A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física

SUMÁRIO

1.3.1.A Escola e as Diferenças.........................................................................18

A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física

INTRODUÇÃO

Falar de Educação Inclusiva no Brasil é também fazer um diagnóstico atual e complexo sobre vários meios e tecnologias que abordem e proporcionem a Inclusão e acesso de fato aos diversos segmentos da sociedade. Com vista nisso, abordaremos um tema novo e ainda pouco discutido que é a Tecnologia Assistiva. É importante salientar o potencial das Tecnologias Assistivas e destacá-las como fortes aliadas para a solução ou amenização dos problemas criados pelas distancias, condições econômicas, físicas, exclusão social, escolar e digital, que fazem parte do nosso cenário multicultural nacional e regional. Esperamos que as Tecnologias Assistivas, com todo o seu potencial, sejam fortes parceiras para a solução desses problemas que circundam, e ainda persistem, na Educação Inclusiva. Iniciaremos com uma breve explanação a respeito de Tecnologia Assistiva, seus conceitos e objetivos, seus projetos, produtos e experiências relevantes a esta discussão. Em seguida, relacionaremos Tecnologia Assistiva com alguns tipos de deficiências e limitações e suas utilizações nos referidos casos. Por fim, trataremos de relacionar Tecnologias Assistivas com a Educação Inclusiva e a realidade, em alguns estudos de caso.

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A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física

CAPÍTULO I

TECNOLOGIAS ASSISTIVAS, DEFICIÊNCIA FÍSICA E INCLUSÃO ESCOLAR

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para auxiliar na recuperação de movimentos diminuídos. acessibilidade é a acomodação das necessidades de cada um. nos diversos domínios do cotidiano. (Ensaios Pedagógicos. citaremos algumas: segundo Sassaki. produzido em série.098 de 2000. independente da capacidade de cada um. adquirido comercialmente ou desenvolvido artesanalmente.1. E é diferente da tecnologia reabilitadora. conseqüentemente promover vida independente e inclusão”. reduzindo incapacidades para a realização de atividades da vida diária e da vida prática. 4 .TECNOLOGIAS ASSISTIVAS Encontramos o termo Tecnologia Assistiva no âmbito da Acessibilidade. A TA auxilia no desempenho funcional de atividades. modificado ou feito sob medida. De acordo com a lei nº 10. Quando produzida para atender um caso específico. que é um tema abrangente e que tem várias definições. para que se adaptem a características individuais do usuário. é denominada individualizada.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física 1. Ajuda Técnica é definida como: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico. 2006) Podemos dizer também que TA é qualquer item. MEC. que é usado para aumentar. Tecnologia Assistiva é “uma expressão utilizada para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e. sejam físicas ou sensoriais. E é dentro dessa perspectiva que surge o tema Tecnologia Assistiva. muitas vezes é preciso modificar dispositivos de Tecnologia Assistiva adquiridos no comércio. peça de equipamento ou sistema de produtos. serviços e informações. para complementar. é o direito de usar todos os espaços e serviços que a cidade oferece. também podemos dizer que acessibilidade significa permitir (ou possibilitar) que pessoas com deficiência participem de atividades que incluem o uso de produtos. num espaço para todos. ou ainda. que é utilizada. manter ou melhorar habilidades de pessoas com limitações funcionais. por exemplo.

ou seja. computadores. pode ser geral. a tecnologia teórica.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física Ela pode ser simples ou complexa. que favorece diversas habilidades do usuário). além de prover a base legal dos fundos públicos para compra dos recursos que estes necessitam. manter ou melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência ou limitações. 5 . softwares e hardwares especiais. Podem variar de uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado. que no Brasil foi traduzido como Tecnologia Assistiva. quando é aplicada à maioria das atividades que o usuário desenvolve (como um sistema de assento. criação. Estão incluídos brinquedos e roupas adaptadas. No Brasil. a Tecnologia Assistiva se compõe Recursos e Serviços.Conceito de Tecnologia Assistiva O termo Assistive Technology. dependendo dos materiais e da tecnologia empregados. foi criado em 1998. através de uma lei pública (Technology – Related Assistence for Individuals with Disabilities Act – Public Law / 00-407). “Tecnologias Adaptativas”. nos EUA. aparelhos auditivos). Desse modo. auxílios visuais. A Tecnologia Assistiva envolve tanto o objeto. quando é utilizada em uma única atividade (por exemplo. quanto o conhecimento requerido no processo de avaliação. que contemplam questões de acessibilidade. ou específica.1. e “Adaptações”. instrumentos para a alimentação. escolha e prescrição. Este conjunto de leis regula os direitos dos cidadãos com deficiências e limitações nos EUA. produto ou sistema fabricado em série ou sob medida utilizado para aumentar. 1. “Tecnologias de Apoio”. chaves e acionadores especiais. materiais protéticos e milhares de outros itens confeccionados ou disponíveis comercialmente. recursos para mobilidade manual e elétrica. isto é. a tecnologia concreta (o equipamento ou instrumento). equipamentos de comunicação alternativa. onde: • Recursos: São todos e quaisquer item. dispositivos para adequação da postura sentada.1. tais como: “Ajudas Técnicas”. aparecem como sinônimos de Tecnologias Assistivas algumas terminologias. aparelhos de escuta assistida. equipamento ou parte dele.

1. podemos citar avaliações. prescrição. Psicologia. Engenharia. Fonoaudióloga. 2005). Arquitetura. estudo e pesquisa destes materiais e serviços. tomar banho e executar necessidades pessoais. experimentação e treinamento de novos equipamentos. Enfermagem. entretanto pode variar segundo alguns autores e também ainda não é definitiva.2. além de oferecer ao mercado focos específicos de trabalho e especialização” (BERSCH. Técnicos de muitas outras especialidades. Design. É importante. 1. Nesse ponto. Medicina. diferenciar e classificar esses equipamentos a fim de “organizar a utilização. comprar ou usar os recursos acima definidos.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física • Serviços: São definidos como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar. tais como: Fisioterapia. Os serviços de Tecnologia Assistiva são normalmente transdisciplinares envolvendo profissionais de diversas áreas. Educação. Terapia Ocupacional. Os serviços também são aqueles prestados profissionalmente à pessoa com deficiência visando selecionar. 1 Auxílios para a vida diária 6 . Materiais e produtos para auxílio em tarefas rotineiras tais como comer. obter ou usar um instrumento de Tecnologia Assistiva. manutenção da casa etc. cozinhar. Como exemplo. vestir-se. ficará clara a diferença entre os equipamentos da área médica/hospitalar e os equipamentos de ajuda de vida diária.Categorias e Classificação das Tecnologias Assistivas A classificação das categorias faz parte das diretrizes gerais da ADA (American with Desabilities Act).

controlar remotamente aparelhos eletro-eletrônicos. Adaptações estruturais e reformas na casa e/ou ambiente de trabalho. elevadores. 5 Projetos arquitetônicos para acessibilidade 6 Órteses e próteses 7 . softwares especiais (de reconhecimento de voz. adaptações em banheiros entre outras. através de rampas. entre outros.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física 2 CAA (CSA) Comunicação aumentativa (suplementar) e alternativa Recursos. faltantes ou de funcionamento comprometido. de luz). acionadores. sistemas de segurança. sala. eletrônicos ou não. auxílios alternativos de acesso (ponteiras de cabeça. escritório. Incluem-se os protéticos para auxiliar nos déficits ou limitações cognitivas. que permitem as pessoas com deficiência a usarem o computador. como os gravadores de fita magnética ou digital que funcionam como lembretes instantâneos. que permitem a comunicação expressiva e receptiva das pessoas sem a fala ou com limitações da mesma.). São muito utilizadas as pranchas de comunicação com os símbolos PCS ou Bliss além de vocalizadores e softwares dedicados para este fim. por membros artificiais ou outros recurso ortopédicos (talas. localizados em seu quarto.). Equipamentos de entrada e saída (síntese de voz. 3 Recursos de acessibilidade ao computador 4 Sistemas de controle de ambiente Sistemas eletrônicos que permitem as pessoas com limitações motolocomotoras. Troca ou ajuste de partes do corpo. casa e arredores. que retiram ou reduzem as barreiras físicas. etc. facilitando a locomoção da pessoa com deficiência. apoios etc. Braille). teclados modificados ou alternativos.

3. Braille para equipamentos com síntese de voz. assentos e encostos anatômicos). publicações etc. elevadores para cadeiras de rodas. Acessórios e adaptações que possibilitam a condução do veículo. telefones com teclado — teletipo (TTY). camionetas modificadas e outros veículos automotores usados no transporte pessoal.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física 7 Adequação Postural Adaptações para cadeira de rodas ou outro sistema de sentar visando o conforto e distribuição adequada da pressão na superfície da pele (almofadas especiais. grandes telas de impressão. aparelhos para surdez. 8 Auxílios de mobilidade Cadeiras de rodas manuais e motorizadas.1. bem como posicionadores e contentores que propiciam maior estabilidade e postura adequada do corpo através do suporte e posicionamento de tronco / cabeça / membros. sistemas com alerta táctil-visual. andadores. scooters de 3 rodas e qualquer outro veículo utilizado na melhoria da mobilidade pessoal.Atuação da Tecnologia Assistiva 8 . FM). Auxílios para grupos específicos que inclui lupas e lentes. Auxílios que inclui vários equipamentos (infravermelho. sistema de TV com aumento para leitura de documentos. bases móveis. 9 Auxílios para cegos ou com visão subnormal 10 Auxílios para surdos ou com déficit auditivo 11 Adaptações em veículos 1. entre outros.

Fatores Ambientais: Constituem o ambiente físico. O termo funcionalidade deve ser entendido num sentido maior do que habilidade em realizar tarefa de interesse.Deficiência Funções do Corpo: São as funções fisiológicas dos sistemas orgânicos (incluindo as funções psicológicas). Segundo a CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade) . órgãos.que podem ter efeito num indivíduo com uma determinada condição de saúde e sobre a Saúde e os estados relacionados com a saúde do indivíduo. social e atitudinal no qual as pessoas vivem e conduzem sua vida. o modelo de intervenção para a funcionalidade deve ser biopsicosocial. e tenta chegar a uma síntese que ofereça uma visão coerente das diferentes perspectivas de saúde: biológica. tais como. • Fatores Contextuais . Restrições de Participação: São problemas que um indivíduo pode experimentar no envolvimento em situações reais da vida. nas atividades e participações – limitações de atividades e de participação. • Funções e estruturas do corpo . membros e seus componentes. enquanto membros da Definições: 9 . Eles incluem dois fatores . Definições: • Atividades e participação - Limitações de atividades e de participação.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física As TA’s visam melhorar a funcionalidade de pessoas com deficiência ou limitação. que baseia-se numa integração entre os conceito dos modelos médico e social.Ambientais e Pessoais . Esses fatores são externos aos indivíduos e podem ter uma influência positiva ou negativa sobre o seu desempenho. como um desvio importante ou uma perda. Limitações de Atividades: São dificuldades que um indivíduo pode encontrar na execução de atividades. e diz respeito a avaliação e intervenção nas: funções e estruturas do corpo – e deficiências. e nos fatores contextuais – ambientais e pessoais. individual e social.Ambientais e pessoais Fatores Contextuais: Representam o histórico completo da vida e do estilo de vida de um indivíduo. Participação: É o envolvimento numa situação da vida. Definições: Atividade: É a execução de uma tarefa ou ação por um indivíduo. Estruturas do Corpo: São as partes anatômicas do corpo. Deficiências: São problemas nas funções ou na estrutura do corpo.

hábitos. outros estados de saúde. sobre a capacidade do indivíduo para executar ações ou tarefas. raça. 10 . antecedentes sociais. ou sobre a função ou estrutura do corpo do indivíduo.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física sociedade. nível de instrução. educação recebida. diferentes maneiras de enfrentar problemas. iniciaremos no próximo tópico um outro assunto: a Deficiência Física. estilo de vida. Esses fatores podem incluir o sexo. características psicológicas individuais e outras características. (eventos na vida passada e na atual). Fatores Pessoais: São o histórico particular da vida e do estilo de vida de um indivíduo e englobam as características do indivíduo que não são parte de uma condição de saúde ou de um estado de saúde. caráter. condição física. Dando seqüência ao tema. padrão geral de comportamento. profissão. idade. todas ou algumas das quais podem desempenhar um papel na incapacidade em qualquer nível. experiência passada e presente.

por si mesma.2. o sistema muscular e o sistema nervoso. em tempos de paz.DEFICIÊNCIA FÍSICA A deficiência física é definida como uma desvantagem. Atualmente. Destes. em decorrência de uma deficiência. As doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas. Segundo a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes. para integrar o deficiente físico no meio social. segundo o(s) segmento(s) corporais afetados e o tipo de lesão ocorrida. resultante de um comprometimento ou de uma incapacidade. Considerando-se o total dos portadores de qualquer deficiência. 1. modificar barreiras arquitetônicas.Definição de Deficiência Física A deficiência física refere-se ao comprometimento do aparelho locomotor que compreende o sistema ósteo-articular. apenas 2% deles recebem atendimento especializado. (Ministério da Saúde Coordenação de Atenção a Grupos Especiais. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que. dentro de suas limitações. público ou privado. As associações que agregam pessoas portadoras de necessidades especiais trabalham no sentido de conscientizar a sociedade. 20% seriam portadores de deficiência física ou limitação motora. podem produzir quadros de limitações físicas de grau e gravidade variáveis.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física 1.1. 1995). ressaltar a capacidade de trabalho desses indivíduos e facilitar seu acesso à rede de ensino. Para os países em vias de desenvolvimento estima-se de 12 a 15%. o deficiente físico é definido como uma pessoa incapaz de assegurar. congênita ou não. as necessidades de uma vida individual ou social normal. isoladamente ou em conjunto. total ou parcialmente. sabemos que essa definição está ultrapassada. que foi elaborada em 1975. uma vez que o deficiente físico se esforça para suprir suas necessidades pessoais e sociais da forma mais independente possível.2. que limita ou impede o desempenho motor de determinada pessoa. 11 . em suas capacidades físicas. 10% da população de países desenvolvidos são constituídos de pessoas com algum tipo de deficiência ou limitação.

triplegia.296. Nas pessoas adultas. Existem diversos tipos de deficiência física. Hemiplégicos. pode resultar de um acidente vascular cerebral (derrame). doenças infantis ou acidentes. quando adquirida. Se a lesão afetar a área da linguagem. de lesão medular. Há também a Paralisia cerebral é um distúrbio do movimento e da postura em conseqüência de uma lesão que pode ter ocorrido no cérebro durante a gestação. tetraplegia.2.Causas. (Redação dada pelo Decreto nº 5. Existem pessoas amputadas. ou seja. nanismo. membros com deformidade congênita ou adquirida. ou uma gangrena). Deficiência Física é a alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano. tais como: a hemiplegia (quando a metade direita ou esquerda do corpo fica paralisada). Origens e Tipos de Deficiências Físicas As causas. ou necessitaram tirálo por problemas de saúde (como um problema circulatório. com exceção dos casos em que células da área de inteligência são atingidas no cérebro. a deficiência física. a inteligência fica preservada. Na maioria das vezes. que nasceram sem um membro. na hora do parto. paralisia cerebral. entre outras.2. lesões por esforços repetitivos. perderam-no em um acidente. apresentando-se sob a forma de paraplegia. podendo estar ligados a problemas genéticos. de seqüelas de queimaduras. das pernas) e a tetraplegia (que significa a paralisia dos braços e das pernas). a pessoa não fala. hemiparesia. triparesia. exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. tetraparesia. monoparesia. monoplegia. seqüelas de 12 . acarretando o comprometimento da função física. afetando os movimentos do corpo. os tipos e as origens das Deficiências Físicas e limitações motoras são diversos. ostomia. ou logo após o nascimento. a paraplegia (que é a paralisia dos membros inferiores. hemiplegia. amputação ou ausência de membro. A deficiência física implica falha das funções motoras. paraparesia. paraplégicos e tetraplégicos sofreram lesões no sistema nervoso (no cérebro ou na medula espinal) que alterara o controle neurológico sobre os músculos. complicações na gestação ou na gravidez. ou fala com dificuldade. de 2004) 1.296.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física Segundo o Decreto nº 5. de traumatismo craniano.

acompanhe algumas das origens da Deficiência Física: • • De origem encefálica: neste grupo incluímos a esclerose múltipla o AVC e a Paralisia Cerebral. • • De origem muscular: especialmente a distrofia muscular progressiva (ou miopatia) De origem ósteo-articular: são aqui incluídas a luxação coxo-femural. 13 . 1. etc. condodistrofia. amputações. De origem espinhal: neste grupo estão incluídas poliomielite. A seguir. como espinha bífida. reumatismos inflamatórios da coluna e das articulações. parada respiratória provocada por um choque anafilático (alergia a anestesia) durante uma cirurgia. traumatismos com ruptura ou compressão medular. de forma resumida.3. por degeneração. traumatismo craniano por uma queda muito forte.2. artrogripose (contração permanente da articulação) múltipla. formas distróficas como osteocondriosis (coxa plana). Em relação às crianças. ausência congênita de membros ou partes de. e também estarmos aptos a desenvolver ações e parcerias para a superação da deficiência ou limitação e conscientização de seus direitos. paralisia infantil (entre outras doenças infecciosas). por patologias degenerativas do sistema nervoso central (esclerose múltipla ou amitrófica) ou por amputação.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física politraumatismos.Diagnóstico da Deficiência Física Devemos estar atentos aos diversos aspectos que podem vir a identificar uma criança ou um adulto como deficiente físico. como a Síndrome de WerdnigHoffmann. malformações congênitas ou ocasionadas por remédios tomados pela mãe durante a gestação (seqüelas de talidomida. má-formação. osteogenesis imperfecta (doença que fragiliza o tecido ósseo. entre outras. algumas se tornaram deficientes em decorrência de meningite. sendo popularmente chamada de “ossos de vidro”). por exemplo) e outros problemas.

Perda ou alterações dos movimentos. A identificação precoce pela família seguida de exame clínico especializado favorece a prevenção primária e secundária e o agravamento do quadro de incapacidade. Andar de forma não coordenada. Movimentação sem coordenação. 14 .A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física Algumas medidas ajudariam em uma melhor identificação quanto ao quadro da deficiência física. Nós educadores. Também devemos saber que deficiência física não é sinônimo de invalidez social. a sociedade e os deficientes devem se unir para vencerem obstáculos que surgem ao longo da jornada da vida. ou qualquer deformidade corporal. Identificação de erros inatos do metabolismo. Controle de gestação de alto-risco. A deficiência física não deve impedi-la de freqüentar os diversos ambientes de convívio social e nem a escola. Pernas em tesoura (uma estendida sobre a outra) Identificação de doenças infecto-contagiosas e crônico-degenerativas. pois assim contribui para ser aceita pela sociedade. não sentar. pisando na ponta dos pés ou mancando. de diferentes causas e origens. desequilíbrios. ou quedas constantes. devemos ter em mente que não costumam ocorrer quadros puros. Pés tortos. Dificuldade para realizar atividades que exijam coordenação motora fina. ou muscular. no tempo esperado). sonhos e desejos e tenha sempre em mente que é uma pessoa capaz. Toda criança precisa desenvolver seu potencial intelectual. É importante que a própria pessoa com deficiência física ou com limitações motoras lute por seus objetivos. Afinal. acompanhe a seguir: • • • • • • • • • • • • Observação quanto ao atraso no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê (não firmar a cabeça. Dor óssea. lesões ou distúrbios. articular. é possível que uma mesma pessoa possua um ou mais tipos de deficiências. não falar. da força muscular ou da sensibilidade para membros superiores ou membros inferiores.

) não têm uma formação aprofundada e especializada que facilite a compreensão do diagnóstico médico que costuma acompanhar os alunos (deficientes). pedagogia.2. a prática diária nos mostra que o mais relevante para nós. Os dados a serem observados seriam: • • • • Como o aluno se desloca? Como utiliza as mãos? Como se comunica? Como senta-lo na classe? É com vista (na presença da criança deficiente na escola) que iremos iniciar o próximo tópico: a inclusão escolar. de forma que o entendimento mútuo entre eles seja garantido. é importante que se consiga estabelecer uma linguagem comum entre os profissionais. consequentemente. Por isso. educadores. psicologia. etc.A Deficiência Física na Prática Pedagógica Normalmente os profissionais procedentes do campo da educação (magistério. mas sim nas áreas em que se desenvolverá o desempenho pessoal.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física 1. social e.4. 15 . não é tanto o diagnóstico do caso como as características deste. no que se refere aos dados que descrevem as deficiências físicas ou as limitações motoras. escolar do aluno. Segundo MARTÍN.

a comparação e. de conceitos e posições. De forma que: atenda aos estudantes portadores de necessidades especiais na vizinhança da sua residência. além de fornecer o suporte de serviços da área de Educação Especial através dos seus profissionais. ainda fortemente calcadas na linearidade do pensamento. embora tendo objetivos e processos diferentes. a seleção. refere-se a um processo educacional que visa estender ao máximo a capacidade da criança portadora de deficiência na escola e na classe regular. a rotulação. 2000). que fogem às regras tradicionais do jogo educacional. sendo decorrente de uma educação acolhedora e para todos. onde predomina a padronização. (MANTOAN. de modo que se tornem espaços de formação e de ensino de qualidade para todos os alunos. propicie aos professores um suporte técnico. consubstanciada na 16 . A meta da inclusão escolar é transformar as escolas.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física 1. a discriminação e a perda de oportunidades. na transmissão dos conteúdos curriculares.EDUCAÇÃO INCLUSIVA Por Educação Inclusiva se entende o processo de inclusão dos portadores de necessidades especiais ou de distúrbios de aprendizagem na rede comum de ensino em todos os seus graus. Para Mantoan.3. no primado do racional e da instrução. se perceba que as crianças podem aprender juntas. deve-se ter em vista que a inclusão escolar é um processo constante que precisa ser continuamente revisto. a classificação. Ainda hoje. a homogeneidade. a escola está ligada a falta de acessibilidade e a valores positivistas. leve os professores a estabelecerem formas criativas de atuação com as crianças portadoras de deficiência. Nesse processo. (2002) “a inclusão escolar. atendo-se às peculiaridades de cada aluno. propicie a ampliação do acesso destes alunos às classes comuns. a exclusão. na seriação dos níveis de ensino. O processo de inclusão escolar. A proposta inclusiva nas escolas é ampla e abrangente. em conseqüência disso. A inclusão implica mudança de paradigma. e propiciem um atendimento integrado ao professor de classe comum. propõe a fusão das modalidades de ensino especial e regular e a estruturação de uma nova modalidade educacional.

fazer as tarefas pela criança com deficiência. que mantém a discriminação dentro e fora das escolas. seus limites e potencialidades. principalmente para as com necessidades especiais. verificar qual é a melhor posição em relação à lousa e se o banheiro tem condições de ser utilizado. se a criança não consegue segurar o papel para escrever. A escola é um espaço indispensável para qualquer criança. embora. tratado isoladamente e oficializado em subsistemas paralelos. fora do contexto familiar. que a criança possa levar para casa. preparando-as para enfrentar o futuro. A pretensão é: unificar o que está fragmentado. Ou. Isso porque. as vezes. aos poucos. A escola é um dos principais espaços de convivência social do ser humano. este pode ser preso na carteira com fita crepe. já que é na escola que a criança e o adolescente começam a conviver num coletivo diversificado. é lá que. desenvolvendo seu potencial intelectual. como a criança com deficiência física em geral escreve mais lentamente. a professora pode esperar mais tempo para apagar a lousa ou estimular o trabalho cooperativo. Uma outra alternativa possível é a professora preparar fichas com o texto escrito na lousa. interagindo com outras crianças e tomando consciência de que é capaz de realizar a maioria das atividades. A família também desempenha um papel fundamental no processo de adaptação das crianças à escola: elas devem conversar com a professora e com a equipe escolar. Na escola pode ser necessário adaptar a carteira. dicotomizado. porém. e valorizar as ‘eficiências desconhecidas’ tão comumente rejeitadas e confundidas por não caberem nos moldes virtuais do ‘bom aluno’”. ela aprende a confiar cada vez mais em si própria. orientando sobre como tratar a criança. Ela tem papel primordial no desenvolvimento da consciência de cidadania e de direitos. (MEC. durante as primeiras fases de seu desenvolvimento. com naturalidade. 17 . 2003). pequenas adaptações podem fazer muita diferença: por exemplo. no qual os colegas colaboram sem. No processo educativo inclusivo. É também na escola que se proporcionam oportunidades educacionais para que as crianças tenham uma existência feliz. reconhecer as possibilidades humanas. É importante que se consulte a criança sobre suas necessidades.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física idéia de uma escola única. leve um pouco mais de tempo.

E é nesse contexto.3. principalmente se a criança teve uma estimulação adequada. andar ouvir. mobilidade. as diferenças entre crianças com deficiência física e crianças não deficientes são pequenas. O que é o falar sem o ensejo e o desejo de nos comunicarmos uns com os outros? O que é o andar se não podemos traçar nossos próprios caminhos. cobrindo déficits de visão. 1.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física Na fase inicial de aprendizagem da leitura. tratam de incapacidades específicas.A Escola e as Diferenças Cada vez mais. aplicar o que sabemos.1. na maioria das vezes. buscando complementos uma na outra”. audição. entre duas áreas que se propõem a integrar seus propósitos e conhecimentos. sem as amarras dos treinos e dos condicionamentos? Daí a necessidade de um encontro da tecnologia com a educação.. ver. o desenvolvimento intelectual é bastante semelhante. Mas tudo isto só não basta. em geral. A defesa da cidadania e do direito à educação das pessoas portadoras de deficiência é atitude muito recente em nossa sociedade.. 2005). compreensão. de forma a garantir que os estudantes com deficiência avancem nos estudos e nos diversos segmentos da vida. que dizemos que a aplicação da Tecnologia Assistiva na educação vai além de simplesmente auxiliar o aluno a “fazer” tarefas pretendidas. a conquista e o reconhecimento de alguns direitos dos portadores de deficiências podem ser identificados como 18 . tais aplicações. de indivíduos ou grupos. Servem para compensar dificuldades de adaptação. atenuar os déficits: Fazem falar. para explorar o mundo que nos cerca? O que é o aprender sem uma visão crítica. Nela. (MANTOAN. aprender. “O desenvolvimento de projetos e estudos que resultam em aplicações de natureza reabilitacional. para buscar o que desejamos. Isso porque. sem viver a aventura fantástica da construção do conhecimento? E criar. Manifestando-se através de medidas isoladas. nos deparamos com o crescimento e amadurecimento da inclusão na sociedade como movimento de luta das pessoas com deficiência e seus familiares na busca dos seus direitos e seu lugar na sociedade. da escrita e do cálculo. Assim sendo. conseguem reduzir as incapacidades. encontramos meios de o aluno “ser” e atuar de forma construtiva no seu processo de desenvolvimento.

por meio do acompanhamento. ainda que contribuindo para o crescimento e desenvolvimento de todos – professores. alunos e pessoal administrativo. educativas. É oferecer o desenvolvimento da autonomia. social. estudo e pesquisa de modo a inseri-lo e mantê-lo na rede comum de ensino em todos os seus níveis. emocional. Ainda segundo as autoras. respeitar. de modo a poder decidir. estas se preparam para assumir seus papeis na sociedade. etc. 19 . valorizar. p. a partir de meados deste século. entender. artísticas. p. A proposta da educação inclusiva se baseia na adaptação curricular. (. (Mazzotta. transpor barreiras que a sociedade criou para as pessoas. exigindo mudanças e melhorias nas diversas estruturas sociais.) Incluir é trocar. esse processo não tem sido diferente. visando à reestruturação da escola para todos os alunos.15) Para Ferreira e Guimarães (2003).. Sendo assim. lutar contra exclusão. tendo em vista que a escola é um espaço de educação que desenvolve as várias áreas: cognitivas.. como agir nas diferentes circunstâncias da via. culturais. para os demais alunos e membros da comunidade escolar. Percebemos que a inclusão trás diversos benefícios para os alunos deficientes. realizada através da ação de uma equipe multidisciplinar que oferece suporte tanto ao professor quanto ao portador de necessidades especiais. pois não se limita àqueles que apresentam deficiências mas. étnica e cívica para uma formação integral do educando. 41) inclusão é “Um processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir em seus sistemas sociais gerais pessoas com necessidades especiais e. se estende a qualquer aluno que manifeste dificuldade na escola.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física elementos integrantes de políticas sociais. por meio da colaboração de pensamentos e formulação de juízo de valor. Para Sassaki (1997. o movimento da inclusão de crianças com deficiência no ensino regular tem sido impulsionado após a reforma geral da educação. por si mesmo.” No âmbito da escola. simultaneamente. 2001. da saúde. a inclusão impõe uma mudança de perspectiva educacional.

Pois não apenas as deficientes são excluídas. e passe a exercer a sua cidadania. Deve estar orientada para o acolhimento. ao espírito crítico. DP&A) O sucesso da inclusão de alunos com deficiência na escola regular decorre. as que de tanto repetir desistiram de estudar. Dessa maneira. mas também as que são pobres. Já para os demais alunos e membros da escola. Um dos grandes desafios da Educação Inclusiva é conceder o acolhimento e respostas às inúmeras questões da diversidade por meio de um ensino de qualidade. aceitação. para os alunos deficientes. portanto. E só se consegue atingir esse sucesso. geralmente não dá conta do que é necessário para que essa abertura se concretize. é possível contar com a assistência/ajuda por parte dos colegas. O ensino que a maioria das escolas ministra. a aprendizagem é concebida e avaliada. nas escolas de ensino regular. de respeito por todas as pessoas. esforço coletivo e equiparação de oportunidades de desenvolvimento. por meio da adequação das práticas pedagógicas à diversidade dos aprendizes. e de construção de uma sociedade solidária. A inclusão escolar visa a abertura das escolas às diferenças. não apenas das crianças com deficiências. Implica trabalhar com a diversidade. mas de todas as crianças. as que pertencem a grupos discriminados. criativo. consideramos que seja fundamental priorizar o acesso do aluno com necessidades especiais em turmas do ensino regular para que se possa adquirir incentivo à autonomia. quando a escola regular assume que as dificuldades de alguns alunos não são apenas deles. por exemplo. de diminuição da ansiedade face aos fracassos ou insucessos. é uma ótima forma de aprenderem a lidar com as diferenças individuais com a diversidade e com a pluralidade cultural.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física Isso porque. elas crescem e aprendem a viver em ambientes integrados e podem encontrar modelos positivos nos colegas. Essa educação exige o atendimento de necessidades especiais. as que não vão às aulas porque trabalham. do reconhecimento das necessidades e competências dos colegas. Para Mantoan (2002. mas resultam em grande parte do modo como o ensino é ministrado. 20 . aos seus alunos. de praticarem e partilharem as aprendizagens com os colegas. de forma interativa e coletiva em todas as escolas e setores sensíveis. das possibilidades de se conseguir progressos significativos desses alunos na escolaridade.

Priorizar a qualidade do ensino é um desafio que precisa ser assumido por todos os educadores. É um compromisso inadiável das escolas. As escolas ainda estão longe. Medidas adotadas pelas escolas que INCLUEM • admite todos os alunos • • seres singulares Medidas adotadas pelas escolas que EXCLUEM • admite alguns alunos • classifica-os.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física pois as escolas adotam medidas excludentes quando se defrontam com as diferenças. O que existe em geral são escolas que desenvolvem projetos de inclusão parcial. do ponto de vista das escolas tradicionais e das que optaram pela inclusão. na maioria dos casos. rotula-os • ensino dicotomizado: especial e regular • aprendizagem competitiva • primado da instrução • apoio à parte e para alguns • currículos adaptados e improvisados pelo professor uma única modalidade de ensino • • • aprendizagem cooperativa primado da formação o mesmo apoio para todos • currículos abertos e com base sóciocultural No contexto educacional verdadeiramente inclusivo. que prepara o aluno para a cidadania e que visa o seu pleno desenvolvimento humano (como ampara a Constituição Federal Brasileira no artigo 205) as crianças e adolescentes com deficiências não precisariam e não deveriam estar de fora do ensino infantil e do ensino fundamental das escolas de ensino regular. veja algumas relações entre essas medidas. os quais não estão associados a mudanças de base nas escolas e continuam a atender aos alunos com deficiência em espaços escolares semi ou 21 . Trata-se de uma tarefa possível de ser realizada. de se tornarem inclusivas. pois a educação básica é um dos fatores do desenvolvimento econômico e social. nem freqüentando classes e escolas especiais. No quadro abaixo. mas é impossível de se efetivar por meio dos modelos tradicionais de organização do sistema escolar.

a criatividade e o espírito crítico sejam exercitados nas escolas. que favoreçam a todos os alunos. por 22 . deve-se promover uma formação permanente de todos os envolvidos no processo de aprendizagem: clínico. Mas isso não é tarefa fácil. pois senão todo o esforço dos professores e envolvidos estará sendo praticamente em vão. novas alternativas e práticas pedagógicas. a solidariedade. Os pais devem ser orientados e devem participar de todo o processo. é necessário que o trabalho não seja executado somente dentro da sala de aula e sim na escola toda. Destacaremos as que consideramos primordiais em nossa pesquisa. na maioria das vezes pelo despreparo dos seus professores para esse fim. mudar a escola é enfrentar uma tarefa que exige trabalho em muitas frentes. No entanto a mudança da escola é primordial. especialmente os casos mais graves. familiar. Em ambas as circunstâncias. institucional. se garanta tempo para que todos possam aprender o que for possível de acordo com o perfil de cada um e reprovando a repetência. em conseqüência. professores itinerantes etc). Também. em direção de um ensino de qualidade e. pois não teriam condições de acompanhar os avanços dos demais colegas e seriam ainda mais marginalizados e discriminados do que nas classes e escolas especiais. escolas especiais. porque escola foi feita para fazer com que todos os alunos aprendam. o diálogo com toda a comunidade. inclusivo. para que se possa transformar a escola. Existem também as que não acreditam nos benefícios que esses alunos poderão tirar da nova situação. o diálogo. É necessário que: se coloque a aprendizagem como o eixo das escolas. abrir espaço para que a cooperação. As escolas que não estão atendendo alunos com deficiência em suas turmas de ensino regular se justificam. Para que haja a inclusão. turmas de aceleração. o que implica na atualização e desenvolvimento de conceitos e em aplicações educacionais compatíveis com esse grande desafio. o que fica evidenciado é a necessidade de se redefinir e de se colocar em ação.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física totalmente segregados (classes especiais. também é necessário uma maturidade de todo o grupo escolar para que compreendam o aluno e suas dificuldades.

realizando concursos públicos de ingresso. materiais. locomoção.2. No caso de haver deficientes físicos nas classes. pois são habilidades mínimas para o exercício da verdadeira cidadania. resolver alguns inconvenientes e habilitar o ambiente que. elaborar planos de cargos e aumentando salários. Entre os materiais de apoio pedagógico necessários estão pranchas ou presilhas para prender o papel na carteira. Toda escola precisa eliminar as barreiras arquitetônicas. computadores que funcionam por contato na tela e outros recursos tecnológicos. administradores. alguns muito caros e outros mais baratos. instalação de barras de apoio e alargamento das portas. existem vários aparelhos e adaptações para o deficiente físico. atividades. dessa maneira. Porém. estimular. 1.a aprendizagem dos alunos. formar continuamente e valorizar o professor que é o responsável pela tarefa fundamental da escola . uma ferramenta ou de um suporte técnico adequado. higiene e comunicação dos deficientes físicos: 23 . pode se tornar mais acolhedor e funcional. mas que esta se transforme de forma a possibilitar a inserção daquela. a vida da pessoa deficiente é facilitada quando o ambiente reúne as condições necessárias adaptadas a cada um. No mais.Adaptações Básicas para uma Escola Inclusiva Na educação inclusiva não se espera que a pessoa com deficiência se adapte à escola.3. em inúmeras ocasiões. suporte para lápis. Diante do alto custo.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física professores. Para isso. funcionários e alunos. mesmo que não tenha jovens com deficiência matriculados. a modelagem do mobiliário deve levar em conta as características deles. Algumas sugestões podem ser úteis para a inclusão e adaptação dos espaços. pode tornar-se possível com o auxilio de um aparelho. acesso e remoção de professores. com simples adaptação de objetos cotidianos. os portadores de deficiência física com freqüência se vêem obrigados a utilizarem a própria criatividade e fazerem improvisações. A impossibilidade ou dificuldade de alguma atividade. é possível. As adaptações do edifício incluem: rampas de acesso.

são extremamente importantes no momento de decidir e escolher o design de um recurso. é possível encontrarmos alunos com diversos tipos de deficiências. os tipos de seqüelas que eles apresentam. principalmente. fixe as folhas de papel na carteira usando fita adesiva. no auxilio ou no desempenho de uma atividade: 24 .A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física • Pergunte ao aluno e à família que tipo de ajuda ele precisa. quer seja para a atividade acadêmica. dentre outras. apresentadas por alunos com deficiência física. tanto em pé quanto sentado. • Se necessário. • Aqueles que andam em cadeira de rodas precisam mudar constantemente de posição para evitar cansaço e desconforto. • Informe-se sobre a postura adequada do aluno. O conhecimento dos quadros clínicos e. • Ouça com paciência quem tem comprometimento da fala e não termine as frases por ele. se tem crises e que procedimento adotar se isso ocorrer. Numa classe escolar. e que cada caso deve ser estudado com muita atenção. são imprescindíveis para tomadas de decisões sobre qual o tipo de material e qual o design do recurso que deverá ser melhor utilizado. As características sensoriais. recursos e serviços que podem ser utilizados. físicas. partindo do princípio de que cada necessidade especial é única. se tem horário específico para ir ao banheiro. e garanta que ele não fuja dela. se toma medicamentos. Os lápis podem ser engrossados com esparadrapo para auxiliá-lo na escrita. e quais as relações dessas seqüelas com o ambiente. quer seja para a comunicação. caso ele tenha pouca força muscular. Vejamos agora alguns tipos de adaptações. motoras.

A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física TIPOS DE ADAPTAÇÕES IMAGEM Rampa para Cadeira de Rodas DESCRIÇÃO DESCRIÇÃO: Dispositivo destinado a facilitar o acesso de pessoas em cadeira de rodas. Adaptações para a mobilidade Bicicleta Adaptada Triciclo Borda para Prato DESCRIÇÃO: Anteparo que auxilia na alimentação para que o alimento não caia do prato. Adaptações de mobiliário 25 . Almofada em nylon lavável e cinto de fixação para o corpo com feixos em velcro. Peso: 8 Kg. Acompanha o prato. DESCRIÇÃO: Para Crianças portadoras de paralisia cerebral. ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA: Assento abdutor integrados e confeccionados em fibra de vidro revestida em espuma forrada com tecidos de nylon lavável. Apoio de tronco com altura regulável e prendedores para os pés. DESCRIÇÃO: Para Crianças portadoras de paralisia cerebral leve. Comprimento variável conforme solicitação do cliente. veículos como Vans ou Mini-Vans. Apoio de tronco com altura regulável fabricado em fibra de vidro. Peso: 8 Kg. ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA: Equipada com duas manetes em posição vertical. Confeccionado em fibra de vidro. Rodas traseiras para equilíbrio. erm pequenas escadas. ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA: Rampa constituída em duas canaletas construídas em perfis de alumínio de grande resistência. Apoio para Copo DESCRIÇÃO: Adaptação confeccionada manualmente para suporte de copo. Capacidade de carga para pessoas com até 110 Kg.

tais como. Os viradores coloridos têm a função de facilitar a discriminação de cada folha. Cadeira de Banho DESCRIÇÃO: Cadeira higiênica para paraplégicos podendo ser usada para banho ou diretamente sobre o vaso sanitário. cardápios. concomitantemente ou não com sons. azul (estados emocionais) e branca (tempo. espaço e frases interrogativas e imperativas). para facilidade de acesso. A utilização de gestos. fichários de variados tamanhos e álbuns de fotografias. Apoio fixo a parede para auxilio ao deficiente físico no uso do vaso sanitário.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física Barras de Apoio Adaptações para o asseio DESCRIÇÃO: Fabricadas em alumínio com acabamento em pintura eletrostática. Assento. e cada cor do virador representa uma categoria gramatical: laranja (substantivos). Rodas 20"de diâmetros dotadas de aro de impulsão e freios. Diversas cores e modelos. FIGURA DE CIMA: O aluno contava que havia visto uma elefante. proporcionando independência ao usuário. pode ser estimulada para que o aluno se faça entender. As pastas foram adaptadas com viradores que possibilitam melhor desempenho motor e diminuem o tempo de seleção dos estímulos para comunicação. Braços e apoios para pés removíveis. acompanha a fala. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS: Estrutura em tubo de alumínio de 1" de diâmetro. DESCRIÇÃO: Vários tipos de pasta industrializadas podem ser utilizadas como recursos para comunicação alternativa. DESCRIÇÃO: O gesto é um recurso de comunicação do homem e. encosto e apoio para pés em resina poliester reforçada com vibra de vidro e acabamento em pintura automotiva. Ele utilizou a mão para 26 Pastas e fichários Adaptações para a comunicação Gestos . na maioria das vezes. amarelo (pessoas). Esses podem ser adaptados às características físicas e motoras dos usuários. verde (verbos). Rodas em nylon com pneus de borracha e mancais em bucha de teflon auto-lubrificante. figuras ou fotos.

essas lâminas podem 27 Adaptações para o computador Teclado Adaptado . As figuras estão secionadas por um corte diagonal e coladas em um tabuleiro de latão. porém com funções que facilitam o manuseio por pessoas com dificuldades motoras. Cada animal representa uma letra do alfabeto. O recurso é confeccionado com câmara de pneus e sobre ele é colado o numeral. Pode ser utilizado com o aluno na postura em pé ou sentada. Foi confeccionado para um aluno com necessidade de melhorar a flexão e extensão de membros superiores. cujas teclas são digitais. Várias atividades podem ser desenvolvidas com grupos de alunos em momentos de recreação e lazer. Os desenhos correspondem ao formato de uma pegada e de uma luva. DESCRIÇÃO: Auxilia na discriminação de figuras parte/todo. Possui sete lâminas que são adaptadas de acordo com a necessidade do usuário. Suporte/Apoio para caneta Adaptações de material DESCRIÇÃO: Pés e Mãos de Borracha Adaptações de jogo Quebra-Cabeça Imantado DESCRIÇÃO: Auxilia na discriminação de distâncias entre um passo e outro e possibilita treinar a posição de engatinhar. FIGURA DE BAIXO: O aluno indica numericamente o número de peixes que havia pescado. DESCRIÇÃO: Assemelha-se ao teclado tradicional. Macaco. e adquirir noções de espaço e tempo. Além de substituem funções de uso do mouse.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física indicar a tromba do elefante. A outra metade possui um imã na parte detrás que gruda no tabuleiro. Facilita ao aluno trabalhar com o próprio corpo. Por exemplo. Zebra. O quebra-cabeça é confeccionado em madeira com aplicação de figuras de animais.

de 20 de dezembro de 1996.Sobre Princípios. mas.853. O teclado é conectado ao computador com cabo USB. principalmente escolas. Afinal. etc.284.3.296 – Dez de 2004 28 . teatros.Conselho Estadual de Educação Resolução CNE/CEB Nº 2/2001 ---------------TECNOLOGIA ASSISTIVA E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA Decreto 5. Declaração de Salamanca . empresas.296. os deficientes têm os mesmos deveres que os demais cidadãos que não são deficientes têm. vias públicas. Inclusão e Deficiência Abaixo destacaremos alguns trechos de artigos.3. Para concluir este tópico.098. É preciso que a sociedade dê condições a eles para utilizarem os meios de transporte. Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais Decreto Nº 3. 1. leis.298. shoppings.394. Decreto Nº 5. Um exemplo de teclado adaptado é o Intellikey. Parecer CNE/CEB Nº 17/2001 Portaria Nº 3. para o deficiente é necessário muito mais. terminamos dizendo que as adaptações das residências são importantes. tais como cinemas. pareceres e resoluções que norteiam o movimento inclusivo e o atendimento educacional especial e a utilização de tecnologias assistivas: ----------------------------------------------Constituição Federal de 1988.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física auxiliar: no processo de alfabetização. de 7 de novembro de 2003. Governo do Estado do Pará . Lei Nº 10. Resolução Nº 400. Dez de 2004 Lei Nº 7. de 20 de dezembro de 1999. assim como as condições de acesso à cidadania e a dignidade. bancos. na navegação na internet e no acesso a funções que exigem que se pressione duas teclas ao mesmo tempo. é preciso dar acesso a edifícios públicos e privados. de 23 de março de 1994. de 24 de outubro de 1989.Aspectos Legais da Tecnologia Assistiva. serviços públicos. de 20 de outubro de 2005.. Lei Nº 9.

ajuda técnica: os produtos. 8º Para os fins de acessibilidade. 29 . consideram-se ajudas técnicas os produtos.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física Art. 61. Capítulo VII . favorecendo a autonomia pessoal. considera-se: V . instrumentos.Das ajudas técnicas Art. Para os fins deste Decreto. instrumentos. equipamentos ou tecnologia adaptados ou especialmente projetados para melhorar a funcionalidade da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. total ou assistida. favorecendo a autonomia pessoal. equipamentos ou tecnologia adaptados ou especialmente projetados para melhorar a funcionalidade da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. total ou assistida.

A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física CAPÍTULO II ESTUDOS DE CASOS (CASOS CONCRETOS) 30 .

ESTUDO DE CASO Nº 3 31 .A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física 2.ESTUDO DE CASO Nº 2 2.1.2.ESTUDO DE CASO Nº 1 2.3.

Brasília: 1989. Lei nº 8. Decreto n. SCHIRMER. de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a Lei nº 7. Trabalho e Cidadania. 5 ed. BENCINI.394/96. n. Estatuto da Criança de do Adolescente. Secretaria de Educação Especial. Constituição Federal. São Paulo: Abril. 2001. BRASIL. 1998. Lei nº 7. dispõe sobre a Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. 1988a. Pessoas especiais. V Simpósio Paraense de Paralisia Cerebral. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiência e sua integração social. BRASIL. M. L. ANAIS. Brasília: 1996. 2005. ____________. (Re)educação e (re)adaptação profissional e social ao incapacitado parcial ou total. R.A Importância da Tecnologia Assistiva no Processo Educativo Inclusivo das Crianças com Deficiência Física REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • ____________. Trabalhos Apresentados. • • • • • • • • • • • • 32 . Brasília: 1985. Lei nº 8. BIANCHETTI. Belém: 2008.. Lei 9.853/89. Belém: 2006. R. nº 1 Brasília: MEC–SED 1998. jan.) Um Olhar Sobre a Diferença: Interação. Educação Especial. FREIRE. BRASIL. BRASIL. C. Brasília: 1999a BRASIL.853. BRASIL. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Cadernos da TV Escola. Deficiência mental. Campinas: Papirus. I.139. Brasília: Senado Federal. IV Simpósio Paraense de Paralisia Cerebral. Brasília: 1991. de 24 de outubro de 1989./fev. Deficiência física. I Fórum de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social da Pessoa Deficiente. Revista Nova Escola.36-39. BRASIL. II Fórum de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social da Pessoa Deficiente. Obrigatoriedade do Símbolo Internacional de Acesso. p. BRASIL.213/91.069. BERSCH. Lei nº 7. 3298. Brasília: Ministério da Educação.405/85. O que é Tecnologia Assistiva? In: Ensaios Pedagógicos: Construindo Escolas Inclusivas. Brasília: 1990. Trabalhos Científicos Apresentados. ANAIS. (Orgs.

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