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NÃO SOU VOCÊ

(não são poemas)


palavras soltas, livres
caminhos, passagens
caminham, passam...

bruno nobru, 2007


cada um vive a sua paisagem

não somos iguais


a percepção de pequenos detalhes
da vida contemporânea

a influência/interferência das maquinas

tecnologia para benefício humano

X
tecnologia para controle,
consumo e lucro de alguns
a noite

local onde se escondem as criaturas solitárias


que preferem não ser vistas na claridade:
morcegos, corujas, drogados, prostitutas
seres anti-sociais
que durante o dia são homens-sérios,
empresários, lojistas, advogados,
falsos hipócritas..
– sumam da noite seus malditos!
da noite suave que se perde..

todos os seres sórdidos, sonhados e temidos


andando na calada
caminham como felinos
(dores na coluna, frio...)
espaço diferente, momento solitário
só som de meus passos me acompanham

luzes ligadas a noite toda,


as normas da cidade não param..
habitam nos seres humanos o tempo todo
para que este deixe distanciado
o seu escuro, sincero e autêntico
eu,
de lado, calado e adormecido.
há intenção nos donos de mercado e fábricas
em transmitir uma cultura à favor
do consumo de seus produtos

os que se acomodam à uma situação injusta


são promovidos

os que jogam as cartas na mesa são malditos

os falsos são idolatrados,


os lutadores humilhados

quem revela uma injustiça


é punido

dois "grandes monstros" que afetam a vida pessoal, a criatividade, a


cultura, a ciência, a arte, a escrita e a vida:

MERCADO e ‘ELITE’ ERUDITA


teorias,
conceitos,
tantos conceitos..
situações prontas,
organizadas,
certinhas

o cafezinho na xicrinha
a calça dobrada certinha
a cor do sapato combina
a falta de vida vivida
na medida que as relações vão sendo estabelecidas
são criados seres,
personagens e máscaras
para cada situação

aos poucos,
cada um vai assumindo vida própria,
seus jeitos de ser,
seus espaços,
seus entornos,
seus contatos..

se seu ser faz o que você não quer,


você se torna o espectador de sua vida
tem gente que vai indo,
passando,
seguindo o fluxo,
como o cavalo numa charrete:
segue seu guia
que nem sabe quem é,
anda de olhos tapados,
e caga onde passa

anda, segue, vai, indo,


falando, fazendo
-repetindo-

questionamentos vendidos
idéias de críticas prontas

palavras, palavras
nao falam, nao escutam
repetem, resmungam
corre o tempo em momentos
um objeto estranho
com seres estranhos:
outras pessoas
outros valores

invadem sua casa


sem serem convidados
e te conduzem:
o teu pensar
o teu falar
o teu agir
o teu sentir

e não adianta falar nem gritar,


eles não te escutam!
só falam...
nunca de você, sempre deles

do que eles gostam, do que eles querem


e de como eles querem que você seja

se intrometem na sua vida diariamente

(parasita sedentário)
vida levada, lavada
nem limpa, nem suja,
nem bar, nem bilhar,
ar..
um bom companheiro

leva um tempo pra sacar


que o tempo passa..
tem muita coisa sem nome
voando por aí,
a gente anda tanto
e parece que o chão
não sai do lugar.

tempo, tempo, tempo, tempo


no dia-a-dia as cenas se repetem
nunca falam de nós mesmos,
falam do futebol, do papa,
do bigbrother, da novela,
da vizinha, da mina, do bar, ...
de tantos tantos que me cansam.

estou aqui,
pra falar de mim e de você,
sem cenas,
entre.
estamos o tempo todo fazendo política...

enquanto bebem e dançam,


enquanto assistem o bigbrother,
enquanto vão pras baladas,
enquanto consomem, consomem,
somem consigo mesmos
e deixam tudo continuar como está
e caminhar para qualquer lugar.
você não “deixa a vida te levar”?
então do que reclama?

bebe pra esquecer,


esquece de viver,
esquece de ser

você
quando vai deixar de lado esse seu medo?
de falar o que pensa,
de fazer o que gosta,
de escolher tua vida,
de se apropriar dos espaços,
de ser você?

àquele medo,
medo velho,
joga fora,
taca fogo.
os leitores “cult’s”,
que se auto-intitulam
‘intelectuais’
querem palavras bonitas,
seqüencias ‘interessantes’,
pingos nos is,
jogatinas de travessões,
que se escreva diferente de como falamos
porque a gente fala feio...
eles acham que pra escrever tem que ser
“chique”, “fino”

palcos de pontos de passos da vida muda

gosto de trechos incompletos


que se fodam os completos
alguém aí está completo?

a falta de sentido traz a


possibilidade de criar
outros e novos sentidos
a liberdade não é uma conquista individual,
particular..
mesmo porque não é algo que se tem,
mas algo que se realiza na relação..

ela altera o entorno,


e o entorno é uma continuação do indivíduo

se quer liberdade,
haja livre consigo e com os outros

há que se construa um 'entorno livre'


para vivenciar sua liberdade

(a configuração material dos espaços


pode torná-los hostis ou anti-libertários)

a relação livre acontece


por escolha de cada um,
aqui está um convite
quero falar com gente real,
gente que faz o que sente,
que é forte,
e o faz porque vive,
e age porque sente..

não fica julgando o que sente, se reprimindo..


colocando valores sobre o que sente..
(diferentes dessa mediocridade hipócrita, falsificação de valores,
sentimentos e vida)

pessoas mais sinceras com elas mesmas,


que buscam se posicionar cada vez mais,
se mostrar quem são
e que são diferentes dos outros,
porque sentem diferente

gente que decide pelo que está afim


de decidir no momento,
que saca que o sentimento é algo que muda
e não algo estático,
que não vive por idéia de obrigação,
mas por viver
e se não tá afim
não se obriga a fazer o que não quer
gente com força para ser e agir consigo mesmo
livre e sincero,
que não precisa se esconder
(se mascarar..)
relações libertárias,
sem criar dependências
sem esse sentimento de dever ou culpa,
gente que percebe que não tô aí pra reproduzir
essa influência medíocre e falsificadora dos
meios de comunicação de massa

gente que crê na possibilidade


de criar uma outra arte,
uma outra vida..

sabe que é possível ser real,


e não tem medo de fazê-lo.
se eu for descrever a mim mesmo em palavras,
me classificarei em coisas que não sou,
pois não nasci sendo palavras,
nem palavras me tornei.

sou e estou sendo algo que não há como descrever


senão por si mesmo,
este que em nada se classifica,
pois se classificar,
deixa de ser este
e se torna outro.
você é o autor da sua vida e da história,
não compre o que não é útil para você,
não dê mais importância ao que você possui
do que à você mesmo, não compre idéias prontas,
nem acredite em qualquer coisa que escuta,
vê ou lê: as novelas podem ser mundos falsos
criados para você ficar calado.

dê um basta em relações e lugares


que não te trazem benefícios,
crie novos espaços, vá a outros lugares,
estabeleça novas relações;
jogue no lixo aquele seu medo velho:
seja autônomo e independente,
faça o que você quer por conta própria,
não espere que os outros façam por você.

enquanto você deixa sua vida de lado


ela te deixa de lado também;
faça você mesmo a sua arte,
exponha seus sentimentos, idéias e opiniões...

você pode muito mais do que pensa,


não tenha medo de viver, de ser você
escreva o que você pensa, concorde ou discorde,
cuspa, chute; publique com teu nome,
com nome falso ou sem nome,
fodam-se os direitos autorais, viva a pirataria.

tu é livre para ir onde quiser, voe!


é livre a reprodução total ou parcial

trechos escritos entre janeiro à junho de 2007,


em pouso alegre, mg; alguns em são paulo, sp
por bruno, nobru, a vida que levo, as pessoas que convivo, os
lugares que passo, toda a paisagem...

sinta-se livre para comentar, acrescentar e criticar


trocarletras@gmail.com
www.nobru.vze.com
arte é galhos
www.galhos.net

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