Razões de Recurso de Apelação – Corrupção de Menores

RAZÕES DE APELAÇÃO

PROTOCOLO .................... Apelante: ...................

Egrégio Tribunal, Colenda Câmara, Insigne Relator,

O presente recurso tem como escopo a indignação, do recorrente, com a sentença condenatória, da lavra da Juíza da ............. Vara Criminal de ............., que o condenou a uma pena definitiva ...... (...) anos e ... (...) meses de reclusão a ser cumprida no regime semi-aberto, sob a suposta prática do delitos inscritos nos art. 218-A, do Código Penal com a nova redação que lhe deu a novel Lei 12.015/2009 e 241, do Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8.069/90 A matéria objeto da presente irresignação já foi motivo de recurso do mesmo jaez, tendo esta Egrégia Corte ex officio declarado a nulidade da sentença, no tocante a individualização da pena, determinando a lavratura de outra em obediência aos critérios do art. 68 e 59 do Código Penal. Embora, não haver apreciado mérito ficou sufragado a manutenção das condenações impostas pelo Juízo de piso. Com a devida vênia, como diz o dito popular “a emenda ficou pior que o soneto”. A nova versão da sentença reformada é contraditória, traduzindo em suas conclusões, com referência a

tem se posicionado no sentido de que sendo crime de ação múltipla. uma vez que ambas as figuras “presenciar a prática de atos libidinosos e praticar ato libidinoso” estão no inseridos na mesma conduta. anos e .. obteve-se um total de . pág. o crime é apenas um”2 Diz a jurisprudência: “A realização de mais de um comportamento descrito nos tipos. Luiz A. . diga-se injustificável. pois se trata de crime de múltipla ação. meses de reclusão a serem cumprida no regime aberto. ainda quando realizada pelo mesmo autor sucessivamente num só contexto de fato. Parte Generale. porquanto o fato continuou o mesmo e as circunstâncias judiciais permaneceram inalteradas. agora.. não há justificativa plausível para a dupla condenação por corrupção de menores (art.determinação do quantum punitivo. quando os comportamentos devam ser considerados “atos de uma só ação. RT. pelo que não poderiam ocasionar duas condenações. seja do caput sejam dos parágrafos. Machado “Direito Criminal”.. tanto a doutrina como a jurisprudência dominante. cuja conclusão a que chegou foi de que a quantidade de pena suficiente para reprovação e prevenção do crime seria de . Ed. 1987. sendo que a condenação na forma prescrita na sentença recorrida constitui indisfarçável bis in idem. Parte Geral. um produto nascido de um raciocínio equivocado e de lógica absurda e quimérica. 218 CPB)..1 Como diz Luiz Alberto Machado. desde que integrem no mesmo 1 2 Silvio Raineri. Neste aspecto. pág. sem que houvesse qualquer mudança no cenário criminoso. 59. que serviu de base à aquela anulada. meses. de lá para cá houve um acréscimo radical na reprimenda penal. Ou seja.. 1945.... Pois vejamos: A nova sentença alicerçou-se nos mesmos pilares do conjunto probatório. 357. “Diritto Penale”. anos e .. De igual modo. aplica-se o princípio da alternatividade segundo o qual a norma que prevê diversas condutas como forma de realização de um mesmo crime só é aplicável uma vez.

quando a análise das questões judiciais são visceral e totalmente idênticas as da primeira. AC.. 5 JTACrim-SP. ACrim. seja inicial....contexto de fato. carregar na dosimetria da pena. se o legislador ordinário.015/2009. é óbvio que ocorreu um deslize em seu raciocínio... Ora. É este o posicionamento de nossos Superiores Pretório. 218-A.. e . 44. arbitrariamente e segundo sua opinião pessoal a respeito de um determinado tipo penal.. seja intermediária ou final. já estabelece as balizas a serem obedecidas no momento da fixação da pena.. RT 620/324. do Código Penal com sua recentíssima redação que lhe emprestou a Lei 12..... do art. mormente depois de ter considerado a primariedade do agente”4 “(. o que seria mais coerente a colocação da reprimenda penal no mesmo patamar. Vanderlei Borges – RJD 23/214.. Análise das questões judiciais idênticas e penas diferentes.. 59. 241 do ECA. . configura delito único e não concurso de crimes. do Código Penal. responde por um só delito.. com relação as vítimas .. e não o dobro como equacionou a magistrada de piso. como demonstram os seguintes arestos: “O Juiz não pode sem nenhum dado concreto.”5 Do mesmo modo obrou a Juíza sentenciante na fixação das penas com relação aos crimes previsto no art. incrustadas no art.. Rel. 32/263. havendo entre eles nexo de causalidade ou relação de meios executórios e fim... surpreendido na realização de uma das ações.) Em face disso. não se somando as penas”3 Outro fator discrepante da boa lógica é a exasperação da pena na segunda figura. TACRIM-SP. e após efetuar análises milimetricamente idênticas o juiz chega a duas conclusões díspares....No sentido de que há concurso material. 3 4 TJPR.

espera o Apelante. sejam as presentes razões recebidas.. EX POSITIS.... mais uma vez..... vez que tempestivas e próprias... data.. Local. nas presentes razões. . restabelecendo o império da Lei..É indeclinável que Esta Egrégia Corte. estará editando decisório carregado de equidade. do Direito de Excelsa JUSTIÇA.. nos termos da legislação pertinente. .. Com relação a matéria de mérito o Apelante. de forma lógica e racional... conseqüentemente... pugna pela incorporação das argumentações contidas nas fls.. decretando a nulidade da sentença e faça a adequação da reprimenda penal. pois desta forma Este Egrégio Sodalício... _________________ OAB . decretada sua absolvição. julgue procedente o presente recurso...... para final dar provimento ao apelo.....

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful