CONTROLE TECNOLÓGICO BÁSICO DO CONCRETO

Autor: Rodrigo Piernas Andolfato

Ilha Solteira - 2002

SUMÁRIO

1.

CONCEITUAÇÃO GERAL .................................................................................................1 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.5. 1.6. 1.7. CONCRETO ...................................................................................................................1 CONCRETO ARMADO ...................................................................................................1 DURABILIDADE DO CONCRETO ....................................................................................1 DURABILIDADE DO CONCRETO ARMADO......................................................................1 SENTIDO ECONÔMICO DO CONCRETO ARMADO............................................................2 FISSURAÇÃO DO CONCRETO ARMADO .........................................................................2 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO CONCRETO ARMADO ............................................2

2.

CONSTITUIÇÃO DO CONCRETO ....................................................................................4 2.1. 2.2. 2.2.1. 2.2.2. 2.2.3. 2.3. 2.3.1. 2.3.2. 2.3.3. 2.3.4. 2.3.5. ELEMENTOS CONSTITUINTES DO CONCRETO .................................................................4 CIMENTO ......................................................................................................................5 Tipos de cimento......................................................................................................5 Cimentos portland ...................................................................................................5 Cimentos portland modificados...............................................................................8 AGREGADOS ................................................................................................................8 Propriedades gerais .................................................................................................8 Agregados miúdos ..................................................................................................9 Agregado graúdo...................................................................................................10 Água .....................................................................................................................10 Aditivos.................................................................................................................10

3.

PROPRIEDADES DO CONCRETO ..................................................................................11 3.1. 3.1.1. 3.1.2. 3.1.3. 3.2. 3.2.1. 3.2.2. 3.2.3. PROPRIEDADES DO CONCRETO FRESCO .....................................................................11 Preparação do concreto .........................................................................................11 Consistência do concreto fresco.............................................................................11 Transporte e colocação do concreto ......................................................................12 PROPRIEDADES DO CONCRETO NORMAL ENDURECIDO ..............................................12 Introdução .............................................................................................................12 Cura do concreto....................................................................................................13 Resistência à compressão simples do concreto ......................................................14

4.

DOSAGEM DO CONCRETO NORMAL...........................................................................20 4.1. 4.1.1. 4.1.2. 4.1.3. 4.1.4. INTRODUÇÃO .............................................................................................................20 Finalidade da dosagem ..........................................................................................20 Resistência da dosagem.........................................................................................20 Processos de dosagem............................................................................................21 Concreto de granulometria contínua .....................................................................21

4.2. 4.2.1. 4.2.2. 4.2.3. 5.

DOSAGEM DE CONCRETOS COM GRANULOMETRIA CONTÍNUA ..................................22 Cálculo do traço em peso ......................................................................................22 Cálculo do traço em volume..................................................................................27 Dosagem de concretos com agregados de granulometria descontínua .................28

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................29

são protegidas contra a corrosão pelo fato de o concreto ser um meio alcalino. Durabilidade do Concreto Armado As barras de aço.1. Concreto Armado Denomina-se concreto armado o material misto obtido pela colocação de barras de aço no interior do concreto. obtendo-se. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. sua resistência mecânica cresce lentamente com o tempo.2. 1. mesmo quando o concreto apresenta uma fissuração moderada. mas baixa resistência à tração. O concreto endurecido tem elevada resistência à compressão.4. agregado graúdo (brita ou cascalho) e agregado miúdo (areia). Quando exposto às intempéries. podendo ser moldado. Concreto Denomina-se concreto um material formado pela mistura de cimento. Durabilidade do Concreto O concreto é um material bastante estável quando bem executado.3. antes do lançamento do concreto plástico. na forma e dimensões desejadas. colocadas no interior do concreto. 1.unesp. 56 .br . CONCEITUAÇÃO GERAL 1. água. após o endurecimento uma peça de concreto armado. O concreto fresco tem consistência plástica. A experiência mostra que essa proteção persiste.Rodrigo Piernas Andolfato 1 1. as . As armaduras são posicionadas.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.feis. Este envolve as barras de aço.br e-mail: nepae@dec.Controle Tecnológico do Concreto .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. SP. 1.feis. bastando lançar a massa fresca no interior de fôrmas de madeira ou outro material adequado. Graças a esta propriedade. no interior da fôrma.nepae.unesp.

como material de construção. etc.7. em geral.feis. b) Tensões de tração produzidas por solicitações atuantes. Vantagens e Desvantagens do Concreto Armado O concreto armado apresenta. Fissuração do Concreto Armado A fissuração do concreto armado pode ser devida a duas causas principais: a) Retração acelerada do concreto.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. 56 .unesp. O aço é disponível mundialmente a preços competitivos.br e-mail: nepae@dec. . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. b) Grande facilidade de moldagem. barragens. estradas.Rodrigo Piernas Andolfato 2 estruturas de concreto armado têm. b) Produzem uma sensação de insegurança.feis. 1. As fissuras do concreto armado têm três efeitos prejudiciais: a) São pouco estéticas.br . quando se permite rápida evaporação da água da mistura.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. reduzindo o grau de proteção das mesmas contra oxidação. pontes. Os minérios de ferro existem também com abundância na terra. grande número de vantagens: a) Materiais econômicos e disponíveis com abundância no globo terrestre.5. O concreto armado é vastamente utilizado em estruturas de edifícios. c) Permitem o acesso de ar e água junto às armaduras.unesp. o que torna o concreto universalmente econômico. resultando ser o aço um dos materiais mais importantes da indústria. não surpreende sua extraordinária importância nas construções modernas.nepae. Sendo o concreto armado produto da associação de dois materiais econômicos. 1. obras marítimas. Sentido Econômico do Concreto Armado Os materiais que entram na constituição do concreto são abundantes em quase todas as partes do globo terrestre. permitindo adoção das mais variadas formas. 1. uma grande durabilidade.6.Controle Tecnológico do Concreto . SP. quando expostas ao meio ambiente.

h) Facilidade e economia na construção de estruturas contínuas. f) Grande estabilidade. e) Elevada resistência ao desgaste mecânico.Rodrigo Piernas Andolfato 3 c) Emprego extensivo de mão-de-obra não qualificada e equipamentos simples. sob ação de intempéries.feis. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. Uma das principais desvantagens do concreto armado é sua massa específica elevada ( 2.feis.5 t m 3 ).br e-mail: nepae@dec.br . .unesp. dispensando trabalhos de manutenção. resultando numa limitação prática dos vãos das vigas em concreto armado a valores de 30m a 40m. g) Aumento da resistência à ruptura com o tempo.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.unesp. SP. sem juntas.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. d) Elevada resistência à ação do fogo. as solicitações de peso próprio se tornam excessivas.Controle Tecnológico do Concreto . 56 .nepae. Em obras com grandes vãos.

enquanto a pasta (cimento + água) constitui o material ligante que junta as partículas dos agregados em uma massa sólida. SP. 56 . de emprego usual nas estruturas. de modo a reduzir o volume da pasta.br .br e-mail: nepae@dec. O cimento e a água formam a pasta. A quantidade de água necessária para a reação é pequena. Entretanto. são constituídos de quatro materiais: cimento portland. a sua escolha tem grande importância.unesp.feis. sendo necessário empregar uma proporção adequada entre as quantidades de água e cimento para se obter um concreto satisfatório. a adição de água diminui a resistência da pasta. pois o agregado é mais barato que a pasta. permitindo também a inclusão de maior quantidade de agregado. Algum tempo depois de misturado o concreto.nepae. não contendo materiais com efeitos prejudiciais. Os agregados são considerados materiais inertes. Os agregados devem atender a três condições: a) Serem estáveis nas condições de exposição do concreto.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. que enche a maior parte dos espaços vazios entre os agregados. Elementos constituintes do concreto Os concretos. água. Os agregados constituem cerca de 60% a 80% do concreto.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. porém se usa uma quantidade superior para obter trabalhabilidade. c) Serem graduados.feis.unesp. CONSTITUIÇÃO DO CONCRETO 2. que deve encher os espaços entre os agregados.Controle Tecnológico do Concreto . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. a pasta endurece. b) Apresentarem resistência à compressão e ao desgaste. agregado fino e agregado graúdo. o que tem sentido econômico. As propriedades ligantes da pasta são produzidas por reações químicas entre o cimento e a água. Como os agregados constituem uma porcentagem elevada do concreto. formando um material sólido. .1.Rodrigo Piernas Andolfato 4 2.

Rodrigo Piernas Andolfato 5 Além dos elementos indicados acima. Cimentos portland Os cimentos portland são cimentos hidráulicos produzidos pela pulverização de clínquer formado essencialmente por silicatos de cálcio hidratados. denominado clínquer (1400°C a 1550°C). nas proporções adequadas (a mistura pode ser seca ou com água). até a formação de um material vitrificado. Tipos de cimento Denomina-se.2. resistência a sulfatos. o concreto contém 1% a 2% de ar. b) Tratamento térmico da mistura. 1 American Society for Testing Materials .feis. c) Moagem do clínquer com 4% a 6% de gesso.1.2. 2. com diferentes características quanto ao tempo de pega. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. cujas composições e principais propriedades são apresentadas na Tabela 1.unesp.2.2.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. As especificações americanas ASTM 1 C 150 distinguem cinco tipos de cimento portland. na confecção de concretos. em forma de micro bolhas. Variando-se a composição do cimento é possível obter diversos tipos. resistência mecânica.feis. formando um corpo sólido. com adição de sulfatos de cálcio e outros compostos. utilizam-se aditivos que permitem reduzir a quantidade de água ou controlar o tempo de pega. 56 . SP. Freqüentemente. geralmente.Controle Tecnológico do Concreto . calor de hidratação. que fica preso durante a mistura.nepae. Em alguns casos especiais. O cimento portland é fabricado nas etapas seguintes: a) Mistura e moagem de materiais calcários e argilosos.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. etc. por cimento qualquer material capaz de ligar os agregados. é possível incorporar no concreto até 8% de ar.unesp. 2. Cimento 2.br .br e-mail: nepae@dec. em fornos rotativos.

do tipo denominado Blaine.Controle Tecnológico do Concreto . 2 3-( CaO ( CaO ) ( SiO ) Silicato dicálcio. A resistência do concreto com cimento usual.20 0.90 1. 4 .(CaO) (Al O ) (Fe O ) 4 2 3 2 3 ) 3 (Al 2 O 3 ) Os cimentos são moídos em pó muito fino. o traço utilizado para a consecução dos corpos-de-prova foi de 335kg de cimento por metro cúbico. resultando em maior resistência inicial e conseqüentemente maior geração de calor. sendo os principais responsáveis pelas suas propriedades cimentícias.unesp.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. SP.55 0. 2 2 Aluminato tricálcio. com exceção do cimento tipo III.unesp.Rodrigo Piernas Andolfato 6 Tabela 1 . 56 .75 1.55 0. A superfície específica média (comumente chamada de Blaine por ser o nome do ensaio que a determina) dos cimentos é cerca de 2600 cm 2 g . foi tomada igual a 300 kgf cm 2 . constituem a maior parte do ) 2 2 2 cimento.85 1 1 1 1 1 1 .br e-mail: nepae@dec. exprimindo-se pela “superfície específica”.br . o qual é moído com maior finura.( CaO ) ( SiO ) Silicato tricálcio.nepae.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. tipo I. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO (EM TIPO CARACTERÍSTICA PREDOMINANTE COMPOSIÇÃO (%) RELAÇÃO À RESISTÊNCIA DO CIMENTO TIPO I) 1 I II III IV V Tipo de uso corrente Moderado calor de hidratação / Moderada resistência a sulfatos Elevada resistência inicial Baixo calor de hidratação Elevada resistência a sulfato 3 2 2 24 33 13 50 40 3 11 5 9 5 4 4 8 13 8 12 9 1 DIA 1 0.feis.65 7 DIAS 1 0. não sendo possível determinar sua composição granulométrica por meio de peneiras.10 0.Tipos de cimento portland (ASTM C 150).75 0. que é a superfície total de todas as partículas contidas em um grama de cimento. Os dois silicatos de cálcio ( CaO ) 3 ( SiO ) e ( CaO ) ( SiO . na idade de 28 dias.90 0. . cerca de 75%.85 1.feis.75 28 DIAS 3 MESES 50 42 60 26 40 1 0. obtendo-se Blaine da ordem de 3000 cm 2 g O aumento da finura produz maior velocidade de hidratação. O grau de finura é medido em aparelhos de permeabilidade do ar. É apresentado no Figura 1 a variação das resistências com o tempo de concretos feitos com os cinco tipos de cimento das especificações americanas ASTM.

nepae.unesp.Rodrigo Piernas Andolfato 7 450 400 350 300 250 Tipo I Tipo II Tipo III Tipo IV Tipo V 200 150 100 0 100 200 300 Tempo (dias) 400 500 600 Figura 1 . devem atender aos valores especificados na Tabela 2.Resistências médias á compressão da argamassa normal. na proporção de 1:3 em peso. Os ensaios de controle da qualidade do cimento portland acham-se padronizados na Norma NBR-7215 de dezembro de 1996.unesp.Controle Tecnológico do Concreto . TIPO DE CIMENTO Cimento Portland Comum (CPC) tipo 25 tipo 32 tipo 40 Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CPARI) 1 10 IDADE (DIAS) 3 7 8 15 10 20 14 24 22 31 28 25 32 40 - Denomina-se argamassa normal por uma argamassa feita com o cimento estudado e uma areia padrão de laboratório. Tabela 2 . .br e-mail: nepae@dec.feis.br .Gráfico da relação entre ganho de resistência e tempo de cura. onde as resistências médias a compressão de seis corpos de prova de argamassa normal de cimento e areia. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. Para este ensaio são usados corpos-de-prova cilíndricos de 5cm de diâmetro por 10cm de altura.5. na proporção de 1:3 em peso com fator água / cimento de 0. 56 .Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. SP.feis.

de modo que os agregados misturados apresentem um bom entrosamento. mica. Os cimentos pozzolânicos apresentam as seguintes propriedades: a) Pequena velocidade na liberação de calor de hidratação. Denomina-se porcentagem acumulada em uma dada peneira a porcentagem das partículas de agregado maiores que a abertura dessa peneira. .feis.Rodrigo Piernas Andolfato 8 2. A composição granulométrica dos agregados é determinada em ensaios padronizados de peneiração.1. As propriedades dos cimentos de alto-forno são semelhantes às dos cimentos pozzolânicos. isentas de produtos deletérios.feis.3. na proporção de 10% a 40% da mistura. Esse bom entrosamento resulta em economia de pasta de cimento. matéria orgânica e outros. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. fixados nas especificações.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. As curvas granulométricas devem ficar dentro de certos limites.nepae. b) Elevada resistência a águas sulfatadas e ácidas.3. 2.Controle Tecnológico do Concreto .3. a fim de se obter um comportamento especial.unesp. que é o material mais caro do concreto. Os cimento portland com pozzolana são cimentos comuns adicionados de pozzolana. com pequeno volume de espaço vazio entre suas partículas.2. Propriedades gerais Os agregados constituem uma elevada porcentagem do concreto (cerca de 75%). escória de altoforno granulada. SP. tais como: argila. Os agregados em geral devem ser formados por partículas duras e resistentes. A composição granulométrica é representada em uma curva tendo como abscissa as aberturas das peneiras e como ordenadas as respectivas porcentagens acumuladas. ao clínquer. de modo que as suas características têm importância nas proporções empregadas e na economia do concreto. Dentro os cimentos portland modificados podem-se citar os cimentos portland com pozzolana e de alto-forno. 56 . Os cimentos de alto-forno são obtidos misturando-se. Agregados 2.br .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. sais. Cimentos portland modificados Os cimentos portland podem ser fabricados com diversas alterações.unesp.br e-mail: nepae@dec. silte. na proporção de 25% a 65% do peso de cimento.

40. c) Areia fina .Gráfico das faixas granulométricas das areias.05.Controle Tecnológico do Concreto .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira.4 e 3. . SP.módulo de finura entre 1.módulo de finura entre 2. Os valores acima são indicados pela Norma NBR-7211 de maio de 1983. com valores aproximados. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 1 2 3 4 5 6 Aberturas das peneiras (mm) 7 8 9 Figura 2 .35. finas e muito finas.35 e 4. A areia ótima para o concreto armado apresenta módulo de finura entre 3. médias. A faixa ótima está contida entre as linhas verde e amarela da Figura 2 e a faixa utilizável entre as linhas vermelha e amarela.05.2. d) Areia muito fina .feis.unesp.Rodrigo Piernas Andolfato 9 2. conforme o valor do seu módulo de finura.97 e 2.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.40 e 3. Esta ainda define todos as características obrigatórias para os agregados de concreto. nas peneiras da série normal.br e-mail: nepae@dec.feis.nepae.módulo de finura entre 3. 56 . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.3.35 e 4. porém a faixa entre 2.unesp.br .35 é considerada utilizável. dividida por 100. Agregados miúdos As areias são divididas em grossas. a) Areia grossa .módulo de finura menor que 1. que é a soma das porcentagens retidas acumuladas. b) Areia média .97.

.

1.Controle Tecnológico do Concreto .1.2.feis. cuja medida em centímetros é usada como valor comparativo da consistência.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. A consistência adequada é fundamental para garantir a trabalhabilidade do concreto. Consistência do concreto fresco A consistência do concreto fresco é uma propriedade relacionada com o estado de fluidez da mistura. ou seja. a facilidade com que o concreto pode ser colocado num certo tipo de fôrma. . A consistência do concreto é geralmente medida no ensaio de abatimento (slump test). em particular. da granulometria dos agregados. 3.nepae.unesp. 56 . A dosagem do concreto deve levar em conta a consistência necessária para as condições da obra. sem segregação. da presença de aditivos. da quantidade de água. SP.1.feis. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. por cima do concreto.Rodrigo Piernas Andolfato 11 3.unesp.1. etc. Geralmente o concreto é misturado em máquinas com tambor rotativo. A consistência e a trabalhabilidade dependem da composição do concreto. Peças finas e fortemente armadas necessitam misturas mais fluidas que peças de grande largura e com pouca armação. e. PROPRIEDADES DO CONCRETO 3. A mistura manual só é utilizada em obras muito pequenas. O concreto fresco é compactado no interior de uma fôrma tronco-cônica. denominadas betoneiras. Propriedades do Concreto Fresco 3. com altura de 30cm.br . A Tabela 3 apresenta a classificação do concreto segundo o valor em centímetros do abatimento no slump test. Preparação do concreto O concreto fresco é preparado pela mistura manual ou mecânica dos componentes. este sofre um abatimento. Retirando-se a fôrma.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira.br e-mail: nepae@dec.

56 . lajes.Classificação das consistências do concreto. SP. de modo que o material não perca sua plasticidade. para as obras mais correntes.Rodrigo Piernas Andolfato 12 Tabela 3 . paredes grossas Vigas.3.br e-mail: nepae@dec. tubulões. o concreto deve ser transportado e colocado nas fôrmas. O transporte e a colocação do concreto devem obedecer a uma série de requisitos. CONSISTÊNCIA Seca Firme Média Mole Fluida ABATIMENTO (cm) 0a2 2a5 5 a 12 12 a 18 18 a 25 Para evitar misturas com consistência seca ou muito fluida. é necessário: a) Empregar materiais de boa qualidade.br . b) Dosar os materiais em proporções adequadas. A compactação do concreto nas fôrmas é feita com auxílio de vibradores. A vibração é essencial para se obter um concreto resistente e durável.nepae. Recomendam-se as faixas de abatimento apresentadas na Tabela 4.1.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. nem sofra segregação de seus componentes.unesp. Propriedades do Concreto Normal Endurecido 3.feis. TIPOS DE CONSTRUÇÃO Fundações. Introdução Para se obter um concreto de boa qualidade. Tabela 4 .2.2.Controle Tecnológico do Concreto .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. 3.1. Transporte e colocação do concreto Após a sua fabricação na betoneira.feis. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. paredes finas Pavimentos Obras maciças ABATIMENTO (cm) 3 a 10 5 a 10 3a5 2a5 3.Classificação das consistências do concreto.unesp. .

Cura do concreto A cura do concreto tem por finalidade impedir a evaporação da água empregada no traço.br .unesp. compactando o concreto por meio de vibração.nepae. durante o período inicial de hidratação.Rodrigo Piernas Andolfato 13 c) Colocar o concreto nas fôrmas sem provocar segregação dos componentes.feis.Relação entre a resistência em determinado tempo com relação ao fc 28 curado em câmara úmida. O peso específico do concreto normal é de 2 .2 são estudados os concretos normais.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.2.2.unesp. 4 t metro cúbico). 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 (a) (b) (c) (d) (e) 28 50 90 100 150 200 250 300 350 365 400 Idade na época do ensaio (dias) Figura 3 . As propriedades do concreto endurecido dependem dos cuidados enumerados acima.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. isto é. m 3 (toneladas por 3. os concretos executados com agregados usuais. As Figura 3 apresenta uma relação porcentual entre as resistências à compressão de corpos-de-prova cilíndricos em determinados períodos de tempo com relação ao fc 28 de corpos-de-prova curados em câmara úmida. .feis. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.Controle Tecnológico do Concreto . e ainda das condições de cura do concreto. Neste item 3. 56 . SP.br e-mail: nepae@dec.

Como algumas s que é igual à 1 cm 2 prensas são manuais e graduadas em toneladas. por nenhum momento ter sido curado. deve apresentar um carregamento de aproximadamente 176. porém atingindo resistência fc28 somente aos 60 dias.feis. a resistência à compressão simples é medida em corpos-de-prova cilíndricos padronizados. Resistência à compressão simples do concreto A resistência à compressão simples é a propriedade mecânica mais importante do concreto. com elevação de tensão de 0 .2. O ensaio é do tipo rápido. após um ano este foi curado e apresentou ganho de resistência. de 15cm de diâmetro por 30cm de altura.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. SP.br e-mail: nepae@dec. Este apresentou acréscimo de resistência ao longo do tempo. curados em câmara úmida à 20ºC.feis. nem depois de um longo período de tempo. O traço (b) é semelhante ao traço (a). como também. porque fornece outros parâmetros físicos que podem ser relacionadas empiricamente à resistência à compressão. contudo.7cm². sem.Controle Tecnológico do Concreto . não só porque o concreto trabalha predominantemente à compressão.nepae.Rodrigo Piernas Andolfato 14 O traço (a) foi o corpo-de-prova exposto ao ar o tempo todo.unesp.7 kgf s . o que prova que mesmo após um longo período de tempo o concreto ainda ganha alguma resistência se for efetuada uma cura. porém não conseguiu atingir a resistência fc28 do traço (e) curado. apresentando também um ganho de resistência ao longo do tempo. 56 . O traço (d) foi curado somente após os primeiros 28 dias expostos ao ar. O traço (e) foi curado em câmara úmida o tempo todo.br . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. 3meses somente exposto ao ar. que seria igual à aproximadamente 10 tf min . O traço (c) foi curado após recuperação do ganho de resistência. um corpo-de-prova de 15cm de diâmetro que apresenta área igual à 176. sendo importante notar que esta cura fomentou a este concreto um acréscimo de 60% na resistência fc28 após um ano. e ensaiados com a idade de 28 dias.unesp.3. esta velocidade de carregamento pode ser expressa em toneladas por minutos. 1 MPa kgf s Assim sendo.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. Corpos-de-prova Geralmente. apresentando uma 3.

é possível abordar a conceituação da resistência do concreto de maneira estatística. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.feis. verifica-se considerável flutuação de resultados da resistência. Para cimento portland. determinada em corposdeprova cilíndricos padronizados com idade de 28 dias. indicado por f ccm = f cm cck Denomina-se resistência à compressão característica do concreto f =f ck um valor mínimo estatístico acima do qual ficam situados 95% dos resultados experimentais.br e-mail: nepae@dec. em seguida dividindo-o .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira.15 Resistência característica à compressão simples A resistência à compressão simples do concreto é. Idade do Concreto (dias) Cimento portland normal (tipo I) Cimento portland ARI (tipo III) 3 0.nepae. podem adotar-se os valores médios apresentados na Tabela 5.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.feis. O valor médio dos resultados experimentais é chamado resistência à compressão média do concreto. elevando este valor ao quadrado.Variação da resistência de concretos com diferentes cimentos portland. dividindo-se o desvio padrão pela média: δ= s f cm O desvio padrão é calculado fazendo-se o somatório das diferenças cada valor encontrado no ensaio pela média. Para a mesma dosagem do concreto.00 90 1.br . 645 ⋅ δ ) = f − 1 . os quais seguem aproximadamente a curva normal de distribuição.20 1. 56 .Controle Tecnológico do Concreto .00 1. com o tempo A evolução da resistência do concreto com o tempo depende do tipo de cimento e das condições de cura do concreto. SP. Admitindo-se a curva normal da distribuição. Tabela 5 . e cura úmida entre 15ºC e 20ºC.unesp.40 0.Rodrigo Piernas Andolfato 15 Evolução da resistência à compressão do concreto.unesp.75 28 1. em geral. Nessas condições.65 0. pode-se escrever a relação: f ck = f ( 1 − 1 .55 7 0. 645 ⋅ s cm cm Onde δ representa o coeficiente de variação ou dispersão dos valores.

e que apresentassem os seguintes valores: 1º ensaio (MPa) 2º ensaio (MPa) 18 16 19 20 19 20 20 24 Para os ensaios a média seria igual à: 18 + 19 + 19 + 20 = 19 4 16 + 20 + 20 + 24 4 f cm = 1 f cm 2 = = 20 Percebe-se claramente que a média do primeiro ensaio é menor que a do segundo. 2660 = 16 . se fossem realizados dois ensaios contendo cada um quatro corposdeprova. 30 % 19 3 . 8165 = 4 . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 .Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. 56 .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. 8165 s2 = ( 16 − 20 ) + ( 20 − 20 ) + ( 20 − 20 ) + (20 − 24 ) 4−1 2 2 2 2 = ( − 4) + ( 0 ) + ( 0 ) + ( 4 ) 3 2 = 32 3 = 3 . isto não significa que o valor característico do primeiro também será menor. Por exemplo.Controle Tecnológico do Concreto . SP.Rodrigo Piernas Andolfato 16 pelo número de ensaios menos um e por fim extraindo a raiz quadrada.2660 Percebe-se através da álgebra acima que o desvio padrão foi maior para o segundo ensaio. Esta equação é mostrada abaixo: s = Onde f ∑( f cci − f cm) 2 n−1 cc i é o valor de cada resultado obtido no ensaio e n é o número de ensaios realizados. propiciando os seguintes coeficientes de variação: 0 . 33 % 20 δ1 = δ 2 = . continuando: s 1= ( 18 19 ) 2 + ( 19 − 192) + ( − 19)2 + (20 − 19)2 − 19 1) = 4−1 (− 2 +(0)+(0)+(1) 3 2 2 2 2 2 2 = 2 3 = 0 .

feis.unesp.nepae.unesp.br .br e-mail: nepae@dec.www.feis.

no entanto.63 Ou seja. tinha apresentado valor médio mais alto. 2660 ) = 14 .feis.645 ⋅ 0 . Assim segue: f ck 1 = f 19 − 1 . 8165 ) = 19 .645 ⋅ 3 .645 ⋅ s = cm − ( 1 . SP. Segundo a NBR-6118 de novembro de 1980.unesp. Controle da qualidade do concreto para aceitação da obra Na maioria das obras.br . Usando os dados do exemplo anterior. o primeiro ensaio apresentou valor característico bem mais alto que o segundo que. tem-se: 1º ensaio (MPa) 2º ensaio (MPa) 18 16 19 20 19 20 20 24 Ficando: fcc1 16 fcc2 18 fcc3 19 fcc4 19 fcc5 20 fcc6 20 fcc7 20 fcc8 24 Feito isso o valor estimado da resistência característica do lote poderá ser obtido com a expressão: . a obra deverá ser aceita automaticamente se um fck-est for maior que fck estipulado em projeto.nepae. Para o cálculo do fck-est devem-se primeiramente dispor os dados em ordem crescente em uma tabela.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. 645 ⋅ s = 20 − ( 1 .Rodrigo Piernas Andolfato 17 O coeficiente de variação para o primeiro ensaio é baixo o que lhe imprimirá valor característico muito próximo do valor médio enquanto que para o segundo ensaio o coeficiente de variação mais elevado fará com que o valor característico se distancie da média.66 f ck 2 = f cm − 1 .unesp.br e-mail: nepae@dec. 56 .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.Controle Tecnológico do Concreto . pela análise estatística.feis. não se dispõe de um número de ensaios suficientes para determinação precisa da resistência característica do concreto executado.

33 ⎝ 3 ⎠ Este valor fica ainda restrito a não ser maior que α ⋅ f cc 1 e nem maior que 0 . conforme a Tabela 6. SP.93 10 0.02 ≥18 1. 56 .unesp.unesp.91 8 0.96 12 0. Tabela 6 .feis.98 14 1.00 16 1.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. n= α= 6 0.br .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira.nepae.Relação entre α e o número de ensaios. 85 ⋅ f cm Os valores de α são tabelados segundo o número de ensaios. a expressão para o cálculo do fck-est fica: f ck − est = 2⋅ ⎛ ⎞ ⎜ ⎟ ⎜ f cc 1 + f cc 2 + f cc ⎟ 3 ⎜ ⎜ ⎝ −f ⎛8 ⎞ ⎜ −1⎟ ⎝2 ⎠ ⎟ ⎟ ⎠ cc 4 ⎛ 16 + 18 + 19 ⎞ =2⋅⎜ ⎟ − 19 = 16 .feis. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.89 7 0.br e-mail: nepae@dec. para este exemplo: f =f cc cc n 2 8 2 =f cc 4 Assim.04 .Controle Tecnológico do Concreto .Rodrigo Piernas Andolfato 18 ⎛f f ck− est +f cc 1 cc 2 + +f =2⋅ ⎜ ⎜ ⎞ ⎛n ⎞ cc⎜ − 1⎟ ⎟ 2 ⎠ ⎟ ⎝ ⎜ ⎜ ⎝ ⎛n ⎞ ⎜ − 1⎟ ⎝2 ⎠ −f ⎟ ⎟ ⎠ n cc 2 Onde f ⎛ n ⎞ cc −1⎟ ⎜ ⎝2 ⎠ é o valor obtido do corpo-de-prova igual ao número de ensaios dividido por dois menos um. para este exemplo: f cc⎜⎛ =f =f n ⎞ ⎝ − 1⎟ 2 ⎠ ⎛8 ⎞ cc⎜ − 1⎟ ⎝2 ⎠ cc3 E f cc n 2 é o valor obtido do corpo-de-prova igual ao número de ensaios dividido por dois.

br .93 ⋅ f cc 1 = 0 .Controle Tecnológico do Concreto .unesp. Assim o valor que deve ser adotado para o fck-est é de 14.88 O outro valor limite será igual à 19. s = 2 .Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.nepae. onde o valor médio foi de Realizando um comparativo entre os dois processos.br e-mail: nepae@dec. Uma observação importante. 2678 e f = 15 . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.5. 56 .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. 77 ck 0. é que para concretos dosados para valores menores que 16MPa o fck-est deve ser igual à α f ⋅ cc 1 . 5.unesp. 5 = 16.feis. Apresentando valores mais baixos.feis.Rodrigo Piernas Andolfato 19 Para o exemplo α = 0 .88. O processo estatístico apresentaria valores: f cm = 19 .85 ⋅19. SP.93 e um dos valores limite será de 0 .93 ⋅16 = 14. percebe-se que na maioria dos casos o valor característico estimado estará sempre a favor da segurança.85 ⋅ f cm = 0 .58 .

1. DOSAGEM DO CONCRETO NORMAL 4. b) Plasticidade suficiente do concreto fresco.1. Onde k é um coeficiente corretivo para o número n de ensaios utilizados na determinação de s (desvio padrão).) a resistência média de dosagem pode ser calculada com a fórmula: f cm = f + 1 . Finalidade da dosagem A dosagem do concreto tem por finalidade determinar as proporções dos materiais a empregar.2.feis. . 56 . Quando é conhecido o desvio padrão.unesp. com 28 dias obtidas em corpos-de-prova padronizados.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. é estimada em função da resistência característica especificada no projeto. Resistência da dosagem A resistência adotada como referencia para dosagem é a resistência média.1. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. etc. A resistência média.br e-mail: nepae@dec.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. 4.Controle Tecnológico do Concreto .Rodrigo Piernas Andolfato 20 4.br . 65 ⋅ k ⋅ s ck Sendo que fcm nunca pode ser menor que fck+3.nepae. a ser obtida com a dosagem estudada.3MPa.feis. ou da outra obra em condições equivalentes (mesma granulometria dos agregados. de modo a se atender a duas condições básicas: a) Resistência desejada. Introdução 4. SP. determinado em ensaios com corpos-de-prova da obra considerada. mesma relação água / cimento.unesp. Valores de k são encontrados na Tabela 7.1.

. Os concretos de granulometria contínua apresentam boa trabalhabilidade e pequena tendência à segregação.br . onde fornecedores de concreto (concreteiras) devem dosar seus traços para valores de fcm em função do fck pedido.4. 5 MPa =f ck Estes critérios implicam na condição. O traço calculado deverá ser corrigido se for verificado que a plasticidade do concreto fresco é insuficiente ou excessiva. sendo por isso especificados nas normas.Controle Tecnológico do Concreto . 5 MPa + 9 . 4. devendo-se sempre confirmar o traço pela observação visual da plasticidade obtida na mistura.feis. Os cálculos são baseados em relações experimentais aproximadas.unesp.feis.35 25 1. 56 . Processos de dosagem Existem diversos processos semi-empíricos para calcular a composição de materiais a empregar na mistura. Os traços obtidos com esses agregados denominam-se de granulometria contínua.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira.Relação entre k e o número de ensaios. uma vez que os agregados têm porcentagens retidas em todas as peneiras da série normal.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. usando-se as expressões: f cm = f f cm = f f cm Controle rigoroso Controle razoável Controle regular ck ck + 6 . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.1.1. Concreto de granulometria contínua Em geral se utilizam agregados com curvas granulométricas compreendidas em faixas ideais especificadas. n= k= 20 1. 4.nepae. e pela resistência dos corpos-de-prova.br e-mail: nepae@dec.20 200 1. a resistência de dosagem será fixada em função do tipo de controle dos materiais.unesp.10 Quando não for conhecido o desvio padrão. SP. o que se denomina traço do concreto.25 50 1.3. 0 MPa + 11 .Rodrigo Piernas Andolfato 21 Tabela 7 .30 30 1.

1. Tabela 8 . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.unesp. Cálculo do traço em peso Relação água / cimento O traço do concreto é em geral referido a um saco de cimento (50kg).5 150 15 130 13 100 10 . O fator X é escolhido em função da resistência média aos 28 dias. 56 . igual à relação entre os pesos da água e cimento.70 0. conforme dados experimentais médios de cimentos nacionais. e correntemente denominada fator água / cimento.90 Resistência média aos 28 dias (fcm) kgf/cm² MPa 450 45 400 40 350 35 300 30 250 25 220 22 200 20 175 17.Controle Tecnológico do Concreto .br . Relação água / sólidos A trabalhabilidade do concreto fresco depende da relação (Y) entre o peso de água e o peso dos materiais sólidos (cimento+areia+brita).37 0. SP.80 0.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira.75 0.Rodrigo Piernas Andolfato 22 4. A composição em peso pode ser expressa da seguinte forma: 1 .areia B .água A . Fator água / cimento (X) para cimento portland tipo I 0.40 0.brita A resistência do concreto depende da fração X.Fator X (água / cimento) em função da resistência. que se pode denominar relação água / sólidos.feis.50 0.60 0.br e-mail: nepae@dec.feis.unesp.45 0.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.55 0.cimento X .65 0. Dosagem de Concretos com Granulometria Contínua 4.2.nepae.2.

para o cálculo das massas de areia (A) e brita (B). A quantidade de brita (B) pode ser estimada.nepae. em função do peso total de materiais sólidos.feis. adotar valores aproximados de Y. e o valor de X para uma dada resistência média. SP. granulometria. com aditivo: 50% 55% Resultam então as fórmulas da Tabela 10.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.Fórmulas para determinação das massas dos agregados. conforme a Tabela 8. Outros fatores influem na relação Y. Massa de agregado para 1kg de cimento Brita (B) Tipo de concreto para colocação com vibrador Sem aditivo Com aditivo ⋅ ⋅ 0 .unesp. tais como tipos de agregado.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. 45 ⋅ − 1 Y . conforme a Tabela 9.5 X Y −1 X 0 .feis.Rodrigo Piernas Andolfato 23 água X Y = cimento + agregados = 1 +A+ B A relação Y constitui um dado experimental.5% Concreto com aditivo 8% 7. 56 .br . 55 ⋅ Y X 0 . pode-se determinar a quantidade total de agregados (A+B). formas dos grãos. entretanto. adotando-se as seguintes porcentagens: Concreto vibrado.unesp. etc. em função de X e Y.Controle Tecnológico do Concreto .br e-mail: nepae@dec. Pode-se.Relação Y para concreto vibrado. em função máxima do agregado.5 X Y Areia (A) 0 . sem aditivo: Concreto vibrado. Tabela 9 . Tabela 10 .5% Massa dos agregados Escolhido o valor de Y. que depende principalmente do diâmetro máximo do agregado e da consistência desejada. aplicáveis para agregados usuais. Diâmetro máximo do agregado dmax 19mm 25mm Concreto sem aditivo 9% 8.

unesp. SP. a quantidade de brita corresponde a 50% de todo o material sólido. por exemplo. Como segue: A partir da fórmula: X 1 +A+ B X Y Y= .unesp. então a areia e a parte de cimento correspondem a outra metade e assim: B= 1 + A∴ 1 +A+B=2 B X Y 1 X X ⋅ = 0.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. E a parte esquerda corresponde a 1000 litros menos 1. 56 . Deve-se atentar que para esta fórmula deve-se utilizar a massa .5 ⋅ Isto significa que a parte de areia é igual a parte de brita menos a parte de cimento. Consumo de cimento O consumo de cimento C (kg de cimento por m³ de concreto) pode ser calculado pela seguinte fórmula: 1000 − 1 . Se para concretos vibrados sem aditivo. 5 % = C⋅ ⎛ 1 X A B ⎞ + + + ⎜ ⎟ mX mA m ⎠ ⎝m C B Onde cada relação na parte direita da equação representa o volume de cada material.br .nepae.Rodrigo Piernas Andolfato 24 As fórmulas apresentadas na Tabela 10 são facilmente dedutíveis.5% de ar em volume normalmente incorporado na mistura.Controle Tecnológico do Concreto . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.5 2 Y Y 2B = ∴ B= Desta forma: X X ∴ A = 0 . 5 ⋅ −1 Y Y 1 + A = B = 0.br e-mail: nepae@dec.feis.feis. E fica demonstrado então a obtenção das fórmulas da Tabela 10. tem-se: 1 + A + B = Onde 1 + A + B são os matérias sólidos.

Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. 125kg l 1kg) ) l ≅ 2 . 125 1 2 .Rodrigo Piernas Andolfato 25 específica e não a massa específica aparente. Isto se deve ao fato de que no cálculo da massa específica de um material este não apresenta vazios que é aproximadamente como os materiais se apresentarão no concreto. sem aditivo plastificante. com rigoroso controle dos agregados em peso e com as seguintes características: fck 28 = 20MPa d max = 19mm X − Xareia 985 ≅ ≅ 3 . de um traço com peso C de cimento. Deste modo. 60 2 . a equação fica: ⎛ 1 X A B ⎞ 985 = C ⎜ + + + ⎟ mX mA m ⎠ ⋅ ⎝m C B Com as seguintes massas específicas conhecidas: mC: massa específica de cimento ( mX: massa específica da água ( mA: massa específica da areia ( mB: massa específica da brita ( Pode-se escrever: 985 = C = ⎛ 1 X A B ⎞ 0 .br . SP. Volume de água Conhecendo-se a umidade (H) da areia.br e-mail: nepae@dec.feis. 364 ⋅ B ⎜ + + + ⎟ ⎝ 3 .nepae. a quantidade de água na areia. 75 ⎠ A fórmula já fornece o peso de cimento para 1m³. 56 . será de: Xareia = C ⋅ A ⋅ H E a quantidade de água a acrescentar no traço será Exemplo para cálculo do traço Calcular o traço em peso de um concreto de consistência para vibração. 75kg l .Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.feis.Controle Tecnológico do Concreto . 32 + X + 0 .unesp. 60kg l ) ) ≅ 2.unesp. 384 ⋅ A + 0 .

unesp.75 litros de água por saco de cimento de 50kg. 5 ∴ = ∴ 0 . Isto é feito utilizando-se regra de três com o valor logo abaixo (25MPa) e o valor logo acima (30MPa) 30 − 25 0 . 5 MPa ck Com o valor da resistência média pode-se determinar o valor de X através da Tabela 8. 535 − 1 = 0 . 09 Assim está determinado o traço em peso: 1:1 . Com os dados de X e Y e as fórmulas da Tabela 10. 50 − X − 100 = Um dos dados do problema estipula o diâmetro máximo do agregado em 19mm e outro dado estipula que é um concreto sem aditivo. será de: 26. 5 MPa = 26 .Rodrigo Piernas Andolfato 26 Para um rigoroso controle de qualidade o valor da resistência média aos 28 dias pode ser determinado por: f cm 28 = f + 6 .02 = 24. 50 − X − 0 .Controle Tecnológico do Concreto .Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.97 ⋅ 0 . 09 A = 0 .unesp. a quantidade de água a adicionar ao traço será: O consumo de cimento por m³. 05 0 . Supondo a areia com 2% de umidade. temse Y = 9% = 0.97 → cimento : areia : brita Com 26. 50 − X = ∴ X = 0 .5 Y = 0.feis. 535 0 .75 − 50 ⋅1 .09. 97 ⋅ 0 .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira.nepae.97 : 2 . 5⋅ X 0 . Como não há o valor de 26.78lts . 5 ⋅ = 2 . 97 Y 0 . SP. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. 5 5 3 .5 3. 55 30 − 26 . A partir destes dados e das relações da Tabela 9.feis. 56 . 50 − 0 . 535 B = 0 .5MPa deve-se fazer uma interpolação para se economizar cimento. 5 ⋅ − 1 = 1 .br e-mail: nepae@dec. encontram-se: X 0 .br .

4 = 114 litros 2 . SP. + 535 kg = 365 3 + 0 .Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.2.3 Areia: Brita: . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 . Solução: Admitindo as massas específicas aparentes indicadas acima. 97 ⋅ 50 1. podem ser adotados os seguintes valores de massa específica aparente: Areia com 3% de umidade: Brita: 1 . 97 m 985 4. Exemplo para cálculo do traço em volume Exprimir o traço do exemplo anterior em volume de agregado. Como indicações práticas aproximadas. 384 ⋅ A = 0 . em geral se utilizam padiolas de dimensões padronizadas.Controle Tecnológico do Concreto .Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira.3 kg l Em obras pequenas. 32 + X + 0 . 364 ⋅ B 0 . 97 ⋅ = 70 litros 50 1. 32 + 0 .Rodrigo Piernas Andolfato 27 985 C = 0 . 97 + 0 . Cálculo do traço em volume O emprego do traço em volume é muito conveniente. uma vez que a massa específica aparente das areias varia muito com a umidade. exprimindo-se as quantidades de areia e brita em número de padiolas por saco de cimento (50kg). obtemos os seguintes volumes de agregados. e a massa específica da brita varia com a forma das partículas e do recipiente usado para medir o volume. 56 .4 kg l 1 . porém pouco preciso.2. 384 ⋅ 1 . para 1 saco de cimento: 1 . 364 ⋅ 2 .

feis.unesp.unesp.nepae.www.br .feis.br e-mail: nepae@dec.

escolhendo-se os diâmetros das partículas de modo que elas possam arrumar-se deixando entre elas um volume pequeno. / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. pequena trabalhabilidade e forte tendência à segregação. Dosagem de concretos com agregados de granulometria descontínua Os traços calculados nos itens anteriores se referem a agregados compreendidos dentro das curvas granulométricas ideais das normas.nepae. 56 . É possível também realizar traços com agregados de granulometria descontínua. .unesp. Esses traços são denominados de granulometria contínua. sendo necessário adensá-los com vibradores de grande potencia.Controle Tecnológico do Concreto . com menor consumo de cimento que nos concretos usuais.Rodrigo Piernas Andolfato 28 4.unesp. Com granulometrias descontínuas é possível obter concretos de grande densidade e elevada resistência. que deve ser preenchido pela nata de cimento.br . Os concretos de granulometria descontínua apresentam.feis. entretanto.br e-mail: nepae@dec.3. SP.2.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.feis.

/ Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS .Controle Tecnológico do Concreto . Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas. 1983. 1994.nepae. Agregados - Determinação da composição granulométrica: NBR-7217. SP.br . . ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS . 4p. Câmaras úmidas e . ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS . Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira.unesp. 9p. 56 . 5p. Agregado para concreto: NBR-7211. 2p.br e-mail: nepae@dec. Rio de Janeiro: Associação tanques para cura de corpos-de-prova de argamassa e concreto: NBR-9479. 3p. 1983. 1987.ABNT. 5p.feis. 1994.ABNT. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS .ABNT.Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos: NBR-5739.feis. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS . Concreto . Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS .Rodrigo Piernas Andolfato 29 5. Moldagem e cura de corpos-de-prova cilíndricos ou prismáticos de concreto: NBR-5738. Cimento Portland Determinação da resistência à compressão: NBR-7215. 1994.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil.ABNT.ABNT.ABNT.ABNT.unesp. Projeto e execução de obras de concreto armado: NBR-6118.

Controle Tecnológico do Concreto . Concreto - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas. W.br .A. 8p.feis. PFEIL.unesp.br e-mail: nepae@dec. SP.feis.Determinação da massa específica: NM23:2000. Concreto Armado . 56 .nepae. Rio de ASOCIACIÓN MERCOSUR DE NORMALIZACIÓN.Centro / CEP: 15385-000 Ilha Solteira. Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone: NBR NM-67.Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural Avenida Brasil. 5p.unesp. 234p. 1998. .Livros Técnicos e Científicos Editora S.ABNT.Rodrigo Piernas Andolfato 30 . 1985..Introdução: Rio de Janeiro: LTC . / Fone: (18) 3743-1000 Ramal: 1362 www. Cimento portland e outros materiais em pó .

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