definição dos conceitos de porcentagem, potenciação, radiciação e logaritmos; saiba identificar uma progressão, caracterizando-a como geométrica ou aritmética; compreenda o desenvolvimento de todos os assuntos desenvolvidos na apostila, dado que todos estão matematicamente fundamentados no conteúdo aqui apresentado.

2.1.1 Definições de números

Vamos começar recordando os conjuntos de números. As definições são as seguintes:

a) NúmerosNúmerosNúmerosNúmeros NaturaisNaturais:NaturaisNaturais representados pela letra , são aqueles provenientes dos processos de contagem na natureza. Exemplos: 0, 1, 2, 3, 4, 5,

b) NúmerosNúmerosNúmerosNúmeros InteirosInteiros:InteirosInteiros representados pela letra , são os números naturais e seus

opostos. Exemplos:

,

-5, -4, -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, 4, 5,

c) NúmerosNúmerosNúmerosNúmeros RacionaisRacionais:RacionaisRacionais representados pela letra , são os números que podem ser

escritos sob a forma de fração, em que o numerador é um número inteiro e o

denominador é um número inteiro, exceto o zero (0). Exemplos: -5

2

, 13

7

,

d) NúmerosNúmerosNúmerosNúmeros IrracionaisIrracionaisIrracionaisIrracionais: representados pela letra I, são os números que não podem

representados pela letra I, são os números que não podem ser escritos sob a forma de
representados pela letra I, são os números que não podem ser escritos sob a forma de

ser escritos sob a forma de fração. Exemplos: 2, 3 ,

e) NúmerosNúmerosNúmerosNúmeros ReaisReais:ReaisReais representados pela letra , representam a união dos conjuntos

e I. Exemplos:

2,
2,
a i s representados pela letra , representam a união dos conjuntos e I. Exemplos: 2,

3 ,

5 f) NúmerosNúmerosNúmerosNúmeros Complexos:Complexos:Complexos:Complexos: representados pela letra , são os

5

f) NúmerosNúmerosNúmerosNúmeros Complexos:Complexos:Complexos:Complexos: representados pela letra , são os números escritos sob a forma (a + jb), onde a e b são números reais que corespondem aos coeficientes das

parte real e imaginária, respectivamente, e j =

das parte real e imaginária, respectivamente, e j = 1 . Exemplos: 2 + j3, -5

1 . Exemplos: 2 + j3, -5 + j12,

2.1.2 Porcentagem (definição e operações)

Porcentagem (ou percentagem) é a fração de um número inteiro expressa em centésimos. Representa-se com o símbolo % (lê-se "por cento"). Os cálculos de porcentagens são muito usados na indústria, finanças e no mundo científico para avaliar resultados.

finanças e no mundo científico para avaliar resultados. Ao abrir um jornal, ligar uma televisão, olhar

Ao abrir um jornal, ligar uma televisão, olhar vitrines, é comum depararmos com expressões do tipo:

a inflação do mês foi de 4% (lê-se quatro por cento) desconto de 10% (dez por cento) nas compras à vista. O índice de reajuste salarial de março é de 0,6% (seis décimos por cento)

A porcentagem é um modo de comparar números usando a proporção direta, onde

uma das razões da proporção é uma fração cujo denominador é 100. Toda razão a

b

na qual b =100 chama-se porcentagem.

6 Exemplos: (a) Se há 30% de meninas em uma sala de alunos, pode-se comparar

6

Exemplos:

(a) Se há 30% de meninas em uma sala de alunos, pode-se comparar o número de

meninas com o número total de alunos da sala, usando para isto uma fração de

denominador 100, para significar que se a sala tivesse 100 alunos então 30 desses

alunos seriam meninas. Trinta por cento é o mesmo que

30

100

= 30%

(b) Calcular 40% de R$300,00 é o mesmo que determinar um valor X que

represente em R$300,00 a mesma proporção que R$40,00 em R$100,00. Isto pode

ser resumido na proporção:

40

100

=

X

300

Como o produto dos meios é igual ao produto dos extremos, podemos realizar a

multiplicação cruzada para obter:100 X = 12000 X = 120 .

Logo, 40% de R$300,00 é igual a R$120,00.

(c) Li 45% de um livro que tem 200 páginas. Quantas páginas ainda falta ler?

o que implica que 100X=9000, logo X=90. Como eu já li 90 páginas, ainda faltam

200-90=110 páginas.

45

=

X

100

X =

9000

X =

90.

100

200

Para calcularmos uma porcentagem p% de V, basta multiplicarmos a fração por V.

p

p% de V = 100

Exemplo:

23% de 240 =

V

23

100

240

=

0,23 240

= 55,2.

2.1.2.1 Adição Percentual

Se 25% de 40 é igual a 10, então 40 + 25% será igual a 40 + 10 = 50. Esta operação pode ser entendida como:

7

7

(40 1) + (40 0, 25) = 40 (1+ 0,25) = 50.

Sendo assim, quando se diz c + x%, deve-se entender como c + x% de c.

2.1.2.2 Subtração percentual

Analogamente ao caso da adição percentual, se 25% de 40 é igual a 10, então 40 - 25% será igual a 40 - 10 = 30. Esta operação pode ser entendida como

(40 1)

(40

0,25)=

40

(1

0,25=)

30.

Sendo assim, quando se diz c - x%, deve-se entender como c - x% de c.

2.1.3 Razões e proporções

A palavra razão vem do latim ratio e significa a divisão ou o quociente entre dois

números A e B, denotada por:

A

B

Exemplo: A razão entre 12 e 3 é 4 porque

12

3

= 4

. A razão entre 3 e 6 é 0,5 pois

3

6

= 0,5.

A

palavra proporção vem do latim proportione e significa uma relação entre as

partes de uma grandeza, ou seja, é uma igualdade entre duas razões. A proporção

entre A/B e C/D é a igualdade:

A C

=

B D

A C

=

B os números A e D são denominados extremos enquanto

os números B e C são os meios. Vale a seguinte propriedade: o produto dos meios

é igual

conhecida como regra de três simples.

A D = B C . Esta propriedade é

Numa proporção:

D

ao produto dos extremos,

isto

é:

2.1.4 Potência

Potência é a operação que representa o produto de fatores iguais, ou seja, é o resultado da multiplicação de um número a por ele mesmo n vezes, onde a é a base e n, o expoente.

8

8

n a = a a a a a a
n
a = a a
a
a
a
a

n fatores

Algumas propriedades das potências estão resumidas no quadro a seguir:

das potências estão resumidas no quadro a seguir: Quadro - Propriedades das potências 2.1.5 Radiciação

Quadro - Propriedades das potências

2.1.5 Radiciação

Radiciação é a operação que envolve o cálculo de raízes, ou seja, é a operação em que dados um radicando e um índice, calcula-se uma raiz.

O tipo da raiz está

indicado no índice. Uma raiz é simbolizada pelo radical, e o número do qual se deseja extrair a raiz é chamado radicando.

Uma raiz pode ser quadrada, cúbica, quarta, quinta, sexta, etc

a x
a x

índice

radical

radicando

Quando o índice é omitido, a raiz é quadrada. O radicando pode estar elevado a um número qualquer. A operação de radiciação pode também ser representada por meio de um expoente fracionário. Assim:

2.1.6 Logaritmos

a b x = ( x )
a
b
x
=
(
x
)

b

a

O logaritmo figura também com uma ferramenta importante no estudo da Matemática Financeira. A notação mais comum de logaritmo estudada no ensino médio refere-se ao logaritmo na base 10. Por exemplo:

9

9

log

10

10 = 1 porque 10

1

= 10

A representação algébrica do logaritmo é a seguinte:

log a x = b

onde a é a base, x é o logaritmando e b é o logaritmo, e ainda a > 0 e x > 0. O log acima pode também ser entendido como a “operação inversa” da potência. Assim:

log a x = b x = a

b

2.1.6.1 Propriedades básicas dos logaritmos

É possível demonstrar várias propriedades dos logaritmos naturais (o que não será feito aqui), para números reais positivos x e y e para qualquer número real k, desde que tenham sentido as expressões matemáticas a seguir:

a) Ln (1) = 0

b) Ln (x.y) = Ln (x)+Ln (y)

c) Ln (x)k = k.Ln (x)

x

d) Ln ( y ) = Ln (x) – Ln (y)

e)

log

a

b =

log

c

b

log

c

a

2.1.7 Equações

Para resolver um problema matemático, quase sempre devemos transformar uma sentença apresentada com palavras em uma sentença escrita em linguagem matemática. Esta é a parte mais importante e talvez seja a mais difícil da Matemática.

importante e talvez seja a mais difícil da Matemática. Normalmente aparecem letras conhecidas como variáveis ou

Normalmente aparecem letras conhecidas como variáveis ou incógnitas. A partir daqui, a Matemática se posiciona perante diferentes situações e será necessário conhecer o valor de algo desconhecido, que é o objetivo do estudo de equações. Trabalharemos com uma situação real e dela tiraremos algumas informações importantes. Observe a balança:

10

10

10 A balança está equilibrada. No prato esquerdo há um peso de 2Kg e duas melancias

A balança está equilibrada. No prato esquerdo há um peso de 2Kg e duas melancias com pesos iguais. No prato direito há um peso de 14Kg. Quanto pesa cada melancia?

2 melancias + 2Kg = 14Kg

Usaremos uma letra qualquer, por exemplo x, para simbolizar o peso de cada melancia. Assim, a equação poderá ser escrita, do ponto de vista matemático, como:

2x + 2 = 14

Este é um exemplo simples de uma equação contendo uma variável, mas que é extremamente útil e aparece na maioria das situações reais.

Podemos ver que toda equação tem:

uma ou mais letras indicando valores desconhecidos, que são denominadas

variáveis ou incógnitas;

um sinal de igualdade, denotado por =.

uma expressão à esquerda da igualdade, denominada primeiro membro ou

membro da esquerda;

uma expressão à direita da igualdade, denominada segundo membro ou membro

da direita.

igualdade, denominada segundo membro ou membro da direita. As expressões do primeiro e segundo membro da

As expressões do primeiro e segundo membro da equação são os termos da equação. Para resolver essa equação, utilizamos o seguinte processo para obter o valor de x:

da equação. Para resolver essa equação, utilizamos o seguinte processo para obter o valor de x:
11 Observação: Quando adicionamos (ou subtraímos) valores iguais em ambos os membros da equação, ela

11

Observação: Quando adicionamos (ou subtraímos) valores iguais em ambos os membros da equação, ela permanece em equilíbrio, ou seja, a igualdade não se altera. O mesmo acontece quando multiplicamos ou dividimos ambos os membros da equação por um valor não nulo. Este processo permite-nos resolver uma equação, ou seja, obter as suas raízes.

Exemplos:

1) A soma das idades de André e Carlos é 22 anos. Descubra as idades de cada um deles, sabendo-se que André é 4 anos mais novo do que Carlos.

Solução: Primeiro devemos passar o problema para a linguagem matemática. Vamos tomar a letra c para a idade de Carlos e a letra a para a idade de André, logo a =c - 4. Assim:

c

+ a = 22

c

+ (c - 4) = 22

2c - 4 = 22 2c - 4 + 4 = 22 + 4 2c = 26

c = 13

Resposta: Carlos tem 13 anos e André tem 13 - 4= 9 anos.

2) A população de uma cidade A é o triplo da população da cidade B. Se as duas cidades juntas têm uma população de 100.000 habitantes, quantos habitantes tem

a cidade B?

Solução: Identificaremos a população da cidade A com a letra a e a população da cidade B com a letra b. Sabemos que a = 3b. Desta forma, poderemos escrever:

a + b = 100.000

3b + b = 100.000 4b = 100.000

b = 25.000

Resposta: Como a = 3b, então a população de A corresponde a: a = 3 × 25.000 = 75.000 habitantes.

3) Uma casa com 260m2 de área construída possui 3 quartos de mesmo tamanho. Qual é a área de cada quarto, se as outras dependências da casa ocupam 140m2 ?

Solução: Identificaremos a área de cada dormitório com a letra x.

3x + 140 = 260 3x = 260 -140 3x = 120

x = 40

Resposta: Cada quarto tem 40m2.

12 2.1.8 Sistemas de equações lineares Uma equação do primeiro grau, é aquela em que

12

2.1.8 Sistemas de equações lineares

Uma equação do primeiro grau, é aquela em que todas as incógnitas estão elevadas à potência 1. Este tipo de equação pode ter mais do que uma incógnita.

um

conjunto formado por duas equações do primeiro grau envolvendo estas duas

incógnitas.

Um sistema de equações do primeiro grau

em

duas incógnitas (x e y)

é

Exemplo: Seja o sistema de duas equações:

2

3

x

x

+

3

2

y

y

=

=

38

18

Resolver este sistema de equações significa obter valores de x e de y que satisfazem simultaneamente ambas as equações.

x=10 e y=6 são as soluções deste sistema e denotamos esta resposta como um par ordenado de números reais:

S = { (10,6) }

2.1.8.1 Método da substituição para solução de sistemas

Entre muitos outros, o método da substituição, consiste na idéia básica de isolar o valor algébrico de uma das variáveis, por exemplo x, e aplicar o resultado à outra equação.

Para entender o método, consideremos o sistema:


2

x

+

3

y

=

38

3

x

2

y

=

18

Para extrair o valor de x na primeira equação, usaremos o seguinte processo:

2 y = 18 Para extrair o valor de x na primeira equação, usaremos o seguinte
13 Substituímos agora o valor de x na segunda equação 3x-2y=18: Substituindo y=6 na equação

13

Substituímos agora o valor de x na segunda equação 3x-2y=18:

agora o valor de x na segunda equação 3x-2y=18: Substituindo y=6 na equação x=19 - (

Substituindo y=6 na equação x=19 - ( 3 2 y ), obtemos:

x = 19 - (3 ×

2 ) = 19 - 18

6

2

= 19 - 9 = 10.

2.2 Juros simples e juros compostos

2.2.1 Juros

A Matemática Financeira trata, em essência, do estudo do valor do dinheiro ao longo do tempo. O seu objetivo básico consiste em efetuar análises e comparações dos vários fluxos de entrada e saída de dinheiro de caixa, verificados em diferentes momentos.

Receber uma quantia hoje ou no futuro não significa, evidentemente, a mesma coisa. Em princípio, receber uma unidade monetária hoje é preferível a recebê-la amanhã. Postergar uma entrada de caixa (recebimento) por certo tempo envolve um sacrifício que deve ser pago mediante uma recompensa, definida pelos juros. Desta forma, são os juros que efetivamente induzem o adiamento do consumo, permitindo a formação de poupanças, que por sua vez permitem alavancar novos investimentos na economia.

As taxas de juros devem ser eficientes de maneira a remunerar:

a) o risco envolvido na operação (empréstimo ou aplicação), representado genericamente pela incerteza com relação ao futuro.

b) A perda do poder de compra do capital, motivada pela inflação. A inflação é um fenômeno que diminui o poder de compra do capital.

14 c) O capital emprestado ou aplicado. Os juros devem gerar um lucro para o

14

c) O capital emprestado ou aplicado. Os juros devem gerar um lucro para o proprietário do capital, como forma de compensar o adiamento de seu consumo por determinado período de tempo. Este ganho é estabelecido basicamente em função das diversas outras oportunidades de investimento preteridas, sendo conhecido também como custo de oportunidade.

2.2.1.1 Taxa de Juros

A taxa de juros é o coeficiente que determina o valor do juro,

remuneração do fator capital utilizado durante certo período de tempo.

ou seja,

é

a

As taxas de juros se referem sempre a uma mesma unidade de tempo (mês,

semestre, ano, etc

e podem ser representadas equivalentemente de duas

maneiras: taxa percentual e taxa unitária.

)

A taxa percentual refere-se aos “centos” do capital, ou seja, o valor dos juros para cada centésima parte do capital.

Por exemplo, um capital de $1.000,00 aplicado a 20% ao ano rende $200,00 juros ao final deste período.

Juro =

$1.000

20

=

100

$200,00.

de

O capital

remuneração total no período a que se refere a taxa é, portanto, igual a $200,00.

de $1.000,00 tem dez centos. Como cada um deles

rende $20, a

A taxa unitária refere-se às unidades do capital ou seja, o valor dos juros para cada unidade do capital.

No exemplo acima, a taxa percentual de 20% ao ano corresponde a um rendimento de $0,20 por cada unidade de capital aplicada, ou seja:

Juro =

$1.000

0,20

=

1

$200,00.

A transformação da taxa percentual em unitária se processa simplesmente por

meio da divisão da taxa percentual por 100. Para a transformação inversa, basta

multiplicar a taxa unitária por 100.

Exemplos:

Taxa percentual Taxa percentual Taxa unitária Taxa unitária 1,5% 1,5% 0,015 0,015 8% 8% 0,08
Taxa percentual
Taxa percentual
Taxa unitária
Taxa unitária
1,5%
1,5%
0,015
0,015
8%
8%
0,08
0,08
17%
17%
0,17
0,17
86%
86%
0,86
0,86
100%
100%
1,00
1,00
1500%
1500%
15,00
15,00
15

15

Nas

fórmulas

de

matemática

financeira

todos

os

cálculos

são

efetuados

utilizando-se a taxa unitária de juros. Os enunciados e as respostas dos exercícios apresentados nesta apostila expressam a taxa em sua forma percentual.

2.2.1.2 Regras básicas

Nas fórmulas de Matemática Financeira, tanto o prazo da operação quanto a taxa

de juros devem necessariamente estar expressos na mesma unidade de tempo. Por

exemplo, admita que um fundo de poupança esteja oferecendo juros de 2% ao mês, sendo os rendimentos creditados mensalmente. Neste caso, o prazo a que se refere a taxa (mês) e o período de capitalização do fundo (mensal) são coincidentes, atendendo à regra básica.

Se uma aplicação for efetuada pelo prazo de um mês, mas os juros estiverem definidos em taxa anual, não há coincidência entre os prazos e deve ocorrer

necessariamente um “rateio”. É indispensável, para o uso das fórmulas financeiras, converter a taxa de juros anual para o intervalo de tempo definido pelo prazo da operação, ou vice-versa, dependendo do que for considerado mais apropriado para

os

cálculos. Somente após a definição do prazo e da taxa de juros na mesma base

de

tempo é que as formulações da matemática financeira podem ser utilizadas.

Os critérios de transformação do prazo e da taxa de juros para a mesma unidade de tempo são baseados em duas regras distintas: as regras de juros simples (média aritmética) ou as regras de juros compostos (média geométrica), dependendo do regime de capitalização definido para a operação.

2.2.1.3 Regimes de capitalização dos juros

Os regimes de capitalização definem como os juros são formados e sucessivamente incorporados ao capital no decorrer do tempo. Com base neste princípio podem ser identificados dois regimes de capitalização: simples (ou linear) e composto (ou exponencial).

O regime de capitalização em juros simples comporta-se como se fosse uma

progressão aritmética (PA), crescendo os juros de forma linear ao longo do tempo. Neste critério, os juros incidem somente sobre o capital inicial da operação, não se

registrando juros sobre o saldo dos juros acumulados. O quadro a seguir ilustra a evolução de uma operação de empréstimo no valor de $1.000,00 pelo prazo de 5 anos, pagando-se juros simples à razão de 10% ao ano.

 

Saldo no

Juros

 

Crescimento anual do saldo devedor

Ano

início do

apurados no

Saldo devedor ao final do ano

ano

ano

0

-

-

1.000,00

-

1

1.000,00

100,00

1.100,00

100,00

2

1.100,00

100,00

1.200,00

100,00

3

1.200,00

100,00

1.300,00

100,00

4

1.300,00

100,00

1.400,00

100,00

5

1.400,00

100,00

1.500,00

100,00

16 As seguintes observações são relevantes: a) os juros, por incidirem exclusivamente sobre o capital

16

As seguintes observações são relevantes:

a) os juros, por incidirem exclusivamente sobre o capital inicial de $1.000,00,

apresentam valores idênticos ao final de cada ano (0,10 x $1.000,00 = $100,00);

b) em conseqüência, o crescimento do capital é linear (no exemplo, cresce $100,00

por ano), revelando um comportamento idêntico a uma progressão aritmética. Os

juros totais da operação atingem, nos 5 anos, $500,00;

c) se os juros simples não forem pagos ao final de cada ano, a remuneração do

capital emprestado continuará incidindo apenas sobre o seu valor inicial ($1.000,00), não ocorrendo remuneração sobre os juros que vão sendo incorporados. Assim, no quinto ano, a remuneração calculada de $100,00 é obtida com base no capital emprestado há 5 anos, ignorando-se os $400,00 de juros que foram acumulados ao longo dos 4 anos anteriores;

d) como os juros variam linearmente com o tempo, a apuração do custo total da

dívida no prazo contratado é processada simplesmente pela multiplicação do número de anos pela taxa anual, isto é: 5 anos x 10% ao ano = 50% para 5 anos.

O regime de capitalização em juros compostos incorpora ao capital não somente os juros sobre o capital inicial, referentes a cada período, mas também os juros sobre os juros acumulados até o período anterior. É um comportamento equivalente a uma progressão geométrica, onde os juros incidem sempre sobre o saldo total acumulado até o final do período anterior (e não unicamente sobre o capital inicial, como no caso dos juros simples).

Admitindo-se, no exemplo anterior, que a dívida de $1.000,00 deve ser paga em juros compostos à taxa de 10% ao ano, têm-se os resultados ilustrados a seguir:

 

Saldo no

Juros

 

Crescimento anual do saldo devedor

Ano

início do

apurados no

Saldo devedor ao final do ano

ano

ano

0

-

-

1.000,00

-

1

1.000,00

100,00

1.100,00

100,00

2

1.100,00

110,00

1.210,00

110,00

3

1.200,00

121,00

1.331,00

121,00

4

1.331,00

133,10

1.464,10

133,10

5

1.610,51

146,41

1.500,00

146,41

As seguintes observações são relevantes:

a) no critério de juros compostos, os juros não incidem unicamente sobre o capital

inicial de $1.000,00, mas sobre o saldo total existente no início de cada ano. Este

saldo incorpora não só o capital inicial emprestado, mas também os juros acumulados em períodos anteriores;

b) o crescimento dos juros se dá em progressão geométrica, evoluindo de forma

exponencial ao longo do tempo;

17 c) o juro do primeiro ano é produto da incidência da taxa de 10%

17

c) o juro do primeiro ano é produto da incidência da taxa de 10% ao ano sobre o capital emprestado de $1.000,00, resultando em $100,00;

Ao final do segundo ano, por exemplo, os $210,00 de juros identificam:

Juros referentes ao 1 o ano:

0,10 x $1.000,00

=

$100,00

Juros referentes ao 2 o ano:

0,10 x $1.000,00

=

$100,00

Juros sobre os juros apurados no 1 o ano:

0,10 x

$100,00

=

$10,00

TOTAL

 

=

$210,00

2.2.1.4 Aplicações práticas dos juros simples e compostos

Os juros simples têm aplicações práticas bastante limitadas. São raras as operações financeiras e comerciais que formam, temporalmente, seus montantes de juros segundo o regime de capitalização linear. O uso de juros simples restringe-se principalmente às operações praticadas no âmbito do curto prazo.

No entanto, as operações que adotam juros simples, além de apresentarem geralmente prazos reduzidos, não costumam apurar o seu percentual de custo ou rentabilidade por este regime. Os juros simples são utilizados exclusivamente para

o cálculo dos valores monetários da operação (encargos a pagar em empréstimos,

e não para a apuração do efetivo

resultado percentual.

rendimentos financeiros, aplicações, etc

),

É importante ressaltar ainda que muitas taxas praticadas no mercado financeiro

(nacional e internacional) estão referenciadas em juros simples, mas a formação dos montantes das operações é processada exponencialmente (juros compostos). Por exemplo, a caderneta de poupança paga tradicionalmente uma taxa de juros de 6% ao ano para seus depositantes, creditando todo mês um rendimento proporcional de 0,5%. A taxa referenciada para esta operação é linear, mas os rendimentos são capitalizados segundo o critério de juros compostos, incidindo, ao longo dos meses, juros sobre juros.

Para uma avaliação mais rigorosa do custo ou rentabilidade expressos em percentual, mesmo para aquelas operações que referenciam suas taxas em juros simples, é sugerida a utilização do critério de juros compostos. Tecnicamente mais correto por envolver a capitalização exponencial dos juros, o regime de juros compostos é reconhecidamente adotado por todo o mercado financeiro e de capitais.

Uma observação mais detalhada ainda revela que outros segmentos, além do mercado financeiro, também seguem as leis dos juros compostos, tais como o estudo do crescimento demográfico, do comportamento do índice de preços da

economia, da evolução do faturamento e de outros indicadores empresariais de desempenho, dos agregados macroeconômicos, da apropriação contábil de receitas

e despesas financeiras, etc

18 2.2.1.5 Capitalização contínua e descontínua Pelo que até aqui foi apresentado, pode-se compreender regime

18

2.2.1.5 Capitalização contínua e descontínua

Pelo que até aqui foi apresentado, pode-se compreender regime de capitalização como o processo em que os juros são formados e sucessivamente incorporados ao capital principal. Podem ser identificados dois critérios de capitalização: contínuo e descontínuo.

A capitalização contínua é a que se processa em intervalos de tempo bastante

reduzidos – caracteristicamente um intervalo de tempo infinitesimal – promovendo grande freqüência de capitalização. A capitalização contínua, na prática, pode ser entendida como todo o fluxo monetário distribuído ao longo do tempo, e não somente em um único instante. Por exemplo, o faturamento de um supermercado,

a formação do custo de fabricação no processamento fabril, a formação de

depreciação de um equipamento, etc

são situações típicas em que a formação do

, capital se processa continuamente, e não somente ao final de um dado período (mês, ano, etc

O regime de capitalização contínua encontra enormes dificuldades em aplicações

práticas, sendo, por esta razão, pouco utilizado. Entretanto, deve-se ressaltar que no mercado de derivativos financeiros, principalmente nos modelos de apreçamento de opções de compra e venda, a capitalização contínua é largamente utilizada.

Na capitalização descontínua os juros são formados somente ao final de cada período da operação. A caderneta de poupança paga juros unicamente ao final do período a que se refere sua taxa de juros (mês), sendo um exemplo clássico do regime de capitalização descontínua. Os rendimentos, neste caso, passam a ocorrer descontinuamente, em um único instante (final do mês), não sendo, portanto, continuamente distribuídos ao longo do mês.

Em conformidade com o comportamento dos juros, a capitalização descontínua pode ser aplicada tanto sob o critério de juros simples, quanto sob o de juros compostos, cujos conceitos já foram anteriormente apresentados.

2.2.2 Juros simples

2.2.2.1 Fórmulas de juros simples

O

J

valor dos juros é calculado a partir da seguinte expressão:

n

= C

0

i

n ,

onde:

J n = valor dos juros, expresso em unidade monetárias;

C o = capital inicial

i = taxa de juros, expressa em sua forma unitária; n = prazo da operação.

19 Esta fórmula é básica tanto para o cálculo dos juros como dos outros valores

19

Esta fórmula é básica tanto para o cálculo dos juros como dos outros valores financeiros, mediante simples dedução algébrica.

Exemplos:

(1) Um capital de $80.000,00 é aplicado à taxa de 2,5% ao mês durante um trimestre. Pede-se determinar o valor dos juros acumulados neste período.

Solução: JAC n = 80.000,00 x 0,025 x 3 = $6.000,00

(2) Um negociante tomou um empréstimo pagando uma taxa de juros simples de 6% mês, durante nove meses. Ao final deste período calculou em $270.000,00 o total dos juros incorridos nesta operação. Determinar o valor do empréstimo.

Solução:

270.000 = C 0,06 9 C = $500.000,00

0

0

(3) Um capital de $40.000,00 foi aplicado num fundo de poupança por 11 meses, produzindo um rendimento financeiro de $9.680,00. Pede-se apurar a taxa de juros oferecida por esta operação.

Solução: 9.680 = 40.000 i 11 i = 2, 2% a.m.

(4) Uma aplicação de $250.000,00 rendendo uma taxa de juros de 1,8% ao mês produz, ao final de determinado período, juros no valor de $27.000,00. Calcular o prazo da aplicação.

Solução: 27.000 = 250.000 0,018 n n = 6meses.

2.2.2.2 Montante e capital

Um determinado capital, quando aplicado a uma taxa periódica de juros por determinado tempo, produz um valor acumulado denominado montante, identificado C n . Em outras palavras, o montante corresponde à soma do capital inicial com o valor acumulado dos juros, isto é:

C

n

= C + JAC

0

No entanto, sabe-se que:

JAC = C

0

i

n C

n

= C

0

+ C

0

i

n C

n

= C

0

(1

+ i

n

)

20 Exemplos : (1) Uma pessoa aplica $18.000,00 à taxa de 1,5% ao mês durante

20

Exemplos:

(1) Uma pessoa aplica $18.000,00 à taxa de 1,5% ao mês durante 8 meses. Determinar o montante ao final deste período.

Solução:

C

n

=

18000 (1

+

0,015 8)

C

n

=

$20.160,00

(2) Uma dívida de $900.000,00 irá vencer em 4 meses. O credor está oferecendo um desconto de 7% ao mês caso o devedor deseje antecipar o pagamento para hoje. Calcular o valor que o devedor pagará caso antecipe a liquidação da dívida.

Solução:

900.000 = C (1 + 0,07 4) C = $703.125,00

0

0

2.2.2.3 Taxas proporcionais e taxas equivalentes

Para se compreender mais claramente o significado destas taxas deve-se notar que toda operação envolve dois prazos: (1) o prazo a que se refere a taxa de juros; e (2) o prazo de capitalização (incidência) dos juros.

Ilustrativamente, admita um empréstimo bancário a uma taxa (custo) nominal de 24% ao ano. O prazo a que se refere especificamente a taxa de juros é anual. A seguir, deve-se identificar a periodicidade de incidência dos juros. Ao se estabelecer que os encargos incidirão sobre o principal somente ao final de cada ano, os dois prazos considerados são coincidentes.

O crédito direto ao consumidor oferecido pelas financeiras é outro exemplo de

operação com prazos iguais. Caracteristicamente, a taxa cobrada é definida ao mês, sendo os juros capitalizados também mensalmente.

Mas em inúmeras outras operações estes prazos não são coincidentes. Os juros

podem ser capitalizados em prazo inferior (ou mesmo superior) ao da taxa, devendo-se, nesta situação, definir como a taxa será transformada para o período

de capitalização em questão.

Por exemplo, sabe-se que a caderneta de poupança paga aos seus depositantes uma taxa de juros de 6% ao ano, a qual é aplicada sobre o capital todo mês

através de uma taxa percentual proporcional de 0,5% a.m

dois prazos: o prazo da taxa (ano) e o prazo referente à periodicidade da

capitalização (mês).

Tem-se aqui, então,

Conforme já mencionado anteriormente, para o uso das fórmulas de Matemática Financeira é necessário expressar a taxa e o prazo das operações na mesma base de tempo. Para tanto, ou converte-se a base de tempo da taxa para a base de tempo referente à periodicidade da capitalização ou, de maneira inversa, a periodicidade da capitalização passa a ser expressa na base de tempo da taxa de juros.

No regime de juros simples, diante de sua natureza linear, esta transformação é conseguida simplesmente por meio do cálculo da denominada taxa proporcional de

21 juros , também conhecida como taxa linear ou taxa nominal . Esta taxa proporcional

21

juros, também conhecida como taxa linear ou taxa nominal. Esta taxa proporcional

é obtida por meio da divisão da taxa de juros considerada na operação pelo número de vezes em que ocorrerão os juros, ou seja, a quantidade de capitalizações a serem consideradas dentro do período a que se refere a taxa de juros.

Por exemplo, para uma taxa de juros de 18% ao ano, se a capitalização for efetuada mensalmente, ocorrerão 12 capitalizações no período de um ano. Logo, o percentual de juros que incidirá sobre o capital a cada mês será:

Taxa proporcional =

18%

12

=

1,5%

a m

.

.

A aplicação de taxas proporcionais é muito difundida, principalmente em operações

de curto e curtíssimo prazos, apuração de encargos sobre saldos devedores de conta corrente bancária (cheque especial), etc

As taxas de juros simples são ditas equivalentes quando, aplicadas a um mesmo capital inicial e durante o mesmo intervalo de tempo, produzem o mesmo volume linear de juros e, consequentemente, o mesmo capital ao final do prazo considerado na operação.

Por exemplo, em juros simples, um capital de $500.000, se aplicado a 2,5% ao mês ou a 15% ao semestre pelo prazo de um ano, produz o mesmo montante linear de juros. Isto é:

JAC (2,5% a.m.) = 500.000,00 x 0,025 x 12 = $150.000,00 JAC (15% a.s.) = 500.000,00 x 0,15 x 2 = $150.000,00

Os juros produzidos pelas duas taxas lineares de juros são iguais. Portanto estas taxas são definidas como taxas equivalentes.

No regime de juros simples, taxas proporcionais (nominais ou lineares) e taxas equivalentes são consideradas a mesma coisa, sendo indiferente a classificação de duas taxas de juros como proporcionais ou equivalentes.

No exemplo ilustrativo acima, observe que 2,5% a.m. é equivalente a 15% a.s., verificando-se ainda uma proporção entre as taxas. A taxa de 2,5% está relacionada ao período de um mês e a de 15%, a um período de seis meses.

2.2.2.4 Juro exato e juro comercial

É comum nas operações de curto prazo, onde predominam as aplicações com taxas

referenciadas em juros simples, o prazo estar definido em número de dias. Nestes

casos, o número de dias pode ser calculado de duas maneiras:

a) pelo tempo exato, utilizando-se efetivamente o calendário do ano civil (365 dias). O juro apurado desta maneira denomina-se juro exato;

22 b) pelo ano comercial, que admite meses de 30 dias e anos com 360

22

b) pelo ano comercial, que admite meses de 30 dias e anos com 360 dias. Tem-se, por este critério, a apuração do denominado juro comercial ou ordinário.

Por exemplo, 12% ao ano equivale, pelos critérios enunciados, a uma taxa diária de:

(a)

Juro exato

12%

=

0,032877%

 

365

ao dia .

(b) Juro comercial

12%

360

=

0,033333%

ao dia

.

Pela ilustração, o juro comercial diário é ligeiramente superior ao exato pelo menor número de dias considerado no intervalo de tempo.

2.2.3 Juros compostos

O regime de juros compostos considera que os juros formados em cada período são acrescidos ao capital, formando o montante (capital mais juros) do período. Este montante, por sua vez, é o que servirá como base para o cálculo dos juros no período seguinte, formando um novo montante (constituído do capital inicial, dos juros acumulados e dos juros sobre os juros formados em períodos anteriores), e assim por diante.

Este processo de formação de juros é diferente daquele descrito para o regime de juros simples, no qual unicamente o capital inicial rende juros, não ocorrendo remuneração sobre os juros formados em períodos anteriores.

Tecnicamente, o regime de juros compostos é superior ao de juros simples, principalmente pela possibilidade de fracionamento dos prazos das operações. No critério de juros compostos a equivalência entre capitais pode ser apurada em qualquer data, retratando melhor a realidade das operações do que o regime de juros simples.

2.2.3.1 Fórmulas de juros compostos

No regime de juros compostos os juros são capitalizados, produzindo juros sobre juros periodicamente. Para melhor desenvolver este conceito e definir as fórmulas de cálculo, admita, ilustrativamente, uma aplicação de $1.000,00 aplicada a uma taxa composta de 10% ao mês. Identificando-se por PV o valor presente (capital inicial) e por FV o valor futuro (montante ou capital final), tem-se os seguintes resultados ao final de cada período:

Final do 1º mês: o capital de $1.000,00 produz juros no valor de $100,00 (0,10 x 1.000,00), ou seja:

FV = 1000 (1 + 0,10) FV = $1.100,00

23 FV FV Final do 2º mês: o montante do mês anterior ($1.100,00) é o

23

FV

FV

Final do 2º mês: o montante do mês anterior ($1.100,00) é o capital inicial do segundo mês, servindo de base para o cálculo dos juros deste período. Assim:

=

=

  1000

1000

(

(

1

0,10

1

+

+

0,10

)

)

2

(

0,10

1

FV

+

)

=

$1.210,00

O montante do segundo mês pode ser assim decomposto:

$1000,00 capital inicialmente aplicado (C o ) $100,00 juros sobre C o referentes ao 1º mês (10% x $1.000,00) $100,00 juros sobre C o referentes ao 2º mês (10% x $1.000,00) $10,00 juros sobre os juros produzidos no primeiro mês (10% x 100,00)

Final do 3º mês: dando sequência ao raciocínio de juros compostos:

FV =

1000

(

1

FV

=

1000

(

1

+

0,10

)

(

1

+

0,10

)

(

1

+

0,10

)

+

0,10

)

3

FV

=

$1.331,00

(

)

Final do n-ésimo mês: aplicando-se a evolução dos juros compostos exposta para cada um dos meses, o montante (valor futuro) acumulado ao final do período atinge:

FV =

1000

(

1

+

0,10

)

(

1

+

0,10

)

(

)

(

1

+

0,10

)

FV =

1000

(

1

+

0,10

)

n

Generalizando:

FV

=

PV =

PV FV 1 + i

(

(

1

)

n

onde (1

+ i

)

n

+

i

)

n

1

é o fator de capitalização (ou de valor futuro) e (

1 + i

)

n

, o fator de

atualização (ou de desconto) a juros compostos.

Por outro lado, sabe-se que o valor monetário dos juros acumulados (JAC n ) é apurado pela diferença entre o montante (FV) e o capital inicial (PV), podendo-se obter o seu valor também pela seguinte expressão:

JAC

n

= FV

PV

Mas: FV = PV

(1

+ i

) n

24 Colocando-se PV em evidência: JAC n = PV Exemplos : ( 1 + i

24

Colocando-se PV em evidência:

JAC

n

=

PV

Exemplos:

(1

+

i

)

n

PV

JAC

n

=

PV

(1

+

i

)

n

1

(1) Se uma pessoa deseja obter $ 27.500,00 dentro de um ano, quanto deverá ela depositar hoje numa alternativa de poupança que rende 1,7% de juros compostos ao mês?

Solução:

FV = $ 27.500,00 n = 1 ano (12 meses)

i = 1,7% a.m. PV = ?

PV =

27.500

(

1,017

)

12

= $22.463,70

De fato, uma aplicação de $22.463,70 hoje, a 1,7% a.m. de juros compostos, produz ao final de um ano o montante de $ 27.500,00, ou seja:

FV = 22.463,70 x (1,017) 12 = $27.500,00

Considerando-se ainda a taxa composta de 1,7% a.m., pelo conceito de valor presente (PV) é indiferente para esta pessoa receber $22.463,70 hoje ou este mesmo valor, capitalizado, ao final de 12 meses. Efetivamente, esses valores, mesmo distribuídos em diferentes datas, são equivalentes para uma mesma taxa de juros de 1,7% a.m.

(2) Qual o valor de resgate de uma aplicação de $12.000,00 pelo prazo de 8 meses à taxa de juros composta de 3,5% a.m.?

Solução:

PV = $ 12.000,00 n = 8 meses i = 3,5% a.m.

FV = PV x (1 + i) n FV = 12.000,00 x (1,035) 8 FV = $15.801,71

(3) Determinar a taxa mensal composta de juros de uma aplicação de $40.000,00 que produz um montante de $ 43.894,63 ao final de um quadrimestre.

Solução:

PV = $40.000,00 FV = $43.894,63 n = 4 meses

i = ?

25

25

FV

(

1 +

=

i

)

PV

=

1

4 43.894,63

(

+

i

)

n

40.000

1

4

 

i

=

 

43.894,63

40.000

1

i

=

2,35%

a m

.

.

(3) Uma aplicação de $22.000,00 efetuada numa certa data produz, à taxa composta de juros de 2,4% ao mês, um montante de $ 26.596,40 em certa data futura. Calcular o prazo da operação.

Solução:

PV = $ 22.000,00 FV = $ 26.596,40 i = 2,4% a.m. n = ?

FV

=

PV

(

1

+

i

)

n

(

1,024

)

n

=

ln

(

1,024

)

26.596, 40

n

22.000

ln

  =

n

(

ln 1,024

)

=

ln

26.596,40

22.000

26.596,40

22.000

 

 

n

=

ln

 

26.596,40

22.000

 

(

ln 1,024

)

n

= 8

meses

Deve ser acrescentado ao estudo de juros compostos que o valor presente (capital inicial) não se refere necessariamente a um valor expresso no momento zero. Em verdade, o valor presente pode ser apurado em qualquer data focal anterior à do valor futuro (montante).

Por exemplo, pode-se desejar calcular quanto será pago por um empréstimo de $20.000,00 vencível de hoje a 14 meses ao se antecipar por 5 meses a data de seu pagamento. Sabe-se que o credor está disposto a atualizar a dívida à taxa composta de 2,5% ao mês.

O problema envolve basicamente o cálculo do valor presente, ou seja, um valor atualizado em uma data anterior à do montante; mais precisamente, 5 meses antes. Logo:

PV

=

FV

20.000

=

(

1

+ i

)

n

(

1,025

) 5

PV

= $17.677,10

26 É importante ressaltar que as expressões de cálculos de PV e FV permitem capitalizações

26

É importante ressaltar que as expressões de cálculos de PV e FV permitem capitalizações e atualizações envolvendo diversos valores, e não somente um único capital, ou montante.

Por exemplo, admita um empréstimo que envolve os seguintes pagamentos:

$15.000,00 de hoje a 2 meses; $40.000,00 de hoje a 5 meses; $50.000,00 de hoje

a

6 meses e $70.000,00 de hoje a 8 meses.

O

devedor deseja apurar o valor presente (data zero) destes fluxos de pagamentos,

pois está negociando com o banco a liquidação imediata de toda a sua dívida. A

taxa de juros a ser considerada nesta antecipação é de 3% ao mês.

Solução:

PV =

15.000

(

1,03

)

2

40.000

+

(

1,03

)

5

50.000

+

(

1,03

)

6

70.000

+

(

1,03

)

8

PV = $145.776,15

2.2.3.2 Taxas equivalentes em juros compostos

própria taxa

proporcional da operação. Por exemplo, as taxas de juros de 3 % ao mês e 9% ao

No regime de juros simples foi

visto

a

taxa

equivalente é a

trimestre são ditas proporcionais, pois mantêm a seguinte relação:

1

3

=

3

9

.

São também equivalentes em juros simples, pois promovem a igualdade dos montantes de um mesmo capital inicial ao final de certo período de tempo.

Por exemplo, em juros simples um capital de $80.000,00 produz o mesmo montante em qualquer data se capitalizado a 3% a.m. ou a 9% a.t.

n

= 3 meses: FV (3% a.m.) = 80.000,00 x (1 + 0,03 x 3) = $ 87.200,00 FV (9% a.t. ) = 80.000,00 x (1+0,09 x 1 ) = $ 87.200,00

n

= 12 meses: FV (3% a.m.) = 80.000,00 x (1 + 0,03 x 12) = $108.800,00

FV

(9% a.t. ) = 80.000,00 x (1 + 0,09 x 4 ) = $108.800,00

e

assim por diante.

O

conceito enunciado de taxa equivalente permanece válido para o regime de juros

compostos, diferenciando-se, no entanto, na fórmula de cálculo da mesma. Por se tratar de capitalização exponencial, a expressão da taxa equivalente composta é a média geométrica da taxa de juros do período inteiro, ou seja:

i

q

=

(

1

onde:

+ i

1 ) q
1
)
q

1

q = número de períodos de capitalização.

27 Por exemplo, a taxa equivalente composta mensal de 10,3826% ao semestre é de 1,66%,

27

Por exemplo, a taxa equivalente composta mensal de 10,3826% ao semestre é de 1,66%, ou seja:

i

6

(

= 1,103826

)

1 6
1
6

1= 1,66% a.m.

Assim, para um mesmo capital e prazo de aplicação, é indiferente um rendimento de 1,66% ao mês ou 10,3826% ao semestre. Ilustrativamente, um capital de $100.000,00 aplicado por dois anos produz::

a) para i = 1,66% a.m. e n = 24 meses:

FV = 100.000 x (1,0166) 24 = $148.457,63

b) para i = 10,3826% a.s. e n = 4 semestres:

FV = 100.000 (1,103826)4 = $148.457,63

A ilustração a seguir visa proporcionar um melhor entendimento do conceito e

cálculo de taxas equivalentes no regime de juros compostos (exponencial).

Ex: Um certo banco divulga que a rentabilidade oferecida por uma aplicação financeira é de 12% ao semestre (ou 2% ao mês). Desta maneira, uma aplicação de $10.000,00 produz, ao final de 6 meses, o montante de $11.200,00 ($10.000,00 x 1,12). Efetivamente, os 12% constituem-se na taxa de rentabilidade da operação para o período inteiro de um semestre, e, em bases mensais, esse percentual deve ser expresso em termos de taxa equivalente composta.

Assim, os 12% de rendimentos do semestre determinam uma rentabilidade efetiva mensal de 1,91%, e não de 2% conforme anunciado.

De outra maneira:

i

6

(

= 1,12

)

1 6
1
6

1= 1,91% a.m.

Naturalmente, ao se aplicar $10.000,00 por 6 meses a uma taxa composta de 1,91% ao mês, chega-se ao montante de $11.200,00:

FV = 10.000,00 x (1,0191) 6 = $11.200,00

Verifica-se, então, que o processo de descapitalização da taxa de juros no regime

composto processa-se pela apuração de sua média geométrica, ou seja, da taxa equivalente. Neste caso, o percentual de juro considerado representa a taxa efetiva

de juro da operação.

Exemplos:

(1) Quais as taxas de juros compostos mensal e trimestral equivalentes a uma taxa de 25% ao ano?

28 Solução : a) Taxa de juros equivalente mensal i = 25% a.a. q =

28

Solução:

a) Taxa de juros equivalente mensal

i = 25% a.a. q = 1 ano (12 meses) 1 i = 1,25 (
i
= 25% a.a.
q
= 1 ano (12 meses)
1
i
= 1,25
(
)
12
1= 1,877% a.m.
12
b)
Taxa de juros equivalente trimestral
i
= 25% a.a.
q
= 1 ano (4 trimestres)
1
i
= 1,25
(
)
4
1= 5,737% a.t.
4

(2) Determinar qual a melhor opção: aplicar um capital de $60.000,00 à taxa de juros compostos de 9,9% ao semestre ou à taxa de 20,78% ao ano.

Solução:

Para a identificação da melhor opção apura-se o montante para as duas taxas para um mesmo período. Por exemplo, n = 1 ano.

FV (9,9% a.s.) = 60.000,00 x (1 + 0,099) 2 = $72.468,00 FV (20,78% a.a.) = 60.000,00 x (1 + 0,2078) 1 = $72.468,00

A taxa de 9,9% a.s. produz o mesmo montante que 20,78% a.a. para um mesmo

prazo. Neste caso, diz-se que as taxas são equivalentes. É indiferente, para um

mesmo prazo e para o regime de juros compostos, aplicar a 9,9% a.s. ou a 20,78% a.a.

(3) Demonstrar se a taxa de juros de 12,5000% ao trimestre é equivalente à taxa de 21,6898% para cinco meses. Calcular a taxa equivalente mensal composta dessas duas taxas.

Solução: Uma maneira simples de identificar a equivalência de taxas de juros é apurar o M.M.C dos prazos das taxas, que neste caso é igual a 15 meses. Portanto:

i

i

eq

eq

(

(

1

0,125

)

5

= +

= +

1 0,216898

1

=

)

3

80, 2032% para 15 meses

1 =

80,2032% para 15 meses.

As taxas 12,5% ao trimestre e 21,6898% para 5 meses são equivalentes compostas, pois quando capitalizadas por um mesmo intervalo de tempo produzem resultados iguais.

29 Taxa Equivalente Mensal (descapitalização): i i m m = =    

29

Taxa Equivalente Mensal (descapitalização):

i

i

m

m

=

=

 

 

1,125

1

3

 

1, 216898

1

1

5

 

i

m

= 4%

1

i

m

=

a m

.

.

4%

a m

.

.

Por serem equivalentes, a taxa mensal é igual.

2.2.3.3 Taxa nominal e taxa efetiva

A taxa efetiva é a taxa dos juros apurada durante todo o prazo n, sendo formada

exponencialmente através dos períodos de capitalização. Ou seja, taxa efetiva é o processo de formação dos juros pelo regime de juros compostos ao longo dos períodos de capitalização. É obtida pela seguinte expressão:

Taxa Efetiva

i

ef

=

(1

+ i

)

q

1

onde q representa o número de períodos de capitalização de juros.

Por exemplo, uma taxa de 3,8% ao mês determina um montante efetivo de juros de 56,45% ao ano, ou seja:

i

ef

=

(

1

+ i

)

q

1

=

(

1

+

0,038

)

12

=

1

56, 45%

a a

.

.

Quando se diz, por outro lado, que uma taxa de juros é nominal, geralmente é admitido que o prazo de capitalização dos juros (ou seja, o período de formação e incorporação dos juros ao principal) não é o mesmo daquele definido para a taxa de juros.

Exemplo: Seja uma taxa nominal de juros de 36% ao ano, capitalizada mensalmente. Os prazos da taxa e de capitalização não são coincidentes. O prazo de capitalização é de um mês e o prazo a que se refere a taxa de juros é igual a um ano (12 meses).

Assim, 36% ao ano representa uma taxa nominal de juros, expressa para um período inteiro, que deve ser “levada” para o período de capitalização.

Quando se trata de taxa nominal convenciona-se que a capitalização ocorre por

juros proporcionais simples. Assim, no exemplo, a taxa por período de capitalização

é igual a 36% /12 = 3% ao mês (taxa proporcional ou linear).

Ao se capitalizar esta taxa nominal por meio de juros compostos, apura-se uma taxa efetiva de juros superior àquela declarada para a operação. Baseando-se nos dados do exemplo ilustrativo acima, tem-se:

Taxa nominal da operação para o período = 36% a.a. Taxa proporcional simples ( definida p/ o período de capitalização) = 3% a. m.

30

30

Taxa efetiva de juros :

i

ef

=

(

1

+

i

)

q

1

=

 

1

+

0,36

12

 

12

=

1

42,6%

a a

.

.

Observe que a taxa nominal não revela a efetiva taxa de juros de uma operação. Foi dito que os juros anuais são de 36%, mas capitalizados mensalmente a juros compostos, apurou-se uma taxa efetiva de juros igual a 42,6% ao ano.

Exemplos:

(1) Um empréstimo no valor de $11.000,00 é efetuado pelo prazo de um ano à taxa nominal (linear) de juros de 32% ao ano, capitalizados trimestralmente. Pede- se determinar o montante e o custo efetivo do empréstimo.

Solução: Admitindo que a taxa de juros pelo período de capitalização seja a proporcional simples; tem-se:

Taxa nominal (linear) Descapitalização proporcional

Montante do empréstimo:

= FV = 11.000

1

FV

PV

(

Taxa Efetiva:

i

i

ef

ef

(

= +

=

1

i

)

q

(

1,08

)

4

+

(

n

i

1,08

)

)

4

=

$14.965, 40

1

1

=

36,05%

a a

.

.

i = 32% a.a. i = 32%/4 = 8% a.t.

(2) A caderneta de poupança paga juros anuais de 6% com capitalização mensal. Calcular a rentabilidade efetiva desta aplicação financeira.

Solução: Taxa Efetiva

i

ef

=

(

1

+

i

)

q

1

=

 

1

+

0,06

12

 

12

=

1

6,17%

a a

.

.

(3) Sendo de 24% a.a. a taxa nominal de juros cobrada por uma instituição, calcular o custo efetivo anual, admitindo que o período de capitalização dos juros seja:

a) mensal:

i

ef

(

1

= +

i

)

q

1

=

 

1

+

0, 24

12

 

12

=

1

26,82%

a a

.

.

31 b) trimestral: i ef c) i ef = ( 1 + i ) q

31

b) trimestral:

i

ef

c)

i

ef

=

(

1

+

i

)

q

1

=

semestral.

=

(

1

+

i

)

q

1

=

1

+

1

+

0, 24

4

0, 24

2

 

 

4

2

1

=

26, 25%

.

a a

 

.

1

=

25, 44%

a a

.

.

2.2.4 Convenções linear e exponencial

Em algumas operações financeiras, o prazo não é um número inteiro em relação ao prazo definido para a taxa. Por exemplo: taxa de juros de 18% ao ano e prazo da operação de 1 ano e 7 meses. Sendo anual o período de capitalização dos juros, o prazo inteiro é de 1 ano e o fracionário de 7 meses.

Ao se adotar rigorosamente o conceito de capitalização descontínua, não poderia haver incidência de juros no intervalo de tempo fracionário; somente ao final de períodos completos.

Como, na prática, é muito raro a não formação dos juros (e incorporação ao principal) em intervalos de tempo inferiores a um período inteiro, passa-se a adotar duas convenções para solucionar estes casos: linear e exponencial.

2.2.4.1 Convenção linear

A convenção linear admite a formação de juros compostos na parte inteira do

prazo, e de juros simples na parte fracionária. Esta convenção é, em essência, uma

mistura do regime composto e linear, adotando a fórmula de juros compostos na parte inteira do período, e a de juros simples na parte fracionária.

A expressão de cálculo do montante na convenção linear é a seguinte:

FV

=

PV

sendo m

k

(1

+

i

)

n

 

1 + i

m

k

 

a parte fracionária do prazo.

2.2.4.2 Convenção exponencial

A convenção exponencial adota o mesmo regime de capitalização para todo o

período. Ou seja, utiliza capitalização composta tanto para a parte inteira como

para a parte fracionária.

Esta convenção é mais usada na prática, sendo considerada tecnicamente mais correta por empregar somente juros compostos e taxas equivalentes para os períodos não-inteiros.

32 A expressão básica de cálculo é a seguinte: FV = PV ( 1 +

32

A expressão básica de cálculo é a seguinte:

FV

=

PV

(1

+ i

)

t +

m

k

, sendo t a parte inteira e m , a parte fracionária do prazo.

k

Utilizando-se os dados do exemplo anterior, calcula-se o montante:

FV

=

100.000

(

1

+

0,18

)

4

+

9

12

=

100.000

(

1

+

0,18

)

4,75

=

$219.502,50

O procedimento é o mesmo ao se determinar a taxa equivalente mensal de 18% ao

ano e capitalizá-la para os 57 meses (4 anos e 9 meses):

i = 18% a.a 1 i = ( 1,18 ) 12 q
i = 18% a.a
1
i
=
(
1,18
)
12
q

1

=

1,388843% .

a m

.

FV = 100.000,00 x (1+0,01388843) 57 = $219.502,50

Observe que existe uma diferença entre os montantes apurados:

FV (conv.Linear)

= $220.051,30

FV (conv.Exponencial)

= $219.502,50

Diferença:

=

$548,80

Isto se deve, conforme foi explicado, à formação de juros simples no prazo fracionário da convenção linear.

Apesar de não parecer grande (apenas $548,80 ou 0,25% em relação ao montante apurado na convenção exponencial), em outras situações, principalmente na apuração de maiores expressões numéricas a diferença pode ser relevante.

Exemplo:

Uma pessoa aplicou um capital pelo prazo de 2 anos e 5 meses à taxa de 18% ao ano. Determinar o valor da aplicação sabendo-se que o montante produzido ao final do período atinge $24.800,00. Resolver o problema utilizando as convenções linear

e exponencial.

Solução: FV = $24.800,00 n = 2 anos e 5 meses i = 18% ao ano

33 Convenção Linear: FV = PV ( 1 24.800 = PV + i ) t

33

Convenção Linear:

FV = PV

(

1

24.800 = PV

+

i

)

t

 

(

1,18

)

1

2

+

i

 

1

PV = $16.568,35

m

k

 

+

0,18

5

12

 

Convenção exponencial:

FV = PV

(

1 +

i

)

t +

m

k

24.800

PV = $16.624,05

= PV

(

1,18

)

2 +

5

12

2.3 Descontos simples e compostos

Entende-se por valor nominal o valor de resgate, ou seja, o valor definido para um título em sua data de vencimento. Representa, em outras palavras, o próprio montante da operação.

A operação de se liquidar um título antes de seu vencimento envolve geralmente uma recompensa, ou um desconto pelo pagamento antecipado. Desta maneira, desconto pode ser entendido como a diferença entre o valor nominal de um título e o seu valor atualizado apurado n períodos antes de seu vencimento.

Por outro lado, valor descontado de um título é o seu valor atual na data do desconto, sendo determinado pela diferença entre o valor nominal e o descontado, ou seja:

Valor Descontado = Valor Nominal – Desconto

As operações de desconto podem ser realizadas tanto sob o regime de juros simples como no de juros compostos. O uso do desconto simples é amplamente adotado em operações de curto prazo, restringindo-se o desconto composto para as operações de longo prazo.

Tanto no regime linear como no composto, ainda são identificados dois tipos de desconto: (a) desconto “por dentro” ou racional e; (b) desconto “por fora” ou bancário, ou comercial.

2.3.1 Desconto simples