Lição 31: A ética deontológica de Kant Problema Qual o fundamento da moralidade?

Qual o critério para avaliar a moralidade das acções? Dois tipos de teorias 1) Teorias deontológicas - o critério para avaliar a moralidade das acções é o seu respeito pelos princípios 2) Teorias consequencialistas – o critério para avaliar a moralidade das acções são as suas consequências Duas teorias Deontológicas ▼ Teorias que fazem depender a moralidade de uma acção do respeito por princípios ▼ Devemos agir por obediência a regras ▼ Exemplo: para Kant mentir é errado ainda que do acto de mentir resultem benefícios ▼ Kant pergunta: qual foi a intenção da acção? Consequencialistas ▼ Teorias que fazem depender a Moralidade de uma acção das suas consequências ▼ Devemos escolher a acção que tem as melhores consequências globais ▼ Exemplo: para Stuart Mill mentir não é errado por princípio, mas em função das consequências ▼ S. Mill pergunta: quais as consequências das acções? Uma teoria deontológica: a ética racional de Kant Sumário  Legalidade e moralidade  O ideal moral: tornar a vontade boa  Dever e lei moral – imperativo categórico da moralidade  Moralidade, autonomia e dignidade humana  Fundamento e critério de moralidade 1. Legalidade e moralidade

. e é além disso uma coisa para que toda a gente tem inclinação imediata.) Mantém um preço fixo geral para toda a gente. Kant. portanto. mas por dever.Lição 31: A ética deontológica de Kant Kant caracteriza o domínio da moralidade e apresenta um critério para avaliar a moralidade das acções (Fundamentação da Metafísica dos Costumes)  Em que circunstâncias uma acção é boa?  Basta respeitar as regras?  Se o depositário de um bem (dinheiro) o devolve por ter medo de ser descoberto.. p. sem dúvida. o seu interesse assim o exigia. mas somente com intenção egoísta. então a sua máxima tem conteúdo moral. quando as contrariedades e o desgosto sem esperança roubaram totalmente o gosto de viver. Mas por isso mesmo é que o cuidado que a maioria dos Homens lhe dedicam não tem nenhum valor intrínseco e a máxima que o exprime nenhum conteúdo moral. estamos a agir moralmente. a acção ainda é moralmente boa? Devolver o dinheiro será suficiente para se poder falar em moralidade? Kant >>> É na verdade conforme ao dever que o merceeiro não suba os preços ao comprador inexperiente (. mas escolhe a honestidade por interesse. mas porque é meu dever respeitar o princípio universal não matarás.. não por inclinação ou medo. 111 Kant >>> Pelo contrário. quando o infeliz (…) deseja a morte e contudo conserva a vida sem a amar. mas isso ainda não é bastante para acreditar que o comerciante tenha assim procedido por dever e princípios de honradez. pois. habitualmente.. fazemo-lo por inclinação e não por lhe atribuir valor intrínseco: conservamos a vida por conformidade ao dever 3) Se perdermos a vontade de viver e desejarmos morrer mas conservarmos a vida por dever. Se conservarmos a vida por gostar de viver. não por dever 2) Temos o dever de conservar a vida e gostamos de viver.) por dever. Os Homens conservam. A acção não foi. pois a regra particular (Kant chamalhe máxima) que seguimos ao escolher o dever tem valor moral Diz Kant:  Conservo a vida não por ter gosto de viver. conforme ao dever. conservar cada qual a sua vida é um dever. de forma que uma criança pode comprar na sua mercearia tão bem como qualquer outra pessoa.) Pensar Azul. Fundamentação da Metafísica dos Costumes Kant apresenta três exemplos 1) Fixando um preço. mas não por dever. a sua vida..  A moralidade das acções resulta do cumprimento do dever  . servido honradamente.. praticada (. (. Em contraposição. É-se. o merceeiro respeita a regra moral.

isto é. i. numa vontade que se determine a agir por dever  Só a escolha do dever por dever permite transformar a vontade numa vontade boa  Dever e lei moral – imperativo categórico da moralidade . em conformidade com a norma 2.Lição 31: A ética deontológica de Kant    Distinção legalidade versus moralidade Legalidade Carácter das acções simplesmente boas.. Moralidade  Carácter das acções realizadas não só em conformidade com a norma. quem decide realizar a acção é vontade (a “faculdade do querer”)  Nós nem sempre escolhemos de acordo com a nossa racionalidade.e. Porquê?  Porque na deliberação e na decisão somos influenciados pelo que Kant chamou as três disposições do ser humano  As três disposições do ser humano Como alcançar a vontade boa?  O corpo e a razão não têm as mesmas inclinações  A vontade fica sujeita a conflitos entre disposições  A vontade fica dividida entre o dever (motivações racionais) e o prazer (inclinações sensíveis)  A vontade pode escolher (é o livre-arbítrio)  Nem sempre escolhe o dever (a moralidade) Vontade boa  Devido aos conflitos entre as disposições a vida ética é uma luta  Kant propõe como ideal moral o esforço para transformar a vontade dividida e imperfeita numa vontade boa. mas também por respeito ao dever  O ideal moral: tornar a vontade boa  Quem opta é a razão.